Arquivo da categoria ‘Felicidade’

Uma grande parte dos divórcios ocorre porque a pessoa não suporta atitudes, posturas, pensamentos, prioridades e gostos do cônjuge. Em geral, quando isso acontece, a separação é justificada como “incompatibilidade de gênios”, um termo elegante que, em outras palavras, quer dizer: “eu não aguento mais tantas coisas que meu cônjuge faz e que me incomodam ou o jeito dele de ser”. Eu me entristeço quando isso ocorre, porque, sem se dar conta, tais pessoas estão desperdiçando oportunidades extraordinárias de cumprir o propósito primordial e bíblico do casamento. Falemos um pouco sobre isso.

Para que nós casamos? Essa pergunta é fundamental, pois, sem respondê-la biblicamente, seremos guiados em nossa vida conjugal por razões diferentes das do Criador. Uma resposta muito comum é: “Eu casei para ser feliz” – e essa é uma resposta errada. Ao ler isso, você imediatamente tenta outra alternativa e parte, então, para aquela frase que virou moda no meio evangélico: “Eu não casei para ser feliz, mas para fazer meu cônjuge feliz”. O grande problema é que essa também é a resposta errada. Por quê? Simplesmente porque ela não é bíblica. Se você está chocado por ler isso, eu pergunto: onde na Bíblia está dizendo que você casou para fazer seu cônjuge feliz? Pode procurar, e garanto que você não encontrará tal afirmação na Escritura. Até porque ela é uma invenção humana.

Claro que você não casa para ser infeliz ou para fazer seu cônjuge infeliz. Isso é óbvio. Deixar o cônjuge feliz é parte do mandamento de amar o próximo e buscar a própria felicidade é algo inerente ao ser humano. A grande questão é que a felicidade conjugal é consequência do casamento e não causa para se casar. Entenda, para não me compreender mal: a felicidade não deve ser a motivação de se subir ao altar, mas ela será um resultado natural de um matrimônio realizado pelas razões certas e bíblicas.

Diante disso, surge a pergunta: se a felicidade não é a motivação bíblica para alguém casar, qual é? Paulo é quem nos dá a resposta: “E sabemos que Deus faz todas as coisas cooperarem para o bem daqueles que o amam e que são chamados de acordo com seu propósito. Pois Deus conheceu de antemão os seus e os predestinou para se tornarem semelhantes à imagem de seu Filho, a fim de que ele fosse o primeiro entre muitos irmãos” (Rm 8.28-29). Eis a verdadeira razão para alguém casar: ser cada vez mais semelhante ao Filho, Jesus Cristo.

Tudo, absolutamente tudo, o que passamos nesta vida tem como função nos tornar cada vez mais parecidos com Cristo. O sofrimento tem essa função primordial. Os relacionamentos também. As conquistas. As perdas. As alegrias. As tristezas. As tragédias. As bênçãos.

E o casamento.

Deus não estabeleceu que casássemos com anjos. Ele fez a mulher da costela do homem, isto é, casamos com pessoas que carregam a mesma essência errante, as mesmas imperfeições que nós. É de admirar que pessoas tão imperfeitas como eu e você acreditemos que vamos casar com gente perfeita, que fará tudo do jeitinho que queremos, que não nos chateará, que será gentil como nós não somos, pacientes como nunca seremos, autocontrolados como eu e você nunca fomos, cônjuges espetaculares como ninguém jamais é. A verdade é que muitos divórcios ocorrem porque casamos acreditando na propaganda enganosa de que seremos “felizes para sempre” e que nosso cônjuge será diariamente um exemplo de marido ou mulher.

E é evidente que não estou me referindo a situações extremas, como a de maridos que espancam a esposa ou mulheres que vivem se deitando com outros homens. Refiro-me a imperfeições comuns, a defeitos naturais, a posturas idiossincráticas como todos nós temos. Abusos, crimes, agressões e outros desvios de conduta, caráter e moral são excessos inaceitáveis. Minha reflexão trata dos defeitos comuns e naturais a todos nós, que isso fique muito claro.

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Se casamos contando com a perfeição do cônjuge, sendo que nós mesmos nunca fomos, somos ou seremos perfeitos, é óbvio que acabaremos decepcionados com o casamento. O segredo, então, é nos darmos conta de que Deus já idealizou o matrimônio consciente de nossa imperfeição. Ele sabia desde o princípio que absolutamente todo casamento seria imperfeito, visto que formado por um homem e uma mulher imperfeitos – e, na verdade, contava com isso. Como assim? Eu explico.

Para que você seja assemelhado cada vez mais a Cristo, precisa ser lapidado e aperfeiçoado naquilo que o diferencia de Cristo. Assim, para que se torne mais amoroso, o casamento vai desafiá-lo a amar um cônjuge que muitas vezes você tem vontade de esganar. Para que seja cada vez mais paciente, seu casamento o exercitará diariamente na arte da paciência. Para que seja manso como Cristo é manso, conviver com seu cônjuge exigirá de você um exercício constante de mansidão. E assim por diante. A realidade é que conviver dia após dia, ano após ano, década após década com alguém pecador, difícil, briguento, cabeça dura, cheio de defeitos e imperfeições que você detesta é um exercício no qual você é aperfeiçoado na medida em que supera cada dificuldade, tal qual uma faca que é raspada constantemente numa pedra de amolar: ela sofre atritos perenes, mas é justamente graças a esses atritos que ela vai sendo afiada. O casamento tem essa função: nos afiar dia após dia, para que nos tornemos cada vez mais próximos do padrão de Cristo. “Como o ferro afia o ferro, assim um amigo afia o outro” (Pv 27.17).

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Para que Paulo não afundasse na arrogância (um câncer espiritual da pior espécie), Deus permitiu que ele vivesse por anos com um espinho na carne, algo que o atormentava (2Co 12.1-10). Esse exemplo bíblico deixa claro que Deus muitas vezes usa algo que nos é incômodo a fim de nos guindar a uma posição espiritualmente mais elevada e aperfeiçoada.

Pense no seu cônjuge. Fica agora a sugestão: em vez de enxergá-lo como um poço de defeitos incômodos, um fardo desagradável a ser carregado, procure vê-lo como um campo de treinamento, no qual você sua e se esforça para ser cada vez mais amoldado à semelhança de Cristo. Use cada oportunidade. Aproveite cada situação. Desfrute de cada chateação. E glorifique a Deus por ter um cônjuge tão imperfeito, pois é ao ser lapidado no contato diário com essa imperfeição que você é trabalhado pelas mãos do Senhor a fim de ficar cada vez mais parecido com Jesus, o Filho de Deus.

E, acredite, seu cônjuge também. Afinal, você não é tão bom quanto pensa.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >
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Abrir mão é um dos maiores desafios que a nossa fé nos propõe. Não se engane: se você quer ser um bom cristão terá de abdicar de muitas e muitas coisas. Frequentemente, coisas que lhe trariam muitos benefícios. É interessante pensar que, ao fazer isso, você se aproxima de Cristo e reproduz o padrão divino; afinal, quando o Criador se fez humano para viver entre uma humanidade que não merecia nada, ele estava, exatamente, abrindo mão de sua glória celestial para se tornar como um de nós – por amor a nós. Assim, quando você renuncia algo simplesmente porque é o certo e por amor ao Senhor, possivelmente vai sofrer enormes perdas e, com elas, virá certa dose de sofrimento. Mas eu gostaria de encorajá-lo a perder. Acredite: vai valer a pena, pois o que você ganhará com sua abnegação será algo de valor incalculável: a aprovação de Deus.

Em nossa sociedade, pôr o outro em primeiro lugar é visto como fraqueza, talvez tolice, para não dizer burrice. No evangelho não: “Então Jesus disse a seus discípulos: ‘Se alguém quer ser meu seguidor, negue a si mesmo, tome sua cruz e siga-me. Se tentar se apegar à sua vida, a perderá. Mas, se abrir mão de sua vida por minha causa, a encontrará’” (Mt 16.24-25). Portanto, abrir mão aos olhos de Deus é sinal de grandeza. É virtuoso. É nobre. Se for pelo bem do próximo, você trilhou o caminho mais excelente. Se for por amor a Cristo, você alcançou o coração de Deus.

Pode ser que você tenha aberto mão de um relacionamento afetivo por amor a Cristo. Ou de um emprego. Talvez um cargo de status. Ou de uma posição que lhe traria vantagens. Quem sabe, de uma oportunidade que lhe renderia ganhos, mas envolveria propinas ou fraudes. Também pode ter sido o caso de você ter se afastado de amigos que o arrastavam para práticas erradas, por mais que gostasse deles. Ou ainda, pode ser que  você tenha aberto mão de seu orgulho para perdoar alguém que não merecia seu perdão. Se você abriu mão de algo muito importante – muitas vezes à custa de sofrimento – por amor a Cristo, não pense que ele não valoriza o que você fez. Ele está ciente.

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Tudo de que você tem de abrir mão por amor a Jesus se converte em aprovação divina e, logo, em bênção para sua vida. “E todos que tiverem deixado casa, irmãos, irmãs, pai, mãe, filhos ou propriedades por minha causa receberão em troca cem vezes mais e herdarão a vida eterna” (Mt 19.29). O Senhor está falando aqui exatamente sobre abrir mão das coisas mais preciosas que podemos ter nesta vida por amor a ele.

Um homem rico procurou Jesus perguntando o que deveria fazer para herdar a vida eterna. Além de instá-lo a obedecer aos mandamentos, Cristo lhe disse: “Se você quer ser perfeito, vá, venda todos os seus bens e dê o dinheiro aos pobres. Então você terá um tesouro no céu. Depois, venha e siga-me” (Mt 19.21). Em outras palavras: “Se você quer ser perfeito, abra mão daquilo que considera mais precioso por amor a mim”. Mas aquele rapaz não estava disposto a abrir mão pelo Senhor. Resultado: saiu cabisbaixo, triste e sem a aprovação divina.

Em muitos momentos de sua caminhada você se verá frente a frente com situações em que terá de abrir mão de algo muito valioso para ser fiel ao seu Salvador. Enxugue as lágrimas, sacuda a poeira e vá em frente de cabeça erguida. Sem arrependimento. Sem olhar para trás. Sem pensar “como teria sido se…?”. Esqueça. Foi por amor a Deus? Então foi pela razão certa. No dia em que você entrar na glória do Pai, o abraço e o sorriso que receberá dele compensarão tudo.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >
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Meu irmão e minha irmã em Cristo, olá! Peço a sua licença para usar este espaço, hoje, não para compartilhar uma reflexão sobre a vida cristã, mas para lhe fazer dois convites, se me permite.

Convite 1

Amanhã, quinta-feira, dia 22/03, às 20h, farei uma live (transmissão de vídeo ao vivo) pela minha página pública do Facebook, a fim de trocar uma ideia sobre o projeto da Bíblia Sagrada Na Jornada com Cristo (para a qual eu e o editor Daniel Faria escrevemos estudos e reflexões), além de assuntos variados relacionados à Palavra de Deus: traduções da Bíblia, a Nova Versão Transformadora e qualquer outra dúvida ou curiosidade que você tenha sobre assuntos correlatos.

Uma boa notícia: vou sortear entre quem participar da live um exemplar da Bíblia Sagrada Na Jornada com Cristo (http://amzn.to/2DJV2PD), recém-lançada pela editora Mundo Cristão, que nos presenteou com esse exemplar especialmente para a live.

Caso você deseje, pode antecipar a sua pergunta entrando na minha página (facebook.com/mauriciozagariescritor) e escrevendo qualquer coisa que desejar saber nos comentários da postagem de 19/03 que tem essa foto aí do lado (da minha filhinha com exemplares da Bíblia). Será uma alegria trocar uma ideia com você sobre a Palavra de Deus e esse projeto tão especial que é a Bíblia Sagrada Na Jornada com Cristo !

Convite 2

Se você é do Rio de Janeiro ou de cidades vizinhas, gostaria de convidá-lo para o lançamento oficial da Bíblia Sagrada Na Jornada com Cristo, que vai acontecer em um café da manhã, no dia 07/04, às 10h, na livraria CPAD Megastore (R. Primeiro de Março, 8 – Centro, ao lado da Praça XV).

Na ocasião, vou fazer uma breve apresentação da obra, tirar dúvidas sobre a mesma e confraternizar com os irmãos e as irmãs que desejarem comparecer. Ficarei feliz de tomar um cafezinho com você lá, se quiser e puder aparecer para um momento de comunhão. Se for o caso, já ponha na agenda, para não se esquecer da data. 🙂

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Peço a Deus que a live no Facebook e o café da manhã na CPAD Megastore sejam momentos agradáveis e edificantes para você, nos quais possamos conversar, tirar dúvidas sobre a Palavra de Deus e a NVT, esclarecer curiosidades sobre a Bíblia Sagrada Na Jornada com Cristo e passar alguns momentos juntos. Raramente temos oportunidade de conhecer os manos e as manas com quem caminhamos junto aqui pelo blog APENAS e por isso considero preciosas oportunidades como essa. Até lá, se Deus quiser!

