Arquivo da categoria ‘Aflição’

“Zágari, acho muito legal a sua nova iniciativa de gravar vídeos sobre vida cristã, mas não tenho paciência de ver porque eles são muito longos. Poxa, faz uns videozinhos menores, vai!”. Esse comentário me foi enviado por inbox por uma irmã querida e se refere à minha recente iniciativa de postar no YouTube vídeos com reflexões sobre vida cristã, num canal que chamei de Homileo. Quando li o comentário dela, fiquei pensativo e preocupado e cheguei à conclusão de que ele carrega profundas e graves implicações espirituais. Gostaria de compartilhar com você esses meus pensamentos (com a devida autorização prévia da autora do comentário acima, para não constrangê-la com esta postagem).

Quando criei o blog APENAS, adotei propositadamente a seguinte filosofia nos meus textos: transmitir teologia cristã de maneira totalmente compreensível, em linguagem acessível, em textos gostosos de ler, de forma que ficasse fácil para qualquer pessoa aplicar tais conceitos na prática do dia a dia. Essa filosofia tem norteado todos os meus textos. Assim que criei o blog, ainda lá em 2011, um conhecido meu, blogueiro experiente, me recomendou: “Faça as postagens com no máximo três parágrafos, senão as pessoas não lerão”. No início, eu tentei. Mas logo descobri que sou totalmente incompetente para desenvolver um raciocínio com começo, meio e fim, que seja minimamente útil para o leitor, em textos tão minúsculos. Confesso minha incapacidade. Admiro quem consegue fazer isso, mas eu não consigo. Optei, então, por investir na qualidade dos textos, tivessem que tamanho tivessem, sem me preocupar em escrever pouco a fim de acumular mais e mais leitores. Foi quando orei a Deus e lhe disse:

– Senhor, sou incapaz de escrever reflexões minimamente decentes em apenas três parágrafos. Então, que o Senhor faça cada texto chegar a quem for preciso pelo teu poder e não por estratégias humanas.

Com essa decisão, mantive meus textos do tamanho necessário, isto é, com uma média de 8 parágrafos, às vezes menos, às vezes mais. O que me espantou foi a frequência com que comecei a ler nas redes sociais irmãos e irmãs comentarem, ao compartilhar minhas reflexões do APENAS com seus amigos e “seguidores”, coisas do tipo: “Apesar de esse texto ser muito longo, vale a pena ler” ou “Senta que lá vem textão, mas leia até o fim”. Isso me chocou. Oito parágrafos são textão?

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O problema tornou-se mais visível quando, há quatro semanas, passei a gravar os vídeos do HOMILEO. Uma colega, que trabalha com internet, recomendou: “Faça vídeos com no máximo três minutos, senão as pessoas não assistirão”. No começo, eu tentei. Garanto que me esforcei demais para isso. Mas passei a perceber que também sou absolutamente incapaz de desenvolver um raciocínio minimamente útil em tão pouco tempo: ou eu investia em tempo curto, a fim de arrebanhar mais inscritos em meu recém-criado canal do YouTube, ou investia na qualidade do conteúdo. Preferi investir na qualidade e não na quantidade, mesmo que isso não gere muitos inscritos no canal (afinal, o objetivo não é me fazer popular, mas edificar e abençoar vidas, a despeito de quantas forem). Resultado: minhas reflexões no YouTube têm uma média de “gigantescos” 5 a 6 minutos. Foi quando recebi o comentário de minha amiga pelo inbox, que reproduzi no início deste post.

Confesso, meu irmão, minha irmã, que estou preocupado com as graves implicações que essa cultura do “textão” tem sobre nossa espiritualidade. Explico: como uma pessoa que considera “textão” um textinho de 8 parágrafos terá capacidade de manter uma rotina de leitura e estudo da Bíblia? Como um cristão para quem ler mais de três parágrafos é enfadonho conseguirá ler diariamente bons e necessários livros cristãos, uma disciplina fundamental e indispensável para nossa espiritualidade? Se a Igreja de Cristo se acostumar à mentira de que textos que exigem mais de dois minutos de leitura são gigantescos, como poderá crescer e amadurecer em seus conhecimentos bíblicos e teológicos? Ou nos conformaremos com a mediocridade de textos minúsculos, superficiais e rasos?

Eu me recuso a acreditar que as pessoas são medíocres. Sempre vejo muito potencial em cada uma. A mentira de que 8 parágrafos é “textão”, inventada pela geração internet que tem preguiça de se concentrar em leituras proveitosas, não pode nos vencer. Não pode vencer nossa vontade de crescer. Não pode derrotar o plano divino de que seus filhos e filhas cresçam sempre mais nos âmbitos intelectual, emocional e espiritual. Pois uma Igreja que não lê algo que vá além de três parágrafos está condenada à estagnação, à pobreza, à superficialidade e ao erro.

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Vamos além: como pessoas que não têm paciência de assistir a um vídeo com 5 ou 6 minutos de duração conseguirão manter a atenção necessária durante uma pregação de 40 minutos? É por essa razão, para conseguir prender a atenção de fieis cada vez mais incapazes de se concentrar, que muitas igrejas transformaram seus cultos em shows e seus pregadores em piadistas ou entretenedores. E mais: como pessoas sem paciência de assistir a um vídeo de 6 minutos conseguirão se concentrar em seus momentos de oração e meditação diárias, se sua mente não consegue ficar mais que 3 minutos atenta a algo sem se entediar? Não seria por isso que as reuniões de oração das igrejas vivem vazias? Estamos falando de um problema demasiadamente grave.

Como você pode ver, meu irmão, minha irmã, essa não é uma questão qualquer. É um fenômeno extremamente sério, que exige nossas reflexões – e a tomada de atitudes. Pois a impressão que dá é que vivemos na geração da preguiça mental, o que condenará aqueles que aceitarem a mediocridade de pensamento a uma vida de pouca aquisição intelectual, pouco conhecimento bíblico, pouca dedicação a disciplinas espirituais, pouca leitura, pouca paciência, pouca reflexão, pouca transformação, pouco crescimento… e muita limitação, mediocridade e superficialidade.

Concentração é algo fundamental para o desenvolvimento do indivíduo e das sociedades. A filosofia grega só surgiu porque aquela sociedade viveu, 2.400 anos atrás, um contexto social que permitia às pessoas ter tempo para pensar e refletir e, com isso, evoluir, transformar-se. Se os gregos da época de Sócrates, Platão, Tales de Mileto e outros tivessem preguiça de ler 8 parágrafos ou ouvir por 5 ou 6 minutos alguém… o pensamentos ocidental dos últimos muitos milênios teria sido paupérrimo. Graças a Deus aqueles homens se dedicavam a horas e horas de participação nas ágoras, a leituras extensas, a aprofundamento e crescimento. Deu no que deu.

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Tente imaginar quanto tempo Jesus levou para ministrar o Sermão do Monte. Já pensou se as pessoas que o estavam ouvindo desistissem de escutá-lo após 3 minutos de preleção? Talvez nem tivessem chegado ao final das bem-aventuranças! Os israelitas adoraram um bezerro de ouro porque foram vencidos pela impaciência ao esperar a descida de Moisés do monte. Saul sacrificou indevidamente porque considerou demais o tempo de chegada de Samuel. Sara não teve paciência de esperar e nasceu Ismael, o pai do povo árabe. A Bíblia mostra que a impaciência sempre gera maus frutos, enquanto a paciência, que é uma das virtudes do fruto do Espírito, gera frutos excelentes. Lembre-se da paciência de Jó, Davi, José e tantos outros que valorizaram o tempo certo para todas as coisas. Leve o tempo que levar! Leia Salmos 37.7; 40.1; Provérbios 25.15; Eclesiastes 6.8.

Meu irmão, minha irmã, se você chegou até este ponto da leitura, parabéns. Saiba que já percorreu 12 parágrafos. Isso prova, sem sombra de dúvida, que você tem o que é necessário para ser um leitor capaz de crescer diariamente no conhecimento e na reflexão sobre as coisas da vida cristã. Se lhe disserem o contrário, não acredite.

Portanto, fica a recomendação, em amor: use esse seu belo cérebro, que é perfeitamente capaz de se concentrar, adquirir conteúdo, refletir sobre o que leu ou ouviu e de tomar decisões de mudança de vida, para crescer no conhecimento, na renovação da mente e no avanço espiritual. Derrote os mentirosos que inventaram o conceito diabólico de “textão”, destinado a condenar o povo de Deus à mediocridade intelectual e espiritual. Você pode. Você consegue. Você é capaz.

Termino este meu texto (“ão” ou “inho”? Você decide) com uma reflexão: o Espírito Santo registrou sua verdade sagrada em um livro que contém cerca de 785 mil palavras, num total de 106 mil parágrafos e 3,6 milhões de letras. Repito: 785 mil palavras! Agora, por favor, me responda: você realmente acha que, se Deus estivesse mais preocupado com o tamanho dos textos do que na importância da leitura (gaste-se quanto tempo for necessário), ele teria registrado tudo num calhamaço de 785 mil palavras? Diante dessa realidade, você pode escolher: ou passa a acreditar na verdade divina de que não importa o tamanho do texto, mas, sim, sua qualidade, ou desiste de ler as Escrituras sagradas, porque, afinal, como diz o pensamento diabólico… senta que lá vem textão!

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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Acordei de manhã, cheguei na janela e vi esta triste cena: um belo passarinho morto em minha varanda. Seu aspecto era pacífico, deitadinho de costas, as asas cruzadas sobre o peito, como se tivesse repousado no chão, achado uma posição confortável, suspirado e deixado a vida escapulir devagarinho. Assim que o vi, fiquei longamente em silêncio e, imediatamente, veio um texto da Bíblia em minha mente: “Por isso eu lhes digo que não se preocupem com a vida diária, se terão o suficiente para comer, beber ou vestir. A vida não é mais que comida, e o corpo não é mais que roupa? Observem os pássaros. Eles não plantam nem colhem, nem guardam alimento em celeiros, pois seu Pai celestial os alimenta. Acaso vocês não são muito mais valiosos que os pássaros?” (Mt 6.25-26). Parecia uma contradição. Se Deus cuida dos pássaros, por que aquele pobrezinho estava morto em minha varanda? Esta pergunta passa constantemente pela mente de quem perdeu um ente querido: se Deus existe e é bom, por que quem eu amo morreu?

Essa semana tomei conhecimento de que uma irmã com quem caminho junto no Facebook perdeu dois filhos de forma muito triste: a vida deles foi tomada por assassinos enquanto dormiam. Como tomar conhecimento de algo assim e permanecer sereno, crendo que, sendo mais valiosos que os pássaros, Deus cuidará de nós? Será que cuidará mesmo? Como descansar diante do fato de que os pássaros do céu e gente amada de Deus morre? Estará a Bíblia mentindo? Como ficam as promessas de Deus diante dos duros fatos da vida?

Muitas pessoas se revoltam com Deus porque pensam que o cuidado divino tão mencionado na Bíblia seria uma promessa de imortalidade em vida. Leem o salmo 23 e entendem que Deus os blinda das maldades do mundo; em especial, da morte. A ideia é: se Deus cuida de nós e nos ama, não permitirá que morramos, em especial, “fora de hora”. Entender isso é muito importante, pois, se não compreendemos as realidades que envolvem esse fenômeno, seremos assolados por revolta, dúvida e depressão a cada pessoa amada que partir.

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Diante desse quadro, não podemos nos esquecer de três verdades bíblicas:

1. A morte é a grande certeza da vida. Embora a morte de seus santos seja custosa ao Senhor, um dia morreremos. Fato. Não é uma questão de “se”, mas de “quando”: “o Senhor Deus lhe ordenou: ‘Coma à vontade dos frutos de todas as árvores do jardim, exceto da árvore do conhecimento do bem e do mal. Se você comer desse fruto, com certeza morrerá’.” (Gn 2.16-17).

2. Nossa vida não escapa das mãos de Deus. Ele a tem muito bem conduzida debaixo de sua soberania e o momento da nossa morte não pega Deus de surpresa: “cada dia de minha vida estava registrado em teu livro, cada momento foi estabelecido quando ainda nenhum deles existia” (Sl 139.16).

3. O fato de morrermos não quer dizer que Deus não cuida de nós, nos abandonou ou não nos ama. Para quem está em Cristo, a eternidade ao lado do Senhor é uma certeza. “Ouvi uma forte voz que vinha do trono e dizia: ‘Vejam, o tabernáculo de Deus está no meio de seu povo! Deus habitará com eles, e eles serão seu povo. O próprio Deus estará com eles. Ele lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor. Todas essas coisas passaram para sempre’.” (Ap 21.3-5).

Lembre-se de algo: aquilo que conhecemos por “vida” é apenas a porta de entrada da existência eterna. Se vivemos 20, 40, 60 ou 80 anos nesta terra, viveremos bilhões de anos, vezes bilhões de anos, na eternidade. Esta vida pesa muito para nós porque é o que conhecemos. E é normal, o próprio Cristo entrou em agonia no Getsêmani ao antever seu sofrimento e morte. O temor ante à morte faz parte, pois Deus nos deu o instinto de sobrevivência, que luta contra a ideia da mortalidade. Mas, se conseguimos olhar pelos olhos de Deus e contemplar o peso da eternidade, da vida que começa depois da vida, teremos mais paz ante à partida de pessoas queridas.

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E mais: se nós e nossos entes queridos vivemos em Cristo, morreremos em Cristo e com Cristo estaremos por toda a eternidade. Isso nos dá uma certeza extraordinária: a expectativa do reencontro. Para essa certeza, a morte não é um “adeus para sempre”, mas um “vou ali e já volto”. Devemos pensar sobre isso.

