Arquivo da categoria ‘Oração’

Este é o post número 500 do blog APENAS. Já são quase 6 anos escrevendo reflexões sobre os mais variados aspectos da vida cristã. Foram quase 2.100 dias cheios de altos e baixos, textos escritos em meio à dor ou à alegria, com o único objetivo de contribuir de algum modo para a edificação dos meus irmãos e de minhas irmãs e para a glória do Criador. Sinceramente, quando penso nesse número mal consigo acreditar. Ao olhar para essa jornada, me vêm à mente alguns pensamentos, que gostaria de compartilhar com você.

1) Penso na graça de Deus. Muitas vezes li, ao longo desses quase 6 anos, muitos comentários de assinantes do blog agradecendo, elogiando e relatando como foram abençoados por textos compartilhados aqui. Sempre que leio um depoimento como esse, acredite, me pergunto “como é possível?”. Sou uma pessoa absolutamente comum, cheia de pecados, com angústias e dúvidas, altos e baixos, sem nenhum pingo de santidade a mais que qualquer outra, que apenas se esforça. E, ainda assim, aprouve ao Senhor usar este vaso de barro bem rachadinho e esfarelento para levar o tesouro da sua Palavra às pessoas que acessaram mais de 3,4 milhões de vezes o APENAS. Não é, de modo algum, falsa modéstia, é uma percepção realista: isso só foi possível pela graça de Deus. Sim, reflexões de um cidadão tão pecador como eu abençoarem a sua vida é uma prova gigantesca de que a graça de Deus age como quer, onde quer, por meio de quem quer. Graça.

2) Penso em como somos seres capazes de mudar. Em 2011, quando criei este blog, eu era um cristão irado, um caçador de hereges, que escrevia textos raivosos e verborrágicos “em nome de Jesus” e achava que com isso estava contribuindo com o reino de Deus. Depois de um processo muito doloroso em minha vida pessoal, parei, pensei, orei e percebi como eu estava errado. Decidi reler os evangelhos com atenção especial para o que Jesus disse, como disse e com que finalidade disse. Dessa percepção, morreu o escritor que discutia com fúria e termos rebuscados acerca de institucionalismos e nasceu o escritor disposto a escrever numa linguagem que todos entendessem e dedicado a falar ao coração humano. Deixei de lado debates intermináveis sobre temas intermináveis e periféricos da teologia e passei a escrever sobre temas centrais da fé, como perdão, sofrimento, fé, amor, graça. Desisti de ser um cruzado vingativo e decidi ser um pacificador que devolve o mal com o bem. Transformação.

3) Penso na possibilidade de corrigir erros do passado. Quando passei por esse processo doloroso, fiquei alguns meses sem escrever, refletindo, me reinventando. Decidi reler textos do início do blog. Apaguei cerca de vinte deles, por não concordar mais com o que eles diziam. Em geral, por serem textos agressivos, ofensivos, irados. Eu não queria mais ser assim. Queria ser como Cristo, manso e humilde de coração. E isso exigia arrependimento e consertos. Assim como Zaqueu, tentei corrigir o passado. O jeito que enxerguei foi deletando aquilo em que eu não mais acreditava. Descobri que o pensamento “eu sou desse jeito mesmo e é assim que Deus vai me usar” não é bíblico, pois todos podem corrigir os erros, trabalhar o temperamento, voltar atrás e buscar consertar os estragos que provocaram. Arrependimento.

4) Penso que não custa caro amar o próximo. Este blog nunca teve um anúncio pago sequer, nunca me rendeu nenhum centavo. Não o criei como fonte de renda, minha motivação sempre foi e continua sendo edificar vidas, para a glória de Deus. Descobri que não ter nenhum tostão no bolso não é desculpa para deixar de fazer algo pelos outros. Não tenho riquezas, quase não tenho economias, mas, por meio de uma ferramenta gratuita de criação de blogs, oferto a meus irmãos e irmãs toda semana aquilo que Deus quis me dar: pensamentos, conhecimento bíblico, caminhos percebidos para as dores da vida. Também nunca pedi para ninguém curtir minhas postagens, comentar, compartilhar, nada que fosse um estímulo induzido a arrebanhar seguidores ou assinantes: divulga o blog quem deseja, convida amigos para assinar quem é tocado no coração. Divulgação espontânea, de quem Deus leva a fazer isso. Zero centavo em propaganda. Amor ao próximo.

5) Vi que o fracasso faz parte da jornada. Fiz algumas tentativas no APENAS que não foram bem-sucedidas. Gravei Mateus e Marcos em áudio, mas foram tão poucos acessos que tirei as gravações do ar. Tentei fazer sorteios, com poucos interessados. Escrevi sobre questões a que pouca gente deu ouvidos. Gastei horas da vida escrevendo reflexões que não tiveram muita consequência. Fui atacado ferozmente por pessoas que leram algo de que discordavam e, por isso, me chamaram de nomes que não me atrevo a reproduzir. Descobri com isso que, mesmo que o que você não faça duas ou três coisas que acertem o alvo, deve continuar tentando, pois os acertos sempre vão compensar os fracassos. Perseverança.

6) Descobri que o poder da Palavra é realmente extraordinário e, uma vez que você proclama o evangelho genuíno, puro e simples, sem segundas intenções, ele terá consequências que independem de você e dos seus esforços. Por vezes, escrevi textos que me pareceram simples demais ou até meio bobinhos e, para minha surpresa, diversos assinantes disseram ter sido muito tocados por ele. Outras vezes, escrevi algo que gente de outros continentes leu e disse ter sido abençoado. Marcou-me em especial uma irmã que me procurou em um evento para dizer que havia desistido de se suicidar ao entrar na internet para descobrir a melhor forma de tirar a própria vida e acabou mudando de ideia ao ler um texto que escrevi. Tudo isso, tenha a absoluta certeza, não é de modo algum mérito meu: é mérito do poder sobrenatural da Escritura. Palavra.

