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empatia 1Lembro-me do primeiro enterro a que fui na minha vida. Cheguei ao funeral do meu tio Guilherme e logo encontrei a esposa dele, a tia Helena. Ela estava aos prantos, desconsolada. Se não estou enganado, eu deveria ter por volta de uns 12 ou 13 anos. Tudo o que eu sabia sobre o que devemos dizer em uma situação como aquela foi o que eu tinha visto em programas de televisão e em filmes. Por isso, inexperiente, o que eu lhe disse foi o maior clichê, sem reflexão, sem pensar que aquela frase simplesmente não traria nenhum consolo. Fiz um olhar triste e mandei: “Tia, ele está melhor do que nós”. Que horror. Ela fez uma cara sem nenhuma reação e simplesmente continuou chorando. Recordo-me que me senti mal, porque percebi na hora que aquilo que eu tinha dito simplesmente não significava nenhum consolo para ela. Guardei aquele momento na lembrança como se fosse hoje, talvez por ter me sentido muito mal pelo fato de, em vez de me expressar com todas as minhas fibras e dizer algo das profundezas de minha alma, ter lançado mão de um uma frase feita, um clichê vazio, algo que foi dito por ser dito, mas que não teve eficácia alguma no sentido de amainar as dores da minha tia. 

Pensar naquele momento me faz ver como não adianta falar qualquer coisa, em especial nos momentos de crise. Falar por falar é inútil, nossas palavras precisam ser muito bem escolhidas e vir do fundo do coração. Muitas vezes, não devemos nem usar palavras: basta um abraço, basta o silêncio solidário. Enquanto os três amigos de Jó ficaram em silêncio ao seu lado, ele se sentiu amparado, mas foi só Elifaz, Bildade e Zofar abrirem a boca e começou um show de palavras que em nada ajudaram Jó naquele momento de angústia. Muitas vezes, o calar é a nossa melhor atitude. 

Nesse sentido, algo que sempre me causou estranheza é a pergunta “tudo bem?”. Já reparou como ela não quer dizer nada? Essa expressão tornou-se, na verdade, uma saudação padrão, algo educado de se dizer, mas, na realidade, numa quantidade mínima das vezes em que perguntamos a alguém se está tudo bem nós de fato temos o real interesse de saber a resposta. Tanto que, automaticamente, já esperamos que nosso interlocutor responda: “Tudo”. Se ele diz “não estou bem”, na maioria das vezes nem sabemos direito como reagir.

Nas redes sociais esse fenômeno das palavras que perdem o sentido chega a ser engraçado. Parece que em muitas ocasiões os termos são usados sem que o seu real significado seja o que se deseja dizer. Por exemplo: “lindo”. No Facebook tudo é “lindo”, todos são lindos. Às vezes vejo alguém postar uma foto do filho, de um casal em viagem, do prato de comida, de um bicho de estimação, de uma frase de efeito e, quando vou ler os comentários, tudo tem uma enxurrada de “lindo”, “linda”, “lindos”. É como se já se tivesse criado uma maneira de dizer que você achou algo legal e, portanto, “lindo” passa a significar uma série de coisas e não necessariamente o seu sentido original: “belo”, “formoso”. 

Existe ainda uma outra expressão que acho bem estranha. É o “fica bem”. A namorada vem, dá um fora no namorado, vira-se para ele e diz: “Fica bem, tá?”. É óbvio que ele não vai ficar bem! Mas ainda assim ela diz. Isso me soa como se eu virasse para alguém no meio do deserto do Saara e dissesse “Fica com frio, tá?”. Ninguém vai sentir frio só porque eu falei, assim como ninguém vai se sentir bem só porque alguém disse “fica bem”. 

empatiaMeu irmão, minha irmã, pense bem no que você diz. Escolha palavras com significado, principalmente quando está partindo ao encontro de alguém com o intuito de consolá-lo. Para quem está em angústia, depressão, crise, sofrimento, abatimento ou qualquer situação ruim o mais importante é um gesto, uma atitude, uma ação. Coloque-se no lugar do outro. Tenha empatia. Repare que Jesus não se virava para os cegos, leprosos e doentes que o procuravam e dizia “fica bem”: ele agia em favor deles, movido de íntima compaixão. 

Hoje, quando vou a um funeral, raramente digo algo à família de quem partiu. Prefiro dar um abraço apertado e ficar por perto, para que vejam que estou disponível caso precisem de algo. Acredito que isso demonstra muito mais empatia e compaixão do que soltar palavras vazias, que são ditas só para cumprir uma formalidade. 

Deixe que a compaixão te mova. E te mova para agir em favor do próximo, muito mais do que falar. Não só pergunte se está “tudo bem”, mas faça algo para que o outro se sinta bem. A Bíblia nos diz para chorar com os que choram e isso significa trazer para dentro do nosso peito a dor do outro, muitas vezes sem que seja necessário dizer nada. Acredito que, ao fazer isso, você estará de fato contribuindo para o bem-estar do próximo e se conformando muito mais à imagem de Cristo.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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IMG_6313Havia muito tempo que eu não andava de metrô no Rio de Janeiro. Há alguns dias, porém, tive de pegar o metrô por conta de um compromisso e vivi uma experiência que me deixou bastante triste. O trem estava cheio e não havia lugar para sentar. Por isso, eu, minha esposa e minha filha de 4 anos ficamos em pé. Olhei ao redor e percebi algo que captou minha atenção: à  direita, havia uma senhora de idade, em pé. À esquerda, estava um rapaz com um dos braços engessado, em pé e segurando uma mochila. E lá estávamos eu e minha esposa, acompanhados de uma criança pequena, também em pé. Quando olhei para as pessoas que estavam sentadas próximo a nós, reparei que todos eram homens e mulheres jovens, fortes e saudáveis, que, simplesmente, não se mexeram. Onde estavam, permaneceram. Não deram a mínima.

IMG_6320Vou repetir: uma idosa, um homem de braço quebrado (foto) e um casal com uma criança pequena, todos em um espaço de menos de quatro metros quadrados. E absolutamente ninguém moveu uma palha sequer para ceder o lugar a quem quer que fosse. Isso me deixou extremamente pensativo sobre como o ser humano está tão desumano, egoísta e destituído de amor pelo próximo.

Quando eu era criança, minha mãe me ensinou a sempre, em qualquer circunstância, ceder o lugar para os mais velhos, mulheres e outras pessoas em necessidade. Durante todos os meus anos de escola, estudei em um colégio que ficava a cerca de uma hora de distância da minha casa, de ônibus. E,  durante o sete anos em que estudei lá, sempre fui obrigado a ir e voltar de ônibus e sempre cedi meu lugar, por mais cansado ou dolorido que estivesse. Não porque eu fosse uma pessoa magnânima ou acima da média, mas simplesmente porque aprendi com meus pais que isso era o certo. Por isso, confesso que até hoje me choca quando vejo jovens saudáveis e fortes permanecerem impassíveis ao ver pessoas de mais idade ou com crianças pequenas em pé. Porque, para mim, isso demonstra uma monstruosa falta de amor pelo próximo. É egoísmo e egocentrismo.

A Bíblia diz que nos últimos tempos o amor de muitos esfriaria. Se “o amor esfriar” não é ignorar as pequenas necessidades do próximo, não sei o que é. Infelizmente, é muito difícil mudarmos as outras pessoas. Mas o que podemos fazer é mudar a nós mesmos. Por isso proponho a você uma reflexão sobre suas atitudes. Será que você tem amado de fato o próximo?

Amor-bajo-el-espino-Blanco9Entenda que o amor ao próximo não se demonstra apenas em gestos grandiosos. Não é sendo missionário na África, tornando-se a Madre Teresa de Calcutá ou doando milhões de reais para a caridade que você será alguém que ama o próximo. Até porque, convenhamos, essas são ações que não estão ao alcance da esmagadora maioria das pessoas. Mas você tem a possibilidade de exercer o amor ao próximo diariamente, em pequenos gestos.

Ceder o lugar no ônibus, abrir a porta para senhoras passarem, puxar a cadeira no restaurante, ceder a vez no trânsito, permitir que gente idosa passe à sua frente na fila, deixar que o último pão da padaria seja comprado por outra pessoa, abrir mão do seu tempo para ouvir quem está triste, fazer elogios, dar de comer a quem tem fome e de beber a quem tem sede… Atitudes como essas custam muito barato ou nada e, acredite, não doem.

gestos-de-amorVocê pode achar que pequenos gestos como esses não fazem a diferença. Mas lembre-se de que é do acúmulo de uma grande quantidade de tijolos bem pequenos que você constrói um enorme edifício de dezenas de andares. Pequenos gestos de amor fazem toda a diferença. Jesus morreu pela humanidade, e isso foi um gesto grandioso. Mas ele também providenciou comida para pessoas que estavam com fome. Ele chorou em solidariedade à tristeza daqueles que estavam abatidos com a morte de Lázaro. Ele criou as galáxias mas também as pequenas sementes, o que demonstra que dá atenção ao macro e também ao micro. Perceba: Deus se preocupa com amor e não apenas com grandes gestos de amor. Se for amor, pode ter a dimensão que tiver, será apreciado pelo Senhor e fará toda a diferença para o próximo.

imagesVocê pode se justificar dizendo que “hoje em dia, todo mundo faz assim”. Que “ninguém mais cede o lugar no metrô”. Que homens com um braço quebrado “podem se segurar com um braço só”. Que crianças de 4 anos “são cheias de saúde e não têm necessidade de se sentar”. Pode ser que você pense que a pequena gentileza não importa mais,  porque, afinal, ninguém mais dá bola para isso. Que pequenos atos de solidariedade são coisa do passado. Que o feminismo aboliu o direito das mulheres de se sentarem no ônibus. Sinceramente, não creio que Deus gosta muito do feminismo. Tampouco acredito que Deus gosta de quem faz tudo como todos os outros fazem. Todos os samaritanos deixariam o judeu roubado espancado caído à beira do caminho, mas Jesus disse que quem amava o próximo era justamente aquele que fez o que todos os outros não fariam. Que exemplo! E lembre-se que Deus vive fora do tempo, por isso, o conceito de que “isso era gentileza mas não é mais” simplesmente não existe para o Senhor.

Amor é amor. O que revela o amor, seja “grande” ou “pequeno”, é um coração que abre mão de si pelo próximo.

Peço a Deus, meu irmão, minha irmã, que você faça a diferença. Que entenda que vivemos dias de muito desamor e que o amor é um item extremamente necessário e cada vez mais raro em nosso meio. Nem que sejam pequenas gotas de amor. Porque uma gota de amor após a outra, após a outra, após a outra… acaba gerando uma inundação de amor. Faça a sua parte. Ame. Por favor, ame. Pelo amor de Deus, ame. Abra mão de si em benefício do próximo, assim como Jesus abriu mão de si em nosso benefício. Pode ser que você fique com as pernas doendo com mais frequência ao ceder o lugar para pessoas que precisam mais do que você. Mas acredito que, ao chegar diante do Pai celestial, o teu pequeno sacrifício será reconhecido como um grandioso gesto de amor.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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alegria 1Muita gente acha que Deus é uma pessoa carrancuda, de cara fechada, como um gerente estressado e preocupado com a administração dessa grande instituição chamada humanidade. Às vezes ouço como alguns se relacionam com o Senhor e vejo como essa mentalidade é difunda. Tenho a impressão de que ainda hoje carregamos o entendimento que havia na época do Antigo Testamento, de que Deus é somente o temível Senhor dos Exércitos e não o Pai nosso, o Aba, o carinhoso e contente Espírito que é amor. No livro O Fim do Sofrimento, dediquei um capítulo inteiro para mostrar biblicamente que Deus sorri, que é um pessoa alegre; no entanto, tenho visto como essa percepção é rara. Por causa disso, muitos tentam imitar essa imagem soturna do Criador e acabam se tornando indivíduos tensos, densos, rígidos, pesados, sempre com uma nuvem negra sobre a cabeça. Assim, nos tornamos semeadores de dureza e tensão, em vez de propagadores de alegria e felicidade.
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Entenda que a seriedade de Deus e a alegria dele convivem. Ele não é um ou outro. Ele é ambos. O problema ocorre quando priorizamos um aspecto de sua pessoa em detrimento do outro. O teu Criador é alegre, meu irmão, minha irmã. Com efeito, vos tornastes imitadores nossos e do Senhor, tendo recebido a palavra, posto que em meio de muita tribulação, com alegria do Espírito Santo” (1Ts 1.6). Alegria do Espírito Santo, isto é, alegria que vem do ser divino. A alegria descrita em Neemias 8.10, que é a nossa força. Alegria que brota de Deus e flui para nós: Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria… ” (Gl 5.22). Alegria. Fruto do Espírito. Alegria. 
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Quando compreendemos que Deus é alegre e que seu fruto em nós é alegria, passamos a ver a alegria como padrão divino. Isso quer dizer que temos obrigação de ser alegres o tempo todo? Claro que não, afinal, Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu: […] tempo de chorar e tempo de rir; tempo de prantear e tempo de saltar de alegria” (Ec 3.1,4). Mas devemos lembrar que Com efeito, grandes coisas fez o SENHOR por nós; por isso, estamos alegres. […] Os que com lágrimas semeiam com júbilo ceifarão. Quem sai andando e chorando, enquanto semeia, voltará com júbilo, trazendo os seus feixes” (Sl 126.3,5-6)
alegria 2O mundo é um lugar triste. Vivemos em um ambiente cheio de dor, tristeza, doença, morte, decadência, corrupção. O mundo é um lugar estragado. Culpa de Deus? Não. Culpa nossa, pois deixamos o pecado entrar em nosso coração. Nós estragamos o mundo, eu e você. Deus criou o mundo como um lugar perfeito, o Éden era só alegria, mas com a transgressão tudo entristeceu, sombras cobriram a terra. Será que não deveríamos contribuir para devolver a esse ambiente um pouco daquilo que surrupiamos dele?
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Recentemente chorei. Assisti em curto espaço de tempo a alguns vídeos que sacudiram meu espírito. Num deles um homem dava dinheiro para um mendigo, que valorizou mais a presença do homem do que o dinheiro que recebeu. No outro, dançarinos iam a um hospital infantil e dançavam para as crianças, o que despertou muitos sorrisos entre os tristes e abatidos. Chorei porque vi aquilo e percebi quão pouco eu faço para levar alegria ao meu próximo.
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Falamos muito em doar dinheiro, dar roupas e calçados, entregar cestas básicas, fazer caridade material, entregar folhetos. Mas pouco ou nada lembramos de ofertar alegria ao próximo. E isso é um gigantesco desperdício de um aspecto da centelha divina que habita em nós. Façamos aquilo sem deixar de fazer isso.
alegria 4Quero desafiar você. Desafio você a se tornar um semeador de alegria. O que você pode fazer hoje para pôr um sorriso no rosto do próximo? Você seria capaz de, ao longo da próxima hora a partir do momento que ler este texto, fazer algo que venha a alegrar alguém? Você pensará como. Pode ser brincando com uma criança, consolando alguém abatido, contado piadas para quem está oprimido pela chateação do dia a dia, entregando comida ao faminto, dando um abraço em quem menos espera por um gesto de amor. Compartilhar alegria, aliás, é compartilhar amor. Portanto, ao alegrar um coração você estará amando o próximo e, assim, cumprindo  importante mandamento de Deus.
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Alegre alguém ao longo da próxima hora. Alguém conhecido ou desconhecido, não importa: pessoas que você não conhece carecem tanto de alegria quanto quem é íntimo. Depois, se você aceitar o desafio, eu agradeceria se contasse no espaço de comentário deste post em poucas palavras o que você fez, o que sua atitude gerou no coração do próximo e como isso fez você se sentir. E, ao experimentar a alegria de alegrar, que isso te incentive a continuar distribuindo alegria – a toda hora, a todo dia, constantemente. Hoje, 09/07/2015, este blog tem 3.166 assinantes. O desejo do meu coração seria ver 3.166 comentários relatando como cada um de vocês contribuiu para alegrar uma vida. E, se desejar convidar ou estimular alguém que você conhece a fazer o mesmo, seria lindo ver 6.332 comentários com testemunhos de gente que semeou alegria. E imagine se você e seu conhecido convidassem, cada um, mais uma pessoa a fazer o mesmo, seriam 12.664 pessoas que foram alegradas se simplesmente você levar duas pessoas e o seu convidado levar uma pessoa a distribuir alegria ao longo da próxima hora. E, se pensarmos grande, eu sugeriria que, se você desejar, encaminhe o e-mail com este desafio às pessoas que você conhece, independente da religião de cada uma, e estimule-as a fazer o mesmo. Meu Deus, imagine se cada um abraçasse esta ideia, que mundo mais sorridente ajudaríamos a construir!
alegria 3Jesus te chamou para amar. Para alegrar. Para reproduzir um pouco do Éden neste mundo frio e triste. O que embeleza o mundo, meu irmão, minha irmã, não é só o por do sol, a lua cheia, uma bela paisagem. O que mais embeleza o mundo são sorrisos. Semeie beleza. Semeie alegria. Semeie sorrisos. Semeie amor. Tenho certeza que você consegue. Ao fazer isso, dará a este mundo um pouco daquilo que nos espera na eternidade, onde Deus “lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram” (Ap 21.4). O que haverá? Alegria.
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Dissemine alegria. E você antecipará neste mundo um pouco do que nos espera no céu. 
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Paz a todos vocês que estão em Cristo,
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lingua 1“Se alguém supõe ser religioso, deixando de refrear a língua, antes, enganando o próprio coração, a sua religião é vã” (Tg 1.26). Esse é um dos versículos mais assombrosos e amedrontantes da Bíblia. Ele decreta: de nada adianta viver cumprindo os preceitos da fé cristã se você não é capaz de controlar o que fala e a forma como fala. Ir ao culto, cantar louvores, orar, ler a Palavra, pregar, chorar de joelhos, postar reflexões sobre a vida cristã na internet, escrever livros cristãos… se você não tem domínio sobre o que fala e como fala, tudo isso é absolutamente vão, ou, como bem define o dicionário, “vazio, oco, inútil, sem valor, ilusório, sem fundamento real, fútil, frívolo, falso, ineficaz”.

Controlar a língua não é um assunto secundário, coisa de fofoquinha entre vizinhas que ficam olhando a vida alheia. É um tema muito mais profundo do que simplesmente fofoca, como alguns, equivocadamente, pensam. Saber controlar o que se fala e como se fala é uma questão de caráter. De amor ao próximo. De respeito. É interessante que o versículo citado no início deste texto vem logo depois da afirmação: “Tornai-vos, pois, praticantes da palavra e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos” (Tg 1.22). Alguém dizer que pratica a Palavra sem controlar o que fala e como fala faz de si somente um enganador.  E é importante frisar que, em dias como os nossos, o “falar” aqui também deve ser entendido como “postar”, “tuitar”, “compartilhar”, “comentar”, “teclar” e por aí vai.

agressivo 1Saber controlar a língua diz respeito, por exemplo, a falar com o próximo com carinho e gentileza. Um cristão que, por exemplo, entra em debates ácidos  pelas redes sociais ou em qualquer outro âmbito sobre assuntos teológicos e faz isso sem refrear a língua, tecendo comentários sarcásticos, sendo agressivo, tratando o próximo a quem deveria amar com estupidez (mesmo o inimigo)… nada mais é do que alguém cuja religião é vã. Grave, não é? Mas bíblico. E isso, por mais que supostamente tenha boas intenções e queira agradar a Deus. Em meu entendimento bíblico, quem faz isso não agrada a Deus, agrada somente ao próprio ego. Religioso. Vão. 

É claro que sempre teremos uma “boa desculpa” para usar a língua de forma pecaminosa. Diremos que estamos ofendendo e ironizando quem discorda de nós em nome da apologética, porque, afinal, “antes importa  agradar a Deus que aos homens”. Diremos que abrimos segredos que nos contaram para que “pudessem orar por fulano”. Inventamos mil histórias que tentam justificar nossa incapacidade de reter a língua. Desculpas, somente. Religião vã. 

agressivo 2Tenho ficado abatido com a forma como vejo cristãos discordarem de cristãos. Tenho ficado assombrado com a forma como cristãos discordam de não cristãos. Atacam. Agridem. Desprezam. Ironizam. Tiago 3 é um capitulo arrasador sobre o assunto. Descreve a pessoa perfeita: “Se alguém não tropeça no falar, é perfeito varão, capaz de refrear também todo o corpo” (v. 2). A Palavra de Deus diz que com a língua “bendizemos ao Senhor e Pai; também, com ela, amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus” (v. 9). É exatamente o que vejo todos os dias entre os cristãos, embora Tiago seja claro: “Meus irmãos, não é conveniente que estas coisas sejam assim. Acaso, pode a fonte jorrar do mesmo lugar o que é doce e o que é amargoso?” (v. 10-11). E a nossa boca tem sido amarga demais. Demais.

agressivo 3Vejo frequentes debates entre certos “mestres da Palavra”, pastores, líderes, teólogos, blogueiros, vlogueiros, estudantes de teologia ou simples membros de igreja como eu e você serem recheados de espantoso descontrole da língua. E me abato quando comparo a arrogância teológica de muitos com o que diz a Bíblia: “Quem entre vós é sábio e inteligente? Mostre em mansidão de sabedoria, mediante condigno proceder, as suas obras. […]  Pois, onde há inveja e sentimento faccioso, aí há confusão e toda espécie de coisas ruins. A sabedoria, porém, lá do alto é, primeiramente, pura; depois, pacífica, indulgente, tratável, plena de misericórdia e de bons frutos, imparcial, sem fingimento. Ora, é em paz que se semeia o fruto da justiça, para os que promovem a paz” (Tg 3.13-18). É claro: biblicamente, sabedoria e inteligência precisam ser acompanhadas, impreterivelmente, por mansidão. Qualquer tipo de sabedoria que não tenha paz, que não seja pura; que não seja pacífica, que não seja indulgente, que não seja tratável, que não seja plena de misericórdia e de bons frutos, que não seja imparcial, que não seja sem fingimento… é demoníaca. Mesmo se for usada “em nome de Jesus”.

Vejo nas palavras e na forma de falar de muitos cristãos, “mestres”, “apologetas”… aquilo que a Bíblia diz que é ruim. Misericórdia zero. Paz zero. E isso cansa. A Igreja de Jesus Cristo em grande parte diz que defende Jesus Cristo. Mas, ao fazê-lo de forma bruta e odiosa, só defende egos e o que há de pior no gênero humano. E faz a sociedade não cristã nos enxergar não como pacificadores e filhos do Deus de amor, mas como figuras abjetas e detestáveis. Que não cumprem o mandamento bíblico: “O seu falar seja sempre agradável e temperado com sal, para que saibam como responder a cada um” (Cl 4.6).

gentilFica a sugestão (enfática): aprenda a refrear sua língua. Não imite o comportamento de quem não refreia, mesmo que sejam pastores, líderes, celebridades cristãs, gente famosa da internet ou o que for. Fuja de “mestres” que usam palavras com fúria, mesmo que seja em nome da fé. Não deixe que sua religião se torne vã. Amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio: se aquilo que você diz e a forma como diz não vêm encharcados dessas virtudes, está na hora de repensar seriamente tudo aquilo que fala e escreve. E, quem sabe, recomeçar do zero.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
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justificativa 1Um grande inimigo da vida com Deus chama-se “justificativa”. É aquela “boa explicação” que justifica fazermos o que não deveríamos ou não fazermos o que deveríamos. A traiçoeira justificativa costuma brotar em nossos lábios nas mais variadas circunstâncias, como quando pecamos e tentamos fazer parecer que aquele pecado não é tão pecado assim; quando fugimos da vontade de Deus alegando alhos ou bugalhos; quando queremos facilidades e por isso começamos a entortar a ética bíblica; quando, quando, quando. Quando. Justificativas são o “jeitinho brasileiro” aplicado ao evangelho, para tentar fazer o errado parecer certo. Justificamos e, assim, negociamos o que é inegociável. O perigo reside em nossa justificativa não ser uma “boa explicação”, mas, sim, uma “boa desculpa”.

A estratégia de usar justificativas a fim de escorregar para fora da vontade do Senhor vem desde o Éden. Quando Adão e Eva cometem o primeiro pecado, em vez de abaixar a cabeça e reconhecer o erro, ambos se justificam: “Então, disse o homem: A mulher que me deste por esposa, ela me deu da árvore, e eu comi. Disse o SENHOR Deus à mulher: Que é isso que fizeste? Respondeu a mulher: A serpente me enganou, e eu comi” (Gn 3.12-13). Repare que Adão justifica seu pecado atribuindo culpa a Eva, que, por sua vez, se justifica acusando a serpente. Isto é, ambos tinham uma “boa justificativa” a fim de se arrastar para fora dos caminhos de Deus. As consequências desse comportamento você conhece.

justificativa 2Assim como o primeiro casal, nós também vivemos nos justificando. Sonegamos o imposto com a justificativa de que o governo é ladrão. Desonramos pai e mãe com a justificativa de que eles são pessoas difíceis. Mentimos com a justificativa de que “é só uma mentirinha que não faz mal a ninguém”.  Somos soberbos com a justificativa de que “é preciso pagar a quem honra, honra”. Nos afastamos da família de fé com a justificativa de que “Jesus não construiu templos”. Somos grosseiros com os incrédulos com a justificativa de que há pastores famosos que tratam os incrédulos de modo grosseiro. Pecamos com a justificativa de que “não somos legalistas”. Somos legalistas com a justificativa de que “não seguimos a graça barata”. Não estudamos teologia com a justificativa de que “a letra mata”. Nos refugiamos na teologia com a justificativa de que, se não citamos mil pensadores, nossa teologia e superficial. Somos sarcásticos com os  arminianos porque… Agredimos os calvinistas porque… Damos propina a fiscais porque… Desonramos a autoridade porque…  Prejudicamos o próximo porque… Somos arrogantes porque… Invejamos porque… Falamos mal do próximo porque… Puxamos o tapete porque… E poderíamos seguir numa extensa lista de atitudes erradas que tomamos porque… porque… porque… porque… porque… porque… porque… Sim, o erro tem sempre um “porque”. Só que ter um “porque” não faz um erro ser menos errado.

Você já fez isso? Você faz isso? Você está fazendo isso atualmente? Então cuidado. Cuidado, porque a justificativa é inimiga da santidade, do arrependimento, da confissão de pecados, do perdão, da cruz de Cristo. Logo, a justificativa é uma sabotagem do evangelho.

O oposto da justificativa é a transparência. A honestidade. A sinceridade. Às vezes, em minhas elocubrações doidas, me pergunto se Deus teria expulsado Adão e Eva do Éden se, em vez de terem se justificado, batessem no peito, chorassem, pedissem perdão, confessassem com total reconhecimento a sua falha. Jesus mesmo mostrou a diferença entre a justificativa e a transparência em uma parábola:

“Dois homens subiram ao templo com o propósito de orar: um, fariseu, e o outro, publicano. O fariseu, posto em pé, orava de si para si mesmo, desta forma: Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros, nem ainda como este publicano; jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo quanto ganho. O publicano, estando em pé, longe, não ousava nem ainda levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, sê propício a mim, pecador! Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele; porque todo o que se exalta será humilhado; mas o que se humilha será exaltado” (Lc 18.10-14).

justificativa 3Humilhar-se, no contexto bíblico, significa expor-se. Reconhecer-se como pecador falível. Assumir sua total dependência da graça divina. Humilhar-se, aos olhos de Deus, não é inferiorizar-se, mas elevar-se. Por outro lado, justificar-se é fazer-se maior do que realmente é, por acreditar que a sua justificativa é capaz de enganar o Senhor, fazendo-o acreditar que “não é bem assim”. Mas o Onisciente sabe exatamente o que você faz, fala e pensa. E, portanto, sabe que é assim, sim. Não se justifique, meu irmão, minha irmã. Seja sincero, pois sinceridade a respeito de si mesmo e de todos os seus erros e acertos é uma das marcas de todo aquele que Jesus tornou justo pelo sacrifício da cruz. Aja como o justo que você é e não como o ser justificável que seu pecado deseja que você acredite ser.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
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10 1No Rio de Janeiro, a passagem de ônibus custa R$ 3,40. Peguei semana passada um ônibus e, como não tinha trocado, paguei com R$ 3,50. Estendi a mão ao motorista para receber meus 10 centavos de troco. Ele olhou meio sem graça, disse que não tinha essa quantia para me dar e pediu que eu esperasse: quando recebesse alguma moedinha de 10, me pagaria. Eu passei pela roleta e sentei logo no primeiro banco, lógico, pois não deixaria aquela fortuna para trás. O ônibus prosseguiu viagem e eu ali, firme, aguardando meu troco. O veículo estava vazio e quase ninguém subia. Percebi que, de vez em quando, o motorista me olhava pelo espelho retrovisor, visivelmente tenso por eu estar ali, de prontidão, à espera da moeda que ele não tinha. Eu pensava: “Já vi esse filme muitas vezes. O espertalhão diz que não tem troco para eu desistir e ele ficar com os meus 10 centavos. No fim do dia, ele pega 10 de um, 10 de outro, e vai tomar uma cerveja com o que pegou dos trouxas”. Franzi a testa. Comecei a bater o calcanhar, impacientemente, no piso do ônibus, disposto a não arredar pé enquanto não recebesse o que era meu por direito. Mas, ao mesmo tempo, eu percebia o nervosismo do homem.

Foi quando o Espírito Santo me deu um puxão de orelha. Fui fulminado claramente pela certeza de que eu estava me comportando como um mau cristão. Por querer meu troco? Não. Isso era o justo. Mas por colocar 10 centavos acima do amor pelo próximo. Percebi que eu alimentava ódio por um ser humano que provavelmente estava falando a verdade… por míseros 10 centavos. Notei que, naquele momento, eu estava vendendo a graça que deveria ter no coração por muito, mas muito pouco.

Na vida, muitas e muitas vezes fazemos isso. Por muito pouco, deixamos de agir como Jesus espera de nós. Explodimos com as pessoas por coisas muito pequenas, nos iramos, fazemos inimigos… por questões que, à luz da eternidade, não valem nada ou quase nada. Muitos perdemos amigos por pequenas picuinhas. Ou nos indispomos com pessoas da família devido a assuntos que, no fundo, não são tão importantes assim. Desonramos pai e mãe por migalhas. Levamos nossos filhos à ira porque chegamos em casa estressados pelo trabalho e explodimos por qualquer coisa. Ficamos de ti-ti-ti porque nossos líderes não nos sorriram naquela manhã. Em suma, não são poucas as vezes em que deixamos o amor e a graça escorregar para fora de nosso coração por questiúnculas banais.

10 2É importante dimensionarmos o valor e o peso das coisas. Aqueles 10 centavos tinham valor? Certamente. Era meu direito recebê-los? Evidente. Eu estava certo em tudo. Mas pequei pela falta de bondade. Pus intenções no coração daquele motorista que possivelmente ele não tinha. Permiti que a ira tomasse conta de mim. Falhei. Em termos bíblicos, fui um legalista e não um agente da graça, pois permiti que a lei (correta) fosse mais importante do que a graça (igualmente correta). A diferença é que a lei foi criada para conduzir à graça (Gl 3.24), portanto, lei sem graça é um cavalo desembestado sem cavaleiro – não leva nada a lugar nenhum. Por isso, errei ao atribuir mais valor ao meu direito e à minha razão do que ao amor pelo próximo.

10 3O mesmo vale para tudo na vida. Seus filhos desobedeceram e, com isso, erraram? Sim, claro. Mas será que isso justifica aquela sua reação explosiva? Seu marido deixou a casa bagunçada pela bilionésima vez, mesmo depois de você pedir trilhões de vezes que ele a mantenha arrumada? Sim. Mas será que isso compensa a briga? Você chegou em casa faminto e descobriu que sua esposa não fez o jantar prometido? Sim. Todavia, isso importa mais do que manter o bom relacionamento com ela? Seu chefe é um chato intragável é digno de milhões de críticas? Sim. Mas isso justifica o desacato à autoridade? Seu amigo não foi tão amigo assim na hora que você mais precisava? Sim. Mas será que os anos de amizade precisam ser jogados fora por essa falha? E por aí vai.

Meu irmão, minha irmã, muitas vezes o importante não é ter razão. É ser bom. É agir com graça. É ser como Jesus, que, sem nunca ter pecado, perdoou, amou, pacificou, reconciliou. Você quer ser como Jesus ou como você mesmo?

O ônibus chegou, enfim, ao ponto em que eu saltaria, e nada de ter recebido os 10 centavos. Tendo refletido e me contristado por causa da exortação do Espírito Santo, simplesmente levantei, dei sinal e, na hora de descer, acenei para o motorista, que me olhava constrangido pelo espelho retrovisor. E desejei: “Boa noite, amigo, Jesus o abençoe”. Você pode até achar que fiquei mais pobre por não ter recebido meu troco. Sinceramente? Acredito que saí daquele ônibus muito mais rico do que entrei.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >
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