Arquivo da categoria ‘Perdão Total’

Uma grande parte dos divórcios ocorre porque a pessoa não suporta atitudes, posturas, pensamentos, prioridades e gostos do cônjuge. Em geral, quando isso acontece, a separação é justificada como “incompatibilidade de gênios”, um termo elegante que, em outras palavras, quer dizer: “eu não aguento mais tantas coisas que meu cônjuge faz e que me incomodam ou o jeito dele de ser”. Eu me entristeço quando isso ocorre, porque, sem se dar conta, tais pessoas estão desperdiçando oportunidades extraordinárias de cumprir o propósito primordial e bíblico do casamento. Falemos um pouco sobre isso.

Para que nós casamos? Essa pergunta é fundamental, pois, sem respondê-la biblicamente, seremos guiados em nossa vida conjugal por razões diferentes das do Criador. Uma resposta muito comum é: “Eu casei para ser feliz” – e essa é uma resposta errada. Ao ler isso, você imediatamente tenta outra alternativa e parte, então, para aquela frase que virou moda no meio evangélico: “Eu não casei para ser feliz, mas para fazer meu cônjuge feliz”. O grande problema é que essa também é a resposta errada. Por quê? Simplesmente porque ela não é bíblica. Se você está chocado por ler isso, eu pergunto: onde na Bíblia está dizendo que você casou para fazer seu cônjuge feliz? Pode procurar, e garanto que você não encontrará tal afirmação na Escritura. Até porque ela é uma invenção humana.

Claro que você não casa para ser infeliz ou para fazer seu cônjuge infeliz. Isso é óbvio. Deixar o cônjuge feliz é parte do mandamento de amar o próximo e buscar a própria felicidade é algo inerente ao ser humano. A grande questão é que a felicidade conjugal é consequência do casamento e não causa para se casar. Entenda, para não me compreender mal: a felicidade não deve ser a motivação de se subir ao altar, mas ela será um resultado natural de um matrimônio realizado pelas razões certas e bíblicas.

Diante disso, surge a pergunta: se a felicidade não é a motivação bíblica para alguém casar, qual é? Paulo é quem nos dá a resposta: “E sabemos que Deus faz todas as coisas cooperarem para o bem daqueles que o amam e que são chamados de acordo com seu propósito. Pois Deus conheceu de antemão os seus e os predestinou para se tornarem semelhantes à imagem de seu Filho, a fim de que ele fosse o primeiro entre muitos irmãos” (Rm 8.28-29). Eis a verdadeira razão para alguém casar: ser cada vez mais semelhante ao Filho, Jesus Cristo.

Tudo, absolutamente tudo, o que passamos nesta vida tem como função nos tornar cada vez mais parecidos com Cristo. O sofrimento tem essa função primordial. Os relacionamentos também. As conquistas. As perdas. As alegrias. As tristezas. As tragédias. As bênçãos.

E o casamento.

Deus não estabeleceu que casássemos com anjos. Ele fez a mulher da costela do homem, isto é, casamos com pessoas que carregam a mesma essência errante, as mesmas imperfeições que nós. É de admirar que pessoas tão imperfeitas como eu e você acreditemos que vamos casar com gente perfeita, que fará tudo do jeitinho que queremos, que não nos chateará, que será gentil como nós não somos, pacientes como nunca seremos, autocontrolados como eu e você nunca fomos, cônjuges espetaculares como ninguém jamais é. A verdade é que muitos divórcios ocorrem porque casamos acreditando na propaganda enganosa de que seremos “felizes para sempre” e que nosso cônjuge será diariamente um exemplo de marido ou mulher.

E é evidente que não estou me referindo a situações extremas, como a de maridos que espancam a esposa ou mulheres que vivem se deitando com outros homens. Refiro-me a imperfeições comuns, a defeitos naturais, a posturas idiossincráticas como todos nós temos. Abusos, crimes, agressões e outros desvios de conduta, caráter e moral são excessos inaceitáveis. Minha reflexão trata dos defeitos comuns e naturais a todos nós, que isso fique muito claro.

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Se casamos contando com a perfeição do cônjuge, sendo que nós mesmos nunca fomos, somos ou seremos perfeitos, é óbvio que acabaremos decepcionados com o casamento. O segredo, então, é nos darmos conta de que Deus já idealizou o matrimônio consciente de nossa imperfeição. Ele sabia desde o princípio que absolutamente todo casamento seria imperfeito, visto que formado por um homem e uma mulher imperfeitos – e, na verdade, contava com isso. Como assim? Eu explico.

Para que você seja assemelhado cada vez mais a Cristo, precisa ser lapidado e aperfeiçoado naquilo que o diferencia de Cristo. Assim, para que se torne mais amoroso, o casamento vai desafiá-lo a amar um cônjuge que muitas vezes você tem vontade de esganar. Para que seja cada vez mais paciente, seu casamento o exercitará diariamente na arte da paciência. Para que seja manso como Cristo é manso, conviver com seu cônjuge exigirá de você um exercício constante de mansidão. E assim por diante. A realidade é que conviver dia após dia, ano após ano, década após década com alguém pecador, difícil, briguento, cabeça dura, cheio de defeitos e imperfeições que você detesta é um exercício no qual você é aperfeiçoado na medida em que supera cada dificuldade, tal qual uma faca que é raspada constantemente numa pedra de amolar: ela sofre atritos perenes, mas é justamente graças a esses atritos que ela vai sendo afiada. O casamento tem essa função: nos afiar dia após dia, para que nos tornemos cada vez mais próximos do padrão de Cristo. “Como o ferro afia o ferro, assim um amigo afia o outro” (Pv 27.17).

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Para que Paulo não afundasse na arrogância (um câncer espiritual da pior espécie), Deus permitiu que ele vivesse por anos com um espinho na carne, algo que o atormentava (2Co 12.1-10). Esse exemplo bíblico deixa claro que Deus muitas vezes usa algo que nos é incômodo a fim de nos guindar a uma posição espiritualmente mais elevada e aperfeiçoada.

Pense no seu cônjuge. Fica agora a sugestão: em vez de enxergá-lo como um poço de defeitos incômodos, um fardo desagradável a ser carregado, procure vê-lo como um campo de treinamento, no qual você sua e se esforça para ser cada vez mais amoldado à semelhança de Cristo. Use cada oportunidade. Aproveite cada situação. Desfrute de cada chateação. E glorifique a Deus por ter um cônjuge tão imperfeito, pois é ao ser lapidado no contato diário com essa imperfeição que você é trabalhado pelas mãos do Senhor a fim de ficar cada vez mais parecido com Jesus, o Filho de Deus.

E, acredite, seu cônjuge também. Afinal, você não é tão bom quanto pensa.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >
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Eu tenho um ponto fraco: café. Confesso que sou um profundo apreciador dessa bebida e tomo muitas xícaras por dia. Tenho uma cafeteira tradicional e uma máquina de nespresso na cozinha, além de uma segunda máquina de nespresso em meu escritório. Costumo pôr as cápsulas em uma caixa de acrílico, que veio como brinde do fabricante. Qual não foi minha surpresa quando, há poucos dias, decidi tomar café e descobri que não havia mais nenhuma cápsula do meu sabor preferido. Pode parecer bobagem para você, mas, diante da expectativa que eu estava para saborear o negro elixir divino, para mim foi um golpe baixo. Fiquei triste. Engoli a frustração, voltei a trabalhar e continuei a labuta. Mas sabe quando bate aquele inconformismo? Voltei a fuxicar no meio das cápsulas e, para o meu delírio, eis que descubro, soterrada, uma última cápsula do meu amado sabor preferido. É difícil explicar a alegria que foi. Fiz aquele café com um cuidado ímpar, apreciando o aroma como nunca, e o saboreei com gosto especial. O sabor era exatamente o mesmo de todos os outros cafés daquele, mas aquela xícara específica tinha um gostinho de vitória, quase de júbilo, por eu estar tomando algo que julgava perdido.

Jesus contou uma história que guarda certas similaridades com esse episódio: “Ou suponhamos que uma mulher tenha dez moedas de prata e perca uma. Acaso não acenderá uma lâmpada, varrerá a casa inteira e procurará com cuidado até encontrá-la? E, quando a encontrar, reunirá as amigas e vizinhas e dirá: ‘Alegrem-se comigo, pois encontrei a minha moeda perdida!’. Da mesma forma, há alegria na presença dos anjos de Deus quando um único pecador se arrepende” (Lc 15.8-10, NVT). Fiquei pensando na alegria descrita pelo texto bíblico, em comparação com a que senti ao encontrar minha cápsula de café perdida.

Deus utiliza um interessante instrumento para encontrar suas “moedas perdidas” e fazer o pecador perdido enxergar a luz da verdade e se arrepender de suas trevas: você. Se a salvação vem por ouvir a Palavra de Deus, as pessoas só a ouvirão se houver quem a proclame. E adivinha só de que boca Deus deseja que a proclamação saia? Não olhe para o lado. Faça uma selfie e veja a pessoa que apareceu na foto: é esse cara mesmo que Deus quer usar como canal de proclamação do evangelho da graça. Porque você é a pessoa que a quem Jesus estendeu a Grande Comissão.

Mas atenção a um detalhe: só você não basta. É preciso que você esteja cheio de amor.

Uma das coisas mais tristes que vejo são cristãos que partem em busca de pessoas que estão distantes de Cristo como se fosse uma obrigação. Trazer a ovelha ao aprisco jamais deve ser uma ação motivada por qualquer coisa que não seja amor. Guardadas as devidas e enormes proporções, eu não busquei a cápsula de café porque me obrigaram ou porque havia uma “obrigação” envolvida nisso, mas porque me sentia extremamente motivado. O “ide” da Igreja, a Grande Comissão, nunca deve ser visto como uma ordenança pura e simples: é um chamado ao amor pelo próximo.

Se não compreendermos que esta ordem divina, “Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ensinem esses novos discípulos a obedecerem a todas as ordens que eu lhes dei. […]” (Mt 28.19-20, NVT), é consequência direta desta outra ordem divina: “Por isso, agora eu lhes dou um novo mandamento: Amem uns aos outros. Assim como eu os amei, vocês devem amar uns aos outros. Seu amor uns pelos outros provará ao mundo que são meus discípulos” (Jo 13.34-35, NVT), não conseguiremos jamais levar a mensagem da cruz às pessoas do modo que Deus idealizou. Pois não consigo enxergar o Pai que “amou tanto o mundo que deu seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna.” (Jo 3.16, NVT) resgatando vidas por qualquer outra razão que não seja amor. Ele ama os que se encontram perdidos em meio às densas trevas do pecado e, por essa razão, devemos amá-los também. Só então, quando o amor for um fato transbordante, devemos partir em busca deles.

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O amor precede o evangelismo. O amor precede a busca dos que se afastaram. O amor precede o resgate. O amor deve ser a única motivação para a apologética. O amor é o ponto de partida para a obra de Deus. Sem amor, tudo o que se faz para o Senhor é o mais puro e insosso ativismo religioso. Porque evangelizar não é “ganhar almas para Jesus”, evangelizar é compartilhar um amor que transcende tanto tudo o que podemos entender que ninguém pode ficar indiferente a ele. Ninguém “ganha almas para Jesus”, o que fazemos é servir de meio para que o amor de Jesus atraia almas perdidas em trevas para junto de si, a maravilhosa Luz do mundo.

No que se refere a evangelizar, o nosso papel, meu irmão, minha irmã, é proclamar a Palavra do Deus que é amor, que produz a graça, que produz o arrependimento e a salvação. Ame. Ame sempre. Ame como o Senhor amou o mundo. Ame com todas as suas forças. Somente isso, e nada mais, poderá torná-lo um evangelista segundo o coração de Deus.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >
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Mudei-me há pouco tempo para um apartamento novo. Na hora de decidir quem ficaria com que cômodo, reservei para minha mãe e minha filha os melhores quartos; por isso, eu e minha esposa acabamos ficando com o menor deles, que, confesso, me dava uma certa sensação de esmagamento: embora seja um cômodo grande, o teto é mais baixo do que estou acostumado. Para ter uma percepção de mais espaço, decidi, então, espelhar toda uma parede. Do teto ao chão, uma das quatro paredes virou um enorme espelho. Se, por um lado, foi uma decisão acertadíssima, por tornar muito mais agradável estar no cômodo, por outro acabou gerando um efeito imprevisto: fui obrigado a conviver diariamente com a imagem do que há de pior em mim.
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Em geral, quando temos espelhos comuns em casa, na hora de nos arrumarmos, nos esticamos para nos ver, fazemos nossa melhor pose e saímos da frente do espelho com nosso melhor sorriso. Ficamos felizes com o que vemos. Mas, quando toda uma parede do seu quarto é um enorme espelho, ele te flagra nos piores momentos e te pega de tocaia na hora em que você mais está despercebido. A consequência? Tenho me assustado com todas as imperfeições que meu espelho me revela.
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Acordo de manhã, abro os olhos e imediatamente vejo minha cara inchada e descabelada da noite de sono, sem falar das remelas e da barba por fazer. Saio do banho e o espelho imediatamente joga na minha cara como minha barriga está enorme, antiestética e desproporcional ao resto do corpo. Vou me vestir e o canto do olho me revela como minhas costas estão feias, com sinais, protuberâncias e demonstrações de que o tempo tem passado impiedosamente. Vou me deitar para dormir e percebo como a idade tem transformado a rigidez de minha pele em flacidez e decadência. Em resumo, o espelho em meu quarto tem denunciado o que há de mais imperfeito em mim.
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Quando o Salvador nos chama pela sua graça, por um lado, o conhecimento do evangelho traz luz ao que antes era sombras e amplia a nossa percepção da existência. Mas, por outro lado, a mensagem salvadora da cruz promove uma consequência inesperada: tal qual um enorme espelho que não pede licença, ela nos despe, denuncia, expõe, revela. A verdade das Escrituras traz à luz nossas desobediências e transgressões, nossa falibilidade e pecaminosidade. A luz ofuscante e santa do Calvário não espera decisões nossas para nos fazer ver cada uma das imperfeições. Não, ela age proativamente e nos põe em nosso devido lugar.
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As boas-novas de Cristo não têm como objetivo primário expor nossas pequenas desgraças. Elas não são um juiz sádico, que saliva de prazer ao nos apontar nossos erros. Porém, o evangelho tem esse efeito colateral inevitável. Assim que nossa inclinação para o mal é posta frente a frente com a luz reveladora da cruz, somos confrontados com a escuridão que ainda habita nossa alma e a podridão do antigo homem a que ainda teimamos em nos apegar.

O que essa percepção deve provocar? A denúncia de nós mesmos precisa ter como principal consequência nos tirar do imobilismo. Gosto demais do espelho em minha parede. Ele tem um efeito muito positivo em minha vida. Mas ele tem como desdobramento me dizer diariamente: “Olhe quem você é. Perceba quão distante da perfeição você está”. E, automaticamente, sou levado a querer fazer algo a respeito.
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O evangelho de Cristo é belíssimo. É um ambiente de graça, alegria, amor, pacificação, palavras edificantes, amabilidade. É luz, que embeleza e revela. Porém, é uma mensagem que nos cutuca e diz: “Arrependa-se! Faça algo a respeito! Alô!”. Leia as Escrituras. Medite nas palavras de Cristo. Abra-se para a admoestação do Espírito Santo, por meio de Paulo, Pedro, Tiago, João, Lucas e seus colegas autores canônicos. Não se contente em olhar para o espelho e ficar lamentando quão barrigudo você está. Pois o puro lamento não nos beneficia em nada.

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Desejo que a parede de espelhos que Cristo pôs diante de você o conduza ao ponto de olhar para o seu reflexo e apreciar o que vê. Nunca espere uma autoimagem perfeita, ninguém a tem. Mas é possível, sim, gostar do que enxerga. O  objetivo é chegar ao ponto de conseguir dizer: “Não sou um modelo de beleza, mas gosto de mim – em razão do que Cristo fez em mim”.
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Então abra-se à verdade do espelho. Veja o que precisa mudar… e dê o primeiro passo.
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Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >
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Bastou um segundo de desatenção, um tropeço em um degrauzinho da calçada e pronto: o tombo. Ouvi o grito. Virei-me e lá estava ela, de rosto colado no chão. Corremos para socorrê-la, mas minha mãe, baratinada, parecia confusa, tonta. Ainda prostrada no chão, emitiu a  indagação: “O que aconteceu? Eu caí? Caí, foi?”. Táxi urgente, corremos para a emergência, o sangue descendo em profusão da têmpora. Após a tomografia, o diagnóstico: sangramento no cérebro. Era imprescindível ir ao CTI. Assim fizemos. 

Por causa de um tombo, uma semana no hospital, radiografias, exames, tratamentos, medicamentos. O sangue era pouco, o organismo absorveu. Passado o susto, alta hospitalar. Mamãe está de volta ao lar. Dois meses e meio depois, mamãe é internada novamente. Não consegue falar. Emergência. Tomografia. Sangramento grande no cérebro. Internação. Tudo por causa daquele maldito tombo. 

Mamãe não consegue falar. Diagnóstico: hematoma subdural, o acúmulo de sangue na caixa craniana, que pressiona o cérebro. “Ela pode entrar em coma e morrer a qualquer momento”, dispara o médico do CTI. A única esperança é a cirurgia. Mas, como minha mãe toma anticoagulantes, é preciso esperar uma semana para operar. Uma semana tensa, pedindo a Deus que o sangramento pare a tempo de operar. O tombo é o culpado. 

No terceiro dia, o susto: além de não conseguir mais falar, minha mãe não consegue mais mexer a mão direita. Está visivelmente abatida. No quarto dia, paralisia do braço direito. Meu irmão voa da Espanha ao Brasil, já esperando o pior. Até que, finalmente, dez dias após a internação, sinal verde para a cirurgia. O crânio é perfurado. O sangue é drenado. Ela volta ao CTI, com um tubo saindo da cabeça, ainda com fluidos escorrendo. Tudo por causa do tombo. 

Caminhamos pela vida com desenvoltura. Somos cristãos confiantes, cremos que resistiremos às tentações. Conhecemos a verdade, caminhamos pela verdade, pregamos a verdade, lutamos pela verdade. Mas… basta um degrauzinho na calçada e pronto: o tombo. Por isso, o alerta bíblico: está de pé? Preste atenção! Cuidado para não cair! Faça o que for preciso para evitar o tombo. 

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Meu irmão, minha irmã, não há necessidade de eu lhe dizer o que precisa fazer para não levar um tombo na sua santidade. Você sabe. Ainda assim, permita-me lembrá-lo: primeiro, caminhe sempre olhando para o chão, para que não leve um tombo sem perceber, isto é, vigie. Segundo, tenha os olhos fixos não só nos seus pés, mas fique atento à distância, antecipando os obstáculos perigosos do caminho e desviando-se deles antes que cheguem perto, isto é, antecipe-se: enquanto o obstáculo ainda é uma tentação, corra dele, antes de sentir o gosto do asfalto do pecado. Terceiro, esteja sempre atento aos alertas do seu companheiro de jornada, isto é, tenha uma vida de oração e estudo da Palavra, para que haja uma sintonia constante entre você e a voz de Deus. 

Em linguagem bíblica: “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca” (Mt 26.41). 

Minha mãe se arrebentou. Quase morreu. Mas, hoje, se recuperou. Ainda precisa de fisioterapia, pois todo tombo tem consequências que demandam tempo para passar. Mas ela está de pé. Caminha. Com limitações, mas caminha. Precisa de ajuda para tomar banho. Tem de passar por 90 dias de observação, sempre acompanhada por alguém. Mas ainda não foi desta vez que sua jornada terminou. Há vida à frente. De igual modo, é fundamental que você saiba que, se tomou um tombo, isso não significa um ponto final. Nada disso. Há vida à frente. Há restauração. Há recuperação. Há perdão. Coma, beba e recupere as forças, porque sua jornada será sobremodo longa. Viva o luto, tome os remédios, aceite limitações temporárias, conforme-se com os hematomas, leve o tempo necessário para que suas pernas sejam fortalecidas e seu equilíbrio seja restabelecido . A única coisa que não pode acontecer é você permanecer no chão. 

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E, se alguém lhe disse que seu lugar é no chão, não acredite. É uma mentira diabólica. Jesus não deseja ver ninguém prostrado, a ética dele não é a da punição sádica, mas a da restauração bendita. Pense no que você pode aprender com o tombo para sua vida daqui em diante. Reflita sobre como usar essa experiência para o seu crescimento e amadurecimento, de preferência transmitindo as lições aprendidas a outras pessoas. 

Tombos doem. Machucam. Deixam cicatrizes e sequelas. Mas podem ser evitados, se você tomar as precauções necessárias. Porém, se ele acontecer, lembre-se de que você tem um intercessor junto ao Pai, Jesus Cristo, o justo, e que, se houver arrependimento, pedido de perdão e a intenção sincera de não mais incorrer no mesmo tropeço, você será restaurado. Totalmente restaurado. 100% restaurado. Pois Deus não deixa sequelas. O chão não é o seu lugar, ele é apenas um mestre que lhe ensinará muitas coisas. Aprenda. Levante-se. Deixe Cristo limpar o sangue provocado pelo tombo com o sangue provocado pela cruz e vá em frente, de cabeça erguida, rumo a uma vida que ainda tem muito a oferecer. 

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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Hoje gostaria de falar exclusivamente a você, meu irmão, minha irmã, que já foi ferido na igreja ou pela igreja, seja você um membro, seja você um líder, e que, em consequência desse ferimento: (1) afastou-se da igreja e tornou-se aquilo que se costuma chamar de “desviado”; (2) afastou-se da igreja e tornou-se aquilo que se costuma chamar de “desigrejado”; (3) optou por permanecer na igreja (a mesma onde foi ferido ou outra), porém carregando profundos machucados e até mesmo traumas na alma; (4) abandonou o ministério, caso seja pastor; ou (5) prosseguiu com o ministério, caso seja pastor, mas teve de mudar de igreja em função do que aconteceu e carrega profundas marcas na alma pelo que aconteceu. 

Estou realizando uma pesquisa junto a pessoas tenham passado por esse tipo de experiência. O causador do dano pode ter sido um irmão, uma irmã, o pastor, um integrante da liderança, os presbíteros, um líder de ministério, um grupo ou a instituição como um todo. 

Se você se enxergou nessa descrição, eu gostaria de ouvir a sua história. Estou realizando um projeto relacionado a esse assunto e o relato do que você passou – e talvez ainda esteja passando – me ajudará muito a produzir algo que ajudará pessoas que estão na mesma situação que você. A quem desejar compartilhar sua história comigo, eu explicarei individualmente do que se trata. 

Caso você aceite contribuir com minha pesquisa, o que eu pediria é que relatasse o que aconteceu com você no espaço de comentários deste post. Ao enviar seu comentário, ele chegará a mim mas não será publicado. Eu me comprometo a não publicar a sua história, o seu nome ou qualquer dado seu neste blog. Uma vez que seu relato chegue até mim, eu o lerei e entrarei em contato pelo seu e-mail. Se desejar, sinta-se livre para escrever com um nome fictício. 

O meu objetivo é compreender o que você passou e de forma alguma quero expor a sua vida. Fique totalmente tranquilo quanto a isso. Caso queira contribuir com minha pesquisa, eu pediria que relatasse o que vivenciou, que consequências isso gerou para você e para outras pessoas e como se encontra hoje, após o trauma. Conseguiu superá-lo? Como? De que modos sua experiência mudou sua visão da igreja, de Deus e das pessoas? Abra seu coração. 

Agradeço imensamente meus irmãos e minhas irmãs que puderem e quiserem investir um pouco de seu precioso tempo para contribuir com seu relato. Tenha a certeza e a segurança de que o que você me relatar ajudará muitas pessoas que podem estar em situação parecida à sua, e você de modo algum será exposto. 

Muito obrigado por seu carinho e sua confiança, agradeço de coração. 

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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Desde que escrevi o livro Perdão total, constantemente chegam a mim perguntas sobre o tema do perdão bíblico. Uma das mais frequentes é: como proceder se você perdoou uma pessoa que não enxerga os próprios erros e segue tratando você mal, com a firme convicção de que ela está certa? Nessas horas, devemos ter como referência Jesus no Calvário, sendo ofendido e escarnecido por aqueles que o levaram à cruz: os soldados romanos e os religiosos judeus. Sua postura? Ele os perdoou. Afinal, eles não tinham consciência real do que estavam fazendo. Criam piamente estar certos, mas não estavam. Sua postura era de empáfia, deboche, superioridade. Ofendiam Jesus e continuavam ofendendo. Alfinetavam. Machucavam. A postura de Cristo? Pai, perdoa, pois eles não sabem o que fazem… Essa também deve ser a nossa postura.

Existe um paralelo interessante entre o perdão e a salvação. Explico: há diversos fenômenos envolvidos na salvação, entre eles a justificação e a santificação. A justificação ocorre no preciso momento em que recebemos Cristo em nosso coração e cremos nele como Senhor e Salvador. É um ato. Instantâneo. Imediato. Somos na mesma hora vistos como justos aos olhos do Pai. E, a partir do momento em que somos decretados justos, por mérito do sacrifício de Jesus, tem início outro fenômeno da salvação, a santificação. E, ao contrário da justificação, ela não é um ato, mas um processo. A santificação ocorre todos os dias, dia após dia, e consiste em buscar viver em obediência, com esforço e em renovação constante. A santificação só terminará quando chegarmos diante de Deus, após partirmos desta vida, e formos glorificados com ele.

Entender que a salvação inclui um ato e um processo nos ajuda a compreender o perdão, pois ele também funciona de modo semelhante. Quando perdoamos alguém que nos magoou, abandonou, feriu, agiu de modo hipócrita, fraudou ou o que for, o fazemos num ato instantâneo. É quando tomamos a decisão de perdoar e dizemos a Deus: “Senhor, eu o perdoo. Remove de tua memória tudo o que foi feito por ele e que transpassou meu coração. Que não haja nenhuma punição espiritual pelo que ele fez, mas que toda dívida moral e espiritual que ele tenha contraído comigo seja completamente apagada. Eu o perdoo hoje, agora, neste instante”. Pronto, o perdão foi estendido. Você liberta essa pessoa das dívidas espirituais que ela tinha por ter falhado com você.

Mas, aí, a vida segue.

Você continua convivendo com essa pessoa, ou a encontra esporadicamente. E ela segue agindo com você de forma nada cristã, tratando você mal ou nem mesmo lhe dirigindo a palavra. Pelas costas, fala mal de você. Dá alfinetadas. Demonstra com suas ações que nunca considerou erradas as próprias atitudes. Em outras palavras, não muda. Esse é o pior tipo de pecador: o que não enxerga o próprio pecado, o que considera que seu pecado é uma virtude, o que é cego para as próprias ações daninhas e que, por isso, não se arrepende e segue fazendo o que sempre fez, agindo como sempre agiu, machucando como sempre machucou. Diante disso tudo, vem a pergunta: e aí, o que você deve fazer?

Meu conselho bíblico é: continue perdoando. Renove aquele ato inicial de perdão a cada novo dia. Sempre que o seu coração se entristecer pelo que tal pessoa vier a fazer, perdoe novamente. Faça do seu perdão um processo contínuo. O que ajuda muito nessas horas é você se lembrar da explicação de Jesus, no Calvário, para o pecado daqueles que lhe fizeram mal: eles não sabem o que fazem. E essa, na verdade, é a grande explicação. Pois, muitas vezes, aqueles que nos fizeram mal realmente não percebem esse mal. Eles se veem como justos e corretos, quando, na verdade, persistem em suas ações daninhas.

“Como assim?”, você poderia se perguntar. “Como fulano não sabe o que fez?”. Entenda uma coisa: o pecado cega. O pecado faz com que sempre tenhamos boas desculpas para nossas ações erradas. A cegueira do pecado nos leva a achar que nossas atitudes malignas são, na verdade, justificáveis. É por isso que vemos ao nosso redor tantos cristãos hipócritas, agressivos, soberbos, briguentos, materialistas, egocêntricos, que amam mais o poder e o dinheiro do que pessoas, que articulam estratagemas em prol de suas agendas secretas, que se consideram o supra sumo da santidade quando, na verdade, são dignos de compaixão.

Você perdoou alguém mas ele continua agindo da mesmíssima maneira? Ele nem mesmo trata você bem? Não importa. Afinal, ele não sabe o que faz. É cego para o próprio mal. Tenha pena dele e não raiva. Que essa pena conduza você à compaixão. E, da compaixão, brote o perdão. É, quando, em silêncio, você ora ao Senhor: “Pai, eu renovo o perdão estendido. Fulano segue agindo da mesma maneira, me despreza, me ofende, me alfineta, o que for. De igual modo, eu quero seguir agindo da mesma maneira: perdoando. E perdoando. E perdoando”. Por quê? Porque, em Cristo, não há outra atitude possível.

Eu sei que é difícil, meu irmão, minha irmã, mas é o único caminho para quem de fato luta contra a própria pecaminosidade para viver piedosamente em Cristo, apesar de não ser perfeito. O sepulcro caiado coleciona inimigos e olha com superioridade para quem despreza, replicando dois mil anos depois o comportamento dos fariseus. O perdoador regenerado tem prazer em perdoar setenta vezes sete e estende a mão para os doentes de alma, replicando dois mil anos depois o comportamento de Jesus. É assim que devemos amar o próximo, sem devolver mal com mal, intercedendo pelo bem dele, perdoando.

Lembre-se de algo importantíssimo: você também já errou, e muito. Já magoou pessoas, ofendeu, traiu, mentiu, machucou, decepcionou. É quando temos a percepção de que nós não somos melhores do que ninguém que fica muito mais fácil perdoar. Todos já tivemos nossos momentos de cegueira provocada pelo pecado. Todos. E, para não falar de você, falo de mim: eu já fui hipócrita, agressivo, estúpido e imbecil. Já fiz coisas que me envergonharão até o dia de minha morte. Logo, que direito eu tenho de não perdoar quem hoje age como eu mesmo já agi? Quão petulante eu seria se o fizesse? Quão hipócrita? Quão fariseu? Se Deus me perdoou dos meus pecados mais vergonhosos, dos quais verdadeiramente me arrependi, que direito tenho eu de não perdoar os que me desprezam e machucam? Não posso, pois não sou melhor do que ninguém. Ter essa percepção nos ajuda enormemente a perdoar e continuar perdoando.

Quão mais próximo de Jesus você estiver, mais a natureza piedosa do manso Cordeiro inundará sua alma. Mais você será capaz de olhar nos olhos quem lhe fez mal e de sentir carinho e compaixão por ele e sua cegueira, enquanto ele lhe vira as costas e segue achando que não cometeu erro algum. Mas ele não sabe o que faz. Você, por outro lado, sabe. E, por isso, perdoa. E perdoa. E perdoa.

Continue perdoando. Dê a outra face. Ande a segunda milha. Ore em favor de quem lhe fez e faz mal. Abençoe a vida dele em secreto, quando somente você e o Senhor estão presentes. Ame quem odeia você. Pois o perdão verdadeiro só pode brotar em um coração regenerado e que busca amar não como nossa carne quer, mas como Jesus amou.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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Queridos irmãos e irmãs em Cristo, amanhã, terça-feira, dia 6/6, ocorrerá no Rio de Janeiro o evento de lançamento do mais recente livro de minha autoria, Perdão total no casamento: Um livro para quem deseja uma união duradoura e feliz (editora Mundo Cristão). O livro apresenta princípios bíblicos essenciais para restaurar casamentos em crise e para quem ainda não se casou e deseja evitar cometer erros quando iniciar sua vida conjugal. A obra pode ser usada para leitura individual ou em grupos.

Se você é do Rio e redondezas, sinta-se convidado para estar na livraria Saraiva Megastore do shopping Rio Sul, em Botafogo, às 19h30, para um momento de dedicatórias e um papo informal (ah, sim: fui informado de que na ocasião o livro estará com 20% de desconto).

Será um prazer vê-lo lá e a todos a quem você quiser convidar!

Abraço fraterno,
Maurício Zágari