Posts com Tag ‘medo’

Todo mundo já deparou com ele em algum momento da vida. Seus dentes são pontiagudos, o pelo é eriçado, as garras são ameaçadoras. Ele mete medo, sim, e nos deixa impotentes diante de sua musculatura amedrontadora. A maior fonte do terror que ele provoca é a ciência de nossa incapacidade de vencê-lo pelas próprias forças. Por isso, ele nos abate, deprime, assola, maltrata. Estou me referindo a uma das bestas-feras mais malignas que já caminharam sobre a face da terra: o impossível.

O impossível é aquilo que desejamos ardentemente ou precisamos desesperadamente mas está fora do alcance da mão. É o emprego inalcançável, a cura da doença intratável, a situação insustentável, o caminho intransitável. É o café que nunca tomaremos, a fruta que não comeremos, o salto que não daremos, as asas que jamais abriremos. O impossível é sádico e ri de nossa dor. Por isso, dia após dia esfrega em nossa cara quão impotentes somos diante dele.

O impossível é agressivo. Ele machuca e não escolhe ocasião para isso. Está sempre nos lembrando de que está ali, de olhar sarcástico e uivo agudo, impedindo nosso sonho de se realizar. Quando damos um passo para fugir e sair de seu alcance, ele salta com energia e se põe no caminho. Ele obstaculiza. Ele é impeditivo. E se diverte com isso.

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Tento mutar o impossível, interferir em seu DNA, reconfigurar seus genes. Quero que ele abra brechas e se torne mais maleável. Faço o que posso para enfraquecê-lo. Por vezes, tenho a sensação de que estou logrando êxito, mas, subitamente, ele cai na gargalhada e joga na minha cara que continua tão impossível como sempre foi. Pior: ele ressurge com mais força, trazendo novos fatos, impondo mais obstáculos, enchendo o caminho de armadilhas, arrancando qualquer chance minha de vitória. Sim, o impossível constantemente nos humilha com seu olhar arrogante, lançado do lugar mais alto do pódio.

Sou homem, limitado, defeituoso. Não tenho como vencer o impossível. Ele é terrível. Há anos me dá esperanças, joga iscas, se faz de morto. Em seu sadismo, observa com olhos semicerrados meu sorriso de esperança, posando de carniça, até que, quando estou prestes a soltar o brado de vitória, ele salta, às gargalhadas, e fica ali, com a boca arreganhada, rolando de rir de mim, exalando seu hálito fétido.

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Você enfrenta o impossível? Talvez há anos, como eu? Você o conhece bem e já sentiu a força de seus murros? Então sabe como esse minotauro age, lançando-nos para o centro do labirinto tão logo vemos a saída. Ele gosta de nos fazer de Sísifo. Maldito assassino de esperanças! Ele se alimenta de nossa angústia, decepção, tristeza e dor. E se hidrata com nossas lágrimas.

É… não tenho forças para enfrentar sozinho o impossível. Há anos e anos ele me esfrega isso na cara. Até porque o impossível conta com aliados poderosos, fortes e sagazes, como o tempo, a vida, decisões erradas, atitudes impensadas, soluções que não solucionam, a acomodação e o conformismo besta. Nada mais resta a fazer, a não ser tocar a vida, um dia difícil após o outro, uma pasmaceira após a outra, respirando, comendo e bebendo, numa rotina atroz.

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Porém, é no meio desse oceano lamacento de impossibilidades que chega um homem de sorriso no rosto, olhar maroto e abraço amigo. Ele senta ao nosso lado, puxa conversa, enxuga nossas lágrimas e passa o braço ao redor de nossos ombros. Desabafamos. Pomos o lodo da angústia para fora. Ele ouve, atento e em silêncio, com olhar de íntima compaixão. Quando chegamos àquele paroxismo da fraqueza em que não temos mais forças para dizer nem mais um ai, ele puxa do bolso algo embrulhado num humilde papel de presente e nos estende.

– Abre. – ele diz – É pra você.

Lentamente, descerramos o laço, abrimos o pacote e vemos, ali, diante de nossos olhos, o grande antídoto contra o veneno do impossível. O elixir que dá forças para continuar. O alimento que nos dá energia para mais um dia. O impossível olha de longe e solta um urro de horror. Pois ele sabe que aquele homem de mãos machucadas nos deu de presente nada menos que o seu pior inimigo, algoz, carrasco e executor.

