Arquivo da categoria ‘Pecado’

CHABPOLIN 1Gostei muito quando assisti a uma entrevista do ator mexicano Roberto Bolaños, conhecido por interpretar os personagens Chaves e Chapolin na televisão, pois ele disse algo que sempre pensei. Indagado sobre o que  achava de heróis como Superman e He-Man, ele respondeu: “Eles não são heróis. Herói é Chapolin Colorado. O heroísmo não consiste em não sentir medo, e sim em superá-lo. Superman é um super-herói, é todo-poderoso, por isso não sente medo. Chapolin morre de medo e, consciente dessa deficiência, ele enfrenta o medo. Isso é ser um herói. E ele perde muitas vezes, o que é outra característica dos heróis”. A reflexão de Bolaños é muito boa. Quando escrevi a série de livros de ficção cristã que teve início com O enigma da Bíblia de Gutenberg, uma das características que fiz questão de manter em todos os livros é que Daniel, o protagonista e herói das aventuras, não é, nem de longe, perfeito: ele erra com frequência, mas aprende com suas falhas e se esforça por não mais errar. Achei pertinente Bolaños ter dito o que disse, pois eu sempre afirmei que Daniel era o herói dos livros justamente porque ele erra, é verdade, mas se recusa a estagnar no pecado e se arrepende, aprende com os erros e se esforça para não mais errar. O que é uma lição para a minha e a sua vida. 

Ao longo de sua trajetória, você ainda vai errar, e muito. Terá pensamentos inconfessáveis. Pecará por deixar de fazer o bem. Desobedecerá muito a Deus em nome de boas desculpas. Usará sua língua para o mal. Se encherá de orgulho. Desprezará o pobre. Sentirá inveja do rico. Desonrará pai e mãe. Desejará o mal de quem te fez mal. Odiará. Cobiçará. Incitará em vez de pacificar. Se envaidecerá. Negará Jesus com suas atitudes. Terá preguiça. Enganará pessoas. Fará coisas ainda piores. E, se disser que não fará nada disso, mentirá. Como eu posso afirmar? Simples: porque você não é um super-herói, é um mero mortal. E mortais pecam. 

jESUSA boa notícia é que você tem dois caminhos a seguir: pode se conformar em continuar cometendo seus pecados de estimação ou seguir pelo heroico caminho da resistência. Que você ainda vai pecar muito, isso é fato. A grande questão é: o que fará quando isso acontecer? O que aprenderá? Que estratégias desenvolverá para não voltar a cometer o mesmo erro? De que modo ter pecado o ajudará a não mais pecar? Se você extrair ensinamentos e aprendizado dos seus pecados, refletir sobre eles, criar mecanismos que o ajudem a evitar incorrer nas mesmas transgressões e conseguir de fato vencer as tentações… a meu ver, será um herói. 

O enigma da Biblia de GutembergJesus, na eternidade, era o super-herói maior. Para ele não havia nem kriptonita. Mas, ao encarnar como homem, ele tornou-se o herói da humanidade, pois, passível de pecar, não pecou. Tentado em tudo, não cedeu. Confrontado no deserto por seu arqui-inimigo, o derrotou pelo poder da Palavra. Jesus nos deu o exemplo maior de heroísmo e provou que é possível ser um herói. Você pode. Deus te deu conhecimento de sua vontade. Deu domínio próprio. Deu seu Espírito. De que mais você precisa? Certa vez, me perguntaram em quem eu havia me inspirado para criar o Daniel, o herói de meus livros de ficção, que erra mas aprende, se arrepende e, depois, faz a coisa certa. Na hora, respondi: “em ninguém”. Hoje, percebo que respondi errado.

Eu me inspirei em alguém, sim: em mim e em você, os chapolins da vida real. 

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

Confiança inabalável_Banner ApenasClicando nas imagens acima e abaixo você vai para a livraria virtual das lojas Saraiva.

APENAS_Banner três livros Zágari

escandalo gospelNo meio cristão volta e meia somos surpreendidos por um escândalo. Como nossa fé prega a santidade e o apego inegociável aos valores éticos, ficamos profundamente chocados quando tomamos conhecimento de falhas morais ou atitudes reprováveis de algum irmão ou irmã – seja de nosso círculo próximo de relacionamentos, seja alguém com mais notoriedade. É compreensível. O pecado nos choca, confronta, entristece, abate, revolta. Nessas horas, nosso senso de justiça nos leva a querer sangue, exigir punição dos pecadores, hereges e canalhas. A minha pergunta é: como exatamente devemos proceder quando explode um escândalo no meio cristão?

Pastores que falharam em sua santidade, irmãos que pecaram na sexualidade, líderes que desonraram pai e mãe, cristãos famosos que disseram ou fizeram algo estranho em público, bons pregadores que passaram a pregar heresias… a lista das causas de um escândalo entre nós é interminável. No centro de todas, uma única causa: pecado. Deus é santo e não tem parte com o pecado, é certo. Mas Deus também é gracioso e sua misericórdia dura para sempre. Diante dessa realidade, eis minha sugestão sobre como devemos nos posicionar diante de um escândalo:

1. Não tenha prazer no escândalo. Quedas morais, pecados e heresias são tragédias. São desastres. Não são motivo de piada. Devemos tratá-los como o horror que representam: com lamento, choro e profunda tristeza. O pecado jamais deve se tornar motivo para tricotadas, fofocadas, “você soube da última?” ou disse-me-disse. Não faça piada com o horror. Não se deleite na tragédia. Isso é papel do Diabo.

2. Fale com Deus. Converse sobre o escândalo com as demais pessoas apenas o estritamente necessário. A pessoa com quem você deve conversar intensamente e longamente sobre o escândalo é o Senhor. O nome disso é oração. Portanto, ore a Deus, peça misericórdia sobre a vida dos envolvidos, clame por arrependimento e restauração. Ficar de tititi com as pessoas, pessoalmente ou nas redes sociais, não adianta absolutamente nada; orar adianta tudo.

3. Não conclua antes de saber de todos os fatos. Cansei de ver escândalos em que as pessoas criam mil conjecturas acerca do que houve sem saber direito as informações. “Ouviram falar” e, por causa disso, tomam comentários colhidos ao vento como verdades absolutas. Para emitir uma opinião, assumir uma postura, tomar lados, se posicionar, antes é preciso ter total conhecimento da situação. Nesse sentido, uma das virtudes do fruto do Espírito é essencial: a paciência. Espere. Não corra para emitir uma opinião. Deixe a verdade ser exposta totalmente e, só então, se posicione.

4. Olhe para os culpados com firmeza, mas com misericórdia. A ética de Cristo não é a da punição, é a da restauração. Como filhos de Deus, o desejo do nosso coração deve ser sempre ver os que erraram arrependidos e restaurados espiritualmente. Não queira mandar os hereges e os pecadores para o inferno, queria vê-los de lágrimas no pó e coração sinceramente compungido. Como embaixadores do reino daquele que veio para os doentes, devemos ser médicos da graça e não carrascos da desgraça. Uma vez que se comprove a culpa, seja movido por compaixão pela vida dos culpados, para que sejam resgatados do poço de trevas em que se enfiaram e que, se tiverem de arcar com as consequências humanas de seu pecado, que pelo menos sua alma seja salva.

5. Entenda que a disciplina dos culpados é necessária. Determinados tipos de escândalos vão gerar consequências no plano humano. Um pastor que adultera precisa ser afastado do cargo até que sua vida esteja restaurada. Um pregador que diz uma heresia precisa se retratar em público. Um líder que desonra pai e mãe tem de ser tratado fora dos púlpitos e cargos antes de continuar liderando. Uma pessoa qualquer que comete um crime deve ser punida de acordo com o que prevê o código penal, mesmo que esteja arrependida e tenha sido perdoada por Deus: há consequências no plano humano para nossos atos, e devemos enfrentá-las.

6. Olhe para as vítimas com compaixão. Esposas traídas, pessoas enganadas, ovelhas feridas… muitas pessoas ficam machucadas quando explode um escândalo. As vítimas devem ser abraçadas, devemos chorar com elas, conduzi-las a perdoar quem as machucou, amparar seu coração em frangalhos. Nunca se aproxime dos feridos para obter mais detalhes sobre o escândalo ou algo assim. O nosso papel é amar, sofrer com quem sofre e auxiliar na sua restauração física, emocional e espiritual.

7. Lembre-se dos seus próprios pecados. Jesus presenciou um escândalo. Mais do que isso: ele foi instigado a emitir um parecer sobre o escândalo. Afinal, uma mulher fora flagrada em adultério. Adúltera! Pecadora! Escandalosa! Opróbrio! Digna de apedrejamento aos olhos da Lei! Mas a resposta de Jesus aos que queriam apedrejá-la foi que cada um olhasse para si. Afinal, em maior ou menor intensidade, todos temos telhado de vidro. E isso ele nos diz, hoje: olhe para si. Quando ocorre um escândalo, devemos agir com humildade, sem nos considerarmos megassantos, pessoas acima do bem e do mal. Mais do que jogar pedras, precisamos usar o escândalo alheio para ver como nós mesmos somos frágeis e passíveis de errar. Se há algo de positivo no escândalo é o alerta que ele lança sobre nós, para que, estando de pé, não caiamos. Vigie sempre.

8. Seja parte da solução e não do problema. Que tudo o que você pensar, falar ou fizer em relação ao escândalo seja para edificação das pessoas e para a glória de Deus. Fora disso, o melhor é não fazer nada, manter-se calado e ficar quieto.

Meu irmão, minha irmã, infelizmente sempre haverá escândalos entre nós, pois vivemos debaixo do pecado. Devemos saber como falar e agir no momento que isso acontecer, sempre com amor, graça e palavras temperadas, chorando com quem chora e pacificando. Nosso papel não é chutar quem está caído. Muito menos execrar vítimas. Exerça misericórdia. Busque a justiça, sim, mas que seja em amor e não com ira, vingança, ódio, destempero. Fale e faça aos outros como gostaria que falassem e fizessem a você se a queda fosse sua. E, acima de tudo, ore a Deus. Pois ele é quem tudo sabe, quem exerce a perfeita justiça e quem governa a nossa vida como Justo juiz e Príncipe da paz. Como ordena a Palavra do Senhor: “Amados, nunca se vinguem; deixem que a ira de Deus se encarregue disso, pois assim dizem as Escrituras: ‘A vingança cabe a mim, eu lhes darei o troco, diz o Senhor’. Pelo contrário: ‘Se seu inimigo estiver com fome, dê-lhe de comer; se estiver com sede, dê-lhe de beber. Ao fazer isso, amontoará brasas vivas sobre a cabeça dele’. Não deixem que o mal os vença, mas vençam o mal praticando o bem” (Rm 12.19-21).

