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Esta semana fui pela segunda vez a um presídio. Na terça-feira, passei o dia no Evaristo de Moraes, no Rio, unidade prisional que fica dentro do Morro da Mangueira, bem pertinho do estádio do Maracanã. Depois de ter estado lá em novembro passado para fazer uma ministração, recebi novamente um convite da penitenciária para ministrar, desta vez, duas palestras, para 300 detentos. Fiquei lá de manhã até o fim da tarde. Como da primeira vez, foi uma experiência inesquecível. 

Se você nunca foi a um presídio, fica a recomendação: vá. É tão importante passar um dia numa penitenciária quanto passar um dia numa conferência teológica. É algo que mexe com nossa espiritualidade e nos faz refletir profundamente sobre questões centrais da fé cristã, como a extensão do pecado, a possibilidade de arrependimento, a viabilidade da metanoia bíblica, o significado de amor pelos inimigos, perdão, graça. Lá discussões sobre questões como calvinismo x  arminianismo, pedobatismo x credobatismo, cessacionismo x continuísmo e outros temas periféricos da fé simplesmente ficam dos portões para fora. No universo prisional, gastar tempo com debates sobre temas como “o cerne do pensamento de Armínio”, “a epistemologia do ser” e “o que é um reformado” é tão relevante quanto querer ensinar as funções do bóson de Higgs ou discutir sobre as propriedades do top quark. Você não sabe o que é isso? Pois é. 

O choque de realidade é enorme, pois um presídio parece um universo paralelo. Pense em um lugar no coração de uma metrópole em que ninguém tem celular e não existe acesso à Internet. Quem está preso ali há alguns anos nunca segurou um smartphone, não faz ideia do que é whatsapp e não consegue entender que graça tem esse tal de Facebook. Na falta de cursos profissionalizantes, atividades artísticas ou outras iniciativas de enriquecimento epistêmico ou intelectual, num lugar como esse resta às pessoas ocupar o tempo com ações que deixaram há bastante tempo de fazer parte da rotina de muitos que estão do lado de fora: ler e refletir. A biblioteca do Evaristo de Morais é a meca do passatempo dos detentos e tive a alegria de doar livros meus para ela, a fim de serem lidos pelos internos ao longo dos anos que virão. 

Cheguei ao presídio para fazer duas palestras, levando dez exemplares de livros que escrevi para presentear os detentos e, naturalmente, achei que eu é que estava levando algo para eles. Mas, na realidade, eu é que saí de lá enriquecido, principalmente pelas conversas que tive. Vivi momentos incríveis no cárcere. Tive a oportunidade de bater papo com um dos detento sobre – acredite – Nietzsche, Eça de Queiroz e Aldous Huxley. Ouvi histórias de gente presa pelos mais variados crimes, do estelionato ao assassinato, passando pelo estupro e o tráfico de drogas. Ouvi experiências horripilantes de gente que esteve no coração das facções criminosas. Escutei relatos sobre vivências que você acha que só existem nos filmes de Hollywood, de pessoas que reconhecem sem dar justificativas a maldade de seus atos passados. Ninguém sai o mesmo de conversas como essas. 

Algo que ir a um presídio e conversar com os internos faz é dar ao “bandido” uma identidade. De repente, você está sentado ao lado de um daqueles caras que só vê no telejornal ou escondendo o rosto, algemado, no Cidade Alerta e descobre que ele tem nome, sonhos, pensamentos, arrependimentos, sentimentos e ideias. Descobre que todos são gente. Gente que cometeu atos atrozes, mas que ainda carrega em si a semente da imagem e semelhança de Deus. Conversei com alguns que hoje demonstram repulsa pelos crimes que cometeram e têm um desejo verdadeiro de se tornarem pessoas produtivas e de bem quando saírem da prisão. Um dos detentos com quem bati papo quer fazer faculdade de medicina. Outro quer se formar em psicologia e ajudar a criar projetos que ajudem a ressocializar presos. Dois querem pregar o evangelho a jovens envolvidos no tráfico de drogas.