Eu poderia continuar relatando mais e mais coisas que aprendi em minha jornada com o APENAS, mas vou terminar por aqui, pois algo que também descobri é que as pessoas em geral não gostam de ler textos longos na Internet. Curiosamente, isso fez de mim um autor de livros. Pois foi ao produzir escritos que não caberiam neste espaço, fruto de pesquisas aprofundadas na Escritura, que acabei escrevendo livros como Perdão totalO fim do sofrimentoConfiança inabalável, Na jornada com Cristo e outras obras. Em maio chega às livrarias meu nono livro publicado, Perdão total no casamento. E, enquanto Deus me iluminar para eu escrever o que é grande demais para o APENAS, continuarei dando à luz textos que poderão vir a se tornar livros.

Obrigado por sua leitura. Obrigado por sua companhia. Obrigado por me permitir o privilégio de contribuir para sua jornada com Cristo. Agradeço, em especial, a você que está entre os mais de 3,4 mil assinantes, que optaram por se cadastrar para receber as postagens por e-mail e, assim, se tornaram companheiros fieis na estrada da vida cristã. Ter a sua companhia nesta jornada é o que me incentiva a continuar escrevendo, por saber que as reflexões que brotam em minha mente e em meu coração não se perderão no vento, mas encontrarão pouso na sua alma. Oro constantemente por cada um dos assinantes do APENAS. Que Deus os abençoe, guarde, ilumine e conduza, sob sua poderosa e amorosa mão. E aguardo, com expectativa, o dia em que conhecerei face a face todos vocês, quando, juntos, viveremos naquele lugar em que não haverá choro, nem sofrimento, nem dor. Apenas o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Apenas eternidade. Apenas alegria. Apenas amor. Apenas paz. Apenas.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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descanso 1Se você acompanha regularmente o APENAS, deve ter percebido que passei quatro semanas sem postar reflexões aqui no blog. Agradeço demais o carinho de todos os amigos que entraram em contato para saber se estava tudo bem comigo e questionaram o meu silêncio nesse período. Sim, está tudo ótimo, agradeço demais a gentileza da preocupação. Fato é que precisei tirar um mês sabático para me dedicar prioritariamente a outras coisas. Sem desmerecer de modo algum a importância que o blog tem na minha pequenina contribuição para o reino de Deus e a vida dos irmãos e irmãs que se sentem abençoados pelo que escrevo, existem momentos em que precisamos parar, respirar, mudar um pouco o foco. E, depois, voltar. Acredite: sem silêncio, não se valoriza o som. Sem pausas, não se compõe uma sinfonia. Sem descanso à noite, não se trabalha bem pela manhã. Se tem algo que Deus valoriza é o descanso. Mas… será que você descansa de forma bíblica? Mais ainda: será que existe uma forma bíblica de descansar? Eu acredito que sim.

Depois de três anos longe do Brasil, meu irmão de sangue, minha cunhada e meus dois sobrinhos, que moram na Espanha, vieram passar férias aqui. Quis Deus que, no mesmo período, eu assinasse contrato com a editora Mundo Cristão para escrever o que considero meu mais importante projeto literário até hoje, uma obra que será lançada no segundo semestre do ano que vem e que exige muito foco, oração, pesquisa, concentração, criatividade e tempo de escrita. Somando as duas coisas, percebi que eu não daria conta de dedicar-me simultaneamente à família, a esse projeto e ao APENAS com excelência. E, sem excelência, não gosto de fazer nada. Por isso, tirei alguns dias de férias para ficar junto das pessoas que amo e, também, para me dedicar com todo o empenho ao novo projeto literário. Preferi silenciar aqui no blog durante essas quatro semanas, pois, para escrever de qualquer maneira, sobre qualquer coisa, sem pensar e refletir apropriadamente… melhor não fazer. Agora, com metade dos textos do novo projeto literário já escritos, chegou a hora de voltar. Eis-me aqui.

descanso 2Deus nos ordenou guardar um dia na semana. Em linguagem figurada, até ele “descansou”. Quando lemos a lei mosaica, vemos que o Senhor deu diversas ordenanças acerca de períodos sabáticos. Sim, a pausa é algo que Deus valoriza e estimula. Trabalhe o ano inteiro sem tirar semanas de férias e você logo será um péssimo (e exausto) profissional. Sem recarregar as baterias, sua vida não anda. Sem parar para abastecer no meio da corrida, nenhum piloto de fórmula 1 ganha a disputa. Parar não é um luxo: é uma necessidade e um mandamento divino. Pare. Respire. Relaxe. Repense. Assim, você será muito melhor naquilo que se dedica a fazer.

