Posts com Tag ‘agressividade’

Comprei no início deste ano um apartamento novo, a fim de trazer meus pais para morar comigo. Pelo valor que eu podia pagar, só consegui encontrar um apartamento caindo aos pedaços, que teria de passar por uma grande reforma para ser habitável. E assim foi: em janeiro começamos a obra, prevista para acabar em abril. Porém, chegamos ao último dia de outubro e a reforma ainda não terminou. E isso por uma série de razões, todas ligadas ao pecado e à falibilidade humanos. Vou lhe contar um pouco dessa saga.

Mandamos fazer uma escada com um serralheiro. Depois de mais de um mês esperando a dita cuja ficar pronta, o que aquele profissional aprontou foi algo que seria melhor definido como um “troço”. Tivemos de desfazer o negócio e arcar com um grande prejuízo. Depois, o profissional que contratamos para laquear e pintar as portas fez um serviço sofrível e danificou paredes, chão e outras partes do apartamento. Mais tempo perdido. Mais dinheiro jogado fora. E por aí foi: tivemos pintores desqualificados, marceneiros que não cumpriram o que prometeram… e muito mais. O resumo da ópera é que tivemos de lidar com uns profissionais que não cumpriram o que prometeram, outros que maldosamente tomaram atitudes que nos prejudicaram e outros, ainda, que muitas vezes fizeram da reforma algo mais estressante do que feliz. Ainda assim, a reforma era indispensável, apesar de pessoas afetadas pelo pecado terem participado do processo.

Hoje celebramos 500 anos da Reforma Protestante, movimento deflagrado em 1517 pelo monge agostiniano Martinho Lutero, que tinha por objetivo reformar a Igreja Católica Apostólica Romana, instituição que ao longo dos séculos saiu dos trilhos e se distanciou dos princípios da Igreja apostólica. Lutero, junto com outros pensadores, tais como Calvino e Zuínglio, promoveram um trabalho de resgate dos princípios do evangelho de Jesus, com retorno à centralidade de Cristo, ao conceito da salvação somente pela graça e mediante a fé, ao entendimento de que a Escritura é a única e suficiente regra de fé e prática do cristianismo, e à compreensão de que a glória deve ser dada somente a Deus.

Esse movimento não purificou a Igreja Católica, pois seus líderes não o aceitaram, mas levou o papa Leão X a excomungar Lutero. Em outras palavras, Lutero foi expulso. Com isso, surgiu a Igreja reformada, da qual é herdeira hoje uma série de denominações cristãs, que se chamam de “reformadas”, “protestantes” ou “evangélicas” (há divergências sobre o significado exato de cada um desses termos, que não vêm ao caso para os propósitos deste texto). Claro que estou simplificando enormemente o que aconteceu, mas, em resumo, foi isso.

Nos últimos 500 anos, no entanto, muitos homens e mulheres que fazem parte desse ramo da Igreja agiram do mesmo modo que os pintores, pedreiros, laqueadores e serralheiros que participaram da reforma de meu apartamento e mais estragaram e atrapalharam do que ajudaram. A ignorância, a maldade ou a falibilidade humana levaram ao surgimento de crenças e práticas erradas, como teologia da prosperidade, confissão positiva, autoajuda gospel, aceitação da agressividade como forma de posicionamento supostamente cristão, bizarrices neopentecostais, doutrinas antibíblicas de batalha espiritual, canonização de usos e costumes, e outras práticas e teologias equivocadas.

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Sob a influência de tais maus descendentes da Reforma, muitos membros dessa igreja oriunda das ações dos reformadores passaram a acreditar em uma espécie de “evangelho” esquisito, como tipos de “cristianismo” que põem o homem no centro, que hipervalorizam o dinheiro, que estabelecem o sucesso pessoal como a medida de bênção de Deus, que fazem parecer que é possível ser grosseiro e cristão ao mesmo tempo e por aí vai.

Assim como o serralheiro que atrapalhou minha reforma, há quem desuna a Igreja de Cristo considerando que só sua denominação é a certa. Assim como os pintores que fizeram trabalhos mal feitos, há quem ensine evangelhos só de bênção e não de arrependimento e contrição. Assim como os pedreiros que deixaram a desejar, há quem creia que o Deus glorificado na Reforma aprova uma apologética bruta e agressiva. Assim como os profissionais que nos decepcionaram em diversos momentos no processo de reforma do apartamento, há aqueles que trazem “segundas revelações” apócrifas ao evangelho resgatado pela Reforma. E assim por diante.

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Louvo a Deus pois, hoje, a Igreja de Cristo prossegue adiante, pregando a mensagem da cruz, investindo em missões, discipulando, divulgando as doutrinas da graça, incentivando a santidade, denunciando o pecado, edificando a noiva de Cristo, glorificando a Deus. Porém, passados 500 anos da Reforma, devemos continuar como Igreja que se reforma continuamente. A começar por nós mesmos, pessoas. Pois de nada adianta reformar ideias e instituições e deixar indivíduos como estão. Alguns dos maus profissionais que prejudicaram minha reforma não reconheceram seus erros. Não podemos fazer o mesmo. O melhor meio de você contribuir com a reforma da Igreja de nossos dias é fazendo um mea culpa, reconhecendo seus erros, mudando seu modo de agir, voltando às boas práticas.

Você acha que seguir reformando a Igreja é apenas combater o erro dos outros? Não é. O que de melhor você pode fazer pela Igreja é parar de olhar para o lado e consertar os seus erros; arrepender-se das suas falhas; confessar os seus pecados; e abandonar a arrogância doutrinária, a agressividade apologética, a soberba denominacional, a vaidade teológica, o sectarismo espiritual. Mude-se. É um bom começo. Às vezes, as suas intenções são ótimas, mas a sua pintura está péssima, a escada que você está construindo está torta, o cano que você instalou está vazando. O que você precisa fazer? Antes de querer reformar algo, sua urgência maior é reformar a si mesmo.

Como eu posso defender isso? Com base na minha própria experiência de reforma de mim mesmo. Na época em que eu dedicava meu tempo, minhas energias e minha saliva para ficar metendo o malho nos outros em vez de promover as belas virtudes do evangelho, praticamente não consegui promover mudança alguma em ninguém. Só gerei ódio. Eu era só um brigalhão esbravejando pela Internet. Mas, no dia em que decidi mudar a mim mesmo, procurando aproximar-me mais do caráter e do temperamento do manso Cordeiro, vi e colhi muitos frutos, que ecoaram na vida de muitas pessoas. E isso tendo por base bíblica passagens como: “Não imitem o comportamento e os costumes deste mundo, mas deixem que Deus os transforme por meio de uma mudança em seu modo de pensar, a fim de que experimentem a boa, agradável e perfeita vontade de Deus para vocês” (Rm 12.2, NVT), “E não pequem ao permitir que a ira os controle. Acalmem a ira antes que o sol se ponha, pois ela cria oportunidades para o diabo” (Ef 4.26-27, NVT), “Da mesma forma, suas boas obras devem brilhar, para que todos as vejam e louvem seu Pai, que está no céu” (Mt 5.16, NVT), “Se amarem apenas aqueles que os amam, que recompensa receberão? Até os cobradores de impostos fazem o mesmo. Se cumprimentarem apenas seus amigos, que estarão fazendo de mais? Até os gentios fazem isso” (Mt 5.46-47, NVT), e “Eu, porém, lhes digo que basta irar-se contra alguém para estar sujeito a julgamento. Quem xingar alguém de estúpido, corre o risco de ser levado ao tribunal. Quem chamar alguém de louco, corre o risco de ir para o inferno de fogo” (Mt 5.22, NVT).

Parabéns a todos os filhos da Reforma Protestante: presbiterianos, batistas, metodistas, pentecostais, continuístas, cessacionistas, calvinistas, arminianos, credobatistas, pedobatistas… enfim, todos os meus irmãos e irmãs em Cristo que, por mais que cometam um ou outro erro teológico, continuam acreditando em cada tópico do Credo Apostólico. Embora derrapem em um ou outro equívoco teológico, ainda assim são meus irmãos. Que mais nos unamos pelo que temos de igual do que nos distanciemos pelo que nos diferencia. Nosso Deus é o mesmo, o de Abraão, Isaque e Jacó. Nossa cruz é a mesma, a do Calvário. Nossos pecados nos igualam. Nossa esperança é o mesmo céu. Jesus é o mesmo Jesus em todas as igrejas que não negociaram o evangelho, apesar de suas diferenças.

Não me venha falar da reforma do meu apartamento, por favor, pois ela tem me estressado e, sinceramente, às vezes acho que seria melhor que ela não tivesse acontecido. Mas falemos todos os dias sobre a reforma da Igreja, que começa pela reforma de nós mesmos. Pois essa, se não acontecer, nos conduzirá para longe dos ideais resgatados pela Reforma Protestante: os ideais do evangelho de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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Minha filha de 6 anos tem um coração admirável. Ela é bondosa, amável, generosa, carinhosa e gentil. Gosta de dar presentes para as amigas e professoras, tem prazer em servir o papai (fazendo café, massagem e outros mimos), procura pacificar quando coleguinhas criam confusões na escola, não revida quando um amiguinho a machuca, esse tipo de coisa. Sou muito grato a Deus por ter-me dado uma filha com características que admiro tanto num ser humano e que me fazem suspeitar que ela tem a semente do Espírito Santo no coração. Mas há um momento da vida de minha filha em que não me sinto feliz com ela e fico profundamente incomodado com seu procedimento: os minutos seguintes a ela chegar da escola.

Minha bebê retorna do colégio de condução escolar, por isso vem junto com crianças de todas as idades, a maioria mais velha. E esse contato tem sido bastante prejudicial, pois ela aprende montes de coisas erradas, ouve e repete funks hediondos, aprende comportamentos mundanos, escuta e repete todo tipo de palavrões, vê e imita formas de falar desagradáveis e reprováveis. Com certa frequência, logo que chega em casa, no embalo da bagunça e do ambiente nada cristão do ônibus, ela entra porta adentro repetindo o que ouve e vê das demais crianças na condução. Sei que ela não se dá conta com total clareza de quão reprovável é tudo isso, então, geralmente, eu nessas horas preciso sentá-la, conversar com ela, orientar, explicar por que aquilo tudo é errado e chamá-la de volta ao seu modo habitual de ser. E ela escuta. Se dá conta do erro. E obedece. Em poucos minutos, a filhota volta a ser a criança de coração admirável que me faz sorrir. Com frequência, porém, após um ou dois dias ela volta a ser influenciada pelo meio que a cerca e novamente fala ou age de um jeito reprovável. E, novamente, tenho de pará-la, lembrá-la de que aquilo é errado e esperar que ela caia em si e volte a agir de modo que me faça orgulhoso e me deixe feliz. 

Um pai sempre quer que seus filhos ajam da maneira que ele considera correta. Se você é pai ou mãe sabe do que estou falando. Por essa razão, meu coração transborda quando minha bebê age com amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio. Fico exultante quando ela fala com gentileza, quando me relata que o amiguinho a mordeu mas ela conversou com ele e o perdoou, quando age como mediadora de colegas para acabar com brigas e levá-los a fazer as pazes. Nessas horas, fico orgulhoso e sinto um júbilo especial, uma sensação difícil de descrever. Por outro lado, quando a vejo imitar comportamentos que não estão de acordo com o que acho correto, fico triste, incomodado e sou impulsionado a fazer algo para que a filhota perceba que aquilo que está fazendo não é bom e não reflete quem ela é. 

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Se você acompanha há algum tempo o APENAS, sabe da minha cruzada pessoal para alertar meus irmãos e minhas irmãs em Cristo de que um cristão que se diz nascido de novo obrigatoriamente tem de manifestar as virtudes do fruto do Espírito. Não vejo base bíblica alguma que justifique alguém que se diz salvo ser destemperado, agressivo, bruto na forma de falar, se posicionar e discordar. Em minha visão bíblica, cristãos professos que se comportam dessa forma ou não nasceram de novo ou se deixaram enganar pelos “colegas do ônibus escolar”. Acreditam que podem ser cristãos e ao mesmo tempo arrogantes, debochados, maldizentes, depreciadores, semeadores de discórdia entre irmãos em Cristo, agitadores ou ofensivos. Isso é tão coerente quanto dizer que o fogo pode ser molhado. São conceitos imiscíveis, incompatíveis. 

Como pai, detesto quando minha filha fala de jeito reprovável ou age de modo que entristeça meu coração. Por essa razão, consigo sentir um lampejo do que Deus sente ao ver aqueles que se dizem seus filhos agirem como multidões têm agido, com destempero, descontrole, deboche, espírito faccioso e montes de outras obras da carne.

Você pode estar pensando: “Lá vem o Zágari de novo falar sobre esse assunto”. Desculpe, meu irmão, minha irmã, mas não consigo não falar. Pois, do mesmo modo que eu, por amor, jamais cessaria de apontar à minha filha os erros em sua forma de falar e agir até que ela se corrigisse, não consigo ficar inerte ao ver membros do mesmo Corpo que eu agindo e falando como mundanos e dar as costas a isso, fingindo que está tudo certo. Pois amo Deus demais para ver tantas atitudes que entristecem o coração divino e deixar por isso mesmo. Não dá. Não tenho como. Não consigo. Quero ver Deus sorrindo ao olhar para aqueles que se dizem seus filhos, e não entristecido pela forma desviada como muitos têm se comportado “em nome de Jesus”. 

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Assisti recentemente a um vídeo no YouTube em que dois manos conversam sobre islamismo. O vídeo foi ótimo. O meu erro foi decidir ler os comentários. Fiquei horrorizado com a forma como vi diversos cristãos discordando do que foi dito no vídeo. Quanta deselegância. Quanto mundanismo. Quanta ofensa gratuita. Meu intelecto limitado não consegue  compreender o que leva alguém que diz seguir os ensinamentos do Príncipe da Paz e do Manso Cordeiro a se comportar como o pior dos mundanos na hora de se posicionar, expor suas crenças e discordar de outras pessoas. Raiva, desdém e rancor no conteúdo. Palavras torpes, sentimento faccioso e descontrole na forma. Em suma: um jeito totalmente anticristão de ser. 

Meu irmão, minha irmã, pode ser que a ênfase da sua vida espiritual esteja em coisas como tentar transformar arminianos em calvinistas, pré-milenistas em amilenistas ou cessacionistas em pentecostais, não sei. Vejo muitos que fazem desse tipo de coisa a bandeira de sua missão. Eu respeito essa escolha, embora não a veja como prioritária. A minha missão é tentar mostrar que o amor com que Deus quer que nos amemos é indispensável para quem se diz cristão. Em tudo. Até mesmo na divergência de ideias.

Amar é o mandamento maior. E uma gigantesca parte da Igreja está ocupada demais para amar; ocupada atacando irmãos em Cristo que pensam de forma diferente, discutindo o sexo dos anjos, coando mosquitos e engolindo camelos, irando-se e se engajando em discussões áridas e infrutíferas. Amar pressupõe instruir e não desqualificar. Amar pressupõe ensinar com carinho e não fuzilar. Amar pressupõe ouvir o discordante com paciência e mansidão e não com cabeças balançando e olhares revirados. Amar pressupõe ver o bem do próximo e não tentar mostrar que o próximo é um burro que não entende nada daquilo sobre o que você acha que sabe tudo. Amar é algo muito mais elevado do que aquilo que muitos aprenderam no ônibus escolar e replicam achando que está tudo bem.

Eu sou um chato, eu sei. Vivo repetindo essa chatice que é a necessidade prioritária e urgente de amar. Tudo bem, já entendi que, para muitos, amor não é um tema tão empolgante como debates acadêmicos sobre o sexo dos anjos. Amar está muito fora de moda na era das redes sociais, na qual todo mundo se acha o ensinador dos não iluminados e que, em nome da defesa da sã doutrina que manda amar até mesmo os inimigos, é justificável agir com total desamor. Amor se tornou um assunto brega em muitos círculos teológicos. O negócio é discutir em congressos o que seria a igreja relevante (quando a Bíblia já diz há séculos que a igreja relevante é a que ama), debater em programas de TV doutrinas soteriológicas (quando não adianta nada ser calvinista ou arminiano se você não ama quem crê na doutrina em que você não crê), ridicularizar quem crê de maneira divergente quanto aos dons (quando Paulo deixa claro que o dom supremo é o amor).  E por aí vai. 

Não, meu irmão, minha irmã, amor não é assunto para revistas femininas adolescentes e para poesias infantiloides. Amor é a coluna vertebral do evangelho de Jesus Cristo. É pelo amor que somos identificados como discípulos do Nazareno. Mas, infelizmente, como muitos não amam, devotam a vida a assuntos menos importantes da fé, defendendo sua visão com total desamor. E isso não é cristianismo. 

A vida no útero materno não é um fim em si mesma, nós passamos nove meses na barriga de nossa mamãe em preparação para viver décadas do lado de fora, sendo formados, construídos. Do mesmo modo, esta vida terrena é uma preparação para a eternidade: vivemos poucas décadas aqui sendo forjados, moldados, lapidados a fim de viver bilhões de anos futuros na realidade vindoura. Fico pensando como seria a vida em novos céus e nova terra junto com pessoas desagradáveis, briguentas, ofensivas, intolerantes, tolas e que falam e se comportam como quem acabou de sair do ônibus escolar.

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A conclusão a que sou obrigado a chegar é que gente assim nunca viveria em novos céus e nova terra. Não foram transformadas. Dizem amar Cristo mas se comportam e falam como anticristos. Mas consigo imaginar com extrema facilidade aqueles que, por terem sido verdadeiramente transformados pela graça salvadora da cruz, devotaram suas décadas sobre a terra a viver de modo amoroso, amável, bondoso, caridoso, gentil, pacificador e manso circulando pelas ruas da cidade futura, onde Deus brilhará com sua luz de puro amor.   

Meu irmão, minha irmã, se Deus o chamou por sua graça, mas você percebe que ainda é uma pessoa bruta, ou sarcástica, ou iracunda, ou ofensiva, ou que gosta de ver o circo pegando fogo, ou que destrincha o Corpo de Cristo e semeia desunião e discórdias, ou que fala de modo agressivo, ou que é altiva, ou que devota seus dias a só ficar apontando o erro alheio mas arrogantemente não aceita reconhecer os próprios erros… eu só poderia lhe dizer uma coisa, por amor: arrependa-se.

Arrependa-se desses pecados e abra-se para o labor do Espírito Santo em sua vida. Abandone essas práticas carnais e mundanas, que não estarão presentes em novos céus e nova terra, e devote-se a ser aquilo que Deus espera ver naqueles que tomará para si na eternidade. Por favor, arrependa-se, enquanto ainda é tempo. E passe a amar com verdadeiro amor cristão, aquele que você não encontra nas poesias de Vinicius de Moraes e Renato Russo, mas vê, com total clareza, transbordar de cada página das Sagradas Escrituras.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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oscar-1Foi vergonhoso. Na cerimônia deste ano de entrega do Oscar, o prêmio máximo do cinema americano, a maior gafe possível aconteceu: na hora de anunciar o vencedor na categoria “Melhor filme”, a organização trocou os envelopes. Resultado: foi anunciado como vencedor o longa-metragem La la land. Equipe e elenco subiram ao palco. Beijos e abraços. Comemorações. Os produtores seguraram a estatueta e fizeram discursos de agradecimento. Foi quando, para surpresa geral, entraram algumas pessoas da organização no palco para corrigir o anúncio: o vencedor na realidade era outro filme, Moonlight. O envelope errado havia sido entregue ao ator que apresentava o prêmio. Que vergonha. Surge a pergunta: como pode os organizadores de um evento tão bem ensaiado e preparado como a cerimônia de entrega do Oscar cometerem um erro tão elementar como esse? A Bíblia responde. 

A resposta do evangelho é: o ser humano falha. Erra. A perfeição não existe entre nós, por mais que nos esforcemos. Esforço humano nenhum nos livra de nossa natureza falível. Ninguém é digno de abrir os selos. Todos pecamos e destituídos fomos da glória de Deus. Todos nascemos miseravelmente pecadores, inclinados ao erro, desejosos de transgredir a vontade divina. Precisamos desesperadamente da graça do Criador, que nos justifica aos olhos do Todo-poderoso. Não fosse ela, carregaríamos um peso tão grande de culpa nas costas, por conta de nossos muitos e frequentes erros, que jamais poderíamos herdar a vida eterna. 

Eu entrego envelopes errados todos os dias, muitas vezes por dia. Por mais que me organize e me esforce para entregar os envelopes certos, no frigir dos ovos entrego os errados. Por minha causa, muita gente tem de devolver as estatuetas e abafar os discursos de agradecimento. Sou culpado disso, pois sou tão falível quanto os organizadores do Oscar. E você também é. 

O pecado é essa força, ao mesmo tempo humana e desumana, que me distancia da capacidade de acertar sempre. Felizes são aqueles que percebem tão terrível realidade e, por essa razão, correm aos pés do único que nunca errou, sedentos por sua graça. Precisamos da misericórdia daquele que é capaz de nos perdoar quando erramos. É possível que o funcionário responsável por entregar o envelope certo ao apresentador do Oscar tenha sido demitido depois de cometer tão grande gafe, não sei. Mas sei com certeza que Deus nunca demite os que erram, desde que se arrependam, reconheçam sua natureza destituída de méritos e recorram ao perdoador, abraçando-o como Salvador e aquele que “perdoa todas as tuas iniquidades” (Sl 103.3). 

Many identical businessmen clones. Businessman production conceptMeu irmão, minha irmã, essa é a razão pela qual devemos corrigir com mansidão e misericórdia os que erram, no intuito de restaurá-los. Não devemos ser tão furiosos e arrogantes em nosso trato com os que transgressores, pois  transgredimos tanto quanto eles; a diferença é só o tipo de transgressão. Devemos estender aos que erram a mesma graça que Deus nos estende quando erramos, pois nosso objetivo não é detoná-los, mas restaurá-los, mediante o arrependimento e o perdão. Seja menos implacável. Seja menos condenador. Seja mais compassivo. Seja mais restaurador. Até porque o único em condições de condenar quem erra não somos eu ou você, é aquele que foi condenado, injustamente, pelos nossos erros. Felizmente, ele subiu à cruz em nosso lugar e pagou o preço que competia a mim e a você pagar, nos permitindo, apesar de nós, ter acesso à glória eterna do Deus que está acima de todo e qualquer erro. 

O erro do Oscar me faz ver a necessidade de priorizarmos o que de fato é prioritário. Menos condenação, mais restauração. Menos agressividade, mais paz. Menos farisaísmo, mais mea culpa. Menos palavras duras, mais palavras mansas e temperadas. Menos carne, mais espírito. Menos ego, mais Cristo.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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va-carpir-um-lote-1O que está acontecendo com os cristãos? Quando é que muitos de nós nos tornamos tão insensíveis ao que é pacífico, gentil, amoroso, misericordioso e bom? Não é segredo a você, que me acompanha pelo APENAS, quanto tenho me posicionado contra a ideia antibíblica de que podemos ser cristãos e, ao mesmo tempo, pessoas brutas, agressivas, amantes de palavras ríspidas e iradas, achando que Deus aprecia esse tipo de postura. Às vezes, penso que tenho investido em uma causa perdida, pois, cada dia mais, vejo cristãos enfurecidos em sua forma de falar proliferarem de forma assustadora. Sábado passado, confesso, meu dia ficou mais cinzento quando li algo que me incomodou profundamente e me lançou em uma profunda reflexão sobre o perfil de enorme parcela dos cristãos de nossos dias.

Explico: ao dar uma espiada no Facebook, li uma postagem do diretor de um importante seminário teológico, na qual ele se posiciona contra uma afirmação feita por um dos preletores de certo congresso teológico. Até aí, nenhum problema, discordância de ideias é saudável e o diálogo que elas promovem contribui para o nosso crescimento. O que me deixou abismado foi ler um dos comentários a essa postagem. O irmão – pasme – simplesmente escreveu para o diretor do seminário: “Ah, vá carpir um lote, Fulano!”. Petrificado por esse nível de argumentação e mundanismo na maneira de discordar, fui olhar quem era essa pessoa em seu perfil pessoal. Para meu horror, descobri que ele trabalha na Primeira Igreja Batista de uma capital brasileira (talvez seja um dos pastores, não ficou claro) e é estudante de teologia de um conhecido seminário. 

Que loucura. É isso que líderes têm ensinado aos seus liderados? É essa a forma de discordar de ideias que muitos dos pastores e membros do rebanho de Jesus Cristo têm ensinado às ovelhas do Senhor? “Ah, vá carpir um lote!”? É esse nível de brutalidade e desrespeito que muitas lideranças têm demonstrado? Será que não se percebe quão distante de Cristo é essa postura e a lama que isso lança na imagem do evangelho? Será possível que não se perceba que, em grande parte, é exatamente esse tipo de postura que faz com que a sociedade não cristã nos enxergue como um grupo de pessoas intolerantes, desagradáveis e repulsivas? Pois, se eu fosse um descrente e lesse um cristão mandar um diretor de seminário “carpir um lote”, é exatamente o que eu pensaria. Você não? Ou ficaria encantado com a pureza dessa postura? Amaria abraçar a fé de quem age dessa maneira? 

Parte da Igreja tem ensinado que devemos combater os que se opõem à sã doutrina bíblica dessa maneira horrorosa. As palavras desse jovem não são um caso isolado, são reflexo do comportamento de um grande grupo de cristãos mal discipulados e malcriados, que cresce a cada dia e torna-se mais e mais visível – em especial pela Internet. Quantos cristãos estão se tornando seres humanos desagradáveis por seguir esses deprimentes formadores de opinião que dão um péssimo exemplo de conduta!

va-carpir-um-lote-2Meu irmão, minha irmã, você quer combater as heresias? Quer exortar quem está errado? Quer ser um instrumento de Deus para disseminar o evangelho verdadeiro? Quer ajudar a fazer “voltar ao evangelho” quem dele se desviou? Então, em nome de Deus, não siga aqueles que tratam de quem discordam com a delicadeza de um jihadista. Não são bons exemplos. São péssimos exemplos. Você quer saber verdadeiramente como deve agir no trato com quem acha que está errado? Então leia e assista não ao que pessoas amargas e arrogantes publicam por aí, mas o que as Escrituras Sagradas de Deus dizem:

“Ora, é necessário que o servo do Senhor não viva a contender, e sim deve ser brando para com todos, apto para instruir, paciente, disciplinando com mansidão os que se opõem, na expectativa de que Deus lhes conceda não só o arrependimento para conhecerem plenamente a verdade, mas também o retorno à sensatez, livrando-se eles dos laços do diabo, tendo sido feitos cativos por ele para cumprirem a sua vontade” (2Tm 2.24-26).

Leu o texto com muita atenção? Se não, por favor, volte e releia com extrema atenção tudo o que é dito. Essa passagem nos oferece a regra de ouro bíblica para combater as heresias, discordar de quem você acha que está errado, corrigir quem crê estar agindo ou falando de modo equivocado na fé. Sendo assim, atente exatamente para o que Paulo, inspirado pelo Espírito Santo, diz:

  1. O servo do Senhor não deve viver contendendo. “Contender” significa “dirigir provocações”, “competir”, “disputar a primazia”, “atacar”. A meu ver, escrever “Ah, vá carpir um lote!” numa divergência de ideias é, precisamente, o que contender significa. Portanto, é uma postura antibíblica e anticristã.
  2. O servo do Senhor deve ser brando, isto é, “aquele que se caracteriza pela docilidade; afável”. “Ah, vá carpir um lote!” soa a você como brandura?
  3. Com quem o servo do Senhor deve ser brando? Com quem concorda com ele? Com quem compartilha da mesma opinião? Não: “Todos”, diz a Escritura. Todos! Os que discordam, os que estão errados, os descrentes, os odiosos. Todos. Fora disso, é antibíblico e anticristão.
  4. O servo do Senhor deve ser paciente. Paciência é fruto do Espírito. Cada um de nós deve ser “pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar. Porque a ira do homem não produz a justiça de Deus” (Tg 1.19-20). E isso só é possível a quem é paciente – e não impulsivo – em suas reações. 
  5. O servo do Senhor deve disciplinar os que se opõem? Sim. Mas com agressividade? Não! Como o Espírito Santo nos diz que devemos corrigir quem se opõe? “Com mansidão”. Mansidão! Mansidão, meu irmão, minha irmã, uma das virtudes do fruto do Espírito que mais têm sido ignoradas pelos servos de Deus de nossos dias. “Vá carpir um lote!” soa como mansidão? Não. Portanto, é uma afirmação antibíblica e anticristã.
  6. Quem concede o arrependimento a quem está errado? “Deus”. Não eu. Não você. Não os nossos argumentos. Não a nossa ira. Não a agressividade na forma de falar. DeusDepende da ação do Senhor e, portanto, não é o uso de ofensas que nos levará a convencer qualquer pessoa.  Não é por força, não é por violência. 

va-carpir-um-lote-3Parece que muitos de nós, cristãos, nos esquecemos dessa regra de ouro. Queremos é ser “profetas” que bradam contra o erro  com fúria e furor. E, ao fazer isso, mandamos a instrução de Deus às favas. Ou 2Timóteo 2.24-26 não está na Bíblia? Perceba: ao dar as costas aos mandamentos do Senhor que listei acima, o que você está fazendo é preferir o que você quer do que o que Deus quer. Ou preferir fazer o que aprendeu com péssimos exemplos de líderes, blogueiros, vlogueiros, youtubers ou simplesmente irmãos em Cristo arrogantes e agressivos que contaminam as redes sociais, a televisão, a rádio, os corredores de muitas igrejas.

Em outras palavras, se dá mais ouvidos a essas pessoas equivocadas do que ao Senhor, você está dizendo: “Ah, vá carpir um lote, Deus!”. 

E não custa lembrar de que, entre outras coisas,  o servo do Senhor que está em cargos de liderança deve ser, segundo o Espírito de Deus: “temperante”, “sóbrio”, “não violento”, “cordato”, “inimigo de contendas” (1Tm 3.2-3); “não arrogante”, “não irascível”, “nem violento”, “amigo do bem”, “piedoso”, “que tenha domínio de si” (Tt 1.7-9). Meu irmão, minha irmã, responda sinceramente: em sua opinião, “Ah, vá carpir um lote!” é o posicionamento de alguém que tem essas características, indispensáveis a um líder cristão? Que tipo de pregação uma pessoa como essa fará no púlpito? Que conselhos dará às ovelhas que o Senhor lhe confiou? Que posturas ela disseminará em seus textos, vídeos e áudios? 

va-carpir-um-lote-4Meu irmão, minha irmã, quem você segue? Quem são seus modelos? Que pessoas são o seu exemplo? A postura de quem você imita? Em geral, você se comportará como aqueles que admira. Por amor à Igreja e ao evangelho, eu suplico: não siga pessoas que, numa divergência sobre assuntos da fé, mande o outro carpir um lote – ou qualquer outra coisa nesse mesmo nível de agressividade.  Não siga agressivos. Não imite brutos, que vivem uma brutalidade “em nome de Jesus” ou “em defesa da sã doutrina”. Não os admire, pois não são admiráveis. Se possível, não lhes dê ouvidos. Se os segue nas redes sociais, deixe de seguir. Pregue contra o que eles fazem – com mansidão, brandura e temperança -, na esperança de que Deus lhes conceda arrependimento. São poluição e contaminam as suas boas intenções. 

Busque o que é bom e do bem. Ouça quem prega a paz. Admire os mansos e humildes. Divulgue apenas quem age conforme 2Timóteo 2.24-26. Seja discípulo de pessoas misericordiosas, amorosas e compassivas. Aqueles que vivem e pregam um evangelho agressivo “em nome de Jesus” se perderam no meio do caminho e são guias cegos. Repito: não os siga! Não os admire! Não os imite! E isso, não importa se são famosos ou têm um milhão de seguidores. Pois, em termos de fidelidade às Escrituras, isso não quer dizer absolutamente nada. 

Seja dos que amam o evangelho da graça e não o da espada. Porque esse simplesmente não é o evangelho de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. É um evangelho apócrifo e, portanto, diabólico. E, se você abraçar o evangelho da espada, o que na verdade estará fazendo é mandando Deus carpir um lote. 

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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