Arquivo da categoria ‘Polêmicas’

Teremos eleições este ano. A população brasileira já está, há um bom tempo, pensando sobre isso, escolhendo seu candidato, refletindo sobre as mudanças (ou não) que deseja para o nosso país. E nós, cristãos, não estamos de fora dessa situação: como cidadãos brasileiros, participamos do processo eleitoral, conversamos sobre política, gostamos de uns candidatos e não gostamos de outros. Até aí, tudo bem, faz parte. Porém, tenho visto – e, possivelmente, você também – debates entre cristãos sobre a política nacional serem realizados de maneira nada cristã. Isso me fez refletir sobre se existe um modo bíblico de discutir política, em especial, neste ano de fortes emoções eleitorais. Gostaria de refletir com você sobre essa questão. E, de saída, deixe-me frisar: esta não é uma reflexão política, mas sobre valores do evangelho e da nossa coerência em vivê-los quando pisamos no gelo fino de nossas paixões humanas.

Atualmente, poucos assuntos fazem cristãos se comportarem como se não fossem cristãos tanto quanto a política brasileira. Eu falo muito pouco sobre o assunto aqui no blog e nas redes sociais, justamente para evitar que as pessoas explodam em suas paixões ideológicas devido a algo que eu vier a escrever. Infelizmente, nas poucas vezes em que comentei algo sobre política, deparei com reações que me assustaram. Explosões, ofensas, desqualificações, ataques pessoais – tudo, como consequência de comentários naturais e da exposição de opiniões.

A triste realidade é que existem pessoas cujas paixões por políticos, partidos e ideologias mostram ser maiores do que seu amor por Cristo e pelo próximo. São cristãos, frequentam cultos, leem a Bíblia, cantam louvores, postam versículos nas redes sociais e se parecem com qualquer outro cristão. Mas, isso, só até alguém incomodá-los em suas paixões políticas e ideológicas. Quando isso acontece, eles explodem em ataques e posicionamentos bastante carnais e mundanos.

Para que você entenda de modo prático sobre o que estou falando, deixe-me dar dois exemplos que aconteceram comigo. No início do ano, publiquei uma foto no meu facebook que tirei junto a um dos candidatos à presidência deste ano, a quem encontrei em Brasília. No texto, eu não disse nada sobre se votaria ou não nessa pessoa, apenas falei que era interessante ouvir o que tal indivíduo tinha a dizer sobre certos assuntos. Mesmo assim, tive de ler comentários de pessoas que me acompanham há anos dizendo coisas escabrosas sobre a pessoa, sobre mim e sobre a foto. Mas tudo bem, coisas da vida, vamos em frente.

Há duas semanas, postei, também no facebook, um comentário sobre o fato de o desembargador petista ter tentado libertar o ex-presidente Lula da prisão – em minha opinião, uma manobra visivelmente parcial do magistrado, um homem que construiu sua história profissional como militante do partido do ex-presidente. Posso estar errado, mas é minha opinião. Bem, para que fiz a postagem? Logo, dois irmãos em Cristo me ofenderam nos comentários. Um deles escreveu: “Maurício, escreve uma nota de repúdio contra o ministro do supremo Alexandre do PSDB e PMDB, ao arquivar todas as denúncias contra Aécio Neves e seus pares. Deixa de ser parcial! [Você] é bem melhor escrevendo os livros de ‘autoajuda’ que seus comentários políticos”.

Meu queixo caiu. Pisquei algumas vezes. Custei a acreditar no que estava lendo. Aquele irmão em Cristo, aluno de seminário teológico, membro de uma denominação que carrego em meu coração, atacou-me pessoalmente e chamou o que escrevo, depreciativamente, de “autoajuda” simplesmente porque a minha opinião divergia da dele em questões políticas. Na verdade, minha divergência nem era política, mas sobre a correta aplicação da justiça. Era bíblica. Porque Deus criticou muitas vezes, por meio de profetas como Amós e Oseias, o fato de juízes de Israel e Judá se corromperem e legislarem em prol de seus interesses e não de acordo com o que é correto. Portanto, quem ama a Bíblia e quem toma para si os valores que Deus deixou claros deve amar a justiça e sua correta aplicação pelos membros do poder judiciário. Doa a quem doer.

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Percebi que qualquer respeito que aquele meu “amigo” do facebook tinha por mim acabou em um segundo simplesmente porque divergimos em opiniões relacionadas ao cumprimento da justiça. Pior: essa divergência o levou a atacar não as minhas opiniões, mas a minha pessoa e aquilo que faço, chamando-me de parcial e chamando a literatura que escrevo de “autoajuda”. Doeu. E doeu ainda mais porque foi uma atitude de um irmão em Cristo. É isso que Jesus nos ensinou a fazer com pessoas que discordam de nós?

Esse episódio levou-me a muitos pensamentos. O que está acontecendo com a Igreja? O que está acontecendo com os cristãos? Desde quando, o evangelho de Cristo nos dá carta branca para tratarmos de maneira depreciativa pessoas que discordam de nós em algumas questões da vida? O que, afinal, o evangelho nos ensina sobre o posicionamento correto em meio a discordâncias?

Meu irmão, minha irmã, ao longo deste ano, você verá muitos debates político-eleitorais. Possivelmente, será atraído para participar de alguns, em especial nas redes sociais. Muita gente do seu círculo de relacionamentos se posicionará discordando de um monte de coisas em que você acredita. A questão é: o fato de ser um debate político lhe dá direito de colocar seu cristianismo de lado? O fato de alguém gostar daquele político ou daquele partido de que você não gosta lhe dá o direito de agir como um mundano, ofendendo, desmerecendo e desqualificando – e, no domingo, ir à igreja cantar, levantar as mãos e saudar com “a paz do Senhor” como se nada tivesse acontecido?

Creio que você sabe a resposta.

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O fato de você votar em Bolsonaro, Marina, Ciro ou qualquer outro candidato não me dá o mínimo direito, aos olhos de Deus, para destratar você ou enxergar em você menos dignidade do que Deus lhe confere. Você segue sendo filho ou filha, criado à imagem e semelhança do Senhor. Quem sou eu para tratá-lo de modo ultrajante simplesmente porque você tem visões ideológicas ou políticas diferentes das minhas? Eu seria um louco se fizesse isso, à luz do evangelho. Jesus nos alertou:

“Vocês ouviram o que foi dito a seus antepassados: ‘Não mate. Se cometer homicídio, estará sujeito a julgamento’.a Eu, porém, lhes digo que basta irar-se contra alguém para estar sujeito a julgamento. Quem xingar alguém de estúpido, corre o risco de ser levado ao tribunal. Quem chamar alguém de louco, corre o risco de ir para o inferno de fogo. Portanto, se você estiver apresentando uma oferta no altar do templo e se lembrar de que alguém tem algo contra você, deixe sua oferta ali no altar. Vá, reconcilie-se com a pessoa e então volte e apresente sua oferta. Quando você e seu adversário estiverem a caminho do tribunal, acertem logo suas diferenças. Do contrário, pode ser que o acusador o entregue ao juiz, e o juiz, a um oficial, e você seja lançado na prisão. Eu lhe digo a verdade: você não será solto enquanto não tiver pago até o último centavo” (Mt 5.21-26).

Não sei como você enxerga essas palavras de Jesus. Eu as enxergo com um monumental senso de temor e horror. São advertências gravíssimas, às quais multidões não dão nenhuma atenção. Acham legal e bonito Jesus ter dito isso, mas, na prática, basta alguém tocar no político ou no partido político de que são tietes para fazerem tudo ao contrário do que Jesus está dizendo aqui. Isso é grave – muito, muito grave. É um alerta que deveria nos lançar de joelhos, clamando por misericórdia, pelo nosso tão frequente pecado sem arrependimento nem confissão e, muito menos, abandono.

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Você quer saber o jeito bíblico de discutir política em ano de eleição? É simples. Com amor. Com alegria. Com paz. Com paciência. Com amabilidade. Com bondade. Com fidelidade. Com mansidão. Com domínio próprio. Isto é, manifestando em nossas palavras e em nossos posicionamentos nas discussões sobre política as virtudes que o Espírito Santo manifesta naqueles que verdadeiramente são nascidos de novo pela graça da cruz e, por isso, se tornaram seu local especial de habitação. Se você vir um cristão participando de debates neste ano eleitoral sem manifestar essas virtudes, desconfie. Pois um verdadeiro Filho de Deus não porá de lado o fruto do Espírito porque alguém criticou seu candidato, seu partido ou a ideologia em que acredita. O evangelho está acima disso.

Essas eleições, aliás, são uma excelente ocasião para se testar a fidelidade de fé dos cristãos brasileiros. Vamos ver quem ama mais Lula do que Cristo. Quem ama mais Marina do que o irmão da igreja. Quem ama mais Bolsonaro do que o amigo do facebook. Quem ama mais a direita ou a esquerda do que o próximo e, logo, o reino de Deus. Vamos ver quem sabe falar com mansidão para com todos, como Paulo nos orientou. Quem não deixa o sol se pôr sobre a própria ira. Quem é um pacificador e quem é um incitador. Quem ama o próximo como a si mesmo. Quem ama o inimigo, como Jesus ordenou. Será um ano de grandes revelações.

Se esta reflexão chegou até você, é porque Deus quer falar com você sobre isso. Não com seu vizinho: com você. Medite sobre como tem agido nos debates sobre política. Pense em como tem se comportado quando fazem piadas de seu candidato ou debocham do partido de que você gosta. Lembre-se de algo: no dia em que você der o passo derradeiro para fora desta vida, tudo isso ficará para trás. Mas o jeito como você se relacionou com o próximo nesta vida – inclusive o próximo que discorda de você e, até, o ofende – ecoará por toda a eternidade.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >
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O que é ser cristão? Essa pergunta pode parecer meio sem sentido, afinal, é óbvio o que implica ser cristão, certo? Bem, na verdade… não. Pois muitos cristãos parecem ter conceitos meio distorcidos sobre o real significado de uma vida com Jesus, o que influencia diretamente sua jornada com Cristo. Dependendo de como respondemos a essa pergunta, poderemos ser cristãos como Deus quer que sejamos ou uma caricatura bizarra do que um cristão deve ser, uma sombra do verdadeiro cristianismo. Este é um assunto que renderia um livro, mas eu gostaria de sintetizar rapidamente o tema, citando apenas quatro das muitas características de um verdadeiro cristão. Em seguida, vou explicar a razão desta reflexão.

Primeiro: um cristão verdadeiro, nascido de novo, que foi justificado e passou da morte para a vida, necessariamente ama o próximo. Isso é inegociável. Quando confrontado por um mestre da lei para que dissesse qual é o mandamento mais importante, Jesus não hesitou: “O mandamento mais importante é este: ‘Ouça, ó Israel! O Senhor, nosso Deus, é o único Senhor. Ame o Senhor, seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma, de toda a sua mente e de todas as suas forças’. O segundo é igualmente importante: ‘Ame o seu próximo como a si mesmo’. Nenhum outro mandamento é maior que esses” (Mc 12.29-31, NVT). Um detalhe: Jesus explicou, na parábola do bom samaritano, que esse “próximo” não se refere somente ao gente fina, ao amigo do peito, ao cara amável de quem todo mundo gosta, ao irmão na fé; nada disso, é, também, o diferente, o desagradável, o caído, o fedorento, o coberto de chagas, o asqueroso, aquele que nos causa repulsa, o abominável, o odioso. Guarde isso.

A segunda característica: ser um cristão é desejar que o próximo seja salvo do inferno e do sofrimento eterno. Pois o cristão verdadeiro é inundado a tal ponto do amor de Deus que lhe seria impossível desejar que alguém tenha de passar pelos horrores da eternidade sem Deus. A Bíblia afirma que muitos irão para o inferno, talvez a maioria das pessoas, mas saber disso é totalmente diferente de desejar que alguém vá para lá.

Antes que alguém comece a polemizar, deixe-me dizer que, a esse respeito, não faz a mínima diferença se você é calvinista ou arminiano, se crê na eleição incondicional ou condicional. Afinal, só Deus sabe com total certeza quem será salvo e quem não será; isso não compete a nós. E, como jamais saberemos quem verdadeiramente é salvo até chegarmos à glória celestial, nosso papel nesta vida é desejar que todos se salvem, mesmo sabendo que muitos não se salvarão. É por isso que evangelizamos, é por isso que obedecemos à grande comissão, é por isso que pregamos o evangelho a toda criatura: na esperança de que cada um a quem proclamamos a boa-nova seja alcançado pela graça de Deus e resgatado de uma eternidade de tormentosa distância de Deus. Portanto, nenhum cristão tem o direito de desejar que alguém vá para o inferno. Guarde isso.

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Terceiro, o cristão verdadeiro repudia os próprios desejos e impulsos quando eles estão em desacordo com a vontade de Deus. Jesus disse: “Se alguém quer ser meu seguidor, negue a si mesmo, tome diariamente sua cruz e siga-me” (Lc 9.23, NVT). Negar a si mesmo significa não fazer o que dá vontade de fazer para fazer o que Jesus quer que você faça. Assim, por exemplo, mesmo que eu me sinta profundamente ofendido por algo que alguém fez, em vez de nutrir ódio em meu coração por ele, ponho em prática o que diz a Palavra: “Abençoem aqueles que os perseguem. Não os amaldiçoem, mas orem para que Deus os abençoe. […] Nunca paguem o mal com o mal. Pensem sempre em fazer o que é melhor aos olhos de todos. No que depender de vocês, vivam em paz com todos. Amados, nunca se vinguem; deixem que a ira de Deus se encarregue disso, pois assim dizem as Escrituras: ‘A vingança cabe a mim, eu lhes darei o troco, diz o Senhor’. Pelo contrário: ‘Se seu inimigo estiver com fome, dê-lhe de comer; se estiver com sede, dê-lhe de beber. Ao fazer isso, amontoará brasas vivas sobre a cabeça dele’. Não deixem que o mal os vença, mas vençam o mal praticando o bem” (Rm 12.14,17-21, NVT). Guarde isso.

A quarta característica do cristão verdadeiro que eu gostaria de mencionar aqui é: ele pratica a apologética como a Bíblia determina que se pratique a apologética. E como é isso? Paulo responde: “O servo do Senhor não deve viver brigando, mas ser amável com todos, apto a ensinar e paciente. Instrua com mansidão aqueles que se opõem, na esperança de que Deus os leve ao arrependimento e, assim, conheçam a verdade. Então voltarão ao perfeito juízo e escaparão da armadilha do diabo, que os prendeu para fazerem o que ele quer” (2Tm 2.24-26, NVT). Em síntese: um verdadeiro servo do Senhor não é briguento e deve lidar com quem se opõe não com ódio, palavras ofensivas e agressividade, mas com amabilidade, paciência e mansidão, instruindo quem se opõe e não brigando ou atacando! O objetivo ao fazer isso? A esperança de que Deus leve o opositor ao arrependimento. A esperança da salvação. Quem diz isso não sou eu, é Paulo. Guarde isso.

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Muito bem, por que estou falando sobre esse assunto? Eu explico: há poucos dias, vi um jovem irmão em Cristo postar nas redes sociais um vídeo de um cidadão de uma igreja herética bem conhecida pregando a abominável teologia da prosperidade, dizendo aos fieis para “fazerem o sacrifício” de entregar carro, dinheiro e bens à igreja. Todos já vimos esse filme, é algo de revirar o estômago. É ofensivo ao evangelho verdadeiro. Até aí, todos compartilhamos da indignação com relação a esse tipo de engodo, que usa o nome de Deus para tirar dinheiro das pessoas. Mas o que me assombrou foi ver esse irmão, estudante de um excelente seminário teológico, que tem excelentes professores, postar o seguinte texto junto com o vídeo, em relação ao tal falso pastor: “Que Deus o leve logo para o inferno. Amém”. Sim, você não leu errado: “Que Deus o leve logo para o inferno. Amém”.

Confesso que ler essa afirmação abominável me revirou o estômago tanto quanto assistir ao vídeo abominável do “pastor” aproveitador. Por quê? Porque essa não é a postura que devemos ter como cristãos. Desejar que uma pessoa vá para o inferno não é, nem de longe, amar o próximo. Desejar que uma pessoa vá para o inferno não tem nada a ver com a postura de um cristão diante de alguém que ainda não foi alcançado pela graça. Desejar que uma pessoa vá para o inferno não é negar a si mesmo, é dar vazão a impulsos e desejos carnais em vez de olhar para os perdidos com o olhar que Deus teve ao enviar Jesus para morrer na cruz. Desejar que uma pessoa vá para o inferno é o oposto da apologética bíblica, pois é exatamente o que o diabo quis fazer com Adão e Eva.

Em suma, desejar que uma pessoa vá para o inferno é  tudo o que um cristão verdadeiro não deve desejar.

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Muitas vezes depararemos com pessoas ofendendo de tal modo o evangelho que nosso impulso será desejar que o juízo venha sobre elas. Porém, esse não é nosso papel: só Deus tem o direito de exercer seu justo juízo sobre os blasfemadores e os inimigos da fé. Lembremo-nos de que Paulo de Tarso não era uma pessoa melhor do que o tal “pastor” do vídeo até o dia em que foi confrontado por Cristo e alcançado pela graça. Todo pecador e blasfemador é um Paulo em potencial e não cabe a nós mandá-lo para o inferno. Nosso papel é orar por ele, pedindo a Deus que lhe estenda sua graça, o chame ao arrependimento, o justifique, faça dele nova criatura e o salve do inferno. O cristão verdadeiro precisa olhar para quem joga pedras na cruz com o desejo de que um dia ele venha a dizer: “Verdadeiramente, este era o Filho de Deus”.

Prefiro crer que um comentário desses vindo de seminaristas e irmãos em Cristo seja uma falha provocada por um processo de santificação e amadurecimento espiritual em estágios iniciais. Porque, se isso for um comentário que reflita uma postura solidificada de um cristão, que triste é ver cristãos que pensam isso. É um assombro. É o cúmulo da falta de piedade e misericórdia. Até porque o entendimento da obra de salvação de Cristo nos revela que todos nós éramos tão abomináveis como esse falso profeta do vídeo até sermos alcançados pela graça. O que não podemos admitir é que continuemos sendo abomináveis após a justificação. Espero que não seja o seu caso.

Quanto mais alguém estuda a Palavra e se aprofunda na teologia, mais deveria se aprofundar na piedade e na compaixão pelos espiritualmente doentes, e não no ódio e na agressividade. O falso pastor do vídeo não me assombra, pois ele visivelmente precisa de Cristo. Oro por isso. Oro por sua conversão. Oro para que um dia eu o encontre no céu. Duro é ver cristãos que frequentam bons círculos teológicos acharem que é bacana desejar que Deus mande alguém para o inferno. E, pior: “logo”. Incompreensível. Assombroso. Que tipo de cristianismo é esse?

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Paulo conta em 1Coríntios 5 o caso de um homem da igreja de Corinto que cometia o abominável ato de se relacionar sexualmente com a própria madrasta e, por isso, trazia escândalos para a Igreja de Cristo e sujava seu bom nome junto à sociedade. Repare que o apóstolo orienta a igreja a “excluir de sua comunhão o homem que cometeu tamanha ofensa” (v. 2, NVT) e, em seguida, diz: “Entreguem esse homem a Satanás, para que o corpo seja punido e o espírito seja salvo no dia do Senhor” (v. 5, NVT). O ato abominável leva Paulo a propor disciplina eclesiástica e até a desejar que o corpo do cidadão sofresse as consequências de seus atos, mas, com que finalidade? Que “o espírito seja salvo”!  Com isso, Paulo deixa claro que, por mais horripilante que seja o pecado de um homem, a finalidade e o desejo do cristão verdadeiro continuam sendo que as pessoas espiritualmente falidas sejam salvas do inferno. Porque desejar o horror eterno a alguém não é algo que nenhum cristão deva desejar para o próximo – por pior que ele seja.

Meu irmão, minha irmã, eu e você veremos com frequência pessoas que ofendem a cruz, que lançam lama no bom nome da Igreja de Cristo. Nosso estômago revirará. Sentiremos nojo, raiva, indignação. A questão é: como reagiremos a isso? E a resposta a essa pergunta é que demonstrará como anda nossa espiritualidade. Reagiremos com desamor, condenação, juízo, carnalidade, brigas, ataques e ofensas… ou como a Bíblia nos manda reagir? Abençoemos quem nos persegue. Oremos para que Deus os abençoe. Não devolvamos mal com mal, mas com o bem. E não há bem maior que alguém possa fazer por outra pessoa do que, em vez de desejar o que o diabo deseja para a humanidade, que é irmos para o inferno, desejar o que Deus deseja para a humanidade: que as piores pessoas do mundo creiam em Jesus e, assim, não pereçam, mas tenha a vida eterna.

Como disse no início deste texto, “o que é ser cristão?” é uma pergunta cuja resposta daria para escrever um livro. Mas quero terminar este texto respondendo, de forma curta e objetiva, a outra pergunta: “O que não é ser cristão?”. E a resposta é: com absoluta certeza, ser cristão não é querer que Deus leve logo alguém para o inferno.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >
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Sim, amar o próximo vai lhe custar caro, muito caro.  Prejudicará a sua reputação, fará pessoas lhe virarem a cara, tornará você malquisto em muitos círculos, o tornará alvo de questionamentos sobre suas intenções e até mesmo sobre a ortodoxia da sua fé. E isso por uma única e triste razão: as pessoas, em sua maioria, não estão preparadas para compreender o amor bíblico em toda a sua extensão e, menos ainda, a colocá-lo em prática. E, quando me refiro às “pessoas”, isso inclui cristãos e não cristãos, lamentavelmente.
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Na parábola do bom samaritano, Jesus explicou de modo claríssimo o que significa amar o próximo. Por meio de sua ficção, o Mestre deixou claro que o amor verdadeiramente bíblico não tem a ver com o outro ser ou fazer o que você é ou faria. Se você nivela seu amor por alguém tomando você próprio (suas crenças, certezas e posturas) como referência, não está amando o outro, mas endeusando a si mesmo.
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Se você só ama quem crê, pensa, age, se veste, canta, fala, vive ou prega como você, seu amor não nasceu no coração de Deus, nasceu no seu narcisismo. O samaritano tinha tudo para odiar o homem que ajudou, porque aquele cara caído à beira da estrada representava tudo o que a vida lhe ensinou que ele deveria odiar. Mas, ainda assim, ele passou por cima de tudo e o amou – com compaixão sincera e com atitudes condizentes.
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Em muitos ambientes do nosso meio evangélico – apaixonado por modelos, patotas e rótulos pré-concebidos -, amar o próximo fará de você um proscrito. Se você está realmente disposto a amar o próximo como o samaritano amou – isto é, como Cristo ama -, saiba que você será isolado e rejeitado. Vão chamá-lo de adjetivos nada elogiosos, farão piadas de você e deixarão de convidá-lo para almoçar. E isso simplesmente porque muitos não entendem o que é o amor bíblico e o confundem com caricaturas bizarras de seu amor imaginário.
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Faça o teste: quando você demonstra publicamente amor pelos arminianos, será rejeitado pelos calvinistas, e vice-versa. Se demonstra amor pelos pentecostais, os cessacionistas o desqualificarão, e vice-versa. Se ama sem censuras os cristãos com ideologias políticas de direita, os de esquerda o rotularão, e vice-versa. Se, por amor às ovelhas de Cristo, vai pregar numa igreja de neopentecostais, será xingado de “herege” para baixo. Se, por amor à Igreja de Cristo, vai pregar numa igreja presbiteriana, será qualificado de “crente frio” e “sorveteriano”. Se você, por amor, trata com carinho um cantor de música gospel, será ofendido por quem só canta hinos antigos. Se ama um católico romano à vista de todos, vão chamá-lo de ecumênico. Se ama um umbandista, vão chamá-lo de desviado. Se ama um homossexual, vão chamá-lo de apóstata. Se ama aquele pastor complicado, vão chamá-lo de liberal. E assim por diante.
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A grande dificuldade da maioria das pessoas é compreender que amar não significa concordar. Tampouco significa fazer o que o outro faz. Muito menos ser conivente com práticas equivocadas ou pecaminosas de pessoas a quem você dá amor. Jesus amou a samaritana, mas não concordava com seu estilo de vida. Também amou a mulher flagrada em adultério, mas nunca pecou em sua sexualidade. Ele jamais roubou ou concordou com o roubo, mas amou o ladrão da cruz. E amou sempre esperando que esse amor conduzisse as pessoas diferentes dele ao arrependimento e a uma situação a que só o amor pode levar. Amar não é nada do que a maioria das pessoas pensa. E, por isso, a incompreensão sobre o amor cristão leva muitos cristãos a rejeitar, isolar, criticar, diminuir, desprezar, atacar, repudiar e desmerecer aquele que verdadeiramente ama de forma cristã. E isso é muito, muito, muito triste.
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Deixe-me repetir isto, porque é importante: amar não significa concordar. Tanto é verdade que Deus amou o mundo. Primeiro ele amou o mundo e só depois deu seu Filho para a salvação desse mesmo mundo. Preste atenção: Deus amou o mundo, com todo seu sistema de valores caídos, pecados, horrores (e, evidentemente, o Senhor não concordava com nada disso nem era conivente com os males do mundo). E amou tanto que sua compaixão o levou a abraçá-lo e dar-lhe Cristo. A cruz é a maior e mais divina prova de amor de alguém por outra totalmente diferente de si e que não merecia esse amor. A própria encarnação da Palavra em Jesus nos lembra deste fato: amar não tem nada a ver com concordar.
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A verdade é que aquilo que muitos chamam de “defesa da verdade” é, na realidade, ódio pelo diferente travestido de pseudoamor cristão. Muita da apologética que vemos por aí é, na verdade, não amor a Deus e ao próximo, mas a exaltação das próprias crenças, recheada com altas doses de narcisismo e vaidade. Muita segregação “em nome do amor à verdade” é apenas a incapacidade emocional de lidar com o contraditório. Amar como Cristo amou não é amar o cheiroso, o bonito e o que lhe diz “amém”. Amar de verdade é abraçar o espiritualmente leproso, fétido e podre, simplesmente porque a presença de Cristo transborda de tal modo em seu coração que você não conseguiria não abraçar.
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“Se alguém afirma: ‘Amo a Deus’, mas odeia seu irmão, é mentiroso, pois se não amamos nosso irmão, a quem vemos, como amaremos a Deus, a quem não vemos? Ele nos deu este mandamento: quem ama a Deus, ame também seus irmãos” (1Jo 4.20-21). Temos uma decisão a tomar: restringir o amor apenas a quem consideramos “merecedor” ou “digno” do nosso amor e, assim, desfrutar do apreço dos nossos pares, ou amar como Cristo nos ensinou a amar e, com isso, preparar nosso couro para lambadas, desprezo, ataques, segregação e o pior tipo de religiosismo seletivo.
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Meu irmão, minha irmã, amar vai cobrar seu preço, mas vai aqui meu encorajamento: ame. Ame com todas as suas forças. Ame sem vergonha humana. Ame por não conseguir não amar. Não desista de amar. O desprezo dos fariseus e mestres da lei jamais levou Jesus a deixar de amar. Ele persistiu no amor, simplesmente porque não amar seria negar sua natureza, sua essência. O mesmo devemos nós fazer. Até porque quem tem Cristo no coração é incapaz de ser seletivo no amor; antes, ama todos, sem distinção: os leprosos, os coxos, os fedorentos, os inimigos, os de outras religiões, os de outras denominações, os de outras ideologias políticas, os que não creem no que você crê, os que erram em sua teologia, os hereges, os que enfiam cravos em suas mãos e pés.
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Termino esta reflexão com as palavras do Mestre: “Vocês ouviram o que foi dito: ‘Ame o seu próximo’ e odeie o seu inimigo. Eu, porém, lhes digo: amem os seus inimigos e orem por quem os persegue. Desse modo, vocês agirão como verdadeiros filhos de seu Pai, que está no céu. Pois ele dá a luz do sol tanto a maus como a bons e faz chover tanto sobre justos como injustos. Se amarem apenas aqueles que os amam, que recompensa receberão? Até os cobradores de impostos fazem o mesmo. Se cumprimentarem apenas seus amigos, que estarão fazendo de mais? Até os gentios fazem isso. Portanto, sejam perfeitos, como perfeito é seu Pai celestial.” (Mt 5.43-48).
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Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >
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Minha filha de 6 anos tem um coração admirável. Ela é bondosa, amável, generosa, carinhosa e gentil. Gosta de dar presentes para as amigas e professoras, tem prazer em servir o papai (fazendo café, massagem e outros mimos), procura pacificar quando coleguinhas criam confusões na escola, não revida quando um amiguinho a machuca, esse tipo de coisa. Sou muito grato a Deus por ter-me dado uma filha com características que admiro tanto num ser humano e que me fazem suspeitar que ela tem a semente do Espírito Santo no coração. Mas há um momento da vida de minha filha em que não me sinto feliz com ela e fico profundamente incomodado com seu procedimento: os minutos seguintes a ela chegar da escola.

Minha bebê retorna do colégio de condução escolar, por isso vem junto com crianças de todas as idades, a maioria mais velha. E esse contato tem sido bastante prejudicial, pois ela aprende montes de coisas erradas, ouve e repete funks hediondos, aprende comportamentos mundanos, escuta e repete todo tipo de palavrões, vê e imita formas de falar desagradáveis e reprováveis. Com certa frequência, logo que chega em casa, no embalo da bagunça e do ambiente nada cristão do ônibus, ela entra porta adentro repetindo o que ouve e vê das demais crianças na condução. Sei que ela não se dá conta com total clareza de quão reprovável é tudo isso, então, geralmente, eu nessas horas preciso sentá-la, conversar com ela, orientar, explicar por que aquilo tudo é errado e chamá-la de volta ao seu modo habitual de ser. E ela escuta. Se dá conta do erro. E obedece. Em poucos minutos, a filhota volta a ser a criança de coração admirável que me faz sorrir. Com frequência, porém, após um ou dois dias ela volta a ser influenciada pelo meio que a cerca e novamente fala ou age de um jeito reprovável. E, novamente, tenho de pará-la, lembrá-la de que aquilo é errado e esperar que ela caia em si e volte a agir de modo que me faça orgulhoso e me deixe feliz. 

Um pai sempre quer que seus filhos ajam da maneira que ele considera correta. Se você é pai ou mãe sabe do que estou falando. Por essa razão, meu coração transborda quando minha bebê age com amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio. Fico exultante quando ela fala com gentileza, quando me relata que o amiguinho a mordeu mas ela conversou com ele e o perdoou, quando age como mediadora de colegas para acabar com brigas e levá-los a fazer as pazes. Nessas horas, fico orgulhoso e sinto um júbilo especial, uma sensação difícil de descrever. Por outro lado, quando a vejo imitar comportamentos que não estão de acordo com o que acho correto, fico triste, incomodado e sou impulsionado a fazer algo para que a filhota perceba que aquilo que está fazendo não é bom e não reflete quem ela é. 

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Se você acompanha há algum tempo o APENAS, sabe da minha cruzada pessoal para alertar meus irmãos e minhas irmãs em Cristo de que um cristão que se diz nascido de novo obrigatoriamente tem de manifestar as virtudes do fruto do Espírito. Não vejo base bíblica alguma que justifique alguém que se diz salvo ser destemperado, agressivo, bruto na forma de falar, se posicionar e discordar. Em minha visão bíblica, cristãos professos que se comportam dessa forma ou não nasceram de novo ou se deixaram enganar pelos “colegas do ônibus escolar”. Acreditam que podem ser cristãos e ao mesmo tempo arrogantes, debochados, maldizentes, depreciadores, semeadores de discórdia entre irmãos em Cristo, agitadores ou ofensivos. Isso é tão coerente quanto dizer que o fogo pode ser molhado. São conceitos imiscíveis, incompatíveis. 

Como pai, detesto quando minha filha fala de jeito reprovável ou age de modo que entristeça meu coração. Por essa razão, consigo sentir um lampejo do que Deus sente ao ver aqueles que se dizem seus filhos agirem como multidões têm agido, com destempero, descontrole, deboche, espírito faccioso e montes de outras obras da carne.

Você pode estar pensando: “Lá vem o Zágari de novo falar sobre esse assunto”. Desculpe, meu irmão, minha irmã, mas não consigo não falar. Pois, do mesmo modo que eu, por amor, jamais cessaria de apontar à minha filha os erros em sua forma de falar e agir até que ela se corrigisse, não consigo ficar inerte ao ver membros do mesmo Corpo que eu agindo e falando como mundanos e dar as costas a isso, fingindo que está tudo certo. Pois amo Deus demais para ver tantas atitudes que entristecem o coração divino e deixar por isso mesmo. Não dá. Não tenho como. Não consigo. Quero ver Deus sorrindo ao olhar para aqueles que se dizem seus filhos, e não entristecido pela forma desviada como muitos têm se comportado “em nome de Jesus”. 

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Assisti recentemente a um vídeo no YouTube em que dois manos conversam sobre islamismo. O vídeo foi ótimo. O meu erro foi decidir ler os comentários. Fiquei horrorizado com a forma como vi diversos cristãos discordando do que foi dito no vídeo. Quanta deselegância. Quanto mundanismo. Quanta ofensa gratuita. Meu intelecto limitado não consegue  compreender o que leva alguém que diz seguir os ensinamentos do Príncipe da Paz e do Manso Cordeiro a se comportar como o pior dos mundanos na hora de se posicionar, expor suas crenças e discordar de outras pessoas. Raiva, desdém e rancor no conteúdo. Palavras torpes, sentimento faccioso e descontrole na forma. Em suma: um jeito totalmente anticristão de ser. 

Meu irmão, minha irmã, pode ser que a ênfase da sua vida espiritual esteja em coisas como tentar transformar arminianos em calvinistas, pré-milenistas em amilenistas ou cessacionistas em pentecostais, não sei. Vejo muitos que fazem desse tipo de coisa a bandeira de sua missão. Eu respeito essa escolha, embora não a veja como prioritária. A minha missão é tentar mostrar que o amor com que Deus quer que nos amemos é indispensável para quem se diz cristão. Em tudo. Até mesmo na divergência de ideias.

Amar é o mandamento maior. E uma gigantesca parte da Igreja está ocupada demais para amar; ocupada atacando irmãos em Cristo que pensam de forma diferente, discutindo o sexo dos anjos, coando mosquitos e engolindo camelos, irando-se e se engajando em discussões áridas e infrutíferas. Amar pressupõe instruir e não desqualificar. Amar pressupõe ensinar com carinho e não fuzilar. Amar pressupõe ouvir o discordante com paciência e mansidão e não com cabeças balançando e olhares revirados. Amar pressupõe ver o bem do próximo e não tentar mostrar que o próximo é um burro que não entende nada daquilo sobre o que você acha que sabe tudo. Amar é algo muito mais elevado do que aquilo que muitos aprenderam no ônibus escolar e replicam achando que está tudo bem.

Eu sou um chato, eu sei. Vivo repetindo essa chatice que é a necessidade prioritária e urgente de amar. Tudo bem, já entendi que, para muitos, amor não é um tema tão empolgante como debates acadêmicos sobre o sexo dos anjos. Amar está muito fora de moda na era das redes sociais, na qual todo mundo se acha o ensinador dos não iluminados e que, em nome da defesa da sã doutrina que manda amar até mesmo os inimigos, é justificável agir com total desamor. Amor se tornou um assunto brega em muitos círculos teológicos. O negócio é discutir em congressos o que seria a igreja relevante (quando a Bíblia já diz há séculos que a igreja relevante é a que ama), debater em programas de TV doutrinas soteriológicas (quando não adianta nada ser calvinista ou arminiano se você não ama quem crê na doutrina em que você não crê), ridicularizar quem crê de maneira divergente quanto aos dons (quando Paulo deixa claro que o dom supremo é o amor).  E por aí vai. 

Não, meu irmão, minha irmã, amor não é assunto para revistas femininas adolescentes e para poesias infantiloides. Amor é a coluna vertebral do evangelho de Jesus Cristo. É pelo amor que somos identificados como discípulos do Nazareno. Mas, infelizmente, como muitos não amam, devotam a vida a assuntos menos importantes da fé, defendendo sua visão com total desamor. E isso não é cristianismo. 

A vida no útero materno não é um fim em si mesma, nós passamos nove meses na barriga de nossa mamãe em preparação para viver décadas do lado de fora, sendo formados, construídos. Do mesmo modo, esta vida terrena é uma preparação para a eternidade: vivemos poucas décadas aqui sendo forjados, moldados, lapidados a fim de viver bilhões de anos futuros na realidade vindoura. Fico pensando como seria a vida em novos céus e nova terra junto com pessoas desagradáveis, briguentas, ofensivas, intolerantes, tolas e que falam e se comportam como quem acabou de sair do ônibus escolar.

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A conclusão a que sou obrigado a chegar é que gente assim nunca viveria em novos céus e nova terra. Não foram transformadas. Dizem amar Cristo mas se comportam e falam como anticristos. Mas consigo imaginar com extrema facilidade aqueles que, por terem sido verdadeiramente transformados pela graça salvadora da cruz, devotaram suas décadas sobre a terra a viver de modo amoroso, amável, bondoso, caridoso, gentil, pacificador e manso circulando pelas ruas da cidade futura, onde Deus brilhará com sua luz de puro amor.   

Meu irmão, minha irmã, se Deus o chamou por sua graça, mas você percebe que ainda é uma pessoa bruta, ou sarcástica, ou iracunda, ou ofensiva, ou que gosta de ver o circo pegando fogo, ou que destrincha o Corpo de Cristo e semeia desunião e discórdias, ou que fala de modo agressivo, ou que é altiva, ou que devota seus dias a só ficar apontando o erro alheio mas arrogantemente não aceita reconhecer os próprios erros… eu só poderia lhe dizer uma coisa, por amor: arrependa-se.

Arrependa-se desses pecados e abra-se para o labor do Espírito Santo em sua vida. Abandone essas práticas carnais e mundanas, que não estarão presentes em novos céus e nova terra, e devote-se a ser aquilo que Deus espera ver naqueles que tomará para si na eternidade. Por favor, arrependa-se, enquanto ainda é tempo. E passe a amar com verdadeiro amor cristão, aquele que você não encontra nas poesias de Vinicius de Moraes e Renato Russo, mas vê, com total clareza, transbordar de cada página das Sagradas Escrituras.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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Esta semana fui pela segunda vez a um presídio. Na terça-feira, passei o dia no Evaristo de Moraes, no Rio, unidade prisional que fica dentro do Morro da Mangueira, bem pertinho do estádio do Maracanã. Depois de ter estado lá em novembro passado para fazer uma ministração, recebi novamente um convite da penitenciária para ministrar, desta vez, duas palestras, para 300 detentos. Fiquei lá de manhã até o fim da tarde. Como da primeira vez, foi uma experiência inesquecível. 

Se você nunca foi a um presídio, fica a recomendação: vá. É tão importante passar um dia numa penitenciária quanto passar um dia numa conferência teológica. É algo que mexe com nossa espiritualidade e nos faz refletir profundamente sobre questões centrais da fé cristã, como a extensão do pecado, a possibilidade de arrependimento, a viabilidade da metanoia bíblica, o significado de amor pelos inimigos, perdão, graça. Lá discussões sobre questões como calvinismo x  arminianismo, pedobatismo x credobatismo, cessacionismo x continuísmo e outros temas periféricos da fé simplesmente ficam dos portões para fora. No universo prisional, gastar tempo com debates sobre temas como “o cerne do pensamento de Armínio”, “a epistemologia do ser” e “o que é um reformado” é tão relevante quanto querer ensinar as funções do bóson de Higgs ou discutir sobre as propriedades do top quark. Você não sabe o que é isso? Pois é. 

O choque de realidade é enorme, pois um presídio parece um universo paralelo. Pense em um lugar no coração de uma metrópole em que ninguém tem celular e não existe acesso à Internet. Quem está preso ali há alguns anos nunca segurou um smartphone, não faz ideia do que é whatsapp e não consegue entender que graça tem esse tal de Facebook. Na falta de cursos profissionalizantes, atividades artísticas ou outras iniciativas de enriquecimento epistêmico ou intelectual, num lugar como esse resta às pessoas ocupar o tempo com ações que deixaram há bastante tempo de fazer parte da rotina de muitos que estão do lado de fora: ler e refletir. A biblioteca do Evaristo de Morais é a meca do passatempo dos detentos e tive a alegria de doar livros meus para ela, a fim de serem lidos pelos internos ao longo dos anos que virão. 

Cheguei ao presídio para fazer duas palestras, levando dez exemplares de livros que escrevi para presentear os detentos e, naturalmente, achei que eu é que estava levando algo para eles. Mas, na realidade, eu é que saí de lá enriquecido, principalmente pelas conversas que tive. Vivi momentos incríveis no cárcere. Tive a oportunidade de bater papo com um dos detento sobre – acredite – Nietzsche, Eça de Queiroz e Aldous Huxley. Ouvi histórias de gente presa pelos mais variados crimes, do estelionato ao assassinato, passando pelo estupro e o tráfico de drogas. Ouvi experiências horripilantes de gente que esteve no coração das facções criminosas. Escutei relatos sobre vivências que você acha que só existem nos filmes de Hollywood, de pessoas que reconhecem sem dar justificativas a maldade de seus atos passados. Ninguém sai o mesmo de conversas como essas. 

Algo que ir a um presídio e conversar com os internos faz é dar ao “bandido” uma identidade. De repente, você está sentado ao lado de um daqueles caras que só vê no telejornal ou escondendo o rosto, algemado, no Cidade Alerta e descobre que ele tem nome, sonhos, pensamentos, arrependimentos, sentimentos e ideias. Descobre que todos são gente. Gente que cometeu atos atrozes, mas que ainda carrega em si a semente da imagem e semelhança de Deus. Conversei com alguns que hoje demonstram repulsa pelos crimes que cometeram e têm um desejo verdadeiro de se tornarem pessoas produtivas e de bem quando saírem da prisão. Um dos detentos com quem bati papo quer fazer faculdade de medicina. Outro quer se formar em psicologia e ajudar a criar projetos que ajudem a ressocializar presos. Dois querem pregar o evangelho a jovens envolvidos no tráfico de drogas.

É incontestável que há, sim, os que almejam prosseguir no crime sem arrependimentos, nem todo mundo se emenda. Mas, com toda certeza, os relatos de seres humanos verdadeiramente arrependidos que conheci ali me fazem considerar expressões como “bandido bom é bandido morto” uma das maiores aberrações que a humanidade já criou. Esse pensamento é algo absolutamente alienígena ao que o evangelho propõe e é o cúmulo do absurdo um cristão pensar tal coisa, pois acreditar nisso é desconsiderar a possibilidade de uma pessoa desencaminhada arrepender-se, mudar de vida e construir uma nova história, após ter pago junto à justiça pelo crime que cometeu. 

Chama a atenção no Evaristo de Moraes a quantidade de detentos evangélicos, fruto da ação evangelística especialmente de membros de denominações pentecostais e neopentecostais. Lá dentro há uma igreja e um pavilhão inteiro de presos que se identificam como protestantes. Não sou ingênuo de achar que todos são verdadeiramente convertidos, há os meros simpatizantes e os inconversos aproveitadores, mas, com absoluta certeza, muitos de fato tiveram um encontro real com Jesus no cárcere. Negar isso é negar a ação do Espírito Santo. São pessoas presas pelos mais variados crimes e que, sim, hoje são meus irmãos em Cristo. E seus. Não posso desconsiderar que Jesus salva e transforma bandidos cruéis em homens da paz entre as paredes de uma prisão. 

Saí do presídio Evaristo de Moraes mais rico do que entrei. Eu vi a besta face a face, olhei dentro de seus olhos e constatei que é possível ela se tornar mansa como um cordeiro, conformada à semelhança do Cordeiro. Diante de crimes horríveis e hediondos, minha carne pede apenas punição e justiça, mas não posso negar o poder do evangelho de tornar o violento alguém que se opõe à violência. Por isso, hoje, meu espírito pede mais que justiça: pede justificação. 

A maioria dos 300 homens que me ouviram – entre eles, três travestis, diversos umbandistas e kardecistas – escutou com atenção e respeito as preleções. Muitos vieram falar comigo ao final de cada ministração. Vi nos olhos e nas palavras de muitos o desejo sincero por um recomeço. E, a partir de hoje, esta será minha oração: que cada presídio se torne não um depósito de gente ou um purgatório cuja única função seja a sádica punição de bestas-feras humanas, mas um verdadeiro local de transformação. Se o Estado não é capaz de criar meios eficientes de regeneração ética e social da massa carcerária, tenho inabalável certeza de que o Espírito de Deus é extremamente eficaz em regenerar espiritualmente os degenerados, fazendo muitos deles nascerem de novo. Por isso eu oro. 

Um dos detentos com quem conversei me disse que o presídio é “a porta do inferno”. Felizmente, acredito que, enquanto uma alma não atravessa os umbrais do inferno, pode ser resgatada pela graça e ouvir do Senhor: “Hoje estarás comigo no Paraíso”. Portanto, não ouso dizer que bandido bom é bandido morto. Meu cristianismo me mostra que bandido bom é bandido morto, sim, mas morto para o mundo, o diabo, a carne e o pecado – e renascido em Cristo como nova criatura. 

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

(Nenhuma das fotos que ilustram este post foi tirada por mim por ocasião da visita. São fotos ilustrativas, tiradas por outras pessoas, em outras ocasiões, e disponíveis livremente na Internet)

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sonho-1Quando dizemos que temos um sonho, isso significa que temos um desejo no coração que esperamos que se realize, apesar de não haver nenhuma certeza de que ele ocorrerá. É como quando eu digo “Meu sonho é viajar para a Lua”. Quando expresso isso, significa que viajar para a Lua é algo que eu gostaria muito de fazer, porém não tenho nenhuma segurança de que conseguirei algum dia. Há o desejo; não há a garantia. Nesse sentido, sonhar com algo está no campo da fé e não da razão. É uma expectativa, uma possibilidade, e não uma certeza. No sonho só cabem probabilidades. 

Se dizemos que Deus tem um sonho, isso o esvazia de toda onisciência e onipotência. O deus que sonha não tem certeza do futuro, mas transita no campo da expectativa. O deus que sonha não é Deus, pois não tem segurança do futuro, não é soberano sobre o que vai acontecer, apenas cruza os dedos e fica na torcida. O deus que sonha é um deus sem glória. O Deus da Bíblia, por sua vez, é o Deus que tudo pode e cujos planos não podem ser frustrados (Jó 42.2). 

Deus sabe tudo o que vai ocorrer desde a fundação do mundo. O futuro para ele é tão presente quanto o passado, pois ele habita fora do tempo. Portanto, não, Deus não tem sonhos. Tem planos de ação. Ele já sabe o que vai fazer. Se acordo de manhã e digo “Vou escovar os dentes”, isso não é um sonho meu, é algo que sei que ocorrerá, pois estou me levantando da cama para realizar. 

Portanto, a expressão “Sonhe os sonhos de Deus” é antibíblica. É uma expressão que esvazia Deus de seu poder, o destitui de seu trono e faz dele alguém que sabe tão pouco sobre o futuro e tem a mesma possibilidade de influenciá-lo quanto nós, seres criados. O deus cujos sonhos preciso sonhar é um ídolo, um bezerro de ouro. 

Meu irmão, minha irmã, não ore ao Senhor pedindo que os sonhos dele se realizem em sua vida. Isso não vai acontecer. Pois é o mesmo que pedir que ele não realize nada em sua vida, visto que ele não tem sonhos. Ore pedindo-lhe que cumpra sua santa vontade, a mesma que guia os passos do mundo desde tempos imemoriais. Ao fazer isso, ore com a certeza de que o Deus todo-poderoso estará agindo para realizar aquilo que se encaixa no perfeito mecanismo que ele criou e conduz da caminhada da humanidade debaixo de seu absoluto poder. 

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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Arrow on red target - business conceptO novo ano chegou. Como é hábito de muitos, essa mudança simbólica de etapas pode ser uma ótima oportunidade para parar, pensar sobre a vida e repensar as prioridades. Eu gostaria de dar uma pequena contribuição a essa reflexão. Em 2016, muitos cristãos brasileiros tristemente perderam tempo, energias e saliva debatendo sobre aspectos periféricos e secundários da fé ou brigando com outros irmãos em Cristo por questões menos importantes do cristianismo. Minha sugestão, diante disso, é que voltemos a pensar sobre o que realmente é importante na fé cristã. Por isso, gostaria de propor reflexões a partir de pontos que considero serem alicerces da fé. Seguem, então, algumas sugestões acerca de atitudes que você poderia tomar neste momento de reflexões, reinícios e reformulações, a partir de algumas orientações bíblicas fundamentais. 

1. Você tem se arrependido de seus pecados e pedido perdão a Deus? “Se afirmamos que não temos pecados, enganamos a nós mesmos e não vivemos na verdade. Mas, se confessamos nossos pecados, ele é fiel e justo para perdoar nossos pecados e nos purificar de toda injustiça” (1Jo 1.8-9, NVT). Você tem pedido perdão pelas transgressões cometidas? Ou tem vivido dia após dia acumulando pecado não confessado sobre pecado não confessado, apresentando desculpa esfarrapada sobre desculpa esfarrapada para justificar práticas antibíblicas? É hora, como sempre é, de arrependimento, contrição e mudança de rumo.

2. Você tem obedecido ao maior dos mandamentos? “‘Ame o Senhor, seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma e de toda a sua mente’. Este é o primeiro e o maior mandamento. O segundo é igualmente importante: ‘Ame o seu próximo como a si mesmo’. Toda a lei e todas as exigências dos profetas se baseiam nesses dois mandamentos” (Mt 22.37-40, NVT). Em tudo o que você faz, é o amor a Deus que pauta seus pensamentos, ações, palavras e omissões? Ou em 2016 sua prioridade foram dinheiro, aquisição de bens, viagens, programas de TV, o trabalho ou a igreja? Em que você pensa primeiro quando acorda? Em torno de que gira a sua vida? Em torno de Deus ou em torno de você próprio? E, ainda dentro desse maior mandamento, você tem amado ao próximo como a si mesmo? Em 2016, quanto amor você compartilhou? Que ações práticas fez em benefício das pessoas que não lhe deram absolutamente nenhum retorno? De que modo você se devotou ao próximo? Será que você tem se dedicado mais a debater com o próximo para provar que você é quem está certo do que a amá-lo? Cuidado com a autoidolatria.

3. Você tem cumprido a Grande Comissão? “Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ensinem esses novos discípulos a obedecerem a todas as ordens que eu lhes dei” (Mt 28.19-20, NVT).  A quem você proclamou as boas-novas de Cristo em 2016? Quantas pessoas ganharam a vida eterna no ano que passou graças às suas iniciativas? Quantos seres humanos você discipulou no ano que passou? Se perceber que não fez discípulos, que não levou o evangelho a ninguém, que sua instrumentalidade para a salvação de vidas tem sido nula, o que pode fazer para reverter esse quadro em 2017? 

4. Você tem feito aos outros somente e exatamente aquilo que gostaria que eles fizessem a você? “Em todas as coisas façam aos outros o que vocês desejam que eles lhes façam. Essa é a essência de tudo que ensinam a lei e os profetas” (Mt 7.12, NVT). Este mandamento de Jesus é extraordinário, pois ele denuncia como vivemos longe de sua vontade. Você realmente só faz para as outras pessoas o que gostaria que elas lhe fizessem? Só fala a elas e sobre elas com isso em mente? Suas ações têm esse fundamento? Ou o importante é mesmo o que você quer e pronto? Como têm sido suas atitudes com seus parentes, amigos, colegas de trabalho ou estudo, irmãos em Cristo, pessoas que professam outras religiões? E na Internet? 

5. Você tem tratado quem se opõe a você com mansidão e visando ao bem dele ou com soberba, egocentrismo e sentimento de vingança? Quantos inimigos você amou em 2016? Quantos desafetos você perdoou? Como se relacionou com aqueles que o irritam, maldizem, atacam, denigrem? Como você tratou os hereges e os adversários teológicos? Com mansidão e graça ou com ódio e agressividade? O que você falou sobre aqueles que te ofenderam? Quantas orações em benefício deles você fez ao longo do ano? “Se seu inimigo estiver com fome, dê-lhe de comer; se estiver com sede, dê-lhe de beber. Ao fazer isso, amontoará brasas vivas sobre a cabeça dele”. Não deixem que o mal os vença, mas vençam o mal praticando o bem” (Rm 12.20-21, NVT). Você pretende continuar em 2017 a agir com os inimigos, os adversários e os discordantes como um bruto lida com seus desafetos? “O servo do Senhor não deve viver brigando, mas ser amável com todos, apto a ensinar e paciente. Instrua com mansidão aqueles que se opõem, na esperança de que Deus os leve ao arrependimento e, assim, conheçam a verdade” (2Tm 2.24-25, NVT).

6. Você tem manifestado virtudes do fruto do Espírito em sua vida? Como anda você na manifestação prática de “amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio.” (Gl 5.22-23, NVT)? Será que você amou tanto quanto poderia? Você disseminou alegria ou a nuvenzinha negra foi sua companheira inseparável? Você foi um pacificador ou alguém que instigou, incentivou ou participou de contendas e brigas? Você foi paciente ou não esperou Deus agir com a longanimidade que deveria? Você foi benigno, amável, bondoso, ou foi duro, egoísta, mau, briguento? Você demonstrou fidelidade ou sua fé foi pequena? Mansidão, então, é o calcanhar de Aquiles de muitos: você foi manso e humilde, falando sempre com palavras temperadas e de edificação, ou foi um guerreiro, um gladiador, um leão que mais ruge do que faz qualquer outra coisa? E domínio próprio, você foi autocontrolado ou se deixou escravizar pelo seu temperamento sanguíneo, seus impulsos pecaminosos, sua humanidade? E em 2017, o que precisa mudar com relação a essas virtudes?

7. Você tem promovido a paz ou as disputas, a raiva, a vingança, a humilhação, os ataques, a discórdia? “Felizes os que promovem a paz, pois serão chamados filhos de Deus” (Mt 5.9, NVT). Na ânsia por agradar a Deus, muitos acham que o caminho para isso é se igualar ao comportamento natural e carnal da humanidade caída. Que o padrão “João Batista” é a linha a ser adotada e que Deus nos incentiva a promover a guerra “em nome de Jesus” ou “em defesa do evangelho”. É triste e lamentável ver pessoas muitas vezes extremamente bem preparadas teologicamente se posicionando como promotores do ódio, deixando a força dos argumentos em segundo plano e optando pela pseudoforça da forma. Acham que bater na mesa é o padrão cristão. Não é. Seria esse o seu caso?

8. Você tem se achado o máximo? Como anda sua humildade? Tudo o que você é e tem foi Deus quem lhe deu. Você é inteligente? Mérito de Deus. Você é culto? Mérito de Deus. Você tem muitos diplomas? Mérito de Deus. Sua igreja é rica, grande e lotada? Mérito de Deus. Você tem muitos dons? Mérito de Deus. Muitas pessoas o elogiam? Mérito de Deus. Afinal, “Toda dádiva que é boa e perfeita vem do alto, do Pai que criou as luzes no céu…” (Tg 1.17, NVT). Se você empertiga o peito, estriba-se em sua sabedoria e sai desqualificando os demais, o alerta é sério: “Que aflição espera os que são sábios aos próprios olhos e pensam ter entendimento!” (Is 5.21, NVT). “Não sejam orgulhosos, mas tenham amizade com gente de condição humilde. E não pensem que sabem tudo” (Rm 12.16, NVT). O evangelho é claro e direto: quem tem muito deve agir com prudência com o muito que Deus lhe deu, sabendo lidar com delicadeza com os que não sabem nem têm tanto, visando ao amor e com muita graça. Ai de quem “se acha”. “Se vocês são sábios e inteligentes, demonstrem isso vivendo honradamente, realizando boas obras com a humildade que vem da sabedoria. Mas, se em seu coração há inveja amarga e ambição egoísta, não encubram a verdade com vanglórias e mentiras. Porque essas coisas não são a espécie de sabedoria que vem do alto; antes, são terrenas, mundanas e demoníacas. Pois onde há inveja e ambição egoísta, também há confusão e males de todo tipo” (Tg 3.13-16, NVT).

Essa lista poderia prosseguir por dezenas e dezenas de pontos. Mas acredito que somente esses oito já dão muito pano para manga. Fica a reflexão, caso ajude você a pensar sobre como tem vivido. Acredite: se decidir reavaliar suas prioridades em 2017 e mudar muito do que tem feito com relação a esses oito pontos, já será um monumental passo em sua caminhada de fé.

Espero ter ajudado. Agora… é com você.

Paz a todos vocês que estão em Cristo e um feliz Natal,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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