Em meio ao turbilhão de seu ministério, Jesus tirou muitos momentos para ficar sozinho, orar, se conectar ao Pai. Jesus não só valoriza o descanso, ele próprio é o descanso: “Venham a mim todos vocês que estão cansados e sobrecarregados, e eu lhes darei descanso” (Mt 11.28). Como Jesus poderia dar algo ruim a alguém? Como ele proporia ser fonte de águas amargas? Desejar repouso não é reprovável, é fundamental. É sobrevivência. É o impulso necessário para ir adiante. É a inspiração profunda que o atleta dá antes da largada. Não tenha vergonha de repousar. Repouse. Organize-se para repousar. Ponha o descanso na sua agenda. Deus quer isso.

descanso 3Claro que não se deve usar esse argumento para se entregar à preguiça. A preguiça é o extremo do descanso e, como todo radicalismo fanatizado, é prejudicial. “Aprenda com a formiga, preguiçoso!” (Pv 6.6), é o alerta bíblico. “O preguiçoso logo empobrece, mas os que trabalham com dedicação enriquecem” (Pv 10.4). O descanso deve ser na medida certa, assim como a refeição deve parar antes de se tornar gula. Quem come em excesso passa mal, vomita. A preguiça é o vômito de quem descansa, que vai muito além do que deveria. O repouso fortalece, a preguiça enfraquece; o repouso enrijece, a preguiça torna flácido; o repouso lança para o alto, a preguiça esmaga contra o chão. “O preguiçoso muito quer e nada alcança, mas os que trabalham com dedicação prosperam” (Pv 13.4). E ninguém é capaz de trabalhar com dedicação se não desfrutar do descanso que dá gás ao empenho. Você tem reservado momentos de sua vida para descansar? Se não tem, recomendo que o faça.

E, aqui, cabe uma pergunta: de que maneira você tem descansado? Como exatamente é seu descanso? Porque, creia, aquilo que você faz enquanto descansa é fundamental para que esse período seja útil de fato – e bíblico. Descansar enfiando a cara em joguinhos de smartphone pode ter seu valor, mas… só isso? Descansar navegando pelo facebook por horas seguidas talvez o irrite mais do que relaxe. Uma coisa é descansar lendo um bom livro, outra é descansar lendo a revista de fofocas sobre artistas da TV. Repousar pastando a mente, sem que ela seja direcionada para algo realmente válido e produtivo, torna o descanso um tiro no pé. É quando ele se torna ociosidade, inatividade. E isso é maligno.

Aceita uma sugestão? Use seu tempo de descanso para pôr em prática o grande mandamento.

descanso 4Ao ser indagado sobre qual é o mandamento mais importante da lei de Moisés, “Jesus respondeu: ‘Ame o Senhor, seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma e de toda a sua mente’. Este é o primeiro e o maior mandamento. O segundo é igualmente importante: ‘Ame o seu próximo como a si mesmo’. Toda a lei e todas as exigências dos profetas se baseiam nesses dois mandamentos” (Mt 22.37-40). Sim, é possível descansar amando o Senhor. Como? Só ama quem se relaciona com a pessoa amada. E a forma de se relacionar com Deus é batendo papo com ele, criando intimidade, trocando ideias, desabafando. Em linguagem bíblica: orando. Não ponha sua mente no que não presta durante o descanso, aproveite para fortalecer – sem exigências, cobranças, mecanismos ou estresse – seus laços e vínculos com teu Pai. E, sim, é possível descansar amando o próximo. Como? Só ama quem se relaciona com a pessoa amada. E a forma de se relacionar com o próximo é batendo papo com ele, criando intimidade, trocando ideias, desabafando. Em linguagem bíblica: comungando.

É na oração e na comunhão que enxergo a forma mais bíblica, rica e produtiva de repouso.

Você precisa descansar. Mas precisa descansar bem. Da forma adequada. Minha recomendação é que tire períodos de repouso nos quais fique a sós com Deus e deite em verdes pastos, junto a águas tranquilas, com a cabeça no colo do Pai, trocando ideias em paz. E que encontre seus amigos e jogue conversa fora, conte piadas, toque violão, cante, divirta-se, desfrute de calor humano. E lembre-se que “o próximo” é também a sua família. Descanse passando períodos divertidos com seus filhos, namorando seu cônjuge, abraçando seus pais. Não consigo conceber forma mais bíblica de repousar, pois descansar sem se relacionar não se encaixa na fé cristã.

Se fizer isso, acredito que estará vivendo, hoje, um pouco do que viverá na eternidade, quando, enfim, estará face a face com o Senhor e com os irmãos em Cristo no estado perfeito, desfrutando do repouso eterno enquanto faz aquilo que Deus nos chamou a fazer ainda nesta terra: se relacionando, interagindo, dando e recebendo afeto e amor. Pois, se repouso sem amor é correr atrás do vento, descanso com amor é, literalmente, divino. Descanse amando. Garanto que você será muito mais feliz.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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escandalo gospelNo meio cristão volta e meia somos surpreendidos por um escândalo. Como nossa fé prega a santidade e o apego inegociável aos valores éticos, ficamos profundamente chocados quando tomamos conhecimento de falhas morais ou atitudes reprováveis de algum irmão ou irmã – seja de nosso círculo próximo de relacionamentos, seja alguém com mais notoriedade. É compreensível. O pecado nos choca, confronta, entristece, abate, revolta. Nessas horas, nosso senso de justiça nos leva a querer sangue, exigir punição dos pecadores, hereges e canalhas. A minha pergunta é: como exatamente devemos proceder quando explode um escândalo no meio cristão?

Pastores que falharam em sua santidade, irmãos que pecaram na sexualidade, líderes que desonraram pai e mãe, cristãos famosos que disseram ou fizeram algo estranho em público, bons pregadores que passaram a pregar heresias… a lista das causas de um escândalo entre nós é interminável. No centro de todas, uma única causa: pecado. Deus é santo e não tem parte com o pecado, é certo. Mas Deus também é gracioso e sua misericórdia dura para sempre. Diante dessa realidade, eis minha sugestão sobre como devemos nos posicionar diante de um escândalo:

1. Não tenha prazer no escândalo. Quedas morais, pecados e heresias são tragédias. São desastres. Não são motivo de piada. Devemos tratá-los como o horror que representam: com lamento, choro e profunda tristeza. O pecado jamais deve se tornar motivo para tricotadas, fofocadas, “você soube da última?” ou disse-me-disse. Não faça piada com o horror. Não se deleite na tragédia. Isso é papel do Diabo.

