Arquivo da categoria ‘Fruto do Espírito’

Eu confesso: nos últimos tempos senti muita, muita raiva. É uma raiva estranha, resultado de um grande caldo de decepção, desapontamento, tristeza, revolta. Não é algo bonito de se dizer, em especial por ser eu um cristão, mas não posso mentir. Fato é que sou humano, habitação do pecado, e sentimentos brotam no coração sem que eu possa controlar. Permita-me explicar.

Você deve ter tomado conhecimento do caso de George Floyd, ser humano americano que foi preso pela polícia, imobilizado, jogado no chão e, até onde se sabe, sufocado até a morte por policiais que se ajoelharam sobre ele. Eu havia lido as notícias sobre a história e me indignado. Mas foi só quando assisti ao vídeo que tomei ciência da extensão do horror. O homem implorava por sua vida, a ponto de chamar “Mamãe!”. Em coro com a população ao redor, ele pedia por sua vida, diante do olhar impassível de diabos vestidos de policiais. E ele morreu.

Eu chorei e chorei muito. A voz de George e das pessoas ao redor, clamando por sua vida diante de criaturas de Deus que não davam a mínima, rasgou meu coração. Logo, o choro deu lugar a indignação e raiva. Tentei segurar, mas não deu. Sim, senti raiva, muita raiva.

Os últimos meses têm sido um teste para meu cristianismo, minha capacidade de não deixar a raiva virar ira, meu desejo de ser sempre perdoador, minha força para amar e não devolver mal com mal. Não por causa da pandemia, mas por testemunhar em diversos âmbitos o pior do ser humano. O contexto apenas traz à tona o que já existe no coração de cada um e revela o que normalmente os lábios não têm coragem de falar. Pessoas que eu amei mostraram o pior de seu coração. Gente que eu admirava destilou palavras assustadoras. Cristãos promoveram pecados e injustiças como se fossem virtude. Que tempo! Que período! Que desafio!

Ontem, ver o vídeo da abominação de George Floyd foi a gota d’água. O acúmulo de decepção e incredulidade diante do que pessoas são capazes de fazer me levou ao chão, ao joelho, e a raiva transbordou na forma de uma poça de lágrimas no chão. Raiva, muita raiva.

Pode ser que você tenha sentido ou esteja sentindo raiva também. Por causa de política, da pandemia, de decepções, da situação econômica, do comportamento humano, dos rumos da vida. Talvez seu coração esteja pesado, com sentimentos nada bonitos, mas que você não consegue evitar. O que fazer diante do confronto entre nossa humanidade inclinada ao mal e a urgência de ser manso e humilde de coração, conformados à imagem do Cordeiro? Permita-me compartilhar algo sobre isso, que pode ajudá-lo.

Eu estava ali, rangendo os dentes de raiva pela tortura e morte de George Floyd, pela decepção com pessoas, pela maldade e o egoísmo do ser humano. Foi quando, em meio àquela oração doída e molhada, veio um pensamento em minha mente, certamente semeado pelo Santo Espírito de Deus: se eu permitisse que toda aquela raiva se enraizasse em meu coração, eu não seria em nada melhor do que os carrascos que assassinaram o pobre homem. E, se permitisse que a ira atravessasse aquela noite, eu estaria com meu joelho no pescoço de cada pessoa que me decepcionou. Eu me tornaria igual a quem tanto mal fez – a mim e a George.

A teologia cristã nos ensina a doutrina reformada da depravação total: não temos em nós mesmos a capacidade de vencer o mal e dependemos exclusivamente da graça do Cordeiro. Sou sujeito a essa depravação. Nasci imerso em pecado e sou sua habitação. Quando ouvi a voz do Espirito, clamei a ele, o outro habitante de meu coração, e pedi que me inundasse de paz, perdão, magnanimidade, amor, graça e abnegação, porque, por mim mesmo, eu não teria forças para isso.

Pedi que me inundasse de Cristo.

Foi quando veio uma paz que não consigo entender. Uma paz acompanhada da certeza de que não posso esperar o melhor do ser humano, porque cada indivíduo deste planeta é terrivelmente idólatra de si mesmo, perdidamente apaixonado pelos próprios interesses e, se eu sentir raiva cada vez que testemunhar o egoísmo e a malignidade das criaturas de Deus, acabarei sendo vencido pela semente do mal que há em mim.

Foi quando veio uma avassaladora sucessão de verdades bíblicas ao meu coração. Lembrei de que a vingança pertence ao Senhor. Que temos de amar até os inimigos. Que eu sou tão depravado quanto os mais egoísta dos homens e das mulheres. Que nosso descanso não está nesta vida. Que o perdão não é opcional, mas um mandamento. Que não há um justo, nem um sequer. Que felizes são os pacificadores. Que os piores dos seres humanos podem ser resgatados de sua maldade por Cristo. Que Deus é soberano sobre a terra e que meu Redentor há de se levantar sobre ela. Foi um tsunami de verdades que a raiva havia roubado da minha lembrança. E o tsunami trouxe a paz.

