Arquivo da categoria ‘Fruto do Espírito’

cruz-amor 1Conheço um irmão em Cristo daqueles que pensavam ser a palmatória do mundo e, por isso, distribuía ataques com fúria a pessoas de quem discordava nas questões da fé. Ler suas postagens no Twitter me fazia mal, tamanha era a agressividade de seus posicionamentos contra aqueles de quem ele divergia em qualquer aspecto da vida e da teologia cristãs. Por uma série de circunstâncias, tempos depois ele imergiu numa crise que o lançou em uma profunda depressão. Por razões que não posso expor, por motivos éticos, em meio a esse furacão ele acabou assistindo a uma série de vídeos de pregação justamente de um dos sacerdotes que ele mais desqualificava, desmerecia e atacava. Que ele chamava de herege, na verdade. Após ter assistido aos sermões, aquele homem grandemente deprimido escreveu-me e, com humildade, disse o seguinte: “A ironia interessante é que as pregações do pastor xxxx, depois de eu, no passado, tê-lo relegado a um ‘plano inferior’, no mundo da teologia, têm me feito muito bem… Coisas desse Deus estranhamente bom”. 

O que esse irmão viveu não é um caso isolado. Eu me admiro por ver com que enorme frequência o Senhor abate os arrogantes, a fim de mostrar que sua graça é muito maior do que supõe nossa limitada capacidade teológica de compreendê-la. Eu mesmo sou um exemplo, como já relatei aqui no APENAS. 

Para que você entenda, caso não tenha lido o que já contei: depois de ter feito dois seminários teológicos e de conviver por anos num ambiente de alta crítica teológica, tornei-me um preconceituoso bobo, que relegava certas pessoas a uma espécie de segundo escalão da fé. Coisas de um tolo empavonado, como eu era. Só que Deus me permitiu passar pelo vale da sombra da morte e tive de enfrentar um processo de tristeza, depressão e abatimento. Quando mais eu precisava de apoio, não encontrei amparo entre os “amigos” da alta crítica, mas encontrei consolo e paz, veja você, justamente na literatura de autores que eu costumava desprezar. Nos meus piores momentos, quando Deus estava me reconstruindo e me fazendo ver que ele age, sim, por meio de muitas pessoas que desqualificamos, não encontrei paz e esperança nas obras densas e acadêmicas de que eu tanto gostava (e ainda gosto), mas nos escritos que antes eu considerava “rasos” e “superficiais”, como livros de Max Lucado. Coisas desse Deus estranhamente bom, que não cabe no gesso em que muitos querem aprisioná-lo. 

cruz-amor 2Foi nessa época que decidi mudar o foco de minha escrita e passar a escrever não para satisfazer a minha mente e o meu ego e para me destacar entre a elite do pensamento cristão (ah, a vaidade, sempre ela…), mas para oferecer respostas e alento à alma cansada e ao coração aflito do meu próximo, linha que tenho seguido desde então. Abandonei o linguajar rebuscado e acadêmico em meus textos e livros e adotei a linguagem simples e coloquial. Sem abrir mão de abordar assuntos profundos da fé, passei a fazê-lo de modo a transmitir verdades essenciais do evangelho num texto bastante simples, para todo tipo de leitor. Claro que isso me fez alvo do bullying de muitos amigos da alta crítica – coisa desses seres humanos estranhamente maus. 

Mas meu objetivo com este texto não é falar sobre mim.  Conto tudo isso apenas a fim de chamar a sua atenção para o fato de que esse Deus estranhamente bom muitas vezes vai surpreendê-lo, usando pessoas e meios que  jamais você imaginaria para cumprir os seus propósitos na sua vida. Lembra-se de Davi, o menos provável de ser escolhido rei dentre seus irmãos? Pois justo ele foi ungido rei de Israel. Coisas desse Deus estranhamente bom. Lembra-se de que Deus usou justamente o pagão Nabucodonosor para disciplinar seu povo? Coisas desse Deus estranhamente bom. Lembra-se de que o Senhor fez do ex-escravo e ex-presidiário José a segunda pessoa mais importante do Egito? Coisas desse Deus estranhamente bom. Lembra-se de como o Senhor usou Gideão, o menor dentre os menores, para dar vitória a seu povo? Coisas desse Deus estranhamente bom. 

