Arquivo da categoria ‘Pecado’

cafeMinha esposa trouxe-me uma xícara de café. Abri um largo sorriso; afinal, que marido não gosta de um paparico? Mas, então, pus a xícara na boca e fui invadido por arrepios: o café estava amargo de dar dó. Virei-me para ela e disse:

– Amor, você se esqueceu de pôr o adoçante. 

Ela fez uma cara de irritada e respondeu:

– Claro que não esqueci. Tenho certeza absoluta de que pus o adoçante.

Será que eu estava errado? Experimentei um segundo gole. Eca. Amargo. 

– Amor, tenho certeza de que esqueceu. Está amargo demais. 

Ela franziu a testa e rosnou:

– Já disse que não esqueci. Eu pus um saquinho inteiro. Tenho certeza. Posso ter esquecido de mexer, mas o adoçante está aí. É só mexer, deve estar no fundo da xícara. 

Eu costumo tomar algumas xícaras de café por dia, por isso sei bem o que é um café adoçado e o que não é, mesmo não mexido. Eu estava seguro de que ela tinha se enganado, mas resolvi dar-lhe o benefício da dúvida. 

– Tenho certeza de que não tem adoçante, mas, já que você diz, vou lá mexer. 

Levantei da cama e fui até a cozinha. De fato, havia um saquinho de adoçante aberto em cima da pia. Estaria eu errado? Mexi o café e tomei outro gole. Eca. Amargo. Voltei para o quarto. 

– Amor, já mexi e continua amargo. Você com toda certeza não pôs o adoçante. 

Aí ela se enfezou. 

– Olha só, Maurício, eu tenho certeza de que pus o adoçante. Cer-te-za! Se estou falando é porque pus! Que coisa! 

– Mas eu mexi e continua amarguíssimo! Estou dizendo, acredite em mim, não está com adoçante! Faz o seguinte: já que você não acredita em mim, prove você mesma. 

E estendi a xícara para ela. Que fez uma cara de birra e respondeu:

– Não vou provar nada. Se eu tenho certeza, pra que provar?

Estava estabelecida uma daquelas típicas discussões ridículas de marido e mulher, sabe como é? Foi quando tive uma epifania. Voltei para a cozinha e olhei dentro do saco de adoçante que estava em cima da pia. E, lá dentro, estava todo o conteúdo dele. Sucralose branca, reluzente e gloriosa. Sim, minha esposa tinha aberto o saquinho mas, distraída, se esqueceu de derramar o pozinho na xícara. O que antes era óbvio para minhas papilas gustativas agora era óbvio para os olhos. E para a razão. 

Depois que esse episódio até mesmo engraçado passou, fiquei pensando na teimosia da minha esposa. Eu tinha provado o café e afirmado que ele estava sem adoçante. Não seria óbvio acreditar no que eu estava falando? Para que eu inventaria aquilo? Eu amo café e, se estivesse bom, eu tomaria com prazer. Tudo deixava claro que eu tinha razão. Mas ela cismou que eu estava errado, e isso porque ela “achava” que tinha posto a sucralose na xícara. Porém, ela em momento algum disse que “achava”, sempre afirmou que “tinha certeza”. E estava errada. Temos de tomar cuidado com nossas “certezas”.

Você pode pensar que minha esposa é muito cabeça dura, que não custava nada ter acreditado em mim ou, na dúvida, pelo menos provado meu café para eliminar a cisma. Que mulherzinha teimosa, não é? Bem… permita-me defendê-la. Porque o que ela fez comigo todos nós fazemos com Deus. 

Deus sabe o que diz. Ele “provou o café” da eternidade e pôs nas páginas da Escritura todas as informações necessárias, para o nosso conhecimento. Mas eu e você, seres humanos teimosos e cabeças-duras, cismamos em questionar o que ele afirma, mesmo sabendo que o Senhor tem todo conhecimento de causa. 

cafe 1Deus nos manda não levantar falso testemunho, mas nós, volta e meia, estamos soltando uma mentirinha. Deus deixa claro que os arrogantes não têm parte com ele, mas vemos as igrejas repletas de gente altiva. Deus manda não devolver mal com mal, mas qual de nós não aprecia uma vingançazinha, não é mesmo? Deus diz no décimo mandamento que não devemos cobiçar nada do nosso próximo, mas a inveja é nossa companheira constante. Deus manda amar o inimigo, mas o que mais vemos são cristãos detonando quem pisa no seu calo. Deus diz que não devemos andar ansiosos por coisa alguma, mas a ansiedade não sai de nosso lado. Deus nos manda negar a nós mesmos e preferir os outros em honra, mas vivemos pondo o nosso ego e nossos interesses no pináculo do templo. Deus quer que sejamos amáveis, mansos e pacificadores, mas adoramos uma discussão sobre política ou religião que seja irada, agressiva e com palavras duras ou sarcásticas nas redes sociais. Deus fala, mas nós, teimosos, cismamos em nossas falsas “certezas”. Não seria melhor, mais sensato e mais óbvio confiar no que ele diz?

Deus conhece o gosto amargo do pecado, mas cismamos em desobedecer-lhe. Batemos pé que o amargo é doce. Afinal, tudo bem que Deus diz tal e tal coisa, mas… Repare bem nesse “mas…”. Ele é o grande problema. Nossas objeções à verdade bíblica são as maiores causas de enfiarmos os pés pelas mãos. A cisma em priorizar a nossa certeza acima da certeza de Deus é o que nos faz viver quebrando a cara. Afinal, te-mos-cer-te-za-de-que-a-do-ça-mos-o-ca-fé! Só que o café está amargo! Cabeças-duras que somos. 

Meu irmão, minha irmã, creia: Deus sabe o que diz. Não duvide das verdades bíblicas. Não procure tergiversar e dar explicações alternativas para o que é claro. Não tente afirmar que o amargo é doce ou que a doce é amargo. Se viver com coerência e confiança inabalável nas palavras do Senhor, você experimentará uma fé sólida, autêntica, fiel e verdadeiramente bíblica. 

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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cruz-amor 1Conheço um irmão em Cristo daqueles que pensavam ser a palmatória do mundo e, por isso, distribuía ataques com fúria a pessoas de quem discordava nas questões da fé. Ler suas postagens no Twitter me fazia mal, tamanha era a agressividade de seus posicionamentos contra aqueles de quem ele divergia em qualquer aspecto da vida e da teologia cristãs. Por uma série de circunstâncias, tempos depois ele imergiu numa crise que o lançou em uma profunda depressão. Por razões que não posso expor, por motivos éticos, em meio a esse furacão ele acabou assistindo a uma série de vídeos de pregação justamente de um dos sacerdotes que ele mais desqualificava, desmerecia e atacava. Que ele chamava de herege, na verdade. Após ter assistido aos sermões, aquele homem grandemente deprimido escreveu-me e, com humildade, disse o seguinte: “A ironia interessante é que as pregações do pastor xxxx, depois de eu, no passado, tê-lo relegado a um ‘plano inferior’, no mundo da teologia, têm me feito muito bem… Coisas desse Deus estranhamente bom”. 

O que esse irmão viveu não é um caso isolado. Eu me admiro por ver com que enorme frequência o Senhor abate os arrogantes, a fim de mostrar que sua graça é muito maior do que supõe nossa limitada capacidade teológica de compreendê-la. Eu mesmo sou um exemplo, como já relatei aqui no APENAS. 

Para que você entenda, caso não tenha lido o que já contei: depois de ter feito dois seminários teológicos e de conviver por anos num ambiente de alta crítica teológica, tornei-me um preconceituoso bobo, que relegava certas pessoas a uma espécie de segundo escalão da fé. Coisas de um tolo empavonado, como eu era. Só que Deus me permitiu passar pelo vale da sombra da morte e tive de enfrentar um processo de tristeza, depressão e abatimento. Quando mais eu precisava de apoio, não encontrei amparo entre os “amigos” da alta crítica, mas encontrei consolo e paz, veja você, justamente na literatura de autores que eu costumava desprezar. Nos meus piores momentos, quando Deus estava me reconstruindo e me fazendo ver que ele age, sim, por meio de muitas pessoas que desqualificamos, não encontrei paz e esperança nas obras densas e acadêmicas de que eu tanto gostava (e ainda gosto), mas nos escritos que antes eu considerava “rasos” e “superficiais”, como livros de Max Lucado. Coisas desse Deus estranhamente bom, que não cabe no gesso em que muitos querem aprisioná-lo. 

cruz-amor 2Foi nessa época que decidi mudar o foco de minha escrita e passar a escrever não para satisfazer a minha mente e o meu ego e para me destacar entre a elite do pensamento cristão (ah, a vaidade, sempre ela…), mas para oferecer respostas e alento à alma cansada e ao coração aflito do meu próximo, linha que tenho seguido desde então. Abandonei o linguajar rebuscado e acadêmico em meus textos e livros e adotei a linguagem simples e coloquial. Sem abrir mão de abordar assuntos profundos da fé, passei a fazê-lo de modo a transmitir verdades essenciais do evangelho num texto bastante simples, para todo tipo de leitor. Claro que isso me fez alvo do bullying de muitos amigos da alta crítica – coisa desses seres humanos estranhamente maus. 

Mas meu objetivo com este texto não é falar sobre mim.  Conto tudo isso apenas a fim de chamar a sua atenção para o fato de que esse Deus estranhamente bom muitas vezes vai surpreendê-lo, usando pessoas e meios que  jamais você imaginaria para cumprir os seus propósitos na sua vida. Lembra-se de Davi, o menos provável de ser escolhido rei dentre seus irmãos? Pois justo ele foi ungido rei de Israel. Coisas desse Deus estranhamente bom. Lembra-se de que Deus usou justamente o pagão Nabucodonosor para disciplinar seu povo? Coisas desse Deus estranhamente bom. Lembra-se de que o Senhor fez do ex-escravo e ex-presidiário José a segunda pessoa mais importante do Egito? Coisas desse Deus estranhamente bom. Lembra-se de como o Senhor usou Gideão, o menor dentre os menores, para dar vitória a seu povo? Coisas desse Deus estranhamente bom. 

Sim, o Senhor ainda vai te surpreender muitas e muitas vezes. Em certas ocasiões, será assombroso. Em outras, será doloroso. Haverá, ainda, momentos em que ele te deixará de queixo caído. Usará quem você menos espera. Fará as coisas acontecerem como você nem imagina. Muitas vezes, haverá surpresas aparentemente incompreensíveis. Só não se pode perder de foco que Deus faz tudo isso devido às suas estranhas bondade, graça e misericórdia. 

Meu irmão, minha irmã, mantenha os ouvidos atentos e o coração aberto, pois você nunca saberá de onde se fará ouvir a voz de Deus. Ela poderá vir pelos lábios daquele pastor que você desqualifica, da cantora que você sentenciou aos quintos dos infernos, daquele livro que você considera raso e superficial, daquele seu inimigo que te estenderá a mão quando teus “amigos” te largarem para lá. Afinal, a voz de Deus não está submissa aos altivos quereres humanos, mas à absoluta soberania do Todo-poderoso. 

cruz-amor 3Peço ao Senhor que sempre faça você ouvir a sua voz, não importa de que lado ela venha. Oro a Deus que seus preconceitos não sejam tão barulhentos a ponto de te impedir de escutar o que ele diz, muitas vezes por meios que você jamais imaginaria. Esteja aberto à atuação surpreendente do Criador, que, creio eu, deve ter se divertido muito ao ver a cara de choque dos irmãos de Davi quando perceberam que foi justamente o mais desprezado dentre eles o escolhido para realizar os propósitos divinos. Peço ao Altíssimo que, nas situações mais atribuladas e difíceis da sua vida, você esteja de ouvidos abertos para escutar, venha ela de onde vier, a voz desse nosso maravilhoso Deus estranhamente bom. 

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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beleza 1Escrevo este texto sentado em um banco do lado de fora da sala em que minha filha tem sua aulinha de balé. Meus olhos se alternam entre os gestos bonitos de pequena e a tela do celular, por onde acompanho o noticiário do dia. Quando ergo os olhos, vejo a pequenina dar saltos elegantes e fazer passos encantadores. Quando baixo os olhos, leio sobre a lama que toma conta da presidência da República, do Congresso, do país. Ao erguer os olhos, consigo sorrir. Ao baixar os olhos, sinto vontade de chorar. Olhos para cima; vejo beleza, graciosidade, esperança. Olhos para baixo; vejo o horror, a imundície, a corrupção humana. Percebo que, dependendo de para onde olho, vejo a graça, o amor e a ação de Deus nesta terra ou vejo a mentira, o cinismo e a ação do pecado neste mundo. Felizmente, posso alternar a direção e o foco de meus olhos. E você também pode. 

Não é segredo para ninguém que o Brasil vive dias calamitosos. Nunca, em meus 44 anos de vida, vi tanta imundice nas estâncias do poder. Jamais testemunhei tanta desfaçatez, mentira e manipulação. Enoja qualquer cidadão de bem ver o que o Brasil tem vivido, com governantes sórdidos, com um vocabulário desbocado que revela do que está cheio seu coração, sem caráter nem preocupação com o próximo. É inédito o que vejo no noticiário: um punhado de criminosos que ocupam cargos de liderança em nosso país, graças a promessas mentirosas feitas em época eleitoral e a políticas populistas e assistencialistas, destruírem a ética, ignorar o que é bom, praticar o mal tão descaradamente. Ao olhar para as notícias na tela do meu celular, sinto vontade de me ajoelhar e chorar, clamando a Deus por misericórdia sobre a nossa nação. 

beleza 3Mas, então… meus olhos se voltam para cima e o que vejo me enche de esperança. Sim, ainda há beleza no mundo. Ainda há poesia, graça, luz, futuro. Olho para minha herdeira e sei que nela há potencial para uma geração ética, amorosa, correta, que não venderá tudo o que se liga à boa moral pela ganância e a ânsia por poder e dinheiro. É ao olhar para cima que enxugo as lágrimas e sorrio, lembrando que o Senhor ainda está no controle. E sempre estará. Vivemos dias horríveis no Brasil. Mas temos uma opção: afundar nossas esperanças com base nas péssimas notícias do dia ou avivar nossas energias e nosso potencial ao erguer os olhos e apreciar o que há à frente. Fiz minha opção. Dou uma espiada no noticiário do dia, para manter-me a par das coisas. Mas, em pouco tempo, desligo o celular e elevo meus olhos para o alto, de onde sempre vem o socorro. 

“Portanto, também nós, uma vez que estamos rodeados por tão grande nuvem de testemunhas, livremo-nos de tudo o que nos atrapalha e do pecado que nos envolve, e corramos com perseverança a corrida que nos é proposta, tendo os olhos fitos em Jesus, autor e consumador da nossa fé” (Hb 12.1).

beleza 2Concluo que é ao erguer os olhos e os depositar na beleza, no amor e na graça que serei fortalecido para viver mais um dia com esperança e paz. Não, me recuso a ser vencido pela miséria humana, pelo pecado, pelo horror. Jesus já venceu tudo isso na cruz. Por isso, tenho certeza de que, se mantiver meus olhos direcionados para o alto, sem me esquecer de quem é o Senhor do universo, o Autor da vida, o Controlador de tudo, viverei em paz, por saber que o Deus que pisa no mal e promete um futuro sem lágrimas, nem dor, nem sofrimento… segue sendo Deus. 

