Posts com Tag ‘Amor ao próximo’

ristretto 1Eu tenho um ponto fraco: café. Confesso que sou um profundo apreciador dessa bebida e tomo muitas xícaras por dia. A máquina que faz meu café da manhã tem timer, que fica programado para alguns minutos antes de eu acordar, a fim de que o café esteja pronto e quente assim que meu despertador tocar. Além disso, tenho uma máquina de café espresso, daquelas que funcionam com cápsulas, pois, além de oferecer tipos de grãos diferentes e muito saborosos, permite que se faça uma xícara com bastante rapidez – durante um momento de concentração para trabalhar ou escrever, essa celeridade ajuda muito a não interromper um raciocínio no meio. Costumo pôr as cápsulas em uma espécie de suporte, que veio como brinde da Nestlé, e as vou pegando aos poucos. Qual não foi minha surpresa quando, há poucos dias, cheguei para tomar um café em uma tarde cinzenta e descobri que não havia mais dos sabores que costumo tomar (o ristretto ou o arpeggio), apenas cápsulas do lungo, um café para se tomar em canecas e não em xícaras. Pode parecer bobagem para você, mas, diante da ansiedade e da expectativa que eu estava para saborear o negro elixir divino, para mim foi um golpe baixo. Fiquei triste.

ristretto 2Voltei para minha mesa de trabalho e continuei a labuta. Mas sabe quando bate aquele inconformismo? Levantei, voltei à cozinha e fuxiquei no meio das cápsulas verdes do lungo. E, para meu delírio, eis que ali, posto por engano junto a elas, havia, escondida e soterrada, uma última cápsula negra do meu amado ristretto. É difícil explicar a alegria que foi. Fiz o café com um cuidado ímpar, apreciando o aroma como nunca, e o saboreei com gosto especial. É interessante isso, pois tinha o exato mesmo gosto de todos os outros ristrettos que sempre tomei, mas aquela xícara específica tinha um sabor de vitória, quase de júbilo, por representar a obtenção de algo que eu julgava perdido.

Jesus contou uma história que guarda certas similaridades com esse episódio: “Qual é a mulher que, possuindo dez dracmas e, perdendo uma delas, não acende uma candeia, varre a casa e procura atentamente, até encontrá-la? E quando a encontra, reúne suas amigas e vizinhas e diz: ‘Alegrem-se comigo, pois encontrei minha moeda perdida’. Eu lhes digo que, da mesma forma, há alegria na presença dos anjos de Deus por um pecador que se arrepende” (Lc 15.8-10). Fiquei pensando na alegria descrita pelo texto bíblico, em comparação com a que senti ao encontrar minha cápsula de café perdida.

É importante olharmos o contexto em que Jesus relata essa parábola. Ele a cita entre a parábola da ovelha perdida e a do filho pródigo. Ambas tratam de pessoas que pertenciam ao rebanho ou à família e se afastaram. Logo, a dracma mencionada também é uma alusão a membros do Corpo de Cristo que se perdem. O “pecador” que Cristo menciona não é, portanto, alguém que nunca experimentou o amor de Deus, mas, sim, o filho que se perdeu por conta de seus pecados. Assim como qualquer pai, Deus não gosta que seus filhos se afastem. E, para solucionar esse problema, ele estabeleceu um mecanismo para trazer filhos perdidos de volta à casa do Pai, ao aprisco seguro: você. Mas só você não basta. É preciso que você esteja cheio de amor.

love 1Uma das coisas mais tristes que vejo são cristãos que partem em busca de pessoas que estão distantes de Cristo (sejam “inconversos” ou “desviados”) como se fosse uma obrigação ou uma “missão”. Trazer a ovelha de volta ao aprisco jamais deve ser uma ação motivada por qualquer coisa que não seja amor. Guardadas as devidas e enormes proporções, eu não busquei a cápsula de café porque me obrigaram ou porque havia uma “missão” envolvida nisso, mas porque me sentia extremamente motivado. O “ide” da Igreja, a Grande Comissão, nunca deve ser visto com uma ordenança pura e simples: é um chamado ao amor pelo próximo.

Se não compreendermos que esta ordem divina, “Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a obedecer a tudo o que eu lhes ordenei” (Mt 28.19-20), é consequência direta desta outra ordem divina: “Amem-se uns aos outros. Como eu os amei, vocês devem amar-se uns aos outros. Com isso todos saberão que vocês são meus discípulos, se vocês se amarem uns aos outros” (Jo 13.34-35), não conseguiremos jamais levar a mensagem da cruz da volta ao lar para as pessoas do modo que Deus idealizou. Pois não consigo enxergar o Pai que “tanto amou o mundo que deu o seu Filho Unigênito, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3.16) resgatando vidas por qualquer outra razão que não seja amor. Ele amou os que se foram, amou os que nunca vieram, e, por isso, devemos amá-los também. Só então, quando o amor for um fato transbordante, devemos partir em busca deles.

love 2O amor precede o evangelismo. O amor precede a busca dos que se desviaram. O amor precede o resgate dos apóstatas. O amor é o ponto de partida para a obra de Deus. Sem amor, tudo o que se faz para o Senhor é o mais puro e insosso ativismo religioso. Porque evangelizar não é “ganhar almas para Jesus”, evangelizar é “compartilhar um amor que transcende tanto tudo o que podemos entender que ninguém pode ficar indiferente a ele”. Ninguém “ganha almas para Jesus”. O que fazemos é servir de meio para que o amor de Jesus atraia irresistivelmente almas para si.

No que se refere a evangelizar e a trazer desviados de volta ao aprisco, o nosso papel, meu irmão, minha irmã, é sermos porta-vozes do amor de Deus. Nada mais do que isso. Devemos apontar para o amor celestial. Precisamos proclamar o amor, que produz a graça, que conduz à salvação. Ame. Ame sempre. Ame com todas as suas forças. Somente isso, e nada mais, poderá torná-lo o maior evangelista de todos os tempos.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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10 1No Rio de Janeiro, a passagem de ônibus custa R$ 3,40. Peguei semana passada um ônibus e, como não tinha trocado, paguei com R$ 3,50. Estendi a mão ao motorista para receber meus 10 centavos de troco. Ele olhou meio sem graça, disse que não tinha essa quantia para me dar e pediu que eu esperasse: quando recebesse alguma moedinha de 10, me pagaria. Eu passei pela roleta e sentei logo no primeiro banco, lógico, pois não deixaria aquela fortuna para trás. O ônibus prosseguiu viagem e eu ali, firme, aguardando meu troco. O veículo estava vazio e quase ninguém subia. Percebi que, de vez em quando, o motorista me olhava pelo espelho retrovisor, visivelmente tenso por eu estar ali, de prontidão, à espera da moeda que ele não tinha. Eu pensava: “Já vi esse filme muitas vezes. O espertalhão diz que não tem troco para eu desistir e ele ficar com os meus 10 centavos. No fim do dia, ele pega 10 de um, 10 de outro, e vai tomar uma cerveja com o que pegou dos trouxas”. Franzi a testa. Comecei a bater o calcanhar, impacientemente, no piso do ônibus, disposto a não arredar pé enquanto não recebesse o que era meu por direito. Mas, ao mesmo tempo, eu percebia o nervosismo do homem.

Foi quando o Espírito Santo me deu um puxão de orelha. Fui fulminado claramente pela certeza de que eu estava me comportando como um mau cristão. Por querer meu troco? Não. Isso era o justo. Mas por colocar 10 centavos acima do amor pelo próximo. Percebi que eu alimentava ódio por um ser humano que provavelmente estava falando a verdade… por míseros 10 centavos. Notei que, naquele momento, eu estava vendendo a graça que deveria ter no coração por muito, mas muito pouco.

Na vida, muitas e muitas vezes fazemos isso. Por muito pouco, deixamos de agir como Jesus espera de nós. Explodimos com as pessoas por coisas muito pequenas, nos iramos, fazemos inimigos… por questões que, à luz da eternidade, não valem nada ou quase nada. Muitos perdemos amigos por pequenas picuinhas. Ou nos indispomos com pessoas da família devido a assuntos que, no fundo, não são tão importantes assim. Desonramos pai e mãe por migalhas. Levamos nossos filhos à ira porque chegamos em casa estressados pelo trabalho e explodimos por qualquer coisa. Ficamos de ti-ti-ti porque nossos líderes não nos sorriram naquela manhã. Em suma, não são poucas as vezes em que deixamos o amor e a graça escorregar para fora de nosso coração por questiúnculas banais.

10 2É importante dimensionarmos o valor e o peso das coisas. Aqueles 10 centavos tinham valor? Certamente. Era meu direito recebê-los? Evidente. Eu estava certo em tudo. Mas pequei pela falta de bondade. Pus intenções no coração daquele motorista que possivelmente ele não tinha. Permiti que a ira tomasse conta de mim. Falhei. Em termos bíblicos, fui um legalista e não um agente da graça, pois permiti que a lei (correta) fosse mais importante do que a graça (igualmente correta). A diferença é que a lei foi criada para conduzir à graça (Gl 3.24), portanto, lei sem graça é um cavalo desembestado sem cavaleiro – não leva nada a lugar nenhum. Por isso, errei ao atribuir mais valor ao meu direito e à minha razão do que ao amor pelo próximo.

10 3O mesmo vale para tudo na vida. Seus filhos desobedeceram e, com isso, erraram? Sim, claro. Mas será que isso justifica aquela sua reação explosiva? Seu marido deixou a casa bagunçada pela bilionésima vez, mesmo depois de você pedir trilhões de vezes que ele a mantenha arrumada? Sim. Mas será que isso compensa a briga? Você chegou em casa faminto e descobriu que sua esposa não fez o jantar prometido? Sim. Todavia, isso importa mais do que manter o bom relacionamento com ela? Seu chefe é um chato intragável é digno de milhões de críticas? Sim. Mas isso justifica o desacato à autoridade? Seu amigo não foi tão amigo assim na hora que você mais precisava? Sim. Mas será que os anos de amizade precisam ser jogados fora por essa falha? E por aí vai.

