Posts com Tag ‘Pecado’

rachadura 1Eu contei: no último ano, saí 37 vezes de casa para pregar, em igrejas próximas ou distantes. Isso me levou a viajar muito pelo Brasil e, consequentemente, a ficar hospedado em diferentes hotéis. Algo interessante que percebi é que nunca um quarto de hotel, por mais simples ou luxuoso que seja, é perfeito. Isso me fez pensar um pouco sobre a perfeição – ou a falta dela. Em Brasília, o ar condicionado jogava ar gélido diretamente sobre a cama. Em Teresina, o ar condicionado estava pifado. Em Barra do Piraí, a janela do quarto dava para uma área cheia de popô de pombos. Em Jaboatão dos Guararapes, o vento na janela era tanto que era difícil dormir com o assobio do vendaval. Em João Pessoa, o chuveirinho do banheiro vazava e encharcava o quarto inteiro. Em Recife, o chuveiro minava água, que inundava o banheiro após cada banho – que era difícil de tomar porque ou a água ficava muito quente ou muito fria. E o telefone do quarto não funcionava. Em nenhum hotel havia tapete no box, o que me levou a sempre pôr uma toalha de rosto no chão para não escorregar. E por aí vai. 

Entenda, por favor: não estou reclamando, de forma alguma. Os hotéis foram todos muito agradáveis, reservados com muito carinho e atenção pela generosidade dos queridos irmãos que nos convidaram para pregar ou palestrar. As acomodações eram excelentes e nos permitiram descansar, repousar e ter sossego para orar em paz e nos preparar para as ministrações. Foram bênção e sou grato a cada irmão que convidou a mim, minha esposa e minha filha para ali ficar hospedados. O ponto para o qual desejo chamar atenção é que, embora fossem todos hotéis muito agradáveis, nenhum deles era absolutamente perfeito. Sempre havia algo que me obrigava a pedir auxílio na recepção para trocar de quarto ou improvisar algum tipo de solução. 

rachadura 2Eu e você somos como esses quartos de hotel. Temos muitas características boas, qualidades, virtudes e valores admiráveis. Somos pessoas cinco estrelas, pois fomos criados à imagem e semelhança do Criador. Mas jamais seremos perfeitos. Sempre haverá em nós algo a ser consertado, remendado, aperfeiçoado. Fomos criados como resultado do amor de Deus, mas o pecado que habita em nós faz com que algo sempre precise de ajustes. 

A grande vantagem de se adquirir essa percepção, em vez de posar de superssantos inerrantes, é que nos colocamos em nosso devido lugar e, com isso, nos tornamos mais graciosos com o erro alheio. Ao perceber que temos muitas imperfeições e falhas, somos levamos a tolerar e suportar os defeitos do nosso próximo com graça e compaixão. Afinal, não somos melhores do que ninguém e estamos todos no mesmo barco – aquele que transporta pecadores em processo de aperfeiçoamento pela vida até o dia em que chegaremos ao nosso destino final. 

Da próxima vez que você deparar com alguém que te incomoda, chateia ou entristece pelos defeitos que tem, lembre-se de que, se ele apresenta um vazamento de água, você está com seu ar condicionado pifado. Se o seu próximo não tem tapete no box do chuveiro, você tem janelas que assoviam constantemente pelo vendaval. Todos temos falhas: as suas apenas são diferentes das do seu próximo. Nem melhores, nem piores: só diferentes. 

rachadura 3O pior tipo de cristão é o que se põe acima dos demais, seja moralmente, seja espiritualmente, seja intelectualmente. Há quem creia na depravação total da humanidade – que nos iguala a todos – mas age com quem ele considera estar errado com arrogância, altivez, soberba. Apresenta-se como detentor de conhecimento superior, de mais santidade, de mais cristianismo. E se esquece de que sua goteira pinga dia após dia, inundando o quarto de sua alma. Falta de graça. Falta de amor. Falta de compaixão. Falta de autocrítica. Falta de Cristo. 

Se você considera que alguém está errado, lembre-se de que você também está. Ele erra em A, você erra em B. Sua moral não é irretocável. Seu conhecimento teológico não é inerrante. Sua espiritualidade não é inequívoca. Seu relacionamento com Deus é cheio de buracos. Você é falho, como eu, como qualquer outro. Tenha humildade, pelo seu próprio bem. E porque não haveria nenhuma razão para não ter.

rachadura 4Na maioria das ocasiões, tive de solicitar auxílio à recepção do hotel. Por vezes me mudaram de quarto, em outras  mandaram alguém da manutenção, em outras tantas solucionaram a questão trocando aparelhos defeituosos. Recomendo que você procure o grande Recepcionista da sua vida e peça a ele ajuda para consertar as suas imperfeições, sabendo que para cada tipo de problema há uma solução diferente. Preocupe-se mais com os seus vazamentos e defeitos do que com os do próximo. Acredite: já será um grande avanço se você conseguir que a goteira ou o ar gélido da sua própria alma seja consertado. 

Aí, então, com a convicção de que você é um daqueles quartos de hotel cinco estrelas mas, por baixo das partes restauradas, bem cheio de rachaduras,  ajude seu próximo a solucionar o telefone quebrado dele, com amor, carinho, encorajamento, paciência e graça. Ao fazer isso, em vez de agir como alguém petulante e acusador, você de fato estará exercendo seu papel como filho de Deus e cidadão do Reino dos céus. 

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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reclamao 1Escrevo este texto dentro de um avião, a caminho de Recife, onde vou pregar. Sentados nas poltronas à minha frente há dois homens, conversando em voz alta, o que me permite ouvir todo o diálogo. Um é peruano e o outro, alemão e ambos estão de férias no Brasil. O que me impressiona no papo deles é que tudo gira em torno do que existe de ruim em nosso país: passagens de avião muito caras, sujeira nas ruas, pobreza, um monte de coisas. Eles reclamam, reclamam e reclamam. Ou, em linguagem bíblica, murmuram, murmuram e murmuram. Confesso que a conversa começou a me incomodar, como brasileiro que reconhece os problemas que temos mas, ainda assim, ama o Brasil e quer vê-lo melhorar cada vez mais. Não me incomodo pelo que estão falando, tudo é verdade e temos de reconhecer as falhas de nossa pátria. Meu incômodo deve-se ao fato de os dois cavalheiros se restringirem a falar mal, ridicularizar, reclamar… sem propor coisa alguma nem fazer nada para consertar o que está errado: é a murmuração pela murmuração. O que, aliás, é um tipo de comportamento muito comum: adoramos murmurar, mas pouco agimos no sentido de resolver os problemas – o que é absolutamente inútil. Será que você costuma fazer isso?

O exemplo bíblico clássico de murmuração é o do povo de Israel no deserto, nos quarenta anos que levou entre o Egito e a Terra Prometida. Eles só conseguiam ver o que havia de ruim na situação: falta de carne, calor, cansaço, escassez de água, a demora de Moisés no monte… só viam a metade vazia do copo. E foi isso que irritou Deus. Povo ingrato. De dura cerviz. Reclamão. Murmurador. “Contendeu, pois, o povo com Moisés e disse: Dá-nos água para beber. Respondeu-lhes Moisés: Por que contendeis comigo? Por que tentais ao SENHOR? Tendo aí o povo sede de água, murmurou contra Moisés e disse: Por que nos fizeste subir do Egito, para nos matares de sede, a nós, a nossos filhos e aos nossos rebanhos?” (Êx 17.2-3). 

reclamao 2Costumamos criticar os israelitas por sua postura, mas, com muita frequência, fazemos a exata mesma coisa. É muito comum reclamarmos da vida mas fazermos pouquíssimo para melhorar as coisas. Reclamamos do governo, da alta do dólar, da corrupção, do chefe, do emprego, da professora, dos pais, da saúde, da goteira, do aumento dos preços, das ruas esburacadas, da ciclovia, da pobreza, da chuva, do sol, das formigas, de Marte, da física quântica, da tonga da milonga do cabuletê,…meu Deus! Tá tudo ruim! 

A grande questão é: o que cada um de nós faz para melhorar o que está ruim? Esse é o ponto. 

A vida na terra é imperfeita. As pessoas são pecadoras. O mundo jaz no maligno e nele teremos aflições. Essa é a realidade da existência. Então o fato de haver problemas não deveria nos surpreender, é previsível que haja. O que devemos pensar é: como reagir a eles? Murmurando, reclamando, xingando e esbravejando… ou fazendo algo a respeito?

Breclamao 3asta passarmos meia hora passeando pelo Facebook e parece que mergulhamos no oceano da murmuração. E estou falando de nós, cristãos. Vejo irmãos em Cristo reclamando do governo, da militância gay, dos arminianos, dos calvinistas, dos pentecostais, dos cessassionistas, da teologia da prosperidade, do pastor fulano, do cantor sicrano, da igreja institucional, da igreja desigrejada, do líder que inventou um novo título para si, dos hereges, dos outros hereges, de mais tantos outros hereges… mamma mia. O problema é que a maioria que vejo reclamar está apenas… reclamando. Talvez nem ore a respeito. Tampouco tome atitudes concretas para melhorar o que está errado, não busca dialogar com os equivocados, sair em auxílio dos desassistidos, conversar com os desviados, discipular os desencaminhados. Parece que reclama pelo puro prazer de reclamar. E isso não ajuda em nada. Há pessoas que basta eu ver a foto na timeline e já tenho certeza de que a postagem será negativa, pesada, murmuradora, acusadora. E vai ficar por isso mesmo, porque a pessoa não vai além da reclamação. Não faz nada a respeito. Só reclama. E no dia seguinte, reclama mais. E, depois, reclama de novo. E assim por diante. 

Temos de agir para que as coisas fiquem melhores. Tomar atitudes. Ter iniciativa. Orientar, abraçar, ensinar, encontrar, conviver. Investir tempo, esforço e energias. Reclamar por reclamar só faz de nós reclamões. Mais ainda: inúteis reclamões. Pois o blá-blá-blá por si só não faz de você um apologeta, um reformador, um herói da fé, nada disso. Faz de você… um murmurador cuja murmuração não gera nada de positivo. É inócua. Placebo. Você vira um reclamão admirado por um séquito de reclamões que gostam de quem reclama boas reclamações. Mas consequências práticas eficazes e transformadoras? Zero. 

reclamao 4Se você identifica que algo está mal, aja! Aja em prol do bem. Só falar não adianta se você não transformar essa reclamação em ação. Ponha a mão na massa. Faça acontecer. E aí, quem sabe, a sua murmuração vai virar, de fato, apologia, reforma, evolução, edificação – e, com isso, você deixará de ser um bem preparado especialista em reclamação e se tornará um bem-sucedido promotor de  mudanças, renovação da mente, cristianismo pratico. Deus não ficou olhando a humanidade pecadora e murmurando “Como eles pecam! Quanta transgressão! Que coisa horrível! Bando de desviados! Seus hereges!”. Pelo contrário, ele agiu: “Porque Deus tanto amou o mundo que deu o seu Filho Unigênito, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna. Pois Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para condenar o mundo, mas para que este fosse salvo por meio dele” (Jo 3.16-17).

O peruano e o alemão desembarcaram no aeroporto, apertaram as mãos e se despediram, seguindo seu caminho e deixando para trás os problemas sobre os quais tanto falaram. Desfrutaram do prazer de murmurar, mas viveram o desprazer de somente murmurar, sem serem em nada úteis na solução dos problemas que apontaram. Eu não quero isso para minha vida. Peço a Deus que no meu epitáfio conste não algo como “Aqui jaz alguém que murmurou e reclamou com bons argumentos e belas palavras”, mas, sim, algo como “Aqui jaz alguém que agiu de fato no sentido de mudar o mundo e as pessoas para melhor”. E você? Qual é a sua escolha? 

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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refugiados islamicos 1Todos assistimos com o coração sangrando à tragédia que ocorreu em Paris, na França. Terroristas do Estado Islâmico mataram a sangue-frio dezenas de pessoas, num ataque coordenado e assustador. Passado o espanto, o que eu e muitos sentimos foi revolta. Raiva. Ira. Ódio. Tudo o que conhecemos como justo e bom foi metralhado nessa ação maligna, em que prevaleceram o fanatismo, a loucura, a maldade, o desprezo pela vida, os lados mais obscuros e diabólicos do ser humano corrompido pelo pecado. Confesso que meu senso de justiça gritou dentro de mim e o que dominou cada fibra do meu ser foram sentimentos nada bonitos. Mas comecei a pensar, li artigos de irmãos em Cristo, acalmei o espírito e procurei ouvir a voz do Cordeiro. E fui lembrado de que ódio não se vence com ódio, assim como fogo não se apaga com fogo. 

Pouco depois de tomar conhecimento dos atentados em Paris, li uma reportagem dizendo que o Estado Islâmico teria infiltrado 4 mil terroristas entre os refugiados que estão justamente escapando dos massacres promovidos por esse califado terrorista em países como a Síria. A ideia deles seria inserir em diversos países ocidentais militantes do Estado Islâmico, que no futuro viriam a cometer atos de terror em deferentes nações. Ao ler isso, me arrepiei e logo comecei a pensar que deveríamos impedir a entrada desses refugiados no Brasil. Sim, o medo e a raiva tinham nublado meu discernimento e me arrastado sem que eu me desse conta para um estado de ódio. É assim que o pecado age, afinal. 

refugiados1Mas, ao ler alguns textos, orar e acalmar meu coração, me dei conta do gigantesco erro que estava cometendo. Porque Jesus nos ensinou que não devemos devolver mal com mal e que a compaixão, a misericórdia e o perdão precisam prevalecer, caso contrário, nos tornaremos pessoas amarguradas, raivosas e que priorizam o ódio ao amor. Entenda que essa postura não despreza a justiça. Devemos buscar a punição dos culpados. Precisamos lutar contra a maldade. É essencial combatermos os maus para que eles não firam os bons. Mas não podemos deixar que nosso desejo de justiça seja maior que o nosso amor pelos inocentes. 

Falo isso especificamente no caso dos refugiados muçulmanos. Confesso humildemente o meu erro, pois meu pensamento imediato foi no sentido de militar contra a vinda deles ao Brasil. Não queria terroristas entrando em nosso país disfarçados de refugiados. Mas, então, me dei conta de que o medo e o ódio estava me levando a recusar ajuda aos inocentes com receio dos culpados. O medo estava vencendo a compaixão. E não existe nada menos cristão do que isso. 

Eu pequei. Confesso meu pecado. O cristão deve sempre colocar a compaixão acima do egoísmo e eu não estava fazendo isso. Não podemos negar ajuda e acolhida a refugiados que foram expulsos de suas casas por terroristas com medo de que o terror nos alcance. Isso seria  desumano. E, se fizéssemos isso, nos tornaríamos tão desumanos quanto os terroristas. 

Ser cristão significa correr riscos. Amar é extremamente arriscado. Cristo enfrentou muitos perigos por mim e por você. Deus  amou o seu diferente de tal maneira que nos entregou Jesus para morrer na cruz por nós. Amemos o nosso diferente. Até porque os refugiados islâmicos podem ter muitas coisas diferentes de nós, mas nunca pode fugir de nossa lembrança que eles são o nosso próximo. E temos de amá-los como a nós mesmos. 

cravos nas maosEstou envergonhado por ter deixado o ódio suplantar o amor em meu coração. Temos de dar de comer a quem tem fome, de beber a quem tem sede e acolher quem não tem onde morar. Temos de amá-los e fazer a eles o que gostaríamos que fizessem a nós. Ao fazer isso, estaremos vivendo Cristo e o apresentando de forma palpável a quem não o conhece. Esse é o nosso papel. Isso abre possibilidades de perigo para nós? Sim, abre. Mas não podemos deixar de ser o que Cristo é por medo. No passado, muitos foram jogados aos leões por amor a Jesus. Hoje, devemos fazer o mesmo. 

O amor tem de vencer. Mesmo que isso nos custe a vida. Qualquer pensamento menor do que esse não carrega em si o direito de ser chamado de “cristão”. Ame como Cristo amou. É o único meio de vencer o ódio.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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Pode soar estranho eu dizer isso, mas o seu pecado pode ser muito útil para ajudá-lo a viver uma vida de santidade. Aliás, permita-me ser um pouco mais específico: não o pecado em si, mas a percepção do seu pecado. É quando você se dá conta de que peca todos os dias, e muito, que passa a olhar para os demais pecadores em igualdade de condições, compreendendo que você não é moralmente superior a ninguém. Pois o fato de termos a natureza pecaminosa em nós nos nivela a todos, algo que só Jesus é capaz de desfazer. É ao confrontar-se com sua inclinação incorrigível para fazer o mal que percebe que os demais pecadores são simplesmente o que você também é: alguém que erra vez após vez e carece da graça divina. 

A percepção do nosso pecado retira de nossos olhos a soberba, de nossos lábios a acusação e de nosso coração a arrogância. É ao nos percebermos culpados de tantas falhas que somos capazes de estender uma mão restauradora ao pecador, em vez de um dedo acusador. Miseráveis homens que somos, sujeitos à escravidão do pecado e às tentações mais vis. E quantas vezes sucumbimos! É… não temos o direito de nos colocarmos num patamar moral superior ao dos outros pecadores. O que temos é o direito de clamar pela misericórdia divina. Ajuda-nos, Senhor, em nossas misérias, pois não somos melhores que nossos pais…

Eu valorizo o meu pecado. Não por ele merecer minha valorização. Eu o odeio. Eu o abomino. Assim como abomino o seu pecado. Assim como abomino qualquer pecado. Mas o meu pecado é uma pedra no sapato que constantemente, a cada passo de minha jornada, ajuda a me pôr no meu devido lugar: pó. Nesse sentido, ele é um indesejável aliado, que constantemente me recorda de que o único caminho é ser misericordioso com os meus iguais: aqueles que pecam todos os dias. 

Não tenho opção a não ser estender compaixão e perdão. Pois preciso fazer ao próximo o que gostaria que fizessem a mim. E ai de mim se não fosse a misericórdia e a compaixão e, acima de tudo, a graça, que me trata como se eu não fosse pecador. Não ser gracioso não é uma opção. Mas quem gosta de ser gracioso? Nós queremos é ver sangue! Só que, se não vivo mais eu, mas Cristo vive em mim, eu não importo. Tenho de negar a mim mesmo, tomar a minha cruz e seguir o manso Cordeiro. 

Valorize o seu pecado, para que se lembre constantemente dele e faça de tudo para esmagá-lo. Jesus nunca se esqueceu do seu pecado, tanto que subiu à cruz para que um dia você pudesse, enfim, se ver livre dele. Esse dia chegará. Num lugar chamado eternidade você não terá mais de conviver com pecado algum. Até lá, que ele sirva como um lembrete continuo de que você não é melhor do que ninguém. 

E ainda assim, Deus te ama. Que amor sublime e extraordinário…

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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tardio para falar 2“Sabeis estas coisas, meus amados irmãos. Todo homem, pois, seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar. Porque a ira do homem não produz a justiça de Deus. Portanto, despojando-vos de toda impureza e acúmulo de maldade, acolhei, com mansidão, a palavra em vós implantada, a qual é poderosa para salvar a vossa alma. Tornai-vos, pois, praticantes da palavra e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos” (Tg 1.19-22). É uma ordem bíblica: devemos ser tardios para falar. Não é uma sugestão, não é uma dica: é um mandamento. Quanto mais eu fico velho, mais percebo quanto o silêncio é um tesouro precioso. Mais ainda, percebo quanto a pressa em emitir uma opinião é inimiga da fé cristã, pois, muitas vezes, as palavras que você dirá de forma apressada e abrupta trazem consigo ira, raiva, deboche, sarcasmo e outros sentimentos que não devem ser alimentados no coração de quem deseja se conformar à imagem de Cristo.

Muitas vezes soltamos palavras que apenas funcionam como lenha na fogueira e falamos movidos por impulso ou ira. Por isso, fica aqui o meu conselho, que, na verdade, é mandamento bíblico: demore para falar sobre algo mais do que as pessoas esperam. Se você perceber que a sua fala será carregada de ódio ou rancor, o melhor é silenciar, refletir, ouvir e ler outros pontos de vista, esfriar a cabeça e só então abrir a boca. Afinal, a Escritura determina: “Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, e sim unicamente a que for boa para edificação, conforme a necessidade, e, assim, transmita graça aos que ouvem. E não entristeçais o Espírito de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção. Longe de vós, toda amargura, e cólera, e ira, e gritaria, e blasfêmias, e bem assim toda malícia. Antes, sede uns para com os outros benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus, em Cristo, vos perdoou” (Ef 4.29-32). 

tardio para falar 3Não devermos falar nada quando somos movido pela ira, “Porque a ira do homem não produz a justiça de Deus”. Temos de ser praticantes da palavra, pois é ela que determina: “Alegrai-vos com os que se alegram e chorai com os que choram. […] Não torneis a ninguém mal por mal; esforçai-vos por fazer o bem perante todos os homens; se possível, quanto depender de vós, tende paz com todos os homens; não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira; porque está escrito: A mim me pertence a vingança; eu é que retribuirei, diz o Senhor” (Rm 12.15-19). 

tardio para falar 4Nosso papel como cristãos não é exercer qualquer tipo de retribuição a qualquer atitude leviana: Deus mesmo é quem fará isso. O meu e o seu papel não é devolver mal com mal; é, isto sim, abrir espaço para que a justiça divina trate com as pessoas. Nosso papel não é atacar malfeitores, mas tratar dos machucados, cuidar dos feridos, abençoar e amparar as vítimas, chorar com os que estão tristes e decepcionados, deixando que o todo-poderoso Deus trate com a maldade humana da forma que ele considerar melhor.

Eu sei que você ainda vai enfrentar na sua vida muitas situações em que dá vontade de soltar o verbo, agredir, destratar, emitir opiniões raivosas sobre absurdos que acontecem, escrever verdades contundentes nas redes sociais sobre situações lamentáveis que ocorrem no nosso mundo. Sim, isto ocorrerá muitas vezes: você deparará com injustiças, maldades, abusos, opiniões inacreditáveis, ações que nos revoltam. Sim, você sentirá frequentemente vontade de soltar os cachorros em forma de palavras. Não estou dizendo que isso pode acontecer, estou afirmando que isso vai acontecer. E, quando acontecer, eis a síntese do que eu gostaria de que você se lembrasse: 

Todo homem, pois, seja tardio para falar, tardio para se irar, porque a ira do homem não produz a justiça de Deus. Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, e sim unicamente a que for boa para edificação. Chorai com os que choram e não vos vingueis a vós mesmos, mas dai lugar à ira, porque Deus é que retribuirá. 

tardio para falar 5Valorize o silêncio. Valorize o pouco falar. Valorize a passagem do tempo sobre a sua ira. Valorize o consolar mais do que o se posicionar. Quando você vir a maldade humana em ação, dedique-se mais à oração e ao perdão do que a soltar o verbo. Ponha isso em prática e você verá Deus agir, no tempo dele e da forma dele, honrando os que fazem o bem e disciplinando os que fazem o mal, para que esses se arrependam e se convertam de seus maus caminhos. E, assim, o nome do Senhor será glorificado, ao ver seus filhos agirem não segundo as inclinações da carne, mas segundo as belas e eficazes verdades do evangelho. E não se esqueça de que o próprio Deus “foi oprimido e humilhado, mas não abriu a boca; como cordeiro foi levado ao matadouro; e, como ovelha muda perante os seus tosquiadores, ele não abriu a boca” (Is 53.7). Cristo deu o exemplo. Sigamos o Mestre.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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parasita 1Todos já fizemos a oração que o Senhor nos ensinou, conhecida como “o pai-nosso”. Logo, já pedimos muitas e muitas vezes: “Livra-nos do mal” (Mt 6.13). Diga-me se estou errado, mas acredito que, na esmagadora maioria das vezes, quando você faz esse pedido a Deus, é numa referência a males externos. Assim, rogamos ao Senhor que nos livre de coisas como acidentes, assaltos, ataques, maledicências, doenças, más influências, forças espirituais da maldade, violência e outras semelhantes. No entanto, nenhum desses males é tão destrutivo quanto os que nos acometem interiormente: pensamentos poluídos, ódio, arrogância, inveja, egoísmo, cobiça, desamor, vaidade… pecados, enfim. Nada que venha de fora é tão avassalador quanto o mal que habita em nós.
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Se eu pedir para você completar a seguinte frase, como você completaria? “Eu sou habitação do…”. Por favor, não continue a ler este texto antes de completar essa frase. Completou? “Eu sou habitação do…”? Pronto? Completou? Ok, podemos prosseguir.
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Eu estaria certo se achasse que você disse “Eu sou habitação do Espírito Santo“? Bem, se você respondeu isso, está certíssimo. Porém, é uma resposta incompleta. Veja o que Paulo escreveu: “Ora, se faço o que não quero, consinto com a lei, que é boa. Neste caso, quem faz isto já não sou eu, mas o pecado que habita em mim. Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum, pois o querer o bem está em mim; não, porém, o efetuá-lo. Porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço. Mas, se eu faço o que não quero, já não sou eu quem o faz, e sim o pecado que habita em mim.” (Rm 7.16-20).
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Interessante. Nessa passagem, Paulo – apóstolo de Cristo, convertido, salvo, crente, santo, justificado, regenerado, adotado por Deus como filho – admite que nele habita… pecado. Então, biblicamente, eu posso afirmar: “Eu sou habitação do Espírito Santo e, também, do pecado”. Que complicado…
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parasita 2Sim, eu e você somos morada do Altíssimo e, ao mesmo tempo, de uma natureza pecaminosa que cisma em não nos deixar em paz. E é justamente dessa inclinação inata para fazer o que é mal que devemos pedir que o Senhor nos livre. Os piores pecados de minha vida não foram culpa de ninguém além de mim mesmo. Eu sou o meu maior inimigo. O Diabo não é, até porque eu não sou habitação do Maligno, toda influência que vem das forças espirituais da maldade é externa. Tudo o que ele e seus asseclas fazem é instigar o pecado que indesejavelmente já se encontra em mim, para que me conquiste. E, se eu deixar, é o que vai acontecer, “Pois do coração saem os maus pensamentos, os homicídios, os adultérios, as imoralidades sexuais, os roubos, os falsos testemunhos e as calúnias. Essas coisas tornam o homem impuro” (Mt 15.19-20). Meus maiores inimigos não são de fora de mim, são de dentro. Vêm do meu enganoso coração.
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Temos de empurrar esse inquilino maldito que é o pecado para o quarto dos fundos de nosso ser e permitir que o Espírito Santo tome conta de todos os outros cômodos. E só conseguiremos isso desenvolvendo cada vez mais intimidade com o Criador, mediante um diálogo mais e mais frequente e profundo com ele – diálogo esse que se dá pela oração e o estudo da Bíblia. Não existe fórmula mágica: ou você se aproxima de Deus e achata o pecado que habita em você ou o que te espera pela frente é uma sucessão de quedas.
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cruz de CristoPai, livra-nos do mal. Esse mal chamado pecado, parasita que vive em nossas entranhas e se alimenta de nossas vontades, nosso ego, nossas vaidades e nossa teimosa autossuficiência. Livra-nos do mal que há em nós, para que o desejo racional de fazer o bem não seja suplantado pelo impulso irracional de fazer o mal. Não é fácil, e o Senhor nunca disse que seria. Mas, se somos fracos, é nessa fraqueza que teu poder se aperfeiçoa. Ajuda-nos. Livra-nos. Amém.
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Paz a todos vocês que estão em Cristo,
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dizimo 1

Existe muito debate em nossos dias com relação ao dízimo. Em grande parte, essa instituição cristã – que não foi questionada por séculos – começou a sofrer muitos ataques nas últimas décadas por causa de abusos cometidos por determinados segmentos que se dizem evangélicos e são adeptos da “teologia” da prosperidade. Esses abusos cometidos com relação aos dízimos e ofertas, capazes de chocar pessoas cristãs ou não cristãs, acabaram demonizando o dízimo e as ofertas fora da igreja e, até mesmo, em certos setores dentro dela própria. Ao ver os métodos absurdos que vêm sendo usados pelos tais para convencer fieis a dar dinheiro para igrejas, com argumentos antibíblicos, os não cristãos passaram a ver a entrega de dízimos e ofertas apenas como um golpe bem aplicado por líderes eclesiásticos espertalhões para enriquecer às custas da credulidade de incautos. Por outro lado, surgiu com toda força um movimento dentro da própria igreja que advoga que não é ordenança bíblica a entrega do dízimo em nossos dias. Pois bem: eu  entrego o meu dízimo. Mais do que isso: estou ensinando minha filha fazer o mesmo. E explico por quê.

Acredito que existem virtudes humanas e cristãs que se manifestam de forma muito mais enfática quando temos de mexer no bolso. Admitamos: poucas coisas na vida são tão importantes para o ser humano como o dinheiro. Trabalhamos, investimos, nos esforçamos e fazemos muitas coisas para poder receber nosso merecido dinheirinho. É com ele que compramos alimentos e outras necessidades básicas e também nos damos ao luxo do supérfluo, aquilo que, se não tivéssemos, não faria nenhuma diferença – mas que adoramos ter. Naturalmente, abrir mão de uma fatia dos rendimentos tira de nossas mãos a possibilidade de adquirir grande parte daquilo que queremos ter, por isso é tão difícil abrir mão de dez por centro de sua renda.

dinheiroEvidentemente, o primeiro argumento contra ou a favor do dízimo deve ser seu fundamento bíblico: seria a entrega do dízimo às igrejas um mandamento bíblico para os nossos dias? Na verdade, esse é o argumento que eu menos quero abordar aqui, pois não tenho nada de novo a trazer a esse debate quanto à canonicidade do dízimo. As discussões sobre isso já foram exaustivamente feitas e estão fartamente disponíveis na internet, você pode pesquisar e vai encontrar argumentos enfáticos contra e a favor do dízimo, com base em muitos argumentos bíblicos de um lado e de outro. Entrar por esse caminho aqui seria chover no molhado. Para esta argumentação, basta eu dizer que, pessoalmente, convenceram-me os argumentos de que, sim, o dízimo é um mandamento bíblico para os nossos dias. Mas há outras questões. Vamos supor que eu acreditasse que não houvesse uma ordem divina para que entregássemos o dízimo. Ainda assim eu ensinaria minha filha a entregá-lo, por diversos motivos. E são esses motivos que, acredito, conferem ao dízimo beleza e virtude.

criancas-259x300Primeiro, eu desejo que minha filha seja uma pessoa generosa. E a única maneira de se aprender a generosidade é abrindo mão daquilo que é importante para você. Não acredito que ninguém nasça generoso, basta você olhar as crianças pequenas, que batem e mordem umas às outras porque querem ficar com o brinquedo do momento. Vi isso repetidas vezes na escola de minha filha, quando ela e seus colegas se estapeavam na disputa por brinquedinhos, livros e outras coisas. Vejo isso sempre que me deparo com crianças no seus primeiros anos de vida. Portanto, acredito que generosidade é uma virtude que se aprende e se desenvolve. Tenho procurado ensinar minha filha a ser generosa, seja estimulando-a a doar parte de seus brinquedos e roupas, seja dividindo o lanche com os amigos, seja aproveitando qualquer oportunidade que eu tenho para dizer a ela que fico orgulhoso quando ela compartilha o que tem. Tenho lhe ensinado que melhor coisa é dar do que receber. Ela já tem seus cofrinhos, onde deposita moedinhas que recebe por uma ou outra razão, e quero ensiná-la a tirar parte dessas moedas para dar a outras pessoas e à igreja. Se isso for bem exercitado, creio estar contribuindo para fazer dela uma mulher generosa e caridosa.

Young woman walking with shopping bags, low sectionSegundo, não quero que minha filha seja uma pessoa materialista, isto é, que valoriza excessivamente os bens materiais e procura satisfação ou compensações em coisas, objetos. Tenho lhe ensinado que não devemos acumular tesouros nesta terra e isso passa por compreender que tudo aquilo que temos nesta vida é passageiro, não tem valor em si mesmo e é apenas um instrumento para coisas maiores, mais valiosas e eternas. Uma excelente maneira de ensiná-la a se desapegar dos bens materiais é mostrando o que verdadeiramente importa, para que ela consiga se desfazer, sem dor no coração, de objetos e valores. Por exemplo, eu jamais digo a ela, em nenhuma ocasião, que uma roupa que ela vista faz com que fique mais bonita; pelo contrário, sempre que ela chega toda orgulhosa para me mostrar uma roupa nova que ganhou eu digo: “Bebê, você deixou essa roupa linda!”. Assim, em tudo o que faço procuro mostrar-lhe o que verdadeiramente tem valor. E tenho ensinado que não se pode servir a Deus e às riquezas, sendo que riquezas se traduzem não só em dinheiro, mas naquilo que se pode acumular a partir do uso do dinheiro. Entregar o dízimo é uma excelente  forma de abrir mão de ter uma série de benefícios materiais em função de algo mais sublime.

ddddTerceiro, eu quero que ela entenda a importância da estrutura que sustenta a Igreja de Cristo nesta terra. Isso pode se referir a diversas coisas, como a igreja local, ministérios de ajuda humanitária, organizações missionárias e muitas outras iniciativas. Procuro mostrar a ela que essa estrutura só existe se nós, cristãos, contribuirmos materialmente para que elas continuem funcionando. Porque qualquer uma delas só é capaz de existir se houver quem a mantenha. Jamais vou ensinar a minha filha que ela deve entregar o dízimo à igreja como uma forma de barganhar bênçãos com Deus. Pelo contrário, vou lhe explicar que o dízimo ajuda a pagar a conta de luz da igreja, a pintar as paredes do santuário onde nos reunirmos, a sustentar os pastores que se dedicam a cuidar em tempo integral das ovelhas, a comprar cestas básicas para ajudar os mais necessitados, a financiar iniciativas que contribuíram para levar o evangelho a muitos lugares. Com isso, estou ensinando que a proclamação do evangelho neste mundo material em que vivemos depende de recursos que só virão daqueles que já foram alcançados pelo evangelho, sem que haja nenhum tom de interesse pessoal nisso; mas, sim, como uma expressão de amor pelo Reino de Deus.

Quarto, ao entregar o dízimo, ela está exercitando virtudes do fruto do espírito, como, por exemplo, o domínio próprio. Quando se deseja comprar algo com aquele dinheiro, é preciso autocontrole para se manter fiel ao propósito de contribuir financeiramente com o dízimo. Assim, quando é difícil tirar uma parcela do seu salário, entregar o dízimo nos ajuda a fazer aquilo que acreditamos acima daquilo que queremos. É um modo de negar-se a si mesmo para seguir após Cristo.

casa sobre a rochaQuinto, é preciso ter muita convicção do que se crê para ser um cristão no mundo de hoje. Não é fácil agir e defender os valores que nos conduzem diante de um mundo para o qual os preceitos bíblicos não fazem o menor sentido. Ao ensinar  minha filha a ser uma dizimista, também estou ensinando que ela deve agir segundo a sua fé e não segundo aquilo que todas as outras pessoas ao redor dizem que ela tem de fazer. Exercitar a entrega do dízimo quando começar a ganhar mesada e assumir isso na frente dos colegas de escola fortalecerá muito a sua firmeza e postura de nadar contra a corrente dos valores mundanos, mantendo-se firmemente alicerçada na rocha. Assim, no dia em que todas as suas amigas resolverem assumir um comportamento sexual em desacordo com a fé cristã, ela terá a capacidade de ser diferente, apesar das piadas e tudo mais que ouvirá. Ou no dia em que todos os amigos da faculdade forem fumar maconha numa festa, ela terá a firmeza de personalidade para não participar quando todos estiverem fumando juntos. Ou, ainda, no dia em que ela for trabalhar em uma empresa em que a maioria de seus colegas desonra a chefia ou até mesmo dá desfalques financeiros, ela conseguirá se manter íntegra e separada de tudo aquilo de errado que for feito ao seu redor. A entrega do dízimo já na infância é um excelente treinamento para fazer o que ninguém mais faz com a cabeça erguida e sem se deixar guiar pelos comentários e pelas críticas dos outros.

Essas são algumas razões que me levam a ensinar a minha filha a importância de entregar o dízimo. Peço a Deus que ela cresça compreendendo os verdadeiros motivos pelos quais nos desapegamos de uma parte da nossa renda, pois acredito firmemente que isso fará com que ela desenvolva muitas virtudes fundamentais para a vida de um cristão. Creio que é um preceito bíblico? Sim, creio. Mas, mesmo que não acreditasse nisso, eu daria o dízimo e estimularia todos que o fizessem, pois o desapego do dinheiro contribui para que qualquer um de nós manifeste qualidades que, simplesmente, não têm preço.

“Não acumulem para vocês tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem destroem, e onde os ladrões arrombam e furtam. Mas acumulem para vocês tesouros nos céus, onde a traça e a ferrugem não destroem, e onde os ladrões não arrombam nem furtam. Pois onde estiver o seu tesouro, aí também estará o seu coração” (Mt 6.19-21).

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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