Arquivo da categoria ‘Amor ao próximo’

paoA única foto que ilustra o post de hoje é a deste pão, pois todo o texto gira em torno dele. Permita-me explicar. Como antecipei em post recente aqui no APENAS, minha mãe submeteu-se há poucos dias a uma cirurgia para extrair um câncer de mama. Aos 82 anos, tendo sofrido um infarto havia alguns anos, não enfrentaria uma operação tranquila; afinal, riscos são grandes em pacientes com esse perfil. Como meu pai está senil, fui escolhido para ser o responsável por minha mãe. Se houvesse alguma complicação durante a operação, caberia a mim tomar decisões que poderiam ser de vida ou morte. Passamos a manhã realizando exames e procedimentos pré-cirúrgicos, saímos do laboratório e seguimos para o hospital. A cirurgia estava marcada para 14h. Atrasou. Até então, eu não havia almoçado. Estava faminto, mas, a despeito dos apelos de minha mãe para que eu a deixasse sozinha na sala de espera do hospital e fosse comer, fiquei ali, segurando sua mão, conversando e fazendo piadas, até o momento da cirurgia. Estávamos confiantes e de bom humor – mas morrendo de fome. 

Enfim chegou a hora e, às 14h45, finalmente minha mãe entrou na sala de operações. Por isso, foi só por volta de 15h que pude comer algo, na única lanchonete que vendia alguma comida no hospital. A birosca não oferecia refeições, apenas salgados e alguns sanduíches. Por isso, o que você vê nesta foto foi o meu almoço naquele dia: um pão com ovo e queijo. No momento em que tirei a fotografia, estava pensando no que aqui compartilho com você: este sanduíche simboliza algo muito maior do que um sanduíche. 

Aquele pedaço de pão simbolizou para mim o cuidado com minha mãe. Ele era o resultado de eu ter sacrificado o meu bem-estar em prol dela. Eu poderia perfeitamente tê-la deixado sozinha e saído do hospital em busca de um bom restaurante, na hora em que eu quisesse. Mas optei por lhe fazer companhia, dar amor, ofertar solidariedade, compartilhar calor humano, ser um filho que honra seus pais ao preferi-los em honra a si mesmo. E, se você acha que sou grande coisa ao dizer isso, saiba que não sou, minha nobreza não é maior do que a de ninguém: tudo o que fiz foi por amor e em reconhecimento aos anos de cuidados que minha mãe dedicou a mim. Não, ficar faminto para acompanhá-la não foi mérito meu, foi mérito dela. Pois tudo o que fiz foi em respeito às décadas de preocupação, entrega, abnegação e sacrifícios de minha mãe por mim. Não houve nenhuma magnanimidade no que fiz. 

paoAo olhar para aquele pão com ovo e queijo lembrei-me das noites que minha mãe e meu pai passaram em claro, cuidando de minhas febres e meus pesadelos; das muitas horas que gastaram lavando o cocô e o xixi das minhas fraldas de pano, numa época em que ainda não havia fraldas descartáveis; dos dias e mais dias em que tiveram de ir correndo de um emprego para outro, numa ralação exaustiva, a fim de me dar qualidade de vida; das madrugadas em que ficaram acordados durante minha juventude, preocupados com meu retorno seguro após alguma festa; da noite em que saíram esbaforidos para me abraçar, após eu ter capotado com o carro… enfim, de tudo de que dona Irene e seu Wilson abriram mão em meu benefício. Um pão com ovo e queijo que significava tão pouco em comparação ao amor e ao sacrifício que aqueles dois devotaram ao filho caçula. Orei ao Senhor antes de devorar aquele sanduíche, entregando minha mãe em suas mãos e agradecendo por tão singelo mas tão significativo alimento. E, naquele instante, percebi que cada mordida que dava no pão tinha o mesmo nome.

Gratidão. 

Quando celebramos a ceia do Senhor, o que demonstramos é a mesma coisa: gratidão, por tudo o que Jesus suportou em nosso benefício. Cada mordida no pão da ceia me recorda dos açoites que ele aguentou em meu lugar; cada gole no vinho me lembra dos bofetões e das cusparadas que ele tomou por mim; o esfarelar das migalhas me identifica com o rasgar da carne das mãos; o sabor acre do vinho me remete ao sabor amargo do sangue escorrido da coroa de espinhos. A ceia não deve ter em primeiro plano o medo de tomá-la em pecado, mas o júbilo por tomá-la em gratidão por quem nos livrou do pecado. Ao reunir-me com meus irmãos e irmãs para tomar a ceia, trago à memória o cenho abatido do Salvador na cruz do monte Calvário. Ceia é isto: gratidão pelo sacrifício que nos beneficiou. O sanduíche do hospital é isto: gratidão pelo sacrifício que me beneficiou. Assim, o pão tem sabor de uma única palavra: obrigado. 

Uma hora e meia depois, meu telefone soou e uma integrante da equipe médica me avisou que a cirurgia havia terminado e sido um sucesso. Eu deveria ir para o quarto aguardar minha mãe. Assim foi. Quando ela chegou na maca, ainda zonza pelo despertar da anestesia, antes mesmo de perguntar como tinha sido a cirurgia, virou-se para mim e, com preocupação materna, indagou: “Você comeu?”. 

Conversei com os médicos, que me informaram que tudo havia ido bem: eles removeram apenas um quarto do seio e nem precisaram pôr um dreno. O exame dos nódulos linfáticos da axila deu negativo, o que sugeria que não havia ocorrido metástase. Três dias depois, eu deveria levar minha mãe ao consultório do cirurgião para ver como estava a recuperação. Assim, no terceiro dia após a possibilidade da morte, levei-a ao médico, que avaliou o quadro e deu o ultimato: vida! De igual modo, no terceiro dia após a morte de Cristo, veio o ultimato: vida!

paoPassei dias cuidando dela no pós-operatório, com gratidão a Deus por poder fazer por minha mãe o que décadas antes ela fizera por mim. Hoje, dia 26 de abril, dona Irene volta ao médico a fim de remover os pontos da cirurgia. Esperamos apenas o resultado da biópsia do tumor. Fora isso, é vida que segue. As cicatrizes  ficarão, mas, por trás delas, o que há é vida. E, de hoje em diante, nunca mais olharei para um pão da mesma maneira que antes, pois ele sempre me lembrará de tudo o que meus pais fizeram por mim e da gratidão que devo demonstrar-lhes, não como resultado de valor próprio, mas como reconhecimento pelo mérito deles ao se sacrificarem por mim. Do mesmo modo, nunca você deve olhar para o pão da ceia sem um sentimento de gratidão a Cristo pelo mérito dele ao sacrificar-se por você. As cicatrizes dos cravos, dos açoites, da lança e da coroa de espinhos ficarão, mas, por trás delas, o que há é graça e vida.

Vida… eterna. 

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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sal fora do saleiro 1Participei algum tempo atrás de um debate em uma rádio evangélica em que foi levantada uma questão: é lícito um cristão entrar em determinado local considerado pecaminoso para pregar ou refletir ali a luz de Cristo? Na minha vez de falar, eu defendi que não só é lícito, mas é imprescindível. Pregar salvação onde só há salvos… para quê? Nisso, um pastor que estava à mesa se enfureceu e me cortou: “O que você está dizendo é um absurdo. Se um crente vai a uma boate, por exemplo, o Espírito Santo fica na porta!”. Congelado por essa resposta, só consegui balbuciar de volta: “Pastor, com todo respeito, mas o Espírito Santo que habita em mim jamais ficaria na porta, pois é a luz que espanta as trevas e não o contrário. Se eu for a uma boate com a motivação de proclamar Cristo, ele entra comigo, guia meus passos, ilumina minha mente e, se lhe aprouver, realiza a obra de salvação naquele lugar”.  Esse episódio me levou a refletir sobre até que ponto devemos nos associar a determinados lugares ou pessoas para disseminar a mensagem do evangelho, seja por meio de palavras, seja por meio do relacionamento pessoal. 

Não consigo entender a ideia de que há lugares lícitos ou ilícitos para se levar Cristo: o universo inteiro é nosso campo missionário. Além disso, o conceito de “lugares pecaminosos” me soa bem esquisito; afinal, onde houver pessoas haverá pecado – portanto, todo lugar  no planeta em que houver gente é pecaminoso – pois o pecado não vive em paredes, vive no coração humano. Eleger esse ou aquele como “mais pecaminoso que outro” é um desentendimento da realidade do pecado. Boates, prostíbulos e cinemas pornôs não são mais pecaminosos do que estádios de futebol, supermercados ou shopping centers. Há pecado abundante e sem arrependimento em todos eles e, no máximo, podemos dizer que há pecados diferentes. Há pecado nas praças e nas ruas, nas escolas e nos restaurantes, nas universidades e… bem, vamos lá: nas igrejas. Ou você conhece uma igreja sequer que seja formada só por pessoas que não pecam?

Ser sal e luz num templo religioso ou ser sal e luz numa casa de meretrício é ser… sal e luz. Isso não muda a essência da coisa. O que santifica esses lugares? Cristo. E onde há proclamação de Cristo ele se faz presente. “Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles” (Mt 18.20). Portanto, onde o cristão está, o local é santificado pela presença do Espírito que nele habita. Só é preciso constante cautela para não deixar o vento das trevas apagar a vela do brilho da santidade, e isso em qualquer lugar  em que você esteja. “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca” (Mt 26.41). Ir para a balada “curtir a vida”, com o argumento de que vai “levar a luz de Cristo”, é hipocrisia, é mentira. A motivação do coração é fundamental.

Conheço religiosos que não pregam em igrejas de denominações de cujas doutrinas discordam. Eu respeito essa visão, mas jamais poderia estar de acordo com ela. Um presbiteriano pregar em um templo da Igreja Universal, por exemplo, não significa em absoluto que ele esteja de acordo com o que se faz e se prega ali, mas significa uma oportunidade ímpar de levar a sã doutrina a quem se alimenta de heresias dia após dia. 

sal fora do saleiro 2Eu prego de graça, jamais na vida exigi oferta ou condicionei minha presença onde quer que seja à venda de livros, que fique muito claro. Portanto, o que vou dizer agora não tem nenhum “interesse escuso”, nem financeiro nem de outro tipo qualquer que não seja o missional: se eu for convidado para pregar em uma igreja católica ou ortodoxa, na Igreja Universal, na igreja de Agenor Duque, na igreja da apóstola Sol, em qualquer igreja neopentecostal, pentecostal ou tradicional, eu vou. Se for para pregar em um centro de umbanda ou num centro espírita, eu vou. Se houver oportunidade de pregar o evangelho no palco de uma boate de striptease, eu vou. Por quê? Porque sabe o que significa ir por todo o mundo e pregar o evangelho a toda criatura? Significa: ir por todo o mundo e pregar o evangelho a toda criatura. Sem exceções de local no mundo e sem exceções de criatura. “Todo” significa “todo” e “toda” significa “toda”. Minha imagem pessoal e minha “reputação” valem bem menos do que a importância de levar o evangelho aos sedentos e famintos. 

Meus livros têm endossos (aqueles textos de outras pessoas que vêm na quarta capa da obra) de irmãos em Cristo de quem eu discordo em questões de teologia e prática em muitos pontos. Isso não significa que eu me aliance a eles em tudo ou que apoie tudo o que creem e fazem. Significa que a mensagem que procuro transmitir nos textos alcança todos esses espaços. E que bom que essas pessoas com quem não concordo plenamente endossam o que escrevo, pois isso incentiva irmãos e irmãs que respeitam as opiniões delas a ler meus livros – e, com isso, a mensagem que acredito ser bíblica e correta alcança pessoas de todas as linhas do evangelho, ou de fora dele. E isso não tem nada a ver com interesses comerciais ou outros, tem a ver com missão. A monumental diferença está na motivação do coração: eu não vejo nenhum problema em ir a lugares ou associar-se, em certos âmbitos, a pessoas de quem se discorda, desde que a motivação seja Cristo e não interesse financeiro ou qualquer outro tipo de interesse que não o de fazer brilhar a luz do Senhor para o mundo. 

O fim do sofrimento_frente e versoJá endossaram livros meus calvinistas como Augustus Nicodemus e Franklin Ferreira; batistas arminianos como Russell Shedd e Luiz Sayão; pentecostais como Ana Paula Valadão e Bianca Toledo; autores de livros seculares, como Rachel Sheherazade e William Douglas (foto). E muitos outros. Isso quer dizer que concordamos em tudo? Naturalmente que não. Mas quer dizer que estabelecemos o vínculo da paz para incentivar leitores das mais variadas linhas doutrinárias a ler textos que apontam para Cristo. E, assim, minha associação a essas pessoas tão diferentes faz com que a mensagem do cristianismo puro e simples chegue a todo tipo de gente. A toda criatura – como Cristo mandou. Se isso fará com que pessoas que se acham mais cristãs do que outras nos olhem de forma torta… paciência. Os fariseus e mestres da lei olharam torto para Jesus porque ele andou com prostitutas e publicanos, foi à casa do repugnante Zaqueu e chamou para ser discípulo Mateus, um coletor de impostos “traidor dos judeus”; logo, por que comigo ou com você seria diferente se pregarmos em um “lugar pecaminoso”? Acostume-se aos olhares tortos e siga proclamando a luz do Verbo da vida. 

Temos de parar com o segregacionismo baseado na suposição de que somos superiores aos outros ou de que nossa santidade é tanta que macularia a nossa pureza ir a determinados lugares para pregar o evangelho – se pregar o evangelho for de fato a nossa motivação, que fique claro. A necessidade de se relacionar com quem precisa de Cristo é maior do que isso. Temos de ser sal nos lugares insossos e luz nas trevas mais densas. Temos de conviver com os publicanos e as meretrizes – e até com os fariseus. Se Adolf Hitler recomendasse a leitura de um texto meu, eu não o impediria – quem sabe, assim, muitos nazistas seriam alcançados pelo evangelho? Se o Dalai Lama ou Inri Cristo me convidassem para pregar em seus templos, eu iria, feliz e de graça, pois meu Salvador estaria sendo apresentado a quem precisa. E se eles quisessem recomendar meus textos, ótimo, pois seus seguidores leriam sobre a mensagem da cruz, a morte e a ressurreição de Cristo, as boas novas da vida eterna, o conteúdo do credo apostólico, a Palavra de Deus. 

Existe limite para os espaços em que devemos proclamar o evangelho? Claro que existe. E ele está no fim dos tempos. Quando Jesus voltar, só então pare de pregar o evangelho, pois novos céus e nova terra se farão presentes. E, então, e somente então, a proclamação deve cessar. Até lá, vá aos piores lugares do mundo e conviva com a escória da humanidade. Pois Jesus não veio para os sãos, veio para os doentes. E de que adianta você ser um médico que se recusa a estar perto e a se relacionar com os enfermos? Isso faria de você um médico inútil, por amar a medicina mas se recusar a estar com os pacientes. 

sal fora do saleiro 4Conheço um cantor evangélico famoso que, como ele mesmo me relatou, se comportava como um gladiador, distribuindo pauladas verbais para todo lado pelas redes sociais, atacando gente, ofendendo e espinafrando. Era o tipo de pessoa de quem os “santos” querem distância. Pegaria mal associar-se a ele, na visão de muitos. Um amigo meu, no entanto, aproximou-se dele, convidou-o para ir a sua casa, iniciou um relacionamento. E começou a chamar a atenção daquele cantor para os erros que cometia. Aos poucos, na convivência e mediante a orientação em amor, meu amigo foi mostrando para o artista os equívocos em que ele estava incorrendo e aquele homem os foi percebendo, até que começou a mudar. Hoje ele não posta mais comentários agressivos on-line e reconhece que estava errado, como me disse pessoalmente. Foi justamente a aproximação de alguém que optou por se relacionar em graça e amor com quem estava errado que fez a luz brilhar nas trevas. Imagine se meu amigo tivesse evitado o contato, para “preservar sua imagem” ou “para não se contaminar”. 

O templo é apenas uma das muitas instâncias da nossa fé e não uma finalidade em si mesmo. Nosso local de culto é o planeta Terra. E, se você for um astronauta, o espaço sideral também é. Não deixemos de congregar jamais, sou um defensor ferrenho da importância de frequentar uma família de fé, mas não restrinjamos nossa fé ao santuário, pois isso não é cristianismo. Cristo está onde você está e ser cristão significa ser sal e luz – para todos, em todo tempo e em todo lugar. 

Meu irmão, minha irmã, importa viver e proclamar Jesus, o único caminho, a verdade e a vida. Seja um embaixador do reino não só dentro da embaixada, mas nas terras estrangeiras, em cima dos telhados… até às portas do inferno.

sal fora do saleiro 5Fuja da contaminação, sim, mas não se prive de levar a cura onde há contaminados.

Resista ao Diabo, sim, mas não deixe de ir onde houver pessoas escravizadas pelo Diabo.

Fuja da aparência do mal, sim, mas reflita a luz de Cristo onde o mal habita para muito além das aparências.

Não entre em jugo desigual, sim, mas não recuse relacionamentos com o desigual se isso servir de canal para que o cristianismo puro e simples alcance vidas. 

Afinal… Jesus não se relacionou com o desigual? E não foi à casa dos mal-vistos da sociedade? Então, por favor, responda: em que eu e você somos melhores do que Jesus?

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >


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cruz-amor 1Conheço um irmão em Cristo daqueles que pensavam ser a palmatória do mundo e, por isso, distribuía ataques com fúria a pessoas de quem discordava nas questões da fé. Ler suas postagens no Twitter me fazia mal, tamanha era a agressividade de seus posicionamentos contra aqueles de quem ele divergia em qualquer aspecto da vida e da teologia cristãs. Por uma série de circunstâncias, tempos depois ele imergiu numa crise que o lançou em uma profunda depressão. Por razões que não posso expor, por motivos éticos, em meio a esse furacão ele acabou assistindo a uma série de vídeos de pregação justamente de um dos sacerdotes que ele mais desqualificava, desmerecia e atacava. Que ele chamava de herege, na verdade. Após ter assistido aos sermões, aquele homem grandemente deprimido escreveu-me e, com humildade, disse o seguinte: “A ironia interessante é que as pregações do pastor xxxx, depois de eu, no passado, tê-lo relegado a um ‘plano inferior’, no mundo da teologia, têm me feito muito bem… Coisas desse Deus estranhamente bom”. 

O que esse irmão viveu não é um caso isolado. Eu me admiro por ver com que enorme frequência o Senhor abate os arrogantes, a fim de mostrar que sua graça é muito maior do que supõe nossa limitada capacidade teológica de compreendê-la. Eu mesmo sou um exemplo, como já relatei aqui no APENAS. 

Para que você entenda, caso não tenha lido o que já contei: depois de ter feito dois seminários teológicos e de conviver por anos num ambiente de alta crítica teológica, tornei-me um preconceituoso bobo, que relegava certas pessoas a uma espécie de segundo escalão da fé. Coisas de um tolo empavonado, como eu era. Só que Deus me permitiu passar pelo vale da sombra da morte e tive de enfrentar um processo de tristeza, depressão e abatimento. Quando mais eu precisava de apoio, não encontrei amparo entre os “amigos” da alta crítica, mas encontrei consolo e paz, veja você, justamente na literatura de autores que eu costumava desprezar. Nos meus piores momentos, quando Deus estava me reconstruindo e me fazendo ver que ele age, sim, por meio de muitas pessoas que desqualificamos, não encontrei paz e esperança nas obras densas e acadêmicas de que eu tanto gostava (e ainda gosto), mas nos escritos que antes eu considerava “rasos” e “superficiais”, como livros de Max Lucado. Coisas desse Deus estranhamente bom, que não cabe no gesso em que muitos querem aprisioná-lo. 

cruz-amor 2Foi nessa época que decidi mudar o foco de minha escrita e passar a escrever não para satisfazer a minha mente e o meu ego e para me destacar entre a elite do pensamento cristão (ah, a vaidade, sempre ela…), mas para oferecer respostas e alento à alma cansada e ao coração aflito do meu próximo, linha que tenho seguido desde então. Abandonei o linguajar rebuscado e acadêmico em meus textos e livros e adotei a linguagem simples e coloquial. Sem abrir mão de abordar assuntos profundos da fé, passei a fazê-lo de modo a transmitir verdades essenciais do evangelho num texto bastante simples, para todo tipo de leitor. Claro que isso me fez alvo do bullying de muitos amigos da alta crítica – coisa desses seres humanos estranhamente maus. 

Mas meu objetivo com este texto não é falar sobre mim.  Conto tudo isso apenas a fim de chamar a sua atenção para o fato de que esse Deus estranhamente bom muitas vezes vai surpreendê-lo, usando pessoas e meios que  jamais você imaginaria para cumprir os seus propósitos na sua vida. Lembra-se de Davi, o menos provável de ser escolhido rei dentre seus irmãos? Pois justo ele foi ungido rei de Israel. Coisas desse Deus estranhamente bom. Lembra-se de que Deus usou justamente o pagão Nabucodonosor para disciplinar seu povo? Coisas desse Deus estranhamente bom. Lembra-se de que o Senhor fez do ex-escravo e ex-presidiário José a segunda pessoa mais importante do Egito? Coisas desse Deus estranhamente bom. Lembra-se de como o Senhor usou Gideão, o menor dentre os menores, para dar vitória a seu povo? Coisas desse Deus estranhamente bom. 

Sim, o Senhor ainda vai te surpreender muitas e muitas vezes. Em certas ocasiões, será assombroso. Em outras, será doloroso. Haverá, ainda, momentos em que ele te deixará de queixo caído. Usará quem você menos espera. Fará as coisas acontecerem como você nem imagina. Muitas vezes, haverá surpresas aparentemente incompreensíveis. Só não se pode perder de foco que Deus faz tudo isso devido às suas estranhas bondade, graça e misericórdia. 

Meu irmão, minha irmã, mantenha os ouvidos atentos e o coração aberto, pois você nunca saberá de onde se fará ouvir a voz de Deus. Ela poderá vir pelos lábios daquele pastor que você desqualifica, da cantora que você sentenciou aos quintos dos infernos, daquele livro que você considera raso e superficial, daquele seu inimigo que te estenderá a mão quando teus “amigos” te largarem para lá. Afinal, a voz de Deus não está submissa aos altivos quereres humanos, mas à absoluta soberania do Todo-poderoso. 

cruz-amor 3Peço ao Senhor que sempre faça você ouvir a sua voz, não importa de que lado ela venha. Oro a Deus que seus preconceitos não sejam tão barulhentos a ponto de te impedir de escutar o que ele diz, muitas vezes por meios que você jamais imaginaria. Esteja aberto à atuação surpreendente do Criador, que, creio eu, deve ter se divertido muito ao ver a cara de choque dos irmãos de Davi quando perceberam que foi justamente o mais desprezado dentre eles o escolhido para realizar os propósitos divinos. Peço ao Altíssimo que, nas situações mais atribuladas e difíceis da sua vida, você esteja de ouvidos abertos para escutar, venha ela de onde vier, a voz desse nosso maravilhoso Deus estranhamente bom. 

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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brasil 1O Brasil tem vivido dias de imensa fúria. Em nosso país, a situação deplorável do governo, a corrupção onipresente, a polarização entre adeptos da esquerda e da direita e a crise econômica lotam os noticiários, pautam as discussões e fazem as redes sociais fervilharem. Os debates que envolvem as notícias do dia, na maioria das vezes, são recheados de afirmações revoltadas, reclamações injuriadas, agressões para todos os lados e intermináveis discussões e trocas de acusações. Vivemos dias duros. A toda hora a notícia da hora nos faz ferver o sangue. Queremos comer o fígado de políticos, mandar os corruptos para o quinto dos infernos e explodir todos aqueles que não concordam conosco. Dias difíceis, os nossos. Dias saborosos para os zelotes e amantes da espada, mas estarrecedores para os mansos e humildes de coração. 

Tem sido raro encontrar aqueles que estejam plácidos, equilibrados e controlados diante do cenário da nossa nação. Os estoicos e blasés desapareceram do mapa, dando lugar aos explosivos e revoltados. A indignação é válida e devemos, sim, nos indignar com toda a lama que escorre dos palácios do governo e dos escritórios de grandes corporações corruptoras. Não há como amar a justiça e a verdade e se manter impassível diante do atoleiro de mentiras, trapaças, sujeiras e pecados que se tornou o Brasil. 

Minha pergunta é: como devemos manifestar toda essa justa e necessária insatisfação? Será que nós, cristãos, devemos reagir como o mundo reage, fazendo chacotas indecentes, usando palavras torpes, adjetivando de modo desrespeitoso fulano ou sicrano, destilando veneno em nossas palavras e em nossos memes, desejando que os maus morram e se arrebentem, entre posts imprecatórios nas redes sociais e falas avalânchicas por onde passamos? 

Qual é a postura adequada a quem vive para ser imitação de Cristo? O amor ou o ódio? A pacificação ou o acréscimo de lenha à fogueira? A destemperança ou a paciência? A amabilidade ou a ofensa? A bondade ou a raiva, destilada entre perdigotos e olhares injetados? A mansidão ou a fúria? O destempero ou o domínio próprio? Afinal, como devemos reagir a tudo o que nos cerca?

brasil 2Ser cristão é ser diferente. É nadar contra a correnteza, quando a correnteza não segue de acordo com o relevo do evangelho. É controlar nossos impulsos humanos de vingança e raiva para dar lugar à pacificação que nos fará bem-aventurados. Não somos cristãos se agimos e reagimos como o mundo, com a diferença que vamos à igreja aos domingos. Se somos iguais ao mundo, somos mundo – mesmo frequentando o culto e cantando músicas cristãs. Cabe, então, a pergunta: você tem reagido aos lamentáveis noticiários como um santo ou como um pagão? Como alguém que entende que sua pátria não é deste mundo ou como um cabeça-quente que vive entre imprecações e gritos de revolta? 

Sim, não devemos nos conformar com a injustiça. Não podemos, como servos de Deus, nos manter impassíveis diante da corrupção humana. Deus não fica impassível; nós também não devemos ficar. Meu questionamento não é “sim ou não”, mas “como”.  De que modo você reage? Que palavras escolhe ao se posicionar? O que há no seu coração? Sua alma busca a justiça e a verdade com paz ou com guerra? 

Os dias são maus, meu irmão, minha irmã. Mas não podemos permitir que a maldade do mundo caótico nos contamine. Temos de permanecer como diferentes, como luz. Brilhemos nessa treva tão densa. Afinal, se formos trevas em meio a trevas, que diferença fazemos? Se há uma hora em que precisamos mostrar ao mundo quem habita em nós, a hora é esta, pois é em meio à crise que os santos sobressaem. 

Jesus não nada no mar do caos, ele caminha por sobre as águas. Assim devemos nós fazer.

brasil 3Deixo a reflexão: como você tem se posicionado ante tantas notícias revoltantes que inundam os jornais do dia? Como um revoltado ou como um ponderado? Como um desvairado ou como um equilibrado? As notícias te dominam ou o Espírito Santo é quem conduz suas ações e palavras? Ser fiel ao amor quando tudo vai bem é moleza. Mas é justamente na hora em que alguém grita “fogo!” que descobrimos quem são os que dão passagem às mulheres e crianças primeiro e quem são os que saem pisoteando quem estiver pela frente. Quem é, afinal, que controla as suas palavras e as suas ações diante da miséria humana, da corrupção do mundo e do caos provocado pelo pecado? O amor? Ou o ódio? Descubra quem é o seu senhor na hora da crise e você constatará se tem agido conforme a vontade do Senhor Jesus Cristo. 

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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bebe-lindo 2Eu estudei no Colégio de São Bento, no Rio, por todo o ensino fundamental e o médio (naquela época, a gente chamava de primeiro grau e científico). É uma escola sui generis, pois é a única do Brasil na qual ainda só estudam meninos. Lá, meninas não entram. Imagine, então, como é o comportamento dos alunos, num ambiente só de homens: muitas piadas desinibidas, tráfico de revistas pornográficas, brincadeiras brutas e um tipo de relacionamento muito masculinizado. Mas não ache que o ambiente é anárquico: o colégio, fundado pelos padres beneditinos, tem normas rígidas de disciplina, muita organização e um ensino puxado, que faz o São Bento ser o primeiro no ranking nacional do vestibular e do ENEM há décadas. Então minhas lembranças do ambiente onde estudei é de muita ordem e muito conhecimento, mas um tipo de relacionamento com os colegas cheio de testosterona e de uma certa infantilidade masculina nas brincadeiras de garotos. 

O tempo passou. Depois que fomos para a universidade, os colegas acabaram se distanciando. Cada um foi para um lado, construiu a própria vida, criou novos laços, seguiu rumos distintos. A vida foi em frente, nos casamos, tivemos filhos. Hoje, aqueles moleques adolescentes são pais de família, gordos, carecas, barrigudos. Nos tornamos homens. Amadurecemos. 

Bem… nem tanto. 

bebe-lindo 1Ano passado, um dos colegas da turma que se formou no São Bento em 1989 resolveu, 25 anos depois da nossa saída do colégio, criar um grupo no WhatsApp para reunir o pessoal. Quando fui incluído fiquei muito feliz, foi divertidíssimo ver a foto dos meus antigos amigos com a cara, hoje, que nossos pais tinham quando éramos estudantes. No começo foi aquela farra, a troca de fotos e vídeos da época (foi engraçado me rever em um vídeo de quando eu tinha 15 anos…), a explicação sobre o que cada um se tornou. Foi bem bacana. Só que o reencontro parece que despertou um lado saudosista nesses homens que fez com que começassem a se comportar como os meninos de 25 anos atrás.

A verdade é que o rumo das mensagens, dos vídeos e das fotos que passaram a ser trocadas começou a me incomodar. As piadas eram sempre bobas, com aquela agressividade típica de adolescentes implicantes. O que mais passou a ser enviado foram fotos e vídeos pornográficos, de sexo explícito. Junto, naturalmente, a comentários nada edificantes. Comecei a me ver inserido numa realidade incompatível com quem eu sou hoje. Mas a maioria dos meus colegas de escola parece que parou no tempo, se agarrou à forma de ser de 25 anos atrás e não avançou. E isso me incomodou a tal ponto que tive de pedir que não mais enviassem a pornografia e que maneirassem no linguajar. Pensa que adiantou? Que nada, só despertou uma onda de piadas e gozações comigo, que foram do questionamento da minha masculinidade a coisas que prefiro não dizer num ambiente cristão. Tudo por um apego emocional ao passado. E que tornou o grupo, que tinha tudo para ser muito legal, um ambiente insalubre para meus olhos e ouvidos. Hoje, o grupo é uma decepção para mim. 

bebe-lindo 6Em nossa caminhada espiritual, muitas vezes agimos da mesma forma. Geralmente a época de nossa infância na fé, quando somos novos convertidos, é muito emocionante, marcante, cheia de descobertas. Porém, frequentemente, é repleta de erros, atitudes erradas, crenças pueris. É um engano acreditar que o “primeiro amor” ao qual devemos voltar é marcado por manifestações bobas e infantis de nossos primeiros passos na fé. O “primeiro amor” tem a ver com santidade e não com infantilidade espiritual. No entanto, muitos cristãos se agarram a praticas e crenças de sua época de crianças espirituais e se recusam a avançar rumo à maturidade religiosa e a patamares mais elevados de relacionamento com Deus. 

O resultado desse apego míope a realidades espirituais infantis e imaturas são cristãos que praticam exageros, têm crenças e atitudes bobas, que vivem uma fé baseada em caricaturas e crenças baseadas muito mais na sua cultura denominacional do que na Bíblia. São meninos e meninas que brigam com irmãos em Cristo por causa de crenças soteriológicas, que entendem que o palanque das conferências é mais importante que a visita a órfãs e viúvas, que citam mais falas de bons pensadores e escritores do que mencionam o Espírito Santo, que fazem troça de quem crê no que é diferente do que eles acreditam. Meninos. 

bebe-lindo 4Paulo escreveu sobre a necessidade de amadurecermos na espiritualidade: “E a graça foi concedida a cada um de nós segundo a proporção do dom de Cristo. […] E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo, até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo, para que não mais sejamos como meninos, agitados de um lado para outro e levados ao redor por todo vento de doutrina, pela artimanha dos homens, pela astúcia com que induzem ao erro. Mas, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo, de quem todo o corpo, bem ajustado e consolidado pelo auxílio de toda junta, segundo a justa cooperação de cada parte, efetua o seu próprio aumento para a edificação de si mesmo em amor.” (Ef 4.7,11-16).

Procure fazer uma autoanálise. Será que você não está agarrado a praticas e crenças da sua época de menino ou menina espiritual? Será que não está na hora de buscar avançar, crescer no conhecimento de Cristo, rumo a uma prática de fé mais madura? Você se interessa por estudar a Bíblia? Tem o hábito de ler bons livros cristãos, capazes de mostrar que muito do que você sabe e crê hoje está errado e deveria ser mudado? Será que você continua preso a bobagens e infantilidades que fazemos na época em que somos novos convertidos? Quem tem te discipulado? Quem é seu mentor espiritual, aquele que te conduz dia a dia rumo à maturidade espiritual que Deus espera de cada um de nós? Você continua ancorado ao passado, crendo e se comportando de modo pueril e, assim, agindo como um crente que nunca deixou de tomar leitinho espiritual? Está na hora de repensar isso. 

bebe-lindo 5Acho que cresci um pouquinho nos últimos 25 anos. Não acho mais graça em ficar fazendo certas brincadeiras bobas com meus colegas de escola. Não aprecio mais ficar vendo revistinhas de mulher pelada. Meus valores, minhas crenças e minhas práticas mudaram e hoje busco me cercar de pessoas pacíficas e pacificadoras (maduras na fé, portanto), que fujam da agressividade, que valorizem o conhecimento teológico e sua transmissão com simplicidade. Quando vejo cristãos vaidosos, arrogantes, que amam mais sua bagagem teológica do que pessoas, que querem poder (intelectual ou sobrenatural) mais do que estender a mão em amor aos necessitados… sinto-me deslocado. E não tenho prazer em estar naquele grupo. Hoje, sendo um tiquinho mais maduro na minha espiritualidade do que há  20 anos, quando Jesus me converteu, sou levado a estar junto dos simples, dos amorosos, dos graciosos, dos abnegados, dos humildes de espírito, dos que fogem da vaidade e da soberba, dos que tratam quem discorda de si com respeito e amor, dos que convivem em paz com o diferente, dos que compreendem que o Jesus que expulsou os cambistas do templo é o Príncipe da Paz e o Manso Cordeiro. Maturidade espiritual faz isso: te aproxima dos puros de coração e te afasta dos pomposos, te aproxima dos amorosos e símplices e te leva para longe dos agressivos e sarcásticos. Te leva para perto da prostituta e da adúltera e te afasta dos fariseus apedrejadores. 

Enfim, amadurecer na fé é conformar-se à imagem do manso Cordeiro, que diz “perdoa, pois eles não sabem o que fazem”, e afastar-se dos ignorantes e imaturos que fazem chacota com os ignorantes e imaturos e mais querem punir do que restaurar. 

bebe-lindo 3Tenho muito a amadurecer. Muito mesmo, pode acreditar. Mas só de não achar mais que vaidade teológica ou bairrismo denominacional é algo importante já me mostra que não curto mais as bobagens da infância e da adolescência espiritual. Estou na caminhada, com muito mais a crescer e evoluir. Mas, felizmente e por mérito exclusivo do Espírito Santo, hoje Deus já me incluiu na universidade daqueles que amam e procuram o diferente para amar e não para detonar. Se você quiser abandonar a infantilidade denunciada pela soberba e a agressividade no falar e aproximar-se do diálogo amoroso e da paz… vamos juntos nessa jornada. Pois os que amam o amor formam um grupo do qual tenho prazer de fazer parte. 

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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Natal1Chegou o Natal. É momento de celebrarmos apenas um único fato: “Cristo Jesus […] embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se; mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens. E, sendo encontrado em forma humana, humilhou-se a si mesmo e foi obediente até a morte, e morte de cruz!” (Fp 2.5-8). E isso ocorreu “porque Deus tanto amou o mundo que deu o seu Filho Unigênito, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna. Pois Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para condenar o mundo, mas para que este fosse salvo por meio dele” (Jo 3.16-17). É isso que celebramos.

Por que é importante anualmente trazer à memória o nascimento de Cristo? Porque importa “trazer à memória o que me pode dar esperança” (Lm 3.21). E, mediante essa esperança, Paulo nos exorta: “Alegrem-se na esperança” (Rm 12.12), logo, Natal é período de alegria e celebração! Natal2E celebração por algo extraordinário, o fato de que “um menino nos nasceu, um filho nos foi dado, e o governo está sobre os seus ombros. E ele será chamado Maravilhoso Conselheiro, Deus Poderoso, Pai Eterno, Príncipe da Paz. Ele estenderá o seu domínio, e haverá paz sem fim sobre o trono de Davi e sobre o seu reino, estabelecido e mantido com justiça e retidão, desde agora e para sempre” (Is 9.6-7). Assim, celebrar o nascimento do “Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!” (Jo 1.29) é também se lembrar do que isso significa para o nosso futuro: que, naquele grande dia, “o próprio Deus estará com eles e será o seu Deus. Ele enxugará dos seus olhos toda lágrima. Não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor, pois a antiga ordem já passou” (Ap 21.3-5).

A ocasião do Natal deve direcionar nossos pensamentos para a Palavra que “estava com Deus, e era Deus [e] estava com Deus no princípio” (Jo 1.1-2). Não para o feriado, a Ceia, os presentes, as férias ou o que for, pois isso não é nem de longe o foco. Minha sugestão? Celebre o Natal pensando em Cristo e nas consequências da vinda dele à terra. Eu recomendaria comemorar a data com algumas atitudes que tomam como ponto de partida muito do que foi dito no episódio do nascimento de Cristo:

1. Renove sua fé – lembrando, como disse Gabriel, que “nada é impossível para Deus” (Lc 1. 37). Você tem vivido de fato como quem crê que o seu Deus pode tudo?

2. Renove sua entrega a Deus – lembrando, como disse Maria, que importa que “aconteça comigo conforme a tua palavra” (Lc 1.38). Você tem de fato priorizado a vontade de Deus em tudo, amando  “o Senhor, o seu Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma, de todas as suas forças e de todo o seu entendimento [e amando] o seu próximo como a si mesmo” (Lc 10.27)? Tem buscado de fato “em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça” Mt 6.33)?

3. Adore ao Senhor – assim como disse Maria, que seus lábios digam “Minha alma engrandece ao Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador” (Lc 1.47). Você tem de fato adorado a Deus “em espírito e em verdade” (Jo 4.24)?

4. Confie que a graça de Deus está presente em sua vida – por saber, como disse Maria, que “A sua misericórdia estende-se aos que o temem, de geração em geração” (Lc 1.50). Você tem vivido como quem sabe que a compaixão de Deus é absoluta para aqueles que o buscam em arrependimento? Ou tem se deixado levar pela mentira de que não há perdão para você, quando a Bíblia deixa claro que “O Senhor é compassivo e misericordioso, mui paciente e cheio de amor.  Não acusa sem cessar nem fica ressentido para sempre; não nos trata conforme os nossos pecados nem nos retribui conforme as nossas iniquidades. Pois como os céus se elevam acima da terra, assim é grande o seu amor para com os que o temem; e como o Oriente está longe do Ocidente, assim ele afasta para longe de nós as nossas transgressões. Como um pai tem compaixão de seus filhos, assim o Senhor tem compaixão dos que o temem; pois ele sabe do que somos formados; lembra-se de que somos pó” (Sl 103.3-5; 8-14)?

5. Lembre-se de que a presença de Jesus traz alegria – como disse o anjo aos pastores, “estou lhes trazendo boas novas de grande alegria” (Lc 2.10). Será que você tem vivido a alegria que é “fruto do Espírito” (Gl 5.22-23)? Aquela que vem “porque seus nomes estão escritos nos céus” (Lc 10.20)? Você deixa seu ânimo se guiar mais pela tristeza causada pelas dificuldades da vida ou pela alegria causada pelo fato de que Jesus te deu a vida eterna?

6. Reflita sobre quem é Jesus – como o anjo disse aos pastores, “Hoje, na cidade de Davi, lhes nasceu o Salvador, que é Cristo, o Senhor” (Lc 2.11). Você consegue compreender o profundo significado prático e objetivo de ter sido escolhido e chamado por aquele que salva e que é Senhor de todo o universo?

7. Glorifique a Deus – como os anjos cantaram, “Glória a Deus nas alturas” (Lc 2. 14). Você tem glorificado o Senhor não só com os lábios, mas com cada atitude sua?

8. Pense em como você tem contribuído para a paz entre as pessoas – como os anjos cantaram, “paz na terra aos homens aos quais ele concede o seu favor” (Lc 2.14). Você tem sido um bem-aventurado pacificador (Mt 5.9), alguém que transborda a paz que é “fruto do Espírito” (Gl 5.22-23), ou tem sido agressivo, promovido discórdias, usado a língua para o mal, feito intrigas, inflamado corações, estimulado conflitos, alimentado polêmicas, se deleitado em controvérsias?

9. Analise quanto vale sua vida hoje – como disse o velho Simeão, “Ó Soberano, como prometeste, agora podes despedir em paz o teu servo” (Lc 2.29). Você seria capaz de dizer hoje mesmo a Deus que pode partir em paz desta vida, porque o tempo que passou sobre a terra já valeu a pena? Tem vivido cada dia como se fosse o último? Tem abençoado o próximo? Tem perdoado? Tem edificado vidas? Tem deixado um legado? Viveu seus anos amando, ajudando, abençoando, entregando-se, devotando-se? Em resumo, sua vida já deu frutos dignos de serem apresentados diante do Criador? Se não… o que está esperando?

A encarnação de Cristo nos conduz a muitas reflexões. Mas refletir não basta, se apenas pensarmos e não tomarmos nenhuma atitude a partir das conclusões a que chegamos. Algo ainda não está bom? Precisa melhorar? Necessita galgar novos patamares? A hora é esta.

E que, acima de tudo, o Natal sirva para lembrar da verdade máxima da vida: “Pois dele, por ele e para ele são todas as coisas. A ele seja a glória para sempre!” (Rm 11.36).

Paz a todos vocês que estão em Cristo. E um Natal feliz e cheio da maravilhosa graça,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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