Arquivo da categoria ‘Amor’

Ouvimos falar diariamente sobre diferentes “tipos” de igreja: igreja relevante, igreja reformada, igreja integral, igreja isso, igreja aquilo. Mas existe também outro “tipo” de igreja: a igreja ranheta. Quando eu era criança, ouvia minha avó falar muito essa palavra, “ranheta”: “Fulano é muito ranheta”, ela dizia. Se você não conhece o termo, preciso explicar que “ranheta” significa “rabugento”, “mal-humorado”. Sabe aquela pessoa que está sempre reclamando da vida, falando mal dos outros, criticando o tempo quando chove ou quando faz sol, constantemente com aquela nuvenzinha preta em cima da cabeça? Pois é, esse cidadão é o ranheta. Existe um tipo de cristão que é assim também. 

O cristão ranheta parece que não enxerga as coisas boas da Igreja. Ele só abre a boca para falar mal de algo. Fala mal dos pastores, fala mal do culto, fala mal das músicas, fala mal de livros, fala mal de pensamentos, fala mal de quem fala mal, fala mal de qualquer coisa que alimente sua sanha de ranhetice. Por sua natureza, o negócio dele é falar mal, só o que ele precisa é escolher a vítima do momento. Ele é um caçador de assuntos nos quais meter o malho. 

O cristão ranheta geralmente diz que é assim porque é profeta e está denunciando o pecado, porque é apologeta e está defendendo a sã doutrina, porque descobriu a verdade e precisa iluminar o entendimento dos ignorantes, algo assim. Na verdade, ele é assim porque é um ranheta incorrigível. Por natureza, é extremamente difícil para ele olhar a beleza da vida, as flores do campo, a poesia da Escritura, a riqueza da Igreja, o entardecer, o amor de Deus. Ele só enxerga as desgraças da vida, os espinhos do campo, o cajado das Escrituras, os erros da igreja, a ira de Deus. 

O cristão ranheta é um chato. Suas postagens na internet são sempre atacando alguém, se posicionando como o paladino da santidade, tecendo críticas mordazes a qualquer troço. Quando abre a boca para elogiar algo ou alguém geralmente é para valorizar algo que outro ranheta falou e que embasa o que ele ataca. O cristão ranheta em geral forma um séquito de seguidores, que enxergam nele um ícone a ser imitado e valorizado. Na verdade, ele é apenas um ranheta arrastando atras de si um bando de outros ranhetas que não agem em prol do reino, mas fazem o reino parecer o império da ranhetice.  

É importante frisar que existe uma diferença entre o ranheta e alguém que faz justas críticas, que tem dias maus ou posicionamentos pontuais sobre algo que está errado. Isso é natural, humano e todos fazemos isso. Mas o ranheta é um rabugento na essência. Não é alguém que está num dia ruim ou que se enfureceu com algo errado no momento. O ranheta é um irritadiço contumaz, que não conhece outro modo de ser. Por isso, quando se converteu, buscou no cristianismo alguma boa desculpa que lhe permitisse continuar sendo ranheta debaixo de alguma maquiagem “cristã”. 

Sim, o ranheta precisa urgentemente ser transformado por Cristo. Precisa ter seus olhos abertos para as coisas boas, para o que é belo e bom. Precisa passar pela renovação da mente. Ele ainda é um néscio quanto ao entendimento do amor, da gentileza, da compaixão, da tolerância, da beleza da diversidade, do trato manso com quem pensa diferente dele. E, quando se fala sobre essas coisas, ele vem logo falando de “cristianismo água com açúcar” ou algo assim. Para ele, falar de amor e seus desdobramentos é coisa de “mulherzinha” ou de “poetinha”, o negócio é baixar o cajado e denunciar os miseráveis pecadores! Muitos cristãos ranhetas são cristãos há décadas, mas ainda permanecem mundanos nesse aspecto de sua vida.  

Existem ranhetas em todos os ramos do cristianismo. Há o ranheta pentecostal e o cessacionista, o ranheta calvinista e o arminiano, o ranheta desigrejado e o igrejeiro, o ranheta intelectual e o ignorante, o ranheta teólogo e o que acha que teologia é “letra que mata”, o ranheta santarrão e o que usa a graça como desculpa para o pecado, o ranheta que batiza crianças e o credobatista, o ranheta emergente e o de toga, o ranheta pastor e o membro… o ranheta não se prende a rótulos. Onde ele estiver, vai achar “boas desculpas” para exercer sua ranhetice de pessoa não transformada para tornar o mundo um lugar mais feio e para dar a entender que o evangelho é o universo da ranhetice. Nada mais distante da verdade.

Meu irmão, minha irmã, paro por aqui, pois este meu texto já está começando a ficar ranheta demais para o meu gosto. Deixo apenas uma reflexão, para que você reflita no seu íntimo: será que você não tem sido um cristão ranheta? Será que você não precisa levar à cruz esse seu modo desagradável de ser e de falar, para que possa tornar-se, finalmente, um cristão mais conformado à natureza do Cristo que é alegria, amor, paciência, paz, bondade, amabilidade, mansidão, autocontrole? Será que não está na hora de ver o lado bom das coisas, só um pouquinho, para variar? De ver o mundo mais colorido e menos cinzento, por compreender que há muita desgraça, sim, mas também muitas coisas boas a celebrar? Porque, afinal, ser um cristão ranheta não faz de você alguém mais santo, crente, elevado, intelectual, sábio, justo, transformado, renovado, avivado ou o que for. Ser um cristão ranheta só faz de você uma pessoa bem pouco cristã e incomodamente ranheta. 

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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Ser cristão não garante a ninguém ter um casamento perfeito. A reflexão que compartilho com você hoje é direcionada especificamente a quem enfrenta conflitos no matrimônio e a quem ainda é solteiro e gostaria de se preparar desde já para evitar crises matrimoniais no futuro. É o seu caso? Então é com você que desejo falar. Em geral, quando se procura um livro que trata do assunto, é muito comum que as orientações oferecidas pelo autor sejam muito mais da seara da autoajuda ou da psicologia do que da fé cristã. A questão é: será que a Palavra de Deus, a Bíblia, nos oferece princípios a serem seguidos por maridos e esposas a fim de superar crises no casamento ou evitá-las? A resposta é sim.

Um erro frequente que cometemos quando buscamos orientação bíblica para crises na vida a dois é que recorremos somente às passagens das Escrituras que versam especificamente e explicitamente sobre casamento. A questão é que muitos dos princípios espirituais para vencer crises matrimoniais ou para se antecipar a elas e evitá-las não se encontram nessas passagens, mas em conceitos mais profundos da fé, apresentados ao longo de todo o texto bíblico. Por isso, saber encontrá-los e identificá-los é essencial para quem deseja corrigir erros cometidos com o cônjuge ou evitar cometê-los no futuro.

É impressionante a quantidade de comentários que recebo aqui pelo APENAS de assinantes do blog que enfrentam conflitos constantes no casamento. E, depois que meu livro Perdão total foi publicado, em 2014, passei a receber muitas mensagens dos leitores com dúvidas sobre perdão e arrependimento especificamente no contexto do matrimônio. Foram tantos os questionamentos e as perguntas que me vi obrigado a ir à Palavra de Deus pesquisar respostas para esses meus irmãos e irmãs, que ou estão infelizes na vida a dois ou chegaram ao divórcio. Foi nessa pesquisa que percebi que as respostas às crises matrimoniais não necessariamente estão nas passagens bíblicas específicas sobre casamento, mas em princípios cristãos fundamentais. Depois de meses de pesquisa, o material que reuni foi tão rico que acabou gerando um livro, lançado este mês pela editora Mundo Cristão: Perdão total no casamento: Um livro para quem deseja uma união duradoura e feliz (veja AQUI).

Vou te contar uma coisa: meu casamento não é o do conto de fadas. Até porque nenhum é! O problema já começa aí: subimos ao altar achando que viveremos um casamento perfeito, sem problemas, só com momentos extraordinários, irretocáveis, de sonho. Mas, quando o dia a dia chega e percebemos que a vida a dois é tudo menos um conto de fadas, entramos em crise. Com isso, muitos passam a viver infelizes. Muitos se divorciam. Mas não precisa ser assim! Como qualquer ser humano normal, já discuti com minha esposa, já vivemos conflitos, já passamos por fases maravilhosas e outras muito ruins. Dizer o contrário seria hipocrisia. Mas um aspecto muito interessante desse processo de pesquisa na Bíblia sobre o tema é que percebi que os princípios que encontrei na Palavra de Deus são justamente aqueles que ajudaram a mim e a minha esposa a superar os momentos difíceis que vivemos e permanecer juntos, após 18 anos de casamento.

Ou seja, o que transmito no livro não são promessas irrealizáveis, fórmulas mágicas ou “sete passos (que ninguém consegue cumprir) para um casamento feliz”, mas princípios bíblicos sólidos, de carne e osso, que funcionam para pessoas de carne e osso que vivem um matrimônio de carne e osso. Como eu. Como você.

Por isso mesmo, para superar ou evitar crises no casamento é preciso abraçar princípios realistas! E, claro, bíblicos. Fora disso, o que existe é autoajuda vazia ou promessas que não se cumprem. Por essa razão, gostaria de incentivar você, que está vivendo uma crise na vida a dois, a ler o Perdão total no casamento. Ou, se você conhece alguém que esteja enfrentando dificuldades conjugais, a indicar-lhe a leitura. Ou, ainda, se você é noivo ou solteiro e deseja subir ao altar bem preparado, para evitar as crises antes mesmo que elas surjam, sugiro que procure conhecer os princípios apontados no livro. E, entenda, não é o livro em si que tem qualquer coisa de especial, mas as realidades bíblicas que ele apresenta.

Acredito verdadeiramente que a Palavra de Deus nos oferece as respostas para a felicidade no casamento. Perceba que eu não disse perfeição, mas felicidade. E foi com a intenção de apresentar a você essas respostas, de forma clara, simples, compreensível e aplicável na prática que realizei a pesquisa que deu origem ao Perdão total no casamento. Este é um livro que pode ser lido individualmente; junto com o cônjgue, o namorado ou o noivo; ou em grupos e classes de casais. Ele serve para reflexão ou para debates, a fim de promover transformação real. Minha oração é que as verdades bíblicas ali contidas tragam paz e felicidade para muitos. E, queira Deus, para você.

Sei que este post pode parecer mais a propaganda de um livro do que uma reflexão sobre a vida cristã. Mas tenho convicção de que os meus irmãos e irmãs que me procuram pelo blog pedindo orientações para seus problemas no casamento podem ser abençoados pelos princípios bíblicos apresentados no Perdão total no casamento. Por isso, eu o considero o “post” mais rico, completo e aprofundado que já escrevi sobre o tema. E, se o que compartilho aqui pelo APENAS abençoa você, acredito que o livro também abençoará a sua vida e a de todos aqueles que você conhece e precisam encontrar nas orientações divinas a paz matrimonial.

Se você está vivendo uma crise em seu casamento, saiba que é possível superá-la seguindo princípios bíblicos. Se você quer evitar futuras crises, tenha a certeza de que é capaz de fazê-lo. Se você planeja se casar e não quer entrar na vida a dois cometendo erros, acredite que pode. Pois Deus, que instituiu o matrimônio e tem todo interesse do mundo em preservar cada casal, conhece a solução bíblica para os casamentos em crise e o caminho para a felicidade conjugal. Oro a ele que o Perdão total no casamento ajude você a encontrar esse caminho e a seguir por ele junto com seu cônjuge, com um largo sorriso no rosto, todos os dias de sua vida, até que a morte os separe.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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Meu próximo livro, que será publicado daqui a poucas semanas pela editora Mundo Cristão, trata de casamento. Nele, apresento conceitos bíblicos que acredito serem fundamentais para reconstruir um matrimônio em ruínas ou para se prevenir contra atritos futuros no matrimônio. Em diversos momentos do processo de escrita dessa obra eu me questionei: embora eu creia saber o caminho que o evangelho apresenta para a felicidade matrimonial, será que eu pessoalmente tenho moral para escrever sobre esse assunto? Afinal, eu já errei tanto em meu casamento! Já briguei com minha esposa por bobagens, já falei palavras que a magoaram e tantas outras atitudes que me fizeram me arrepender profundamente depois. Por essa razão, confesso que me sentia meio incomodado. Ficava pensando: pode alguém que não é perfeito naquilo que prega pregar sobre o assunto? Será que meus erros me desqualificam para pregar contra o erro? E os seus, meu irmão, minha irmã? Vamos pensar sobre isso. 

Ao buscar a resposta na Palavra, me dei conta de que Deus chamou pessoas que pecam todos os dias, muitas vezes por dia, para pregar contra o pecado. Ele chamou o potencialmente arrogante Paulo (2Co 12.7) , o “pior dos pecadores” (1Tm 1.15), para conclamar à santidade. Também chamou Pedro, que o traiu três vezes, para anunciar a fidelidade e a bondade. Os exemplos são muitos.  Foi quando, em meio a essa reflexão, tive um entendimento fundamental: Deus chamou exclusivamente homens que pecam para pregar contra o pecado. O Senhor só convocou homens imperfeitos para pregar a perfeição. Intimou gente abatida para proclamar a alegria. Conclamou doentes a orar pelos enfermos. Constrangeu carentes a anunciar a plenitude. “O Senhor olha dos céus para toda a humanidade, para ver se alguém é sábio, se alguém busca a Deus. Todos, porém, se desviaram; todos se corromperam. Ninguém faz o bem, nem um sequer!” (Sl 14.2-3). Deus nunca chamou pessoas irretocáveis para fazer sua obra – ele só usa gente capenga. Como eu. Como você.

Não conheço um único pregador, palestrante, professor, teólogo ou escritor de livros cristãos que anuncie as verdades do evangelho e não tenha pecados, erros, falhas e fraquezas. Nenhum. Só Jesus é puro, só ele é digno (Ap 5.2-5). Nem uma única alma está isenta de indignidade. Quem nos dignifica é Cristo.

Quando essa ficha caiu, percebi que não era a minha dignidade ou a minha infalibilidade que me tornaria apto a escrever sobre as verdades bíblicas: o que tem efeito são a dignidade de Jesus e a infalibilidade da Palavra de Deus! “Não andamos por aí falando de nós mesmos, mas proclamamos que Jesus Cristo é Senhor e que nós mesmos somos servos de vocês por causa de Jesus. Pois Deus, que disse: ‘Haja luz na escuridão’, é quem brilhou em nosso coração, para que conhecêssemos a glória de Deus na face de Jesus Cristo. Agora nós mesmos somos como vasos frágeis de barro que contêm esse grande tesouro. Assim, fica evidente que esse grande poder vem de Deus, e não de nós.” (2Co 4.5-7). Sim, os meus e os seus muitos erros jamais devem nos impedir de proclamar a verdade inerrante das Escrituras.

E foi assim, com total consciência de meus erros mas da grandeza das verdades bíblicas em que acredito, que escrevi Perdão total no casamento. Espero que o livro, que é baseado totalmente nas Escrituras, abençoe vidas, contribua para a restauração de casamentos em ruínas e ajude aqueles que se preparam para subir ao altar a ingressar na vida a dois sabendo como evitar atritos e problemas matrimoniais. E quer saber? Assim que meu coração foi pacificado por entender que a verdade bíblica não depende de mim para ser verdade percebi algo maravilhoso: embora eu e minha esposa tenhamos errado tanto ao longo do casamento, foi justamente por botarmos em prática o que o livro ensina que conseguimos estar casados há 18 anos. Pois o que ali escrevi serviu e serve, antes de tudo, para mim mesmo.

Você deixou de proclamar o evangelho por se sentir indigno? Quantas vezes você deixou de pregar sobre algo, ensinar, aconselhar, evangelizar, amparar, ajudar ou edificar porque se sentia indigno de fazê-lo? Se Deus chamou você, meu irmão, minha irmã, vá em frente! Se o Senhor convocou você a fazer algo, ele garante. Se é você o escolhido, nada nem ninguém impedirá Deus de usar a sua vida em prol de seus grandes, graciosos e eternos propósitos.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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novo-1É interessante como somos fascinados pelas novidades no que se refere à fé. A pregação que nos prende e assombra é aquela que nos leva a comentar “Uau, nunca tinha pensado desse modo!” ou “É a primeira vez que enxergo por esse ângulo!”. O livro cristão que nos impressiona é o que nos faz exclamar “Que sacada genial!”. Gostamos do que parece inovador, inédito. O teólogo que estimamos é o que nos mostra como aquela passagem bíblica não era nada do que acreditávamos até então. A teologia que nos seduz é a que está “à frente do nosso tempo”. Sejamos sinceros: fé boa para muitos de nós é a que tem cheiro de novo, cujo verniz é brilhante, recém-saída da fábrica, que vem para derrubar as antigas ideias. Mas existe um grande problema nesse apreço pela redescoberta do cristianismo, como veremos a seguir.

Semana passada, eu estava triste, por uma série de razões. Meu coração estava pesado, com os pensamentos indo e vindo, um desassossego que não passava. Eu orava a Deus, pedindo paz. Foi quando minha filha chegou da escola, eu a abracei e deitamos em minha cama. Estava um dia fresco, com uma brisa gostosa, e ficamos ali, deitados, em silêncio. Olhei pela janela para o bosque que há nos fundos de meu prédio, uma paisagem que vejo o dia inteiro, pois trabalho de frente para ela. Mas, naquele momento, o flamboyant que fica pelo menos oito horas por dia diante de meus olhos chamou minha atenção. Suas flores vermelho-alaranjadas faziam um belo contraste com o verde das folhas e uma enorme quantidade de pássaros revoava ao redor da árvore. Flores. Pássaros. Essa imagem levou meus pensamentos a um trecho da Bíblia que conheço de cor, de tanto que já li e cuja verdade é tão óbvia em meu coração:

img_7694“Por isso eu lhes digo que não se preocupem com a vida diária, se terão o suficiente para comer, beber ou vestir. A vida não é mais que comida, e o corpo não é mais que roupa? Observem os pássaros. Eles não plantam nem colhem, nem guardam alimento em celeiros, pois seu Pai celestial os alimenta. Acaso vocês não são muito mais valiosos que os pássaros? Qual de vocês, por mais preocupado que esteja, pode acrescentar ao menos uma hora à sua vida? E por que se preocupar com a roupa? Observem como crescem os lírios do campo. Não trabalham nem fazem roupas e, no entanto, nem Salomão em toda a sua glória se vestiu como eles. E, se Deus veste com tamanha beleza as flores silvestres que hoje estão aqui e amanhã são lançadas ao fogo, não será muito mais generoso com vocês, gente de pequena fé? Portanto, não se preocupem, dizendo: ‘O que vamos comer? O que vamos beber? O que vamos vestir?’. Essas coisas ocupam o pensamento dos pagãos, mas seu Pai celestial já sabe do que vocês precisam. Busquem, em primeiro lugar, o reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas lhes serão dadas. Portanto, não se preocupem com o amanhã, pois o amanhã trará suas próprias inquietações. Bastam para hoje os problemas deste dia” (Mt 6.25-34, NVT).

Aquela imagem tão simples, antiga e conhecida, de pássaros e flores, me remeteu a uma verdade que foi pregada dois mil anos atrás e que continua tão atual como no dia em que Jesus a ministrou em um monte de Israel. O refrigério veio com cheiro de madeira antiga, com cor de página amarelada. Do canto de meu olho escorreu uma pequenina lágrima de gratidão a Deus, por me mostrar naquele momento que a resposta divina para a maioria de nossas questões não se encontra naquilo que revoluciona e impressiona pela inovação, mas em antigas e empoeiradas verdades. Sim, ali percebi que Deus espera de nós menos “uau!” e mais “como pude esquecer disso?”.

A mensagem do evangelho de Cristo não muda. É um tesouro que passa de geração a geração de forma irretocável. O que muda é o baú em que o tesouro é apresentado. É como uma tradução nova da Bíblia: o conteúdo é o mesmo de sempre, a escolha das palavras é diferente. O Deus é o mesmo, a capa segue estilo atual. A mensagem salva, liberta, cura e transforma há dois mil anos e continuará a fazê-lo da exata mesma maneira. O Espírito é o mesmo velho Espírito. O pecado é o mesmo velho pecado. O arrependimento é o mesmo velho arrependimento. A salvação é a mesma velha salvação. A glória eterna… bem, ela é eterna.

novo-2Meu irmão, minha irmã, no que se refere ao evangelho, devemos procurar menos novidades, menos maquiagem, menos pregações inovadoras. Procure contextualizar a mensagem, sempre, mas lembre-se de que o tutano das boas-novas de Cristo não tem em si nenhuma novidade, e por uma única razão: a verdade divina é imutável. Não valorize pregadores, pregações, teólogos, livros, canções, igrejas, modelos de evangelismo ou o que for pelo fato de ser inovador. Porque, muitas vezes, tentar inovar o que é antigo e belo é como vestir roupas de bebê em um velho senhor: não faz sentido algum e chega a beirar o ridículo. Melhor é vesti-lo com uma roupa bela, sóbria e conservadora, que preservará sua elegância e não desviará a atenção do que realmente importa.

Flores. Pássaros. O que há de novo nisso? Nada. Mas a mensagem que eu precisava ouvir naquele momento não tinha de ser inovadora: tinha de ser verdadeira. E foi: Seu Pai celestial já sabe do que você precisa; portanto, não se preocupe. Palavras pronunciadas ao vento dois mil anos atrás, que pousaram em meu coração na hora certa.

Onde dói a sua dor, meu irmão, minha irmã? Onde você tem procurado respostas? Em maquiagens com cheiro de novo ou em verdades imutáveis, eternas e com cheiro de guardado? Talvez, no mundo das inovações não caibam realidades cristãs, portanto, cuidado com buscas infrutíferas. Lembre-se de que “a palavra do Senhor permanece para sempre” (1Pe 1.25). Atenção a este verbo: permanece. Permanecer significa “continuar sendo; prosseguir existindo; conservar-se, ficar”. Portanto, a Palavra de Deus é sólida, rochosa, inabalável, que tem continuidade, que continua como antes. Não há novidades nas boas-novas de Cristo, não há inovações: ela é o que é. Muitas vezes, é justamente o ímpeto por inovar que acaba gerando heresias, desvios, tristeza, superficialidade, orgulho, arrogância, vaidade, distanciamento do evangelho.

novo-3Fica a recomendação de alguém que foi impactado por algo tão simples como flores e pássaros: cuidado com a tinta nova, pois ela pode desviar sua atenção do antigo que realmente importa. Se o ser humano gosta de inovações e surpresas, Deus gosta das boas e velhas verdades. Arrependimento. Perdão. Graça. Fé. Amor. Paz. Cruz. O que há de novo nisso?

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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paternidade-1Recebi pelo espaço de comentários do APENAS uma pergunta interessante. O assinante Daniel indagou: “o que é ser um pai do ponto de vista bíblico?”. Achei o questionamento muito relevante e resolvi compartilhar esta reflexão para trazer uma resposta. Afinal, para que temos filhos? O que é ser um pai ou uma mãe pela perspectiva do evangelho? Qual deve ser o foco da criação dos pequenos? Para que os criamos? A resposta mais objetiva possível é: geramos e criamos filhos para que eles sejam pequenos cristos e, com isso, Deus seja glorificado.

Embora não se costume mencionar esta passagem bíblica no contexto da peternidade, ela é a mais esclarecedora da Bíblia sobre o assunto: “Sejam meus imitadores, como eu sou imitador de Cristo” (1Co 11.1, NVT). Por quê? Porque nossa tarefa é ensinar nossos filhos, por meio de nossas palavras, mas, principalmente, pelo exemplo pessoal, a se conformarem à imagem de Jesus: “Pois Deus conheceu de antemão os seus e os predestinou para se tornarem semelhantes à imagem de seu Filho” (Rm 8.29, NVT)

Não, você não tem filhos para que eles lhe deem amor ou alegria, para que cuidem de você na velhice, para perpetuar a espécie ou coisa parecida. Tudo isso vem no pacote, mas é consequência e não causa. Nada disso é a função primordial da paternidade. Somos pais e mães para gerarmos vidas que venham a se conformar à imagem de Cristo e, com isso, glorificar a Deus: “Portanto, quer vocês comam, quer bebam, quer façam qualquer outra coisa, façam para a glória de Deus” (1Co 10.31, NVT). É importante perceber que “qualquer outra coisa” inclui, evidentemente, ter e criar filhos. Portanto, gerar e educar nossos herdeiros deve ser feito para que eles se conformem à imagem de Cristo e, assim, glorifiquem a Deus com sua vida.

Ficou claro?

Com isso em mente, pensemos de forma prática, pois essa percepção tem implicações muito concretas no dia a dia. Absolutamente tudo o que você vive com seu filhote deve carregar o questionamento: o que estou ensinando o fará se parecer mais com Jesus? Minhas atitudes revelam a ele o modo cristão de proceder? Minhas palavras e brincadeiras o fazem resistir à tentação, amar o próximo, honrar os pais e se sacrificar pelas pessoas? Se a resposta for negativa, você está no caminho errado.

paternidade-3Pensemos em termos de exemplos. Primeiro: se o seu filho chega da escola contando que outra criança bateu nele, como você reage? Eu já presenciei um pai dizer para o filho que tinha tomado uns tapas de um coleguinha: “Se ele der em você, dê nele também!”. Essa é a resposta certa? Não, não é, pois o evangelho nos ensina: “Amados, nunca se vinguem; deixem que a ira de Deus se encarregue disso, pois assim dizem as Escrituras: ‘A vingança cabe a mim, eu lhes darei o troco, diz o Senhor’. Pelo contrário: ‘Se seu inimigo estiver com fome, dê-lhe de comer; se estiver com sede, dê-lhe de beber. Ao fazer isso, amontoará brasas vivas sobre a cabeça dele”. Não deixem que o mal os vença, mas vençam o mal praticando o bem” (Rm 12.19-21, NVT).

Outro: você reage dentro de casa de modo a instigar agressividade? Suas palavras mostram ira e revolta com o que está errado? Você fala e se comporta como um zelote? Sabe… seu filho está vendo. E aprendendo. E, ao ver você agir desse modo, ele o imitará e, com isso, se afastará cada vez mais de se conformar à imagem do Cristo que diz: “Felizes os que promovem a paz, pois serão chamados filhos de Deus” (Mt 5.9, NVT). Ou, ainda, você cria seu filho para que ele supervalorize o dinheiro e trabalhe em função dele acima de tudo; o influencia para que ele tenha uma carreira baseada no salário que paga; põe em foco mais o que ele pode receber em termos financeiros do que o bem que ele pode fazer por meio da vida profissional? Então saiba que você não está cumprindo seu papel de pai, pois conformar um filho à imagem de Cristo é ensinar a ele: “Não ajuntem tesouros aqui na terra, onde as traças e a ferrugem os destroem, e onde ladrões arrombam casas e os furtam. Ajuntem seus tesouros no céu, onde traças e ferrugem não destroem, e onde ladrões não arrombam nem furtam. Onde seu tesouro estiver, ali também estará seu coração” (Mt 5.19-21, NVT).

paternidade-2Quer aprender a ser um pai ou uma mãe segundo a Bíblia? Então estude a Bíblia! Com foco, especificamente, em quem Cristo é e o que ele faz. Pense, em cada pequena atitude cotidiana: “Ensinando meu filho a fazer isto e aquilo estou fazendo com que ele pense, aja e fale como Cristo?”. Se a resposta for negativa, mude. “Ensine seus filhos no caminho certo, e, mesmo quando envelhecerem, não se desviarão dele” (Pv 22.6, NVT) significa, na versão parafraseada de Maurício Zágari, “Ensine seus filhos o caminho que os fará serem imitadores de Cristo em tudo o que são, fazem e falam, e, mesmo quando envelhecerem, não se desviarão dele”.

Um dia, meu irmão, minha irmã, teremos de prestar contas de tudo o que falamos e fizemos nesta terra. E isso inclui a forma que educamos nossos filhos. Duvido muito que o Senhor perguntará: “Você criou seus herdeiros para serem ricos? Para serem dominadores? Para se darem bem nesta vida passageira? Para casarem com uma pessoa rica? Para serem cabeça e não cauda? Para conseguirem um bom emprego? Para comprarem uma casa com piscina? Para viajarem todo fim de semana? Para serem famosos? Para ocuparem cargos com status? Para se conformarem à imagem deste mundo com valores caídos?

paternidade-4Por outro lado, se você teve filhos e os educa para que sejam amorosos, alegres, pacíficos, pacientes, amáveis, bondosos, fiéis, mansos e autocontrolados, está cumprindo com excelência sua paternidade. Você tem criado seus herdeiros para amar a Deus e ao próximo? Para tirar horas de sua semana em ações de ajuda aos órfãos e às viúvas? Para negarem a si mesmos, tomarem sua cruz e seguir Jesus? Para serem sal da terra e luz do mundo? Para serem pacificadores? Para usarem o dinheiro como um meio e não um fim? Para construírem uma estrada para a eternidade, sabendo que são peregrinos nesta terra? Se sua resposta for positiva, parabéns: você é um pai ou uma mãe segundo os padrões bíblicos.

Ser pai ou mãe deve nos fazer querer ouvir: “Muito bem, meu servo bom e fiel. Você foi fiel na administração dessa vida que lhe confiei, e agora lhe darei muitas outras responsabilidades. Venha celebrar comigo”. Como pai, meu desejo mais sincero, meu irmão, minha irmã, é ouvir isso do Senhor quando chegar em sua glória, sabendo que tudo o que realizei em minha paternidade fez de minha filha alguém mais semelhante a Cristo e cuja vida glorifica a Deus.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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esperança1“Quero trazer à memória o que me pode dar esperança” (Lm 3.21) é o bem conhecido desabafo de Jeremias, escrito pelo profeta em meio à angústia de ver sua pátria e seu povo assolados pela Babilônia. Essa simples frase, que tornou-se muito popular na Igreja brasileira nos últimos anos, aponta um caminho excelente de consolo e paz, que podemos trilhar nas horas de maior tribulação da vida: nos lembrarmos das bênçãos que Deus já nos deu, como forma de reunir forças em meio ao sofrimento. Eu gostaria, porém, de propor um olhar diferente sobre esse versículo, que acredito oferecer um refrigério ainda maior do que essa percepção.

Diga-me, por favor, se estou errado: geralmente, quando lemos a frase de Jeremias, o que pensamos é que ela nos convida a recordar das coisas boas que Deus fez no passado por nós. Assim, “o que me pode dar esperança” seria uma referência às bênçãos que recebemos em outras épocas da vida – livramentos, promessas cumpridas, alegrias que experimentamos em fases anteriores ao período de sofrimento. Estou certo? Quando você está atravessando uma fase dura da sua caminhada, ao ler este trecho da Palavra automaticamente busca fortalecimento ao recordar de ações que Deus realizou em prol da sua vida.

Bem, primeiro deixe-me dizer que isso não é errado. Lembrar-se daquilo que o Senhor fez de bom por você é, sim, muito reconfortante. Mostra o amor e a compaixão do Altíssimo em ação. Recordar-se de atos de misericórdia e bondade da mão de Deus em sua vida é, sim, motivo de louvor, gratidão, esperança. Saber que o Onipotente exerceu graça para com você é razão para glorificá-lo eternamente e trazer à memória que ele age em favor de seus filhos. No entanto, eu prefiro uma outra percepção desse versículo.

Explico: se formos ser biblicamente realistas, veremos que o fato de Deus nos ter abençoado de determinada maneira no passado não oferece absolutamente nenhuma garantia de que ele nos abençoará da mesma forma no presente ou no futuro. Assim, se formos trazer à memória bênçãos passadas de Deus no intuito de ter esperança de novas bênçãos, poderemos nos frustrar – uma vez que não há garantias bíblicas de que o Senhor sempre concede as mesmas bênçãos a todos, dia após dia.

Por exemplo, o fato de Jesus ter ressuscitado Lázaro uma vez não quer dizer que ele o ressuscitaria repetidamente – tanto que o amigo de Cristo veio a falecer tempos depois. Ou, ainda, o fato de Paulo ter sido poupado da morte certa em diversas ocasiões não evitou que ele, enfim, fosse decapitado. Sansão ter sido salvo dos filisteus algumas vezes não significa que um dia ele não viria a ser derrotado por seus inimigos. São muitos os exemplos das Escrituras que nos mostram que o fato de Deus ter agido de determinada maneira na vida de alguém não implica que ele voltaria a agir do mesmo modo. Portanto, se essas pessoas depositassem sua esperança no fato de o Pai ter anteriormente realizado algo específico por elas, a frustração seria certa.

esperança2Você poderia me perguntar: “Bem, Zágari, se as bênçãos do passado não são o que devemos trazer à memória para ter esperança… o que, então, devemos trazer?” Minha sugestão: traga à memória quem Deus é. Isso sim nos dá total esperança.

As decisões do Senhor podem mudar. Ele ter me curado ontem não quer dizer que me curará hoje. Ele ter me dado um emprego ontem não significa que me dará um igual hoje. Eu ter ganho um carro de presente ontem não é garantia de que não precisarei andar de bicicleta hoje. A vida mostra isso com muita clareza. As bênçãos do Senhor mudam a cada momento, cada período da vida implica diferentes tipos de dádivas. Não existem garantias de que a ação do Pai ontem será a mesma hoje. Mas, por outro lado, a Bíblia garante que Deus não muda. Que “Jesus Cristo, ontem e hoje, é o mesmo e o será para sempre” (Hb 13.8). Assim, não há nenhuma garantia nas Escrituras de que bênçãos concedidas no passado voltarão a ser concedidas, mas há uma garantia inquestionável de que o Deus que agiu no passado é o mesmo Deus que age hoje.

Se continuarmos a ler a passagem de Lamentações 3.21, veremos que a pessoa de Deus e suas características, inclusive, são o foco de Jeremias nesse contexto. Repare: “Quero trazer à memória o que me pode dar esperança. As misericórdias do SENHOR são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim; renovam-se cada manhã. Grande é a tua fidelidade. A minha porção é o SENHOR, diz a minha alma; portanto, esperarei nele. Bom é o SENHOR para os que esperam por ele, para a alma que o busca” (Lm 3.21-26). O que o profeta destaca aqui é quem Deus é: alguém infinitamente misericordioso, fiel e bom.

esperança3Meu irmão, minha irmã, você está atravessando um período de sofrimento, dificuldade, falta de paz, angústia? A assolação veio sobre a sua vida, assim como ocorreu com Jeremias? Então traga à memória o que te pode dar esperança: não o que Deus já fez, mas quem Deus é. Traga à memória que ele é soberano, amoroso, gracioso, misericordioso, sustentador, alegre, pacífico, pacificador, perdoador, restaurador, salvador, fortalecedor, carinhoso, amigo, Pai. É a percepção sobre quem o Senhor é que deve lhe dar esperança de que ele agirá segundo sua natureza eterna, dando pão e não pedra, perdoando e não esmagando, reconstruindo e não destruindo, concedendo vida e não morte. Deus é Deus ontem e hoje; Deus é seu Pai ontem e hoje, Deus é vida, ontem é hoje. Deus é amor, ontem e sempre.

Deus é Deus. Traga isso diariamente à memória… e nunca lhe faltará esperança.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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