Posts com Tag ‘Paz’

dente 1Em algum momento da sua vida, você certamente já brincou com sementes da planta conhecida como dente-de-leão. A certa distância, elas parecem um chumaço branco e redondo, fixado na ponta de uma haste verde, mas, quando sopra o vento, aquela bolinha de fiapos de desfaz em um monte de pequenos tufos, que saem voando pelo ar. É lindo de se ver e divertido. Sempre gostei muito dessas sementes, porque me transmitem uma sensação de paz e leveza. Para os cristãos da Idade Média, a flor da dente-de-leão estava associada a Cristo, possivelmente pelo seu formato, que lembra os raios do sol. Por isso, historicamente ganhou o significado de otimismo, esperança e luz espiritual. Além das características simbólicas, a planta pode ser utilizada com fins medicinais; seu chá é usado para purificar o sangue, estimular o apetite e tratar diferentes problemas de saúde. E mais: o dente-de-leão também serve como alimento, pois tem valor nutritivo.

Fiquei positivamente surpreso e feliz quando a Editora Mundo Cristão me apresentou a capa de meu novo livro, O Fim do Sofrimento – Um livro para quem busca consolo e esperança nos momentos mais sombrios. A obra, que chega às livrarias neste mês de maio, tem uma capa azul celeste e o único elemento além das palavras são sementes de dente-de-leão sopradas ao vento. Achei a escolha do artista que fez a capa muito apropriada para um livro que tem como objetivo levar paz e alívio a pessoas que estão passando por um período de sofrimento. Quando recebi da Mundo Cristão a arte da capa, fiquei olhando, me lembrando das características dessa planta e refletindo sobre sua relação com a questão da paz em meio ao sofrimento, que é o tema central do livro.

dente 3Muitas vezes, quando o sofrimento chega à nossa vida, nos sentimos destroçados. É como se uma situação aparentemente perfeita fosse destruída, dando lugar a dor, angústia, tristeza, dúvidas, depressão e aflições. O mesmo ocorre com o dente-de-leão, um chumaço redondinho, perfeito, bonito. Mas aí chega o vento. Em segundos, aquela planta aparentemente irretocável é desfeita, desconjuntada, suas partes são sopradas para todos os lados e o que sobra é uma haste pelada, despida de beleza. O interessante é que essa aparente destruição na verdade serve para manter a espécie viva, uma vez que, quando isso ocorre, as sementes são levadas pelo vento para fazer brotar novos exemplares – uma bela estratégia que Deus criou para fazer a planta proliferar, crescer e se multiplicar.

Assim, se enxergarmos o sofrimento não como uma desgraça totalmente negativa, mas como uma oportunidade de reflexão, crescimento e transformação,  conseguiremos lidar muito melhor com as dores do corpo e as angústias da alma. Tudo é uma questão de como se encara a destruição do dente-de-leão: como o fim de algo belo ou como um fenômeno necessário para que ele cresça e se fortaleça. Como você lida com seu sofrimento? Com lamúrias e olhos cravados no presente ou com antecipação e olhos voltados para o futuro?

Além disso, o dente-de-leão é uma planta medicinal, isto é, que ajuda a curar males. De igual modo, enxergo no sofrimento a capacidade de nos conduzir a patamares de reflexão e transformação que em períodos de tranquilidade não conseguimos. Quando sofremos, somos empurrados para fora da nossa zona de conforto e nos vemos obrigados a mudar e nos reinventar; nos tornamos mais fortes e resilientes; adquirimos a capacidade de lidar com as agruras da vida como nunca antes; além de adquirimos um grau de intimidade e relacionamento com Deus muito superior aos dos tempos de paz (seja franco: você ora mais e com mais profundidade quando está tudo bem ou quando tudo vai mal?). O apóstolo Paulo deixou muito clara a capacidade do aperfeiçoamento na fraqueza provocada pelo abatimento de alma:

“Foi-me posto um espinho na carne, mensageiro de Satanás, para me esbofetear, a fim de que não me exalte. Por causa disto, três vezes pedi ao Senhor que o afastasse de mim. Então, ele me disse: A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo. Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo. Porque, quando sou fraco, então, é que sou forte” (2Co 12.7-10).

