Arquivo da categoria ‘Evangélicos’

Deus está no controle 1­Deus está realmente no controle das coisas? Ele já tem tudo previsto ou existe margem para mudanças nos planos divinos? Se o Senhor está no controle, até onde vai sua esfera de intervenção nas coisas do mundo? Livre-arbítrio é uma heresia arminiana? Ou determinismo é uma heresia calvinista? É fato que o Todo-poderoso não está por trás das catástrofes, como alega o teísmo aberto? Como se explica a história de Ezequias, o rei israelita que ganhou 15 anos a mais de vida após orar a Deus? Se o Senhor já sabia que a humanidade pecaria, por que a criou? Se Jesus veio à terra para morrer por nossos pecados, por que pediu ao Pai que afastasse dele o cálice do sofrimento? Se Jesus é descendente de Davi por meio de Bate-Seba, a mulher com quem o rei adulterou, Deus queria que esse adultério ocorresse? Questões como essas dão nó nos neurônios de muita gente, para quem a grande equação por meio da qual Deus conduz o universo é um enigma incompreensível e insolúvel. Esta semana vivi uma experiência que me fez pensar muito sobre como o Senhor age em nossa vida.

Perdão Total_Capa 3D em altaDesde que foi lançado meu mais recente livro, Perdão Total — Um livro para quem não se perdoa e para quem não consegue perdoar, tenho sido convidado para pregar ou palestrar sobre o assunto em diferentes cidades do país. Domingo passado, estava agendado para que eu pregasse na Igreja Batista Jardim Icaraí, em Niterói (RJ). Como eu não dirijo, um casal querido, Ana e Renato, se dispôs a sair de Niterói e me pegar em casa, em Botafogo, bairro do Rio de Janeiro. Ficou combinado que eles me pegariam às 18h, pois o culto começava às 19h30. Iríamos eu, minha esposa e minha filha de 4 anos. Só que o imprevisto ocorreu, com toda força.

No meio da tarde, um temporal desabou sobre a cidade. Foi um daqueles aguaceiros que dão reportagem em jornais, com ruas alagadas, trânsito parado e caos. Resultado: depois de muito penar para chegar até meu prédio, fugindo de bolsões de água e trechos intransitáveis, Ana e Renato conseguiram estacionar, ilesos, no posto de gasolina em frente ao meu edifício. Só que já eram 19h e a chuva não dava sinal de trégua. Assim que chegaram, Ana me telefonou e tentei ir até eles, mas minha rua tinha virado um rio e era impossível dar um passo fora da portaria. Conversamos, então, por telefone e, depois de eles terem consultado o seu pastor, todos vimos que não conseguiríamos chegar à igreja a tempo do culto. Resultado: de comum acordo, decidimos adiar minha ida para outro dia. Depois de um tempo, as águas começaram a baixar e consegui fazer um malabarismo para ir até eles. Conversamos pessoalmente e a decisão foi reafirmada.

Confesso que subi de volta para meu apartamento decepcionado e questionando Deus. Já no elevador, eu comentava com o Senhor que não entendia aquilo. Será que ele não queria que eu compartilhasse a mensagem do perdão com os membros daquela igreja? Claro que tenho o entendimento de que o temporal não caiu só por minha causa, mas, como eu também sou uma letra na equação divina, entendo que minha vida também é incluída nas decisões de Deus. Assim como a sua. Assim como a de qualquer pessoa. Fato é que fiquei triste por não poder ir até Niterói pregar sobre um assunto que considero extremamente urgente.

E foi então que a história deu uma guinada.

