Posts com Tag ‘Paz’

inferno 1Eu vi o inferno. Calma. Antes que você ache que vou contar mais uma dessas experiências de gente que afirma ter sido arrebatada e levada para um passeio pelo temido local de tormento eterno, deixe-me tranquilizá-lo; não é nada disso. Tampouco pretendo escrever um livro com “divinas revelações” do que há do outro lado da morte. A visão que tive do inferno na verdade é metafórica, fruto de um episódio simples que me fez ter um lampejo da terrível realidade de quem após esta vida adentra nesse ambiente tão misterioso onde há choro e ranger de dentes. Minha filha é muito apegada aos pais. Talvez pelo fato de não ter irmãos ou primos por perto e de conviver essencialmente comigo e minha esposa todos os dias e noites, ela aprecia muito estar em nossa companhia e detesta ficar longe de nós. Com a virada do ano, sua turma na escola ganhou novas professoras, que ela não conhecia antes. Bem aclimatada ao colégio, já há bastante tempo ela não faz escândalos quando a deixamos para a aula, acostumada que está aos coleguinhas e ao ambiente escolar. Até que…

No primeiro dia de aula deste ano, minha esposa é quem a levou para a escola. Tudo certo, sem incidentes. Mas, no segundo dia, foi minha vez. Pus a filhota na cadeirinha de minha bicicleta e fomos pela ciclovia, cantando e conversando, até o colégio. Cheguei, estacionei, descemos da bicicleta e caminhamos para o pátio em que eu a entregaria para a professora. Tudo normal, sem problemas. Só que, então, fui me despedir. Em vez do beijinho e do abraço usuais, seguido de um “tchau, Jesus te abençoe”, naquele dia a reação dela foi diferente. Pediu colo. Agarrou-se em meu pescoço com todas suas forças e começou a lamentar baixinho:

– Papai… papai… papai… papai…

Como um filhote de coala, ela se atracou em mim com braços e pernas e não desgrudava por nada. Desacostumado a esse tipo de comportamento já havia muitos meses, fui pego de surpresa. Tentei conversar. Usei muitos argumentos. Mas as palavras foram vãs e minhas tentativas, infrutíferas.

– Papai… papai… papai… papai…

Olhei para a professora nova com um olhar de “me ajuda” e ela veio em meu socorro. Tentamos fazer minha filha desgrudar e se juntar aos coleguinhas, mas foi pior. Quando percebeu que estavam tentando separá-la de mim, a filhota começou a chorar e a gritar. Foi um escândalo. Eu tentava argumentar, a professora oferecia convites e opções de atividades, mas absolutamente nada surtia efeito.

– Bebê, papai precisa ir…

– Papaaaaaaaaaaiiiiii!!!!!!! – a coisa só piorava.

Quando me dei conta, ela entrou em desespero. Por nada do mundo queria ficar longe de mim. O grito virou um urro. As lágrimas banhavam o rosto, que inchava e se avermelhava. O suor empapava a camisa. O cabelo começou a ficar desgrenhado, de tanto ela resistir. Eu tentava. A professora tentava. Uma auxiliar tentava. Até coleguinhas se aproximaram com olhar assustado para ver o que estava acontecendo. Nada adiantava.

– Papaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaieeeeeeee!!!!!!

Consegui, com monumental esforço, puxá-la para longe do abraço e a pus no chão. Com um salto, ela se atracou a uma de minhas pernas e o choro piorou.

– Papaaaaaaaaaaiiiiiiii!!!!! Coloooooooooooo!!!!!!!

Olhei para o relógio e vi que, se não saísse dali naquela hora, me atrasaria para o trabalho. Olhei para a professora, que me olhou de volta. Pelo olhar decidimos que teríamos de desgrudar minha filha à força. E foi o que fizemos. Com o máximo de delicadeza que consegui, afastei os bracinhos dela de mim e a professora a segurou, enquanto eu caminhava apressadamente para a porta. Com o coração dilacerado pelos urros da minha filha, que dobraram de volume ao me ver me afastando, olhei para trás.

E foi quando tive a visão do inferno.

Separada do pai, aquela pobre alma babava e chorava, com as mãos estendidas em minha direção, os dedos contristados, gritos que clamavam pela presença do pai, olhos arregalados em desespero. Nada no mundo importava para ela naquele momento: a única coisa que desejava era estar com seu pai. Mas ela não podia. Apesar de todas as fibras do meu ser me impulsionarem para correr em sua direção, tomá-la em meus braços e levá-la comigo de volta para casa, eu sabia que não seria possível. Então assoprei um beijo de longe e gritei:

– Papai te ama! Muito!

E saí do pátio, em direção à bicicleta, enquanto ouvia os gritos e o choro da minha filhinha.

– Papaaaaaaaaaaaaaaai!!!! Papaaaaaaaaaaaaaaai!!!! Papaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaai!!!!

inferno 2O que é o inferno? Esqueça todas as imagens simbólicas que já ouviu sobre isso. Esqueça diabinhos vermelhos cutucando pessoas com tridentes. Esqueça divinas revelações, esqueça livros de gente que afirma ter sido arrebatada, esqueça tudo. Inferno é uma coisa só: querer estar com o Pai e não poder. Só quem viu nos olhos de alguém o mais absoluto desespero por desejar ficar com o pai e não ter essa possibilidade, como eu vi, compreende o que significa o choro e o ranger de dentes.

Fomos criados para viver com Deus. Viver longe dele é algo totalmente antinatural. Por isso, nossa natureza clama angustiadamente por sua presença. Quando o Pai pôs Adão no Éden, insuflou nele o desejo de conviver diariamente consigo. Isso é o natural. O pecado, porém, criou o abismo entre Criador e criatura e, a partir daí, passamos a viver com um vazio do tamanho de Deus na alma. Fomos expulsos do jardim, e não fomos criados ou preparados para isso. Deus fez o homem para estar junto de si e qualquer coisa diferente disso é uma distorção astronômica da ordem original das coisas. O inferno foi criado para Satanás e seus anjos, lá não é nosso lugar. Não pertencemos ao inferno, mas ao Éden, à convivência permanente com o Pai. Por isso, é completamente artificial estar longe de Deus, não faz sentido, não encaixa, o mundo vira de cabeça para baixo numa situação dessas.

cruzMas, então, veio a cruz. Ela nos tirou dessa realidade irreal e surreal que é viver longe do Pai. Ao sermos adotados como filhos de Deus, mediante Cristo, retornamos ao estado original para o qual fomos formados: temos acesso ao Senhor, passamos a viver com ele – não mais em um jardim, mas em nós mesmos, feitos habitação do Santo Espírito. Ingressamos no reino do qual nunca deveríamos ter saído. Nossa comunhão com o Pai volta a ser constante, como sempre deveria ser e como nunca deveria ter deixado de ser, não fosse pela entrada do pecado em nosso coração.

Quem não tem Cristo, todavia, vive outra realidade. Na vida desses, a separação do Pai segue do nascimento até a morte. Distraídos com as alegrias desta vida, os prazeres, as festas e os benefícios que as riquezas proporcionam, seu foco torna-se o que está ao redor. O afastamento de Deus os cega a tal ponto que chegam a crer em outros deuses ou mesmo a não crer em nenhum. E, assim, a necessidade de retornar àquele estado original de comunhão constante com o Criador é embaçada pelas coisas desta vida. Consciência cauterizada.

Só que aí chega a morte.

E, após a morte, todas as distrações, todos os prazeres, tudo aquilo que ocupava a mente e o coração dos que deram as costas para Cristo durante seus anos na terra… desaparece. Simplesmente deixa de existir. O que resta? A ausência do Pai. Um vazio que nunca será preenchido. E isso leva, inevitavelmente, ao sofrimento. À dor. Ao desespero. Ao choro. Ao ranger de dentes. Sem as distrações da vida terrena, a alma sedenta da presença de Deus percebe que jamais a terá. Pelos séculos dos séculos, sua existência será marcada pela ausência do Pai. E tudo o que lhe resta é o tormento eterno que essa percepção gera.

– Papaaaaaaaaaaaaaaaaaaaai!!!!!!!!

Só que aí não adianta mais nada clamar. O Pai não tem mais o que fazer, pois a cruz foi rejeitada. Aquela pobre alma deu as costas para Jesus. O Pai só pode olhar de longe e, cheio de amor e compaixão por aquela vida, afastar-se, ouvindo seus gritos do mais absoluto desespero, pois a justiça teve de ser cumprida: sem Deus nesta vida, sem Deus na eternidade. O que sobra? O nada. O nada absoluto.

Ao final da tarde, voltei à escola para pegar minha filha. Assim que ela me viu, correu em minha direção e, de um salto, pulou no meu pescoço. Ficou agarrada um longo tempo, enquanto eu, meio espremido em seu abraço, dava dezenas de beijos no seu rosto. Sem desgrudar, ela disse baixinho no meu ouvido:

– Papai… eu tava com saudade.

E respondi, com amor:

– Eu também, bebê. Mas agora o papai está aqui. E a gente vai ficar juntinho, viu? Vou te levar pra casa e vamos ficar agarradinhos.

Ela abriu um sorriso radiante. Deu um longo suspiro, relaxou os braços e apoiou a cabecinha no meu ombro. E foi quando eu percebi: agora, ali, no abraço do pai, minha filha estava… no céu.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Mauricio Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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gentileza1Tenho uma tristeza em meu coração que cresce a cada dia, mas já falo sobre isso. Antes permita-me trazer à memória uma recordação de infância. Lembro-me de quando era criança e, no caminho para a escola, passava por baixo do agora demolido elevado da Perimetral, na região do cais do porto do Rio de Janeiro. Pela janela do ônibus eu constantemente via uma figura solitária, que estava sempre presente: um senhor idoso, de barbas grandes e roupas extravagantes, que escrevia palavras nas pilastras do enorme viaduto. Eu não sabia na época, mas aquele homem, chamado José Datrino, viria a ser conhecido como “Profeta Gentileza”. Não tenho como contar sua história neste post, mas se desejar saber mais sobre essa figura icônica do Rio dos anos 1980, pode ler mais AQUI. Enfim, o que chamava atenção nas suas inscrições era que ele escrevia muitas frases desconexas, mas uma expressão nunca faltava: “Gentileza gera gentileza”. Em meio aos seus devaneios, provavelmente aquele homem não sabia que estava dizendo uma verdade bíblica; verdade essa replicada em passagens como:

“A resposta calma desvia a fúria, mas a palavra ríspida desperta a ira” (Pv 15.1);

“Vocês ouviram o que foi dito: ‘Ame o seu próximo e odeie o seu inimigo’. Mas eu lhes digo: Amem os seus inimigos e orem por aqueles que os perseguem, para que vocês venhama ser filhos de seu Pai que está nos céus” (Mt 5.43-45);

“Não retribuam mal com mal, nem insulto com insulto; ao contrário, bendigam; pois para isso vocês foram chamados, para receberem bênção por herança” (1Pe 3.9);

“Dediquem-se uns aos outros com amor fraternal. Prefiram dar honra aos outros mais do que a si próprios” (Rm 12.10);

“Alegrem-se com os que se alegram; chorem com os que choram. Tenham uma mesma atitude uns para com os outros. Não sejam orgulhosos, mas estejam dispostos a associar-se a pessoas de posição inferior.Não sejam sábios aos seus próprios olhos.  Não retribuam a ninguém mal por mal” (Rm 12.15-17).

“O seu falar seja sempre agradável e temperado comsal, para que saibam como responder a cada um” (Cl 4.6).

E por aí vai.

A tristeza que carrego em meu coração é por ver que a sociedade em que vivo está muito distante do ideal do Profeta Gentileza. Que, como vimos, reflete os ideais das Escrituras sagradas. E me refiro à sociedade como um todo: cristãos e não cristãos. Sinceramente, não sei o que está acontecendo ou como chegamos a esse ponto: vejo meus irmãos em Cristo refletirem uma agressividade difícil de compreender. É como se xingar, ofender e não perdoar tivessem se tornado virtudes do evangelho. Sei que já falei sobre este tema aqui no APENAS, mas a cada novo dia vejo tantas situações que me assombram quanto a isso que não tenho como deixar para lá.

