Posts com Tag ‘Perdão’

O encontro diário de quem foi chamado com aquele que o chamou é uma experiência ímpar da jornada. Mais do que o deslumbre que se tem ao se entrar em uma catedral pomposa e luxuosa, é o êxtase da intimidade que maravilha o verdadeiramente devoto. Para o filho, paredes, vitrais, arcos e colunas significam pouco; é o calor da presença do Pai no aconchego do quarto vazio e silencioso que o abraça e aquece seu coração. É ali, na solitude do choro e dos sorrisos que ninguém vê que o penitente encontra consolo para o coração cansado. 

Seu jugo é suave. Seu fardo é leve. Sobre ele repousam todas as nossas ansiedades. E ele nos chama para isso, sem restrições. “Fecha a porta e vem falar comigo”, sussurra, convidativo. Ali, você lhe diz quanto doeram as ofensas sofridas naquela tarde, a acusação ouvida naquela manhã, o abandono da véspera, a dor de testemunhar a dor do próximo. Ele quer ouvir de você quanto doeu o desprezo do irmão que sentou ao seu lado na igreja e a deslealdade do seu líder, que contou os seus pecados para outras pessoas. Ele, o amado,  balança a cabeça. E sussurra: “Perdoa, eles não sabem o que fazem”. Ele te entende. E lhe dá a paz. 

Depois de consolá-lo, ele põe uma mão em seu ombro, encostando em sua pele a chaga que lhe deu perdão, e diz: “E quanto a você? Quem você feriu? Em que você me entristeceu?”. Ele já sabe a resposta, mas quer ouvir dos seus lábios. Dói, eu sei, mas é preciso dizer. Pôr para fora. Confessar. Cabisbaixo, você reconhece as mentiras, o dano, a fraqueza, o ódio, os pensamentos transgressores. Sua impureza sai pelos seus lábios, as lágrimas descem, o Santo Espírito toca seu coração e o convence: é pecado. O arrependimento arde. A chaga é eficaz. Arrependimento. Confissão. Perdão. Restauração. 

Você sorri. Ele sorri. Agora, mais leve, é hora de conversar em maiores profundidades. 

“Sobre o que o Senhor quer que eu fale?”, você indaga. “Sobre o que você quiser”, é a resposta. Ele segura suas mãos, como se conduzindo seus passos, suas palavras e prioridades, seus interesses e desejos. E você fala. Desabafa. Compartilha. Lança o fardo. 

Depois de muito falar, vem o silêncio. Parece que ele deseja que você pergunte algo, mas você não sabe o quê. Ele ajuda: “Quer me ouvir agora?”. Você balança a cabeça, positivamente. E ele começa a discorrer sobre compaixão e graça. Fala sobre perdão. “Eles não sabem o que fazem”, repete. E você é levado a amar, estender graça e misericórdia.  Se é difícil, creia, ele ajuda. 

É quando você transborda. Seus joelhos escorregam para o chão, seu beijo toca as chagas que adornam os pés do Cordeiro. Seus olhos cantam lágrimas enquanto seus lábios transpiram louvores. É momento apenas de amar. Elogiar. Agradecer. Reconhecer. Adorar. 

Quando o coração transborda, ele puxa você para seu abraço. Ali, acolhido no seio do Amor, você encontra o lar. Sim, ali é seu lugar. Ali é o descanso. Ali é a paz. 

Findo o momento tão belo e transformador chamado oração, ele se despede, sem ir embora. Você não o vê, mas ele prossegue ali. E prosseguirá, todos os dias, até o fim dos tempos. O amém soleniza o fim daquele momento. Você se põe de pé e deixa o quarto, o secreto, o teu suntuoso e íntimo templo pessoal de comunhão, de culto, e sai para enfrentar aquele mundo em que há aflições. 

Mas… há paz. Há ânimo. Pois ele venceu o mundo. Ele venceu a morte. Ele venceu a serpente. Ele venceu o pecado. Ele venceu. E, porque você é filho, é herdeiro da vitória. 

As coisas têm sido difíceis, meu irmão, minha irmã? Vá ao quarto. Vá ao secreto. Beije as chagas. Deixe o fardo, receba a paz. E, depois…

Depois?

Depois é só se lembrar de que ele tem cuidado de você. E continuará cuidando, pelos séculos dos séculos. 

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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Desde que escrevi o livro Perdão total, constantemente chegam a mim perguntas sobre o tema do perdão bíblico. Uma das mais frequentes é: como proceder se você perdoou uma pessoa que não enxerga os próprios erros e segue tratando você mal, com a firme convicção de que ela está certa? Nessas horas, devemos ter como referência Jesus no Calvário, sendo ofendido e escarnecido por aqueles que o levaram à cruz: os soldados romanos e os religiosos judeus. Sua postura? Ele os perdoou. Afinal, eles não tinham consciência real do que estavam fazendo. Criam piamente estar certos, mas não estavam. Sua postura era de empáfia, deboche, superioridade. Ofendiam Jesus e continuavam ofendendo. Alfinetavam. Machucavam. A postura de Cristo? Pai, perdoa, pois eles não sabem o que fazem… Essa também deve ser a nossa postura.

Existe um paralelo interessante entre o perdão e a salvação. Explico: há diversos fenômenos envolvidos na salvação, entre eles a justificação e a santificação. A justificação ocorre no preciso momento em que recebemos Cristo em nosso coração e cremos nele como Senhor e Salvador. É um ato. Instantâneo. Imediato. Somos na mesma hora vistos como justos aos olhos do Pai. E, a partir do momento em que somos decretados justos, por mérito do sacrifício de Jesus, tem início outro fenômeno da salvação, a santificação. E, ao contrário da justificação, ela não é um ato, mas um processo. A santificação ocorre todos os dias, dia após dia, e consiste em buscar viver em obediência, com esforço e em renovação constante. A santificação só terminará quando chegarmos diante de Deus, após partirmos desta vida, e formos glorificados com ele.

Entender que a salvação inclui um ato e um processo nos ajuda a compreender o perdão, pois ele também funciona de modo semelhante. Quando perdoamos alguém que nos magoou, abandonou, feriu, agiu de modo hipócrita, fraudou ou o que for, o fazemos num ato instantâneo. É quando tomamos a decisão de perdoar e dizemos a Deus: “Senhor, eu o perdoo. Remove de tua memória tudo o que foi feito por ele e que transpassou meu coração. Que não haja nenhuma punição espiritual pelo que ele fez, mas que toda dívida moral e espiritual que ele tenha contraído comigo seja completamente apagada. Eu o perdoo hoje, agora, neste instante”. Pronto, o perdão foi estendido. Você liberta essa pessoa das dívidas espirituais que ela tinha por ter falhado com você.

Mas, aí, a vida segue.

Você continua convivendo com essa pessoa, ou a encontra esporadicamente. E ela segue agindo com você de forma nada cristã, tratando você mal ou nem mesmo lhe dirigindo a palavra. Pelas costas, fala mal de você. Dá alfinetadas. Demonstra com suas ações que nunca considerou erradas as próprias atitudes. Em outras palavras, não muda. Esse é o pior tipo de pecador: o que não enxerga o próprio pecado, o que considera que seu pecado é uma virtude, o que é cego para as próprias ações daninhas e que, por isso, não se arrepende e segue fazendo o que sempre fez, agindo como sempre agiu, machucando como sempre machucou. Diante disso tudo, vem a pergunta: e aí, o que você deve fazer?

Meu conselho bíblico é: continue perdoando. Renove aquele ato inicial de perdão a cada novo dia. Sempre que o seu coração se entristecer pelo que tal pessoa vier a fazer, perdoe novamente. Faça do seu perdão um processo contínuo. O que ajuda muito nessas horas é você se lembrar da explicação de Jesus, no Calvário, para o pecado daqueles que lhe fizeram mal: eles não sabem o que fazem. E essa, na verdade, é a grande explicação. Pois, muitas vezes, aqueles que nos fizeram mal realmente não percebem esse mal. Eles se veem como justos e corretos, quando, na verdade, persistem em suas ações daninhas.

“Como assim?”, você poderia se perguntar. “Como fulano não sabe o que fez?”. Entenda uma coisa: o pecado cega. O pecado faz com que sempre tenhamos boas desculpas para nossas ações erradas. A cegueira do pecado nos leva a achar que nossas atitudes malignas são, na verdade, justificáveis. É por isso que vemos ao nosso redor tantos cristãos hipócritas, agressivos, soberbos, briguentos, materialistas, egocêntricos, que amam mais o poder e o dinheiro do que pessoas, que articulam estratagemas em prol de suas agendas secretas, que se consideram o supra sumo da santidade quando, na verdade, são dignos de compaixão.

Você perdoou alguém mas ele continua agindo da mesmíssima maneira? Ele nem mesmo trata você bem? Não importa. Afinal, ele não sabe o que faz. É cego para o próprio mal. Tenha pena dele e não raiva. Que essa pena conduza você à compaixão. E, da compaixão, brote o perdão. É, quando, em silêncio, você ora ao Senhor: “Pai, eu renovo o perdão estendido. Fulano segue agindo da mesma maneira, me despreza, me ofende, me alfineta, o que for. De igual modo, eu quero seguir agindo da mesma maneira: perdoando. E perdoando. E perdoando”. Por quê? Porque, em Cristo, não há outra atitude possível.

Eu sei que é difícil, meu irmão, minha irmã, mas é o único caminho para quem de fato luta contra a própria pecaminosidade para viver piedosamente em Cristo, apesar de não ser perfeito. O sepulcro caiado coleciona inimigos e olha com superioridade para quem despreza, replicando dois mil anos depois o comportamento dos fariseus. O perdoador regenerado tem prazer em perdoar setenta vezes sete e estende a mão para os doentes de alma, replicando dois mil anos depois o comportamento de Jesus. É assim que devemos amar o próximo, sem devolver mal com mal, intercedendo pelo bem dele, perdoando.

Lembre-se de algo importantíssimo: você também já errou, e muito. Já magoou pessoas, ofendeu, traiu, mentiu, machucou, decepcionou. É quando temos a percepção de que nós não somos melhores do que ninguém que fica muito mais fácil perdoar. Todos já tivemos nossos momentos de cegueira provocada pelo pecado. Todos. E, para não falar de você, falo de mim: eu já fui hipócrita, agressivo, estúpido e imbecil. Já fiz coisas que me envergonharão até o dia de minha morte. Logo, que direito eu tenho de não perdoar quem hoje age como eu mesmo já agi? Quão petulante eu seria se o fizesse? Quão hipócrita? Quão fariseu? Se Deus me perdoou dos meus pecados mais vergonhosos, dos quais verdadeiramente me arrependi, que direito tenho eu de não perdoar os que me desprezam e machucam? Não posso, pois não sou melhor do que ninguém. Ter essa percepção nos ajuda enormemente a perdoar e continuar perdoando.

Quão mais próximo de Jesus você estiver, mais a natureza piedosa do manso Cordeiro inundará sua alma. Mais você será capaz de olhar nos olhos quem lhe fez mal e de sentir carinho e compaixão por ele e sua cegueira, enquanto ele lhe vira as costas e segue achando que não cometeu erro algum. Mas ele não sabe o que faz. Você, por outro lado, sabe. E, por isso, perdoa. E perdoa. E perdoa.

Continue perdoando. Dê a outra face. Ande a segunda milha. Ore em favor de quem lhe fez e faz mal. Abençoe a vida dele em secreto, quando somente você e o Senhor estão presentes. Ame quem odeia você. Pois o perdão verdadeiro só pode brotar em um coração regenerado e que busca amar não como nossa carne quer, mas como Jesus amou.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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Ser cristão não garante a ninguém ter um casamento perfeito. A reflexão que compartilho com você hoje é direcionada especificamente a quem enfrenta conflitos no matrimônio e a quem ainda é solteiro e gostaria de se preparar desde já para evitar crises matrimoniais no futuro. É o seu caso? Então é com você que desejo falar. Em geral, quando se procura um livro que trata do assunto, é muito comum que as orientações oferecidas pelo autor sejam muito mais da seara da autoajuda ou da psicologia do que da fé cristã. A questão é: será que a Palavra de Deus, a Bíblia, nos oferece princípios a serem seguidos por maridos e esposas a fim de superar crises no casamento ou evitá-las? A resposta é sim.

Um erro frequente que cometemos quando buscamos orientação bíblica para crises na vida a dois é que recorremos somente às passagens das Escrituras que versam especificamente e explicitamente sobre casamento. A questão é que muitos dos princípios espirituais para vencer crises matrimoniais ou para se antecipar a elas e evitá-las não se encontram nessas passagens, mas em conceitos mais profundos da fé, apresentados ao longo de todo o texto bíblico. Por isso, saber encontrá-los e identificá-los é essencial para quem deseja corrigir erros cometidos com o cônjuge ou evitar cometê-los no futuro.

É impressionante a quantidade de comentários que recebo aqui pelo APENAS de assinantes do blog que enfrentam conflitos constantes no casamento. E, depois que meu livro Perdão total foi publicado, em 2014, passei a receber muitas mensagens dos leitores com dúvidas sobre perdão e arrependimento especificamente no contexto do matrimônio. Foram tantos os questionamentos e as perguntas que me vi obrigado a ir à Palavra de Deus pesquisar respostas para esses meus irmãos e irmãs, que ou estão infelizes na vida a dois ou chegaram ao divórcio. Foi nessa pesquisa que percebi que as respostas às crises matrimoniais não necessariamente estão nas passagens bíblicas específicas sobre casamento, mas em princípios cristãos fundamentais. Depois de meses de pesquisa, o material que reuni foi tão rico que acabou gerando um livro, lançado este mês pela editora Mundo Cristão: Perdão total no casamento: Um livro para quem deseja uma união duradoura e feliz (veja AQUI).

Vou te contar uma coisa: meu casamento não é o do conto de fadas. Até porque nenhum é! O problema já começa aí: subimos ao altar achando que viveremos um casamento perfeito, sem problemas, só com momentos extraordinários, irretocáveis, de sonho. Mas, quando o dia a dia chega e percebemos que a vida a dois é tudo menos um conto de fadas, entramos em crise. Com isso, muitos passam a viver infelizes. Muitos se divorciam. Mas não precisa ser assim! Como qualquer ser humano normal, já discuti com minha esposa, já vivemos conflitos, já passamos por fases maravilhosas e outras muito ruins. Dizer o contrário seria hipocrisia. Mas um aspecto muito interessante desse processo de pesquisa na Bíblia sobre o tema é que percebi que os princípios que encontrei na Palavra de Deus são justamente aqueles que ajudaram a mim e a minha esposa a superar os momentos difíceis que vivemos e permanecer juntos, após 18 anos de casamento.

Ou seja, o que transmito no livro não são promessas irrealizáveis, fórmulas mágicas ou “sete passos (que ninguém consegue cumprir) para um casamento feliz”, mas princípios bíblicos sólidos, de carne e osso, que funcionam para pessoas de carne e osso que vivem um matrimônio de carne e osso. Como eu. Como você.

Por isso mesmo, para superar ou evitar crises no casamento é preciso abraçar princípios realistas! E, claro, bíblicos. Fora disso, o que existe é autoajuda vazia ou promessas que não se cumprem. Por essa razão, gostaria de incentivar você, que está vivendo uma crise na vida a dois, a ler o Perdão total no casamento. Ou, se você conhece alguém que esteja enfrentando dificuldades conjugais, a indicar-lhe a leitura. Ou, ainda, se você é noivo ou solteiro e deseja subir ao altar bem preparado, para evitar as crises antes mesmo que elas surjam, sugiro que procure conhecer os princípios apontados no livro. E, entenda, não é o livro em si que tem qualquer coisa de especial, mas as realidades bíblicas que ele apresenta.

Acredito verdadeiramente que a Palavra de Deus nos oferece as respostas para a felicidade no casamento. Perceba que eu não disse perfeição, mas felicidade. E foi com a intenção de apresentar a você essas respostas, de forma clara, simples, compreensível e aplicável na prática que realizei a pesquisa que deu origem ao Perdão total no casamento. Este é um livro que pode ser lido individualmente; junto com o cônjgue, o namorado ou o noivo; ou em grupos e classes de casais. Ele serve para reflexão ou para debates, a fim de promover transformação real. Minha oração é que as verdades bíblicas ali contidas tragam paz e felicidade para muitos. E, queira Deus, para você.

Sei que este post pode parecer mais a propaganda de um livro do que uma reflexão sobre a vida cristã. Mas tenho convicção de que os meus irmãos e irmãs que me procuram pelo blog pedindo orientações para seus problemas no casamento podem ser abençoados pelos princípios bíblicos apresentados no Perdão total no casamento. Por isso, eu o considero o “post” mais rico, completo e aprofundado que já escrevi sobre o tema. E, se o que compartilho aqui pelo APENAS abençoa você, acredito que o livro também abençoará a sua vida e a de todos aqueles que você conhece e precisam encontrar nas orientações divinas a paz matrimonial.

Se você está vivendo uma crise em seu casamento, saiba que é possível superá-la seguindo princípios bíblicos. Se você quer evitar futuras crises, tenha a certeza de que é capaz de fazê-lo. Se você planeja se casar e não quer entrar na vida a dois cometendo erros, acredite que pode. Pois Deus, que instituiu o matrimônio e tem todo interesse do mundo em preservar cada casal, conhece a solução bíblica para os casamentos em crise e o caminho para a felicidade conjugal. Oro a ele que o Perdão total no casamento ajude você a encontrar esse caminho e a seguir por ele junto com seu cônjuge, com um largo sorriso no rosto, todos os dias de sua vida, até que a morte os separe.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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Um dos maiores erros que um cristão pode cometer é condicionar aquilo que faz ao que os outros fazem. Embora haja uma dimensão coletiva inerente ao cristianismo, a proposta do evangelho de Cristo é que cada um de nós faça a sua parte, individualmente, mesmo que o nosso próximo não faça. A Palavra se Deus é clara: “Assim, pois, cada um de nós dará contas de si mesmo a Deus” (Rm 14.12). Acredite: naquele grande dia, quando você estará diante de Deus a fim de prestar contas de cada ação que realizou e cada palavra que pronunciou, e ele lhe perguntar por que deixou de fazer o que esperava de você, a resposta “ah, porque fulano não fez a parte dele” não vai servir de desculpa. 

É inerente à natureza pecaminosa do ser humano tentar justificar seus erros jogando a culpa nas costas dos outros. Foi o que Adão fez, ao jogar a culpa do seu pecado sobre Eva, e foi o que Eva fez, ao jogar a culpa do seu pecado sobre a serpente. Quem erra é responsável pelo próprio erro, mesmo que o outro tenha errado antes.  Como minha mãe sempre me disse, “um erro não justifica outro”.

A mulher insubmissa tenta justificar sua insubmissão pelo fato de o marido não ser perfeito. O marido tirânico tenta justificar sua tirania pelo fato de a mulher não respeitá-lo. O pastor que devolve mal com mal tenta justificar sua maldade vingativa pelo fato de lhe terem feito mal. O arrogante tenta justificar sua arrogância pelo fato de conhecer pastores famosos que também são arrogantes. O destemperado tenta justificar suas explosões e brigas constantes pelo fato de conviver com gente agressiva. O apologeta ofensivo tenta justificar sua agressividade pelo fato de o herege ser herege. O sonegador tenta justificar a sonegação porque o governante é ladrão. O ladrão tenta justificar seu crime pelo fato de a sociedade não lhe ter dado oportunidades. A sociedade tenta justificar sua ideia de que “bandido bom é bandido morto” porque o bandido é bandido… E assim seguimos, numa lista interminável de tentativas de justificar posturas pecaminosas que simplesmente não justificam e só nos fazem acumular abismo sobre abismo. Para Deus, não cola, lamento informar. 

Deus espera que você faça a sua parte. E, isso, independente do que o outro faz ou fez. Se todos errarem, o Senhor espera que você acerte. E, se você não acertar, ele cobrará isso de você. Nessa hora, a explicação “ah, é que fulano também errou” simplesmente não o justificará diante de Deus. 

Meu irmão, minha irmã, em que área da sua vida você tem errado, usando como uma boa desculpa para o seu erro o erro de outra pessoa? Será que você tenta ficar bem com a própria consciência ou com Deus jogando a sua culpa na conta de alguém? Se faz isso, pode ter certeza de que essa desculpa só serve para alimentar seu pecado. Sua responsabilidade segue sendo sua e seu pecado será cobrado única e exclusivamente de você. Só de você. De mais ninguém. 

Faça um exame de consciência. Peça a Deus que lhe mostre em que você tem pecado constantemente sem arrependimento, lançando sobre ombros alheios a culpa que é só sua. Acredite: o que Deus espera não é que você se abata ou fique deprimido por essa percepção, mas que mude. Tome uma decisão. Renove a sua mente. Transforme seu procedimento. Pare de viver eternamente se justificando, dizendo “ah, é porque fulano fez isso”, “ah, é porque beltrano sempre faz aquilo”. Faça a sua parte, a despeito de os outros estarem fazendo a deles ou não. E, assim, mediante arrependimento, confissão e abandono do erro, você encontrará a paz com Deus. 

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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Meu próximo livro, que será publicado daqui a poucas semanas pela editora Mundo Cristão, trata de casamento. Nele, apresento conceitos bíblicos que acredito serem fundamentais para reconstruir um matrimônio em ruínas ou para se prevenir contra atritos futuros no matrimônio. Em diversos momentos do processo de escrita dessa obra eu me questionei: embora eu creia saber o caminho que o evangelho apresenta para a felicidade matrimonial, será que eu pessoalmente tenho moral para escrever sobre esse assunto? Afinal, eu já errei tanto em meu casamento! Já briguei com minha esposa por bobagens, já falei palavras que a magoaram e tantas outras atitudes que me fizeram me arrepender profundamente depois. Por essa razão, confesso que me sentia meio incomodado. Ficava pensando: pode alguém que não é perfeito naquilo que prega pregar sobre o assunto? Será que meus erros me desqualificam para pregar contra o erro? E os seus, meu irmão, minha irmã? Vamos pensar sobre isso. 

Ao buscar a resposta na Palavra, me dei conta de que Deus chamou pessoas que pecam todos os dias, muitas vezes por dia, para pregar contra o pecado. Ele chamou o potencialmente arrogante Paulo (2Co 12.7) , o “pior dos pecadores” (1Tm 1.15), para conclamar à santidade. Também chamou Pedro, que o traiu três vezes, para anunciar a fidelidade e a bondade. Os exemplos são muitos.  Foi quando, em meio a essa reflexão, tive um entendimento fundamental: Deus chamou exclusivamente homens que pecam para pregar contra o pecado. O Senhor só convocou homens imperfeitos para pregar a perfeição. Intimou gente abatida para proclamar a alegria. Conclamou doentes a orar pelos enfermos. Constrangeu carentes a anunciar a plenitude. “O Senhor olha dos céus para toda a humanidade, para ver se alguém é sábio, se alguém busca a Deus. Todos, porém, se desviaram; todos se corromperam. Ninguém faz o bem, nem um sequer!” (Sl 14.2-3). Deus nunca chamou pessoas irretocáveis para fazer sua obra – ele só usa gente capenga. Como eu. Como você.

Não conheço um único pregador, palestrante, professor, teólogo ou escritor de livros cristãos que anuncie as verdades do evangelho e não tenha pecados, erros, falhas e fraquezas. Nenhum. Só Jesus é puro, só ele é digno (Ap 5.2-5). Nem uma única alma está isenta de indignidade. Quem nos dignifica é Cristo.

Quando essa ficha caiu, percebi que não era a minha dignidade ou a minha infalibilidade que me tornaria apto a escrever sobre as verdades bíblicas: o que tem efeito são a dignidade de Jesus e a infalibilidade da Palavra de Deus! “Não andamos por aí falando de nós mesmos, mas proclamamos que Jesus Cristo é Senhor e que nós mesmos somos servos de vocês por causa de Jesus. Pois Deus, que disse: ‘Haja luz na escuridão’, é quem brilhou em nosso coração, para que conhecêssemos a glória de Deus na face de Jesus Cristo. Agora nós mesmos somos como vasos frágeis de barro que contêm esse grande tesouro. Assim, fica evidente que esse grande poder vem de Deus, e não de nós.” (2Co 4.5-7). Sim, os meus e os seus muitos erros jamais devem nos impedir de proclamar a verdade inerrante das Escrituras.

E foi assim, com total consciência de meus erros mas da grandeza das verdades bíblicas em que acredito, que escrevi Perdão total no casamento. Espero que o livro, que é baseado totalmente nas Escrituras, abençoe vidas, contribua para a restauração de casamentos em ruínas e ajude aqueles que se preparam para subir ao altar a ingressar na vida a dois sabendo como evitar atritos e problemas matrimoniais. E quer saber? Assim que meu coração foi pacificado por entender que a verdade bíblica não depende de mim para ser verdade percebi algo maravilhoso: embora eu e minha esposa tenhamos errado tanto ao longo do casamento, foi justamente por botarmos em prática o que o livro ensina que conseguimos estar casados há 18 anos. Pois o que ali escrevi serviu e serve, antes de tudo, para mim mesmo.

Você deixou de proclamar o evangelho por se sentir indigno? Quantas vezes você deixou de pregar sobre algo, ensinar, aconselhar, evangelizar, amparar, ajudar ou edificar porque se sentia indigno de fazê-lo? Se Deus chamou você, meu irmão, minha irmã, vá em frente! Se o Senhor convocou você a fazer algo, ele garante. Se é você o escolhido, nada nem ninguém impedirá Deus de usar a sua vida em prol de seus grandes, graciosos e eternos propósitos.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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pecados-1Se um pastor comete adultério, todos concordamos que ele deve ser afastado do ministério para ser tratado e restaurado e, só então, reconduzido ao púlpito. Porém, nunca vi um líder eclesiástico sequer ser afastado do cargo por desonrar pai e mãe. Na verdade, nunca conheci nenhum cristão que tenha sido posto em disciplina por desonrar seus pais. Você conhece um único caso assim? Tenho certeza de que não. Interessante, não é? Estamos falando de dois pecados que ferem igualmente um dos Dez Mandamentos, adultério e desonra aos pais (Êx 20.12,14), sendo que honrar pai e mãe é o único mandamento com promessa. No entanto, só damos a devida atenção a um deles. Já parou para pensar por quê? Por que consideramos que certos pecados são mais pecados que outros pecados?

O grande mal que esse tipo de hierarquização de pecados provoca é que acabamos cometendo muitos deles sem nos darmos conta de que estamos pecando ou fingido que não estamos pecando. E isso é terrível, pois os tipos de pecados mais perigosos são aqueles que ou não percebemos que são pecados ou para os quais achamos boas justificativas a fim de cometê-los. Todo mundo sabe que lascívia é pecado, por exemplo, mas nem todo mundo se dá conta de que inveja é um pecado tão grave quanto (Gl 5.21). Todos entendem que assassinato é uma transgressão séria, mas nem todos consideram a cobiça algo tão relevante assim (Êx 20.17). E aí começa o problema. 

pecados-2Todo pecado é grave. Não existe pecado absolutamente nenhum que não entristeça o Senhor. Deus não varre pecados para baixo do tapete. Nenhuma transgressão da vontade divina passa despercebida aos olhos do Deus santíssimo e deixa de entristecer seu coração. Se você ler a lista das obras da carne que Paulo lista em Gálatas 5, verá que inimizades, porfias, ciúmes, iras, discórdias, dissensões, facções, invejas, bebedices e glutonarias estão no mesmíssimo pacote que prostituição, impureza, lascívia, idolatria e feitiçarias. E sobre todo eles (todos!), a Palavra diz: “não herdarão o reino de Deus os que tais coisas praticam” (Gl 5.21). 

Essa é a razão de haver tantos e tantos cristãos que são arrogantes, soberbos, materialistas, invejosos, agressivos, maledicentes, fúteis, debochados, cínicos e agressivos: eles simplesmente não se dão conta de quão abomináveis são tais procedimentos, porque lhes ensinaram equivocadamente que esse modo de ser não é tão problemático assim. Ou arranjam boas desculpas para cometer tais pecados, a fim de se convencer ou de convencer outros de que está tudo bem em ser hostil, raivoso ou invejoso, por exemplo. Mas não está. Por essa razão, multidões de cristãos ou igrejas inteiras estão espiritualmente doentes. 

Sem reconhecer o próprio pecado, nós não nos arrependemos. Sem nos arrependermos, não somos perdoados. Sem sermos perdoados… que Deus tenha misericórdia de nós! Quais são meus pecados de estimação? Que práticas antibíblicas são parte da minha rotina sem que eu faça nada a respeito? Quais são minhas falhas de caráter? Quais são minhas falhas de temperamento? O que faz de mim um pecador habitual? O que precisa mudar? Temos de nos fazer essas perguntas diariamente, se desejamos de fato expressar em nossas obras a fé que nossos lábios professam. 

Felizmente, estamos debaixo da graça de Deus. O sangue de Cristo nos purifica de todo pecado. O Espírito Santo nos chama ao arrependimento e ao perdão. Para isso, precisamos parar de fingir que nosso pecado não é pecado e temos de acabar com a mania de inventar boas desculpas para nossos hábitos pecaminosos. Deus está de braços abertos para nos restaurar, limpar e purificar, mas, para isso, precisamos ser sinceros. Nossas justificativas não fazem nosso pecado ser menos pecado aos olhos de Deus. 

pecados-3A hora é esta. Convido você a fazer um exame de consciência e admitir seus hábitos pecaminosos. Temos de parar com essa ideia cultural e maligna de achar que só desagrada a Deus sexo ilícito, embriaguez, idolatria e fofoca. Comece a analisar se você não comete aqueles pecados a que quase ninguém dá atenção, como arrogância, ódio, hostilidade, discórdias, ciúmes, acessos de raiva, ambições egoístas, dissensões, divisões e inveja. Ao se conscientizar de que os pecados a que você não dá muita atenção são tão malcheirosos às narinas divinas quanto aqueles que você mais condena, estará muito mais próximo de fazer uma faxina em sua alma, ao abandonar transgressões que poluem profundamente sua vida sem que você dê muita atenção a elas.

Quais são os pecados que Deus varre para baixo do tapete? Nenhum. Absolutamente nenhum. A boa notícia? “Quem oculta seus pecados não prospera; quem os confessa e os abandona recebe misericórdia” (Pv 28.13). A misericórdia está ao nosso alcance, basta tomarmos as atitudes certas. Não amanhã, não daqui a pouco. Já. O que estamos esperando?

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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oscar-1Foi vergonhoso. Na cerimônia deste ano de entrega do Oscar, o prêmio máximo do cinema americano, a maior gafe possível aconteceu: na hora de anunciar o vencedor na categoria “Melhor filme”, a organização trocou os envelopes. Resultado: foi anunciado como vencedor o longa-metragem La la land. Equipe e elenco subiram ao palco. Beijos e abraços. Comemorações. Os produtores seguraram a estatueta e fizeram discursos de agradecimento. Foi quando, para surpresa geral, entraram algumas pessoas da organização no palco para corrigir o anúncio: o vencedor na realidade era outro filme, Moonlight. O envelope errado havia sido entregue ao ator que apresentava o prêmio. Que vergonha. Surge a pergunta: como pode os organizadores de um evento tão bem ensaiado e preparado como a cerimônia de entrega do Oscar cometerem um erro tão elementar como esse? A Bíblia responde. 

A resposta do evangelho é: o ser humano falha. Erra. A perfeição não existe entre nós, por mais que nos esforcemos. Esforço humano nenhum nos livra de nossa natureza falível. Ninguém é digno de abrir os selos. Todos pecamos e destituídos fomos da glória de Deus. Todos nascemos miseravelmente pecadores, inclinados ao erro, desejosos de transgredir a vontade divina. Precisamos desesperadamente da graça do Criador, que nos justifica aos olhos do Todo-poderoso. Não fosse ela, carregaríamos um peso tão grande de culpa nas costas, por conta de nossos muitos e frequentes erros, que jamais poderíamos herdar a vida eterna. 

Eu entrego envelopes errados todos os dias, muitas vezes por dia. Por mais que me organize e me esforce para entregar os envelopes certos, no frigir dos ovos entrego os errados. Por minha causa, muita gente tem de devolver as estatuetas e abafar os discursos de agradecimento. Sou culpado disso, pois sou tão falível quanto os organizadores do Oscar. E você também é. 

O pecado é essa força, ao mesmo tempo humana e desumana, que me distancia da capacidade de acertar sempre. Felizes são aqueles que percebem tão terrível realidade e, por essa razão, correm aos pés do único que nunca errou, sedentos por sua graça. Precisamos da misericórdia daquele que é capaz de nos perdoar quando erramos. É possível que o funcionário responsável por entregar o envelope certo ao apresentador do Oscar tenha sido demitido depois de cometer tão grande gafe, não sei. Mas sei com certeza que Deus nunca demite os que erram, desde que se arrependam, reconheçam sua natureza destituída de méritos e recorram ao perdoador, abraçando-o como Salvador e aquele que “perdoa todas as tuas iniquidades” (Sl 103.3). 

Many identical businessmen clones. Businessman production conceptMeu irmão, minha irmã, essa é a razão pela qual devemos corrigir com mansidão e misericórdia os que erram, no intuito de restaurá-los. Não devemos ser tão furiosos e arrogantes em nosso trato com os que transgressores, pois  transgredimos tanto quanto eles; a diferença é só o tipo de transgressão. Devemos estender aos que erram a mesma graça que Deus nos estende quando erramos, pois nosso objetivo não é detoná-los, mas restaurá-los, mediante o arrependimento e o perdão. Seja menos implacável. Seja menos condenador. Seja mais compassivo. Seja mais restaurador. Até porque o único em condições de condenar quem erra não somos eu ou você, é aquele que foi condenado, injustamente, pelos nossos erros. Felizmente, ele subiu à cruz em nosso lugar e pagou o preço que competia a mim e a você pagar, nos permitindo, apesar de nós, ter acesso à glória eterna do Deus que está acima de todo e qualquer erro. 

O erro do Oscar me faz ver a necessidade de priorizarmos o que de fato é prioritário. Menos condenação, mais restauração. Menos agressividade, mais paz. Menos farisaísmo, mais mea culpa. Menos palavras duras, mais palavras mansas e temperadas. Menos carne, mais espírito. Menos ego, mais Cristo.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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