Arquivo da categoria ‘Fé’

Você quer ouvir a voz de Deus? Deseja ardentemente que ele lhe fale e transmita profundas realidades espirituais, que se apliquem de forma prática à sua vida? Será que você tem feito de tudo para que Deus revele sua vontade, explicando aquilo que você não está entendendo, mas… não tem ouvido nada? O silêncio é total? Você vai às Escrituras e parece que nada se aplica à sua vida? Se é o caso, permita-me dizer-lhe o que você precisa fazer para ouvir a voz do Senhor.

Jesus morreu na cruz. Três dias depois, dois discípulos dele, desanimados, tristes e desencorajados, seguem de Jerusalém para o povoado de Emaús, a alguns quilômetros de distância. Eles conhecem as Escrituras, mas não enxergam aplicação prática daquele conteúdo ao que estavam vivendo. É quando acontece um fato aparentemente corriqueiro. “No caminho, falavam a respeito de tudo que havia acontecido. Enquanto conversavam e discutiam, o próprio Jesus se aproximou e começou a andar com eles” (Lc 24.14-15). Aqueles três homens começam, então,  a entabular uma conversa sobre os fatos recentes de seu dia a dia e acabam discutindo sobre teologia e coisas da vida cristã: “Então Jesus lhes disse: “Como vocês são tolos! Como custam a entender o que os profetas registraram nas Escrituras! Não percebem que era necessário que o Cristo sofresse essas coisas antes de entrar em sua glória?”. Então Jesus os conduziu por todos os escritos de Moisés e dos profetas, explicando o que as Escrituras diziam a respeito dele” (v. 25-27).

Algumas coisas chamam minha atenção nessa extraordinária passagem da Bíblia. Primeiro, é quando aqueles homens conversam de forma trivial sobre as coisas da vida que acabam aprendendo profundas realidades espirituais e teológicas. Segundo, isso ocorre num momento qualquer, nada especial, enquanto caminham por uma estrada, e não quando eles estão desesperados, se virando do avesso para que Deus lhes dê respostas. Terceiro, Jesus só fala com aqueles homens porque os três começam a caminhar juntos, conversando e discutindo. O resultado? “Não ardia o nosso coração quando ele falava conosco no caminho e nos explicava as Escrituras?” (v. 32).

Essa passagem magnífica das Escrituras nos ensina que as profundidades da nossa fé podem ser aprendidas em momentos corriqueiros da vida. Tudo o que é preciso fazer é deixar Jesus “falar conosco no caminho”, isto é, em qualquer lugar por onde caminhemos. Perceba que aqueles dois homens aprenderam realidades espirituais espetaculares e transformadoras, que fizeram arder seu coração, simplesmente por caminhar junto com Jesus num momento da vida absolutamente normal e trivial. Simples. Cotidiano. Trivial. Mas transformador.

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Muitas vezes, tentamos “subornar” Deus para que ele fale conosco. Realizamos ações para tentar comprar o favor do Senhor por meio de nosso mérito pessoal e, com isso, ouvir sua voz. É quando muita gente se lança em “campanhas de setenta semanas”, jejuns intermináveis, “sacrifícios”, ofertas em dinheiro à igreja, subidas ao monte, busca de “profetas” e coisas semelhantes. Achamos que a voz de Deus só se fará ouvir se ganharmos o direito de ouvi-la por meio de esforço próprio. Mas Deus não se vende, meu irmão, minha irmã.

Você já ouviu alguém dizer que “vai ao culto para ouvir a voz de Deus”? Ou já ouviu algum pastor dizer que você vai à igreja “para receber a sua bênção”? Bobagem. Nós vamos ao culto exclusivamente para adorar a Deus em comunidade e não como meio de comprar o direito de ouvir sua voz. A vida com Cristo é um culto constante e ele pode falar ao seu coração em qualquer momento trivial da vida. Afinal, Deus se relaciona conosco não por nosso mérito, mas por sua graça.

Entenda: Cristo quer que você ouça a sua voz. Aqueles dois homens nem sabiam que era Jesus quem estava falando, mas ainda assim ouviam a voz dele. Você não precisa comprar o direito de ouvi-lo, pois ele é gracioso e amoroso. Tudo o que necessita fazer é “começar a andar com ele”. E a sua estrada, meu irmão, minha irmã, não se restringe a duas horas semanais de culto. Seu caminho é este exato momento. Esteja você onde estiver, este é o seu caminho. Talvez você esteja lendo este texto no ônibus, no sofá de casa, no trabalho, no trem ou no metrô. Talvez no banheiro! Sem problema. Saiba que é exatamente aí, onde você se encontra, que Jesus deseja “se aproximar e começar a andar com você”. E, ao fazê-lo, você, natural e consequentemente, ouvirá a sua voz.

Para isso, basta que recorra às Escrituras, onde a voz de Deus se faz presente. E, por caminhar com ele, o Senhor vai “explicar o que as Escrituras diziam a respeito dele”, iluminando o seu entendimento acerca das realidades bíblicas em momentos em que você menos espera. O trono de Cristo se faz presente na sua vida a cada segundo, e sua divina voz habita o seu coração, desde que você esteja andando com ele e atento ao texto das Escrituras.

Homileo_arteCom esse entendimento, permita-me fazer-lhe um convite. A partir de hoje, começo a compartilhar em minha página do Facebook vídeos curtos com reflexões sobre a vida cristã, a fim de fazer em audiovisual o que normalmente faço aqui nos textos do APENAS (o primeiro vídeo está AQUI). E gostaria de convidar você a passar a assistir aos vídeos curtos da série que intitulei HOMILEŌ. Você poderia perguntar: o que significa essa palavra estranha? Eu explico.

A palavra em grego “homileō” foi utilizada duas vezes nos textos originais dessa passagem de Jesus com os dois discípulos e foi traduzida como “falavam” e “conversavam”: “No caminho, falavam a respeito de tudo que havia acontecido. Enquanto conversavam e discutiam, o próprio Jesus se aproximou e começou a andar com eles”. No original em grego, o termo significa “estar em companhia de alguém”; “comungar” e, por implicação, “conversar”.

Escolhi esse nome para a série de vídeos que começo esta semana a postar porque “homileō” retrata exatamente o que desejo fazer por meio das reflexões. A ideia é caminharmos juntos (eu, você e o Senhor), sem formalidades, para prosear e refletir sobre questões da nossa jornada com Cristo. E peço a Deus que, durante os poucos minutos em que você assistir a esses curtos vídeos, o Senhor ilumine seu coração para que consiga entender realidades da Escritura que venham a edificá-lo. Em outras palavras, que sejam momentos em que você ouça a voz de Deus. Minha ideia é fazer nesses vídeos exatamente o que faço aqui pelo APENAS: não falar sobre teologia acadêmica, mas prosear sobre os mais variados aspectos da vida cristã. 

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Postarei os vídeos em minha página do Facebook: facebook.com/mauriciozagariescritor. Se você me permitir, sempre que postar um vídeo da série HOMILEŌ, divulgarei por meio de um post aqui no blog. Se você é assinante do APENAS, receberá por e-mail o link e bastará clicar nele para assistir. Se achar as reflexões edificantes e assim desejar, peço que ajude a divulgar e encaminhe os vídeos para pessoas que precisem ouvir aquela reflexão específica. Curta as postagens e compartilhe, para que elas alcancem o maior número possível de pessoas. Meu objetivo é tão somente edificar vidas, não há nenhum dinheiro envolvido nem vou lucrar um centavo sequer com os vídeos, assim como não ganho dinheiro com este blog. Gerarei a semente, de acordo com o que Deus me levar a refletir, e, se você sentir o desejo, peço que ajude a semeá-la.

Muito obrigado por caminhar comigo na jornada com Cristo. Peço a Deus que ele fale muito ao seu coração, iluminando as verdades bíblicas, por meio do que escrevo no APENAS e, agora, pelo que gravo no HOMILEŌ. Se desejar assistir ao primeiro vídeo, basta clicar AQUI (caso o link não abra, você pode ir para https://m.facebook.com/story.php?story_fbid=2190313531188513&id=1558886794331193). Depois que assistir, eu gostaria de ouvir a sua opinião, pois ninguém melhor do que você para me aconselhar o que posso fazer para melhorar e, assim, edifificá-lo melhor. E que a voz de Cristo ilumine as verdades reveladas na Escritura em cada passo do seu caminho.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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Acordei de manhã, cheguei na janela e vi esta triste cena: um belo passarinho morto em minha varanda. Seu aspecto era pacífico, deitadinho de costas, as asas cruzadas sobre o peito, como se tivesse repousado no chão, achado uma posição confortável, suspirado e deixado a vida escapulir devagarinho. Assim que o vi, fiquei longamente em silêncio e, imediatamente, veio um texto da Bíblia em minha mente: “Por isso eu lhes digo que não se preocupem com a vida diária, se terão o suficiente para comer, beber ou vestir. A vida não é mais que comida, e o corpo não é mais que roupa? Observem os pássaros. Eles não plantam nem colhem, nem guardam alimento em celeiros, pois seu Pai celestial os alimenta. Acaso vocês não são muito mais valiosos que os pássaros?” (Mt 6.25-26). Parecia uma contradição. Se Deus cuida dos pássaros, por que aquele pobrezinho estava morto em minha varanda? Esta pergunta passa constantemente pela mente de quem perdeu um ente querido: se Deus existe e é bom, por que quem eu amo morreu?

Essa semana tomei conhecimento de que uma irmã com quem caminho junto no Facebook perdeu dois filhos de forma muito triste: a vida deles foi tomada por assassinos enquanto dormiam. Como tomar conhecimento de algo assim e permanecer sereno, crendo que, sendo mais valiosos que os pássaros, Deus cuidará de nós? Será que cuidará mesmo? Como descansar diante do fato de que os pássaros do céu e gente amada de Deus morre? Estará a Bíblia mentindo? Como ficam as promessas de Deus diante dos duros fatos da vida?

Muitas pessoas se revoltam com Deus porque pensam que o cuidado divino tão mencionado na Bíblia seria uma promessa de imortalidade em vida. Leem o salmo 23 e entendem que Deus os blinda das maldades do mundo; em especial, da morte. A ideia é: se Deus cuida de nós e nos ama, não permitirá que morramos, em especial, “fora de hora”. Entender isso é muito importante, pois, se não compreendemos as realidades que envolvem esse fenômeno, seremos assolados por revolta, dúvida e depressão a cada pessoa amada que partir.

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Diante desse quadro, não podemos nos esquecer de três verdades bíblicas:

1. A morte é a grande certeza da vida. Embora a morte de seus santos seja custosa ao Senhor, um dia morreremos. Fato. Não é uma questão de “se”, mas de “quando”: “o Senhor Deus lhe ordenou: ‘Coma à vontade dos frutos de todas as árvores do jardim, exceto da árvore do conhecimento do bem e do mal. Se você comer desse fruto, com certeza morrerá’.” (Gn 2.16-17).

2. Nossa vida não escapa das mãos de Deus. Ele a tem muito bem conduzida debaixo de sua soberania e o momento da nossa morte não pega Deus de surpresa: “cada dia de minha vida estava registrado em teu livro, cada momento foi estabelecido quando ainda nenhum deles existia” (Sl 139.16).

3. O fato de morrermos não quer dizer que Deus não cuida de nós, nos abandonou ou não nos ama. Para quem está em Cristo, a eternidade ao lado do Senhor é uma certeza. “Ouvi uma forte voz que vinha do trono e dizia: ‘Vejam, o tabernáculo de Deus está no meio de seu povo! Deus habitará com eles, e eles serão seu povo. O próprio Deus estará com eles. Ele lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor. Todas essas coisas passaram para sempre’.” (Ap 21.3-5).

Lembre-se de algo: aquilo que conhecemos por “vida” é apenas a porta de entrada da existência eterna. Se vivemos 20, 40, 60 ou 80 anos nesta terra, viveremos bilhões de anos, vezes bilhões de anos, na eternidade. Esta vida pesa muito para nós porque é o que conhecemos. E é normal, o próprio Cristo entrou em agonia no Getsêmani ao antever seu sofrimento e morte. O temor ante à morte faz parte, pois Deus nos deu o instinto de sobrevivência, que luta contra a ideia da mortalidade. Mas, se conseguimos olhar pelos olhos de Deus e contemplar o peso da eternidade, da vida que começa depois da vida, teremos mais paz ante à partida de pessoas queridas.

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E mais: se nós e nossos entes queridos vivemos em Cristo, morreremos em Cristo e com Cristo estaremos por toda a eternidade. Isso nos dá uma certeza extraordinária: a expectativa do reencontro. Para essa certeza, a morte não é um “adeus para sempre”, mas um “vou ali e já volto”. Devemos pensar sobre isso.

Meu coração apertou quando vi o passarinho em minha varanda. Fiquei pensando que nunca mais eu o ouviria piar, que no dia seguinte não seria alegrado pela beleza de seu voo, que as alegrias do convívio com aquele animalzinho cessavam ali. Isso entristece, claro, pois sempre queremos mais momentos com quem tem o dom da vida. Mas em nenhum momento questionei o amor de Deus. Sofri porque eu queria mais da vida daquele passarinho. Porém, pensativo, entendi que a boa, agradável e perfeita vontade do Senhor era que não mais tivesse isso. O Senhor deu, o Senhor tomou. Bendito seja o nome do Senhor.

Meu irmão, minha irmã, se você questiona o amor e o cuidado de Deus porque ele decidiu levar desta vida alguém que você ama, receba meu abraço apertado e sentido, mas lembre-se das verdades listadas neste texto. É natural que você chore de saudade, isso não é pecado nem demonstra falta de fé. Sim, saudade não é pecado. Chore mesmo, vai te fazer bem. Mas não questione o amor do Senhor ou o seu cuidado em razão da sua perda. Deus é bom. Ele segue sendo Deus. Ele segue no controle. Ele segue sendo amor.

Que Deus console o coração de todos que estão enlutados. Que, em seu infinito e perfeito amor, ele amaine a dor da saudade e dê paciência para aguardar pelo reencontro. E que, acima de tudo, o Senhor lembre a todos os que vivem o luto que ele mesmo deu o próprio Filho para que todo aquele que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna. Você crê? Então lembre-se de que a vida eterna é a maior prova de todas do cuidado e do amor de Deus por você.

(A reflexão de hoje é dedicada a Irani e Laercio. Seus passarinhos voaram para longe, e eu sei que a saudade dói. Mas tenham a certeza de que voltarão a ouvi-los cantar…).

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

Querido irmão e irmã em Cristo, como você deve ter percebido, depois de um período de sete anos escrevendo ininterruptamente neste blog, vi a necessidade de tirar um período sabático do APENAS. Há três meses não publico novos textos, em razão de me ver obrigado a priorizar outras atividades e a me dedicar a momentos de reflexão. Pretendo retomar a regularidade das publicações em breve, junto com algumas novidades. Porém, decidi compartilhar alguns pensamentos esta semana, em razão das eleições que teremos no Brasil. Não sei quem vencerá as eleições. Porém, de algumas coisas eu sei com todas as forças do meu ser, e gostaria de compartilhar essas verdades bíblicas, sugerindo que você, que é cristão, medite sobre elas, em oração e com autocrítica, à luz de tudo o que tem vivido durante o processo eleitoral:

1. Deus não está alheio a absolutamente nada do que está acontecendo em nosso país.

“O Senhor sabe todas as coisas” (Jo 21.17; cf Sl 139).

2. A vontade de Deus sempre se cumpre, mesmo que demore, e tudo o que ele tem planejado para o Brasil se cumprirá.

“Sei que podes fazer todas as coisas, e ninguém pode frustrar teus planos” (Jó 42.2).

3. Devemos amar de forma prática e por meio de atitudes todas as pessoas, as que votam como nós e as que não votam. 

“Vocês ouviram o que foi dito: ‘Ame o seu próximo’ e odeie o seu inimigo. Eu, porém, lhes digo: amem os seus inimigos e orem por quem os persegue. Desse modo, vocês agirão como verdadeiros filhos de seu Pai, que está no céu. Pois ele dá a luz do sol tanto a maus como a bons e faz chover tanto sobre justos como injustos. Se amarem apenas aqueles que os amam, que recompensa receberão? Até os cobradores de impostos fazem o mesmo” (Mt 5.43-46).

4. Devemos perdoar as pessoas, inclusive as que nos ofenderam durante o processo eleitoral pelo fato de discordarmos delas política e ideologicamente. Se possível, nos reconciliando com aquelas com quem tivemos atritos.

“Seu Pai celestial os perdoará se perdoarem aqueles que pecam contra vocês. Mas, se vocês se recusarem a perdoar os outros, seu Pai não perdoará seus pecados” (Mt 6.14-15).

“Nunca paguem o mal com o mal. Pensem sempre em fazer o que é melhor aos olhos de todos. 18 No que depender de vocês, vivam em paz com todos” (Rm 12.17-18).

5. Ore. Ore. Ore. Mais do que entrar nas redes sociais para esbravejar contra os candidatos de que não gostamos e fazer campanha eleitoral, devemos nos manter em oração pelo nosso país. Orar ao Deus que tudo controla gera resultados muito mais efetivos do que ofender quem vota em quem não votamos. Quanto você já orou ao Senhor pelo resultado dessas eleições e pelo nosso país?

“Algum de vocês está passando por dificuldades? Então ore. […] A oração de um justo tem grande poder e produz grandes resultados. Elias era humano como nós e, no entanto, quando orou insistentemente para que não caísse chuva, não choveu durante três anos e meio. Então ele orou outra vez e o céu enviou chuva, e a terra começou a produzir suas colheitas” (Tg 5.13,16-18).

“Nunca deixem de orar” (1Ts 5.17).

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6. Nossa relação com quem pensa diferente de nós e se opõe ao nosso pensamento deve ser de instrução e não ofensa, e isso com mansidão e paciência. Quem vive brigando por causa destas eleições está errado.

“O servo do Senhor não deve viver brigando, mas ser amável com todos, apto a ensinar e paciente. Instrua com mansidão aqueles que se opõem, na esperança de que Deus os leve ao arrependimento e, assim, conheçam a verdade” (2Tm 2.24-25)

7.  Não podemos falar como mundanos para defender os valores do evangelho. Como têm sido as palavras que você diz e escreve sobre as ideologias e os candidatos de que discorda nessas eleições?

“Evitem o linguajar sujo e insultante. Que todas as suas palavras sejam boas e úteis, a fim de dar ânimo àqueles que as ouvirem” (Ef 4.29).

8. Caso o seu candidato não seja eleito, não passe os próximos quatro anos com uma nuvem negra sobre a cabeça, ou você poderá ter uma úlcera. Tenha paciência e confiança. 

“Se já temos alguma coisa, não há necessidade de esperar por ela, mas, se esperamos por algo que ainda não temos, devemos fazê-lo com paciência e confiança” (Rm 8.24-25).

9. Quem tem o Espírito Santo dentro de si deve viver as nove virtudes do fruto do Espírito constantemente, mesmo em época de eleição ou caso seu candidato seja derrotado nas urnas. Será que isso é verdade na sua vida? Que virtudes são essas? Veja:

“amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio” (Gl 5.22-23)

10. Tenha fé. Mesmo que o resultado das eleições não seja o que você gostaria, não se revolte, não desanime, por saber que algo muito maior nos espera.

“Pois estas aflições pequenas e momentâneas que agora enfrentamos produzem para nós uma glória que pesa mais que todas as angústias e durará para sempre. Portanto, não olhamos para aquilo que agora podemos ver; em vez disso, fixamos o olhar naquilo que não se pode ver. Pois as coisas que agora vemos logo passarão, mas as que não podemos ver durarão para sempre” (2Co 4.17-18).

11. Independente de quem ganhe as eleições, devemos orar pelos governantes que forem eleitos, pelo nosso próprio bem.
“Recomendo que sejam feitas petições, orações, intercessões e ações de graça em favor de todos, em favor dos reis e de todos que exercem autoridade, para que tenhamos uma vida pacífica e tranquila, caracterizada por devoção e dignidade” (1Tm 2.1-2).
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Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >
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Abrir mão é um dos maiores desafios que a nossa fé nos propõe. Não se engane: se você quer ser um bom cristão terá de abdicar de muitas e muitas coisas. Frequentemente, coisas que lhe trariam muitos benefícios. É interessante pensar que, ao fazer isso, você se aproxima de Cristo e reproduz o padrão divino; afinal, quando o Criador se fez humano para viver entre uma humanidade que não merecia nada, ele estava, exatamente, abrindo mão de sua glória celestial para se tornar como um de nós – por amor a nós. Assim, quando você renuncia algo simplesmente porque é o certo e por amor ao Senhor, possivelmente vai sofrer enormes perdas e, com elas, virá certa dose de sofrimento. Mas eu gostaria de encorajá-lo a perder. Acredite: vai valer a pena, pois o que você ganhará com sua abnegação será algo de valor incalculável: a aprovação de Deus.

Em nossa sociedade, pôr o outro em primeiro lugar é visto como fraqueza, talvez tolice, para não dizer burrice. No evangelho não: “Então Jesus disse a seus discípulos: ‘Se alguém quer ser meu seguidor, negue a si mesmo, tome sua cruz e siga-me. Se tentar se apegar à sua vida, a perderá. Mas, se abrir mão de sua vida por minha causa, a encontrará’” (Mt 16.24-25). Portanto, abrir mão aos olhos de Deus é sinal de grandeza. É virtuoso. É nobre. Se for pelo bem do próximo, você trilhou o caminho mais excelente. Se for por amor a Cristo, você alcançou o coração de Deus.

Pode ser que você tenha aberto mão de um relacionamento afetivo por amor a Cristo. Ou de um emprego. Talvez um cargo de status. Ou de uma posição que lhe traria vantagens. Quem sabe, de uma oportunidade que lhe renderia ganhos, mas envolveria propinas ou fraudes. Também pode ter sido o caso de você ter se afastado de amigos que o arrastavam para práticas erradas, por mais que gostasse deles. Ou ainda, pode ser que  você tenha aberto mão de seu orgulho para perdoar alguém que não merecia seu perdão. Se você abriu mão de algo muito importante – muitas vezes à custa de sofrimento – por amor a Cristo, não pense que ele não valoriza o que você fez. Ele está ciente.

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Tudo de que você tem de abrir mão por amor a Jesus se converte em aprovação divina e, logo, em bênção para sua vida. “E todos que tiverem deixado casa, irmãos, irmãs, pai, mãe, filhos ou propriedades por minha causa receberão em troca cem vezes mais e herdarão a vida eterna” (Mt 19.29). O Senhor está falando aqui exatamente sobre abrir mão das coisas mais preciosas que podemos ter nesta vida por amor a ele.

Um homem rico procurou Jesus perguntando o que deveria fazer para herdar a vida eterna. Além de instá-lo a obedecer aos mandamentos, Cristo lhe disse: “Se você quer ser perfeito, vá, venda todos os seus bens e dê o dinheiro aos pobres. Então você terá um tesouro no céu. Depois, venha e siga-me” (Mt 19.21). Em outras palavras: “Se você quer ser perfeito, abra mão daquilo que considera mais precioso por amor a mim”. Mas aquele rapaz não estava disposto a abrir mão pelo Senhor. Resultado: saiu cabisbaixo, triste e sem a aprovação divina.

Em muitos momentos de sua caminhada você se verá frente a frente com situações em que terá de abrir mão de algo muito valioso para ser fiel ao seu Salvador. Enxugue as lágrimas, sacuda a poeira e vá em frente de cabeça erguida. Sem arrependimento. Sem olhar para trás. Sem pensar “como teria sido se…?”. Esqueça. Foi por amor a Deus? Então foi pela razão certa. No dia em que você entrar na glória do Pai, o abraço e o sorriso que receberá dele compensarão tudo.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >
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Tudo o que Jesus pregou e ensinou durante seu ministério terreno foi teologia pura. Quando analisamos os sermões e as falas públicas de Cristo fica claríssimo que ele discorreu sobre escatologia, soteriologia, pneumatologia, eclesiologia, cristologia, hamartiologia e outras áreas de conhecimento da fé cristã. Isso é inegável. Por isso, desde a minha conversão, há 22 anos, me apaixonei pela teologia de Cristo e passei a devorar tudo o que pudesse a fim de aprender mais e mais. Porém, o que mudou tudo na minha vida cristã e refletiu diretamente naquilo que escrevo e prego foi analisar, há cerca de seis anos, a forma como Jesus abordou sua teologia: de maneira simples, em linguagem popular, usando metáforas do dia a dia das pessoas de seu tempo, contando historinhas de ficção… enfim, Jesus raramente complicou sua mensagem; pelo contrário, preferiu na maior parte do tempo simplificá-la. Logo, se somos imitadores de Cristo, devemos imitá-lo nisso também.
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Alguns exemplos: quando Jesus quis falar sobre o nosso exemplo pessoal para o mundo, usou a imagem do sal, algo que todos usavam no dia a dia de Israel para conservar seus alimentos (Mt 5.13). Também recorreu à imagem de uma lâmpada, usada por todos naquela cultura para iluminar suas casas (Mt 5.14). Simples. Compreensível. Ao alcance do entendimento de todos.
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Jesus flores pássarosQuando Jesus expôs verdades sobre a soberania e o cuidado de Deus na vida de seus filhos, falou sobre… passarinhos. “Por isso eu lhes digo que não se preocupem com a vida diária, se terão o suficiente para comer, beber ou vestir. A vida não é mais que comida, e o corpo não é mais que roupa? Observem os pássaros. Eles não plantam nem colhem, nem guardam alimento em celeiros, pois seu Pai celestial os alimenta. Acaso vocês não são muito mais valiosos que os pássaros?” (Mt 6.25-26). Outra imagem a que ele recorreu para tratar do mesmo assunto foi a de… flores. Belas e delicadas flores: “E por que se preocupar com a roupa? Observem como crescem os lírios do campo. Não trabalham nem fazem roupas e, no entanto, nem Salomão em toda a sua glória se vestiu como eles. E, se Deus veste com tamanha beleza as flores silvestres que hoje estão aqui e amanhã são lançadas ao fogo, não será muito mais generoso com vocês, gente de pequena fé?” (Mt 6.28-30).
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Coisas simples. Cotidianas. Compreensíveis. Fáceis.
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As parábolas, por sua vez, são um exemplo espetacular da simplicidade da forma de Jesus apresentar as mais profundas verdades da espiritualidade cristã. Ao falar sobre assuntos teologicamente profundos – como pecado, arrependimento, justificação, Igreja e a doutrina de Deus -,  Jesus falou sobre família, um filho rebelde, herança, prostitutas, chiqueiro, festa, enfim, coisas que absolutamente todos que o escutavam entendiam. Enquanto os religiosos judeus de então se perdiam em complicadas, elaboradas e intermináveis discussões teológicas, com partidarismos rabínicos e segmentações doutrinárias, Jesus inventava histórias sobre alguém que perdeu dinheiro e sobre um pastor que busca uma ovelha que se desgarrou – brilhantes tratados soteriológico e hamartiológicos, elaborados para serem compreendidos por qualquer pessoa, da mais erudita à analfabeta (Lc 15).
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Confesso que me assusto quando vejo pessoas discutindo sobre o evangelho usando palavras incompreensíveis, com estruturas e esquemas rebuscados e dificílimos, em abordagens que simplesmente complicam aquilo que Jesus simplificou, indo na contramão do jeito de Cristo de expor sua teologia. Há espaço para o rebuscamento? Claro que há! Numa sala de aula de um seminário teológico ou num congresso acadêmico, onde todos os que ali estão falam aquela linguagem difícil e entendem os malabarismos de raciocínio utilizados, não há nenhum problema em se recorrer a um jeito erudito e complicado para um reles mortal. Mas, publicamente, não consigo enxergar absolutamente nenhuma razão para se complicar o que Jesus não complicou. O evangelho de Cristo foi anunciado e discutido por Cristo de modo fácil, falasse ele para pescadores, pastores, prostitutas, pedintes ou autoridades do governo.
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As pessoas que ouviam Jesus podiam não compreender plenamente as realidades espirituais que ele anunciava, por serem muito elevadas, mas ainda assim Cristo recorria a um formato e um linguajar facílimo para explicar tais realidades (como no vocabulário, na estrutura de exposição e no uso de imagens cotidianas de sentido simplificado). E por que não deveríamos nós fazer assim também? Jesus falava às multidões. E “multidão” pressupõe um grupo numeroso e diversificado de pessoas, entre elas, com absoluta certeza, gente simples, que precisava entender o evangelho com simplicidade. Afinal, uma mensagem que não é compreendida não é uma mensagem – são sons e palavras sem significado e, logo, são inúteis. Repito: inúteis.
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Fui confrontado recentemente com essa questão, ao ser convidado pela editora Mundo Cristão a escrever os estudos e os comentários de uma Bíblia, em parceria com meu amigo e editor Daniel Faria. Aceitei o desafio. Toda essa necessidade de simplificar, tudo o que escrevi até aqui neste post, martelou diariamente em minha mente durante o processo de escrita dos textos da Bíblia Sagrada Na Jornada com Cristo. Confesso que a tentação de escrever de forma difícil para ser admirado entre os intelectuais e acadêmicos foi grande. Já vi pessoas desdenharem quem escreve com simplicidade dizendo que “fulano é raso”, “beltrano é superficial” e acusações ignorantes semelhantes, pois confundem simplicidade com superficialidade. E ninguém gosta de ser desdenhado, não é? Mas precisei me agarrar à consciência de que, se temos de caminhar nos passos de Jesus, precisamos negar nosso ego, rejeitar nossa vaidade e pensar na eficiência da transmissão da mensagem e não no nosso status junto aos eruditos.
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Por essa razão, tudo o que escrevi na Bíblia Sagrada Na Jornada com Cristo tem como objetivo transmitir a mais profunda teologia cristã da maneira mais simples e compreensível possível, em textos que procurei tornar gostosos e prazeroso de ler, a fim de não só transmitir conhecimento teórico, mas conduzir o leitor a viver o evangelho na prática.
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Este mês é o lançamento da Bíblia Sagrada Na Jornada com Cristo. Se você me permite, gostaria de convidá-lo a lê-la e a presenteá-la ou indicá-la aos seus amigos que precisam entender mais sobre a fé cristã – em especial os recém-convertidos, a quem recomendo com ênfase a Bíblia Sagrada Na Jornada com Cristo. Não falo isso por interesse comercial nem nada do gênero, acredite, mas por real convicção de que os estudos e textos dessa obra podem auxiliar no crescimento e no conhecimento de todos aqueles que amam a Deus e sua Palavra mas têm dificuldade de entender teologia acadêmica ou não tiveram oportunidade de se aprofundar nela. Creia: você terminará a leitura compreendendo muito mais da fé cristã, por desfrutar de profundidade com simplicidade. Se desejar mais informações, clique neste link: < Bíblia Sagrada Na Jornada com Cristo >.
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Peço a Deus que, se vier a ler a Bíblia Sagrada Na Jornada com Cristo, seja muito edificado pelos textos e estudos que ela contém. Todos foram escritos com muito temor, tremor e amor. E com a preocupação de torná-a uma leitura agradável e fácil, simples na forma e profunda no conteúdo.
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Meu irmão, minha irmã, invista na simplicidade em sua vida de fé. Olhe os passarinhos. Olhe as flores do campo. Descubra as realidades da vida e da eternidade pelas belezas com que a graça de Deus nos presenteia. Ame o próximo do modo mais simples que puder: com um copo d´água no calor, um sorriso na tristeza, um abraço na solidão, uma lágrima solidária na dor. Ore com simplicidade. E lembre-se de que o Criador de tudo o que há nos bilhões de galáxias do espaço infinito escolheu salvar você não por meio de um gigantesco e complexo evento cósmico, mas por meio da morte de um carpinteiro pobre e maltratado em uma rude cruz de um canto distante e esquecido do mundo. Simples. Mas com resultados que ecoarão por toda a eternidade.
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Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >
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Ontem desci ao Aterro do Flamengo a fim de brincar com minha filha. Chegamos e ela logo correu para as árvores em que gosta de subir. Em pouco tempo, havia mais umas cinco crianças ao redor dela, fazendo as árvores de trepa-trepa, interagindo e gritando, empolgadas. Foi quando chegou o P.

Não demorou muito para ficar claro que P. era um menino especial, com algum tipo de deficiência mental. Ele gaguejava, apresentava diversos tiques nervosos e tinha um olhar estrábico. Na mesma hora, seu jeito diferente fez com que as crianças se afastassem dele. E P. ficou só.

Sem que eu dissesse nada, Laura se aproximou de P. Ele a observava com certa admiração, pelo fato de minha filha estar em um galho bem alto. “Menina, como você está alto! Eu tenho medo de subir. Eu tenho medo. Tenho medo”, confessou P. Foi quando Laura começou a incentivá-lo a subir, explicando como segurar, onde pisar, como não ralar o joelho na casca grossa da árvore. “Vem, P.!”, encorajava ela. “Tenho medo!”. “Vem, você consegue!”

Os quarenta minutos seguintes foram puro deleite para meu coração de pai. Laura fez de tudo para que P. saísse do chão e a seguisse (ele é o menino de camisa amarela na foto). E conseguiu. Aos poucos, ele foi tomando coragem e, meio rastejando, meio escalando, foi ascendendo, galho a galho. Cheguei perto da avó de P., que o havia trazido de Mesquita para passear no Aterro, e puxei papo. Ela estava feliz, pois me disse que, geralmente, as crianças se afastavam de seu neto, por o considerarem “meio esquisito”, e nunca tinha visto nenhuma criança se dedicar tanto para fazê-lo se sentir parte da brincadeira, do grupo. Enquanto isso, Laura prosseguia encorajando P. “Vem, você consegue! Olha, faz como eu, pisa aqui e segura ali. Vai que dá!”.

Eles ficaram um bom tempo brincando nos galhos. Até que chegou a hora de partir. No momento em que chamei Laura para voltarmos para casa, P. escalava galhos mais altos, com um olhar de júbilo e orgulho no rosto. Sua avó estava encantada com o ineditismo daquilo. “Ele nunca vai se esquecer deste momento”, disse, com boa dose de emoção. Na hora em que ouviu meu chamado, P. demonstrou certa aflição. Ele não queria que minha filha fosse embora. Veio me pedir que deixasse ela ficar mais tempo, mas, infelizmente, eu tinha um compromisso e precisava partir.

Quando viu que Laura ia embora mesmo, P. desceu da árvore que até pouco tempo antes era um himalaia de impossibilidades, deu uma corridinha até ela e lhe deu um abraço apertado e demorado. Sorri. Sua avó me lançou um olhar constrangido, mas eu fiz um gesto demonstrando que não se preocupasse. E partimos.

Na vida, muitas vezes somos como aquele menino. Inseguros. Solitários. Incertos. Cheios de traumas e rejeições. Olhamos para os galhos mais altos e nos consideramos incapazes de subir. Desanimamos. Deprimimos. E nos acovardamos. Precisamos desesperadamente de alguém que nos encoraje, mas as pessoas ao redor parece que só se afastam.

É quando olhamos para o alto e vemos alguém que nos diz: “Vem, você consegue!”. Sem encorajamento, falta-nos a força para dar o primeiro passo. Mas, ao percebermos como nosso encorajador se importa conosco, está conosco e nos apresenta os caminhos certos, encontramos as forças necessárias. Ele é segurança. Ele é confiança. Ele nos dá a paz de que necessitamos. Ele nos faz acreditar que, se seguirmos seus passos, conseguiremos. E, encorajados, subimos. E conseguimos.

A verdade é que nosso encorajador nos dá aquilo que, sozinhos, jamais teríamos: fé. A fé que, se estiver em sintonia com sua soberana vontade, nos fará subir aos galhos mais altos.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

Comprei no início deste ano um apartamento novo, a fim de trazer meus pais para morar comigo. Pelo valor que eu podia pagar, só consegui encontrar um apartamento caindo aos pedaços, que teria de passar por uma grande reforma para ser habitável. E assim foi: em janeiro começamos a obra, prevista para acabar em abril. Porém, chegamos ao último dia de outubro e a reforma ainda não terminou. E isso por uma série de razões, todas ligadas ao pecado e à falibilidade humanos. Vou lhe contar um pouco dessa saga.

Mandamos fazer uma escada com um serralheiro. Depois de mais de um mês esperando a dita cuja ficar pronta, o que aquele profissional aprontou foi algo que seria melhor definido como um “troço”. Tivemos de desfazer o negócio e arcar com um grande prejuízo. Depois, o profissional que contratamos para laquear e pintar as portas fez um serviço sofrível e danificou paredes, chão e outras partes do apartamento. Mais tempo perdido. Mais dinheiro jogado fora. E por aí foi: tivemos pintores desqualificados, marceneiros que não cumpriram o que prometeram… e muito mais. O resumo da ópera é que tivemos de lidar com uns profissionais que não cumpriram o que prometeram, outros que maldosamente tomaram atitudes que nos prejudicaram e outros, ainda, que muitas vezes fizeram da reforma algo mais estressante do que feliz. Ainda assim, a reforma era indispensável, apesar de pessoas afetadas pelo pecado terem participado do processo.

Hoje celebramos 500 anos da Reforma Protestante, movimento deflagrado em 1517 pelo monge agostiniano Martinho Lutero, que tinha por objetivo reformar a Igreja Católica Apostólica Romana, instituição que ao longo dos séculos saiu dos trilhos e se distanciou dos princípios da Igreja apostólica. Lutero, junto com outros pensadores, tais como Calvino e Zuínglio, promoveram um trabalho de resgate dos princípios do evangelho de Jesus, com retorno à centralidade de Cristo, ao conceito da salvação somente pela graça e mediante a fé, ao entendimento de que a Escritura é a única e suficiente regra de fé e prática do cristianismo, e à compreensão de que a glória deve ser dada somente a Deus.

Esse movimento não purificou a Igreja Católica, pois seus líderes não o aceitaram, mas levou o papa Leão X a excomungar Lutero. Em outras palavras, Lutero foi expulso. Com isso, surgiu a Igreja reformada, da qual é herdeira hoje uma série de denominações cristãs, que se chamam de “reformadas”, “protestantes” ou “evangélicas” (há divergências sobre o significado exato de cada um desses termos, que não vêm ao caso para os propósitos deste texto). Claro que estou simplificando enormemente o que aconteceu, mas, em resumo, foi isso.

Nos últimos 500 anos, no entanto, muitos homens e mulheres que fazem parte desse ramo da Igreja agiram do mesmo modo que os pintores, pedreiros, laqueadores e serralheiros que participaram da reforma de meu apartamento e mais estragaram e atrapalharam do que ajudaram. A ignorância, a maldade ou a falibilidade humana levaram ao surgimento de crenças e práticas erradas, como teologia da prosperidade, confissão positiva, autoajuda gospel, aceitação da agressividade como forma de posicionamento supostamente cristão, bizarrices neopentecostais, doutrinas antibíblicas de batalha espiritual, canonização de usos e costumes, e outras práticas e teologias equivocadas.

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Sob a influência de tais maus descendentes da Reforma, muitos membros dessa igreja oriunda das ações dos reformadores passaram a acreditar em uma espécie de “evangelho” esquisito, como tipos de “cristianismo” que põem o homem no centro, que hipervalorizam o dinheiro, que estabelecem o sucesso pessoal como a medida de bênção de Deus, que fazem parecer que é possível ser grosseiro e cristão ao mesmo tempo e por aí vai.

Assim como o serralheiro que atrapalhou minha reforma, há quem desuna a Igreja de Cristo considerando que só sua denominação é a certa. Assim como os pintores que fizeram trabalhos mal feitos, há quem ensine evangelhos só de bênção e não de arrependimento e contrição. Assim como os pedreiros que deixaram a desejar, há quem creia que o Deus glorificado na Reforma aprova uma apologética bruta e agressiva. Assim como os profissionais que nos decepcionaram em diversos momentos no processo de reforma do apartamento, há aqueles que trazem “segundas revelações” apócrifas ao evangelho resgatado pela Reforma. E assim por diante.

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Louvo a Deus pois, hoje, a Igreja de Cristo prossegue adiante, pregando a mensagem da cruz, investindo em missões, discipulando, divulgando as doutrinas da graça, incentivando a santidade, denunciando o pecado, edificando a noiva de Cristo, glorificando a Deus. Porém, passados 500 anos da Reforma, devemos continuar como Igreja que se reforma continuamente. A começar por nós mesmos, pessoas. Pois de nada adianta reformar ideias e instituições e deixar indivíduos como estão. Alguns dos maus profissionais que prejudicaram minha reforma não reconheceram seus erros. Não podemos fazer o mesmo. O melhor meio de você contribuir com a reforma da Igreja de nossos dias é fazendo um mea culpa, reconhecendo seus erros, mudando seu modo de agir, voltando às boas práticas.

Você acha que seguir reformando a Igreja é apenas combater o erro dos outros? Não é. O que de melhor você pode fazer pela Igreja é parar de olhar para o lado e consertar os seus erros; arrepender-se das suas falhas; confessar os seus pecados; e abandonar a arrogância doutrinária, a agressividade apologética, a soberba denominacional, a vaidade teológica, o sectarismo espiritual. Mude-se. É um bom começo. Às vezes, as suas intenções são ótimas, mas a sua pintura está péssima, a escada que você está construindo está torta, o cano que você instalou está vazando. O que você precisa fazer? Antes de querer reformar algo, sua urgência maior é reformar a si mesmo.

Como eu posso defender isso? Com base na minha própria experiência de reforma de mim mesmo. Na época em que eu dedicava meu tempo, minhas energias e minha saliva para ficar metendo o malho nos outros em vez de promover as belas virtudes do evangelho, praticamente não consegui promover mudança alguma em ninguém. Só gerei ódio. Eu era só um brigalhão esbravejando pela Internet. Mas, no dia em que decidi mudar a mim mesmo, procurando aproximar-me mais do caráter e do temperamento do manso Cordeiro, vi e colhi muitos frutos, que ecoaram na vida de muitas pessoas. E isso tendo por base bíblica passagens como: “Não imitem o comportamento e os costumes deste mundo, mas deixem que Deus os transforme por meio de uma mudança em seu modo de pensar, a fim de que experimentem a boa, agradável e perfeita vontade de Deus para vocês” (Rm 12.2, NVT), “E não pequem ao permitir que a ira os controle. Acalmem a ira antes que o sol se ponha, pois ela cria oportunidades para o diabo” (Ef 4.26-27, NVT), “Da mesma forma, suas boas obras devem brilhar, para que todos as vejam e louvem seu Pai, que está no céu” (Mt 5.16, NVT), “Se amarem apenas aqueles que os amam, que recompensa receberão? Até os cobradores de impostos fazem o mesmo. Se cumprimentarem apenas seus amigos, que estarão fazendo de mais? Até os gentios fazem isso” (Mt 5.46-47, NVT), e “Eu, porém, lhes digo que basta irar-se contra alguém para estar sujeito a julgamento. Quem xingar alguém de estúpido, corre o risco de ser levado ao tribunal. Quem chamar alguém de louco, corre o risco de ir para o inferno de fogo” (Mt 5.22, NVT).

Parabéns a todos os filhos da Reforma Protestante: presbiterianos, batistas, metodistas, pentecostais, continuístas, cessacionistas, calvinistas, arminianos, credobatistas, pedobatistas… enfim, todos os meus irmãos e irmãs em Cristo que, por mais que cometam um ou outro erro teológico, continuam acreditando em cada tópico do Credo Apostólico. Embora derrapem em um ou outro equívoco teológico, ainda assim são meus irmãos. Que mais nos unamos pelo que temos de igual do que nos distanciemos pelo que nos diferencia. Nosso Deus é o mesmo, o de Abraão, Isaque e Jacó. Nossa cruz é a mesma, a do Calvário. Nossos pecados nos igualam. Nossa esperança é o mesmo céu. Jesus é o mesmo Jesus em todas as igrejas que não negociaram o evangelho, apesar de suas diferenças.

Não me venha falar da reforma do meu apartamento, por favor, pois ela tem me estressado e, sinceramente, às vezes acho que seria melhor que ela não tivesse acontecido. Mas falemos todos os dias sobre a reforma da Igreja, que começa pela reforma de nós mesmos. Pois essa, se não acontecer, nos conduzirá para longe dos ideais resgatados pela Reforma Protestante: os ideais do evangelho de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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