Posts com Tag ‘Graça’

oscar-1Foi vergonhoso. Na cerimônia deste ano de entrega do Oscar, o prêmio máximo do cinema americano, a maior gafe possível aconteceu: na hora de anunciar o vencedor na categoria “Melhor filme”, a organização trocou os envelopes. Resultado: foi anunciado como vencedor o longa-metragem La la land. Equipe e elenco subiram ao palco. Beijos e abraços. Comemorações. Os produtores seguraram a estatueta e fizeram discursos de agradecimento. Foi quando, para surpresa geral, entraram algumas pessoas da organização no palco para corrigir o anúncio: o vencedor na realidade era outro filme, Moonlight. O envelope errado havia sido entregue ao ator que apresentava o prêmio. Que vergonha. Surge a pergunta: como pode os organizadores de um evento tão bem ensaiado e preparado como a cerimônia de entrega do Oscar cometerem um erro tão elementar como esse? A Bíblia responde. 

A resposta do evangelho é: o ser humano falha. Erra. A perfeição não existe entre nós, por mais que nos esforcemos. Esforço humano nenhum nos livra de nossa natureza falível. Ninguém é digno de abrir os selos. Todos pecamos e destituídos fomos da glória de Deus. Todos nascemos miseravelmente pecadores, inclinados ao erro, desejosos de transgredir a vontade divina. Precisamos desesperadamente da graça do Criador, que nos justifica aos olhos do Todo-poderoso. Não fosse ela, carregaríamos um peso tão grande de culpa nas costas, por conta de nossos muitos e frequentes erros, que jamais poderíamos herdar a vida eterna. 

Eu entrego envelopes errados todos os dias, muitas vezes por dia. Por mais que me organize e me esforce para entregar os envelopes certos, no frigir dos ovos entrego os errados. Por minha causa, muita gente tem de devolver as estatuetas e abafar os discursos de agradecimento. Sou culpado disso, pois sou tão falível quanto os organizadores do Oscar. E você também é. 

O pecado é essa força, ao mesmo tempo humana e desumana, que me distancia da capacidade de acertar sempre. Felizes são aqueles que percebem tão terrível realidade e, por essa razão, correm aos pés do único que nunca errou, sedentos por sua graça. Precisamos da misericórdia daquele que é capaz de nos perdoar quando erramos. É possível que o funcionário responsável por entregar o envelope certo ao apresentador do Oscar tenha sido demitido depois de cometer tão grande gafe, não sei. Mas sei com certeza que Deus nunca demite os que erram, desde que se arrependam, reconheçam sua natureza destituída de méritos e recorram ao perdoador, abraçando-o como Salvador e aquele que “perdoa todas as tuas iniquidades” (Sl 103.3). 

Many identical businessmen clones. Businessman production conceptMeu irmão, minha irmã, essa é a razão pela qual devemos corrigir com mansidão e misericórdia os que erram, no intuito de restaurá-los. Não devemos ser tão furiosos e arrogantes em nosso trato com os que transgressores, pois  transgredimos tanto quanto eles; a diferença é só o tipo de transgressão. Devemos estender aos que erram a mesma graça que Deus nos estende quando erramos, pois nosso objetivo não é detoná-los, mas restaurá-los, mediante o arrependimento e o perdão. Seja menos implacável. Seja menos condenador. Seja mais compassivo. Seja mais restaurador. Até porque o único em condições de condenar quem erra não somos eu ou você, é aquele que foi condenado, injustamente, pelos nossos erros. Felizmente, ele subiu à cruz em nosso lugar e pagou o preço que competia a mim e a você pagar, nos permitindo, apesar de nós, ter acesso à glória eterna do Deus que está acima de todo e qualquer erro. 

O erro do Oscar me faz ver a necessidade de priorizarmos o que de fato é prioritário. Menos condenação, mais restauração. Menos agressividade, mais paz. Menos farisaísmo, mais mea culpa. Menos palavras duras, mais palavras mansas e temperadas. Menos carne, mais espírito. Menos ego, mais Cristo.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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ress-1Não costumo levar a sério filmes sobre temas bíblicos. São apenas filmes, historinhas escritas por alguém para passar uma visão pessoal sobre verdades que estão acima de visões pessoais. Por isso, quando assisto a longas-metragens sobre a vida de Cristo ou coisas assim, sei que não verei verdades, mas ficção que não é para ser levada a sério. É apenas entretenimento. No entanto, sempre que assisto a um filme apócrifo sobre Cristo, procuro extrair algo de bom. Recentemente, vi na TV o filme Ressurreição, relato imaginativo de como teria sido a conversão de um tribuno romano que participou da crucificação do Senhor. É uma ficção legalzinha, com algumas boas mensagens e montes de cenas extrabíblicas ou mesmo antibíblicas. De tudo, uma cena em especial me chamou a atenção e tocou meu coração. 

Em determinado ponto da narrativa, “Jesus” está comendo com os apóstolos quando um leproso invade o vilarejo onde eles se encontram, a fim de tentar furtar um pouco de comida. Quando o veem, os moradores o expulsam a gritos, pauladas e pedradas. É quando, cheio de compaixão, “Jesus” pega um peixe e caminha até aquele homem. Ao chegar perto, ele se abaixa e estende o alimento ao homem, que o olha com olhar de confusão, por ver aquele gesto de amor e graça em meio a tanta rejeição. É quando “Jesus” põe a mão no ombro do leproso, o puxa para si, o beija e o abraça. 

Nesse ponto, eu enxerguei o Cristo da Bíblia no Cristo do filme. 

Jesus não necessariamente rejeita aqueles que os homens rejeitam. Os critérios de rejeição dele são bem diferentes dos nossos. Costumamos rejeitar com base nas aparências, em nosso senso de justiça própria e em nossa arrogância moral – aquela crença louca de que somos melhores que os outros. Além disso, rejeitamos com base nos erros do passado ou na confusão do presente. Já Deus sabe que nosso passado foi feito para nos ensinar, mas ele não nos define, caso caminhemos em arrependimento e novidade de vida. Uma novidade que se renova todos os dias. 

ress-2Se você encontrasse  um leproso, o que faria? Jogaria pedras e tascaria pauladas? Ou o abraçaria, beijaria e alimentaria? Você pode estar pensando que não é tão frequente assim encontrarmos leprosos pela rua, e isso é verdade. Mas garanto que você encontra leprosos de alma a cada minuto da vida. Os leprosos que hoje cruzam nosso caminho são os mentirosos, os arrogantes, os agressivos, os invejosos, os adúlteros, os corruptos, os egoístas, os maus pastores, os falsos crentes, os sonegadores, os estupradores, os lascivos, os parentes terríveis, os hipócritas, os… Enfim, o que não falta em nosso dia a dia são leprosos de alma. 

A pergunta é: como você lidará com eles? Com as pauladas que afastam ou com o abraço acolhedor que transforma? Com as pedradas verbais que ferem ou com o beijo que desnorteia? 

“Nunca ninguém me tocou antes”, fala, espantado, o leproso do filme diante de um Jesus que lhe sorri com compaixão pouco antes de curá-lo. Aquele homem, se fosse real,  não teria sido sarado pelo poder divino que transformou sua carne, mas pelo gesto do homem que lhe estendeu um amor que ninguém antes havia estendido. 

O seu ódio pelos leprosos da vida não fará nada de bom a ele, nem a você. Mas o seu amor que enxerga o futuro e não o passado tem o potencial divino de transformar não só quem você vier a amar, mas a você também. Por quê? Pois, ao amar o leproso de alma, você fará o que Jesus faz. E, com isso, será moldado mais um pouco à natureza de Cristo. 

Faltam poucos segundos para você terminar de ler este texto. Assim que terminar, você voltará à sua rotina e encontrará pessoas detestáveis e repugnantes. Deixo, então, minha pergunta; como você se comportará com eles? O que lhes fará? O que lhes dirá? Peço a Deus que você não aja de acordo com seu nojo humano, mas, sim, de acordo com a compaixão e a misericórdia divinas. 

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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humilhar-1Eu estava lendo a Bíblia quando um trecho que já li milhões de vezes estourou no meu peito com toda força como nunca antes. Diz assim o texto bíblico: “Em seguida, Jesus contou a seguinte parábola àqueles que confiavam em sua própria justiça e desprezavam os demais: ‘Dois homens foram ao templo orar. Um deles era fariseu, e o outro, cobrador de impostos. O fariseu, em pé, fazia esta oração: ‘Eu te agradeço, Deus, porque não sou como as demais pessoas: desonestas, pecadoras, adúlteras. E, com certeza, não sou como aquele cobrador de impostos. Jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo que ganho’. Mas o cobrador de impostos ficou a distância e não tinha coragem nem de levantar os olhos para o céu enquanto orava. Em vez disso, batia no peito e dizia: ‘Deus, tem misericórdia de mim, pois sou pecador’. Eu lhes digo que foi o cobrador de impostos, e não o fariseu, quem voltou para casa justificado diante de Deus. Pois aqueles que se exaltam serão humilhados, e aqueles que se humilham serão exaltados”.” (Lc 18.9-14, NVT). O que me impactou tanto nessa leitura foi me dar conta da enorme quantidade de pessoas que agem exatamente como esse fariseu em nossos dias. Gostaria de convidar você a refletir sobre isso. 

A primeira realidade dessa parábola é que todos os personagens citados eram gente temente a Deus mas que pecava muito. Todos. O fariseu e o cobrador de impostos eram igualmente transgressores da vontade de Deus. Nenhum deles era melhor que o outro. Cada um tinha suas desgraças, seus pecados, sua culpa. Meu irmão, minha irmã, nenhum de nós é melhor que o outro. “Pois quem obedece a todas as leis, exceto uma, torna-se culpado de desobedecer a todas as outras.” (Tg 2.10, NVT). Isso nos iguala implacavelmente. Se o outro é adúltero, você é mentiroso. Se o outro é assassino, você é arrogante. Se o outro desonra pai e mãe, você é invejoso. Ninguém está livre. Todos somos culpados. O pecado nos iguala sem distinção. 

humilhar-2Segundo, o fariseu se achava espiritualmente melhor do que os outros. Esse tipo de postura é uma epidemia na igreja. Multidões se consideram mais espirituais que os demais. Ou porque acham que apenas sua teologia é a inerrante e infalível. Ou porque acreditam que a sua denominação é a única correta. Ou porque não toleram o diferente. Ou porque têm um cargo eclesiástico. Ou porque escreveram livros. Ou porque cantam bem. Ou porque têm um pouco de fama. Ou porque as pessoas os ficam bajulando e elogiando. Ou porque têm certas práticas que outros não têm. Ou porque exibem montes de diplomas teológicos na parede. Ou porque não fizeram teologia e acham que quem fez é carnal, porque, afinal, “a letra mata”. Ou porque têm muitos “amigos” na sua fan page das redes sociais. Ou porque pregam bem. Ou porque se acham  expositores das Escrituras melhores que os outros. Ou porque foram convidados a pregar ou palestrar em um lugar de renome. Ou porque… ou porque… ou porque. As razões são inúmeras. E todas são “como correr atrás do vento” (Ec 1.14, NVT), pois simplesmente não existe mérito algum na pessoa, tudo vem de Deus e é dado por Deus. “Toda dádiva que é boa e perfeita vem do alto, do Pai que criou as luzes no céu” (Tg 1.17, NVT).

Meu irmão, minha irmã: tudo o que você é e tem foi concedido pelo Senhor, sem absolutamente nenhum mérito seu. Você e eu não somos melhores que os outros.  Não. Deus não te escolheu para receber certos dons e talentos porque você é mais especial, mas porque ele, em sua soberania, assim quis, a despeito de seu mérito pessoal. Não é porque você subiu o monte que o Senhor te dará algo, tampouco porque fez campanha de muitas semanas, porque se formou no doutorado de teologia ou porque ralou o joelho até ele ficar em carne viva. Não: é tudo por graça, misericórdia, compaixão, amor. Poderia ser qualquer outro em seu lugar. Suas qualidades pessoais não são a seu respeito, são a respeito de Deus. Se você acha que o Zágari te abençoa com o que escreve, saiba que o único a ser agradecido por isso é o Senhor, porque com uma palavra de sua boca eu posso perder toda inspiração e me tornar um inútil. Deus, só ele. Por ele, para ele. 

humilhar-3Terceiro, o fariseu baseou seu discurso no erro dos outros. Ah, como isso é comum! Esse tipo de comportamento  prolifera como erva daninha em nosso meio. Não é à toa que as redes sociais, os blogs e os congressos teológicos transbordam de “apologetas” que dedicam seu dia a dia a ficar atacando os outros. Não os amam. Os odeiam. Não entendem que evangelho é muito mais do que criticar o que você acha que está errado na outras pessoas. E ficam destilando ira “em nome de Jesus”. Acham que Deus os apoia porque, afinal, eles estão certos e os outros não. Triste. Entenda: eu posso estar errado ao lhe dizer tudo o que aqui estou dizendo. Mas você também pode estar errado – e muito errado. E essa percepção da possibilidade do nosso erro deve nos levar a uma postura de extrema humildade, mansidão, autocontrole e pacificação. Fora disso, o que sobra é vaidade e arrogância. 

Quarto e último, a postura do cobrador de impostos é nitidamente o padrão cristão de comportamento. Aquele publicano compreendia que ele era falho e pecador. Mas, importantíssimo: ele não apenas sabia disso, ele agia em função desse entendimento, olhando para si e tratando diretamente com Deus sobre as próprias falhas. O coletor de impostos conhecia a trave que tinha no olho, não fazia vista grossa a ela e não baseava seu senso de valor em ficar investigando o cisco no olho alheio. Sua relação com os demais pecadores era de humildade e com Deus era de humilhação. E aqui chegamos ao cerne desta reflexão. 

humilhar-4Humildade e humilhação. Essa é a postura que agrada a Deus. O Senhor odeia a arrogância. Até mesmo a arrogância espiritual, doutrinária, denominacional e teológica. Temos de ser humildes com relação ao próximo na práxis e na doxa, por saber que em nada somos superiores aos outros, que nada do que temos e somos é mérito nosso, e que somos tão desgraçadamente necessitados da graça de Deus e do seu perdão para nossos pecados quanto qualquer outro. Precisamos nos humilhar diante de Deus, por compreender nossa realidade absolutamente dependente dele e desprovida de valor próprio. Não somos nada. Deus é tudo. Se você é “a menina dos olhos de Deus”, como muitos dizem, é por graça divina e não por mérito humano. Obrigado, Senhor, porque, em meio à minha fraqueza e falibilidade, aprouve a ti fazer qualquer coisa de mim e por mim. 

Meu irmão, minha irmã, “Humilhem-se diante do Senhor, e ele os exaltará.” (Tg 4.10, NVT). “E todos vocês
vistam-se de humildade no relacionamento uns com os outros. Pois, ‘Deus se opõe aos orgulhosos, mas concede graça aos humildes’. Portanto, humilhem-se sob o grande poder de Deus e, no tempo certo, ele os exaltará” (1Pe 5.5-6, NVT). O contrário disso? É vaidade. É arrogância. É pecado. E é o caminho mais curto e certo para ser humilhado por Deus. Não queira passar por isso: arrependa-se, confesse o seu pecado ao Senhor e mude. 
Vá por mim, falo por experiência. A experiência de alguém que, desgraçadamente, já agiu igualzinho ao fariseu da parábola…

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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misericordiaSinto muita dor nas costas. Sofro de fibromialgia há vinte anos e já se tornou previsível que, a cada manhã, quando eu abrir os olhos, terá início um ritual doloroso. Depois de algumas horas parados, meus músculos estarão completamente rígidos e extremamente doloridos, o que fará com que cada pequeno movimento do corpo seja uma ação difícil, lenta e doída. Começo a me mexer aos poucos e tento me revirar para os lados até me sentar na cama. Curvado. Em câmera lenta. Eu me levanto e faço alguns alongamentos, como a tentativa utópica de tocar com as mãos a ponta dos pés. Giro o tronco para os lados, me estico para onde der e me arrasto até o banheiro, para as abluções matinais. Depois de um tempo me movimentando, a rigidez e a dor diminuirão e poderei me dedicar às atividades do dia. Ao final da jornada diária, me deitarei na cama, já sabendo que no dia seguinte tudo será igual. É previsível. Tem sido assim há vinte anos. É garantido que as minhas dores virão no dia seguinte, pois elas não têm fim;
renovam-se cada manhã. 

Certas realidades da vida são absolutamente previsíveis. Realidades que não têm fim; renovam-se cada manhã. São aquelas coisas que, como a minha dor nas costas, inevitavelmente acontecerão. É como o sol nascer: você sabe que será exatamente daquele mesmíssimo jeito. São fatos e situações que não têm fim; renovam-se cada manhã. E isso, embora minha persistente fibromialgia possa fazer parecer que não, é, muitas vezes, algo alentador. Especialmente para as pessoas que carregam um peso enorme de culpa nas costas, para as que acreditam que não há perdão para erros que tenham cometido.  

Dor-nas-Costas 2Se você sente-se esmagado pelo peso dos seus erros, é importante que conheça uma realidade bíblica extraordinária em relação a isso: “Quero trazer à memória o que me pode dar esperança. As misericórdias do SENHOR são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim; renovam-se cada manhã” (Lm 3.21-23). O que podia dar esperança ao salmista? A lembrança de que as misericórdias do fiel Senhor não têm fim e renovam-se a cada manhã. E essa mesma lembrança, se trazida à memória, é capaz de trazer a cada um de nós paz, alívio, esperança, alegria. Perceba o que a Bíblia está dizendo: que há misericórdia de Deus para você hoje, houve ontem, haverá amanhã. A manifestação da misericórdia de Deus não é um evento pontual, é uma constante. Não é um lago estático, é um rio contínuo. Flui sempre. Para sempre. Nunca terá  fim. É um recurso renovável. Renovável e não escasso: Muitas, SENHOR, são as tuas misericórdias” (Sl 119.156). 

Naturalmente, isso não pode ser confundido com permissividade. Não é pelo fato de Deus ter misericórdias renováveis e abundantes que podemos viver errando desbragadamente e sem arrependimento. Mas o cristão sincero, que amarga viver constantemente sua pecaminosidade, encontra alento num fato extraordinário: “Rejeita o Senhor para sempre? Acaso, não torna a ser propício? Cessou perpetuamente a sua graça? Caducou a sua promessa para todas as gerações? Esqueceu-se Deus de ser benigno? Ou, na sua ira, terá ele reprimido as suas misericórdias?” (Sl 77.7-9). A resposta a cada uma dessas perguntas retóricas é um estrondoso não. E aqueles que têm intimidade com o Espírito Santo sabem que “Benigno e misericordioso é o SENHOR, tardio em irar-se e de grande clemência. O SENHOR é bom para todos, e as suas ternas misericórdias permeiam todas as suas obras” (Sl 145.8-9).

Dor-nas-Costas 3Se você pensa que Deus o rejeitou em razão de seus muitos pecados, lembre-se sempre de que “O Senhor não rejeitará para sempre; pois, ainda que entristeça a alguém, usará de compaixão segundo a grandeza das suas misericórdias; porque não aflige, nem entristece de bom grado os filhos dos homens” (Lm 3.31-33). Portanto, clame a ele do meio do seu pecado: “Responde-me, SENHOR, pois compassiva é a tua graça; volta-te para mim segundo a riqueza das tuas misericórdias” (Sl 69.16). E, ao orar, use de total sinceridade. Reconheça seus erros e confesse-os sem esconder nada: “Lembra-te, SENHOR, das tuas misericórdias e das tuas bondades, que são desde a eternidade. Não te lembres dos meus pecados da mocidade, nem das minhas transgressões. Lembra-te de mim, segundo a tua misericórdia, por causa da tua bondade, ó SENHOR. Bom e reto é o SENHOR, por isso, aponta o caminho aos pecadores” (Sl 25.6-8).

Quando o profeta Natã foi ter com Davi, depois de haver ele possuído Bate-Seba, o rei pecador clamou: “Compadece-te de mim, ó Deus, segundo a tua benignidade; e, segundo a multidão das tuas misericórdias, apaga as minhas transgressões. Lava-me completamente da minha iniquidade e purifica-me do meu pecado” (Sl 51.1-2). Do mesmo modo, se formos flagrados por nossa consciência em quaisquer que sejam os pecados, devemos orar: “Não retenhas de mim, SENHOR, as tuas misericórdias; guardem-me sempre a tua graça e a tua verdade. Não têm conta os males que me cercam; as minhas iniquidades me alcançaram, tantas, que me impedem a vista; são mais numerosas que os cabelos de minha cabeça, e o coração me desfalece” (Sl 40.11-12).

O que Deus espera de você, em se constatando o pecado? Sinceridade no reconhecimento da transgressão, confissão e mudança de rumo. O arrependimento virá pelo convencimento do Espírito. Pecou? Então reconheça, assim como fez Jacó: “sou indigno de todas as misericórdias e de toda a fidelidade que tens usado para com teu servo” (Gn 32.9-10). Entenda que todos somos indignos das misericórdias de Deus. Nenhum de nós é merecedor delas. Mas misericórdia não depende de ser digno ou merecedor, depende de graça. Depende da fidelidade do Senhor e não da nossa infidelidade. 

Dor-nas-Costas 4Por isso, lembre-se de que você encontrará sempre um lar em Deus. Seus braços abertos são como as suas misericórdias: sempre estendidos a nós. E, ao encontrar abrigo nelas, você poderá exultar, assim como fez o salmista: “Cantarei para sempre as tuas misericórdias, ó SENHOR; os meus lábios proclamarão a todas as gerações a tua fidelidade” (Sl 89.1). Pode ser que um dia a medicina descubra a cura para a fibromialgia, o que fará com que minhas previsíveis dores nas costas matinais cessem totalmente. Já as misericórdias do Senhor… essas nunca terão fim. 

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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cruz-amor 1Conheço um irmão em Cristo daqueles que pensavam ser a palmatória do mundo e, por isso, distribuía ataques com fúria a pessoas de quem discordava nas questões da fé. Ler suas postagens no Twitter me fazia mal, tamanha era a agressividade de seus posicionamentos contra aqueles de quem ele divergia em qualquer aspecto da vida e da teologia cristãs. Por uma série de circunstâncias, tempos depois ele imergiu numa crise que o lançou em uma profunda depressão. Por razões que não posso expor, por motivos éticos, em meio a esse furacão ele acabou assistindo a uma série de vídeos de pregação justamente de um dos sacerdotes que ele mais desqualificava, desmerecia e atacava. Que ele chamava de herege, na verdade. Após ter assistido aos sermões, aquele homem grandemente deprimido escreveu-me e, com humildade, disse o seguinte: “A ironia interessante é que as pregações do pastor xxxx, depois de eu, no passado, tê-lo relegado a um ‘plano inferior’, no mundo da teologia, têm me feito muito bem… Coisas desse Deus estranhamente bom”. 

O que esse irmão viveu não é um caso isolado. Eu me admiro por ver com que enorme frequência o Senhor abate os arrogantes, a fim de mostrar que sua graça é muito maior do que supõe nossa limitada capacidade teológica de compreendê-la. Eu mesmo sou um exemplo, como já relatei aqui no APENAS. 

Para que você entenda, caso não tenha lido o que já contei: depois de ter feito dois seminários teológicos e de conviver por anos num ambiente de alta crítica teológica, tornei-me um preconceituoso bobo, que relegava certas pessoas a uma espécie de segundo escalão da fé. Coisas de um tolo empavonado, como eu era. Só que Deus me permitiu passar pelo vale da sombra da morte e tive de enfrentar um processo de tristeza, depressão e abatimento. Quando mais eu precisava de apoio, não encontrei amparo entre os “amigos” da alta crítica, mas encontrei consolo e paz, veja você, justamente na literatura de autores que eu costumava desprezar. Nos meus piores momentos, quando Deus estava me reconstruindo e me fazendo ver que ele age, sim, por meio de muitas pessoas que desqualificamos, não encontrei paz e esperança nas obras densas e acadêmicas de que eu tanto gostava (e ainda gosto), mas nos escritos que antes eu considerava “rasos” e “superficiais”, como livros de Max Lucado. Coisas desse Deus estranhamente bom, que não cabe no gesso em que muitos querem aprisioná-lo. 

cruz-amor 2Foi nessa época que decidi mudar o foco de minha escrita e passar a escrever não para satisfazer a minha mente e o meu ego e para me destacar entre a elite do pensamento cristão (ah, a vaidade, sempre ela…), mas para oferecer respostas e alento à alma cansada e ao coração aflito do meu próximo, linha que tenho seguido desde então. Abandonei o linguajar rebuscado e acadêmico em meus textos e livros e adotei a linguagem simples e coloquial. Sem abrir mão de abordar assuntos profundos da fé, passei a fazê-lo de modo a transmitir verdades essenciais do evangelho num texto bastante simples, para todo tipo de leitor. Claro que isso me fez alvo do bullying de muitos amigos da alta crítica – coisa desses seres humanos estranhamente maus. 

Mas meu objetivo com este texto não é falar sobre mim.  Conto tudo isso apenas a fim de chamar a sua atenção para o fato de que esse Deus estranhamente bom muitas vezes vai surpreendê-lo, usando pessoas e meios que  jamais você imaginaria para cumprir os seus propósitos na sua vida. Lembra-se de Davi, o menos provável de ser escolhido rei dentre seus irmãos? Pois justo ele foi ungido rei de Israel. Coisas desse Deus estranhamente bom. Lembra-se de que Deus usou justamente o pagão Nabucodonosor para disciplinar seu povo? Coisas desse Deus estranhamente bom. Lembra-se de que o Senhor fez do ex-escravo e ex-presidiário José a segunda pessoa mais importante do Egito? Coisas desse Deus estranhamente bom. Lembra-se de como o Senhor usou Gideão, o menor dentre os menores, para dar vitória a seu povo? Coisas desse Deus estranhamente bom. 

Sim, o Senhor ainda vai te surpreender muitas e muitas vezes. Em certas ocasiões, será assombroso. Em outras, será doloroso. Haverá, ainda, momentos em que ele te deixará de queixo caído. Usará quem você menos espera. Fará as coisas acontecerem como você nem imagina. Muitas vezes, haverá surpresas aparentemente incompreensíveis. Só não se pode perder de foco que Deus faz tudo isso devido às suas estranhas bondade, graça e misericórdia. 

Meu irmão, minha irmã, mantenha os ouvidos atentos e o coração aberto, pois você nunca saberá de onde se fará ouvir a voz de Deus. Ela poderá vir pelos lábios daquele pastor que você desqualifica, da cantora que você sentenciou aos quintos dos infernos, daquele livro que você considera raso e superficial, daquele seu inimigo que te estenderá a mão quando teus “amigos” te largarem para lá. Afinal, a voz de Deus não está submissa aos altivos quereres humanos, mas à absoluta soberania do Todo-poderoso. 

cruz-amor 3Peço ao Senhor que sempre faça você ouvir a sua voz, não importa de que lado ela venha. Oro a Deus que seus preconceitos não sejam tão barulhentos a ponto de te impedir de escutar o que ele diz, muitas vezes por meios que você jamais imaginaria. Esteja aberto à atuação surpreendente do Criador, que, creio eu, deve ter se divertido muito ao ver a cara de choque dos irmãos de Davi quando perceberam que foi justamente o mais desprezado dentre eles o escolhido para realizar os propósitos divinos. Peço ao Altíssimo que, nas situações mais atribuladas e difíceis da sua vida, você esteja de ouvidos abertos para escutar, venha ela de onde vier, a voz desse nosso maravilhoso Deus estranhamente bom. 

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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