Meu coração apertou quando vi o passarinho em minha varanda. Fiquei pensando que nunca mais eu o ouviria piar, que no dia seguinte não seria alegrado pela beleza de seu voo, que as alegrias do convívio com aquele animalzinho cessavam ali. Isso entristece, claro, pois sempre queremos mais momentos com quem tem o dom da vida. Mas em nenhum momento questionei o amor de Deus. Sofri porque eu queria mais da vida daquele passarinho. Porém, pensativo, entendi que a boa, agradável e perfeita vontade do Senhor era que não mais tivesse isso. O Senhor deu, o Senhor tomou. Bendito seja o nome do Senhor.

Meu irmão, minha irmã, se você questiona o amor e o cuidado de Deus porque ele decidiu levar desta vida alguém que você ama, receba meu abraço apertado e sentido, mas lembre-se das verdades listadas neste texto. É natural que você chore de saudade, isso não é pecado nem demonstra falta de fé. Sim, saudade não é pecado. Chore mesmo, vai te fazer bem. Mas não questione o amor do Senhor ou o seu cuidado em razão da sua perda. Deus é bom. Ele segue sendo Deus. Ele segue no controle. Ele segue sendo amor.

Que Deus console o coração de todos que estão enlutados. Que, em seu infinito e perfeito amor, ele amaine a dor da saudade e dê paciência para aguardar pelo reencontro. E que, acima de tudo, o Senhor lembre a todos os que vivem o luto que ele mesmo deu o próprio Filho para que todo aquele que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna. Você crê? Então lembre-se de que a vida eterna é a maior prova de todas do cuidado e do amor de Deus por você.

(A reflexão de hoje é dedicada a Irani e Laercio. Seus passarinhos voaram para longe, e eu sei que a saudade dói. Mas tenham a certeza de que voltarão a ouvi-los cantar…).

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

Uma grande parte dos divórcios ocorre porque a pessoa não suporta atitudes, posturas, pensamentos, prioridades e gostos do cônjuge. Em geral, quando isso acontece, a separação é justificada como “incompatibilidade de gênios”, um termo elegante que, em outras palavras, quer dizer: “eu não aguento mais tantas coisas que meu cônjuge faz e que me incomodam ou o jeito dele de ser”. Eu me entristeço quando isso ocorre, porque, sem se dar conta, tais pessoas estão desperdiçando oportunidades extraordinárias de cumprir o propósito primordial e bíblico do casamento. Falemos um pouco sobre isso.

Para que nós casamos? Essa pergunta é fundamental, pois, sem respondê-la biblicamente, seremos guiados em nossa vida conjugal por razões diferentes das do Criador. Uma resposta muito comum é: “Eu casei para ser feliz” – e essa é uma resposta errada. Ao ler isso, você imediatamente tenta outra alternativa e parte, então, para aquela frase que virou moda no meio evangélico: “Eu não casei para ser feliz, mas para fazer meu cônjuge feliz”. O grande problema é que essa também é a resposta errada. Por quê? Simplesmente porque ela não é bíblica. Se você está chocado por ler isso, eu pergunto: onde na Bíblia está dizendo que você casou para fazer seu cônjuge feliz? Pode procurar, e garanto que você não encontrará tal afirmação na Escritura. Até porque ela é uma invenção humana.

Claro que você não casa para ser infeliz ou para fazer seu cônjuge infeliz. Isso é óbvio. Deixar o cônjuge feliz é parte do mandamento de amar o próximo e buscar a própria felicidade é algo inerente ao ser humano. A grande questão é que a felicidade conjugal é consequência do casamento e não causa para se casar. Entenda, para não me compreender mal: a felicidade não deve ser a motivação de se subir ao altar, mas ela será um resultado natural de um matrimônio realizado pelas razões certas e bíblicas.

Diante disso, surge a pergunta: se a felicidade não é a motivação bíblica para alguém casar, qual é? Paulo é quem nos dá a resposta: “E sabemos que Deus faz todas as coisas cooperarem para o bem daqueles que o amam e que são chamados de acordo com seu propósito. Pois Deus conheceu de antemão os seus e os predestinou para se tornarem semelhantes à imagem de seu Filho, a fim de que ele fosse o primeiro entre muitos irmãos” (Rm 8.28-29). Eis a verdadeira razão para alguém casar: ser cada vez mais semelhante ao Filho, Jesus Cristo.

Tudo, absolutamente tudo, o que passamos nesta vida tem como função nos tornar cada vez mais parecidos com Cristo. O sofrimento tem essa função primordial. Os relacionamentos também. As conquistas. As perdas. As alegrias. As tristezas. As tragédias. As bênçãos.

E o casamento.

Deus não estabeleceu que casássemos com anjos. Ele fez a mulher da costela do homem, isto é, casamos com pessoas que carregam a mesma essência errante, as mesmas imperfeições que nós. É de admirar que pessoas tão imperfeitas como eu e você acreditemos que vamos casar com gente perfeita, que fará tudo do jeitinho que queremos, que não nos chateará, que será gentil como nós não somos, pacientes como nunca seremos, autocontrolados como eu e você nunca fomos, cônjuges espetaculares como ninguém jamais é. A verdade é que muitos divórcios ocorrem porque casamos acreditando na propaganda enganosa de que seremos “felizes para sempre” e que nosso cônjuge será diariamente um exemplo de marido ou mulher.

E é evidente que não estou me referindo a situações extremas, como a de maridos que espancam a esposa ou mulheres que vivem se deitando com outros homens. Refiro-me a imperfeições comuns, a defeitos naturais, a posturas idiossincráticas como todos nós temos. Abusos, crimes, agressões e outros desvios de conduta, caráter e moral são excessos inaceitáveis. Minha reflexão trata dos defeitos comuns e naturais a todos nós, que isso fique muito claro.

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Se casamos contando com a perfeição do cônjuge, sendo que nós mesmos nunca fomos, somos ou seremos perfeitos, é óbvio que acabaremos decepcionados com o casamento. O segredo, então, é nos darmos conta de que Deus já idealizou o matrimônio consciente de nossa imperfeição. Ele sabia desde o princípio que absolutamente todo casamento seria imperfeito, visto que formado por um homem e uma mulher imperfeitos – e, na verdade, contava com isso. Como assim? Eu explico.

Para que você seja assemelhado cada vez mais a Cristo, precisa ser lapidado e aperfeiçoado naquilo que o diferencia de Cristo. Assim, para que se torne mais amoroso, o casamento vai desafiá-lo a amar um cônjuge que muitas vezes você tem vontade de esganar. Para que seja cada vez mais paciente, seu casamento o exercitará diariamente na arte da paciência. Para que seja manso como Cristo é manso, conviver com seu cônjuge exigirá de você um exercício constante de mansidão. E assim por diante. A realidade é que conviver dia após dia, ano após ano, década após década com alguém pecador, difícil, briguento, cabeça dura, cheio de defeitos e imperfeições que você detesta é um exercício no qual você é aperfeiçoado na medida em que supera cada dificuldade, tal qual uma faca que é raspada constantemente numa pedra de amolar: ela sofre atritos perenes, mas é justamente graças a esses atritos que ela vai sendo afiada. O casamento tem essa função: nos afiar dia após dia, para que nos tornemos cada vez mais próximos do padrão de Cristo. “Como o ferro afia o ferro, assim um amigo afia o outro” (Pv 27.17).

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Para que Paulo não afundasse na arrogância (um câncer espiritual da pior espécie), Deus permitiu que ele vivesse por anos com um espinho na carne, algo que o atormentava (2Co 12.1-10). Esse exemplo bíblico deixa claro que Deus muitas vezes usa algo que nos é incômodo a fim de nos guindar a uma posição espiritualmente mais elevada e aperfeiçoada.

Pense no seu cônjuge. Fica agora a sugestão: em vez de enxergá-lo como um poço de defeitos incômodos, um fardo desagradável a ser carregado, procure vê-lo como um campo de treinamento, no qual você sua e se esforça para ser cada vez mais amoldado à semelhança de Cristo. Use cada oportunidade. Aproveite cada situação. Desfrute de cada chateação. E glorifique a Deus por ter um cônjuge tão imperfeito, pois é ao ser lapidado no contato diário com essa imperfeição que você é trabalhado pelas mãos do Senhor a fim de ficar cada vez mais parecido com Jesus, o Filho de Deus.

E, acredite, seu cônjuge também. Afinal, você não é tão bom quanto pensa.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >
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Esta semana Jesus comeu um bauru e bebeu refrigerante. Tudo aconteceu quando cheguei à igreja para o culto de domingo passado e encontrei Luan. Ele estava pedindo dinheiro na porta da igreja. “Qualquer trocadinho, para eu comer”, dizia. Menino mirradinho, de cabelos grandes e despenteados, pés descalços e uma crosta preta de sujeira em toda parte visível de sua pele mulata. Seu rosto era sisudo. Meu primeiro impulso foi fazer o que todo mundo faz, quase que por reflexo: ignorar, balançar negativamente a cabeça sem olhar nos seus olhos e seguir meu caminho. Mas minha esposa cutucou meu braço e meu senso de amor ao próximo: “Não pode dar nada a ele?”, questionou. Foi quando parei de enxergar aquele garoto como um incômodo e passei a ver nele o que ele verdadeiramente é: um ser humano, feito à imagem e semelhança de Deus.
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– Você está com fome? – indaguei.
– Estou. – respondeu.
– Você quer que eu te compre algo para comer?
– Quero.
– O que você quer?
– Um bauru. Tem ali na lanchonete x.
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Olhei para minha esposa e minha filha e pedi que elas seguissem para o culto, enquanto eu comprava o sanduíche para o menino. E assim foi.
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Comecei a andar com Luan até a lanchonete, a dois quarteirões dali. E fui puxando papo. Será que eu poderia dizer algo que contribuísse com sua vida e que fizesse a diferença para além de apenas matar momentaneamente a sua fome? Foi quando comentei que eu queria saber de sua vida. E ele, sempre com olhar sério, quis contar. Luan tem 12 anos. Nasceu no Complexo do Alemão, conjunto de comunidades carentes do Rio dominadas pelo tráfico de drogas. Filho de pais miseravelmente pobres, nascido numa família de cinco irmãos, sua história não é muito diferente da de milhares de outros meninos de rua que vivem debaixo das marquises de nosso Brasil. Perguntei há quanto tempo ele estava na rua.
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– Não sei, não lembro.
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Aquilo me impressionou. Ficou claro que Luan morava pelas ruas de Copacabana havia muito tempo. Calculei pelas informações que me deu que havia anos que perambulava pelas ruas.
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Perguntei como era a sua vida. Ele me fez um relato de rasgar um coração, sobre o qual não quero entrar em detalhes. Só me preocupei em ouvi-lo, um luxo que Luan não costuma ter – quem dá ouvidos para uma criança de rua? Quem quer ouvir criatura tão “desimportante” e potencialmente criminosa? Não é o que pensamos ao ver um “pivete” assim? Eu quis que ele falasse sobre sua vida, suas experiências, sua visão de mundo. E, nas minhas respostas, busquei fazer com que ele se enxergasse como indivíduo, como ser humano importante e valioso.
Na lanchonete, nos sentamos e ele pediu um bauru com refrigerante. Enquanto esperávamos a comida ficar pronta, passei a falar. Disse a ele que queria lhe contar a história da minha família. Contei sobre meus bisavôs, que migraram da Itália para o Brasil para ter o que comer, pois viviam em total miséria em sua terra natal – tanto que, quando minha bisavó Cristina morreu, os vizinhos tiveram de fazer uma vaquinha para pagar o enterro. Relatei a Luan a história de meu avô, que, sem estudo, trabalhou a vida toda como camelô, vendendo bilhetes de loteria federal. Com muito esforço, ele foi juntando dinheiro e conseguiu comprar quatro casinhas em Olaria, bairro de subúrbio no Rio de Janeiro, três das quais ele alugava para pagar os estudos de minha mãe. Expliquei a Luan como mamãe ralou a fim de se tornar professora, fazer mestrado, subir na vida e pagar meus estudos e os de meu irmão.
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Em resumo, tudo o que procurei lhe contar foi para que Luan percebesse que, se hoje tenho a possibilidade de ter dinheiro para lhe comprar um lanche, é porque pessoas de minha família não se conformaram com sua situação e se esforçaram, estudaram, trabalharam, foram à luta e, da miséria absoluta, conseguiram construir uma vida digna. Expliquei a Luan que estava contando isso como incentivo para que ele tomasse as atitudes que estão ao seu alcance para mudar sua realidade. Voltar para casa. Ir à escola. Fugir da vida de crimes. Aprender uma profissão honesta. Construir uma vida digna.
Sempre sério, ele ouviu tudo com atenção. Falamos até mesmo da importância da higiene e eu lhe disse que ele poderia tomar banho na igreja, se desejasse. Enfim, falei muito sobre muitas coisas para aquele menino de rua que sonha ser salva-vidas. Até que chegou a sua comida, para viagem.
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– Você promete que vai pensar no que te falei?
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– Prometo. Eu não quero viver na rua, não, moço, nem fazer parada errada. Quero ter meu dinheiro, minha casa e uma esposa. Filhos, não, mas uma mulher, sim.
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Apertei a mão imunda de Luan e lhe disse que, sempre que quisesse, poderia ir à igreja em cuja porta nos conhecemos e perguntar por mim, pois, se ele desejasse sair da rua, bastava falar e a gente se mexeria para ajudá-lo e tornar isso possível. Com o rosto sério como sempre, ele agradeceu, pensativo. E nos despedimos. Saí e parei na calçada, esperando o sinal de trânsito abrir, olhando Luan ir embora na direção oposta.
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Naquele momento, me vieram à mente aqueles pensamentos que assolam todos nós numa situação como essa: será que fui um otário? Será que algo do que falei adiantou de alguma coisa? Será que ele só me ouviu para ganhar a comida e se lixou para tudo o que eu disse? Será que, ao alimentar aquela criança, eu incentivei a mendicância e ajudei a piorar o problema? Será que perdi meu tempo? Dúvidas como essas inundaram meus pensamentos. Até que…
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Subitamente, Luan, já distante, parou. Olhou para trás. E, pela primeira vez, sorriu. Luan sorriu em minha direção e acenou com a mão, dando tchau. Eu sorri de volta e acenei com a mão no ar, enquanto ele prosseguia em seu caminho. Esse gesto de Luan teve um enorme significado. Se tudo aquilo foi inútil e ele só queria mesmo o prato de comida… não precisaria ter se virado. Muito menos dado aquele sorriso inédito. Percebi que seu gesto foi fruto de uma conexão verdadeira que se estabeleceu entre nós – algo que acontece sempre que um ser humano mostra para outro ser humano que ele é valioso e importante.
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Definitivamente, Luan  não precisava ter se conectado a mim por meio do sorriso e do aceno. Afinal, ele já tinha conseguido a comida. Foi quando percebi que, de algum modo, aquela conversa de fato teve nem que seja um pequenino efeito sobre a vida daquele menino, que o fez pensar em mim a ponto de interromper sua caminhada e buscar uma última conexão comigo – ou, melhor, com aquilo que representei para ele naquele momento.
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Voltei para a igreja. Cheguei quase no final do louvor, o que gerou uma certa culpa, mas, então, me dei conta de que, naquela meia-hora, Deus havia sido louvado por meio de minha vida como poucas vezes antes.
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Gosto de conversar sobre teologia. Faço isso com frequência. Mas, naquela meia-hora, tudo o que vivo discutindo intelectualmente com meus amigos ou mesmo com gente que não concorda com minhas opiniões teológicas caiu para segundo plano. Naquela meia-hora pelas ruas e em uma lanchonete de Copacabana, as discussões teológicas e ideológicas sobre Missão Integral ser ou não um caminho biblicamente ideal, sobre a oposição política entre a esquerda e a direita, sobre a intervenção militar no Rio de Janeiro e a violência, sobre as causas e as soluções para a miséria, enfim, todas as minhas discussões intelectuais sobre temas que têm a ver com a realidade de gente como Luan se resumiram a uma coisa:

“Então o Rei dirá aos que estiverem à sua direita: ‘Venham, vocês que são abençoados por meu Pai. Recebam como herança o reino que ele lhes preparou desde a criação do mundo. Pois tive fome e vocês me deram de comer. Tive sede e me deram de beber. Era estrangeiro e me convidaram para a sua casa. Estava nu e me vestiram. Estava doente e cuidaram de mim. Estava na prisão e me visitaram’. Então os justos responderão: ‘Senhor, quando foi que o vimos faminto e lhe demos de comer? Ou sedento e lhe demos de beber? Ou como estrangeiro e o convidamos para a nossa casa? Ou nu e o vestimos? Quando foi que o vimos doente ou na prisão e o visitamos?’. E o Rei dirá: ‘Eu lhes digo a verdade: quando fizeram isso ao menor destes meus irmãos, foi a mim que o fizeram.’” (Mt 25.34-40).

Por que estou lhe relatando essa história e deixando minha mão esquerda saber o que minha direita fez? Porque gostaria imensamente que você vivenciasse o que vivi naquela meia-hora. Muitos cristãos acham que a emoção maior da vida com Deus é sentir arrepios na hora do louvor, saltitar de alegria com uma boa pregação e coisas assim. Se é o seu caso, permita-me dizer-lhe que não há emoção espiritual maior do que dar um bauru a Cristo manifestado na forma de uma pessoa imunda e faminta. Mais do que isso: instruir essa pessoa, ajudá-la a evoluir, fazer algo concreto no sentido de que ela cresça e consiga mudar a trajetória de sua existência.