É incontestável que há, sim, os que almejam prosseguir no crime sem arrependimentos, nem todo mundo se emenda. Mas, com toda certeza, os relatos de seres humanos verdadeiramente arrependidos que conheci ali me fazem considerar expressões como “bandido bom é bandido morto” uma das maiores aberrações que a humanidade já criou. Esse pensamento é algo absolutamente alienígena ao que o evangelho propõe e é o cúmulo do absurdo um cristão pensar tal coisa, pois acreditar nisso é desconsiderar a possibilidade de uma pessoa desencaminhada arrepender-se, mudar de vida e construir uma nova história, após ter pago junto à justiça pelo crime que cometeu. 

Chama a atenção no Evaristo de Moraes a quantidade de detentos evangélicos, fruto da ação evangelística especialmente de membros de denominações pentecostais e neopentecostais. Lá dentro há uma igreja e um pavilhão inteiro de presos que se identificam como protestantes. Não sou ingênuo de achar que todos são verdadeiramente convertidos, há os meros simpatizantes e os inconversos aproveitadores, mas, com absoluta certeza, muitos de fato tiveram um encontro real com Jesus no cárcere. Negar isso é negar a ação do Espírito Santo. São pessoas presas pelos mais variados crimes e que, sim, hoje são meus irmãos em Cristo. E seus. Não posso desconsiderar que Jesus salva e transforma bandidos cruéis em homens da paz entre as paredes de uma prisão. 

Saí do presídio Evaristo de Moraes mais rico do que entrei. Eu vi a besta face a face, olhei dentro de seus olhos e constatei que é possível ela se tornar mansa como um cordeiro, conformada à semelhança do Cordeiro. Diante de crimes horríveis e hediondos, minha carne pede apenas punição e justiça, mas não posso negar o poder do evangelho de tornar o violento alguém que se opõe à violência. Por isso, hoje, meu espírito pede mais que justiça: pede justificação. 

A maioria dos 300 homens que me ouviram – entre eles, três travestis, diversos umbandistas e kardecistas – escutou com atenção e respeito as preleções. Muitos vieram falar comigo ao final de cada ministração. Vi nos olhos e nas palavras de muitos o desejo sincero por um recomeço. E, a partir de hoje, esta será minha oração: que cada presídio se torne não um depósito de gente ou um purgatório cuja única função seja a sádica punição de bestas-feras humanas, mas um verdadeiro local de transformação. Se o Estado não é capaz de criar meios eficientes de regeneração ética e social da massa carcerária, tenho inabalável certeza de que o Espírito de Deus é extremamente eficaz em regenerar espiritualmente os degenerados, fazendo muitos deles nascerem de novo. Por isso eu oro. 

Um dos detentos com quem conversei me disse que o presídio é “a porta do inferno”. Felizmente, acredito que, enquanto uma alma não atravessa os umbrais do inferno, pode ser resgatada pela graça e ouvir do Senhor: “Hoje estarás comigo no Paraíso”. Portanto, não ouso dizer que bandido bom é bandido morto. Meu cristianismo me mostra que bandido bom é bandido morto, sim, mas morto para o mundo, o diabo, a carne e o pecado – e renascido em Cristo como nova criatura. 

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

(Nenhuma das fotos que ilustram este post foi tirada por mim por ocasião da visita. São fotos ilustrativas, tiradas por outras pessoas, em outras ocasiões, e disponíveis livremente na Internet)

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Este é o post número 500 do blog APENAS. Já são quase 6 anos escrevendo reflexões sobre os mais variados aspectos da vida cristã. Foram quase 2.100 dias cheios de altos e baixos, textos escritos em meio à dor ou à alegria, com o único objetivo de contribuir de algum modo para a edificação dos meus irmãos e de minhas irmãs e para a glória do Criador. Sinceramente, quando penso nesse número mal consigo acreditar. Ao olhar para essa jornada, me vêm à mente alguns pensamentos, que gostaria de compartilhar com você.

1) Penso na graça de Deus. Muitas vezes li, ao longo desses quase 6 anos, muitos comentários de assinantes do blog agradecendo, elogiando e relatando como foram abençoados por textos compartilhados aqui. Sempre que leio um depoimento como esse, acredite, me pergunto “como é possível?”. Sou uma pessoa absolutamente comum, cheia de pecados, com angústias e dúvidas, altos e baixos, sem nenhum pingo de santidade a mais que qualquer outra, que apenas se esforça. E, ainda assim, aprouve ao Senhor usar este vaso de barro bem rachadinho e esfarelento para levar o tesouro da sua Palavra às pessoas que acessaram mais de 3,4 milhões de vezes o APENAS. Não é, de modo algum, falsa modéstia, é uma percepção realista: isso só foi possível pela graça de Deus. Sim, reflexões de um cidadão tão pecador como eu abençoarem a sua vida é uma prova gigantesca de que a graça de Deus age como quer, onde quer, por meio de quem quer. Graça.

2) Penso em como somos seres capazes de mudar. Em 2011, quando criei este blog, eu era um cristão irado, um caçador de hereges, que escrevia textos raivosos e verborrágicos “em nome de Jesus” e achava que com isso estava contribuindo com o reino de Deus. Depois de um processo muito doloroso em minha vida pessoal, parei, pensei, orei e percebi como eu estava errado. Decidi reler os evangelhos com atenção especial para o que Jesus disse, como disse e com que finalidade disse. Dessa percepção, morreu o escritor que discutia com fúria e termos rebuscados acerca de institucionalismos e nasceu o escritor disposto a escrever numa linguagem que todos entendessem e dedicado a falar ao coração humano. Deixei de lado debates intermináveis sobre temas intermináveis e periféricos da teologia e passei a escrever sobre temas centrais da fé, como perdão, sofrimento, fé, amor, graça. Desisti de ser um cruzado vingativo e decidi ser um pacificador que devolve o mal com o bem. Transformação.

3) Penso na possibilidade de corrigir erros do passado. Quando passei por esse processo doloroso, fiquei alguns meses sem escrever, refletindo, me reinventando. Decidi reler textos do início do blog. Apaguei cerca de vinte deles, por não concordar mais com o que eles diziam. Em geral, por serem textos agressivos, ofensivos, irados. Eu não queria mais ser assim. Queria ser como Cristo, manso e humilde de coração. E isso exigia arrependimento e consertos. Assim como Zaqueu, tentei corrigir o passado. O jeito que enxerguei foi deletando aquilo em que eu não mais acreditava. Descobri que o pensamento “eu sou desse jeito mesmo e é assim que Deus vai me usar” não é bíblico, pois todos podem corrigir os erros, trabalhar o temperamento, voltar atrás e buscar consertar os estragos que provocaram. Arrependimento.

4) Penso que não custa caro amar o próximo. Este blog nunca teve um anúncio pago sequer, nunca me rendeu nenhum centavo. Não o criei como fonte de renda, minha motivação sempre foi e continua sendo edificar vidas, para a glória de Deus. Descobri que não ter nenhum tostão no bolso não é desculpa para deixar de fazer algo pelos outros. Não tenho riquezas, quase não tenho economias, mas, por meio de uma ferramenta gratuita de criação de blogs, oferto a meus irmãos e irmãs toda semana aquilo que Deus quis me dar: pensamentos, conhecimento bíblico, caminhos percebidos para as dores da vida. Também nunca pedi para ninguém curtir minhas postagens, comentar, compartilhar, nada que fosse um estímulo induzido a arrebanhar seguidores ou assinantes: divulga o blog quem deseja, convida amigos para assinar quem é tocado no coração. Divulgação espontânea, de quem Deus leva a fazer isso. Zero centavo em propaganda. Amor ao próximo.

5) Vi que o fracasso faz parte da jornada. Fiz algumas tentativas no APENAS que não foram bem-sucedidas. Gravei Mateus e Marcos em áudio, mas foram tão poucos acessos que tirei as gravações do ar. Tentei fazer sorteios, com poucos interessados. Escrevi sobre questões a que pouca gente deu ouvidos. Gastei horas da vida escrevendo reflexões que não tiveram muita consequência. Fui atacado ferozmente por pessoas que leram algo de que discordavam e, por isso, me chamaram de nomes que não me atrevo a reproduzir. Descobri com isso que, mesmo que o que você não faça duas ou três coisas que acertem o alvo, deve continuar tentando, pois os acertos sempre vão compensar os fracassos. Perseverança.