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >
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Esta semana Jesus comeu um bauru e bebeu refrigerante. Tudo aconteceu quando cheguei à igreja para o culto de domingo passado e encontrei Luan. Ele estava pedindo dinheiro na porta da igreja. “Qualquer trocadinho, para eu comer”, dizia. Menino mirradinho, de cabelos grandes e despenteados, pés descalços e uma crosta preta de sujeira em toda parte visível de sua pele mulata. Seu rosto era sisudo. Meu primeiro impulso foi fazer o que todo mundo faz, quase que por reflexo: ignorar, balançar negativamente a cabeça sem olhar nos seus olhos e seguir meu caminho. Mas minha esposa cutucou meu braço e meu senso de amor ao próximo: “Não pode dar nada a ele?”, questionou. Foi quando parei de enxergar aquele garoto como um incômodo e passei a ver nele o que ele verdadeiramente é: um ser humano, feito à imagem e semelhança de Deus.
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– Você está com fome? – indaguei.
– Estou. – respondeu.
– Você quer que eu te compre algo para comer?
– Quero.
– O que você quer?
– Um bauru. Tem ali na lanchonete x.
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Olhei para minha esposa e minha filha e pedi que elas seguissem para o culto, enquanto eu comprava o sanduíche para o menino. E assim foi.
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Comecei a andar com Luan até a lanchonete, a dois quarteirões dali. E fui puxando papo. Será que eu poderia dizer algo que contribuísse com sua vida e que fizesse a diferença para além de apenas matar momentaneamente a sua fome? Foi quando comentei que eu queria saber de sua vida. E ele, sempre com olhar sério, quis contar. Luan tem 12 anos. Nasceu no Complexo do Alemão, conjunto de comunidades carentes do Rio dominadas pelo tráfico de drogas. Filho de pais miseravelmente pobres, nascido numa família de cinco irmãos, sua história não é muito diferente da de milhares de outros meninos de rua que vivem debaixo das marquises de nosso Brasil. Perguntei há quanto tempo ele estava na rua.
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– Não sei, não lembro.
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Aquilo me impressionou. Ficou claro que Luan morava pelas ruas de Copacabana havia muito tempo. Calculei pelas informações que me deu que havia anos que perambulava pelas ruas.
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Perguntei como era a sua vida. Ele me fez um relato de rasgar um coração, sobre o qual não quero entrar em detalhes. Só me preocupei em ouvi-lo, um luxo que Luan não costuma ter – quem dá ouvidos para uma criança de rua? Quem quer ouvir criatura tão “desimportante” e potencialmente criminosa? Não é o que pensamos ao ver um “pivete” assim? Eu quis que ele falasse sobre sua vida, suas experiências, sua visão de mundo. E, nas minhas respostas, busquei fazer com que ele se enxergasse como indivíduo, como ser humano importante e valioso.
Na lanchonete, nos sentamos e ele pediu um bauru com refrigerante. Enquanto esperávamos a comida ficar pronta, passei a falar. Disse a ele que queria lhe contar a história da minha família. Contei sobre meus bisavôs, que migraram da Itália para o Brasil para ter o que comer, pois viviam em total miséria em sua terra natal – tanto que, quando minha bisavó Cristina morreu, os vizinhos tiveram de fazer uma vaquinha para pagar o enterro. Relatei a Luan a história de meu avô, que, sem estudo, trabalhou a vida toda como camelô, vendendo bilhetes de loteria federal. Com muito esforço, ele foi juntando dinheiro e conseguiu comprar quatro casinhas em Olaria, bairro de subúrbio no Rio de Janeiro, três das quais ele alugava para pagar os estudos de minha mãe. Expliquei a Luan como mamãe ralou a fim de se tornar professora, fazer mestrado, subir na vida e pagar meus estudos e os de meu irmão.
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Em resumo, tudo o que procurei lhe contar foi para que Luan percebesse que, se hoje tenho a possibilidade de ter dinheiro para lhe comprar um lanche, é porque pessoas de minha família não se conformaram com sua situação e se esforçaram, estudaram, trabalharam, foram à luta e, da miséria absoluta, conseguiram construir uma vida digna. Expliquei a Luan que estava contando isso como incentivo para que ele tomasse as atitudes que estão ao seu alcance para mudar sua realidade. Voltar para casa. Ir à escola. Fugir da vida de crimes. Aprender uma profissão honesta. Construir uma vida digna.
Sempre sério, ele ouviu tudo com atenção. Falamos até mesmo da importância da higiene e eu lhe disse que ele poderia tomar banho na igreja, se desejasse. Enfim, falei muito sobre muitas coisas para aquele menino de rua que sonha ser salva-vidas. Até que chegou a sua comida, para viagem.
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– Você promete que vai pensar no que te falei?
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– Prometo. Eu não quero viver na rua, não, moço, nem fazer parada errada. Quero ter meu dinheiro, minha casa e uma esposa. Filhos, não, mas uma mulher, sim.
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Apertei a mão imunda de Luan e lhe disse que, sempre que quisesse, poderia ir à igreja em cuja porta nos conhecemos e perguntar por mim, pois, se ele desejasse sair da rua, bastava falar e a gente se mexeria para ajudá-lo e tornar isso possível. Com o rosto sério como sempre, ele agradeceu, pensativo. E nos despedimos. Saí e parei na calçada, esperando o sinal de trânsito abrir, olhando Luan ir embora na direção oposta.
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Naquele momento, me vieram à mente aqueles pensamentos que assolam todos nós numa situação como essa: será que fui um otário? Será que algo do que falei adiantou de alguma coisa? Será que ele só me ouviu para ganhar a comida e se lixou para tudo o que eu disse? Será que, ao alimentar aquela criança, eu incentivei a mendicância e ajudei a piorar o problema? Será que perdi meu tempo? Dúvidas como essas inundaram meus pensamentos. Até que…
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Subitamente, Luan, já distante, parou. Olhou para trás. E, pela primeira vez, sorriu. Luan sorriu em minha direção e acenou com a mão, dando tchau. Eu sorri de volta e acenei com a mão no ar, enquanto ele prosseguia em seu caminho. Esse gesto de Luan teve um enorme significado. Se tudo aquilo foi inútil e ele só queria mesmo o prato de comida… não precisaria ter se virado. Muito menos dado aquele sorriso inédito. Percebi que seu gesto foi fruto de uma conexão verdadeira que se estabeleceu entre nós – algo que acontece sempre que um ser humano mostra para outro ser humano que ele é valioso e importante.
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Definitivamente, Luan  não precisava ter se conectado a mim por meio do sorriso e do aceno. Afinal, ele já tinha conseguido a comida. Foi quando percebi que, de algum modo, aquela conversa de fato teve nem que seja um pequenino efeito sobre a vida daquele menino, que o fez pensar em mim a ponto de interromper sua caminhada e buscar uma última conexão comigo – ou, melhor, com aquilo que representei para ele naquele momento.
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Voltei para a igreja. Cheguei quase no final do louvor, o que gerou uma certa culpa, mas, então, me dei conta de que, naquela meia-hora, Deus havia sido louvado por meio de minha vida como poucas vezes antes.
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Gosto de conversar sobre teologia. Faço isso com frequência. Mas, naquela meia-hora, tudo o que vivo discutindo intelectualmente com meus amigos ou mesmo com gente que não concorda com minhas opiniões teológicas caiu para segundo plano. Naquela meia-hora pelas ruas e em uma lanchonete de Copacabana, as discussões teológicas e ideológicas sobre Missão Integral ser ou não um caminho biblicamente ideal, sobre a oposição política entre a esquerda e a direita, sobre a intervenção militar no Rio de Janeiro e a violência, sobre as causas e as soluções para a miséria, enfim, todas as minhas discussões intelectuais sobre temas que têm a ver com a realidade de gente como Luan se resumiram a uma coisa:

“Então o Rei dirá aos que estiverem à sua direita: ‘Venham, vocês que são abençoados por meu Pai. Recebam como herança o reino que ele lhes preparou desde a criação do mundo. Pois tive fome e vocês me deram de comer. Tive sede e me deram de beber. Era estrangeiro e me convidaram para a sua casa. Estava nu e me vestiram. Estava doente e cuidaram de mim. Estava na prisão e me visitaram’. Então os justos responderão: ‘Senhor, quando foi que o vimos faminto e lhe demos de comer? Ou sedento e lhe demos de beber? Ou como estrangeiro e o convidamos para a nossa casa? Ou nu e o vestimos? Quando foi que o vimos doente ou na prisão e o visitamos?’. E o Rei dirá: ‘Eu lhes digo a verdade: quando fizeram isso ao menor destes meus irmãos, foi a mim que o fizeram.’” (Mt 25.34-40).

Por que estou lhe relatando essa história e deixando minha mão esquerda saber o que minha direita fez? Porque gostaria imensamente que você vivenciasse o que vivi naquela meia-hora. Muitos cristãos acham que a emoção maior da vida com Deus é sentir arrepios na hora do louvor, saltitar de alegria com uma boa pregação e coisas assim. Se é o seu caso, permita-me dizer-lhe que não há emoção espiritual maior do que dar um bauru a Cristo manifestado na forma de uma pessoa imunda e faminta. Mais do que isso: instruir essa pessoa, ajudá-la a evoluir, fazer algo concreto no sentido de que ela cresça e consiga mudar a trajetória de sua existência.

Amar os necessitados e agir em favor deles não tem nada a ver com a sua ideologia política, com ser de esquerda ou de direita: tem a ver com quanto você vive a caridade cristã em sua vida, como decorrência do amor que há em seu coração. “Se um irmão ou uma irmã necessitar de alimento ou de roupa, e vocês disserem: ‘Até logo e tenha um bom dia; aqueça-se e coma bem, mas não lhe derem alimento nem roupa, em que isso ajuda? Como veem, a fé por si mesma, a menos que produza boas obras, está morta” (Tg 2.15-17). Lembre-se, sempre: nenhum pequeno gesto, nenhuma palavra de edificação, nenhum copo d´água são pouca coisa para alguém em necessidade quando é feito com amor cristão.
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Você poderia me perguntar: e por que você não aproveitou e evangelizou aquele menino? E eu lhe responderia: e não foi exatamente isso o que eu fiz ao alimentá-lo, amá-lo com conselhos práticos para uma mudança de vida, ouvi-lo com real preocupação e interesse por sua vida? Enquanto esperávamos o bauru ficar pronto, perguntei a Luan o que mais entristecia seu coração. Ele respondeu: “Quando as pessoas passam por mim e fingem que não estão me vendo”. E eu, um cristão que se encontrou com ele na porta de uma igreja, me importei não só em olhar para ele, mas, também, em querer saber o que se passava no seu coração e em dar-lhe dignidade como ser humano. Será possível que alguém é capaz de achar que isso não disse a ele nada sobre o amor cristão?
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Amar como Cristo amou não exige muito. O cristianismo é descomplicado. O evangelho se traduz em pouca coisa. A teologia acadêmica só faz sentido se você é capaz de pegar tudo o que aprendeu ao longo de quatro ou mais anos de estudos e usar tudo aquilo para comprar um bauru para uma criança faminta. Faça isso! Não deixe de se aprofundar na fé, na teologia, no conhecimento das doutrinas centrais dos ensinamentos de Cristo; mas se não conseguir botar o pé no chão e traduzir toda a sua bagagem de conhecimentos em dar pão a quem tem fome, dar água a quem tem sede e chorar com quem chora… todo tempo, dinheiro e energias investidos em aquisição de conhecimento foram vaidade e correr atrás do vento.
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A verdade, meu irmão, minha irmã, é que, sim, eu dei comida a Luan naquele dia. Mas quem saiu maravilhosamente bem alimentado daquele encontro fui eu. E quem saiu de lá glorificado foi aquele que concede a mim e a você a dádiva de conseguir derramar uma lágrima quando o nosso próximo sente fome, sede, dor, frio e tristeza. Porque eu desconfio seriamente que o sorriso que recebi ao final do meu encontro com Luan veio diretamente dos lábios de Jesus de Nazaré…
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Ontem desci ao Aterro do Flamengo a fim de brincar com minha filha. Chegamos e ela logo correu para as árvores em que gosta de subir. Em pouco tempo, havia mais umas cinco crianças ao redor dela, fazendo as árvores de trepa-trepa, interagindo e gritando, empolgadas. Foi quando chegou o P.

Não demorou muito para ficar claro que P. era um menino especial, com algum tipo de deficiência mental. Ele gaguejava, apresentava diversos tiques nervosos e tinha um olhar estrábico. Na mesma hora, seu jeito diferente fez com que as crianças se afastassem dele. E P. ficou só.

Sem que eu dissesse nada, Laura se aproximou de P. Ele a observava com certa admiração, pelo fato de minha filha estar em um galho bem alto. “Menina, como você está alto! Eu tenho medo de subir. Eu tenho medo. Tenho medo”, confessou P. Foi quando Laura começou a incentivá-lo a subir, explicando como segurar, onde pisar, como não ralar o joelho na casca grossa da árvore. “Vem, P.!”, encorajava ela. “Tenho medo!”. “Vem, você consegue!”

Os quarenta minutos seguintes foram puro deleite para meu coração de pai. Laura fez de tudo para que P. saísse do chão e a seguisse (ele é o menino de camisa amarela na foto). E conseguiu. Aos poucos, ele foi tomando coragem e, meio rastejando, meio escalando, foi ascendendo, galho a galho. Cheguei perto da avó de P., que o havia trazido de Mesquita para passear no Aterro, e puxei papo. Ela estava feliz, pois me disse que, geralmente, as crianças se afastavam de seu neto, por o considerarem “meio esquisito”, e nunca tinha visto nenhuma criança se dedicar tanto para fazê-lo se sentir parte da brincadeira, do grupo. Enquanto isso, Laura prosseguia encorajando P. “Vem, você consegue! Olha, faz como eu, pisa aqui e segura ali. Vai que dá!”.

Eles ficaram um bom tempo brincando nos galhos. Até que chegou a hora de partir. No momento em que chamei Laura para voltarmos para casa, P. escalava galhos mais altos, com um olhar de júbilo e orgulho no rosto. Sua avó estava encantada com o ineditismo daquilo. “Ele nunca vai se esquecer deste momento”, disse, com boa dose de emoção. Na hora em que ouviu meu chamado, P. demonstrou certa aflição. Ele não queria que minha filha fosse embora. Veio me pedir que deixasse ela ficar mais tempo, mas, infelizmente, eu tinha um compromisso e precisava partir.

Quando viu que Laura ia embora mesmo, P. desceu da árvore que até pouco tempo antes era um himalaia de impossibilidades, deu uma corridinha até ela e lhe deu um abraço apertado e demorado. Sorri. Sua avó me lançou um olhar constrangido, mas eu fiz um gesto demonstrando que não se preocupasse. E partimos.

Na vida, muitas vezes somos como aquele menino. Inseguros. Solitários. Incertos. Cheios de traumas e rejeições. Olhamos para os galhos mais altos e nos consideramos incapazes de subir. Desanimamos. Deprimimos. E nos acovardamos. Precisamos desesperadamente de alguém que nos encoraje, mas as pessoas ao redor parece que só se afastam.

É quando olhamos para o alto e vemos alguém que nos diz: “Vem, você consegue!”. Sem encorajamento, falta-nos a força para dar o primeiro passo. Mas, ao percebermos como nosso encorajador se importa conosco, está conosco e nos apresenta os caminhos certos, encontramos as forças necessárias. Ele é segurança. Ele é confiança. Ele nos dá a paz de que necessitamos. Ele nos faz acreditar que, se seguirmos seus passos, conseguiremos. E, encorajados, subimos. E conseguimos.

A verdade é que nosso encorajador nos dá aquilo que, sozinhos, jamais teríamos: fé. A fé que, se estiver em sintonia com sua soberana vontade, nos fará subir aos galhos mais altos.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

O ser humano é curioso: por um lado, queremos que muita coisa permaneça como sempre foi. Por outro, precisamos constantemente de inovação, novidade, renovação. Algumas coisas mudam e nos chateamos por isso: “Estava tão bom, poxa vida, não precisava mudar!”. Já outras nos levam a ansiar por transformação: “Não aguento mais isso, bem que poderia ser diferente”. A virada do ano é uma ocasião propícia para reflexões sobre a chegada do novo e o abandono do velho (ou não), por isso aproveito este momento para refletir um pouco sobre um processo de mudança dos mais inevitáveis que há: o das pessoas. (E, antes de tudo, quero deixar bem claro que este texto não se refere a relacionamentos conjugais, que têm uma dinâmica própria e devem ser vistos como uma categoria à parte).
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 “O que foi tornará a ser, o que foi feito se fará novamente; não há nada novo debaixo do sol” (Ec 1.9), escreveu o sábio. E se tem algo que não muda é a certeza da mudança das pessoas. Você pode verificar isso usando a si mesmo como exemplo: você é o mesmo que há dez anos? Eu não. Muita coisa mudou em mim: ideias, valores, sonhos, objetivos, prioridades, gostos, temperamento… tanta coisa! Perceba que você já foi muitas pessoas diferentes ao longo dos anos e, se conseguir se dar conta dessa realidade, essa percepção lançará um olhar mais complacente à mudança do seu próximo.
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 Eu sei que mudei, e muito. Hoje não tenho paciência para muita coisa que me fascinava na juventude. Não valorizo grande parte do que valorizava. Não admiro mais o que admirava. Observo o mesmo nas pessoas ao meu redor. Por essa razão, trocamos de amizades com frequência. Nosso melhor amigo de infância será um estranho aos 30 anos. Nosso unha-e-carne da juventude terá gostos bem diferentes na meia-idade. Adultos com quem convivemos antes da conversão se tornam pessoas que não nos agradam após conhecermos Cristo. Gente que morria de saudade de nós agora mal lembra que existimos. Aqueles que nos confidenciavam as profundidades de sua alma hoje tornaram-se oceanos profundos de segredos e pensamentos não compartilhados. Companhias constantes agora são esporádicas. E assim por diante. É natural. É a vida. Não há nada novo debaixo do sol.
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 Quando você se dá conta de que pessoas mudam, vive mais feliz. Pois, se espera que o próximo seja eternamente quem é hoje, sofrerá enormes decepções. Porém, se entende que virtudes e características que o fascinavam em alguém naturalmente se perdem pelo caminho e que isso inevitavelmente os distanciará, dará de ombros e prosseguirá em paz. Mais conformado. Sem frustrações. É o que é… paciência.
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 Meu irmão, minha irmã, o ano novo chegou, mas ele é tão velho quanto o que passou. A mudança de calendário significa apenas mais uma volta da Terra em torno do Sol. A realidade é que o que mudará no ano que chegou não é o ano, mas as pessoas, e não em consequência da mudança de ano, mas pelo fato de serem pessoas. Acostume-se à ideia. Respeite a transformação alheia. Deixe ir embora quem não quer ficar. Aceite que você já não é tão importante assim para quem um dia não conseguia viver sem você. Acolha com alegria quem chega. Essa é a dinâmica dos relacionamentos, que se baseia em um princípio elementar: pessoas mudam.
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O fim do sofrimento_Banner APENAS

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Abrir-se para a chegada do novo obrigatoriamente significa abrir-se para a transformação do antigo. Não exija do próximo a imutabilidade. Respeitar que a pessoa que você amava de determinada maneira mudou e hoje é outra bem diferente faz parte de amar tal pessoa. E, se você está disposto a amar o próximo como a si mesmo, isso significa, entre outras coisas, respeitar as mudanças dele que o fizeram se afastar de você.
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 Sim, amar o próximo, cumprindo assim o grande mandamento, significa acatar as mudanças desse próximo, respeitar seus novos gostos, planos, valores e ideais e, na maioria das vezes, deixá-lo partir. Pessoas que optam por caminhar conosco por toda uma vida são raros, não são a maioria. Acostume-se à ideia.
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O pastor Osmar Ludovico escreveu: “Quando nos agarramos àquilo que já perdemos nos tornamos amargos, ressentidos e facilmente caímos no autoengano de julgar o caráter de Deus a partir das nossas circunstâncias.
Sim, todos nós temos perdas, e somos chamados ao exercício de tornar nossas perdas em abrir mão, em entregar”. Lindas palavras, Osmar. Fato é que, quando transformamos uma dolorosa perda em um suave abrir mão, transformamos uma hemorragia que não estanca em um barquinho de papel que desce o rio, suave e melancolicamente, correnteza abaixo.
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Se você enxergar com bons olhos a mudança do outro e deixar partir quem não vê mais em você uma prioridade, estará dando mostras de maturidade, racionalidade e amor. Afinal, aprender a abrir mão de pessoas é um caminho para alcançar a paz, de modo que torne suportável a perda até o dia em que estaremos com Aquele em quem não há mudança nem sombra de variação e que, por isso, jamais deixará de nos ver como prioridade, jamais se afastará de nós e jamais cessará de nos amar como se não houvesse amanhã. Até porque, na eternidade, na verdade não há.
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Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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Nós, evangélicos, somos obcecados por sexo. Na cabeça de muitos de nós, quando se fala de pecados no casamento, imediatamente associamos a adultério. Parece que a infidelidade conjugal é o único erro grave no âmbito matrimonial. Tanto é assim que, quando dizemos que “fulano caiu” no casamento, automaticamente subentendemos que o cônjuge adulterou. É errado condenar o adultério? De maneira nenhuma. É uma transgressão abominável, que exige arrependimento e mudança de comportamento. Porém, o grande problema dessa obsessão por sexo é que, quando pomos a traição conjugal como o único grande mal na relação entre marido e mulher, passamos a ver todos os outros pecados abomináveis como não tão abomináveis assim. E, por essa razão, nos entregamos a essas transgressões sem achar que são nada de mais, crendo que são “pecados justificáveis”. Ou, de repente, nem os enxergamos como pecado, o que é tão grave quanto. Com isso, nos tornamos sabotadores de nosso casamento. 

Permita-me dar alguns exemplos bíblicos. Provérbios cita cinco vezes a esposa briguenta: “É melhor viver sozinho no canto de um sótão que morar com uma esposa briguenta numa bela casa” (Pv 21.9),  “O filho tolo é uma desgraça para o pai; a esposa briguenta é irritante como uma goteira” (Pv 19.13), “É melhor viver sozinho no deserto que morar com uma esposa briguenta que só sabe reclamar” (Pv 21.19), “É melhor viver sozinho no canto de um sótão que morar com uma esposa briguenta numa bela casa” (Pv 25.24), “A esposa briguenta é irritante como a goteira num dia de chuva” (Pv 27.15). Você acha que toda essa ênfase é à toa? Não, não é, pois é mandamento de Deus: “a esposa deve respeitar o marido” (Ef 5.33).

Portanto, uma esposa briguenta e desrespeitosa, além de ser um fardo para o marido, é uma afronta direta à vontade de Deus. A cristã que vive brigando no lar, embora não tenha pecado em sua sexualidade, “caiu no casamento” e precisa urgentemente se arrepender e mudar de atitude. Se você é assim e acha que está tudo certo e que Deus aceita numa boa o seu comportamento reprovável, saiba que ele cheira mal às narinas do Pai, o que é grave, “pois a ira de Deus virá sobre os que lhe desobedecerem” (Ef 5.6). 

Mas, calma, mulheres, vou falar do seu marido também. A Bíblia diz: “Maridos, ame cada um a sua esposa, como Cristo amou a igreja. Ele entregou a vida por ela, a fim de torná-la santa, purificando-a ao lavá-la com água por meio da palavra” (Ef 5.25-26). Pense: o que desejam os pecadores que não foram alcançados pela graça de Deus e estão mortos em seus delitos e pecados? Eles querem continuar chafurdando em suas transgressões. Se Jesus fosse dar aos perdidos o que eles querem, os entregaria ao pecado que tanto amam, para sua própria destruição. Mas não. Jesus deu aos perdidos o que eles precisavam: a cruz.

Portanto, maridos, nós devemos fazer o mesmo: amar nossa esposa dando-lhe o que ela precisa, muito mais do que aquilo que ela quer. Isso é amar. E o que Deus deseja para ela é, mais do que qualquer outra coisa, que seja levada ao conhecimento das verdades bíblicas. Marido, você tem mostrado à sua esposa o caminho da fé verdadeira ou tem deixado que ela seja guiada pelo materialismo, pelo consumismo, pela vaidade, pela arrogância e por uma visão equivocada e utilitária do evangelho? Se tem, você não a está amando como Cristo amou a Igreja. Portanto, está em pecado. Conformar-se com aquilo com que Deus não se conforma é uma falha grave.

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Outro exemplo: esposa, você tem agido no casamento de acordo com a verdade bíblica de que seu marido é seu cabeça? A Bíblia diz: “o marido é o cabeça da esposa, como Cristo é o cabeça da igreja” (Ef 5.23). Precisa explicar? Mulheres arrogantes, impositivas, que tomam decisões de forma escondida ou autônoma do marido, guiadas pelos ideais feministas radicais ou pelo próprio ego em vez de pela vontade do Todo-poderoso… simplesmente estão em pecado. “Caíram no casamento”. Esse, aliás, é o mesmo pecado que Satanás cometeu: agir de forma independente daquele que era seu cabeça. 

Um último exemplo: marido, você pode não ter jamais olhado para outra mulher, mas a Bíblia lhe diz: “Da mesma forma, vocês, maridos, honrem sua esposa. Sejam compreensivos no convívio com ela, pois, ainda que seja mais frágil que vocês, ela é igualmente participante da dádiva de nova vida concedida por Deus” (1Pe 3.7). Aqui, para não falar de você, falo de mim. Esse é um dos pecados que eu mais cometi em meu casamento. Faltou-me muitas vezes compreensão para entender questões da personalidade de minha esposa que são difíceis para ela mudar. Muitas são questões resultantes de traumas do passado, da forma como foi criada ou mesmo reações a erros que eu cometi. São coisas impregnadas em quem ela é. Por essa razão, eu deveria ter sido mais compreensivo com ela em muitas e muitas ocasiões – e, por pura imaturidade, não fui. E você, meu irmão, também peca nisso? Se peca, eu e você devemos nos esforçar mais para corrigir nossa incompreensão. 

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Meu irmão, minha irmã, eu poderia me estender muito aqui, falando sobre todo tipo de pecado que você e eu cometemos com nosso cônjuge e que, embora não achemos tão maus assim, cheiram mal às narinas de Deus, tanto quanto qualquer pecado sexual. Mas creio que já deu para pegar a ideia da gravidade do problema.

Diante disso, eu lhe pergunto: quais são os seus pecados conjugais mais frequentes e dos quais você não se arrepende? Será que você nunca olhou para outra pessoa mas falta com respeito ao seu cônjuge, vez após vez, sempre encontrando uma desculpa esfarrapada para justificar seus atos, sempre culpando o outro e não assumindo a sua responsabilidade pelo inferno que se tornou o seu lar? Então você necessita de arrependimento sincero. E precisa urgentemente abandonar essa forma terrível de ser. 

Não seja instrumento do mal para sabotar seu casamento. Veja o que a Bíblia revela sobre o que Deus espera de você, como marido ou esposa, arrependa-se e mude. Hoje. Já. Os anjos farão festa. E sua família agradecerá. Pois jamais haverá paz em um ambiente em que a vontade de Deus não é posta em prática. 

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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