Arquivo da categoria ‘Pecado’

soberba 1Você conhece alguém que se acha sempre certo? Que faz questão de que todos façam tudo do seu jeito e não suporta quando alguém discorda dele e decide fazer algo diferente? A impressão que dá é que tudo gira em torno dessa pessoa, que ela se enxerga como o centro de todas as coisas, aquela em função de quem tudo mais acontece? Pois esse indivíduo sofre daquilo que costumo chamar de “Síndrome de Deus”. 

No caso do Senhor, é justo e certo que assim seja. Afinal, o universo foi criado para a sua glória e tudo o que existe e ocorre aponta para ele. Bem disse o rei Davi: “Bendito és tu, SENHOR, Deus de Israel, nosso pai, de eternidade em eternidade. Teu, SENHOR, é o poder, a grandeza, a honra, a vitória e a majestade; porque teu é tudo quanto há nos céus e na terra; teu, SENHOR, é o reino, e tu te exaltaste por chefe sobre todos. Riquezas e glória vêm de ti, tu dominas sobre tudo, na tua mão há força e poder; contigo está o engrandecer e a tudo dar força” (1Cr 29.10-12). 

Esse é o nosso Deus. Soberano, o único caminho, a única verdade, detentor de toda autoridade, santo e magnifico, inquestionável. Ele tem total direito de baixar decretos, de exigir para si a glória, de demandar obediência irrestrita. Criador, autor da vida, provedor e sustentador de todas as coisas, ninguém pode nada contra ele, na terra ou nas regiões celestiais. 

É por isso que, quando você lê a Bíblia, fica claro como o Senhor rejeita qualquer tentativa do ser humano de estabelecer algo no lugar de Deus – a famosa idolatria. O texto bíblico deixa explícito como é abominável para o Altíssimo que se tente divinizar ídolos, falsos deuses ou mesmo seres humanos. No entanto, não é raro encontrarmos aqueles que se posicionam como senhores da verdade.  A Síndrome de Deus gera esse mal. 

Nós, seres humanos, somos perfeitamente imperfeitos. Pecadores, depravados, amantes daquilo que nos afasta do que é puro e bom. Por conta disso, chega a ser bizarro ver pessoas que se acham convictas de suas certezas de forma inquestionável, em nada abertas à possibilidade de estarem erradas, que se posicionam como absolutas detentoras do conhecimento da verdade. Soberbas. Quem sofre de Síndrome de Deus é apresentado na Bíblia como “homem de dura cerviz”. É o inflexível, o surdo aos demais, o que sente pena ou raiva do diferente. 

Sempre que sintomas da Síndrome de Deus começam a pipocar em mim, procuro me aquietar, orar e me pôr no meu devido lugar: uma pessoa que erra, sujeita a muitas falhas. Longe de estar sempre certo. Uma pergunta que me faço constantemente para evitar esse mal é: e se eu estiver errado? Cogitar isso me faz crescer em humildade, respeitar o diferente e amar quem considero estar errado. E me livra, bastante, da arrogância. 

Todos deveríamos pôr isso em prática. Se  constantemente fizermos esse exercício haverá muito menos “deuses” neste mundo. Que, consequentemente, será muito mais repleto de amor, obediência e paz. Faça o teste: seja humilde. Com isso, você se torna bem-aventurado – e Jesus agradece.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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rachadura 1Eu contei: no último ano, saí 37 vezes de casa para pregar, em igrejas próximas ou distantes. Isso me levou a viajar muito pelo Brasil e, consequentemente, a ficar hospedado em diferentes hotéis. Algo interessante que percebi é que nunca um quarto de hotel, por mais simples ou luxuoso que seja, é perfeito. Isso me fez pensar um pouco sobre a perfeição – ou a falta dela. Em Brasília, o ar condicionado jogava ar gélido diretamente sobre a cama. Em Teresina, o ar condicionado estava pifado. Em Barra do Piraí, a janela do quarto dava para uma área cheia de popô de pombos. Em Jaboatão dos Guararapes, o vento na janela era tanto que era difícil dormir com o assobio do vendaval. Em João Pessoa, o chuveirinho do banheiro vazava e encharcava o quarto inteiro. Em Recife, o chuveiro minava água, que inundava o banheiro após cada banho – que era difícil de tomar porque ou a água ficava muito quente ou muito fria. E o telefone do quarto não funcionava. Em nenhum hotel havia tapete no box, o que me levou a sempre pôr uma toalha de rosto no chão para não escorregar. E por aí vai. 

Entenda, por favor: não estou reclamando, de forma alguma. Os hotéis foram todos muito agradáveis, reservados com muito carinho e atenção pela generosidade dos queridos irmãos que nos convidaram para pregar ou palestrar. As acomodações eram excelentes e nos permitiram descansar, repousar e ter sossego para orar em paz e nos preparar para as ministrações. Foram bênção e sou grato a cada irmão que convidou a mim, minha esposa e minha filha para ali ficar hospedados. O ponto para o qual desejo chamar atenção é que, embora fossem todos hotéis muito agradáveis, nenhum deles era absolutamente perfeito. Sempre havia algo que me obrigava a pedir auxílio na recepção para trocar de quarto ou improvisar algum tipo de solução. 

rachadura 2Eu e você somos como esses quartos de hotel. Temos muitas características boas, qualidades, virtudes e valores admiráveis. Somos pessoas cinco estrelas, pois fomos criados à imagem e semelhança do Criador. Mas jamais seremos perfeitos. Sempre haverá em nós algo a ser consertado, remendado, aperfeiçoado. Fomos criados como resultado do amor de Deus, mas o pecado que habita em nós faz com que algo sempre precise de ajustes. 

A grande vantagem de se adquirir essa percepção, em vez de posar de superssantos inerrantes, é que nos colocamos em nosso devido lugar e, com isso, nos tornamos mais graciosos com o erro alheio. Ao perceber que temos muitas imperfeições e falhas, somos levamos a tolerar e suportar os defeitos do nosso próximo com graça e compaixão. Afinal, não somos melhores do que ninguém e estamos todos no mesmo barco – aquele que transporta pecadores em processo de aperfeiçoamento pela vida até o dia em que chegaremos ao nosso destino final. 

Da próxima vez que você deparar com alguém que te incomoda, chateia ou entristece pelos defeitos que tem, lembre-se de que, se ele apresenta um vazamento de água, você está com seu ar condicionado pifado. Se o seu próximo não tem tapete no box do chuveiro, você tem janelas que assoviam constantemente pelo vendaval. Todos temos falhas: as suas apenas são diferentes das do seu próximo. Nem melhores, nem piores: só diferentes. 

rachadura 3O pior tipo de cristão é o que se põe acima dos demais, seja moralmente, seja espiritualmente, seja intelectualmente. Há quem creia na depravação total da humanidade – que nos iguala a todos – mas age com quem ele considera estar errado com arrogância, altivez, soberba. Apresenta-se como detentor de conhecimento superior, de mais santidade, de mais cristianismo. E se esquece de que sua goteira pinga dia após dia, inundando o quarto de sua alma. Falta de graça. Falta de amor. Falta de compaixão. Falta de autocrítica. Falta de Cristo. 

Se você considera que alguém está errado, lembre-se de que você também está. Ele erra em A, você erra em B. Sua moral não é irretocável. Seu conhecimento teológico não é inerrante. Sua espiritualidade não é inequívoca. Seu relacionamento com Deus é cheio de buracos. Você é falho, como eu, como qualquer outro. Tenha humildade, pelo seu próprio bem. E porque não haveria nenhuma razão para não ter.

rachadura 4Na maioria das ocasiões, tive de solicitar auxílio à recepção do hotel. Por vezes me mudaram de quarto, em outras  mandaram alguém da manutenção, em outras tantas solucionaram a questão trocando aparelhos defeituosos. Recomendo que você procure o grande Recepcionista da sua vida e peça a ele ajuda para consertar as suas imperfeições, sabendo que para cada tipo de problema há uma solução diferente. Preocupe-se mais com os seus vazamentos e defeitos do que com os do próximo. Acredite: já será um grande avanço se você conseguir que a goteira ou o ar gélido da sua própria alma seja consertado. 

Aí, então, com a convicção de que você é um daqueles quartos de hotel cinco estrelas mas, por baixo das partes restauradas, bem cheio de rachaduras,  ajude seu próximo a solucionar o telefone quebrado dele, com amor, carinho, encorajamento, paciência e graça. Ao fazer isso, em vez de agir como alguém petulante e acusador, você de fato estará exercendo seu papel como filho de Deus e cidadão do Reino dos céus. 

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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reclamao 1Escrevo este texto dentro de um avião, a caminho de Recife, onde vou pregar. Sentados nas poltronas à minha frente há dois homens, conversando em voz alta, o que me permite ouvir todo o diálogo. Um é peruano e o outro, alemão e ambos estão de férias no Brasil. O que me impressiona no papo deles é que tudo gira em torno do que existe de ruim em nosso país: passagens de avião muito caras, sujeira nas ruas, pobreza, um monte de coisas. Eles reclamam, reclamam e reclamam. Ou, em linguagem bíblica, murmuram, murmuram e murmuram. Confesso que a conversa começou a me incomodar, como brasileiro que reconhece os problemas que temos mas, ainda assim, ama o Brasil e quer vê-lo melhorar cada vez mais. Não me incomodo pelo que estão falando, tudo é verdade e temos de reconhecer as falhas de nossa pátria. Meu incômodo deve-se ao fato de os dois cavalheiros se restringirem a falar mal, ridicularizar, reclamar… sem propor coisa alguma nem fazer nada para consertar o que está errado: é a murmuração pela murmuração. O que, aliás, é um tipo de comportamento muito comum: adoramos murmurar, mas pouco agimos no sentido de resolver os problemas – o que é absolutamente inútil. Será que você costuma fazer isso?

O exemplo bíblico clássico de murmuração é o do povo de Israel no deserto, nos quarenta anos que levou entre o Egito e a Terra Prometida. Eles só conseguiam ver o que havia de ruim na situação: falta de carne, calor, cansaço, escassez de água, a demora de Moisés no monte… só viam a metade vazia do copo. E foi isso que irritou Deus. Povo ingrato. De dura cerviz. Reclamão. Murmurador. “Contendeu, pois, o povo com Moisés e disse: Dá-nos água para beber. Respondeu-lhes Moisés: Por que contendeis comigo? Por que tentais ao SENHOR? Tendo aí o povo sede de água, murmurou contra Moisés e disse: Por que nos fizeste subir do Egito, para nos matares de sede, a nós, a nossos filhos e aos nossos rebanhos?” (Êx 17.2-3). 

reclamao 2Costumamos criticar os israelitas por sua postura, mas, com muita frequência, fazemos a exata mesma coisa. É muito comum reclamarmos da vida mas fazermos pouquíssimo para melhorar as coisas. Reclamamos do governo, da alta do dólar, da corrupção, do chefe, do emprego, da professora, dos pais, da saúde, da goteira, do aumento dos preços, das ruas esburacadas, da ciclovia, da pobreza, da chuva, do sol, das formigas, de Marte, da física quântica, da tonga da milonga do cabuletê,…meu Deus! Tá tudo ruim! 

A grande questão é: o que cada um de nós faz para melhorar o que está ruim? Esse é o ponto. 

A vida na terra é imperfeita. As pessoas são pecadoras. O mundo jaz no maligno e nele teremos aflições. Essa é a realidade da existência. Então o fato de haver problemas não deveria nos surpreender, é previsível que haja. O que devemos pensar é: como reagir a eles? Murmurando, reclamando, xingando e esbravejando… ou fazendo algo a respeito?

Breclamao 3asta passarmos meia hora passeando pelo Facebook e parece que mergulhamos no oceano da murmuração. E estou falando de nós, cristãos. Vejo irmãos em Cristo reclamando do governo, da militância gay, dos arminianos, dos calvinistas, dos pentecostais, dos cessassionistas, da teologia da prosperidade, do pastor fulano, do cantor sicrano, da igreja institucional, da igreja desigrejada, do líder que inventou um novo título para si, dos hereges, dos outros hereges, de mais tantos outros hereges… mamma mia. O problema é que a maioria que vejo reclamar está apenas… reclamando. Talvez nem ore a respeito. Tampouco tome atitudes concretas para melhorar o que está errado, não busca dialogar com os equivocados, sair em auxílio dos desassistidos, conversar com os desviados, discipular os desencaminhados. Parece que reclama pelo puro prazer de reclamar. E isso não ajuda em nada. Há pessoas que basta eu ver a foto na timeline e já tenho certeza de que a postagem será negativa, pesada, murmuradora, acusadora. E vai ficar por isso mesmo, porque a pessoa não vai além da reclamação. Não faz nada a respeito. Só reclama. E no dia seguinte, reclama mais. E, depois, reclama de novo. E assim por diante. 

Temos de agir para que as coisas fiquem melhores. Tomar atitudes. Ter iniciativa. Orientar, abraçar, ensinar, encontrar, conviver. Investir tempo, esforço e energias. Reclamar por reclamar só faz de nós reclamões. Mais ainda: inúteis reclamões. Pois o blá-blá-blá por si só não faz de você um apologeta, um reformador, um herói da fé, nada disso. Faz de você… um murmurador cuja murmuração não gera nada de positivo. É inócua. Placebo. Você vira um reclamão admirado por um séquito de reclamões que gostam de quem reclama boas reclamações. Mas consequências práticas eficazes e transformadoras? Zero. 

reclamao 4Se você identifica que algo está mal, aja! Aja em prol do bem. Só falar não adianta se você não transformar essa reclamação em ação. Ponha a mão na massa. Faça acontecer. E aí, quem sabe, a sua murmuração vai virar, de fato, apologia, reforma, evolução, edificação – e, com isso, você deixará de ser um bem preparado especialista em reclamação e se tornará um bem-sucedido promotor de  mudanças, renovação da mente, cristianismo pratico. Deus não ficou olhando a humanidade pecadora e murmurando “Como eles pecam! Quanta transgressão! Que coisa horrível! Bando de desviados! Seus hereges!”. Pelo contrário, ele agiu: “Porque Deus tanto amou o mundo que deu o seu Filho Unigênito, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna. Pois Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para condenar o mundo, mas para que este fosse salvo por meio dele” (Jo 3.16-17).

O peruano e o alemão desembarcaram no aeroporto, apertaram as mãos e se despediram, seguindo seu caminho e deixando para trás os problemas sobre os quais tanto falaram. Desfrutaram do prazer de murmurar, mas viveram o desprazer de somente murmurar, sem serem em nada úteis na solução dos problemas que apontaram. Eu não quero isso para minha vida. Peço a Deus que no meu epitáfio conste não algo como “Aqui jaz alguém que murmurou e reclamou com bons argumentos e belas palavras”, mas, sim, algo como “Aqui jaz alguém que agiu de fato no sentido de mudar o mundo e as pessoas para melhor”. E você? Qual é a sua escolha? 

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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refugiados islamicos 1Todos assistimos com o coração sangrando à tragédia que ocorreu em Paris, na França. Terroristas do Estado Islâmico mataram a sangue-frio dezenas de pessoas, num ataque coordenado e assustador. Passado o espanto, o que eu e muitos sentimos foi revolta. Raiva. Ira. Ódio. Tudo o que conhecemos como justo e bom foi metralhado nessa ação maligna, em que prevaleceram o fanatismo, a loucura, a maldade, o desprezo pela vida, os lados mais obscuros e diabólicos do ser humano corrompido pelo pecado. Confesso que meu senso de justiça gritou dentro de mim e o que dominou cada fibra do meu ser foram sentimentos nada bonitos. Mas comecei a pensar, li artigos de irmãos em Cristo, acalmei o espírito e procurei ouvir a voz do Cordeiro. E fui lembrado de que ódio não se vence com ódio, assim como fogo não se apaga com fogo. 

Pouco depois de tomar conhecimento dos atentados em Paris, li uma reportagem dizendo que o Estado Islâmico teria infiltrado 4 mil terroristas entre os refugiados que estão justamente escapando dos massacres promovidos por esse califado terrorista em países como a Síria. A ideia deles seria inserir em diversos países ocidentais militantes do Estado Islâmico, que no futuro viriam a cometer atos de terror em deferentes nações. Ao ler isso, me arrepiei e logo comecei a pensar que deveríamos impedir a entrada desses refugiados no Brasil. Sim, o medo e a raiva tinham nublado meu discernimento e me arrastado sem que eu me desse conta para um estado de ódio. É assim que o pecado age, afinal. 

refugiados1Mas, ao ler alguns textos, orar e acalmar meu coração, me dei conta do gigantesco erro que estava cometendo. Porque Jesus nos ensinou que não devemos devolver mal com mal e que a compaixão, a misericórdia e o perdão precisam prevalecer, caso contrário, nos tornaremos pessoas amarguradas, raivosas e que priorizam o ódio ao amor. Entenda que essa postura não despreza a justiça. Devemos buscar a punição dos culpados. Precisamos lutar contra a maldade. É essencial combatermos os maus para que eles não firam os bons. Mas não podemos deixar que nosso desejo de justiça seja maior que o nosso amor pelos inocentes. 

Falo isso especificamente no caso dos refugiados muçulmanos. Confesso humildemente o meu erro, pois meu pensamento imediato foi no sentido de militar contra a vinda deles ao Brasil. Não queria terroristas entrando em nosso país disfarçados de refugiados. Mas, então, me dei conta de que o medo e o ódio estava me levando a recusar ajuda aos inocentes com receio dos culpados. O medo estava vencendo a compaixão. E não existe nada menos cristão do que isso. 

Eu pequei. Confesso meu pecado. O cristão deve sempre colocar a compaixão acima do egoísmo e eu não estava fazendo isso. Não podemos negar ajuda e acolhida a refugiados que foram expulsos de suas casas por terroristas com medo de que o terror nos alcance. Isso seria  desumano. E, se fizéssemos isso, nos tornaríamos tão desumanos quanto os terroristas. 

Ser cristão significa correr riscos. Amar é extremamente arriscado. Cristo enfrentou muitos perigos por mim e por você. Deus  amou o seu diferente de tal maneira que nos entregou Jesus para morrer na cruz por nós. Amemos o nosso diferente. Até porque os refugiados islâmicos podem ter muitas coisas diferentes de nós, mas nunca pode fugir de nossa lembrança que eles são o nosso próximo. E temos de amá-los como a nós mesmos. 

cravos nas maosEstou envergonhado por ter deixado o ódio suplantar o amor em meu coração. Temos de dar de comer a quem tem fome, de beber a quem tem sede e acolher quem não tem onde morar. Temos de amá-los e fazer a eles o que gostaríamos que fizessem a nós. Ao fazer isso, estaremos vivendo Cristo e o apresentando de forma palpável a quem não o conhece. Esse é o nosso papel. Isso abre possibilidades de perigo para nós? Sim, abre. Mas não podemos deixar de ser o que Cristo é por medo. No passado, muitos foram jogados aos leões por amor a Jesus. Hoje, devemos fazer o mesmo. 

O amor tem de vencer. Mesmo que isso nos custe a vida. Qualquer pensamento menor do que esse não carrega em si o direito de ser chamado de “cristão”. Ame como Cristo amou. É o único meio de vencer o ódio.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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meu corpo minhas regras 3

Minha casa é minha. Eu a comprei com meu dinheiro, ganho com o suor do meu trabalho. Meu nome está na escritura e ela me pertence. Tenho o direito de trazer para dentro dela tudo o que eu bem entender, tudo o que eu quiser comprar no supermercado, os móveis da minha escolha, as roupas que eu decidir adquirir, até mesmo um cachorro, um gato, um camelo ou uma jararaca, se eu quiser. É meu direito. A casa é minha. E minha casa, minhas regras. Isto mesmo: como a casa é minha, as regras do que faço dentro dela sou eu que estabeleço. Tenho total liberdade de andar nu pelos cômodos, se desejar, de vestir um casaco pesado no verão ou mesmo de andar para lá e para cá com um chapéu de Carmen Miranda. Isso pode parecer maluquice, mas não me importa, já que as regras na minha casa sou eu que faço.

Se eu quiser, posso pegar uma máquina de fumaça e encher os quartos com fumaça  fedorenta, nada me impede de fazer isso. Posso, também, pegar sacos cheios de lixo e espalhar todo o conteúdo pelo chão, da cozinha ao banheiro, no quintal e na área de serviço. A casa é minha. E minha casa, minhas regras. Posso também entupir toda a tubulação com gordura e encher os ralos de sujeira. Tenho o direito de pintar as paredes de preto e o teto de rosa choque, se assim tiver vontade. E mais: se me der na telha, posso pichar a fachada, pendurar enfeites esquisitos nas janelas, decorar as portas com qualquer tipo de penduricalho, derrubar muros e fazer obras. Tenho esse direito. Quem manda na minha casa sou eu. A casa é minha. E minha casa, minhas regras. 

Como sou o dono dela, posso te trazer para morar por um tempo na minha casa, mesmo que você não tenha pedido. Mas atenção: uma vez que esteja dentro dela, eu tenho o direito de fazer o que quiser com você. Afinal, é a minha casa, e na minha casa o que vale são as minhas regras. Então, uma vez que eu tenha posto seu corpo dentro dela, mesmo que você não tenha me pedido para entrar, tenho total liberdade de fazer o que bem entender com ele. Principalmente porque, uma vez dentro da minha casa, você vai se alimentar da comida que eu te der, vai respirar o ar que chegar a você através do espaço que me pertence, vai beber da água que eu providenciar, vai se aquecer com o calor que minhas paredes te proporcionarem, vai sobreviver com os recursos que a minha casa te fornecer. Portanto, não tem discussão: pelo fato de você estar dentro da minha casa, o que vale são as minhas regras e seu corpo me pertence. Em outras palavras, você me pertence. Logo, sua vida me pertence. Pois a casa é minha. E minha casa, minhas regras. 

neném 3Aliás, fique sabendo: uma vez dentro da minha casa, tenho total direito de te matar. Isso mesmo: já que você está dentro de minha propriedade e vivendo a partir dos recursos que eu te proporciono, eu posso te assassinar, se isso atender aos meus interesses. E não adianta protestar. A casa é minha. E minha casa, minhas regras.  Já sei. Você vai alegar que não tenho esse direito e começar a me dar argumentos: vai dizer que seu corpo não faz parte da minha casa, que seu código genético é diferente daquilo que forma minha casa, vai tentar sobreviver afirmando que está habitando em minha casa só por um tempo e em breve sairá dela, vai alegar que seu direito à vida é maior que meu direito de propriedade sobre minha casa, blá-blá-blá. Desculpe, não estou interessado em saber de nenhum argumento. Eu sei que você não é minha casa,  que seu corpo é uma entidade totalmente à parte das paredes e do teto que me pertencem, que está nela apenas por algum tempo e depois vai embora, que você tem tanto direito de viver quanto eu tenho de possuir minha casa… eu sei de tudo isso. Mas, quer saber? Nada importa: a casa é minha. E minha casa, minhas regras.

E eu quero te matar. 

Eu quero te matar porque me é mais conveniente. Porque isso será melhor para mim. Porque atende aos meus interesses.  Porque sua presença na minha vida me atrapalha. Por um monte de razões. Não me importa que você seja apenas um hóspede temporário, que não faça parte da minha casa, que esteja desfrutando dos recursos que ela te oferece só por algum tempo, que eu é que seja a responsável por você estar dentro dela ou mesmo que você tenha direito à vida, já que seu corpo não é propriedade minha. Não quero saber. Matar você será melhor para mim. A casa é minha. E minha casa, minhas regras. 

É isso o que eu tinha a te dizer, filhinho. Agora prepare-se para morrer, porque a mamãe vai te matar. Afinal, eu te pus – sem que você pedisse – dentro da minha casa, que é o meu corpo, e isso obviamente me dá total direito de exterminar a sua vida. Sim, seu corpo é seu. Mas meu corpo é meu. E meu corpo, minhas regras. E isso… faz todo sentido. Ou não?

neném 1

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Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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Pode soar estranho eu dizer isso, mas o seu pecado pode ser muito útil para ajudá-lo a viver uma vida de santidade. Aliás, permita-me ser um pouco mais específico: não o pecado em si, mas a percepção do seu pecado. É quando você se dá conta de que peca todos os dias, e muito, que passa a olhar para os demais pecadores em igualdade de condições, compreendendo que você não é moralmente superior a ninguém. Pois o fato de termos a natureza pecaminosa em nós nos nivela a todos, algo que só Jesus é capaz de desfazer. É ao confrontar-se com sua inclinação incorrigível para fazer o mal que percebe que os demais pecadores são simplesmente o que você também é: alguém que erra vez após vez e carece da graça divina. 

A percepção do nosso pecado retira de nossos olhos a soberba, de nossos lábios a acusação e de nosso coração a arrogância. É ao nos percebermos culpados de tantas falhas que somos capazes de estender uma mão restauradora ao pecador, em vez de um dedo acusador. Miseráveis homens que somos, sujeitos à escravidão do pecado e às tentações mais vis. E quantas vezes sucumbimos! É… não temos o direito de nos colocarmos num patamar moral superior ao dos outros pecadores. O que temos é o direito de clamar pela misericórdia divina. Ajuda-nos, Senhor, em nossas misérias, pois não somos melhores que nossos pais…

Eu valorizo o meu pecado. Não por ele merecer minha valorização. Eu o odeio. Eu o abomino. Assim como abomino o seu pecado. Assim como abomino qualquer pecado. Mas o meu pecado é uma pedra no sapato que constantemente, a cada passo de minha jornada, ajuda a me pôr no meu devido lugar: pó. Nesse sentido, ele é um indesejável aliado, que constantemente me recorda de que o único caminho é ser misericordioso com os meus iguais: aqueles que pecam todos os dias. 

Não tenho opção a não ser estender compaixão e perdão. Pois preciso fazer ao próximo o que gostaria que fizessem a mim. E ai de mim se não fosse a misericórdia e a compaixão e, acima de tudo, a graça, que me trata como se eu não fosse pecador. Não ser gracioso não é uma opção. Mas quem gosta de ser gracioso? Nós queremos é ver sangue! Só que, se não vivo mais eu, mas Cristo vive em mim, eu não importo. Tenho de negar a mim mesmo, tomar a minha cruz e seguir o manso Cordeiro. 

Valorize o seu pecado, para que se lembre constantemente dele e faça de tudo para esmagá-lo. Jesus nunca se esqueceu do seu pecado, tanto que subiu à cruz para que um dia você pudesse, enfim, se ver livre dele. Esse dia chegará. Num lugar chamado eternidade você não terá mais de conviver com pecado algum. Até lá, que ele sirva como um lembrete continuo de que você não é melhor do que ninguém. 

E ainda assim, Deus te ama. Que amor sublime e extraordinário…

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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ladrao 1Deus é apaixonante. A cada nova experiência que tenho, mais me assombro com a sabedoria do Senhor e a forma como ele age conosco. Confesso que me encanto com o modo de Deus fazer as coisas, mesmo que não seja a forma que gostaríamos. Na última quinta-feira, o Senhor me permitiu passar por algo difícil, mas extraordinário: um assalto. Só percebi a beleza espiritual desse episódio tendo passado mais de um dia do ocorrido. E como sei que “O SENHOR faz tudo com um propósito” (Pv 16.4), tenho a pretensão de supor que Deus permitiu que eu fosse roubado para, entre outras coisas, me dizer: “Escrever é fácil, quero ver se você vive o que escreve”. Vou explicar.

Depois do meu horário de trabalho, saí para pegar minha filha na escola de bicicleta, como fazia regularmente. Ela tem 4 anos, por isso comprei uma daquelas cadeiras que se acoplam na parte traseira e a levo e trago na garupa. É prático, rápido e divertido. De vez em quando, paramos em um lugar que fica na metade do caminho para fazer um lanche. Há um bicicletário na rua, bem na porta da lanchonete. Como de costume, estacionei, prendi a bicicleta, tirei minha filha e fomos comer. A surpresa desagradável nos esperava na saída. Não quero entrar em detalhes, por razões pessoais, mas basta dizer que na hora em que fomos partir perdemos a bicicleta. Fomos assaltados. Não nos machucamos, mas foi um susto bem desagradável, que deixou minha filha bastante impressionada.

Para minha grande surpresa, minha reação foi de serenidade. Sempre imaginei que, se algo assim acontecesse comigo, eu teria uma crise nervosa, mas, surpreendentemente, fiquei calmo e tranquilo, falei em voz baixa e fiz gestos lentos e controlados. Voltei com minha filha para o interior da lanchonete e procurei um funcionário responsável, porque me dei conta de que havia uma câmera na porta que poderia ajudar a identificar o ladrão. Expliquei a ele o que aconteceu e na mesma hora o rapaz, chamado Bruno, foi verificar as imagens para ver se havia registro.

ladrao 2Enquanto o esperava, sentei com minha filha em uma das mesas para aguardar e começamos a conversar sobre o que aconteceu. Ela estava muito confusa, porque sempre lhe ensinei que pegar as coisas dos outros sem pedir é errado, e ela me perguntava, vez após vez, por que aquele rapaz tinha feito aquilo. Percebi também que ela estava tensa, pois se agarrou em mim e não queria desgrudar. Disse que estava triste, porque gostava muito da nossa bicicleta, e começou a fazer um monte de perguntas sobre o ladrão, se ele era mau, por que não era amigo de Jesus, se ia para a prisão e outras coisas. Naquele momento, calmamente a sentei no meu colo e expliquei o máximo que eu pude. Mas, em determinado momento, simplesmente virei-me para ela e disse:

– Bebê, vamos orar e falar com Papai do Céu?

Ela concordou, nos abraçamos e eu comecei a orar baixinho. Sem que nem tivesse pensado nisso, a primeira coisa que dissemos ao Senhor foi que perdoasse o ladrão, que ele viesse a se arrepender e se tornasse amigo de Jesus. Em nenhum momento oramos pedindo juízo ou coisa parecida. Pelo contrário: pedimos a Deus que o perdoasse. Em seguida, comentei com o Senhor que não entendia por que ele tinha permitido aquilo, mas que eu tinha certeza de que havia uma boa razão, um propósito por trás daquele sofrimento, daquela perda.

Terminamos de orar e dentro de mais algum tempo Bruno voltou e disse que, infelizmente, o enquadramento da câmera não tinha conseguido filmar a ação do ladrão. Agradeci e saímos calmamente, caminhando a pé pela rua. No trajeto, minha filha continuou fazendo perguntas sobre o que tinha acontecido. Percebi que aquilo que dissemos na oração teve um efeito sobre ela, que começou a me dirigir muitos questionamentos sobre perdão e sobre por que Jesus deixa que coisas ruins aconteçam com aqueles que são amigos dele.

Perdao total_pilha05 Livro com caneta e óculosMais de um dia depois do ocorrido, eu estava pensando sobre o que aconteceu. Eu refletia sobre por que a primeira coisa que pedimos a Deus na oração, no impulso, foi que perdoasse o ladrão. Confesso que eu gostaria muito que ele fosse preso e que a bicicleta de que minha filha tanto gosta fosse  recuperada. Mas não foi isso o que pedi a Deus  naquele momento: pedi que o perdoasse. Também me dei conta de que conversamos com o Senhor sobre os propósitos de tudo aquilo que aconteceu. Foi quando, de repente, me dei conta de que tinha posto em prática aquilo que escrevi nos meus últimos dois livros publicados e que venho pregando em muitas igrejas, quando me pedem que eu pregue sobre o tema do Perdão Total e do O fim do sofrimento. Consegui pôr em prática o perdão. E consegui não murmurar pelo que aconteceu, por saber que Deus é bom apesar de permitir que coisas ruins aconteçam o seus filhos por seus misteriosos propósitos.

Preciso reconhecer que fiquei maravilhado, porque percebi que aquilo que escrevi e sobre o que eventualmente prego é mais do que palavras em páginas de papel ou ditas de um púlpito: é vida. Vida prática, vida cotidiana. Em outras palavras: a Bíblia funciona.

Este é o ponto aonde quero chegar ao te contar tudo isso: meu irmão, minha irmã, nós lemos e relemos a Bíblia, ouvimos pregações, dizemos amém e concordamos com as verdades do evangelho, mas a realidade é que, com muita frequência, quando chega a hora de pôr em prática aquilo em que acreditamos… é como se não acreditássemos de fato. Sabemos que não devemos devolver mal com o mal mas, na hora “h”, reagimos com fúria. Sabemos que não devemos falar de forma torpe, mas nossa língua parece ser incontrolável. Sabemos que devemos ser pacificadores, mas é só até o momento em que falamos de política ou futebol. Sabemos que o nosso Redentor vive e que um dia se levantará sobre a terra, mas com frequência agimos como se ele fosse apenas um personagem de contos literários e nossa fé se desmancha no vento.

OXYGEN Volume 10A Bíblia é eficaz. A palavra de Deus é verdadeira. E aquilo que ela afirma se cumpre. Nunca diga que você não consegue pôr em prática o que ela determina, porque você consegue, sim. Eu percebi isso por causa daquele assalto. Se eu consegui, você consegue, pois não sou em nada melhor do que ninguém. Ao ver na televisão, recentemente, imagens de arrastões na praia de Copacabana e bandidos arrancando bicicletas das mãos de pessoas no meio da rua, minha reação imediata foi me irar contra os ladrões. Cheguei a ter pensamentos bem ruins e muito pouco cristãos. Quando vi imagens de pessoas agarrando e arrancando bandidos de dentro de ônibus, no fundo, no fundo achei aquilo bom. Confesso vergonhosamente que minha humanidade gritou naquele momento por justiça humana. Mas, poucos dias depois, quando eu é que fui o alvo da maldade, instintivamente – ou, o que é mais certo, pela ação do Espírito Santo -, perdoei.

E, acredite, quando pedi a Deus que perdoasse aquele ladrão, desejei aquilo de todo o coração e não da boca para fora. Sei que parece estranho e pode até soar como falsa piedade, mas a pura verdade é que, naquele momento, o que eu senti por aquele homem foi pena, pois eu sei o que o espera no futuro caso não se converta dos seus maus caminhos. Analisando com calma, percebo que tive compaixão daquele homem que me fez mal, porque eu perdi apenas uma bicicleta, enquanto ele está a ponto de perder a alma.

Não gostei do susto que minha filha levou, me machucou. Mas sei que Deus tem um propósito naquilo, que eu ainda não entendo. E deposito minha total confiança no Senhor e sei que ele cuida de mim e dela, assim como cuida de você e tem um propósito para tudo de ruim que lhe acontece. Deus é Deus e Deus é bom. E sua Palavra é verdadeira e se cumpre. Viva com todo o seu fôlego a verdade do evangelho e realidades extraordinárias se descortinarão diante de seus olhos.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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