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Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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Ontem desci ao Aterro do Flamengo a fim de brincar com minha filha. Chegamos e ela logo correu para as árvores em que gosta de subir. Em pouco tempo, havia mais umas cinco crianças ao redor dela, fazendo as árvores de trepa-trepa, interagindo e gritando, empolgadas. Foi quando chegou o P.

Não demorou muito para ficar claro que P. era um menino especial, com algum tipo de deficiência mental. Ele gaguejava, apresentava diversos tiques nervosos e tinha um olhar estrábico. Na mesma hora, seu jeito diferente fez com que as crianças se afastassem dele. E P. ficou só.

Sem que eu dissesse nada, Laura se aproximou de P. Ele a observava com certa admiração, pelo fato de minha filha estar em um galho bem alto. “Menina, como você está alto! Eu tenho medo de subir. Eu tenho medo. Tenho medo”, confessou P. Foi quando Laura começou a incentivá-lo a subir, explicando como segurar, onde pisar, como não ralar o joelho na casca grossa da árvore. “Vem, P.!”, encorajava ela. “Tenho medo!”. “Vem, você consegue!”

Os quarenta minutos seguintes foram puro deleite para meu coração de pai. Laura fez de tudo para que P. saísse do chão e a seguisse (ele é o menino de camisa amarela na foto). E conseguiu. Aos poucos, ele foi tomando coragem e, meio rastejando, meio escalando, foi ascendendo, galho a galho. Cheguei perto da avó de P., que o havia trazido de Mesquita para passear no Aterro, e puxei papo. Ela estava feliz, pois me disse que, geralmente, as crianças se afastavam de seu neto, por o considerarem “meio esquisito”, e nunca tinha visto nenhuma criança se dedicar tanto para fazê-lo se sentir parte da brincadeira, do grupo. Enquanto isso, Laura prosseguia encorajando P. “Vem, você consegue! Olha, faz como eu, pisa aqui e segura ali. Vai que dá!”.

Eles ficaram um bom tempo brincando nos galhos. Até que chegou a hora de partir. No momento em que chamei Laura para voltarmos para casa, P. escalava galhos mais altos, com um olhar de júbilo e orgulho no rosto. Sua avó estava encantada com o ineditismo daquilo. “Ele nunca vai se esquecer deste momento”, disse, com boa dose de emoção. Na hora em que ouviu meu chamado, P. demonstrou certa aflição. Ele não queria que minha filha fosse embora. Veio me pedir que deixasse ela ficar mais tempo, mas, infelizmente, eu tinha um compromisso e precisava partir.

Quando viu que Laura ia embora mesmo, P. desceu da árvore que até pouco tempo antes era um himalaia de impossibilidades, deu uma corridinha até ela e lhe deu um abraço apertado e demorado. Sorri. Sua avó me lançou um olhar constrangido, mas eu fiz um gesto demonstrando que não se preocupasse. E partimos.

Na vida, muitas vezes somos como aquele menino. Inseguros. Solitários. Incertos. Cheios de traumas e rejeições. Olhamos para os galhos mais altos e nos consideramos incapazes de subir. Desanimamos. Deprimimos. E nos acovardamos. Precisamos desesperadamente de alguém que nos encoraje, mas as pessoas ao redor parece que só se afastam.

É quando olhamos para o alto e vemos alguém que nos diz: “Vem, você consegue!”. Sem encorajamento, falta-nos a força para dar o primeiro passo. Mas, ao percebermos como nosso encorajador se importa conosco, está conosco e nos apresenta os caminhos certos, encontramos as forças necessárias. Ele é segurança. Ele é confiança. Ele nos dá a paz de que necessitamos. Ele nos faz acreditar que, se seguirmos seus passos, conseguiremos. E, encorajados, subimos. E conseguimos.

A verdade é que nosso encorajador nos dá aquilo que, sozinhos, jamais teríamos: fé. A fé que, se estiver em sintonia com sua soberana vontade, nos fará subir aos galhos mais altos.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

Queridos irmãos e irmãs em Cristo,

peço a sua licença para, hoje, usar este espaço não para compartilhar diretamente uma reflexão para a sua vida cristã, mas para fazer um convite. No próximo sábado, dia 9, a partir de 10h, ocorrerá o lançamento de meu mais recente livro, Confiança inabalável: um livro para quem quer vencer o medo e a ansiedade (Mundo Cristão) no Rio de Janeiro. Se você é do Rio, Niterói e redondezas, está convidado para o evento, que ocorrerá ao lado da Praça XV, no Centro.

Farei uma palestra sobre o tema da obra, seguida de um momento de confraternização. Se quiser e puder comparecer, será uma alegria abraçá-lo e bater papo. Se não puder, ficaria muito grato se orasse para que este livro leve paz, consolo e serenidade a todo aquele que o vier a ler. Agradeço muito! O convite segue abaixo:

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Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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ansiedadeAnsiedade é, por definição, um “estado emocional penoso, caracterizado pela expectativa de algum perigo que se revela indeterminado e impreciso, e diante do qual o indivíduo se julga indefeso”. Pois bem, eu trabalho em casa, na maioria das vezes dentro do meu quarto, sentado em uma escrivaninha que fica encostada na janela. Nos fundos do meu prédio há um condomínio bastante arborizado, o que é muito bom: eu consigo trabalhar o dia inteiro tendo diante dos olhos o verde das árvores e das plantas (foto), ouvindo os passarinhos e o guincho dos micos. Por isso, fiquei bastante incomodado quando percebi que estavam fazendo uma obra bem em frente à minha janela. Construíram um patamar de cimento, onde jovens começaram a se reunir  todos os dias para conversar, tocar violão, fumar maconha, namorar. Com isso, a paisagem bucólica diante de meus olhos se tornou um ponto de encontro de gente barulhenta.

Confesso que fiquei chateado, porque a tranquilidade a que eu estava habituado de repente desapareceu. Comecei a resmungar, porque, afinal, de agora em diante aqueles jovens passariam a “poluir” o lugar onde antes havia placidez. Reclamei muito da vida por causa disso. Fiquei extremamente ansioso, confesso, pela expectativa do “perigo” de que aquele incômodo estaria ali para sempre – e eu não podia fazer nada para acabar com aquilo.

O que eu não sabia é que, na verdade, o condomínio estava construindo ali um bicicletário e aquele patamar de cimento era apenas a base da instalação, algo provisório. Alguns dias depois, os funcionários puseram uma cerca em volta, que passou a impedir a reunião dos jovens. Tudo resolvido, com isso eles pararam de se reunir ali e o sossego voltou. Refletindo sobre essa situação, me dei conta de que sofri e fiquei ansioso por esperar algo que no final… não aconteceu. Ansiedade clássica: sofri por antecipação sem nenhuma necessidade, o que é algo que acontece muito conosco. Você é uma pessoa ansiosa? Então vamos conversar sobre isso. 

ansi 1Jesus nos alertou: “Portanto, não vos inquieteis com o dia de amanhã, pois o amanhã trará os seus cuidados; basta ao dia o seu próprio mal” (Mt 6.34). Simples, claro e objetivo. O problema é que parece que essa recomendação do Senhor entra por um ouvido e sai por outro, sem de fato fazer morada em nosso coração. Vivemos ansiosos. Antecipamos dores que não chegaremos a sentir. Sofremos o sofrimento que não nos alcançará. Vemos a tempestade no horizonte, entramos em pânico, mas, antes que ela se aproxime, acaba se dissipando. Assim vivemos, com medo e ansiedade. 

A ansiedade é uma dor antecipada, que dói antes de doer. O problema é quando deixamos que essa dor nos domine, controle nossas ações e decisões, guie nossos passos, estabeleça nossos rumos e defina nosso destino. Por que isso é um problema? Porque quem deveria estar fazendo tudo isso é o nosso Pai celestial. Portanto, a ansiedade esvazia Deus aos nossos olhos. Abala nossa fé. Mina nossa confiança. E isso é uma tragédia. 

Lembro da época em que eu trabalhava em televisão. Durante nove anos eu me desloquei para trabalhar de casa até a sede da Globosat, localizada a apenas 15 minutos de ônibus do meu apartamento. Até que, certo dia, a diretoria da emissora anunciou que dali a dois anos a sede da mudaria para a Barra da Tijuca, a cerca de 1h30 de distância! Lembro que praticamente entrei em agonia, sofrendo antecipadamente pelas longas horas que passaria a enfrentar para chegar ao trabalho, dali a… dois anos. Eu sofri muito, em ansiedade pela situação que viria. Mas sabe o que aconteceu? Muito antes da mudança, o departamento de que eu fazia parte foi extinto e eu e mais quinze colegas fomos demitidos. Hoje, olhando para trás, vejo que toda aquela ansiedade e chateação antecipada não serviram para absolutamente nada. Eu simplesmente sofri sem precisar. E percebi quão inútil foi toda agitação que minha alma enfrentou. 

Você costuma deixar a ansiedade dominar sua vida? Sofre, perde o sono, se angustia, sente medo, entra em agonia? Então ouça a suave voz do Mestre: “Qual de vós, por ansioso que esteja, pode acrescentar um côvado ao curso da sua vida? Se, portanto, nada podeis fazer quanto às coisas mínimas, por que andais ansiosos pelas outras? Observai os lírios; eles não fiam, nem tecem. Eu, contudo, vos afirmo que nem Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles. Ora, se Deus veste assim a erva que hoje está no campo e amanhã é lançada no forno, quanto mais tratando-se de vós, homens de pequena fé!” (Lc 12.25-28).

a-cruz-de-cristoEstá ansioso? Está com medo? Confie no Senhor. E lembre-se da pergunta de Jesus: “por que andais ansiosos?”. É o que chamamos de “pergunta retórica”, isto é, uma pergunta elaborada para, na verdade, fazer uma afirmação. E o que Jesus está afirmando com essa pergunta é: não há nenhuma razão para vocês ficarem ansiosos, pois Deus cuida de vocês.  

Fique calmo, meu irmão, minha irmã. Tenha paz. E não deixe a ansiedade ser maior do que a confiança inabalável naquele que tem o controle de todas as coisas. Se a ansiedade é a doença, a confiança inabalável em Deus é a cura: “Portanto, humilhem-se debaixo da poderosa mão de Deus, para que ele os exalte no tempo devido. Lancem sobre ele toda a sua ansiedade, porque ele tem cuidado de vocês” (1Pe 5.6-7).

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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IMG_5981Deus tem um fino senso de humor. Meu próximo livro trata de como a fé em Deus e naquilo que ele nos afirma pela Bíblia pode vencer o medo e a ansiedade. Pois, a poucos dias do lançamento do livro, o Senhor me fez receber uma noticia do tipo que tem tudo para despertar exatamente o medo e a ansiedade. Mamãe chegou a minha casa sem avisar que me visitaria, o que é algo extremamente incomum. Sentou-se comigo e minha esposa à mesa e logo deu a notícia.

– Estou com câncer. 

Passaram-se alguns segundos até que eu assimilasse plenamente o real significado das palavras. Sabe essas coisas que só acontecem com os outros? Pois é, estava acontecendo comigo. Após alguns minutos de conversa, finalmente a realidade se fez presente: aos 82 anos, minha mãe está com um carcinoma no seio direito. É quase certo que terá de remover o tumor maligno e iniciar o procedimento de radioterapia e quimioterapia, com todas as implicações desse processo. Sou o único filho dela que mora no Brasil e, por isso, cabe a mim honrar e cuidar dela nessa fase que se apresenta como um momento nada fácil na trajetória de todos nós. Além disso, minha mãe é quem cuida de meu pai, que, aos 84 anos, já sofre de senilidade e dificuldades físicas. Agora, chegou minha vez: com minha mãe nessa situação, caberá a mim cuidar dela e de meu pai – o que farei com prazer, devoção e gratidão, mas, sei de antemão, não será nada, nada fácil. 

A vida é assim, meu irmão, minha irmã. Tudo está bem e, de repente, tudo muda. É Deus nos lapidando e apertando parafusos para que nos ajustemos à imagem de Cristo, “homem de dores e que sabe o que é padecer” (Is 53.3). Devemos receber de bom grado tudo o que o Senhor nos proporciona; sem revolta, sem brigar com ele, prostrados ante seu infinito amor. Minha mãe está com câncer, mas Deus continua sendo maravilhoso, digno de toda honra e toda glória, meu melhor amigo, socorro bem presente na angústia, bom e fiel. Não tenho absolutamente nada a reclamar dele. Deus é bom, muito bom, e continuará sendo, sempre.

Depois que oramos e mamãe saiu de minha casa, fiquei refletindo muito e foi inevitável pensar no cerne da mensagem do meu próximo livro: contra o medo e a ansiedade, devemos exercitar a nossa fé em Deus e naquilo que ele diz em sua Palavra. Essa é a mensagem central do Confiança inabalável e, a poucos dias do lançamento, eu terei de viver vigorosamente tudo o que escrevi e em que acredito. Realmente, o Senhor tem um fino senso de humor. 

Não tenho medo da morte de minha mãe. Confio que ela irá para um lugar indescritivelmente melhor. Alcançada pela graça do Salvador, ela o confessa como o Cristo, o filho de Deus, o autor da vida, o único caminho. No exato instante em que ela fechar os olhos, sei que apenas dará um passo para fora deste mundo horrível e dentro da eternidade, no Paraíso que Jesus preparou para os seus santos. Para quem vive no Senhor, não há nada na morte que nos meta medo. Tenho confiança inabalável nessa verdade e, por isso, não temo. E sei que, estando eu também em Cristo, a inevitável separação não será um adeus, mas um até breve. 

A separação da morte causará dor. A saudade será extremamente difícil. Mas não tenho medo dessa dor, pois confio de forma inabalável que ela passará. Um dia abraçarei mamãe novamente e toda tristeza da separação findará. No dia em que minha mãe terminar a sua peregrinação nesta terra estranha, será o início de um afastamento com prazo de validade, e confio que a reencontrarei, em uma realidade muito mais aprazível e perfeita. Será um abraço muito gostoso, o do reencontro. 

Mas não pense que já considero uma certeza a morte de minha mãe em decorrência desse câncer. Confio que ela pode vencer a doença e viver ainda por muitos anos. De modo algum ter um câncer é uma sentença de morte. Minha avó Alzira, mãe de minha mãe, teve um câncer no intestino aos 83 anos, que foi removido com cirurgia e ela viveu mais 12 anos depois disso. Mas, confesso, a parte que mais assusta nessa história é a possibilidade de minha mãe sofrer durante todo o  processo de doença e tratamento. Cirurgia, quimioterapia, radioterapia… nada disso é fácil. Pensar nisso é o que mais me dói. Mas, paradoxalmente, não estou ansioso. Pois tenho confiança inabalável no fato de que Jesus estará ao nosso lado a cada passo da jornada, que o Espírito Santo consolador jamais nos desamparará, que a paz que excede todo entendimento se manifestará em nosso coração, que não estaremos sós. Tenho confiança inabalável que “Se subo aos céus, lá estás; se faço a minha cama no mais profundo abismo, lá estás também; se tomo as asas da alvorada e me detenho nos confins dos mares, ainda lá me haverá de guiar a tua mão, e a tua destra me susterá” (Sl 139.8-10). 

Algumas situações na vida são inevitáveis, meu irmão, minha irmã. São fatos que têm tudo para nos inundar de medo e nos afundar em ansiedade. Mas acredito firmemente que a fé em Cristo e em sua Palavra são suficientes para nos manter na superfície e nos fazer caminhar com os olhos fixos no prêmio: a eternidade ao lado do Amor. Como escreveu Paulo, “[…] uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus” (Fp 3.13-14). 

A Bíblia nos relata a história de um homem chamado Jairo, que, esmagado pelo medo e a ansiedade diante da expectativa da morte de sua filha adoentada, corre para os pés de Jesus em busca de socorro. As notícias mais atemorizantes e provocadoras de ansiedade chegam: sua filha já tinha morrido. Nesse exato instante, o Mestre vira-se para ele e diz, em apenas quatro palavras, o segredo para superar todo medo, toda ansiedade: “Não temas, crê somente” (Mc 5.36). Contra o temor, o medo, a ansiedade… a solução é somente crer. Ter fé. Caminhar com confiança inabalável em Cristo e em suas promessas e afirmações. Jairo creu e quem foi para a sepultura não foi sua filha: foi seu medo. 

Dias nublados esperam por mim, minha mãe e nossa família. Gostaria muito de pedir que, se você quiser e puder, ore por nós. Ore por Irene. Ore pelo seu mano Maurício. Suas orações são extremamente valiosas e preciosas. Não sinta pena de nós, pois nós mesmos não sentimos: sabemos que o nosso Redentor vive. Conhecemos nosso Deus. Estamos nas melhores mãos possíveis. Também não temos medo, pois confiamos no Senhor. “Em me vindo o temor, hei de confiar em ti. Em Deus, cuja palavra eu exalto, neste Deus ponho a minha confiança e nada temerei” (Sl 56.3-4).

Peço desculpas se eu não responder aos comentários aqui no blog com tanta rapidez quanto antes, penso que minha rotina será um pouco alterada pelas obrigações desta nova realidade. Agradeço imensamente por seu carinho e sua intercessão. E peço a Deus que, sempre que medo e ansiedade tentarem agarrá-lo, você experimente a certeza inabalável de que, não importa nada, nada, nada: Jesus está com você todos os dias, até a consumação do século. Portanto,Entrega o teu caminho ao SENHOR, confia nele, e o mais ele fará” (Sl 37.5).

É só confiar. O resto? Ele fará. 

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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IMG_9634Nesta virada de ano viajei para desfrutar das férias com a família. Nossa última parada foi em um hotel-fazenda em Barra do Piraí (RJ) que tem um enorme e belíssimo lago, onde se pode mergulhar, nadar e andar de pedalinho ou caiaque. Minha filha de 5 anos, uma ávida nadadora, ficou doida quando viu o lago e logo quis entrar na água. Chegamos ao deque e o salva-vidas nos orientou: crianças da idade dela só poderiam entrar com um dos coletes salva-vidas que o hotel oferecia e com extremo cuidado, pois o lago é muito fundo. 

Confesso que fiquei apreensivo. Perguntei se o colete era seguro e o rapaz  garantiu que sim: tinha um zíper e duas fivelas, o que tornava quase impossível ele se soltar do corpo de minha filhinha. Eu tinha de decidir se deixava ou não minha bebê nadar no enorme lago. Naquele momento, me vi diante de uma questão de fé: ou depositava uma confiança inabalável no colete e na palavra do salva-vidas ou impedia que minha filha fosse nadar. 

IMG_9570Optei por ter fé e deixei minha bebê se meter no meio daquele mundaréu de água. Ela não perdeu tempo, vestiu o colete, entrou no lago e saiu nadando, comigo logo atrás. O resultado você vê nas fotos deste post: uma criança feliz, esbanjando alegria por poder nadar em um lago lindo, apesar de fundo e preocupante para um pai. 

Frequentemente em nossa vida deparamos com lagos no meio do caminho. São situações diversas diante das quais não sabemos o que fazer: entramos nelas ou não? Seguimos em frente ou retrocedemos? Abrimos mão das alegrias e  da felicidade que tais situações poderiam nos proporcionar ou tememos e damos para trás? O que vai definir se mergulhamos ou não em cada um desses lagos é a solidez da confiança que depositamos em Deus: se nossa confiança for fraca e oscilante, deixaremos de viver experiências incríveis, por causa do medo e da ansiedade que elas geram. Mas, se tivermos confiança inabalável, superaremos o medo e a ansiedade e viveremos o que Deus preparou de melhor para nossa vida. 

Na Bíblia, essa confiança inabalável tem nome: fé. É “a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não veem” (Hb 11.1). Se você põe em prática essa fé, confiará em Deus e naquilo que ele diz em sua Palavra e terá um colete salva-vidas confiável em que se escorar. Se sua fé, porém, é fraca e ineficiente, você não confiará na ação do Senhor e viverá eternamente em um paralisante estado de medo e ansiedade.

IMG_9563Você está diante de um impasse? Não sabe se mergulha no lago ou não? A situação é amedrontadora demais? Saiba que a decisão de ir em frente ou retroceder só depende de uma coisa: a solidez da sua fé. Você confia em Deus de forma inabalável? A Escritura lhe dá base para seguir adiante? Então vá! Passe por cima do medo, destrua a ansiedade e deixe a confiança prevalecer. Afinal, “sem fé é impossível agradar a Deus, porquanto é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que se torna galardoador dos que o buscam” (Hb 11.6).

Confie em Deus. Confie no que Deus diz pela Bíblia. E que essa confiança seja inabalável, sólida como a Rocha sobre a qual a Igreja foi edificada: Jesus de Nazaré, aquele que é plenamente e totalmente confiável.  

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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refugiados islamicos 1Todos assistimos com o coração sangrando à tragédia que ocorreu em Paris, na França. Terroristas do Estado Islâmico mataram a sangue-frio dezenas de pessoas, num ataque coordenado e assustador. Passado o espanto, o que eu e muitos sentimos foi revolta. Raiva. Ira. Ódio. Tudo o que conhecemos como justo e bom foi metralhado nessa ação maligna, em que prevaleceram o fanatismo, a loucura, a maldade, o desprezo pela vida, os lados mais obscuros e diabólicos do ser humano corrompido pelo pecado. Confesso que meu senso de justiça gritou dentro de mim e o que dominou cada fibra do meu ser foram sentimentos nada bonitos. Mas comecei a pensar, li artigos de irmãos em Cristo, acalmei o espírito e procurei ouvir a voz do Cordeiro. E fui lembrado de que ódio não se vence com ódio, assim como fogo não se apaga com fogo. 

Pouco depois de tomar conhecimento dos atentados em Paris, li uma reportagem dizendo que o Estado Islâmico teria infiltrado 4 mil terroristas entre os refugiados que estão justamente escapando dos massacres promovidos por esse califado terrorista em países como a Síria. A ideia deles seria inserir em diversos países ocidentais militantes do Estado Islâmico, que no futuro viriam a cometer atos de terror em deferentes nações. Ao ler isso, me arrepiei e logo comecei a pensar que deveríamos impedir a entrada desses refugiados no Brasil. Sim, o medo e a raiva tinham nublado meu discernimento e me arrastado sem que eu me desse conta para um estado de ódio. É assim que o pecado age, afinal. 

refugiados1Mas, ao ler alguns textos, orar e acalmar meu coração, me dei conta do gigantesco erro que estava cometendo. Porque Jesus nos ensinou que não devemos devolver mal com mal e que a compaixão, a misericórdia e o perdão precisam prevalecer, caso contrário, nos tornaremos pessoas amarguradas, raivosas e que priorizam o ódio ao amor. Entenda que essa postura não despreza a justiça. Devemos buscar a punição dos culpados. Precisamos lutar contra a maldade. É essencial combatermos os maus para que eles não firam os bons. Mas não podemos deixar que nosso desejo de justiça seja maior que o nosso amor pelos inocentes. 

Falo isso especificamente no caso dos refugiados muçulmanos. Confesso humildemente o meu erro, pois meu pensamento imediato foi no sentido de militar contra a vinda deles ao Brasil. Não queria terroristas entrando em nosso país disfarçados de refugiados. Mas, então, me dei conta de que o medo e o ódio estava me levando a recusar ajuda aos inocentes com receio dos culpados. O medo estava vencendo a compaixão. E não existe nada menos cristão do que isso. 

Eu pequei. Confesso meu pecado. O cristão deve sempre colocar a compaixão acima do egoísmo e eu não estava fazendo isso. Não podemos negar ajuda e acolhida a refugiados que foram expulsos de suas casas por terroristas com medo de que o terror nos alcance. Isso seria  desumano. E, se fizéssemos isso, nos tornaríamos tão desumanos quanto os terroristas. 

Ser cristão significa correr riscos. Amar é extremamente arriscado. Cristo enfrentou muitos perigos por mim e por você. Deus  amou o seu diferente de tal maneira que nos entregou Jesus para morrer na cruz por nós. Amemos o nosso diferente. Até porque os refugiados islâmicos podem ter muitas coisas diferentes de nós, mas nunca pode fugir de nossa lembrança que eles são o nosso próximo. E temos de amá-los como a nós mesmos. 

cravos nas maosEstou envergonhado por ter deixado o ódio suplantar o amor em meu coração. Temos de dar de comer a quem tem fome, de beber a quem tem sede e acolher quem não tem onde morar. Temos de amá-los e fazer a eles o que gostaríamos que fizessem a nós. Ao fazer isso, estaremos vivendo Cristo e o apresentando de forma palpável a quem não o conhece. Esse é o nosso papel. Isso abre possibilidades de perigo para nós? Sim, abre. Mas não podemos deixar de ser o que Cristo é por medo. No passado, muitos foram jogados aos leões por amor a Jesus. Hoje, devemos fazer o mesmo. 

O amor tem de vencer. Mesmo que isso nos custe a vida. Qualquer pensamento menor do que esse não carrega em si o direito de ser chamado de “cristão”. Ame como Cristo amou. É o único meio de vencer o ódio.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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