Arquivo da categoria ‘Heresias’

Qual é o sotaque correto do brasileiro? O da Bahia? O do Rio Grande do Sul? O de São Paulo? Será que só o sotaque dos cariocas é certo e o dos amazonenses é errado? Como podemos dizer que o sotaque de uma região especifica do país é a língua portuguesa escorreita e o de outra é uma deturpação do nosso idioma? Vamos além: existe sotaque “certo” e sotaque “errado”? Pensemos sobre isso.

Se considerarmos que falamos português, precisamos reconhecer que o sotaque mais puro e original possível é o falado em Portugal. Logo, todos os sotaques falados no Brasil são variações do original. Uns brasileiros falam o “s” de modo diferente do português de Portugal, outros falam um “r” de forma distinta. Uns usam as vogais mais abertas que os portugueses, outros usam-nas de modo mais fechado. E assim por diante. Diante dessa realidade, será que as formas de falar do gaúcho, do pernambucano, do mineiro e do catarinense são erradas por não serem exatamente iguais ao que é falado em Lisboa? Claro que não. Pois a gramática, a sintaxe e as características essenciais da língua estão presentes em qualquer sotaque de qualquer região do Brasil. O sotaque é apenas uma coloração diferente, uma musicalidade da língua resultante do contexto de uma determinada região geográfica. A essência não muda; mudam apenas aspectos secundários do idioma.

A conclusão é que nenhum sotaque deixa a língua “errada”. Os elementos fundamentais do português estão presentes na forma de falar do Sul, do Norte, do Nordeste, do Centro-Oeste e do Sudeste do Brasil. O sotaque apenas altera aspectos do idioma que não são fundamentais. Você pode usar a mesmíssima gramática para ensinar crianças em uma escola de Rondônia, do Distrito Federal ou do Paraná, sem prejuízo para o aprendizado.

A meu ver, o mesmo vale para as diferenças entre um cristão e outro. Em minha opinião, o credo apostólico é o que sintetiza o que é absolutamente inegociável na fé cristã, segundo a Bíblia: criação divina, concepção milagrosa de Cristo pela ação do Espírito Santo, nascimento virginal de Jesus, ressurreição após a crucificação do Senhor, segunda vinda do Salvador, entre os outros pontos do credo dos apóstolos (caso você não o conheça, ao final deste post reproduzo o texto na íntegra).

Portanto, ser presbiteriano, assembleiano, calvinista, arminiano, pentecostal, cessacionista, metodista, batista, luterano, episcopal ou qualquer outra diferenciação é ter um sotaque específico do mesmo idioma. São irmãos em Cristo todos aqueles que confessam Jesus de Nazaré como Salvador pessoal e Senhor de sua vida, pela graça, mediante a fé, arrependidos de seus pecados e almejando praticar as obras da salvação. Eu não tenho autorização divina para chamar de descendência de Belial quem Deus adotou como filho. Ai de mim fazer isso!

Como carioca que sou, confesso que acho engraçado ouvir um ou outro sotaque diferente do meu. E compreendo perfeitamente que pessoas de outros estados do Brasil achem esquisito o meu sotaque com “r” arrastado e “s” chiado. O que jamais posso dizer é que os que têm sotaque diferente não falam português. Tampouco posso aceitar que digam que eu não falo português. De igual modo, posso discordar de muitas crenças e práticas daqueles que pensam diferentemente de mim em determinados aspectos doutrinários da fé. Seus sotaques teológicos diferem do meu, mas não sou tão arrogante a ponto de achar que Deus não os aceita e que eles não fazem parte do Reino dos Céus. São família. Sotaques diferentes, mesmo idioma.

O irmão do filho pródigo ficou irritado porque seu pai acolheu o filho que tinha errado. Na cabeça daquele homem, o pai tinha de escorraçar seu irmão. O certo era ele. Muitos cristãos hoje pensam igual: querem que Deus rejeite quem não age igual a si, mas se esquecem de que o filho prossegue sendo filho – e isso está acima de erros. Não serão crenças periféricas da fé que tomarão das mãos de Deus quem ele adotou como filho. Um filho jamais deixa de ser filho de seu pai porque erra: ele pode comer as bolotas dos porcos, mas continuará sendo filho. Mesmo que o irmão se irrite com isso.

Você pode dizer que crê em todos os pontos do credo apostólico? Confira:

Creio em Deus, Pai todo-poderoso, Criador do céu e da terra.
E em Jesus Cristo, seu Filho unigênito, nosso Senhor,
o qual foi concebido pelo Espírito Santo,
nasceu da virgem Maria,
padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos,
foi crucificado, morto e sepultado,
desceu ao mundo dos mortos,
ressuscitou no terceiro dia,
subiu ao céu,
e está sentado à direita de Deus Pai, todo-poderoso,
de onde virá para julgar os vivos e os mortos.
Creio no Espírito Santo,
na santa Igreja cristã,
na comunhão dos santos,
na remissão dos pecados,
na ressurreição do corpo
e na vida eterna.

Se você é capaz de afirmar cada ponto dessa declaração de fé, no meu entendimento você é meu irmão em Cristo, tenha o sotaque que tiver. Se é o caso, me abrace, meu irmão, minha irmã, riamos do sotaque um do outro, mas não sejamos inimigos nem nos consideremos mutuamente menos filhos do Pai que nos adotou. Por favor, não me envie de volta aos porcos porque você batiza diferente de mim, crê na eleição de forma distinta de mim, acredita num modelo escatológico que não é aquele em que eu creio, tem entendimento carismático divergente do meu, pertence a uma denominação onde não congrego. E prometo que não farei isso com você, respeitando essas diferenças menos importantes e abraçando o que temos em comum e que, de fato, é o mais importante. Afinal, Cristo morreu tanto por mim quanto por você e que direito temos de querer mandar para o inferno aqueles por quem o Senhor deu o sangue para levar para o céu?

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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novo-1É interessante como somos fascinados pelas novidades no que se refere à fé. A pregação que nos prende e assombra é aquela que nos leva a comentar “Uau, nunca tinha pensado desse modo!” ou “É a primeira vez que enxergo por esse ângulo!”. O livro cristão que nos impressiona é o que nos faz exclamar “Que sacada genial!”. Gostamos do que parece inovador, inédito. O teólogo que estimamos é o que nos mostra como aquela passagem bíblica não era nada do que acreditávamos até então. A teologia que nos seduz é a que está “à frente do nosso tempo”. Sejamos sinceros: fé boa para muitos de nós é a que tem cheiro de novo, cujo verniz é brilhante, recém-saída da fábrica, que vem para derrubar as antigas ideias. Mas existe um grande problema nesse apreço pela redescoberta do cristianismo, como veremos a seguir.

Semana passada, eu estava triste, por uma série de razões. Meu coração estava pesado, com os pensamentos indo e vindo, um desassossego que não passava. Eu orava a Deus, pedindo paz. Foi quando minha filha chegou da escola, eu a abracei e deitamos em minha cama. Estava um dia fresco, com uma brisa gostosa, e ficamos ali, deitados, em silêncio. Olhei pela janela para o bosque que há nos fundos de meu prédio, uma paisagem que vejo o dia inteiro, pois trabalho de frente para ela. Mas, naquele momento, o flamboyant que fica pelo menos oito horas por dia diante de meus olhos chamou minha atenção. Suas flores vermelho-alaranjadas faziam um belo contraste com o verde das folhas e uma enorme quantidade de pássaros revoava ao redor da árvore. Flores. Pássaros. Essa imagem levou meus pensamentos a um trecho da Bíblia que conheço de cor, de tanto que já li e cuja verdade é tão óbvia em meu coração:

img_7694“Por isso eu lhes digo que não se preocupem com a vida diária, se terão o suficiente para comer, beber ou vestir. A vida não é mais que comida, e o corpo não é mais que roupa? Observem os pássaros. Eles não plantam nem colhem, nem guardam alimento em celeiros, pois seu Pai celestial os alimenta. Acaso vocês não são muito mais valiosos que os pássaros? Qual de vocês, por mais preocupado que esteja, pode acrescentar ao menos uma hora à sua vida? E por que se preocupar com a roupa? Observem como crescem os lírios do campo. Não trabalham nem fazem roupas e, no entanto, nem Salomão em toda a sua glória se vestiu como eles. E, se Deus veste com tamanha beleza as flores silvestres que hoje estão aqui e amanhã são lançadas ao fogo, não será muito mais generoso com vocês, gente de pequena fé? Portanto, não se preocupem, dizendo: ‘O que vamos comer? O que vamos beber? O que vamos vestir?’. Essas coisas ocupam o pensamento dos pagãos, mas seu Pai celestial já sabe do que vocês precisam. Busquem, em primeiro lugar, o reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas lhes serão dadas. Portanto, não se preocupem com o amanhã, pois o amanhã trará suas próprias inquietações. Bastam para hoje os problemas deste dia” (Mt 6.25-34, NVT).

Aquela imagem tão simples, antiga e conhecida, de pássaros e flores, me remeteu a uma verdade que foi pregada dois mil anos atrás e que continua tão atual como no dia em que Jesus a ministrou em um monte de Israel. O refrigério veio com cheiro de madeira antiga, com cor de página amarelada. Do canto de meu olho escorreu uma pequenina lágrima de gratidão a Deus, por me mostrar naquele momento que a resposta divina para a maioria de nossas questões não se encontra naquilo que revoluciona e impressiona pela inovação, mas em antigas e empoeiradas verdades. Sim, ali percebi que Deus espera de nós menos “uau!” e mais “como pude esquecer disso?”.

A mensagem do evangelho de Cristo não muda. É um tesouro que passa de geração a geração de forma irretocável. O que muda é o baú em que o tesouro é apresentado. É como uma tradução nova da Bíblia: o conteúdo é o mesmo de sempre, a escolha das palavras é diferente. O Deus é o mesmo, a capa segue estilo atual. A mensagem salva, liberta, cura e transforma há dois mil anos e continuará a fazê-lo da exata mesma maneira. O Espírito é o mesmo velho Espírito. O pecado é o mesmo velho pecado. O arrependimento é o mesmo velho arrependimento. A salvação é a mesma velha salvação. A glória eterna… bem, ela é eterna.

novo-2Meu irmão, minha irmã, no que se refere ao evangelho, devemos procurar menos novidades, menos maquiagem, menos pregações inovadoras. Procure contextualizar a mensagem, sempre, mas lembre-se de que o tutano das boas-novas de Cristo não tem em si nenhuma novidade, e por uma única razão: a verdade divina é imutável. Não valorize pregadores, pregações, teólogos, livros, canções, igrejas, modelos de evangelismo ou o que for pelo fato de ser inovador. Porque, muitas vezes, tentar inovar o que é antigo e belo é como vestir roupas de bebê em um velho senhor: não faz sentido algum e chega a beirar o ridículo. Melhor é vesti-lo com uma roupa bela, sóbria e conservadora, que preservará sua elegância e não desviará a atenção do que realmente importa.

Flores. Pássaros. O que há de novo nisso? Nada. Mas a mensagem que eu precisava ouvir naquele momento não tinha de ser inovadora: tinha de ser verdadeira. E foi: Seu Pai celestial já sabe do que você precisa; portanto, não se preocupe. Palavras pronunciadas ao vento dois mil anos atrás, que pousaram em meu coração na hora certa.

Onde dói a sua dor, meu irmão, minha irmã? Onde você tem procurado respostas? Em maquiagens com cheiro de novo ou em verdades imutáveis, eternas e com cheiro de guardado? Talvez, no mundo das inovações não caibam realidades cristãs, portanto, cuidado com buscas infrutíferas. Lembre-se de que “a palavra do Senhor permanece para sempre” (1Pe 1.25). Atenção a este verbo: permanece. Permanecer significa “continuar sendo; prosseguir existindo; conservar-se, ficar”. Portanto, a Palavra de Deus é sólida, rochosa, inabalável, que tem continuidade, que continua como antes. Não há novidades nas boas-novas de Cristo, não há inovações: ela é o que é. Muitas vezes, é justamente o ímpeto por inovar que acaba gerando heresias, desvios, tristeza, superficialidade, orgulho, arrogância, vaidade, distanciamento do evangelho.

novo-3Fica a recomendação de alguém que foi impactado por algo tão simples como flores e pássaros: cuidado com a tinta nova, pois ela pode desviar sua atenção do antigo que realmente importa. Se o ser humano gosta de inovações e surpresas, Deus gosta das boas e velhas verdades. Arrependimento. Perdão. Graça. Fé. Amor. Paz. Cruz. O que há de novo nisso?

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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Arrow on red target - business conceptO novo ano chegou. Como é hábito de muitos, essa mudança simbólica de etapas pode ser uma ótima oportunidade para parar, pensar sobre a vida e repensar as prioridades. Eu gostaria de dar uma pequena contribuição a essa reflexão. Em 2016, muitos cristãos brasileiros tristemente perderam tempo, energias e saliva debatendo sobre aspectos periféricos e secundários da fé ou brigando com outros irmãos em Cristo por questões menos importantes do cristianismo. Minha sugestão, diante disso, é que voltemos a pensar sobre o que realmente é importante na fé cristã. Por isso, gostaria de propor reflexões a partir de pontos que considero serem alicerces da fé. Seguem, então, algumas sugestões acerca de atitudes que você poderia tomar neste momento de reflexões, reinícios e reformulações, a partir de algumas orientações bíblicas fundamentais. 

1. Você tem se arrependido de seus pecados e pedido perdão a Deus? “Se afirmamos que não temos pecados, enganamos a nós mesmos e não vivemos na verdade. Mas, se confessamos nossos pecados, ele é fiel e justo para perdoar nossos pecados e nos purificar de toda injustiça” (1Jo 1.8-9, NVT). Você tem pedido perdão pelas transgressões cometidas? Ou tem vivido dia após dia acumulando pecado não confessado sobre pecado não confessado, apresentando desculpa esfarrapada sobre desculpa esfarrapada para justificar práticas antibíblicas? É hora, como sempre é, de arrependimento, contrição e mudança de rumo.

2. Você tem obedecido ao maior dos mandamentos? “‘Ame o Senhor, seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma e de toda a sua mente’. Este é o primeiro e o maior mandamento. O segundo é igualmente importante: ‘Ame o seu próximo como a si mesmo’. Toda a lei e todas as exigências dos profetas se baseiam nesses dois mandamentos” (Mt 22.37-40, NVT). Em tudo o que você faz, é o amor a Deus que pauta seus pensamentos, ações, palavras e omissões? Ou em 2016 sua prioridade foram dinheiro, aquisição de bens, viagens, programas de TV, o trabalho ou a igreja? Em que você pensa primeiro quando acorda? Em torno de que gira a sua vida? Em torno de Deus ou em torno de você próprio? E, ainda dentro desse maior mandamento, você tem amado ao próximo como a si mesmo? Em 2016, quanto amor você compartilhou? Que ações práticas fez em benefício das pessoas que não lhe deram absolutamente nenhum retorno? De que modo você se devotou ao próximo? Será que você tem se dedicado mais a debater com o próximo para provar que você é quem está certo do que a amá-lo? Cuidado com a autoidolatria.

3. Você tem cumprido a Grande Comissão? “Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ensinem esses novos discípulos a obedecerem a todas as ordens que eu lhes dei” (Mt 28.19-20, NVT).  A quem você proclamou as boas-novas de Cristo em 2016? Quantas pessoas ganharam a vida eterna no ano que passou graças às suas iniciativas? Quantos seres humanos você discipulou no ano que passou? Se perceber que não fez discípulos, que não levou o evangelho a ninguém, que sua instrumentalidade para a salvação de vidas tem sido nula, o que pode fazer para reverter esse quadro em 2017? 

4. Você tem feito aos outros somente e exatamente aquilo que gostaria que eles fizessem a você? “Em todas as coisas façam aos outros o que vocês desejam que eles lhes façam. Essa é a essência de tudo que ensinam a lei e os profetas” (Mt 7.12, NVT). Este mandamento de Jesus é extraordinário, pois ele denuncia como vivemos longe de sua vontade. Você realmente só faz para as outras pessoas o que gostaria que elas lhe fizessem? Só fala a elas e sobre elas com isso em mente? Suas ações têm esse fundamento? Ou o importante é mesmo o que você quer e pronto? Como têm sido suas atitudes com seus parentes, amigos, colegas de trabalho ou estudo, irmãos em Cristo, pessoas que professam outras religiões? E na Internet? 

5. Você tem tratado quem se opõe a você com mansidão e visando ao bem dele ou com soberba, egocentrismo e sentimento de vingança? Quantos inimigos você amou em 2016? Quantos desafetos você perdoou? Como se relacionou com aqueles que o irritam, maldizem, atacam, denigrem? Como você tratou os hereges e os adversários teológicos? Com mansidão e graça ou com ódio e agressividade? O que você falou sobre aqueles que te ofenderam? Quantas orações em benefício deles você fez ao longo do ano? “Se seu inimigo estiver com fome, dê-lhe de comer; se estiver com sede, dê-lhe de beber. Ao fazer isso, amontoará brasas vivas sobre a cabeça dele”. Não deixem que o mal os vença, mas vençam o mal praticando o bem” (Rm 12.20-21, NVT). Você pretende continuar em 2017 a agir com os inimigos, os adversários e os discordantes como um bruto lida com seus desafetos? “O servo do Senhor não deve viver brigando, mas ser amável com todos, apto a ensinar e paciente. Instrua com mansidão aqueles que se opõem, na esperança de que Deus os leve ao arrependimento e, assim, conheçam a verdade” (2Tm 2.24-25, NVT).

6. Você tem manifestado virtudes do fruto do Espírito em sua vida? Como anda você na manifestação prática de “amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio.” (Gl 5.22-23, NVT)? Será que você amou tanto quanto poderia? Você disseminou alegria ou a nuvenzinha negra foi sua companheira inseparável? Você foi um pacificador ou alguém que instigou, incentivou ou participou de contendas e brigas? Você foi paciente ou não esperou Deus agir com a longanimidade que deveria? Você foi benigno, amável, bondoso, ou foi duro, egoísta, mau, briguento? Você demonstrou fidelidade ou sua fé foi pequena? Mansidão, então, é o calcanhar de Aquiles de muitos: você foi manso e humilde, falando sempre com palavras temperadas e de edificação, ou foi um guerreiro, um gladiador, um leão que mais ruge do que faz qualquer outra coisa? E domínio próprio, você foi autocontrolado ou se deixou escravizar pelo seu temperamento sanguíneo, seus impulsos pecaminosos, sua humanidade? E em 2017, o que precisa mudar com relação a essas virtudes?

7. Você tem promovido a paz ou as disputas, a raiva, a vingança, a humilhação, os ataques, a discórdia? “Felizes os que promovem a paz, pois serão chamados filhos de Deus” (Mt 5.9, NVT). Na ânsia por agradar a Deus, muitos acham que o caminho para isso é se igualar ao comportamento natural e carnal da humanidade caída. Que o padrão “João Batista” é a linha a ser adotada e que Deus nos incentiva a promover a guerra “em nome de Jesus” ou “em defesa do evangelho”. É triste e lamentável ver pessoas muitas vezes extremamente bem preparadas teologicamente se posicionando como promotores do ódio, deixando a força dos argumentos em segundo plano e optando pela pseudoforça da forma. Acham que bater na mesa é o padrão cristão. Não é. Seria esse o seu caso?

8. Você tem se achado o máximo? Como anda sua humildade? Tudo o que você é e tem foi Deus quem lhe deu. Você é inteligente? Mérito de Deus. Você é culto? Mérito de Deus. Você tem muitos diplomas? Mérito de Deus. Sua igreja é rica, grande e lotada? Mérito de Deus. Você tem muitos dons? Mérito de Deus. Muitas pessoas o elogiam? Mérito de Deus. Afinal, “Toda dádiva que é boa e perfeita vem do alto, do Pai que criou as luzes no céu…” (Tg 1.17, NVT). Se você empertiga o peito, estriba-se em sua sabedoria e sai desqualificando os demais, o alerta é sério: “Que aflição espera os que são sábios aos próprios olhos e pensam ter entendimento!” (Is 5.21, NVT). “Não sejam orgulhosos, mas tenham amizade com gente de condição humilde. E não pensem que sabem tudo” (Rm 12.16, NVT). O evangelho é claro e direto: quem tem muito deve agir com prudência com o muito que Deus lhe deu, sabendo lidar com delicadeza com os que não sabem nem têm tanto, visando ao amor e com muita graça. Ai de quem “se acha”. “Se vocês são sábios e inteligentes, demonstrem isso vivendo honradamente, realizando boas obras com a humildade que vem da sabedoria. Mas, se em seu coração há inveja amarga e ambição egoísta, não encubram a verdade com vanglórias e mentiras. Porque essas coisas não são a espécie de sabedoria que vem do alto; antes, são terrenas, mundanas e demoníacas. Pois onde há inveja e ambição egoísta, também há confusão e males de todo tipo” (Tg 3.13-16, NVT).

Essa lista poderia prosseguir por dezenas e dezenas de pontos. Mas acredito que somente esses oito já dão muito pano para manga. Fica a reflexão, caso ajude você a pensar sobre como tem vivido. Acredite: se decidir reavaliar suas prioridades em 2017 e mudar muito do que tem feito com relação a esses oito pontos, já será um monumental passo em sua caminhada de fé.

Espero ter ajudado. Agora… é com você.

Paz a todos vocês que estão em Cristo e um feliz Natal,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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humilhar-1Eu estava lendo a Bíblia quando um trecho que já li milhões de vezes estourou no meu peito com toda força como nunca antes. Diz assim o texto bíblico: “Em seguida, Jesus contou a seguinte parábola àqueles que confiavam em sua própria justiça e desprezavam os demais: ‘Dois homens foram ao templo orar. Um deles era fariseu, e o outro, cobrador de impostos. O fariseu, em pé, fazia esta oração: ‘Eu te agradeço, Deus, porque não sou como as demais pessoas: desonestas, pecadoras, adúlteras. E, com certeza, não sou como aquele cobrador de impostos. Jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo que ganho’. Mas o cobrador de impostos ficou a distância e não tinha coragem nem de levantar os olhos para o céu enquanto orava. Em vez disso, batia no peito e dizia: ‘Deus, tem misericórdia de mim, pois sou pecador’. Eu lhes digo que foi o cobrador de impostos, e não o fariseu, quem voltou para casa justificado diante de Deus. Pois aqueles que se exaltam serão humilhados, e aqueles que se humilham serão exaltados”.” (Lc 18.9-14, NVT). O que me impactou tanto nessa leitura foi me dar conta da enorme quantidade de pessoas que agem exatamente como esse fariseu em nossos dias. Gostaria de convidar você a refletir sobre isso. 

A primeira realidade dessa parábola é que todos os personagens citados eram gente temente a Deus mas que pecava muito. Todos. O fariseu e o cobrador de impostos eram igualmente transgressores da vontade de Deus. Nenhum deles era melhor que o outro. Cada um tinha suas desgraças, seus pecados, sua culpa. Meu irmão, minha irmã, nenhum de nós é melhor que o outro. “Pois quem obedece a todas as leis, exceto uma, torna-se culpado de desobedecer a todas as outras.” (Tg 2.10, NVT). Isso nos iguala implacavelmente. Se o outro é adúltero, você é mentiroso. Se o outro é assassino, você é arrogante. Se o outro desonra pai e mãe, você é invejoso. Ninguém está livre. Todos somos culpados. O pecado nos iguala sem distinção. 

humilhar-2Segundo, o fariseu se achava espiritualmente melhor do que os outros. Esse tipo de postura é uma epidemia na igreja. Multidões se consideram mais espirituais que os demais. Ou porque acham que apenas sua teologia é a inerrante e infalível. Ou porque acreditam que a sua denominação é a única correta. Ou porque não toleram o diferente. Ou porque têm um cargo eclesiástico. Ou porque escreveram livros. Ou porque cantam bem. Ou porque têm um pouco de fama. Ou porque as pessoas os ficam bajulando e elogiando. Ou porque têm certas práticas que outros não têm. Ou porque exibem montes de diplomas teológicos na parede. Ou porque não fizeram teologia e acham que quem fez é carnal, porque, afinal, “a letra mata”. Ou porque têm muitos “amigos” na sua fan page das redes sociais. Ou porque pregam bem. Ou porque se acham  expositores das Escrituras melhores que os outros. Ou porque foram convidados a pregar ou palestrar em um lugar de renome. Ou porque… ou porque… ou porque. As razões são inúmeras. E todas são “como correr atrás do vento” (Ec 1.14, NVT), pois simplesmente não existe mérito algum na pessoa, tudo vem de Deus e é dado por Deus. “Toda dádiva que é boa e perfeita vem do alto, do Pai que criou as luzes no céu” (Tg 1.17, NVT).

Meu irmão, minha irmã: tudo o que você é e tem foi concedido pelo Senhor, sem absolutamente nenhum mérito seu. Você e eu não somos melhores que os outros.  Não. Deus não te escolheu para receber certos dons e talentos porque você é mais especial, mas porque ele, em sua soberania, assim quis, a despeito de seu mérito pessoal. Não é porque você subiu o monte que o Senhor te dará algo, tampouco porque fez campanha de muitas semanas, porque se formou no doutorado de teologia ou porque ralou o joelho até ele ficar em carne viva. Não: é tudo por graça, misericórdia, compaixão, amor. Poderia ser qualquer outro em seu lugar. Suas qualidades pessoais não são a seu respeito, são a respeito de Deus. Se você acha que o Zágari te abençoa com o que escreve, saiba que o único a ser agradecido por isso é o Senhor, porque com uma palavra de sua boca eu posso perder toda inspiração e me tornar um inútil. Deus, só ele. Por ele, para ele. 

humilhar-3Terceiro, o fariseu baseou seu discurso no erro dos outros. Ah, como isso é comum! Esse tipo de comportamento  prolifera como erva daninha em nosso meio. Não é à toa que as redes sociais, os blogs e os congressos teológicos transbordam de “apologetas” que dedicam seu dia a dia a ficar atacando os outros. Não os amam. Os odeiam. Não entendem que evangelho é muito mais do que criticar o que você acha que está errado na outras pessoas. E ficam destilando ira “em nome de Jesus”. Acham que Deus os apoia porque, afinal, eles estão certos e os outros não. Triste. Entenda: eu posso estar errado ao lhe dizer tudo o que aqui estou dizendo. Mas você também pode estar errado – e muito errado. E essa percepção da possibilidade do nosso erro deve nos levar a uma postura de extrema humildade, mansidão, autocontrole e pacificação. Fora disso, o que sobra é vaidade e arrogância. 

Quarto e último, a postura do cobrador de impostos é nitidamente o padrão cristão de comportamento. Aquele publicano compreendia que ele era falho e pecador. Mas, importantíssimo: ele não apenas sabia disso, ele agia em função desse entendimento, olhando para si e tratando diretamente com Deus sobre as próprias falhas. O coletor de impostos conhecia a trave que tinha no olho, não fazia vista grossa a ela e não baseava seu senso de valor em ficar investigando o cisco no olho alheio. Sua relação com os demais pecadores era de humildade e com Deus era de humilhação. E aqui chegamos ao cerne desta reflexão. 

humilhar-4Humildade e humilhação. Essa é a postura que agrada a Deus. O Senhor odeia a arrogância. Até mesmo a arrogância espiritual, doutrinária, denominacional e teológica. Temos de ser humildes com relação ao próximo na práxis e na doxa, por saber que em nada somos superiores aos outros, que nada do que temos e somos é mérito nosso, e que somos tão desgraçadamente necessitados da graça de Deus e do seu perdão para nossos pecados quanto qualquer outro. Precisamos nos humilhar diante de Deus, por compreender nossa realidade absolutamente dependente dele e desprovida de valor próprio. Não somos nada. Deus é tudo. Se você é “a menina dos olhos de Deus”, como muitos dizem, é por graça divina e não por mérito humano. Obrigado, Senhor, porque, em meio à minha fraqueza e falibilidade, aprouve a ti fazer qualquer coisa de mim e por mim. 

Meu irmão, minha irmã, “Humilhem-se diante do Senhor, e ele os exaltará.” (Tg 4.10, NVT). “E todos vocês
vistam-se de humildade no relacionamento uns com os outros. Pois, ‘Deus se opõe aos orgulhosos, mas concede graça aos humildes’. Portanto, humilhem-se sob o grande poder de Deus e, no tempo certo, ele os exaltará” (1Pe 5.5-6, NVT). O contrário disso? É vaidade. É arrogância. É pecado. E é o caminho mais curto e certo para ser humilhado por Deus. Não queira passar por isso: arrependa-se, confesse o seu pecado ao Senhor e mude. 
Vá por mim, falo por experiência. A experiência de alguém que, desgraçadamente, já agiu igualzinho ao fariseu da parábola…

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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escandalo gospelNo meio cristão volta e meia somos surpreendidos por um escândalo. Como nossa fé prega a santidade e o apego inegociável aos valores éticos, ficamos profundamente chocados quando tomamos conhecimento de falhas morais ou atitudes reprováveis de algum irmão ou irmã – seja de nosso círculo próximo de relacionamentos, seja alguém com mais notoriedade. É compreensível. O pecado nos choca, confronta, entristece, abate, revolta. Nessas horas, nosso senso de justiça nos leva a querer sangue, exigir punição dos pecadores, hereges e canalhas. A minha pergunta é: como exatamente devemos proceder quando explode um escândalo no meio cristão?

Pastores que falharam em sua santidade, irmãos que pecaram na sexualidade, líderes que desonraram pai e mãe, cristãos famosos que disseram ou fizeram algo estranho em público, bons pregadores que passaram a pregar heresias… a lista das causas de um escândalo entre nós é interminável. No centro de todas, uma única causa: pecado. Deus é santo e não tem parte com o pecado, é certo. Mas Deus também é gracioso e sua misericórdia dura para sempre. Diante dessa realidade, eis minha sugestão sobre como devemos nos posicionar diante de um escândalo:

1. Não tenha prazer no escândalo. Quedas morais, pecados e heresias são tragédias. São desastres. Não são motivo de piada. Devemos tratá-los como o horror que representam: com lamento, choro e profunda tristeza. O pecado jamais deve se tornar motivo para tricotadas, fofocadas, “você soube da última?” ou disse-me-disse. Não faça piada com o horror. Não se deleite na tragédia. Isso é papel do Diabo.

2. Fale com Deus. Converse sobre o escândalo com as demais pessoas apenas o estritamente necessário. A pessoa com quem você deve conversar intensamente e longamente sobre o escândalo é o Senhor. O nome disso é oração. Portanto, ore a Deus, peça misericórdia sobre a vida dos envolvidos, clame por arrependimento e restauração. Ficar de tititi com as pessoas, pessoalmente ou nas redes sociais, não adianta absolutamente nada; orar adianta tudo.

3. Não conclua antes de saber de todos os fatos. Cansei de ver escândalos em que as pessoas criam mil conjecturas acerca do que houve sem saber direito as informações. “Ouviram falar” e, por causa disso, tomam comentários colhidos ao vento como verdades absolutas. Para emitir uma opinião, assumir uma postura, tomar lados, se posicionar, antes é preciso ter total conhecimento da situação. Nesse sentido, uma das virtudes do fruto do Espírito é essencial: a paciência. Espere. Não corra para emitir uma opinião. Deixe a verdade ser exposta totalmente e, só então, se posicione.

4. Olhe para os culpados com firmeza, mas com misericórdia. A ética de Cristo não é a da punição, é a da restauração. Como filhos de Deus, o desejo do nosso coração deve ser sempre ver os que erraram arrependidos e restaurados espiritualmente. Não queira mandar os hereges e os pecadores para o inferno, queria vê-los de lágrimas no pó e coração sinceramente compungido. Como embaixadores do reino daquele que veio para os doentes, devemos ser médicos da graça e não carrascos da desgraça. Uma vez que se comprove a culpa, seja movido por compaixão pela vida dos culpados, para que sejam resgatados do poço de trevas em que se enfiaram e que, se tiverem de arcar com as consequências humanas de seu pecado, que pelo menos sua alma seja salva.

5. Entenda que a disciplina dos culpados é necessária. Determinados tipos de escândalos vão gerar consequências no plano humano. Um pastor que adultera precisa ser afastado do cargo até que sua vida esteja restaurada. Um pregador que diz uma heresia precisa se retratar em público. Um líder que desonra pai e mãe tem de ser tratado fora dos púlpitos e cargos antes de continuar liderando. Uma pessoa qualquer que comete um crime deve ser punida de acordo com o que prevê o código penal, mesmo que esteja arrependida e tenha sido perdoada por Deus: há consequências no plano humano para nossos atos, e devemos enfrentá-las.

6. Olhe para as vítimas com compaixão. Esposas traídas, pessoas enganadas, ovelhas feridas… muitas pessoas ficam machucadas quando explode um escândalo. As vítimas devem ser abraçadas, devemos chorar com elas, conduzi-las a perdoar quem as machucou, amparar seu coração em frangalhos. Nunca se aproxime dos feridos para obter mais detalhes sobre o escândalo ou algo assim. O nosso papel é amar, sofrer com quem sofre e auxiliar na sua restauração física, emocional e espiritual.

7. Lembre-se dos seus próprios pecados. Jesus presenciou um escândalo. Mais do que isso: ele foi instigado a emitir um parecer sobre o escândalo. Afinal, uma mulher fora flagrada em adultério. Adúltera! Pecadora! Escandalosa! Opróbrio! Digna de apedrejamento aos olhos da Lei! Mas a resposta de Jesus aos que queriam apedrejá-la foi que cada um olhasse para si. Afinal, em maior ou menor intensidade, todos temos telhado de vidro. E isso ele nos diz, hoje: olhe para si. Quando ocorre um escândalo, devemos agir com humildade, sem nos considerarmos megassantos, pessoas acima do bem e do mal. Mais do que jogar pedras, precisamos usar o escândalo alheio para ver como nós mesmos somos frágeis e passíveis de errar. Se há algo de positivo no escândalo é o alerta que ele lança sobre nós, para que, estando de pé, não caiamos. Vigie sempre.

8. Seja parte da solução e não do problema. Que tudo o que você pensar, falar ou fizer em relação ao escândalo seja para edificação das pessoas e para a glória de Deus. Fora disso, o melhor é não fazer nada, manter-se calado e ficar quieto.

Meu irmão, minha irmã, infelizmente sempre haverá escândalos entre nós, pois vivemos debaixo do pecado. Devemos saber como falar e agir no momento que isso acontecer, sempre com amor, graça e palavras temperadas, chorando com quem chora e pacificando. Nosso papel não é chutar quem está caído. Muito menos execrar vítimas. Exerça misericórdia. Busque a justiça, sim, mas que seja em amor e não com ira, vingança, ódio, destempero. Fale e faça aos outros como gostaria que falassem e fizessem a você se a queda fosse sua. E, acima de tudo, ore a Deus. Pois ele é quem tudo sabe, quem exerce a perfeita justiça e quem governa a nossa vida como Justo juiz e Príncipe da paz. Como ordena a Palavra do Senhor: “Amados, nunca se vinguem; deixem que a ira de Deus se encarregue disso, pois assim dizem as Escrituras: ‘A vingança cabe a mim, eu lhes darei o troco, diz o Senhor’. Pelo contrário: ‘Se seu inimigo estiver com fome, dê-lhe de comer; se estiver com sede, dê-lhe de beber. Ao fazer isso, amontoará brasas vivas sobre a cabeça dele’. Não deixem que o mal os vença, mas vençam o mal praticando o bem” (Rm 12.19-21).

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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