O fim do sofrimento_CapaNinguém quer sofrer, ninguém gosta de sofrer. Nem eu, nem você, nem ninguém. Sofrimento é algo horrível. Jamais você me ouvirá dizer que devemos querer sofrer – não sou louco. Só que o sofrimento é uma realidade da vida e um dia ele chegará, inevitavelmente. A pergunta que todos devemos saber responder é: como lidaremos com a dor, o luto, a aflição, a depressão, o desconforto, a perda e a falta de bem-estar quando vierem? Com desespero e desequilíbrio ou com confiança e paz? A resposta a essa pergunta fará toda diferença.

O Fim do Sofrimento tem um duplo objetivo: esclarecer por que um Deus bom, amoroso e misericordioso permite que seus filhos sofram. E ofertar palavras de consolo, alívio, crescimento e transformação, para mostrar como você pode obter paz enquanto está no olho do furacão. Por isso, fico especialmente encantado com um aspecto muito singelo da planta escolhida para ilustrar a capa do livro: sabe como o dente-de-leão é chamado em algumas regiões do Brasil?

Esperança.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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otica 1Uma das grandes lições que meu pai me ensinou é que experiências de vida são muito mais valiosas do que bens materiais. Por isso, na minha infância os presentes que ganhava dele eram bem chinfrins, mas, em compensação, todas as férias eram inesquecíveis: viajávamos de carro a lugares como Pantanal, Nordeste, Amazônia, Uruguai, Argentina, Bolívia. Foram muitas aventuras extraordinárias. Cresci e carreguei esse aprendizado comigo: bens passam, mas experiências permanecem. Por isso, alguns anos atrás, em vez de dar um objeto qualquer como presente de aniversário a minha esposa, dei-lhe um voo de helicóptero sobre a cidade do Rio de Janeiro. O dia estava lindo e, de fato, foi um passeio marcante. Algo em especial chamou minha atenção durante o voo: era impressionante como ver de outro ponto de vista os mesmos lugares que sempre frequentei me permitia ver as ruas, os bairros, as praias e tudo mais por uma ótica totalmente diferente. Aquele voo me fez entender com uma clareza inédita uma importante realidade da vida: tudo o que nos acontece pode ser analisado de ângulos diferentes e, dependendo de qual ponto de vista escolhemos, teremos percepções completamente distintas acerca das mesmas coisas.
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Para ficar mais claro o que quero dizer, tomemos por exemplo este relato bíblico: Naquele dia, sendo já tarde, disse-lhes Jesus: Passemos para a outra margem. E eles, despedindo a multidão, o levaram assim como estava, no barco; e outros barcos o seguiam. Ora, levantou-se grande temporal de vento, e as ondas se arremessavam contra o barco, de modo que o mesmo já estava a encher-se de água. E Jesus estava na popa, dormindo sobre o travesseiro; eles o despertaram e lhe disseram: Mestre, não te importa que pereçamos? E ele, despertando, repreendeu o vento e disse ao mar: Acalma-te, emudece! O vento se aquietou, e fez-se grande bonança. Então, lhes disse: Por que sois assim tímidos?! Como é que não tendes fé? E eles, possuídos de grande temor, diziam uns aos outros: Quem é este que até o vento e o mar lhe obedecem?” (Mc 4.35-41).
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ponto de vista 2Pare para pensar como as pessoas que estavam no barco com Jesus enxergaram esse episódio e como as que estavam nos “outros barcos [que] o seguiam” perceberam o ocorrido. Para todos, o fenômeno foi um só: eles saíram de uma margem, veio um grande temporal de vento, com altas ondas, de repente o tempo clareou e logo aportaram na outra margem. Mas as conclusões e as lições foram enormemente distintas: para  quem estava nos “outros barcos”, foi só isto: um fenômeno natural, climático, que se iniciou e terminou pelas forças da natureza. Mas, para quem estava no barco com Cristo, ficou claríssimo que houve uma intervenção sobrenatural de Deus por meio de Jesus. Assim, dependendo de em que barco se estava, a percepção da relação entre Jesus e o acontecido foi totalmente  diferente. Para uns, forças da natureza. Para outros, um milagre que comprovava a divindade de Cristo. Conclusões opostas, frutos de pontos de vista opostos.
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otica 2Pensemos agora sobre a sua vida. Quando chegam a tragédia, a desgraça, a dor e o sofrimento, como você os enxerga? Será que consegue perceber os fatos ruins da vida como parte da escola de Deus, eventos que têm a finalidade de lapidar o diamante bruto que você é e transformá-lo em joia preciosa? De que perspectiva você vê tudo de ruim que se abate sobre você ou aqueles que ama? Com a mesma murmuração do povo de Israel ao sair do Egito ou como Jó, que, ao perder todos os filhos, mortos num catastrófico desabamento, adorou o Senhor e foi capaz de dizer: “Nu saí do ventre de minha mãe e nu voltarei; o SENHOR o deu e o SENHOR o tomou; bendito seja o nome do SENHOR!” (Jó 1.21)?
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Será que você consegue ver o Deus que é puro amor e misericórdia no controle de tudo, mesmo quando chegam as lágrimas e o abatimento? Qual tragédia você está vivendo? Será que é capaz de enxergá-la como parte do grande propósito divino ou como o abandono de um deus mau e raivoso? O ponto de vista que você decidir assumir fará toda a diferença – na sua forma de proceder, nas lições que extrairá, nas palavras que dirá, na solidez de seu relacionamento com o Criador.
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otica 3Muitos, quando ouvem que as tragédias fazem parte da grande equação de Deus rumo a um futuro que ele deseja construir a partir da soma de eventos da vida, se recusam firmemente a reconhecer esse fato. Deus é bom e as desgraças só podem ser atos do Diabo ou da maldade do mundo, dizem. Eu sei que é difícil compreender, entenda que eu sei disso. Por isso, nas horas em que parece que não dá para encaixar sofrimento no mesmo espaço que um Deus bom e amoroso, temos de olhar para a Bíblia e não para o que nós “achamos”. Lembre-se de José, que tinha tudo e, de repente, é traído pelos irmãos, passa anos como escravo, é caluniado, vira presidiário… come o pão que o Diabo amassou… Peraí… o Diabo? Veja a percepção que José tem após atravessar as desgraças todas, em seu discurso aos irmãos traidores: “Assim, não fostes vós que me enviastes para cá, e sim Deus” (Gn 45.8). Uau, que homem de Deus era José. Ele compreendia com clareza que seu sofrimento fizera parte de um plano maior do soberano Criador, tal qual a dolorosa picada de uma injeção que, mesmo que machuque, tem por objetivo nos proteger de uma doença muito pior.
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Pense na cruz de Cristo, um sofrimento sem igual. Foi o Diabo que o levou à cruz? João 3.16 diz que o sofrimento de Jesus foi porque “Deus amou o mundo”. Pense no cativeiro babilônico de Judá e na conquista de Israel pela Assíria, foi o Diabo quem os causou ou foi tudo parte do plano didático do Deus que “disciplina todos os que ama”? Se você conhece a história bíblica, sabe a resposta.
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otica 4Meu irmão, minha irmã, o plano inicial de Deus não era o sofrimento da humanidade. Mas o sofrimento entrou, de penetra, como consequência do pecado. Está lá em Gênesis 3, basta ir à sua Bíblia ler. A partir daí, somos obrigados a conviver com ele, até que cheguem novos céus e nova terra. A questão toda é: é nesse meio-tempo? E no período em que estamos no mundo, sabendo que “no mundo tereis aflições”? Vamos olhar pelo ponto de vista humano, amaldiçoar a Deus e pedir a morte ou vamos olhar nossa dor pelos olhos divinos e, assim, adoraremos ao Senhor, a despeito das circunstâncias?
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Quando estivermos no cárcere, olhemos pelo ponto de vista de Deus e cantemos louvores. Quando estivermos na doença, olhemos pelo ponto de vista de Deus e o adoremos. Quando estivermos na desgraça, olhemos pelo ponto de vista de Deus e lhe rendamos honra. Deus é Deus e Deus é bom. A dor e o sofrimento não mudam esse fato. Mas tenha uma certeza: em meio às nossas angústias e aflições, jamais estamos sós. Pois Jesus prometeu que estaria conosco, todos os dias, até a consumação do século.
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cruzA sua lágrima não é derramada só por você. Saiba que há um Deus que decidiu enxergar a vida pelo meu e pelo seu pontos de vista. Por isso, ele se fez como um de nós. Viveu, suou, chorou, sofreu. Sofreu! Sofreu o pior dos sofrimentos! Mas ressuscitou. E hoje habita em glória, com lugar preparado  para nos receber. Você está sofrendo, meu irmão, minha irmã? Lembre-se: “A nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação” (2Co 4.17). Sim, Deus tem preparado para você uma glória eterna, que pesa mais do que todos os seus sofrimentos. Glória eterna. Paz. Felicidade. Creia: o fim do sofrimento virá. 