Amar os necessitados e agir em favor deles não tem nada a ver com a sua ideologia política, com ser de esquerda ou de direita: tem a ver com quanto você vive a caridade cristã em sua vida, como decorrência do amor que há em seu coração. “Se um irmão ou uma irmã necessitar de alimento ou de roupa, e vocês disserem: ‘Até logo e tenha um bom dia; aqueça-se e coma bem, mas não lhe derem alimento nem roupa, em que isso ajuda? Como veem, a fé por si mesma, a menos que produza boas obras, está morta” (Tg 2.15-17). Lembre-se, sempre: nenhum pequeno gesto, nenhuma palavra de edificação, nenhum copo d´água são pouca coisa para alguém em necessidade quando é feito com amor cristão.
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Você poderia me perguntar: e por que você não aproveitou e evangelizou aquele menino? E eu lhe responderia: e não foi exatamente isso o que eu fiz ao alimentá-lo, amá-lo com conselhos práticos para uma mudança de vida, ouvi-lo com real preocupação e interesse por sua vida? Enquanto esperávamos o bauru ficar pronto, perguntei a Luan o que mais entristecia seu coração. Ele respondeu: “Quando as pessoas passam por mim e fingem que não estão me vendo”. E eu, um cristão que se encontrou com ele na porta de uma igreja, me importei não só em olhar para ele, mas, também, em querer saber o que se passava no seu coração e em dar-lhe dignidade como ser humano. Será possível que alguém é capaz de achar que isso não disse a ele nada sobre o amor cristão?
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Amar como Cristo amou não exige muito. O cristianismo é descomplicado. O evangelho se traduz em pouca coisa. A teologia acadêmica só faz sentido se você é capaz de pegar tudo o que aprendeu ao longo de quatro ou mais anos de estudos e usar tudo aquilo para comprar um bauru para uma criança faminta. Faça isso! Não deixe de se aprofundar na fé, na teologia, no conhecimento das doutrinas centrais dos ensinamentos de Cristo; mas se não conseguir botar o pé no chão e traduzir toda a sua bagagem de conhecimentos em dar pão a quem tem fome, dar água a quem tem sede e chorar com quem chora… todo tempo, dinheiro e energias investidos em aquisição de conhecimento foram vaidade e correr atrás do vento.
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A verdade, meu irmão, minha irmã, é que, sim, eu dei comida a Luan naquele dia. Mas quem saiu maravilhosamente bem alimentado daquele encontro fui eu. E quem saiu de lá glorificado foi aquele que concede a mim e a você a dádiva de conseguir derramar uma lágrima quando o nosso próximo sente fome, sede, dor, frio e tristeza. Porque eu desconfio seriamente que o sorriso que recebi ao final do meu encontro com Luan veio diretamente dos lábios de Jesus de Nazaré…
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O ser humano é curioso: por um lado, queremos que muita coisa permaneça como sempre foi. Por outro, precisamos constantemente de inovação, novidade, renovação. Algumas coisas mudam e nos chateamos por isso: “Estava tão bom, poxa vida, não precisava mudar!”. Já outras nos levam a ansiar por transformação: “Não aguento mais isso, bem que poderia ser diferente”. A virada do ano é uma ocasião propícia para reflexões sobre a chegada do novo e o abandono do velho (ou não), por isso aproveito este momento para refletir um pouco sobre um processo de mudança dos mais inevitáveis que há: o das pessoas. (E, antes de tudo, quero deixar bem claro que este texto não se refere a relacionamentos conjugais, que têm uma dinâmica própria e devem ser vistos como uma categoria à parte).
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 “O que foi tornará a ser, o que foi feito se fará novamente; não há nada novo debaixo do sol” (Ec 1.9), escreveu o sábio. E se tem algo que não muda é a certeza da mudança das pessoas. Você pode verificar isso usando a si mesmo como exemplo: você é o mesmo que há dez anos? Eu não. Muita coisa mudou em mim: ideias, valores, sonhos, objetivos, prioridades, gostos, temperamento… tanta coisa! Perceba que você já foi muitas pessoas diferentes ao longo dos anos e, se conseguir se dar conta dessa realidade, essa percepção lançará um olhar mais complacente à mudança do seu próximo.
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 Eu sei que mudei, e muito. Hoje não tenho paciência para muita coisa que me fascinava na juventude. Não valorizo grande parte do que valorizava. Não admiro mais o que admirava. Observo o mesmo nas pessoas ao meu redor. Por essa razão, trocamos de amizades com frequência. Nosso melhor amigo de infância será um estranho aos 30 anos. Nosso unha-e-carne da juventude terá gostos bem diferentes na meia-idade. Adultos com quem convivemos antes da conversão se tornam pessoas que não nos agradam após conhecermos Cristo. Gente que morria de saudade de nós agora mal lembra que existimos. Aqueles que nos confidenciavam as profundidades de sua alma hoje tornaram-se oceanos profundos de segredos e pensamentos não compartilhados. Companhias constantes agora são esporádicas. E assim por diante. É natural. É a vida. Não há nada novo debaixo do sol.
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 Quando você se dá conta de que pessoas mudam, vive mais feliz. Pois, se espera que o próximo seja eternamente quem é hoje, sofrerá enormes decepções. Porém, se entende que virtudes e características que o fascinavam em alguém naturalmente se perdem pelo caminho e que isso inevitavelmente os distanciará, dará de ombros e prosseguirá em paz. Mais conformado. Sem frustrações. É o que é… paciência.
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 Meu irmão, minha irmã, o ano novo chegou, mas ele é tão velho quanto o que passou. A mudança de calendário significa apenas mais uma volta da Terra em torno do Sol. A realidade é que o que mudará no ano que chegou não é o ano, mas as pessoas, e não em consequência da mudança de ano, mas pelo fato de serem pessoas. Acostume-se à ideia. Respeite a transformação alheia. Deixe ir embora quem não quer ficar. Aceite que você já não é tão importante assim para quem um dia não conseguia viver sem você. Acolha com alegria quem chega. Essa é a dinâmica dos relacionamentos, que se baseia em um princípio elementar: pessoas mudam.
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Abrir-se para a chegada do novo obrigatoriamente significa abrir-se para a transformação do antigo. Não exija do próximo a imutabilidade. Respeitar que a pessoa que você amava de determinada maneira mudou e hoje é outra bem diferente faz parte de amar tal pessoa. E, se você está disposto a amar o próximo como a si mesmo, isso significa, entre outras coisas, respeitar as mudanças dele que o fizeram se afastar de você.
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 Sim, amar o próximo, cumprindo assim o grande mandamento, significa acatar as mudanças desse próximo, respeitar seus novos gostos, planos, valores e ideais e, na maioria das vezes, deixá-lo partir. Pessoas que optam por caminhar conosco por toda uma vida são raros, não são a maioria. Acostume-se à ideia.
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O pastor Osmar Ludovico escreveu: “Quando nos agarramos àquilo que já perdemos nos tornamos amargos, ressentidos e facilmente caímos no autoengano de julgar o caráter de Deus a partir das nossas circunstâncias.
Sim, todos nós temos perdas, e somos chamados ao exercício de tornar nossas perdas em abrir mão, em entregar”. Lindas palavras, Osmar. Fato é que, quando transformamos uma dolorosa perda em um suave abrir mão, transformamos uma hemorragia que não estanca em um barquinho de papel que desce o rio, suave e melancolicamente, correnteza abaixo.
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Se você enxergar com bons olhos a mudança do outro e deixar partir quem não vê mais em você uma prioridade, estará dando mostras de maturidade, racionalidade e amor. Afinal, aprender a abrir mão de pessoas é um caminho para alcançar a paz, de modo que torne suportável a perda até o dia em que estaremos com Aquele em quem não há mudança nem sombra de variação e que, por isso, jamais deixará de nos ver como prioridade, jamais se afastará de nós e jamais cessará de nos amar como se não houvesse amanhã. Até porque, na eternidade, na verdade não há.
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Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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Nós, evangélicos, somos obcecados por sexo. Na cabeça de muitos de nós, quando se fala de pecados no casamento, imediatamente associamos a adultério. Parece que a infidelidade conjugal é o único erro grave no âmbito matrimonial. Tanto é assim que, quando dizemos que “fulano caiu” no casamento, automaticamente subentendemos que o cônjuge adulterou. É errado condenar o adultério? De maneira nenhuma. É uma transgressão abominável, que exige arrependimento e mudança de comportamento. Porém, o grande problema dessa obsessão por sexo é que, quando pomos a traição conjugal como o único grande mal na relação entre marido e mulher, passamos a ver todos os outros pecados abomináveis como não tão abomináveis assim. E, por essa razão, nos entregamos a essas transgressões sem achar que são nada de mais, crendo que são “pecados justificáveis”. Ou, de repente, nem os enxergamos como pecado, o que é tão grave quanto. Com isso, nos tornamos sabotadores de nosso casamento. 

Permita-me dar alguns exemplos bíblicos. Provérbios cita cinco vezes a esposa briguenta: “É melhor viver sozinho no canto de um sótão que morar com uma esposa briguenta numa bela casa” (Pv 21.9),  “O filho tolo é uma desgraça para o pai; a esposa briguenta é irritante como uma goteira” (Pv 19.13), “É melhor viver sozinho no deserto que morar com uma esposa briguenta que só sabe reclamar” (Pv 21.19), “É melhor viver sozinho no canto de um sótão que morar com uma esposa briguenta numa bela casa” (Pv 25.24), “A esposa briguenta é irritante como a goteira num dia de chuva” (Pv 27.15). Você acha que toda essa ênfase é à toa? Não, não é, pois é mandamento de Deus: “a esposa deve respeitar o marido” (Ef 5.33).

Portanto, uma esposa briguenta e desrespeitosa, além de ser um fardo para o marido, é uma afronta direta à vontade de Deus. A cristã que vive brigando no lar, embora não tenha pecado em sua sexualidade, “caiu no casamento” e precisa urgentemente se arrepender e mudar de atitude. Se você é assim e acha que está tudo certo e que Deus aceita numa boa o seu comportamento reprovável, saiba que ele cheira mal às narinas do Pai, o que é grave, “pois a ira de Deus virá sobre os que lhe desobedecerem” (Ef 5.6). 

Mas, calma, mulheres, vou falar do seu marido também. A Bíblia diz: “Maridos, ame cada um a sua esposa, como Cristo amou a igreja. Ele entregou a vida por ela, a fim de torná-la santa, purificando-a ao lavá-la com água por meio da palavra” (Ef 5.25-26). Pense: o que desejam os pecadores que não foram alcançados pela graça de Deus e estão mortos em seus delitos e pecados? Eles querem continuar chafurdando em suas transgressões. Se Jesus fosse dar aos perdidos o que eles querem, os entregaria ao pecado que tanto amam, para sua própria destruição. Mas não. Jesus deu aos perdidos o que eles precisavam: a cruz.

Portanto, maridos, nós devemos fazer o mesmo: amar nossa esposa dando-lhe o que ela precisa, muito mais do que aquilo que ela quer. Isso é amar. E o que Deus deseja para ela é, mais do que qualquer outra coisa, que seja levada ao conhecimento das verdades bíblicas. Marido, você tem mostrado à sua esposa o caminho da fé verdadeira ou tem deixado que ela seja guiada pelo materialismo, pelo consumismo, pela vaidade, pela arrogância e por uma visão equivocada e utilitária do evangelho? Se tem, você não a está amando como Cristo amou a Igreja. Portanto, está em pecado. Conformar-se com aquilo com que Deus não se conforma é uma falha grave.

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Outro exemplo: esposa, você tem agido no casamento de acordo com a verdade bíblica de que seu marido é seu cabeça? A Bíblia diz: “o marido é o cabeça da esposa, como Cristo é o cabeça da igreja” (Ef 5.23). Precisa explicar? Mulheres arrogantes, impositivas, que tomam decisões de forma escondida ou autônoma do marido, guiadas pelos ideais feministas radicais ou pelo próprio ego em vez de pela vontade do Todo-poderoso… simplesmente estão em pecado. “Caíram no casamento”. Esse, aliás, é o mesmo pecado que Satanás cometeu: agir de forma independente daquele que era seu cabeça. 

Um último exemplo: marido, você pode não ter jamais olhado para outra mulher, mas a Bíblia lhe diz: “Da mesma forma, vocês, maridos, honrem sua esposa. Sejam compreensivos no convívio com ela, pois, ainda que seja mais frágil que vocês, ela é igualmente participante da dádiva de nova vida concedida por Deus” (1Pe 3.7). Aqui, para não falar de você, falo de mim. Esse é um dos pecados que eu mais cometi em meu casamento. Faltou-me muitas vezes compreensão para entender questões da personalidade de minha esposa que são difíceis para ela mudar. Muitas são questões resultantes de traumas do passado, da forma como foi criada ou mesmo reações a erros que eu cometi. São coisas impregnadas em quem ela é. Por essa razão, eu deveria ter sido mais compreensivo com ela em muitas e muitas ocasiões – e, por pura imaturidade, não fui. E você, meu irmão, também peca nisso? Se peca, eu e você devemos nos esforçar mais para corrigir nossa incompreensão. 

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Meu irmão, minha irmã, eu poderia me estender muito aqui, falando sobre todo tipo de pecado que você e eu cometemos com nosso cônjuge e que, embora não achemos tão maus assim, cheiram mal às narinas de Deus, tanto quanto qualquer pecado sexual. Mas creio que já deu para pegar a ideia da gravidade do problema.

Diante disso, eu lhe pergunto: quais são os seus pecados conjugais mais frequentes e dos quais você não se arrepende? Será que você nunca olhou para outra pessoa mas falta com respeito ao seu cônjuge, vez após vez, sempre encontrando uma desculpa esfarrapada para justificar seus atos, sempre culpando o outro e não assumindo a sua responsabilidade pelo inferno que se tornou o seu lar? Então você necessita de arrependimento sincero. E precisa urgentemente abandonar essa forma terrível de ser. 

Não seja instrumento do mal para sabotar seu casamento. Veja o que a Bíblia revela sobre o que Deus espera de você, como marido ou esposa, arrependa-se e mude. Hoje. Já. Os anjos farão festa. E sua família agradecerá. Pois jamais haverá paz em um ambiente em que a vontade de Deus não é posta em prática. 

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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Minha filha de 6 anos tem um coração admirável. Ela é bondosa, amável, generosa, carinhosa e gentil. Gosta de dar presentes para as amigas e professoras, tem prazer em servir o papai (fazendo café, massagem e outros mimos), procura pacificar quando coleguinhas criam confusões na escola, não revida quando um amiguinho a machuca, esse tipo de coisa. Sou muito grato a Deus por ter-me dado uma filha com características que admiro tanto num ser humano e que me fazem suspeitar que ela tem a semente do Espírito Santo no coração. Mas há um momento da vida de minha filha em que não me sinto feliz com ela e fico profundamente incomodado com seu procedimento: os minutos seguintes a ela chegar da escola.

Minha bebê retorna do colégio de condução escolar, por isso vem junto com crianças de todas as idades, a maioria mais velha. E esse contato tem sido bastante prejudicial, pois ela aprende montes de coisas erradas, ouve e repete funks hediondos, aprende comportamentos mundanos, escuta e repete todo tipo de palavrões, vê e imita formas de falar desagradáveis e reprováveis. Com certa frequência, logo que chega em casa, no embalo da bagunça e do ambiente nada cristão do ônibus, ela entra porta adentro repetindo o que ouve e vê das demais crianças na condução. Sei que ela não se dá conta com total clareza de quão reprovável é tudo isso, então, geralmente, eu nessas horas preciso sentá-la, conversar com ela, orientar, explicar por que aquilo tudo é errado e chamá-la de volta ao seu modo habitual de ser. E ela escuta. Se dá conta do erro. E obedece. Em poucos minutos, a filhota volta a ser a criança de coração admirável que me faz sorrir. Com frequência, porém, após um ou dois dias ela volta a ser influenciada pelo meio que a cerca e novamente fala ou age de um jeito reprovável. E, novamente, tenho de pará-la, lembrá-la de que aquilo é errado e esperar que ela caia em si e volte a agir de modo que me faça orgulhoso e me deixe feliz. 

Um pai sempre quer que seus filhos ajam da maneira que ele considera correta. Se você é pai ou mãe sabe do que estou falando. Por essa razão, meu coração transborda quando minha bebê age com amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio. Fico exultante quando ela fala com gentileza, quando me relata que o amiguinho a mordeu mas ela conversou com ele e o perdoou, quando age como mediadora de colegas para acabar com brigas e levá-los a fazer as pazes. Nessas horas, fico orgulhoso e sinto um júbilo especial, uma sensação difícil de descrever. Por outro lado, quando a vejo imitar comportamentos que não estão de acordo com o que acho correto, fico triste, incomodado e sou impulsionado a fazer algo para que a filhota perceba que aquilo que está fazendo não é bom e não reflete quem ela é. 

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Se você acompanha há algum tempo o APENAS, sabe da minha cruzada pessoal para alertar meus irmãos e minhas irmãs em Cristo de que um cristão que se diz nascido de novo obrigatoriamente tem de manifestar as virtudes do fruto do Espírito. Não vejo base bíblica alguma que justifique alguém que se diz salvo ser destemperado, agressivo, bruto na forma de falar, se posicionar e discordar. Em minha visão bíblica, cristãos professos que se comportam dessa forma ou não nasceram de novo ou se deixaram enganar pelos “colegas do ônibus escolar”. Acreditam que podem ser cristãos e ao mesmo tempo arrogantes, debochados, maldizentes, depreciadores, semeadores de discórdia entre irmãos em Cristo, agitadores ou ofensivos. Isso é tão coerente quanto dizer que o fogo pode ser molhado. São conceitos imiscíveis, incompatíveis. 

