Arquivo da categoria ‘Evangélicos’

dizimo 1

Existe muito debate em nossos dias com relação ao dízimo. Em grande parte, essa instituição cristã – que não foi questionada por séculos – começou a sofrer muitos ataques nas últimas décadas por causa de abusos cometidos por determinados segmentos que se dizem evangélicos e são adeptos da “teologia” da prosperidade. Esses abusos cometidos com relação aos dízimos e ofertas, capazes de chocar pessoas cristãs ou não cristãs, acabaram demonizando o dízimo e as ofertas fora da igreja e, até mesmo, em certos setores dentro dela própria. Ao ver os métodos absurdos que vêm sendo usados pelos tais para convencer fieis a dar dinheiro para igrejas, com argumentos antibíblicos, os não cristãos passaram a ver a entrega de dízimos e ofertas apenas como um golpe bem aplicado por líderes eclesiásticos espertalhões para enriquecer às custas da credulidade de incautos. Por outro lado, surgiu com toda força um movimento dentro da própria igreja que advoga que não é ordenança bíblica a entrega do dízimo em nossos dias. Pois bem: eu  entrego o meu dízimo. Mais do que isso: estou ensinando minha filha fazer o mesmo. E explico por quê.

Acredito que existem virtudes humanas e cristãs que se manifestam de forma muito mais enfática quando temos de mexer no bolso. Admitamos: poucas coisas na vida são tão importantes para o ser humano como o dinheiro. Trabalhamos, investimos, nos esforçamos e fazemos muitas coisas para poder receber nosso merecido dinheirinho. É com ele que compramos alimentos e outras necessidades básicas e também nos damos ao luxo do supérfluo, aquilo que, se não tivéssemos, não faria nenhuma diferença – mas que adoramos ter. Naturalmente, abrir mão de uma fatia dos rendimentos tira de nossas mãos a possibilidade de adquirir grande parte daquilo que queremos ter, por isso é tão difícil abrir mão de dez por centro de sua renda.

dinheiroEvidentemente, o primeiro argumento contra ou a favor do dízimo deve ser seu fundamento bíblico: seria a entrega do dízimo às igrejas um mandamento bíblico para os nossos dias? Na verdade, esse é o argumento que eu menos quero abordar aqui, pois não tenho nada de novo a trazer a esse debate quanto à canonicidade do dízimo. As discussões sobre isso já foram exaustivamente feitas e estão fartamente disponíveis na internet, você pode pesquisar e vai encontrar argumentos enfáticos contra e a favor do dízimo, com base em muitos argumentos bíblicos de um lado e de outro. Entrar por esse caminho aqui seria chover no molhado. Para esta argumentação, basta eu dizer que, pessoalmente, convenceram-me os argumentos de que, sim, o dízimo é um mandamento bíblico para os nossos dias. Mas há outras questões. Vamos supor que eu acreditasse que não houvesse uma ordem divina para que entregássemos o dízimo. Ainda assim eu ensinaria minha filha a entregá-lo, por diversos motivos. E são esses motivos que, acredito, conferem ao dízimo beleza e virtude.

criancas-259x300Primeiro, eu desejo que minha filha seja uma pessoa generosa. E a única maneira de se aprender a generosidade é abrindo mão daquilo que é importante para você. Não acredito que ninguém nasça generoso, basta você olhar as crianças pequenas, que batem e mordem umas às outras porque querem ficar com o brinquedo do momento. Vi isso repetidas vezes na escola de minha filha, quando ela e seus colegas se estapeavam na disputa por brinquedinhos, livros e outras coisas. Vejo isso sempre que me deparo com crianças no seus primeiros anos de vida. Portanto, acredito que generosidade é uma virtude que se aprende e se desenvolve. Tenho procurado ensinar minha filha a ser generosa, seja estimulando-a a doar parte de seus brinquedos e roupas, seja dividindo o lanche com os amigos, seja aproveitando qualquer oportunidade que eu tenho para dizer a ela que fico orgulhoso quando ela compartilha o que tem. Tenho lhe ensinado que melhor coisa é dar do que receber. Ela já tem seus cofrinhos, onde deposita moedinhas que recebe por uma ou outra razão, e quero ensiná-la a tirar parte dessas moedas para dar a outras pessoas e à igreja. Se isso for bem exercitado, creio estar contribuindo para fazer dela uma mulher generosa e caridosa.

Young woman walking with shopping bags, low sectionSegundo, não quero que minha filha seja uma pessoa materialista, isto é, que valoriza excessivamente os bens materiais e procura satisfação ou compensações em coisas, objetos. Tenho lhe ensinado que não devemos acumular tesouros nesta terra e isso passa por compreender que tudo aquilo que temos nesta vida é passageiro, não tem valor em si mesmo e é apenas um instrumento para coisas maiores, mais valiosas e eternas. Uma excelente maneira de ensiná-la a se desapegar dos bens materiais é mostrando o que verdadeiramente importa, para que ela consiga se desfazer, sem dor no coração, de objetos e valores. Por exemplo, eu jamais digo a ela, em nenhuma ocasião, que uma roupa que ela vista faz com que fique mais bonita; pelo contrário, sempre que ela chega toda orgulhosa para me mostrar uma roupa nova que ganhou eu digo: “Bebê, você deixou essa roupa linda!”. Assim, em tudo o que faço procuro mostrar-lhe o que verdadeiramente tem valor. E tenho ensinado que não se pode servir a Deus e às riquezas, sendo que riquezas se traduzem não só em dinheiro, mas naquilo que se pode acumular a partir do uso do dinheiro. Entregar o dízimo é uma excelente  forma de abrir mão de ter uma série de benefícios materiais em função de algo mais sublime.

ddddTerceiro, eu quero que ela entenda a importância da estrutura que sustenta a Igreja de Cristo nesta terra. Isso pode se referir a diversas coisas, como a igreja local, ministérios de ajuda humanitária, organizações missionárias e muitas outras iniciativas. Procuro mostrar a ela que essa estrutura só existe se nós, cristãos, contribuirmos materialmente para que elas continuem funcionando. Porque qualquer uma delas só é capaz de existir se houver quem a mantenha. Jamais vou ensinar a minha filha que ela deve entregar o dízimo à igreja como uma forma de barganhar bênçãos com Deus. Pelo contrário, vou lhe explicar que o dízimo ajuda a pagar a conta de luz da igreja, a pintar as paredes do santuário onde nos reunirmos, a sustentar os pastores que se dedicam a cuidar em tempo integral das ovelhas, a comprar cestas básicas para ajudar os mais necessitados, a financiar iniciativas que contribuíram para levar o evangelho a muitos lugares. Com isso, estou ensinando que a proclamação do evangelho neste mundo material em que vivemos depende de recursos que só virão daqueles que já foram alcançados pelo evangelho, sem que haja nenhum tom de interesse pessoal nisso; mas, sim, como uma expressão de amor pelo Reino de Deus.

Quarto, ao entregar o dízimo, ela está exercitando virtudes do fruto do espírito, como, por exemplo, o domínio próprio. Quando se deseja comprar algo com aquele dinheiro, é preciso autocontrole para se manter fiel ao propósito de contribuir financeiramente com o dízimo. Assim, quando é difícil tirar uma parcela do seu salário, entregar o dízimo nos ajuda a fazer aquilo que acreditamos acima daquilo que queremos. É um modo de negar-se a si mesmo para seguir após Cristo.

casa sobre a rochaQuinto, é preciso ter muita convicção do que se crê para ser um cristão no mundo de hoje. Não é fácil agir e defender os valores que nos conduzem diante de um mundo para o qual os preceitos bíblicos não fazem o menor sentido. Ao ensinar  minha filha a ser uma dizimista, também estou ensinando que ela deve agir segundo a sua fé e não segundo aquilo que todas as outras pessoas ao redor dizem que ela tem de fazer. Exercitar a entrega do dízimo quando começar a ganhar mesada e assumir isso na frente dos colegas de escola fortalecerá muito a sua firmeza e postura de nadar contra a corrente dos valores mundanos, mantendo-se firmemente alicerçada na rocha. Assim, no dia em que todas as suas amigas resolverem assumir um comportamento sexual em desacordo com a fé cristã, ela terá a capacidade de ser diferente, apesar das piadas e tudo mais que ouvirá. Ou no dia em que todos os amigos da faculdade forem fumar maconha numa festa, ela terá a firmeza de personalidade para não participar quando todos estiverem fumando juntos. Ou, ainda, no dia em que ela for trabalhar em uma empresa em que a maioria de seus colegas desonra a chefia ou até mesmo dá desfalques financeiros, ela conseguirá se manter íntegra e separada de tudo aquilo de errado que for feito ao seu redor. A entrega do dízimo já na infância é um excelente treinamento para fazer o que ninguém mais faz com a cabeça erguida e sem se deixar guiar pelos comentários e pelas críticas dos outros.

Essas são algumas razões que me levam a ensinar a minha filha a importância de entregar o dízimo. Peço a Deus que ela cresça compreendendo os verdadeiros motivos pelos quais nos desapegamos de uma parte da nossa renda, pois acredito firmemente que isso fará com que ela desenvolva muitas virtudes fundamentais para a vida de um cristão. Creio que é um preceito bíblico? Sim, creio. Mas, mesmo que não acreditasse nisso, eu daria o dízimo e estimularia todos que o fizessem, pois o desapego do dinheiro contribui para que qualquer um de nós manifeste qualidades que, simplesmente, não têm preço.

“Não acumulem para vocês tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem destroem, e onde os ladrões arrombam e furtam. Mas acumulem para vocês tesouros nos céus, onde a traça e a ferrugem não destroem, e onde os ladrões não arrombam nem furtam. Pois onde estiver o seu tesouro, aí também estará o seu coração” (Mt 6.19-21).

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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AntenadosQueridos irmãos e irmãs em Cristo,

esta semana foi ao ar uma entrevista que concedi à rede Boas Novas de televisão sobre temas variados, como a situação da Igreja brasileira, a necessidade de perdoar e os erros que são cometidos sobre o assunto, como lidar biblicamente com o sofrimento, literatura cristã, ficção evangélica, práticas erradas em nosso meio e uma série de outras questões. Ontem a emissora disponibilizou os 4 blocos do programa no YouTube e penso que seria interessante compartilhar com vocês, caso aquilo que falamos edifique de alguma forma a sua vida. Seguem abaixo os links dos 4 blocos, que você pode assistir pelo computador ou pelo smartphone. Se você tiver o desejo de assistir, peço a Deus que abençoe a sua vida.

BLOCO 1

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BLOCO 2

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BLOCO 3

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BLOCO 4

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Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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Mais vendidos da Mundo CristãoA página na Internet da editora Mundo Cristão tem uma seção que mostra quais são os livros mais vendidos nos últimos trinta dias pela loja virtual do site. Semana passada, minha obra mais recente, O fim do sofrimento: um livro para quem busca consolo e esperança nos momentos mais sombrios, ocupava o 4º lugar desse ranking e o livro Convulsão protestante, do pastor Antônio Carlos Costa, estava em 1º. Um amigo da igreja viu isso e me perguntou: “Zágari, você não está com inveja não? Nem um ciumezinho?“. Confesso que a pergunta me soou tão estranha que provocou uma reflexão sobre esse pecado considerado tão pouco grave por tantos cristãos mas que a Bíblia condena de forma tão veemente: a inveja.

Já senti inveja muitas e muitas vezes ao longo de minha vida. Infelizmente. Mas acredito que a maturidade, o sofrimento e a enorme quantidade de erros que já cometi têm me ensinado e me adestrado a compreender que determinados tipos de comportamento não levam a nada nem significam nada. Isso tem ocorrido com a inveja. Assim, respondendo a pergunta de meu amigo: não, em absolutamente nenhum momento senti inveja do pastor Antônio. Muitíssimo pelo contrário, fiquei extremamente feliz por ele, por saber que o primeiro livro de sua autoria pela Mundo Cristão está tendo repercussão. E isso por um motivo simples: além de eu pessoalmente gostar muito do homem Antônio Carlos Costa e de torcer por esse meu irmão, o meu livro e o dele não são “concorrentes” São aliados. Eles se complementam.

Essa é uma percepção que falta a muitos de nós, cristãos. Muitas vezes não compreendemos que o irmão em Cristo não está numa disputa conosco, mas, sim, somando. O resultado: inveja porque o irmão ganhou um cargo na igreja, inveja porque a irmã tem mais visibilidade, inveja porque o próximo prega mais, inveja porque fulano lidera o louvor, inveja porque beltrano tem um carro mais caro, inveja porque o marido de sicrana é mais gentil, inveja porque a igreja ao lado tem mais membros, inveja, inveja e inveja!

Segundo a definição dos dicionários, “inveja” significa “desejo de possuir o que outro tem”. Como se pode ver, ter inveja é exatamente o pecado resultante da transgressão ao décimo mandamento: Não cobiçarás a casa do teu próximo. Não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma que pertença ao teu próximo” (Êx 20.17).

urubuA inveja é um mal tão horrível que a Bíblia o define como a morte das partes mais profundas da nossa carne. O ânimo sereno é a vida do corpo, mas a inveja é a podridão dos ossos” (Pv 14.30). E não só isso, a inveja aponta para um total distanciamento se Deus: “Se vivemos no Espírito, andemos também no Espírito. Não nos deixemos possuir de vanglória, provocando uns aos outros, tendo inveja uns dos outros” (Gl 5.25-26). E mais: “onde há inveja e sentimento faccioso, aí há confusão e toda espécie de coisas ruins” (Tg 3.16).

Lamentavelmente, temos o péssimo hábito de eleger alguns pecados como mais repugnantes a Deus do que outros, como se filé mignon podre fosse menos repugnante que uma ratazana podre. Para Deus, podre é podre. Achamos que pecados como prostituição, lascívia, homicídios, adultérios e blasfêmia seriam pecados mais graves, enquanto outros como avareza, malícia, soberba e inveja seriam pecadinhos menores, aos quais Deus teria menos repulsa. Isso é o que achamos. Mas, quando lemos a Bíblia, vemos que os textos não fazem distinção entre os pecados:

“O que sai do homem, isso é o que o contamina. Porque de dentro, do coração dos homens, é que procedem os maus desígnios, a prostituição, os furtos, os homicídios, os adultérios, a avareza, as malícias, o dolo, a lascívia, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura. Ora, todos estes males vêm de dentro e contaminam o homem. (Mc 7.20-23).

“Ora, as obras da carne são conhecidas e são: prostituição, impureza, lascívia,  idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, ciúmes, iras, discórdias, dissensões, facções,  invejas, bebedices, glutonarias e coisas semelhantes a estas, a respeito das quais eu vos declaro, como já, outrora, vos preveni, que não herdarão o reino de Deus os que tais coisas praticam” (Gl 5.19-21).

inveja_1Inveja não é um mal menor. Não é menos grave que assassinato, só porque as consequências terrenas são diferentes. No mundo espiritual, são a mesma coisa: desobediência à vontade do Senhor. Transgressão. Abandono do que é puro e bom. O adúltero, o cachaceiro, o traficante, o homicida, o fornicário e o arrogante não são mais pecadores  que o invejoso.

Entenda que tudo de bom que você é e tem foi Deus quem te deu. Toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança” (Tg 1.17). Do mesmo modo, tudo de bom que o outro tem e é foi Deus quem deu a ele. Inveja, portanto, é questionar e peitar o que Deus decidiu fazer e discordar da bênção que ele resolveu dar ao próximo e não a você. Inveja é motim. Inveja é rebelião. Satanás invejou o Senhor e quis ocupar seu lugar. Deu no que deu.

“Pois nós também, outrora, éramos néscios, desobedientes, desgarrados, escravos de toda sorte de paixões e prazeres, vivendo em malícia e inveja, odiosos e odiando-nos uns aos outros. Quando, porém, se manifestou a benignidade de Deus, nosso Salvador, e o seu amor para com todos, não por obras de justiça praticadas por nós, mas segundo sua misericórdia, ele nos salvou mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo, que ele derramou sobre nós ricamente, por meio de Jesus Cristo, nosso Salvador” (Tt 3.3-6). Isso mostra que a inveja é relacionada na Bíblia a uma característica de quem não passou pela salvação. Façamos o que é certo.

Antonio Carlos Costa e eu_230215Pastor Antônio Carlos Costa escreveu seu livro para abençoar o próximo. Eu escrevi o meu com o exato mesmo objetivo. Nossos livros são diferentes e têm funções diferentes, cada um atende a diferentes anseios dos leitores. Deus entrega o Convulsão protestante nas mãos de quem precisa ler esse livro. E entrega o O fim do sofrimento nas mãos de quem precisa ler esse livro. Eu e pastor Antônio (foto) somos jogadores do mesmo time, soldados do mesmo exército, membros do mesmo corpo, filhos do mesmo Pai. Ele é meu irmão e fico felicíssimo pelas alegrias dele e pelo que ele conquista, pela graça de Deus. Gostaria que você se sentisse desse modo com relação a todas as pessoas que, assim como você, fazem parte do Corpo de Cristo.

Fuja da inveja, meu irmão, minha irmã, não a alimente. Não enxergue esse pecado como algo menor ou justificável. Não é. É uma transgressão tão imunda como qualquer outra. Alegre-se com as conquistas do seu próximo, sorria e celebre com ele, entendendo que o que ele tem e é foi Deus quem deu. E Deus não erra. 

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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arrogancia 1Ando pensando muito sobre nossa arrogância teológica. Se você não está familiarizado com essa expressão, permita-me tentar defini-la. “Arrogância teológica” é aquele sentimento que se manifesta em nós quando nos consideramos os donos da verdade em relação a nossas crenças espirituais e doutrinárias e, por isso, nos colocamos em uma posição de suposta superioridade em relação aos reles e pobre mortais que discordam da nossa forma de ver a fé. Esse problema sempre existiu, mas, com o surgimento das redes sociais, o fenômeno tem se manifestado de forma nunca antes vista e ganhado uma enorme visibilidade. O que, diga-se de passagem, é uma lástima.

Tenho visto a arrogância teológica crescer e se multiplicar. Na Internet, atualmente uma das formas mais frequentes que a vejo é na guerra (e uso o termo “guerra” conscientemente) que tem se travado entre calvinistas e arminianos, isto é, a grosso modo, entre quem crê na eleição divina para salvação e quem crê no livre-arbítrio. É uma guerra feia, pois reproduz, milênios depois, a abominação que houve entre Caim e Abel: lança irmão contra irmão, suscita ódio entre filhos do mesmo Pai e gera debates pueris onde deveria haver amor e união. Não consigo vislumbrar nada mais inútil e feio na fé cristã do que irmãos em Cristo usando sarcasmo, ironia, ódio e ofensas para tratar outras pessoas por quem Cristo igualmente deu a vida. Vejo os “reformados” (calvinistas) defenderem a predestinação e o TULIP como se isso fosse fazer evangelismo. Não é, nem de longe. E vejo arminianos reagindo com ataques de igual monta contra os calvinistas, como se fossem hereges. E não são, nem de longe.

calvinismoEsses ataques e essas picuinhas vão levar a Igreja de Cristo sabe aonde? A lugar algum. Somente a embates cheios de carnalidade e a uma “guerra civil” protestante, para deleite das forças espirituais da maldade. Entrar em debates, acusações, birras de Facebook ou o que for para ficar defendendo calvinismo ou arminianismo mediante ataques ao outro lado vai simplesmente provocar o que levou a rixa entre José e seus irmãos ou Jacó e Esaú: dissensões e facções – que, aliás, são obras da carne, como denunciado por Paulo em Gálatas 5.19-21. Quanta perda de tempo e energia…

Muitos me perguntam se sou calvinista ou arminiano. Minha resposta é: que importa? Que diferença faz? Não quero pregar predestinação ou livre-arbítrio, quero pregar amor, graça, perdão, pacificação, generosidade, amabilidade, bondade, mansidão, caridade, paz; pois essas são colunas do evangelho, comuns a todos os sistemas doutrinários protestantes, ortodoxos ou católicos. Como já disse alguém, durmo com a tranquilidade de um calvinistas e prego com a ênfase de um arminiano. Mas procuro fazer isso unindo e não segregando, tratando quem discorda de mim com afeto e carinho, e não com desdém e palavras ácidas, como tanto tem ocorrido por aí. Simplesmente porque quem age assim não está agindo como cristão.

Duvido que Cristo aprove que se defenda sua soberania com ódio, ofensas ou ironias entre irmãos. Não há nada errado em se defender o que se crê (eu mesmo estou fazendo isso aqui), mas, se o fazemos com soberba e altivez, nos tornamos abomináveis. “O temor do SENHOR consiste em aborrecer o mal; a soberba, a arrogância, o mau caminho e a boca perversa, eu os aborreço” (Pv 8.13).

Arrogante-1Outro aspecto da arrogância teológica está em desprezar aquele que o arrogante considera menos “acadêmico”, “culto” ou “profundo” do que ele próprio. A soberba leva o cristão que se encaixa nessa definição a desprezar pregações, palestras, textos e livros que não citem montes de pensadores e referências bibliográficas, que não usem os termos rebuscados da teologia, que não suscitem “debates intelectuais”. Algum tempo atrás fiquei muito chateado, pois vi uma pessoa criticar o escritor Max Lucado, desdenhando-o como um autor “raso”, “superficial”. Sou apaixonado por teologia, já cursei dois seminários teológicos, gosto e tenho frequentemente debates profundos e rebuscados sobre as coisas de Deus. Mas não é por isso que me ensoberbecerei em meus conhecimentos e desprezarei um autor cristão que contribui para levar consolo, paz, esperança e palavras de fortalecimento e fé a milhões de pessoas pelo mundo. Isso seria leviano. E diabólico.

Falo com conhecimento de causa. Quando eu era um arrogante teológico (sim, já fui isso) eu desprezava autores como Lucado e outros da mesma linha, que não se atêm a rebuscamentos da teologia, mas se dedicam a escrever de forma simples, aplicando conhecimentos teológicos à vivência do cristão. Mas, quando tive de atravessar o vale da sombra da morte, não encontrei a paz em teologias sistemáticas ou comentários bíblicos: encontrei alívio e refrigério (bíblicos, ressalte-se) em livros como os de Max Lucado, que me apontaram o amor de Jesus na prática. Esse irmão em Cristo (que tem crenças soteriológicas diferentes das minhas, permita-me ressaltar) foi quem me deu palavras de renovo, ânimo, conforto e esperança. Palavras como Cristo nos dá. E, enquanto os arrogantes teológicos o desprezavam e faziam piadinhas de sua “literatura rasa”, ele me ajudava a ficar de pé e a continuar a caminhar. Obrigado, Lucado, por isso.

boys-walking-on-raod-bw“Eis o soberbo! Sua alma não é reta nele; mas o justo viverá pela sua fé. Assim como o vinho é enganoso, tampouco permanece o arrogante, cuja gananciosa boca se escancara como o sepulcro e é como a morte, que não se farta; ele ajunta para si todas as nações e congrega todos os povos” (Hc 2.4-5). Nosso meio está cheio de pessoas que se enquadram nessa descrição, lamentavelmente. Eu fui muito abençoado em conferências teológicas que tratam de assuntos das rodas acadêmicas e da “intelligentsia” cristã. Washer, Piper, Sproul, DeYoung, Beeke e outros me edificaram, e muito, e jamais os desprezarei. O conhecimento deles e de outros excelentes pensadores soma, abençoa, constrói, edifica e devemos indispensavelmente ouvi-los. Que fique muito claro: não estou de modo algum dizendo que devemos descartar ou desprezar as profundidades da teologia, fazer isso seria cometer o mesmo erro (e um erro crasso), mas pelo lado oposto. O problema não é de jeito nenhum a teologia, sem a qual a fé cristã não subsiste. O problema é quando a teologia academicista despreza a sua aplicação prática coloquial e simples, quando a teologia diminui o chorar com quem chora, quando a teologia não quer sujar o pé no barro e despreza aqueles que o fazem. Teologia que não sai das salas de aula, das mesas de restaurante, dos vlogs e podcasts e dos auditórios de debate é mero correr atrás do vento para alimentar egos.

max lucadoEu gostaria muito que os grandes ministérios e as igrejas que organizam as principais  conferências teológicas no Brasil mudassem um pouco o foco. Que não tratassem de temas, muitas vezes, secundários e, até, improdutivos, e direcionassem suas atenções para os pontos nevrálgicos da fé cristã. Eu adoraria ir a uma conferência teológica cujo tema fosse o perdão, por exemplo (assunto essencial mas tão pouco tratado na Igreja de nossos dias), e que tivesse como preletor o Max Lucado. Ao ler isso, os arrogantes teológicos logo torceriam o nariz. Mas o que de diferente se esperaria de arrogantes teológicos?

Meu irmão, minha irmã, sempre que for tentado a cometer o pecado da arrogância teológica, lembre-se de que ela é tão arrogância como qualquer outro tipo de arrogância. E o que a Bíblia tem a dizer aos arrogantes é: “Abominável é ao SENHOR todo arrogante de coração; é evidente que não ficará impune” (Pv 16.5).

cruzFica minha proposta: se você é um líder, alguém responsável por organizar congressos, conferências ou outros tipos de fóruns de debate entre cristãos, não se deixe picar pela mosca azul da arrogância teológica. Não queira ser chique. Pense o seguinte: sobre que temas Jesus chamaria seus discípulos para debater numa conferência ou num congresso? Consegue fazer esse exercício de imaginação? Bem, na verdade, nem é preciso imaginar. Leia Mateus 5 a 7, o conhecido Sermão do Monte, essa belíssima conferência teológica que Jesus organizou e na qual palestrou com a simplicidade de um Max Lucado. Ali ele tratou de temas basilares, indispensáveis e urgentes do cristianismo, como humildade de coração, consolo, mansidão, misericórdia, pureza de coração, pacificação, confiança nos cuidados de Deus, santidade, a importância da reconciliação com os irmãos e outros temas centrais, fundamentais e prioritários da fé cristã. E, se Jesus priorizou tais temas, não deveríamos nós imitá-lo? O que está nos impedindo?

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
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lingua 1“Se alguém supõe ser religioso, deixando de refrear a língua, antes, enganando o próprio coração, a sua religião é vã” (Tg 1.26). Esse é um dos versículos mais assombrosos e amedrontantes da Bíblia. Ele decreta: de nada adianta viver cumprindo os preceitos da fé cristã se você não é capaz de controlar o que fala e a forma como fala. Ir ao culto, cantar louvores, orar, ler a Palavra, pregar, chorar de joelhos, postar reflexões sobre a vida cristã na internet, escrever livros cristãos… se você não tem domínio sobre o que fala e como fala, tudo isso é absolutamente vão, ou, como bem define o dicionário, “vazio, oco, inútil, sem valor, ilusório, sem fundamento real, fútil, frívolo, falso, ineficaz”.

Controlar a língua não é um assunto secundário, coisa de fofoquinha entre vizinhas que ficam olhando a vida alheia. É um tema muito mais profundo do que simplesmente fofoca, como alguns, equivocadamente, pensam. Saber controlar o que se fala e como se fala é uma questão de caráter. De amor ao próximo. De respeito. É interessante que o versículo citado no início deste texto vem logo depois da afirmação: “Tornai-vos, pois, praticantes da palavra e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos” (Tg 1.22). Alguém dizer que pratica a Palavra sem controlar o que fala e como fala faz de si somente um enganador.  E é importante frisar que, em dias como os nossos, o “falar” aqui também deve ser entendido como “postar”, “tuitar”, “compartilhar”, “comentar”, “teclar” e por aí vai.

agressivo 1Saber controlar a língua diz respeito, por exemplo, a falar com o próximo com carinho e gentileza. Um cristão que, por exemplo, entra em debates ácidos  pelas redes sociais ou em qualquer outro âmbito sobre assuntos teológicos e faz isso sem refrear a língua, tecendo comentários sarcásticos, sendo agressivo, tratando o próximo a quem deveria amar com estupidez (mesmo o inimigo)… nada mais é do que alguém cuja religião é vã. Grave, não é? Mas bíblico. E isso, por mais que supostamente tenha boas intenções e queira agradar a Deus. Em meu entendimento bíblico, quem faz isso não agrada a Deus, agrada somente ao próprio ego. Religioso. Vão. 

É claro que sempre teremos uma “boa desculpa” para usar a língua de forma pecaminosa. Diremos que estamos ofendendo e ironizando quem discorda de nós em nome da apologética, porque, afinal, “antes importa  agradar a Deus que aos homens”. Diremos que abrimos segredos que nos contaram para que “pudessem orar por fulano”. Inventamos mil histórias que tentam justificar nossa incapacidade de reter a língua. Desculpas, somente. Religião vã. 

agressivo 2Tenho ficado abatido com a forma como vejo cristãos discordarem de cristãos. Tenho ficado assombrado com a forma como cristãos discordam de não cristãos. Atacam. Agridem. Desprezam. Ironizam. Tiago 3 é um capitulo arrasador sobre o assunto. Descreve a pessoa perfeita: “Se alguém não tropeça no falar, é perfeito varão, capaz de refrear também todo o corpo” (v. 2). A Palavra de Deus diz que com a língua “bendizemos ao Senhor e Pai; também, com ela, amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus” (v. 9). É exatamente o que vejo todos os dias entre os cristãos, embora Tiago seja claro: “Meus irmãos, não é conveniente que estas coisas sejam assim. Acaso, pode a fonte jorrar do mesmo lugar o que é doce e o que é amargoso?” (v. 10-11). E a nossa boca tem sido amarga demais. Demais.

agressivo 3Vejo frequentes debates entre certos “mestres da Palavra”, pastores, líderes, teólogos, blogueiros, vlogueiros, estudantes de teologia ou simples membros de igreja como eu e você serem recheados de espantoso descontrole da língua. E me abato quando comparo a arrogância teológica de muitos com o que diz a Bíblia: “Quem entre vós é sábio e inteligente? Mostre em mansidão de sabedoria, mediante condigno proceder, as suas obras. […]  Pois, onde há inveja e sentimento faccioso, aí há confusão e toda espécie de coisas ruins. A sabedoria, porém, lá do alto é, primeiramente, pura; depois, pacífica, indulgente, tratável, plena de misericórdia e de bons frutos, imparcial, sem fingimento. Ora, é em paz que se semeia o fruto da justiça, para os que promovem a paz” (Tg 3.13-18). É claro: biblicamente, sabedoria e inteligência precisam ser acompanhadas, impreterivelmente, por mansidão. Qualquer tipo de sabedoria que não tenha paz, que não seja pura; que não seja pacífica, que não seja indulgente, que não seja tratável, que não seja plena de misericórdia e de bons frutos, que não seja imparcial, que não seja sem fingimento… é demoníaca. Mesmo se for usada “em nome de Jesus”.

Vejo nas palavras e na forma de falar de muitos cristãos, “mestres”, “apologetas”… aquilo que a Bíblia diz que é ruim. Misericórdia zero. Paz zero. E isso cansa. A Igreja de Jesus Cristo em grande parte diz que defende Jesus Cristo. Mas, ao fazê-lo de forma bruta e odiosa, só defende egos e o que há de pior no gênero humano. E faz a sociedade não cristã nos enxergar não como pacificadores e filhos do Deus de amor, mas como figuras abjetas e detestáveis. Que não cumprem o mandamento bíblico: “O seu falar seja sempre agradável e temperado com sal, para que saibam como responder a cada um” (Cl 4.6).

gentilFica a sugestão (enfática): aprenda a refrear sua língua. Não imite o comportamento de quem não refreia, mesmo que sejam pastores, líderes, celebridades cristãs, gente famosa da internet ou o que for. Fuja de “mestres” que usam palavras com fúria, mesmo que seja em nome da fé. Não deixe que sua religião se torne vã. Amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio: se aquilo que você diz e a forma como diz não vêm encharcados dessas virtudes, está na hora de repensar seriamente tudo aquilo que fala e escreve. E, quem sabe, recomeçar do zero.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
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justificativa 1Um grande inimigo da vida com Deus chama-se “justificativa”. É aquela “boa explicação” que justifica fazermos o que não deveríamos ou não fazermos o que deveríamos. A traiçoeira justificativa costuma brotar em nossos lábios nas mais variadas circunstâncias, como quando pecamos e tentamos fazer parecer que aquele pecado não é tão pecado assim; quando fugimos da vontade de Deus alegando alhos ou bugalhos; quando queremos facilidades e por isso começamos a entortar a ética bíblica; quando, quando, quando. Quando. Justificativas são o “jeitinho brasileiro” aplicado ao evangelho, para tentar fazer o errado parecer certo. Justificamos e, assim, negociamos o que é inegociável. O perigo reside em nossa justificativa não ser uma “boa explicação”, mas, sim, uma “boa desculpa”.

A estratégia de usar justificativas a fim de escorregar para fora da vontade do Senhor vem desde o Éden. Quando Adão e Eva cometem o primeiro pecado, em vez de abaixar a cabeça e reconhecer o erro, ambos se justificam: “Então, disse o homem: A mulher que me deste por esposa, ela me deu da árvore, e eu comi. Disse o SENHOR Deus à mulher: Que é isso que fizeste? Respondeu a mulher: A serpente me enganou, e eu comi” (Gn 3.12-13). Repare que Adão justifica seu pecado atribuindo culpa a Eva, que, por sua vez, se justifica acusando a serpente. Isto é, ambos tinham uma “boa justificativa” a fim de se arrastar para fora dos caminhos de Deus. As consequências desse comportamento você conhece.

justificativa 2Assim como o primeiro casal, nós também vivemos nos justificando. Sonegamos o imposto com a justificativa de que o governo é ladrão. Desonramos pai e mãe com a justificativa de que eles são pessoas difíceis. Mentimos com a justificativa de que “é só uma mentirinha que não faz mal a ninguém”.  Somos soberbos com a justificativa de que “é preciso pagar a quem honra, honra”. Nos afastamos da família de fé com a justificativa de que “Jesus não construiu templos”. Somos grosseiros com os incrédulos com a justificativa de que há pastores famosos que tratam os incrédulos de modo grosseiro. Pecamos com a justificativa de que “não somos legalistas”. Somos legalistas com a justificativa de que “não seguimos a graça barata”. Não estudamos teologia com a justificativa de que “a letra mata”. Nos refugiamos na teologia com a justificativa de que, se não citamos mil pensadores, nossa teologia e superficial. Somos sarcásticos com os  arminianos porque… Agredimos os calvinistas porque… Damos propina a fiscais porque… Desonramos a autoridade porque…  Prejudicamos o próximo porque… Somos arrogantes porque… Invejamos porque… Falamos mal do próximo porque… Puxamos o tapete porque… E poderíamos seguir numa extensa lista de atitudes erradas que tomamos porque… porque… porque… porque… porque… porque… porque… Sim, o erro tem sempre um “porque”. Só que ter um “porque” não faz um erro ser menos errado.

Você já fez isso? Você faz isso? Você está fazendo isso atualmente? Então cuidado. Cuidado, porque a justificativa é inimiga da santidade, do arrependimento, da confissão de pecados, do perdão, da cruz de Cristo. Logo, a justificativa é uma sabotagem do evangelho.

O oposto da justificativa é a transparência. A honestidade. A sinceridade. Às vezes, em minhas elocubrações doidas, me pergunto se Deus teria expulsado Adão e Eva do Éden se, em vez de terem se justificado, batessem no peito, chorassem, pedissem perdão, confessassem com total reconhecimento a sua falha. Jesus mesmo mostrou a diferença entre a justificativa e a transparência em uma parábola:

“Dois homens subiram ao templo com o propósito de orar: um, fariseu, e o outro, publicano. O fariseu, posto em pé, orava de si para si mesmo, desta forma: Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros, nem ainda como este publicano; jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo quanto ganho. O publicano, estando em pé, longe, não ousava nem ainda levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, sê propício a mim, pecador! Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele; porque todo o que se exalta será humilhado; mas o que se humilha será exaltado” (Lc 18.10-14).

justificativa 3Humilhar-se, no contexto bíblico, significa expor-se. Reconhecer-se como pecador falível. Assumir sua total dependência da graça divina. Humilhar-se, aos olhos de Deus, não é inferiorizar-se, mas elevar-se. Por outro lado, justificar-se é fazer-se maior do que realmente é, por acreditar que a sua justificativa é capaz de enganar o Senhor, fazendo-o acreditar que “não é bem assim”. Mas o Onisciente sabe exatamente o que você faz, fala e pensa. E, portanto, sabe que é assim, sim. Não se justifique, meu irmão, minha irmã. Seja sincero, pois sinceridade a respeito de si mesmo e de todos os seus erros e acertos é uma das marcas de todo aquele que Jesus tornou justo pelo sacrifício da cruz. Aja como o justo que você é e não como o ser justificável que seu pecado deseja que você acredite ser.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
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