Arquivo da categoria ‘Aflição’

Eu confesso: nos últimos tempos senti muita, muita raiva. É uma raiva estranha, resultado de um grande caldo de decepção, desapontamento, tristeza, revolta. Não é algo bonito de se dizer, em especial por ser eu um cristão, mas não posso mentir. Fato é que sou humano, habitação do pecado, e sentimentos brotam no coração sem que eu possa controlar. Permita-me explicar.

Você deve ter tomado conhecimento do caso de George Floyd, ser humano americano que foi preso pela polícia, imobilizado, jogado no chão e, até onde se sabe, sufocado até a morte por policiais que se ajoelharam sobre ele. Eu havia lido as notícias sobre a história e me indignado. Mas foi só quando assisti ao vídeo que tomei ciência da extensão do horror. O homem implorava por sua vida, a ponto de chamar “Mamãe!”. Em coro com a população ao redor, ele pedia por sua vida, diante do olhar impassível de diabos vestidos de policiais. E ele morreu.

Eu chorei e chorei muito. A voz de George e das pessoas ao redor, clamando por sua vida diante de criaturas de Deus que não davam a mínima, rasgou meu coração. Logo, o choro deu lugar a indignação e raiva. Tentei segurar, mas não deu. Sim, senti raiva, muita raiva.

Os últimos meses têm sido um teste para meu cristianismo, minha capacidade de não deixar a raiva virar ira, meu desejo de ser sempre perdoador, minha força para amar e não devolver mal com mal. Não por causa da pandemia, mas por testemunhar em diversos âmbitos o pior do ser humano. O contexto apenas traz à tona o que já existe no coração de cada um e revela o que normalmente os lábios não têm coragem de falar. Pessoas que eu amei mostraram o pior de seu coração. Gente que eu admirava destilou palavras assustadoras. Cristãos promoveram pecados e injustiças como se fossem virtude. Que tempo! Que período! Que desafio!

Ontem, ver o vídeo da abominação de George Floyd foi a gota d’água. O acúmulo de decepção e incredulidade diante do que pessoas são capazes de fazer me levou ao chão, ao joelho, e a raiva transbordou na forma de uma poça de lágrimas no chão. Raiva, muita raiva.

Pode ser que você tenha sentido ou esteja sentindo raiva também. Por causa de política, da pandemia, de decepções, da situação econômica, do comportamento humano, dos rumos da vida. Talvez seu coração esteja pesado, com sentimentos nada bonitos, mas que você não consegue evitar. O que fazer diante do confronto entre nossa humanidade inclinada ao mal e a urgência de ser manso e humilde de coração, conformados à imagem do Cordeiro? Permita-me compartilhar algo sobre isso, que pode ajudá-lo.

Eu estava ali, rangendo os dentes de raiva pela tortura e morte de George Floyd, pela decepção com pessoas, pela maldade e o egoísmo do ser humano. Foi quando, em meio àquela oração doída e molhada, veio um pensamento em minha mente, certamente semeado pelo Santo Espírito de Deus: se eu permitisse que toda aquela raiva se enraizasse em meu coração, eu não seria em nada melhor do que os carrascos que assassinaram o pobre homem. E, se permitisse que a ira atravessasse aquela noite, eu estaria com meu joelho no pescoço de cada pessoa que me decepcionou. Eu me tornaria igual a quem tanto mal fez – a mim e a George.

A teologia cristã nos ensina a doutrina reformada da depravação total: não temos em nós mesmos a capacidade de vencer o mal e dependemos exclusivamente da graça do Cordeiro. Sou sujeito a essa depravação. Nasci imerso em pecado e sou sua habitação. Quando ouvi a voz do Espirito, clamei a ele, o outro habitante de meu coração, e pedi que me inundasse de paz, perdão, magnanimidade, amor, graça e abnegação, porque, por mim mesmo, eu não teria forças para isso.

Pedi que me inundasse de Cristo.

Foi quando veio uma paz que não consigo entender. Uma paz acompanhada da certeza de que não posso esperar o melhor do ser humano, porque cada indivíduo deste planeta é terrivelmente idólatra de si mesmo, perdidamente apaixonado pelos próprios interesses e, se eu sentir raiva cada vez que testemunhar o egoísmo e a malignidade das criaturas de Deus, acabarei sendo vencido pela semente do mal que há em mim.

Foi quando veio uma avassaladora sucessão de verdades bíblicas ao meu coração. Lembrei de que a vingança pertence ao Senhor. Que temos de amar até os inimigos. Que eu sou tão depravado quanto os mais egoísta dos homens e das mulheres. Que nosso descanso não está nesta vida. Que o perdão não é opcional, mas um mandamento. Que não há um justo, nem um sequer. Que felizes são os pacificadores. Que os piores dos seres humanos podem ser resgatados de sua maldade por Cristo. Que Deus é soberano sobre a terra e que meu Redentor há de se levantar sobre ela. Foi um tsunami de verdades que a raiva havia roubado da minha lembrança. E o tsunami trouxe a paz.

Levantei daquela poça com menos raiva. Ainda triste, mas sem raiva. Milagre desses que só Jesus de Nazaré é capaz de operar. Assim como, com uma frase, ele sarou o leproso, Jesus insuflou paz em meus pulmões e a certeza de que nada, absolutamente nada, está alheio aos seus olhos e ao seu coração. E de que ele não está de ouvidos fechados ao clamor dos seus filhos, nem de costas para os fatos que há na terra.

Ele é Emanuel, Deus conosco. Justo, amoroso, compassivo e bom.

Meu irmão, minha irmã, talvez você esteja com muita raiva em seu coração neste momento. Eu não te condeno, acredite, pois passei por isso e te entendo. Pessoas também me feriram. Situações também me abateram. A humanidade também me decepcionou. Mas, olha, deixa eu te dizer uma coisa, de igual para igual: Deus pode mudar isso. Como se irar e não pecar? Indo aos pés do Cordeiro, em pranto, confissão, humilhação e verdade, clamando e se entregando. Atire-se, com autenticidade. Não negue o que pesa em seu coração. E confie na ação sobrenatural de Deus, a única capaz de fazer com que a sua ira não atravesse o limite e triunfe, hedionda, como a obra da carne que ela é.

Cristo assassinou aquilo que assassinou George Floyd. Ele fez isso no Calvário, quando consumou tudo em si. Que os meus e os seus olhos estejam voltados menos para a barbárie e o egoísmo humanos e mais para a cruz do Gólgota, menos para o desdém pela vida alheia e mais para o amor que tanto amou a vida alheia que entregou o próprio Filho em sacrifício vivo. Meu irmão, minha irmã, eu e você não valemos mais do que aqueles policiais que fizeram mal a George nem que aquelas pessoas que nos fizeram mal. Somos igualmente depravados, egoístas, egocêntricos, vaidosos, raivosos. Mas, se Cristo vive em nós, podemos ser diferentes. Não pela força do nosso braço, mas pela extraordinária graça que esvazia a nossa raiva e nos conforma à natureza do manso Cordeiro.

E, quando isso acontece, após levantarmos da poça de lágrimas e nos deitarmos na cama, conseguimos dizer, antes que o sono da paz nos embale pela noite:

– Pai, perdoa, pois eles não sabem o que fazem.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari
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O ator Flávio Migliaccio tirou a própria vida esta semana, aos 85 anos. Em seu bilhete suicida, ele escreveu: “Me desculpem, mas não deu mais. A velhice neste País é o caos como tudo aqui. A humanidade não deu certo. Eu tive a impressão que foram 85 anos jogados fora num país como este. E com esse tipo de gente que acabei encontrando. Cuidem das crianças de hoje! Flavio.” Esse bilhete me deixou reflexivo. E, como cristão, me senti responsável por ele ter chegado ao fim da vida tão deprimido. Falhei, por não fazê-lo saber algumas realidades que poderiam tê-lo sustentado.

Primeiro, quando Flavio mostra a decepção por a humanidade não ter dado certo, fico triste, pois quem conhece a Escritura sabe disso desde Gênesis 3. Que cristão acredita que a humanidade deu certo? Todos sabemos que caímos, transgredimos, falimos. Por outro lado, essa percepção não espanta nenhum de nós, pois sabemos que essa falência tem prazo de validade. Na cruz, fomos resgatados. Há redenção. E, na volta de Cristo, haverá glorificação. Não somos surpreendidos ou deprimidos por a humanidade ter dado errado. Ela deu. Mas, no fim, isso será revertido.

Segundo, Flavio teve a impressão de que foram 85 anos jogados fora. Que triste ler isso. Porque jamais uma vida é jogada fora se há propósito, motivação, razão de ser. E ter Cristo em nossa vida nos estimula a amar o próximo, o que, quando feito com diligência, nos dá completude no senso de utilidade e valor pessoal. Quem dos que dedicam a vida a amar o semelhante e servi-lo sente que está desperdiçando tempo? Acordar de manhã desejando realizar algo para fazer alguém sorrir e ir para a cama à noite sabendo que se ajudou alguém a viver proporciona uma sensação de plenitude e propósito que nos fazem ver cada segundo da existência como preciosidade.

Terceiro, Flávio se mostra decepcionado com as pessoas, “esse tipo de gente”. Todo ser humano conviverá com pessoas horríveis. Entro nas redes sociais e vejo multidões de pastores e membros de igrejas grosseiros, brigando por política ou teologia, ofendendo uns aos outros, arrogantes e desagradáveis. Como conviver com isso? Eis o segredo: perdoando. Na nossa fé, somos instados a perdoar “esse tipo de gente” por entender que não sabe o que faz e está escravizada por seu pecado. E a instrui-la, com mansidão e paciência. Por quê? Por crer que, se até mesmo pastores e teólogos famosos, arrogantes e agressivos podem vir em algum momento a ser salvos por Jesus, quanto mais qualquer outra pessoa! Sim, crer na redenção até do mais endurecido religioso dá esperança de salvação “dessa gente”. Qualquer que seja.

Sim, eu falhei. Falhei com Flavio porque não lhe apresentei o senso de propósito que há no amor a Deus e ao próximo. Falhei por não mostrar que a falência da humanidade em Gênesis 3 terá reversão em Apocalipse 22. Falhei por não mostrar que há perdão e restauração para toda gente horrível. Falhei porque o cristo que ele conheceu foi o falso, o genérico, aquele que milita na política partidária e nos programas de televisão com ódio, arrogância, estupidez, palavreado destemperado e falta de amor nas palavras. E, desculpe, você também falhou. Todo cristão falhou. Porque perdemos tempo com vãs discussões em vez de investi-lo em fazer gente como Flávio Migliaccio conhecer o Cristo verdadeiro: o que ama, redime, conserta, restaura, controla, pacifica e estende a mão. O Cristo da cruz e da sepultura vazia.

Falhamos com Flavio. Mas há milhares de outros flavios ao nosso redor, em situação bem parecida com a dele. A grande pergunta é: o que você pretende fazer a respeito?

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari
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O Brasil inteiro está comentando a saída de Sergio Moro do governo e a repercussão das questões entre o ex-ministro e o presidente Jair Bolsonaro. Todos têm certezas, todos têm opiniões, todos correram para as redes sociais a fim de falar sobre o assunto, dizer o que pensam e criticar quem discorda. Se você me acompanha há algum tempo aqui no blog APENAS, sabe que não uso este espaço para falar de política – e assim pretendo continuar. Portanto, esta NÃO é uma reflexão sobre política, mas sobre o posicionamento dos cristãos diante dessa crise.

Por quê? Porque algo que percebi em 99,99% dos comentários de irmãos e irmãs em Cristo sobre o assunto foi a falta de um posicionamento cristão sobre o assunto. Muitas opiniões, pouca Bíblia.

Por isso, decidi dar a minha contribuição. E, pela minha visão, o que devemos fazer, neste momento, como brasileiros e como cristãos, é:

1. Oremos sem cessar.
2. Não devolvamos mal com mal.
3. Cuidemos para que toda palavra que sair de nossa boca seja temperada e só promova a edificação.
4. Não vivamos brigando.
5. Amemos nossos inimigos.
6. Sejamos um, como Cristo e o Pai são um.
7. Intercedamos pelos nossos governantes, para que tenhamos paz.
8. Exerçamos o domínio próprio.
9. Sejamos bem-aventurados pacificadores.
10. Sejamos humildes em nossas opiniões.
11. Tenhamos fome e sede de justiça.
12. Instruamos com mansidão e paciência aqueles que se opõem.
13. Não nos apressemos para falar.
14. Façamos ao outro o que gostaríamos que ele fizesse a nós.
15. Saiba que o Reino de Cristo não é deste mundo.
16. Tenha bom ânimo, apesar das aflições.
17. Lembre que nossa leve e momentânea tribulação produzirá para nós um peso eterno de glória.
18. Em tudo dê graças.
19. Conscientize-se de que tudo coopera para o bem daqueles que amam a Deus.
20. Jamais esqueça que Cristo está com você todos os dias, até a consumação dos séculos.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari
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Uma amiga minha está com enormes dificuldades de lidar com o isolamento e o medo destes dias de pandemia por conta do coronavírus e me procurou para questionar como poderia “manter a sanidade”. Essa pergunta ocupou meus pensamentos por algum tempo e, após alguma reflexão, cheguei a algumas sugestões que gostaria de compartilhar com você:

1. CONFIE EM DEUS. Lembre-se de que o Eterno continua sendo o mesmo de sempre: amoroso, bondoso, compassivo, amigo, cuidador. Não é porque há uma pandemia que ele deixou de ser quem sempre foi. Leia Sl 139.

2. SAIBA QUE A PANDEMIA VAI PASSAR. Esta não é a primeira desgraça da história humana. Enfrentamos peste negra, guerras, terremotos, tsunamis, destruição de civilizações, exílios… e, sempre, a sociedade se reergueu e seguiu adiante. Vai passar.

3. EXERCITE O FRUTO DO ESPÍRITO. Paulo listou em Gálatas 5.22-23 nove virtudes que definem um verdadeiro cristão. Mas elas não vêm automaticamente, carecem de amadurecimento. Então, veja a pandemia como uma oportunidade de amadurecer em paciência, amor, amabilidade, autocontrole, alegria e outras. Deus está ajudando você a crescer.

4. DIVIRTA-SE. Isolamento não é estagnação. Durante este período, faça aquilo que alegra seu coração: ouça música, dance, jogue com a família, conte piadas, veja filmes, faça amor com seu cônjuge, leia bons livros, pegue sol na janela. Produza endorfinas.

5. RELACIONE-SE. Uma das grandes dádivas deste período é que ele nos deu a oportunidade de quebrar o ciclo da correria do dia a dia. Com isso, você tem tempo para gastar horas pondo o papo em dia com os amigos de perto e de longe. Use telefone, Whatsapp, Zoom, Hangout, o que for. A cura da solidão são pessoas.

6. REFLITA. Romanos 12 nos propõe renovar a mente. Não há nada melhor para isso que gastar tempo analisando nossos erros e acertos. Invista o tempo que agora você tem de sobra para pensar em como ser uma pessoa melhor. Após a pandemia, quem você quer ser? O mesmo de antes? Por que não aproveitar este momento para se analisar e melhorar?

7. AME O PRÓXIMO. Seja útil. Descubra quem está em dificuldades e ajude financeiramente. Ampare os sofridos. Encoraje os desanimados. Alimente os famintos. Isso lhe dará enorme senso de propósito nestes dias.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari
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Deixa eu te contar um segredo: a pandemia vai passar. Serão dias de isolamento, com muita tristeza, saudade, ausência e, por favor, reflexão. Mas… vai passar. Para o planeta, ela não é novidade. A Terra já viu pestes, guerras, recessões, tsunamis, terremotos, eras glaciais, holocaustos e muitos outros horrores. Sabe o que aconteceu? Passou. Até lá, haja paciência. Mas a pergunta principal que devemos nos fazer é: e depois?

O que todo esse processo fará conosco, como indivíduos e coletividade? Em que melhoraremos? Que transformações empreenderemos com as lições que estamos aprendendo? De que modo o coronavírus nos fará mais humanos, solidários, gentis, abnegados, amorosos? Nossa relação com Deus seguirá igual, fria, litúrgica e interesseira?

Você está vivendo, hoje, algo que será contado, por décadas ou séculos, nos livros de história. O título do capítulo poderia ser “Os dias em que a terra parou”. A grande e urgente questão é: quem será você depois disso tudo?

É tempo de refletir, reavaliar e orar. Você continuará agindo da mesma maneira? Sua rotina será a mesma? Você seguirá se relacionando com o próximo do mesmo modo? Suas prioridades ainda serão as atuais? Porque, querido, querida, se este período único em nossa vida não nos aperfeiçoar em nada, que tremendo desperdício de sofrimento será.

Pense. Reflita. E esteja aberto às transformações que Deus quer fazer em você. Se isso ocorrer com cada um de nós, teremos amores mais sinceros, pessoas mais cristãs, gente mais humana e um mundo bem melhor. Deus está falando, mas… e você, está ouvindo?

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Maurício Zágari
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A Bíblia deixa indubitavelmente claro que nada acontece no mundo à parte da soberania de Deus. O Senhor é o dono do mundo e ele administra com atenção e todo poder aquilo que lhe pertence. Nada ocorre sem sua expressa permissão e entender essa realidade nos leva a algumas conclusões importantes, em uma época em que o mundo enfrenta a assustadora pandemia de coronavírus.

Se Deus domina tudo e desgraças acontecem, naturalmente ocorrem debaixo da permissão dele. Mas, como conciliar que o Senhor permite uma pandemia que tira a vida de milhares de pessoas pelo planeta com o fato de que ele é bondoso, amoroso, compassivo, cuidador e benigno?

Uma conclusão seria: na verdade, Deus não é soberano e o mundo corre à revelia de seu controle. Essa é uma heresia chamada teísmo aberto (ou teologia relacional, em sua versão brasileira). O problema é que esse pensamento é refutado por todo o relato bíblico, que mostra um Deus que é Senhor absoluto da História.

Outra conclusão seria que o Criador, afinal, não é tão bom assim. Porém, acreditar nisso seria jogar fora as Sagradas Escrituras, que não deixam margem de dúvida sobre a infinita bondade e misericórdia do Deus que é amor.

A terceira conclusão possível é que há na desgraça um propósito divino mais elevado e que ainda não conseguimos vislumbrar. É o que chamo de “bendita desgraça”, isto é, Deus permite um mal com vistas a um bem maior. Acredito que essa é a resposta.

O exemplo que costumo dar para explicar essa realidade é o de uma injeção: qual de nós gosta de tomar? Ainda assim, tomamos. Por quê? Porque somos masoquistas? Não. Porque sabemos que, para evitar um mal maior, é melhor nos submetermos à dor da agulhada.

Procurei mostrar essa realidade em meu livro O fim do sofrimento (Mundo Cristão). Frequentemente, Deus faz isso. Lembra-se do espinho na carne de Paulo? É interessante que o apóstolo explica que Deus decidiu afligi-lo com aquele “espinho” a fim de que ele não se tornasse arrogante pela grandeza das revelações que recebera. Ou seja, um mal muitas vezes é a caneta que Deus usa para escrever a história do bem maior. Sei que isso pode soar meio estranho, mas, à luz da onisciência divina, Deus sabe que aquilo que nos parece absurdo muitas vezes vai ao encontro de uma lógica superior majestosa e inalcançável pela limitada mente humana.

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Exemplos bíblicos não faltam: o Dilúvio, a confusão das línguas em Babel, o exílio na Babilônia, a dominação romana, as chagas e perdas de Jó, as dores de Oseias, os constantes sofrimentos de Israel sob jugo de povos vizinhos, a escravidão no Egito, a cruz de Cristo – o fenômeno se repete: males aparentes que, no grande esquema das coisas, contribuem para proveitos muito mais elevados e importantes.

Tenha uma certeza: o coronavírus não é maior que o Criador dos buracos negros, de Andrômeda, da Ursa Maior, dos quasares e do top quark. Esse mesmo Deus que tudo criou pelo poder de sua palavra não abandonou o mundo ao léu, como uma carruagem desembestada, mas mantém as rédeas bem seguras em suas mãos.

O que ele deseja ao permitir essa pandemia? Talvez, mais contrição. Talvez, mais arrependimento. Talvez, mais busca de sua face. Não temos como saber. Mas podemos ter a certeza e a confiança de que ele segue na direção dos fatos da vida.

De uma coisa eu sei, com absoluta e bíblica certeza: aconteça o que acontecer, todas as coisas cooperarão para o bem daqueles que amam a Deus. E mais: todas as coisas culminarão na glória daquele que amou tanto o mundo que nos deu seu Filho único, a fim de que, com coronavírus ou sem coronavírus, tivéssemos a vida eterna.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari
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John Bunyan foi um profícuo pregador do século 17, conhecido por ser o autor do livro cristão mais lido de todos os tempos depois da Bíblia: O peregrino. O que nem todas as pessoas sabem é que Bunyan escreveu essa obra – e diversas outras – durante o período em que estava preso por se recusar a parar de pregar o evangelho. Ele permaneceu 12 anos em isolamento em uma prisão inglesa.
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Além da rara fidelidade de Bunyan à Grande Comissão, chama a atenção o fato de ele não ter se fechado em depressão ou desânimo pelo fato de estar isolado, muito pelo contrário: aquele homem de Deus usou o tempo em que se encontrava distante do convívio humano para produzir algo que, séculos depois, segue edificando a Igreja.
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Assim como Bunyan, temos conhecimento de muitos homens e mulheres de Deus que não deixaram seu isolamento social abatê-los. Pelo contrário, eles viram nesse período de reclusão uma oportunidade de servir a Deus e à Igreja.
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É o caso do apóstolo Paulo, que, mesmo na solidão da prisão, escreveu diversas cartas que hoje compõem o Novo Testamento. Ou o de João, que, exilado na pedregosa ilha de Patmos, recebeu visões extraordinárias, que geraram o Apocalipse. Ou, ainda, o do reformador Martinho Lutero, que, escondido no castelo de Wartburg, usou seu tempo de solidão para traduzir a Bíblia para a linguagem do povo alemão.
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A História mostra que estar isolado não é sinônimo de estar estagnado ou improdutivo. Nada disso: a vida segue, o tempo corre, Deus subsiste soberano e aqueles que se dispõem a permanecer em comunhão e a prestar serviço à obra do Onipotente podem, e devem, usar esse tempo para grandes coisas.
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O mundo se isolou, em função da pandemia do coronavírus. As pessoas se trancam em casa e evitam o contato social. As igrejas locais se viram diante do dilema: prosseguir com as atividades públicas ou seguir as orientações dos especialistas e contribuir para a quarentena? O fato é que, em menor ou maior grau, todos teremos certo nível de isolamento e solitude enquanto durar a pandemia. A pergunta que surge nessa hora é: como agir? Como enxergar esse afastamento que torna o próximo não tão fisicamente próximo assim?
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Minha sugestão é: faça como Bunyan, Paulo, João e Lutero. Aproveite este tempo para crescer em sua espiritualidade. Se você terá mais tempo livre, dedique-se mais e mais profundamente à leitura das Escrituras e à oração. Deixe um pouco de lado as redes sociais e a Netflix e leia bons livros cristãos (sabe aqueles que você sempre diz que não tem tempo de ler? Pois é, agora tem). Tire periodos devocionais. Jejue. Tudo isso são disciplinas espirituais que deveriam fazer parte de nossa rotina, mas que a correria dos tempos modernos não nos deixam vivenciar como deveríamos. Agora, é uma excelente oportunidade de rever isso.
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Mas, além de aproximar-se de Deus e de aprofundar-se nele, você também pode edificar o próximo. Em vez de ficar nas redes sociais postando informações que apavoram pessoas, poste o que encoraja, motiva, consola, conforta e dá ânimo. Grave vídeos com passagens bíblicas. Doe quentinhas a quem perdeu a renda por conta do isolamento. Una-se em videoconferência com irmãos para compartilhar o que se passa em seu coração, orar, contar piadas, animar-se mutuamente. Use a tecnologia para manter contato com os amigos.
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Desnecessário seria falar sobre a oportunidade de evangelismo que este momento proporciona. As pessoas estão amedrontadas, acuadas e não há resposta maior ao medo que a paz que só Jesus pode dar. A confiança inabalável naquele que nos amou. O médico dos médicos, Rei do Universo, Senhor dos Senhores, sob cujo domínio estão todas as coisas. Proclame esse Deus e, neste momento de dor, muitos se abrirão a ouvir a mensagem da vida eterna.
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Há muito a se fazer e o isolamento não pode nos abater. Pelo contrário, deve incentivar-nos à criatividade e à ação – uma ação diferente, é verdade, mas que, se levada a sério, contribuirá para nos aproximar muito mais de Deus e do amor cristão.
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Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari
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É muito comum, quando se assiste a uma dessas entrevistas com celebridades em programas de auditório ou coisas assim, que o entrevistador faça aquelas perguntas “pá-pum”: “Prato preferido?”. “Um ídolo?”. “Um sonho?”. Sabe como é? Invariavelmente, entre as perguntas aparece: “Um arrependimento?”. E, via de regra, a resposta é: “Não tenho nenhum arrependimento, pois é melhor se arriscar e quebrar a cara do que não ter tentado”. Aplausos efusivos da plateia. Sempre que ouço isso, balanço a cabeça e penso quão irrefletida é essa resposta.

Eu me arrependo de um caminhão de coisas. Cada decisão equivocada, cada palavra mal colocada, cada ação impulsiva, cada pecado cometido… meu Deus, quantas coisas do que me arrepender! Talvez, se for honesto comigo mesmo, perceberei que tenho mais coisas do que me arrepender do que me orgulhar.

Arependimento é uma das colunas que sustentam o evangelho de Jesus Cristo. Elimine da boa-nova a necessidade de se arrepender e você deixará de ter a Palavra eterna. O que sobrará será uma mera filosofia motivacional.

Arrepender-se é odiar a Queda, rejeitar o diabo, repudiar a carne, lutar contra o pecado, viver Cristo. Sem arrependimentos diários, verdadeiros e eficazes, tornamo-nos uma sombra tênue e distante do que Jesus quer que sejamos. Arrependimento é a picareta que quebra a dureza de nosso coração empedernido e nos lapida à imagem do Salvador.

Eu me arrependo, sim, de muitas coisas e muito. Deus me livre de uma vida sem arrependimento, que seria como estar em areia movediça e me recusar a segurar a corda salvadora que me estendem. “Um arrependimento?”. “Não tenho, deixe-me afundar na areia movediça de meus erros e de minha estagnação”.

Meu irmão, minha irmã, do que você se arrepende? Se percebe que errou, fraquejou, caiu, se sujou… não tenha vergonha de dizer, em meio a muitas lágrimas: “Pai, eu me arrependo. Perdoa-me e ajude-me a não repetir o erro”.

E que fique o aprendizado. Pois, de todas as maravilhas do arrependimento, possivelmente a maior delas é a capacidade de aprender, a fim de não errar o mesmo erro novamente, e de instruir outros a não trilhar o mesmo caminho de dor, tristeza e sofrimento.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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Sexta-feira passada, o Rio de Janeiro foi assolado por ventos fortíssimos, de cerca de 90 km/h. Começou como um assobio de filme de terror nas frestas da janela e, quando vi, o vendaval sacudia tudo com fúria. Comecei a ouvir, impotente, barulhos que vinham do terraço, sem que eu me atrevesse a subir para ver o que estava ocorrendo, por conta dos raios, do temporal e do receio de objetos voando. Resolvi aguardar pelo dia seguinte e assim o fiz. O que encontrei foi um cenário desolador.

Explico: passei o último ano cultivando plantas na laje do meu barraco. Adquiri mudas, sementes, vasos, terra, substrato, areia. Plantei, reguei, fertilizei, pus remédios contra pragas… fiz o que pude para ter plantas bonitas, saudáveis, floridas, frutíferas. Foram doze meses de erros e acertos, paciência, pesquisa, preocupação e dedicação. Semana passada, eu estava satisfeito, crendo que já tinha tudo de que precisava para as plantas crescerem e minha alma desfrutar da paz que a beleza da natureza proporciona. Mas, então, sem que eu esperasse, aconteceu a calamidade.

Sábado amanheceu e, logo cedo, subi. O cenário era desolador. Uma árvore estava tombada, com a terra do vaso espalhada pelo chão. Vasos tinham sido lançados à distância. A quantidade de galhos quebrados chegou perto do incontável. Uma trepadeira se soltara do poste e jazia, troncha, pendurada, torta. Montanhas de folhas e flores estavam espalhadas pelo chão, junto com cascas de pinho, arremessadas de seus vasos.

Além das plantas, uma mesa e cadeiras de plástico foram catapultadas à distância, jardineiras encontravam-se em locais bem diferentes dos originais, um espelho foi arremessado da parede e não quebrou por um milagre. Mas um quadro que minha mãe havia pintado com o retrato de minha esposa foi arrancado da parede, o vidro estilhaçou e a pintura foi arremessada pelo vento por cima da amurada, assoprada sabe Deus para onde. Provavelmente, deve estar caída em alguma calçada molhada, a alguns quarteirões de distância.

O resumo da ópera é que, sem contar os estragos causados aos objetos, um ano de cuidados com minhas plantas foram por água abaixo depois de duas horas de vendaval. Minha sensação imediata foi de impotência, frustração, decepção e desânimo. Ao olhar o cenário deixado pelo “furacão”, fui tomado de grande apatia. Olhei, paralisado, o desastre, sem saber por onde começar. E, então, tomado de enorme desânimo, simplesmente, dei as costas, deixei tudo como estava e fui para a cama.

Passei um bom tempo deitado, lamentando a vida e a má-sorte. Mas, passado um tempo, lembrei que, se eu não fizesse nada, tudo continuaria como estava. Respirei fundo, tentando aspirar um pouco de ânimo, enrijeci as pernas e subi novamente. Embaixo de uma chuva fina, dediquei as horas seguintes a catar incontáveis cacos, jogar muita coisa no lixo, levantar o que estava caído, recolher o que fora derramado, amarrar plantas soltas e quebradas, ajeitar o que ainda tinha jeito.

Ao fim de um longo tempo, terminei. Olhei em volta. A aparência do local não era bonita. Galhos desfolhados, tortos e remendados; chão imundo; vazios nas paredes onde antes havia quadros; sujeira para todo lado, um aspecto menos verde e florido que antes. Um cenário triste, desolador e desanimador – exatamente como acontece conosco em muitos momentos da vida.

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Meu irmão, minha irmã, de tempos em tempos, enfrentamos a mesma coisa em nossa jornada. Tudo parece bem, o céu está azul e ensolarado, há beleza ao redor e tudo parece caminhar para um futuro florido e frutífero. Até que, de repente, de forma inesperada e aterrorizante, vem um vendaval assustador. Tudo fica fora de lugar, o que antes estava limpo agora está sujo, projetos que subiam vigoroso para o alto se tornam galhos quebrados e murchos, e muito do que você vinha construindo é lançado ao chão e se esfacela ante a força das circunstâncias. Você tenta fazer algo, mas o vento vem de todos os lados, incontrolável, indomável, e destrói tudo por onde passa sem que você consiga segurá-lo. E, quando, finalmente, o vendaval cessa, o cenário que surge diante dos olhos é de assolação.

O que se segue, naturalmente, é desânimo. Vontade de desistir. Sentimento de solidão, impotência e frustração. Você pensa como aquilo foi possível, já que você se esforçou para fazer tudo certo, cultivou as coisas como deveria, dedicou-se e deu o melhor de si, mas… foi surpreendido pelo vendaval implacável. Seu longo esforço e sua suada dedicação não serviram de nada, pois em poucos instantes tudo veio abaixo.

E, cá entre nós, parece que Deus não fez nada para nos ajudar. Chegamos a pensar que pedimos pão e ele deu pedra, que pedimos peixe e ele deu serpente. Tal qual Jó, nos damos conta de que o que tínhamos não temos mais e que nosso sorriso desapareceu num piscar de olhos. Já se sentiu assim?

Porém, passado um tempo, é hora de catar os cacos e varrer o chão. E de entender que Deus permite vendavais como esse por propósitos muito elevados e, embora invisíveis, renovadores.

Demora, eu sei, mas é preciso. E lembre-se de que, nesse meio-tempo, Deus está ali, de ouvidos abertos para ouvi-lo. Cate as folhas mortas. Remende os galhos quebrados. Jogue o que não serve mais no lixo. E, uma vez mais, dê o seu melhor, para recuperar o jardim. Depois, tome um banho, calce meias quentes e tome um café forte. Faça tudo que pode fazer e deixe o resto aos pés da soberania de Deus. Os levitas puseram o pé no Jordão, isto é, fizeram a sua parte, mas quem abriu as águas do rio foi o Senhor.

Pode demorar um dia, ou dois. Talvez três. Ou uma semana. Um ano. Décadas. Mas, eventualmente, o céu se abrirá, o azul cobrirá sua cabeça como um edredom que aquece e o sol voltará a brilhar no jardim. As plantas novamente crescerão, as flores brotarão e as frutas ressurgirão nos galhos. Vassourada após vassourada, você removerá do chão os últimos resquícios de sujeira e novos quadros serão postos nas paredes, renovando o ambiente.

Tempos depois, aquele momento desolador não passará de uma lembrança de um entre tantos dias ruins que compõem, junto com os dias bons, essa coleção de tempos que chamamos de vida.

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Em tudo isso, resta-nos a gratidão. Que, em meio à assolação, nunca nos esqueçamos de que Deus não deixou de nos amar, segue nos acompanhando com seus olhos cor de graça misericordiosa e está sempre pronto a enxugar nossas lágrimas.

Você se dá conta, então, de que as folhas e as flores que o vendaval arrancou eram as mais frágeis, defeituosas e doentes, assim como, no vendaval da sua vida, as amizades verdadeiras serão reveladas pelo vendaval. Os interesseiros, bajuladores, incompassivos e falsos amigos serão varridos para longe pelas circunstâncias. Você perceberá que a terra derramada dos vasos era a que estava por cima, já ressecada pelo sol e sem nenhum nutriente, assim como, no vendaval da vida, muitas das prioridades que estavam no topo de seus dias serão descartadas, pois o caos sempre nos revela quando estamos valorizando o que já não tem nutrientes. Com o tempo, você se dará conta de que a assolação trouxe muitas bênçãos, que cumprem os desígnios divinos. Trouxe limpeza. Renovação. Conscientização. Amadurecimento. Novidade de vida.

Meu irmão, minha irmã, o vendaval acabou de passar. Meu terraço ainda está uma bagunça e a chuva ainda cai, fina e incômoda. Mas eu sei que meu Redentor vive e que sua graça, sua misericórdia e seu amor seguem imutáveis. Ele é bom e tem sempre os melhores propósitos, mesmo que soframos perdas e derramemos muitas e muitas lágrimas dos olhos.

Minha oração é que as lágrimas reguem as plantas destroçadas. Elas podem cair durante 41 capítulos, mas, ao fim, é preciso ter fé de que o capitulo 42 chegará, trazendo com ele sol, renovo, sorrisos e paz. E, então, você perceberá que suas lágrimas regaram as plantas destroçadas e contribuíram para que elas se tornassem, assim como foi com as filhas de Jó, as mais belas e admiráveis de toda a região.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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Um dos maiores segredos para a felicidade nas coisas desta vida é o entendimento de que nenhuma alegria dura para sempre. Tudo em nossa jornada está em constante mutação. As pessoas mudam, as circunstâncias mudam, você muda… tudo muda! Infelizmente, o ser humano tem o péssimo hábito de acreditar que as coisas boas durarão para sempre e as más terão prazo de validade. Na realidade, esse pensamento triunfalista é uma mera invenção dos nossos desejos humanos e acreditar nele é pedir para ser infeliz. No chão da vida, não é assim que acontece. Por vezes, a beleza perdurará por muitos anos, mas, em outras tantas, a flor que nasce hoje amanhã estará morta, enquanto o cacto espinhento enfeiará o cenário por muitos anos. Assim é a vida. Conforme-se, para não ser infeliz.

Vejo com frequência artistas que foram famosos no passado e caíram no esquecimento irem a programas de televisão reclamar da vida, como se fosse obrigação das empresas de televisão os continuar contratando. Não é. Patrões fazem o que querem, os artistas que façam o seu melhor para permanecer contratados. Lembro de uma atriz de novelas que, no ostracismo, teve de vender água de coco para pagar as contas e de outro ator de novelas que passou a vender sanduíche natural na praia para sobreviver. Essa é a vida. Hoje se tem, amanhã não se tem mais. Quem vive agarrado às felicidades do passado terá de viver constantemente a frustração do não-mais-ter. Conforme-se, para não ser infeliz.

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Pessoas vêm e vão. Quem te sorri, hoje, te virará o rosto amanhã. Quem te ama, hoje, amanhã amará outro. O seu mais íntimo confessor se tornará alguém distante. O amigo do peito do presente lhe dará as costas no futuro. Quem confia em você, hoje, o considerará um mau caráter amanhã. Quem te faz elogios, hoje, amanhã só fará críticas. E, em geral, não haverá nada que você poderá fazer a respeito. Conforme-se, para não ser infeliz.

Hoje você é dono de fazendas, amanhã morará num casebre humilde. Hoje você é procurado por muita gente, amanhã será ignorado por elas. Hoje você é uma referência, amanhã farão caretas ao pensar em você. Hoje você é rico, amanhã terá perdido tudo. Hoje você é bem considerado, amanhã será desprezado. Hoje você é atraente e sarado, amanhã será pelancudo e barrigudo. Hoje querem ouvir o que você tem a dizer, amanhã o mandarão se calar. Hoje você tem uma ótima reputação, amanhã será considerado um canalha. E, em geral, não haverá nada que você poderá fazer a respeito. Conforme-se, para não ser infeliz.

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Meu irmão, minha irmã, diante desse cenário doloroso, mas visceralmente realista, há como ser feliz? Sim, há. O grande segredo é despir-se das falsas expectativas de que as alegrias que hoje aquecem seu coração durarão para sempre. Entenda que Deus nunca nos prometeu felicidades eternas, muito pelo contrário: a promessa de alegria perene vale apenas para o porvir e não para esta vida. Portanto, se você desfrutar de cada alegria, em cada momento, sem depositar sua felicidade no fato de essa alegria permanecer, se tornará um colecionador de muitas pequenas alegrias pontuais, em vez de um colecionador de frustrações decorrentes de alegrias que inevitavelmente acabarão.

Uma coisa que aprendi com meu novo hobby de jardinagem é que as flores nascem, embelezam e, pouquíssimo tempo depois, despetalam e morrem. É um processo muito rápido. Aprendi com elas que devo desfrutar de cada segundo em que uma flor estará viçosa e vigorosa, para deixar sua beleza e seu perfume maravilharem minha alma. Mas devo me maravilhar sabendo que essa maravilha será passageira e logo desaparecerá. Se eu só puser o foco no despetalar da flor, viverei frustrado e triste. Mas, se eu puser o foco na alegria que aquela flor provoca em mim durante seus poucos dias de vida, serei sempre recompensado por aquela pequena alegria. E, sabe… tenho sempre a esperança que uma nova flor brotará naquela planta, gerando novas alegrias (que também desaparecerão logo depois).

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Quer ser feliz em toda e qualquer ocasião? Então evite se agarrar às coisas passageiras, como dinheiro, fama, reputação, cargos, status, beleza física ou o que for: deposite o verdadeiro contentamento nas alegrias do hoje, do agora, deste exato instante, em vez de condicionar sua felicidade a alegrias que o vento levará pela janela muito em breve. Ele levará, acredite.

Não fique triste por seu filho não ser mais um bebê, desfrute das alegrias da maturidade dele. Não se frustre porque lhe fecharam a porta de que você gostava, pense nas alegrias que teve enquanto ela estava aberta e peça a Deus que lhe abra novas, que tragam novas alegrias. Não se abata porque seu amigo deixou de ser seu amigo, lembre-se com carinho dos tempos que estiveram juntos e peça a Deus que lhe dê novos amigos. Não desanime porque o que dava sentido aos seus dias terminou, ache novas motivações para ser útil e viver sabendo que ainda há propósito para sua existência. Mas, para isso, é preciso ter olhos e ouvidos atentos ao que Deus está lhe mostrando a cada nova curva do caminho.

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Jesus nos ensinou: basta a cada dia o seu mal. Não ponha seu coração no que é passageiro. Tenhamos bom ânimo em meio às aflições de momento. E, acima de tudo, a boa-nova de Cristo nos lembra de que, se as alegrias desta vida são fugazes e acabam como a flor que despenca ao chão após completar seu ciclo, Deus é eterno e seu amor dura para sempre. “Que a graça de Deus esteja eternamente sobre todos que amam nosso Senhor Jesus Cristo” (Ef 6.24), escreveu Paulo. Esta é nossa esperança, meu irmão, minha irmã: graça eterna. Esta é a única certeza de felicidade eterna: graça. A graça do Deus que nos ama e nunca deixará de nos amar.

Amigos lhe virarão a cara. Elogios acabarão. Dinheiro faltará. Bens enferrujarão. Beleza se desfará. Fama mirrará. Cargos serão extintos. Amores desamarão. O presente passará. Alegrias de momento findarão. Desfrute enquanto pode e, quando não puder mais, conforme-se. Sim, sinto saudades de pessoas, amizades, carinhos, momentos, atividades, locais, relacionamentos, experiências e tanto mais, porém… para além da dor da perda, está a conformidade com a inevitabilidade das mudanças. Sua felicidade não pode jamais estar atrelada a uma utópica perenidade das alegrias de momento. A alegria que sustenta tuas pernas nos dias de sol e de chuva deve estar sempre alicerçada na única certeza: a graça dele te basta.

E, sim, essa graça, razão da mais absoluta e exultante felicidade… é eterna.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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