Arquivo da categoria ‘Relacionamento’

justificativa 1Um grande inimigo da vida com Deus chama-se “justificativa”. É aquela “boa explicação” que justifica fazermos o que não deveríamos ou não fazermos o que deveríamos. A traiçoeira justificativa costuma brotar em nossos lábios nas mais variadas circunstâncias, como quando pecamos e tentamos fazer parecer que aquele pecado não é tão pecado assim; quando fugimos da vontade de Deus alegando alhos ou bugalhos; quando queremos facilidades e por isso começamos a entortar a ética bíblica; quando, quando, quando. Quando. Justificativas são o “jeitinho brasileiro” aplicado ao evangelho, para tentar fazer o errado parecer certo. Justificamos e, assim, negociamos o que é inegociável. O perigo reside em nossa justificativa não ser uma “boa explicação”, mas, sim, uma “boa desculpa”.

A estratégia de usar justificativas a fim de escorregar para fora da vontade do Senhor vem desde o Éden. Quando Adão e Eva cometem o primeiro pecado, em vez de abaixar a cabeça e reconhecer o erro, ambos se justificam: “Então, disse o homem: A mulher que me deste por esposa, ela me deu da árvore, e eu comi. Disse o SENHOR Deus à mulher: Que é isso que fizeste? Respondeu a mulher: A serpente me enganou, e eu comi” (Gn 3.12-13). Repare que Adão justifica seu pecado atribuindo culpa a Eva, que, por sua vez, se justifica acusando a serpente. Isto é, ambos tinham uma “boa justificativa” a fim de se arrastar para fora dos caminhos de Deus. As consequências desse comportamento você conhece.

justificativa 2Assim como o primeiro casal, nós também vivemos nos justificando. Sonegamos o imposto com a justificativa de que o governo é ladrão. Desonramos pai e mãe com a justificativa de que eles são pessoas difíceis. Mentimos com a justificativa de que “é só uma mentirinha que não faz mal a ninguém”.  Somos soberbos com a justificativa de que “é preciso pagar a quem honra, honra”. Nos afastamos da família de fé com a justificativa de que “Jesus não construiu templos”. Somos grosseiros com os incrédulos com a justificativa de que há pastores famosos que tratam os incrédulos de modo grosseiro. Pecamos com a justificativa de que “não somos legalistas”. Somos legalistas com a justificativa de que “não seguimos a graça barata”. Não estudamos teologia com a justificativa de que “a letra mata”. Nos refugiamos na teologia com a justificativa de que, se não citamos mil pensadores, nossa teologia e superficial. Somos sarcásticos com os  arminianos porque… Agredimos os calvinistas porque… Damos propina a fiscais porque… Desonramos a autoridade porque…  Prejudicamos o próximo porque… Somos arrogantes porque… Invejamos porque… Falamos mal do próximo porque… Puxamos o tapete porque… E poderíamos seguir numa extensa lista de atitudes erradas que tomamos porque… porque… porque… porque… porque… porque… porque… Sim, o erro tem sempre um “porque”. Só que ter um “porque” não faz um erro ser menos errado.

Você já fez isso? Você faz isso? Você está fazendo isso atualmente? Então cuidado. Cuidado, porque a justificativa é inimiga da santidade, do arrependimento, da confissão de pecados, do perdão, da cruz de Cristo. Logo, a justificativa é uma sabotagem do evangelho.

O oposto da justificativa é a transparência. A honestidade. A sinceridade. Às vezes, em minhas elocubrações doidas, me pergunto se Deus teria expulsado Adão e Eva do Éden se, em vez de terem se justificado, batessem no peito, chorassem, pedissem perdão, confessassem com total reconhecimento a sua falha. Jesus mesmo mostrou a diferença entre a justificativa e a transparência em uma parábola:

“Dois homens subiram ao templo com o propósito de orar: um, fariseu, e o outro, publicano. O fariseu, posto em pé, orava de si para si mesmo, desta forma: Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros, nem ainda como este publicano; jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo quanto ganho. O publicano, estando em pé, longe, não ousava nem ainda levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, sê propício a mim, pecador! Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele; porque todo o que se exalta será humilhado; mas o que se humilha será exaltado” (Lc 18.10-14).

justificativa 3Humilhar-se, no contexto bíblico, significa expor-se. Reconhecer-se como pecador falível. Assumir sua total dependência da graça divina. Humilhar-se, aos olhos de Deus, não é inferiorizar-se, mas elevar-se. Por outro lado, justificar-se é fazer-se maior do que realmente é, por acreditar que a sua justificativa é capaz de enganar o Senhor, fazendo-o acreditar que “não é bem assim”. Mas o Onisciente sabe exatamente o que você faz, fala e pensa. E, portanto, sabe que é assim, sim. Não se justifique, meu irmão, minha irmã. Seja sincero, pois sinceridade a respeito de si mesmo e de todos os seus erros e acertos é uma das marcas de todo aquele que Jesus tornou justo pelo sacrifício da cruz. Aja como o justo que você é e não como o ser justificável que seu pecado deseja que você acredite ser.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
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10 1No Rio de Janeiro, a passagem de ônibus custa R$ 3,40. Peguei semana passada um ônibus e, como não tinha trocado, paguei com R$ 3,50. Estendi a mão ao motorista para receber meus 10 centavos de troco. Ele olhou meio sem graça, disse que não tinha essa quantia para me dar e pediu que eu esperasse: quando recebesse alguma moedinha de 10, me pagaria. Eu passei pela roleta e sentei logo no primeiro banco, lógico, pois não deixaria aquela fortuna para trás. O ônibus prosseguiu viagem e eu ali, firme, aguardando meu troco. O veículo estava vazio e quase ninguém subia. Percebi que, de vez em quando, o motorista me olhava pelo espelho retrovisor, visivelmente tenso por eu estar ali, de prontidão, à espera da moeda que ele não tinha. Eu pensava: “Já vi esse filme muitas vezes. O espertalhão diz que não tem troco para eu desistir e ele ficar com os meus 10 centavos. No fim do dia, ele pega 10 de um, 10 de outro, e vai tomar uma cerveja com o que pegou dos trouxas”. Franzi a testa. Comecei a bater o calcanhar, impacientemente, no piso do ônibus, disposto a não arredar pé enquanto não recebesse o que era meu por direito. Mas, ao mesmo tempo, eu percebia o nervosismo do homem.

Foi quando o Espírito Santo me deu um puxão de orelha. Fui fulminado claramente pela certeza de que eu estava me comportando como um mau cristão. Por querer meu troco? Não. Isso era o justo. Mas por colocar 10 centavos acima do amor pelo próximo. Percebi que eu alimentava ódio por um ser humano que provavelmente estava falando a verdade… por míseros 10 centavos. Notei que, naquele momento, eu estava vendendo a graça que deveria ter no coração por muito, mas muito pouco.

Na vida, muitas e muitas vezes fazemos isso. Por muito pouco, deixamos de agir como Jesus espera de nós. Explodimos com as pessoas por coisas muito pequenas, nos iramos, fazemos inimigos… por questões que, à luz da eternidade, não valem nada ou quase nada. Muitos perdemos amigos por pequenas picuinhas. Ou nos indispomos com pessoas da família devido a assuntos que, no fundo, não são tão importantes assim. Desonramos pai e mãe por migalhas. Levamos nossos filhos à ira porque chegamos em casa estressados pelo trabalho e explodimos por qualquer coisa. Ficamos de ti-ti-ti porque nossos líderes não nos sorriram naquela manhã. Em suma, não são poucas as vezes em que deixamos o amor e a graça escorregar para fora de nosso coração por questiúnculas banais.

10 2É importante dimensionarmos o valor e o peso das coisas. Aqueles 10 centavos tinham valor? Certamente. Era meu direito recebê-los? Evidente. Eu estava certo em tudo. Mas pequei pela falta de bondade. Pus intenções no coração daquele motorista que possivelmente ele não tinha. Permiti que a ira tomasse conta de mim. Falhei. Em termos bíblicos, fui um legalista e não um agente da graça, pois permiti que a lei (correta) fosse mais importante do que a graça (igualmente correta). A diferença é que a lei foi criada para conduzir à graça (Gl 3.24), portanto, lei sem graça é um cavalo desembestado sem cavaleiro – não leva nada a lugar nenhum. Por isso, errei ao atribuir mais valor ao meu direito e à minha razão do que ao amor pelo próximo.

10 3O mesmo vale para tudo na vida. Seus filhos desobedeceram e, com isso, erraram? Sim, claro. Mas será que isso justifica aquela sua reação explosiva? Seu marido deixou a casa bagunçada pela bilionésima vez, mesmo depois de você pedir trilhões de vezes que ele a mantenha arrumada? Sim. Mas será que isso compensa a briga? Você chegou em casa faminto e descobriu que sua esposa não fez o jantar prometido? Sim. Todavia, isso importa mais do que manter o bom relacionamento com ela? Seu chefe é um chato intragável é digno de milhões de críticas? Sim. Mas isso justifica o desacato à autoridade? Seu amigo não foi tão amigo assim na hora que você mais precisava? Sim. Mas será que os anos de amizade precisam ser jogados fora por essa falha? E por aí vai.

Meu irmão, minha irmã, muitas vezes o importante não é ter razão. É ser bom. É agir com graça. É ser como Jesus, que, sem nunca ter pecado, perdoou, amou, pacificou, reconciliou. Você quer ser como Jesus ou como você mesmo?

O ônibus chegou, enfim, ao ponto em que eu saltaria, e nada de ter recebido os 10 centavos. Tendo refletido e me contristado por causa da exortação do Espírito Santo, simplesmente levantei, dei sinal e, na hora de descer, acenei para o motorista, que me olhava constrangido pelo espelho retrovisor. E desejei: “Boa noite, amigo, Jesus o abençoe”. Você pode até achar que fiquei mais pobre por não ter recebido meu troco. Sinceramente? Acredito que saí daquele ônibus muito mais rico do que entrei.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >
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amigo 1Quantos melhores amigos você já teve na vida? Eu já tive alguns. Na primeira escola tinha um; na segunda tinha outro; na faculdade tive uma grande amiga; na época do primeiro emprego um ex-professor da faculdade tornou-se meu companheirão; após a minha conversão, as afinidades me aproximaram de pessoas completamente diferentes… e assim seguiu minha jornada. A cada fase da vida mudamos de círculos de amizades e aquelas pessoas que eram nossas confidentes, companheiras inseparáveis, confessoras íntimas, até mesmo heróis e modelos… simplesmente seguem outros rumos, se distanciam, perdem a conexão. Muitas nunca mais vemos. Outras encontramos esporadicamente. E há ainda aquelas que até mesmo vemos eventualmente, mas parece que a antiga química sumiu. Como lidar com amizades que revelam não ser tão sólidas e eternas como você imaginava?
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Confesso que por muitos anos isso me incomodou. Eu sempre fui muito apegado a quem amo e me afrontava bastante a ideia de que fulano não sentia mais o mesmo desejo de estar em minha companhia. O tempo passou, eu cresci, amadureci e descobri que essa dinâmica é absolutamente natural e faz parte da vida de todo ser humano. Não foi fácil, mas, enfim, a ficha caiu. A razão de nossos amigos mudarem e se afastarem é simples: todo mundo muda. Faz parte da natureza humana. Faz parte da vida. E, quando digo que todo mundo muda, me refiro a mudanças em diferentes aspectos: interesses, valores, projetos de vida, visão de mundo, espiritualidade e por aí vai. Por isso, enquanto você compartilha similaridades com certa pessoa, isso vai aproximá-los; no dia em que esses pontos de atração deixarem de existir, será um milagre sustentar uma amizade próxima. E, aí, quem andava mais próximo de você vai partir para outras pastagens.
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amigo 2Na minha adolescência, por exemplo, eu era um roqueiro que gostava de vida noturna e livros. Naturalmente, meus amigos tinham esse perfil: ou eram leitores compulsivos que gostavam de debater literatura ou gente que apreciava ir a shows de rock. Quando comecei a trabalhar, como um repórter de assuntos internacionais do Jornal do Brasil, passei a conviver com jornalistas mais maduros, que falavam sobre temas mais sérios e densos. Meu foco foi mudando, meus assuntos preferidos tornaram-se outros. Em pouco tempo, os roqueiros já não me convidavam mais para sair.
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Veio minha conversão, e meus antigos melhores amigos passaram a me ver como um religioso fanático e louco – e se afastaram. Naturalmente, ganhei novos amigos, pessoas comprometidas com o evangelho que eu agora abraçava. E, com minha caminhada na fé, percebi que o fenômeno continuava, pois até mesmo dentro da igreja seus relacionamentos mudam, dependendo de como enxerga as coisas: se você se dedica mais à oração vai se aproximar de gente de joelhos calejados; se torna-se um crente agressivo, vai passar a andar com os adeptos da jihad cristã; se é reformado vai se aproximar de reformados; se segue a Missão Integral vai buscar quem compartilha da sua visão… e por aí vai.
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Acredito que o grande segredo é compreender que isso é natural e não se decepcionar porque seus melhores amigos partiram. Daí em diante, devemos viver em paz com todos, sendo os melhores amigos que pudermos, mesmo daqueles que não nos desejam mais como amigos. Esse é o principio até mesmo do amor pelos inimigos: dar o melhor de nós por quem não dá muito por nós.
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Talvez este não pareça ser um assunto muito espiritual. Mas é. Amizades são importantes. Aliás, são fundamentais. Eclesiastes 4.9 mostra que Melhor é serem dois do que um”. Jesus cercava-se de amigos. Ele gostava de estar perto dos doze, de Maria, Marta e Lázaro. Amizades nos fortalecem e nos edificam. Bons amigos ajudam a nos exortar, ouvem nossos desabafos, oram por nós, passam as madrugadas ao nosso lado se for preciso. Amigos verdadeiros fazem falta.
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Quer testar uma amizade? Deixe vir o vendaval ou, principalmente, torne-se alguém que não pode mais oferecer benefícios para essa pessoa. Se o amor e a presença dela por você permanecerem, mesmo quando não houver mais nada que você possa lhe proporcionar, mais nenhuma vantagem, nenhum benefício… então esse é um amigo real, autêntico, legítimo. “O pobre é odiado até do vizinho, mas o rico tem muitos amigos” (Pv 14.20). Busque as melhores amizades. As que passam, deixe ir, é normal que isso aconteça. Mudam os interesses, ou, às vezes, o que havia era só interesse.
amigo 3Acima de tudo, mais do que se preocupar com os que são amigos verdadeiros ou não, procure ser um amigo real para os seus amigos. O que tem valor de fato no reino de Deus é você ser o melhor amigo que puder, a despeito de como os outros são com você. Siga o exemplo do bom samaritano: ele, sim, foi amigo do homem à beira da estrada, a quem devotou-se sem ter nada a ganhar com isso. Faça tudo por seus amigos. Sirva-os, entregue-se e não espere nada em troca. Provavelmente, você não terá muita coisa em troca mesmo. Uns vão passar, outros mostrarão não ser tão amigos assim, outros te decepcionarão. Mas tudo bem, não importa: lembre-se de que, na cruz, apenas um dos amigos de Cristo permaneceu ao seu lado. Os demais? Bem… Jesus deixou o exemplo do que fazer por eles: “Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a própria vida em favor dos seus amigos” (Jo 15.13).
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Entregue sua vida pelo próximo: o verdadeiro amigo, o não tão verdadeiro assim, o que vai e o que fica. Isso é o amor maior. É o amor incondicional. É dar sem receber. Ao pôr em prática essa forma tão dura é difícil de amar, você simplesmente estará amando como Deus nos amou.
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Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >
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otica 1Uma das grandes lições que meu pai me ensinou é que experiências de vida são muito mais valiosas do que bens materiais. Por isso, na minha infância os presentes que ganhava dele eram bem chinfrins, mas, em compensação, todas as férias eram inesquecíveis: viajávamos de carro a lugares como Pantanal, Nordeste, Amazônia, Uruguai, Argentina, Bolívia. Foram muitas aventuras extraordinárias. Cresci e carreguei esse aprendizado comigo: bens passam, mas experiências permanecem. Por isso, alguns anos atrás, em vez de dar um objeto qualquer como presente de aniversário a minha esposa, dei-lhe um voo de helicóptero sobre a cidade do Rio de Janeiro. O dia estava lindo e, de fato, foi um passeio marcante. Algo em especial chamou minha atenção durante o voo: era impressionante como ver de outro ponto de vista os mesmos lugares que sempre frequentei me permitia ver as ruas, os bairros, as praias e tudo mais por uma ótica totalmente diferente. Aquele voo me fez entender com uma clareza inédita uma importante realidade da vida: tudo o que nos acontece pode ser analisado de ângulos diferentes e, dependendo de qual ponto de vista escolhemos, teremos percepções completamente distintas acerca das mesmas coisas.
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Para ficar mais claro o que quero dizer, tomemos por exemplo este relato bíblico: Naquele dia, sendo já tarde, disse-lhes Jesus: Passemos para a outra margem. E eles, despedindo a multidão, o levaram assim como estava, no barco; e outros barcos o seguiam. Ora, levantou-se grande temporal de vento, e as ondas se arremessavam contra o barco, de modo que o mesmo já estava a encher-se de água. E Jesus estava na popa, dormindo sobre o travesseiro; eles o despertaram e lhe disseram: Mestre, não te importa que pereçamos? E ele, despertando, repreendeu o vento e disse ao mar: Acalma-te, emudece! O vento se aquietou, e fez-se grande bonança. Então, lhes disse: Por que sois assim tímidos?! Como é que não tendes fé? E eles, possuídos de grande temor, diziam uns aos outros: Quem é este que até o vento e o mar lhe obedecem?” (Mc 4.35-41).
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ponto de vista 2Pare para pensar como as pessoas que estavam no barco com Jesus enxergaram esse episódio e como as que estavam nos “outros barcos [que] o seguiam” perceberam o ocorrido. Para todos, o fenômeno foi um só: eles saíram de uma margem, veio um grande temporal de vento, com altas ondas, de repente o tempo clareou e logo aportaram na outra margem. Mas as conclusões e as lições foram enormemente distintas: para  quem estava nos “outros barcos”, foi só isto: um fenômeno natural, climático, que se iniciou e terminou pelas forças da natureza. Mas, para quem estava no barco com Cristo, ficou claríssimo que houve uma intervenção sobrenatural de Deus por meio de Jesus. Assim, dependendo de em que barco se estava, a percepção da relação entre Jesus e o acontecido foi totalmente  diferente. Para uns, forças da natureza. Para outros, um milagre que comprovava a divindade de Cristo. Conclusões opostas, frutos de pontos de vista opostos.
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otica 2Pensemos agora sobre a sua vida. Quando chegam a tragédia, a desgraça, a dor e o sofrimento, como você os enxerga? Será que consegue perceber os fatos ruins da vida como parte da escola de Deus, eventos que têm a finalidade de lapidar o diamante bruto que você é e transformá-lo em joia preciosa? De que perspectiva você vê tudo de ruim que se abate sobre você ou aqueles que ama? Com a mesma murmuração do povo de Israel ao sair do Egito ou como Jó, que, ao perder todos os filhos, mortos num catastrófico desabamento, adorou o Senhor e foi capaz de dizer: “Nu saí do ventre de minha mãe e nu voltarei; o SENHOR o deu e o SENHOR o tomou; bendito seja o nome do SENHOR!” (Jó 1.21)?
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Será que você consegue ver o Deus que é puro amor e misericórdia no controle de tudo, mesmo quando chegam as lágrimas e o abatimento? Qual tragédia você está vivendo? Será que é capaz de enxergá-la como parte do grande propósito divino ou como o abandono de um deus mau e raivoso? O ponto de vista que você decidir assumir fará toda a diferença – na sua forma de proceder, nas lições que extrairá, nas palavras que dirá, na solidez de seu relacionamento com o Criador.
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otica 3Muitos, quando ouvem que as tragédias fazem parte da grande equação de Deus rumo a um futuro que ele deseja construir a partir da soma de eventos da vida, se recusam firmemente a reconhecer esse fato. Deus é bom e as desgraças só podem ser atos do Diabo ou da maldade do mundo, dizem. Eu sei que é difícil compreender, entenda que eu sei disso. Por isso, nas horas em que parece que não dá para encaixar sofrimento no mesmo espaço que um Deus bom e amoroso, temos de olhar para a Bíblia e não para o que nós “achamos”. Lembre-se de José, que tinha tudo e, de repente, é traído pelos irmãos, passa anos como escravo, é caluniado, vira presidiário… come o pão que o Diabo amassou… Peraí… o Diabo? Veja a percepção que José tem após atravessar as desgraças todas, em seu discurso aos irmãos traidores: “Assim, não fostes vós que me enviastes para cá, e sim Deus” (Gn 45.8). Uau, que homem de Deus era José. Ele compreendia com clareza que seu sofrimento fizera parte de um plano maior do soberano Criador, tal qual a dolorosa picada de uma injeção que, mesmo que machuque, tem por objetivo nos proteger de uma doença muito pior.
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Pense na cruz de Cristo, um sofrimento sem igual. Foi o Diabo que o levou à cruz? João 3.16 diz que o sofrimento de Jesus foi porque “Deus amou o mundo”. Pense no cativeiro babilônico de Judá e na conquista de Israel pela Assíria, foi o Diabo quem os causou ou foi tudo parte do plano didático do Deus que “disciplina todos os que ama”? Se você conhece a história bíblica, sabe a resposta.
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otica 4Meu irmão, minha irmã, o plano inicial de Deus não era o sofrimento da humanidade. Mas o sofrimento entrou, de penetra, como consequência do pecado. Está lá em Gênesis 3, basta ir à sua Bíblia ler. A partir daí, somos obrigados a conviver com ele, até que cheguem novos céus e nova terra. A questão toda é: é nesse meio-tempo? E no período em que estamos no mundo, sabendo que “no mundo tereis aflições”? Vamos olhar pelo ponto de vista humano, amaldiçoar a Deus e pedir a morte ou vamos olhar nossa dor pelos olhos divinos e, assim, adoraremos ao Senhor, a despeito das circunstâncias?
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Quando estivermos no cárcere, olhemos pelo ponto de vista de Deus e cantemos louvores. Quando estivermos na doença, olhemos pelo ponto de vista de Deus e o adoremos. Quando estivermos na desgraça, olhemos pelo ponto de vista de Deus e lhe rendamos honra. Deus é Deus e Deus é bom. A dor e o sofrimento não mudam esse fato. Mas tenha uma certeza: em meio às nossas angústias e aflições, jamais estamos sós. Pois Jesus prometeu que estaria conosco, todos os dias, até a consumação do século.
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cruzA sua lágrima não é derramada só por você. Saiba que há um Deus que decidiu enxergar a vida pelo meu e pelo seu pontos de vista. Por isso, ele se fez como um de nós. Viveu, suou, chorou, sofreu. Sofreu! Sofreu o pior dos sofrimentos! Mas ressuscitou. E hoje habita em glória, com lugar preparado  para nos receber. Você está sofrendo, meu irmão, minha irmã? Lembre-se: “A nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação” (2Co 4.17). Sim, Deus tem preparado para você uma glória eterna, que pesa mais do que todos os seus sofrimentos. Glória eterna. Paz. Felicidade. Creia: o fim do sofrimento virá. 

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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culto 1É muito frequente irmãos e irmãs que acompanham minhas postagens aqui pelo APENAS e, nos últimos meses, também, pelo Facebook, me questionarem a respeito de minhas crenças doutrinárias e de posicionamentos que me levam a adotar o estilo de texto que costumo escrever. Já citei aqui casos de manos que vieram me “pôr contra a parede” para eu dizer se sou calvinista ou arminiano (o que nunca vou dizer, aliás), se eu tenho preconceito quanto a pregar em igrejas tradicionais ou pentecostais (por que teria?), se não escrevo textos mais pesados e acadêmicos por alguma razão especial (sim, há uma razão)… e por aí vai. São questionamentos desse tipo. Recentemente, fui convidado a pregar em uma igreja, onde, ao final do culto, conheci, pessoalmente, um irmão em Cristo que é assinante do blog e tem o desejo de escrever livros. Ele me fez algumas perguntas, entre elas uma que me chamou a atenção. Essa, sim, acredito que valha a pena comentar, pois pode levar você a uma boa reflexão.  Bem observador, o mano me fez o seguinte questionamento:

– Zágari, eu reparo que uma enorme quantidade dos textos que você compartilha no APENAS partem de episódios do dia a dia, até mesmo situações da sua vida pessoal, mas falam sobre realidades profundas da fé. Por que você segue essa linha? É uma escolha consciente? Esse tipo de texto traz algum tipo de benefícios ao leitor?

olharFoi muito interessante o rapaz ter feito essa ponderação, porque ele conseguiu perceber algo que faço conscientemente: sim, escrever esse tipo de texto é uma decisão, uma opção. E “esse tipo de texto” tem nome: crônica. Eu escolhi escrever a maioria dos textos no blog em forma de crônica por uma decisão pensada e proposital. Mas, antes de ir adiante, preciso dar uma rápida explicação sobre o que é esse gênero literário chamado crônica, caso você não saiba o que o caracteriza: “A crônica é uma forma textual no estilo de narração que tem por base fatos que acontecem em nosso cotidiano. Por este motivo, é uma leitura agradável, pois o leitor interage com os acontecimentos e por muitas vezes se identifica com as ações tomadas pelas personagens. […] Além do mais, é uma leitura que nos envolve, uma vez que utiliza a primeira pessoa e aproxima o autor de quem lê. Como se estivessem em uma conversa informal, o cronista tende a dialogar sobre fatos até mesmo íntimos com o leitor” (Fonte: site Brasil Escola).

Bem, mas o que interessa a você saber isso? Este, afinal, não é um blog sobre literatura, mas sobre vida cristã. A verdade é que há, sim, um elemento didático e espiritual nessa minha escolha. Como a crônica trata de fatos do cotidiano, ao fazer uma reflexão sobre as coisas de Deus a partir de episódios corriqueiros do dia a dia, eu procuro mostrar que é possível a pessoa perceber a influência e a beleza de Deus em tudo na nossa vida.

olho com cruzPor que isso é importante? Porque nossa fé não se restringe ao momento do culto ou às quatro paredes da igreja. Quando eu escrevo sobre realidades bíblicas a partir de episódios normais do dia a dia – como uma folha que vi voar pela janela, algo que minha filha disse, o encontro com um homem cego na rua ou problemas no engarrafamento – estou reforçando a ideia de que a vida cristã se dá em tudo. Em todos os momentos. Em todos os lugares. Deus age em tudo o que vivemos e devemos contemplar a vida sob essa perspectiva, da presença e da ação do Senhor.

Tenho procurado desenvolver essa percepção na minha rotina diária. No cotidiano, mesmo que eu não queira, acabo percebendo o Senhor nas pequenas coisas, nas situações mais corriqueiras e, consequentemente, lições de vida fluem do mundo ao meu redor. Tudo torna-se um culto, constante e interminável. E quero incentivar você a fazer o mesmo. Oro a Deus que você cultue o Senhor no ônibus, na rua, no trabalho, nos relacionamentos… em tudo e sempre. Ao falar, por exemplo, sobre a importância de o cristão ter raízes sólidas a partir da observação de uma árvore no meio da rua, espero estar estimulando você a encontrar ensinamentos divinos nas árvores ao seu redor. Desejo que a presença divina seja perceptível aos seus olhos quando observar uma abelha, comer um pastel ou tomar um banho de mar. Pequenas coisas, eventos aparentemente irrelevantes e corriqueiros podem ensinar grandes lições espirituais caso você tenha o olhar certo para perceber.

Se você conseguir desenvolver essa percepção, vai reparar a presença e a ação de Deus de forma ininterrupta em sua vida. Você viverá em oração sem precisar fechar os olhos ou dobrar os joelhos, pois tudo o que vivenciar vai elevar seu pensamento a Cristo. Suas atitudes serão direcionadas pela percepção da onipresença divina. E sua jornada terá, diariamente, o perfume das ações do Criador.

Comece a fazer esse exercício, se desejar. Eu acredito nele, pois me tem feito viver muito mais Cristo em meu dia a dia. Se optar por isso, em breve você não só estará escrevendo textos muito melhores e mais significativos do que os meus, mas caminhará pela vida com a percepção muito mais clara de que Jesus dá cada passo junto com você, todos os dias, em todos os momentos, até o fim dos tempos.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
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azedo 1Você já passou por aquela situação em que decide comer um doce acompanhado de um suco e, depois de saborear aquela bomba de açúcar, virou o copo e descobriu que a bebida estava totalmente amarga? Bem, na verdade, o gosto dela estava exatamente igual ao de todas as outras vezes em que você a tomou; porém, desta vez, o fato de ter ingerido aquele montaréu de açúcar antes fez com que o doce do suco fosse anulado. De igual modo, se você põe a mão dentro de um balde de água gelada e depois a enfia em um balde de água quente, ou vice-versa, perceberá que a sensação térmica muda, dependendo da temperatura do meio em que ela estava antes. Ou, ainda, se você vem de uma rua calorenta e entra no ar-condicionado, o alívio é grande; mas, se você sai da neve e entra em um ambiente com ar-condicionado, vai morrer de calor. E se você passa de um lugar escuro para um bem claro, fica ofuscado e dificilmente consegue enxergar direito; mas se sai de um local claro para outro não percebe tanta diferença. Que conclusão tiramos dessas experiências? A condição em que nos encontrávamos antes de determinada situação influenciará de forma decisiva como a viveremos.

Essa também é uma realidade bíblica. O capítulo 7 de Lucas relata certa ocasião em que Jesus foi comer na casa de um fariseu chamado Simão e lá uma mulher que vivia de modo pecaminoso se aproximou, chorando, e passou a lavar e ungir os pés de Cristo com as próprias lágrimas e com unguento. O dono da casa começou a murmurar por esse fato e recebeu uma lição de Jesus, que finalizou dizendo: “Por isso, te digo: perdoados lhe são os seus muitos pecados, porque ela muito amou; mas aquele a quem pouco se perdoa, pouco ama” (v. 47). Esse episódio mostra que as situações que vivemos antes sempre influenciarão espiritualmente o que viveremos depois. No caso daquela mulher, o perdão do ontem influenciou o amor do hoje.

Se tivermos uma compreensão clara sobre isso, conseguiremos extrair lições importantes para nossa caminhada cristã, que nortearão nosso pensamento e nossas atitudes de forma mais ajustada ao que o evangelho propõe. E isso, especialmente, no que se refere à forma como lidamos com pessoas que têm falhas e problemas. Vejamos alguns exemplos.

cruz no olho 1Com essa compreensão, seremos mais misericordiosos ao ver um novo convertido ter dificuldades para se consertar em certas realidades da vida de santidade, por compreender que ele acabou de sair de uma vida inteira de práticas pecaminosas. Ou olharemos com mais compaixão e paciência uma irmã que se fanatiza ao descobrir a sã doutrina, por entender que ela vem de uma longa passagem por igrejas cujas práticas são alheias ao cristianismo puro e simples. Ou, ainda, cuidaremos com muito mais amor e carinho de alguém que se encontra desviado da igreja por ter sido ferido por pastores ou membros e, por isso, ter traumas quanto ao meio eclesiástico. Também desenvolvemos muito mais paciência ao ver jovens cheios de testosterona entrarem em debates intermináveis nas redes sociais por questões secundárias da teologia, por compreender que foram adestrados a se comportar dessa forma devido a experiências anteriores. E por aí vai.

Enfim, o entendimento de que cada ser humano é, hoje, fruto de tudo o que viveu no passado nos conduz a um olhar muito mais misericordioso com relação a suas atitudes. Por isso, fica aqui a recomendação: nunca olhe para alguém somente por aquilo que ele é. Tente entender tudo o que ele viveu antes, para compreender como se tornou aquilo que é. Com essa percepção, você conseguirá ser mais paciente, misericordioso e amoroso com pessoas que apresentam falhas ou dificuldade de se ajustar a uma nova realidade.

E fica o desafio: o que você pode fazer por essas pessoas? Gente que se tornou mentirosa por ter crescido num ambiente em que a mentira era valorizada; gente arrogante, que foi mimada na infância e criada sem preparo para o mundo real; gente materialista, que conviveu a vida inteira com uma família que supervalorizava os bens materiais; gente fofoqueira, que transitou por ambientes em que a fofoca era uma arma de sobrevivência; e tantos outros tipos de gente com falhas. O que fazer por elas?

Primeiro, amá-las.

Segundo, não condená-las.

Terceiro, aproximar-se delas.

Quarto, admoestá-las, com compaixão.

Quinto, influenciá-las, pelo discipulado.

Sexto, ser um instrumento de Deus para transformá-las.

Ninguém nasceu como é hoje. Todos vivemos experiências variadas que nos moldaram ao longo de anos. Se você conhece pessoas que se tornaram problemáticas, quem sabe se tudo o que você viveu na sua vida até hoje não foi para moldá-lo a ser justamente o coração misericordioso de que elas precisam para mudar?

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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