Posts com Tag ‘Jesus’

egoistaFui almoçar com meus pais no Leblon, bairro de classe alta do Rio de Janeiro. Meu pai estava com muita vontade de conhecer um restaurante a que nunca tínhamos ido antes, daqueles bem caros, frequentado por famosos e gente de alta classe. Para você ter uma ideia, quem estava na mesa ao lado da nossa era Bernardinho, o técnico da seleção de vôlei, com a esposa e a filha. Cada prato custava uma fortuna. Tirando a mim, todos no restaurante eram da elite carioca. De repente, aconteceu algo que me fez pensar: aproveitando a distração dos garçons, um homem sem os dois braços se aproximou das mesas, na tentativa de ganhar uns trocados. Você não leu errado: ele não tinha os dois braços, apenas pequenas extensões abaixo dos ombros. A primeira pessoa a quem pediu dinheiro foi um homem muito bonito, extremamente bem arrumado, com relógio e adereços visivelmente caros, que estava sentado à mesa numa espécie de varanda junto à rua.

– Pode me ajudar?

Automaticamente, o incomodado cliente do restaurante deu uma resposta rabugenta, sem nem olhar direito para o pedinte:

– Não tenho dinheiro não, parceiro.

Confesso que essa resposta me deixou confuso com meus próprios sentimentos. Por um lado, sei de todas as recomendações para não dar esmolas, uma vez que muitos pedintes são “vagabundos profissionais”, que preferem ficar mendigando a buscar um trabalho. Mas, por outro… convenhamos, vai, o homem não tinha os dois braços! Em milissegundos, passou pela minha cabeça quantas oportunidades profissionais bem remuneradas aquele homem poderia ter. Ficou claro para mim que, no mínimo, a vida daquele ser humano era bem difícil e que viver da caridade alheia era uma de suas pouquíssimas possibilidades de renda.

egoista 1Algo naquela cena me incomodou bastante: a mentira deslavada do cidadão que negou ajuda. Era evidente que ele tinha dinheiro. Muito dinheiro. Pelo que comeu e bebeu, estimo que deve ter gasto no mínimo uns duzentos reais naquele almoço. Só os óculos de sol que usava deviam valer muitos almoços para o homem sem os dois braços. Dizer que não tinha dinheiro foi o passa-fora mais mentiroso que poderia ter dado. Seria mais honesto dizer algo como “não quero te dar dinheiro não, parceiro”.

Enquanto eu me revoltava contra o grã-fino mentiroso, adivinhe só: o pedinte virou-se justamente para mim:

– Pode me ajudar?

Depois de ter ficado chocado com a atitude do ricaço mentiroso, é óbvio que eu não só podia ajudar, como ajudaria com toda certeza! Afinal, não sou eu o cara que chora quando passam na televisão aqueles comerciais do ActionAid, do Médicos sem Fronteiras, da Fundação Abrinq e da AACD? Ajudar o próximo é comigo mesmo! Jamais recusaria auxílio a um necessitado! Sou um cristão, ora bolas! Como poderia me recusar a dar de comer a quem tem fome?!?!

Bem…

Tenho de confessar. Por um instante, eu hesitei. E quase soltei um “Não tenho dinheiro não, parceiro”. Foi fácil para mim fazer cara feia para o rico mentiroso, mas, por pouco, não me tornei um “classe média mentiroso”. Pois o meu impulso automático foi dizer exatamente a mesma coisa. Percebi que minha natureza humana, falha e egoísta, junto com meu senso de desconfiança aguçado, retiveram minha mão e fecharam meu coração. A vontade que eu tinha naquele momento de dar dinheiro para o homem era nenhuma. Afinal, era o meu dinheiro.

egoista 2Foi quando me dei conta de como somos condicionados a ser egoístas e só nos preocuparmos conosco. Ficou claro que eu fui adestrado a desconfiar de tudo e de todos e a achar que todos são espertalhões. Entenda que tudo o que estou descrevendo se passou num espaço de tempo mínimo, de ínfimos segundos. E minha reação imediata foi não ajudar o próximo. Não ajudar um homem sem os dois braços! Eu, o cara que na véspera tinha pago oito reais em um suco e quatorze reais em uma tapioca de Nutella, estava inclinado a não dar nem umas moedas a uma pessoa sem os membros superiores.

Foi preciso parar. Dominar meus instintos egoístas e desumanos. Respirar. Recordar do que o anjo disse a Cornélio em Atos 10.31. Tentar me vestir da natureza de Cristo. E, só então, minha mão desceu até a carteira e sacou alguma coisa. Sorridente, o homem virou as costas e pediu que enfiasse o dinheiro no bolso traseiro de suas calças. E prosseguiu em seu caminho.

egoista 3Fiquei pensando sobre aquilo. De fato, a humanidade é má. Precisamos de Cristo para superar nossos instintos e impulsos mais egoístas e  desumanos. Criticamos os “pecadores” e incorremos no mesmo pecado que eles. Conhecemos a piedade mas, frequentemente, nos esquecemos de pô-la em prática. É como se houvesse duas pessoas habitando nosso coração: Adão e Cristo. Só que “assim como, em Adão, todos morrem, assim também todos serão vivificados em Cristo” (1Co 15.22). Adão não pode prevalecer.

A luta é diária. Mas não podemos desistir. Se baixarmos a guarda, seremos derrotados pelo egoísta que habita em nós. Não permita que ele vença: supere a si mesmo e deixe que Jesus use seu braço, seu tempo, seus bens e seu coração para dar de comer a quem tem fome e de beber a quem tem sede.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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Queridos irmãos e irmãs em Cristo,

hoje não trago uma reflexão nos moldes que costumo fazer habitualmente. Concedi recentemente uma entrevista para a revista Comunhão, que foi publicada semana passada. Acredito que algo do que eu disse na reportagem pode edificar sua vida, por isso, permita-me, hoje, em vez de escrever uma reflexão em forma de texto, compartilhar uma em forma de entrevista. Basta clicar na imagem abaixo e você poderá ler não só minha entrevista, mas toda a revista de forma eletrônica – gratuitamente. Peço a Deus que abençoe sua vida.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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culto 1É muito frequente irmãos e irmãs que acompanham minhas postagens aqui pelo APENAS e, nos últimos meses, também, pelo Facebook, me questionarem a respeito de minhas crenças doutrinárias e de posicionamentos que me levam a adotar o estilo de texto que costumo escrever. Já citei aqui casos de manos que vieram me “pôr contra a parede” para eu dizer se sou calvinista ou arminiano (o que nunca vou dizer, aliás), se eu tenho preconceito quanto a pregar em igrejas tradicionais ou pentecostais (por que teria?), se não escrevo textos mais pesados e acadêmicos por alguma razão especial (sim, há uma razão)… e por aí vai. São questionamentos desse tipo. Recentemente, fui convidado a pregar em uma igreja, onde, ao final do culto, conheci, pessoalmente, um irmão em Cristo que é assinante do blog e tem o desejo de escrever livros. Ele me fez algumas perguntas, entre elas uma que me chamou a atenção. Essa, sim, acredito que valha a pena comentar, pois pode levar você a uma boa reflexão.  Bem observador, o mano me fez o seguinte questionamento:

– Zágari, eu reparo que uma enorme quantidade dos textos que você compartilha no APENAS partem de episódios do dia a dia, até mesmo situações da sua vida pessoal, mas falam sobre realidades profundas da fé. Por que você segue essa linha? É uma escolha consciente? Esse tipo de texto traz algum tipo de benefícios ao leitor?

olharFoi muito interessante o rapaz ter feito essa ponderação, porque ele conseguiu perceber algo que faço conscientemente: sim, escrever esse tipo de texto é uma decisão, uma opção. E “esse tipo de texto” tem nome: crônica. Eu escolhi escrever a maioria dos textos no blog em forma de crônica por uma decisão pensada e proposital. Mas, antes de ir adiante, preciso dar uma rápida explicação sobre o que é esse gênero literário chamado crônica, caso você não saiba o que o caracteriza: “A crônica é uma forma textual no estilo de narração que tem por base fatos que acontecem em nosso cotidiano. Por este motivo, é uma leitura agradável, pois o leitor interage com os acontecimentos e por muitas vezes se identifica com as ações tomadas pelas personagens. […] Além do mais, é uma leitura que nos envolve, uma vez que utiliza a primeira pessoa e aproxima o autor de quem lê. Como se estivessem em uma conversa informal, o cronista tende a dialogar sobre fatos até mesmo íntimos com o leitor” (Fonte: site Brasil Escola).

Bem, mas o que interessa a você saber isso? Este, afinal, não é um blog sobre literatura, mas sobre vida cristã. A verdade é que há, sim, um elemento didático e espiritual nessa minha escolha. Como a crônica trata de fatos do cotidiano, ao fazer uma reflexão sobre as coisas de Deus a partir de episódios corriqueiros do dia a dia, eu procuro mostrar que é possível a pessoa perceber a influência e a beleza de Deus em tudo na nossa vida.

olho com cruzPor que isso é importante? Porque nossa fé não se restringe ao momento do culto ou às quatro paredes da igreja. Quando eu escrevo sobre realidades bíblicas a partir de episódios normais do dia a dia – como uma folha que vi voar pela janela, algo que minha filha disse, o encontro com um homem cego na rua ou problemas no engarrafamento – estou reforçando a ideia de que a vida cristã se dá em tudo. Em todos os momentos. Em todos os lugares. Deus age em tudo o que vivemos e devemos contemplar a vida sob essa perspectiva, da presença e da ação do Senhor.

Tenho procurado desenvolver essa percepção na minha rotina diária. No cotidiano, mesmo que eu não queira, acabo percebendo o Senhor nas pequenas coisas, nas situações mais corriqueiras e, consequentemente, lições de vida fluem do mundo ao meu redor. Tudo torna-se um culto, constante e interminável. E quero incentivar você a fazer o mesmo. Oro a Deus que você cultue o Senhor no ônibus, na rua, no trabalho, nos relacionamentos… em tudo e sempre. Ao falar, por exemplo, sobre a importância de o cristão ter raízes sólidas a partir da observação de uma árvore no meio da rua, espero estar estimulando você a encontrar ensinamentos divinos nas árvores ao seu redor. Desejo que a presença divina seja perceptível aos seus olhos quando observar uma abelha, comer um pastel ou tomar um banho de mar. Pequenas coisas, eventos aparentemente irrelevantes e corriqueiros podem ensinar grandes lições espirituais caso você tenha o olhar certo para perceber.

Se você conseguir desenvolver essa percepção, vai reparar a presença e a ação de Deus de forma ininterrupta em sua vida. Você viverá em oração sem precisar fechar os olhos ou dobrar os joelhos, pois tudo o que vivenciar vai elevar seu pensamento a Cristo. Suas atitudes serão direcionadas pela percepção da onipresença divina. E sua jornada terá, diariamente, o perfume das ações do Criador.

Comece a fazer esse exercício, se desejar. Eu acredito nele, pois me tem feito viver muito mais Cristo em meu dia a dia. Se optar por isso, em breve você não só estará escrevendo textos muito melhores e mais significativos do que os meus, mas caminhará pela vida com a percepção muito mais clara de que Jesus dá cada passo junto com você, todos os dias, em todos os momentos, até o fim dos tempos.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
 .
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Jesus chorou 1A Bíblia relata uma passagem enigmática da vida de Jesus. Ele é chamado às pressas para ir até o povoado em que viviam três amigos, os irmãos Lázaro, Maria e Marta. Lázaro estava gravemente doente, à beira da morte. O Mestre seguiu até o local, mas já encontrou o amigo morto e muitas pessoas o pranteando, em luto, chorando e se lamentando. O texto bíblico prossegue. Jesus pergunta: “Onde o colocaram?”. E as pessoas presentes respondem: “Vem e vê, Senhor”. É quando o texto diz: “Jesus chorou” (Jo 11. 35). A grande pergunta é: por que exatamente Jesus chorou? O que o levou a derramar lágrimas?

Há algumas teoria. Uns dizem que foi pela incredulidade que encontrou entre parte dos que ali estavam. Afinal, diz o texto: “Mas alguns deles [das pessoas que estavam no local] disseram: ‘Ele, que abriu os olhos do cego, não poderia ter impedido que este homem morresse?’” (Jo 11.37). Essa hipótese é pouco provável, pois, se formos analisar quantas vezes ao longo dos evangelhos vemos relatos de pessoas que duvidaram de Jesus, as numerosas ocorrências não caberiam neste espaço. E o texto bíblico mostra que em nenhuma outra ocasião a incredulidade das pessoas levou o Mestre a chorar.

Jesus chorou 2Outra teoria é que ele teria derramado lágrimas pela dor da perda de Lázaro. O próprio texto diz que houve essa percepção entre alguns que estavam ali: “Então os judeus disseram: ‘Vejam como ele o amava!’” (Jo 11.36). Essa hipótese também é improvável, pois Jesus é Deus, ele participou da criação do mundo (Jo 1), sabe quando cada pessoa vai nascer e morrer e tem plena certeza de que a morte do justo alegra o coração de Deus. Mais importante, Jesus conhece o que vem após a morte e não tem as dúvidas e os medos que nós, que nunca passamos por ela, sentimos. Melhor do que ninguém, o Deus que se fez carne sabe que, após a morte, o que espera os salvos é: “Não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor” (Ap 21.4). Por que, então, alguém choraria pelo fato de um amigo ter partido para uma realidade tão maravilhosa como essa? Não faz nenhum sentido.

Então por que, afinal, ele chorou? A explicação está no texto bíblico. A Escritura diz que, assim que Jesus chega à casa da família de seu amigo, Maria se prostra a seus pés e chora, junto com os outros que a acompanhavam. Então, que “ao ver chorando Maria e os judeus que a acompanhavam, Jesus agitou-se no espírito e perturbou-se”. Em seguida, profundamente comovido, ele próprio chora (Jo 11.33,35,38). O texto bíblico continua e, novamente, temos outra informação sobre o estado de espírito de Cristo naquele momento: “Jesus, outra vez profundamente comovido, foi até o sepulcro” (Jo 11.38). Pela segunda vez, é dito que o Senhor estava tocado em suas emoções.

Jesus chorou 3Chegamos, então, à chave da questão: ele estava “agitado no espírito” e “profundamente comovido”. Pela morte de Lázaro? Não. Isso ocorre “ao ver chorando Maria e os judeus que a acompanhavam”. O que levou Jesus às lágrimas foi ver o choro das pessoas. A dor delas. Em outras palavras, Cristo chorou por compaixão. A bondade de Jesus é tanta que ele se deixa tocar profundamente pela dor e pelo sofrimento das pessoas. E chora em empatia com elas. Só alguém de coração muito bondoso seria capaz disso. E Jesus é a bondade encarnada. Jesus não chorou pela incredulidade dos presentes ou pela morte de Lázaro, mas pelo sofrimento das pessoas.

Saiba disto, meu irmão, minha irmã: ao ver a sua dor, Jesus se comove, agita-se em seu espírito e… chora. Pois ele sente na pele o que você sente na alma — e não fica indiferente a isso. Você está sofrendo? Então prepare-se: um Deus comovido e misericordioso entrará em ação em seu favor.

(Este texto foi publicado originalmente no jornal Sal da Terra)

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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Deus está no controle 1­Deus está realmente no controle das coisas? Ele já tem tudo previsto ou existe margem para mudanças nos planos divinos? Se o Senhor está no controle, até onde vai sua esfera de intervenção nas coisas do mundo? Livre-arbítrio é uma heresia arminiana? Ou determinismo é uma heresia calvinista? É fato que o Todo-poderoso não está por trás das catástrofes, como alega o teísmo aberto? Como se explica a história de Ezequias, o rei israelita que ganhou 15 anos a mais de vida após orar a Deus? Se o Senhor já sabia que a humanidade pecaria, por que a criou? Se Jesus veio à terra para morrer por nossos pecados, por que pediu ao Pai que afastasse dele o cálice do sofrimento? Se Jesus é descendente de Davi por meio de Bate-Seba, a mulher com quem o rei adulterou, Deus queria que esse adultério ocorresse? Questões como essas dão nó nos neurônios de muita gente, para quem a grande equação por meio da qual Deus conduz o universo é um enigma incompreensível e insolúvel. Esta semana vivi uma experiência que me fez pensar muito sobre como o Senhor age em nossa vida.

Perdão Total_Capa 3D em altaDesde que foi lançado meu mais recente livro, Perdão Total — Um livro para quem não se perdoa e para quem não consegue perdoar, tenho sido convidado para pregar ou palestrar sobre o assunto em diferentes cidades do país. Domingo passado, estava agendado para que eu pregasse na Igreja Batista Jardim Icaraí, em Niterói (RJ). Como eu não dirijo, um casal querido, Ana e Renato, se dispôs a sair de Niterói e me pegar em casa, em Botafogo, bairro do Rio de Janeiro. Ficou combinado que eles me pegariam às 18h, pois o culto começava às 19h30. Iríamos eu, minha esposa e minha filha de 4 anos. Só que o imprevisto ocorreu, com toda força.

No meio da tarde, um temporal desabou sobre a cidade. Foi um daqueles aguaceiros que dão reportagem em jornais, com ruas alagadas, trânsito parado e caos. Resultado: depois de muito penar para chegar até meu prédio, fugindo de bolsões de água e trechos intransitáveis, Ana e Renato conseguiram estacionar, ilesos, no posto de gasolina em frente ao meu edifício. Só que já eram 19h e a chuva não dava sinal de trégua. Assim que chegaram, Ana me telefonou e tentei ir até eles, mas minha rua tinha virado um rio e era impossível dar um passo fora da portaria. Conversamos, então, por telefone e, depois de eles terem consultado o seu pastor, todos vimos que não conseguiríamos chegar à igreja a tempo do culto. Resultado: de comum acordo, decidimos adiar minha ida para outro dia. Depois de um tempo, as águas começaram a baixar e consegui fazer um malabarismo para ir até eles. Conversamos pessoalmente e a decisão foi reafirmada.

Confesso que subi de volta para meu apartamento decepcionado e questionando Deus. Já no elevador, eu comentava com o Senhor que não entendia aquilo. Será que ele não queria que eu compartilhasse a mensagem do perdão com os membros daquela igreja? Claro que tenho o entendimento de que o temporal não caiu só por minha causa, mas, como eu também sou uma letra na equação divina, entendo que minha vida também é incluída nas decisões de Deus. Assim como a sua. Assim como a de qualquer pessoa. Fato é que fiquei triste por não poder ir até Niterói pregar sobre um assunto que considero extremamente urgente.

E foi então que a história deu uma guinada.

Deus está no controle 2Cerca de vinte minutos depois de ter chegado em casa, minha filha, que passou o dia inteiro bem disposta, estava arrumada e animada para sair e ficou bem triste por não termos ido à igreja, começou a reclamar de dor de cabeça. Em minutos, a dor ficou extremamente forte e ela passou a sentir um mal-estar generalizado. De repente, o susto: a pequena se revirou na cama e vomitou em profusão. Enquanto eu limpava a sujeira, sua mãe a levou ao banheiro para lavá-la. Lá, mais vômitos. Achei que a crise tinha acabado. Dei-lhe um pouco de água para beber e deitamos no sofá da sala para assistir a uma apresentação de balé. Em poucos minutos, a pequena começou a acusar nova dor de cabeça e mal-estar. Virou-se para o lado e vomitou pela terceira vez, agora no chão da sala.

Foi quando percebi que a coisa ia além de um simples enjoo e tomei a decisão de levá-la para o hospital. Como alguém que já passou três dias internado em um CTI por infecção intestinal grave, levo muito a sério esse tipo de sintomas. Assim, nos vestimos rápido, descemos, vimos que a água já tinha baixado o suficiente para sairmos, pegamos um táxi e disparamos para a emergência pediátrica. Chegamos ao hospital e logo fomos atendidos. Assim que entrou na sala do médico, minha filha vomitou novamente, com espasmos bastante fortes. Seu estômago estava vazio e quase não saía mais nada. Depois dos exames preliminares, entramos na sala de atendimento de emergência, onde, enquanto aguardava para tomar uma injeção, a pequena vomitou pela quinta vez. A dor de cabeça era grande. O mal-estar e a moleza, generalizados. O médico decidiu fazer uma tomografia computadorizada da cabeça.

Vou resumir as três horas e meia seguintes, passadas entre exames e tratamentos, em um parágrafo: graças ao atendimento rápido, minha filha pôde ser liberada naquela mesma madrugada do hospital. Os médicos não conseguiram determinar o que ela teve, mas as suspeitas vão de intoxicação alimentar a viroses. A medicação rápida contribuiu muito para seu quadro não piorar. Ela ficou dois dias em casa, de repouso, ainda com dores, febre e enjoos, mas, com o tempo, o problema passou.

Deus está no controle 3Fiquei pensando. Se tivéssemos ido a Niterói, minha filha passaria mal longe de casa, talvez presa em algum engarrafamento, talvez momentos antes de eu subir ao púlpito para pregar. Imagine como teria sido. Tudo é um grande “talvez”, mas uma coisa é certa: o fato de estarmos em casa quando ela passou mal foi decisivo para que fosse rapidamente socorrida e, seja lá o que a tenha acometido, o mal ter sido debelado com o mínimo de dor e desconforto. Quem sabe, até, uma demora no socorro poderia ter agravado o quadro e gerado problemas mais severos.

E aí fica a pergunta: será que Deus me impediu de ir a Niterói para que eu pudesse socorrer minha filha? Teria ele sacrificado a pregação naquele dia específico em prol do que ele sabia que aconteceria com minha pequena? A resposta é que não sei, é muito complexo pensar sobre isso e eu não sou onisciente. Não tenho como afirmar nada. Mas, quando olho para a Bíblia, vejo que “O Senhor faz tudo com um propósito” (Pv 16.4). Mais ainda, percebo que “Sabemos que Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam, dos que foram chamados de acordo com o seu propósito” (Rm 8.28). Então, ao ler verdades como essas, solidifico em meu coração uma realidade: nada do que aconteceu foi à toa.

O acaso não existe. Sorte é um conceito antibíblico. O que prevalece é a soberania de Deus. E, nessa soberania, o Senhor fez com que, em meio a milhões de cariocas e niteroienses afetados pelo temporal de domingo, eu não fosse pregar conforme tinha sido planejado e, assim, estivesse em casa para socorrer com agilidade minha filha. Se você me perguntar se foi coincidência, vou sorrir, com toda a certeza do mundo de que Deus teve um propósito no que ocorreu e que ele agiu para o nosso bem.

Meu irmão, minha irmã, preste mais atenção às coisas que acontecem em sua vida. Não digo só as grandes; as pequenas e insignificantes também. Pois, se tudo Deus faz com um propósito e em todas as coisas ele age pelo bem dos que ama, lembre-se que tudo significa tudo. E todas as coisas significa todas as coisas. Não uma parte, não uma parcela, não umas e não outras. Tudo. Todas as coisas. Esse é o Deus da Bíblia.

Deus está no controle 4Com essa percepção, você vai passar a perceber a ação de Deus no engarrafamento, no chuveiro que pinga, no calor abrasador, no mendigo que lhe pediu dinheiro, no atraso do dentista, na gata que fugiu de casa, na topada do pé. Há gente que brinca com quem atribui tudo ao Diabo, criticando quem diz que “queimou o arroz, é culpa do Diabo”. Eu discordo. A “culpa” é de Deus. Pois ele tinha em mente aquele arroz queimado. Para quê? Sei lá! Mas ele sabe. A vida é uma grande engrenagem, que tem como finalidade nos conduzir à vida eterna, em Cristo. Como tudo isso funciona eu não faço ideia, os pensamentos do Senhor são muito mais elevados do que os meus para que eu consiga compreender. Mas de uma coisa eu sei: eu não preciso saber todos os mistérios do Senhor nem conseguir explicá-los, pois basta compreender que Deus sabe tudo. Peço apenas que ele me tome pela mão e conduza meus passos. Em outras palavras, “seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu” (Mt 6.10).

Digam o que quiserem, Deus está no controle. Uns chamam de sorte, eu chamo de Deus. Uns chamam de acaso, eu chamo de Deus. Uns chamam de livre-arbítrio, eu chamo de Deus. Uns chamam de determinismo, eu chamo de Deus. Chamem do que desejarem, elaborem as teorias teológicas que quiserem, a resposta será sempre uma só: Deus. E, com isso em mente, devemos fazer a nossa parte e, em seguida, agir como recomendou o salmista: “Entregue o seu caminho ao SENHOR; confie nele, e ele agirá” (Sl 37.5).

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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barrigaGostaria de refletir sobre um assunto altamente espiritual: minha barriga. Calma, não ria, é sério: pensando sobre minha barriga aprendi algumas coisas interessantes sobre nossa vida espiritual. Para você entender aonde meus pensamentos me levaram, primeiro preciso dizer que, até os 27 anos, eu fui magro. Mas muito magro. Imagine que eu tinha 1,80 metro e 55 quilos. E era uma magreza de origem genética, pois, por mais que eu tentasse engordar (e eu tentei), era inútil. Nada do que eu fizesse ou comesse alterava meu peso, que me acompanhou desde que terminou minha fase de crescimento até eu completar 27 anos.

Naturalmente, essa condição me proporcionava muitas vantagens. A principal delas é que eu não tinha limitações para comer: podia mandar para dentro de tudo e mais um pouco, que não engordava um grama sequer. Então eu cometia atrocidades, como ingerir uma lata inteira de leite condensado enquanto assistia a um filme, devorar um balde de pipoca doce sem drama de consciência, comer quanto quisesse nos rodízios de pizza… era uma vida livre de preocupações alimentares.

Mas aí chegou o dia em que meu DNA disse “é agora!”. Sem que me desse conta, minha barriga começou a crescer. Meu umbigo, que era uma bolinha estufada, desapareceu nas profundezas de um buraco que surgiu sabe-se lá de onde. E, assim, tudo mudou. Eu, que nunca me preocupara com balanças, passei a ir regularmente a uma farmácia para me pesar, assustado com essa realidade inédita. E foi quando comecei a perceber que, dependendo do que, a partir de então, eu comia, a barriga crescia ou diminuía.

Tive de comprar calças novas. Mudar o buraco do cinto. O terno que usava desde os 18 anos foi doado. Comecei a sentir uma dor na lombar que nunca sentira antes, fruto do peso extra que agora transportava na grande pochete abdominal. Tudo mudou. Tive de formatar minha mente e recalibrá-la para entender que não dava mais para comer como antes comia, nem viver como antes vivia. Essa nova realidade me forçou a transformar o modo como eu pensava e agia.

Falando desse modo parece fácil, não é? Mas não foi. 27 anos acostumado a comer do jeito que queria, o que queria, quantas vezes por dia quisesse e, de repente, se ver obrigado a mudar tudo. Foi duro. Minhas refeições, antes descontroladas, passaram a ser planejadas. Alimentos tiveram de ser repensados, bem como a quantidade e a frequência de sua ingestão.

Hoje, aos 43 anos e com 83 quilos, continuo com aquela barriga protuberante, que, se eu seguir os passos de meu pai e meus tios, vai ficar ali para sempre, me presenteando com um perfil hitchcockiano. Nesses 16 anos, imergi em uma nova realidade alimentar e é até difícil, hoje, pensar em como era viver do jeito que vivi por 27 anos. Somou-se à protuberante barriga uma taxa nada simpática de colesterol, de origem genética, e o resultado teve de ser uma total renovação na minha maneira de me relacionar com a comida. Mudei. E é um caminho sem volta.

A conversão nos leva a algo parecido. Ser chamado por Cristo das trevas para a luz muda tudo. Mas, ao contrário do que muitos pregam, não é uma mudança que ocorra sem esforço. Vivemos por muitos anos de modo descontrolado e, de um dia para outro, somos obrigados a repensar toda a nossa existência. Práticas pecaminosas têm de ser abandonadas. Passamos a nos pesar diariamente em uma balança chamada “Palavra de Deus”, que denuncia quando saímos do rumo. O novo nascimento nos leva a isto: uma total renovação da mente e do coração.

Pecados que antes eram práticas naturais ao homem perdido precisam ser avaliados e deixados de lado. A maneira de nos relacionarmos conosco e com o próximo necessariamente se transformam. Precisamos pensar não mais por nossa conta, mas segundo a mente de Cristo. É metanoia, a transformação da mente e do coração.

Se você foi chamado por Cristo para a salvação por meio de sua graça, é preciso reavaliar tudo. Amizades, atividades, gostos, práticas, preferências… é uma lista extensa. O novo nascimento, como é um fenômeno sobrenatural, muda instantaneamente muito de nós, de um jeito que nem entendemos. Mas não há como fugir desta realidade: muitas inclinações ao que foi pensado e praticado por muitos anos permanecem, como um eco indesejado que se propaga mesmo depois de o grito ter cessado. E só conseguimos vencer essas inclinações mediante a renovação da mente e do coração.

A boa notícia: é possível. A má notícia: muitas vezes não será fácil. Eu, hoje, não tomo mais uma lata inteira de leite condensado de uma vez só, mas, às vezes, dá uma vontade! Olho para a pizza salivando, mas me restrinjo a uma pequena quantidade – e de vez em quando. Não dá para ser como antes, pois as coisas mudaram. Na vida espiritual é a mesma coisa: hoje não é mais você quem vive, mas Cristo vive em você. Você não tem mais como senhor o príncipe deste século, mas o Príncipe da paz. Você não é mais escravo do pecado, mas habitação do Espírito Santo. Sua condição mudou; portanto, suas ações precisam mudar.

Eu sei que você quer fazer o bem, mas o mal ainda reside em ti. Porque, no tocante ao homem interior, tem prazer na lei de Deus; mas vê, nos seus membros, outra lei que, guerreando contra a lei da sua mente, te faz prisioneiro da lei do pecado que está nos seus membros (Rm 7.21-23). Por isso, é preciso se reinventar, se repensar e lutar para abandonar as antigas praticas e as inclinações que seguem o eco da natureza carnal.

Quando eu tinha 55 quilos, comia tudo o que queria. Mas minha aparência era a de um homem doente, seco, esquelético. Hoje, com 83 quilos, tenho de abrir mão de prazeres que antes tinha, mas meu aspecto é muito mais saudável. O homem sem Deus é um cadáver ambulante; o homem com Deus é a vida eterna sobre duas pernas. Acredite: vale a pena qualquer esforço por isso. E você? O que ainda precisa mudar?

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Mauricio Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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