Sim, o Senhor ainda vai te surpreender muitas e muitas vezes. Em certas ocasiões, será assombroso. Em outras, será doloroso. Haverá, ainda, momentos em que ele te deixará de queixo caído. Usará quem você menos espera. Fará as coisas acontecerem como você nem imagina. Muitas vezes, haverá surpresas aparentemente incompreensíveis. Só não se pode perder de foco que Deus faz tudo isso devido às suas estranhas bondade, graça e misericórdia. 

Meu irmão, minha irmã, mantenha os ouvidos atentos e o coração aberto, pois você nunca saberá de onde se fará ouvir a voz de Deus. Ela poderá vir pelos lábios daquele pastor que você desqualifica, da cantora que você sentenciou aos quintos dos infernos, daquele livro que você considera raso e superficial, daquele seu inimigo que te estenderá a mão quando teus “amigos” te largarem para lá. Afinal, a voz de Deus não está submissa aos altivos quereres humanos, mas à absoluta soberania do Todo-poderoso. 

cruz-amor 3Peço ao Senhor que sempre faça você ouvir a sua voz, não importa de que lado ela venha. Oro a Deus que seus preconceitos não sejam tão barulhentos a ponto de te impedir de escutar o que ele diz, muitas vezes por meios que você jamais imaginaria. Esteja aberto à atuação surpreendente do Criador, que, creio eu, deve ter se divertido muito ao ver a cara de choque dos irmãos de Davi quando perceberam que foi justamente o mais desprezado dentre eles o escolhido para realizar os propósitos divinos. Peço ao Altíssimo que, nas situações mais atribuladas e difíceis da sua vida, você esteja de ouvidos abertos para escutar, venha ela de onde vier, a voz desse nosso maravilhoso Deus estranhamente bom. 

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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brasil 1O Brasil tem vivido dias de imensa fúria. Em nosso país, a situação deplorável do governo, a corrupção onipresente, a polarização entre adeptos da esquerda e da direita e a crise econômica lotam os noticiários, pautam as discussões e fazem as redes sociais fervilharem. Os debates que envolvem as notícias do dia, na maioria das vezes, são recheados de afirmações revoltadas, reclamações injuriadas, agressões para todos os lados e intermináveis discussões e trocas de acusações. Vivemos dias duros. A toda hora a notícia da hora nos faz ferver o sangue. Queremos comer o fígado de políticos, mandar os corruptos para o quinto dos infernos e explodir todos aqueles que não concordam conosco. Dias difíceis, os nossos. Dias saborosos para os zelotes e amantes da espada, mas estarrecedores para os mansos e humildes de coração. 

Tem sido raro encontrar aqueles que estejam plácidos, equilibrados e controlados diante do cenário da nossa nação. Os estoicos e blasés desapareceram do mapa, dando lugar aos explosivos e revoltados. A indignação é válida e devemos, sim, nos indignar com toda a lama que escorre dos palácios do governo e dos escritórios de grandes corporações corruptoras. Não há como amar a justiça e a verdade e se manter impassível diante do atoleiro de mentiras, trapaças, sujeiras e pecados que se tornou o Brasil. 

Minha pergunta é: como devemos manifestar toda essa justa e necessária insatisfação? Será que nós, cristãos, devemos reagir como o mundo reage, fazendo chacotas indecentes, usando palavras torpes, adjetivando de modo desrespeitoso fulano ou sicrano, destilando veneno em nossas palavras e em nossos memes, desejando que os maus morram e se arrebentem, entre posts imprecatórios nas redes sociais e falas avalânchicas por onde passamos? 

Qual é a postura adequada a quem vive para ser imitação de Cristo? O amor ou o ódio? A pacificação ou o acréscimo de lenha à fogueira? A destemperança ou a paciência? A amabilidade ou a ofensa? A bondade ou a raiva, destilada entre perdigotos e olhares injetados? A mansidão ou a fúria? O destempero ou o domínio próprio? Afinal, como devemos reagir a tudo o que nos cerca?

brasil 2Ser cristão é ser diferente. É nadar contra a correnteza, quando a correnteza não segue de acordo com o relevo do evangelho. É controlar nossos impulsos humanos de vingança e raiva para dar lugar à pacificação que nos fará bem-aventurados. Não somos cristãos se agimos e reagimos como o mundo, com a diferença que vamos à igreja aos domingos. Se somos iguais ao mundo, somos mundo – mesmo frequentando o culto e cantando músicas cristãs. Cabe, então, a pergunta: você tem reagido aos lamentáveis noticiários como um santo ou como um pagão? Como alguém que entende que sua pátria não é deste mundo ou como um cabeça-quente que vive entre imprecações e gritos de revolta? 

Sim, não devemos nos conformar com a injustiça. Não podemos, como servos de Deus, nos manter impassíveis diante da corrupção humana. Deus não fica impassível; nós também não devemos ficar. Meu questionamento não é “sim ou não”, mas “como”.  De que modo você reage? Que palavras escolhe ao se posicionar? O que há no seu coração? Sua alma busca a justiça e a verdade com paz ou com guerra? 

Os dias são maus, meu irmão, minha irmã. Mas não podemos permitir que a maldade do mundo caótico nos contamine. Temos de permanecer como diferentes, como luz. Brilhemos nessa treva tão densa. Afinal, se formos trevas em meio a trevas, que diferença fazemos? Se há uma hora em que precisamos mostrar ao mundo quem habita em nós, a hora é esta, pois é em meio à crise que os santos sobressaem. 

Jesus não nada no mar do caos, ele caminha por sobre as águas. Assim devemos nós fazer.

brasil 3Deixo a reflexão: como você tem se posicionado ante tantas notícias revoltantes que inundam os jornais do dia? Como um revoltado ou como um ponderado? Como um desvairado ou como um equilibrado? As notícias te dominam ou o Espírito Santo é quem conduz suas ações e palavras? Ser fiel ao amor quando tudo vai bem é moleza. Mas é justamente na hora em que alguém grita “fogo!” que descobrimos quem são os que dão passagem às mulheres e crianças primeiro e quem são os que saem pisoteando quem estiver pela frente. Quem é, afinal, que controla as suas palavras e as suas ações diante da miséria humana, da corrupção do mundo e do caos provocado pelo pecado? O amor? Ou o ódio? Descubra quem é o seu senhor na hora da crise e você constatará se tem agido conforme a vontade do Senhor Jesus Cristo. 

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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bebe-lindo 2Eu estudei no Colégio de São Bento, no Rio, por todo o ensino fundamental e o médio (naquela época, a gente chamava de primeiro grau e científico). É uma escola sui generis, pois é a única do Brasil na qual ainda só estudam meninos. Lá, meninas não entram. Imagine, então, como é o comportamento dos alunos, num ambiente só de homens: muitas piadas desinibidas, tráfico de revistas pornográficas, brincadeiras brutas e um tipo de relacionamento muito masculinizado. Mas não ache que o ambiente é anárquico: o colégio, fundado pelos padres beneditinos, tem normas rígidas de disciplina, muita organização e um ensino puxado, que faz o São Bento ser o primeiro no ranking nacional do vestibular e do ENEM há décadas. Então minhas lembranças do ambiente onde estudei é de muita ordem e muito conhecimento, mas um tipo de relacionamento com os colegas cheio de testosterona e de uma certa infantilidade masculina nas brincadeiras de garotos. 

O tempo passou. Depois que fomos para a universidade, os colegas acabaram se distanciando. Cada um foi para um lado, construiu a própria vida, criou novos laços, seguiu rumos distintos. A vida foi em frente, nos casamos, tivemos filhos. Hoje, aqueles moleques adolescentes são pais de família, gordos, carecas, barrigudos. Nos tornamos homens. Amadurecemos. 

Bem… nem tanto. 

bebe-lindo 1Ano passado, um dos colegas da turma que se formou no São Bento em 1989 resolveu, 25 anos depois da nossa saída do colégio, criar um grupo no WhatsApp para reunir o pessoal. Quando fui incluído fiquei muito feliz, foi divertidíssimo ver a foto dos meus antigos amigos com a cara, hoje, que nossos pais tinham quando éramos estudantes. No começo foi aquela farra, a troca de fotos e vídeos da época (foi engraçado me rever em um vídeo de quando eu tinha 15 anos…), a explicação sobre o que cada um se tornou. Foi bem bacana. Só que o reencontro parece que despertou um lado saudosista nesses homens que fez com que começassem a se comportar como os meninos de 25 anos atrás.

A verdade é que o rumo das mensagens, dos vídeos e das fotos que passaram a ser trocadas começou a me incomodar. As piadas eram sempre bobas, com aquela agressividade típica de adolescentes implicantes. O que mais passou a ser enviado foram fotos e vídeos pornográficos, de sexo explícito. Junto, naturalmente, a comentários nada edificantes. Comecei a me ver inserido numa realidade incompatível com quem eu sou hoje. Mas a maioria dos meus colegas de escola parece que parou no tempo, se agarrou à forma de ser de 25 anos atrás e não avançou. E isso me incomodou a tal ponto que tive de pedir que não mais enviassem a pornografia e que maneirassem no linguajar. Pensa que adiantou? Que nada, só despertou uma onda de piadas e gozações comigo, que foram do questionamento da minha masculinidade a coisas que prefiro não dizer num ambiente cristão. Tudo por um apego emocional ao passado. E que tornou o grupo, que tinha tudo para ser muito legal, um ambiente insalubre para meus olhos e ouvidos. Hoje, o grupo é uma decepção para mim. 

bebe-lindo 6Em nossa caminhada espiritual, muitas vezes agimos da mesma forma. Geralmente a época de nossa infância na fé, quando somos novos convertidos, é muito emocionante, marcante, cheia de descobertas. Porém, frequentemente, é repleta de erros, atitudes erradas, crenças pueris. É um engano acreditar que o “primeiro amor” ao qual devemos voltar é marcado por manifestações bobas e infantis de nossos primeiros passos na fé. O “primeiro amor” tem a ver com santidade e não com infantilidade espiritual. No entanto, muitos cristãos se agarram a praticas e crenças de sua época de crianças espirituais e se recusam a avançar rumo à maturidade religiosa e a patamares mais elevados de relacionamento com Deus. 

O resultado desse apego míope a realidades espirituais infantis e imaturas são cristãos que praticam exageros, têm crenças e atitudes bobas, que vivem uma fé baseada em caricaturas e crenças baseadas muito mais na sua cultura denominacional do que na Bíblia. São meninos e meninas que brigam com irmãos em Cristo por causa de crenças soteriológicas, que entendem que o palanque das conferências é mais importante que a visita a órfãs e viúvas, que citam mais falas de bons pensadores e escritores do que mencionam o Espírito Santo, que fazem troça de quem crê no que é diferente do que eles acreditam. Meninos. 

bebe-lindo 4Paulo escreveu sobre a necessidade de amadurecermos na espiritualidade: “E a graça foi concedida a cada um de nós segundo a proporção do dom de Cristo. […] E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo, até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo, para que não mais sejamos como meninos, agitados de um lado para outro e levados ao redor por todo vento de doutrina, pela artimanha dos homens, pela astúcia com que induzem ao erro. Mas, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo, de quem todo o corpo, bem ajustado e consolidado pelo auxílio de toda junta, segundo a justa cooperação de cada parte, efetua o seu próprio aumento para a edificação de si mesmo em amor.” (Ef 4.7,11-16).

Procure fazer uma autoanálise. Será que você não está agarrado a praticas e crenças da sua época de menino ou menina espiritual? Será que não está na hora de buscar avançar, crescer no conhecimento de Cristo, rumo a uma prática de fé mais madura? Você se interessa por estudar a Bíblia? Tem o hábito de ler bons livros cristãos, capazes de mostrar que muito do que você sabe e crê hoje está errado e deveria ser mudado? Será que você continua preso a bobagens e infantilidades que fazemos na época em que somos novos convertidos? Quem tem te discipulado? Quem é seu mentor espiritual, aquele que te conduz dia a dia rumo à maturidade espiritual que Deus espera de cada um de nós? Você continua ancorado ao passado, crendo e se comportando de modo pueril e, assim, agindo como um crente que nunca deixou de tomar leitinho espiritual? Está na hora de repensar isso. 

bebe-lindo 5Acho que cresci um pouquinho nos últimos 25 anos. Não acho mais graça em ficar fazendo certas brincadeiras bobas com meus colegas de escola. Não aprecio mais ficar vendo revistinhas de mulher pelada. Meus valores, minhas crenças e minhas práticas mudaram e hoje busco me cercar de pessoas pacíficas e pacificadoras (maduras na fé, portanto), que fujam da agressividade, que valorizem o conhecimento teológico e sua transmissão com simplicidade. Quando vejo cristãos vaidosos, arrogantes, que amam mais sua bagagem teológica do que pessoas, que querem poder (intelectual ou sobrenatural) mais do que estender a mão em amor aos necessitados… sinto-me deslocado. E não tenho prazer em estar naquele grupo. Hoje, sendo um tiquinho mais maduro na minha espiritualidade do que há  20 anos, quando Jesus me converteu, sou levado a estar junto dos simples, dos amorosos, dos graciosos, dos abnegados, dos humildes de espírito, dos que fogem da vaidade e da soberba, dos que tratam quem discorda de si com respeito e amor, dos que convivem em paz com o diferente, dos que compreendem que o Jesus que expulsou os cambistas do templo é o Príncipe da Paz e o Manso Cordeiro. Maturidade espiritual faz isso: te aproxima dos puros de coração e te afasta dos pomposos, te aproxima dos amorosos e símplices e te leva para longe dos agressivos e sarcásticos. Te leva para perto da prostituta e da adúltera e te afasta dos fariseus apedrejadores. 

Enfim, amadurecer na fé é conformar-se à imagem do manso Cordeiro, que diz “perdoa, pois eles não sabem o que fazem”, e afastar-se dos ignorantes e imaturos que fazem chacota com os ignorantes e imaturos e mais querem punir do que restaurar. 

bebe-lindo 3Tenho muito a amadurecer. Muito mesmo, pode acreditar. Mas só de não achar mais que vaidade teológica ou bairrismo denominacional é algo importante já me mostra que não curto mais as bobagens da infância e da adolescência espiritual. Estou na caminhada, com muito mais a crescer e evoluir. Mas, felizmente e por mérito exclusivo do Espírito Santo, hoje Deus já me incluiu na universidade daqueles que amam e procuram o diferente para amar e não para detonar. Se você quiser abandonar a infantilidade denunciada pela soberba e a agressividade no falar e aproximar-se do diálogo amoroso e da paz… vamos juntos nessa jornada. Pois os que amam o amor formam um grupo do qual tenho prazer de fazer parte. 

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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empatia 1Lembro-me do primeiro enterro a que fui na minha vida. Cheguei ao funeral do meu tio Guilherme e logo encontrei a esposa dele, a tia Helena. Ela estava aos prantos, desconsolada. Se não estou enganado, eu deveria ter por volta de uns 12 ou 13 anos. Tudo o que eu sabia sobre o que devemos dizer em uma situação como aquela foi o que eu tinha visto em programas de televisão e em filmes. Por isso, inexperiente, o que eu lhe disse foi o maior clichê, sem reflexão, sem pensar que aquela frase simplesmente não traria nenhum consolo. Fiz um olhar triste e mandei: “Tia, ele está melhor do que nós”. Que horror. Ela fez uma cara sem nenhuma reação e simplesmente continuou chorando. Recordo-me que me senti mal, porque percebi na hora que aquilo que eu tinha dito simplesmente não significava nenhum consolo para ela. Guardei aquele momento na lembrança como se fosse hoje, talvez por ter me sentido muito mal pelo fato de, em vez de me expressar com todas as minhas fibras e dizer algo das profundezas de minha alma, ter lançado mão de um uma frase feita, um clichê vazio, algo que foi dito por ser dito, mas que não teve eficácia alguma no sentido de amainar as dores da minha tia. 

Pensar naquele momento me faz ver como não adianta falar qualquer coisa, em especial nos momentos de crise. Falar por falar é inútil, nossas palavras precisam ser muito bem escolhidas e vir do fundo do coração. Muitas vezes, não devemos nem usar palavras: basta um abraço, basta o silêncio solidário. Enquanto os três amigos de Jó ficaram em silêncio ao seu lado, ele se sentiu amparado, mas foi só Elifaz, Bildade e Zofar abrirem a boca e começou um show de palavras que em nada ajudaram Jó naquele momento de angústia. Muitas vezes, o calar é a nossa melhor atitude. 

Nesse sentido, algo que sempre me causou estranheza é a pergunta “tudo bem?”. Já reparou como ela não quer dizer nada? Essa expressão tornou-se, na verdade, uma saudação padrão, algo educado de se dizer, mas, na realidade, numa quantidade mínima das vezes em que perguntamos a alguém se está tudo bem nós de fato temos o real interesse de saber a resposta. Tanto que, automaticamente, já esperamos que nosso interlocutor responda: “Tudo”. Se ele diz “não estou bem”, na maioria das vezes nem sabemos direito como reagir.

Nas redes sociais esse fenômeno das palavras que perdem o sentido chega a ser engraçado. Parece que em muitas ocasiões os termos são usados sem que o seu real significado seja o que se deseja dizer. Por exemplo: “lindo”. No Facebook tudo é “lindo”, todos são lindos. Às vezes vejo alguém postar uma foto do filho, de um casal em viagem, do prato de comida, de um bicho de estimação, de uma frase de efeito e, quando vou ler os comentários, tudo tem uma enxurrada de “lindo”, “linda”, “lindos”. É como se já se tivesse criado uma maneira de dizer que você achou algo legal e, portanto, “lindo” passa a significar uma série de coisas e não necessariamente o seu sentido original: “belo”, “formoso”. 

Existe ainda uma outra expressão que acho bem estranha. É o “fica bem”. A namorada vem, dá um fora no namorado, vira-se para ele e diz: “Fica bem, tá?”. É óbvio que ele não vai ficar bem! Mas ainda assim ela diz. Isso me soa como se eu virasse para alguém no meio do deserto do Saara e dissesse “Fica com frio, tá?”. Ninguém vai sentir frio só porque eu falei, assim como ninguém vai se sentir bem só porque alguém disse “fica bem”. 

empatiaMeu irmão, minha irmã, pense bem no que você diz. Escolha palavras com significado, principalmente quando está partindo ao encontro de alguém com o intuito de consolá-lo. Para quem está em angústia, depressão, crise, sofrimento, abatimento ou qualquer situação ruim o mais importante é um gesto, uma atitude, uma ação. Coloque-se no lugar do outro. Tenha empatia. Repare que Jesus não se virava para os cegos, leprosos e doentes que o procuravam e dizia “fica bem”: ele agia em favor deles, movido de íntima compaixão. 

Hoje, quando vou a um funeral, raramente digo algo à família de quem partiu. Prefiro dar um abraço apertado e ficar por perto, para que vejam que estou disponível caso precisem de algo. Acredito que isso demonstra muito mais empatia e compaixão do que soltar palavras vazias, que são ditas só para cumprir uma formalidade. 

Deixe que a compaixão te mova. E te mova para agir em favor do próximo, muito mais do que falar. Não só pergunte se está “tudo bem”, mas faça algo para que o outro se sinta bem. A Bíblia nos diz para chorar com os que choram e isso significa trazer para dentro do nosso peito a dor do outro, muitas vezes sem que seja necessário dizer nada. Acredito que, ao fazer isso, você estará de fato contribuindo para o bem-estar do próximo e se conformando muito mais à imagem de Cristo.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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amor 2Deus é amor. Amar é o maior mandamento. Se falássemos a língua dos homens e dos anjos mas não tivéssemos amor, nada seríamos. Foi porque Deus amou o mundo que deu seu Filho para morrer por aqueles que viriam a crer nele. De Gênesis a Apocalipse encontramos na Bíblia a realidade de que é absolutamente impensável cogitar o cristianismo sem incluir o amor em tudo o que fazemos. Devemos, por isso, sempre considerar se estamos de fato vivendo o evangelho com o amor verdadeiramente bíblico. Pois, caso falte o amor em nossos pensamentos, ações e atitudes, devemos repensar radicalmente a maneira como temos vivido a fé. 

É o amor pelos que estão a caminho do abismo que nos leva a pregar o evangelho. É o amor pelos recém-convertidos que nos faz investir tempo, esforço e paciência em discipulá-los. É o amor que impulsiona aqueles que foram escolhidos por Deus como mestres a devotar-se a lecionar, para o amadurecimento dos santos. Se não for por amor a Deus e ao próximo, é ridiculamente inútil estudar teologia. Se não for para agir movido pelo mais profundo amor, os dons não servem para nada. 

O amor leva os cristãos verdadeiros a praticar a caridade e a filantropia. É o amor que leva os filhos de Deus a lutar pelos mais pobres, pelos desamparados, pelos desassistidos. Qualquer ação em benefício do próximo que não seja motivada por amor não tem nada a ver com Cristo: é mero ativismo. 

O amor nos faz tolerar os diferentes. É somente impulsionados pelo amor que conseguimos estender o perdão sincero e libertador. É apenas por causa do mais cristalino amor que temos a capacidade de não devolver mal com mal e de nos humilharmos diante dos que nos fazem as piores maldades. Só o amor nos faz capazes de negar a nós mesmos, renunciar aos nossos instintos mais primitivos e agir com total abnegação diante das situações mais adversas. 

O amor apaga o ódio, suprime o egoísmo, vence a agressividade, dissolve a amargura, nos leva ao joelho, nos conduz ao arrependimento das transgressões. É porque muito amamos que perdoados são os nossos muitos pecados. O amor arrefece a ira, semeia a paz, conduz ao entendimento, desfaz inimizades, gera a reconciliação. O amor é esperança. O amor é força para continuar. O amor é vida. 

Quem não ama torna-se amargurado, arrogante, intragável. Sem amor, todos são uma ameaça em potencial até que se prove o contrário. A falta de amor cria abismos entre seres humanos e forma misantropos e alienados. A ausência do amor gera monstros egoístas, ambiciosos e interesseiros, indivíduos de cenho carregado, olhar pesado e sorriso escasso. Quem não ama se desumaniza. Quem não ama se afasta do ideal de humanidade estabelecido pelo Criador. Quem não ama se distancia do Altíssimo. Quem não ama torna-se digno de pena. 

Sim, o amor é mais do que um santo remédio: é um remédio santo. Um remédio para nossas dores, amarguras e tristezas, para a solidão e o abatimento. O amor salva vidas. O amor gera vidas. O amor é Deus se fazendo presente em nossa existência. Amar é experimentar um lampejo da divindade. 

O amor verdadeiro, bíblico, não é o dos contos de fadas, bobo, pueril e parnasiano. É amor que nasce da razão, viceja na emoção e frutifica na forma de ações. É maduro e sólido, demonstrado por atitudes consequentes e com resultados reais. O amor que nasce em Deus e deságua em nós não é invisível e idealizado: é concreto, transformador e sempre gera resultados sensoriais. O amor verdadeiro não para no coração, não acaba em nós mesmos e muito menos cabe em nós. 

Ah, se vivêssemos de fato o amor como Deus o criou! Seríamos menos ego e muito mais oferta. Seríamos menos vaidade e muito mais abnegação. Seríamos menos horríveis e muito mais admiráveis. 

Ame, meu irmão, minha irmã. Mas antes aprenda o que é amar. Aprenda na Escritura o que é de fato o verdadeiro amor de Cristo, e não aquilo que você supõe que é ou que filmes e contos de fadas tentam te convencer que é. Perceba que o amor real dá a vida pelo próximo e prefere o outro em honra. Amor custa, e custa caro. Mas, sabe… no final das contas, você descobre que valeu a pena. 

Ame. Ame com o coração. Ame com a razão. Ame com as atitudes. E aí você estará amando como o Senhor o criou para amar. E só amando com todas as fibras do seu ser e com toda a força de sua alma você glorifica a Deus. 

Ame bem. E ame sempre. 

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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tardio para falar 2“Sabeis estas coisas, meus amados irmãos. Todo homem, pois, seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar. Porque a ira do homem não produz a justiça de Deus. Portanto, despojando-vos de toda impureza e acúmulo de maldade, acolhei, com mansidão, a palavra em vós implantada, a qual é poderosa para salvar a vossa alma. Tornai-vos, pois, praticantes da palavra e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos” (Tg 1.19-22). É uma ordem bíblica: devemos ser tardios para falar. Não é uma sugestão, não é uma dica: é um mandamento. Quanto mais eu fico velho, mais percebo quanto o silêncio é um tesouro precioso. Mais ainda, percebo quanto a pressa em emitir uma opinião é inimiga da fé cristã, pois, muitas vezes, as palavras que você dirá de forma apressada e abrupta trazem consigo ira, raiva, deboche, sarcasmo e outros sentimentos que não devem ser alimentados no coração de quem deseja se conformar à imagem de Cristo.

