Arquivo da categoria ‘Evangélicos’

CHABPOLIN 1Gostei muito quando assisti a uma entrevista do ator mexicano Roberto Bolaños, conhecido por interpretar os personagens Chaves e Chapolin na televisão, pois ele disse algo que sempre pensei. Indagado sobre o que  achava de heróis como Superman e He-Man, ele respondeu: “Eles não são heróis. Herói é Chapolin Colorado. O heroísmo não consiste em não sentir medo, e sim em superá-lo. Superman é um super-herói, é todo-poderoso, por isso não sente medo. Chapolin morre de medo e, consciente dessa deficiência, ele enfrenta o medo. Isso é ser um herói. E ele perde muitas vezes, o que é outra característica dos heróis”. A reflexão de Bolaños é muito boa. Quando escrevi a série de livros de ficção cristã que teve início com O enigma da Bíblia de Gutenberg, uma das características que fiz questão de manter em todos os livros é que Daniel, o protagonista e herói das aventuras, não é, nem de longe, perfeito: ele erra com frequência, mas aprende com suas falhas e se esforça por não mais errar. Achei pertinente Bolaños ter dito o que disse, pois eu sempre afirmei que Daniel era o herói dos livros justamente porque ele erra, é verdade, mas se recusa a estagnar no pecado e se arrepende, aprende com os erros e se esforça para não mais errar. O que é uma lição para a minha e a sua vida. 

Ao longo de sua trajetória, você ainda vai errar, e muito. Terá pensamentos inconfessáveis. Pecará por deixar de fazer o bem. Desobedecerá muito a Deus em nome de boas desculpas. Usará sua língua para o mal. Se encherá de orgulho. Desprezará o pobre. Sentirá inveja do rico. Desonrará pai e mãe. Desejará o mal de quem te fez mal. Odiará. Cobiçará. Incitará em vez de pacificar. Se envaidecerá. Negará Jesus com suas atitudes. Terá preguiça. Enganará pessoas. Fará coisas ainda piores. E, se disser que não fará nada disso, mentirá. Como eu posso afirmar? Simples: porque você não é um super-herói, é um mero mortal. E mortais pecam. 

jESUSA boa notícia é que você tem dois caminhos a seguir: pode se conformar em continuar cometendo seus pecados de estimação ou seguir pelo heroico caminho da resistência. Que você ainda vai pecar muito, isso é fato. A grande questão é: o que fará quando isso acontecer? O que aprenderá? Que estratégias desenvolverá para não voltar a cometer o mesmo erro? De que modo ter pecado o ajudará a não mais pecar? Se você extrair ensinamentos e aprendizado dos seus pecados, refletir sobre eles, criar mecanismos que o ajudem a evitar incorrer nas mesmas transgressões e conseguir de fato vencer as tentações… a meu ver, será um herói. 

O enigma da Biblia de GutembergJesus, na eternidade, era o super-herói maior. Para ele não havia nem kriptonita. Mas, ao encarnar como homem, ele tornou-se o herói da humanidade, pois, passível de pecar, não pecou. Tentado em tudo, não cedeu. Confrontado no deserto por seu arqui-inimigo, o derrotou pelo poder da Palavra. Jesus nos deu o exemplo maior de heroísmo e provou que é possível ser um herói. Você pode. Deus te deu conhecimento de sua vontade. Deu domínio próprio. Deu seu Espírito. De que mais você precisa? Certa vez, me perguntaram em quem eu havia me inspirado para criar o Daniel, o herói de meus livros de ficção, que erra mas aprende, se arrepende e, depois, faz a coisa certa. Na hora, respondi: “em ninguém”. Hoje, percebo que respondi errado.

Eu me inspirei em alguém, sim: em mim e em você, os chapolins da vida real. 

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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perfeito 1Confesso que acho muito, muito, muito estranho quando vejo pessoas perfeitas. Ou… aparentemente perfeitas. Na era das redes sociais, quando virou hábito criarmos um personagem idealizado de nós mesmos para apresentar ao mundo via Internet, tornou-se comum ver irmãos e irmãs que parecem viver numa espécie de país das maravilhas. Sua vida é fantástica, o casamento é espetacular, ele é o príncipe dos contos de fadas da esposa, as viagens que faz são coisa de cinema, o prato do almoço parece feito por computação gráfica, o culto em sua igreja é sempre uma bênção… fico de queixo caído. A vida perfeita. A pessoa perfeita. Mas, então, desligo o computador, olho no espelho e percebo que minha vida é cheia de problemas, meu casamento já teve muitos altos e baixos, eu estou mais para Shrek do que para príncipe de conto de fadas, minhas viagens têm diversos dias de chuva, o prato do meu almoço é um feijão com farofa meio desmontado e o culto…  bem, o culto foi uma bênção (algum culto não é?). Poxa, Deus, por que eu sou tão imperfeito?, resmungo. Mas, então, acontece de eu ter um pouco mais de contato com a realidade de vida daquele irmão ou irmã e descubro que toda aquela perfeição era apenas uma fachada, uma máscara. A verdade era bem diferente, bastante imperfeita, e isso por um fato óbvio: é vivida por pessoas imperfeitas. E essa percepção me leva a refletir sobre duas necessidades do evangelho: perfeição e transparência. 

perfeito 2Paulo é um dos meus personagens preferidos da Bíblia. Eu o vejo nas Escrituras em uma constante busca pela perfeição, porém, sem jamais deixar de ser transparente acerca de suas fragilidades, fraquezas e… imperfeições. Dificilmente você veria nas redes sociais dele algo como “Eu sou perfeito, vivo em total santidade e tudo na minha vida é impecável”. Não. Paulo não usava filtros. O que você leria na postagem matinal do Facebook dele seria: “Nem mesmo compreendo o meu próprio modo de agir, pois não faço o que prefiro, e sim o que detesto”. Após o almoço, mais um post do irmão Paulo: “Eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum, pois o querer o bem está em mim; não, porém, o efetuá-lo. Porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço”. E, à noite, o sincero Paulo publicaria em sua timeline: “Desventurado homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte? Graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor. De maneira que eu, de mim mesmo, com a mente, sou escravo da lei de Deus, mas, segundo a carne, da lei do pecado”.

Todas essas postagens de Paulo, que estão em Romanos 7, me mostram um homem que não tenta ser o que não é e que nem ao menos tenta aparentar  uma perfeição fingida. Mais ainda: alguém que, no que se refere à sua total imperfeição, é absolutamente transparente.

Jesus disse: “sede vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai celeste” (Mt 5.48). Se dizemos que algo é perfeito, isso significa, ao pé da letra, que é “acabado”, “pronto”, “completo”, “sem defeito”, “primoroso”. Mas eu não sou alguém pronto, estou em constante aperfeiçoamento; não sou completo, muitas qualidades ainda me faltam. Primoroso? Nem de longe! E… sem defeito? Fala sério. Não, definitivamente, “perfeito” não me define. Aliás, sejamos francos? Não define ninguém. O único homem que pisou na terra e merece ser chamado de “perfeito” é Jesus de Nazaré, homem completo, cordeiro sem mancha, irretocável, acabado e pronto. A grande questão é: mas e aí? Como o Mestre nos mandou ser algo impossível? 

Voltando a Paulo, o encontramos em Filipenses confessando: “Não que eu o tenha já recebido ou tenha já obtido a perfeição; mas prossigo para conquistar aquilo para o que também fui conquistado por Cristo” (Fp 3.12). Outra tradução diz: “Não estou querendo dizer que já consegui tudo o que quero ou que já fiquei perfeito, mas continuo a correr para conquistar o prêmio, pois para isso já fui conquistado por Cristo Jesus”. Paulo sabia que não era perfeito, mas, mesmo assim, prosseguiria se esforçando. Repare o verbo que usei: “se esforçando“. “Continuo a correr para conquistar o prêmio” revela claramente um esforço contínuo. 

perfeito 3A esse respeito, é muito interessante você observar o contexto de quando Jesus nos diz que devemos ser perfeitos. Ele vem falando, desde Mateus 5.43, sobre a importância de amarmos nossos inimigos, de orar por quem nos persegue, de não amar somente quem nos ama. E conclui, dizendo: “Portanto, sede vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai celeste”. Repare a palavra “portanto”. O uso desse termo significa que a proposta de perfeição de Cristo é uma consequência do que ele disse imediatamente antes: amar quem não é amável, o que é algo extremamente difícil. Logo, o que enxergo, novamente, é que a perfeição (alvo inatingível), deve nos motivar a sermos esforçados (alvo atingível). Ao máximo. Com todas as nossas forças. Combater o bom combate não significa combater com perfeição, mas com todo esforço possível. “Seja fiel até a morte” é uma exortação que aponta para a necessidade de se esforçar para permanecer fiel. Empenho. Perseverança. Esforço. 

perfSer perfeito é impossível. Esqueça, as postagens supostamente perfeitas nas redes sociais não mudarão essa realidade. Mas ser esforçado é totalmente possível. Mais que isso, é desejável. O que devemos fazer é nos esforçar para alcançar aquilo que nunca alcançaremos. Por loucura? Não, por saber que, no decorrer desse esforço, obteremos muitas conquistas espirituais. E, sabe, acredito piamente que ser transparente como Paulo foi  é um componente indispensável nessa jornada rumo à utópica perfeição. Pois, se existe alguém imperfeito, esse alguém é aquele que esconde as suas verdades – tais como os fariseus e mestres da lei que Jesus tanto criticou. Em outras palavras, os hipócritas. 

Você quer ser perfeito? Comece sendo transparente. Revele suas fragilidades. Não oculte seus erros. Seja autêntico e pare de tentar aparentar ser quem você nunca será. Garanto que o seu esforço para alcançar esse patamar  de sinceridade fará de você alguém que, aos olhos de Deus, estará muito, mas muito mais próximo da perfeição. 

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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escandalo gospelNo meio cristão volta e meia somos surpreendidos por um escândalo. Como nossa fé prega a santidade e o apego inegociável aos valores éticos, ficamos profundamente chocados quando tomamos conhecimento de falhas morais ou atitudes reprováveis de algum irmão ou irmã – seja de nosso círculo próximo de relacionamentos, seja alguém com mais notoriedade. É compreensível. O pecado nos choca, confronta, entristece, abate, revolta. Nessas horas, nosso senso de justiça nos leva a querer sangue, exigir punição dos pecadores, hereges e canalhas. A minha pergunta é: como exatamente devemos proceder quando explode um escândalo no meio cristão?

Pastores que falharam em sua santidade, irmãos que pecaram na sexualidade, líderes que desonraram pai e mãe, cristãos famosos que disseram ou fizeram algo estranho em público, bons pregadores que passaram a pregar heresias… a lista das causas de um escândalo entre nós é interminável. No centro de todas, uma única causa: pecado. Deus é santo e não tem parte com o pecado, é certo. Mas Deus também é gracioso e sua misericórdia dura para sempre. Diante dessa realidade, eis minha sugestão sobre como devemos nos posicionar diante de um escândalo:

1. Não tenha prazer no escândalo. Quedas morais, pecados e heresias são tragédias. São desastres. Não são motivo de piada. Devemos tratá-los como o horror que representam: com lamento, choro e profunda tristeza. O pecado jamais deve se tornar motivo para tricotadas, fofocadas, “você soube da última?” ou disse-me-disse. Não faça piada com o horror. Não se deleite na tragédia. Isso é papel do Diabo.

2. Fale com Deus. Converse sobre o escândalo com as demais pessoas apenas o estritamente necessário. A pessoa com quem você deve conversar intensamente e longamente sobre o escândalo é o Senhor. O nome disso é oração. Portanto, ore a Deus, peça misericórdia sobre a vida dos envolvidos, clame por arrependimento e restauração. Ficar de tititi com as pessoas, pessoalmente ou nas redes sociais, não adianta absolutamente nada; orar adianta tudo.

3. Não conclua antes de saber de todos os fatos. Cansei de ver escândalos em que as pessoas criam mil conjecturas acerca do que houve sem saber direito as informações. “Ouviram falar” e, por causa disso, tomam comentários colhidos ao vento como verdades absolutas. Para emitir uma opinião, assumir uma postura, tomar lados, se posicionar, antes é preciso ter total conhecimento da situação. Nesse sentido, uma das virtudes do fruto do Espírito é essencial: a paciência. Espere. Não corra para emitir uma opinião. Deixe a verdade ser exposta totalmente e, só então, se posicione.

4. Olhe para os culpados com firmeza, mas com misericórdia. A ética de Cristo não é a da punição, é a da restauração. Como filhos de Deus, o desejo do nosso coração deve ser sempre ver os que erraram arrependidos e restaurados espiritualmente. Não queira mandar os hereges e os pecadores para o inferno, queria vê-los de lágrimas no pó e coração sinceramente compungido. Como embaixadores do reino daquele que veio para os doentes, devemos ser médicos da graça e não carrascos da desgraça. Uma vez que se comprove a culpa, seja movido por compaixão pela vida dos culpados, para que sejam resgatados do poço de trevas em que se enfiaram e que, se tiverem de arcar com as consequências humanas de seu pecado, que pelo menos sua alma seja salva.

5. Entenda que a disciplina dos culpados é necessária. Determinados tipos de escândalos vão gerar consequências no plano humano. Um pastor que adultera precisa ser afastado do cargo até que sua vida esteja restaurada. Um pregador que diz uma heresia precisa se retratar em público. Um líder que desonra pai e mãe tem de ser tratado fora dos púlpitos e cargos antes de continuar liderando. Uma pessoa qualquer que comete um crime deve ser punida de acordo com o que prevê o código penal, mesmo que esteja arrependida e tenha sido perdoada por Deus: há consequências no plano humano para nossos atos, e devemos enfrentá-las.

6. Olhe para as vítimas com compaixão. Esposas traídas, pessoas enganadas, ovelhas feridas… muitas pessoas ficam machucadas quando explode um escândalo. As vítimas devem ser abraçadas, devemos chorar com elas, conduzi-las a perdoar quem as machucou, amparar seu coração em frangalhos. Nunca se aproxime dos feridos para obter mais detalhes sobre o escândalo ou algo assim. O nosso papel é amar, sofrer com quem sofre e auxiliar na sua restauração física, emocional e espiritual.

7. Lembre-se dos seus próprios pecados. Jesus presenciou um escândalo. Mais do que isso: ele foi instigado a emitir um parecer sobre o escândalo. Afinal, uma mulher fora flagrada em adultério. Adúltera! Pecadora! Escandalosa! Opróbrio! Digna de apedrejamento aos olhos da Lei! Mas a resposta de Jesus aos que queriam apedrejá-la foi que cada um olhasse para si. Afinal, em maior ou menor intensidade, todos temos telhado de vidro. E isso ele nos diz, hoje: olhe para si. Quando ocorre um escândalo, devemos agir com humildade, sem nos considerarmos megassantos, pessoas acima do bem e do mal. Mais do que jogar pedras, precisamos usar o escândalo alheio para ver como nós mesmos somos frágeis e passíveis de errar. Se há algo de positivo no escândalo é o alerta que ele lança sobre nós, para que, estando de pé, não caiamos. Vigie sempre.

8. Seja parte da solução e não do problema. Que tudo o que você pensar, falar ou fizer em relação ao escândalo seja para edificação das pessoas e para a glória de Deus. Fora disso, o melhor é não fazer nada, manter-se calado e ficar quieto.

Meu irmão, minha irmã, infelizmente sempre haverá escândalos entre nós, pois vivemos debaixo do pecado. Devemos saber como falar e agir no momento que isso acontecer, sempre com amor, graça e palavras temperadas, chorando com quem chora e pacificando. Nosso papel não é chutar quem está caído. Muito menos execrar vítimas. Exerça misericórdia. Busque a justiça, sim, mas que seja em amor e não com ira, vingança, ódio, destempero. Fale e faça aos outros como gostaria que falassem e fizessem a você se a queda fosse sua. E, acima de tudo, ore a Deus. Pois ele é quem tudo sabe, quem exerce a perfeita justiça e quem governa a nossa vida como Justo juiz e Príncipe da paz. Como ordena a Palavra do Senhor: “Amados, nunca se vinguem; deixem que a ira de Deus se encarregue disso, pois assim dizem as Escrituras: ‘A vingança cabe a mim, eu lhes darei o troco, diz o Senhor’. Pelo contrário: ‘Se seu inimigo estiver com fome, dê-lhe de comer; se estiver com sede, dê-lhe de beber. Ao fazer isso, amontoará brasas vivas sobre a cabeça dele’. Não deixem que o mal os vença, mas vençam o mal praticando o bem” (Rm 12.19-21).

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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humildade 1Deus é humilde. Prova disso é que Jesus se apresentou como “manso e humilde de coração” (Mt 11.29) e, portanto, deixou claro que a humildade é um atributo divino. Quando a humanidade se rebelou contra o Senhor, no Éden, automaticamente tornou-se opositora de tudo o que tem a ver com ele, o que inclui, naturalmente, a humildade. Foi quando nós, gente falha e errante, passamos para o lado oposto e nos tornamos soberbos, altivos, arrogantes. Começamos a odiar tudo o que é santo e, mortos em nossos delitos e pecados, acreditamos que nossos talentos, qualidades, cargos e títulos são mérito pessoal nosso e, portanto, que somos dignos de louvor, elogios, honrarias e bajulações. A grande questão é que a humildade continua sendo um atributo desejado por Deus para todo ser humano, o que faz com que vivamos um conflito constante: nascemos  soberbos, gostamos de ser exaltados, mas precisamos ser humildes. E aí, o que fazer?

A única forma de conseguirmos essa transformação é pela renovação da mente (Rm 12.2), que vem mediante a entrega pessoal a Jesus e a consequente aproximação de Deus, a fim de que tenhamos em nós a natureza de Cristo. Pois só sendo como ele é conseguiremos viver a verdadeira humildade. 

humildade 2Só é humilde quem compreende que “Toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança” (Tg 1.17). Esse é o ponto de partida. Quando você entende pelo poder do Espírito que absolutamente tudo o que tem e é de bom não é mérito seu, mas é um presente de Deus, uma concessão do Criador, surge a compreensão de que não existe motivo para ser soberbo. Você é inteligente? Sua inteligência é um dom que Deus lhe deu. Você é talentoso? Seu talento é um dom que Deus lhe deu. Você é bonito? Sua beleza é um dom que Deus lhe deu. Você é culto? Sua cultura é um dom que Deus lhe deu. Você prega bem, canta de modo que encante as multidões, escreve que é uma beleza, é um excelente teólogo, vive recebendo elogios por suas palestras? Tudo isso é dom de Deus. O grande problema é que frequentemente nos esquecemos dessa realidade e passamos a acreditar que, sim, somos tudo o que falam de nós. A questão, meu irmão, minha irmã, é que, no dia em que começar a acreditar nisso, você terá assinado a sentença de morte da sua humildade. E, logo, de afastamento do Senhor. Viver em soberba e arrogância é viver em pecado. E isso é grave. 

Para você ter ideia de como a humildade é algo importante aos olhos de Deus, basta ver a enxurrada de passagens bíblicas que tratam do assunto, como: 

“Certamente, ele [Deus] escarnece dos escarnecedores, mas dá graça aos humildes” (Pv 3.34); 

“Em vindo a soberba, sobrevém a desonra, mas com os humildes está a sabedoria” (Pv 11.2); 

“A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito, a queda. Melhor é ser humilde de espírito com os humildes do que repartir o despojo com os soberbos” (Pv 16.18-19); 

“A soberba do homem o abaterá, mas o humilde de espírito obterá honra” (Pv 29.23);

“Melhor é ser humilde de espírito com os humildes do que repartir o despojo com os soberbos” (Pv 16.19); 

 “tu salvas o povo humilde, mas os olhos altivos, tu os abates” (Sl 18.27); 

“Bom e reto é o SENHOR, por isso, aponta o caminho aos pecadores. Guia os humildes na justiça e ensina aos mansos o seu caminho” (Sl 25.8-9); 

“Desde os céus fizeste ouvir o teu juízo; tremeu a terra e se aquietou ao levantar-se Deus para julgar e salvar todos os humildes da terra” (Sl 76.8-9); 

“O SENHOR é excelso, contudo, atenta para os humildes; os soberbos, ele os conhece de longe” (Sl 138.6); 

“Porque o SENHOR se agrada do seu povo e de salvação adorna os humildes” (Sl 149.4); 

“Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus” (Mt 5.3); 

“Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes” (Tg 4.6); 

“Finalmente, sede todos de igual ânimo, compadecidos, fraternalmente amigos, misericordiosos, humildes…” (1Pe 3.8); 

“… no trato de uns com os outros, cingi-vos todos de humildade, porque Deus resiste aos soberbos, contudo, aos humildes concede a sua graça. Humilhai-vos, portanto, sob a poderosa mão de Deus, para que ele, em tempo oportuno, vos exalte” (1Co 5.5); 

“Tende o mesmo sentimento uns para com os outros; em lugar de serdes orgulhosos, condescendei com o que é humilde; não sejais sábios aos vossos próprios olhos” (Rm 12.16).

À luz de todas essas passagens bíblicas, é inconcebível que um cristão não seja humilde. Mais ainda: fica claro que a falta de humildade é  pecado. Deus não tem parte com o soberbo, ele não suporta o arrogante e abomina a altivez. “Amem o Senhor, todos vocês que lhe são fiéis, pois o Senhor protege quem nele confia, mas castiga severamente o arrogante” (Sl 31.23). Se você é bem-sucedido em qualquer área de sua vida, se é excepcional em algo, se obteve fama e reconhecimento, se o seu nome se tornou conhecido… não cometa o erro de acreditar na mentira de que você é o tal. Pois não é. Você é apenas o portador de algo que lhe foi concedido por Deus – e que ele pode tirar de você se e quando quiser. 

Na jornada_ Capa em low resAo encarnar como um de nós, Jesus realizou o maior ato de humildade que alguém poderia. Para você visualizar uma pouquinho do que significou o Deus Criador encarnar na forma de servo, reproduzo um trecho sobre o nascimento de Cristo, de meu mais recente livro, Na jornada com Cristo (editora Mundo Cristão): “Esqueça o ambiente bonitinho e angelical que você costuma ver nos presépios ou nos filmes sobre o Natal. Você já visitou o estábulo de um hotel-fazenda? Já viu como é o local onde os cavalos e as vacas ficam abrigados? Se já teve essa experiência, puxe pela memória e tente se lembrar dos cheiros, dos insetos, do que havia pelo chão. Agora você começa a ter uma percepção real de como foram os primeiros momentos de vida daquele bebê, o início de sua jornada na terra. O ar que pela primeira vez entrou nos pulmões daquele recém-nascido foi o do interior de um estábulo. Sua maternidade não foi uma clínica limpinha, cheirosa e desinfetada, mas um ambiente insalubre que reunia uma mescla de odores de animais, de estrume e de urina. Quem sabe as moscas, que costumam infestar esses ambientes, tenham pousado nos bracinhos e no rosto do bebê, passeado por seus lábios, incomodado sua mãe. Carrapatos fatalmente andavam por ali. Talvez pulgas ou pombos, que muitas vezes se abrigam nas reentrâncias do teto. O recém-nascido tampouco foi deitado num bercinho fofo e cheio de bichinhos de pelúcia e móbiles. Sua primeira cama foi um cocho, um comedouro, objeto rústico e sem glamour em que vacas, cavalos, jumentos, bodes e outros animais deixam saliva e muco nasal ao mastigar o alimento. Sim, o bebê não foi deitado em um berço de ouro e cetim, mas, provavelmente, ficou cercado de baba de animais. Acredite, não é o tipo de local em que você gostaria de deitar seu filhinho após o nascimento” (pg.17-18)

humildade 3À luz dessa realidade enfrentada pelo nosso Senhor, dói meu coração ver cristãos arrogantes e soberbos. Dói muito. Pois confessam Cristo com os lábios mas não agem de acordo com sua confissão. São filhos de uma mãe chamada vaidade e de um pai chamado orgulho, que, juntos, geram pecado. Portanto, tais cristãos são mais filhos do pecado que filhos de Deus. Se você detectar traços de altivez neles, encoraje-os à humildade. Se persistirem no pecado, não os siga, não os imite, não divulgue o que falam, tampouco tenha parte com eles. Pois a falta de humildade é venenosa e pode vir a lhe contaminar. Muito cuidado. 

Que toda realização sua seja motivo de glórias para Deus, pois ele é quem a permitiu. Que os seus atributos, dons, talentos, qualidades, cargos, posições, títulos, diplomas, adjetivos e tudo o mais que o fazem se destacar sejam razão para você erguer o coração a Cristo, abrir os lábios para lhe atribuir a honra, e reconhecer  diante de todos que só a Deus pertence a glória. 

Seja humilde. Esforce-se para isso. Ao ser elogiado, atribua o mérito a quem tem mérito e reconheça-se como instrumento, como vaso de barro que contém um tesouro divino. Ao confessar que os louros são todos do Senhor, por meio de suas palavras e atitudes, estará dando um passo atrás na soberba e à frente na humildade. E, assim, creia, você estará muito mais perto de Deus. 

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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APENAS_Banner três livros Zágari

@Glowimages: Silhouette Of Shepherd And SheepDe alguns anos para cá, tenho pregado e palestrado muito. Venho compartilhando o evangelho em igrejas, congressos, centros de convenções e, este ano, falarei até mesmo no evento de um presídio. Sempre que vou a esses lugares ocorre algo curioso: invariavelmente, eu sou chamado de “pastor”, embora eu não seja pastor e apesar de eu sempre dizer de púlpito que não sou pastor. Esse fato me levou a uma reflexão, que gostaria de compartilhar com você. Nos últimos dois anos ministrei em cultos e eventos promovidos por igrejas como presbiteriana, batista, metodista, anglicana, episcopal, pentecostais, neopentecostais; congressos interdenominacionais: eventos sem vínculos com igrejas… enfim, para todo tipo de pessoas, de linhas doutrinárias e teológicas distintas, que frequentam ambientes com sistemas de regência diversos. E, em todos esses lugares, as pessoas me chamam de “pastor”. Curioso. 

Acredite, eu me esforço para deixar claro que não sou pastor, isto é, que não fui ordenado para o cargo de pastor por uma organização religiosa. Sinto-me desonesto se não explico que não sou ordenado; se não falo nada parece que estou pecando por apropriação indébita. Geralmente, assim que começo a ministração, eu me apresento e, imediatamente, ressalto que não sou pastor. Mas, logo que a preleção acaba e desço da plataforma para conversar com os presentes, começo a ouvir: “Pastor Maurício…”. Já vivi até mesmo episódios engraçados, como certa vez em que uma senhora me telefonou a fim de me convidar para pregar em determinado lugar, e o diálogo foi assim:

– Alô, é o pastor Mauricio?

– Alô. Sim, aqui é o Mauricio, mas  eu não sou pastor. 

– Ah, desculpe, pastor.

Não tem jeito. Basta eu falar em um microfone que fatalmente serei “ordenado por aclamação”, como costumo brincar. A pergunta que comecei a me fazer é: por quê? A resposta pode parecer óbvia, mas, para mim, ela é reveladora sobre algo que temos feito errado. Jesus chamou todos nós para compartilhar o evangelho. Todos. Sem exceção. A partir do momento em que você é alcançado pela graça, ingressa no grupo dos que são convocados para compartilhar com toda criatura as boas-novas de Cristo. Então, é natural que um cristão pressuponha que todos os seus irmãos tenham o hábito de pregar o evangelho. Eu pressuponho isso sobre meus irmãos. Se você é crente em Jesus, automaticamente isso me faz pensar que é um proclamador das boas-novas. Mas a realidade é que a esmagadora maioria dos cristãos que conheço não está habituada a compartilhar o evangelho. 

Criou-se em uma enorme parcela da igreja a ideia de que pregação é algo para indivíduos ordenados para o ministério pastoral por uma organização eclesiástica. Ou seja: pastores. Em especial em determinadas denominações, a pregação virou exclusividade dos pastores. Portanto, é natural para quem vive uma situação assim que, ao me ver pregando em um púlpito ou uma plataforma, imediatamente pressuponha que sou alguém que ocupa o cargo de “pastor de igreja”. E isso me preocupa. 

pastor 2“E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço…” (Ef 4.11-12). Veja que há uma diferenciação explícita entre pastor, evangelista e mestre. Portanto, quando subo a um púlpito ou uma plataforma para falar a um grupo de pessoas sobre o evangelho, posso estar exercendo um chamado de mestre. Ou de evangelista. Não necessariamente o de pastor. Mais do que isso, posso estar simplesmente cumprindo, como filho de Deus, aquilo que Jesus mandou que eu e você fizéssemos: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado…” (Mt 28.19-20); “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura” (Mc 16.15). 

Claro que é de se esperar que aqueles que foram chamados a exercer o ministério pastoral em cargos institucionalmente estabelecidos tenham um conhecimento teológico mais aprofundado que as demais pessoas, pelo fato de terem dedicado muito tempo ao estudo das coisas de Deus e de viverem no dia a dia os conflitos e as dores do rebanho. A experiência e o conhecimento que acumulam os capacitariam a ministrar com muito mais propriedade e, por isso, é indispensável que quem prega se prepare e saiba o que está falando. Não dá para se pregar sobre o que não se sabe, evidentemente. Mas não necessariamente é uma verdade universal que só os tais devem exercer a atividade da proclamação, pois é fato que há muitos e muitos cristãos que não são pastores ordenados por uma igreja mas estudaram teologia, leem avidamente sobre as coisas de Deus, têm profundo conhecimento bíblico, exercem dons de socorro e misericórdia e são plenamente capazes de pregar o evangelho, amparar pessoas, oferecer conselhos, interceder.

pastor 3Portanto, oligopolizar a ideia da pregação e do discipulado como se fossem atribuições exclusivas de pessoas que ocupam o cargo de pastores ordenados por denominações eclesiásticas é distorcer o texto bíblico e a realidade da práxis cristã. Não é isso o que diz o “ide”, a grande comissão. E é jogar nas costas dos pastores ordenados todo o peso de uma responsabilidade que é de todos nós. Não terceirize a proclamação do evangelho: se você é cristão, ela é tarefa sua. 

Confesso: ser chamado de pastor só porque prego em um microfone me incomoda. Não pelo fato de ser chamado de pastor, de maneira alguma, isso é uma honra. Acredito e valorizo profundamente o ministério pastoral. Sou eternamente grato a pastores que cuidaram e cuidam de minha vida. Quem me conhece sabe quanto valorizo o belo ministério daqueles que dedicam a vida a pastorear pessoas com seriedade, temor, um coração abnegado e amor por seres humanos. De modo algum este minha reflexão deve ser usada como uma condenação à ordenação pastoral, pois não é: acredito nela. Mas fico incomodado por ver como está introjetada na mente de muitas e muitas pessoas a ideia de que só está capacitado a proclamar as boas-novas de Cristo quem ocupa o cargo institucional de pastor. 

É preciso que fique claro que todos fomos chamados para proclamar as boas-novas. Os dons são distribuídos a quem Deus quer. Os chamados “dons ministeriais” inclusive. Uns foram chamados e capacitados por Deus para ensinar, outros para pastorear. Mas todos os cristãos têm o “ide” a cumprir. Isso torna perfeitamente aceitável – e desejável – que qualquer pessoa com conhecimento pregue ou ensine sobre o evangelho, num púlpito, numa plataforma, numa sala de aula, num presídio, num cemitério, no meio da rua, numa boate, no ônibus, nos confins da terra. E isso serve para você. Se você não se sente suficientemente preparado para pregar, saiba que a solução para a sua carência de conhecimento não é deixar de fazer o que tem de fazer, mas, sim, se capacitar para fazer. 

pastor 4Toda essa reflexão nos conduz a alguns questionamentos: você tem proclamado o evangelho? Tem compartilhado as boas-novas de Cristo? Tem ensinado sobre amor, perdão, paz, confiança, fé? Sua boca tem sido canal de evangelização, edificação, bênção, pacificação? Peço a Deus que deixemos de crer que pregação é uma atribuição exclusiva de quem ocupa um cargo, pois pastorear não significa pregar e pregar não significa pastorear. Que comecemos a trazer para nós essa responsabilidade, para somarmos esforços com os pastores ordenados – de quem somos aliados e não competidores e, muito menos, substitutos. Se isso acontecer, creio que a mentalidade de que só pastores ocupam púlpitos para falar de Cristo desaparecerá. É uma utopia, eu sei. Mas confesso que este é o meu sonho: que, ao descer da plataforma após pregar o evangelho, eu seja chamado, simplesmente, imediatamente e sempre, de “irmão”. Pois, no dia em que isso acontecer, será sinal de que os cristãos passaram a perceber que, em essência, tudo de que alguém precisa para ir por todo o mundo e pregar o evangelho a toda criatura é ser um filho de Deus.

Você é um filho de Deus? Então, prepare-se: essa tarefa é sua. O que está esperando?

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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sofrimento 1Não deveria ser assim. Mas a realidade é que existem milhares de cristãos que se sentem sozinhos, sofrem calados, vivem achatados pelo peso da angústia sem ter quem os ajude a solucionar seus dramas, sem ter nem ao menos com quem desabafar sobre seus sofrimentos e dores. Fico muito triste ao ver a enorme quantidade de irmãos e irmãs em Cristo que me procuram pelo APENAS, pelas redes sociais ou nos eventos em que prego e palestro em busca de orientações para suas angústias silenciosas e solitárias. Na maioria das vezes, o que detecto é que muitos só queriam mesmo era pôr para fora. Desabafar. Não têm com quem chorar, esmagados por suas dores e duplamente esmagados por não ter com quem falar sobre elas. Sofrem calados, devorados por dentro. O único ombro amigo que têm é o de Jesus, pois os servos de Jesus não estão dando conta do recado. 

Não são poucos, acredite. Tenho visto uma enorme quantidade de irmãos e irmãs que ostentam sorrisos de aparência e se mantêm heroicamente calados na frente das demais pessoas, mas que, na verdade, tudo o que queriam era gritar, chorar e pedir pelo amor de Deus que alguém os ajude, aconselhe ou, pelo menos, os escute e chore com eles. Mas… ninguém parece se importar de fato. Esses sofredores respondem a cada “Tudo bem?” com um sofrido “Tudo bem, graças a Deus”, por perceber que a pergunta foi, na verdade, uma saudação educada e não uma indagação sincera sobre o estado de sua alma. E, assim, seguem sofrendo, calados, angustiados e solitários, na esperança de um milagre que parece nunca chegar. 

sofrimento 2Maridos desonrados e desrespeitados, irmãs abusadas e carentes, adolescentes rejeitados, cônjuges infelizes, cristãos  deprimidos… os sofredores solitários não encontram limites de sexo, idade, ministério ou o que for. Alguns não encontram com quem se abrir porque todos esperam que eles sejam super-heróis espirituais, imunes a problemas. Outros, porque ninguém demonstra um interesse real por sua vida. Há, ainda, os que até buscam com quem conversar, mas tudo o que encontram é um anticristão “vamos orar” que não ajuda em nada. Pessoas feridas, aprisionadas pela agonia de sua solidão, escravas do desinteresse alheio. “Alegrai-vos com os que se alegram e chorai com os que choram” (Rm 12.5) são, para elas, apenas palavras vazias, pois não encontram aplicação prática na sua vida. Afinal, ninguém dá um passo à frente para chorar com elas. 

De quem é a culpa por esse problema epidêmico dentro das igrejas? Minha e sua.

sofrimento 3Eu e você somos os culpados pela dor dessas pessoas. O marido que é obrigado a conviver com uma esposa arrogante, agressiva, briguenta e desrespeitosa, por exemplo, não tem muito o que fazer, pois nenhuma esposa sem sabedoria muda por pressão do marido. Mas a Igreja de Cristo poderia agir na vida dele, dando amparo, amor, conselhos, ombro e a consequente orientação para essa esposa rixosa, a fim de que ela enxergue seus erros e mude de fato. Porém, como existe a filosofia de que “em briga de marido e mulher não se mete a colher”, ninguém quer se envolver, intervir, aconselhar, orientar. Nós optamos por permanecer omissos. Muitas vezes, tudo de que aquela esposa briguenta e mandona precisava era de alguém de fora que lhe dissesse que, sim, ela está errada, e apontasse caminhos, como a Bíblia orienta: “Exortai-vos mutuamente cada dia, durante o tempo que se chama Hoje, a fim de que nenhum de vós seja endurecido pelo engano do pecado” (Hb 3.13). O mesmo vale para maridos que não lutam pelo bem-estar do lar, claro. 

Pastores e líderes, então, muitas vezes são pessoas extremamente solitárias, que sofrem caladas com preocupante frequência. Como a igreja espera que sejam quase homens de gelo, sem emoções ou problemas, donos de uma fé acima de toda humanidade, eles acabam se isolando na solidão de seu cargo, vivendo em santa hipocrisia imposta, porque nós, membros sem coração de suas igrejas, não admitimos que pastores tenham dúvidas, dores ou angústias, que sejam gente como a gente. Culpa nossa. E, por isso, eles seguem, sofrendo em seu ministério, muitos em processo de depressão, com problemas no casamento, com agonias causadas pela pressão do pastoreio, com milhões de preocupações… mas sem encontrar apoio em ninguém. 

Vemos pessoas que saem do culto sozinhas e caminham a passos tristes e arrastados para a solidão de sua casa, sem nos importarmos com elas, enquanto saímos sorridentes com a nossa patota de sempre para comer uma animada pizza pós-culto. Afinal, já que estamos satisfeitos e acomodados com nossa vidinha cristã que não estende a mão a ninguém, para que nos dedicarmos aos outros, não é mesmo? Deixa como está. Por que abrir mão de nosso precioso tempo para ofertá-lo aos sofridos? E assim seguimos, sem viver de fato o que Jesus espera de sua igreja. E, apesar de ler este texto e sentir certo incômodo no coração, você continuará agindo exatamente do mesmo modo, sem nenhuma real mudança. Ou não?

sofrimento 4Muitos desses sofredores solitários até se inscrevem em departamentos da igreja, na esperança de viver um pouco do calor humano que, supõem, deveria haver entre os irmãos, mas só encontram um interesse pouço real por sua vida, aquela coisa meio obrigatória, afinal, “ele faz parte do grupo e a gente tem de dar atenção a ele”. Se um dia ele se desligar do grupo, porém, perceberá que o interesse por sua vida era meramente institucional e não verdadeiro. Ninguém mais o procura, o chama para sair, liga para saber como ele está. E assim seguimos, cercados por legiões de cristãos sofredores, que se calam pelas mais variadas razões e vivem suas angústias com, no máximo, o famigerado “vamos orar”.  Acredite: há muitos desses ao nosso redor, perfumados e maquiados, ostentando sorrisos pré-fabricados no rosto, mas carcomidos emocionalmente. 

Meu irmão, minha irmã, o evangelho é sobre relacionamentos. É sobre se intrometer, sim, na vida do outro, como um médico que intromete seu bisturi na carne do paciente para encontrar debaixo da pele, naquele lugar em que ninguém consegue ver além das aparências, onde está a causa da dor do próximo. E tratá-la. Individualismo não existe no cristianismo, o que existe é coletividade, onde todos sentem a dor de todos. Fora disso não há reino de Deus, não há evangelho, não há Igreja. Sim, a coisa mais importante no cristianismo são os relacionamentos: com Deus, primeiro, e com o próximo. Esse é o maior mandamento, apresentado em outras palavras. 

Ao falar sobre aquele grande dia, que a todos nós espera, Jesus profetizou: “… então, dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai! Entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo. Porque tive fome, e me destes de comer; tive sede, e me destes de beber; era forasteiro, e me hospedastes; estava nu, e me vestistes; enfermo, e me visitastes; preso, e fostes ver-me” (Mt 25.34-36).  Essa passagem fala sobre o quê? Caridade? Não. Fala sobre relacionamentos.

sofrimento 5Fala sobre interferir na vida do próximo, saciando a sede e a fome não só de comida e bebida, mas de amor, preocupação, interesse, calor humano. Há entre nós irmãos e irmãs desesperados e silenciosos, mirrando pela falta do nosso interesse amoroso e genuíno. Muitos estão enfermos de alma, esperando em agonia  por uma visita, uma conversa ou um abraço que ajude a aliviar a dor de seu coração. No culto  a que você vai todo domingo, cruza com irmãos e irmãs que se encontram presos em jaulas de solidão, em presídios de angústia, apenas esperando por alguém que se importe. Também somos cercados por legiões de forasteiros, gente que dorme debaixo das marquises da falta de ter com quem conversar, que pedem socorro em idiomas que parece que ninguém entende, apenas aguardando por um servo bom e fiel que, com preocupação real, os hospede em seu coração e em sua vida.

O que você tem feito pelos famintos, sedentos, enfermos, presos e forasteiros? Nada? Então ouça o que Jesus tem a lhe dizer: “Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos. Porque tive fome, e não me destes de comer; tive sede, e não me destes de beber; sendo forasteiro, não me hospedastes; estando nu, não me vestistes; achando-me enfermo e preso, não fostes ver-me” (Mt 25.41-43). 

Meu sonho é parar de receber desabafos e pedidos de socorro pelo blog e inboxes pelo Facebook de gente que sofre em silêncio. Não aguento mais ver tanta dor, pois a dor deles dói em mim. Quando leio um “me ajude, pelo amor de Deus, não tenho a quem recorrer”, meu coração rasga. Onde estão os seres humanos que convivem com esses meus irmãos e irmãs em Cristo? O fato de cristãos recorrerem a um escritor que mal conhecem e mora a centenas de quilômetros de distância para desabafar, pedir ajuda e tentar compartilhar um pouquinho que seja de sua dor é um sintoma gritante de que a igreja não está sendo Igreja. E à distância é difícil eu fazer qualquer coisa por eles. Onde estão os pastores e os irmãos em Cristo deles? Onde está você?

Este é um texto sobre amor. Amar de verdade significa doar-se. O contrário de amor não é ódio, como muitos pensam, mas egoísmo. Eu fico louco quando ouço um pregador dizer à igreja: “Quem veio aqui esta noite para receber a sua bênção?”. Por quê? Porque culto não foi feito para ser um evento de recebimento de bênçãos. Nós não vamos ao culto a fim de buscar bênção coisíssima nenhuma, vamos para cultuar Deus em conjunto com os irmãos. Em coletividade. Dando as mãos não só fisicamente, mas espiritualmente. Olhando para quem está ao nosso lado e enxergando-o de fato, preocupando-se com ele, imergindo nas angústias dele. A pergunta certa deveria ser “Quem veio aqui esta noite para abençoar os seus irmãos?”. Aí teríamos uma pergunta cristã. 

sofrimento 6Perdoe-me, por favor, o desabafo. Mas o APENAS é, para mim, também um meio de compartilhar o que sofro na minha solidão. E tem me angustiado profundamente o sofrimento solitário de tantos cristãos que recorrem a mim porque dizem não ter mais a quem recorrer. Eu vinha vivendo isso calado, mas hoje resolvi pôr para fora. Você compartilha da minha dor? Você está disposto a chorar comigo? Então, por favor, o melhor meio de fazer isso é sendo parte da solução. Viva a partir de hoje observando os calados, os que choram nos últimos bancos, os que sorriem com a boca mas não com os olhos. Preste atenção aos maridos desrespeitados, às esposas abandonadas, aos adolescentes solitários, aos idosos sofredores, aos líderes deprimidos. Pense naqueles que deixaram o convívio e você nem sabe por quê. Telefone para eles. Oferte-se ao próximo. Mergulhe na vida dessas pessoas. Ouça-as com real interesse e não por obrigação. Intervenha, sim, na vida delas, assim como Jesus interveio na nossa ao meter a colher nas lutas da humanidade e se fazer carne para sanar nosso maior problema. É bíblico. Faça isso, pelo amor de Deus e por amor ao próximo. Os sofredores silenciosos e solitários estão à sua espera. O que você vai fazer a respeito?

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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EU-NÃO-SEI 1Na sociedade em que vivemos desenvolveu-se a ideia de que todo mundo tem de saber tudo sobre tudo. Se você não tem uma opinião sobre absolutamente qualquer assunto, é como se fosse uma pessoa inferior, desinformada, alienada. Futebol? Você precisa ter um parecer sobre todos os jogos da rodada. Música? Você tem de saber tudo sobre todos os cantores da moda. O noticiário do dia? É imperativo saber das notícias antes de todo mundo. Essa ditadura da informação quer nos obrigar a saber tudo, o tempo todo, a toda hora, e precisamos ter uma opinião formada sobre absolutamente todos assuntos. Só que isso é impossível! Eu e você sabemos pouco ou nada sobre a maioria das coisas. Por isso, a posição mais verdadeira – logo, cristã – que podemos ter é dizer: “Eu não sei”. Assim, você evitará falar sem base e viverá com muito mais sinceridade. 

Peguemos, por exemplo, a teologia, área em que, se você diz “eu não sei”, costuma ser imediatamente diminuído, desmerecido. O que você acha das cinco vias de Tomás de Aquino? Eu não sei. Qual é a sua opinião sobre o Sínodo de Dort? Não tenho conhecimento suficiente. Qual é sua visão sobre a teoria escatológica amilenista? Preciso conhecer melhor o assunto antes de responder a isso. Qual é sua opinião sobre o pensamento de Abraham Kuyper? Não li o suficiente para dizer. Qual é seu entendimento sobre os cristãos adenominacionais? Nenhum, preciso conhecer mais. O que você sabe sobre a relação entre o pensamento agostiniano e o platônico? Nada. O que você acha da bênção de Toronto? Preciso me informar melhor. Como você vê o papel do estilo musical no louvor? Não sei o suficiente para ter uma opinião. Por que uma pregação deve ser expositiva? Nunca parei para pensar sobre isso. 


EU-NÃO-SEI 3Essas são respostas dignas, se representarem a verdade. É muito mais cristão dá-las do que emitir um parecer, fazer afirmações ou dar pitacos sobre algo que você simplesmente não sabe. E não há vergonha em não saber, porque ninguém sabe tudo sobre tudo, isso é uma ilusão. Temos de aprender a responder dignos “eu não sei” e, a partir da percepção de que ignoramos algo, buscar conhecer esse algo. Isto, aliás, é fun-da-men-tal: não estou defendendo que, se você não domina determinado assunto, deve acomodar-se à ignorância; o que defendo é que, se você não sabe de algo, primeiro, confesse a verdade e, depois … vá se informar! Corra atrás. Estude. Identifique as lacunas do seu conhecimento e procure preenchê-las. Vergonha não é não saber, vergonha é, uma vez constatado que não se sabe, continuar sem buscar saber. 

Eu, por exemplo, não acompanho futebol. É algo pessoal, simplesmente o assunto não me interessa. Imagine, então, como é quando meus amigos de escola se reúnem e começam a falar sobre o jogo de ontem. Eu fico quieto, pois… eu não sei. Não tenho informações nem conhecimento para debater o tema. Portanto, me calo. Como não é algo que mudará minha vida, deixo para lá, diferentemente dos assuntos da fé, que me são essenciais: quando percebo que me falta conhecimento sobre algum tema da teologia, que me é importantíssima, confesso publicamente que não sei nada sobre aquilo e parto avidamente em busca daquele conhecimento. 

EU-NÃO-SEI 4Um exemplo: há algum tempo assisti ao vídeo da pregação de um pastor de uma igreja tradicional em que ele discorria sobre o movimento pentecostal. Eu gostava de acompanhar pedacinhos de pregações que ele costuma soltar nas redes sociais. Mas, naquele dia, ouvir aquele sermão inteiro… foi um show de horrores. De púlpito, ele fez toda uma exposição completamente errada. Baseou sua palestra em ideias bizarras e totalmente desencontradas da realidade. Para você ter uma ideia, ele disse que o pentecostalismo se sustenta  em três características: confissão positiva, equivalência de Deus e o Diabo, e crença na intocabilidade dos sacerdotes. Embora é inegável que há pentecostais que creem, sim, nesses pontos, de longe não é verdade que esses três aspectos definem o pentecostalismo. Todo pentecostal ou mesmo qualquer cessacionista que tem conhecimentos elementares sobre o movimento pentecostal sabe disso. A confissão positiva, por exemplo, é uma heresia neopentecostal que, inclusive, é combatida por muitos pentecostais. Deu pena do pastor, confesso, pois o que ele “ensinou” para os membros de sua igreja (e ainda postou na Internet) simplesmente não é verdade. Seria mais digno pesquisar melhor ou… não falar nada. Até porque é a credibilidade da pessoa que está em jogo. Eu, por exemplo, parei de assistir aos vídeos que esse estimado pastor publica nas redes sociais depois de ver aquela demonstração gritante de desconhecimento. 

Esse exemplo é apenas um de muitos. Precisamos ter a humildade para aprender a dizer “eu não sei”. Durante os nove anos em que lecionei em seminário teológico, muitas vezes fui questionado por alunos acerca de questões cujas respostas eu desconhecia. O que eu fazia nessas horas era simplesmente confessar minha ignorância e pedir que me dessem alguns dias para que eu pesquisasse a resposta. Isso não só era o que de mais honesto eu poderia fazer, como me permitiu crescer enormemente, pois cada buraco que eu constatava no meu conhecimento era uma oportunidade de tampá-los correndo atrás do que eu não sabia. 

EU-NÃO-SEI 5Meu irmão, minha irmã, ninguém nasce sabendo de tudo. E ninguém morre sabendo de tudo. Nesse intervalo de tempo entre nascimento e morte, temos a oportunidade de crescer no conhecimento das coisas. Agarre-se a essas oportunidades: leia livros, assista a documentários, leia livros, faça cursos, leia livros, converse com pessoas mais experientes, leia livros, participe de congressos, leia livros, envolva-se em grupos de debate ou estudo, leia livros, assista a boas palestras e pregações, leia livros. Ah, sim, e não poderia esquecer: leia livros. Mas, enquanto você não dominar certos assuntos, assuma com sinceridade e hombridade a sua ignorância. E parta em busca de fontes de informação sobre tais assuntos. 

Nas coisas de Deus, então, isso é imprescindível. Pois dar opiniões flácidas ou emitir pareceres claudicantes sobre temas importantes da fé é ser irresponsável com o que há de mais importante na existência humana. Nas redes sociais é comum vermos comentários postados sobre determinadas discussões que nos entristecem, pela profusão de erros ou falta de embasamento. Muitas vezes, a melhor postura seria simplesmente não escrever nada. Ouvir mais. Falar menos. Até porque… você já parou para pensar que ninguém é obrigado a dar uma opinião sobre todo e qualquer assunto? E, como não existe essa obrigatoriedade… por que opinar, quando não se conhece o suficiente para isso? Evitaria erros, vergonha, a sua desqualificação aos olhos dos demais, influência equivocada sobre outros e problemas similares. 

O jejum é uma prática bíblica. Por isso, gostaria de propor um tipo incomum de jejum: a abstenção de emitir opiniões sobre o que não se sabe bem. Tenho certeza de que, se fizermos isso, viveremos num ambiente muito mais rico em informações corretas e, também, em sinceridade e verdade. Se isso vai dar certo? Bem, confesso que… eu não sei.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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