6) Descobri que o poder da Palavra é realmente extraordinário e, uma vez que você proclama o evangelho genuíno, puro e simples, sem segundas intenções, ele terá consequências que independem de você e dos seus esforços. Por vezes, escrevi textos que me pareceram simples demais ou até meio bobinhos e, para minha surpresa, diversos assinantes disseram ter sido muito tocados por ele. Outras vezes, escrevi algo que gente de outros continentes leu e disse ter sido abençoado. Marcou-me em especial uma irmã que me procurou em um evento para dizer que havia desistido de se suicidar ao entrar na internet para descobrir a melhor forma de tirar a própria vida e acabou mudando de ideia ao ler um texto que escrevi. Tudo isso, tenha a absoluta certeza, não é de modo algum mérito meu: é mérito do poder sobrenatural da Escritura. Palavra.

Eu poderia continuar relatando mais e mais coisas que aprendi em minha jornada com o APENAS, mas vou terminar por aqui, pois algo que também descobri é que as pessoas em geral não gostam de ler textos longos na Internet. Curiosamente, isso fez de mim um autor de livros. Pois foi ao produzir escritos que não caberiam neste espaço, fruto de pesquisas aprofundadas na Escritura, que acabei escrevendo livros como Perdão totalO fim do sofrimentoConfiança inabalável, Na jornada com Cristo e outras obras. Em maio chega às livrarias meu nono livro publicado, Perdão total no casamento. E, enquanto Deus me iluminar para eu escrever o que é grande demais para o APENAS, continuarei dando à luz textos que poderão vir a se tornar livros.

Obrigado por sua leitura. Obrigado por sua companhia. Obrigado por me permitir o privilégio de contribuir para sua jornada com Cristo. Agradeço, em especial, a você que está entre os mais de 3,4 mil assinantes, que optaram por se cadastrar para receber as postagens por e-mail e, assim, se tornaram companheiros fieis na estrada da vida cristã. Ter a sua companhia nesta jornada é o que me incentiva a continuar escrevendo, por saber que as reflexões que brotam em minha mente e em meu coração não se perderão no vento, mas encontrarão pouso na sua alma. Oro constantemente por cada um dos assinantes do APENAS. Que Deus os abençoe, guarde, ilumine e conduza, sob sua poderosa e amorosa mão. E aguardo, com expectativa, o dia em que conhecerei face a face todos vocês, quando, juntos, viveremos naquele lugar em que não haverá choro, nem sofrimento, nem dor. Apenas o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Apenas eternidade. Apenas alegria. Apenas amor. Apenas paz. Apenas.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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EU-NÃO-SEI 1Na sociedade em que vivemos desenvolveu-se a ideia de que todo mundo tem de saber tudo sobre tudo. Se você não tem uma opinião sobre absolutamente qualquer assunto, é como se fosse uma pessoa inferior, desinformada, alienada. Futebol? Você precisa ter um parecer sobre todos os jogos da rodada. Música? Você tem de saber tudo sobre todos os cantores da moda. O noticiário do dia? É imperativo saber das notícias antes de todo mundo. Essa ditadura da informação quer nos obrigar a saber tudo, o tempo todo, a toda hora, e precisamos ter uma opinião formada sobre absolutamente todos assuntos. Só que isso é impossível! Eu e você sabemos pouco ou nada sobre a maioria das coisas. Por isso, a posição mais verdadeira – logo, cristã – que podemos ter é dizer: “Eu não sei”. Assim, você evitará falar sem base e viverá com muito mais sinceridade. 

Peguemos, por exemplo, a teologia, área em que, se você diz “eu não sei”, costuma ser imediatamente diminuído, desmerecido. O que você acha das cinco vias de Tomás de Aquino? Eu não sei. Qual é a sua opinião sobre o Sínodo de Dort? Não tenho conhecimento suficiente. Qual é sua visão sobre a teoria escatológica amilenista? Preciso conhecer melhor o assunto antes de responder a isso. Qual é sua opinião sobre o pensamento de Abraham Kuyper? Não li o suficiente para dizer. Qual é seu entendimento sobre os cristãos adenominacionais? Nenhum, preciso conhecer mais. O que você sabe sobre a relação entre o pensamento agostiniano e o platônico? Nada. O que você acha da bênção de Toronto? Preciso me informar melhor. Como você vê o papel do estilo musical no louvor? Não sei o suficiente para ter uma opinião. Por que uma pregação deve ser expositiva? Nunca parei para pensar sobre isso. 


EU-NÃO-SEI 3Essas são respostas dignas, se representarem a verdade. É muito mais cristão dá-las do que emitir um parecer, fazer afirmações ou dar pitacos sobre algo que você simplesmente não sabe. E não há vergonha em não saber, porque ninguém sabe tudo sobre tudo, isso é uma ilusão. Temos de aprender a responder dignos “eu não sei” e, a partir da percepção de que ignoramos algo, buscar conhecer esse algo. Isto, aliás, é fun-da-men-tal: não estou defendendo que, se você não domina determinado assunto, deve acomodar-se à ignorância; o que defendo é que, se você não sabe de algo, primeiro, confesse a verdade e, depois … vá se informar! Corra atrás. Estude. Identifique as lacunas do seu conhecimento e procure preenchê-las. Vergonha não é não saber, vergonha é, uma vez constatado que não se sabe, continuar sem buscar saber. 

Eu, por exemplo, não acompanho futebol. É algo pessoal, simplesmente o assunto não me interessa. Imagine, então, como é quando meus amigos de escola se reúnem e começam a falar sobre o jogo de ontem. Eu fico quieto, pois… eu não sei. Não tenho informações nem conhecimento para debater o tema. Portanto, me calo. Como não é algo que mudará minha vida, deixo para lá, diferentemente dos assuntos da fé, que me são essenciais: quando percebo que me falta conhecimento sobre algum tema da teologia, que me é importantíssima, confesso publicamente que não sei nada sobre aquilo e parto avidamente em busca daquele conhecimento. 

EU-NÃO-SEI 4Um exemplo: há algum tempo assisti ao vídeo da pregação de um pastor de uma igreja tradicional em que ele discorria sobre o movimento pentecostal. Eu gostava de acompanhar pedacinhos de pregações que ele costuma soltar nas redes sociais. Mas, naquele dia, ouvir aquele sermão inteiro… foi um show de horrores. De púlpito, ele fez toda uma exposição completamente errada. Baseou sua palestra em ideias bizarras e totalmente desencontradas da realidade. Para você ter uma ideia, ele disse que o pentecostalismo se sustenta  em três características: confissão positiva, equivalência de Deus e o Diabo, e crença na intocabilidade dos sacerdotes. Embora é inegável que há pentecostais que creem, sim, nesses pontos, de longe não é verdade que esses três aspectos definem o pentecostalismo. Todo pentecostal ou mesmo qualquer cessacionista que tem conhecimentos elementares sobre o movimento pentecostal sabe disso. A confissão positiva, por exemplo, é uma heresia neopentecostal que, inclusive, é combatida por muitos pentecostais. Deu pena do pastor, confesso, pois o que ele “ensinou” para os membros de sua igreja (e ainda postou na Internet) simplesmente não é verdade. Seria mais digno pesquisar melhor ou… não falar nada. Até porque é a credibilidade da pessoa que está em jogo. Eu, por exemplo, parei de assistir aos vídeos que esse estimado pastor publica nas redes sociais depois de ver aquela demonstração gritante de desconhecimento. 

Esse exemplo é apenas um de muitos. Precisamos ter a humildade para aprender a dizer “eu não sei”. Durante os nove anos em que lecionei em seminário teológico, muitas vezes fui questionado por alunos acerca de questões cujas respostas eu desconhecia. O que eu fazia nessas horas era simplesmente confessar minha ignorância e pedir que me dessem alguns dias para que eu pesquisasse a resposta. Isso não só era o que de mais honesto eu poderia fazer, como me permitiu crescer enormemente, pois cada buraco que eu constatava no meu conhecimento era uma oportunidade de tampá-los correndo atrás do que eu não sabia. 

EU-NÃO-SEI 5Meu irmão, minha irmã, ninguém nasce sabendo de tudo. E ninguém morre sabendo de tudo. Nesse intervalo de tempo entre nascimento e morte, temos a oportunidade de crescer no conhecimento das coisas. Agarre-se a essas oportunidades: leia livros, assista a documentários, leia livros, faça cursos, leia livros, converse com pessoas mais experientes, leia livros, participe de congressos, leia livros, envolva-se em grupos de debate ou estudo, leia livros, assista a boas palestras e pregações, leia livros. Ah, sim, e não poderia esquecer: leia livros. Mas, enquanto você não dominar certos assuntos, assuma com sinceridade e hombridade a sua ignorância. E parta em busca de fontes de informação sobre tais assuntos. 

Nas coisas de Deus, então, isso é imprescindível. Pois dar opiniões flácidas ou emitir pareceres claudicantes sobre temas importantes da fé é ser irresponsável com o que há de mais importante na existência humana. Nas redes sociais é comum vermos comentários postados sobre determinadas discussões que nos entristecem, pela profusão de erros ou falta de embasamento. Muitas vezes, a melhor postura seria simplesmente não escrever nada. Ouvir mais. Falar menos. Até porque… você já parou para pensar que ninguém é obrigado a dar uma opinião sobre todo e qualquer assunto? E, como não existe essa obrigatoriedade… por que opinar, quando não se conhece o suficiente para isso? Evitaria erros, vergonha, a sua desqualificação aos olhos dos demais, influência equivocada sobre outros e problemas similares. 

O jejum é uma prática bíblica. Por isso, gostaria de propor um tipo incomum de jejum: a abstenção de emitir opiniões sobre o que não se sabe bem. Tenho certeza de que, se fizermos isso, viveremos num ambiente muito mais rico em informações corretas e, também, em sinceridade e verdade. Se isso vai dar certo? Bem, confesso que… eu não sei.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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Apenas 2 milhões

O blog APENAS acabou de alcançar a marca dos 2 milhões de acessos, 4 anos e 3 meses depois de sua criação. Quero agradecer a você, que acompanha minhas reflexões, assídua ou esporadicamente, que assina o blog e recebe as reflexões por e-mail, que repassa as mensagens por e-mail, twitter ou facebook… enfim, a você que tem dado relevância e razão de ser ao APENAS. Pois este blog não existe por minha causa, ele existe para servir o evangelho de Cristo e para servir você, leitor.

Nesse mesmo espírito, eu gostaria de agradecer pela sua companhia aqui no blog de uma forma que fosse além de palavras. Gostaria de te dar um presente. Para saber como você pode ganhar, basta ouvir a mensagem em áudio no vídeo abaixo. Se você não conseguir visualizar o player, basta clicar AQUI para ouvir a gravação no YouTube.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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Queridos irmãos e irmãs em Cristo,

hoje não trago uma reflexão nos moldes que costumo fazer habitualmente. Concedi recentemente uma entrevista para a revista Comunhão, que foi publicada semana passada. Acredito que algo do que eu disse na reportagem pode edificar sua vida, por isso, permita-me, hoje, em vez de escrever uma reflexão em forma de texto, compartilhar uma em forma de entrevista. Basta clicar na imagem abaixo e você poderá ler não só minha entrevista, mas toda a revista de forma eletrônica – gratuitamente. Peço a Deus que abençoe sua vida.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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culto 1É muito frequente irmãos e irmãs que acompanham minhas postagens aqui pelo APENAS e, nos últimos meses, também, pelo Facebook, me questionarem a respeito de minhas crenças doutrinárias e de posicionamentos que me levam a adotar o estilo de texto que costumo escrever. Já citei aqui casos de manos que vieram me “pôr contra a parede” para eu dizer se sou calvinista ou arminiano (o que nunca vou dizer, aliás), se eu tenho preconceito quanto a pregar em igrejas tradicionais ou pentecostais (por que teria?), se não escrevo textos mais pesados e acadêmicos por alguma razão especial (sim, há uma razão)… e por aí vai. São questionamentos desse tipo. Recentemente, fui convidado a pregar em uma igreja, onde, ao final do culto, conheci, pessoalmente, um irmão em Cristo que é assinante do blog e tem o desejo de escrever livros. Ele me fez algumas perguntas, entre elas uma que me chamou a atenção. Essa, sim, acredito que valha a pena comentar, pois pode levar você a uma boa reflexão.  Bem observador, o mano me fez o seguinte questionamento:

– Zágari, eu reparo que uma enorme quantidade dos textos que você compartilha no APENAS partem de episódios do dia a dia, até mesmo situações da sua vida pessoal, mas falam sobre realidades profundas da fé. Por que você segue essa linha? É uma escolha consciente? Esse tipo de texto traz algum tipo de benefícios ao leitor?