Meu irmão, minha irmã, você tem sofrido com as notícias do dia, pelo peso da lama que soterra nosso país? Então fica uma sugestão. Desligue um pouco o telejornal, olhe para os lírios do campo e para as aves do céu e lembre-se de que Aquele em quem devemos depositar confiança inabalável permanece sendo o Senhor da História. Ele abate o soberbo. Ele dá graça ao símplice. Ele é bom. Ele é verdade e justiça. Entrega o teu caminho ao Senhor, confia nele e o mais ele fará. Desfrute da beleza da vida, reflexo da beleza de Cristo, e, assim, conseguirá viver com os olhos fixos no autor e consumador da fé, passando por cima da podridão deste mundo, rumo ao alvo da glória celestial.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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brasil 1O Brasil tem vivido dias de imensa fúria. Em nosso país, a situação deplorável do governo, a corrupção onipresente, a polarização entre adeptos da esquerda e da direita e a crise econômica lotam os noticiários, pautam as discussões e fazem as redes sociais fervilharem. Os debates que envolvem as notícias do dia, na maioria das vezes, são recheados de afirmações revoltadas, reclamações injuriadas, agressões para todos os lados e intermináveis discussões e trocas de acusações. Vivemos dias duros. A toda hora a notícia da hora nos faz ferver o sangue. Queremos comer o fígado de políticos, mandar os corruptos para o quinto dos infernos e explodir todos aqueles que não concordam conosco. Dias difíceis, os nossos. Dias saborosos para os zelotes e amantes da espada, mas estarrecedores para os mansos e humildes de coração. 

Tem sido raro encontrar aqueles que estejam plácidos, equilibrados e controlados diante do cenário da nossa nação. Os estoicos e blasés desapareceram do mapa, dando lugar aos explosivos e revoltados. A indignação é válida e devemos, sim, nos indignar com toda a lama que escorre dos palácios do governo e dos escritórios de grandes corporações corruptoras. Não há como amar a justiça e a verdade e se manter impassível diante do atoleiro de mentiras, trapaças, sujeiras e pecados que se tornou o Brasil. 

Minha pergunta é: como devemos manifestar toda essa justa e necessária insatisfação? Será que nós, cristãos, devemos reagir como o mundo reage, fazendo chacotas indecentes, usando palavras torpes, adjetivando de modo desrespeitoso fulano ou sicrano, destilando veneno em nossas palavras e em nossos memes, desejando que os maus morram e se arrebentem, entre posts imprecatórios nas redes sociais e falas avalânchicas por onde passamos? 

Qual é a postura adequada a quem vive para ser imitação de Cristo? O amor ou o ódio? A pacificação ou o acréscimo de lenha à fogueira? A destemperança ou a paciência? A amabilidade ou a ofensa? A bondade ou a raiva, destilada entre perdigotos e olhares injetados? A mansidão ou a fúria? O destempero ou o domínio próprio? Afinal, como devemos reagir a tudo o que nos cerca?

brasil 2Ser cristão é ser diferente. É nadar contra a correnteza, quando a correnteza não segue de acordo com o relevo do evangelho. É controlar nossos impulsos humanos de vingança e raiva para dar lugar à pacificação que nos fará bem-aventurados. Não somos cristãos se agimos e reagimos como o mundo, com a diferença que vamos à igreja aos domingos. Se somos iguais ao mundo, somos mundo – mesmo frequentando o culto e cantando músicas cristãs. Cabe, então, a pergunta: você tem reagido aos lamentáveis noticiários como um santo ou como um pagão? Como alguém que entende que sua pátria não é deste mundo ou como um cabeça-quente que vive entre imprecações e gritos de revolta? 

Sim, não devemos nos conformar com a injustiça. Não podemos, como servos de Deus, nos manter impassíveis diante da corrupção humana. Deus não fica impassível; nós também não devemos ficar. Meu questionamento não é “sim ou não”, mas “como”.  De que modo você reage? Que palavras escolhe ao se posicionar? O que há no seu coração? Sua alma busca a justiça e a verdade com paz ou com guerra? 

Os dias são maus, meu irmão, minha irmã. Mas não podemos permitir que a maldade do mundo caótico nos contamine. Temos de permanecer como diferentes, como luz. Brilhemos nessa treva tão densa. Afinal, se formos trevas em meio a trevas, que diferença fazemos? Se há uma hora em que precisamos mostrar ao mundo quem habita em nós, a hora é esta, pois é em meio à crise que os santos sobressaem. 