Como pai, detesto quando minha filha fala de jeito reprovável ou age de modo que entristeça meu coração. Por essa razão, consigo sentir um lampejo do que Deus sente ao ver aqueles que se dizem seus filhos agirem como multidões têm agido, com destempero, descontrole, deboche, espírito faccioso e montes de outras obras da carne.

Você pode estar pensando: “Lá vem o Zágari de novo falar sobre esse assunto”. Desculpe, meu irmão, minha irmã, mas não consigo não falar. Pois, do mesmo modo que eu, por amor, jamais cessaria de apontar à minha filha os erros em sua forma de falar e agir até que ela se corrigisse, não consigo ficar inerte ao ver membros do mesmo Corpo que eu agindo e falando como mundanos e dar as costas a isso, fingindo que está tudo certo. Pois amo Deus demais para ver tantas atitudes que entristecem o coração divino e deixar por isso mesmo. Não dá. Não tenho como. Não consigo. Quero ver Deus sorrindo ao olhar para aqueles que se dizem seus filhos, e não entristecido pela forma desviada como muitos têm se comportado “em nome de Jesus”. 

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Assisti recentemente a um vídeo no YouTube em que dois manos conversam sobre islamismo. O vídeo foi ótimo. O meu erro foi decidir ler os comentários. Fiquei horrorizado com a forma como vi diversos cristãos discordando do que foi dito no vídeo. Quanta deselegância. Quanto mundanismo. Quanta ofensa gratuita. Meu intelecto limitado não consegue  compreender o que leva alguém que diz seguir os ensinamentos do Príncipe da Paz e do Manso Cordeiro a se comportar como o pior dos mundanos na hora de se posicionar, expor suas crenças e discordar de outras pessoas. Raiva, desdém e rancor no conteúdo. Palavras torpes, sentimento faccioso e descontrole na forma. Em suma: um jeito totalmente anticristão de ser. 

Meu irmão, minha irmã, pode ser que a ênfase da sua vida espiritual esteja em coisas como tentar transformar arminianos em calvinistas, pré-milenistas em amilenistas ou cessacionistas em pentecostais, não sei. Vejo muitos que fazem desse tipo de coisa a bandeira de sua missão. Eu respeito essa escolha, embora não a veja como prioritária. A minha missão é tentar mostrar que o amor com que Deus quer que nos amemos é indispensável para quem se diz cristão. Em tudo. Até mesmo na divergência de ideias.

Amar é o mandamento maior. E uma gigantesca parte da Igreja está ocupada demais para amar; ocupada atacando irmãos em Cristo que pensam de forma diferente, discutindo o sexo dos anjos, coando mosquitos e engolindo camelos, irando-se e se engajando em discussões áridas e infrutíferas. Amar pressupõe instruir e não desqualificar. Amar pressupõe ensinar com carinho e não fuzilar. Amar pressupõe ouvir o discordante com paciência e mansidão e não com cabeças balançando e olhares revirados. Amar pressupõe ver o bem do próximo e não tentar mostrar que o próximo é um burro que não entende nada daquilo sobre o que você acha que sabe tudo. Amar é algo muito mais elevado do que aquilo que muitos aprenderam no ônibus escolar e replicam achando que está tudo bem.

Eu sou um chato, eu sei. Vivo repetindo essa chatice que é a necessidade prioritária e urgente de amar. Tudo bem, já entendi que, para muitos, amor não é um tema tão empolgante como debates acadêmicos sobre o sexo dos anjos. Amar está muito fora de moda na era das redes sociais, na qual todo mundo se acha o ensinador dos não iluminados e que, em nome da defesa da sã doutrina que manda amar até mesmo os inimigos, é justificável agir com total desamor. Amor se tornou um assunto brega em muitos círculos teológicos. O negócio é discutir em congressos o que seria a igreja relevante (quando a Bíblia já diz há séculos que a igreja relevante é a que ama), debater em programas de TV doutrinas soteriológicas (quando não adianta nada ser calvinista ou arminiano se você não ama quem crê na doutrina em que você não crê), ridicularizar quem crê de maneira divergente quanto aos dons (quando Paulo deixa claro que o dom supremo é o amor).  E por aí vai. 

Não, meu irmão, minha irmã, amor não é assunto para revistas femininas adolescentes e para poesias infantiloides. Amor é a coluna vertebral do evangelho de Jesus Cristo. É pelo amor que somos identificados como discípulos do Nazareno. Mas, infelizmente, como muitos não amam, devotam a vida a assuntos menos importantes da fé, defendendo sua visão com total desamor. E isso não é cristianismo. 

A vida no útero materno não é um fim em si mesma, nós passamos nove meses na barriga de nossa mamãe em preparação para viver décadas do lado de fora, sendo formados, construídos. Do mesmo modo, esta vida terrena é uma preparação para a eternidade: vivemos poucas décadas aqui sendo forjados, moldados, lapidados a fim de viver bilhões de anos futuros na realidade vindoura. Fico pensando como seria a vida em novos céus e nova terra junto com pessoas desagradáveis, briguentas, ofensivas, intolerantes, tolas e que falam e se comportam como quem acabou de sair do ônibus escolar.

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A conclusão a que sou obrigado a chegar é que gente assim nunca viveria em novos céus e nova terra. Não foram transformadas. Dizem amar Cristo mas se comportam e falam como anticristos. Mas consigo imaginar com extrema facilidade aqueles que, por terem sido verdadeiramente transformados pela graça salvadora da cruz, devotaram suas décadas sobre a terra a viver de modo amoroso, amável, bondoso, caridoso, gentil, pacificador e manso circulando pelas ruas da cidade futura, onde Deus brilhará com sua luz de puro amor.   

Meu irmão, minha irmã, se Deus o chamou por sua graça, mas você percebe que ainda é uma pessoa bruta, ou sarcástica, ou iracunda, ou ofensiva, ou que gosta de ver o circo pegando fogo, ou que destrincha o Corpo de Cristo e semeia desunião e discórdias, ou que fala de modo agressivo, ou que é altiva, ou que devota seus dias a só ficar apontando o erro alheio mas arrogantemente não aceita reconhecer os próprios erros… eu só poderia lhe dizer uma coisa, por amor: arrependa-se.

Arrependa-se desses pecados e abra-se para o labor do Espírito Santo em sua vida. Abandone essas práticas carnais e mundanas, que não estarão presentes em novos céus e nova terra, e devote-se a ser aquilo que Deus espera ver naqueles que tomará para si na eternidade. Por favor, arrependa-se, enquanto ainda é tempo. E passe a amar com verdadeiro amor cristão, aquele que você não encontra nas poesias de Vinicius de Moraes e Renato Russo, mas vê, com total clareza, transbordar de cada página das Sagradas Escrituras.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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