Arquivo da categoria ‘Amor ao próximo’

Unhas pretas são um negócio feio demais. Eu detesto ver pessoas com as unhas encardidas, pois passam uma ideia de sujeira, desleixo e negatividades semelhantes. Porém, preciso confessar que, ultimamente, tenho vivido com as unhas pretas em boa parte de meus dias. A razão para isso é que decidi me dedicar a transformar meu apartamento em um grande jardim suspenso. Com isso, tenho mexido em terra diariamente, plantado, replantado, podado e – a suma tarefa que deixa as unhas pretas – enfiado sempre um dedo na terra de cada vaso para verificar se já está seca e é necessário regar, ou não. Não gosto do resultado, pois me vejo obrigado a ficar lavando e raspando com frequência minhas unhas se não quero parecer um ogro sujismundo, mas não tem o que fazer: é o que todos os entendidos de jardinagem e paisagismo recomendam caso você não queira matar suas plantinhas afogadas ou esturricadas. Então, o preço para mantê-las vivas, e bem, é empretar as unhas.

Para amar o próximo de fato e não só na teoria, muitas vezes é preciso sujar a unha. Abrir mão do tempo em que você estaria lendo um livro para chorar com quem chora. Dedicar horas de seu merecido descanso a algo que não lhe dará nenhum lucro além de ver seu amigo sorrir. Dormir tarde para ouvir o desabafo do estressado. Acordar cedo para ajudar a viúva. Adiar o banho para abraçar o desesperado. É, meu irmão, minha irmã, é impossível se dedicar em amor verdadeiro ao próximo sem deixar as unhas pretas.

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Frequentemente, somos tentados a deixar para lá ou terceirizar a tarefa de amar o próximo. Afinal, ficar limpando e raspando a terra de sob a unha dá trabalho. Já perdi a conta de quantas vezes eu, vergonhosamente, me omiti no cuidado e no amor ao próximo por não querer ficar com as unhas sujas e, por isso, sei que é muito mais fácil virar a cara quando plantas murchas e carentes de cuidados aparecem em nosso caminho. Porém, se o fazemos, as plantas morrem. O preço de nosso desleixo e omissão no cuidado com quem precisa é um cotoco ressecado, desfolhado, infrutífero, sem flores. Sem viço. Sem vida. Uma triste lembrança de uma bela planta, que acabou-se porque preferimos ficar com as unhas limpas do que nos dedicarmos a ela. Falta de amor faz isso.

Amar o próximo é mandamento. É preceito que está no topo da pirâmide. Dizer que ama a Deus mas não amar o próximo, em verdade e de forma prática, é atitude que faz de nós mentirosos, diz a Palavra. A olhos humanos limitados por sua humanidade, amor pode ser uma opção, uma escolha.  Mas, para Deus, não é. Amor ao próximo é mandamento. É ordenança divina. É dever sagrado e inegociável. Não dá para se dar conta de que algo é mandamento, fazer a “opção” de agir diferente e achar que tudo está bem. Não. Nada disso. Deus não nos diz para amarmos o próximo “se quisermos” ou “se optarmos por isso”. Não. Ele diz: “Enfie o dedo na terra. Se sujar a unha, paciência, depois você limpa”.

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Meu irmão, minha irmã, você tem fugido do amor prático ao próximo porque não quer ficar com a unha preta ou não quer se dar ao trabalho de limpá-la depois? Eu não te condeno, pois já fiz isso muitas vezes. Desgraçadamente, mas fiz. E preciso dizer: que vergonha sinto por isso. Que vergonha sinto de ter cometido o pecado do desamor.

Deus, tem misericórdia de mim, pois sou pecador. Preferi muitas vezes ficar com as unhas limpas do que me dar ao trabalho de sujá-las por amor ao próximo. Perdoa-me e ajuda-me a vencer a mim mesmo, ao meu egoísmo, ao meu egocentrismo e à minha sanha preguiçosa, e mostra-me o caminho do amor. O caminho da unha preta. O caminho do reino de Deus.

E você, pode fazer essa oração?

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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Que qualidades um jovem cristão solteiro deve buscar em uma mulher na hora de escolher uma noiva? E de que defeitos ele deve fugir? Há bastante a ser dito sobre isso, mas, hoje, quero concentrar minha reflexão em algo que é importantíssimo do ponto de vista bíblico mas pouco se fala na hora de orientar jovens para o casamento: a importância de ficar atento a quão briguenta é a pessoa. E reforço: esta é uma reflexão apenas para rapazes cristãos solteiros. Naturalmente, haveria muita coisa a se dizer para as jovens cristãs solteiras, mas isso ficará para outro post.

A Bíblia fala sobre algumas características da esposa ideal do ponto de vista da fé cristã. Entre elas está o fato de que a esposa segundo o coração de Deus deve ser:

Parceira do marido (Gn 2.18);

Sexualmente atenciosa (1Co 7.3-10);

Desejosa de agradar o esposo (1Co 7.34);

Sempre respeitosa no trato com o marido (Ef 5.33);

Consciente da decisão de Deus sobre a autoridade no casal (Ef 5.24; Cl 3.18; Tt 2.5; 1Pe 3.1);

Amorosa com o esposo (Tt 2.4);

Sábia na edificação da família (Pv 14.1);

Sensata em suas palavras e ações, a fim de que não destrua a família (Pv 14.1);

Merecedora da confiança do marido (Pv 31.11);

Enriquecedora da vida do esposo (Pv 31.11);

Disposta a fazer o bem ao marido, e não o mal, todos os dias de sua vida (Pv 31.12);

Dedicada aos cuidados da vida cotidiana com a família (Pv 31.15);

Capaz de contribuir a fim de tornar seu esposo respeitado na comunidade (Pv 31.23); e

Merecedora dos elogios do marido por seu excelente procedimento diário (Pv 31.28);

entre outras coisas.

Seja franco, meu irmão: casar com uma mulher que se encaixe nessa descrição não seria o céu na terra?

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Mas vamos adiante. Além de dizer como, segundo os padrões cristãos, a esposa ideal deve ser, a Bíblia também registra como ela não deve ser. E isso é tão importante quanto. Entre os horrores de uma mulher está o fato de ela ser briguenta. Diz assim a Escritura:

1. “A esposa briguenta é irritante como uma goteira” (Pv 19.13);

2. “É melhor viver sozinho no canto de um sótão que morar com uma esposa briguenta numa bela casa” (Pv 21.9);

3. “É melhor viver sozinho no deserto que morar com uma esposa briguenta que só sabe reclamar” (Pv 21.19);

4. “É melhor viver sozinho no canto de um sótão que morar com uma esposa briguenta numa bela casa” (Pv 25.24);

5. “A esposa briguenta é irritante como a goteira num dia de chuva. Tentar contê-la é como deter o vento ou agarrar o óleo com a mão” (Pv 27.15-16).

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São cinco advertências extremamente verdadeiras, práticas e realistas contra a mulher briguenta. Será que é à toa?

Bem, para que você entenda por que a mulher briguenta é esse horror bíblico e um pesadelo na vida de um homem, menciono aqui cinco das muitas razões:

1. A mulher briguenta é arrogante

A mulher briguenta vive brigando porque acha que a opinião dela está sempre certa e entende, por sua falta de sabedoria e discernimento, que a maneira de se impor aos outros é brigando, peitando, gritando. A arrogância, acredite, é um dos pecados mais denunciados na Bíblia, pois machuca fundo o coração de Deus; afinal, foi o pecado que levou Satanás a fazer o que fez. Deus odeia tanto a arrogância que preferiu deixar o espinho na carne de Paulo do que permitir que ele se tornasse arrogante (2Co 12.7).

O indivíduo que tem domínio próprio e mansidão, ao contrário, não faz da briga uma rotina, pois sabe a hora de falar, de calar, de ouvir, de deixar para lá. Inversamente, o briguento se acha tão certo em tudo que não admite ser contrariado e, por isso, se impõe na base da briga e do grito com uma frequência surreal. Os dias em que não briga são exceção e não a regra.

Um indivíduo eventualmente ceder ao pecado e incitar uma briga é compreensível (embora não desejável, lógico), todo mundo faz isso vez ou outra – afinal, todos somos pecadores e erramos. Mas fazer da briga um estilo de vida é sintoma de uma arrogância não tratada, sem arrependimento e que afunda o arrogante cada vez mais no lodaçal de sua soberba espiritualmente nociva.

2. A mulher briguenta é insensata

Isso significa que ela não sabe usar a razão para julgar ou raciocinar nas questões da vida. Como lhe faltam argumentos racionais e lógicos, ela apela para o desmerecimento do outro, os ataques, as ofensas, os gritos e a porta batida atrás de si. E a Bíblia é clara: “A mulher sábia edifica o lar, mas a insensata o destrói com as próprias mãos” (Pv 14.1). A mulher briguenta, via de regra, destrói o seu lar. No mínimo, faz dele um ambiente tão saudável e feliz quanto Chernobyl – mas nunca fará uma autocrítica nem perceberá o seu erro, pois sua insensatez a fará acreditar que a culpa dos problemas é sempre dos outros e sempre justificará seu comportamento reprovável por trás de alguma desculpa esfarrapada.

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3. A mulher briguenta cria um ambiente sem Deus em sua casa

O Senhor ama a paz. Jesus saudava as pessoas ao chegar a algum lugar desejando-lhes que a paz estivesse com elas. Paz é uma das virtudes do fruto do Espírito. Jesus disse que bem-aventurados são aqueles que promovem a paz. Portanto, a Bíblia deixa claro que a paz é preciosa ao Senhor.

A conclusão é logica: onde a pessoa briguenta chega, implanta o conflito, a contenda, a dissensão, a discórdia, o que é exatamente o que Deus abomina, o contrário do que ele quer. Portanto, uma esposa briguenta, por mais que se diga cristã, está criando um ambiente de vida não cristão em seu lar – talvez, até, sem se dar conta, o que não muda o fato em si.

4. A mulher briguenta, além de pecar com sua atitude, em geral leva quem está ao redor a pecar

Uma mulher briguenta costuma servir de péssimo exemplo para os filhos, muitos dos quais podem acabar imitando seu comportamento e se tornar novas pessoas briguentas. Além disso, por mais pacífico que seja seu marido, ela, em geral, costuma tirá-lo do sério e arrastá-lo para a ira. Assim, a pessoa briguenta é uma instigadora e multiplicadora de pecados, o que faz dela uma cúmplice do maligno em sua sanha por levar pessoas a pecar.

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5. A mulher briguenta sabota casamentos e famílias

A importância do diálogo é a regra número um de um casamento feliz. A mulher briguenta torna o diálogo impossível, pois ela geralmente se recusa a ouvir ou pensar sobre o que ouviu. A briguenta tem por hábito interromper o outro a toda hora quando ele tenta falar, sair batendo a porta, dizer que não vai ficar ouvindo o que o outro tem a dizer e coisas assim. A verdade é que a pessoa briguenta é, em geral, alguém que não está disposto a ceder em nada e, por isso, usa a briga para calar o outro e não ter de abrir mão do que quer. Isso porque, em geral, a pessoa briguenta é egoísta. O resultado é que ela sabota o modelo criado por Deus para o casamento e o lar.

Por essas cinco razões e outras mais, quem se casa com a mulher briguenta está se condenando a viver por anos e anos sofrendo a dor de ter ao lado não uma parceira e uma melhor amiga, mas uma opositora que tornará sua rotina um inferno. Explosiva, essa mulher será como um campo minado que, de uma hora para outra, do nada e inesperadamente, iniciará episódios de bate-boca e discussão que acabarão com a paz no lar e no coração de quem a cerca.

Por isso, deixo o conselho a todo rapaz cristão solteiro: na hora de buscar uma possível namorada, identifique desde o começo quão briguenta ela é. Não importa se ela é lindíssima, se canta no louvor, se é inteligente ou qualquer coisa do gênero, pois, tenha ela as qualidades que tiver, se é alguém que adota a briga como estilo de vida, as qualidades logo desaparecerão de seus olhos e tudo o que restará é o horror dessa postura.

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De todos os 562 posts já publicados no meu blog, descobri hoje que o mais lido de todos até o momento é o que fala da mulher rixosa (termo presente nas traduções bíblicas mais arcaicas, que nas mais modernas foi traduzido como “briguenta”. Você pode ler o post A mulher rixosa clicando AQUI). Isso é revelador. Mostra que muitos e muitos irmãos se casaram, inadvertidamente, com uma mulher assim – ou casaram com moças virtuosas que, com o tempo, se transformaram e, assim, descambaram para o caminho da briga como estilo de vida. Mas você, que é solteiro, ainda tem a oportunidade de não entrar nessa. Quando se interessar por uma moça, lembre-se dos 5 alertas bíblicos e procure identificar desde cedo quão rixosa ela é. E jamais se case com uma mulher briguenta!

Para finalizar, se você é uma mulher cristã e chegou até este ponto da leitura, gostaria de, carinhosamente, lhe dizer três coisas:

1. Se você se irritou com alguma informação bíblica apontada neste texto, por favor, não brigue comigo. Não fui eu quem escreveu a Bíblia. Apenas reproduzo o que ela diz.

2. Você pode estar achando injusto eu não falar neste texto sobre o homem briguento. Se é o caso, saiba que tudo o que foi dito neste post se aplica também aos homens briguentos, com quem você jamais deve se casar até que ele se converta, se arrependa e abandone esse modo de ser tão tóxico, biblicamente abominável e que tem como única consequência semear a infelicidade.

3. Se você percebeu que se encaixa na descrição de uma mulher briguenta, ou rixosa, saiba que nem tudo está perdido. Você não está condenada a ser o inferno de seu marido e filhos até a sua morte. A recomendação bíblica para esse seu estilo de vida é bem objetiva: você precisa se arrepender verdadeiramente, confessar seu pecado a Deus e abandonar essa prática. Se fizer isso, a bênção do Senhor virá sobre seu casamento, a cura será plena e tudo ficará bem. E, assim, você consertará o estrago que causou, recuperará o tempo perdido e poderá ser conhecida não mais como alguém briguento que inferniza a vida dos outros, mas passará a ser chamada de “mulher virtuosa”, aquela cuja sabedoria edifica o lar e cujo valor excede o de muitos rubis.

É possível. E está ao seu alcance. Só depende de você.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

Eu estava saindo do banho quando vi minha filha, curiosa, fuxicar a gaveta da mesa de cabeceira de minha esposa. Após revirar as coisas da mãe, ela abriu uma caixa cheia de bijuterias e, mexendo em tudo, disse a frase que me fez pensar: “A mamãe tem brincos lindos que ela nunca usa”. A percepção da minha bebê me remeteu a uma realidade que se apresenta com frequência em nossa vida: você já parou para pensar quantas coisas lindas temos e, com frequência, deixamos de valorizar? Tenho visto muito disso e, por essa razão, gostaria de pensar rapidamente sobre o assunto, que se resume a uma palavra: ingratidão.

Se sabemos que “Toda dádiva que é boa e perfeita vem do alto, do Pai que criou as luzes no céu” (Tg 1.17, NVT), entendemos que todas as coisas boas que temos vêm como um presente do Senhor. Ele é quem nos dá as coisas lindas que estão em nossa gaveta. Se, porém, deixamos de valorizar tais dádivas, estamos sendo como filhos ingratos e reclamões e, a exemplo do filho perdido da parábola, recebemos bênçãos mas só pomos o foco no que não temos. Ganhamos brincos lindos, mas não os usamos.

Ingratidão é pecado, por demonstrar falta de reconhecimento de algo que o Senhor fez, com amor e graça, por nós. Se somos ingratos, estamos acusando Deus de ser menos bom do que de fato ele é.

Vejo esposas que reclamam diariamente de seus maridos, quando eles são homens caseiros, pais amorosos e dedicados à família (pois, afinal, ele não faz tudo como eu quero e aponta os erros que insisto em repetir). Vejo indivíduos de barriga cheia de comida e armário transbordando de roupas, que moram em casas amplas e bonitas, que vivem reclamando da vida (pois, afinal, eles não têm aquela televisão da última marca). Vejo gente empregada e com salário depositado no fim do mês que vive reclamando do emprego (pois, afinal, o chefe é chato ou a rotina de trabalho não é perfeita). Vejo cristãos que reclamam de seus pastores, irmãos que reclamam de sua igreja, cidadãos que reclamam do governo, internautas que reclamam de tudo… tantos brincos lindos e sem uso. Ingratidão pelas coisas boas que se tem.

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Não estou dizendo com isso que a vida é perfeita. Não. No mundo temos aflições, como o bom Mestre profetizou que seria. Existe escassez, injustiça, doença, miséria, tristeza, tudo isso. Esta vida tem cheiro de estábulo e não de Éden – o que não quer dizer que não bata uma brisa fresca no entardecer. Minha reflexão é com relação a olhar sempre a metade vazia do copo e, tal qual os israelitas reclamões no deserto, só viver ressaltando o que não se tem, o que não se viveu, o que não aconteceu, a qualidade que o outro não tem e assim por diante. É uma vida cheia de nãos, embora Deus tenha dado muitos sins. Ingratidão.

Meu irmão, minha irmã, quais são as coisas lindas que Deus lhe deu? Convido você a fechar os olhos por dez segundos e fazer uma lista mental de tudo de maravilhoso com que Deus presenteou você. Você tem saúde, enxerga, caminha, ouve, sente, dorme… tudo isso é dádiva. Tem, também, bens materiais: livros, moradia, alimento, vestuário, aparelhos eletrônicos, veículos, supérfluos… tanta coisa! Tem ainda bens imateriais tão fundamentais, como educação, conhecimento, liberdade de ir e vir, liberdade de expressão, liberdade de culto, criatividade. Tem amigos. Tem família. Tem um cachorro de estimação. Tem uma rede no quintal. Tem o solzinho quente batendo no seu rosto ao fim do dia.

Meu irmão, minha irmã, você tem. Então por que se concentra tanto no que não tem? Por que chega em casa despejando reclamações e mau humor em cima dos outros? Por que ignora a lindeza da vida que Deus lhe concedeu por puro amor?

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A pergunta ingênua de minha filhinha é mais profunda do que ela poderia imaginar. Em sua simplicidade infantil, minha bebê não se deu conta de que levantou uma questão importante dos pontos de vista filosófico e teológico, que torna a vida de tantos milhões de pessoas pesada e infeliz, quando não precisaria ser. Seu marido não é perfeito? Você também está longe de ser, olhe as qualidades dele então. Seu carro não é do ano? Tudo bem, você não está indo a pé para o trabalho. Seu filho está passando por uma fase difícil? Tudo bem, ele está vivo, logo, essa fase vai passar. Sua namorada lhe deu o fora? Tudo bem, ela provavelmente seria uma esposa rixosa, briguenta e reclamona. O tempo está quente demais? Tudo bem, você poderia viver num frio horroroso dez meses por ano. Enfim, tantos brincos lindos! Use-os!

Um dos Dez Mandamentos fala sobre não cobiçar nada do próximo (Êx 20.17). Sabe, penso que esse mandamento tem muito mais a ver com ingratidão do que com inveja. Ao cobiçar a mulher, o jumento, a casa ou o que for do próximo, estou, na realidade, deixando de valorizar a dádiva que Deus me deu para valorizar o que ele decidiu dar a outra pessoa. Com isso, estou dizendo que Deus errou. Afinal, acreditamos que ele deu a outro o que nós é que merecíamos ou deveríamos ter. Isso é questionar a soberania de Deus. É questionar suas decisões. É questionar sua justiça. É questionar seu amor. Cuidado, meu irmão, minha irmã, isso é grave.

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Pense no que você tem e, ao ver os brincos lindos em sua gaveta, pare de cobiçar. Pare de ruminar “e se eu tivesse isso ou aquilo”. Esse “e se” é pior que mil legiões de demônios! É hora de usar os seus brincos. Talvez a sua vida esteja parecendo menos perfeita do que você gostaria porque você tem deixado de usar os brincos que estão na sua gaveta. Eles estão lá. Você simplesmente não tem prestado a atenção correta e justa às boas dádivas que Deus lhe deu.

Hoje é uma excelente oportunidade de refletir e mudar essa atitude tóxica. De parar de infernizar os outros com seu mau humor e a sua ingratidão. De ser um bom filho e uma boa filha do Deus que lhe deu tanto. A hora de usar os brincos lindos que você já tem é agora.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

 

 

No dia 1 de janeiro completei 47 anos. Isso significa que já passei da metade de minha vida sobre a terra. Nesse período de virada de ano e aniversário, por uma série de razões acabei refletindo muito sobre um assunto em especial: amizade. Fazendo uma retrospectiva desse quase meio século de vida, meditei muito sobre por que algumas pessoas que foram minhas amigas em algum momento continuam sendo minhas amigas e outras não. Eu me perguntei: o que fez com que o punhado de bons e constantes amigos que possuo há muitos anos não tenha aberto mão de se relacionar comigo, como a esmagadora maioria dos meus conhecidos fez? E, aqui, estendo a reflexão a você: na minha e na sua vida, por que alguém persevera em querer ser nosso amigo, quando poderia optar por não ser, como a maioria dos que cruzaram nosso caminho fizeram? Reflitamos um pouco sobre esse assunto tão espiritualmente necessário que é a amizade verdadeira.

Antes de tudo, é fundamental definirmos o que são “conhecidos” e o que são “amigos”. Conhecidos são aquelas pessoas que se relacionaram com você em alguma etapa de sua vida mas para quem, hoje, se você sumir do mapa, não fará muita diferença para elas. Já o amigo é aquela pessoa que sente a sua falta, que lhe telefona só para saber como você está e jogar conversa desinteressada fora, que não se conforma quando sua ausência se torna muito presente, que gosta de graça de sua companhia e de passar tempo com você e – principalmente – que, na hora da necessidade, abre mão de si mesmo por você.

Em outras palavras, a diferença fundamental do conhecido para o amigo é que, para o amigo, você está entre as prioridades de sua vida, enquanto para o conhecido você é só mais um. Para o amigo, você é imprescindível. Já para o conhecido você é secundário ou mesmo desnecessário, supérfluo.

Pensei, então, nos poucos amigos verdadeiros que tenho hoje e tentei concluir por que eles persistem na decisão de continuar sendo meus amigos (sim, ser amigo de alguém é uma opção, uma decisão consciente, e não obra do acaso ou do fluxo da vida). Foi quando cheguei à conclusão de que aqueles que hoje permanecem meus amigos e amigas de verdade são gente que reúne quatro características em comum, alguns há mais de 10 anos, outros, de 20 e, outros ainda, há mais de 30 anos. E que características são essas?

Em primeiro lugar, aqueles que se solidificaram como meus amigos após anos de amizade testada e confirmada foram aqueles que souberam me perdoar. Afinal, qualquer relacionamento próximo em algum momento gerará atritos entre as partes. A questão é: como esse relacionamento sobreviverá após o atrito? Em comparação, algumas pessoas que eu considerava meus amigos pularam fora do barco e me deram as costas tão logo foram confrontadas com uma das minhas muitas falhas de caráter. Já os meus amigos verdadeiros são aqueles que perceberam quão falho eu sou, me perdoaram e insistiram teimosamente em me amar.

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Em segundo lugar, meus amigos verdadeiros são aqueles que valorizam mais o que temos em comum do que as nossas diferenças. No que discordamos, fazemos piada e, no que concordamos, avançamos juntos. O nome disso é respeito. Por outro lado, gente que caminhou comigo em algum momento da vida mas não suportou o fato de termos diferenças em questões como religião, teologia, doutrinas, ideologia política, valores, gostos, comsovisões ou algo assim simplesmente me deletou de seu círculo íntimo de relacionamentos. Esses optaram conscientemente por não ser meus amigos, pois não consideraram que meu valor para eles era maior que suas opiniões pessoais.

Terceiro, os amigos verdadeiros que tenho foram aqueles que persistiram em compartilhar a jornada da vida comigo depois que aquilo que nos pôs em contato terminou. Foi gente que não limitou nosso contato a um curso, um ambiente de trabalho, um vínculo passageiro. Essas pessoas fizeram o contrário daquele companheirão da faculdade que, depois da formatura, nunca mais me procurou; do colega de trabalho que, depois da demissão, só manteve contato formal por redes sociais, sem nunca mais me procurar para estarmos juntos; ou daquele irmão da igreja ou do ministério que, depois que deixei de frequentar o mesmo ambiente, só quis saber de mim para pedir um favor ou algo assim. Amizades verdadeiras mantêm a cabeça acima das circunstâncias e se estendem para além dos contextos que nos aproximaram.

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Quarto e último, o amigo é aquele que persevera em manter você em sua convivência mesmo sem ganhar absolutamente nada com isso. Em outras palavras, o amigo verdadeiro é aquele para quem o relacionamento com você traz como lucro ou benefício pessoal, profissional, ministerial ou material… nada! Zero. Nadinha. Ele segue caminhando com você pela simples alegria da caminhada. Muitas vezes, até, pega mal para ele ser associado a você, ou estar junto de você lhe dá algum tipo de prejuízo ou desvantagem – mas, ainda assim, essa pessoa permanece ao seu lado. Isso ocorre porque a amizade verdadeira se baseia no amor e não nas vantagens pessoais. E, sempre é bom lembrar, o amor “não busca os seus próprios interesses” (1Co 13.5).

Portanto, eis os quatro pilares que, a meu ver, fizeram de meus amigos, amigos de verdade:

1. Perdão

2. Respeito às diferenças

3. Persistência na convivência após o fim das razões de ela se manter

4. Perseverança no relacionamento sem nenhum benefício próprio 

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Meu irmão, minha irmã, amizades são tesouros de valor inegociável. O amigo verdadeiro é alguém que, em algum momento da sua jornada, cruzou seu caminho e não se contentou em cruzá-lo, mas escolheu permanecer e persistir na ideia de que compartilhar a vida com você era importante, apesar de todos os seus muitos defeitos e pecados. É aquele cara que se tornou mais chegado que um irmão. Valorize essa pessoa.

Se alguém não faz questão de ser seu amigo, não se chateie, isso é normal. Deixe-o ir. Amizade por obrigação não é amizade, é um horror. Se uma pessoa optou por se conectar a outras pessoas e não a você, respeite isso. É um direito dela. O que deixo como recomendação é que, para aqueles que optaram por ser seus amigos, você seja o melhor amigo do mundo. Pois amizade não tem absolutamente nada a ver com a quantidade de relacionamentos, tem a ver com a qualidade deles. Portanto, construa suas amizades perdoando, relevando as diferenças, investindo na conexão interpessoal após o fim daquilo que os aproximou e sem esperar absolutamente nada em troca. Aliás… não é assim que Deus faz conosco?

Diariamente, ele nos perdoa.

Sendo totalmente diferente de nós, nos ama profundamente.

Investe teimosamente na conexão entre nós, até mesmo quando me torno a centésima ovelha ou o filho pródigo.

E nos ama perseverantemente, apesar de nosso relacionamento não beneficiá-lo de modo algum.

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Deus é nosso amigo, como um verdadeiro amigo deve ser. E, por isso, espera que também sejamos bons amigos do nosso próximo, replicando com as pessoas o que ele faz conosco. Isso tem tudo a ver com amar a Deus e ao próximo, o mandamento maior da nossa fé.

Peço a Deus que você tenha amigos bons e verdadeiros. Que construa relacionamentos sólidos e duradouros. E que possa desfrutar das melhores amizades, construindo suas conexões sobre esses quatro pilares. Só não se esqueça de que se, por um lado, você não pode obrigar ninguém a ser seu amigo verdadeiro, por outro lado tem todo o poder de ser o melhor e mais verdadeiro amigo do mundo para o próximo a quem você deve amar.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

“Zágari, acho muito legal a sua nova iniciativa de gravar vídeos sobre vida cristã, mas não tenho paciência de ver porque eles são muito longos. Poxa, faz uns videozinhos menores, vai!”. Esse comentário me foi enviado por inbox por uma irmã querida e se refere à minha recente iniciativa de postar no YouTube vídeos com reflexões sobre vida cristã, num canal que chamei de Homileo. Quando li o comentário dela, fiquei pensativo e preocupado e cheguei à conclusão de que ele carrega profundas e graves implicações espirituais. Gostaria de compartilhar com você esses meus pensamentos (com a devida autorização prévia da autora do comentário acima, para não constrangê-la com esta postagem).

Quando criei o blog APENAS, adotei propositadamente a seguinte filosofia nos meus textos: transmitir teologia cristã de maneira totalmente compreensível, em linguagem acessível, em textos gostosos de ler, de forma que ficasse fácil para qualquer pessoa aplicar tais conceitos na prática do dia a dia. Essa filosofia tem norteado todos os meus textos. Assim que criei o blog, ainda lá em 2011, um conhecido meu, blogueiro experiente, me recomendou: “Faça as postagens com no máximo três parágrafos, senão as pessoas não lerão”. No início, eu tentei. Mas logo descobri que sou totalmente incompetente para desenvolver um raciocínio com começo, meio e fim, que seja minimamente útil para o leitor, em textos tão minúsculos. Confesso minha incapacidade. Admiro quem consegue fazer isso, mas eu não consigo. Optei, então, por investir na qualidade dos textos, tivessem que tamanho tivessem, sem me preocupar em escrever pouco a fim de acumular mais e mais leitores. Foi quando orei a Deus e lhe disse:

– Senhor, sou incapaz de escrever reflexões minimamente decentes em apenas três parágrafos. Então, que o Senhor faça cada texto chegar a quem for preciso pelo teu poder e não por estratégias humanas.

Com essa decisão, mantive meus textos do tamanho necessário, isto é, com uma média de 8 parágrafos, às vezes menos, às vezes mais. O que me espantou foi a frequência com que comecei a ler nas redes sociais irmãos e irmãs comentarem, ao compartilhar minhas reflexões do APENAS com seus amigos e “seguidores”, coisas do tipo: “Apesar de esse texto ser muito longo, vale a pena ler” ou “Senta que lá vem textão, mas leia até o fim”. Isso me chocou. Oito parágrafos são textão?

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O problema tornou-se mais visível quando, há quatro semanas, passei a gravar os vídeos do HOMILEO. Uma colega, que trabalha com internet, recomendou: “Faça vídeos com no máximo três minutos, senão as pessoas não assistirão”. No começo, eu tentei. Garanto que me esforcei demais para isso. Mas passei a perceber que também sou absolutamente incapaz de desenvolver um raciocínio minimamente útil em tão pouco tempo: ou eu investia em tempo curto, a fim de arrebanhar mais inscritos em meu recém-criado canal do YouTube, ou investia na qualidade do conteúdo. Preferi investir na qualidade e não na quantidade, mesmo que isso não gere muitos inscritos no canal (afinal, o objetivo não é me fazer popular, mas edificar e abençoar vidas, a despeito de quantas forem). Resultado: minhas reflexões no YouTube têm uma média de “gigantescos” 5 a 6 minutos. Foi quando recebi o comentário de minha amiga pelo inbox, que reproduzi no início deste post.

Confesso, meu irmão, minha irmã, que estou preocupado com as graves implicações que essa cultura do “textão” tem sobre nossa espiritualidade. Explico: como uma pessoa que considera “textão” um textinho de 8 parágrafos terá capacidade de manter uma rotina de leitura e estudo da Bíblia? Como um cristão para quem ler mais de três parágrafos é enfadonho conseguirá ler diariamente bons e necessários livros cristãos, uma disciplina fundamental e indispensável para nossa espiritualidade? Se a Igreja de Cristo se acostumar à mentira de que textos que exigem mais de dois minutos de leitura são gigantescos, como poderá crescer e amadurecer em seus conhecimentos bíblicos e teológicos? Ou nos conformaremos com a mediocridade de textos minúsculos, superficiais e rasos?

Eu me recuso a acreditar que as pessoas são medíocres. Sempre vejo muito potencial em cada uma. A mentira de que 8 parágrafos é “textão”, inventada pela geração internet que tem preguiça de se concentrar em leituras proveitosas, não pode nos vencer. Não pode vencer nossa vontade de crescer. Não pode derrotar o plano divino de que seus filhos e filhas cresçam sempre mais nos âmbitos intelectual, emocional e espiritual. Pois uma Igreja que não lê algo que vá além de três parágrafos está condenada à estagnação, à pobreza, à superficialidade e ao erro.

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Vamos além: como pessoas que não têm paciência de assistir a um vídeo com 5 ou 6 minutos de duração conseguirão manter a atenção necessária durante uma pregação de 40 minutos? É por essa razão, para conseguir prender a atenção de fieis cada vez mais incapazes de se concentrar, que muitas igrejas transformaram seus cultos em shows e seus pregadores em piadistas ou entretenedores. E mais: como pessoas sem paciência de assistir a um vídeo de 6 minutos conseguirão se concentrar em seus momentos de oração e meditação diárias, se sua mente não consegue ficar mais que 3 minutos atenta a algo sem se entediar? Não seria por isso que as reuniões de oração das igrejas vivem vazias? Estamos falando de um problema demasiadamente grave.

Como você pode ver, meu irmão, minha irmã, essa não é uma questão qualquer. É um fenômeno extremamente sério, que exige nossas reflexões – e a tomada de atitudes. Pois a impressão que dá é que vivemos na geração da preguiça mental, o que condenará aqueles que aceitarem a mediocridade de pensamento a uma vida de pouca aquisição intelectual, pouco conhecimento bíblico, pouca dedicação a disciplinas espirituais, pouca leitura, pouca paciência, pouca reflexão, pouca transformação, pouco crescimento… e muita limitação, mediocridade e superficialidade.

Concentração é algo fundamental para o desenvolvimento do indivíduo e das sociedades. A filosofia grega só surgiu porque aquela sociedade viveu, 2.400 anos atrás, um contexto social que permitia às pessoas ter tempo para pensar e refletir e, com isso, evoluir, transformar-se. Se os gregos da época de Sócrates, Platão, Tales de Mileto e outros tivessem preguiça de ler 8 parágrafos ou ouvir por 5 ou 6 minutos alguém… o pensamentos ocidental dos últimos muitos milênios teria sido paupérrimo. Graças a Deus aqueles homens se dedicavam a horas e horas de participação nas ágoras, a leituras extensas, a aprofundamento e crescimento. Deu no que deu.

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Tente imaginar quanto tempo Jesus levou para ministrar o Sermão do Monte. Já pensou se as pessoas que o estavam ouvindo desistissem de escutá-lo após 3 minutos de preleção? Talvez nem tivessem chegado ao final das bem-aventuranças! Os israelitas adoraram um bezerro de ouro porque foram vencidos pela impaciência ao esperar a descida de Moisés do monte. Saul sacrificou indevidamente porque considerou demais o tempo de chegada de Samuel. Sara não teve paciência de esperar e nasceu Ismael, o pai do povo árabe. A Bíblia mostra que a impaciência sempre gera maus frutos, enquanto a paciência, que é uma das virtudes do fruto do Espírito, gera frutos excelentes. Lembre-se da paciência de Jó, Davi, José e tantos outros que valorizaram o tempo certo para todas as coisas. Leve o tempo que levar! Leia Salmos 37.7; 40.1; Provérbios 25.15; Eclesiastes 6.8.

Meu irmão, minha irmã, se você chegou até este ponto da leitura, parabéns. Saiba que já percorreu 12 parágrafos. Isso prova, sem sombra de dúvida, que você tem o que é necessário para ser um leitor capaz de crescer diariamente no conhecimento e na reflexão sobre as coisas da vida cristã. Se lhe disserem o contrário, não acredite.

Portanto, fica a recomendação, em amor: use esse seu belo cérebro, que é perfeitamente capaz de se concentrar, adquirir conteúdo, refletir sobre o que leu ou ouviu e de tomar decisões de mudança de vida, para crescer no conhecimento, na renovação da mente e no avanço espiritual. Derrote os mentirosos que inventaram o conceito diabólico de “textão”, destinado a condenar o povo de Deus à mediocridade intelectual e espiritual. Você pode. Você consegue. Você é capaz.

Termino este meu texto (“ão” ou “inho”? Você decide) com uma reflexão: o Espírito Santo registrou sua verdade sagrada em um livro que contém cerca de 785 mil palavras, num total de 106 mil parágrafos e 3,6 milhões de letras. Repito: 785 mil palavras! Agora, por favor, me responda: você realmente acha que, se Deus estivesse mais preocupado com o tamanho dos textos do que na importância da leitura (gaste-se quanto tempo for necessário), ele teria registrado tudo num calhamaço de 785 mil palavras? Diante dessa realidade, você pode escolher: ou passa a acreditar na verdade divina de que não importa o tamanho do texto, mas, sim, sua qualidade, ou desiste de ler as Escrituras sagradas, porque, afinal, como diz o pensamento diabólico… senta que lá vem textão!

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

Detesto ir a supermercados. Por isso, quando cheguei com minha esposa e minha filha ao mercado na sexta-feira passada, sentei à uma das mesinhas de um restaurante que há na entrada e passei a mexer no celular, enquanto elas compravam alguns itens de que precisávamos. Foi quando chegou o Marcelo. Homem negro, forte, alto, carregando uma mochila e acompanhado de um cheiro indescritivelmente ruim, ele entrou pela porta e caminhou a passos lentos até mim. Ele, então, falou, com uma voz hesitante e extremamente educada:

– Por favor, senhor, me desculpe incomodar. Desculpe mesmo. Será que o senhor teria cinquenta centavos que pudesse me dar?

Pronto. Sabe aquela situação desagradável, em que você não quer estar? Na hora, em milésimos de segundo, deparei com aquele dilema: dar dinheiro a um pedinte ou não dar? Recusar-se à caridade ou dar o que ele pedia e, assim, alimentar a mendicância? Aquele dilema atravessou minha mente pelo tempo de um raio e, sabe-se lá por que, meu cérebro decidiu me fazer estender a mão à carteira. Talvez porque dizer aquela mentira, “Não tenho”,  evidentemente seria demais, estando eu em um supermercado.

Esperando estar fazendo a coisa certa, mas não sem um pouco de culpa por ajudar a alimentar a mendicância, procurei os cinquenta centavos. Para meu desgosto, logo me dei conta de que a menor nota que eu tinha era uma de dez reais. Veio logo aquele arrependimento por ter aberto a carteira. Dez reais para um pedinte me parecia excessivo. Mas, encurralado pela situação, já que o rapaz havia visto o dinheiro que eu tinha, fui obrigado a lhe estender a nota de dez.

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Foi quando, com os olhos arregalados, rosto espantado e incrédulo, ele segurou a nota de queixo caído e disse:

– Sério? Dez reais? Tudo isso?

Ele ficou alguns segundos constrangedores me olhando. O silêncio foi quebrado quando ele, sem avisar, inclinou-se em minha direção, me abraçou e deu um beijo demorado em minha bochecha direita. Dizer isso deste modo pode parecer algo bonito, mas a verdade é que foi bem desagradável. Não pela demonstração de gratidão, claro, mas pelo cheiro de muitos dias sem tomar banho que invadiu minhas narinas e por sua barba por fazer, que arranhou meu rosto de forma bem dolorosa. Foi desagradável para mim. Mas pareceu ser glorioso para ele.

Passado o meu susto, ele continuou dizendo mais algumas palavras de surpresa e agradecimento. Foi quando me dei conta de que aquele homem, repulsivo aos meus cinco sentidos, estava deslumbrado simplesmente por eu ter confiado nele e o valorizado, dando-lhe muito mais do que ele acreditava que receberia. Talvez, imagino, ele acreditasse que não valia mais do que cinquenta centavos e que pedir mais que esse montante seria valorizar-se além da conta.

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Quando me dei conta de que a autoimagem daquele ser humano estava tão desvalorizada, vi naquela chance a oportunidade de presenteá-lo com humanidade, afeto e senso de valor próprio. E, pela primeira vez naquele relacionamento, eu sorri. Perguntei:

– Qual é seu nome?

– Marcelo. E o seu?

– Maurício.

– Sério? Eu nunca mais vou esquecer, pois é o nome do meu irmão.

– Marcelo, me conta a tua história – eu pedi, verdadeiramente interessado em saber o que levara aquele homem forte e com toda aparência de saúde, a trocar uma vida de trabalho honesto e recompensador pelas ruas.

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Conversamos por um bom tempo. Ele me falou da mulher que o traiu e de como a traição o lançou em depressão. Relatou como seu estado emocional prejudicou sua vida profissional, e como acabou em ruína financeira. Por fim, Marcelo discorreu sobre como a soma de todos os problemas acabou por lançá-lo no alcoolismo, o que foi a gota d’água para ele acabar “em situação de rua”, como disse. Foi quando eu vi a oportunidade de usar aquele nosso encontro para um bem real na vida de Marcelo.

– E você está confortável com a sua vida agora ou tem o desejo de sair da rua?

– Eu quero sair. Estou com 48 anos e preciso acertar minha vida.

Como ele levantou a bola, eu cortei:

– Olha… você pode pegar o dinheiro que lhe dei e torrar com cachaça ou pode se alimentar, tomar banho, pagar uma passagem para ir até uma instituição que o ajude…

E comecei a orientá-lo sobre meios práticos de restabelecer a dignidade e a vida. Disse-lhe lugares que ele poderia procurar e até o nome das pessoas que teriam como ajudá-lo. Mas deixei claro que só ele mesmo poderia tomar as atitudes necessárias para retomar sua cidadania. Os dez reais nem de longe resolveriam sua vida, mas aquele pedaço de papel me deu a oportunidade de fazer Marcelo prestar atenção em mim para que eu pudesse orientá-lo e encorajá-lo.

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E Marcelo de fato prestou muita atenção. Balançou bastante a cabeça, em concordância. E, por fim, sorriu. Estendeu sua mão imunda e eu a apertei. Não foi o suficiente: ele veio e me abraçou novamente, com muita força, fazendo aquele fedor invadir novamente minhas narinas. Mais do que cheiro de falta de banho, era cheiro de falta de dignidade, honra, humanidade, graça, amor. E, sem querer, por força das circunstâncias e não por qualquer magnanimidade de minha parte, acabei tendo a oportunidade de mostrar-lhe o caminho para reconquistar sua vida e sua posição.

Marcelo disse algumas palavras a meu respeito, se despediu e saiu do supermercado. O que será de sua vida eu não sei. Mas aquele nosso rápido encontro me ensinou algo importante: às vezes, Deus nos põe em situações em que, sem que tenhamos planejado, podemos abençoar alguém. Mas abençoar mesmo, e não estou falando de dinheiro. Meus dez reais foram uma benção minúscula para aquele homem, pois, por si só, não resolveriam nada de sua situação – e talvez até a piorassem, caso ele os usasse para tomar cachaça. Mas a nossa conversa, em que tive a oportunidade de lhe apontar caminhos, dizer que ele não era um fracasso, encorajá-lo, fazê-lo socialmente visível e relembrá-lo de que ele tinha a capacidade de reassumir as rédeas de sua situação… aquilo sim foi uma enorme bênção para sua vida.

Posso ter errado ao dar esmola àquele pedinte. Não sei. Até hoje, é muito mal resolvida em minha mente essa questão de dar esmola ou não dar. Mas, certamente, acertei ao dar atenção e amor ao próximo, por mais que me fosse repulsivo.

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Ali aprendi duas coisas. Primeiro, que, muitas vezes, devemos olhar com discernimento para além das aparências de uma situação a fim de compreender por que Deus nos permitiu passar por ela. Não creio que, de todas as pessoas do mundo, o Senhor fez Marcelo vir pedir dinheiro justamente a mim com o objetivo de que eu lhe desse dez reais. Esse valor não era o que Deus queria que eu desse àquele homem. Penso que seu objetivo era que eu lhe mostrasse que havia pelo menos uma pessoa no mundo que acreditava que ele tinha dignidade, honra, valor e propósito. E que lhe mostrasse que aquela “situação de rua” não era o que Deus lhe tinha reservado. Mas, também, que era preciso que ele desse o primeiro passo, aproveitando as oportunidades para deixar de se conformar com cinquenta centavos aqui e ali. Ele vale mais, muito mais do que isso, embora a vida o tenha feito acreditar que esse é o seu valor. E, se eu tivesse me contentado em estender-lhe uma cédula e fechar-lhe a cara, teria perdido a oportunidade de confrontá-lo com essa realidade.

Mas houve um segundo aprendizado. Somente dois dias depois desse episódio, ao refletir sobre aquele encontro, me dei conta de que Deus me fez compreender ali uma nesga de como ele se sente quando, muitas vezes, o procuramos. Nosso pecado fede às narinas do Senhor. E, ainda assim, ele nos recebe com amor e nos presenteia com bênçãos muito mais valiosas do que aquelas que pedimos. Mendigamos os cinquenta centavos de um emprego, um carro, uma bênção material ou uma cura física, mas Deus nos surpreende com os dez reais de bons relacionamentos humanos, de seu perdão vez após vez, de paz no coração, de alegria mesmo diante da escassez, de vida eterna.

O mais extraordinário é que, além de nos dar tais bênçãos, o Senhor conversa conosco e nos orienta. Ele gasta tempo para nos ensinar o que fazer para sair da situação de miséria espiritual em que podemos cair, recobrando nossa honra, nossa dignidade, nosso valor e nosso senso de propósito. Ele nos abençoa e nos orienta quanto ao que fazer dentro do que depende de nossas ações para seguir pelo bom caminho.

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Meu irmão, minha irmã, você fede. Eu fedo. Nosso pecado nos torna imundos e céticos aos olhos e às narinas do Senhor. Ainda assim, o amor dele é tanto que ele nos abraça, aguenta os arranhões de nossa barba mal feita em seu rosto, nos abençoa e nos orienta. Ele faz isso porque sua natureza não permite que ele aja de modo diferente. Valorize isso. E, sempre que puder, ponha-se em posição para que ele o lave, o perfume, o dignifique e o ame.

Se você lhe pedir cinquenta centavos, eu creio que ele lhe dará dez reais, pois Deus é um bom Pai. Mas nunca feche os olhos ao fato de que, mais importante do que a esmola que ele lhe dará será o contato entre vocês e tudo aquilo que ele lhe mostrar a seu respeito e acerca dos propósitos dele para sua vida.

E, assim como eu disse ao imundo e fedorento Marcelo que acreditava nele e tinha plena confiança de que ele tinha valor, honra e dignidade, Deus dirá, ao lhe estender a esmola que você lhe pede, tudo o que você significa para ele. Quando o Senhor fizer isso, meu irmão, minha irmã, preste atenção. Pois essa conversa poderá fazer a diferença entre um futuro habitando na imundície ou na paz gloriosa do seu Senhor.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >