Arquivo da categoria ‘Hipocrisia’

Não, você não verá nenhum pastor pregar sobre o pecado da conivência. Afinal, não é um pecado mencionado pelo nome na Bíblia, por isso, muitos têm dificuldade de enxergá-lo. Infelizmente, vivemos uma geração de cristãos para quem parece que pecado é só sexo ilícito, tomar um porre e apoiar o partido político de que eu não gosto. Fora disso, parece que tudo está liberado: injustiças, ira, ódio, egoísmo, arrogância, ofensas, deboche, vaidade, ganância… e conivência.

Mas o que, afinal, é o pecado da conivência? Por definição, conivência é: “Cumplicidade por tolerância. Colaboração moral no delito por deixá-lo perpetrar, podendo evitá-lo”. Em outras palavras, o conivente é o que peca por tomar conhecimento de um pecado, uma injustiça, um absurdo e apoiar, ou tolerar, o ato. É fazer-se participante do mal por não denunciar o mal como mal nem fazer nada contra ele. É tornar-se tão mau quanto o mau.

Fica claro que conivência é um pecado intimamente ligado à covardia e ao egoísmo: melhor ficar na minha do que ter a coragem de me posicionar diante do que é errado. Às vezes, o conivente opta por esse pecado por ingenuidade, cegueira espiritual e influência de outras pessoas, mas, na maioria dos casos, é uma opção pura e simples pelo erro mesmo – para não perder vantagens pessoais ou para não se prejudicar, por exemplo.

Ser conivente é extremamente confortável, pois não te fará se indispor com ninguém. Já fazer o certo vai te custar caro, principalmente porque vai testar amizades. Já perdi amigos por não querer pecar por conivência. Lembro de pessoas que eu admirava e que tiveram atitudes vergonhosas. Quando me posicionei contra os absurdos cometidos, fui acusado de deslealdade. Resultado? Passaram a me boicotar e me ver com maus olhos. Paciência. Quando você tem de optar entre o pecado da conivência e o apoio ao que é justo, puro, amável, de boa fama e virtuoso, o cristão não pode pensar duas vezes, ou isso pesará em sua consciência pelo resto da vida. Como já cometi pecados tenebrosos na vida e, apesar de me saber perdoado, os carregar dolorosamente na lembrança, sei que não vale o preço. É melhor perder amigos do que a paz de espírito e com o Espírito.

Não vou enganar você. Tenha esta certeza: optar por não pecar por conivência sempre terá um custo. Sempre. Não é te custará barato escolher o que é justo.

Tenho visto muita gente pecar por conivência. A boa notícia é que o conivente revela muito do seu caráter e da sua fé ao se tornar conivente com injustiças, mentiras e atos reprováveis. E você passa a conhecer quem as pessoas realmente são e quais são as suas prioridades. Conivência, por mais enojante e decepcionante que seja, é um ato revelador.

Meu irmão, minha irmã, convido você a um exame de consciência. Será que você tem sido conivente com pecados alheios? Você tem mantido silêncio diante de atitudes vergonhosas, injustas e anticristãs, a fim de não se indispor com pessoas, manter algum tipo de benefício ou levar algum tipo de vantagem? Tem balançado a cabeça, afirmativamente, quando as pessoas falam mentiras?

Como tem sido sua postura diante da inverdade, de atos de injustiça ou de posicionamentos anticristãos de supostos cristãos – ou não? Quão gritante tem sido o seu silêncio diante da maldade? Desperte! “Portanto, aquele que sabe que deve fazer o bem e não o faz, nisso está pecando” (Tg 4.17).

Não ache você que conivência é um pecado menor do que adultério, aborto ou qualquer outro dos pecados mais frequentes nos lábios e nas redes sociais dos pregadores. Simplesmente porque a conivência com atos de injustiça contraria frontalmente a essência do Deus que é justiça. É, portanto, a sabotagem do projeto de Deus na terra.

“Finalmente, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o pensamento de vocês. O que também aprenderam, receberam e ouviram de mim, e o que viram em mim, isso ponham em prática; e o Deus da paz estará com vocês”. (Fp 4.8‭-‬9).

Fica o convite: arrependa-se. Confesse. Deixe. E a misericórdia de Deus virá sobre você.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari
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A ideia de que ser homem com H maiúsculo, másculo, macho significa ser um brucutu destemperado, que arrota alto, vive na academia puxando ferro e manda ver no palavreado como um neanderthal é tão verdadeira quanto dizer que ser cristão significa usar saia comprida, não depilar a perna, usar cabelos até a cintura e ser homofóbico: estereótipos tolos que só atrapalham nossa relação com Deus, com o próximo e conosco. ⁣ ⁣ Ser um homem de verdade, à luz da Bíblia, não tem absolutamente nada a ver com ser um ogro verborrágico, que valoriza músculos acima de sabedoria e paz. ⁣ ⁣

Ser um homem de verdade, à luz da Bíblia, é ter postura e caráter e tratar o próximo como gostaria de ser tratado. É saber reconhecer os erros, se arrepender e pedir perdão. É buscar a justiça com amor, promover a verdade com mansidão e estimular a conciliação com paciência. ⁣ ⁣

Ser um macho à luz da Bíblia é ser macho como Jesus. ⁣ ⁣

Jesus é nosso exemplo para tudo, inclusive para a masculinidade. Ele tratou as crianças com doçura, as mulheres com dignidade, os amigos com amor, os inimigos com intercessão e perdão. ⁣ ⁣

O conceito de masculinidade bíblica parece ter se perdido e assimilado tolices extrabíblicas. Muito se associa masculinidade – nas igrejas! – ao discurso ferino e incisivo, ao olhar agressivo e pesado, ao punho erguido e ao pisão duro. ⁣ ⁣

Mas firmeza não é isso. ⁣ ⁣

É possível, e desejável, ser firme dizendo “olhai os lírios do campo”, “ame seus inimigos” e “não pague mal com mal”.

Aí vem alguém e diz: “Mas e o episódio dos vendilhões do templo?”, como se aquele episódio fosse suficiente para derrubar tudo o que Jesus falou sobre como a humanidade precisa agir e se comportar. Não entendem que a divindade de Cristo lhe dá prerrogativas que o ser humano não tem, que Deus pode matar e se irar, mas que se o homem mata, fere um dos dez mandamentos e, se alimenta a ira e a põe em prática, pratica obra da carne e peca. Tomam um episódio sem ver a teologia por trás, sem analisar os princípios bíblicos do evangelho, sem considerar a hermenêutica bíblica, distorcendo a natureza do Príncipe da paz e todo o conjunto de seus ensinamentos. E acham que o episódio dos vendilhões é suficiente para transformar Jesus num ser que apoia a violência, a agressividade e a brutalidade. Que visão triste do que é a masculinidade de Jesus.

Ser macho como Jesus não é viver irado, mas em amor. Não é ser carrancudo, mas alegre. Não é viver comprando briga, mas pacificando. ⁣Não é ser explosivo, mas paciente.⁣ Não é ser altivo e mal-encarado, mas amável e bondoso.⁣ Não é ser fiel a um cânone machista, mas fiel à Escritura. ⁣Não é ser brigão, mas manso e humilde de coração. Não é ser impulsivo, mas ter domínio próprio e não reagir na base da fúria.

Enquanto associarmos masculinidade ao comportamento de lutadores de UFC, brutamontes e guerreiros em campos de batalha, seremos tudo, menos machos como Deus nos criou para ser. Seremos, somente, sombras tristes da real natureza do Cristo, que não nos ensinou a ser grosseiros cabras machos, mas santos cordeiros da paz.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari
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O ator Flávio Migliaccio tirou a própria vida esta semana, aos 85 anos. Em seu bilhete suicida, ele escreveu: “Me desculpem, mas não deu mais. A velhice neste País é o caos como tudo aqui. A humanidade não deu certo. Eu tive a impressão que foram 85 anos jogados fora num país como este. E com esse tipo de gente que acabei encontrando. Cuidem das crianças de hoje! Flavio.” Esse bilhete me deixou reflexivo. E, como cristão, me senti responsável por ele ter chegado ao fim da vida tão deprimido. Falhei, por não fazê-lo saber algumas realidades que poderiam tê-lo sustentado.

Primeiro, quando Flavio mostra a decepção por a humanidade não ter dado certo, fico triste, pois quem conhece a Escritura sabe disso desde Gênesis 3. Que cristão acredita que a humanidade deu certo? Todos sabemos que caímos, transgredimos, falimos. Por outro lado, essa percepção não espanta nenhum de nós, pois sabemos que essa falência tem prazo de validade. Na cruz, fomos resgatados. Há redenção. E, na volta de Cristo, haverá glorificação. Não somos surpreendidos ou deprimidos por a humanidade ter dado errado. Ela deu. Mas, no fim, isso será revertido.

Segundo, Flavio teve a impressão de que foram 85 anos jogados fora. Que triste ler isso. Porque jamais uma vida é jogada fora se há propósito, motivação, razão de ser. E ter Cristo em nossa vida nos estimula a amar o próximo, o que, quando feito com diligência, nos dá completude no senso de utilidade e valor pessoal. Quem dos que dedicam a vida a amar o semelhante e servi-lo sente que está desperdiçando tempo? Acordar de manhã desejando realizar algo para fazer alguém sorrir e ir para a cama à noite sabendo que se ajudou alguém a viver proporciona uma sensação de plenitude e propósito que nos fazem ver cada segundo da existência como preciosidade.

Terceiro, Flávio se mostra decepcionado com as pessoas, “esse tipo de gente”. Todo ser humano conviverá com pessoas horríveis. Entro nas redes sociais e vejo multidões de pastores e membros de igrejas grosseiros, brigando por política ou teologia, ofendendo uns aos outros, arrogantes e desagradáveis. Como conviver com isso? Eis o segredo: perdoando. Na nossa fé, somos instados a perdoar “esse tipo de gente” por entender que não sabe o que faz e está escravizada por seu pecado. E a instrui-la, com mansidão e paciência. Por quê? Por crer que, se até mesmo pastores e teólogos famosos, arrogantes e agressivos podem vir em algum momento a ser salvos por Jesus, quanto mais qualquer outra pessoa! Sim, crer na redenção até do mais endurecido religioso dá esperança de salvação “dessa gente”. Qualquer que seja.

Sim, eu falhei. Falhei com Flavio porque não lhe apresentei o senso de propósito que há no amor a Deus e ao próximo. Falhei por não mostrar que a falência da humanidade em Gênesis 3 terá reversão em Apocalipse 22. Falhei por não mostrar que há perdão e restauração para toda gente horrível. Falhei porque o cristo que ele conheceu foi o falso, o genérico, aquele que milita na política partidária e nos programas de televisão com ódio, arrogância, estupidez, palavreado destemperado e falta de amor nas palavras. E, desculpe, você também falhou. Todo cristão falhou. Porque perdemos tempo com vãs discussões em vez de investi-lo em fazer gente como Flávio Migliaccio conhecer o Cristo verdadeiro: o que ama, redime, conserta, restaura, controla, pacifica e estende a mão. O Cristo da cruz e da sepultura vazia.

Falhamos com Flavio. Mas há milhares de outros flavios ao nosso redor, em situação bem parecida com a dele. A grande pergunta é: o que você pretende fazer a respeito?

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari
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Estou escrevendo este post mais como um desabafo do que por qualquer outra razão. Se você conhece alguém que faz da sua vida um inferno, vai me entender, pois há um irmão em Cristo que me atormenta e preciso pôr para fora a minha ira – que é santa, naturalmente – senão parece que vou explodir.

É muito duro para nós, que somos santos e irrepreensíveis, aturar esse tipo de gente falível. Pode ser que a pessoa que você não suporte seja um vizinho que ponha músicas horríveis no maior volume sempre que você quer dormir. Ou um colega de trabalho que minta contra você. Ou, ainda, uma irmã da igreja que te irrita, magoa ou toma atitudes contra sua paz. Pode ser, até mesmo, o seu chefe, quem sabe, ou o pastor que, em vez de zelar por tua alma, te oprime, subjuga, denigre e prejudica. E você odeia tudo de ruim que há nessa pessoa. Quer fazer parecer que não, pois, afinal, odiar não pega bem para um crente. Mas, lá no  fundo do coração, você sabe que odeia. Talvez não tão no fundo assim.

Pois bem, há um cara que me tira do sério. Sou obrigado a conviver com ele por causa das circunstâncias da vida, mas ele é chato, pecador, egoísta, mesquinho e insuportável – tudo o que eu não sou. Por favor, permita-me desabafar.

Conheço esse cara desde a infância. As primeiras lembranças que tenho dele são anteriores aos meus 3 anos de idade, pois morávamos na mesma rua. Anos e anos e anos suportando esse cidadão. Crescemos juntos e, por uma série de situações, que não vêm ao caso, fui obrigado a conviver com ele em muitas áreas de minha vida. Hoje, inclusive, ele calhou de frequentar a mesma igreja que eu – para meu azar e irritação.

Uma das coisas que mais me incomodam nele é que E. (permita-me chamá-lo apenas pela inicial) se faz passar por meu amigo e tem toda a aparência de crente, mas é um tremendo pecador. Como o conheço há tanto tempo, temos intimidade suficiente para eu saber coisas de sua vida que ninguém mais sabe. Ele me conta pensamentos terríveis e atos completamente reprováveis do ponto de vista bíblico. Às, vezes, confesso, chego a ter uma certa repulsa por E., tamanha é a sua pecaminosidade. E é duro para uma pessoa tão correta como eu aguentar isso. Mas, infelizmente, sou obrigado a conviver com ele, então não tenho para onde correr.

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Eu me encontro com ele nos cultos. O vejo levantar as mãos no louvor, fazer aquela carinha de santo na hora da oração e ostentar seu jeito insuportável de cristão nota dez, quando eu sei quem ele é e as coisas horríveis que pensa e faz. Na verdade, eu o fico observando o culto inteiro e me enoja quando ele fica chorando, pedindo perdão por seus pecados, quando sei que ele vai sair da igreja e pecar de novo. E me sinto obrigado a pedir que Deus pese a mão sobre ele, pra ver se toma jeito. Miserável pecador…

Você conhece alguém assim? Por favor, me diga como devo proceder. Às vezes, quando prego, confesso que já exortei muito pensando nele, pois sabia que ele estava ouvindo. Sabe quando você faz uma explanação que parece generalista mas tem endereço certo? Você pode até achar feio eu ter feito isso, mas confesso: eu fiz. Dei montes de indiretas para E. em muitas de minhas pregações, para ver se ele, de algum modo, era tocado por Deus e mudava. Não sei se adiantou, só o Senhor sabe, mas fiz a minha parte.

Pense em apenas alguns dos dez mandamentos. E. muitas e muitas vezes priorizou outras coisas no lugar de Deus.  Honrar pai e mãe? Coitados, lembro que, quando éramos crianças, ele dava um trabalhão. “Não dirás falso testemunho contra o teu próximo”? Como negar as montanhas de vezes em que ele fez isso? “Não cobiçarás a casa do teu próximo. Não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma que pertença ao teu próximo”? Tudo bem, admito, nunca o vi cobiçar o jumento de ninguém, de resto perdi a conta de quantas vezes o flagrei invejando o que não lhe pertencia. Cara, desculpe, mas E. tem tantos buracos em sua santidade…

Você tem algum E. na sua vida? Pense aí. Lembrou de alguém intragável, que parece só ter vindo ao mundo para te irritar, chatear, fazer chorar? É que realmente as circunstâncias não permitem, mas por mim eu mandava exilar E. no Tibete. Sabe o que mais me tira do sério? Ele até fala uma ou outra coisa legal, por isso tem gente que o elogia, que o acha alguém especial. Desculpem, mas eu conheço bem esse cara. Se duvidar, uns 95% dos elogios que ele recebe são imerecidos. E. precisa desesperadamente do perdão de Deus, pois tem muitas e muitas coisas a melhorar. Já falei isso a ele. Mas parece que, na maioria das vezes, o cidadão não me ouve!

Bem, acho que já desabafei o suficiente. Eu odeio tudo o que E. tem de ruim. Odeio. Odeio sua pecaminosidade, o fato de ele fazer menos do que poderia pelo próximo, odeio quando não pede perdão pelos seus pecados, odeio suas fraquezas. Ele me tira do sério.

Mas… tem uma coisa.  Apesar de tudo isso, eu sei que Jesus o ama.

A despeito de seus defeitos, suas falhas, seus pecados, sua omissão, tudo, tudo, tudo o que faz de E. uma pessoa odiosa… Jesus o ama. Não entendo todo esse amor por um zero à esquerdaCara6 como ele, asseguro que não entendo. Mas sei que isso tem um nome: graçaE. não vale nada, mas a graça o faz valer o mundo para Deus. Foi por esse cidadão que o Cordeiro de Deus subiu à cruz, foi moído, rasgado, cuspido, ofendido, morto. E eu acredito que, porque a salvação é pela graça e não por mérito, um dia ele irá para o céu. Graça. Esse é o segredo. Essa é a explicação. Essa é a esperança. Essa é a certeza. Essa é a fé. Pois a graça não faz Deus ver toda a sujeira que E. carrega em si quando olha para ele. Quando o Pai fita seu olhar em E., o que ele enxerga é o Cordeiro que foi imolado por cada um dos seus pecados.

Conheço bem E. Ele habita dentro de mim. E., de Eu. Sim… o nome de E. é Maurício Zágari.

Obrigado, Senhor, por não me ver como eu sou, mas como Jesus é.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari
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Eu já machuquei pessoas. Já menti. Cobicei coisas do meu próximo. Odiei muitas vezes. Tive pensamentos  impuros. Fui egoísta. Deixei a arrogância dominar meu coração. Tive sede de sangue. Pus lenha na fogueira em vez de pacificar. Desonrei meus pais. Fui preguiçoso. Agi de modo rebelde. Não amei meu próximo como a mim mesmo. Senti inveja. Fui ganancioso. Amei o dinheiro. Andei ansioso. Meu irmão, minha irmã, eu já fiz quase tudo o que de pior uma pessoa pode fazer, e isso após a minha conversão a Cristo. Sim, minha salvação não trouxe a reboque a perfeição. Será que você se identifica com isso?

Olho para minha jornada com Cristo e fica claro como, nesses 23 anos desde a minha justificação, eu errei, falhei, escorreguei, pisei na bola. Se eu posar de perfeito para que você me ache superespiritual, estaria apenas somando mais um pecado à lista: o da hipocrisia.

Gosto de ouvir minha esposa falar sobre mim. Sabe como são os cônjuges, não é? Ela me vê em meus momentos mais íntimos e tem liberdade de me criticar. Diariamente, denuncia minhas numerosas falhas. Isso dói. Mas é bom que doa. Nossos cônjuges são uma bênção, pois se sentem à vontade, como ninguém mais, para denunciar os pecados que testemunham na intimidade e, com isso, quando estão certos no que dizem se tornam canais de Deus para nos chamar ao arrependimento.

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Com frequência, minha esposa diz que eu não vivo algo que preguei em determinado sermão. E, às vezes, ela tem razão. Pois eu sou falho mesmo. Careço da graça. Mas, ainda assim, preciso pregar a verdade, pois ela está acima de mim e minhas falhas. Deus chamou seres impuros para pregar a pureza, pessoas erradas para pregar o que é certo, gente falha para pregar a perfeição. Pois o evangelho é sobre Cristo e não sobre nós e, quando pregamos, primeiro estamos falando para nós mesmos.

Não me orgulho do que estou lhe confessando. Nada disso. Conheço o evangelho. Sei diferenciar o certo do errado. Não estou conformado com meus erros; eles me amassam e me fazem sentir um lixo. Eu os vejo assim como Paulo via seus pecados: “O problema não está na lei, pois ela é espiritual e boa. O problema está em mim, pois sou humano, escravo do pecado. Não entendo a mim mesmo, pois quero fazer o que é certo, mas não o faço. Em vez disso, faço aquilo que odeio. Mas, se eu sei que o que faço é errado, isso mostra que concordo que a lei é boa. Portanto, não sou eu quem faz o que é errado, mas o pecado que habita em mim” (Rm 7.14‭-‬17, NVT).

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Sei que você está acostumado a ver os cristãos se apresentarem como perfeitos, megassantos, exemplares, principalmente pessoas públicas. Também estou. As redes sociais e os púlpitos estão cheios delas. E olho com bastante ceticismo quando leio textos de gente que só sabe apontar o dedo. Logo penso: “Deixe-me conversar com sua esposa por cinco minutos para saber quem você é por trás da máscara e, já, já, conversamos”. E rio. Rio de uma pretensa superioridade moral e espiritual com que muitos gostamos de nos apresentar. Eu não cometerei esse erro, meu irmão, minha irmã: saiba que este que vos fala é um cidadão bem ruinzinho, cheio de pecados e problemas, desesperadamente carente da graça de Deus. Ainda assim, sabe-se lá por que razão, aprouve a Deus fazer-me amá-lo e desejar servir a ele e ao meu próximo.

Todos nós, cristãos, vivemos um paradoxo: somos habitação do Espírito Santo e habitação do pecado. Que guerra! Ainda assim, em meio a todo esforço e toda dor da batalha, Deus continua sendo Deus, digno de toda honra e glorificação, sublime e perfeito, gentil e amoroso, perdoador e gracioso, bom e justo! Não há como não amar esse Deus, que olhou de sua habitação fora do tempo e acima de nossa compreensão de espaço-tempo, contemplou esses seres bizarros e confusos que somos nós… e nos amou. Ele nos amou, meu irmão, minha irmã! Consegue ver a sublimidade disso?

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Seja honesto. Seja transparente. Viver o evangelho não é posar de perfeito, quando você está longe, muito longe disso. Sei disso, porque vivo isso. Prego a Cristo, porque não poderia não pregar, mas sei quem sou. Conheço minhas podridões. E, se não assumi-las publicamente, seria apenas mais um hipócrita entre tantos que estão por aí, travestidos de perfeições mentirosas e armados de seus dedos apontados.

Minha salvação não me trouxe perfeição, trouxe o desejo de lutar. Se você sente esse mesmo desejo, junte-se a mim, em transparência e honestidade. Lute. Lute por ser perfeito, mas, enquanto não for, diga que não é. E proclame, dia e noite, nas montanhas e nos vales, aquele sobre quem dirão, naquele grande dia, os milhões de santos e seres celestiais:

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“Digno é o Cordeiro que foi sacrificado de receber poder e riqueza, sabedoria e força, honra, glória e louvor! Louvor e honra, glória e poder pertencem àquele que está sentado no trono e ao Cordeiro para todo o sempre! Grandes e maravilhosas são as tuas obras, ó Senhor Deus, o Todo-poderoso! Justos e verdadeiros são os teus caminhos, ó Rei das nações! Quem não te temerá, Senhor? Quem não glorificará teu nome? Pois só tu és santo! Todas as nações virão e adorarão diante de ti, pois teus feitos de justiça foram revelados!”.

E, aí, meu irmão, minha irmã, finalmente, estaremos despidos dessa capa de pecados e imperfeições e habitaremos para sempre em uma realidade em que não haverá mais morte, nem dor, nem choro… nem imperfeição.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

 

Nós, cristãos, somos chamados a sempre fazer a coisa certa. A fazer o bem. A promover a paz. A lutar pela restauração de vidas, relacionamentos, comunidades, corações. A ser porta-vozes da mais extraordinária, bonita, transformadora e pulsante mensagem que já foi anunciada nos céus e na terra: as boas-novas da salvação de Jesus de Nazaré, o Filho de Deus, o Criador encarnado em forma humana. A ser santos. A resistir ao pecado. Lamentavelmente, nossa natureza foi contaminada pela Queda e, mesmo salvos pela graça transbordante do Senhor, seguimos na jornada com Cristo sendo assolados por inclinações más, impulsos reprováveis, tentações cíclicas, desejos malignos, pensamentos maquiavélicos. É normal e previsível que seremos atraídos diariamente pelo pecado enquanto habitamos este corpo mortal, sujeito à corrupção, mesmo sendo ele habitação do Espírito de Deus (Rm 7.14-25). Portanto, somos seduzidos diariamente pelo pecado. A grande questão é: ceder ou não.

Quando um cristão autêntico peca, inevitavelmente age como Pedro após trair pela terceira vez seu amigo e Mestre: chora amargamente, com tristeza verdadeira, pede perdão aos céus e empenha todas as suas forças para não voltar a repetir o erro. O grande, enorme, gigantesco, monumental problema que ocorre é quando, em vez de reconhecermos, confessarmos e abandonarmos as nossas más práticas, arranjamos desculpas esfarrapadas para continuar fazendo as mesmas besteiras de sempre.

Em geral, existem duas estratégias principais que nós, cristãos, costumamos usar a fim de justificar nossos pecados. Em outras palavras, são jeitinhos que damos para continuar pecando sem dor de consciência.

A primeira é quando arranjamos uma desculpa esfarrapada, aparentemente baseada na Bíblia, que nos dá paz de consciência para seguirmos fazendo nossas besteiras. Jesus contou uma parábola que ilustra bem esse tipo de comportamento: “Dois homens foram ao templo orar. Um deles era fariseu, e o outro, cobrador de impostos. O fariseu, em pé, fazia esta oração: ‘Eu te agradeço, Deus, porque não sou como as demais pessoas: desonestas, pecadoras, adúlteras. E, com certeza, não sou como aquele cobrador de impostos. Jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo que ganho’.  “Mas o cobrador de impostos ficou a distância e não tinha coragem nem de levantar os olhos para o céu enquanto orava. Em vez disso, batia no peito e dizia: ‘Deus, tem misericórdia de mim, pois sou pecador’. Eu lhes digo que foi o cobrador de impostos, e não o fariseu, quem voltou para casa justificado diante de Deus. Pois aqueles que se exaltam serão humilhados, e aqueles que se humilham serão exaltados” (Lc 18.10-14).

Perceba que o cidadão tentava compensar seus pecados pelo fato de jejuar e dar o dízimo. Na cabeça dele, funcionava assim: “Já que cumpro essas regras religiosas, posso continuar com meus muitos pecados, sem problema, estou de boa”. É desse jeito que pensamos quando, por exemplo, tentamos dar um jeitinho para seguirmos sendo agressivos, porque, afinal, “Sou crente mas não sou banana” ou “Deus muda o caráter mas não o temperamento”. Tudo, sofismas que nos deem paz para continuarmos sendo tão estúpidos como antes da conversão, só que com uma capa “gospel”. Afinal, convenhamos, não é preciso ser bruto para não ser banana. E Deus muda, sim, o temperamento.

Teólogos e seminaristas mandam para o inferno quem eles consideram ser hereges com brutalidade no tom e nas palavras “porque Jesus derrubou as mesas dos cambistas”. Maridos tratam mal a esposa “porque ela não é submissa”. Esposas tratam mal o marido “porque ele não me ama como Cristo amou a Igreja”. Pais vivem berrando com os filhos porque “quem manda aqui sou eu e você tem de me honrar” e filhos vivem desonrando os pais “porque eles não me entendem e me levam à ira”. Pastores oprimem membros “porque sou ungido do Senhor”. Membros articulam contra o pastor “porque ele é autoritário”. Pregadores se referem a não cristãos com fúria e desrespeito “porque eles são filhos da ira”. Tudo desculpas esfarrapadas, supostamente “bíblicas”, a fim de fazer pessoas se autorizarem a agir como mundanos e pecarem em suas palavras e atitudes “em nome de Jesus”. Na verdade, isso não passa de paganismo travestido de cristianismo.

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A segunda estratégia principal que nós, cristãos, costumamos usar a fim de justificar nossos pecados é a tática do dedo apontado. É uma estratégia que começou no Éden: Adão culpou Eva e Eva culpou a serpente, sempre justificando as próprias besteiras com base nas besteiras alheias. É uma fuga ao estilo “boi de piranha”, isto é, jogo a culpa alheia no rio para que ela fique no foco enquanto tento sair de fininho da história – e das minhas responsabilidades. Assim, para justificar o fato de eu ser uma gastadeira, vivo culpando o marido de ser pão-duro. Para justificar o fato de eu viver olhando para outras mulheres, vivo culpando minha esposa de ser ciumenta demais. Para justificar o fato de eu não dar atenção para meus filhos porque fico horas com a cara enfiada no smartphone, vivo culpando as crianças de serem carentes demais. Para justificar o fato de eu ser um ogro na hora de falar, vivo culpando o alvo de minha fúria de “não saber lidar comigo”. E assim por diante.

Quanto a esse tipo de estratégia, Paulo foi claro, direto e objetivo: “Assim, cada um de nós será responsável por sua vida diante de Deus” (Rm 14.12). Todo cristão deveria viver diariamente se examinando, a fim de melhorar sempre mais e mudar de rumo naquilo que está errando. Viver jogando seus erros na conta do outro é a mais desvairada loucura, porque cada um, individualmente, prestará contas de si. Pode ser que essa estratégia lhe permita fazer besteiras nesta vida e sair numa boa. Porém, quando, no dia do juízo, Deus olhar você nos olhos e cobrar cada palavra inútil que você tenha dito para justificar seus erros em razão das atitudes alheias, posso garantir que essa tática não vai mais colar. Afinal, Jesus mesmo afirmou: “Eu lhes digo: no dia do juízo, vocês prestarão contas de toda palavra inútil que falarem. Por suas palavras vocês serão absolvidos, e por elas serão condenados” (Mt 12.36-37).

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Meu irmão, minha irmã, fica a sugestão: arrependa-se. Arrependa-se!

Não semeia hoje um comportamento reprovável que parece vantajoso a curto prazo mas que a longo prazo gerará frutos de dor, sofrimento e morte espiritual. Você está entristecendo Deus. Não busque desculpas “cristãs” ou “bíblicas” a fim de justificar ou desculpar comportamentos infelizes.

Você deve se arrepender daquilo que faz de errado — sem justificativas, sem desculpas! —, consertando os seus problemas, sem ficar focando os do outro. Portanto, se você tem pecados de cabeceira, sejam eles quais forem — agressividade, arrogância, egoísmo, religiosismos, cobiças, rebeldia ou o que for — e você os pratica numa boa, escorado em desculpas ou justificativas “cristãs”, só há uma coisa que eu posso lhe dizer.

Arrependa-se.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >
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O gesto de apontar o dedo é muito comum. Apontamos nosso indicador em uma variedade de situações, com diversas finalidades, mas, em geral, o que esse gesto faz é colocar algo que não somos nós no centro das atenções. Se alguém me pergunta, por exemplo, onde fica determinada rua e eu aponto o dedo em uma direção, o que meu dedo põe no foco não sou eu, mas, sim, a tal rua. Se eu mostro uma pessoa com o meu dedo, o assunto em questão é a pessoa, não eu. Portanto, invariavelmente, o gesto de apontar tira quem aponta dos holofotes e põe em destaque quem é apontado. Devemos, porém, tomar cuidado com o que o dedo apontado para o outro diz a nosso respeito.
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Uma das maneiras de fugir das próprias responsabilidades é desviando as atenções para os erros alheios. Muitas vezes, quando não queremos encarar os nossos problemas e as nossas falhas, usamos como estratégia apontar o dedo para os erros de outra pessoa qualquer, a fim de que todos os olhos se voltem para ela e, com isso, nossas questões deixem de ser o assunto em pauta. É por essa razão que, por exemplo, candidatos a cargos eleitorais costumam atacar seus adversários, para afastar as atenções dos próprios podres, jogando os podres do outro no ventilador. É uma tática comum e bastante usual.
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Por que esse assunto é espiritualmente importante? Porque a fé cristã exige de nós uma atenção constante aos nossos defeitos. O que devo trabalhar prioritariamente são as minhas deficiências; as dos outros vêm depois. O evangelho nos confronta a todo instante com nossas falhas e exige de nós arrependimento. Porém, como se arrepender se sempre tentamos nos justificar de nossas falhas apontando o dedo para o próximo?
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Costumo desconfiar de gente que só vive botando o dedo na cara dos outros. Cristãos que dedicam a vida a apontar a falha alheia muito provavelmente deveriam se preocupar com os próprios pecados com muitíssimo mais atenção. E, para pôr em prática o que estou defendendo neste texto, deixe-me apontar o dedo para a minha cara e não a sua: anos atrás, na época em que eu agia como o “apologeta da verdade” e dedicava meus pensamentos, meus textos, minhas horas e minhas energias a “denunciar os erros da Igreja” e a atacar os hereges e os equivocados, foi o período da minha vida em que eu mais deveria ter prestado atenção aos meus defeitos. Algo errado com denunciar os hereges e equivocados? Claro que não. Mas eu deveria, antes disso, ter prestado atenção e tratado os meus próprios conceitos, modos de agir, valores e motivações. O resultado de ter posto o dedo na cara alheia e não na minha: acabei doente, física e espiritualmente.
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Esse fenômeno acontece em diversas instâncias. Esposas e maridos conformados com seus procedimentos antibíblicos apontam o dedo para o cônjuge ao serem confrontados com seus pecados e dizem “ah, mas você…”. Pronto. Tirou o foco das próprias atitudes horríveis e o pôs na falha do outro para não ter de se reconhecer errado e fazer algo a respeito. Patrões que não querem se assumir como exploradores dos empregados põem o dedo na cara do governo e dizem “ah, mas o governo…”. Cidadãos comuns que dão propina a policiais ou funcionários do governo tentam aliviar sua consciência apontando o dedo para o Planalto e dizendo “ah, mas os políticos…”. E assim por diante.
Você tem apontado o dedo? Nenhum problema quanto a isso, se a sua motivação for apontar para corrigir com amor e se, antes, tenha feito uma profunda autoanálise. Nossa prioridade é examinar a nós mesmos e buscarmos, nós, o arrependimento. Responda, com sinceridade e transparência: seu dedo apontado tem como motivação a amorosa edificação e correção do seu próximo ou uma pretensa superioridade moral e espiritual sua? Será que você aponta as falhas dos demais por amor a eles ou porque, afinal de contas, você é o tal, o defensor da verdade, o paladino mascarado do evangelho? Pior: será que seu dedo apontado não tem por finalidade tirar as atenções das próprias falhas?
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Temos de tomar cuidado para não apontar dedos com motivações espúrias. Porque, na maioria das vezes em que apontamos para o próximo sem que nossa motivação seja, única e simplesmente, o amor, estamos incorrendo em dois pecados abomináveis: a hipocrisia e a arrogância.
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Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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Hoje gostaria de falar exclusivamente a você, meu irmão, minha irmã, que já foi ferido na igreja ou pela igreja, seja você um membro, seja você um líder, e que, em consequência desse ferimento: (1) afastou-se da igreja e tornou-se aquilo que se costuma chamar de “desviado”; (2) afastou-se da igreja e tornou-se aquilo que se costuma chamar de “desigrejado”; (3) optou por permanecer na igreja (a mesma onde foi ferido ou outra), porém carregando profundos machucados e até mesmo traumas na alma; (4) abandonou o ministério, caso seja pastor; ou (5) prosseguiu com o ministério, caso seja pastor, mas teve de mudar de igreja em função do que aconteceu e carrega profundas marcas na alma pelo que aconteceu. 

Estou realizando uma pesquisa junto a pessoas tenham passado por esse tipo de experiência. O causador do dano pode ter sido um irmão, uma irmã, o pastor, um integrante da liderança, os presbíteros, um líder de ministério, um grupo ou a instituição como um todo. 

Se você se enxergou nessa descrição, eu gostaria de ouvir a sua história. Estou realizando um projeto relacionado a esse assunto e o relato do que você passou – e talvez ainda esteja passando – me ajudará muito a produzir algo que ajudará pessoas que estão na mesma situação que você. A quem desejar compartilhar sua história comigo, eu explicarei individualmente do que se trata. 

Caso você aceite contribuir com minha pesquisa, o que eu pediria é que relatasse o que aconteceu com você no espaço de comentários deste post. Ao enviar seu comentário, ele chegará a mim mas não será publicado. Eu me comprometo a não publicar a sua história, o seu nome ou qualquer dado seu neste blog. Uma vez que seu relato chegue até mim, eu o lerei e entrarei em contato pelo seu e-mail. Se desejar, sinta-se livre para escrever com um nome fictício. 

O meu objetivo é compreender o que você passou e de forma alguma quero expor a sua vida. Fique totalmente tranquilo quanto a isso. Caso queira contribuir com minha pesquisa, eu pediria que relatasse o que vivenciou, que consequências isso gerou para você e para outras pessoas e como se encontra hoje, após o trauma. Conseguiu superá-lo? Como? De que modos sua experiência mudou sua visão da igreja, de Deus e das pessoas? Abra seu coração. 

Agradeço imensamente meus irmãos e minhas irmãs que puderem e quiserem investir um pouco de seu precioso tempo para contribuir com seu relato. Tenha a certeza e a segurança de que o que você me relatar ajudará muitas pessoas que podem estar em situação parecida à sua, e você de modo algum será exposto. 

Muito obrigado por seu carinho e sua confiança, agradeço de coração. 

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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A arrogância é uma doença espiritual maligna e silenciosa. Um dos efeitos dessa moléstia é que, em geral, o arrogante se acha a pessoa mais humilde do mundo – ele não se vê como verdadeiramente é. Constantemente aponta os erros dos outros mas não consegue perceber como a sua essência está contaminada – e, se consegue, tem a arrogância de dizer que não é arrogante. Lá vai bem longe o tempo de servos como Francisco de Assis, João da Cruz, Thomas à Kempis e outros homens de Deus verdadeiramente humildes. Hoje está totalmente disseminado  o conceito antibíblico de que é possível ser arrogante e ser um bom cristão. Não é. É absolutamente impossível ser um homem segundo o coração de Deus e ser arrogante ao mesmo tempo. São características que não cabem no mesmo indivíduo.

Arrogância é sinônimo de orgulho, altivez, soberba, prepotência. Mostre-me um arrogante e lhe mostrarei um homem sem Deus. Esse é um pecado tão grave que o salmista diz ao Senhor em Salmos 5.5: “Os arrogantes não permanecerão à tua vista”. Em 2 Timóteo 3.1-2, o apóstolo Paulo fala sobre o perfil dos homens nos últimos tempos: “Sabe, porém, isto: nos últimos dias, sobrevirão tempos difíceis, pois os homens serão egoístas, avarentos, jactanciosos, arrogantes…”. Sim, o olhar altivo do arrogante é um dos defeitos que Deus mais detesta, como Salomão deixa claro em Provérbios 6.16-19.

Arrogancia2É fácil diagnosticar alguém que sofre de arrogância. Comece procurando uma pessoa que se acha especial. Diferente. O escolhido. O “cristão” altivo tem essa pretensão, achar que tem em si algo tão singular que Deus o separou do resto da humanidade. Pois os verdadeiramente separados pelo Senhor para realizar grandes feitos simplesmente os executam, não ficam fazendo alarde disso, e se mantêm com uma extraordinária postura de humildade (é só ver o caso do rei Davi). De certo modo, há em todo arrogante um pouco de nazista: ele se acha praticamente membro de uma linhagem superior, um ariano, eleito pelos céus para mostrar à humanidade errada que ele é quem está certo.

Essa é outra característica sempre presente no arrogante: ele se acha o dono da verdade. Se alguém discorda dele é porque é ignorante, atrasado, desinformado, rebelde, não foi tão iluminado por Deus, não entendeu as realidades do alto ou qualquer coisa do gênero. Isso acontece porque a arrogância cega. Ela não deixa o arrogante se ver como tal. Assim, qualquer verdade fora da sua verdade é inverdade. E ele trata quem dele discorda como culpado de uma suposta ignorância proposital. Discordar do arrogante é visto por ele praticamente como uma ofensa. Até porque, no seu entendimento, as outras pessoas existem em função dele.

Arrogancia1Lamentavelmente, o “cristão” arrogante em geral ganha discípulos. No caso do arrogante carismático, arrebanhará multidões, que se tornarão seus seguidores cegos – fãs tão fanáticos que não suportam ouvir uma crítica a seus ídolos. Hitler foi assim. Temos os nossos hitlers hoje em dia, líderes orgulhosos e altivos, que se tornam deidades das massas. Seu carisma atrai os incautos para a armadilha e a arrogância enterra seus seguidores, ao ser tomada como modelo e padrão aceitável. Em vez de uma triste doença, a soberba dos tais é vista e exaltada como uma qualidade, um sinal de força e posicionamento. Aos olhos de muitos, até como unção. Só que não passa da mais maligna e destrutiva soberba: “A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito, a queda” (Pv 16.18). E há, por outro lado, os arrogantes sem carisma, que se impõem em geral por seus cargos, fazem poucos discípulos sinceros – os que nele de fato creem acabam reproduzindo a mesma arrogância. Seja o arrogante carismático ou não, tornar-se um discípulo dele é altamente prejudicial: “Bem-aventurado o homem que põe no Senhor a sua confiança e não pende para os arrogantes” (Sl 40.4).

O arrogante geralmente se prende a títulos e cargos para legitimar-se. Esteja ele em que grau da hierarquia estiver. “Sabe com quem está falando? Eu sou o diácono aqui”, empavona-se. Não se contenta em ser quem é, precisa do reconhecimento e do garbo. Sem adjetivos a sua arrogância sente-se ofendida. É por isso que nascem entre nós tantos “patriarcas”, “ungidos do Senhor”, “doutores em divindade”, “profetas de Deus”. “vice-deus” ou o que for – o arrogante em geral se esforça mais por obter títulos do que empreender realizações. Enquanto o mais importante e preeminente dos humildes contenta-se em ser chamado de “Zé”, se for o caso, o arrogante exige para si títulos acessórios, que ficarão pendurados em seu nome como penduricalhos na farda de um velho general.

Arrogancia4Mas, por mais que receba o louvor alheio, o arrogante não se contenta com isso – precisa de mais. Pois realmente acredita que merece mais – afinal, ele é um escolhido de Deus. Daí surgem os impérios eclesiásticos, as empresas evangélicas de um homem só, as capitanias hereditárias gospel, as catedrais mundiais de qualquer coisa. E, para pôr tais empreendimentos de pé, o arrogante se coloca acima do bem e do mal: faz associações em jugo desigual para ter mais poder, dá propinas para ver avançar seus sonhos pessoais, cria falsas campanhas espirituais como forma de arrecadar dinheiro… enfim, faz o que for preciso para que seus projetos avancem – e sempre tem uma boa desculpa para justificar-se de que aquilo não é pecado. Peca porque, afinal, está fazendo para o Reino. Só que, na verdade, está fazendo para si mesmo.

Não há arrogantes admiráveis – pense nos homens de Deus que você admira e, se enxerga neles altivez e prepotência, sugiro que deixe de admirá-los – pois não são tão homens de Deus assim. Só continua a admirar arrogantes, após se dar conta de que são arrogantes, quem admira a arrogância. E não se pode admirar a arrogância e Jesus ao mesmo tempo.

Arrogancia5A arrogância foi o pecado que fez aquele que ficava ao lado do Senhor no Céu tornar-se Satanás. Não bastava ele ser querubim da guarda ungido, permanecer no monte santo de Deus, andar no brilho das pedras. É interessante reparar o caminho de corrupção que ele percorre, de anjo a demônio. No início, “perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que foste criado”, só que, aos poucos, “se achou iniquidade” nele. O que me entristece é que, se o destino dos homens arrogantes for o mesmo do querubim arrogante, o que eles ouvirão ao final de suas vidas é: “te lançarei, profanado, fora do monte de Deus e te farei perecer […] em meio ao brilho das pedras. Elevou-se o teu coração por causa da tua formosura, corrompeste a tua sabedoria por causa do teu resplendor; lancei-te por terra, diante dos reis te pus, para que te contemplem” (Ez 28).

É uma certeza quase matemática, que não tem como dar errado. Como registra Isaías 2.17, “A arrogância do homem será abatida, e a sua altivez será humilhada”. Fico triste, realmente triste por causa dos arrogantes. Pois, em geral, foram bons cristãos no início, mas, com o passar do tempo, começaram de fato a acreditar que são mais do que os demais. Assim como o diabo era perfeito, mas deixou seu coração enganá-lo, o mesmo processo ocorre com todo arrogante. Seu fim, lamento crer, não será diferente. Se não for abatido nesta vida, será na próxima.

Arrogancia6Entre os salvos de Deus não há arrogantes, há os mansos e humildes de coração. Se um arrogante é alcançado pela graça, ele deixa de ser arrogante. Vou repetir: se um arrogante é alcançado pela graça, ele obrigatoriamente deixa de ser arrogante. Seus olhos perdem a altivez. Suas palavras abandonam o egocentrismo. Sua alma despreza os títulos e adjetivos. Seus projetos de projeção pessoal são postos de lado. Seu conforto passa a importar menos do que a obra de Deus. Suas ações passam a devotar-se ao ferido, ao doente e ao sofredor. A arrogância morre e em seu lugar brota o amor. Pois onde há amor não pode haver arrogância.

O arrogante prioriza a si e, no máximo, seu círculo mais próximo de relacionamentos. O humilde prioriza o próximo como a si mesmo. Simples e bíblico.

Termino aqui, com uma explicação. Não dediquei tantas linhas aos arrogantes para acusá-los. Mas, primeiro, para compartilhar meu entendimento bíblico de que não existem cristãos arrogantes, é um conceito impossível à luz das Escrituras: se é de fato cristão não pode ser arrogante, se é arrogante não é cristão. Segundo, para que você veja se tem seguido ou mesmo sido alguém altivo e soberbo. E, por fim, para que oremos pelos arrogantes. Devemos amar os tais e pedir que o Senhor os cure dessa doença tão demoníaca. Oremos em especial para que venham a conhecer Cristo e tirem a si mesmos do altar. Não devemos desejar o mal dos arrogantes nem combater a arrogância com ataques, mas com oração e amor. Pois, se atacarmos os arrogantes com ferocidade e nossas próprias verdades, estaremos sendo tão arrogantes como eles.

Propor isso é muito arrogante de minha parte?

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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