Arquivo da categoria ‘Cura divina’

livro no lixo 1Um livro cristão no lixo é capaz de fazer o quê? Possivelmente você diria que nada, que um livro no lixo é algo inútil, que não abençoa ninguém. E é verdade, pois uma obra literária sem ter quem a leia não passa de papel sem utilidade. Só que ela nunca deixa de ter em si um enorme potencial de transformação de vidas. Passei a última semana em São Paulo, devido a compromissos com a editora Mundo Cristão. Foram dias intensos, cheios de boas notícias e algumas emoções fortes. Uma história que ouvi lá me marcou profundamente. Quem me contou foi meu amigo Marcelo Martins, um dos gerentes da editora, e eu gostaria de compartilhar com você. Ao final deste texto vou relatar uma experiência que vivi e que tem relação com a história.

Marcelo me disse que, algum tempo atrás, a Mundo Cristão recebeu uma mensagem pelo “Fale conosco” de seu website. Era o testemunho de um leitor que gostaria de compartilhar sua história. Esse leitor contou que, tempos antes, estava desiludido com a vida, em crise existencial e pensando em nada menos que cometer suicídio. Foi quando passou ao lado de uma lata de lixo, na rua, e viu que dentro dela havia um livro, sem capa. Apesar de ser uma atitude contrária ao bom senso, ele sentiu vontade de pegar a obra e a levar consigo para ler. Era um exemplar de O Peregrino, de John Bunyan, publicado pela Mundo Cristão. O homem leu aquele livro em estado deplorável e, impactado pela história, não só desistiu de tirar a própria vida como decidiu conhecer Cristo mais profundamente. Ali, graças a um livro sem capa e descartado em um lixo qualquer, aparentemente sem valor algum, uma vida de valor incalculável foi salva da morte e do inferno. Em sua mensagem à editora, aquele homem ofertou palavras de incentivo: “Nunca deixem de publicar, pois o trabalho de vocês salva vidas”.

Não preciso dizer quão enorme é meu amor pelos livros. Já foram publicados seis de minha autoria, trabalho como editor de outros autores e, enquanto Deus quiser e permitir, continuarei pondo no papel aquilo que o Senhor semeia em minha mente e em meu coração. Eu mesmo fui transformado e salvo graças ao poder de um livro, a Bíblia sagrada, e acredito enfaticamente na capacidade que uma obra literária tem de levar conhecimento, crescimento, esperança, transformação e emoções a milhões de pessoas. Peter Cunliffe, um dos fundadores da Mundo Cristão, costuma dizer que “cada livro é um missionário”. Portanto, dar um livro cristão de presente é fazer missões.

Antonio Carlos Costa eu e Ed Rene_100615Por conhecer o poder da literatura, preciso incentivar você: leia bons livros, entre eles obras cristãs. Se não costuma fazê-lo, procure desenvolver o hábito. Não falo isso porque sou escritor e editor, mas me tornei editor e escritor por causa da consciência da importância daquelas letrinhas impressas em papel. Dou um exemplo recente, que mexeu profundamente com minhas emoções: quando estava em São Paulo, mediei um debate entre os pastores Ed René Kivitz e Antônio Carlos Costa, por ocasião do lançamento do livro mais recente de Antônio, intitulado Convulsão protestante, do qual fui editor. O evento aconteceu em um auditório que fica na livraria Saraiva do shopping Center Norte. Assim que cheguei lá, encontrei minha amiga Luciana Nascimento, que trabalha na Mundo Cristão. Ela me puxou e disse que queria me apresentar a uma pessoa. Entramos na livraria e Luciana se aproximou de uma das vendedoras. Dirigiu-se a ela e me apontou.

– Heloisa, este aqui é o Mauricio Zágari, autor do Perdão Total – Um livro para quem não se perdoa e para quem não consegue perdoar.

Eu e Heloisa da Saraiva Center Norte_090615Aquela jovem mulher me viu, veio ao meu encontro e me deu um abraço muito apertado, com os olhos cheios de lágrimas. Fiquei assustado, sem entender direito. Foi quando Heloisa (foto) me contou sua história: disse que vivia uma situação que eticamente não posso dizer qual é, mas, em síntese, tinha a ver com perdoar e se perdoar. E que o Perdão Total havia transformado sua vida. Confesso que fiquei muito emocionado com aquilo e extremamente grato a Deus por ter usado as reflexões que compartilhei no livro para produzir aquele resultado. Detalhe: Heloisa é kardecista.

Isto não é teoria, é fato: livros mudam vidas, e para melhor. Livros nos aproximam de Deus. Tenho visto e vivido essa realidade. Não abra mão do gigantesco privilégio que é a leitura – que nada mais é do que a transmissão de pensamentos e conhecimentos por via escrita. Livros cristãos, então, têm o explosivo potencial de abrir novos e maravilhosos horizontes em sua vida e na daqueles que você ama. Deus te deu a habilidade de ler e tempo para ser investido em leitura. Não desperdice essas grandes dádivas.

Convite Saraiva 180615_QuadradoEu poderia parar o texto aqui, mas peço a sua permissão para aproveitar o assunto e fazer um convite. Soube semana passada, quando estava em São Paulo, que o Perdão Total vai entrar em sua 4a edição, o que mostra que Deus tem abençoado muitas vidas por meio daquilo que ele pôs nas páginas dessa obra (inclusive, 1/3 dos exemplares foram vendidos em livrarias não evangélicas, como Saraiva, Nobel e FNAC). Saber de resultados assim é o incentivo de que preciso para seguir escrevendo aqui no APENAS e a continuar produzindo livros que sirvam de instrumento para o Senhor abençoar e transformar vidas. Acredito firmemente no poder da literatura a serviço do reino de Deus e sempre que possível incentivo a divulgação de obras que contribuam para libertar, sarar e edificar vidas, conduzindo-as mais para perto de Cristo. Por isso quero aproveitar e convidar você, que mora no Rio de Janeiro, a me encontrar na próxima quinta-feira, dia 18/06, às 20h, na livraria Saraiva do shopping Rio Sul, em Botafogo. Lá ocorrerá uma noite de dedicatórias do novo livro de minha autoria, O Fim do Sofrimento – Um livro para quem busca consolo e esperança nos momentos mais sombrios. Será uma oportunidade de nos conhecermos pessoalmente e conversarmos um pouco. Se você não for do Rio, eu pediria, por favor, que orasse por esse livro, a fim de que ele impacte vidas assim como o Perdão Total e tantas outras obras cristãs têm feito.

Peço a Deus que, caso venham a ler essa obra, você e milhares de pessoas sejam tocados pelo Espírito Santo, assim como ocorreu com Heloisa e aquele homem cuja vida foi salva por meio de um livro sem capa e descartado em uma lata de lixo. Um livro que nada mais era do que um missionário em repouso, esperando para mudar uma vida.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
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dente 1Em algum momento da sua vida, você certamente já brincou com sementes da planta conhecida como dente-de-leão. A certa distância, elas parecem um chumaço branco e redondo, fixado na ponta de uma haste verde, mas, quando sopra o vento, aquela bolinha de fiapos de desfaz em um monte de pequenos tufos, que saem voando pelo ar. É lindo de se ver e divertido. Sempre gostei muito dessas sementes, porque me transmitem uma sensação de paz e leveza. Para os cristãos da Idade Média, a flor da dente-de-leão estava associada a Cristo, possivelmente pelo seu formato, que lembra os raios do sol. Por isso, historicamente ganhou o significado de otimismo, esperança e luz espiritual. Além das características simbólicas, a planta pode ser utilizada com fins medicinais; seu chá é usado para purificar o sangue, estimular o apetite e tratar diferentes problemas de saúde. E mais: o dente-de-leão também serve como alimento, pois tem valor nutritivo.

Fiquei positivamente surpreso e feliz quando a Editora Mundo Cristão me apresentou a capa de meu novo livro, O Fim do Sofrimento – Um livro para quem busca consolo e esperança nos momentos mais sombrios. A obra, que chega às livrarias neste mês de maio, tem uma capa azul celeste e o único elemento além das palavras são sementes de dente-de-leão sopradas ao vento. Achei a escolha do artista que fez a capa muito apropriada para um livro que tem como objetivo levar paz e alívio a pessoas que estão passando por um período de sofrimento. Quando recebi da Mundo Cristão a arte da capa, fiquei olhando, me lembrando das características dessa planta e refletindo sobre sua relação com a questão da paz em meio ao sofrimento, que é o tema central do livro.

dente 3Muitas vezes, quando o sofrimento chega à nossa vida, nos sentimos destroçados. É como se uma situação aparentemente perfeita fosse destruída, dando lugar a dor, angústia, tristeza, dúvidas, depressão e aflições. O mesmo ocorre com o dente-de-leão, um chumaço redondinho, perfeito, bonito. Mas aí chega o vento. Em segundos, aquela planta aparentemente irretocável é desfeita, desconjuntada, suas partes são sopradas para todos os lados e o que sobra é uma haste pelada, despida de beleza. O interessante é que essa aparente destruição na verdade serve para manter a espécie viva, uma vez que, quando isso ocorre, as sementes são levadas pelo vento para fazer brotar novos exemplares – uma bela estratégia que Deus criou para fazer a planta proliferar, crescer e se multiplicar.

Assim, se enxergarmos o sofrimento não como uma desgraça totalmente negativa, mas como uma oportunidade de reflexão, crescimento e transformação,  conseguiremos lidar muito melhor com as dores do corpo e as angústias da alma. Tudo é uma questão de como se encara a destruição do dente-de-leão: como o fim de algo belo ou como um fenômeno necessário para que ele cresça e se fortaleça. Como você lida com seu sofrimento? Com lamúrias e olhos cravados no presente ou com antecipação e olhos voltados para o futuro?

Além disso, o dente-de-leão é uma planta medicinal, isto é, que ajuda a curar males. De igual modo, enxergo no sofrimento a capacidade de nos conduzir a patamares de reflexão e transformação que em períodos de tranquilidade não conseguimos. Quando sofremos, somos empurrados para fora da nossa zona de conforto e nos vemos obrigados a mudar e nos reinventar; nos tornamos mais fortes e resilientes; adquirimos a capacidade de lidar com as agruras da vida como nunca antes; além de adquirimos um grau de intimidade e relacionamento com Deus muito superior aos dos tempos de paz (seja franco: você ora mais e com mais profundidade quando está tudo bem ou quando tudo vai mal?). O apóstolo Paulo deixou muito clara a capacidade do aperfeiçoamento na fraqueza provocada pelo abatimento de alma:

“Foi-me posto um espinho na carne, mensageiro de Satanás, para me esbofetear, a fim de que não me exalte. Por causa disto, três vezes pedi ao Senhor que o afastasse de mim. Então, ele me disse: A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo. Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo. Porque, quando sou fraco, então, é que sou forte” (2Co 12.7-10).

O fim do sofrimento_CapaNinguém quer sofrer, ninguém gosta de sofrer. Nem eu, nem você, nem ninguém. Sofrimento é algo horrível. Jamais você me ouvirá dizer que devemos querer sofrer – não sou louco. Só que o sofrimento é uma realidade da vida e um dia ele chegará, inevitavelmente. A pergunta que todos devemos saber responder é: como lidaremos com a dor, o luto, a aflição, a depressão, o desconforto, a perda e a falta de bem-estar quando vierem? Com desespero e desequilíbrio ou com confiança e paz? A resposta a essa pergunta fará toda diferença.

O Fim do Sofrimento tem um duplo objetivo: esclarecer por que um Deus bom, amoroso e misericordioso permite que seus filhos sofram. E ofertar palavras de consolo, alívio, crescimento e transformação, para mostrar como você pode obter paz enquanto está no olho do furacão. Por isso, fico especialmente encantado com um aspecto muito singelo da planta escolhida para ilustrar a capa do livro: sabe como o dente-de-leão é chamado em algumas regiões do Brasil?

Esperança.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

 .
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Deus está no controle 1­Deus está realmente no controle das coisas? Ele já tem tudo previsto ou existe margem para mudanças nos planos divinos? Se o Senhor está no controle, até onde vai sua esfera de intervenção nas coisas do mundo? Livre-arbítrio é uma heresia arminiana? Ou determinismo é uma heresia calvinista? É fato que o Todo-poderoso não está por trás das catástrofes, como alega o teísmo aberto? Como se explica a história de Ezequias, o rei israelita que ganhou 15 anos a mais de vida após orar a Deus? Se o Senhor já sabia que a humanidade pecaria, por que a criou? Se Jesus veio à terra para morrer por nossos pecados, por que pediu ao Pai que afastasse dele o cálice do sofrimento? Se Jesus é descendente de Davi por meio de Bate-Seba, a mulher com quem o rei adulterou, Deus queria que esse adultério ocorresse? Questões como essas dão nó nos neurônios de muita gente, para quem a grande equação por meio da qual Deus conduz o universo é um enigma incompreensível e insolúvel. Esta semana vivi uma experiência que me fez pensar muito sobre como o Senhor age em nossa vida.

Perdão Total_Capa 3D em altaDesde que foi lançado meu mais recente livro, Perdão Total — Um livro para quem não se perdoa e para quem não consegue perdoar, tenho sido convidado para pregar ou palestrar sobre o assunto em diferentes cidades do país. Domingo passado, estava agendado para que eu pregasse na Igreja Batista Jardim Icaraí, em Niterói (RJ). Como eu não dirijo, um casal querido, Ana e Renato, se dispôs a sair de Niterói e me pegar em casa, em Botafogo, bairro do Rio de Janeiro. Ficou combinado que eles me pegariam às 18h, pois o culto começava às 19h30. Iríamos eu, minha esposa e minha filha de 4 anos. Só que o imprevisto ocorreu, com toda força.

No meio da tarde, um temporal desabou sobre a cidade. Foi um daqueles aguaceiros que dão reportagem em jornais, com ruas alagadas, trânsito parado e caos. Resultado: depois de muito penar para chegar até meu prédio, fugindo de bolsões de água e trechos intransitáveis, Ana e Renato conseguiram estacionar, ilesos, no posto de gasolina em frente ao meu edifício. Só que já eram 19h e a chuva não dava sinal de trégua. Assim que chegaram, Ana me telefonou e tentei ir até eles, mas minha rua tinha virado um rio e era impossível dar um passo fora da portaria. Conversamos, então, por telefone e, depois de eles terem consultado o seu pastor, todos vimos que não conseguiríamos chegar à igreja a tempo do culto. Resultado: de comum acordo, decidimos adiar minha ida para outro dia. Depois de um tempo, as águas começaram a baixar e consegui fazer um malabarismo para ir até eles. Conversamos pessoalmente e a decisão foi reafirmada.

Confesso que subi de volta para meu apartamento decepcionado e questionando Deus. Já no elevador, eu comentava com o Senhor que não entendia aquilo. Será que ele não queria que eu compartilhasse a mensagem do perdão com os membros daquela igreja? Claro que tenho o entendimento de que o temporal não caiu só por minha causa, mas, como eu também sou uma letra na equação divina, entendo que minha vida também é incluída nas decisões de Deus. Assim como a sua. Assim como a de qualquer pessoa. Fato é que fiquei triste por não poder ir até Niterói pregar sobre um assunto que considero extremamente urgente.

E foi então que a história deu uma guinada.

Deus está no controle 2Cerca de vinte minutos depois de ter chegado em casa, minha filha, que passou o dia inteiro bem disposta, estava arrumada e animada para sair e ficou bem triste por não termos ido à igreja, começou a reclamar de dor de cabeça. Em minutos, a dor ficou extremamente forte e ela passou a sentir um mal-estar generalizado. De repente, o susto: a pequena se revirou na cama e vomitou em profusão. Enquanto eu limpava a sujeira, sua mãe a levou ao banheiro para lavá-la. Lá, mais vômitos. Achei que a crise tinha acabado. Dei-lhe um pouco de água para beber e deitamos no sofá da sala para assistir a uma apresentação de balé. Em poucos minutos, a pequena começou a acusar nova dor de cabeça e mal-estar. Virou-se para o lado e vomitou pela terceira vez, agora no chão da sala.

Foi quando percebi que a coisa ia além de um simples enjoo e tomei a decisão de levá-la para o hospital. Como alguém que já passou três dias internado em um CTI por infecção intestinal grave, levo muito a sério esse tipo de sintomas. Assim, nos vestimos rápido, descemos, vimos que a água já tinha baixado o suficiente para sairmos, pegamos um táxi e disparamos para a emergência pediátrica. Chegamos ao hospital e logo fomos atendidos. Assim que entrou na sala do médico, minha filha vomitou novamente, com espasmos bastante fortes. Seu estômago estava vazio e quase não saía mais nada. Depois dos exames preliminares, entramos na sala de atendimento de emergência, onde, enquanto aguardava para tomar uma injeção, a pequena vomitou pela quinta vez. A dor de cabeça era grande. O mal-estar e a moleza, generalizados. O médico decidiu fazer uma tomografia computadorizada da cabeça.

Vou resumir as três horas e meia seguintes, passadas entre exames e tratamentos, em um parágrafo: graças ao atendimento rápido, minha filha pôde ser liberada naquela mesma madrugada do hospital. Os médicos não conseguiram determinar o que ela teve, mas as suspeitas vão de intoxicação alimentar a viroses. A medicação rápida contribuiu muito para seu quadro não piorar. Ela ficou dois dias em casa, de repouso, ainda com dores, febre e enjoos, mas, com o tempo, o problema passou.

Deus está no controle 3Fiquei pensando. Se tivéssemos ido a Niterói, minha filha passaria mal longe de casa, talvez presa em algum engarrafamento, talvez momentos antes de eu subir ao púlpito para pregar. Imagine como teria sido. Tudo é um grande “talvez”, mas uma coisa é certa: o fato de estarmos em casa quando ela passou mal foi decisivo para que fosse rapidamente socorrida e, seja lá o que a tenha acometido, o mal ter sido debelado com o mínimo de dor e desconforto. Quem sabe, até, uma demora no socorro poderia ter agravado o quadro e gerado problemas mais severos.

E aí fica a pergunta: será que Deus me impediu de ir a Niterói para que eu pudesse socorrer minha filha? Teria ele sacrificado a pregação naquele dia específico em prol do que ele sabia que aconteceria com minha pequena? A resposta é que não sei, é muito complexo pensar sobre isso e eu não sou onisciente. Não tenho como afirmar nada. Mas, quando olho para a Bíblia, vejo que “O Senhor faz tudo com um propósito” (Pv 16.4). Mais ainda, percebo que “Sabemos que Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam, dos que foram chamados de acordo com o seu propósito” (Rm 8.28). Então, ao ler verdades como essas, solidifico em meu coração uma realidade: nada do que aconteceu foi à toa.

O acaso não existe. Sorte é um conceito antibíblico. O que prevalece é a soberania de Deus. E, nessa soberania, o Senhor fez com que, em meio a milhões de cariocas e niteroienses afetados pelo temporal de domingo, eu não fosse pregar conforme tinha sido planejado e, assim, estivesse em casa para socorrer com agilidade minha filha. Se você me perguntar se foi coincidência, vou sorrir, com toda a certeza do mundo de que Deus teve um propósito no que ocorreu e que ele agiu para o nosso bem.

Meu irmão, minha irmã, preste mais atenção às coisas que acontecem em sua vida. Não digo só as grandes; as pequenas e insignificantes também. Pois, se tudo Deus faz com um propósito e em todas as coisas ele age pelo bem dos que ama, lembre-se que tudo significa tudo. E todas as coisas significa todas as coisas. Não uma parte, não uma parcela, não umas e não outras. Tudo. Todas as coisas. Esse é o Deus da Bíblia.

Deus está no controle 4Com essa percepção, você vai passar a perceber a ação de Deus no engarrafamento, no chuveiro que pinga, no calor abrasador, no mendigo que lhe pediu dinheiro, no atraso do dentista, na gata que fugiu de casa, na topada do pé. Há gente que brinca com quem atribui tudo ao Diabo, criticando quem diz que “queimou o arroz, é culpa do Diabo”. Eu discordo. A “culpa” é de Deus. Pois ele tinha em mente aquele arroz queimado. Para quê? Sei lá! Mas ele sabe. A vida é uma grande engrenagem, que tem como finalidade nos conduzir à vida eterna, em Cristo. Como tudo isso funciona eu não faço ideia, os pensamentos do Senhor são muito mais elevados do que os meus para que eu consiga compreender. Mas de uma coisa eu sei: eu não preciso saber todos os mistérios do Senhor nem conseguir explicá-los, pois basta compreender que Deus sabe tudo. Peço apenas que ele me tome pela mão e conduza meus passos. Em outras palavras, “seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu” (Mt 6.10).

Digam o que quiserem, Deus está no controle. Uns chamam de sorte, eu chamo de Deus. Uns chamam de acaso, eu chamo de Deus. Uns chamam de livre-arbítrio, eu chamo de Deus. Uns chamam de determinismo, eu chamo de Deus. Chamem do que desejarem, elaborem as teorias teológicas que quiserem, a resposta será sempre uma só: Deus. E, com isso em mente, devemos fazer a nossa parte e, em seguida, agir como recomendou o salmista: “Entregue o seu caminho ao SENHOR; confie nele, e ele agirá” (Sl 37.5).

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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boneca 1Sei que confessar isso não fará bem à minha imagem de machão brasileiro, mas a verdade é que eu brinco com bonecas. Tudo bem que não é uma atividade solitária ou espontânea: eu só brinco com bonecas, panelinhas, cozinhas de plástico e afins quando minha filha me chama para isso. Como amo brincar com ela, perco todos os pudores masculinos e me torno a voz e a alma da Dudinha, da Lalá, da Giulia, da Bailarina, da Branca de Neve e de muitas outras bonecas que fazem parte do universo lúdico da minha pequenininha. Recentemente, em uma dessas brincadeiras, eu me peguei reparando um aspecto que não havia notado antes: bonecas são perfeitas. Já percebeu que nenhum fabricante faz bonecas de pessoas com problemas genéticos, obesas, deficientes ou amputadas? Quando esse pensamento invadiu minha mente, me fiz uma pergunta que pode soar bem sui generis: por que não se fabricam bonecos de pessoas que fujam dos padrões da chamada “normalidade”, como… anões? Isso mesmo, poderia haver, por exemplo, uma boneca da Princesa Elsa, de Frozen, retratada com um dos 200 tipos de nanismo já identificados pela medicina. Após alguma reflexão, acredito que a resposta a essa pergunta inusitada fala muito sobre como nós, seres humanos, somos.

Em princípio, você pode achar bizarro o meu questionamento. “Ora, Zágari, é óbvio que ninguém fabrica bonecos de anões!”. Bem, na verdade não é algo tão óbvio assim, se levarmos em conta a estimativa de que existem cerca de 175 mil anões sobre a face da terra – um número expressivo de seres humanos. Poderíamos ir além: que tal as fábricas de brinquedos lançarem uma linha de bonecos com deficiências visuais? “Zágari, para, tá ficando doido?!”. Bem… pesquisas da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que existem no planeta cerca de 75 milhões de pessoas cegas e mais de 225 milhões de portadores de baixa visão, isto é, incapazes de desempenhar grande número de tarefas cotidianas devido à deficiência visual. E poderíamos seguir adiante, mostrando como a população da terra é composta por pessoas cheias de deficiências, disfunções e problemas. Eu mesmo sofro de fibromialgia, síndrome que, acredita-se, afeta 5% da população mundial – nada menos de 350 milhões de pessoas, quase o dobro do número de habitantes do Brasil.

O que isso mostra? Que dos 7 bilhões de habitantes dessa esfera flutuante em que vivemos, a maioria tem algo que as torna “imperfeitas”. No entanto, as bonecas são todas perfeitas. Barbie não tem uma única celulite, imagino que nem mau hálito deva ter. Ken, seu companheiro apolíneo, tem os dentes brancos, sem tártaro algum, não sofre de dores nas costas e imaginá-lo calvo seria uma heresia. A Giulia, uma boneca quase anatomicamente perfeita de uma neném, é loirinha, com olhos azuis, rechonchudinha e nunca experimentou desidratação, diarreia, viroses ou alergias. Que dizer, então, da Branca de Neve, essa musa morena das passarelas, que desconhece o que seja miopia, hérnia de disco, obesidade, intolerância a lactose ou lúpus. Bonecas são perfeitas: essa é a constatação e ponto final.

A pergunta é: por quê?

masks 1Por que quando o ser humano tem a possibilidade de brincar de Deus e fabricar à sua imagem e semelhança pequenos seres humanos de plástico, látex, pano e borracha, escolhe fabricar logo indivíduos sem nenhuma falha, incólumes, esplendorosos, algo como Adão e Eva antes da Queda? A resposta é simples: não gostamos de nossas imperfeições. Bem… até aí tudo bem, eu não gosto mesmo dos pecados que cometo, assim como o apóstolo Paulo também reconheceu que fazia o mal que não queria e não ficava nada feliz por isso. Mas a coisa vai além de “não gostar”: nós buscamos sempre esconder as nossas imperfeições. E esse é o xis da questão.

Eu e você apreciamos nos apresentar da melhor forma possível. Ressaltamos nossas qualidades e tentamos esconder do mundo nossos erros e fraquezas. Recentemente andou rolando pelas redes sociais uma corrente de mulheres que se desafiavam a publicar fotos sem “make” (maquiagem), como se isso fosse uma tarefa terrivelmente desafiadora. Ou seja: mostrar que elas são quem são foi considerado um desafio, uma ousadia, uma quebra de paradigma. Que percepção interessante! Fato: escondemos ao máximo quem na realidade somos. Não confessamos que soltamos pum, tiramos meleca e cheiramos mal sem a ajuda de produtos químicos como perfumes e desodorantes. A humanidade busca sempre ocultar o que tem de pior.

E até aqui só falei de questões físicas. Mas, para o evangelho, o que mais importa não é o corpo, é o coração.

maks 2O ponto é que Cristo nos desafia a sermos transparentes, sinceros, honestos. A abrirmos o peito e confessarmos a Deus o que há de mais negro, pútrido e fétido em nossa alma, em nossos pensamentos e atos, em nossas palavras e omissões. Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (1Jo 1.9). “O que encobre as suas transgressões jamais prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia” (Pv 28.13). Sim, Deus nos chama para a absoluta transparência. Se tentarmos esconder quem somos, estaremos incorrendo naquilo que Cristo criticou nos fariseus: hipocrisia. Falsidade. A tentativa de nos apresentarmos como super-humanos, algo que jamais seremos; é mentira, pura e simples.

Reconheçamos nossas falibilidades, meu irmão, minha irmã. Esse é o único caminho para o perdão e a restauração. E, além disso, não fingir uma aparente ultrassantidade serve de exemplo para os que nos cercam, que se tornarão mais honestos consigo mesmos e com os demais. Por que fingir ser quem você não é? Por que se fazer de mais santo do que de fato é? Seja quem sua alma é e não quem você deseja que o mundo veja que você é. Pois a proposta de viver de máscaras nos remete ao pensamento do filósofo Maquiavel em sua obra clássica O Príncipe: “O importante não é quem você é, mas quem os outros pensam que você é”. O que, do ponto de vista bíblico, é o oposto do que Jesus deseja.

cruzPermita-me fazer uma pergunta: se você fosse fazer um boneco de si mesmo, como ele seria? O meu teria barriga grande, pele oleosa, fibromialgia, pé cavo, cabelos brancos nascendo em profusão, pernas arqueadas; isso só para falar do exterior. Se fabricassem bonecos que se pudesse apertar um botão nas costas e ele revelasse o que vai dentro do coração, o meu seria chato, egoísta, pedante, mau, depravado… um ser humano completo, típico espécime da era pós-adâmica. Meu irmão, minha irmã, somente o reconhecimento diante de Deus de quem nós verdadeiramente somos faz de nós cristãos autênticos, do tipo que não tem coragem de olhar para o céu, mas que bate no peito e diz: “Deus, tem misericórdia de mim, que sou pecador…” (Lc 18.13). Encare de frente quem você é. Assuma suas falhas. Pois, se o fizer, terá dado o primeiro passo para que Deus enxergue além delas e veja não as suas sombras, mas a luz do Cordeiro. Jesus tomou sobre si, na cruz, toda a sua maldade. E, se, em vez de escondê-la, você a reconhecer, confessar e lançá-la sobre essa mesma cruz… as portas da graça estarão abertas para você.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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jo 1O início do livro de Jó nos mostra uma situação muito estranha. Em um primeiro olhar, temos a sensação de que o Senhor está engajado numa barganha com Satanás acerca da vida do “homem íntegro e justo; [que] temia a Deus e evitava fazer o mal” (Jó 1.1). Parece uma espécie de aposta, de desafio. Que esquisito. Como podemos entender isso? O que o relato desse diálogo entre o Senhor e o Diabo nos ensina? Se conseguirmos enxergar além, vamos perceber que Deus na verdade não barganhou em momento algum com Satanás, mas só deu papo para o inimigo e permitiu que ele afligisse Jó por uma razão bem específica, que veremos no último parágrafo deste texto.

É um enorme equívoco achar que Deus e Satanás estão numa batalha em pé de igualdade. Entenda: a única relação dos demônios com o Criador é no sentido de obedecer e implorar ao Senhor. Do mesmo modo que eu e você, como criaturas, dependemos da permissão do Pai para tudo, todo e qualquer ser espiritual tem de seguir o mesmo protocolo. Sim, Satanás é obrigado, em tudo, a dizer ao Todo-poderoso: “Seja feita a tua vontade, assim na terra como nos céus”. Ele não tem escolha. Então o que esse trecho de Jó mostra não é um Deus que barganha com o Diabo, mas um Diabo que está submisso em tudo a Deus e tem necessariamente de obedecer-lhe – embora de muita má vontade, é verdade. Mas se o Senhor manda, o Diabo só pode dizer “amém” – as forças espirituais da maldade jamais moverão uma palha sequer se o Todo-poderoso não permitir.

jo 2Para tomar qualquer iniciativa, Satanás precisa que Deus conceda-lhe o direito. Veja que em Jó 1.12 o Senhor diz a Satanás: “Pois bem, tudo o que ele possui está nas suas mãos; apenas não toque nele”. Deus usa o verbo no imperativo, isto é, trata-se de uma ordem, algo que vem de cima para baixo: “Não toque”. Em nenhum momento há uma barganha: há uma concessão. E que vem não para satisfazer Satanás, mas para cumprir os propósitos divinos. Logo, do mesmo modo que Deus endureceu o faraó no Êxodo, usou Nabucodonosor, Ciro, Dario e outros incrédulos para realizar a sua soberana vontade, também só permite ao Diabo fazer suas diabruras se elas, no grande esquema das coisas, atenderem ao que o Senhor deseja. Nesse sentido, o Inimigo é como uma caneta que o Pai usa para escrever a História da eternidade. E canetas não têm autonomia, poder ou autoridade: são instrumentos usados para atender os desejos de quem os maneja.

As palavras de Cristo em Mt 4.10 (a tentação de Jesus no deserto) são absolutamente reveladoras: “Jesus lhe disse: Retire-se, Satanás!”. Perceba o que está acontecendo aqui. Jesus simplesmente dá uma ordem. E o que o Diabo faz quando Cristo diz “retire-se” é: “Então o Diabo o deixou”. Não há luta, não há barulho, não há disputa. Jesus diz e o Diabo simplesmente e subordinadamente obedece. A história se repete em Marcos 5, no episódio do endemoninhado gadareno. Quando aquela legião de demônios se vê diante do Rei dos Reis o que ela faz? “E implorava a Jesus, com insistência, que não os mandasse sair daquela região. Uma grande manada de porcos estava pastando numa colina próxima. Os demônios imploraram a Jesus: ‘Manda-nos para os porcos, para que entremos neles’” (Mc 5.10-12). Os demônios imploraram. Segundo o dicionário, isso significa que eles suplicaram, pediram encarecidamente e humildemente.

O livro de Jó nos antecipa o que veríamos séculos depois se cumprir em Cristo: a supremacia de Deus sobre o Diabo. Jesus lida com Satanás e os demônios sempre como um leão trataria um rato ou uma águia trataria uma serpente. Mateus 8.16 diz a respeito de Cristo: “Ao anoitecer foram trazidos a ele muitos endemoninhados, e ele expulsou os espíritos com uma palavra. Repare, uma única palavra! Jesus não se rebaixava a ficar conversando com demônios se não houvesse propósito para isso. Com uma única palavra os mandava embora.

jo 3A Bíblia é sobre Cristo. O evangelho é sobre Cristo. Nossa vida é sobre Cristo. Se você reparar que está gastando muito do seu tempo lendo sobre demônios, falando sobre eles e se preocupando com eles é sinal de que suas prioridades na vida de fé precisam ser reavaliadas. Cristianismo é sobre viver com Cristo e amar o próximo e não sobre ficar gastando horas e horas com demônios. Ao final do livro de Jó, vemos o resultado de tudo o que o Diabo lhe causou: “Meus ouvidos já tinham ouvido a teu respeito, mas agora os meus olhos te viram” (Jó 42.5), disse o patriarca ao Senhor. Não, não houve barganha entre Deus e Satanás. Houve, isso sim, a mão do Pai em ação para fazer seu filho amado crescer em intimidade consigo: o sofrimento de Jó fez com que ele deixasse de ser apenas um homem que cumpria a lei de um Legislador para se tornar um filho que tinha intimidade com um Pai.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari

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Hoje o blog APENAS não traz nenhum post. Nenhuma reflexão. Nenhum insight. Nada inovador. Nada diferente. Nada que você já não tenha pensado antes. Quero te convidar ao básico. Onde você estiver – em casa, no trabalho, na rua, no ônibus, no trem… não importa – te convido a parar por alguns segundos. Minha proposta é que, no exato momento em que está lendo este texto, você:

1. Pense em alguém que está enfrentando depressão e ore em silêncio por ele.
2. Pense em alguém que está com alguma doença no corpo e ore em silêncio por ele.
3. Pense em alguém que te fez muito, mas muito mal, e ore em silêncio pedindo a Deus que o perdoe totalmente.
4. Pense em alguém que precisa de salvação e ore em silêncio por ele.
5. Pense em alguém que está passando por necessidades materiais e ore em silêncio por ele. Em seguida, veja como você pode, com ações práticas, ajudá-lo. E ajude o mais rápido possível.
6. Pense em alguém que está se sentindo solitário e ore em silêncio por ele. Pense em quando você poderia encontrá-lo e passar algumas horas juntos. E faça isso o mais rápido possível.
7. Pense em alguém que esteja cometendo algum pecado sem arrependimento e que você saiba e ore em silêncio por ele.
8. Pense em todas as coisa boas que Deus te deu e agradeça a ele em silêncio por cada uma.
9. Pense em quem Deus é e diga-lhe em oração silenciosa tudo o que ele representa para você.
10. Pense em como você poderia amar mais ao próximo. Mas, em vez de orar por isso, ponha em prática o que você pensou.

Pronto. Por hoje basta. Se você cumprir os dez itens acima já será um cristão bem mais conformado à imagem de Jesus do que antes.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Mauricio Zágari

remedios0É extremamente comum eu deparar com irmãos e irmãs em Cristo que vivem esmagados pelo peso desta dúvida: diante de uma doença, deve-se recorrer à medicina humana ou esperar por um milagre de Deus? Não é raro ouvirmos, especialmente entre nós, pentecostais, pessoas que defendem que buscar socorro junto à medicina seria falta de fé. Por isso, muitas e muitas pessoas se veem em crise, sem saber se devem se submeter a tratamentos médicos ou esperar pela cura milagrosa. Pois bem, a todos que chegam a mim com essa dúvida eu sempre digo: recorra ao milagre – da medicina. Vou explicar.

Eu acredito em milagres. A Bíblia afirma e reafirma que o Senhor é capaz de fazer qualquer coisa, em sua onipotência, mesmo o que nos parece impossível. “Porque para Deus não haverá impossíveis em todas as suas promessas” (Lc 1.37); “Os impossíveis dos homens são possíveis para Deus” (Lc 18.27); “Jesus, fitando neles o olhar, disse-lhes: Isto é impossível aos homens, mas para Deus tudo é possível” (Mt 19.26); “Para os homens é impossível; contudo, não para Deus, porque para Deus tudo é possível” (Mc 10.27). Então, sim, é bíblico que Deus possa realizar curas sobrenaturalmente. Creio em milagres porque creio que Deus tem capacidade para fazê-los.

Já vi Deus operar milagres de cura de deixar o queixo caído. Tenho pessoas próximas diagnosticadas com cânceres que desapareceram sem explicação, por exemplo. Então sou profundamente crente na possibilidade de o Todo-poderoso curar pessoas em nossos dias de forma sobrenatural. Porém, a realidade da vida nos mostra que nem todos serão sarados milagrosamente. Tendo dito isso, permita-me explicar que, a meu ver, não existe separação entre medicina humana e a atuação de Deus. E digo isso porque enxergo a medicina como um enorme milagre. Quando pensam na medicina humana, muitas pessoas parecem que a veem como algo distinto da ação divina, como se remédios e tratamentos alopáticos fossem algo mundano. Talvez, até… satânico? Mas você já parou para pensar sobre como surgiram os medicamentos?

remedios1Remédios foram criados a partir da capacidade de seres humanos de perceber, estudar, analisar e compreender que determinadas substâncias químicas existentes na natureza e sintetizadas em laboratório são capazes de curar doenças. Para nós isso parece natural hoje em dia, mas pense em séculos atrás, na época em que não se sabia, por exemplo, que o ácido acetilsalicílico curava dor de cabeça. A sabedoria concedida aos homens que perceberam isso e desenvolveram formas de administrar essa substância a pessoas que agonizavam com enxaquecas não é um milagre de Deus? Não sei quanto a você, mas, quando tenho dor de cabeça, tomo uma aspirina e ela some em minutos, não são os laboratórios farmacêuticos que louvo em gratidão: é a Deus.

A Bíblia afirma: “Toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança” (Tg 1.17). Diante disso, vemos que o conhecimento humano que levou pessoas a descobrir como fabricar medicamentos é uma boa dádiva que veio direto do Pai. Pense em Salomão; a sabedoria dele não foi uma dádiva que Deus lhe concedeu? Quando Salomão ou Débora julgavam de forma sábia, você pensa que essa sabedoria era mundana ou um milagre de Deus, fruto de uma ação direta do Senhor na mente deles? Meu irmão, minha irmã, entenda que tudo de bom, criativo, abençoador ou maravilhoso que eu, você ou qualquer outro ser humano – seja cristão ou não – façamos é resultado da ação divina em nós e, portanto, é um milagre.

remedios2Leio muitos comentários aqui no blog APENAS de leitores que afirmam que Deus respondeu a suas dúvidas, amainou suas angústias, deu-lhes paz ou muitas outras coisas por meio dos textos que escrevo aqui. Sinceramente, você acredita que isso é mérito meu? Claro que não, é um milagre de Deus, que usou a mim para levar consolo, edificação e exortação aos irmãos e irmãs, de cujas questões eu nem mesmo estava ciente quando escrevi os textos. Portanto, toda benção que vem da leitura dos meus posts é dádiva do alto, não resultado de esforço humano. Só que, curiosamente, ninguém fala “ah, não vou ler os textos do Zágari em busca de respostas não, pois isso seria falta de fé, vou esperar Deus aparecer para mim pessoalmente para me ajudar”. Ninguém faz isso porque sabe que Deus usa pessoas para cumprir seus propósitos. Mas, quando o assunto é saúde, muitos parecem se esquecer disso.

Mais um paralelo: em Atos 8.38, o texto relata que, após Felipe batizar o eunuco etíope, aquele discípulo de Cristo é arrebatado e transportado milagrosamente para uma localidade distante. Ora, diante disso, quem crê que tomar remédios é falta de fé não deveria considerar também falta de fé pegar um avião ou um carro feito pelos homens para ir de uma cidade a outra? Fé, segundo esse pensamento, não seria orar e crer que Deus faria o milagre de nos teletransportar de um lugar a outro, como fez com Felipe? Só que ninguém pensa isso. Parece que a única atitude em que recorrer a produtos humanos exprime falta de fé é tomar remédios. Essa ideia não faz nenhum sentido, oprime milhões de bons irmãos e irmãs em Cristo e gera culpa, descrédito, dores e, até mesmo, apostasia. Precisamos agir com graça com nossos irmãos que enfrentam enfermidades. Na doença deles, apoiá-los e não condená-los. Estender compaixão e não acusações. Se eu ficar doente, orarei a Deus pedindo a cura, mas, também, tomarei remédios. Que ele me cure conforme a vontade dele e não a minha e do modo dele e não do meu. E me atrevo a dizer mais: se o Senhor não me curar, ainda assim o louvarei, pois ele continuará sendo Deus.

Querido, querida, todo remédio que já foi criado é fruto da graça comum do Criador, que iluminou milagrosamente cientistas para descobrirem que aquelas substâncias seriam capazes de curar as minhas e as suas enfermidades. Por isso, tome, sim, medicamentos, e fique bem. E, toda vez que ingerir um remédio e ficar livre da doença ou da dor que te afligia, ore ao Senhor em agradecimento e diga a ele: “Obrigado, Pai, pelo milagre da medicina humana, fruto da tua ação sobrenatural sobre a mente dos homens”. E fique em paz.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Mauricio Zágari

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