Arquivo da categoria ‘Agressividade gospel’

Teremos eleições este ano. A população brasileira já está, há um bom tempo, pensando sobre isso, escolhendo seu candidato, refletindo sobre as mudanças (ou não) que deseja para o nosso país. E nós, cristãos, não estamos de fora dessa situação: como cidadãos brasileiros, participamos do processo eleitoral, conversamos sobre política, gostamos de uns candidatos e não gostamos de outros. Até aí, tudo bem, faz parte. Porém, tenho visto – e, possivelmente, você também – debates entre cristãos sobre a política nacional serem realizados de maneira nada cristã. Isso me fez refletir sobre se existe um modo bíblico de discutir política, em especial, neste ano de fortes emoções eleitorais. Gostaria de refletir com você sobre essa questão. E, de saída, deixe-me frisar: esta não é uma reflexão política, mas sobre valores do evangelho e da nossa coerência em vivê-los quando pisamos no gelo fino de nossas paixões humanas.

Atualmente, poucos assuntos fazem cristãos se comportarem como se não fossem cristãos tanto quanto a política brasileira. Eu falo muito pouco sobre o assunto aqui no blog e nas redes sociais, justamente para evitar que as pessoas explodam em suas paixões ideológicas devido a algo que eu vier a escrever. Infelizmente, nas poucas vezes em que comentei algo sobre política, deparei com reações que me assustaram. Explosões, ofensas, desqualificações, ataques pessoais – tudo, como consequência de comentários naturais e da exposição de opiniões.

A triste realidade é que existem pessoas cujas paixões por políticos, partidos e ideologias mostram ser maiores do que seu amor por Cristo e pelo próximo. São cristãos, frequentam cultos, leem a Bíblia, cantam louvores, postam versículos nas redes sociais e se parecem com qualquer outro cristão. Mas, isso, só até alguém incomodá-los em suas paixões políticas e ideológicas. Quando isso acontece, eles explodem em ataques e posicionamentos bastante carnais e mundanos.

Para que você entenda de modo prático sobre o que estou falando, deixe-me dar dois exemplos que aconteceram comigo. No início do ano, publiquei uma foto no meu facebook que tirei junto a um dos candidatos à presidência deste ano, a quem encontrei em Brasília. No texto, eu não disse nada sobre se votaria ou não nessa pessoa, apenas falei que era interessante ouvir o que tal indivíduo tinha a dizer sobre certos assuntos. Mesmo assim, tive de ler comentários de pessoas que me acompanham há anos dizendo coisas escabrosas sobre a pessoa, sobre mim e sobre a foto. Mas tudo bem, coisas da vida, vamos em frente.

Há duas semanas, postei, também no facebook, um comentário sobre o fato de o desembargador petista ter tentado libertar o ex-presidente Lula da prisão – em minha opinião, uma manobra visivelmente parcial do magistrado, um homem que construiu sua história profissional como militante do partido do ex-presidente. Posso estar errado, mas é minha opinião. Bem, para que fiz a postagem? Logo, dois irmãos em Cristo me ofenderam nos comentários. Um deles escreveu: “Maurício, escreve uma nota de repúdio contra o ministro do supremo Alexandre do PSDB e PMDB, ao arquivar todas as denúncias contra Aécio Neves e seus pares. Deixa de ser parcial! [Você] é bem melhor escrevendo os livros de ‘autoajuda’ que seus comentários políticos”.

Meu queixo caiu. Pisquei algumas vezes. Custei a acreditar no que estava lendo. Aquele irmão em Cristo, aluno de seminário teológico, membro de uma denominação que carrego em meu coração, atacou-me pessoalmente e chamou o que escrevo, depreciativamente, de “autoajuda” simplesmente porque a minha opinião divergia da dele em questões políticas. Na verdade, minha divergência nem era política, mas sobre a correta aplicação da justiça. Era bíblica. Porque Deus criticou muitas vezes, por meio de profetas como Amós e Oseias, o fato de juízes de Israel e Judá se corromperem e legislarem em prol de seus interesses e não de acordo com o que é correto. Portanto, quem ama a Bíblia e quem toma para si os valores que Deus deixou claros deve amar a justiça e sua correta aplicação pelos membros do poder judiciário. Doa a quem doer.

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Percebi que qualquer respeito que aquele meu “amigo” do facebook tinha por mim acabou em um segundo simplesmente porque divergimos em opiniões relacionadas ao cumprimento da justiça. Pior: essa divergência o levou a atacar não as minhas opiniões, mas a minha pessoa e aquilo que faço, chamando-me de parcial e chamando a literatura que escrevo de “autoajuda”. Doeu. E doeu ainda mais porque foi uma atitude de um irmão em Cristo. É isso que Jesus nos ensinou a fazer com pessoas que discordam de nós?

Esse episódio levou-me a muitos pensamentos. O que está acontecendo com a Igreja? O que está acontecendo com os cristãos? Desde quando, o evangelho de Cristo nos dá carta branca para tratarmos de maneira depreciativa pessoas que discordam de nós em algumas questões da vida? O que, afinal, o evangelho nos ensina sobre o posicionamento correto em meio a discordâncias?

Meu irmão, minha irmã, ao longo deste ano, você verá muitos debates político-eleitorais. Possivelmente, será atraído para participar de alguns, em especial nas redes sociais. Muita gente do seu círculo de relacionamentos se posicionará discordando de um monte de coisas em que você acredita. A questão é: o fato de ser um debate político lhe dá direito de colocar seu cristianismo de lado? O fato de alguém gostar daquele político ou daquele partido de que você não gosta lhe dá o direito de agir como um mundano, ofendendo, desmerecendo e desqualificando – e, no domingo, ir à igreja cantar, levantar as mãos e saudar com “a paz do Senhor” como se nada tivesse acontecido?

Creio que você sabe a resposta.

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O fato de você votar em Bolsonaro, Marina, Ciro ou qualquer outro candidato não me dá o mínimo direito, aos olhos de Deus, para destratar você ou enxergar em você menos dignidade do que Deus lhe confere. Você segue sendo filho ou filha, criado à imagem e semelhança do Senhor. Quem sou eu para tratá-lo de modo ultrajante simplesmente porque você tem visões ideológicas ou políticas diferentes das minhas? Eu seria um louco se fizesse isso, à luz do evangelho. Jesus nos alertou:

“Vocês ouviram o que foi dito a seus antepassados: ‘Não mate. Se cometer homicídio, estará sujeito a julgamento’.a Eu, porém, lhes digo que basta irar-se contra alguém para estar sujeito a julgamento. Quem xingar alguém de estúpido, corre o risco de ser levado ao tribunal. Quem chamar alguém de louco, corre o risco de ir para o inferno de fogo. Portanto, se você estiver apresentando uma oferta no altar do templo e se lembrar de que alguém tem algo contra você, deixe sua oferta ali no altar. Vá, reconcilie-se com a pessoa e então volte e apresente sua oferta. Quando você e seu adversário estiverem a caminho do tribunal, acertem logo suas diferenças. Do contrário, pode ser que o acusador o entregue ao juiz, e o juiz, a um oficial, e você seja lançado na prisão. Eu lhe digo a verdade: você não será solto enquanto não tiver pago até o último centavo” (Mt 5.21-26).

Não sei como você enxerga essas palavras de Jesus. Eu as enxergo com um monumental senso de temor e horror. São advertências gravíssimas, às quais multidões não dão nenhuma atenção. Acham legal e bonito Jesus ter dito isso, mas, na prática, basta alguém tocar no político ou no partido político de que são tietes para fazerem tudo ao contrário do que Jesus está dizendo aqui. Isso é grave – muito, muito grave. É um alerta que deveria nos lançar de joelhos, clamando por misericórdia, pelo nosso tão frequente pecado sem arrependimento nem confissão e, muito menos, abandono.

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Você quer saber o jeito bíblico de discutir política em ano de eleição? É simples. Com amor. Com alegria. Com paz. Com paciência. Com amabilidade. Com bondade. Com fidelidade. Com mansidão. Com domínio próprio. Isto é, manifestando em nossas palavras e em nossos posicionamentos nas discussões sobre política as virtudes que o Espírito Santo manifesta naqueles que verdadeiramente são nascidos de novo pela graça da cruz e, por isso, se tornaram seu local especial de habitação. Se você vir um cristão participando de debates neste ano eleitoral sem manifestar essas virtudes, desconfie. Pois um verdadeiro Filho de Deus não porá de lado o fruto do Espírito porque alguém criticou seu candidato, seu partido ou a ideologia em que acredita. O evangelho está acima disso.

Essas eleições, aliás, são uma excelente ocasião para se testar a fidelidade de fé dos cristãos brasileiros. Vamos ver quem ama mais Lula do que Cristo. Quem ama mais Marina do que o irmão da igreja. Quem ama mais Bolsonaro do que o amigo do facebook. Quem ama mais a direita ou a esquerda do que o próximo e, logo, o reino de Deus. Vamos ver quem sabe falar com mansidão para com todos, como Paulo nos orientou. Quem não deixa o sol se pôr sobre a própria ira. Quem é um pacificador e quem é um incitador. Quem ama o próximo como a si mesmo. Quem ama o inimigo, como Jesus ordenou. Será um ano de grandes revelações.

Se esta reflexão chegou até você, é porque Deus quer falar com você sobre isso. Não com seu vizinho: com você. Medite sobre como tem agido nos debates sobre política. Pense em como tem se comportado quando fazem piadas de seu candidato ou debocham do partido de que você gosta. Lembre-se de algo: no dia em que você der o passo derradeiro para fora desta vida, tudo isso ficará para trás. Mas o jeito como você se relacionou com o próximo nesta vida – inclusive o próximo que discorda de você e, até, o ofende – ecoará por toda a eternidade.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >
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Estou escrevendo este texto dentro de um avião, indo do Rio para Cuiabá, de onde seguirei para Primavera do Leste (MT), a fim de pregar em uma igreja. No mesmo voo está um grupo de cerca de 50 estudantes, adolescentes e crianças de uma escola de elite do Rio de Janeiro, de origem britânica, em excursão a caminho do Pantanal. Para estudar nessa escola, é preciso pagar uma mensalidade caríssima, isto é, só frequenta o colégio em questão quem tem muito dinheiro. Dizem que as pessoas de classe alta deveriam ser bem educadas. No entanto, estou impressionado com a falta de educação desses meninos e meninas, de quem, em teoria, deveria se esperar um comportamento educado, cortês, gentil e respeitoso. As atitudes deles no tato com o próximo me fizeram pensar sobre gentileza e boa educação e sua relação com nossa fé.

Os meninos e as meninas se levantam das poltronas quando os comissários de bordo mandam ficar sentados. Falam aos berros uns com os outros. Vários tiveram de ser removidos dos assentos por terem sentado nos lugares de outros passageiros. Uma adolescente sentada ao meu lado passou o braço na frente de meu rosto para levantar e abaixar a janela diversas vezes, sem pedir licença e, nem ao menos, olhar para mim. O adolescente boca-suja atrás de mim não para de chutar a poltrona onde estou e de empurrá-la, apesar de eu educadamente já ter pedido duas vezes que não faça isso, pois está machucando minha coluna. Entre outras coisas. Em resumo, são um grupo de jovens cujo comportamento é o que de mais deselegante, descortês e agressivo poderia haver.

Sei que esses não são jovens cristãos e, por essa razão, não posso esperar deles um comportamento baseado nos princípios do evangelho. Estão espiritualmente mortos em seus delitos e pecados e são escravos do pecado. Por essa razão, em determinado momento do voo fiquei tão irritado com seu comportamento deselegante que tive de fechar os olhos, suspirar e orar ao Senhor, pedindo que os perdoasse – afinal, em termos espirituais, eles realmente não sabem o que fazem.

Claro que educação e respeito com as outras pessoas são atitudes que independem da fé de alguém, uma vez que têm a ver com normas de relacionamento em sociedade e não necessariamente com religiosidade. Mas o entendimento de que esses rapazes e moças não são indivíduos com princípios e valores cristãos me leva a compreender que sua pecaminosidade tem o poder de suplantar sua boa educação em termos de convivência.

Porém, algo me ocorreu: e se eles fossem cristãos?

Seria de se esperar de um cristão, convertido ao Senhor Jesus, um tipo de comportamento diferenciado em termos de boa educação, gentileza na fala e tratamento com as outras pessoas? A resposta, do ponto de vista bíblico, é um inequívoco sim. O Sermão do Monte está recheado de orientações a esse respeito, do início ao fim. Deixe-me pegar apenas alguns exemplos.

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Jesus diz que devemos ser pacificadores, isto é, agir para gerar paz e não contendas (Mt 5.9). E é difícil pensar que um pacificador seja um mal-educado que chateia o próximo sem dor de consciência.

Também diz que somos o sal da terra e a luz do mundo, o que remete ao fato de que precisamos nos diferenciar do mundo, dando-lhe o exemplo das boas virtudes (Mt 5.13-16). Se o mundo é egoísta e desrespeitoso, obrigatoriamente devemos agir de modo polido e gentil com o próximo, como meio de brilhar a luz da boa educação em meio às trevas do comportamento egoísta, que trata mal o próximo.

Em seguida, o Senhor ordena: “Da mesma forma, suas boas obras devem brilhar, para que todos as vejam e louvem seu Pai, que está no céu” (Mt 5.16). Essas palavras não deixam dúvidas de que nossas ações devem se destacar por sua luminosidade e, com isso, proporcionar glória a Deus.

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Cristo diz, ainda, que “a árvore boa produz frutos bons, e a árvore ruim produz frutos ruins” (Mt 7.17), ou seja, devemos produzir bons frutos, boas atitudes. Na sua opinião, um comportamento descortês e ofensivo é um bom ou um mau fruto?

Por fim, gostaria de destacar um trecho muito significativo da fala de Jesus no monte: “Em todas as coisas façam aos outros o que vocês desejam que eles lhes façam. Essa é a essência de tudo que ensinam a lei e os profetas” (Mt 7.12). De forma muito objetiva, eu lhe pergunto: você deseja que o tratem sem educação? Que sejam grosseiros e rudes com você? Que o desprezem? Que sejam debochados ao conversar com você? Que gente que não concorda com suas crenças e práticas se refira a você com termos depreciativos, desqualificadores, inferiorizantes? Sim ou não? Ouso dizer que você respondeu não. Se estou certo e você não deseja que lhe façam isso, segundo o mandamento divino você não deveria agir assim com as outras pessoas. A pergunta é: será que você vive essa realidade na sua vida? Detalhe: Jesus afirmou que essa é a essência das Escrituras (a lei e os profetas se referem aos livros do Antigo Testamento), logo, é algo fundamental, importantíssimo, basilar, central.

Meu irmão, minha irmã, ser cristão não significa só não fumar, não fazer sexo fora do casamento e ir ao culto uma vez por semana. Isso faz parte, mas ser cristão envolve muito, muito, muito mais do que isso. Quase ninguém fala sobre a importância da boa educação como principio e alicerce da nossa fé, mas ser cristão (como vimos nas contundentes palavras de Jesus) implica obrigatoriamente ser uma pessoa gentil e educada. Ser polido no que fala e na forma como fala. Ser cortês com os desconhecidos que atravessam seu caminho. Ser afetuoso e delicado no trato com o próximo (o que não diminui em nada a sua masculinidade, rapazes). Tomar cuidado para não ferir os sentimentos dos demais. Zelar em suas postagens nas redes sociais para não destratar indivíduos, mesmo que discorde deles.

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Em resumo, faz parte do caráter cristão ser educado e gentil com o próximo. Afinal, isso não é parte entranhável do que significa amar o próximo?

Como você tem agido em seus relacionamentos? E isso com conhecidos e desconhecidos, com gente com quem concorda e com gente de quem discorda? Se você perceber que muitas vezes está faltando tempero na sua fala, paciência no seu coração, gentileza nas suas palavras e educação nos seus pensamentos, sugiro que pare e reflita profundamente sobre as mais profundas implicações do que significa ser cristão.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >
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Nós, cristãos, somos chamados a sempre fazer a coisa certa. A fazer o bem. A promover a paz. A lutar pela restauração de vidas, relacionamentos, comunidades, corações. A ser porta-vozes da mais extraordinária, bonita, transformadora e pulsante mensagem que já foi anunciada nos céus e na terra: as boas-novas da salvação de Jesus de Nazaré, o Filho de Deus, o Criador encarnado em forma humana. A ser santos. A resistir ao pecado. Lamentavelmente, nossa natureza foi contaminada pela Queda e, mesmo salvos pela graça transbordante do Senhor, seguimos na jornada com Cristo sendo assolados por inclinações más, impulsos reprováveis, tentações cíclicas, desejos malignos, pensamentos maquiavélicos. É normal e previsível que seremos atraídos diariamente pelo pecado enquanto habitamos este corpo mortal, sujeito à corrupção, mesmo sendo ele habitação do Espírito de Deus (Rm 7.14-25). Portanto, somos seduzidos diariamente pelo pecado. A grande questão é: ceder ou não.

Quando um cristão autêntico peca, inevitavelmente age como Pedro após trair pela terceira vez seu amigo e Mestre: chora amargamente, com tristeza verdadeira, pede perdão aos céus e empenha todas as suas forças para não voltar a repetir o erro. O grande, enorme, gigantesco, monumental problema que ocorre é quando, em vez de reconhecermos, confessarmos e abandonarmos as nossas más práticas, arranjamos desculpas esfarrapadas para continuar fazendo as mesmas besteiras de sempre.

Em geral, existem duas estratégias principais que nós, cristãos, costumamos usar a fim de justificar nossos pecados. Em outras palavras, são jeitinhos que damos para continuar pecando sem dor de consciência.

A primeira é quando arranjamos uma desculpa esfarrapada, aparentemente baseada na Bíblia, que nos dá paz de consciência para seguirmos fazendo nossas besteiras. Jesus contou uma parábola que ilustra bem esse tipo de comportamento: “Dois homens foram ao templo orar. Um deles era fariseu, e o outro, cobrador de impostos. O fariseu, em pé, fazia esta oração: ‘Eu te agradeço, Deus, porque não sou como as demais pessoas: desonestas, pecadoras, adúlteras. E, com certeza, não sou como aquele cobrador de impostos. Jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo que ganho’.  “Mas o cobrador de impostos ficou a distância e não tinha coragem nem de levantar os olhos para o céu enquanto orava. Em vez disso, batia no peito e dizia: ‘Deus, tem misericórdia de mim, pois sou pecador’. Eu lhes digo que foi o cobrador de impostos, e não o fariseu, quem voltou para casa justificado diante de Deus. Pois aqueles que se exaltam serão humilhados, e aqueles que se humilham serão exaltados” (Lc 18.10-14).

Perceba que o cidadão tentava compensar seus pecados pelo fato de jejuar e dar o dízimo. Na cabeça dele, funcionava assim: “Já que cumpro essas regras religiosas, posso continuar com meus muitos pecados, sem problema, estou de boa”. É desse jeito que pensamos quando, por exemplo, tentamos dar um jeitinho para seguirmos sendo agressivos, porque, afinal, “Sou crente mas não sou banana” ou “Deus muda o caráter mas não o temperamento”. Tudo, sofismas que nos deem paz para continuarmos sendo tão estúpidos como antes da conversão, só que com uma capa “gospel”. Afinal, convenhamos, não é preciso ser bruto para não ser banana. E Deus muda, sim, o temperamento.

Teólogos e seminaristas mandam para o inferno quem eles consideram ser hereges com brutalidade no tom e nas palavras “porque Jesus derrubou as mesas dos cambistas”. Maridos tratam mal a esposa “porque ela não é submissa”. Esposas tratam mal o marido “porque ele não me ama como Cristo amou a Igreja”. Pais vivem berrando com os filhos porque “quem manda aqui sou eu e você tem de me honrar” e filhos vivem desonrando os pais “porque eles não me entendem e me levam à ira”. Pastores oprimem membros “porque sou ungido do Senhor”. Membros articulam contra o pastor “porque ele é autoritário”. Pregadores se referem a não cristãos com fúria e desrespeito “porque eles são filhos da ira”. Tudo desculpas esfarrapadas, supostamente “bíblicas”, a fim de fazer pessoas se autorizarem a agir como mundanos e pecarem em suas palavras e atitudes “em nome de Jesus”. Na verdade, isso não passa de paganismo travestido de cristianismo.

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A segunda estratégia principal que nós, cristãos, costumamos usar a fim de justificar nossos pecados é a tática do dedo apontado. É uma estratégia que começou no Éden: Adão culpou Eva e Eva culpou a serpente, sempre justificando as próprias besteiras com base nas besteiras alheias. É uma fuga ao estilo “boi de piranha”, isto é, jogo a culpa alheia no rio para que ela fique no foco enquanto tento sair de fininho da história – e das minhas responsabilidades. Assim, para justificar o fato de eu ser uma gastadeira, vivo culpando o marido de ser pão-duro. Para justificar o fato de eu viver olhando para outras mulheres, vivo culpando minha esposa de ser ciumenta demais. Para justificar o fato de eu não dar atenção para meus filhos porque fico horas com a cara enfiada no smartphone, vivo culpando as crianças de serem carentes demais. Para justificar o fato de eu ser um ogro na hora de falar, vivo culpando o alvo de minha fúria de “não saber lidar comigo”. E assim por diante.

Quanto a esse tipo de estratégia, Paulo foi claro, direto e objetivo: “Assim, cada um de nós será responsável por sua vida diante de Deus” (Rm 14.12). Todo cristão deveria viver diariamente se examinando, a fim de melhorar sempre mais e mudar de rumo naquilo que está errando. Viver jogando seus erros na conta do outro é a mais desvairada loucura, porque cada um, individualmente, prestará contas de si. Pode ser que essa estratégia lhe permita fazer besteiras nesta vida e sair numa boa. Porém, quando, no dia do juízo, Deus olhar você nos olhos e cobrar cada palavra inútil que você tenha dito para justificar seus erros em razão das atitudes alheias, posso garantir que essa tática não vai mais colar. Afinal, Jesus mesmo afirmou: “Eu lhes digo: no dia do juízo, vocês prestarão contas de toda palavra inútil que falarem. Por suas palavras vocês serão absolvidos, e por elas serão condenados” (Mt 12.36-37).

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Meu irmão, minha irmã, fica a sugestão: arrependa-se. Arrependa-se!

Não semeia hoje um comportamento reprovável que parece vantajoso a curto prazo mas que a longo prazo gerará frutos de dor, sofrimento e morte espiritual. Você está entristecendo Deus. Não busque desculpas “cristãs” ou “bíblicas” a fim de justificar ou desculpar comportamentos infelizes.

Você deve se arrepender daquilo que faz de errado — sem justificativas, sem desculpas! —, consertando os seus problemas, sem ficar focando os do outro. Portanto, se você tem pecados de cabeceira, sejam eles quais forem — agressividade, arrogância, egoísmo, religiosismos, cobiças, rebeldia ou o que for — e você os pratica numa boa, escorado em desculpas ou justificativas “cristãs”, só há uma coisa que eu posso lhe dizer.

Arrependa-se.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >
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O que é ser cristão? Essa pergunta pode parecer meio sem sentido, afinal, é óbvio o que implica ser cristão, certo? Bem, na verdade… não. Pois muitos cristãos parecem ter conceitos meio distorcidos sobre o real significado de uma vida com Jesus, o que influencia diretamente sua jornada com Cristo. Dependendo de como respondemos a essa pergunta, poderemos ser cristãos como Deus quer que sejamos ou uma caricatura bizarra do que um cristão deve ser, uma sombra do verdadeiro cristianismo. Este é um assunto que renderia um livro, mas eu gostaria de sintetizar rapidamente o tema, citando apenas quatro das muitas características de um verdadeiro cristão. Em seguida, vou explicar a razão desta reflexão.

Primeiro: um cristão verdadeiro, nascido de novo, que foi justificado e passou da morte para a vida, necessariamente ama o próximo. Isso é inegociável. Quando confrontado por um mestre da lei para que dissesse qual é o mandamento mais importante, Jesus não hesitou: “O mandamento mais importante é este: ‘Ouça, ó Israel! O Senhor, nosso Deus, é o único Senhor. Ame o Senhor, seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma, de toda a sua mente e de todas as suas forças’. O segundo é igualmente importante: ‘Ame o seu próximo como a si mesmo’. Nenhum outro mandamento é maior que esses” (Mc 12.29-31, NVT). Um detalhe: Jesus explicou, na parábola do bom samaritano, que esse “próximo” não se refere somente ao gente fina, ao amigo do peito, ao cara amável de quem todo mundo gosta, ao irmão na fé; nada disso, é, também, o diferente, o desagradável, o caído, o fedorento, o coberto de chagas, o asqueroso, aquele que nos causa repulsa, o abominável, o odioso. Guarde isso.

A segunda característica: ser um cristão é desejar que o próximo seja salvo do inferno e do sofrimento eterno. Pois o cristão verdadeiro é inundado a tal ponto do amor de Deus que lhe seria impossível desejar que alguém tenha de passar pelos horrores da eternidade sem Deus. A Bíblia afirma que muitos irão para o inferno, talvez a maioria das pessoas, mas saber disso é totalmente diferente de desejar que alguém vá para lá.

Antes que alguém comece a polemizar, deixe-me dizer que, a esse respeito, não faz a mínima diferença se você é calvinista ou arminiano, se crê na eleição incondicional ou condicional. Afinal, só Deus sabe com total certeza quem será salvo e quem não será; isso não compete a nós. E, como jamais saberemos quem verdadeiramente é salvo até chegarmos à glória celestial, nosso papel nesta vida é desejar que todos se salvem, mesmo sabendo que muitos não se salvarão. É por isso que evangelizamos, é por isso que obedecemos à grande comissão, é por isso que pregamos o evangelho a toda criatura: na esperança de que cada um a quem proclamamos a boa-nova seja alcançado pela graça de Deus e resgatado de uma eternidade de tormentosa distância de Deus. Portanto, nenhum cristão tem o direito de desejar que alguém vá para o inferno. Guarde isso.

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Terceiro, o cristão verdadeiro repudia os próprios desejos e impulsos quando eles estão em desacordo com a vontade de Deus. Jesus disse: “Se alguém quer ser meu seguidor, negue a si mesmo, tome diariamente sua cruz e siga-me” (Lc 9.23, NVT). Negar a si mesmo significa não fazer o que dá vontade de fazer para fazer o que Jesus quer que você faça. Assim, por exemplo, mesmo que eu me sinta profundamente ofendido por algo que alguém fez, em vez de nutrir ódio em meu coração por ele, ponho em prática o que diz a Palavra: “Abençoem aqueles que os perseguem. Não os amaldiçoem, mas orem para que Deus os abençoe. […] Nunca paguem o mal com o mal. Pensem sempre em fazer o que é melhor aos olhos de todos. No que depender de vocês, vivam em paz com todos. Amados, nunca se vinguem; deixem que a ira de Deus se encarregue disso, pois assim dizem as Escrituras: ‘A vingança cabe a mim, eu lhes darei o troco, diz o Senhor’. Pelo contrário: ‘Se seu inimigo estiver com fome, dê-lhe de comer; se estiver com sede, dê-lhe de beber. Ao fazer isso, amontoará brasas vivas sobre a cabeça dele’. Não deixem que o mal os vença, mas vençam o mal praticando o bem” (Rm 12.14,17-21, NVT). Guarde isso.

A quarta característica do cristão verdadeiro que eu gostaria de mencionar aqui é: ele pratica a apologética como a Bíblia determina que se pratique a apologética. E como é isso? Paulo responde: “O servo do Senhor não deve viver brigando, mas ser amável com todos, apto a ensinar e paciente. Instrua com mansidão aqueles que se opõem, na esperança de que Deus os leve ao arrependimento e, assim, conheçam a verdade. Então voltarão ao perfeito juízo e escaparão da armadilha do diabo, que os prendeu para fazerem o que ele quer” (2Tm 2.24-26, NVT). Em síntese: um verdadeiro servo do Senhor não é briguento e deve lidar com quem se opõe não com ódio, palavras ofensivas e agressividade, mas com amabilidade, paciência e mansidão, instruindo quem se opõe e não brigando ou atacando! O objetivo ao fazer isso? A esperança de que Deus leve o opositor ao arrependimento. A esperança da salvação. Quem diz isso não sou eu, é Paulo. Guarde isso.

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Muito bem, por que estou falando sobre esse assunto? Eu explico: há poucos dias, vi um jovem irmão em Cristo postar nas redes sociais um vídeo de um cidadão de uma igreja herética bem conhecida pregando a abominável teologia da prosperidade, dizendo aos fieis para “fazerem o sacrifício” de entregar carro, dinheiro e bens à igreja. Todos já vimos esse filme, é algo de revirar o estômago. É ofensivo ao evangelho verdadeiro. Até aí, todos compartilhamos da indignação com relação a esse tipo de engodo, que usa o nome de Deus para tirar dinheiro das pessoas. Mas o que me assombrou foi ver esse irmão, estudante de um excelente seminário teológico, que tem excelentes professores, postar o seguinte texto junto com o vídeo, em relação ao tal falso pastor: “Que Deus o leve logo para o inferno. Amém”. Sim, você não leu errado: “Que Deus o leve logo para o inferno. Amém”.

Confesso que ler essa afirmação abominável me revirou o estômago tanto quanto assistir ao vídeo abominável do “pastor” aproveitador. Por quê? Porque essa não é a postura que devemos ter como cristãos. Desejar que uma pessoa vá para o inferno não é, nem de longe, amar o próximo. Desejar que uma pessoa vá para o inferno não tem nada a ver com a postura de um cristão diante de alguém que ainda não foi alcançado pela graça. Desejar que uma pessoa vá para o inferno não é negar a si mesmo, é dar vazão a impulsos e desejos carnais em vez de olhar para os perdidos com o olhar que Deus teve ao enviar Jesus para morrer na cruz. Desejar que uma pessoa vá para o inferno é o oposto da apologética bíblica, pois é exatamente o que o diabo quis fazer com Adão e Eva.

Em suma, desejar que uma pessoa vá para o inferno é  tudo o que um cristão verdadeiro não deve desejar.

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Muitas vezes depararemos com pessoas ofendendo de tal modo o evangelho que nosso impulso será desejar que o juízo venha sobre elas. Porém, esse não é nosso papel: só Deus tem o direito de exercer seu justo juízo sobre os blasfemadores e os inimigos da fé. Lembremo-nos de que Paulo de Tarso não era uma pessoa melhor do que o tal “pastor” do vídeo até o dia em que foi confrontado por Cristo e alcançado pela graça. Todo pecador e blasfemador é um Paulo em potencial e não cabe a nós mandá-lo para o inferno. Nosso papel é orar por ele, pedindo a Deus que lhe estenda sua graça, o chame ao arrependimento, o justifique, faça dele nova criatura e o salve do inferno. O cristão verdadeiro precisa olhar para quem joga pedras na cruz com o desejo de que um dia ele venha a dizer: “Verdadeiramente, este era o Filho de Deus”.

Prefiro crer que um comentário desses vindo de seminaristas e irmãos em Cristo seja uma falha provocada por um processo de santificação e amadurecimento espiritual em estágios iniciais. Porque, se isso for um comentário que reflita uma postura solidificada de um cristão, que triste é ver cristãos que pensam isso. É um assombro. É o cúmulo da falta de piedade e misericórdia. Até porque o entendimento da obra de salvação de Cristo nos revela que todos nós éramos tão abomináveis como esse falso profeta do vídeo até sermos alcançados pela graça. O que não podemos admitir é que continuemos sendo abomináveis após a justificação. Espero que não seja o seu caso.

Quanto mais alguém estuda a Palavra e se aprofunda na teologia, mais deveria se aprofundar na piedade e na compaixão pelos espiritualmente doentes, e não no ódio e na agressividade. O falso pastor do vídeo não me assombra, pois ele visivelmente precisa de Cristo. Oro por isso. Oro por sua conversão. Oro para que um dia eu o encontre no céu. Duro é ver cristãos que frequentam bons círculos teológicos acharem que é bacana desejar que Deus mande alguém para o inferno. E, pior: “logo”. Incompreensível. Assombroso. Que tipo de cristianismo é esse?

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Paulo conta em 1Coríntios 5 o caso de um homem da igreja de Corinto que cometia o abominável ato de se relacionar sexualmente com a própria madrasta e, por isso, trazia escândalos para a Igreja de Cristo e sujava seu bom nome junto à sociedade. Repare que o apóstolo orienta a igreja a “excluir de sua comunhão o homem que cometeu tamanha ofensa” (v. 2, NVT) e, em seguida, diz: “Entreguem esse homem a Satanás, para que o corpo seja punido e o espírito seja salvo no dia do Senhor” (v. 5, NVT). O ato abominável leva Paulo a propor disciplina eclesiástica e até a desejar que o corpo do cidadão sofresse as consequências de seus atos, mas, com que finalidade? Que “o espírito seja salvo”!  Com isso, Paulo deixa claro que, por mais horripilante que seja o pecado de um homem, a finalidade e o desejo do cristão verdadeiro continuam sendo que as pessoas espiritualmente falidas sejam salvas do inferno. Porque desejar o horror eterno a alguém não é algo que nenhum cristão deva desejar para o próximo – por pior que ele seja.

Meu irmão, minha irmã, eu e você veremos com frequência pessoas que ofendem a cruz, que lançam lama no bom nome da Igreja de Cristo. Nosso estômago revirará. Sentiremos nojo, raiva, indignação. A questão é: como reagiremos a isso? E a resposta a essa pergunta é que demonstrará como anda nossa espiritualidade. Reagiremos com desamor, condenação, juízo, carnalidade, brigas, ataques e ofensas… ou como a Bíblia nos manda reagir? Abençoemos quem nos persegue. Oremos para que Deus os abençoe. Não devolvamos mal com mal, mas com o bem. E não há bem maior que alguém possa fazer por outra pessoa do que, em vez de desejar o que o diabo deseja para a humanidade, que é irmos para o inferno, desejar o que Deus deseja para a humanidade: que as piores pessoas do mundo creiam em Jesus e, assim, não pereçam, mas tenha a vida eterna.

Como disse no início deste texto, “o que é ser cristão?” é uma pergunta cuja resposta daria para escrever um livro. Mas quero terminar este texto respondendo, de forma curta e objetiva, a outra pergunta: “O que não é ser cristão?”. E a resposta é: com absoluta certeza, ser cristão não é querer que Deus leve logo alguém para o inferno.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >
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O gesto de apontar o dedo é muito comum. Apontamos nosso indicador em uma variedade de situações, com diversas finalidades, mas, em geral, o que esse gesto faz é colocar algo que não somos nós no centro das atenções. Se alguém me pergunta, por exemplo, onde fica determinada rua e eu aponto o dedo em uma direção, o que meu dedo põe no foco não sou eu, mas, sim, a tal rua. Se eu mostro uma pessoa com o meu dedo, o assunto em questão é a pessoa, não eu. Portanto, invariavelmente, o gesto de apontar tira quem aponta dos holofotes e põe em destaque quem é apontado. Devemos, porém, tomar cuidado com o que o dedo apontado para o outro diz a nosso respeito.
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Uma das maneiras de fugir das próprias responsabilidades é desviando as atenções para os erros alheios. Muitas vezes, quando não queremos encarar os nossos problemas e as nossas falhas, usamos como estratégia apontar o dedo para os erros de outra pessoa qualquer, a fim de que todos os olhos se voltem para ela e, com isso, nossas questões deixem de ser o assunto em pauta. É por essa razão que, por exemplo, candidatos a cargos eleitorais costumam atacar seus adversários, para afastar as atenções dos próprios podres, jogando os podres do outro no ventilador. É uma tática comum e bastante usual.
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Por que esse assunto é espiritualmente importante? Porque a fé cristã exige de nós uma atenção constante aos nossos defeitos. O que devo trabalhar prioritariamente são as minhas deficiências; as dos outros vêm depois. O evangelho nos confronta a todo instante com nossas falhas e exige de nós arrependimento. Porém, como se arrepender se sempre tentamos nos justificar de nossas falhas apontando o dedo para o próximo?
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Costumo desconfiar de gente que só vive botando o dedo na cara dos outros. Cristãos que dedicam a vida a apontar a falha alheia muito provavelmente deveriam se preocupar com os próprios pecados com muitíssimo mais atenção. E, para pôr em prática o que estou defendendo neste texto, deixe-me apontar o dedo para a minha cara e não a sua: anos atrás, na época em que eu agia como o “apologeta da verdade” e dedicava meus pensamentos, meus textos, minhas horas e minhas energias a “denunciar os erros da Igreja” e a atacar os hereges e os equivocados, foi o período da minha vida em que eu mais deveria ter prestado atenção aos meus defeitos. Algo errado com denunciar os hereges e equivocados? Claro que não. Mas eu deveria, antes disso, ter prestado atenção e tratado os meus próprios conceitos, modos de agir, valores e motivações. O resultado de ter posto o dedo na cara alheia e não na minha: acabei doente, física e espiritualmente.
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Esse fenômeno acontece em diversas instâncias. Esposas e maridos conformados com seus procedimentos antibíblicos apontam o dedo para o cônjuge ao serem confrontados com seus pecados e dizem “ah, mas você…”. Pronto. Tirou o foco das próprias atitudes horríveis e o pôs na falha do outro para não ter de se reconhecer errado e fazer algo a respeito. Patrões que não querem se assumir como exploradores dos empregados põem o dedo na cara do governo e dizem “ah, mas o governo…”. Cidadãos comuns que dão propina a policiais ou funcionários do governo tentam aliviar sua consciência apontando o dedo para o Planalto e dizendo “ah, mas os políticos…”. E assim por diante.
Você tem apontado o dedo? Nenhum problema quanto a isso, se a sua motivação for apontar para corrigir com amor e se, antes, tenha feito uma profunda autoanálise. Nossa prioridade é examinar a nós mesmos e buscarmos, nós, o arrependimento. Responda, com sinceridade e transparência: seu dedo apontado tem como motivação a amorosa edificação e correção do seu próximo ou uma pretensa superioridade moral e espiritual sua? Será que você aponta as falhas dos demais por amor a eles ou porque, afinal de contas, você é o tal, o defensor da verdade, o paladino mascarado do evangelho? Pior: será que seu dedo apontado não tem por finalidade tirar as atenções das próprias falhas?
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Temos de tomar cuidado para não apontar dedos com motivações espúrias. Porque, na maioria das vezes em que apontamos para o próximo sem que nossa motivação seja, única e simplesmente, o amor, estamos incorrendo em dois pecados abomináveis: a hipocrisia e a arrogância.
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Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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Quando eu estava na escola, na faculdade ou no seminário, tinha uma técnica de estudo que sempre me ajudou muito. Regularmente eu elaborava um enorme questionário, perguntando a mim mesmo todos os pontos da matéria que cairia na prova seguinte. Assim que terminava de responder, eu corrigia e, em seguida, pegava todas as questões que havia errado e as repetia em um novo questionário, menor. Em seguida, estudava toda a matéria que errara e respondia a esse novo questionário. Ao final, fazia nova conferência de respostas e detectava o que ainda não tinha acertado. E assim ia, estudando, fazendo os exercícios, verificando em que pontos ainda estava errando e me concentrando neles para me aperfeiçoar no que ainda não estava bem. O que essa estratégia me permitia era identificar meus pontos fracos, a fim de dar atenção especial a eles e, assim, conseguir sanar minhas fraquezas e ter um desempenho cada vez melhor.

Acabei tendo desempenhos muito bons no vestibular e, também, na prova para ingressar no seminário. Tudo porque eu, uma pessoa absolutamente igual a todo mundo, havia desenvolvido uma boa maneira de fixar informações e melhorar cada vez mais em meu conhecimento. Eu me examinava, reexaminava e examinava de novo, até ter total domínio da matéria. Na vida espiritual, penso que devemos fazer algo análogo ao que eu fazia para estudar. 

Tão logo somos justificados pela graça divina, mediante a fé, tem início em nossa jornada com Cristo o processo de santificação. Um dia após o outro, caminhamos pela vida, errando e acertando, mas buscando sempre nos tornarmos pessoas cada vez melhores, isto é, mais fieis, obedientes e conformadas à natureza de Cristo. Isso inclui buscar errar cada vez menos. Pecar menos. Acertar mais. Fazer as coisas cada vez mais como Jesus faria. Ceder menos aos nossos desejos humanos. Avançar no domínio próprio. A questão é que isso é como deveria ser, mas, muitas vezes, não é o que acontece. 

Algo terrível na vida de um cristão é a acomodação. Se alguém se conforma com suas falhas e seus erros, estagnou na fé. Parar de querer melhorar a cada dia é sintoma de que algo está errado. 

Você certamente conhece cristãos que se converteram, mudaram para melhor no ato da justificação, avançaram um pouco na santidade e… estagnaram. Pararam de melhorar. Têm, ainda, uma série de graves defeitos, mas não se preocupam mais em saná-los. Estão conformados em ser como são e, por essa razão, em vez de lutar contra a própria carne, abraçam seus defeitos e começam a achar justificativas para mantê-los sem dor de consciência. Com isso, incorrem num dos maiores erros que um cristão pode cometer: chamar pecado de virtude. Essa é a razão de haver entre nós tantos cristãos vaidosos, briguentos, manipuladores, ofensivos, egoístas, mentirosos, materialistas e cheios de outros defeitos com os quais não podemos nos acomodar. 

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Pense sobre a sua vida. Você tem se esforçado para identificar os seus defeitos? Tem feito exames de consciência regulares, a fim de detectar em que você ainda é mau, depravado e insuportável? E, se tem realizado essa auto-análise, o que tem feito na prática para melhorar? Será que você sabe em que tem errado, mas não tem feito nada a respeito? Se é o caso, meu irmão, minha irmã, é preciso sair da acomodação. Estagnação não é a vontade de Deus para a sua vida. Ele quer que você caminhe sempre, mais e mais, rumo à perfeição. Tornar-se perfeito é total e absolutamente impossível, mas esforçar-se para tornar-se perfeito como você jamais será é totalmente possível. Mais que isso: é o que Deus espera de todos nós. 

Pense. Quais são seus maiores erros? Quais são seus pecados mais recorrentes? Em que você mais tropeça? O que mais o leva a pedir perdão a Deus de novo e de novo e de novo? Se você não costuma se fazer essas perguntas, sugiro que comece já. E, uma vez que passe a realizar diariamente esse exame de consciência, tome atitudes práticas que o ajudem a se livrar desses pecados de cabeceira. Crie estratégias. E, acima de tudo, busque em Deus a cura para esses males. Na oração. No estudo da Palavra. Em uma vida de mais e mais intimidade como seu Criador e Salvador. 

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Eu não acredito que você foi salvo para ser um carro sem rodas, que não avança. Não se conforme com uma santidade com freio de mão puxado. Ok, você não fuma mais nem vai mais à boate mas… e aí? E depois? Já deu? É só isso o que significa ser cristão? Você vai se conformar com o patamar que alcançou? Meus horrores pessoais me assombram a tal ponto que procuro sempre buscar erradicá-los, por mais difícil que seja. Só não posso é me conformar com me conformar. 

Faça um questionário da sua vida. Veja em que pontos está sendo reprovado. Há muitas questões em que acerta? Ótimo. Mas olhe para aquelas em que a caneta de Deus ainda lhe dá um zero bem vermelho. Essas são as que merecem sua atenção. Foco nelas. Faça um novo questionário, com os pontos da “matéria” da santidade em que você fica em recuperação. E entregue essas questões à atenção de Deus. Leve-as aos pés do seu melhor amigo. Esforce-se e peça a ajuda do Senhor. 

Se fizer disso uma disciplina diária, creio que você chegará às portas do céu sendo uma pessoa muito, mas muito mais capaz de ouvir do Senhor não apenas um “Ok, entre”, mas um “Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor…”.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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