Deus está no controle 2Cerca de vinte minutos depois de ter chegado em casa, minha filha, que passou o dia inteiro bem disposta, estava arrumada e animada para sair e ficou bem triste por não termos ido à igreja, começou a reclamar de dor de cabeça. Em minutos, a dor ficou extremamente forte e ela passou a sentir um mal-estar generalizado. De repente, o susto: a pequena se revirou na cama e vomitou em profusão. Enquanto eu limpava a sujeira, sua mãe a levou ao banheiro para lavá-la. Lá, mais vômitos. Achei que a crise tinha acabado. Dei-lhe um pouco de água para beber e deitamos no sofá da sala para assistir a uma apresentação de balé. Em poucos minutos, a pequena começou a acusar nova dor de cabeça e mal-estar. Virou-se para o lado e vomitou pela terceira vez, agora no chão da sala.

Foi quando percebi que a coisa ia além de um simples enjoo e tomei a decisão de levá-la para o hospital. Como alguém que já passou três dias internado em um CTI por infecção intestinal grave, levo muito a sério esse tipo de sintomas. Assim, nos vestimos rápido, descemos, vimos que a água já tinha baixado o suficiente para sairmos, pegamos um táxi e disparamos para a emergência pediátrica. Chegamos ao hospital e logo fomos atendidos. Assim que entrou na sala do médico, minha filha vomitou novamente, com espasmos bastante fortes. Seu estômago estava vazio e quase não saía mais nada. Depois dos exames preliminares, entramos na sala de atendimento de emergência, onde, enquanto aguardava para tomar uma injeção, a pequena vomitou pela quinta vez. A dor de cabeça era grande. O mal-estar e a moleza, generalizados. O médico decidiu fazer uma tomografia computadorizada da cabeça.

Vou resumir as três horas e meia seguintes, passadas entre exames e tratamentos, em um parágrafo: graças ao atendimento rápido, minha filha pôde ser liberada naquela mesma madrugada do hospital. Os médicos não conseguiram determinar o que ela teve, mas as suspeitas vão de intoxicação alimentar a viroses. A medicação rápida contribuiu muito para seu quadro não piorar. Ela ficou dois dias em casa, de repouso, ainda com dores, febre e enjoos, mas, com o tempo, o problema passou.

Deus está no controle 3Fiquei pensando. Se tivéssemos ido a Niterói, minha filha passaria mal longe de casa, talvez presa em algum engarrafamento, talvez momentos antes de eu subir ao púlpito para pregar. Imagine como teria sido. Tudo é um grande “talvez”, mas uma coisa é certa: o fato de estarmos em casa quando ela passou mal foi decisivo para que fosse rapidamente socorrida e, seja lá o que a tenha acometido, o mal ter sido debelado com o mínimo de dor e desconforto. Quem sabe, até, uma demora no socorro poderia ter agravado o quadro e gerado problemas mais severos.

E aí fica a pergunta: será que Deus me impediu de ir a Niterói para que eu pudesse socorrer minha filha? Teria ele sacrificado a pregação naquele dia específico em prol do que ele sabia que aconteceria com minha pequena? A resposta é que não sei, é muito complexo pensar sobre isso e eu não sou onisciente. Não tenho como afirmar nada. Mas, quando olho para a Bíblia, vejo que “O Senhor faz tudo com um propósito” (Pv 16.4). Mais ainda, percebo que “Sabemos que Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam, dos que foram chamados de acordo com o seu propósito” (Rm 8.28). Então, ao ler verdades como essas, solidifico em meu coração uma realidade: nada do que aconteceu foi à toa.

O acaso não existe. Sorte é um conceito antibíblico. O que prevalece é a soberania de Deus. E, nessa soberania, o Senhor fez com que, em meio a milhões de cariocas e niteroienses afetados pelo temporal de domingo, eu não fosse pregar conforme tinha sido planejado e, assim, estivesse em casa para socorrer com agilidade minha filha. Se você me perguntar se foi coincidência, vou sorrir, com toda a certeza do mundo de que Deus teve um propósito no que ocorreu e que ele agiu para o nosso bem.