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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pecado 1Será que existe algum pecado que seja pior do que todos os outros? Que seja mais terrível, abominável, repulsivo e condenador? Que seja mais grave, que ofenda mais a Deus, que gere consequências espirituais mais destrutivas que os demais? Entre todos os tipos e variações de pecado haveria um que superasse todos os outros quanto a sua peçonha? Assassinato? Adultério? Idolatria? Soberba? Ganância? Mentira? Suborno? Desonra a pai e mãe? Cobiça? Semear contenda entre os irmãos? São muitas as possibilidades. Claro que não incluímos neste raciocínio a blasfêmia contra o Espírito Santo, pelo fato de que essa é uma transgressão sem perdão. “Em verdade vos digo que tudo será perdoado aos filhos dos homens: os pecados e as blasfêmias que proferirem. Mas aquele que blasfemar contra o Espírito Santo não tem perdão para sempre, visto que é réu de pecado eterno” (Mc 3.28-29). Logo, a blasfêmia contra o Espírito Santo é uma categoria totalmente à parte, que não entra no nosso raciocínio. Mas e quanto a todos os outros milhares de tipos de pecados, algum é pior do que os outros?

Sim. Há um pecado absolutamente devastador. Um pecado terrível e assassino. Que está acima de qualquer outro na escala de horror. Se você não sabe qual é, anote: o pior de todos é o pecado sem arrependimento. Qualquer que seja.

pecado 2Jesus não encarnou para condenar, ele se fez homem precisamente para salvar. Jesus é o “Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!” (Jo 1.29). A meta de Cristo ao subir à cruz era conduzir pecadores ao arrependimento e, assim, possibilitar o perdão de milhões de vidas. Deus tem um enorme prazer no arrependimento: “Digo-vos que, assim, haverá maior júbilo no céu por um pecador que se arrepende do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento” (Lc 15.7). Essa percepção é absolutamente transformadora e libertadora, e explico por quê: muita gente acredita, por mil razões diferentes, que Deus não perdoará seu pecado, embora esteja verdadeiramente arrependida de seu erro. Quem pensa assim ainda não alcançou a compreensão, infelizmente, de que o perdão mediante o arrependimento é exatamente o motivo que levou Jesus a despir-se de sua glória para entrar no mundo como um de nós, sofrer e morrer na cruz.

Não falo isso só por teoria: eu mesmo já fiz parte desse grupo. Por um bom tempo vivi com o terrível peso de culpa por enxergar minha enorme pecaminosidade após a conversão, já conhecendo a Verdade. E percebi que aquele era um sentimento que muitos e muitos de meus irmãos e irmãs em Cristo experimentavam: não se enxergavam dignos do perdão de Deus, por terem pecado sendo já cristãos, justificados e chamados pela graça. Foi quando resolvi mergulhar nas Escrituras para compreender com a maior profundidade possível o que elas dizem sobre o processo pecado-perdão-restauração. Foram meses de leitura, estudo e reflexão. Por fim, acredito que consegui compreender com clareza a realidade que envolve essa dinâmica e, consequentemente, passei a ver como existem multidões de cristãos assolados desnecessariamente pela culpa. São homens e mulheres arrependidos, que abandonaram o pecado que outrora cometeram, não querem mais cometê-lo e, ainda assim, se veem culpados e esmagados pelo peso de um pecado que já não pesa sobre eles.

Foi a compreensão das verdades bíblicas acerca dessa realidade que me libertou das garras da culpa. E se você vive uma enorme culpa por algum pecado que cometeu e acha que não há perdão para você, saiba que basta cumprir o que a Palavra de Deus estipula e você será totalmente liberto desse fardo. O arrependimento é o primeiro passo, como disse Pedro: “Arrependei-vos, pois, e convertei-vos para serem cancelados os vossos pecados” (At 3.19). Esse arrependimento não pode ser produzido por vontade humana, é o Espírito Santo quem nos convence do pecado. Portanto, se você está arrependido, saiba que é Deus agindo com o intuito de perdoá-lo.

Após o arrependimento, vem a confissão. É hora de abrir o coração e confessar a Deus seu pecado, sem desculpas, sem subterfúgios; mas com transparência e sinceridade. “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (1Jo 1.9). Em seguida, é preciso deixar a prática desse pecado, o que significa estabelecer o firme propósito de não mais cometê-lo. “O que encobre as suas transgressões jamais prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia” (Pv 28.13).

pecado 3Uma vez que você tenha passado pelo processo de arrependimento, confissão e abandono, o perdão total vem sobre a sua vida. Você será livre. Todo fardo de culpa será lançado no fundo do mar. Deus te abraçará e dirá, sorrindo, que nenhuma condenação há para aqueles que estão em Cristo Jesus. E, então, feito alvo, mais que a neve, você deve continuar sua caminhada de fé, inocentado do pior pecado de todos. A partir daí, seu papel é ajudar quem está achatado pelo peso da culpa, ensinando o caminho do perdão total mediante o arrependimento. E, para aqueles que não se arrependeram ainda, deve pregar o arrependimento e interceder por sua vida, para que, mediante a sua proclamação do evangelho e a ação do Espírito Santo, tais pessoas encontrem a paz, o perdão e a restauração.

Seja um agente em favor do arrependimento. Ao fazer isso, você pode ser o canal para que Deus apague uma multidão de pecados.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari <facebook.com/mauriciozagariescritor >

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inferno 1Eu vi o inferno. Calma. Antes que você ache que vou contar mais uma dessas experiências de gente que afirma ter sido arrebatada e levada para um passeio pelo temido local de tormento eterno, deixe-me tranquilizá-lo; não é nada disso. Tampouco pretendo escrever um livro com “divinas revelações” do que há do outro lado da morte. A visão que tive do inferno na verdade é metafórica, fruto de um episódio simples que me fez ter um lampejo da terrível realidade de quem após esta vida adentra nesse ambiente tão misterioso onde há choro e ranger de dentes. Minha filha é muito apegada aos pais. Talvez pelo fato de não ter irmãos ou primos por perto e de conviver essencialmente comigo e minha esposa todos os dias e noites, ela aprecia muito estar em nossa companhia e detesta ficar longe de nós. Com a virada do ano, sua turma na escola ganhou novas professoras, que ela não conhecia antes. Bem aclimatada ao colégio, já há bastante tempo ela não faz escândalos quando a deixamos para a aula, acostumada que está aos coleguinhas e ao ambiente escolar. Até que…

No primeiro dia de aula deste ano, minha esposa é quem a levou para a escola. Tudo certo, sem incidentes. Mas, no segundo dia, foi minha vez. Pus a filhota na cadeirinha de minha bicicleta e fomos pela ciclovia, cantando e conversando, até o colégio. Cheguei, estacionei, descemos da bicicleta e caminhamos para o pátio em que eu a entregaria para a professora. Tudo normal, sem problemas. Só que, então, fui me despedir. Em vez do beijinho e do abraço usuais, seguido de um “tchau, Jesus te abençoe”, naquele dia a reação dela foi diferente. Pediu colo. Agarrou-se em meu pescoço com todas suas forças e começou a lamentar baixinho:

– Papai… papai… papai… papai…

Como um filhote de coala, ela se atracou em mim com braços e pernas e não desgrudava por nada. Desacostumado a esse tipo de comportamento já havia muitos meses, fui pego de surpresa. Tentei conversar. Usei muitos argumentos. Mas as palavras foram vãs e minhas tentativas, infrutíferas.

– Papai… papai… papai… papai…

Olhei para a professora nova com um olhar de “me ajuda” e ela veio em meu socorro. Tentamos fazer minha filha desgrudar e se juntar aos coleguinhas, mas foi pior. Quando percebeu que estavam tentando separá-la de mim, a filhota começou a chorar e a gritar. Foi um escândalo. Eu tentava argumentar, a professora oferecia convites e opções de atividades, mas absolutamente nada surtia efeito.

– Bebê, papai precisa ir…

– Papaaaaaaaaaaiiiiii!!!!!!! – a coisa só piorava.

Quando me dei conta, ela entrou em desespero. Por nada do mundo queria ficar longe de mim. O grito virou um urro. As lágrimas banhavam o rosto, que inchava e se avermelhava. O suor empapava a camisa. O cabelo começou a ficar desgrenhado, de tanto ela resistir. Eu tentava. A professora tentava. Uma auxiliar tentava. Até coleguinhas se aproximaram com olhar assustado para ver o que estava acontecendo. Nada adiantava.

– Papaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaieeeeeeee!!!!!!

Consegui, com monumental esforço, puxá-la para longe do abraço e a pus no chão. Com um salto, ela se atracou a uma de minhas pernas e o choro piorou.

– Papaaaaaaaaaaiiiiiiii!!!!! Coloooooooooooo!!!!!!!

Olhei para o relógio e vi que, se não saísse dali naquela hora, me atrasaria para o trabalho. Olhei para a professora, que me olhou de volta. Pelo olhar decidimos que teríamos de desgrudar minha filha à força. E foi o que fizemos. Com o máximo de delicadeza que consegui, afastei os bracinhos dela de mim e a professora a segurou, enquanto eu caminhava apressadamente para a porta. Com o coração dilacerado pelos urros da minha filha, que dobraram de volume ao me ver me afastando, olhei para trás.

E foi quando tive a visão do inferno.

Separada do pai, aquela pobre alma babava e chorava, com as mãos estendidas em minha direção, os dedos contristados, gritos que clamavam pela presença do pai, olhos arregalados em desespero. Nada no mundo importava para ela naquele momento: a única coisa que desejava era estar com seu pai. Mas ela não podia. Apesar de todas as fibras do meu ser me impulsionarem para correr em sua direção, tomá-la em meus braços e levá-la comigo de volta para casa, eu sabia que não seria possível. Então assoprei um beijo de longe e gritei:

– Papai te ama! Muito!

E saí do pátio, em direção à bicicleta, enquanto ouvia os gritos e o choro da minha filhinha.

– Papaaaaaaaaaaaaaaai!!!! Papaaaaaaaaaaaaaaai!!!! Papaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaai!!!!

inferno 2O que é o inferno? Esqueça todas as imagens simbólicas que já ouviu sobre isso. Esqueça diabinhos vermelhos cutucando pessoas com tridentes. Esqueça divinas revelações, esqueça livros de gente que afirma ter sido arrebatada, esqueça tudo. Inferno é uma coisa só: querer estar com o Pai e não poder. Só quem viu nos olhos de alguém o mais absoluto desespero por desejar ficar com o pai e não ter essa possibilidade, como eu vi, compreende o que significa o choro e o ranger de dentes.

Fomos criados para viver com Deus. Viver longe dele é algo totalmente antinatural. Por isso, nossa natureza clama angustiadamente por sua presença. Quando o Pai pôs Adão no Éden, insuflou nele o desejo de conviver diariamente consigo. Isso é o natural. O pecado, porém, criou o abismo entre Criador e criatura e, a partir daí, passamos a viver com um vazio do tamanho de Deus na alma. Fomos expulsos do jardim, e não fomos criados ou preparados para isso. Deus fez o homem para estar junto de si e qualquer coisa diferente disso é uma distorção astronômica da ordem original das coisas. O inferno foi criado para Satanás e seus anjos, lá não é nosso lugar. Não pertencemos ao inferno, mas ao Éden, à convivência permanente com o Pai. Por isso, é completamente artificial estar longe de Deus, não faz sentido, não encaixa, o mundo vira de cabeça para baixo numa situação dessas.

cruzMas, então, veio a cruz. Ela nos tirou dessa realidade irreal e surreal que é viver longe do Pai. Ao sermos adotados como filhos de Deus, mediante Cristo, retornamos ao estado original para o qual fomos formados: temos acesso ao Senhor, passamos a viver com ele – não mais em um jardim, mas em nós mesmos, feitos habitação do Santo Espírito. Ingressamos no reino do qual nunca deveríamos ter saído. Nossa comunhão com o Pai volta a ser constante, como sempre deveria ser e como nunca deveria ter deixado de ser, não fosse pela entrada do pecado em nosso coração.

Quem não tem Cristo, todavia, vive outra realidade. Na vida desses, a separação do Pai segue do nascimento até a morte. Distraídos com as alegrias desta vida, os prazeres, as festas e os benefícios que as riquezas proporcionam, seu foco torna-se o que está ao redor. O afastamento de Deus os cega a tal ponto que chegam a crer em outros deuses ou mesmo a não crer em nenhum. E, assim, a necessidade de retornar àquele estado original de comunhão constante com o Criador é embaçada pelas coisas desta vida. Consciência cauterizada.

Só que aí chega a morte.

E, após a morte, todas as distrações, todos os prazeres, tudo aquilo que ocupava a mente e o coração dos que deram as costas para Cristo durante seus anos na terra… desaparece. Simplesmente deixa de existir. O que resta? A ausência do Pai. Um vazio que nunca será preenchido. E isso leva, inevitavelmente, ao sofrimento. À dor. Ao desespero. Ao choro. Ao ranger de dentes. Sem as distrações da vida terrena, a alma sedenta da presença de Deus percebe que jamais a terá. Pelos séculos dos séculos, sua existência será marcada pela ausência do Pai. E tudo o que lhe resta é o tormento eterno que essa percepção gera.

– Papaaaaaaaaaaaaaaaaaaaai!!!!!!!!

Só que aí não adianta mais nada clamar. O Pai não tem mais o que fazer, pois a cruz foi rejeitada. Aquela pobre alma deu as costas para Jesus. O Pai só pode olhar de longe e, cheio de amor e compaixão por aquela vida, afastar-se, ouvindo seus gritos do mais absoluto desespero, pois a justiça teve de ser cumprida: sem Deus nesta vida, sem Deus na eternidade. O que sobra? O nada. O nada absoluto.

Ao final da tarde, voltei à escola para pegar minha filha. Assim que ela me viu, correu em minha direção e, de um salto, pulou no meu pescoço. Ficou agarrada um longo tempo, enquanto eu, meio espremido em seu abraço, dava dezenas de beijos no seu rosto. Sem desgrudar, ela disse baixinho no meu ouvido:

– Papai… eu tava com saudade.

E respondi, com amor:

– Eu também, bebê. Mas agora o papai está aqui. E a gente vai ficar juntinho, viu? Vou te levar pra casa e vamos ficar agarradinhos.

Ela abriu um sorriso radiante. Deu um longo suspiro, relaxou os braços e apoiou a cabecinha no meu ombro. E foi quando eu percebi: agora, ali, no abraço do pai, minha filha estava… no céu.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Mauricio Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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gentileza1Tenho uma tristeza em meu coração que cresce a cada dia, mas já falo sobre isso. Antes permita-me trazer à memória uma recordação de infância. Lembro-me de quando era criança e, no caminho para a escola, passava por baixo do agora demolido elevado da Perimetral, na região do cais do porto do Rio de Janeiro. Pela janela do ônibus eu constantemente via uma figura solitária, que estava sempre presente: um senhor idoso, de barbas grandes e roupas extravagantes, que escrevia palavras nas pilastras do enorme viaduto. Eu não sabia na época, mas aquele homem, chamado José Datrino, viria a ser conhecido como “Profeta Gentileza”. Não tenho como contar sua história neste post, mas se desejar saber mais sobre essa figura icônica do Rio dos anos 1980, pode ler mais AQUI. Enfim, o que chamava atenção nas suas inscrições era que ele escrevia muitas frases desconexas, mas uma expressão nunca faltava: “Gentileza gera gentileza”. Em meio aos seus devaneios, provavelmente aquele homem não sabia que estava dizendo uma verdade bíblica; verdade essa replicada em passagens como: “A resposta calma desvia a fúria, mas a palavra ríspida desperta a ira” (Pv 15.1); “Vocês ouviram o que foi dito: ‘Ame o seu próximo e odeie o seu inimigo’. Mas eu lhes digo: Amem os seus inimigos e orem por aqueles que os perseguem, para que vocês venhama ser filhos de seu Pai que está nos céus” (Mt 5.43-45); “Não retribuam mal com mal, nem insulto com insulto; ao contrário, bendigam; pois para isso vocês foram chamados, para receberem bênção por herança” (1Pe 3.9); “Dediquem-se uns aos outros com amor fraternal. Prefiram dar honra aos outros mais do que a si próprios” (Rm 12.10); “Alegrem-se com os que se alegram; chorem com os que choram. Tenham uma mesma atitude uns para com os outros. Não sejam orgulhosos, mas estejam dispostos a associar-se a pessoas de posição inferior.Não sejam sábios aos seus próprios olhos.  Não retribuam a ninguém mal por mal” (Rm 12.15-17). “O seu falar seja sempre agradável e temperado comsal, para que saibam como responder a cada um” (Cl 4.6). E por aí vai. A tristeza que carrego em meu coração é por ver que a sociedade em que vivo está muito distante do ideal do Profeta Gentileza. Que, como vimos, reflete os ideais das Escrituras sagradas. E me refiro à sociedade como um todo: cristãos e não cristãos. Sinceramente, não sei o que está acontecendo ou como chegamos a esse ponto: vejo meus irmãos em Cristo refletirem uma agressividade difícil de compreender. É como se xingar, ofender e não perdoar tivessem se tornado virtudes do evangelho. Sei que já falei sobre este tema aqui no APENAS, mas a cada novo dia vejo tantas situações que me assombram quanto a isso que não tenho como deixar para lá. gentileza2Acabei de ler um livro que fala exatamente sobre esta questão: a importância da gentileza no trato com quem discorda de nós. Não posso dizer o nome do livro nem o autor, por haver questões éticas envolvidas, mas posso relatar que é uma obra que mostra como a forma que tratamos quem discorda de nós é tão ou mais importante do que os argumentos que apresentamos. Isso se aplica a qualquer circunstância da vida: evangelismo, discussão apologética ou no simples trato diário. A conclusão é simples e óbvia, mas parece que nos esquecemos disso, sabe-se lá por quê: se pregamos as verdades do evangelho com agressividade, ofensas, sarcasmo e outras formas horríveis de se comportar, nosso procedimento desqualifica aquilo que dizemos. Isso está errado, muito errado, e precisamos urgentemente resgatar a vivência da gentileza na nossa rotina. Devemos tratar quem diverge de nós com afeto. É indispensável que sejamos corteses e gentis com quem não acredita no que acreditamos ou mesmo com quem acredita mas comete erros. Temos de ser menos implacáveis. Caso contrário, nossas palavras serão cristãs, mas nosso comportamento será diabólico. Temos de ser mansos e humildes de coração. Temos de temperar nossas palavras com sal. Cristãos agressivos não são sal da terra e luz do mundo, são insossos e trevas. Desculpe ser tão incisivo, mas essa é verdade. Muitas vezes o mundo nos acusa de destilar ódio, e muitas vezes o mundo acerta ao afirmar isso, pois temos, sim, sido odiosos em muitas situações. gentileza3As últimas eleições revelaram o pior de nós. Fiquei estarrecido de ver como muitos cristãos se posicionaram nas redes sociais. Na verdade, fiquei envergonhado. Tive vontade de gritar: “Eu concordo com o que eles dizem mas discordo totalmente da forma como dizem! Esse temperamento explosivo e esse comportamento odioso não me representa!”. Recentemente, vi no facebook pessoas se referirem a uma cantora evangélica com adjetivos inacreditáveis pelo fato de ela ter cometido uma gafe durante uma pregação (detalhe: posteriormente, ela se retratou e pediu perdão). Li cristãos chamarem essa irmã em Cristo de “boçal”, “idiota” e outras coisas do gênero, sem perceber que estavam agindo de modo absolutamente anticristão na escolha de suas palavras e no ódio que transmitiam. E, se dos lábios sai o que está cheio o coração, o que esse tipo de verborragia revela sobre o nosso coração? Meu irmão, minha irmã, precisamos parar e refletir sobre como temos nos comportado, o que temos falado, como temos nos sentido com relação a quem discorda de nós. E isso em todas as arenas: político-partidária, doutrinária, teológica, pessoal, profissional, ministerial… não importa. Ou amamos de fato em nosso modo de nos relacionarmos ou para nada mais servirmos exceto para sermos jogados fora e pisados pelos homens. Não importa como os outros se comportam, importa como VOCÊ se comporta. Faça sua parte. Não conseguiremos mudar toda uma multidão raivosa, mas se você conseguir mudar a si mesmo, repensar como tem se posicionado e deixar a agressividade para viver a gentileza que gera gentileza… os céus se alegrarão e os anjos farão festa. Ser um cristão agressivo é uma contradição. Perceber o erro, arrepender-se e mudar de rumo é o evangelho em sua essência. O que você prefere ser, uma contradição mundana ou um exemplo do que o evangelho pode fazer? gentileza4Faça sua parte. Repense sua forma de falar e se relacionar. Se perceber que não tem sido tão gentil como Cristo seria, sugiro humildemente que procure se reinventar. Ore pelos que erram ao abraçar a agressividade achando que Deus se agrada disso. Compartilhe essa ideia, passe adiante esses valores. E que o Senhor nos ajude a sermos um corpo formado por membros amorosos, graciosos, compassivos, misericordiosos, pacíficos e pacificadores, amáveis, bondosos, com domínio próprio e mansos. Sejamos menos punhos cerrados e mais corações abertos. Sejamos cristãos. Paz a todos vocês que estão em Cristo, Maurício Zágari Perdaototal_Banner Blog Apenas