Jesus não nada no mar do caos, ele caminha por sobre as águas. Assim devemos nós fazer.

brasil 3Deixo a reflexão: como você tem se posicionado ante tantas notícias revoltantes que inundam os jornais do dia? Como um revoltado ou como um ponderado? Como um desvairado ou como um equilibrado? As notícias te dominam ou o Espírito Santo é quem conduz suas ações e palavras? Ser fiel ao amor quando tudo vai bem é moleza. Mas é justamente na hora em que alguém grita “fogo!” que descobrimos quem são os que dão passagem às mulheres e crianças primeiro e quem são os que saem pisoteando quem estiver pela frente. Quem é, afinal, que controla as suas palavras e as suas ações diante da miséria humana, da corrupção do mundo e do caos provocado pelo pecado? O amor? Ou o ódio? Descubra quem é o seu senhor na hora da crise e você constatará se tem agido conforme a vontade do Senhor Jesus Cristo. 

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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idolatria 1Você pode não perceber, mas talvez tenha erguido um ou mais bezerros de ouro no seu coração. Se for o caso, gostaria de propor uma reflexão, para que você tente identificar se esse mal de fato ocorre em sua vida e tome providências urgentes para mudar essa visão nociva. Deixe-me perguntar: como você lida com a sua denominação, a igreja em que congrega e seus líderes? Mais importante ainda: como você enxerga as outras denominações, igrejas ou líderes? Existe um mal escondido entre os cristãos, que é o da idolatria denominacional, eclesiástica ou pastoral, que ocorre quando você passa a considerar a sua denominação, a sua igreja ou o(s) seu(s) líder(es) como não deveriam ser considerados — como superiores de algum modo. De forma alguma estou estimulando a rebeldia ou a insubmissão, que são comportamentos pecaminosos e, portanto, eu os rejeito totalmente. A minha proposta é de reflexão, para que você não acabe pecando pela prática da idolatria. Pensemos sobre isso.

Você tem a sua denominação como a mais certa, a única que contém a verdade do cristianismo, irretocável em suas doutrinas? Você estufa o peito com orgulho quando diz “eu sou presbiteriano”, “eu sou batista”, “eu sou assembleiano” ou “eu sou metodista”? E o sintoma mais clássico da idolatria denominacional: você olha com um olhar ligeiramente superior para as outras denominações? Será que você é um pentecostal que chama a igreja presbiteriana de “sorveteriana”? Será que você é um presbiteriano que olha com pena para os pentecostais, como se fossem coitadinhos ignorantes e equivocados? Será que você acha que “os batistas não entendem nada, porque não batizam crianças”? Será que você faz piadas ou trata com superioridade outras denominações, porque não são calvinistas ou arminianas como a sua denominação? Será que, de certo modo, considera que o cristianismo puro e simples só é vivido totalmente na sua denominação e não nas outras? Você se irrita ou se chateia quando alguém aponta os erros ou critica a sua denominação? Cuidado. Se você percebe que tem algum tipo de comportamento ou pensamento como esses, é bem possível que tenha construído um bezerro de ouro denominacional no seu coração. E isso é pecado de idolatria.

idolatria 2O mesmo vale para sua igreja local. Você é apaixonado por ela? Considera a sua congregação um oásis no meio das demais igrejas “desviadas”, “não tão boas” ou “não tão certas”? Tem um indisfarçável orgulho quando enfatiza o pronome possessivo “minha igreja”? Convida pessoas não cristãs não para conhecer Cristo, mas para conhecer “a minha igreja”? Chega ao ponto de lamentar que pessoas cristãs que frequentam outras igrejas não estejam na sua? Você se irrita ou se chateia quando alguém aponta os erros ou critica a sua igreja? Cuidado. Se você percebe que tem algum tipo de comportamento ou pensamento como esses, é bem possível que tenha construído um bezerro de ouro eclesiástico no seu coração. E isso é pecado de idolatria.

E que dizer de seu líder (ou líderes)? Será que você o vê como alguém especial, único, maravilhoso, alguém que se destaca dos demais, de sabedoria ímpar, de conhecimento perfeito ou de santidade inabalável? O que ele diz você acata como um dogma sem jamais se perguntar se ele está certo? O que ele ensina você toma como a única verdade possível? Ao ouvi-lo você se deleita como se estivesse ouvindo o próprio Deus? Quando ele está ausente do culto você desanima porque gostaria que ele estivesse pregando? A figura dele é inquestionável para você? Você convida pessoas não cristãs para ir ao culto a fim de “ouvir o seu pastor” em vez de ser para conhecer Cristo? Você se irrita ou se chateia quando alguém aponta os erros ou critica seu líder? Cuidado. Se você percebe que tem algum tipo de comportamento ou pensamento como esses, é bem possível que tenha construído um bezerro de ouro pastoral no seu coração. E isso é pecado de idolatria.

Meu irmão, minha irmã, o ser humano é imperfeito. Absolutamente todo ser humano peca. Todo indivíduo se equivoca. Consequentemente, qualquer estrutura ou instituição formada por pessoas certamente terá erros. Esse é o perigo da idolatria denominacional, eclesiástica ou pastoral: depositar uma paixão inquestionável em algo ou alguém que jamais seria inquestionável, uma vez que é homem ou formado por homens.

idolatria 3O cristianismo como um todo não cabe em uma única denominação. Abraçar um pacote de doutrinas e práticas da denominação A ou B como inerrante, sem considerar que pode haver falhas nele é divinizar algo que é apenas uma forma humana de enxergar e viver a fé. Presbiterianismo não é o cristianismo em sua totalidade, é uma das muitas formas de se ver e praticar o evangelho do único Caminho. Pentecostalismo não é o cristianismo em sua totalidade, é uma das muitas formas de se ver e praticar o evangelho do único Caminho. Metodismo não é o cristianismo em sua totalidade, é uma das muitas formas de se ver e praticar o evangelho do único Caminho. E assim por diante. Discordar disso é tornar-se um mero religioso, alguém que enxerga métodos, doutrinas e liturgias como evangelho. E não são. São apenas meios humanos de lidar com o divino. Ouvir isso te incomoda? Hmmm… cuidado com os bezerros de ouro.

O mesmo vale para sua igreja local. Acredite: ela não é perfeita. Os membros são, todos, pessoas que pecam, erram e são incapazes de compreender Deus em sua plenitude sem incorrer em distorções. Congregar em uma família de fé é imprescindível, não concordo com a igreja dos desigrejados. Mas não é por isso que enxergo qualquer igreja local como perfeita — simplesmente porque nenhuma é. Viver em igreja é fundamental, pois a congregação é o local onde se praticam as ordenanças (batismo e ceia), onde os membros se encontram com propósitos mútuos de edificação, onde a assembleia se reúne para louvar coletivamente o Senhor e ouvir a exposição da Palavra, onde ações sociais podem nascer pela conjunção de corações amorosos, e muito mais. A igreja local é imprescindível. Mas cuidado. Enxergue-a como uma comunidade de pessoas que pecam e erram e estão ali para buscar o único que é Perfeito. Uma igreja não deve ser vista com admiração, mas com gratidão e humildade, por ser o local mais propício para sermos afiados, lapidados e conformados à imagem de Cristo. Ajude sua igreja a ser o melhor que ela puder, sem jamais deixar de enxergá-la como o que ela é: um ajuntamento de pecadores em processo de santificação, em busca de Deus. Mas ela não é a única boa, não é a melhor, não é nem de longe um paraíso. Ouvir isso te incomoda? Hmmm… cuidado com os bezerros de ouro.

idolatria 4Que dizer, então, dos líderes? Homens de carne e osso, sujeitos ao pecado e ao erro. Necessitados da graça de Deus, formados do mesmo pó que eu e você. São pessoas cheias de problemas, dúvidas, questionamentos, fraquezas, imperfeições, pecados ocultos, tentações e arrependimentos. Muitos lutam com questões internas, dificuldades conjugais, períodos de aridez, depressão, equívocos. O seu líder precisa do seu apoio e do seu amor, da sua parceria e da sua lealdade, mas tudo de que ele não precisa de jeito nenhum é que você se torne um seguidor cego e irracional de quem ele é e faz, pois isso o tornaria um ídolo — e Deus não tolera ídolos. Nem mesmo o anjo suportou que João se prostrasse ante ele, na visão do Apocalipse. Quer fazer mal ao seu líder? Enxergue-o e trate-o como alguém que tem algum tipo de superioridade, seja espiritual, seja moral, seja qual for. Pois ele não é superior: é igualzinho a você, com a diferença que Deus o chamou para liderar. Só. Ouvir isso te incomoda? Hmmm… cuidado com os bezerros de ouro.

Meu irmão, minha irmã, não despreze as denominações, as igrejas locais e os líderes. Eles existem com bons propósitos e ajudam a vivermos bem o evangelho. Eles proporcionam ordem, estrutura, direcionamento e são coisas boas. Devemos fazer parte de uma igreja (o que, em muitos casos, mas não necessariamente, pressupõe uma denominação) e precisamos de pastores. Deus quer que congreguemos e foi Deus quem estabeleceu os pastores, os mestres e os outros líderes. Devemos congregar e precisamos ser pastoreados, isso é agradável ao Senhor, é indispensável. Mas nunca, jamais, devemos ser cegos. Deus não quer que você se apaixone pela sua denominação, quer que ame a ele. Deus não quer que você venere a sua igreja local, quer que venere a ele. Deus não quer que você considere seu pastor como uma figura quase divina, quer que você reconheça Deus como o único ser divino. O que foge um milímetro disso torna-se um bezerro de ouro.

idolatria 5Lembre-se de que Pedro e Paulo cometeram pecados e erraram muito e que eles discordaram um do outro. Ambos eram cristãos e líderes, mas nenhum dos dois estava plenamente certo e era inerrante – assim como quaisquer denominações e líderes. Ai de quem tomasse Pedro ou Paulo como plenamente certos, pois teria errado. E foi esse mesmo Paulo quem escreveu em poucas palavras um ensinamento brilhante e inspirado pelo divino Espírito acerca de bezerros de ouro denominacionais, eclasiásticos ou pastorais (um pecado que, guardado o devido contexto, já havia no século primeiro, devido à mania humana de compartimentalizar o evangelho): “Irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo suplico a todos vocês que concordem uns com os outros no que falam, para que não haja divisões entre vocês; antes, que todos estejam unidos num só pensamento e num só parecer. Meus irmãos, fui informado por alguns da casa de Cloe de que há divisões entre vocês. Com isso quero dizer que algum de vocês afirma: “Eu sou de Paulo”; ou “Eu sou de Apolo”; ou “Eu sou de Pedro”; ou ainda “Eu sou de Cristo”. Acaso Cristo está dividido? Foi Paulo crucificado em favor de vocês? Foram vocês batizados em nome de Paulo?” (1Co 1.10-13).

Cuide de você e dos seus irmãos: tenha o entendimento óbvio de que nenhuma pessoa ou estrutura eclesiástica é inerrante e irretocável. Portanto, pressuponha que há erros. Há falhas. Contribua para o serviço de sua igreja e para fazer dela um lugar cada vez melhor (pois toda igreja sempre pode melhorar). Também seja leal e ajudador do irmão em Cristo que ocupa a árdua tarefa que é ser pastor. Mas enxergue-os como são: humanos. Isso evitará que você viva sem perceber em pecado de idolatria e que contribua para a idolatria de seres e instituições que Deus não quer que sejam idolatrados. Aceite de bom grado as críticas a eles. Tenha olhar positivamente crítico, como os bereanos. Suas eventuais críticas, desde que amorosas e graciosas, serão muito mais valiosas do que a sua cegueira ou o seu fanatismo. Porque Deus não quer religiosos fanáticos, quer filhos radicais – o que é muito, mas muito diferente.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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soberba 1Você conhece alguém que se acha sempre certo? Que faz questão de que todos façam tudo do seu jeito e não suporta quando alguém discorda dele e decide fazer algo diferente? A impressão que dá é que tudo gira em torno dessa pessoa, que ela se enxerga como o centro de todas as coisas, aquela em função de quem tudo mais acontece? Pois esse indivíduo sofre daquilo que costumo chamar de “Síndrome de Deus”. 

No caso do Senhor, é justo e certo que assim seja. Afinal, o universo foi criado para a sua glória e tudo o que existe e ocorre aponta para ele. Bem disse o rei Davi: “Bendito és tu, SENHOR, Deus de Israel, nosso pai, de eternidade em eternidade. Teu, SENHOR, é o poder, a grandeza, a honra, a vitória e a majestade; porque teu é tudo quanto há nos céus e na terra; teu, SENHOR, é o reino, e tu te exaltaste por chefe sobre todos. Riquezas e glória vêm de ti, tu dominas sobre tudo, na tua mão há força e poder; contigo está o engrandecer e a tudo dar força” (1Cr 29.10-12). 

Esse é o nosso Deus. Soberano, o único caminho, a única verdade, detentor de toda autoridade, santo e magnifico, inquestionável. Ele tem total direito de baixar decretos, de exigir para si a glória, de demandar obediência irrestrita. Criador, autor da vida, provedor e sustentador de todas as coisas, ninguém pode nada contra ele, na terra ou nas regiões celestiais. 

É por isso que, quando você lê a Bíblia, fica claro como o Senhor rejeita qualquer tentativa do ser humano de estabelecer algo no lugar de Deus – a famosa idolatria. O texto bíblico deixa explícito como é abominável para o Altíssimo que se tente divinizar ídolos, falsos deuses ou mesmo seres humanos. No entanto, não é raro encontrarmos aqueles que se posicionam como senhores da verdade.  A Síndrome de Deus gera esse mal. 

Nós, seres humanos, somos perfeitamente imperfeitos. Pecadores, depravados, amantes daquilo que nos afasta do que é puro e bom. Por conta disso, chega a ser bizarro ver pessoas que se acham convictas de suas certezas de forma inquestionável, em nada abertas à possibilidade de estarem erradas, que se posicionam como absolutas detentoras do conhecimento da verdade. Soberbas. Quem sofre de Síndrome de Deus é apresentado na Bíblia como “homem de dura cerviz”. É o inflexível, o surdo aos demais, o que sente pena ou raiva do diferente. 

Sempre que sintomas da Síndrome de Deus começam a pipocar em mim, procuro me aquietar, orar e me pôr no meu devido lugar: uma pessoa que erra, sujeita a muitas falhas. Longe de estar sempre certo. Uma pergunta que me faço constantemente para evitar esse mal é: e se eu estiver errado? Cogitar isso me faz crescer em humildade, respeitar o diferente e amar quem considero estar errado. E me livra, bastante, da arrogância. 

Todos deveríamos pôr isso em prática. Se  constantemente fizermos esse exercício haverá muito menos “deuses” neste mundo. Que, consequentemente, será muito mais repleto de amor, obediência e paz. Faça o teste: seja humilde. Com isso, você se torna bem-aventurado – e Jesus agradece.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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rachadura 1Eu contei: no último ano, saí 37 vezes de casa para pregar, em igrejas próximas ou distantes. Isso me levou a viajar muito pelo Brasil e, consequentemente, a ficar hospedado em diferentes hotéis. Algo interessante que percebi é que nunca um quarto de hotel, por mais simples ou luxuoso que seja, é perfeito. Isso me fez pensar um pouco sobre a perfeição – ou a falta dela. Em Brasília, o ar condicionado jogava ar gélido diretamente sobre a cama. Em Teresina, o ar condicionado estava pifado. Em Barra do Piraí, a janela do quarto dava para uma área cheia de popô de pombos. Em Jaboatão dos Guararapes, o vento na janela era tanto que era difícil dormir com o assobio do vendaval. Em João Pessoa, o chuveirinho do banheiro vazava e encharcava o quarto inteiro. Em Recife, o chuveiro minava água, que inundava o banheiro após cada banho – que era difícil de tomar porque ou a água ficava muito quente ou muito fria. E o telefone do quarto não funcionava. Em nenhum hotel havia tapete no box, o que me levou a sempre pôr uma toalha de rosto no chão para não escorregar. E por aí vai. 

Entenda, por favor: não estou reclamando, de forma alguma. Os hotéis foram todos muito agradáveis, reservados com muito carinho e atenção pela generosidade dos queridos irmãos que nos convidaram para pregar ou palestrar. As acomodações eram excelentes e nos permitiram descansar, repousar e ter sossego para orar em paz e nos preparar para as ministrações. Foram bênção e sou grato a cada irmão que convidou a mim, minha esposa e minha filha para ali ficar hospedados. O ponto para o qual desejo chamar atenção é que, embora fossem todos hotéis muito agradáveis, nenhum deles era absolutamente perfeito. Sempre havia algo que me obrigava a pedir auxílio na recepção para trocar de quarto ou improvisar algum tipo de solução. 

rachadura 2Eu e você somos como esses quartos de hotel. Temos muitas características boas, qualidades, virtudes e valores admiráveis. Somos pessoas cinco estrelas, pois fomos criados à imagem e semelhança do Criador. Mas jamais seremos perfeitos. Sempre haverá em nós algo a ser consertado, remendado, aperfeiçoado. Fomos criados como resultado do amor de Deus, mas o pecado que habita em nós faz com que algo sempre precise de ajustes. 

A grande vantagem de se adquirir essa percepção, em vez de posar de superssantos inerrantes, é que nos colocamos em nosso devido lugar e, com isso, nos tornamos mais graciosos com o erro alheio. Ao perceber que temos muitas imperfeições e falhas, somos levamos a tolerar e suportar os defeitos do nosso próximo com graça e compaixão. Afinal, não somos melhores do que ninguém e estamos todos no mesmo barco – aquele que transporta pecadores em processo de aperfeiçoamento pela vida até o dia em que chegaremos ao nosso destino final. 

Da próxima vez que você deparar com alguém que te incomoda, chateia ou entristece pelos defeitos que tem, lembre-se de que, se ele apresenta um vazamento de água, você está com seu ar condicionado pifado. Se o seu próximo não tem tapete no box do chuveiro, você tem janelas que assoviam constantemente pelo vendaval. Todos temos falhas: as suas apenas são diferentes das do seu próximo. Nem melhores, nem piores: só diferentes. 

rachadura 3O pior tipo de cristão é o que se põe acima dos demais, seja moralmente, seja espiritualmente, seja intelectualmente. Há quem creia na depravação total da humanidade – que nos iguala a todos – mas age com quem ele considera estar errado com arrogância, altivez, soberba. Apresenta-se como detentor de conhecimento superior, de mais santidade, de mais cristianismo. E se esquece de que sua goteira pinga dia após dia, inundando o quarto de sua alma. Falta de graça. Falta de amor. Falta de compaixão. Falta de autocrítica. Falta de Cristo. 

Se você considera que alguém está errado, lembre-se de que você também está. Ele erra em A, você erra em B. Sua moral não é irretocável. Seu conhecimento teológico não é inerrante. Sua espiritualidade não é inequívoca. Seu relacionamento com Deus é cheio de buracos. Você é falho, como eu, como qualquer outro. Tenha humildade, pelo seu próprio bem. E porque não haveria nenhuma razão para não ter.

rachadura 4Na maioria das ocasiões, tive de solicitar auxílio à recepção do hotel. Por vezes me mudaram de quarto, em outras  mandaram alguém da manutenção, em outras tantas solucionaram a questão trocando aparelhos defeituosos. Recomendo que você procure o grande Recepcionista da sua vida e peça a ele ajuda para consertar as suas imperfeições, sabendo que para cada tipo de problema há uma solução diferente. Preocupe-se mais com os seus vazamentos e defeitos do que com os do próximo. Acredite: já será um grande avanço se você conseguir que a goteira ou o ar gélido da sua própria alma seja consertado. 

Aí, então, com a convicção de que você é um daqueles quartos de hotel cinco estrelas mas, por baixo das partes restauradas, bem cheio de rachaduras,  ajude seu próximo a solucionar o telefone quebrado dele, com amor, carinho, encorajamento, paciência e graça. Ao fazer isso, em vez de agir como alguém petulante e acusador, você de fato estará exercendo seu papel como filho de Deus e cidadão do Reino dos céus. 

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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