Levantei daquela poça com menos raiva. Ainda triste, mas sem raiva. Milagre desses que só Jesus de Nazaré é capaz de operar. Assim como, com uma frase, ele sarou o leproso, Jesus insuflou paz em meus pulmões e a certeza de que nada, absolutamente nada, está alheio aos seus olhos e ao seu coração. E de que ele não está de ouvidos fechados ao clamor dos seus filhos, nem de costas para os fatos que há na terra.

Ele é Emanuel, Deus conosco. Justo, amoroso, compassivo e bom.

Meu irmão, minha irmã, talvez você esteja com muita raiva em seu coração neste momento. Eu não te condeno, acredite, pois passei por isso e te entendo. Pessoas também me feriram. Situações também me abateram. A humanidade também me decepcionou. Mas, olha, deixa eu te dizer uma coisa, de igual para igual: Deus pode mudar isso. Como se irar e não pecar? Indo aos pés do Cordeiro, em pranto, confissão, humilhação e verdade, clamando e se entregando. Atire-se, com autenticidade. Não negue o que pesa em seu coração. E confie na ação sobrenatural de Deus, a única capaz de fazer com que a sua ira não atravesse o limite e triunfe, hedionda, como a obra da carne que ela é.

Cristo assassinou aquilo que assassinou George Floyd. Ele fez isso no Calvário, quando consumou tudo em si. Que os meus e os seus olhos estejam voltados menos para a barbárie e o egoísmo humanos e mais para a cruz do Gólgota, menos para o desdém pela vida alheia e mais para o amor que tanto amou a vida alheia que entregou o próprio Filho em sacrifício vivo. Meu irmão, minha irmã, eu e você não valemos mais do que aqueles policiais que fizeram mal a George nem que aquelas pessoas que nos fizeram mal. Somos igualmente depravados, egoístas, egocêntricos, vaidosos, raivosos. Mas, se Cristo vive em nós, podemos ser diferentes. Não pela força do nosso braço, mas pela extraordinária graça que esvazia a nossa raiva e nos conforma à natureza do manso Cordeiro.

E, quando isso acontece, após levantarmos da poça de lágrimas e nos deitarmos na cama, conseguimos dizer, antes que o sono da paz nos embale pela noite:

– Pai, perdoa, pois eles não sabem o que fazem.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari
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A ideia de que ser homem com H maiúsculo, másculo, macho significa ser um brucutu destemperado, que arrota alto, vive na academia puxando ferro e manda ver no palavreado como um neanderthal é tão verdadeira quanto dizer que ser cristão significa usar saia comprida, não depilar a perna, usar cabelos até a cintura e ser homofóbico: estereótipos tolos que só atrapalham nossa relação com Deus, com o próximo e conosco. ⁣ ⁣ Ser um homem de verdade, à luz da Bíblia, não tem absolutamente nada a ver com ser um ogro verborrágico, que valoriza músculos acima de sabedoria e paz. ⁣ ⁣

Ser um homem de verdade, à luz da Bíblia, é ter postura e caráter e tratar o próximo como gostaria de ser tratado. É saber reconhecer os erros, se arrepender e pedir perdão. É buscar a justiça com amor, promover a verdade com mansidão e estimular a conciliação com paciência. ⁣ ⁣

Ser um macho à luz da Bíblia é ser macho como Jesus. ⁣ ⁣

Jesus é nosso exemplo para tudo, inclusive para a masculinidade. Ele tratou as crianças com doçura, as mulheres com dignidade, os amigos com amor, os inimigos com intercessão e perdão. ⁣ ⁣

O conceito de masculinidade bíblica parece ter se perdido e assimilado tolices extrabíblicas. Muito se associa masculinidade – nas igrejas! – ao discurso ferino e incisivo, ao olhar agressivo e pesado, ao punho erguido e ao pisão duro. ⁣ ⁣

Mas firmeza não é isso. ⁣ ⁣

É possível, e desejável, ser firme dizendo “olhai os lírios do campo”, “ame seus inimigos” e “não pague mal com mal”.

Aí vem alguém e diz: “Mas e o episódio dos vendilhões do templo?”, como se aquele episódio fosse suficiente para derrubar tudo o que Jesus falou sobre como a humanidade precisa agir e se comportar. Não entendem que a divindade de Cristo lhe dá prerrogativas que o ser humano não tem, que Deus pode matar e se irar, mas que se o homem mata, fere um dos dez mandamentos e, se alimenta a ira e a põe em prática, pratica obra da carne e peca. Tomam um episódio sem ver a teologia por trás, sem analisar os princípios bíblicos do evangelho, sem considerar a hermenêutica bíblica, distorcendo a natureza do Príncipe da paz e todo o conjunto de seus ensinamentos. E acham que o episódio dos vendilhões é suficiente para transformar Jesus num ser que apoia a violência, a agressividade e a brutalidade. Que visão triste do que é a masculinidade de Jesus.

Ser macho como Jesus não é viver irado, mas em amor. Não é ser carrancudo, mas alegre. Não é viver comprando briga, mas pacificando. ⁣Não é ser explosivo, mas paciente.⁣ Não é ser altivo e mal-encarado, mas amável e bondoso.⁣ Não é ser fiel a um cânone machista, mas fiel à Escritura. ⁣Não é ser brigão, mas manso e humilde de coração. Não é ser impulsivo, mas ter domínio próprio e não reagir na base da fúria.

Enquanto associarmos masculinidade ao comportamento de lutadores de UFC, brutamontes e guerreiros em campos de batalha, seremos tudo, menos machos como Deus nos criou para ser. Seremos, somente, sombras tristes da real natureza do Cristo, que não nos ensinou a ser grosseiros cabras machos, mas santos cordeiros da paz.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari
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O Brasil inteiro está comentando a saída de Sergio Moro do governo e a repercussão das questões entre o ex-ministro e o presidente Jair Bolsonaro. Todos têm certezas, todos têm opiniões, todos correram para as redes sociais a fim de falar sobre o assunto, dizer o que pensam e criticar quem discorda. Se você me acompanha há algum tempo aqui no blog APENAS, sabe que não uso este espaço para falar de política – e assim pretendo continuar. Portanto, esta NÃO é uma reflexão sobre política, mas sobre o posicionamento dos cristãos diante dessa crise.

Por quê? Porque algo que percebi em 99,99% dos comentários de irmãos e irmãs em Cristo sobre o assunto foi a falta de um posicionamento cristão sobre o assunto. Muitas opiniões, pouca Bíblia.

Por isso, decidi dar a minha contribuição. E, pela minha visão, o que devemos fazer, neste momento, como brasileiros e como cristãos, é:

1. Oremos sem cessar.
2. Não devolvamos mal com mal.
3. Cuidemos para que toda palavra que sair de nossa boca seja temperada e só promova a edificação.
4. Não vivamos brigando.
5. Amemos nossos inimigos.
6. Sejamos um, como Cristo e o Pai são um.
7. Intercedamos pelos nossos governantes, para que tenhamos paz.
8. Exerçamos o domínio próprio.
9. Sejamos bem-aventurados pacificadores.
10. Sejamos humildes em nossas opiniões.
11. Tenhamos fome e sede de justiça.
12. Instruamos com mansidão e paciência aqueles que se opõem.
13. Não nos apressemos para falar.
14. Façamos ao outro o que gostaríamos que ele fizesse a nós.
15. Saiba que o Reino de Cristo não é deste mundo.
16. Tenha bom ânimo, apesar das aflições.
17. Lembre que nossa leve e momentânea tribulação produzirá para nós um peso eterno de glória.
18. Em tudo dê graças.
19. Conscientize-se de que tudo coopera para o bem daqueles que amam a Deus.
20. Jamais esqueça que Cristo está com você todos os dias, até a consumação dos séculos.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari
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Uma amiga minha está com enormes dificuldades de lidar com o isolamento e o medo destes dias de pandemia por conta do coronavírus e me procurou para questionar como poderia “manter a sanidade”. Essa pergunta ocupou meus pensamentos por algum tempo e, após alguma reflexão, cheguei a algumas sugestões que gostaria de compartilhar com você:

1. CONFIE EM DEUS. Lembre-se de que o Eterno continua sendo o mesmo de sempre: amoroso, bondoso, compassivo, amigo, cuidador. Não é porque há uma pandemia que ele deixou de ser quem sempre foi. Leia Sl 139.

2. SAIBA QUE A PANDEMIA VAI PASSAR. Esta não é a primeira desgraça da história humana. Enfrentamos peste negra, guerras, terremotos, tsunamis, destruição de civilizações, exílios… e, sempre, a sociedade se reergueu e seguiu adiante. Vai passar.

3. EXERCITE O FRUTO DO ESPÍRITO. Paulo listou em Gálatas 5.22-23 nove virtudes que definem um verdadeiro cristão. Mas elas não vêm automaticamente, carecem de amadurecimento. Então, veja a pandemia como uma oportunidade de amadurecer em paciência, amor, amabilidade, autocontrole, alegria e outras. Deus está ajudando você a crescer.

4. DIVIRTA-SE. Isolamento não é estagnação. Durante este período, faça aquilo que alegra seu coração: ouça música, dance, jogue com a família, conte piadas, veja filmes, faça amor com seu cônjuge, leia bons livros, pegue sol na janela. Produza endorfinas.

5. RELACIONE-SE. Uma das grandes dádivas deste período é que ele nos deu a oportunidade de quebrar o ciclo da correria do dia a dia. Com isso, você tem tempo para gastar horas pondo o papo em dia com os amigos de perto e de longe. Use telefone, Whatsapp, Zoom, Hangout, o que for. A cura da solidão são pessoas.

6. REFLITA. Romanos 12 nos propõe renovar a mente. Não há nada melhor para isso que gastar tempo analisando nossos erros e acertos. Invista o tempo que agora você tem de sobra para pensar em como ser uma pessoa melhor. Após a pandemia, quem você quer ser? O mesmo de antes? Por que não aproveitar este momento para se analisar e melhorar?

7. AME O PRÓXIMO. Seja útil. Descubra quem está em dificuldades e ajude financeiramente. Ampare os sofridos. Encoraje os desanimados. Alimente os famintos. Isso lhe dará enorme senso de propósito nestes dias.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari
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Sexta-feira passada, o Rio de Janeiro foi assolado por ventos fortíssimos, de cerca de 90 km/h. Começou como um assobio de filme de terror nas frestas da janela e, quando vi, o vendaval sacudia tudo com fúria. Comecei a ouvir, impotente, barulhos que vinham do terraço, sem que eu me atrevesse a subir para ver o que estava ocorrendo, por conta dos raios, do temporal e do receio de objetos voando. Resolvi aguardar pelo dia seguinte e assim o fiz. O que encontrei foi um cenário desolador.

Explico: passei o último ano cultivando plantas na laje do meu barraco. Adquiri mudas, sementes, vasos, terra, substrato, areia. Plantei, reguei, fertilizei, pus remédios contra pragas… fiz o que pude para ter plantas bonitas, saudáveis, floridas, frutíferas. Foram doze meses de erros e acertos, paciência, pesquisa, preocupação e dedicação. Semana passada, eu estava satisfeito, crendo que já tinha tudo de que precisava para as plantas crescerem e minha alma desfrutar da paz que a beleza da natureza proporciona. Mas, então, sem que eu esperasse, aconteceu a calamidade.

Sábado amanheceu e, logo cedo, subi. O cenário era desolador. Uma árvore estava tombada, com a terra do vaso espalhada pelo chão. Vasos tinham sido lançados à distância. A quantidade de galhos quebrados chegou perto do incontável. Uma trepadeira se soltara do poste e jazia, troncha, pendurada, torta. Montanhas de folhas e flores estavam espalhadas pelo chão, junto com cascas de pinho, arremessadas de seus vasos.

Além das plantas, uma mesa e cadeiras de plástico foram catapultadas à distância, jardineiras encontravam-se em locais bem diferentes dos originais, um espelho foi arremessado da parede e não quebrou por um milagre. Mas um quadro que minha mãe havia pintado com o retrato de minha esposa foi arrancado da parede, o vidro estilhaçou e a pintura foi arremessada pelo vento por cima da amurada, assoprada sabe Deus para onde. Provavelmente, deve estar caída em alguma calçada molhada, a alguns quarteirões de distância.

O resumo da ópera é que, sem contar os estragos causados aos objetos, um ano de cuidados com minhas plantas foram por água abaixo depois de duas horas de vendaval. Minha sensação imediata foi de impotência, frustração, decepção e desânimo. Ao olhar o cenário deixado pelo “furacão”, fui tomado de grande apatia. Olhei, paralisado, o desastre, sem saber por onde começar. E, então, tomado de enorme desânimo, simplesmente, dei as costas, deixei tudo como estava e fui para a cama.

Passei um bom tempo deitado, lamentando a vida e a má-sorte. Mas, passado um tempo, lembrei que, se eu não fizesse nada, tudo continuaria como estava. Respirei fundo, tentando aspirar um pouco de ânimo, enrijeci as pernas e subi novamente. Embaixo de uma chuva fina, dediquei as horas seguintes a catar incontáveis cacos, jogar muita coisa no lixo, levantar o que estava caído, recolher o que fora derramado, amarrar plantas soltas e quebradas, ajeitar o que ainda tinha jeito.

Ao fim de um longo tempo, terminei. Olhei em volta. A aparência do local não era bonita. Galhos desfolhados, tortos e remendados; chão imundo; vazios nas paredes onde antes havia quadros; sujeira para todo lado, um aspecto menos verde e florido que antes. Um cenário triste, desolador e desanimador – exatamente como acontece conosco em muitos momentos da vida.

