Arquivo da categoria ‘Perdão’

Não, você não verá nenhum pastor pregar sobre o pecado da conivência. Afinal, não é um pecado mencionado pelo nome na Bíblia, por isso, muitos têm dificuldade de enxergá-lo. Infelizmente, vivemos uma geração de cristãos para quem parece que pecado é só sexo ilícito, tomar um porre e apoiar o partido político de que eu não gosto. Fora disso, parece que tudo está liberado: injustiças, ira, ódio, egoísmo, arrogância, ofensas, deboche, vaidade, ganância… e conivência.

Mas o que, afinal, é o pecado da conivência? Por definição, conivência é: “Cumplicidade por tolerância. Colaboração moral no delito por deixá-lo perpetrar, podendo evitá-lo”. Em outras palavras, o conivente é o que peca por tomar conhecimento de um pecado, uma injustiça, um absurdo e apoiar, ou tolerar, o ato. É fazer-se participante do mal por não denunciar o mal como mal nem fazer nada contra ele. É tornar-se tão mau quanto o mau.

Fica claro que conivência é um pecado intimamente ligado à covardia e ao egoísmo: melhor ficar na minha do que ter a coragem de me posicionar diante do que é errado. Às vezes, o conivente opta por esse pecado por ingenuidade, cegueira espiritual e influência de outras pessoas, mas, na maioria dos casos, é uma opção pura e simples pelo erro mesmo – para não perder vantagens pessoais ou para não se prejudicar, por exemplo.

Ser conivente é extremamente confortável, pois não te fará se indispor com ninguém. Já fazer o certo vai te custar caro, principalmente porque vai testar amizades. Já perdi amigos por não querer pecar por conivência. Lembro de pessoas que eu admirava e que tiveram atitudes vergonhosas. Quando me posicionei contra os absurdos cometidos, fui acusado de deslealdade. Resultado? Passaram a me boicotar e me ver com maus olhos. Paciência. Quando você tem de optar entre o pecado da conivência e o apoio ao que é justo, puro, amável, de boa fama e virtuoso, o cristão não pode pensar duas vezes, ou isso pesará em sua consciência pelo resto da vida. Como já cometi pecados tenebrosos na vida e, apesar de me saber perdoado, os carregar dolorosamente na lembrança, sei que não vale o preço. É melhor perder amigos do que a paz de espírito e com o Espírito.

Não vou enganar você. Tenha esta certeza: optar por não pecar por conivência sempre terá um custo. Sempre. Não é te custará barato escolher o que é justo.

Tenho visto muita gente pecar por conivência. A boa notícia é que o conivente revela muito do seu caráter e da sua fé ao se tornar conivente com injustiças, mentiras e atos reprováveis. E você passa a conhecer quem as pessoas realmente são e quais são as suas prioridades. Conivência, por mais enojante e decepcionante que seja, é um ato revelador.

Meu irmão, minha irmã, convido você a um exame de consciência. Será que você tem sido conivente com pecados alheios? Você tem mantido silêncio diante de atitudes vergonhosas, injustas e anticristãs, a fim de não se indispor com pessoas, manter algum tipo de benefício ou levar algum tipo de vantagem? Tem balançado a cabeça, afirmativamente, quando as pessoas falam mentiras?

Como tem sido sua postura diante da inverdade, de atos de injustiça ou de posicionamentos anticristãos de supostos cristãos – ou não? Quão gritante tem sido o seu silêncio diante da maldade? Desperte! “Portanto, aquele que sabe que deve fazer o bem e não o faz, nisso está pecando” (Tg 4.17).

Não ache você que conivência é um pecado menor do que adultério, aborto ou qualquer outro dos pecados mais frequentes nos lábios e nas redes sociais dos pregadores. Simplesmente porque a conivência com atos de injustiça contraria frontalmente a essência do Deus que é justiça. É, portanto, a sabotagem do projeto de Deus na terra.

“Finalmente, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o pensamento de vocês. O que também aprenderam, receberam e ouviram de mim, e o que viram em mim, isso ponham em prática; e o Deus da paz estará com vocês”. (Fp 4.8‭-‬9).

Fica o convite: arrependa-se. Confesse. Deixe. E a misericórdia de Deus virá sobre você.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari
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Eu confesso: nos últimos tempos senti muita, muita raiva. É uma raiva estranha, resultado de um grande caldo de decepção, desapontamento, tristeza, revolta. Não é algo bonito de se dizer, em especial por ser eu um cristão, mas não posso mentir. Fato é que sou humano, habitação do pecado, e sentimentos brotam no coração sem que eu possa controlar. Permita-me explicar.

Você deve ter tomado conhecimento do caso de George Floyd, ser humano americano que foi preso pela polícia, imobilizado, jogado no chão e, até onde se sabe, sufocado até a morte por policiais que se ajoelharam sobre ele. Eu havia lido as notícias sobre a história e me indignado. Mas foi só quando assisti ao vídeo que tomei ciência da extensão do horror. O homem implorava por sua vida, a ponto de chamar “Mamãe!”. Em coro com a população ao redor, ele pedia por sua vida, diante do olhar impassível de diabos vestidos de policiais. E ele morreu.

Eu chorei e chorei muito. A voz de George e das pessoas ao redor, clamando por sua vida diante de criaturas de Deus que não davam a mínima, rasgou meu coração. Logo, o choro deu lugar a indignação e raiva. Tentei segurar, mas não deu. Sim, senti raiva, muita raiva.

Os últimos meses têm sido um teste para meu cristianismo, minha capacidade de não deixar a raiva virar ira, meu desejo de ser sempre perdoador, minha força para amar e não devolver mal com mal. Não por causa da pandemia, mas por testemunhar em diversos âmbitos o pior do ser humano. O contexto apenas traz à tona o que já existe no coração de cada um e revela o que normalmente os lábios não têm coragem de falar. Pessoas que eu amei mostraram o pior de seu coração. Gente que eu admirava destilou palavras assustadoras. Cristãos promoveram pecados e injustiças como se fossem virtude. Que tempo! Que período! Que desafio!

Ontem, ver o vídeo da abominação de George Floyd foi a gota d’água. O acúmulo de decepção e incredulidade diante do que pessoas são capazes de fazer me levou ao chão, ao joelho, e a raiva transbordou na forma de uma poça de lágrimas no chão. Raiva, muita raiva.

Pode ser que você tenha sentido ou esteja sentindo raiva também. Por causa de política, da pandemia, de decepções, da situação econômica, do comportamento humano, dos rumos da vida. Talvez seu coração esteja pesado, com sentimentos nada bonitos, mas que você não consegue evitar. O que fazer diante do confronto entre nossa humanidade inclinada ao mal e a urgência de ser manso e humilde de coração, conformados à imagem do Cordeiro? Permita-me compartilhar algo sobre isso, que pode ajudá-lo.

Eu estava ali, rangendo os dentes de raiva pela tortura e morte de George Floyd, pela decepção com pessoas, pela maldade e o egoísmo do ser humano. Foi quando, em meio àquela oração doída e molhada, veio um pensamento em minha mente, certamente semeado pelo Santo Espírito de Deus: se eu permitisse que toda aquela raiva se enraizasse em meu coração, eu não seria em nada melhor do que os carrascos que assassinaram o pobre homem. E, se permitisse que a ira atravessasse aquela noite, eu estaria com meu joelho no pescoço de cada pessoa que me decepcionou. Eu me tornaria igual a quem tanto mal fez – a mim e a George.

A teologia cristã nos ensina a doutrina reformada da depravação total: não temos em nós mesmos a capacidade de vencer o mal e dependemos exclusivamente da graça do Cordeiro. Sou sujeito a essa depravação. Nasci imerso em pecado e sou sua habitação. Quando ouvi a voz do Espirito, clamei a ele, o outro habitante de meu coração, e pedi que me inundasse de paz, perdão, magnanimidade, amor, graça e abnegação, porque, por mim mesmo, eu não teria forças para isso.

Pedi que me inundasse de Cristo.

Foi quando veio uma paz que não consigo entender. Uma paz acompanhada da certeza de que não posso esperar o melhor do ser humano, porque cada indivíduo deste planeta é terrivelmente idólatra de si mesmo, perdidamente apaixonado pelos próprios interesses e, se eu sentir raiva cada vez que testemunhar o egoísmo e a malignidade das criaturas de Deus, acabarei sendo vencido pela semente do mal que há em mim.

Foi quando veio uma avassaladora sucessão de verdades bíblicas ao meu coração. Lembrei de que a vingança pertence ao Senhor. Que temos de amar até os inimigos. Que eu sou tão depravado quanto os mais egoísta dos homens e das mulheres. Que nosso descanso não está nesta vida. Que o perdão não é opcional, mas um mandamento. Que não há um justo, nem um sequer. Que felizes são os pacificadores. Que os piores dos seres humanos podem ser resgatados de sua maldade por Cristo. Que Deus é soberano sobre a terra e que meu Redentor há de se levantar sobre ela. Foi um tsunami de verdades que a raiva havia roubado da minha lembrança. E o tsunami trouxe a paz.

Levantei daquela poça com menos raiva. Ainda triste, mas sem raiva. Milagre desses que só Jesus de Nazaré é capaz de operar. Assim como, com uma frase, ele sarou o leproso, Jesus insuflou paz em meus pulmões e a certeza de que nada, absolutamente nada, está alheio aos seus olhos e ao seu coração. E de que ele não está de ouvidos fechados ao clamor dos seus filhos, nem de costas para os fatos que há na terra.

Ele é Emanuel, Deus conosco. Justo, amoroso, compassivo e bom.

Meu irmão, minha irmã, talvez você esteja com muita raiva em seu coração neste momento. Eu não te condeno, acredite, pois passei por isso e te entendo. Pessoas também me feriram. Situações também me abateram. A humanidade também me decepcionou. Mas, olha, deixa eu te dizer uma coisa, de igual para igual: Deus pode mudar isso. Como se irar e não pecar? Indo aos pés do Cordeiro, em pranto, confissão, humilhação e verdade, clamando e se entregando. Atire-se, com autenticidade. Não negue o que pesa em seu coração. E confie na ação sobrenatural de Deus, a única capaz de fazer com que a sua ira não atravesse o limite e triunfe, hedionda, como a obra da carne que ela é.

Cristo assassinou aquilo que assassinou George Floyd. Ele fez isso no Calvário, quando consumou tudo em si. Que os meus e os seus olhos estejam voltados menos para a barbárie e o egoísmo humanos e mais para a cruz do Gólgota, menos para o desdém pela vida alheia e mais para o amor que tanto amou a vida alheia que entregou o próprio Filho em sacrifício vivo. Meu irmão, minha irmã, eu e você não valemos mais do que aqueles policiais que fizeram mal a George nem que aquelas pessoas que nos fizeram mal. Somos igualmente depravados, egoístas, egocêntricos, vaidosos, raivosos. Mas, se Cristo vive em nós, podemos ser diferentes. Não pela força do nosso braço, mas pela extraordinária graça que esvazia a nossa raiva e nos conforma à natureza do manso Cordeiro.

E, quando isso acontece, após levantarmos da poça de lágrimas e nos deitarmos na cama, conseguimos dizer, antes que o sono da paz nos embale pela noite:

– Pai, perdoa, pois eles não sabem o que fazem.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari
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A ideia de que ser homem com H maiúsculo, másculo, macho significa ser um brucutu destemperado, que arrota alto, vive na academia puxando ferro e manda ver no palavreado como um neanderthal é tão verdadeira quanto dizer que ser cristão significa usar saia comprida, não depilar a perna, usar cabelos até a cintura e ser homofóbico: estereótipos tolos que só atrapalham nossa relação com Deus, com o próximo e conosco. ⁣ ⁣ Ser um homem de verdade, à luz da Bíblia, não tem absolutamente nada a ver com ser um ogro verborrágico, que valoriza músculos acima de sabedoria e paz. ⁣ ⁣

Ser um homem de verdade, à luz da Bíblia, é ter postura e caráter e tratar o próximo como gostaria de ser tratado. É saber reconhecer os erros, se arrepender e pedir perdão. É buscar a justiça com amor, promover a verdade com mansidão e estimular a conciliação com paciência. ⁣ ⁣

Ser um macho à luz da Bíblia é ser macho como Jesus. ⁣ ⁣

Jesus é nosso exemplo para tudo, inclusive para a masculinidade. Ele tratou as crianças com doçura, as mulheres com dignidade, os amigos com amor, os inimigos com intercessão e perdão. ⁣ ⁣

O conceito de masculinidade bíblica parece ter se perdido e assimilado tolices extrabíblicas. Muito se associa masculinidade – nas igrejas! – ao discurso ferino e incisivo, ao olhar agressivo e pesado, ao punho erguido e ao pisão duro. ⁣ ⁣

Mas firmeza não é isso. ⁣ ⁣

É possível, e desejável, ser firme dizendo “olhai os lírios do campo”, “ame seus inimigos” e “não pague mal com mal”.

Aí vem alguém e diz: “Mas e o episódio dos vendilhões do templo?”, como se aquele episódio fosse suficiente para derrubar tudo o que Jesus falou sobre como a humanidade precisa agir e se comportar. Não entendem que a divindade de Cristo lhe dá prerrogativas que o ser humano não tem, que Deus pode matar e se irar, mas que se o homem mata, fere um dos dez mandamentos e, se alimenta a ira e a põe em prática, pratica obra da carne e peca. Tomam um episódio sem ver a teologia por trás, sem analisar os princípios bíblicos do evangelho, sem considerar a hermenêutica bíblica, distorcendo a natureza do Príncipe da paz e todo o conjunto de seus ensinamentos. E acham que o episódio dos vendilhões é suficiente para transformar Jesus num ser que apoia a violência, a agressividade e a brutalidade. Que visão triste do que é a masculinidade de Jesus.

Ser macho como Jesus não é viver irado, mas em amor. Não é ser carrancudo, mas alegre. Não é viver comprando briga, mas pacificando. ⁣Não é ser explosivo, mas paciente.⁣ Não é ser altivo e mal-encarado, mas amável e bondoso.⁣ Não é ser fiel a um cânone machista, mas fiel à Escritura. ⁣Não é ser brigão, mas manso e humilde de coração. Não é ser impulsivo, mas ter domínio próprio e não reagir na base da fúria.

Enquanto associarmos masculinidade ao comportamento de lutadores de UFC, brutamontes e guerreiros em campos de batalha, seremos tudo, menos machos como Deus nos criou para ser. Seremos, somente, sombras tristes da real natureza do Cristo, que não nos ensinou a ser grosseiros cabras machos, mas santos cordeiros da paz.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari
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O ator Flávio Migliaccio tirou a própria vida esta semana, aos 85 anos. Em seu bilhete suicida, ele escreveu: “Me desculpem, mas não deu mais. A velhice neste País é o caos como tudo aqui. A humanidade não deu certo. Eu tive a impressão que foram 85 anos jogados fora num país como este. E com esse tipo de gente que acabei encontrando. Cuidem das crianças de hoje! Flavio.” Esse bilhete me deixou reflexivo. E, como cristão, me senti responsável por ele ter chegado ao fim da vida tão deprimido. Falhei, por não fazê-lo saber algumas realidades que poderiam tê-lo sustentado.

Primeiro, quando Flavio mostra a decepção por a humanidade não ter dado certo, fico triste, pois quem conhece a Escritura sabe disso desde Gênesis 3. Que cristão acredita que a humanidade deu certo? Todos sabemos que caímos, transgredimos, falimos. Por outro lado, essa percepção não espanta nenhum de nós, pois sabemos que essa falência tem prazo de validade. Na cruz, fomos resgatados. Há redenção. E, na volta de Cristo, haverá glorificação. Não somos surpreendidos ou deprimidos por a humanidade ter dado errado. Ela deu. Mas, no fim, isso será revertido.

Segundo, Flavio teve a impressão de que foram 85 anos jogados fora. Que triste ler isso. Porque jamais uma vida é jogada fora se há propósito, motivação, razão de ser. E ter Cristo em nossa vida nos estimula a amar o próximo, o que, quando feito com diligência, nos dá completude no senso de utilidade e valor pessoal. Quem dos que dedicam a vida a amar o semelhante e servi-lo sente que está desperdiçando tempo? Acordar de manhã desejando realizar algo para fazer alguém sorrir e ir para a cama à noite sabendo que se ajudou alguém a viver proporciona uma sensação de plenitude e propósito que nos fazem ver cada segundo da existência como preciosidade.

Terceiro, Flávio se mostra decepcionado com as pessoas, “esse tipo de gente”. Todo ser humano conviverá com pessoas horríveis. Entro nas redes sociais e vejo multidões de pastores e membros de igrejas grosseiros, brigando por política ou teologia, ofendendo uns aos outros, arrogantes e desagradáveis. Como conviver com isso? Eis o segredo: perdoando. Na nossa fé, somos instados a perdoar “esse tipo de gente” por entender que não sabe o que faz e está escravizada por seu pecado. E a instrui-la, com mansidão e paciência. Por quê? Por crer que, se até mesmo pastores e teólogos famosos, arrogantes e agressivos podem vir em algum momento a ser salvos por Jesus, quanto mais qualquer outra pessoa! Sim, crer na redenção até do mais endurecido religioso dá esperança de salvação “dessa gente”. Qualquer que seja.

Sim, eu falhei. Falhei com Flavio porque não lhe apresentei o senso de propósito que há no amor a Deus e ao próximo. Falhei por não mostrar que a falência da humanidade em Gênesis 3 terá reversão em Apocalipse 22. Falhei por não mostrar que há perdão e restauração para toda gente horrível. Falhei porque o cristo que ele conheceu foi o falso, o genérico, aquele que milita na política partidária e nos programas de televisão com ódio, arrogância, estupidez, palavreado destemperado e falta de amor nas palavras. E, desculpe, você também falhou. Todo cristão falhou. Porque perdemos tempo com vãs discussões em vez de investi-lo em fazer gente como Flávio Migliaccio conhecer o Cristo verdadeiro: o que ama, redime, conserta, restaura, controla, pacifica e estende a mão. O Cristo da cruz e da sepultura vazia.

Falhamos com Flavio. Mas há milhares de outros flavios ao nosso redor, em situação bem parecida com a dele. A grande pergunta é: o que você pretende fazer a respeito?

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari
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Estou escrevendo este post mais como um desabafo do que por qualquer outra razão. Se você conhece alguém que faz da sua vida um inferno, vai me entender, pois há um irmão em Cristo que me atormenta e preciso pôr para fora a minha ira – que é santa, naturalmente – senão parece que vou explodir.

É muito duro para nós, que somos santos e irrepreensíveis, aturar esse tipo de gente falível. Pode ser que a pessoa que você não suporte seja um vizinho que ponha músicas horríveis no maior volume sempre que você quer dormir. Ou um colega de trabalho que minta contra você. Ou, ainda, uma irmã da igreja que te irrita, magoa ou toma atitudes contra sua paz. Pode ser, até mesmo, o seu chefe, quem sabe, ou o pastor que, em vez de zelar por tua alma, te oprime, subjuga, denigre e prejudica. E você odeia tudo de ruim que há nessa pessoa. Quer fazer parecer que não, pois, afinal, odiar não pega bem para um crente. Mas, lá no  fundo do coração, você sabe que odeia. Talvez não tão no fundo assim.

Pois bem, há um cara que me tira do sério. Sou obrigado a conviver com ele por causa das circunstâncias da vida, mas ele é chato, pecador, egoísta, mesquinho e insuportável – tudo o que eu não sou. Por favor, permita-me desabafar.

Conheço esse cara desde a infância. As primeiras lembranças que tenho dele são anteriores aos meus 3 anos de idade, pois morávamos na mesma rua. Anos e anos e anos suportando esse cidadão. Crescemos juntos e, por uma série de situações, que não vêm ao caso, fui obrigado a conviver com ele em muitas áreas de minha vida. Hoje, inclusive, ele calhou de frequentar a mesma igreja que eu – para meu azar e irritação.

Uma das coisas que mais me incomodam nele é que E. (permita-me chamá-lo apenas pela inicial) se faz passar por meu amigo e tem toda a aparência de crente, mas é um tremendo pecador. Como o conheço há tanto tempo, temos intimidade suficiente para eu saber coisas de sua vida que ninguém mais sabe. Ele me conta pensamentos terríveis e atos completamente reprováveis do ponto de vista bíblico. Às, vezes, confesso, chego a ter uma certa repulsa por E., tamanha é a sua pecaminosidade. E é duro para uma pessoa tão correta como eu aguentar isso. Mas, infelizmente, sou obrigado a conviver com ele, então não tenho para onde correr.

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Eu me encontro com ele nos cultos. O vejo levantar as mãos no louvor, fazer aquela carinha de santo na hora da oração e ostentar seu jeito insuportável de cristão nota dez, quando eu sei quem ele é e as coisas horríveis que pensa e faz. Na verdade, eu o fico observando o culto inteiro e me enoja quando ele fica chorando, pedindo perdão por seus pecados, quando sei que ele vai sair da igreja e pecar de novo. E me sinto obrigado a pedir que Deus pese a mão sobre ele, pra ver se toma jeito. Miserável pecador…

Você conhece alguém assim? Por favor, me diga como devo proceder. Às vezes, quando prego, confesso que já exortei muito pensando nele, pois sabia que ele estava ouvindo. Sabe quando você faz uma explanação que parece generalista mas tem endereço certo? Você pode até achar feio eu ter feito isso, mas confesso: eu fiz. Dei montes de indiretas para E. em muitas de minhas pregações, para ver se ele, de algum modo, era tocado por Deus e mudava. Não sei se adiantou, só o Senhor sabe, mas fiz a minha parte.

Pense em apenas alguns dos dez mandamentos. E. muitas e muitas vezes priorizou outras coisas no lugar de Deus.  Honrar pai e mãe? Coitados, lembro que, quando éramos crianças, ele dava um trabalhão. “Não dirás falso testemunho contra o teu próximo”? Como negar as montanhas de vezes em que ele fez isso? “Não cobiçarás a casa do teu próximo. Não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma que pertença ao teu próximo”? Tudo bem, admito, nunca o vi cobiçar o jumento de ninguém, de resto perdi a conta de quantas vezes o flagrei invejando o que não lhe pertencia. Cara, desculpe, mas E. tem tantos buracos em sua santidade…

Você tem algum E. na sua vida? Pense aí. Lembrou de alguém intragável, que parece só ter vindo ao mundo para te irritar, chatear, fazer chorar? É que realmente as circunstâncias não permitem, mas por mim eu mandava exilar E. no Tibete. Sabe o que mais me tira do sério? Ele até fala uma ou outra coisa legal, por isso tem gente que o elogia, que o acha alguém especial. Desculpem, mas eu conheço bem esse cara. Se duvidar, uns 95% dos elogios que ele recebe são imerecidos. E. precisa desesperadamente do perdão de Deus, pois tem muitas e muitas coisas a melhorar. Já falei isso a ele. Mas parece que, na maioria das vezes, o cidadão não me ouve!

Bem, acho que já desabafei o suficiente. Eu odeio tudo o que E. tem de ruim. Odeio. Odeio sua pecaminosidade, o fato de ele fazer menos do que poderia pelo próximo, odeio quando não pede perdão pelos seus pecados, odeio suas fraquezas. Ele me tira do sério.

Mas… tem uma coisa.  Apesar de tudo isso, eu sei que Jesus o ama.

A despeito de seus defeitos, suas falhas, seus pecados, sua omissão, tudo, tudo, tudo o que faz de E. uma pessoa odiosa… Jesus o ama. Não entendo todo esse amor por um zero à esquerdaCara6 como ele, asseguro que não entendo. Mas sei que isso tem um nome: graçaE. não vale nada, mas a graça o faz valer o mundo para Deus. Foi por esse cidadão que o Cordeiro de Deus subiu à cruz, foi moído, rasgado, cuspido, ofendido, morto. E eu acredito que, porque a salvação é pela graça e não por mérito, um dia ele irá para o céu. Graça. Esse é o segredo. Essa é a explicação. Essa é a esperança. Essa é a certeza. Essa é a fé. Pois a graça não faz Deus ver toda a sujeira que E. carrega em si quando olha para ele. Quando o Pai fita seu olhar em E., o que ele enxerga é o Cordeiro que foi imolado por cada um dos seus pecados.

Conheço bem E. Ele habita dentro de mim. E., de Eu. Sim… o nome de E. é Maurício Zágari.

Obrigado, Senhor, por não me ver como eu sou, mas como Jesus é.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari
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É muito comum, quando se assiste a uma dessas entrevistas com celebridades em programas de auditório ou coisas assim, que o entrevistador faça aquelas perguntas “pá-pum”: “Prato preferido?”. “Um ídolo?”. “Um sonho?”. Sabe como é? Invariavelmente, entre as perguntas aparece: “Um arrependimento?”. E, via de regra, a resposta é: “Não tenho nenhum arrependimento, pois é melhor se arriscar e quebrar a cara do que não ter tentado”. Aplausos efusivos da plateia. Sempre que ouço isso, balanço a cabeça e penso quão irrefletida é essa resposta.

Eu me arrependo de um caminhão de coisas. Cada decisão equivocada, cada palavra mal colocada, cada ação impulsiva, cada pecado cometido… meu Deus, quantas coisas do que me arrepender! Talvez, se for honesto comigo mesmo, perceberei que tenho mais coisas do que me arrepender do que me orgulhar.

Arependimento é uma das colunas que sustentam o evangelho de Jesus Cristo. Elimine da boa-nova a necessidade de se arrepender e você deixará de ter a Palavra eterna. O que sobrará será uma mera filosofia motivacional.

Arrepender-se é odiar a Queda, rejeitar o diabo, repudiar a carne, lutar contra o pecado, viver Cristo. Sem arrependimentos diários, verdadeiros e eficazes, tornamo-nos uma sombra tênue e distante do que Jesus quer que sejamos. Arrependimento é a picareta que quebra a dureza de nosso coração empedernido e nos lapida à imagem do Salvador.

Eu me arrependo, sim, de muitas coisas e muito. Deus me livre de uma vida sem arrependimento, que seria como estar em areia movediça e me recusar a segurar a corda salvadora que me estendem. “Um arrependimento?”. “Não tenho, deixe-me afundar na areia movediça de meus erros e de minha estagnação”.

Meu irmão, minha irmã, do que você se arrepende? Se percebe que errou, fraquejou, caiu, se sujou… não tenha vergonha de dizer, em meio a muitas lágrimas: “Pai, eu me arrependo. Perdoa-me e ajude-me a não repetir o erro”.

E que fique o aprendizado. Pois, de todas as maravilhas do arrependimento, possivelmente a maior delas é a capacidade de aprender, a fim de não errar o mesmo erro novamente, e de instruir outros a não trilhar o mesmo caminho de dor, tristeza e sofrimento.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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No dia 1 de janeiro completei 47 anos. Isso significa que já passei da metade de minha vida sobre a terra. Nesse período de virada de ano e aniversário, por uma série de razões acabei refletindo muito sobre um assunto em especial: amizade. Fazendo uma retrospectiva desse quase meio século de vida, meditei muito sobre por que algumas pessoas que foram minhas amigas em algum momento continuam sendo minhas amigas e outras não. Eu me perguntei: o que fez com que o punhado de bons e constantes amigos que possuo há muitos anos não tenha aberto mão de se relacionar comigo, como a esmagadora maioria dos meus conhecidos fez? E, aqui, estendo a reflexão a você: na minha e na sua vida, por que alguém persevera em querer ser nosso amigo, quando poderia optar por não ser, como a maioria dos que cruzaram nosso caminho fizeram? Reflitamos um pouco sobre esse assunto tão espiritualmente necessário que é a amizade verdadeira.

Antes de tudo, é fundamental definirmos o que são “conhecidos” e o que são “amigos”. Conhecidos são aquelas pessoas que se relacionaram com você em alguma etapa de sua vida mas para quem, hoje, se você sumir do mapa, não fará muita diferença para elas. Já o amigo é aquela pessoa que sente a sua falta, que lhe telefona só para saber como você está e jogar conversa desinteressada fora, que não se conforma quando sua ausência se torna muito presente, que gosta de graça de sua companhia e de passar tempo com você e – principalmente – que, na hora da necessidade, abre mão de si mesmo por você.

Em outras palavras, a diferença fundamental do conhecido para o amigo é que, para o amigo, você está entre as prioridades de sua vida, enquanto para o conhecido você é só mais um. Para o amigo, você é imprescindível. Já para o conhecido você é secundário ou mesmo desnecessário, supérfluo.

Pensei, então, nos poucos amigos verdadeiros que tenho hoje e tentei concluir por que eles persistem na decisão de continuar sendo meus amigos (sim, ser amigo de alguém é uma opção, uma decisão consciente, e não obra do acaso ou do fluxo da vida). Foi quando cheguei à conclusão de que aqueles que hoje permanecem meus amigos e amigas de verdade são gente que reúne quatro características em comum, alguns há mais de 10 anos, outros, de 20 e, outros ainda, há mais de 30 anos. E que características são essas?

Em primeiro lugar, aqueles que se solidificaram como meus amigos após anos de amizade testada e confirmada foram aqueles que souberam me perdoar. Afinal, qualquer relacionamento próximo em algum momento gerará atritos entre as partes. A questão é: como esse relacionamento sobreviverá após o atrito? Em comparação, algumas pessoas que eu considerava meus amigos pularam fora do barco e me deram as costas tão logo foram confrontadas com uma das minhas muitas falhas de caráter. Já os meus amigos verdadeiros são aqueles que perceberam quão falho eu sou, me perdoaram e insistiram teimosamente em me amar.

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Em segundo lugar, meus amigos verdadeiros são aqueles que valorizam mais o que temos em comum do que as nossas diferenças. No que discordamos, fazemos piada e, no que concordamos, avançamos juntos. O nome disso é respeito. Por outro lado, gente que caminhou comigo em algum momento da vida mas não suportou o fato de termos diferenças em questões como religião, teologia, doutrinas, ideologia política, valores, gostos, comsovisões ou algo assim simplesmente me deletou de seu círculo íntimo de relacionamentos. Esses optaram conscientemente por não ser meus amigos, pois não consideraram que meu valor para eles era maior que suas opiniões pessoais.

Terceiro, os amigos verdadeiros que tenho foram aqueles que persistiram em compartilhar a jornada da vida comigo depois que aquilo que nos pôs em contato terminou. Foi gente que não limitou nosso contato a um curso, um ambiente de trabalho, um vínculo passageiro. Essas pessoas fizeram o contrário daquele companheirão da faculdade que, depois da formatura, nunca mais me procurou; do colega de trabalho que, depois da demissão, só manteve contato formal por redes sociais, sem nunca mais me procurar para estarmos juntos; ou daquele irmão da igreja ou do ministério que, depois que deixei de frequentar o mesmo ambiente, só quis saber de mim para pedir um favor ou algo assim. Amizades verdadeiras mantêm a cabeça acima das circunstâncias e se estendem para além dos contextos que nos aproximaram.

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Quarto e último, o amigo é aquele que persevera em manter você em sua convivência mesmo sem ganhar absolutamente nada com isso. Em outras palavras, o amigo verdadeiro é aquele para quem o relacionamento com você traz como lucro ou benefício pessoal, profissional, ministerial ou material… nada! Zero. Nadinha. Ele segue caminhando com você pela simples alegria da caminhada. Muitas vezes, até, pega mal para ele ser associado a você, ou estar junto de você lhe dá algum tipo de prejuízo ou desvantagem – mas, ainda assim, essa pessoa permanece ao seu lado. Isso ocorre porque a amizade verdadeira se baseia no amor e não nas vantagens pessoais. E, sempre é bom lembrar, o amor “não busca os seus próprios interesses” (1Co 13.5).

Portanto, eis os quatro pilares que, a meu ver, fizeram de meus amigos, amigos de verdade:

1. Perdão

2. Respeito às diferenças

3. Persistência na convivência após o fim das razões de ela se manter

4. Perseverança no relacionamento sem nenhum benefício próprio 

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Meu irmão, minha irmã, amizades são tesouros de valor inegociável. O amigo verdadeiro é alguém que, em algum momento da sua jornada, cruzou seu caminho e não se contentou em cruzá-lo, mas escolheu permanecer e persistir na ideia de que compartilhar a vida com você era importante, apesar de todos os seus muitos defeitos e pecados. É aquele cara que se tornou mais chegado que um irmão. Valorize essa pessoa.

Se alguém não faz questão de ser seu amigo, não se chateie, isso é normal. Deixe-o ir. Amizade por obrigação não é amizade, é um horror. Se uma pessoa optou por se conectar a outras pessoas e não a você, respeite isso. É um direito dela. O que deixo como recomendação é que, para aqueles que optaram por ser seus amigos, você seja o melhor amigo do mundo. Pois amizade não tem absolutamente nada a ver com a quantidade de relacionamentos, tem a ver com a qualidade deles. Portanto, construa suas amizades perdoando, relevando as diferenças, investindo na conexão interpessoal após o fim daquilo que os aproximou e sem esperar absolutamente nada em troca. Aliás… não é assim que Deus faz conosco?

Diariamente, ele nos perdoa.

Sendo totalmente diferente de nós, nos ama profundamente.

Investe teimosamente na conexão entre nós, até mesmo quando me torno a centésima ovelha ou o filho pródigo.

E nos ama perseverantemente, apesar de nosso relacionamento não beneficiá-lo de modo algum.

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Deus é nosso amigo, como um verdadeiro amigo deve ser. E, por isso, espera que também sejamos bons amigos do nosso próximo, replicando com as pessoas o que ele faz conosco. Isso tem tudo a ver com amar a Deus e ao próximo, o mandamento maior da nossa fé.

Peço a Deus que você tenha amigos bons e verdadeiros. Que construa relacionamentos sólidos e duradouros. E que possa desfrutar das melhores amizades, construindo suas conexões sobre esses quatro pilares. Só não se esqueça de que se, por um lado, você não pode obrigar ninguém a ser seu amigo verdadeiro, por outro lado tem todo o poder de ser o melhor e mais verdadeiro amigo do mundo para o próximo a quem você deve amar.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

Teremos eleições este ano. A população brasileira já está, há um bom tempo, pensando sobre isso, escolhendo seu candidato, refletindo sobre as mudanças (ou não) que deseja para o nosso país. E nós, cristãos, não estamos de fora dessa situação: como cidadãos brasileiros, participamos do processo eleitoral, conversamos sobre política, gostamos de uns candidatos e não gostamos de outros. Até aí, tudo bem, faz parte. Porém, tenho visto – e, possivelmente, você também – debates entre cristãos sobre a política nacional serem realizados de maneira nada cristã. Isso me fez refletir sobre se existe um modo bíblico de discutir política, em especial, neste ano de fortes emoções eleitorais. Gostaria de refletir com você sobre essa questão. E, de saída, deixe-me frisar: esta não é uma reflexão política, mas sobre valores do evangelho e da nossa coerência em vivê-los quando pisamos no gelo fino de nossas paixões humanas.

Atualmente, poucos assuntos fazem cristãos se comportarem como se não fossem cristãos tanto quanto a política brasileira. Eu falo muito pouco sobre o assunto aqui no blog e nas redes sociais, justamente para evitar que as pessoas explodam em suas paixões ideológicas devido a algo que eu vier a escrever. Infelizmente, nas poucas vezes em que comentei algo sobre política, deparei com reações que me assustaram. Explosões, ofensas, desqualificações, ataques pessoais – tudo, como consequência de comentários naturais e da exposição de opiniões.

A triste realidade é que existem pessoas cujas paixões por políticos, partidos e ideologias mostram ser maiores do que seu amor por Cristo e pelo próximo. São cristãos, frequentam cultos, leem a Bíblia, cantam louvores, postam versículos nas redes sociais e se parecem com qualquer outro cristão. Mas, isso, só até alguém incomodá-los em suas paixões políticas e ideológicas. Quando isso acontece, eles explodem em ataques e posicionamentos bastante carnais e mundanos.

Para que você entenda de modo prático sobre o que estou falando, deixe-me dar dois exemplos que aconteceram comigo. No início do ano, publiquei uma foto no meu facebook que tirei junto a um dos candidatos à presidência deste ano, a quem encontrei em Brasília. No texto, eu não disse nada sobre se votaria ou não nessa pessoa, apenas falei que era interessante ouvir o que tal indivíduo tinha a dizer sobre certos assuntos. Mesmo assim, tive de ler comentários de pessoas que me acompanham há anos dizendo coisas escabrosas sobre a pessoa, sobre mim e sobre a foto. Mas tudo bem, coisas da vida, vamos em frente.

Há duas semanas, postei, também no facebook, um comentário sobre o fato de o desembargador petista ter tentado libertar o ex-presidente Lula da prisão – em minha opinião, uma manobra visivelmente parcial do magistrado, um homem que construiu sua história profissional como militante do partido do ex-presidente. Posso estar errado, mas é minha opinião. Bem, para que fiz a postagem? Logo, dois irmãos em Cristo me ofenderam nos comentários. Um deles escreveu: “Maurício, escreve uma nota de repúdio contra o ministro do supremo Alexandre do PSDB e PMDB, ao arquivar todas as denúncias contra Aécio Neves e seus pares. Deixa de ser parcial! [Você] é bem melhor escrevendo os livros de ‘autoajuda’ que seus comentários políticos”.

Meu queixo caiu. Pisquei algumas vezes. Custei a acreditar no que estava lendo. Aquele irmão em Cristo, aluno de seminário teológico, membro de uma denominação que carrego em meu coração, atacou-me pessoalmente e chamou o que escrevo, depreciativamente, de “autoajuda” simplesmente porque a minha opinião divergia da dele em questões políticas. Na verdade, minha divergência nem era política, mas sobre a correta aplicação da justiça. Era bíblica. Porque Deus criticou muitas vezes, por meio de profetas como Amós e Oseias, o fato de juízes de Israel e Judá se corromperem e legislarem em prol de seus interesses e não de acordo com o que é correto. Portanto, quem ama a Bíblia e quem toma para si os valores que Deus deixou claros deve amar a justiça e sua correta aplicação pelos membros do poder judiciário. Doa a quem doer.

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Percebi que qualquer respeito que aquele meu “amigo” do facebook tinha por mim acabou em um segundo simplesmente porque divergimos em opiniões relacionadas ao cumprimento da justiça. Pior: essa divergência o levou a atacar não as minhas opiniões, mas a minha pessoa e aquilo que faço, chamando-me de parcial e chamando a literatura que escrevo de “autoajuda”. Doeu. E doeu ainda mais porque foi uma atitude de um irmão em Cristo. É isso que Jesus nos ensinou a fazer com pessoas que discordam de nós?

Esse episódio levou-me a muitos pensamentos. O que está acontecendo com a Igreja? O que está acontecendo com os cristãos? Desde quando, o evangelho de Cristo nos dá carta branca para tratarmos de maneira depreciativa pessoas que discordam de nós em algumas questões da vida? O que, afinal, o evangelho nos ensina sobre o posicionamento correto em meio a discordâncias?

Meu irmão, minha irmã, ao longo deste ano, você verá muitos debates político-eleitorais. Possivelmente, será atraído para participar de alguns, em especial nas redes sociais. Muita gente do seu círculo de relacionamentos se posicionará discordando de um monte de coisas em que você acredita. A questão é: o fato de ser um debate político lhe dá direito de colocar seu cristianismo de lado? O fato de alguém gostar daquele político ou daquele partido de que você não gosta lhe dá o direito de agir como um mundano, ofendendo, desmerecendo e desqualificando – e, no domingo, ir à igreja cantar, levantar as mãos e saudar com “a paz do Senhor” como se nada tivesse acontecido?

Creio que você sabe a resposta.

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O fato de você votar em Bolsonaro, Marina, Ciro ou qualquer outro candidato não me dá o mínimo direito, aos olhos de Deus, para destratar você ou enxergar em você menos dignidade do que Deus lhe confere. Você segue sendo filho ou filha, criado à imagem e semelhança do Senhor. Quem sou eu para tratá-lo de modo ultrajante simplesmente porque você tem visões ideológicas ou políticas diferentes das minhas? Eu seria um louco se fizesse isso, à luz do evangelho. Jesus nos alertou:

“Vocês ouviram o que foi dito a seus antepassados: ‘Não mate. Se cometer homicídio, estará sujeito a julgamento’.a Eu, porém, lhes digo que basta irar-se contra alguém para estar sujeito a julgamento. Quem xingar alguém de estúpido, corre o risco de ser levado ao tribunal. Quem chamar alguém de louco, corre o risco de ir para o inferno de fogo. Portanto, se você estiver apresentando uma oferta no altar do templo e se lembrar de que alguém tem algo contra você, deixe sua oferta ali no altar. Vá, reconcilie-se com a pessoa e então volte e apresente sua oferta. Quando você e seu adversário estiverem a caminho do tribunal, acertem logo suas diferenças. Do contrário, pode ser que o acusador o entregue ao juiz, e o juiz, a um oficial, e você seja lançado na prisão. Eu lhe digo a verdade: você não será solto enquanto não tiver pago até o último centavo” (Mt 5.21-26).

Não sei como você enxerga essas palavras de Jesus. Eu as enxergo com um monumental senso de temor e horror. São advertências gravíssimas, às quais multidões não dão nenhuma atenção. Acham legal e bonito Jesus ter dito isso, mas, na prática, basta alguém tocar no político ou no partido político de que são tietes para fazerem tudo ao contrário do que Jesus está dizendo aqui. Isso é grave – muito, muito grave. É um alerta que deveria nos lançar de joelhos, clamando por misericórdia, pelo nosso tão frequente pecado sem arrependimento nem confissão e, muito menos, abandono.

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Você quer saber o jeito bíblico de discutir política em ano de eleição? É simples. Com amor. Com alegria. Com paz. Com paciência. Com amabilidade. Com bondade. Com fidelidade. Com mansidão. Com domínio próprio. Isto é, manifestando em nossas palavras e em nossos posicionamentos nas discussões sobre política as virtudes que o Espírito Santo manifesta naqueles que verdadeiramente são nascidos de novo pela graça da cruz e, por isso, se tornaram seu local especial de habitação. Se você vir um cristão participando de debates neste ano eleitoral sem manifestar essas virtudes, desconfie. Pois um verdadeiro Filho de Deus não porá de lado o fruto do Espírito porque alguém criticou seu candidato, seu partido ou a ideologia em que acredita. O evangelho está acima disso.

Essas eleições, aliás, são uma excelente ocasião para se testar a fidelidade de fé dos cristãos brasileiros. Vamos ver quem ama mais Lula do que Cristo. Quem ama mais Marina do que o irmão da igreja. Quem ama mais Bolsonaro do que o amigo do facebook. Quem ama mais a direita ou a esquerda do que o próximo e, logo, o reino de Deus. Vamos ver quem sabe falar com mansidão para com todos, como Paulo nos orientou. Quem não deixa o sol se pôr sobre a própria ira. Quem é um pacificador e quem é um incitador. Quem ama o próximo como a si mesmo. Quem ama o inimigo, como Jesus ordenou. Será um ano de grandes revelações.

Se esta reflexão chegou até você, é porque Deus quer falar com você sobre isso. Não com seu vizinho: com você. Medite sobre como tem agido nos debates sobre política. Pense em como tem se comportado quando fazem piadas de seu candidato ou debocham do partido de que você gosta. Lembre-se de algo: no dia em que você der o passo derradeiro para fora desta vida, tudo isso ficará para trás. Mas o jeito como você se relacionou com o próximo nesta vida – inclusive o próximo que discorda de você e, até, o ofende – ecoará por toda a eternidade.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >
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Nós, cristãos, somos chamados a sempre fazer a coisa certa. A fazer o bem. A promover a paz. A lutar pela restauração de vidas, relacionamentos, comunidades, corações. A ser porta-vozes da mais extraordinária, bonita, transformadora e pulsante mensagem que já foi anunciada nos céus e na terra: as boas-novas da salvação de Jesus de Nazaré, o Filho de Deus, o Criador encarnado em forma humana. A ser santos. A resistir ao pecado. Lamentavelmente, nossa natureza foi contaminada pela Queda e, mesmo salvos pela graça transbordante do Senhor, seguimos na jornada com Cristo sendo assolados por inclinações más, impulsos reprováveis, tentações cíclicas, desejos malignos, pensamentos maquiavélicos. É normal e previsível que seremos atraídos diariamente pelo pecado enquanto habitamos este corpo mortal, sujeito à corrupção, mesmo sendo ele habitação do Espírito de Deus (Rm 7.14-25). Portanto, somos seduzidos diariamente pelo pecado. A grande questão é: ceder ou não.

Quando um cristão autêntico peca, inevitavelmente age como Pedro após trair pela terceira vez seu amigo e Mestre: chora amargamente, com tristeza verdadeira, pede perdão aos céus e empenha todas as suas forças para não voltar a repetir o erro. O grande, enorme, gigantesco, monumental problema que ocorre é quando, em vez de reconhecermos, confessarmos e abandonarmos as nossas más práticas, arranjamos desculpas esfarrapadas para continuar fazendo as mesmas besteiras de sempre.

Em geral, existem duas estratégias principais que nós, cristãos, costumamos usar a fim de justificar nossos pecados. Em outras palavras, são jeitinhos que damos para continuar pecando sem dor de consciência.

A primeira é quando arranjamos uma desculpa esfarrapada, aparentemente baseada na Bíblia, que nos dá paz de consciência para seguirmos fazendo nossas besteiras. Jesus contou uma parábola que ilustra bem esse tipo de comportamento: “Dois homens foram ao templo orar. Um deles era fariseu, e o outro, cobrador de impostos. O fariseu, em pé, fazia esta oração: ‘Eu te agradeço, Deus, porque não sou como as demais pessoas: desonestas, pecadoras, adúlteras. E, com certeza, não sou como aquele cobrador de impostos. Jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo que ganho’.  “Mas o cobrador de impostos ficou a distância e não tinha coragem nem de levantar os olhos para o céu enquanto orava. Em vez disso, batia no peito e dizia: ‘Deus, tem misericórdia de mim, pois sou pecador’. Eu lhes digo que foi o cobrador de impostos, e não o fariseu, quem voltou para casa justificado diante de Deus. Pois aqueles que se exaltam serão humilhados, e aqueles que se humilham serão exaltados” (Lc 18.10-14).

Perceba que o cidadão tentava compensar seus pecados pelo fato de jejuar e dar o dízimo. Na cabeça dele, funcionava assim: “Já que cumpro essas regras religiosas, posso continuar com meus muitos pecados, sem problema, estou de boa”. É desse jeito que pensamos quando, por exemplo, tentamos dar um jeitinho para seguirmos sendo agressivos, porque, afinal, “Sou crente mas não sou banana” ou “Deus muda o caráter mas não o temperamento”. Tudo, sofismas que nos deem paz para continuarmos sendo tão estúpidos como antes da conversão, só que com uma capa “gospel”. Afinal, convenhamos, não é preciso ser bruto para não ser banana. E Deus muda, sim, o temperamento.

Teólogos e seminaristas mandam para o inferno quem eles consideram ser hereges com brutalidade no tom e nas palavras “porque Jesus derrubou as mesas dos cambistas”. Maridos tratam mal a esposa “porque ela não é submissa”. Esposas tratam mal o marido “porque ele não me ama como Cristo amou a Igreja”. Pais vivem berrando com os filhos porque “quem manda aqui sou eu e você tem de me honrar” e filhos vivem desonrando os pais “porque eles não me entendem e me levam à ira”. Pastores oprimem membros “porque sou ungido do Senhor”. Membros articulam contra o pastor “porque ele é autoritário”. Pregadores se referem a não cristãos com fúria e desrespeito “porque eles são filhos da ira”. Tudo desculpas esfarrapadas, supostamente “bíblicas”, a fim de fazer pessoas se autorizarem a agir como mundanos e pecarem em suas palavras e atitudes “em nome de Jesus”. Na verdade, isso não passa de paganismo travestido de cristianismo.

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A segunda estratégia principal que nós, cristãos, costumamos usar a fim de justificar nossos pecados é a tática do dedo apontado. É uma estratégia que começou no Éden: Adão culpou Eva e Eva culpou a serpente, sempre justificando as próprias besteiras com base nas besteiras alheias. É uma fuga ao estilo “boi de piranha”, isto é, jogo a culpa alheia no rio para que ela fique no foco enquanto tento sair de fininho da história – e das minhas responsabilidades. Assim, para justificar o fato de eu ser uma gastadeira, vivo culpando o marido de ser pão-duro. Para justificar o fato de eu viver olhando para outras mulheres, vivo culpando minha esposa de ser ciumenta demais. Para justificar o fato de eu não dar atenção para meus filhos porque fico horas com a cara enfiada no smartphone, vivo culpando as crianças de serem carentes demais. Para justificar o fato de eu ser um ogro na hora de falar, vivo culpando o alvo de minha fúria de “não saber lidar comigo”. E assim por diante.

Quanto a esse tipo de estratégia, Paulo foi claro, direto e objetivo: “Assim, cada um de nós será responsável por sua vida diante de Deus” (Rm 14.12). Todo cristão deveria viver diariamente se examinando, a fim de melhorar sempre mais e mudar de rumo naquilo que está errando. Viver jogando seus erros na conta do outro é a mais desvairada loucura, porque cada um, individualmente, prestará contas de si. Pode ser que essa estratégia lhe permita fazer besteiras nesta vida e sair numa boa. Porém, quando, no dia do juízo, Deus olhar você nos olhos e cobrar cada palavra inútil que você tenha dito para justificar seus erros em razão das atitudes alheias, posso garantir que essa tática não vai mais colar. Afinal, Jesus mesmo afirmou: “Eu lhes digo: no dia do juízo, vocês prestarão contas de toda palavra inútil que falarem. Por suas palavras vocês serão absolvidos, e por elas serão condenados” (Mt 12.36-37).

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Meu irmão, minha irmã, fica a sugestão: arrependa-se. Arrependa-se!

Não semeia hoje um comportamento reprovável que parece vantajoso a curto prazo mas que a longo prazo gerará frutos de dor, sofrimento e morte espiritual. Você está entristecendo Deus. Não busque desculpas “cristãs” ou “bíblicas” a fim de justificar ou desculpar comportamentos infelizes.

Você deve se arrepender daquilo que faz de errado — sem justificativas, sem desculpas! —, consertando os seus problemas, sem ficar focando os do outro. Portanto, se você tem pecados de cabeceira, sejam eles quais forem — agressividade, arrogância, egoísmo, religiosismos, cobiças, rebeldia ou o que for — e você os pratica numa boa, escorado em desculpas ou justificativas “cristãs”, só há uma coisa que eu posso lhe dizer.

Arrependa-se.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >
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Eu tenho um ponto fraco: café. Confesso que sou um profundo apreciador dessa bebida e tomo muitas xícaras por dia. Tenho uma cafeteira tradicional e uma máquina de nespresso na cozinha, além de uma segunda máquina de nespresso em meu escritório. Costumo pôr as cápsulas em uma caixa de acrílico, que veio como brinde do fabricante. Qual não foi minha surpresa quando, há poucos dias, decidi tomar café e descobri que não havia mais nenhuma cápsula do meu sabor preferido. Pode parecer bobagem para você, mas, diante da expectativa que eu estava para saborear o negro elixir divino, para mim foi um golpe baixo. Fiquei triste. Engoli a frustração, voltei a trabalhar e continuei a labuta. Mas sabe quando bate aquele inconformismo? Voltei a fuxicar no meio das cápsulas e, para o meu delírio, eis que descubro, soterrada, uma última cápsula do meu amado sabor preferido. É difícil explicar a alegria que foi. Fiz aquele café com um cuidado ímpar, apreciando o aroma como nunca, e o saboreei com gosto especial. O sabor era exatamente o mesmo de todos os outros cafés daquele, mas aquela xícara específica tinha um gostinho de vitória, quase de júbilo, por eu estar tomando algo que julgava perdido.

Jesus contou uma história que guarda certas similaridades com esse episódio: “Ou suponhamos que uma mulher tenha dez moedas de prata e perca uma. Acaso não acenderá uma lâmpada, varrerá a casa inteira e procurará com cuidado até encontrá-la? E, quando a encontrar, reunirá as amigas e vizinhas e dirá: ‘Alegrem-se comigo, pois encontrei a minha moeda perdida!’. Da mesma forma, há alegria na presença dos anjos de Deus quando um único pecador se arrepende” (Lc 15.8-10, NVT). Fiquei pensando na alegria descrita pelo texto bíblico, em comparação com a que senti ao encontrar minha cápsula de café perdida.

Deus utiliza um interessante instrumento para encontrar suas “moedas perdidas” e fazer o pecador perdido enxergar a luz da verdade e se arrepender de suas trevas: você. Se a salvação vem por ouvir a Palavra de Deus, as pessoas só a ouvirão se houver quem a proclame. E adivinha só de que boca Deus deseja que a proclamação saia? Não olhe para o lado. Faça uma selfie e veja a pessoa que apareceu na foto: é esse cara mesmo que Deus quer usar como canal de proclamação do evangelho da graça. Porque você é a pessoa que a quem Jesus estendeu a Grande Comissão.

Mas atenção a um detalhe: só você não basta. É preciso que você esteja cheio de amor.

Uma das coisas mais tristes que vejo são cristãos que partem em busca de pessoas que estão distantes de Cristo como se fosse uma obrigação. Trazer a ovelha ao aprisco jamais deve ser uma ação motivada por qualquer coisa que não seja amor. Guardadas as devidas e enormes proporções, eu não busquei a cápsula de café porque me obrigaram ou porque havia uma “obrigação” envolvida nisso, mas porque me sentia extremamente motivado. O “ide” da Igreja, a Grande Comissão, nunca deve ser visto como uma ordenança pura e simples: é um chamado ao amor pelo próximo.

Se não compreendermos que esta ordem divina, “Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ensinem esses novos discípulos a obedecerem a todas as ordens que eu lhes dei. […]” (Mt 28.19-20, NVT), é consequência direta desta outra ordem divina: “Por isso, agora eu lhes dou um novo mandamento: Amem uns aos outros. Assim como eu os amei, vocês devem amar uns aos outros. Seu amor uns pelos outros provará ao mundo que são meus discípulos” (Jo 13.34-35, NVT), não conseguiremos jamais levar a mensagem da cruz às pessoas do modo que Deus idealizou. Pois não consigo enxergar o Pai que “amou tanto o mundo que deu seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna.” (Jo 3.16, NVT) resgatando vidas por qualquer outra razão que não seja amor. Ele ama os que se encontram perdidos em meio às densas trevas do pecado e, por essa razão, devemos amá-los também. Só então, quando o amor for um fato transbordante, devemos partir em busca deles.

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O amor precede o evangelismo. O amor precede a busca dos que se afastaram. O amor precede o resgate. O amor deve ser a única motivação para a apologética. O amor é o ponto de partida para a obra de Deus. Sem amor, tudo o que se faz para o Senhor é o mais puro e insosso ativismo religioso. Porque evangelizar não é “ganhar almas para Jesus”, evangelizar é compartilhar um amor que transcende tanto tudo o que podemos entender que ninguém pode ficar indiferente a ele. Ninguém “ganha almas para Jesus”, o que fazemos é servir de meio para que o amor de Jesus atraia almas perdidas em trevas para junto de si, a maravilhosa Luz do mundo.

No que se refere a evangelizar, o nosso papel, meu irmão, minha irmã, é proclamar a Palavra do Deus que é amor, que produz a graça, que produz o arrependimento e a salvação. Ame. Ame sempre. Ame como o Senhor amou o mundo. Ame com todas as suas forças. Somente isso, e nada mais, poderá torná-lo um evangelista segundo o coração de Deus.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >
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