gentileza2Acabei de ler um livro que fala exatamente sobre esta questão: a importância da gentileza no trato com quem discorda de nós. Não posso dizer o nome do livro nem o autor, por haver questões éticas envolvidas, mas posso relatar que é uma obra que mostra como a forma que tratamos quem discorda de nós é tão ou mais importante do que os argumentos que apresentamos. Isso se aplica a qualquer circunstância da vida: evangelismo, discussão apologética ou no simples trato diário. A conclusão é simples e óbvia, mas parece que nos esquecemos disso, sabe-se lá por quê: se pregamos as verdades do evangelho com agressividade, ofensas, sarcasmo e outras formas horríveis de se comportar, nosso procedimento desqualifica aquilo que dizemos. Isso está errado, muito errado, e precisamos urgentemente resgatar a vivência da gentileza na nossa rotina. Devemos tratar quem diverge de nós com afeto. É indispensável que sejamos corteses e gentis com quem não acredita no que acreditamos ou mesmo com quem acredita mas comete erros. Temos de ser menos implacáveis. Caso contrário, nossas palavras serão cristãs, mas nosso comportamento será diabólico.

Em grande parte, a culpa disso é de certos líderes. Pessoas que se posicionam com palavras agressivas de quem discorda de si, que usam de sarcasmo, ofensas, ódio… e muitos de nós, por admirarmos tais líderes, achamos que esse comportamento é válido. Se é o seu caso, escute: NÃO É. Esses líderes estão errados. Muito errados. Totalmente errados. E não devemos imitá-los. Se um líder cristão usa termos ofensivos para se referir a quem discorda dele em questões político-partidárias, doutrinárias ou teológicas, ele não está seguindo o exemplo de Cristo. Temos de ser mansos e humildes de coração. Temos de temperar nossas palavras com sal. Cristãos agressivos não são sal da terra e luz do mundo, são insossos e trevas. Desculpe ser tão incisivo, mas essa é verdade. Muitas vezes o mundo nos acusa de destilar ódio, e muitas vezes o mundo acerta ao afirmar isso, pois temos, sim, sido odiosos em muitas situações.

gentileza3As últimas eleições revelaram o pior de nós. Fiquei estarrecido de ver como muitos cristãos se posicionaram nas redes sociais. Na verdade, fiquei envergonhado. Tive vontade de gritar: “Eu concordo com o que eles dizem mas discordo totalmente da forma como dizem! Esse temperamento explosivo e esse comportamento odioso não me representa!”. Recentemente, vi no facebook pessoas se referirem a uma cantora evangélica com adjetivos inacreditáveis pelo fato de ela ter cometido uma gafe durante uma pregação (detalhe: posteriormente, ela se retratou e pediu perdão). Li cristãos chamarem essa irmã em Cristo de “boçal”, “idiota” e outras coisas do gênero, sem perceber que estavam agindo de modo absolutamente anticristão na escolha de suas palavras e no ódio que transmitiam. E, se dos lábios sai o que está cheio o coração, o que esse tipo de verborragia revela sobre o nosso coração?

Meu irmão, minha irmã, precisamos parar e refletir sobre como temos nos comportado, o que temos falado, como temos nos sentido com relação a quem discorda de nós. E isso em todas as arenas: político-partidária, doutrinária, teológica, pessoal, profissional, ministerial… não importa. Ou amamos de fato em nosso modo de nos relacionarmos ou para nada mais servirmos exceto para sermos jogados fora e pisados pelos homens. Não importa como os outros se comportam, importa como VOCÊ se comporta. Faça sua parte. Não conseguiremos mudar toda uma multidão raivosa, mas se você conseguir mudar a si mesmo, repensar como tem se posicionado e deixar a agressividade para viver a gentileza que gera gentileza… os céus se alegrarão e os anjos farão festa. Ser um cristão agressivo é uma contradição. Perceber o erro, arrepender-se e mudar de rumo é o evangelho em sua essência. O que você prefere ser, uma contradição mundana ou um exemplo do que o evangelho pode fazer?

gentileza4Faça sua parte. Repense sua forma de falar e se relacionar. Se perceber que não tem sido tão gentil como Cristo seria, sugiro humildemente que procure se reinventar. Ore pelos que erram ao abraçar a agressividade achando que Deus se agrada disso. Compartilhe essa ideia, passe adiante esses valores. E que o Senhor nos ajude a sermos um corpo formado por membros amorosos, graciosos, compassivos, misericordiosos, pacíficos e pacificadores, amáveis, bondosos, com domínio próprio e mansos. Sejamos menos punhos cerrados e mais corações abertos. Sejamos cristãos.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari

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perdao totalVocê, que acompanha o blog APENAS, deve ter percebido que tenho falado nos posts mais recentes sobre meu livro Perdão Total – Um livro para quem não se perdoa e para quem não consegue perdoar, em função do seu lançamento, este mês. Se você lê o que escrevo já há algum tempo, espero que perceba que minha intenção ao divulgar uma obra de minha autoria não é mercadológica ou financeira, mas, sim, missional, pois eu acredito com convicção que a mensagem contida nesse livro pode abençoar muitas vidas – uma vez que entendo que compreender o que a Bíblia de fato explica sobre o processo pecado-perdão-restauração é uma necessidade urgente entre os cristãos. Muitos não perdoam quem os ofendeu, o que os faz carregar toneladas de ressentimento. Muitos não se perdoam por pecados que cometeram no passado, o que os faz carregar toneladas de culpa. E todos precisamos ser perdoados. Porém, encontro em todo lugar por onde passo centenas e centenas de pessoas que vivem soterradas por ressentimento, culpa e pecados não perdoados simplesmente por não compreender com exatidão como se processa essa dinâmica do perdão (e, consequentemente, da restauração de quem pecou). É justamente isso o que procurei explicar no livro, para que você, que se vê numa situação de falta de perdão, ou alguém que conhece e que precise ouvir essa mensagem sejam libertos desse fardo. Falta de perdão mata. Já o perdão liberta, transforma, dá paz, revoluciona vidas, reconcilia pessoas e nos aproxima de Deus.

O assunto do perdão e da falta de perdão é extremamente sério. Eu não conseguiria tratar tudo o que precisa ser dito sobre o assunto para trazer paz à sua vida em um ou dois posts, por isso optei por escrever um livro que, pela vontade de Deus, foi aprovado e está sendo lançado este mês pela editora Mundo Cristão. Eu o considero como mais um dos posts do APENAS, só que muito mais completo e profundo, uma análise bíblica detalhada, escrita numa linguagem muito fácil e compreensível a qualquer um.

Por isso, se você costuma ser abençoado pelo que escrevo no blog, recomendo a leitura do “Perdão Total”. Se você conhece alguém que precise perdoar ou se perdoar, dê de presente. A obra já está disponível em grandes livrarias seculares como a Saraiva, pela internet (NESTE LINK) ou em livrarias evangélicas de todo o Brasil. Para quem vive no exterior, ele está em formato e-book em diferentes livrarias virtuais, como Amazon, Google, Kobo, Livraria Cultura e outras.

Banner Leitor CristaoCaso você queira saber mais sobre o livro, compartilho AQUI uma entrevista que concedi para o site Leitor Cristão, onde entro em mais detalhes. Ou poderá assistir a uma entrevista que dei ao vivo à jornalista Leda Nagle no programa Sem Censura (TV Brasil), no dia 27/10, às 16h, para falar sobre o perdão bíblico e, naturalmente, sobre o livro. Aliás, aproveito para pedir as suas orações, pois tenho concedido entrevistas à mídia secular para falar sobre o livro e sobre o perdão bíblico (como as rádios Globo e Inconfidência), e preciso de muita sabedoria para falar sobre o tema a não cristãos. Necessito muito das suas orações.

Também deixo aqui um vídeo que a editora Mundo Cristão me pediu que gravasse para que eu explicasse em dois minutos do que trata o Perdão Total – Um livro para quem não se perdoa e para quem não consegue perdoar e a quem ele se destina, caso queira assistir e compartilhar:

Peço a Deus que a leitura deste livro abençoe muito a sua vida e a das pessoas que você conhece e enfrentam problemas para perdoar. Ele foi feito para ser lido, promover reflexão e, até mesmo, conduzir debates sobre o tema em pequenos grupos e estudos bíblicos.

O perdão é um dos alicerces do evangelho. Sem perdão, não há cristianismo nem vida com Deus. Jesus veio à terra para perdoar. O perdão está estendido para você. Não perdoar traz graves consequências, enquanto perdoar traz grande liberdade, paz e intimidade com Deus. Perdoe. Perdoe-se. Peça perdão. Pois Deus jamais perdoa alguém pela metade, o perdão dele… é total.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari

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Perdão é um assunto essencial para nossa saúde espiritual. A falta de perdão é um câncer que corrói a alma, gera culpa e ressentimento e nos afasta de Deus. Foi por isso que decidi me dedicar a esse tema em meu livro mais recente, Perdão Total – Um livro para quem não se perdoa e para quem não consegue perdoar (veja AQUI), que acabou de ser lançado pela editora Mundo Cristão. Semana que vem falarei um pouco mais sobre ele, se você me permitir. Hoje compartilho apenas um pequeno vídeo, que a editora me pediu para gravar, em que abordo um dos temas tratados no livro. Espero que aquilo que procuro compartilhar nessa fala de 2 minutos abençoe a sua vida.

Perdão Total_Youtube

(Se, ao clicar na imagem, o vídeo não abrir, clique AQUI)

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Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari

 

apostolos1Você já parou para pensar sobre o que os amigos dos doze apóstolos pensaram quando eles decidiram seguir Jesus? O que será que os primeiros seguidores de Cristo tiveram de enfrentar em seu círculo de amizades para dedicar a vida ao Mestre? A Bíblia praticamente não menciona como foi a reação dos amigos e dos parentes dos apóstolos quando esses se tornaram cristãos, mas, se nos permitirmos um exercício de imaginação, podemos tentar supor como teria sido e ver que implicações essa reflexão geraria para nossa vida.

Tomemos por exemplo os irmãos Pedro e André. Eles eram pescadores e, por isso, provavelmente lidavam com dezenas de pessoas diariamente para vender o pescado, uma vez que, naquela época, o trabalho dos pescadores ia até a comercialização daquilo que caía em suas redes. De certo modo, os pescadores de então eram também feirantes, o que proporcionava a eles contato com muita gente e os tornava pessoas bem conhecidas em sua comunidade. Além disso, como bons judeus, certamente iam frequentemente à sinagoga, onde comungavam com outros israelitas e, assim como fazemos em nossas igrejas, eles se relacionavam com um amplo grupo. É de se supor que não fossem poucas as pessoas que os conheciam. Por isso, um dia…

– Onde estão Pedro e André? Não tem peixe hoje?

– É verdade, os filhos de Jonas também não foram à sinagoga, será que estão doentes?

A resposta deve ter impactado os amigos:

– Não, eles abandonaram o trabalho e pararam de ir à sinagoga.

– Ué, por quê?

– Estão seguindo um carpinteiro que diz ser o Messias.

– Mas estão vivendo de quê?

– Não sei… abandonaram as redes e o barco. E não guardam mais o sábado.

– Ih! Estão loucos. E desviados!

Penso, também, em Mateus. No caso dele, o homem deveria ter bem menos amigos sinceros, por ser coletor de impostos – uma categoria odiada pelos judeus daquela época. Mas, por isso mesmo, sua comunidade sabia quem ele era.

– Sabe Mateus, aquele cabra safado que fica pegando nosso dinheiro para dar aos romanos?

– Nem fala desse cidadão, o miserável me deixou no vermelho depois que veio cobrar os impostos.

– Bem, acontece que ele não está mais na coletoria. Largou tudo para seguir um carpinteiro que diz ser o Messias.

– Não brinca! De ladrão o cidadão virou herege?

E por aí vai. Se começamos a imaginar tudo o que os apóstolos enfrentaram no convívio social para assumir seu papel como seguidores de Jesus possivelmente teríamos muitas histórias de rejeição, ofensa, acusações e deboches. É difícil supor que a sociedade judaica de então tenha visto com bons olhos a “cristianização” daqueles doze judeus. Mesmo assim, os apóstolos não deram para trás, enfrentaram todo tipo de oposição social e ficaram firmes em sua decisão de seguir o Mestre.

apostolos2Você pode achar que foi uma decisão fácil. Mas não foi. Ninguém gosta de ser hostilizado pelos amigos, parentes e conhecidos. É só ver como Pedro se comportou diante dos seus acusadores na noite em que Jesus foi preso para ver como os olhares dos outros o afetavam. Ocorre que a mensagem da cruz é clara: “Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim não é digno de mim; quem ama seu filho ou sua filha mais do que a mim não é digno de mim; e quem não toma a sua cruz e vem após mim não é digno de mim. Quem acha a sua vida perdê-la-á; quem, todavia, perde a vida por minha causa achá-la-á” (Mt 10.37-39). Nessa passagem, Jesus está dizendo que devemos valorizá-lo acima de qualquer outra pessoa e que essa priorização tem um custo. Mas, ao final, valerá a pena, pois perdemos aqui para ganhar mais adiante.

Agora pensemos em você. Como foi a reação da sociedade ao fato de você seguir Jesus? A sua conversão foi tranquila ou teve um custo? Você perdeu amigos? Tornou-se motivo de chacota ou preconceito? As pessoas passaram a hostilizá-lo? Talvez essa reação negativa tenha ocorrido até mesmo dentro da sua família. Ou no ambiente de trabalho. De repente, o seu cônjuge foi bem contrário à sua decisão de seguir Jesus. Se de algum modo sua opção por Cristo trouxe algum prejuízo social, saiba que você não está só. Desde os primeiros discípulos, dois mil anos atrás, isso é uma realidade.

cruzA grande questão não é se você será perseguido por amor a Cristo. Isso é previsível, vai acontecer, pois o mundo não aceita a proposta revolucionária do evangelho. A cruz é uma ofensa para os valores seculares. A grande questão é como você reage diante da perseguição, da oposição, do desprezo, da chacota, da depreciação. Vivemos dias de muito preconceito contra os cristãos. Somos acusados de homofóbicos, fanáticos, ignorantes, atrasados, otários e muitos outros nomes que você já sabe. Esses ataques sempre existiram e sempre existirão, até Jesus retornar. Tenho visto muitos irmãos em Cristo reagirem a isso com violência. Somos atacados e, por isso, atacamos. Nesse período em que vivemos, em que a religião e sua oposição a certas agendas de grupos anticristãos está na pauta do dia, os ânimos afloram, os embates se multiplicam. As redes sociais fervilham com verborragia e indelicadeza de todos os lados. Minha pergunta a você é: será que estamos certos em nos defender revidando? Em usar das mesmas armas que o mundo usa contra nós? Você crê realmente que Jesus se orgulha quando nos posicionamos contra quem discorda de nós igualmente com deboches, ironia, ofensas, termos ofensivos e atitudes similares? Será que não estamos agindo com estupidez acreditando ser apologética? Sim, porque, no dia em que acharmos (se é que muitos já não acham) que a defesa da fé se dá descendo ao nível de agressividade e verborragia dos que não têm fé… estaremos perdidos.

A tendência natural do ser humano é reagir a ataques com certa dose de agressividade e violência. Mas, se queremos ser chamados de cristãos com “C” maiúsculo, devemos ter atitudes contrárias ao que determinam os impulsos humanos. Em outras palavras, seguir o exemplo de Jesus: “Ele foi oprimido e humilhado, mas não abriu a boca; como cordeiro foi levado ao matadouro; e, como ovelha muda perante os seus tosquiadores, ele não abriu a boca” (Is 53.7). Quando Pedro cortou com espada a orelha de Malco, Jesus o repreendeu, pois ele não quer que seus discípulos reajam como nossos perseguidores agem. Deixe o revide, a agressividade, os ataques verbais e o descontrole emocional para os do mundo. Pense nas coisas do alto. Mansidão. Paciência. Domínio próprio. Graça. Menos contra-ataques, mais pacificação. Eis o material que deve pavimentar nosso caminho rumo ao céu.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício