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Quando eu estava na escola, na faculdade ou no seminário, tinha uma técnica de estudo que sempre me ajudou muito. Regularmente eu elaborava um enorme questionário, perguntando a mim mesmo todos os pontos da matéria que cairia na prova seguinte. Assim que terminava de responder, eu corrigia e, em seguida, pegava todas as questões que havia errado e as repetia em um novo questionário, menor. Em seguida, estudava toda a matéria que errara e respondia a esse novo questionário. Ao final, fazia nova conferência de respostas e detectava o que ainda não tinha acertado. E assim ia, estudando, fazendo os exercícios, verificando em que pontos ainda estava errando e me concentrando neles para me aperfeiçoar no que ainda não estava bem. O que essa estratégia me permitia era identificar meus pontos fracos, a fim de dar atenção especial a eles e, assim, conseguir sanar minhas fraquezas e ter um desempenho cada vez melhor.

Acabei tendo desempenhos muito bons no vestibular e, também, na prova para ingressar no seminário. Tudo porque eu, uma pessoa absolutamente igual a todo mundo, havia desenvolvido uma boa maneira de fixar informações e melhorar cada vez mais em meu conhecimento. Eu me examinava, reexaminava e examinava de novo, até ter total domínio da matéria. Na vida espiritual, penso que devemos fazer algo análogo ao que eu fazia para estudar. 

Tão logo somos justificados pela graça divina, mediante a fé, tem início em nossa jornada com Cristo o processo de santificação. Um dia após o outro, caminhamos pela vida, errando e acertando, mas buscando sempre nos tornarmos pessoas cada vez melhores, isto é, mais fieis, obedientes e conformadas à natureza de Cristo. Isso inclui buscar errar cada vez menos. Pecar menos. Acertar mais. Fazer as coisas cada vez mais como Jesus faria. Ceder menos aos nossos desejos humanos. Avançar no domínio próprio. A questão é que isso é como deveria ser, mas, muitas vezes, não é o que acontece. 

Algo terrível na vida de um cristão é a acomodação. Se alguém se conforma com suas falhas e seus erros, estagnou na fé. Parar de querer melhorar a cada dia é sintoma de que algo está errado. 

Você certamente conhece cristãos que se converteram, mudaram para melhor no ato da justificação, avançaram um pouco na santidade e… estagnaram. Pararam de melhorar. Têm, ainda, uma série de graves defeitos, mas não se preocupam mais em saná-los. Estão conformados em ser como são e, por essa razão, em vez de lutar contra a própria carne, abraçam seus defeitos e começam a achar justificativas para mantê-los sem dor de consciência. Com isso, incorrem num dos maiores erros que um cristão pode cometer: chamar pecado de virtude. Essa é a razão de haver entre nós tantos cristãos vaidosos, briguentos, manipuladores, ofensivos, egoístas, mentirosos, materialistas e cheios de outros defeitos com os quais não podemos nos acomodar. 

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Pense sobre a sua vida. Você tem se esforçado para identificar os seus defeitos? Tem feito exames de consciência regulares, a fim de detectar em que você ainda é mau, depravado e insuportável? E, se tem realizado essa auto-análise, o que tem feito na prática para melhorar? Será que você sabe em que tem errado, mas não tem feito nada a respeito? Se é o caso, meu irmão, minha irmã, é preciso sair da acomodação. Estagnação não é a vontade de Deus para a sua vida. Ele quer que você caminhe sempre, mais e mais, rumo à perfeição. Tornar-se perfeito é total e absolutamente impossível, mas esforçar-se para tornar-se perfeito como você jamais será é totalmente possível. Mais que isso: é o que Deus espera de todos nós. 

Pense. Quais são seus maiores erros? Quais são seus pecados mais recorrentes? Em que você mais tropeça? O que mais o leva a pedir perdão a Deus de novo e de novo e de novo? Se você não costuma se fazer essas perguntas, sugiro que comece já. E, uma vez que passe a realizar diariamente esse exame de consciência, tome atitudes práticas que o ajudem a se livrar desses pecados de cabeceira. Crie estratégias. E, acima de tudo, busque em Deus a cura para esses males. Na oração. No estudo da Palavra. Em uma vida de mais e mais intimidade como seu Criador e Salvador. 

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Eu não acredito que você foi salvo para ser um carro sem rodas, que não avança. Não se conforme com uma santidade com freio de mão puxado. Ok, você não fuma mais nem vai mais à boate mas… e aí? E depois? Já deu? É só isso o que significa ser cristão? Você vai se conformar com o patamar que alcançou? Meus horrores pessoais me assombram a tal ponto que procuro sempre buscar erradicá-los, por mais difícil que seja. Só não posso é me conformar com me conformar. 

Faça um questionário da sua vida. Veja em que pontos está sendo reprovado. Há muitas questões em que acerta? Ótimo. Mas olhe para aquelas em que a caneta de Deus ainda lhe dá um zero bem vermelho. Essas são as que merecem sua atenção. Foco nelas. Faça um novo questionário, com os pontos da “matéria” da santidade em que você fica em recuperação. E entregue essas questões à atenção de Deus. Leve-as aos pés do seu melhor amigo. Esforce-se e peça a ajuda do Senhor. 

Se fizer disso uma disciplina diária, creio que você chegará às portas do céu sendo uma pessoa muito, mas muito mais capaz de ouvir do Senhor não apenas um “Ok, entre”, mas um “Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor…”.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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Mudei-me há pouco tempo para um apartamento novo. Na hora de decidir quem ficaria com que cômodo, reservei para minha mãe e minha filha os melhores quartos; por isso, eu e minha esposa acabamos ficando com o menor deles, que, confesso, me dava uma certa sensação de esmagamento: embora seja um cômodo grande, o teto é mais baixo do que estou acostumado. Para ter uma percepção de mais espaço, decidi, então, espelhar toda uma parede. Do teto ao chão, uma das quatro paredes virou um enorme espelho. Se, por um lado, foi uma decisão acertadíssima, por tornar muito mais agradável estar no cômodo, por outro acabou gerando um efeito imprevisto: fui obrigado a conviver diariamente com a imagem do que há de pior em mim.
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Em geral, quando temos espelhos comuns em casa, na hora de nos arrumarmos, nos esticamos para nos ver, fazemos nossa melhor pose e saímos da frente do espelho com nosso melhor sorriso. Ficamos felizes com o que vemos. Mas, quando toda uma parede do seu quarto é um enorme espelho, ele te flagra nos piores momentos e te pega de tocaia na hora em que você mais está despercebido. A consequência? Tenho me assustado com todas as imperfeições que meu espelho me revela.
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Acordo de manhã, abro os olhos e imediatamente vejo minha cara inchada e descabelada da noite de sono, sem falar das remelas e da barba por fazer. Saio do banho e o espelho imediatamente joga na minha cara como minha barriga está enorme, antiestética e desproporcional ao resto do corpo. Vou me vestir e o canto do olho me revela como minhas costas estão feias, com sinais, protuberâncias e demonstrações de que o tempo tem passado impiedosamente. Vou me deitar para dormir e percebo como a idade tem transformado a rigidez de minha pele em flacidez e decadência. Em resumo, o espelho em meu quarto tem denunciado o que há de mais imperfeito em mim.
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Quando o Salvador nos chama pela sua graça, por um lado, o conhecimento do evangelho traz luz ao que antes era sombras e amplia a nossa percepção da existência. Mas, por outro lado, a mensagem salvadora da cruz promove uma consequência inesperada: tal qual um enorme espelho que não pede licença, ela nos despe, denuncia, expõe, revela. A verdade das Escrituras traz à luz nossas desobediências e transgressões, nossa falibilidade e pecaminosidade. A luz ofuscante e santa do Calvário não espera decisões nossas para nos fazer ver cada uma das imperfeições. Não, ela age proativamente e nos põe em nosso devido lugar.
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As boas-novas de Cristo não têm como objetivo primário expor nossas pequenas desgraças. Elas não são um juiz sádico, que saliva de prazer ao nos apontar nossos erros. Porém, o evangelho tem esse efeito colateral inevitável. Assim que nossa inclinação para o mal é posta frente a frente com a luz reveladora da cruz, somos confrontados com a escuridão que ainda habita nossa alma e a podridão do antigo homem a que ainda teimamos em nos apegar.

O que essa percepção deve provocar? A denúncia de nós mesmos precisa ter como principal consequência nos tirar do imobilismo. Gosto demais do espelho em minha parede. Ele tem um efeito muito positivo em minha vida. Mas ele tem como desdobramento me dizer diariamente: “Olhe quem você é. Perceba quão distante da perfeição você está”. E, automaticamente, sou levado a querer fazer algo a respeito.
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O evangelho de Cristo é belíssimo. É um ambiente de graça, alegria, amor, pacificação, palavras edificantes, amabilidade. É luz, que embeleza e revela. Porém, é uma mensagem que nos cutuca e diz: “Arrependa-se! Faça algo a respeito! Alô!”. Leia as Escrituras. Medite nas palavras de Cristo. Abra-se para a admoestação do Espírito Santo, por meio de Paulo, Pedro, Tiago, João, Lucas e seus colegas autores canônicos. Não se contente em olhar para o espelho e ficar lamentando quão barrigudo você está. Pois o puro lamento não nos beneficia em nada.

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Desejo que a parede de espelhos que Cristo pôs diante de você o conduza ao ponto de olhar para o seu reflexo e apreciar o que vê. Nunca espere uma autoimagem perfeita, ninguém a tem. Mas é possível, sim, gostar do que enxerga. O  objetivo é chegar ao ponto de conseguir dizer: “Não sou um modelo de beleza, mas gosto de mim – em razão do que Cristo fez em mim”.
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Então abra-se à verdade do espelho. Veja o que precisa mudar… e dê o primeiro passo.
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Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >
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Ontem desci ao Aterro do Flamengo a fim de brincar com minha filha. Chegamos e ela logo correu para as árvores em que gosta de subir. Em pouco tempo, havia mais umas cinco crianças ao redor dela, fazendo as árvores de trepa-trepa, interagindo e gritando, empolgadas. Foi quando chegou o P.

Não demorou muito para ficar claro que P. era um menino especial, com algum tipo de deficiência mental. Ele gaguejava, apresentava diversos tiques nervosos e tinha um olhar estrábico. Na mesma hora, seu jeito diferente fez com que as crianças se afastassem dele. E P. ficou só.

Sem que eu dissesse nada, Laura se aproximou de P. Ele a observava com certa admiração, pelo fato de minha filha estar em um galho bem alto. “Menina, como você está alto! Eu tenho medo de subir. Eu tenho medo. Tenho medo”, confessou P. Foi quando Laura começou a incentivá-lo a subir, explicando como segurar, onde pisar, como não ralar o joelho na casca grossa da árvore. “Vem, P.!”, encorajava ela. “Tenho medo!”. “Vem, você consegue!”

Os quarenta minutos seguintes foram puro deleite para meu coração de pai. Laura fez de tudo para que P. saísse do chão e a seguisse (ele é o menino de camisa amarela na foto). E conseguiu. Aos poucos, ele foi tomando coragem e, meio rastejando, meio escalando, foi ascendendo, galho a galho. Cheguei perto da avó de P., que o havia trazido de Mesquita para passear no Aterro, e puxei papo. Ela estava feliz, pois me disse que, geralmente, as crianças se afastavam de seu neto, por o considerarem “meio esquisito”, e nunca tinha visto nenhuma criança se dedicar tanto para fazê-lo se sentir parte da brincadeira, do grupo. Enquanto isso, Laura prosseguia encorajando P. “Vem, você consegue! Olha, faz como eu, pisa aqui e segura ali. Vai que dá!”.

Eles ficaram um bom tempo brincando nos galhos. Até que chegou a hora de partir. No momento em que chamei Laura para voltarmos para casa, P. escalava galhos mais altos, com um olhar de júbilo e orgulho no rosto. Sua avó estava encantada com o ineditismo daquilo. “Ele nunca vai se esquecer deste momento”, disse, com boa dose de emoção. Na hora em que ouviu meu chamado, P. demonstrou certa aflição. Ele não queria que minha filha fosse embora. Veio me pedir que deixasse ela ficar mais tempo, mas, infelizmente, eu tinha um compromisso e precisava partir.

Quando viu que Laura ia embora mesmo, P. desceu da árvore que até pouco tempo antes era um himalaia de impossibilidades, deu uma corridinha até ela e lhe deu um abraço apertado e demorado. Sorri. Sua avó me lançou um olhar constrangido, mas eu fiz um gesto demonstrando que não se preocupasse. E partimos.

Na vida, muitas vezes somos como aquele menino. Inseguros. Solitários. Incertos. Cheios de traumas e rejeições. Olhamos para os galhos mais altos e nos consideramos incapazes de subir. Desanimamos. Deprimimos. E nos acovardamos. Precisamos desesperadamente de alguém que nos encoraje, mas as pessoas ao redor parece que só se afastam.

É quando olhamos para o alto e vemos alguém que nos diz: “Vem, você consegue!”. Sem encorajamento, falta-nos a força para dar o primeiro passo. Mas, ao percebermos como nosso encorajador se importa conosco, está conosco e nos apresenta os caminhos certos, encontramos as forças necessárias. Ele é segurança. Ele é confiança. Ele nos dá a paz de que necessitamos. Ele nos faz acreditar que, se seguirmos seus passos, conseguiremos. E, encorajados, subimos. E conseguimos.

A verdade é que nosso encorajador nos dá aquilo que, sozinhos, jamais teríamos: fé. A fé que, se estiver em sintonia com sua soberana vontade, nos fará subir aos galhos mais altos.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

Nós, evangélicos, somos obcecados por sexo. Na cabeça de muitos de nós, quando se fala de pecados no casamento, imediatamente associamos a adultério. Parece que a infidelidade conjugal é o único erro grave no âmbito matrimonial. Tanto é assim que, quando dizemos que “fulano caiu” no casamento, automaticamente subentendemos que o cônjuge adulterou. É errado condenar o adultério? De maneira nenhuma. É uma transgressão abominável, que exige arrependimento e mudança de comportamento. Porém, o grande problema dessa obsessão por sexo é que, quando pomos a traição conjugal como o único grande mal na relação entre marido e mulher, passamos a ver todos os outros pecados abomináveis como não tão abomináveis assim. E, por essa razão, nos entregamos a essas transgressões sem achar que são nada de mais, crendo que são “pecados justificáveis”. Ou, de repente, nem os enxergamos como pecado, o que é tão grave quanto. Com isso, nos tornamos sabotadores de nosso casamento. 

Permita-me dar alguns exemplos bíblicos. Provérbios cita cinco vezes a esposa briguenta: “É melhor viver sozinho no canto de um sótão que morar com uma esposa briguenta numa bela casa” (Pv 21.9),  “O filho tolo é uma desgraça para o pai; a esposa briguenta é irritante como uma goteira” (Pv 19.13), “É melhor viver sozinho no deserto que morar com uma esposa briguenta que só sabe reclamar” (Pv 21.19), “É melhor viver sozinho no canto de um sótão que morar com uma esposa briguenta numa bela casa” (Pv 25.24), “A esposa briguenta é irritante como a goteira num dia de chuva” (Pv 27.15). Você acha que toda essa ênfase é à toa? Não, não é, pois é mandamento de Deus: “a esposa deve respeitar o marido” (Ef 5.33).

Portanto, uma esposa briguenta e desrespeitosa, além de ser um fardo para o marido, é uma afronta direta à vontade de Deus. A cristã que vive brigando no lar, embora não tenha pecado em sua sexualidade, “caiu no casamento” e precisa urgentemente se arrepender e mudar de atitude. Se você é assim e acha que está tudo certo e que Deus aceita numa boa o seu comportamento reprovável, saiba que ele cheira mal às narinas do Pai, o que é grave, “pois a ira de Deus virá sobre os que lhe desobedecerem” (Ef 5.6). 

Mas, calma, mulheres, vou falar do seu marido também. A Bíblia diz: “Maridos, ame cada um a sua esposa, como Cristo amou a igreja. Ele entregou a vida por ela, a fim de torná-la santa, purificando-a ao lavá-la com água por meio da palavra” (Ef 5.25-26). Pense: o que desejam os pecadores que não foram alcançados pela graça de Deus e estão mortos em seus delitos e pecados? Eles querem continuar chafurdando em suas transgressões. Se Jesus fosse dar aos perdidos o que eles querem, os entregaria ao pecado que tanto amam, para sua própria destruição. Mas não. Jesus deu aos perdidos o que eles precisavam: a cruz.

Portanto, maridos, nós devemos fazer o mesmo: amar nossa esposa dando-lhe o que ela precisa, muito mais do que aquilo que ela quer. Isso é amar. E o que Deus deseja para ela é, mais do que qualquer outra coisa, que seja levada ao conhecimento das verdades bíblicas. Marido, você tem mostrado à sua esposa o caminho da fé verdadeira ou tem deixado que ela seja guiada pelo materialismo, pelo consumismo, pela vaidade, pela arrogância e por uma visão equivocada e utilitária do evangelho? Se tem, você não a está amando como Cristo amou a Igreja. Portanto, está em pecado. Conformar-se com aquilo com que Deus não se conforma é uma falha grave.

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Outro exemplo: esposa, você tem agido no casamento de acordo com a verdade bíblica de que seu marido é seu cabeça? A Bíblia diz: “o marido é o cabeça da esposa, como Cristo é o cabeça da igreja” (Ef 5.23). Precisa explicar? Mulheres arrogantes, impositivas, que tomam decisões de forma escondida ou autônoma do marido, guiadas pelos ideais feministas radicais ou pelo próprio ego em vez de pela vontade do Todo-poderoso… simplesmente estão em pecado. “Caíram no casamento”. Esse, aliás, é o mesmo pecado que Satanás cometeu: agir de forma independente daquele que era seu cabeça. 

Um último exemplo: marido, você pode não ter jamais olhado para outra mulher, mas a Bíblia lhe diz: “Da mesma forma, vocês, maridos, honrem sua esposa. Sejam compreensivos no convívio com ela, pois, ainda que seja mais frágil que vocês, ela é igualmente participante da dádiva de nova vida concedida por Deus” (1Pe 3.7). Aqui, para não falar de você, falo de mim. Esse é um dos pecados que eu mais cometi em meu casamento. Faltou-me muitas vezes compreensão para entender questões da personalidade de minha esposa que são difíceis para ela mudar. Muitas são questões resultantes de traumas do passado, da forma como foi criada ou mesmo reações a erros que eu cometi. São coisas impregnadas em quem ela é. Por essa razão, eu deveria ter sido mais compreensivo com ela em muitas e muitas ocasiões – e, por pura imaturidade, não fui. E você, meu irmão, também peca nisso? Se peca, eu e você devemos nos esforçar mais para corrigir nossa incompreensão. 

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Meu irmão, minha irmã, eu poderia me estender muito aqui, falando sobre todo tipo de pecado que você e eu cometemos com nosso cônjuge e que, embora não achemos tão maus assim, cheiram mal às narinas de Deus, tanto quanto qualquer pecado sexual. Mas creio que já deu para pegar a ideia da gravidade do problema.

Diante disso, eu lhe pergunto: quais são os seus pecados conjugais mais frequentes e dos quais você não se arrepende? Será que você nunca olhou para outra pessoa mas falta com respeito ao seu cônjuge, vez após vez, sempre encontrando uma desculpa esfarrapada para justificar seus atos, sempre culpando o outro e não assumindo a sua responsabilidade pelo inferno que se tornou o seu lar? Então você necessita de arrependimento sincero. E precisa urgentemente abandonar essa forma terrível de ser. 

Não seja instrumento do mal para sabotar seu casamento. Veja o que a Bíblia revela sobre o que Deus espera de você, como marido ou esposa, arrependa-se e mude. Hoje. Já. Os anjos farão festa. E sua família agradecerá. Pois jamais haverá paz em um ambiente em que a vontade de Deus não é posta em prática. 

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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Minha filha viu esta foto no meu facebook e me perguntou: “Papai, por que não estou nessa foto?”. Eu olhei bem para o retrato, me lembrei das circunstâncias em que ele foi tirado e respondi: “Bebê, você sempre precisa ver além daquilo que se pode enxergar. É óbvio que você está nessa foto”. Ela fez uma cara intrigada, como se fosse uma detetive tentando decifrar um enigma. Ficou um longo tempo examinando a imagem. Depois de muitos segundos de análise, a filhinha fez um beicinho e disse: “Papai, não estou não. Não estou!”  Foi quando eu indaguei, baixinho: “E quem foi que tirou a foto?”. Depois de refletir um pouco, ela escancarou um sorriso luminoso e satisfeito e respondeu: “Fui eu! Fui eu!”. 

Existem duas formas de se enxergar as coisas da vida: ou nos prendemos ao visível, ao que está evidente, ou entramos em uma dimensão diferente, na qual podemos perceber aquilo que os olhos não mostram. A diferenciação entre essas duas maneiras de enxergar o cotidiano depende do grau de intimidade que temos com Deus. Se em tudo inserirmos o Senhor e sua Palavra, veremos tudo à luz do plano divino para a existência humana. Se, porém, optarmos por uma caminhada distante do Todo-poderoso, os fatos do dia a dia serão vistos sempre à parte do mundo espiritual e da mente divina. 

Vou explicar o que quero dizer, usando como exemplo a foto que chamou a atenção da minha filha. Um olhar distanciado de Deus verá o quê? Um grupo de pessoas posando para uma foto. Só. Mais uma entre milhares de outras fotos que vemos ou tiramos rotineiramente. Dá para ver uma senhora de rosto manchado, ao lado de uma jovem mulher e um casal de pé. Nada de mais, não é? Uma foto comum, corriqueira, mais uma entre muitas. Porém, se você desperta e dorme com fome e sede da divina presença, enxergando tudo pelos olhos do Espírito, essa foto revela mundos sobre Deus. Como assim? Eu explico. 

A foto me mostra o cuidado de Deus com seus filhos. Afinal, nela está minha mãe, com o rosto ainda manchado pelo hematoma causado pelo tombo que levou, mas bem, viva e saudável. O retrato foi feito no dia em que mamãe chegou ao hospital. Também vejo minha prima Andréia, que veio nos visitar e, assim, compartilhar de seu amor. A presença dela nesse momento me mostra o amor ao próximo, a solidariedade, a compaixão, presentes de Deus para aquecer o coração, aplacar a solidão e nos fazer alegrar-nos com quem se alegra e chorar com quem chora. 

A foto me mostra ainda minha esposa, o que me fala sobre a bênção do casamento, instituição divina que nos permite ter aconchego e vínculos, perpetuar nossa linhagem e viver a vida dentro de um projeto conjunto e de auxílio e afeto mútuos. Providência divina para, na dificuldade da vida a dois, sermos moldados cada dia mais à semelhança de Cristo. Enxergo nessa foto também a minha casa, comprada porque Deus me abençoou e à minha esposa com saúde que nos permite trabalhar e com dons e talentos que nos permitem fazer bem nosso trabalho e receber o justo salário que nos permitiu comprar nosso apartamento. 

Vejo ao fundo uma foto de uma viagem de férias que fizemos, presente de Deus para que tivéssemos a alegria do lazer, do descanso e da renovação de forças. A foto me mostra, ainda, o telefone espanhol da década de 1940 que meu irmão me deu. Ao olhá-lo, sou lembrado de que Deus me deu a graça de ter gente que, mesmo distante, me ama e pensa em mim, dando-me até mesmo mimos supérfluos mas que revelam laços fraternos inquebráveis e eternos. 

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Eu poderia dizer muitas outras coisas sobre Deus que enxergo nesta foto, mas creio que já deu para ter uma ideia. O resumo é que, se buscamos a intimidade com Deus, passamos a vê-lo e à sua ação em nossa vida em tudo. Tudo. Tudo. Ao olhar essa foto tão trivial, vejo amor, cuidado, família, alegria, vida, fraternidade, projetos, bençãos de todo tipo, sonhos, capítulos abençoados da jornada… vejo Deus. Sim, eu vejo Deus. E como vejo!

Se você está lendo este texto, acredito que é porque se interessa por assuntos da vida cristã. Então, concluo que você ama a Cristo. E, se ama, é porque ele soberanamente o chamou por sua graça. A partir daí, cabe a você mergulhar nas profundezas desse amor ou ficar apenas sentado à beira do oceano, olhando de longe as marolas do Eterno. Deus fez a parte dele, digamos assim, e trouxe você para si. Porém, quão perto dele você viverá depende de uma busca pessoal, que definirá o tom e o som desse relacionamento. Deus quer fazer uma sinfonia, mas, se você ficar satisfeito em apenas tocar flauta doce, a música da sua vida espiritual ficará muito aquém do que poderia. 

Olhe em volta. O que você vê? 

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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Minha filha de 6 anos tem um coração admirável. Ela é bondosa, amável, generosa, carinhosa e gentil. Gosta de dar presentes para as amigas e professoras, tem prazer em servir o papai (fazendo café, massagem e outros mimos), procura pacificar quando coleguinhas criam confusões na escola, não revida quando um amiguinho a machuca, esse tipo de coisa. Sou muito grato a Deus por ter-me dado uma filha com características que admiro tanto num ser humano e que me fazem suspeitar que ela tem a semente do Espírito Santo no coração. Mas há um momento da vida de minha filha em que não me sinto feliz com ela e fico profundamente incomodado com seu procedimento: os minutos seguintes a ela chegar da escola.

Minha bebê retorna do colégio de condução escolar, por isso vem junto com crianças de todas as idades, a maioria mais velha. E esse contato tem sido bastante prejudicial, pois ela aprende montes de coisas erradas, ouve e repete funks hediondos, aprende comportamentos mundanos, escuta e repete todo tipo de palavrões, vê e imita formas de falar desagradáveis e reprováveis. Com certa frequência, logo que chega em casa, no embalo da bagunça e do ambiente nada cristão do ônibus, ela entra porta adentro repetindo o que ouve e vê das demais crianças na condução. Sei que ela não se dá conta com total clareza de quão reprovável é tudo isso, então, geralmente, eu nessas horas preciso sentá-la, conversar com ela, orientar, explicar por que aquilo tudo é errado e chamá-la de volta ao seu modo habitual de ser. E ela escuta. Se dá conta do erro. E obedece. Em poucos minutos, a filhota volta a ser a criança de coração admirável que me faz sorrir. Com frequência, porém, após um ou dois dias ela volta a ser influenciada pelo meio que a cerca e novamente fala ou age de um jeito reprovável. E, novamente, tenho de pará-la, lembrá-la de que aquilo é errado e esperar que ela caia em si e volte a agir de modo que me faça orgulhoso e me deixe feliz. 

Um pai sempre quer que seus filhos ajam da maneira que ele considera correta. Se você é pai ou mãe sabe do que estou falando. Por essa razão, meu coração transborda quando minha bebê age com amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio. Fico exultante quando ela fala com gentileza, quando me relata que o amiguinho a mordeu mas ela conversou com ele e o perdoou, quando age como mediadora de colegas para acabar com brigas e levá-los a fazer as pazes. Nessas horas, fico orgulhoso e sinto um júbilo especial, uma sensação difícil de descrever. Por outro lado, quando a vejo imitar comportamentos que não estão de acordo com o que acho correto, fico triste, incomodado e sou impulsionado a fazer algo para que a filhota perceba que aquilo que está fazendo não é bom e não reflete quem ela é. 

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Se você acompanha há algum tempo o APENAS, sabe da minha cruzada pessoal para alertar meus irmãos e minhas irmãs em Cristo de que um cristão que se diz nascido de novo obrigatoriamente tem de manifestar as virtudes do fruto do Espírito. Não vejo base bíblica alguma que justifique alguém que se diz salvo ser destemperado, agressivo, bruto na forma de falar, se posicionar e discordar. Em minha visão bíblica, cristãos professos que se comportam dessa forma ou não nasceram de novo ou se deixaram enganar pelos “colegas do ônibus escolar”. Acreditam que podem ser cristãos e ao mesmo tempo arrogantes, debochados, maldizentes, depreciadores, semeadores de discórdia entre irmãos em Cristo, agitadores ou ofensivos. Isso é tão coerente quanto dizer que o fogo pode ser molhado. São conceitos imiscíveis, incompatíveis. 

Como pai, detesto quando minha filha fala de jeito reprovável ou age de modo que entristeça meu coração. Por essa razão, consigo sentir um lampejo do que Deus sente ao ver aqueles que se dizem seus filhos agirem como multidões têm agido, com destempero, descontrole, deboche, espírito faccioso e montes de outras obras da carne.

Você pode estar pensando: “Lá vem o Zágari de novo falar sobre esse assunto”. Desculpe, meu irmão, minha irmã, mas não consigo não falar. Pois, do mesmo modo que eu, por amor, jamais cessaria de apontar à minha filha os erros em sua forma de falar e agir até que ela se corrigisse, não consigo ficar inerte ao ver membros do mesmo Corpo que eu agindo e falando como mundanos e dar as costas a isso, fingindo que está tudo certo. Pois amo Deus demais para ver tantas atitudes que entristecem o coração divino e deixar por isso mesmo. Não dá. Não tenho como. Não consigo. Quero ver Deus sorrindo ao olhar para aqueles que se dizem seus filhos, e não entristecido pela forma desviada como muitos têm se comportado “em nome de Jesus”. 

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Assisti recentemente a um vídeo no YouTube em que dois manos conversam sobre islamismo. O vídeo foi ótimo. O meu erro foi decidir ler os comentários. Fiquei horrorizado com a forma como vi diversos cristãos discordando do que foi dito no vídeo. Quanta deselegância. Quanto mundanismo. Quanta ofensa gratuita. Meu intelecto limitado não consegue  compreender o que leva alguém que diz seguir os ensinamentos do Príncipe da Paz e do Manso Cordeiro a se comportar como o pior dos mundanos na hora de se posicionar, expor suas crenças e discordar de outras pessoas. Raiva, desdém e rancor no conteúdo. Palavras torpes, sentimento faccioso e descontrole na forma. Em suma: um jeito totalmente anticristão de ser. 

Meu irmão, minha irmã, pode ser que a ênfase da sua vida espiritual esteja em coisas como tentar transformar arminianos em calvinistas, pré-milenistas em amilenistas ou cessacionistas em pentecostais, não sei. Vejo muitos que fazem desse tipo de coisa a bandeira de sua missão. Eu respeito essa escolha, embora não a veja como prioritária. A minha missão é tentar mostrar que o amor com que Deus quer que nos amemos é indispensável para quem se diz cristão. Em tudo. Até mesmo na divergência de ideias.

Amar é o mandamento maior. E uma gigantesca parte da Igreja está ocupada demais para amar; ocupada atacando irmãos em Cristo que pensam de forma diferente, discutindo o sexo dos anjos, coando mosquitos e engolindo camelos, irando-se e se engajando em discussões áridas e infrutíferas. Amar pressupõe instruir e não desqualificar. Amar pressupõe ensinar com carinho e não fuzilar. Amar pressupõe ouvir o discordante com paciência e mansidão e não com cabeças balançando e olhares revirados. Amar pressupõe ver o bem do próximo e não tentar mostrar que o próximo é um burro que não entende nada daquilo sobre o que você acha que sabe tudo. Amar é algo muito mais elevado do que aquilo que muitos aprenderam no ônibus escolar e replicam achando que está tudo bem.

Eu sou um chato, eu sei. Vivo repetindo essa chatice que é a necessidade prioritária e urgente de amar. Tudo bem, já entendi que, para muitos, amor não é um tema tão empolgante como debates acadêmicos sobre o sexo dos anjos. Amar está muito fora de moda na era das redes sociais, na qual todo mundo se acha o ensinador dos não iluminados e que, em nome da defesa da sã doutrina que manda amar até mesmo os inimigos, é justificável agir com total desamor. Amor se tornou um assunto brega em muitos círculos teológicos. O negócio é discutir em congressos o que seria a igreja relevante (quando a Bíblia já diz há séculos que a igreja relevante é a que ama), debater em programas de TV doutrinas soteriológicas (quando não adianta nada ser calvinista ou arminiano se você não ama quem crê na doutrina em que você não crê), ridicularizar quem crê de maneira divergente quanto aos dons (quando Paulo deixa claro que o dom supremo é o amor).  E por aí vai. 

Não, meu irmão, minha irmã, amor não é assunto para revistas femininas adolescentes e para poesias infantiloides. Amor é a coluna vertebral do evangelho de Jesus Cristo. É pelo amor que somos identificados como discípulos do Nazareno. Mas, infelizmente, como muitos não amam, devotam a vida a assuntos menos importantes da fé, defendendo sua visão com total desamor. E isso não é cristianismo. 

A vida no útero materno não é um fim em si mesma, nós passamos nove meses na barriga de nossa mamãe em preparação para viver décadas do lado de fora, sendo formados, construídos. Do mesmo modo, esta vida terrena é uma preparação para a eternidade: vivemos poucas décadas aqui sendo forjados, moldados, lapidados a fim de viver bilhões de anos futuros na realidade vindoura. Fico pensando como seria a vida em novos céus e nova terra junto com pessoas desagradáveis, briguentas, ofensivas, intolerantes, tolas e que falam e se comportam como quem acabou de sair do ônibus escolar.

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A conclusão a que sou obrigado a chegar é que gente assim nunca viveria em novos céus e nova terra. Não foram transformadas. Dizem amar Cristo mas se comportam e falam como anticristos. Mas consigo imaginar com extrema facilidade aqueles que, por terem sido verdadeiramente transformados pela graça salvadora da cruz, devotaram suas décadas sobre a terra a viver de modo amoroso, amável, bondoso, caridoso, gentil, pacificador e manso circulando pelas ruas da cidade futura, onde Deus brilhará com sua luz de puro amor.   

Meu irmão, minha irmã, se Deus o chamou por sua graça, mas você percebe que ainda é uma pessoa bruta, ou sarcástica, ou iracunda, ou ofensiva, ou que gosta de ver o circo pegando fogo, ou que destrincha o Corpo de Cristo e semeia desunião e discórdias, ou que fala de modo agressivo, ou que é altiva, ou que devota seus dias a só ficar apontando o erro alheio mas arrogantemente não aceita reconhecer os próprios erros… eu só poderia lhe dizer uma coisa, por amor: arrependa-se.

Arrependa-se desses pecados e abra-se para o labor do Espírito Santo em sua vida. Abandone essas práticas carnais e mundanas, que não estarão presentes em novos céus e nova terra, e devote-se a ser aquilo que Deus espera ver naqueles que tomará para si na eternidade. Por favor, arrependa-se, enquanto ainda é tempo. E passe a amar com verdadeiro amor cristão, aquele que você não encontra nas poesias de Vinicius de Moraes e Renato Russo, mas vê, com total clareza, transbordar de cada página das Sagradas Escrituras.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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Não sei se você já tomou conhecimento disso, mas há poucos meses foi lançado um par de óculos especiais que permite a pessoas daltônicas enxergar as cores. Um daltônico é alguém que sofre de um tipo de deficiência visual que não lhe permite ver algumas cores específicas. Por essa razão, ele não consegue ver o verde, o vermelho, o azul ou o amarelo (dependendo do caso) e, no lugar dessas belas cores, enxerga tons sem graça, como cinza e marrom. Você consegue imaginar como se sente alguém que viveu anos ou décadas  enxergando o mundo com cores monocromáticas e apagadas e, de repente, põe os tais óculos e passa a ver a vida em todo o seu esplendor de cores? Pois bem, não é preciso mais imaginar. Isso tornou-se realidade quando esses óculos especiais chegaram ao mercado, há poucos meses.

Para continuarmos nossa reflexão, eu pediria, por favor, que, antes, você assistisse a um vídeo que mostra daltônicos enxergando por meio desses óculos e vendo as cores em toda a sua vivacidade pela primeira vez. Veja neste link: https://youtu.be/TROCGz5qvmw. Só depois de ver pelo menos uma parte do vídeo, por favor, continue a ler este texto, para que ele faça sentido.

Eu espero, pode ir lá assistir. 

Pronto.

Assistiu ao vídeo? Então vamos adiante.

Foi emocionante, não? Eu confesso que derramei lágrimas nas duas vezes em que o vi. O que mais tocou meu coração foi tentar me pôr no lugar daqueles homens e mulheres e imaginar como foram impactados pela diferença de sua percepção da vida antes e depois de pôr os óculos. 

É importante lembrar que nenhuma dessas pessoas jamais havia visto o mundo de modo diferente do que sempre viram: cinzento, amarronzado, monocromático, sem graça. Para eles, aquilo era a normalidade. Eles não tinham como compreender plenamente o que significava enxergar a vida com todas as suas cores verdadeiras. Por essa razão, visto que nasceram e cresceram tendo como único referencial aquela realidade distorcida, se acostumaram a ela e não conseguiam nem ao menos conceber que o mundo fosse qualquer coisa diferente do que sua concepção lhes mostrava. 

Até que puseram os óculos. 

Pense na emoção que sentiram. Eles se deram conta de que, pela primeira vez, estavam vendo as coisas como elas verdadeiramente são. A verdade é vibrante, é vivaz, é vermelho-sangue, laranja, verde em tons diferentes, é magnífica! Porém, como seus olhos jamais tiveram a capacidade de enxergar a realidade como ela é, aqueles daltônicos estavam acostumados à pasmaceira de sua percepção monocromática, sem graça, monótona. A vida daquelas pessoas era uma sombra da realidade, pois elas não conseguiam enxergar as verdadeiras cores da realidade. Em outras palavras, seu mundo era uma mentira – o que não as incomodava, visto que estavam totalmente acostumadas à sua concepção inverídica da própria existência. Mas, depois que puseram os óculos especiais, com toda certeza sua vida nunca mais foi a mesma.

Aqueles óculos me lembram o evangelho de Cristo. Nascemos mortos em delitos e pecados, satisfeitos com nossa vida de miséria. Acreditamos piamente que aquele mundo cinzento e amarronzado em que vivemos é a única realidade possível e não conseguimos conceber que haja uma realidade melhor, mais verdadeira, extraordinária e vibrante do que o nosso universo cinza. Nos conformamos em achar que os múltiplos tons de verde nas árvores da existência são de uma única tonalidade, que o céu do pecado é maravilhoso em sua cor pálida e sem graça, que os balões da festa da eternidade são ótimos do jeito que estão. Não achamos que nada precisa mudar. Estamos acomodados com a realidade irreal em que habitamos desde sempre. 

Até que…

Um dia, o Espírito Santo de Deus põe em nosso rosto os óculos da graça. E, quando nos damos conta… uau! Uau! Tudo muda! A reação de quem consegue pela primeira vez enxergar a vida pelas lentes do evangelho da graça não é muito diferente da que tiveram os daltônicos do vídeo ao se dar conta de que a vida real era infinitamente mais extraordinária do que a sua percepção distorcida da vida. Se passamos por um real novo nascimento, a emoção é similar. Percebemos que tudo o que vivemos até ali era uma mentira. Um simulacro. Vivíamos na caverna e achávamos que as sombras eram vida. Ficamos pasmos. Assombrados. Estupefatos. É o que a graça faz: nos mostra a beleza daquilo que jamais havíamos percebido antes. E estamos maravilhosamente condenados a nunca mais olhar para a vida da mesma maneira. 

Durante os minutos em que assisti ao vídeo, dois pensamentos ficaram em minha mente:

O primeiro foi ficar refletindo sobre a genialidade de quem criou esses óculos. Se as pessoas do vídeo estavam tendo aquela experiência extraordinária, não era por mérito delas, mas do criador daquela tecnologia. Alguém que se dedicou, provavelmente por anos, a decifrar como criar óculos que permitissem a daltônicos ver as cores como realmente são. O mundo que aqueles homens e mulheres descobriram foi por puro mérito do criador dos óculos. Assim como, no evangelho de Cristo, ver a vida pelas lentes da salvação é algo que recebemos por mérito único e exclusivo do Criador. Isso é graça. Nós estávamos parados, felizes com nossa vida cinzenta de pecado, sem desejar nada diferente das folhas marrons das árvores da vida, quando Deus pôs os óculos da graça em nosso olhos e passamos a ver tudo de modo novo, extraordinário e verdadeiro. 

O segundo pensamento foi sobre o fato de que as pessoas do vídeo que receberam os óculos os ganharam de presente de alguém, a mãe, o pai, a esposa ou um amigo. Alguém foi o responsável por levar ao daltônico a boa-nova de que aqueles óculos lhe permitiriam ver o mundo de modo diferente. No evangelho de Cristo, isso também ocorre. Para que as pessoas consigam ter acesso aos óculos da graça salvadora, alguém como eu e você tem de levar até elas essa boa-nova. O nome disso, você já sabe, é evangelismo. 

Você não ficou emocionado ao ver aqueles daltônicos sendo tocados na alma por descobrir a verdade da vida? Não agradece a Deus por alguém ter tido a ideia de dar-lhes aqueles óculos? Se a sua resposta a essas perguntas foi positiva, gostaria de estender esse questionamento à pregação do evangelho: você tem o mesmo tipo de emoção ao ver uma pessoa convertida a Cristo? Se não tem, deve se perguntar por que um daltônico ver cores o emociona mais do que uma alma ser salva do inferno. Se tem, eu perguntaria quantas vezes você já foi o canal para pessoas sentirem esse tipo de emoção. Em outras palavras: quanta gente você já evangelizou? A quantas almas cinzentas você já estendeu os óculos da realidade espiritual?

A cruz e a sepultura vazia são os óculos que nos deram acesso às cores desta vida e da vida eterna. Mas, se não formos até os daltônicos espirituais e lhes estendermos esses óculos por meio da proclamação do evangelho, eles continuarão eternamente achando que o vermelho é cinza e que o verde é marrom. Como embaixador do reino de Deus, você tem proclamado a salvação por meio de Cristo? Tem aberto a boca para chamar pecadores ao arrependimento e à remissão de seus pecados? De nada adiantará haver óculos disponíveis se você não os levar aos daltônicos espirituais. 

Termino com uma reflexão. Imagine que um daltônico tivesse outro amigo daltônico. O primeiro ganha de presente os óculos especiais mas jamais conta ao amigo o que aqueles óculos são capazes de fazer por ele. O que você pensaria desse cara? Gostaria dele? O consideraria uma pessoa legal? Ou o consideraria um egoísta desalmado, que desfruta de todos os benefícios e todas as emoções proporcionados por ter e usar aqueles óculos sem compartilhar com o amigo? Assim é, também, com quem desfruta de toda a espetacular experiência que é ver o mundo pelos óculos da graça e ter a salvação por meio de Cristo e guarda para si essa boa-nova. Como tem sido com você? Você compartilha o evangelho com quem não conhece o amor de Cristo ou o guarda só para si? O que a sua atitude fala a seu respeito?

Se você percebe que tem sido silencioso e não compartilha a maravilhosa e multicolorida graça de Cristo com o mundo cinzento e triste, alguma coisa está errada. Algo precisa mudar. E só depende de você.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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