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Meu irmão, minha irmã, de tempos em tempos, enfrentamos a mesma coisa em nossa jornada. Tudo parece bem, o céu está azul e ensolarado, há beleza ao redor e tudo parece caminhar para um futuro florido e frutífero. Até que, de repente, de forma inesperada e aterrorizante, vem um vendaval assustador. Tudo fica fora de lugar, o que antes estava limpo agora está sujo, projetos que subiam vigoroso para o alto se tornam galhos quebrados e murchos, e muito do que você vinha construindo é lançado ao chão e se esfacela ante a força das circunstâncias. Você tenta fazer algo, mas o vento vem de todos os lados, incontrolável, indomável, e destrói tudo por onde passa sem que você consiga segurá-lo. E, quando, finalmente, o vendaval cessa, o cenário que surge diante dos olhos é de assolação.

O que se segue, naturalmente, é desânimo. Vontade de desistir. Sentimento de solidão, impotência e frustração. Você pensa como aquilo foi possível, já que você se esforçou para fazer tudo certo, cultivou as coisas como deveria, dedicou-se e deu o melhor de si, mas… foi surpreendido pelo vendaval implacável. Seu longo esforço e sua suada dedicação não serviram de nada, pois em poucos instantes tudo veio abaixo.

E, cá entre nós, parece que Deus não fez nada para nos ajudar. Chegamos a pensar que pedimos pão e ele deu pedra, que pedimos peixe e ele deu serpente. Tal qual Jó, nos damos conta de que o que tínhamos não temos mais e que nosso sorriso desapareceu num piscar de olhos. Já se sentiu assim?

Porém, passado um tempo, é hora de catar os cacos e varrer o chão. E de entender que Deus permite vendavais como esse por propósitos muito elevados e, embora invisíveis, renovadores.

Demora, eu sei, mas é preciso. E lembre-se de que, nesse meio-tempo, Deus está ali, de ouvidos abertos para ouvi-lo. Cate as folhas mortas. Remende os galhos quebrados. Jogue o que não serve mais no lixo. E, uma vez mais, dê o seu melhor, para recuperar o jardim. Depois, tome um banho, calce meias quentes e tome um café forte. Faça tudo que pode fazer e deixe o resto aos pés da soberania de Deus. Os levitas puseram o pé no Jordão, isto é, fizeram a sua parte, mas quem abriu as águas do rio foi o Senhor.

Pode demorar um dia, ou dois. Talvez três. Ou uma semana. Um ano. Décadas. Mas, eventualmente, o céu se abrirá, o azul cobrirá sua cabeça como um edredom que aquece e o sol voltará a brilhar no jardim. As plantas novamente crescerão, as flores brotarão e as frutas ressurgirão nos galhos. Vassourada após vassourada, você removerá do chão os últimos resquícios de sujeira e novos quadros serão postos nas paredes, renovando o ambiente.

Tempos depois, aquele momento desolador não passará de uma lembrança de um entre tantos dias ruins que compõem, junto com os dias bons, essa coleção de tempos que chamamos de vida.

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Em tudo isso, resta-nos a gratidão. Que, em meio à assolação, nunca nos esqueçamos de que Deus não deixou de nos amar, segue nos acompanhando com seus olhos cor de graça misericordiosa e está sempre pronto a enxugar nossas lágrimas.

Você se dá conta, então, de que as folhas e as flores que o vendaval arrancou eram as mais frágeis, defeituosas e doentes, assim como, no vendaval da sua vida, as amizades verdadeiras serão reveladas pelo vendaval. Os interesseiros, bajuladores, incompassivos e falsos amigos serão varridos para longe pelas circunstâncias. Você perceberá que a terra derramada dos vasos era a que estava por cima, já ressecada pelo sol e sem nenhum nutriente, assim como, no vendaval da vida, muitas das prioridades que estavam no topo de seus dias serão descartadas, pois o caos sempre nos revela quando estamos valorizando o que já não tem nutrientes. Com o tempo, você se dará conta de que a assolação trouxe muitas bênçãos, que cumprem os desígnios divinos. Trouxe limpeza. Renovação. Conscientização. Amadurecimento. Novidade de vida.

Meu irmão, minha irmã, o vendaval acabou de passar. Meu terraço ainda está uma bagunça e a chuva ainda cai, fina e incômoda. Mas eu sei que meu Redentor vive e que sua graça, sua misericórdia e seu amor seguem imutáveis. Ele é bom e tem sempre os melhores propósitos, mesmo que soframos perdas e derramemos muitas e muitas lágrimas dos olhos.

Minha oração é que as lágrimas reguem as plantas destroçadas. Elas podem cair durante 41 capítulos, mas, ao fim, é preciso ter fé de que o capitulo 42 chegará, trazendo com ele sol, renovo, sorrisos e paz. E, então, você perceberá que suas lágrimas regaram as plantas destroçadas e contribuíram para que elas se tornassem, assim como foi com as filhas de Jó, as mais belas e admiráveis de toda a região.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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Deus nos poda diariamente. E, quanto mais eu vivo, mais percebo que a principal maneira de ele fazer isso é no campo dos relacionamentos humanos.

Peço para amar mais, ele insere em meu caminho pessoas que me fazem querer destilar cada gota de ódio, egoísmo e indiferença.

Peço para ter mais alegria, ele me põe em contato com gente que me entristece e deprime ferozmente.

Peço paz, ele põe em minha jornada pessoas que tornam as pequenas coisas da vida uma enorme tribulação.

Peço paciência, ele me faz conviver com gente insuportável.

Peço amabilidade, ele me junta com pessoas estúpidas, grosseiras e arrogantes.

Peço bondade, ele me faz conhecer maus que prosperam e se alegram.

Peço fidelidade, ele me permite conviver com quem provoque meus instintos mais pecadores e egoístas.

Peço mansidão, ele põe em meu caminho gente explosiva e briguenta.

Peço autocontrole, ele me faz viver situações que me instigam a deixar o velho e impulsivo homem assumir as rédeas da vida.

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Paro. Suspiro. Oro. Leio. E tento vencer aquele momento, pois basta a cada segundo o seu mal. O segundo seguinte virá e, muitas vezes, vencerei. Outras tantas, perderei. Mas é na equação entre perdas e ganhos que ele vai me podando.

Poda-me, Senhor, para que eu me torne aquele que, depois de aperfeiçoado, leve amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e autocontrole ao meu próximo, o bom e o mau. Ainda estou longe, muito longe disso, imerso neste oceano de imperfeição que sou, mas sigo na jornada.

Meu irmão, minha irmã, agradeça a Deus pelas piores pessoas que atravessam seu caminho. Pois elas são a maior bênção que você poderia receber no processo de fazer de você alguém cada dia mais diferente delas e mais parecido com o único que é totalmente perfeito: Jesus de Nazaré.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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Temos vivido dias estranhos na igreja. Amigos de anos vêm rompendo laços de amizade por conta de suas ideologias e posições políticas. Parentes estão parando de se falar porque A votou em B e C votou em D. Pior: irmãos em Cristo estão brigando entre si, se ofendendo e se afastando pela mesma razão. Será que a Bíblia tem algo a dizer sobre isso? Sim, tem. E pode não ser algo que você gostará de ouvir.

Vamos analisar o que está em jogo na situação de irmãos em Cristo que brigam, se ofendem e se afastam por diferenças de opinião política. De um lado, está um amigo que pensa diferente de você. Do outro, está a sua opinião. A questão aqui é: o que pesa mais? Se você chega ao (lamentável) ponto de brigar com um irmão por ele ter ideias distintas das suas, isso deixa claro que você valoriza mais a sua opinião pessoal do que aquele indivíduo. Na hora de pôr na balança, um ser humano teve menos peso para você do que uma ideia política ou econômica. E isso está muito, muito, muito errado.

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Aponte, por favor, uma única passagem das Escrituras que diga que uma opinião sobre política partidária vale mais que pessoas. Garanto que você não encontrará nenhuma. Por outro lado, há dezenas e dezenas de passagens que falam sobre amor ao próximo, pacificação, reconciliação, perdão, bons relacionamentos, não devolver mal com mal, abençoar quem nos amaldiçoa, orar por quem nos maltrata etc. etc. etc. À luz do evangelho de Cristo, não há nenhuma dúvida: sua opinião sobre política partidária não vale nada em comparação aos relacionamentos de amizade e, principalmente, fraternidade.

O grande mandamento estabelece: “Ame o seu próximo como a si mesmo” (Mt 22.39). Ora, pare para pensar: alguém amar a própria opinião a ponto de desamar quem dela discorda lhe parece estar cumprindo esse mandamento? No mínimo, deveria estar em pé de igualdade. Mas a resposta é óbvia: quem põe ideologias políticas acima do valor da amizade e da fraternidade do próximo evidentemente não o está amando como a si mesmo. Logo, não está cumprindo o grande mandamento. Logo, está pecando.

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Se, por um lado, quem rompe vínculos de fraternidade em razão de divergências de opinião não compreendeu o que significa amar o próximo, por outro, a boa notícia é que há uma solução, vinda dos lábios do próprio Cristo: “Portanto, se você estiver apresentando uma oferta no altar do templo e se lembrar de que alguém tem algo contra você, deixe sua oferta ali no altar. Vá, reconcilie-se com a pessoa e então volte e apresente sua oferta” (Mt 5.23‭-‬24). Isso não são apenas palavras bonitas soltas ao vento: é uma verdade de fé. É um mandamento do cristianismo. Você lhe tem obedecido?

Meu irmão, minha irmã, você brigou com alguém da sua família, do seu círculo de amizades ou da igreja por causa de divergências ideológicas ou políticas? Então o único caminho para cumprir a vontade de Deus é o da reconciliação. Peça perdão. Perdoe. Valorize o que Deus valoriza. O maior empecilho para cumprir a vontade de Deus nesse caso, acredite, não é a política partidária nem o diabo: é o seu ego. Não deixe seu ego sabotar a necessidade de manter bons relacionamentos com os outros membros do Corpo.

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Não custa lembrar que, em Gálatas 5, Paulo contrapõe as obras da carne com o fruto do Espírito. E, entre as obras da carne, estão hostilidade, discórdias, acessos de raiva, dissensões e divisões. Já entre as virtudes do fruto do Espírito estão amor, paz, paciência, amabilidade, bondade, mansidão e domínio próprio. Sinceramente, o que você enxerga no seu posicionamento pessoal na situação que gerou a sua briga com seus amigos ou irmãos? Virtudes espirituais? Ou obras pecaminosas da carne?

Sabe… para além da Bíblia, se há algo que meu quase meio século de vida me ensinou é que candidatos, governos e governantes passam. Já amigos verdadeiros ficam. Irmãos em Cristo, então, esses permanecerão pela eternidade. Você realmente acha que vale a pena trocar algo tão precioso por algo tão fugaz e passageiro? Se você valoriza mais o seu ego e as suas opiniões do que o amor ao próximo, lamento informar, você está a anos-luz do coração de Deus. Mas ainda está em tempo de se consertar. O que você está esperando?

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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Todo mundo já deparou com ele em algum momento da vida. Seus dentes são pontiagudos, o pelo é eriçado, as garras são ameaçadoras. Ele mete medo, sim, e nos deixa impotentes diante de sua musculatura amedrontadora. A maior fonte do terror que ele provoca é a ciência de nossa incapacidade de vencê-lo pelas próprias forças. Por isso, ele nos abate, deprime, assola, maltrata. Estou me referindo a uma das bestas-feras mais malignas que já caminharam sobre a face da terra: o impossível.

O impossível é aquilo que desejamos ardentemente ou precisamos desesperadamente mas está fora do alcance da mão. É o emprego inalcançável, a cura da doença intratável, a situação insustentável, o caminho intransitável. É o café que nunca tomaremos, a fruta que não comeremos, o salto que não daremos, as asas que jamais abriremos. O impossível é sádico e ri de nossa dor. Por isso, dia após dia esfrega em nossa cara quão impotentes somos diante dele.

O impossível é agressivo. Ele machuca e não escolhe ocasião para isso. Está sempre nos lembrando de que está ali, de olhar sarcástico e uivo agudo, impedindo nosso sonho de se realizar. Quando damos um passo para fugir e sair de seu alcance, ele salta com energia e se põe no caminho. Ele obstaculiza. Ele é impeditivo. E se diverte com isso.

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Tento mutar o impossível, interferir em seu DNA, reconfigurar seus genes. Quero que ele abra brechas e se torne mais maleável. Faço o que posso para enfraquecê-lo. Por vezes, tenho a sensação de que estou logrando êxito, mas, subitamente, ele cai na gargalhada e joga na minha cara que continua tão impossível como sempre foi. Pior: ele ressurge com mais força, trazendo novos fatos, impondo mais obstáculos, enchendo o caminho de armadilhas, arrancando qualquer chance minha de vitória. Sim, o impossível constantemente nos humilha com seu olhar arrogante, lançado do lugar mais alto do pódio.

Sou homem, limitado, defeituoso. Não tenho como vencer o impossível. Ele é terrível. Há anos me dá esperanças, joga iscas, se faz de morto. Em seu sadismo, observa com olhos semicerrados meu sorriso de esperança, posando de carniça, até que, quando estou prestes a soltar o brado de vitória, ele salta, às gargalhadas, e fica ali, com a boca arreganhada, rolando de rir de mim, exalando seu hálito fétido.

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Você enfrenta o impossível? Talvez há anos, como eu? Você o conhece bem e já sentiu a força de seus murros? Então sabe como esse minotauro age, lançando-nos para o centro do labirinto tão logo vemos a saída. Ele gosta de nos fazer de Sísifo. Maldito assassino de esperanças! Ele se alimenta de nossa angústia, decepção, tristeza e dor. E se hidrata com nossas lágrimas.

É… não tenho forças para enfrentar sozinho o impossível. Há anos e anos ele me esfrega isso na cara. Até porque o impossível conta com aliados poderosos, fortes e sagazes, como o tempo, a vida, decisões erradas, atitudes impensadas, soluções que não solucionam, a acomodação e o conformismo besta. Nada mais resta a fazer, a não ser tocar a vida, um dia difícil após o outro, uma pasmaceira após a outra, respirando, comendo e bebendo, numa rotina atroz.

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Porém, é no meio desse oceano lamacento de impossibilidades que chega um homem de sorriso no rosto, olhar maroto e abraço amigo. Ele senta ao nosso lado, puxa conversa, enxuga nossas lágrimas e passa o braço ao redor de nossos ombros. Desabafamos. Pomos o lodo da angústia para fora. Ele ouve, atento e em silêncio, com olhar de íntima compaixão. Quando chegamos àquele paroxismo da fraqueza em que não temos mais forças para dizer nem mais um ai, ele puxa do bolso algo embrulhado num humilde papel de presente e nos estende.

– Abre. – ele diz – É pra você.

Lentamente, descerramos o laço, abrimos o pacote e vemos, ali, diante de nossos olhos, o grande antídoto contra o veneno do impossível. O elixir que dá forças para continuar. O alimento que nos dá energia para mais um dia. O impossível olha de longe e solta um urro de horror. Pois ele sabe que aquele homem de mãos machucadas nos deu de presente nada menos que o seu pior inimigo, algoz, carrasco e executor.

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Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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BNJC_arte para blog APENAS

Unhas pretas são um negócio feio demais. Eu detesto ver pessoas com as unhas encardidas, pois passam uma ideia de sujeira, desleixo e negatividades semelhantes. Porém, preciso confessar que, ultimamente, tenho vivido com as unhas pretas em boa parte de meus dias. A razão para isso é que decidi me dedicar a transformar meu apartamento em um grande jardim suspenso. Com isso, tenho mexido em terra diariamente, plantado, replantado, podado e – a suma tarefa que deixa as unhas pretas – enfiado sempre um dedo na terra de cada vaso para verificar se já está seca e é necessário regar, ou não. Não gosto do resultado, pois me vejo obrigado a ficar lavando e raspando com frequência minhas unhas se não quero parecer um ogro sujismundo, mas não tem o que fazer: é o que todos os entendidos de jardinagem e paisagismo recomendam caso você não queira matar suas plantinhas afogadas ou esturricadas. Então, o preço para mantê-las vivas, e bem, é empretar as unhas.

Para amar o próximo de fato e não só na teoria, muitas vezes é preciso sujar a unha. Abrir mão do tempo em que você estaria lendo um livro para chorar com quem chora. Dedicar horas de seu merecido descanso a algo que não lhe dará nenhum lucro além de ver seu amigo sorrir. Dormir tarde para ouvir o desabafo do estressado. Acordar cedo para ajudar a viúva. Adiar o banho para abraçar o desesperado. É, meu irmão, minha irmã, é impossível se dedicar em amor verdadeiro ao próximo sem deixar as unhas pretas.

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Frequentemente, somos tentados a deixar para lá ou terceirizar a tarefa de amar o próximo. Afinal, ficar limpando e raspando a terra de sob a unha dá trabalho. Já perdi a conta de quantas vezes eu, vergonhosamente, me omiti no cuidado e no amor ao próximo por não querer ficar com as unhas sujas e, por isso, sei que é muito mais fácil virar a cara quando plantas murchas e carentes de cuidados aparecem em nosso caminho. Porém, se o fazemos, as plantas morrem. O preço de nosso desleixo e omissão no cuidado com quem precisa é um cotoco ressecado, desfolhado, infrutífero, sem flores. Sem viço. Sem vida. Uma triste lembrança de uma bela planta, que acabou-se porque preferimos ficar com as unhas limpas do que nos dedicarmos a ela. Falta de amor faz isso.

Amar o próximo é mandamento. É preceito que está no topo da pirâmide. Dizer que ama a Deus mas não amar o próximo, em verdade e de forma prática, é atitude que faz de nós mentirosos, diz a Palavra. A olhos humanos limitados por sua humanidade, amor pode ser uma opção, uma escolha.  Mas, para Deus, não é. Amor ao próximo é mandamento. É ordenança divina. É dever sagrado e inegociável. Não dá para se dar conta de que algo é mandamento, fazer a “opção” de agir diferente e achar que tudo está bem. Não. Nada disso. Deus não nos diz para amarmos o próximo “se quisermos” ou “se optarmos por isso”. Não. Ele diz: “Enfie o dedo na terra. Se sujar a unha, paciência, depois você limpa”.

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Meu irmão, minha irmã, você tem fugido do amor prático ao próximo porque não quer ficar com a unha preta ou não quer se dar ao trabalho de limpá-la depois? Eu não te condeno, pois já fiz isso muitas vezes. Desgraçadamente, mas fiz. E preciso dizer: que vergonha sinto por isso. Que vergonha sinto de ter cometido o pecado do desamor.

Deus, tem misericórdia de mim, pois sou pecador. Preferi muitas vezes ficar com as unhas limpas do que me dar ao trabalho de sujá-las por amor ao próximo. Perdoa-me e ajuda-me a vencer a mim mesmo, ao meu egoísmo, ao meu egocentrismo e à minha sanha preguiçosa, e mostra-me o caminho do amor. O caminho da unha preta. O caminho do reino de Deus.

E você, pode fazer essa oração?

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >