Arquivo da categoria ‘Cura divina’

Deus está no controle 1­Deus está realmente no controle das coisas? Ele já tem tudo previsto ou existe margem para mudanças nos planos divinos? Se o Senhor está no controle, até onde vai sua esfera de intervenção nas coisas do mundo? Livre-arbítrio é uma heresia arminiana? Ou determinismo é uma heresia calvinista? É fato que o Todo-poderoso não está por trás das catástrofes, como alega o teísmo aberto? Como se explica a história de Ezequias, o rei israelita que ganhou 15 anos a mais de vida após orar a Deus? Se o Senhor já sabia que a humanidade pecaria, por que a criou? Se Jesus veio à terra para morrer por nossos pecados, por que pediu ao Pai que afastasse dele o cálice do sofrimento? Se Jesus é descendente de Davi por meio de Bate-Seba, a mulher com quem o rei adulterou, Deus queria que esse adultério ocorresse? Questões como essas dão nó nos neurônios de muita gente, para quem a grande equação por meio da qual Deus conduz o universo é um enigma incompreensível e insolúvel. Esta semana vivi uma experiência que me fez pensar muito sobre como o Senhor age em nossa vida.

Perdão Total_Capa 3D em altaDesde que foi lançado meu mais recente livro, Perdão Total — Um livro para quem não se perdoa e para quem não consegue perdoar, tenho sido convidado para pregar ou palestrar sobre o assunto em diferentes cidades do país. Domingo passado, estava agendado para que eu pregasse na Igreja Batista Jardim Icaraí, em Niterói (RJ). Como eu não dirijo, um casal querido, Ana e Renato, se dispôs a sair de Niterói e me pegar em casa, em Botafogo, bairro do Rio de Janeiro. Ficou combinado que eles me pegariam às 18h, pois o culto começava às 19h30. Iríamos eu, minha esposa e minha filha de 4 anos. Só que o imprevisto ocorreu, com toda força.

No meio da tarde, um temporal desabou sobre a cidade. Foi um daqueles aguaceiros que dão reportagem em jornais, com ruas alagadas, trânsito parado e caos. Resultado: depois de muito penar para chegar até meu prédio, fugindo de bolsões de água e trechos intransitáveis, Ana e Renato conseguiram estacionar, ilesos, no posto de gasolina em frente ao meu edifício. Só que já eram 19h e a chuva não dava sinal de trégua. Assim que chegaram, Ana me telefonou e tentei ir até eles, mas minha rua tinha virado um rio e era impossível dar um passo fora da portaria. Conversamos, então, por telefone e, depois de eles terem consultado o seu pastor, todos vimos que não conseguiríamos chegar à igreja a tempo do culto. Resultado: de comum acordo, decidimos adiar minha ida para outro dia. Depois de um tempo, as águas começaram a baixar e consegui fazer um malabarismo para ir até eles. Conversamos pessoalmente e a decisão foi reafirmada.

Confesso que subi de volta para meu apartamento decepcionado e questionando Deus. Já no elevador, eu comentava com o Senhor que não entendia aquilo. Será que ele não queria que eu compartilhasse a mensagem do perdão com os membros daquela igreja? Claro que tenho o entendimento de que o temporal não caiu só por minha causa, mas, como eu também sou uma letra na equação divina, entendo que minha vida também é incluída nas decisões de Deus. Assim como a sua. Assim como a de qualquer pessoa. Fato é que fiquei triste por não poder ir até Niterói pregar sobre um assunto que considero extremamente urgente.

E foi então que a história deu uma guinada.

Deus está no controle 2Cerca de vinte minutos depois de ter chegado em casa, minha filha, que passou o dia inteiro bem disposta, estava arrumada e animada para sair e ficou bem triste por não termos ido à igreja, começou a reclamar de dor de cabeça. Em minutos, a dor ficou extremamente forte e ela passou a sentir um mal-estar generalizado. De repente, o susto: a pequena se revirou na cama e vomitou em profusão. Enquanto eu limpava a sujeira, sua mãe a levou ao banheiro para lavá-la. Lá, mais vômitos. Achei que a crise tinha acabado. Dei-lhe um pouco de água para beber e deitamos no sofá da sala para assistir a uma apresentação de balé. Em poucos minutos, a pequena começou a acusar nova dor de cabeça e mal-estar. Virou-se para o lado e vomitou pela terceira vez, agora no chão da sala.

Foi quando percebi que a coisa ia além de um simples enjoo e tomei a decisão de levá-la para o hospital. Como alguém que já passou três dias internado em um CTI por infecção intestinal grave, levo muito a sério esse tipo de sintomas. Assim, nos vestimos rápido, descemos, vimos que a água já tinha baixado o suficiente para sairmos, pegamos um táxi e disparamos para a emergência pediátrica. Chegamos ao hospital e logo fomos atendidos. Assim que entrou na sala do médico, minha filha vomitou novamente, com espasmos bastante fortes. Seu estômago estava vazio e quase não saía mais nada. Depois dos exames preliminares, entramos na sala de atendimento de emergência, onde, enquanto aguardava para tomar uma injeção, a pequena vomitou pela quinta vez. A dor de cabeça era grande. O mal-estar e a moleza, generalizados. O médico decidiu fazer uma tomografia computadorizada da cabeça.

Vou resumir as três horas e meia seguintes, passadas entre exames e tratamentos, em um parágrafo: graças ao atendimento rápido, minha filha pôde ser liberada naquela mesma madrugada do hospital. Os médicos não conseguiram determinar o que ela teve, mas as suspeitas vão de intoxicação alimentar a viroses. A medicação rápida contribuiu muito para seu quadro não piorar. Ela ficou dois dias em casa, de repouso, ainda com dores, febre e enjoos, mas, com o tempo, o problema passou.

Deus está no controle 3Fiquei pensando. Se tivéssemos ido a Niterói, minha filha passaria mal longe de casa, talvez presa em algum engarrafamento, talvez momentos antes de eu subir ao púlpito para pregar. Imagine como teria sido. Tudo é um grande “talvez”, mas uma coisa é certa: o fato de estarmos em casa quando ela passou mal foi decisivo para que fosse rapidamente socorrida e, seja lá o que a tenha acometido, o mal ter sido debelado com o mínimo de dor e desconforto. Quem sabe, até, uma demora no socorro poderia ter agravado o quadro e gerado problemas mais severos.

E aí fica a pergunta: será que Deus me impediu de ir a Niterói para que eu pudesse socorrer minha filha? Teria ele sacrificado a pregação naquele dia específico em prol do que ele sabia que aconteceria com minha pequena? A resposta é que não sei, é muito complexo pensar sobre isso e eu não sou onisciente. Não tenho como afirmar nada. Mas, quando olho para a Bíblia, vejo que “O Senhor faz tudo com um propósito” (Pv 16.4). Mais ainda, percebo que “Sabemos que Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam, dos que foram chamados de acordo com o seu propósito” (Rm 8.28). Então, ao ler verdades como essas, solidifico em meu coração uma realidade: nada do que aconteceu foi à toa.

O acaso não existe. Sorte é um conceito antibíblico. O que prevalece é a soberania de Deus. E, nessa soberania, o Senhor fez com que, em meio a milhões de cariocas e niteroienses afetados pelo temporal de domingo, eu não fosse pregar conforme tinha sido planejado e, assim, estivesse em casa para socorrer com agilidade minha filha. Se você me perguntar se foi coincidência, vou sorrir, com toda a certeza do mundo de que Deus teve um propósito no que ocorreu e que ele agiu para o nosso bem.

Meu irmão, minha irmã, preste mais atenção às coisas que acontecem em sua vida. Não digo só as grandes; as pequenas e insignificantes também. Pois, se tudo Deus faz com um propósito e em todas as coisas ele age pelo bem dos que ama, lembre-se que tudo significa tudo. E todas as coisas significa todas as coisas. Não uma parte, não uma parcela, não umas e não outras. Tudo. Todas as coisas. Esse é o Deus da Bíblia.

Deus está no controle 4Com essa percepção, você vai passar a perceber a ação de Deus no engarrafamento, no chuveiro que pinga, no calor abrasador, no mendigo que lhe pediu dinheiro, no atraso do dentista, na gata que fugiu de casa, na topada do pé. Há gente que brinca com quem atribui tudo ao Diabo, criticando quem diz que “queimou o arroz, é culpa do Diabo”. Eu discordo. A “culpa” é de Deus. Pois ele tinha em mente aquele arroz queimado. Para quê? Sei lá! Mas ele sabe. A vida é uma grande engrenagem, que tem como finalidade nos conduzir à vida eterna, em Cristo. Como tudo isso funciona eu não faço ideia, os pensamentos do Senhor são muito mais elevados do que os meus para que eu consiga compreender. Mas de uma coisa eu sei: eu não preciso saber todos os mistérios do Senhor nem conseguir explicá-los, pois basta compreender que Deus sabe tudo. Peço apenas que ele me tome pela mão e conduza meus passos. Em outras palavras, “seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu” (Mt 6.10).

Digam o que quiserem, Deus está no controle. Uns chamam de sorte, eu chamo de Deus. Uns chamam de acaso, eu chamo de Deus. Uns chamam de livre-arbítrio, eu chamo de Deus. Uns chamam de determinismo, eu chamo de Deus. Chamem do que desejarem, elaborem as teorias teológicas que quiserem, a resposta será sempre uma só: Deus. E, com isso em mente, devemos fazer a nossa parte e, em seguida, agir como recomendou o salmista: “Entregue o seu caminho ao SENHOR; confie nele, e ele agirá” (Sl 37.5).

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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boneca 1Sei que confessar isso não fará bem à minha imagem de machão brasileiro, mas a verdade é que eu brinco com bonecas. Tudo bem que não é uma atividade solitária ou espontânea: eu só brinco com bonecas, panelinhas, cozinhas de plástico e afins quando minha filha me chama para isso. Como amo brincar com ela, perco todos os pudores masculinos e me torno a voz e a alma da Dudinha, da Lalá, da Giulia, da Bailarina, da Branca de Neve e de muitas outras bonecas que fazem parte do universo lúdico da minha pequenininha. Recentemente, em uma dessas brincadeiras, eu me peguei reparando um aspecto que não havia notado antes: bonecas são perfeitas. Já percebeu que nenhum fabricante faz bonecas de pessoas com problemas genéticos, obesas, deficientes ou amputadas? Quando esse pensamento invadiu minha mente, me fiz uma pergunta que pode soar bem sui generis: por que não se fabricam bonecos de pessoas que fujam dos padrões da chamada “normalidade”, como… anões? Isso mesmo, poderia haver, por exemplo, uma boneca da Princesa Elsa, de Frozen, retratada com um dos 200 tipos de nanismo já identificados pela medicina. Após alguma reflexão, acredito que a resposta a essa pergunta inusitada fala muito sobre como nós, seres humanos, somos.

Em princípio, você pode achar bizarro o meu questionamento. “Ora, Zágari, é óbvio que ninguém fabrica bonecos de anões!”. Bem, na verdade não é algo tão óbvio assim, se levarmos em conta a estimativa de que existem cerca de 175 mil anões sobre a face da terra – um número expressivo de seres humanos. Poderíamos ir além: que tal as fábricas de brinquedos lançarem uma linha de bonecos com deficiências visuais? “Zágari, para, tá ficando doido?!”. Bem… pesquisas da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que existem no planeta cerca de 75 milhões de pessoas cegas e mais de 225 milhões de portadores de baixa visão, isto é, incapazes de desempenhar grande número de tarefas cotidianas devido à deficiência visual. E poderíamos seguir adiante, mostrando como a população da terra é composta por pessoas cheias de deficiências, disfunções e problemas. Eu mesmo sofro de fibromialgia, síndrome que, acredita-se, afeta 5% da população mundial – nada menos de 350 milhões de pessoas, quase o dobro do número de habitantes do Brasil.

O que isso mostra? Que dos 7 bilhões de habitantes dessa esfera flutuante em que vivemos, a maioria tem algo que as torna “imperfeitas”. No entanto, as bonecas são todas perfeitas. Barbie não tem uma única celulite, imagino que nem mau hálito deva ter. Ken, seu companheiro apolíneo, tem os dentes brancos, sem tártaro algum, não sofre de dores nas costas e imaginá-lo calvo seria uma heresia. A Giulia, uma boneca quase anatomicamente perfeita de uma neném, é loirinha, com olhos azuis, rechonchudinha e nunca experimentou desidratação, diarreia, viroses ou alergias. Que dizer, então, da Branca de Neve, essa musa morena das passarelas, que desconhece o que seja miopia, hérnia de disco, obesidade, intolerância a lactose ou lúpus. Bonecas são perfeitas: essa é a constatação e ponto final.

A pergunta é: por quê?

masks 1Por que quando o ser humano tem a possibilidade de brincar de Deus e fabricar à sua imagem e semelhança pequenos seres humanos de plástico, látex, pano e borracha, escolhe fabricar logo indivíduos sem nenhuma falha, incólumes, esplendorosos, algo como Adão e Eva antes da Queda? A resposta é simples: não gostamos de nossas imperfeições. Bem… até aí tudo bem, eu não gosto mesmo dos pecados que cometo, assim como o apóstolo Paulo também reconheceu que fazia o mal que não queria e não ficava nada feliz por isso. Mas a coisa vai além de “não gostar”: nós buscamos sempre esconder as nossas imperfeições. E esse é o xis da questão.

Eu e você apreciamos nos apresentar da melhor forma possível. Ressaltamos nossas qualidades e tentamos esconder do mundo nossos erros e fraquezas. Recentemente andou rolando pelas redes sociais uma corrente de mulheres que se desafiavam a publicar fotos sem “make” (maquiagem), como se isso fosse uma tarefa terrivelmente desafiadora. Ou seja: mostrar que elas são quem são foi considerado um desafio, uma ousadia, uma quebra de paradigma. Que percepção interessante! Fato: escondemos ao máximo quem na realidade somos. Não confessamos que soltamos pum, tiramos meleca e cheiramos mal sem a ajuda de produtos químicos como perfumes e desodorantes. A humanidade busca sempre ocultar o que tem de pior.

E até aqui só falei de questões físicas. Mas, para o evangelho, o que mais importa não é o corpo, é o coração.

maks 2O ponto é que Cristo nos desafia a sermos transparentes, sinceros, honestos. A abrirmos o peito e confessarmos a Deus o que há de mais negro, pútrido e fétido em nossa alma, em nossos pensamentos e atos, em nossas palavras e omissões. Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (1Jo 1.9). “O que encobre as suas transgressões jamais prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia” (Pv 28.13). Sim, Deus nos chama para a absoluta transparência. Se tentarmos esconder quem somos, estaremos incorrendo naquilo que Cristo criticou nos fariseus: hipocrisia. Falsidade. A tentativa de nos apresentarmos como super-humanos, algo que jamais seremos; é mentira, pura e simples.

Reconheçamos nossas falibilidades, meu irmão, minha irmã. Esse é o único caminho para o perdão e a restauração. E, além disso, não fingir uma aparente ultrassantidade serve de exemplo para os que nos cercam, que se tornarão mais honestos consigo mesmos e com os demais. Por que fingir ser quem você não é? Por que se fazer de mais santo do que de fato é? Seja quem sua alma é e não quem você deseja que o mundo veja que você é. Pois a proposta de viver de máscaras nos remete ao pensamento do filósofo Maquiavel em sua obra clássica O Príncipe: “O importante não é quem você é, mas quem os outros pensam que você é”. O que, do ponto de vista bíblico, é o oposto do que Jesus deseja.

cruzPermita-me fazer uma pergunta: se você fosse fazer um boneco de si mesmo, como ele seria? O meu teria barriga grande, pele oleosa, fibromialgia, pé cavo, cabelos brancos nascendo em profusão, pernas arqueadas; isso só para falar do exterior. Se fabricassem bonecos que se pudesse apertar um botão nas costas e ele revelasse o que vai dentro do coração, o meu seria chato, egoísta, pedante, mau, depravado… um ser humano completo, típico espécime da era pós-adâmica. Meu irmão, minha irmã, somente o reconhecimento diante de Deus de quem nós verdadeiramente somos faz de nós cristãos autênticos, do tipo que não tem coragem de olhar para o céu, mas que bate no peito e diz: “Deus, tem misericórdia de mim, que sou pecador…” (Lc 18.13). Encare de frente quem você é. Assuma suas falhas. Pois, se o fizer, terá dado o primeiro passo para que Deus enxergue além delas e veja não as suas sombras, mas a luz do Cordeiro. Jesus tomou sobre si, na cruz, toda a sua maldade. E, se, em vez de escondê-la, você a reconhecer, confessar e lançá-la sobre essa mesma cruz… as portas da graça estarão abertas para você.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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jo 1O início do livro de Jó nos mostra uma situação muito estranha. Em um primeiro olhar, temos a sensação de que o Senhor está engajado numa barganha com Satanás acerca da vida do “homem íntegro e justo; [que] temia a Deus e evitava fazer o mal” (Jó 1.1). Parece uma espécie de aposta, de desafio. Que esquisito. Como podemos entender isso? O que o relato desse diálogo entre o Senhor e o Diabo nos ensina? Se conseguirmos enxergar além, vamos perceber que Deus na verdade não barganhou em momento algum com Satanás, mas só deu papo para o inimigo e permitiu que ele afligisse Jó por uma razão bem específica, que veremos no último parágrafo deste texto.

É um enorme equívoco achar que Deus e Satanás estão numa batalha em pé de igualdade. Entenda: a única relação dos demônios com o Criador é no sentido de obedecer e implorar ao Senhor. Do mesmo modo que eu e você, como criaturas, dependemos da permissão do Pai para tudo, todo e qualquer ser espiritual tem de seguir o mesmo protocolo. Sim, Satanás é obrigado, em tudo, a dizer ao Todo-poderoso: “Seja feita a tua vontade, assim na terra como nos céus”. Ele não tem escolha. Então o que esse trecho de Jó mostra não é um Deus que barganha com o Diabo, mas um Diabo que está submisso em tudo a Deus e tem necessariamente de obedecer-lhe – embora de muita má vontade, é verdade. Mas se o Senhor manda, o Diabo só pode dizer “amém” – as forças espirituais da maldade jamais moverão uma palha sequer se o Todo-poderoso não permitir.

jo 2Para tomar qualquer iniciativa, Satanás precisa que Deus conceda-lhe o direito. Veja que em Jó 1.12 o Senhor diz a Satanás: “Pois bem, tudo o que ele possui está nas suas mãos; apenas não toque nele”. Deus usa o verbo no imperativo, isto é, trata-se de uma ordem, algo que vem de cima para baixo: “Não toque”. Em nenhum momento há uma barganha: há uma concessão. E que vem não para satisfazer Satanás, mas para cumprir os propósitos divinos. Logo, do mesmo modo que Deus endureceu o faraó no Êxodo, usou Nabucodonosor, Ciro, Dario e outros incrédulos para realizar a sua soberana vontade, também só permite ao Diabo fazer suas diabruras se elas, no grande esquema das coisas, atenderem ao que o Senhor deseja. Nesse sentido, o Inimigo é como uma caneta que o Pai usa para escrever a História da eternidade. E canetas não têm autonomia, poder ou autoridade: são instrumentos usados para atender os desejos de quem os maneja.

As palavras de Cristo em Mt 4.10 (a tentação de Jesus no deserto) são absolutamente reveladoras: “Jesus lhe disse: Retire-se, Satanás!”. Perceba o que está acontecendo aqui. Jesus simplesmente dá uma ordem. E o que o Diabo faz quando Cristo diz “retire-se” é: “Então o Diabo o deixou”. Não há luta, não há barulho, não há disputa. Jesus diz e o Diabo simplesmente e subordinadamente obedece. A história se repete em Marcos 5, no episódio do endemoninhado gadareno. Quando aquela legião de demônios se vê diante do Rei dos Reis o que ela faz? “E implorava a Jesus, com insistência, que não os mandasse sair daquela região. Uma grande manada de porcos estava pastando numa colina próxima. Os demônios imploraram a Jesus: ‘Manda-nos para os porcos, para que entremos neles’” (Mc 5.10-12). Os demônios imploraram. Segundo o dicionário, isso significa que eles suplicaram, pediram encarecidamente e humildemente.

O livro de Jó nos antecipa o que veríamos séculos depois se cumprir em Cristo: a supremacia de Deus sobre o Diabo. Jesus lida com Satanás e os demônios sempre como um leão trataria um rato ou uma águia trataria uma serpente. Mateus 8.16 diz a respeito de Cristo: “Ao anoitecer foram trazidos a ele muitos endemoninhados, e ele expulsou os espíritos com uma palavra. Repare, uma única palavra! Jesus não se rebaixava a ficar conversando com demônios se não houvesse propósito para isso. Com uma única palavra os mandava embora.

jo 3A Bíblia é sobre Cristo. O evangelho é sobre Cristo. Nossa vida é sobre Cristo. Se você reparar que está gastando muito do seu tempo lendo sobre demônios, falando sobre eles e se preocupando com eles é sinal de que suas prioridades na vida de fé precisam ser reavaliadas. Cristianismo é sobre viver com Cristo e amar o próximo e não sobre ficar gastando horas e horas com demônios. Ao final do livro de Jó, vemos o resultado de tudo o que o Diabo lhe causou: “Meus ouvidos já tinham ouvido a teu respeito, mas agora os meus olhos te viram” (Jó 42.5), disse o patriarca ao Senhor. Não, não houve barganha entre Deus e Satanás. Houve, isso sim, a mão do Pai em ação para fazer seu filho amado crescer em intimidade consigo: o sofrimento de Jó fez com que ele deixasse de ser apenas um homem que cumpria a lei de um Legislador para se tornar um filho que tinha intimidade com um Pai.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari

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Hoje o blog APENAS não traz nenhum post. Nenhuma reflexão. Nenhum insight. Nada inovador. Nada diferente. Nada que você já não tenha pensado antes. Quero te convidar ao básico. Onde você estiver – em casa, no trabalho, na rua, no ônibus, no trem… não importa – te convido a parar por alguns segundos. Minha proposta é que, no exato momento em que está lendo este texto, você:

1. Pense em alguém que está enfrentando depressão e ore em silêncio por ele.
2. Pense em alguém que está com alguma doença no corpo e ore em silêncio por ele.
3. Pense em alguém que te fez muito, mas muito mal, e ore em silêncio pedindo a Deus que o perdoe totalmente.
4. Pense em alguém que precisa de salvação e ore em silêncio por ele.
5. Pense em alguém que está passando por necessidades materiais e ore em silêncio por ele. Em seguida, veja como você pode, com ações práticas, ajudá-lo. E ajude o mais rápido possível.
6. Pense em alguém que está se sentindo solitário e ore em silêncio por ele. Pense em quando você poderia encontrá-lo e passar algumas horas juntos. E faça isso o mais rápido possível.
7. Pense em alguém que esteja cometendo algum pecado sem arrependimento e que você saiba e ore em silêncio por ele.
8. Pense em todas as coisa boas que Deus te deu e agradeça a ele em silêncio por cada uma.
9. Pense em quem Deus é e diga-lhe em oração silenciosa tudo o que ele representa para você.
10. Pense em como você poderia amar mais ao próximo. Mas, em vez de orar por isso, ponha em prática o que você pensou.

Pronto. Por hoje basta. Se você cumprir os dez itens acima já será um cristão bem mais conformado à imagem de Jesus do que antes.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Mauricio Zágari

remedios0É extremamente comum eu deparar com irmãos e irmãs em Cristo que vivem esmagados pelo peso desta dúvida: diante de uma doença, deve-se recorrer à medicina humana ou esperar por um milagre de Deus? Não é raro ouvirmos, especialmente entre nós, pentecostais, pessoas que defendem que buscar socorro junto à medicina seria falta de fé. Por isso, muitas e muitas pessoas se veem em crise, sem saber se devem se submeter a tratamentos médicos ou esperar pela cura milagrosa. Pois bem, a todos que chegam a mim com essa dúvida eu sempre digo: recorra ao milagre – da medicina. Vou explicar.

Eu acredito em milagres. A Bíblia afirma e reafirma que o Senhor é capaz de fazer qualquer coisa, em sua onipotência, mesmo o que nos parece impossível. “Porque para Deus não haverá impossíveis em todas as suas promessas” (Lc 1.37); “Os impossíveis dos homens são possíveis para Deus” (Lc 18.27); “Jesus, fitando neles o olhar, disse-lhes: Isto é impossível aos homens, mas para Deus tudo é possível” (Mt 19.26); “Para os homens é impossível; contudo, não para Deus, porque para Deus tudo é possível” (Mc 10.27). Então, sim, é bíblico que Deus possa realizar curas sobrenaturalmente. Creio em milagres porque creio que Deus tem capacidade para fazê-los.

Já vi Deus operar milagres de cura de deixar o queixo caído. Tenho pessoas próximas diagnosticadas com cânceres que desapareceram sem explicação, por exemplo. Então sou profundamente crente na possibilidade de o Todo-poderoso curar pessoas em nossos dias de forma sobrenatural. Porém, a realidade da vida nos mostra que nem todos serão sarados milagrosamente. Tendo dito isso, permita-me explicar que, a meu ver, não existe separação entre medicina humana e a atuação de Deus. E digo isso porque enxergo a medicina como um enorme milagre. Quando pensam na medicina humana, muitas pessoas parecem que a veem como algo distinto da ação divina, como se remédios e tratamentos alopáticos fossem algo mundano. Talvez, até… satânico? Mas você já parou para pensar sobre como surgiram os medicamentos?

remedios1Remédios foram criados a partir da capacidade de seres humanos de perceber, estudar, analisar e compreender que determinadas substâncias químicas existentes na natureza e sintetizadas em laboratório são capazes de curar doenças. Para nós isso parece natural hoje em dia, mas pense em séculos atrás, na época em que não se sabia, por exemplo, que o ácido acetilsalicílico curava dor de cabeça. A sabedoria concedida aos homens que perceberam isso e desenvolveram formas de administrar essa substância a pessoas que agonizavam com enxaquecas não é um milagre de Deus? Não sei quanto a você, mas, quando tenho dor de cabeça, tomo uma aspirina e ela some em minutos, não são os laboratórios farmacêuticos que louvo em gratidão: é a Deus.

A Bíblia afirma: “Toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança” (Tg 1.17). Diante disso, vemos que o conhecimento humano que levou pessoas a descobrir como fabricar medicamentos é uma boa dádiva que veio direto do Pai. Pense em Salomão; a sabedoria dele não foi uma dádiva que Deus lhe concedeu? Quando Salomão ou Débora julgavam de forma sábia, você pensa que essa sabedoria era mundana ou um milagre de Deus, fruto de uma ação direta do Senhor na mente deles? Meu irmão, minha irmã, entenda que tudo de bom, criativo, abençoador ou maravilhoso que eu, você ou qualquer outro ser humano – seja cristão ou não – façamos é resultado da ação divina em nós e, portanto, é um milagre.

remedios2Leio muitos comentários aqui no blog APENAS de leitores que afirmam que Deus respondeu a suas dúvidas, amainou suas angústias, deu-lhes paz ou muitas outras coisas por meio dos textos que escrevo aqui. Sinceramente, você acredita que isso é mérito meu? Claro que não, é um milagre de Deus, que usou a mim para levar consolo, edificação e exortação aos irmãos e irmãs, de cujas questões eu nem mesmo estava ciente quando escrevi os textos. Portanto, toda benção que vem da leitura dos meus posts é dádiva do alto, não resultado de esforço humano. Só que, curiosamente, ninguém fala “ah, não vou ler os textos do Zágari em busca de respostas não, pois isso seria falta de fé, vou esperar Deus aparecer para mim pessoalmente para me ajudar”. Ninguém faz isso porque sabe que Deus usa pessoas para cumprir seus propósitos. Mas, quando o assunto é saúde, muitos parecem se esquecer disso.

Mais um paralelo: em Atos 8.38, o texto relata que, após Felipe batizar o eunuco etíope, aquele discípulo de Cristo é arrebatado e transportado milagrosamente para uma localidade distante. Ora, diante disso, quem crê que tomar remédios é falta de fé não deveria considerar também falta de fé pegar um avião ou um carro feito pelos homens para ir de uma cidade a outra? Fé, segundo esse pensamento, não seria orar e crer que Deus faria o milagre de nos teletransportar de um lugar a outro, como fez com Felipe? Só que ninguém pensa isso. Parece que a única atitude em que recorrer a produtos humanos exprime falta de fé é tomar remédios. Essa ideia não faz nenhum sentido, oprime milhões de bons irmãos e irmãs em Cristo e gera culpa, descrédito, dores e, até mesmo, apostasia. Precisamos agir com graça com nossos irmãos que enfrentam enfermidades. Na doença deles, apoiá-los e não condená-los. Estender compaixão e não acusações. Se eu ficar doente, orarei a Deus pedindo a cura, mas, também, tomarei remédios. Que ele me cure conforme a vontade dele e não a minha e do modo dele e não do meu. E me atrevo a dizer mais: se o Senhor não me curar, ainda assim o louvarei, pois ele continuará sendo Deus.

Querido, querida, todo remédio que já foi criado é fruto da graça comum do Criador, que iluminou milagrosamente cientistas para descobrirem que aquelas substâncias seriam capazes de curar as minhas e as suas enfermidades. Por isso, tome, sim, medicamentos, e fique bem. E, toda vez que ingerir um remédio e ficar livre da doença ou da dor que te afligia, ore ao Senhor em agradecimento e diga a ele: “Obrigado, Pai, pelo milagre da medicina humana, fruto da tua ação sobrenatural sobre a mente dos homens”. E fique em paz.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Mauricio Zágari

Perdao Total_News cortado

perdao totalVocê, que acompanha o blog APENAS, deve ter percebido que tenho falado nos posts mais recentes sobre meu livro Perdão Total – Um livro para quem não se perdoa e para quem não consegue perdoar, em função do seu lançamento, este mês. Se você lê o que escrevo já há algum tempo, espero que perceba que minha intenção ao divulgar uma obra de minha autoria não é mercadológica ou financeira, mas, sim, missional, pois eu acredito com convicção que a mensagem contida nesse livro pode abençoar muitas vidas – uma vez que entendo que compreender o que a Bíblia de fato explica sobre o processo pecado-perdão-restauração é uma necessidade urgente entre os cristãos. Muitos não perdoam quem os ofendeu, o que os faz carregar toneladas de ressentimento. Muitos não se perdoam por pecados que cometeram no passado, o que os faz carregar toneladas de culpa. E todos precisamos ser perdoados. Porém, encontro em todo lugar por onde passo centenas e centenas de pessoas que vivem soterradas por ressentimento, culpa e pecados não perdoados simplesmente por não compreender com exatidão como se processa essa dinâmica do perdão (e, consequentemente, da restauração de quem pecou). É justamente isso o que procurei explicar no livro, para que você, que se vê numa situação de falta de perdão, ou alguém que conhece e que precise ouvir essa mensagem sejam libertos desse fardo. Falta de perdão mata. Já o perdão liberta, transforma, dá paz, revoluciona vidas, reconcilia pessoas e nos aproxima de Deus.

O assunto do perdão e da falta de perdão é extremamente sério. Eu não conseguiria tratar tudo o que precisa ser dito sobre o assunto para trazer paz à sua vida em um ou dois posts, por isso optei por escrever um livro que, pela vontade de Deus, foi aprovado e está sendo lançado este mês pela editora Mundo Cristão. Eu o considero como mais um dos posts do APENAS, só que muito mais completo e profundo, uma análise bíblica detalhada, escrita numa linguagem muito fácil e compreensível a qualquer um.

Por isso, se você costuma ser abençoado pelo que escrevo no blog, recomendo a leitura do “Perdão Total”. Se você conhece alguém que precise perdoar ou se perdoar, dê de presente. A obra já está disponível em grandes livrarias seculares como a Saraiva, pela internet (NESTE LINK) ou em livrarias evangélicas de todo o Brasil. Para quem vive no exterior, ele está em formato e-book em diferentes livrarias virtuais, como Amazon, Google, Kobo, Livraria Cultura e outras.

Banner Leitor CristaoCaso você queira saber mais sobre o livro, compartilho AQUI uma entrevista que concedi para o site Leitor Cristão, onde entro em mais detalhes. Ou poderá assistir a uma entrevista que dei ao vivo à jornalista Leda Nagle no programa Sem Censura (TV Brasil), no dia 27/10, às 16h, para falar sobre o perdão bíblico e, naturalmente, sobre o livro. Aliás, aproveito para pedir as suas orações, pois tenho concedido entrevistas à mídia secular para falar sobre o livro e sobre o perdão bíblico (como as rádios Globo e Inconfidência), e preciso de muita sabedoria para falar sobre o tema a não cristãos. Necessito muito das suas orações.

Também deixo aqui um vídeo que a editora Mundo Cristão me pediu que gravasse para que eu explicasse em dois minutos do que trata o Perdão Total – Um livro para quem não se perdoa e para quem não consegue perdoar e a quem ele se destina, caso queira assistir e compartilhar:

Peço a Deus que a leitura deste livro abençoe muito a sua vida e a das pessoas que você conhece e enfrentam problemas para perdoar. Ele foi feito para ser lido, promover reflexão e, até mesmo, conduzir debates sobre o tema em pequenos grupos e estudos bíblicos.

O perdão é um dos alicerces do evangelho. Sem perdão, não há cristianismo nem vida com Deus. Jesus veio à terra para perdoar. O perdão está estendido para você. Não perdoar traz graves consequências, enquanto perdoar traz grande liberdade, paz e intimidade com Deus. Perdoe. Perdoe-se. Peça perdão. Pois Deus jamais perdoa alguém pela metade, o perdão dele… é total.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari

Perdao Total_News cortado

 

autoestima1Como anda sua autoestima? Será que você ama a pessoa que vê no espelho ou tem dificuldade de valorizar a si mesmo? Não estou falando apenas de estética, mas de tudo aquilo que tem a ver com quem você é. Há pessoas que, se pudessem, pegariam suas malas e se mudariam para outra vida, por desprezar a própria aparência, por não apreciar seu intelecto, por detestar suas realizações ou simplesmente por crer que não valem tanto assim. Essa baixa autoestima acaba gerando pessoas tímidas, introvertidas, tristes, retraídas, deprimidas ou, até mesmo, revoltadas. Essa distorção na percepção de si mesmo acaba levando a vítima a tornar-se alguém pessimista, incapaz de acreditar no próprio valor. Ela tem medo de se expor para os demais e chega a sabotar a si própria para não ter de enfrentar os olhares alheios. Muitas vezes, a pessoa com baixa autoestima deixa de viver situações maravilhosas com receio da rejeição. Ela pensa montes de coisas, como “não vou conseguir”, “não vai dar certo”, “ninguém vai gostar”, “vão rir de mim”, “não sou capaz”, “o do outro é melhor”, “não sou bom o suficiente” e pensamentos semelhantes. Quem tem baixa autoestima se dá pouco valor. Muitos cristãos e cristãs, inclusive, sofrem desse mal. Como lidar com isso?

Precisamos compreender que ninguém nasce com baixa autoestima. Essa é uma característica que se adquire com o tempo, em decorrência de um evento ou de um processo que ocorreu em algum momento da vida. A pessoa pode ter sofrido críticas excessivas dos pais, bullying dos colegas ou algum outro tipo de rejeição social. Talvez fracassos sucessivos na área sentimental sejam a causa. Ou mesmo insucessos nos estudos ou na carreira. Muita coisa pode levar alguém a passar a menosprezar a si mesmo e acreditar que vale menos do que na verdade vale. Se é o caso, é necessário identificar em que momento e por que razão surgiu o problema e tratar essa ferida, seja com a ajuda pastoral, seja psicológica. Mas, além de amparo “especializado”, gente comum – como eu e você – pode contribuir enormemente para fazer o próximo acreditar no próprio valor.

elogioUma dos maiores antídotos contra o veneno da baixa autoestima é o elogio. É incrível como as palavras positivas e de afirmação são capazes de mudar vidas. Isso ocorre porque quem sofre desse mal pensa sempre que, por se enxergar negativamente, os outros também o enxergarão. Por isso, quando você começa a apontar as qualidades da pessoa, isso interfere profundamente na forma como ela se vê. Mas, assim como doses de um remédio, o elogio não pode ser administrado uma única vez, ele deve ocorrer com constância. Quando você começa a elogiar alguém com baixa autoestima, a primeira reação dele será de incredulidade, pois não acreditará no que você diz. Mas a constante afirmação das suas boas características e ações aos pouco farão efeito e ela começará a enxergar-se como alguém de valor. E entenda: não é inventar qualidades que a pessoa não tem, mas, sim, mostrar o que ela tem de bom mas não está enxergando.

Não fui eu quem inventou isso: foi Deus. Ele gosta de mostrar a seus filhos como eles são preciosos. Repare as verdades celestiais a nosso respeito, ditas por meio do apóstolo Pedro: “Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz; vós, sim, que, antes, não éreis povo, mas, agora, sois povo de Deus, que não tínheis alcançado misericórdia, mas, agora, alcançastes misericórdia” (1Pe 2.9-10). Uau! Haveria palavra de afirmação mais significativa que essa? Não sei como você se sente ao saber que é dessa forma que o Senhor te vê, mas eu me sinto especial. Raça eleita. Nação santa. Propriedade ex-clu-si-va de Deus. E isso sendo eu pecador até a medula! E você também. Com todos os meus e os seus defeitos é isto que somos: eleitos. Santos. Exclusivos.

elogio2Quando fala de Jó, o Pai se refere a ele com palavras extremamente elogiosas: “…ninguém há na terra semelhante a ele, homem íntegro e reto, temente a Deus e que se desvia do mal” (Jó 1.8). Depois, usa Lemuel para destacar as qualidades da mulher virtuosa (Pv 31.10-31). A Gideão, que se via desta maneira, “Eis que a minha família é a mais pobre em Manassés, e eu, o menor na casa de meu pai” (Jz 6.15), o Senhor diz que o vê como um “homem valente” (Jz 6.12). O traidor Pedro é chamado pelo Mestre para apascentar seu rebanho, como se Jesus dissesse: “Tu não és traidor, és pastor”. No Sermão do Monte, Cristo afirma às multidões, inferiorizadas pelo domínio do Império Romano, que elas eram, na verdade, o sal da terra, a luz do mundo. E fecha com chave de ouro: “Porventura, não valeis vós muito mais do que as aves?” (Mt 6.26). Sim, Deus constantemente reafirma nosso valor.

Meu irmão, minha irmã, você sofre de baixa autoestima? Por vezes crê que vale muito menos do que vale? Talvez, até, pense que não vale nada? Então procure nas Escrituras aquilo que o onisciente Deus pensa a seu respeito. Sim, você é pecador, falho e cheio de problemas e defeitos. Mas, a partir do momento em que Jesus subiu à cruz por sua causa, não é nada disso que o teu Pai vê quando te olha. Ele te vê como filho. Luz do mundo. Eleito. Santo. Exclusivo. Comprado pelo preço mais alto do universo, o preço do sangue do Cordeiro.

Você pode achar que vale pouco ou nada. Mas sabe quanto você vale aos olhos do teu Pai? Bem, na verdade, não há como responder essa pergunta, pois, para Deus, você simplesmente não tem preço.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício