Arquivo da categoria ‘Relacionamento’

Ser cristão não garante a ninguém ter um casamento perfeito. A reflexão que compartilho com você hoje é direcionada especificamente a quem enfrenta conflitos no matrimônio e a quem ainda é solteiro e gostaria de se preparar desde já para evitar crises matrimoniais no futuro. É o seu caso? Então é com você que desejo falar. Em geral, quando se procura um livro que trata do assunto, é muito comum que as orientações oferecidas pelo autor sejam muito mais da seara da autoajuda ou da psicologia do que da fé cristã. A questão é: será que a Palavra de Deus, a Bíblia, nos oferece princípios a serem seguidos por maridos e esposas a fim de superar crises no casamento ou evitá-las? A resposta é sim.

Um erro frequente que cometemos quando buscamos orientação bíblica para crises na vida a dois é que recorremos somente às passagens das Escrituras que versam especificamente e explicitamente sobre casamento. A questão é que muitos dos princípios espirituais para vencer crises matrimoniais ou para se antecipar a elas e evitá-las não se encontram nessas passagens, mas em conceitos mais profundos da fé, apresentados ao longo de todo o texto bíblico. Por isso, saber encontrá-los e identificá-los é essencial para quem deseja corrigir erros cometidos com o cônjuge ou evitar cometê-los no futuro.

É impressionante a quantidade de comentários que recebo aqui pelo APENAS de assinantes do blog que enfrentam conflitos constantes no casamento. E, depois que meu livro Perdão total foi publicado, em 2014, passei a receber muitas mensagens dos leitores com dúvidas sobre perdão e arrependimento especificamente no contexto do matrimônio. Foram tantos os questionamentos e as perguntas que me vi obrigado a ir à Palavra de Deus pesquisar respostas para esses meus irmãos e irmãs, que ou estão infelizes na vida a dois ou chegaram ao divórcio. Foi nessa pesquisa que percebi que as respostas às crises matrimoniais não necessariamente estão nas passagens bíblicas específicas sobre casamento, mas em princípios cristãos fundamentais. Depois de meses de pesquisa, o material que reuni foi tão rico que acabou gerando um livro, lançado este mês pela editora Mundo Cristão: Perdão total no casamento: Um livro para quem deseja uma união duradoura e feliz (veja AQUI).

Vou te contar uma coisa: meu casamento não é o do conto de fadas. Até porque nenhum é! O problema já começa aí: subimos ao altar achando que viveremos um casamento perfeito, sem problemas, só com momentos extraordinários, irretocáveis, de sonho. Mas, quando o dia a dia chega e percebemos que a vida a dois é tudo menos um conto de fadas, entramos em crise. Com isso, muitos passam a viver infelizes. Muitos se divorciam. Mas não precisa ser assim! Como qualquer ser humano normal, já discuti com minha esposa, já vivemos conflitos, já passamos por fases maravilhosas e outras muito ruins. Dizer o contrário seria hipocrisia. Mas um aspecto muito interessante desse processo de pesquisa na Bíblia sobre o tema é que percebi que os princípios que encontrei na Palavra de Deus são justamente aqueles que ajudaram a mim e a minha esposa a superar os momentos difíceis que vivemos e permanecer juntos, após 18 anos de casamento.

Ou seja, o que transmito no livro não são promessas irrealizáveis, fórmulas mágicas ou “sete passos (que ninguém consegue cumprir) para um casamento feliz”, mas princípios bíblicos sólidos, de carne e osso, que funcionam para pessoas de carne e osso que vivem um matrimônio de carne e osso. Como eu. Como você.

Por isso mesmo, para superar ou evitar crises no casamento é preciso abraçar princípios realistas! E, claro, bíblicos. Fora disso, o que existe é autoajuda vazia ou promessas que não se cumprem. Por essa razão, gostaria de incentivar você, que está vivendo uma crise na vida a dois, a ler o Perdão total no casamento. Ou, se você conhece alguém que esteja enfrentando dificuldades conjugais, a indicar-lhe a leitura. Ou, ainda, se você é noivo ou solteiro e deseja subir ao altar bem preparado, para evitar as crises antes mesmo que elas surjam, sugiro que procure conhecer os princípios apontados no livro. E, entenda, não é o livro em si que tem qualquer coisa de especial, mas as realidades bíblicas que ele apresenta.

Acredito verdadeiramente que a Palavra de Deus nos oferece as respostas para a felicidade no casamento. Perceba que eu não disse perfeição, mas felicidade. E foi com a intenção de apresentar a você essas respostas, de forma clara, simples, compreensível e aplicável na prática que realizei a pesquisa que deu origem ao Perdão total no casamento. Este é um livro que pode ser lido individualmente; junto com o cônjgue, o namorado ou o noivo; ou em grupos e classes de casais. Ele serve para reflexão ou para debates, a fim de promover transformação real. Minha oração é que as verdades bíblicas ali contidas tragam paz e felicidade para muitos. E, queira Deus, para você.

Sei que este post pode parecer mais a propaganda de um livro do que uma reflexão sobre a vida cristã. Mas tenho convicção de que os meus irmãos e irmãs que me procuram pelo blog pedindo orientações para seus problemas no casamento podem ser abençoados pelos princípios bíblicos apresentados no Perdão total no casamento. Por isso, eu o considero o “post” mais rico, completo e aprofundado que já escrevi sobre o tema. E, se o que compartilho aqui pelo APENAS abençoa você, acredito que o livro também abençoará a sua vida e a de todos aqueles que você conhece e precisam encontrar nas orientações divinas a paz matrimonial.

Se você está vivendo uma crise em seu casamento, saiba que é possível superá-la seguindo princípios bíblicos. Se você quer evitar futuras crises, tenha a certeza de que é capaz de fazê-lo. Se você planeja se casar e não quer entrar na vida a dois cometendo erros, acredite que pode. Pois Deus, que instituiu o matrimônio e tem todo interesse do mundo em preservar cada casal, conhece a solução bíblica para os casamentos em crise e o caminho para a felicidade conjugal. Oro a ele que o Perdão total no casamento ajude você a encontrar esse caminho e a seguir por ele junto com seu cônjuge, com um largo sorriso no rosto, todos os dias de sua vida, até que a morte os separe.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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Qual é o sotaque correto do brasileiro? O da Bahia? O do Rio Grande do Sul? O de São Paulo? Será que só o sotaque dos cariocas é certo e o dos amazonenses é errado? Como podemos dizer que o sotaque de uma região especifica do país é a língua portuguesa escorreita e o de outra é uma deturpação do nosso idioma? Vamos além: existe sotaque “certo” e sotaque “errado”? Pensemos sobre isso.

Se considerarmos que falamos português, precisamos reconhecer que o sotaque mais puro e original possível é o falado em Portugal. Logo, todos os sotaques falados no Brasil são variações do original. Uns brasileiros falam o “s” de modo diferente do português de Portugal, outros falam um “r” de forma distinta. Uns usam as vogais mais abertas que os portugueses, outros usam-nas de modo mais fechado. E assim por diante. Diante dessa realidade, será que as formas de falar do gaúcho, do pernambucano, do mineiro e do catarinense são erradas por não serem exatamente iguais ao que é falado em Lisboa? Claro que não. Pois a gramática, a sintaxe e as características essenciais da língua estão presentes em qualquer sotaque de qualquer região do Brasil. O sotaque é apenas uma coloração diferente, uma musicalidade da língua resultante do contexto de uma determinada região geográfica. A essência não muda; mudam apenas aspectos secundários do idioma.

A conclusão é que nenhum sotaque deixa a língua “errada”. Os elementos fundamentais do português estão presentes na forma de falar do Sul, do Norte, do Nordeste, do Centro-Oeste e do Sudeste do Brasil. O sotaque apenas altera aspectos do idioma que não são fundamentais. Você pode usar a mesmíssima gramática para ensinar crianças em uma escola de Rondônia, do Distrito Federal ou do Paraná, sem prejuízo para o aprendizado.

A meu ver, o mesmo vale para as diferenças entre um cristão e outro. Em minha opinião, o credo apostólico é o que sintetiza o que é absolutamente inegociável na fé cristã, segundo a Bíblia: criação divina, concepção milagrosa de Cristo pela ação do Espírito Santo, nascimento virginal de Jesus, ressurreição após a crucificação do Senhor, segunda vinda do Salvador, entre os outros pontos do credo dos apóstolos (caso você não o conheça, ao final deste post reproduzo o texto na íntegra).

Portanto, ser presbiteriano, assembleiano, calvinista, arminiano, pentecostal, cessacionista, metodista, batista, luterano, episcopal ou qualquer outra diferenciação é ter um sotaque específico do mesmo idioma. São irmãos em Cristo todos aqueles que confessam Jesus de Nazaré como Salvador pessoal e Senhor de sua vida, pela graça, mediante a fé, arrependidos de seus pecados e almejando praticar as obras da salvação. Eu não tenho autorização divina para chamar de descendência de Belial quem Deus adotou como filho. Ai de mim fazer isso!

Como carioca que sou, confesso que acho engraçado ouvir um ou outro sotaque diferente do meu. E compreendo perfeitamente que pessoas de outros estados do Brasil achem esquisito o meu sotaque com “r” arrastado e “s” chiado. O que jamais posso dizer é que os que têm sotaque diferente não falam português. Tampouco posso aceitar que digam que eu não falo português. De igual modo, posso discordar de muitas crenças e práticas daqueles que pensam diferentemente de mim em determinados aspectos doutrinários da fé. Seus sotaques teológicos diferem do meu, mas não sou tão arrogante a ponto de achar que Deus não os aceita e que eles não fazem parte do Reino dos Céus. São família. Sotaques diferentes, mesmo idioma.

O irmão do filho pródigo ficou irritado porque seu pai acolheu o filho que tinha errado. Na cabeça daquele homem, o pai tinha de escorraçar seu irmão. O certo era ele. Muitos cristãos hoje pensam igual: querem que Deus rejeite quem não age igual a si, mas se esquecem de que o filho prossegue sendo filho – e isso está acima de erros. Não serão crenças periféricas da fé que tomarão das mãos de Deus quem ele adotou como filho. Um filho jamais deixa de ser filho de seu pai porque erra: ele pode comer as bolotas dos porcos, mas continuará sendo filho. Mesmo que o irmão se irrite com isso.

Você pode dizer que crê em todos os pontos do credo apostólico? Confira:

Creio em Deus, Pai todo-poderoso, Criador do céu e da terra.
E em Jesus Cristo, seu Filho unigênito, nosso Senhor,
o qual foi concebido pelo Espírito Santo,
nasceu da virgem Maria,
padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos,
foi crucificado, morto e sepultado,
desceu ao mundo dos mortos,
ressuscitou no terceiro dia,
subiu ao céu,
e está sentado à direita de Deus Pai, todo-poderoso,
de onde virá para julgar os vivos e os mortos.
Creio no Espírito Santo,
na santa Igreja cristã,
na comunhão dos santos,
na remissão dos pecados,
na ressurreição do corpo
e na vida eterna.

Se você é capaz de afirmar cada ponto dessa declaração de fé, no meu entendimento você é meu irmão em Cristo, tenha o sotaque que tiver. Se é o caso, me abrace, meu irmão, minha irmã, riamos do sotaque um do outro, mas não sejamos inimigos nem nos consideremos mutuamente menos filhos do Pai que nos adotou. Por favor, não me envie de volta aos porcos porque você batiza diferente de mim, crê na eleição de forma distinta de mim, acredita num modelo escatológico que não é aquele em que eu creio, tem entendimento carismático divergente do meu, pertence a uma denominação onde não congrego. E prometo que não farei isso com você, respeitando essas diferenças menos importantes e abraçando o que temos em comum e que, de fato, é o mais importante. Afinal, Cristo morreu tanto por mim quanto por você e que direito temos de querer mandar para o inferno aqueles por quem o Senhor deu o sangue para levar para o céu?

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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Meu próximo livro, que será publicado daqui a poucas semanas pela editora Mundo Cristão, trata de casamento. Nele, apresento conceitos bíblicos que acredito serem fundamentais para reconstruir um matrimônio em ruínas ou para se prevenir contra atritos futuros no matrimônio. Em diversos momentos do processo de escrita dessa obra eu me questionei: embora eu creia saber o caminho que o evangelho apresenta para a felicidade matrimonial, será que eu pessoalmente tenho moral para escrever sobre esse assunto? Afinal, eu já errei tanto em meu casamento! Já briguei com minha esposa por bobagens, já falei palavras que a magoaram e tantas outras atitudes que me fizeram me arrepender profundamente depois. Por essa razão, confesso que me sentia meio incomodado. Ficava pensando: pode alguém que não é perfeito naquilo que prega pregar sobre o assunto? Será que meus erros me desqualificam para pregar contra o erro? E os seus, meu irmão, minha irmã? Vamos pensar sobre isso. 

Ao buscar a resposta na Palavra, me dei conta de que Deus chamou pessoas que pecam todos os dias, muitas vezes por dia, para pregar contra o pecado. Ele chamou o potencialmente arrogante Paulo (2Co 12.7) , o “pior dos pecadores” (1Tm 1.15), para conclamar à santidade. Também chamou Pedro, que o traiu três vezes, para anunciar a fidelidade e a bondade. Os exemplos são muitos.  Foi quando, em meio a essa reflexão, tive um entendimento fundamental: Deus chamou exclusivamente homens que pecam para pregar contra o pecado. O Senhor só convocou homens imperfeitos para pregar a perfeição. Intimou gente abatida para proclamar a alegria. Conclamou doentes a orar pelos enfermos. Constrangeu carentes a anunciar a plenitude. “O Senhor olha dos céus para toda a humanidade, para ver se alguém é sábio, se alguém busca a Deus. Todos, porém, se desviaram; todos se corromperam. Ninguém faz o bem, nem um sequer!” (Sl 14.2-3). Deus nunca chamou pessoas irretocáveis para fazer sua obra – ele só usa gente capenga. Como eu. Como você.

Não conheço um único pregador, palestrante, professor, teólogo ou escritor de livros cristãos que anuncie as verdades do evangelho e não tenha pecados, erros, falhas e fraquezas. Nenhum. Só Jesus é puro, só ele é digno (Ap 5.2-5). Nem uma única alma está isenta de indignidade. Quem nos dignifica é Cristo.

Quando essa ficha caiu, percebi que não era a minha dignidade ou a minha infalibilidade que me tornaria apto a escrever sobre as verdades bíblicas: o que tem efeito são a dignidade de Jesus e a infalibilidade da Palavra de Deus! “Não andamos por aí falando de nós mesmos, mas proclamamos que Jesus Cristo é Senhor e que nós mesmos somos servos de vocês por causa de Jesus. Pois Deus, que disse: ‘Haja luz na escuridão’, é quem brilhou em nosso coração, para que conhecêssemos a glória de Deus na face de Jesus Cristo. Agora nós mesmos somos como vasos frágeis de barro que contêm esse grande tesouro. Assim, fica evidente que esse grande poder vem de Deus, e não de nós.” (2Co 4.5-7). Sim, os meus e os seus muitos erros jamais devem nos impedir de proclamar a verdade inerrante das Escrituras.

E foi assim, com total consciência de meus erros mas da grandeza das verdades bíblicas em que acredito, que escrevi Perdão total no casamento. Espero que o livro, que é baseado totalmente nas Escrituras, abençoe vidas, contribua para a restauração de casamentos em ruínas e ajude aqueles que se preparam para subir ao altar a ingressar na vida a dois sabendo como evitar atritos e problemas matrimoniais. E quer saber? Assim que meu coração foi pacificado por entender que a verdade bíblica não depende de mim para ser verdade percebi algo maravilhoso: embora eu e minha esposa tenhamos errado tanto ao longo do casamento, foi justamente por botarmos em prática o que o livro ensina que conseguimos estar casados há 18 anos. Pois o que ali escrevi serviu e serve, antes de tudo, para mim mesmo.

Você deixou de proclamar o evangelho por se sentir indigno? Quantas vezes você deixou de pregar sobre algo, ensinar, aconselhar, evangelizar, amparar, ajudar ou edificar porque se sentia indigno de fazê-lo? Se Deus chamou você, meu irmão, minha irmã, vá em frente! Se o Senhor convocou você a fazer algo, ele garante. Se é você o escolhido, nada nem ninguém impedirá Deus de usar a sua vida em prol de seus grandes, graciosos e eternos propósitos.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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Este é o post número 500 do blog APENAS. Já são quase 6 anos escrevendo reflexões sobre os mais variados aspectos da vida cristã. Foram quase 2.100 dias cheios de altos e baixos, textos escritos em meio à dor ou à alegria, com o único objetivo de contribuir de algum modo para a edificação dos meus irmãos e de minhas irmãs e para a glória do Criador. Sinceramente, quando penso nesse número mal consigo acreditar. Ao olhar para essa jornada, me vêm à mente alguns pensamentos, que gostaria de compartilhar com você.

1) Penso na graça de Deus. Muitas vezes li, ao longo desses quase 6 anos, muitos comentários de assinantes do blog agradecendo, elogiando e relatando como foram abençoados por textos compartilhados aqui. Sempre que leio um depoimento como esse, acredite, me pergunto “como é possível?”. Sou uma pessoa absolutamente comum, cheia de pecados, com angústias e dúvidas, altos e baixos, sem nenhum pingo de santidade a mais que qualquer outra, que apenas se esforça. E, ainda assim, aprouve ao Senhor usar este vaso de barro bem rachadinho e esfarelento para levar o tesouro da sua Palavra às pessoas que acessaram mais de 3,4 milhões de vezes o APENAS. Não é, de modo algum, falsa modéstia, é uma percepção realista: isso só foi possível pela graça de Deus. Sim, reflexões de um cidadão tão pecador como eu abençoarem a sua vida é uma prova gigantesca de que a graça de Deus age como quer, onde quer, por meio de quem quer. Graça.

2) Penso em como somos seres capazes de mudar. Em 2011, quando criei este blog, eu era um cristão irado, um caçador de hereges, que escrevia textos raivosos e verborrágicos “em nome de Jesus” e achava que com isso estava contribuindo com o reino de Deus. Depois de um processo muito doloroso em minha vida pessoal, parei, pensei, orei e percebi como eu estava errado. Decidi reler os evangelhos com atenção especial para o que Jesus disse, como disse e com que finalidade disse. Dessa percepção, morreu o escritor que discutia com fúria e termos rebuscados acerca de institucionalismos e nasceu o escritor disposto a escrever numa linguagem que todos entendessem e dedicado a falar ao coração humano. Deixei de lado debates intermináveis sobre temas intermináveis e periféricos da teologia e passei a escrever sobre temas centrais da fé, como perdão, sofrimento, fé, amor, graça. Desisti de ser um cruzado vingativo e decidi ser um pacificador que devolve o mal com o bem. Transformação.

3) Penso na possibilidade de corrigir erros do passado. Quando passei por esse processo doloroso, fiquei alguns meses sem escrever, refletindo, me reinventando. Decidi reler textos do início do blog. Apaguei cerca de vinte deles, por não concordar mais com o que eles diziam. Em geral, por serem textos agressivos, ofensivos, irados. Eu não queria mais ser assim. Queria ser como Cristo, manso e humilde de coração. E isso exigia arrependimento e consertos. Assim como Zaqueu, tentei corrigir o passado. O jeito que enxerguei foi deletando aquilo em que eu não mais acreditava. Descobri que o pensamento “eu sou desse jeito mesmo e é assim que Deus vai me usar” não é bíblico, pois todos podem corrigir os erros, trabalhar o temperamento, voltar atrás e buscar consertar os estragos que provocaram. Arrependimento.

4) Penso que não custa caro amar o próximo. Este blog nunca teve um anúncio pago sequer, nunca me rendeu nenhum centavo. Não o criei como fonte de renda, minha motivação sempre foi e continua sendo edificar vidas, para a glória de Deus. Descobri que não ter nenhum tostão no bolso não é desculpa para deixar de fazer algo pelos outros. Não tenho riquezas, quase não tenho economias, mas, por meio de uma ferramenta gratuita de criação de blogs, oferto a meus irmãos e irmãs toda semana aquilo que Deus quis me dar: pensamentos, conhecimento bíblico, caminhos percebidos para as dores da vida. Também nunca pedi para ninguém curtir minhas postagens, comentar, compartilhar, nada que fosse um estímulo induzido a arrebanhar seguidores ou assinantes: divulga o blog quem deseja, convida amigos para assinar quem é tocado no coração. Divulgação espontânea, de quem Deus leva a fazer isso. Zero centavo em propaganda. Amor ao próximo.

5) Vi que o fracasso faz parte da jornada. Fiz algumas tentativas no APENAS que não foram bem-sucedidas. Gravei Mateus e Marcos em áudio, mas foram tão poucos acessos que tirei as gravações do ar. Tentei fazer sorteios, com poucos interessados. Escrevi sobre questões a que pouca gente deu ouvidos. Gastei horas da vida escrevendo reflexões que não tiveram muita consequência. Fui atacado ferozmente por pessoas que leram algo de que discordavam e, por isso, me chamaram de nomes que não me atrevo a reproduzir. Descobri com isso que, mesmo que o que você não faça duas ou três coisas que acertem o alvo, deve continuar tentando, pois os acertos sempre vão compensar os fracassos. Perseverança.

6) Descobri que o poder da Palavra é realmente extraordinário e, uma vez que você proclama o evangelho genuíno, puro e simples, sem segundas intenções, ele terá consequências que independem de você e dos seus esforços. Por vezes, escrevi textos que me pareceram simples demais ou até meio bobinhos e, para minha surpresa, diversos assinantes disseram ter sido muito tocados por ele. Outras vezes, escrevi algo que gente de outros continentes leu e disse ter sido abençoado. Marcou-me em especial uma irmã que me procurou em um evento para dizer que havia desistido de se suicidar ao entrar na internet para descobrir a melhor forma de tirar a própria vida e acabou mudando de ideia ao ler um texto que escrevi. Tudo isso, tenha a absoluta certeza, não é de modo algum mérito meu: é mérito do poder sobrenatural da Escritura. Palavra.

Eu poderia continuar relatando mais e mais coisas que aprendi em minha jornada com o APENAS, mas vou terminar por aqui, pois algo que também descobri é que as pessoas em geral não gostam de ler textos longos na Internet. Curiosamente, isso fez de mim um autor de livros. Pois foi ao produzir escritos que não caberiam neste espaço, fruto de pesquisas aprofundadas na Escritura, que acabei escrevendo livros como Perdão totalO fim do sofrimentoConfiança inabalável, Na jornada com Cristo e outras obras. Em maio chega às livrarias meu nono livro publicado, Perdão total no casamento. E, enquanto Deus me iluminar para eu escrever o que é grande demais para o APENAS, continuarei dando à luz textos que poderão vir a se tornar livros.

Obrigado por sua leitura. Obrigado por sua companhia. Obrigado por me permitir o privilégio de contribuir para sua jornada com Cristo. Agradeço, em especial, a você que está entre os mais de 3,4 mil assinantes, que optaram por se cadastrar para receber as postagens por e-mail e, assim, se tornaram companheiros fieis na estrada da vida cristã. Ter a sua companhia nesta jornada é o que me incentiva a continuar escrevendo, por saber que as reflexões que brotam em minha mente e em meu coração não se perderão no vento, mas encontrarão pouso na sua alma. Oro constantemente por cada um dos assinantes do APENAS. Que Deus os abençoe, guarde, ilumine e conduza, sob sua poderosa e amorosa mão. E aguardo, com expectativa, o dia em que conhecerei face a face todos vocês, quando, juntos, viveremos naquele lugar em que não haverá choro, nem sofrimento, nem dor. Apenas o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Apenas eternidade. Apenas alegria. Apenas amor. Apenas paz. Apenas.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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ress-1Não costumo levar a sério filmes sobre temas bíblicos. São apenas filmes, historinhas escritas por alguém para passar uma visão pessoal sobre verdades que estão acima de visões pessoais. Por isso, quando assisto a longas-metragens sobre a vida de Cristo ou coisas assim, sei que não verei verdades, mas ficção que não é para ser levada a sério. É apenas entretenimento. No entanto, sempre que assisto a um filme apócrifo sobre Cristo, procuro extrair algo de bom. Recentemente, vi na TV o filme Ressurreição, relato imaginativo de como teria sido a conversão de um tribuno romano que participou da crucificação do Senhor. É uma ficção legalzinha, com algumas boas mensagens e montes de cenas extrabíblicas ou mesmo antibíblicas. De tudo, uma cena em especial me chamou a atenção e tocou meu coração. 

Em determinado ponto da narrativa, “Jesus” está comendo com os apóstolos quando um leproso invade o vilarejo onde eles se encontram, a fim de tentar furtar um pouco de comida. Quando o veem, os moradores o expulsam a gritos, pauladas e pedradas. É quando, cheio de compaixão, “Jesus” pega um peixe e caminha até aquele homem. Ao chegar perto, ele se abaixa e estende o alimento ao homem, que o olha com olhar de confusão, por ver aquele gesto de amor e graça em meio a tanta rejeição. É quando “Jesus” põe a mão no ombro do leproso, o puxa para si, o beija e o abraça. 

Nesse ponto, eu enxerguei o Cristo da Bíblia no Cristo do filme. 

Jesus não necessariamente rejeita aqueles que os homens rejeitam. Os critérios de rejeição dele são bem diferentes dos nossos. Costumamos rejeitar com base nas aparências, em nosso senso de justiça própria e em nossa arrogância moral – aquela crença louca de que somos melhores que os outros. Além disso, rejeitamos com base nos erros do passado ou na confusão do presente. Já Deus sabe que nosso passado foi feito para nos ensinar, mas ele não nos define, caso caminhemos em arrependimento e novidade de vida. Uma novidade que se renova todos os dias. 

ress-2Se você encontrasse  um leproso, o que faria? Jogaria pedras e tascaria pauladas? Ou o abraçaria, beijaria e alimentaria? Você pode estar pensando que não é tão frequente assim encontrarmos leprosos pela rua, e isso é verdade. Mas garanto que você encontra leprosos de alma a cada minuto da vida. Os leprosos que hoje cruzam nosso caminho são os mentirosos, os arrogantes, os agressivos, os invejosos, os adúlteros, os corruptos, os egoístas, os maus pastores, os falsos crentes, os sonegadores, os estupradores, os lascivos, os parentes terríveis, os hipócritas, os… Enfim, o que não falta em nosso dia a dia são leprosos de alma. 

A pergunta é: como você lidará com eles? Com as pauladas que afastam ou com o abraço acolhedor que transforma? Com as pedradas verbais que ferem ou com o beijo que desnorteia? 

“Nunca ninguém me tocou antes”, fala, espantado, o leproso do filme diante de um Jesus que lhe sorri com compaixão pouco antes de curá-lo. Aquele homem, se fosse real,  não teria sido sarado pelo poder divino que transformou sua carne, mas pelo gesto do homem que lhe estendeu um amor que ninguém antes havia estendido. 

O seu ódio pelos leprosos da vida não fará nada de bom a ele, nem a você. Mas o seu amor que enxerga o futuro e não o passado tem o potencial divino de transformar não só quem você vier a amar, mas a você também. Por quê? Pois, ao amar o leproso de alma, você fará o que Jesus faz. E, com isso, será moldado mais um pouco à natureza de Cristo. 

Faltam poucos segundos para você terminar de ler este texto. Assim que terminar, você voltará à sua rotina e encontrará pessoas detestáveis e repugnantes. Deixo, então, minha pergunta; como você se comportará com eles? O que lhes fará? O que lhes dirá? Peço a Deus que você não aja de acordo com seu nojo humano, mas, sim, de acordo com a compaixão e a misericórdia divinas. 

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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