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

Confiança inabalável_Banner ApenasClicando nas imagens acima e abaixo você vai para a livraria virtual das lojas Saraiva.

APENAS_Banner três livros Zágari

humildade 1Deus é humilde. Prova disso é que Jesus se apresentou como “manso e humilde de coração” (Mt 11.29) e, portanto, deixou claro que a humildade é um atributo divino. Quando a humanidade se rebelou contra o Senhor, no Éden, automaticamente tornou-se opositora de tudo o que tem a ver com ele, o que inclui, naturalmente, a humildade. Foi quando nós, gente falha e errante, passamos para o lado oposto e nos tornamos soberbos, altivos, arrogantes. Começamos a odiar tudo o que é santo e, mortos em nossos delitos e pecados, acreditamos que nossos talentos, qualidades, cargos e títulos são mérito pessoal nosso e, portanto, que somos dignos de louvor, elogios, honrarias e bajulações. A grande questão é que a humildade continua sendo um atributo desejado por Deus para todo ser humano, o que faz com que vivamos um conflito constante: nascemos  soberbos, gostamos de ser exaltados, mas precisamos ser humildes. E aí, o que fazer?

A única forma de conseguirmos essa transformação é pela renovação da mente (Rm 12.2), que vem mediante a entrega pessoal a Jesus e a consequente aproximação de Deus, a fim de que tenhamos em nós a natureza de Cristo. Pois só sendo como ele é conseguiremos viver a verdadeira humildade. 

humildade 2Só é humilde quem compreende que “Toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança” (Tg 1.17). Esse é o ponto de partida. Quando você entende pelo poder do Espírito que absolutamente tudo o que tem e é de bom não é mérito seu, mas é um presente de Deus, uma concessão do Criador, surge a compreensão de que não existe motivo para ser soberbo. Você é inteligente? Sua inteligência é um dom que Deus lhe deu. Você é talentoso? Seu talento é um dom que Deus lhe deu. Você é bonito? Sua beleza é um dom que Deus lhe deu. Você é culto? Sua cultura é um dom que Deus lhe deu. Você prega bem, canta de modo que encante as multidões, escreve que é uma beleza, é um excelente teólogo, vive recebendo elogios por suas palestras? Tudo isso é dom de Deus. O grande problema é que frequentemente nos esquecemos dessa realidade e passamos a acreditar que, sim, somos tudo o que falam de nós. A questão, meu irmão, minha irmã, é que, no dia em que começar a acreditar nisso, você terá assinado a sentença de morte da sua humildade. E, logo, de afastamento do Senhor. Viver em soberba e arrogância é viver em pecado. E isso é grave. 

Para você ter ideia de como a humildade é algo importante aos olhos de Deus, basta ver a enxurrada de passagens bíblicas que tratam do assunto, como: 

“Certamente, ele [Deus] escarnece dos escarnecedores, mas dá graça aos humildes” (Pv 3.34); 

“Em vindo a soberba, sobrevém a desonra, mas com os humildes está a sabedoria” (Pv 11.2); 

“A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito, a queda. Melhor é ser humilde de espírito com os humildes do que repartir o despojo com os soberbos” (Pv 16.18-19); 

“A soberba do homem o abaterá, mas o humilde de espírito obterá honra” (Pv 29.23);

“Melhor é ser humilde de espírito com os humildes do que repartir o despojo com os soberbos” (Pv 16.19); 

 “tu salvas o povo humilde, mas os olhos altivos, tu os abates” (Sl 18.27); 

“Bom e reto é o SENHOR, por isso, aponta o caminho aos pecadores. Guia os humildes na justiça e ensina aos mansos o seu caminho” (Sl 25.8-9); 

“Desde os céus fizeste ouvir o teu juízo; tremeu a terra e se aquietou ao levantar-se Deus para julgar e salvar todos os humildes da terra” (Sl 76.8-9); 

“O SENHOR é excelso, contudo, atenta para os humildes; os soberbos, ele os conhece de longe” (Sl 138.6); 

“Porque o SENHOR se agrada do seu povo e de salvação adorna os humildes” (Sl 149.4); 

“Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus” (Mt 5.3); 

“Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes” (Tg 4.6); 

“Finalmente, sede todos de igual ânimo, compadecidos, fraternalmente amigos, misericordiosos, humildes…” (1Pe 3.8); 

“… no trato de uns com os outros, cingi-vos todos de humildade, porque Deus resiste aos soberbos, contudo, aos humildes concede a sua graça. Humilhai-vos, portanto, sob a poderosa mão de Deus, para que ele, em tempo oportuno, vos exalte” (1Co 5.5); 

“Tende o mesmo sentimento uns para com os outros; em lugar de serdes orgulhosos, condescendei com o que é humilde; não sejais sábios aos vossos próprios olhos” (Rm 12.16).

À luz de todas essas passagens bíblicas, é inconcebível que um cristão não seja humilde. Mais ainda: fica claro que a falta de humildade é  pecado. Deus não tem parte com o soberbo, ele não suporta o arrogante e abomina a altivez. “Amem o Senhor, todos vocês que lhe são fiéis, pois o Senhor protege quem nele confia, mas castiga severamente o arrogante” (Sl 31.23). Se você é bem-sucedido em qualquer área de sua vida, se é excepcional em algo, se obteve fama e reconhecimento, se o seu nome se tornou conhecido… não cometa o erro de acreditar na mentira de que você é o tal. Pois não é. Você é apenas o portador de algo que lhe foi concedido por Deus – e que ele pode tirar de você se e quando quiser. 

Na jornada_ Capa em low resAo encarnar como um de nós, Jesus realizou o maior ato de humildade que alguém poderia. Para você visualizar uma pouquinho do que significou o Deus Criador encarnar na forma de servo, reproduzo um trecho sobre o nascimento de Cristo, de meu mais recente livro, Na jornada com Cristo (editora Mundo Cristão): “Esqueça o ambiente bonitinho e angelical que você costuma ver nos presépios ou nos filmes sobre o Natal. Você já visitou o estábulo de um hotel-fazenda? Já viu como é o local onde os cavalos e as vacas ficam abrigados? Se já teve essa experiência, puxe pela memória e tente se lembrar dos cheiros, dos insetos, do que havia pelo chão. Agora você começa a ter uma percepção real de como foram os primeiros momentos de vida daquele bebê, o início de sua jornada na terra. O ar que pela primeira vez entrou nos pulmões daquele recém-nascido foi o do interior de um estábulo. Sua maternidade não foi uma clínica limpinha, cheirosa e desinfetada, mas um ambiente insalubre que reunia uma mescla de odores de animais, de estrume e de urina. Quem sabe as moscas, que costumam infestar esses ambientes, tenham pousado nos bracinhos e no rosto do bebê, passeado por seus lábios, incomodado sua mãe. Carrapatos fatalmente andavam por ali. Talvez pulgas ou pombos, que muitas vezes se abrigam nas reentrâncias do teto. O recém-nascido tampouco foi deitado num bercinho fofo e cheio de bichinhos de pelúcia e móbiles. Sua primeira cama foi um cocho, um comedouro, objeto rústico e sem glamour em que vacas, cavalos, jumentos, bodes e outros animais deixam saliva e muco nasal ao mastigar o alimento. Sim, o bebê não foi deitado em um berço de ouro e cetim, mas, provavelmente, ficou cercado de baba de animais. Acredite, não é o tipo de local em que você gostaria de deitar seu filhinho após o nascimento” (pg.17-18)

humildade 3À luz dessa realidade enfrentada pelo nosso Senhor, dói meu coração ver cristãos arrogantes e soberbos. Dói muito. Pois confessam Cristo com os lábios mas não agem de acordo com sua confissão. São filhos de uma mãe chamada vaidade e de um pai chamado orgulho, que, juntos, geram pecado. Portanto, tais cristãos são mais filhos do pecado que filhos de Deus. Se você detectar traços de altivez neles, encoraje-os à humildade. Se persistirem no pecado, não os siga, não os imite, não divulgue o que falam, tampouco tenha parte com eles. Pois a falta de humildade é venenosa e pode vir a lhe contaminar. Muito cuidado. 

Que toda realização sua seja motivo de glórias para Deus, pois ele é quem a permitiu. Que os seus atributos, dons, talentos, qualidades, cargos, posições, títulos, diplomas, adjetivos e tudo o mais que o fazem se destacar sejam razão para você erguer o coração a Cristo, abrir os lábios para lhe atribuir a honra, e reconhecer  diante de todos que só a Deus pertence a glória. 

Seja humilde. Esforce-se para isso. Ao ser elogiado, atribua o mérito a quem tem mérito e reconheça-se como instrumento, como vaso de barro que contém um tesouro divino. Ao confessar que os louros são todos do Senhor, por meio de suas palavras e atitudes, estará dando um passo atrás na soberba e à frente na humildade. E, assim, creia, você estará muito mais perto de Deus. 

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

Confiança inabalável_Banner ApenasClicando nas imagens acima e abaixo você vai para a livraria virtual das lojas Saraiva.

APENAS_Banner três livros Zágari


misericordiaSinto muita dor nas costas. Sofro de fibromialgia há vinte anos e já se tornou previsível que, a cada manhã, quando eu abrir os olhos, terá início um ritual doloroso. Depois de algumas horas parados, meus músculos estarão completamente rígidos e extremamente doloridos, o que fará com que cada pequeno movimento do corpo seja uma ação difícil, lenta e doída. Começo a me mexer aos poucos e tento me revirar para os lados até me sentar na cama. Curvado. Em câmera lenta. Eu me levanto e faço alguns alongamentos, como a tentativa utópica de tocar com as mãos a ponta dos pés. Giro o tronco para os lados, me estico para onde der e me arrasto até o banheiro, para as abluções matinais. Depois de um tempo me movimentando, a rigidez e a dor diminuirão e poderei me dedicar às atividades do dia. Ao final da jornada diária, me deitarei na cama, já sabendo que no dia seguinte tudo será igual. É previsível. Tem sido assim há vinte anos. É garantido que as minhas dores virão no dia seguinte, pois elas não têm fim;
renovam-se cada manhã. 

Certas realidades da vida são absolutamente previsíveis. Realidades que não têm fim; renovam-se cada manhã. São aquelas coisas que, como a minha dor nas costas, inevitavelmente acontecerão. É como o sol nascer: você sabe que será exatamente daquele mesmíssimo jeito. São fatos e situações que não têm fim; renovam-se cada manhã. E isso, embora minha persistente fibromialgia possa fazer parecer que não, é, muitas vezes, algo alentador. Especialmente para as pessoas que carregam um peso enorme de culpa nas costas, para as que acreditam que não há perdão para erros que tenham cometido.  

Dor-nas-Costas 2Se você sente-se esmagado pelo peso dos seus erros, é importante que conheça uma realidade bíblica extraordinária em relação a isso: “Quero trazer à memória o que me pode dar esperança. As misericórdias do SENHOR são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim; renovam-se cada manhã” (Lm 3.21-23). O que podia dar esperança ao salmista? A lembrança de que as misericórdias do fiel Senhor não têm fim e renovam-se a cada manhã. E essa mesma lembrança, se trazida à memória, é capaz de trazer a cada um de nós paz, alívio, esperança, alegria. Perceba o que a Bíblia está dizendo: que há misericórdia de Deus para você hoje, houve ontem, haverá amanhã. A manifestação da misericórdia de Deus não é um evento pontual, é uma constante. Não é um lago estático, é um rio contínuo. Flui sempre. Para sempre. Nunca terá  fim. É um recurso renovável. Renovável e não escasso: Muitas, SENHOR, são as tuas misericórdias” (Sl 119.156). 

Naturalmente, isso não pode ser confundido com permissividade. Não é pelo fato de Deus ter misericórdias renováveis e abundantes que podemos viver errando desbragadamente e sem arrependimento. Mas o cristão sincero, que amarga viver constantemente sua pecaminosidade, encontra alento num fato extraordinário: “Rejeita o Senhor para sempre? Acaso, não torna a ser propício? Cessou perpetuamente a sua graça? Caducou a sua promessa para todas as gerações? Esqueceu-se Deus de ser benigno? Ou, na sua ira, terá ele reprimido as suas misericórdias?” (Sl 77.7-9). A resposta a cada uma dessas perguntas retóricas é um estrondoso não. E aqueles que têm intimidade com o Espírito Santo sabem que “Benigno e misericordioso é o SENHOR, tardio em irar-se e de grande clemência. O SENHOR é bom para todos, e as suas ternas misericórdias permeiam todas as suas obras” (Sl 145.8-9).

Dor-nas-Costas 3Se você pensa que Deus o rejeitou em razão de seus muitos pecados, lembre-se sempre de que “O Senhor não rejeitará para sempre; pois, ainda que entristeça a alguém, usará de compaixão segundo a grandeza das suas misericórdias; porque não aflige, nem entristece de bom grado os filhos dos homens” (Lm 3.31-33). Portanto, clame a ele do meio do seu pecado: “Responde-me, SENHOR, pois compassiva é a tua graça; volta-te para mim segundo a riqueza das tuas misericórdias” (Sl 69.16). E, ao orar, use de total sinceridade. Reconheça seus erros e confesse-os sem esconder nada: “Lembra-te, SENHOR, das tuas misericórdias e das tuas bondades, que são desde a eternidade. Não te lembres dos meus pecados da mocidade, nem das minhas transgressões. Lembra-te de mim, segundo a tua misericórdia, por causa da tua bondade, ó SENHOR. Bom e reto é o SENHOR, por isso, aponta o caminho aos pecadores” (Sl 25.6-8).

Quando o profeta Natã foi ter com Davi, depois de haver ele possuído Bate-Seba, o rei pecador clamou: “Compadece-te de mim, ó Deus, segundo a tua benignidade; e, segundo a multidão das tuas misericórdias, apaga as minhas transgressões. Lava-me completamente da minha iniquidade e purifica-me do meu pecado” (Sl 51.1-2). Do mesmo modo, se formos flagrados por nossa consciência em quaisquer que sejam os pecados, devemos orar: “Não retenhas de mim, SENHOR, as tuas misericórdias; guardem-me sempre a tua graça e a tua verdade. Não têm conta os males que me cercam; as minhas iniquidades me alcançaram, tantas, que me impedem a vista; são mais numerosas que os cabelos de minha cabeça, e o coração me desfalece” (Sl 40.11-12).

O que Deus espera de você, em se constatando o pecado? Sinceridade no reconhecimento da transgressão, confissão e mudança de rumo. O arrependimento virá pelo convencimento do Espírito. Pecou? Então reconheça, assim como fez Jacó: “sou indigno de todas as misericórdias e de toda a fidelidade que tens usado para com teu servo” (Gn 32.9-10). Entenda que todos somos indignos das misericórdias de Deus. Nenhum de nós é merecedor delas. Mas misericórdia não depende de ser digno ou merecedor, depende de graça. Depende da fidelidade do Senhor e não da nossa infidelidade. 

Dor-nas-Costas 4Por isso, lembre-se de que você encontrará sempre um lar em Deus. Seus braços abertos são como as suas misericórdias: sempre estendidos a nós. E, ao encontrar abrigo nelas, você poderá exultar, assim como fez o salmista: “Cantarei para sempre as tuas misericórdias, ó SENHOR; os meus lábios proclamarão a todas as gerações a tua fidelidade” (Sl 89.1). Pode ser que um dia a medicina descubra a cura para a fibromialgia, o que fará com que minhas previsíveis dores nas costas matinais cessem totalmente. Já as misericórdias do Senhor… essas nunca terão fim. 

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

Confiança inabalável_Banner ApenasClicando nas imagens acima e abaixo você vai para a livraria virtual das lojas Saraiva.

APENAS_Banner três livros Zágari

cuspe 1Quem acompanha o noticiário deve ter percebido que a saliva ganhou lugar de destaque nas manchetes brasileira nos últimos tempos. Primeiro, foi um deputado federal que cuspiu em outro. Depois, foi um ator que cuspiu em um casal em um restaurante. Na semana seguinte, um homem foi agredido e cuspido na Universidade Federal do Ceará porque estava usando a camisa de um político do qual um grupo de estudantes discordava. Mais recentemente, um deputado teve seu carro coberto de escarros de opositores ao sair de um evento em Niterói. Que coisa. É interessante percebermos o significado desse gesto, o de lançar a saliva sobre outra pessoa. Principalmente porque a Bíblia tem muito a dizer sobre ele. 

“Levantando-se o sumo sacerdote, perguntou a Jesus: Nada respondes ao que estes depõem contra ti? Jesus, porém, guardou silêncio. E o sumo sacerdote lhe disse: Eu te conjuro pelo Deus vivo que nos digas se tu és o Cristo, o Filho de Deus. Respondeu-lhe Jesus: Tu o disseste; entretanto, eu vos declaro que, desde agora, vereis o Filho do Homem assentado à direita do Todo-Poderoso e vindo sobre as nuvens do céu. Então, o sumo sacerdote rasgou as suas vestes, dizendo: Blasfemou! Que necessidade mais temos de testemunhas? Eis que ouvistes agora a blasfêmia Que vos parece? Responderam eles: É réu de morte. Então, uns cuspiram-lhe no rosto e lhe davam murros, e outros o esbofeteavam, dizendo: Profetiza-nos, ó Cristo, quem é que te bateu!” (Mt 26. 62-68)

cuspe 3Sim, assim como aqueles deputados, o casal no restaurante e o estudante universitário, o próprio Cristo foi alvo de cusparadas. Já parou para pensar por quê? Naquele momento, Jesus era visto como blasfemador, uma das categorias mais desprezíveis de pessoas no judaísmo. Como “réu de morte”, era visto pelos que estavam ali como alguém cuja vida é descartável, isto é, não vale nada. Então, a saliva  vinha de pessoas aos olhos de quem aquele homem era desprezível e não valia nada. Esse é o significado de lançar saliva sobre alguém: é um gesto que diz: “Eu te desprezo, pois você é insignificante para mim. Você não vale nada”. 

Dentro dessa perspectiva, é doloroso olhar para as manchetes de jornal e ver que, nos três casos citados, o que os cuspidores demonstraram foi um total desprezo pelo próximo. “Eu te desprezo, pois você é insignificante para mim. Você não vale nada”, disseram com seu gesto o deputado, o ator, o estudante, os opositores políticos. O que mais me assusta é saber por que essas pessoas fizeram isso. Nos quatro casos, a  causa foi a mesma: a divergências de ideias. 

cuspe 4Repare que, nas quatro situações, os conflitos que levaram à aplicação de saliva foram motivados porque os cuspidores discordavam das ideias dos cuspidos. Então, naquele momento, pessoas foram menos importantes que ideias. Repito: pessoas foram menos importantes que ideias. E isso é totalmente anticristão. “Mestre, qual é o grande mandamento na Lei? Respondeu-lhe Jesus: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.” (Mt 22.36-39).  O evangelho nos leva a amar o próximo como a nós mesmos e não a tratar alguém como um ser desprezível. Nem mesmo os inimigos, aliás. “Amai, porém, os vossos inimigos, fazei o bem e emprestai, sem esperar nenhuma paga; será grande o vosso galardão, e sereis filhos do Altíssimo. Pois ele é benigno até para com os ingratos e maus. Sede misericordiosos, como também é misericordioso vosso Pai.” (Lc 6.35-36). Tratar o próximo com desamor por causa de ideias é possivelmente uma das atitudes menos cristãs que alguém pode ter, pois está invertendo as prioridades do Cristo que subiu à cruz não por ideias, mas por pessoas. 

Como bom cristão,  provavelmente você desaprova o que o deputado, o ator, o estudante e os opositores fizeram. Certo? Afinal, como bom cristão jamais você poria ideias acima de pessoas, não é? Mas… será que, em algum momento, você também não considerou pessoas menos importantes do que ideias? Será que você também já não tratou mal pessoas que discordavam de você politicamente? Será que você já não brigou ou alfinetou seres humanos porque eles votaram no partido politico no qual você não votou? Mais ainda: será que você já destratou gente cujas ideias teológicas ou doutrinárias divergiam das suas? Então, permita-me dizer: se em algum momento ideias foram mais importantes que pessoas para você, ao ponto de levá-lo a brigas, discussões, piadinhas, cutucadas, alfinetadas, indiretas e atritos… você cuspiu nelas.  Metaforicamente, claro, mas sua saliva está sobre aquelas pessoas. E isso é muito grave, pois mostra que suas prioridades estão diferentes das prioridades de Deus. 

Não aplique sua saliva sobre quem discorda de você. Ao fazer isso, não importa qual for o motivo, você estará pondo ideias acima de indivíduos e desobedecendo ao maior mandamento. Se me permite, eu gostaria de dar uma sugestão sobre o que você pode fazer com a sua saliva: 

“Então, lhe trouxeram um surdo e gago e lhe suplicaram que impusesse as mãos sobre ele. Jesus, tirando-o da multidão, à parte, pôs-lhe os dedos nos ouvidos e lhe tocou a língua com saliva; depois, erguendo os olhos ao céu, suspirou e disse: Efatá!, que quer dizer: Abre-te! Abriram-se-lhe os ouvidos, e logo se lhe soltou o empecilho da língua, e falava desembaraçadamente” (Mc 7.32-35). 

“Caminhando Jesus, viu um homem cego de nascença. […] cuspiu na terra e, tendo feito lodo com a saliva, aplicou-o aos olhos do cego, dizendo-lhe: Vai, lava-te no tanque de Siloé (que quer dizer Enviado). Ele foi, lavou-se e voltou vendo” (Jo 9.1, 6-7). 

cuspe 5Nessas duas ocasiões, Jesus usou sua saliva para simbolizar a cura. Havia algo especial na saliva dele? Seria a saliva de Cristo radioativa ou possuidora de efeitos medicinais, algo assim? Não, claro que não, a baba de Jesus era baba como qualquer baba. Mas vejo na aplicação de saliva no processo de cura um simbolismo grande. A saliva de Cristo era algo que vinha de seu interior, que partia de sua intimidade. Normalmente, só tem acesso à saliva de outra pessoa um cônjuge que a beija na boca, ou um pai que limpa a baba de seu filhinho – é um sinal de proximidade, de grande intimidade. E não há nada mais intimamente intrínseco ao Deus homem do que seu amor, sua misericórdia, sua graça. Então, o que enxergo nessas passagens é que, ao aplicar sua saliva sobre aqueles homens, Jesus lhes dizia: “Receba a cura mediante a aplicação de algo que é extremamente íntimo. Receba meu amor e meu cuidado, junto com minha intimidade”.

Assim, meu irmão, minha irmã, temos duas possibilidades diante de nós: agir como os judeus que aplicaram sua saliva no Cristo como sinal de desprezo ou agir como o Cristo que aplicou sua saliva nos enfermos como sinal de amor. Como você usará a sua “saliva”? Para dizer “Eu te desprezo, pois você é insignificante para mim. Você não vale nada” ou para dizer “Receba meu amor e meu cuidado”? E aí, o que você escolhe?

cuspe 6O que você tem dentro de si pode ser usado de maneiras diferentes. Assim como a mesma saliva pode ser sinal de desprezo ou de amor, seus pensamentos, suas palavras, suas atitudes e suas motivações podem ser canalizadas para questões completamente diferentes, positivas ou negativas. Diante de alguém cujas ideias discordam das suas, seus pensamentos são de concórdia ou de discórdia? Suas palavras edificam ou desmerecem? Suas atitudes abençoam ou abatem? Suas conversas são para orientar ou para detonar?

Você tem sempre diante de si dois caminhos. Deus nos mostrou isso: “Eu é que sei que pensamentos tenho a vosso respeito, diz o SENHOR; pensamentos de paz e não de mal, para vos dar o fim que desejais” (Jr 29.11). Paz ou mal. Amor ou egoísmo. Bênção ou maldição. Construção ou destruição. Perdão ou punição. O que será? A decisão é sua. 

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

Confiança inabalável_Banner ApenasClicando nas imagens acima e abaixo você vai para a livraria virtual das lojas Saraiva.

APENAS_Banner três livros Zágari

cafeMinha esposa trouxe-me uma xícara de café. Abri um largo sorriso; afinal, que marido não gosta de um paparico? Mas, então, pus a xícara na boca e fui invadido por arrepios: o café estava amargo de dar dó. Virei-me para ela e disse:

– Amor, você se esqueceu de pôr o adoçante. 

Ela fez uma cara de irritada e respondeu:

– Claro que não esqueci. Tenho certeza absoluta de que pus o adoçante.

Será que eu estava errado? Experimentei um segundo gole. Eca. Amargo. 

– Amor, tenho certeza de que esqueceu. Está amargo demais. 

Ela franziu a testa e rosnou:

– Já disse que não esqueci. Eu pus um saquinho inteiro. Tenho certeza. Posso ter esquecido de mexer, mas o adoçante está aí. É só mexer, deve estar no fundo da xícara. 

Eu costumo tomar algumas xícaras de café por dia, por isso sei bem o que é um café adoçado e o que não é, mesmo não mexido. Eu estava seguro de que ela tinha se enganado, mas resolvi dar-lhe o benefício da dúvida. 

– Tenho certeza de que não tem adoçante, mas, já que você diz, vou lá mexer. 

Levantei da cama e fui até a cozinha. De fato, havia um saquinho de adoçante aberto em cima da pia. Estaria eu errado? Mexi o café e tomei outro gole. Eca. Amargo. Voltei para o quarto. 

– Amor, já mexi e continua amargo. Você com toda certeza não pôs o adoçante. 

Aí ela se enfezou. 

– Olha só, Maurício, eu tenho certeza de que pus o adoçante. Cer-te-za! Se estou falando é porque pus! Que coisa! 

– Mas eu mexi e continua amarguíssimo! Estou dizendo, acredite em mim, não está com adoçante! Faz o seguinte: já que você não acredita em mim, prove você mesma. 

E estendi a xícara para ela. Que fez uma cara de birra e respondeu:

– Não vou provar nada. Se eu tenho certeza, pra que provar?

Estava estabelecida uma daquelas típicas discussões ridículas de marido e mulher, sabe como é? Foi quando tive uma epifania. Voltei para a cozinha e olhei dentro do saco de adoçante que estava em cima da pia. E, lá dentro, estava todo o conteúdo dele. Sucralose branca, reluzente e gloriosa. Sim, minha esposa tinha aberto o saquinho mas, distraída, se esqueceu de derramar o pozinho na xícara. O que antes era óbvio para minhas papilas gustativas agora era óbvio para os olhos. E para a razão. 

Depois que esse episódio até mesmo engraçado passou, fiquei pensando na teimosia da minha esposa. Eu tinha provado o café e afirmado que ele estava sem adoçante. Não seria óbvio acreditar no que eu estava falando? Para que eu inventaria aquilo? Eu amo café e, se estivesse bom, eu tomaria com prazer. Tudo deixava claro que eu tinha razão. Mas ela cismou que eu estava errado, e isso porque ela “achava” que tinha posto a sucralose na xícara. Porém, ela em momento algum disse que “achava”, sempre afirmou que “tinha certeza”. E estava errada. Temos de tomar cuidado com nossas “certezas”.

Você pode pensar que minha esposa é muito cabeça dura, que não custava nada ter acreditado em mim ou, na dúvida, pelo menos provado meu café para eliminar a cisma. Que mulherzinha teimosa, não é? Bem… permita-me defendê-la. Porque o que ela fez comigo todos nós fazemos com Deus. 

Deus sabe o que diz. Ele “provou o café” da eternidade e pôs nas páginas da Escritura todas as informações necessárias, para o nosso conhecimento. Mas eu e você, seres humanos teimosos e cabeças-duras, cismamos em questionar o que ele afirma, mesmo sabendo que o Senhor tem todo conhecimento de causa. 

cafe 1Deus nos manda não levantar falso testemunho, mas nós, volta e meia, estamos soltando uma mentirinha. Deus deixa claro que os arrogantes não têm parte com ele, mas vemos as igrejas repletas de gente altiva. Deus manda não devolver mal com mal, mas qual de nós não aprecia uma vingançazinha, não é mesmo? Deus diz no décimo mandamento que não devemos cobiçar nada do nosso próximo, mas a inveja é nossa companheira constante. Deus manda amar o inimigo, mas o que mais vemos são cristãos detonando quem pisa no seu calo. Deus diz que não devemos andar ansiosos por coisa alguma, mas a ansiedade não sai de nosso lado. Deus nos manda negar a nós mesmos e preferir os outros em honra, mas vivemos pondo o nosso ego e nossos interesses no pináculo do templo. Deus quer que sejamos amáveis, mansos e pacificadores, mas adoramos uma discussão sobre política ou religião que seja irada, agressiva e com palavras duras ou sarcásticas nas redes sociais. Deus fala, mas nós, teimosos, cismamos em nossas falsas “certezas”. Não seria melhor, mais sensato e mais óbvio confiar no que ele diz?

Deus conhece o gosto amargo do pecado, mas cismamos em desobedecer-lhe. Batemos pé que o amargo é doce. Afinal, tudo bem que Deus diz tal e tal coisa, mas… Repare bem nesse “mas…”. Ele é o grande problema. Nossas objeções à verdade bíblica são as maiores causas de enfiarmos os pés pelas mãos. A cisma em priorizar a nossa certeza acima da certeza de Deus é o que nos faz viver quebrando a cara. Afinal, te-mos-cer-te-za-de-que-a-do-ça-mos-o-ca-fé! Só que o café está amargo! Cabeças-duras que somos. 

Meu irmão, minha irmã, creia: Deus sabe o que diz. Não duvide das verdades bíblicas. Não procure tergiversar e dar explicações alternativas para o que é claro. Não tente afirmar que o amargo é doce ou que a doce é amargo. Se viver com coerência e confiança inabalável nas palavras do Senhor, você experimentará uma fé sólida, autêntica, fiel e verdadeiramente bíblica. 

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

Confiança inabalável_Banner ApenasClicando nas imagens acima e abaixo você vai para a livraria virtual das lojas Saraiva.

APENAS_Banner três livros Zágari