olharFoi muito interessante o rapaz ter feito essa ponderação, porque ele conseguiu perceber algo que faço conscientemente: sim, escrever esse tipo de texto é uma decisão, uma opção. E “esse tipo de texto” tem nome: crônica. Eu escolhi escrever a maioria dos textos no blog em forma de crônica por uma decisão pensada e proposital. Mas, antes de ir adiante, preciso dar uma rápida explicação sobre o que é esse gênero literário chamado crônica, caso você não saiba o que o caracteriza: “A crônica é uma forma textual no estilo de narração que tem por base fatos que acontecem em nosso cotidiano. Por este motivo, é uma leitura agradável, pois o leitor interage com os acontecimentos e por muitas vezes se identifica com as ações tomadas pelas personagens. […] Além do mais, é uma leitura que nos envolve, uma vez que utiliza a primeira pessoa e aproxima o autor de quem lê. Como se estivessem em uma conversa informal, o cronista tende a dialogar sobre fatos até mesmo íntimos com o leitor” (Fonte: site Brasil Escola).

Bem, mas o que interessa a você saber isso? Este, afinal, não é um blog sobre literatura, mas sobre vida cristã. A verdade é que há, sim, um elemento didático e espiritual nessa minha escolha. Como a crônica trata de fatos do cotidiano, ao fazer uma reflexão sobre as coisas de Deus a partir de episódios corriqueiros do dia a dia, eu procuro mostrar que é possível a pessoa perceber a influência e a beleza de Deus em tudo na nossa vida.

olho com cruzPor que isso é importante? Porque nossa fé não se restringe ao momento do culto ou às quatro paredes da igreja. Quando eu escrevo sobre realidades bíblicas a partir de episódios normais do dia a dia – como uma folha que vi voar pela janela, algo que minha filha disse, o encontro com um homem cego na rua ou problemas no engarrafamento – estou reforçando a ideia de que a vida cristã se dá em tudo. Em todos os momentos. Em todos os lugares. Deus age em tudo o que vivemos e devemos contemplar a vida sob essa perspectiva, da presença e da ação do Senhor.

Tenho procurado desenvolver essa percepção na minha rotina diária. No cotidiano, mesmo que eu não queira, acabo percebendo o Senhor nas pequenas coisas, nas situações mais corriqueiras e, consequentemente, lições de vida fluem do mundo ao meu redor. Tudo torna-se um culto, constante e interminável. E quero incentivar você a fazer o mesmo. Oro a Deus que você cultue o Senhor no ônibus, na rua, no trabalho, nos relacionamentos… em tudo e sempre. Ao falar, por exemplo, sobre a importância de o cristão ter raízes sólidas a partir da observação de uma árvore no meio da rua, espero estar estimulando você a encontrar ensinamentos divinos nas árvores ao seu redor. Desejo que a presença divina seja perceptível aos seus olhos quando observar uma abelha, comer um pastel ou tomar um banho de mar. Pequenas coisas, eventos aparentemente irrelevantes e corriqueiros podem ensinar grandes lições espirituais caso você tenha o olhar certo para perceber.

Se você conseguir desenvolver essa percepção, vai reparar a presença e a ação de Deus de forma ininterrupta em sua vida. Você viverá em oração sem precisar fechar os olhos ou dobrar os joelhos, pois tudo o que vivenciar vai elevar seu pensamento a Cristo. Suas atitudes serão direcionadas pela percepção da onipresença divina. E sua jornada terá, diariamente, o perfume das ações do Criador.

Comece a fazer esse exercício, se desejar. Eu acredito nele, pois me tem feito viver muito mais Cristo em meu dia a dia. Se optar por isso, em breve você não só estará escrevendo textos muito melhores e mais significativos do que os meus, mas caminhará pela vida com a percepção muito mais clara de que Jesus dá cada passo junto com você, todos os dias, em todos os momentos, até o fim dos tempos.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
 .
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e dai 1O pastor e escritor Tim Keller foi indagado certa vez por um jovem que estava ingressando em um seminário teológico sobre que conselho ele poderia lhe dar, tendo em vista que começaria a se aprofundar em teologia. A resposta de Keller foi: “Sempre se pergunte ‘e daí?'”. Desde que li esse conselho, ele passou a fazer parte constante das minhas reflexões e começou a nortear minha autocrítica. Toda vez que leio um artigo ou um livro, que ouço um sermão ou escuto um palestra, que assisto a um vídeo ou sou convidado para um evento, invariavelmente me pergunto: “E daí?” – ou seja: é realmente importante e relevante? Se a resposta não for muito frutífera, descarto, ignoro ou passo para a próxima. Mas não só no que se refere ao que os outros produzem, isso vale especialmente para mim. E deixo a sugestão: que passe a valer para você também.

Deixe-me, primeiro, cortar na própria carne. Confesso que é bem frequente acontecer o “e daí?” quando escrevo os textos para o APENAS: começo a redigir um post sobre algo que me parece interessante, mas, de repente, me pergunto “e daí?”… e desisto de prosseguir escrevendo. O mesmo vale para ideias que tenho para livros. Meu pensamento é que, se aquilo não tem uma consequência real na vida das pessoas, se não vai promover edificação, exortação ou consolo, o melhor é não ir adiante. Não quero ser conhecido pelo que escrevo: quero que o que escrevo seja conhecido. E que tenha consequência.

A tentação de entrar por temas teológicos cabeludos, por exemplo, é grande, mas, então, percebo que discutir determinados assuntos será apenas demonstração de vaidade intelectual, sem aplicações práticas… e desisto. Deleto o texto e procuro tratar de algo que de fato tenha consequência na vida de quem me lê. O conflito do “e daí?” é constante, mas tem me poupado de fazer parte do grupo das pessoas que falam, falam e falam sobre temas que não vão fazer nenhuma diferença na vida da dona Maria ou do seu José. Pior: não vão glorificar Deus. Serão puro blá-blá-blá destinado ao envaidecimento pessoal.

Outra área em que o “e daí?” tem sido um magnífico filtro é a das polêmicas. É difícil transitar pelo universo virtual sem deparar com todo tipo de controvérsia ligada à fé. Dá vontade de emitir opinião, criticar, se posicionar para defender a “minha verdade”, como já fiz muito no passado. Mas… sabe o que descobri? Que, quando ligo o interruptor do “e daí?”, percebo que 99% das polêmicas só me farão entrar em debates agressivos contra irmãos em Cristo, sem gerar nenhum resultado de fato produtivo para a Igreja ou o reino de Deus. Claro que polêmica dá ibope, faz você ser visto e comentado, te põe em evidência; por isso tantos cedem à tentação de ir por esse caminho. Para mim? Não, obrigado.

e dai 2Nosso tempo é muito curto, meu irmão, minha irmã. As horas do nosso dia são preciosas demais e o tempo não volta atrás. Por isso, cada hora da sua vida é valiosa e precisa ser vivida com aquilo que é pão. E isso vale tanto para o que produzimos quanto para o que absorvemos. Por exemplo: existem bilhões de livros no planeta, como selecionar aquele que ocupará suas horas livres esta semana? Na dúvida, acione o “e daí?”. Programas de televisão: vale a pena perder uma hora vendo aquilo que te faz gaguejar na hora do “e daí?” ou seria melhor fazer outra coisa? Passeios, amizades, viagens, eventos, congressos, palestras, programações, prioridades, postagens, redes sociais, escolhas: “E daí?”. Só então tome decisões.

Como vivemos numa cultura em que a mídia, os valores e as pessoas nos dizem o tempo todo que muitas coisas irrelevantes são relevantes, sei que é difícil ter distanciamento suficiente para responder diante de certas atrações: “É… isso não vai somar nada à minha vida ou à dos outros”, e ir fazer outra coisa. Mas, se não começarmos a exercitar a reflexão do “e daí?”, viveremos para o que os outros nos dizem que tem importância e não para o que de fato tem. E, assim, jogaremos no lixo momentos insubstituíveis desse tesouro chamado “vida”.

O “e daí?” tem um nome mais elegante: senso crítico. Ligar o botão do “e daí?” significa, na verdade, ter capacidade crítica de analisar as coisas e saber o que de fato importa e o que é correr atrás do vento. Se conseguir pôr seu senso crítico em prática diariamente, afirmo sem medo de errar que você se tornará uma pessoa mais culta e ponderada, que absorve aquilo que de fato vale o nosso tempo, que produz o que fará diferença no mundo e que passará pela vida deixando um legado que não será comido pela traça e a ferrugem, mas que permanecerá pelas gerações. O senso crítico na hora das suas decisões é, em grande parte, o que fará de você alguém que valeu a pena vir ao mundo.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Mauricio Zágari
facebook.com/mauriciozagariescritor

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