Meu irmão, minha irmã, muitas vezes o importante não é ter razão. É ser bom. É agir com graça. É ser como Jesus, que, sem nunca ter pecado, perdoou, amou, pacificou, reconciliou. Você quer ser como Jesus ou como você mesmo?

O ônibus chegou, enfim, ao ponto em que eu saltaria, e nada de ter recebido os 10 centavos. Tendo refletido e me contristado por causa da exortação do Espírito Santo, simplesmente levantei, dei sinal e, na hora de descer, acenei para o motorista, que me olhava constrangido pelo espelho retrovisor. E desejei: “Boa noite, amigo, Jesus o abençoe”. Você pode até achar que fiquei mais pobre por não ter recebido meu troco. Sinceramente? Acredito que saí daquele ônibus muito mais rico do que entrei.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >
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egoistaFui almoçar com meus pais no Leblon, bairro de classe alta do Rio de Janeiro. Meu pai estava com muita vontade de conhecer um restaurante a que nunca tínhamos ido antes, daqueles bem caros, frequentado por famosos e gente de alta classe. Para você ter uma ideia, quem estava na mesa ao lado da nossa era Bernardinho, o técnico da seleção de vôlei, com a esposa e a filha. Cada prato custava uma fortuna. Tirando a mim, todos no restaurante eram da elite carioca. De repente, aconteceu algo que me fez pensar: aproveitando a distração dos garçons, um homem sem os dois braços se aproximou das mesas, na tentativa de ganhar uns trocados. Você não leu errado: ele não tinha os dois braços, apenas pequenas extensões abaixo dos ombros. A primeira pessoa a quem pediu dinheiro foi um homem muito bonito, extremamente bem arrumado, com relógio e adereços visivelmente caros, que estava sentado à mesa numa espécie de varanda junto à rua.

– Pode me ajudar?

Automaticamente, o incomodado cliente do restaurante deu uma resposta rabugenta, sem nem olhar direito para o pedinte:

– Não tenho dinheiro não, parceiro.

Confesso que essa resposta me deixou confuso com meus próprios sentimentos. Por um lado, sei de todas as recomendações para não dar esmolas, uma vez que muitos pedintes são “vagabundos profissionais”, que preferem ficar mendigando a buscar um trabalho. Mas, por outro… convenhamos, vai, o homem não tinha os dois braços! Em milissegundos, passou pela minha cabeça quantas oportunidades profissionais bem remuneradas aquele homem poderia ter. Ficou claro para mim que, no mínimo, a vida daquele ser humano era bem difícil e que viver da caridade alheia era uma de suas pouquíssimas possibilidades de renda.

egoista 1Algo naquela cena me incomodou bastante: a mentira deslavada do cidadão que negou ajuda. Era evidente que ele tinha dinheiro. Muito dinheiro. Pelo que comeu e bebeu, estimo que deve ter gasto no mínimo uns duzentos reais naquele almoço. Só os óculos de sol que usava deviam valer muitos almoços para o homem sem os dois braços. Dizer que não tinha dinheiro foi o passa-fora mais mentiroso que poderia ter dado. Seria mais honesto dizer algo como “não quero te dar dinheiro não, parceiro”.

Enquanto eu me revoltava contra o grã-fino mentiroso, adivinhe só: o pedinte virou-se justamente para mim:

– Pode me ajudar?

Depois de ter ficado chocado com a atitude do ricaço mentiroso, é óbvio que eu não só podia ajudar, como ajudaria com toda certeza! Afinal, não sou eu o cara que chora quando passam na televisão aqueles comerciais do ActionAid, do Médicos sem Fronteiras, da Fundação Abrinq e da AACD? Ajudar o próximo é comigo mesmo! Jamais recusaria auxílio a um necessitado! Sou um cristão, ora bolas! Como poderia me recusar a dar de comer a quem tem fome?!?!

Bem…

Tenho de confessar. Por um instante, eu hesitei. E quase soltei um “Não tenho dinheiro não, parceiro”. Foi fácil para mim fazer cara feia para o rico mentiroso, mas, por pouco, não me tornei um “classe média mentiroso”. Pois o meu impulso automático foi dizer exatamente a mesma coisa. Percebi que minha natureza humana, falha e egoísta, junto com meu senso de desconfiança aguçado, retiveram minha mão e fecharam meu coração. A vontade que eu tinha naquele momento de dar dinheiro para o homem era nenhuma. Afinal, era o meu dinheiro.

egoista 2Foi quando me dei conta de como somos condicionados a ser egoístas e só nos preocuparmos conosco. Ficou claro que eu fui adestrado a desconfiar de tudo e de todos e a achar que todos são espertalhões. Entenda que tudo o que estou descrevendo se passou num espaço de tempo mínimo, de ínfimos segundos. E minha reação imediata foi não ajudar o próximo. Não ajudar um homem sem os dois braços! Eu, o cara que na véspera tinha pago oito reais em um suco e quatorze reais em uma tapioca de Nutella, estava inclinado a não dar nem umas moedas a uma pessoa sem os membros superiores.

Foi preciso parar. Dominar meus instintos egoístas e desumanos. Respirar. Recordar do que o anjo disse a Cornélio em Atos 10.31. Tentar me vestir da natureza de Cristo. E, só então, minha mão desceu até a carteira e sacou alguma coisa. Sorridente, o homem virou as costas e pediu que enfiasse o dinheiro no bolso traseiro de suas calças. E prosseguiu em seu caminho.

egoista 3Fiquei pensando sobre aquilo. De fato, a humanidade é má. Precisamos de Cristo para superar nossos instintos e impulsos mais egoístas e  desumanos. Criticamos os “pecadores” e incorremos no mesmo pecado que eles. Conhecemos a piedade mas, frequentemente, nos esquecemos de pô-la em prática. É como se houvesse duas pessoas habitando nosso coração: Adão e Cristo. Só que “assim como, em Adão, todos morrem, assim também todos serão vivificados em Cristo” (1Co 15.22). Adão não pode prevalecer.

A luta é diária. Mas não podemos desistir. Se baixarmos a guarda, seremos derrotados pelo egoísta que habita em nós. Não permita que ele vença: supere a si mesmo e deixe que Jesus use seu braço, seu tempo, seus bens e seu coração para dar de comer a quem tem fome e de beber a quem tem sede.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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desigrejados 1Tenho visto diferentes irmãos em Cristo compartilhar pelas redes sociais a seguinte frase: “Quem sai da igreja por causa de pessoas nunca entrou lá por causa de Jesus“. Confesso que ler isso me deixou extremamente incomodado, chocado e chateado, pois me soa como uma frase bem pouco cristã e nada embasada naquilo que Jesus ensinou. É uma frase que não expressa amor. Vamos falar um pouco sobre ela, na esperança de que, se você já reproduziu essa afirmação ou mesmo se acredita nela, consiga perceber quão desumana ela é e, assim, pare de replicá-la.

Em primeiro lugar, permita-me dizer que esta reflexão não tem como objetivo entrar por discussões no campo de calvinismo versus arminianismo. O foco da minha abordagem não é se a pessoa que deixou de frequentar uma igreja era predestinada, se tinha livre-arbítrio e toda a discussão que considero desimportante na eterna querela entre os que creem e os que não creem na doutrina da eleição. E por que digo isso? Porque Jesus mesmo não deu muita atenção a essa questão. Repare que, independentemente de Jesus ser “calvinista” ou “arminiano”, o que os evangelhos mostram é que ele sempre destacou a importância de buscar a ovelha que se desgarrou do rebanho. Ponto. Isso é o que importa, a despeito da doutrina soteriológica que você siga. Afastou-se? Busque. Ponto final. E é aqui que a frase do título deste post torna-se tão repulsiva ao meu coração. Pois não consigo coadunar o que Cristo nos ensinou com essa afirmação.

desigrejados 2Temos de refletir muito bem sobre o que lemos por aí antes de acreditarmos naquilo e sairmos reproduzindo. E uma reflexão aprofundada sobre “Quem sai da igreja por causa de pessoas nunca entrou lá por causa de Jesus” me dá a nítida ideia que quem diz essa frase segue e deseja propagar o seguinte raciocínio: se um indivíduo se desgarrou do rebanho porque foi ferido, magoado, traído ou ofendido de algum modo por membros ou líderes da igreja, o problema não foi o que fizeram com ele, mas a fé inexistente dele em Cristo – e, portanto, podemos deixar esse “infiel” para lá. Se concordamos com essa frase, estamos acreditando que a pessoa em questão era um falso convertido, um simpatizante mas não praticante do evangelho. Em outras palavras, estamos tomando para nós o poder divino de perscrutar corações e afirmar quem é salvo e quem não é. Se eu assinar embaixo dessa frase, vou deixar de desejar que líderes opressores parem de oprimir os membros da igreja, ou que irmãos e irmãs que ferem irmãos e irmãs percebam seu erro, se arrependam e mudem. Pois estarei pondo toda a responsabilidade na conta do ofendido. Afinal, ele “nunca entrou lá por causa de Jesus”. O que é um absurdo.

Pense em Pedro. Naturalmente, a igreja como existe hoje não existia na época de Cristo, mas creio que podemos fazer uma boa analogia entre os “desviados” de hoje e o apóstolo no episódio em que ele negou Jesus. Se entendermos que “estar na igreja” é um equivalente a “caminhar em fidelidade aos princípios comuns à fé cristã”, podemos considerar que Pedro, ao trair Jesus três vezes, “deixou a igreja”. Ele negou o Salvador. E – repare –  o fez por causa de pessoas, com medo dos que disseram que ele era um cristão. Logo, pelo pensamento em questão, Pedro nunca fez parte “da igreja” por causa de Jesus. E sabemos que isso simplesmente não é verdade. Simão apenas fraquejou por um tempo, devido a problemas com as pessoas ao seu redor. Posteriormente, arrependeu-se, foi perdoado pelo Senhor e convocado a se tornar um pastor do rebanho de Cristo. Tenho consciência de que essa não é uma analogia perfeita, mas penso que passa uma visão bem honesta do quanto a afirmação do título deste post não condiz com a realidade.

“Que vos parece? Se um homem tiver cem ovelhas, e uma delas se extraviar, não deixará ele nos montes as noventa e nove, indo procurar a que se extraviou? E, se porventura a encontra, em verdade vos digo que maior prazer sentirá por causa desta do que pelas noventa e nove que não se extraviaram. Assim, pois, não é da vontade de vosso Pai celeste que pereça um só destes pequeninos” (Mt 18.12-14). Eu leio isso e, dentro do contexto da passagem, fico imaginando se Jesus diria à ovelha perdida: “Olha só, se você se extraviou do resto do rebanho porque algumas dentre as outras 99 ficaram te mordendo, dando coices e esfolando sua lã, é porque você nunca fez parte do rebanho”. Sinceramente, você consegue imaginar o mesmo Messias que ensinou a parábola da dracma perdida e do filho pródigo dizendo isso? Eu não.

desigrejados 3Quem reproduz essa frase está dando as costas para a dor do próximo. Para os sentimentos das pessoas. Para a humanidade dos seres humanos. É alguém que não consegue chorar com os que choram. Que não entende a dor que é para um cristão ser traído por um sacerdote, ao ter os pecados que confessou a ele serem vazados para outras pessoas, ou ao ser perseguido dentro da igreja por discordar de forma legítima e ética da liderança. Que não empatiza com um irmão que foi maltratado por pessoas da igreja. Que não compreende como sofre alguém que é machucado no lugar onde deveria ser abraçado, cuidado e tratado. Jesus se revela por sua Palavra, que ecoa nas atitudes das cartas vivas que deveríamos ser nós, cristãos (2Co 3.2-3); porém, se essas cartas não tiverem a letra e a cor da tinta de Cristo, como querer que os feridos e magoados enxerguem o mesmo Cristo no lugar onde elas estão? Em outras palavras, se quem deveria ser o sal da terra não salga e a luz do mundo não brilha, a culpa é de quem sofreu danos infligidos por esse sal que arde e essa luz que queima?

É claro que compreendo que um cristão sólido suportará pedradas e açoites. O cristão alicerçado na rocha ficará firme nas tempestades e nos vendavais, será lançado aos leões e entregará o pescoço à espada por amor ao Senhor. A Bíblia afirma isso e não sou eu quem vai discordar. Mas o que parece que os adeptos dessa frase sem coração se esquecem é que muitos e muitos dos que são enxotados da igreja “por pessoas” estão em início de caminhada de fé, ou ainda estão em desenvolvimento, não ganharam ainda tônus espiritual para aguentar as pancadas que sofreram no seio da igreja. Se para alguém que conhece Cristo há muitos anos e em profundidade já é difícil aguentar maus exemplos e más atitudes de líderes e irmãos, que dirá para quem ainda está em processo de conhecimento de Cristo e de aprofundamento de raízes.

desigrejados 4Meu irmão, minha irmã, temos de ser compassivos; isto é, de sentir em nós o sofrimento dos que estão sofrendo e não de ficar questionando a fé de quem já foi profundamente machucado por quem se diz cristão. Nosso papel como embaixadores de Cristo é sermos instrumentos de Deus para levantar o caído, restaurar o destruído, sarar o doente de alma, buscar o perdido. Jamais agir como essa frase cruel propõe. Fica aqui minha proposta para quem acredita que “Quem sai da igreja por causa de pessoas nunca entrou lá por causa de Jesus“: em vez de largar para lá esse indivíduo precioso e questionar a fé dele, parta em seu socorro e seja você aquele que mostrará que Cristo não é como aquelas pessoas que o feriram. Garanto que, assim, você estará agindo de modo muito, mas muito mais cristão – e poderá ajudar a cobrir uma multidão de pecados: “Acima de tudo, porém, tende amor intenso uns para com os outros, porque o amor cobre multidão de pecados” (1Pe 4.8). Faça parte do grupo dos que dão de comer a quem tem fome e não dos que negam alimento a quem agoniza, faminto, à beira da estrada.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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compartilhar 1Desde que retornei ao facebook, tenho visto com frequência aquele tipo de postagem em que o autor escreve coisas como “Se você gostou, compartilhe”, “#Compartilhe”, “Se achou o animal escondido na foto, compartilhe”. Confesso que me soa bastante estranho isso, pois entendo que o gesto de se compartilhar algo que você considera abençoador ou edificante deve ser espontâneo, uma atitude voluntária de alguém que julga que vale a pena compartilhar determinada postagem do facebook. Compartilhar porque alguém mandou é mais ou menos como aqueles momentos constrangedores na igreja, em que quem está conduzindo o culto nos diz para virar para o lado e dizer a pessoas que não conhecemos frases como “eu te amo” ou algo do gênero. Confesso que o faço com certo embaraço, pois penso que demonstrações de amor e similares não têm valor algum se não forem espontâneas. Por isso, é incômodo quando alguém de certo modo “manda” que compartilhemos algo nas redes sociais. Pensar sobre isso me fez refletir sobre o ato de compartilhar como um todo, em diferentes âmbitos da vida.

Compartilhar faz parte da caminhada cristã. A expressão máxima da importância desse gesto encontramos na celebração da Ceia, quando compartilhamos o pão e o vinho. Muitos acham que a Ceia resume-se à ingestão desses elementos, mas não é verdade: a beleza do memorial do sacrifício de Cristo está no fato de que o fazemos em comunidade, no meio do grupo, o que demonstra um sentimento de coletividade, de corpo. Membros de um corpo precisam estar conectados, senão o que temos é uma aberração, um corpo desmembrado. Assim, a Ceia é muito mais do que ingerir pão e vinho: é fazê-lo de modo compartilhado.

compartilhar 2O evangelho nos manda compartilhar o tempo todo, mas sempre de modo voluntário. Jesus elogiou a senhora que compartilhou suas poucas moedinhas com o templo. A descrição da Igreja primitiva mostra como seus membros compartilhavam de coração tudo o que tinham: “Da multidão dos que creram, uma era a mente e um o coração. Ninguém considerava unicamente sua coisa alguma que possuísse, mas compartilhavam tudo o que tinham” (At 4.32). Quando Ananias e Safira mentem ao Espírito Santo no compartilhar daquilo que venderam, seu senso de “obrigação” é considerado pecado e acaba provocando a morte de ambos. Ao escrever aos cristãos de Roma, Paulo revela uma disposição voluntária de espírito ao dizer: “Anseio vê-los, a fim de compartilhar com vocês algum dom espiritual, para fortalecê-los” (Rm 1.11). Já aos crentes de Corinto, o apóstolo mostra-se esperançoso de que eles compartilhem de seu sentimento (repare que ele não impõe, mas anseia, o que demonstra que ele espera uma atitude espontânea): “Estava confiante em que todos vocês compartilhariam da minha alegria” (2Co 2.3). Mais do que tudo, compartilhar é um gesto de generosidade e, por definição, generosidade é algo que ocorre sem obrigações: “Por meio dessa prova de serviço ministerial, outros louvarão a Deus pela obediência que acompanha a confissão que vocês fazem do evangelho de Cristo e pela generosidade de vocês em compartilhar seus bens com eles e com todos os outros” (2Co 9.13).

Devemos compartilhar. O quê? Tudo o que for possível. Compartilhar nossos bens com os que têm menos, compartilhar nossas alegrias com quem conosco se alegra, compartilhar nossas tristezas em busca de consolo, compartilhar o evangelho por amor aos perdidos, compartilhar nosso tempo com quem precisa de nós, compartilhar nossos momentos com o Deus que gosta de conversar conosco, compartilhar esperança com os abatidos, compartilhar a paz que temos com os atribulados. Cristo compartilhou a vida eterna conosco, é importante lembrarmos. Mas tudo isso deve ter como única motivação um coração generoso e uma disposição voluntária. Eu ousaria parafrasear a famosa passagem de João 3.16-17 e apresentá-la de uma outra perspectiva, dizendo que Deus tanto amou o mundo que compartilhou com esse mesmo mundo seu Filho Unigênito, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna. Pois Deus compartilhou seu Filho com o mundo, não para condenar o mundo, mas para que este fosse salvo por meio dele.

Perceba o que motiva Deus a compartilhar conosco o seu Filho: “tanto amou o mundo”. Amor. E amor não se impõe.

compartilhar 3Acho muito estranho mandar que alguém compartilhe algo, simplesmente porque, em essência, compartilhar implica em iniciativa própria. Por isso, por exemplo, nunca pedi a ninguém que compartilhasse no facebook o que posto. Tudo bem que criei minha página nessa rede social somente há poucas semanas, então deixe-me pegar este blog como exemplo. Desde que criei o APENAS, em maio de 2011, nunca pedi a nenhum leitor que compartilhasse com ninguém os textos que aqui escrevo. Embora haja ao final de cada post um botão de “compartilhar no Facebook” a postagem (inserido automaticamente pelo WordPress, não por mim), jamais solicitei a ninguém que o fizesse, tampouco pedi a nenhum assinante que enviasse por e-mail para os seus amigos os posts que recebem. Também nunca pedi a quem quer que fosse que se tornasse assinante do blog.

E há em meu coração uma razão clara para isso: desde o nascimento do APENAS, oro constantemente a Deus para que as reflexões que aqui compartilho por amor só sejam compartilhadas pelos leitores com seus amigos se for igualmente por amor a eles, mediante o toque do Espírito Santo. Jamais quero que seja algo imposto,  forçado ou solicitado. Se não fosse assim, minha escrita não seria feita por amor a você, que me lê; e o seu compartilhamento do que escrevo não seria feito por amor às pessoas que você deseja que leiam os textos. Abençoar não pode nunca ser uma decisão imposta. Abençoar é um gesto voluntário de amor. Por isso, se posso pedir algo é: por favor, jamais compartilhe qualquer post do APENAS pelo facebook, por e-mail ou pelo meio que for se você não tiver como motivação amor e desejo voluntário e sincero de abençoar.

cor 8Do mesmo modo, recomendo que você jamais compartilhe absolutamente nada por obrigação. Compartilhe sempre com um coração generoso – sejam sentimentos, sejam bens, sejam palavras, seja tempo, seja sua companhia, seja o que for. Pois esse é um princípio bíblico: “Cada um dê conforme determinou em seu coração, não com pesar ou por obrigação, pois Deus ama quem dá com alegria” (2Co 9.7). Devemos compartilhar alegres; jamais contrariados. E, nesse sentido, precisamos estar constantemente em sintonia com o Senhor, por meio de oração e do estudo das Escrituras. Pois, assim, teremos intimidade com ele e, naturalmente, a generosidade que Deus carrega em si se manifestará em nós e por meio de nós.

Compartilhe essa ideia. Se quiser, é claro, e não porque eu te disse para fazer isso.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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Successful-PeopleTodo mundo quer ter sucesso. Isso é um problema? De modo algum, é um desejo lícito. Almejar ser bem-sucedido, aliás, é parte da natureza humana, ninguém faz qualquer coisa para que dê errado e fracasse. Então, se você busca o sucesso, saiba que não está pecando nem cometendo nenhum mal. Só tem um enorme porém: temos de entender exatamente o que significa “sucesso” para um cristão, isto é, o que a Bíblia define ser um cristão bem-sucedido. Será que sucesso para um filho de Deus é a mesma coisa que para um não cristão? Quando fui buscar uma imagem para ilustrar este post fiz um acordo comigo mesmo: eu escreveria sucesso no Google e a primeira foto que surgisse nos resultados da pesquisa eu utilizaria. Pois a primeira fotografia que apareceu foi essa aí: um  homem no topo de uma montanha, braços erguidos, celebrando uma conquista do ego, algo obtido por seus próprios esforços, um feito que possivelmente lhe trará fama e fortuna. Outras imagens semelhantes surgiram no topo da página e serão as que utilizarei ao longo deste texto. Para pensarmos sobre o conceito cristão de sucesso, vou iniciar com um exemplo pessoal, que deflagrou esta reflexão.

Tenho refletido muito sobre essa questão de “sucesso” devido a algo que ocorreu semana passada: meu novo livro, Perdão Total – Um livro para quem não se perdoa e para quem não consegue perdoar esgotou a primeira edição, de 5 mil exemplares, apenas 17 dias após o lançamento oficial e menos de 30 dias após o lançamento real. Para que você entenda, no meio literário isso é um fato raro para obras de um autor desconhecido como eu, que não tem fama ou celebridade. Pois bem, quando a notícia foi divulgada, comecei a ouvir muitas vezes a palavra “sucesso”. No meu perfil no facebook (facebook.com/mauriciozagariescritor), irmãos e irmãs carinhosamente me deixaram recados celebrando esse “sucesso”. Um programa de rádio quis me entrevistar “devido ao sucesso do livro”, como o apresentador mesmo disse. Amigos que me encontraram pessoalmente gentilmente me parabenizaram pelo “sucesso”. Então essa coisa de “sucesso” começou a pipocar diante de mim nesses últimos dias e, naturalmente, passei a refletir sobre o assunto.

sucessoA pergunta é: a boa vendagem do meu livro em tão pouco tempo representa sucesso? A conclusão a que cheguei é: não. Pois entendo que sucesso depende da sua motivação e do seu objetivo ao realizar algo. Fui ao dicionário olhar e vi que a definição de “sucesso” é: “Resultado de ação ou empreendimento”. Ou seja, se um escritor lança um livro com a meta de ganhar o máximo de dinheiro que puder, tornar-se mais conhecido, receber elogios que alimentem sua vaidade e outros benefícios mundanos como esses, vender 5 mil exemplares em menos de um mês pode ser, sim, considerado sucesso, pois o resultado desse empreendimento atendeu ao desejo do coração do escritor. Mas, se a motivação dele ao escrever um livro é que os leitores sejam transformados, recebam alívio para seus fardos, entendam melhor o evangelho, alcancem paz de espírito e vivam de modo mais conformado a Cristo, vender muitos ou poucos exemplares não fará a menor diferença: o que realmente determinará o seu sucesso é se o conteúdo da obra, a sua mensagem, alcançou e transformou vidas – independentemente da quantidade de exemplares vendidos. Logo, segundo esse pensamento só poderei me considerar um autor de sucesso se eu vier a ouvir relatos de pessoas que conseguiram perdoar ou se perdoar por causa do que leram no Perdão Total. Aí, sim, minha oração será “Obrigado, Senhor, porque o livro foi um sucesso”.

Esse exemplo pessoal se aplica a tudo aquilo que realizamos. Permita-me te perguntar: por que você faz o que faz? Quais são as motivações do seu coração ao ir para o trabalho, ao estudar na escola, ao ir à igreja, ao pregar no púlpito, ao servir na obra de Deus, ao escrever em um blog, ao postar textos e fotos no facebook, ao pedir ao Senhor um(a) namorado(a), ao acordar pela manhã e viver mais um dia? Só ao responder com sinceridade essas perguntas você poderá determinar se é uma pessoa de sucesso ou não. Mais ainda: se somos cristãos, a nossa motivação sempre, sempre e sempre deve ser ajustada aos padrões bíblicos. Portanto, resultados positivos de empreendimentos que realizamos não farão de nós pessoas bem-sucedidas caso estejam em desacordo com a vontade de Deus. Permita-me dar alguns exemplos.

sucesso0O mundo estabelece como um dos principais fatores determinantes de sucesso o enriquecimento financeiro. Mas Jesus disse: “Não acumuleis para vós outros tesouros sobre a terra, onde a traça e a ferrugem corroem e onde ladrões escavam e roubam; mas ajuntai para vós outros tesouros no céu, onde traça nem ferrugem corrói, e onde ladrões não escavam, nem roubam” (Mt 6.19-20). Diante disso, se você estabelece como meta na vida ajuntar tesouros na terra, sem se preocupar em ajuntar tesouros no céu, por mais que se torne um bilionário você será um fracassado. Outro exemplo: a Bíblia estabelece numerosas vezes que o padrão cristão é não devolver mal com mal. “Não torneis a ninguém mal por mal; esforçai-vos por fazer o bem perante todos os homens” (Rm 12.17); “Evitai que alguém retribua a outrem mal por mal; pelo contrário, segui sempre o bem entre vós e para com todos” (1Ts 5.15); “Quanto àquele que paga o bem com o mal, não se apartará o mal da sua casa” (Pv 17.13). Assim, por mais que alguém se considere bem-sucedido por ter conseguido se vingar de uma pessoa que lhe fez mal, diante de Deus ele será um grande fracasso.

sucesso2Os exemplos seriam muitos. Mas acredito que podemos resumir tudo o que a Bíblia define como sucesso em um único versículo: “Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus” (1Co 10.31). Assim, faça você o que fizer, se lucrou financeiramente, obteve fama, foi elogiado, recebeu aplausos ou o que for, mas não realizou seus empreendimentos tendo como finalidade primordial a glória de Deus… considere-se um enorme fracassado. Por outro lado, se você trabalha, estuda, produz, canta, prega, escreve, se casa, fatura, labuta na obra do Senhor ou faz qualquer outra coisa com a motivação de glorificar a Deus, então todas as suas conquistas serão estrondosos sucessos. E o que é glorificar a Deus? Em essência, é cumprir o grande mandamento: amá-lo sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. Portanto, tudo o que você realiza por amor ao Pai celestial e por amor ao seu próximo representa glória para o Senhor e faz de você um sucesso total.

E nunca podemos nos esquecer de uma realidade suprema: qualquer sucesso que tenhamos não é nosso, é de Deus. Tiago foi no cerne dessa verdade: “Toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança” (Tg 1.17). Se o seu “sucesso” te envaidecer ou te fizer orgulhoso, soberbo ou altivo, você é o maior dos fracassados, pois está se vangloriando por algo que nem mesmo é mérito seu: é fruto da graça de Deus.

sucesso5Escrevo livros e posts deste blog para abençoar a sua vida e tentar ajudar de algum modo a conformá-lo mais à imagem de Cristo. E faço isso por amor a Deus e por amor a você. Se meus escritos alcançam essa meta, então pode me considerar um homem de sucesso, a despeito de quantos de meus livros forem vendidos e de quantos assinantes tiver este blog. Isso é o que vale para mim. E para você? O que você faz tem por motivação Deus e o próximo ou sua própria vaidade ou o amor por si mesmo, pela fama e a fortuna? Responda isso com toda sinceridade e você descobrirá se é bem-sucedido ou um fracassado. Ah, sim, e para terminar este texto, deixei por último uma imagem do que eu considero sucesso para uma pessoa – não segundo o Google ou o senso comum da sociedade, mas segundo a Bíblia sagrada. Compare esta última foto com as demais que ilustram este post e diga qual representa mais “sucesso” para você. A sua escolha vai dizer muito sobre os conceitos que norteiam a sua vida.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Mauricio Zágari

< Enquanto a segunda edição não chega da gráfica, o livro está disponível on-line na loja virtual da Saraiva: http://www.saraiva.com.br/perdao-total-8187731.html >

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