Muitas vezes soltamos palavras que apenas funcionam como lenha na fogueira e falamos movidos por impulso ou ira. Por isso, fica aqui o meu conselho, que, na verdade, é mandamento bíblico: demore para falar sobre algo mais do que as pessoas esperam. Se você perceber que a sua fala será carregada de ódio ou rancor, o melhor é silenciar, refletir, ouvir e ler outros pontos de vista, esfriar a cabeça e só então abrir a boca. Afinal, a Escritura determina: “Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, e sim unicamente a que for boa para edificação, conforme a necessidade, e, assim, transmita graça aos que ouvem. E não entristeçais o Espírito de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção. Longe de vós, toda amargura, e cólera, e ira, e gritaria, e blasfêmias, e bem assim toda malícia. Antes, sede uns para com os outros benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus, em Cristo, vos perdoou” (Ef 4.29-32). 

tardio para falar 3Não devermos falar nada quando somos movido pela ira, “Porque a ira do homem não produz a justiça de Deus”. Temos de ser praticantes da palavra, pois é ela que determina: “Alegrai-vos com os que se alegram e chorai com os que choram. […] Não torneis a ninguém mal por mal; esforçai-vos por fazer o bem perante todos os homens; se possível, quanto depender de vós, tende paz com todos os homens; não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira; porque está escrito: A mim me pertence a vingança; eu é que retribuirei, diz o Senhor” (Rm 12.15-19). 

tardio para falar 4Nosso papel como cristãos não é exercer qualquer tipo de retribuição a qualquer atitude leviana: Deus mesmo é quem fará isso. O meu e o seu papel não é devolver mal com mal; é, isto sim, abrir espaço para que a justiça divina trate com as pessoas. Nosso papel não é atacar malfeitores, mas tratar dos machucados, cuidar dos feridos, abençoar e amparar as vítimas, chorar com os que estão tristes e decepcionados, deixando que o todo-poderoso Deus trate com a maldade humana da forma que ele considerar melhor.

Eu sei que você ainda vai enfrentar na sua vida muitas situações em que dá vontade de soltar o verbo, agredir, destratar, emitir opiniões raivosas sobre absurdos que acontecem, escrever verdades contundentes nas redes sociais sobre situações lamentáveis que ocorrem no nosso mundo. Sim, isto ocorrerá muitas vezes: você deparará com injustiças, maldades, abusos, opiniões inacreditáveis, ações que nos revoltam. Sim, você sentirá frequentemente vontade de soltar os cachorros em forma de palavras. Não estou dizendo que isso pode acontecer, estou afirmando que isso vai acontecer. E, quando acontecer, eis a síntese do que eu gostaria de que você se lembrasse: 

Todo homem, pois, seja tardio para falar, tardio para se irar, porque a ira do homem não produz a justiça de Deus. Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, e sim unicamente a que for boa para edificação. Chorai com os que choram e não vos vingueis a vós mesmos, mas dai lugar à ira, porque Deus é que retribuirá. 

tardio para falar 5Valorize o silêncio. Valorize o pouco falar. Valorize a passagem do tempo sobre a sua ira. Valorize o consolar mais do que o se posicionar. Quando você vir a maldade humana em ação, dedique-se mais à oração e ao perdão do que a soltar o verbo. Ponha isso em prática e você verá Deus agir, no tempo dele e da forma dele, honrando os que fazem o bem e disciplinando os que fazem o mal, para que esses se arrependam e se convertam de seus maus caminhos. E, assim, o nome do Senhor será glorificado, ao ver seus filhos agirem não segundo as inclinações da carne, mas segundo as belas e eficazes verdades do evangelho. E não se esqueça de que o próprio Deus “foi oprimido e humilhado, mas não abriu a boca; como cordeiro foi levado ao matadouro; e, como ovelha muda perante os seus tosquiadores, ele não abriu a boca” (Is 53.7). Cristo deu o exemplo. Sigamos o Mestre.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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