2. Fale com Deus. Converse sobre o escândalo com as demais pessoas apenas o estritamente necessário. A pessoa com quem você deve conversar intensamente e longamente sobre o escândalo é o Senhor. O nome disso é oração. Portanto, ore a Deus, peça misericórdia sobre a vida dos envolvidos, clame por arrependimento e restauração. Ficar de tititi com as pessoas, pessoalmente ou nas redes sociais, não adianta absolutamente nada; orar adianta tudo.

3. Não conclua antes de saber de todos os fatos. Cansei de ver escândalos em que as pessoas criam mil conjecturas acerca do que houve sem saber direito as informações. “Ouviram falar” e, por causa disso, tomam comentários colhidos ao vento como verdades absolutas. Para emitir uma opinião, assumir uma postura, tomar lados, se posicionar, antes é preciso ter total conhecimento da situação. Nesse sentido, uma das virtudes do fruto do Espírito é essencial: a paciência. Espere. Não corra para emitir uma opinião. Deixe a verdade ser exposta totalmente e, só então, se posicione.

4. Olhe para os culpados com firmeza, mas com misericórdia. A ética de Cristo não é a da punição, é a da restauração. Como filhos de Deus, o desejo do nosso coração deve ser sempre ver os que erraram arrependidos e restaurados espiritualmente. Não queira mandar os hereges e os pecadores para o inferno, queria vê-los de lágrimas no pó e coração sinceramente compungido. Como embaixadores do reino daquele que veio para os doentes, devemos ser médicos da graça e não carrascos da desgraça. Uma vez que se comprove a culpa, seja movido por compaixão pela vida dos culpados, para que sejam resgatados do poço de trevas em que se enfiaram e que, se tiverem de arcar com as consequências humanas de seu pecado, que pelo menos sua alma seja salva.

5. Entenda que a disciplina dos culpados é necessária. Determinados tipos de escândalos vão gerar consequências no plano humano. Um pastor que adultera precisa ser afastado do cargo até que sua vida esteja restaurada. Um pregador que diz uma heresia precisa se retratar em público. Um líder que desonra pai e mãe tem de ser tratado fora dos púlpitos e cargos antes de continuar liderando. Uma pessoa qualquer que comete um crime deve ser punida de acordo com o que prevê o código penal, mesmo que esteja arrependida e tenha sido perdoada por Deus: há consequências no plano humano para nossos atos, e devemos enfrentá-las.

6. Olhe para as vítimas com compaixão. Esposas traídas, pessoas enganadas, ovelhas feridas… muitas pessoas ficam machucadas quando explode um escândalo. As vítimas devem ser abraçadas, devemos chorar com elas, conduzi-las a perdoar quem as machucou, amparar seu coração em frangalhos. Nunca se aproxime dos feridos para obter mais detalhes sobre o escândalo ou algo assim. O nosso papel é amar, sofrer com quem sofre e auxiliar na sua restauração física, emocional e espiritual.

7. Lembre-se dos seus próprios pecados. Jesus presenciou um escândalo. Mais do que isso: ele foi instigado a emitir um parecer sobre o escândalo. Afinal, uma mulher fora flagrada em adultério. Adúltera! Pecadora! Escandalosa! Opróbrio! Digna de apedrejamento aos olhos da Lei! Mas a resposta de Jesus aos que queriam apedrejá-la foi que cada um olhasse para si. Afinal, em maior ou menor intensidade, todos temos telhado de vidro. E isso ele nos diz, hoje: olhe para si. Quando ocorre um escândalo, devemos agir com humildade, sem nos considerarmos megassantos, pessoas acima do bem e do mal. Mais do que jogar pedras, precisamos usar o escândalo alheio para ver como nós mesmos somos frágeis e passíveis de errar. Se há algo de positivo no escândalo é o alerta que ele lança sobre nós, para que, estando de pé, não caiamos. Vigie sempre.

8. Seja parte da solução e não do problema. Que tudo o que você pensar, falar ou fizer em relação ao escândalo seja para edificação das pessoas e para a glória de Deus. Fora disso, o melhor é não fazer nada, manter-se calado e ficar quieto.

Meu irmão, minha irmã, infelizmente sempre haverá escândalos entre nós, pois vivemos debaixo do pecado. Devemos saber como falar e agir no momento que isso acontecer, sempre com amor, graça e palavras temperadas, chorando com quem chora e pacificando. Nosso papel não é chutar quem está caído. Muito menos execrar vítimas. Exerça misericórdia. Busque a justiça, sim, mas que seja em amor e não com ira, vingança, ódio, destempero. Fale e faça aos outros como gostaria que falassem e fizessem a você se a queda fosse sua. E, acima de tudo, ore a Deus. Pois ele é quem tudo sabe, quem exerce a perfeita justiça e quem governa a nossa vida como Justo juiz e Príncipe da paz. Como ordena a Palavra do Senhor: “Amados, nunca se vinguem; deixem que a ira de Deus se encarregue disso, pois assim dizem as Escrituras: ‘A vingança cabe a mim, eu lhes darei o troco, diz o Senhor’. Pelo contrário: ‘Se seu inimigo estiver com fome, dê-lhe de comer; se estiver com sede, dê-lhe de beber. Ao fazer isso, amontoará brasas vivas sobre a cabeça dele’. Não deixem que o mal os vença, mas vençam o mal praticando o bem” (Rm 12.19-21).

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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não 1Tive de fazer um exame bem desagradável. Chama-se cintigrafia óssea e serve para ver como anda a saúde de seus ossos. Cheguei ao laboratório e foi quando descobri como era o procedimento: uma substância radioativa seria injetada na minha veia e eu teria de esperar três horas. Ao final desse tempo, voltaria para o laboratório e seria escaneado por mais de uma hora por uma máquina específica. Assim foi feito. Quando tudo acabou, recebi orientações da enfermeira que cuidou de mim e foi então que ela me disse algo que me pegou de surpresa: como eu estava radioativo, teria de passar 24 horas sem encostar, abraçar ou beijar qualquer criança ou mulher grávida. 

Bem, nenhum problema quanto à mulher grávida, não havia nenhuma por perto. Mas eu tenho em casa uma filhinha de 5 anos, que costumo agarrar, apertar e beijar a todo momento. Sou um pai bem pegajoso, por isso costumo ter contato físico constantemente com minha bebê. Quando recebi a orientação da enfermeira, percebi que teria de ficar uma noite e uma manhã sem poder tocar na filhota. Não seria nada fácil. E não foi. Pedi à minha esposa que conversasse com ela antes de chegar em casa e já avisasse que papai teria de ficar um dia inteiro sem encostar nela. A bebê compreendeu e obedeceu, mas foi extremamente difícil para ambos ficar distante fisicamente um do outro. 

não 2Deus gosta de nos abençoar. Como um Pai amoroso e gracioso, o Senhor tem prazer em conceder galardões, isto é, presentes, prêmios, aos que o amam: “[…] é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que se torna galardoador dos que o buscam” (Hb 11.6). Sim, o Senhor é carinhoso conosco e gosta de nos fazer o bem. Assim como eu tenho naturalmente o ímpeto e a vontade de dar todo amor e carinho a minha filha, o Senhor tem o ímpeto e a vontade de dar todo amor e carinho a seus filhos. Abençoar-nos não é um sacrifício para ele, tampouco exige esforço ou é feito a contragosto: é prazeroso para ele nos abençoar. Do mesmo modo, dar beijos e abraços em minha filha não é nenhum sacrifício para mim, tampouco exige esforço ou é feito a contragosto. É prazeroso para mim fazer isso. Porém…

Diante do fato que eu não poderia beijar e abraçar minha filha, por mais que ela me pedisse, eu teria de dizer não a qualquer pedido dela por carinhos físicos. Do mesmo modo, muitas vezes o onisciente Deus sabe que, por mais que peçamos certas bênçãos a ele, o melhor para nós é não recebê-las. Assim, precisamos entender que, todas as vezes que Deus nos diz não, é porque ele sabe que é o melhor para nós. 

Ao longo da noite e da manhã em que em não podia tocar minha filha, ela expressou o desejo de me beijar e abraçar algumas vezes. Vi nos olhos dela a decepção por não poder receber um beijinho de boa noite pelo menos. Mas eu sabia que, naquele momento, dar o que a bebê queria seria o que de pior eu poderia fazer por ela. E Deus sabe que, em muitos momentos, nos dar o que queremos não será o melhor. E, por isso, ele simplesmente diz não aos nossos pedidos, à nossa oração, à nossa súplica.

Quando você pedir algo a Deus e ele não lhe conceder, não se revolte. Não brigue com ele. Não o questione. Agradeça. Dê graças ao teu Pai, com a certeza de que ele sempre faz o que é melhor para você. 

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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tardio para falar 2“Sabeis estas coisas, meus amados irmãos. Todo homem, pois, seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar. Porque a ira do homem não produz a justiça de Deus. Portanto, despojando-vos de toda impureza e acúmulo de maldade, acolhei, com mansidão, a palavra em vós implantada, a qual é poderosa para salvar a vossa alma. Tornai-vos, pois, praticantes da palavra e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos” (Tg 1.19-22). É uma ordem bíblica: devemos ser tardios para falar. Não é uma sugestão, não é uma dica: é um mandamento. Quanto mais eu fico velho, mais percebo quanto o silêncio é um tesouro precioso. Mais ainda, percebo quanto a pressa em emitir uma opinião é inimiga da fé cristã, pois, muitas vezes, as palavras que você dirá de forma apressada e abrupta trazem consigo ira, raiva, deboche, sarcasmo e outros sentimentos que não devem ser alimentados no coração de quem deseja se conformar à imagem de Cristo.

Muitas vezes soltamos palavras que apenas funcionam como lenha na fogueira e falamos movidos por impulso ou ira. Por isso, fica aqui o meu conselho, que, na verdade, é mandamento bíblico: demore para falar sobre algo mais do que as pessoas esperam. Se você perceber que a sua fala será carregada de ódio ou rancor, o melhor é silenciar, refletir, ouvir e ler outros pontos de vista, esfriar a cabeça e só então abrir a boca. Afinal, a Escritura determina: “Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, e sim unicamente a que for boa para edificação, conforme a necessidade, e, assim, transmita graça aos que ouvem. E não entristeçais o Espírito de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção. Longe de vós, toda amargura, e cólera, e ira, e gritaria, e blasfêmias, e bem assim toda malícia. Antes, sede uns para com os outros benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus, em Cristo, vos perdoou” (Ef 4.29-32). 

tardio para falar 3Não devermos falar nada quando somos movido pela ira, “Porque a ira do homem não produz a justiça de Deus”. Temos de ser praticantes da palavra, pois é ela que determina: “Alegrai-vos com os que se alegram e chorai com os que choram. […] Não torneis a ninguém mal por mal; esforçai-vos por fazer o bem perante todos os homens; se possível, quanto depender de vós, tende paz com todos os homens; não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira; porque está escrito: A mim me pertence a vingança; eu é que retribuirei, diz o Senhor” (Rm 12.15-19). 

tardio para falar 4Nosso papel como cristãos não é exercer qualquer tipo de retribuição a qualquer atitude leviana: Deus mesmo é quem fará isso. O meu e o seu papel não é devolver mal com mal; é, isto sim, abrir espaço para que a justiça divina trate com as pessoas. Nosso papel não é atacar malfeitores, mas tratar dos machucados, cuidar dos feridos, abençoar e amparar as vítimas, chorar com os que estão tristes e decepcionados, deixando que o todo-poderoso Deus trate com a maldade humana da forma que ele considerar melhor.

Eu sei que você ainda vai enfrentar na sua vida muitas situações em que dá vontade de soltar o verbo, agredir, destratar, emitir opiniões raivosas sobre absurdos que acontecem, escrever verdades contundentes nas redes sociais sobre situações lamentáveis que ocorrem no nosso mundo. Sim, isto ocorrerá muitas vezes: você deparará com injustiças, maldades, abusos, opiniões inacreditáveis, ações que nos revoltam. Sim, você sentirá frequentemente vontade de soltar os cachorros em forma de palavras. Não estou dizendo que isso pode acontecer, estou afirmando que isso vai acontecer. E, quando acontecer, eis a síntese do que eu gostaria de que você se lembrasse: 

Todo homem, pois, seja tardio para falar, tardio para se irar, porque a ira do homem não produz a justiça de Deus. Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, e sim unicamente a que for boa para edificação. Chorai com os que choram e não vos vingueis a vós mesmos, mas dai lugar à ira, porque Deus é que retribuirá. 

tardio para falar 5Valorize o silêncio. Valorize o pouco falar. Valorize a passagem do tempo sobre a sua ira. Valorize o consolar mais do que o se posicionar. Quando você vir a maldade humana em ação, dedique-se mais à oração e ao perdão do que a soltar o verbo. Ponha isso em prática e você verá Deus agir, no tempo dele e da forma dele, honrando os que fazem o bem e disciplinando os que fazem o mal, para que esses se arrependam e se convertam de seus maus caminhos. E, assim, o nome do Senhor será glorificado, ao ver seus filhos agirem não segundo as inclinações da carne, mas segundo as belas e eficazes verdades do evangelho. E não se esqueça de que o próprio Deus “foi oprimido e humilhado, mas não abriu a boca; como cordeiro foi levado ao matadouro; e, como ovelha muda perante os seus tosquiadores, ele não abriu a boca” (Is 53.7). Cristo deu o exemplo. Sigamos o Mestre.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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irmaos 1Nos últimos anos, tenho recebido convites de diferentes igrejas para pregar, em especial, sobre os temas dos livros que escrevi e que são voltados para todo e qualquer cristão, a despeito de rótulos denominacionais ou doutrinários. Assim, tenho a oportunidade de visitar, conviver, observar e conversar com líderes e membros de muitas igrejas de diferentes nomenclaturas, como Batista, Presbiteriana, Anglicana, Assembleia de Deus, Nova Vida, pentecostais independentes, históricas independentes, Metodista e Episcopal, além de ministérios interdenominacionais. Essas experiências me permitiram conhecer de perto realidades eclesiásticas riquíssimas e diferentes. E, quanto mais eu conheço a família de Cristo, mais me entristece ver aquilo que passei a chamar de “patotização” do cristianismo. 

Confesso que conhecer de perto essa pluralidade de expressões da fé cristã me encanta. É bonito ver como somos capazes de adorar o nosso Pai tanto com um conjunto vocal à capela e um órgão quanto com bateria e guitarras distorcidas. É lindo ver como pregadores de terno e gravata, colarinho clerical, blaser, camisa social ou camisa pólo são capazes de pregar, com o mesmo amor e respeito, o evangelho autêntico, a despeito do tipo de pano que usam sobre o corpo. É extraordinário perceber como grupos de irmãos mais silenciosos ou mais extrovertidos são capazes de cultuar a Deus com a mesma sinceridade de coração. É especial notar como cristãos salvos da linha pentecostal ou cristãos salvos da linha tradicional são filhos do mesmo Deus e são capazes de se relacionar com ele com o mesmo nível de amor e devoção. Em resumo, quanto mais eu conheço igrejas diferentes, mais claro fica que as nossas diferenças são pequenas em comparação às nossas semelhanças.

Tenho aprendido a amar cada vez mais a noiva de Cristo, apresente-se ela morena, ruiva ou loira. Venho percebendo cada vez mais a beleza da noiva do Cordeiro, não importa se, como presbiteriana, ela tenha olhos azuis; como pentecostal, olhos verdes; como batista, olhos castanhos; e como anglicana, olhos negros. Esses detalhes não mudam o fato de quem ela é: aquela por quem Cristo subiu à cruz. E, se Deus a chamou para si, ai de mim desqualificá-la pela cor dos olhos. 

irmaos 2Quando você ama alguém, não importa se ela está de maquiagem ou com cara de quem acabou de acordar. Muito menos, com roupas caras ou baratas. O amor verdadeiro cuida do ser amado mesmo quando ele está doente, vomitando e com mau hálito. O amor profundo releva pequenos defeitos ou atitudes ligeiramente equivocadas  que o ser amado adota com sinceridade. Se você ama de fato alguém, vai botar o foco na essência, no todo que conquistou seu amor e não naqueles pequenos defeitos que o ser imperfeito que você ama tem (e quem não os tem, não é mesmo?). Do mesmo modo, seria bizarro acreditar que Deus rejeite essa ou aquela igreja ou denominação porque ela de bom coração cometa um ou outro erro – desde que, claro, não configure heresia. 

Infelizmente, o ser humano tem mania de rejeitar o que Deus não rejeita. Some-se a isso o nosso instinto gregário, que nos leva a querer andar em bandos e pertencer a tribos com que nos identificamos, e pronto: tem início a patotização. É natural ao ser humano e a inúmeras espécies de animais formar patotas. O termo “patota” significa, simplesmente, “grupo de amigos”, “galera”. Porém, no uso popular, essa palavra já ganhou um sentido que remete a uma panelinha, um grupinho fechado, uma turma de pessoas que se relacionam por afinidades e rejeitam os que são de fora. Isso é exatamente como se caracterizam determinados grupos de cristãos. Há pessoas que se agarram tanto às patotas a que pertencem que, tristemente, se fanatizam, se apaixonam, recusam-se a ver os defeitos desse grupo, passam a se considerar mais integrantes dessa turma que aos seus olhos é inerrante do que membros de um corpo maior – do Corpo maior. De certo modo, praticam a “patotalatria”. 

irmaos 3Meu irmão, minha irmã, ser batista, presbiteriano, metodista, calvinista ou pentecostal não te define: você é cristão. A superfície do mar não define todo o oceano. Nenhuma denominação é perfeita. Nenhuma igreja local é irretocável. Nenhum pastor é inerrante. Nenhuma linha soteriológica merece se tornar sua alcunha. Se você é mais maranata, presbiteriano ou Assembleia de Deus do que cristão como todos os outros cristãos, algo está muito errado com a sua fé. Se você é mais calvinista ou arminiano do que cristão, precisa com urgência voltar às bases da fé e reaprender o significado de Igreja. Muitos filhos de Deus se agarram mais à sua patota denominacional ou doutrinária do que ao Corpo maior para o qual Cristo os chamou. Acham que mudar a visão teológica de seus irmãos em Cristo para aquilo em que eles acreditam é a sua missão, em vez de se dedicar a assuntos realmente importantes do evangelho – como evangelização, amor, perdão, restauração, pacificação, caridade e outros. Querem mudar a teologia alheia, mas sem levar em conta a graça no trato com o próximo. Acabam se tornando pregadores de doutrinas e não do evangelho. Apaixonados, muitos se tornam agressivos, sarcásticos, arrogantes, irritantes, surdos ao diferente, despidos de bom senso, destituídos de amor cristão. Querem convencer, querem ter razão, querem converter irmãos do cristianismo para o cristianismo.

Uma fruta não se define pela casca. Cascas fazem parte da fruta, mas não são a fruta. Lamentavelmente, muitos cristãos têm se definido por cascas. “Eu sou reformado”, “Eu sou da missão integral”, “Eu sou pentecostal”, “Eu sou de Paulo”, “Eu sou de Apolo”. Paremos com isso. Paremos com essa atitude separatista e busquemos a conciliação pelas semelhanças. Nós somos cristãos. Somos de Cristo. Servos do Deus altíssimo. Filhos do Criador de céus e terra. Cidadãos do reino. Isso, sim, nos caracteriza. O resto são aspectos periféricos da fé e não devemos nos separar e fragmentar por causa de diferenças secundárias ou terciárias. 

irmaos 4Tenho visto a noiva do Cordeiro nas diferentes igrejas em que prego, das mais variadas linhas e denominações. Pessoas que amam o mesmo Cristo que eu e que amam o próximo como a si mesmo com o mesmo amor. Uns batizam crianças, outros não; uns são cessacionistas, outros não, uns entendem a eleição divina de um jeito, outras de outro. Mas todas creem no mesmo Jesus, confessam o credo apostólico, oram ao mesmo Senhor Soberano, nasceram da água e do Espírito. São meus irmãos em Cristo. São filhos de Deus. São salvos. Justificados, regenerados, adotados. Vão morar no céu. Meu papel não é dedicar minha vida a mudar a teologia deles, é viver o amor de Deus ao lado deles – apesar das diferenças. Triste é quem não percebe isso e investe seus dias a perder tempo combatendo irmãos que pensam diferente em aspectos secundários e periféricos da fé, o que não glorifica Deus em nada e tampouco exalta sua soberania. Deus não precisa de nada disso para ser soberano. Ele é o que é.

A Bíblia relata que Jesus fez ao Pai uma oração que nunca foi atendida: Não rogo somente por estes, mas também por aqueles que vierem a crer em mim, por intermédio da sua palavra; a fim de que todos sejam um; e como és tu, ó Pai, em mim e eu em ti, também sejam eles em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste. Eu lhes tenho transmitido a glória que me tens dado, para que sejam um, como nós o somos; eu neles, e tu em mim, a fim de que sejam aperfeiçoados na unidade, para que o mundo conheça que tu me enviaste e os amaste, como também amaste a mim” (Jo 17.20-23). Jesus pediu que nós, cristãos (“aqueles que vierem a crer em mim”), vivêssemos em unidade, “a fim de que todos sejam um” e “para que sejam um”.  Lamentavelmente, nós, cristãos, estamos longe disso, a unidade que Jesus desejou para nós é um sonho distante, enquanto, por outro lado, proliferam em nosso meio as obras da carne sobre as quais Paulo alertou, “discórdias, dissensões, facções” (Gl 5.20). 

irmaos 5Meu irmão, minha irmã, como disse Mário Sergio Cortella, a vida é curta demais para ser pequena. Não desperdice seus preciosos segundos de vida com aquilo que não é pão. Sinceramente, duvido muito que Deus esteja preocupado se você é calvinista ou arminiano, pentecostal ou cessacionista, alto ou baixo, magro ou gordo. Duvido que, ao chegar nos portões da eternidade, Cristo olhará para você e perguntará que doutrina soteriológica você professou em vida: o que ele verá é se o sangue do Cordeiro está aspergido sobre a sua cabeça. Se a sombra da Cruz cobre você. E não creio que ele dirá algo como “vinde, benditos de meu Pai, porque fostes reformados ou arminianos, crestes no livre-arbítrio ou no TULIP, professastes o pentecostalismo ou o cessacionismo”. O que ele dirá, e disso tenho absoluta certeza, é: “Vinde, benditos de meu Pai! Entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo. Porque tive fome, e me destes de comer; tive sede, e me destes de beber; era forasteiro, e me hospedastes; estava nu, e me vestistes; enfermo, e me visitastes; preso, e fostes ver-me” (Mt 25.34-36).

Os temas e as doutrinas que criam esses rótulos são importantes? Claro que sim. São prioritários? De modo algum. Quem segrega irmãos em Cristo por conta desses aspectos secundários da fé precisa amadurecer – e muito – no real sentido do que é o evangelho de Jesus. Dê prioridade ao que é prioritário. Enfatize na sua vida o que Jesus enfatizou na dele. E pode ter certeza de que essas questões não foram nem de longe prioridade para Cristo (basta ler os evangelhos e você perceberá isso com uma facilidade enorme). O resto? O resto é resto. É vaidade e correr atrás do vento…

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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parasita 1Todos já fizemos a oração que o Senhor nos ensinou, conhecida como “o pai-nosso”. Logo, já pedimos muitas e muitas vezes: “Livra-nos do mal” (Mt 6.13). Diga-me se estou errado, mas acredito que, na esmagadora maioria das vezes, quando você faz esse pedido a Deus, é numa referência a males externos. Assim, rogamos ao Senhor que nos livre de coisas como acidentes, assaltos, ataques, maledicências, doenças, más influências, forças espirituais da maldade, violência e outras semelhantes. No entanto, nenhum desses males é tão destrutivo quanto os que nos acometem interiormente: pensamentos poluídos, ódio, arrogância, inveja, egoísmo, cobiça, desamor, vaidade… pecados, enfim. Nada que venha de fora é tão avassalador quanto o mal que habita em nós.
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Se eu pedir para você completar a seguinte frase, como você completaria? “Eu sou habitação do…”. Por favor, não continue a ler este texto antes de completar essa frase. Completou? “Eu sou habitação do…”? Pronto? Completou? Ok, podemos prosseguir.
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Eu estaria certo se achasse que você disse “Eu sou habitação do Espírito Santo“? Bem, se você respondeu isso, está certíssimo. Porém, é uma resposta incompleta. Veja o que Paulo escreveu: “Ora, se faço o que não quero, consinto com a lei, que é boa. Neste caso, quem faz isto já não sou eu, mas o pecado que habita em mim. Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum, pois o querer o bem está em mim; não, porém, o efetuá-lo. Porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço. Mas, se eu faço o que não quero, já não sou eu quem o faz, e sim o pecado que habita em mim.” (Rm 7.16-20).
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Interessante. Nessa passagem, Paulo – apóstolo de Cristo, convertido, salvo, crente, santo, justificado, regenerado, adotado por Deus como filho – admite que nele habita… pecado. Então, biblicamente, eu posso afirmar: “Eu sou habitação do Espírito Santo e, também, do pecado”. Que complicado…
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parasita 2Sim, eu e você somos morada do Altíssimo e, ao mesmo tempo, de uma natureza pecaminosa que cisma em não nos deixar em paz. E é justamente dessa inclinação inata para fazer o que é mal que devemos pedir que o Senhor nos livre. Os piores pecados de minha vida não foram culpa de ninguém além de mim mesmo. Eu sou o meu maior inimigo. O Diabo não é, até porque eu não sou habitação do Maligno, toda influência que vem das forças espirituais da maldade é externa. Tudo o que ele e seus asseclas fazem é instigar o pecado que indesejavelmente já se encontra em mim, para que me conquiste. E, se eu deixar, é o que vai acontecer, “Pois do coração saem os maus pensamentos, os homicídios, os adultérios, as imoralidades sexuais, os roubos, os falsos testemunhos e as calúnias. Essas coisas tornam o homem impuro” (Mt 15.19-20). Meus maiores inimigos não são de fora de mim, são de dentro. Vêm do meu enganoso coração.
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Temos de empurrar esse inquilino maldito que é o pecado para o quarto dos fundos de nosso ser e permitir que o Espírito Santo tome conta de todos os outros cômodos. E só conseguiremos isso desenvolvendo cada vez mais intimidade com o Criador, mediante um diálogo mais e mais frequente e profundo com ele – diálogo esse que se dá pela oração e o estudo da Bíblia. Não existe fórmula mágica: ou você se aproxima de Deus e achata o pecado que habita em você ou o que te espera pela frente é uma sucessão de quedas.
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cruz de CristoPai, livra-nos do mal. Esse mal chamado pecado, parasita que vive em nossas entranhas e se alimenta de nossas vontades, nosso ego, nossas vaidades e nossa teimosa autossuficiência. Livra-nos do mal que há em nós, para que o desejo racional de fazer o bem não seja suplantado pelo impulso irracional de fazer o mal. Não é fácil, e o Senhor nunca disse que seria. Mas, se somos fracos, é nessa fraqueza que teu poder se aperfeiçoa. Ajuda-nos. Livra-nos. Amém.
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Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >
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