Meu irmão, minha irmã, preste mais atenção às coisas que acontecem em sua vida. Não digo só as grandes; as pequenas e insignificantes também. Pois, se tudo Deus faz com um propósito e em todas as coisas ele age pelo bem dos que ama, lembre-se que tudo significa tudo. E todas as coisas significa todas as coisas. Não uma parte, não uma parcela, não umas e não outras. Tudo. Todas as coisas. Esse é o Deus da Bíblia.

Deus está no controle 4Com essa percepção, você vai passar a perceber a ação de Deus no engarrafamento, no chuveiro que pinga, no calor abrasador, no mendigo que lhe pediu dinheiro, no atraso do dentista, na gata que fugiu de casa, na topada do pé. Há gente que brinca com quem atribui tudo ao Diabo, criticando quem diz que “queimou o arroz, é culpa do Diabo”. Eu discordo. A “culpa” é de Deus. Pois ele tinha em mente aquele arroz queimado. Para quê? Sei lá! Mas ele sabe. A vida é uma grande engrenagem, que tem como finalidade nos conduzir à vida eterna, em Cristo. Como tudo isso funciona eu não faço ideia, os pensamentos do Senhor são muito mais elevados do que os meus para que eu consiga compreender. Mas de uma coisa eu sei: eu não preciso saber todos os mistérios do Senhor nem conseguir explicá-los, pois basta compreender que Deus sabe tudo. Peço apenas que ele me tome pela mão e conduza meus passos. Em outras palavras, “seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu” (Mt 6.10).

Digam o que quiserem, Deus está no controle. Uns chamam de sorte, eu chamo de Deus. Uns chamam de acaso, eu chamo de Deus. Uns chamam de livre-arbítrio, eu chamo de Deus. Uns chamam de determinismo, eu chamo de Deus. Chamem do que desejarem, elaborem as teorias teológicas que quiserem, a resposta será sempre uma só: Deus. E, com isso em mente, devemos fazer a nossa parte e, em seguida, agir como recomendou o salmista: “Entregue o seu caminho ao SENHOR; confie nele, e ele agirá” (Sl 37.5).

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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teimoso 1Ao longo de toda a minha vida, sempre ouvi pessoas próximas dizerem a mesma coisa sobre mim: eu sou muito teimoso. Minha mãe dizia isso, minha esposa diz isso. Então creio que não tem para onde fugir: eu sou teimoso. Esse adjetivo sempre me perseguiu, como um mosquito que teima em ficar zunindo perto da nossa orelha quando queremos dormir: incomoda e parece que nada faz ir embora. Recentemente resolvi, então, pensar sobre o assunto, porque, se é um defeito, preciso fazer algo para mudar. Minhas reflexões me levaram a perceber duas coisas: primeiro, precisamos definir o que exatamente significa ser teimoso. Segundo, se isso é algo realmente ruim ou se pode ser visto como uma qualidade. Você é teimoso? Então me acompanhe nesse raciocínio, que pode lhe ser útil.

A Bíblia só menciona a palavra “teimosia” uma única vez, num contexto não muito agradável: “O meu povo não me quis escutar a voz, e Israel não me atendeu. Assim, deixei-o andar na teimosia do seu coração; siga os seus próprios conselhos. Ah! Se o meu povo me escutasse, se Israel andasse nos meus caminhos!” (Sl 81.11-13). Nessa passagem fica claro que a teimosia é algo ruim, sim, mas quando ela significa a persistência em contrariar a vontade de Deus. Logo, se você é teimoso por saber que as Escrituras estipulam algo e você insiste em fazer diferente… cuide-se.
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Você sabe que não deve namorar em jugo desigual mas insiste nesse namoro? Seu trabalho te leva a praticar pequenas ações ilegais? Você dá propina a fiscais, presta serviços sem emitir nota fiscal ou faz caixa dois? Você é arrogante e teima que não tem nada de errado com isso? Você sabe que não deve devolver mal com mal, mas não consegue deixar de dar aquelas alfinetadas? Você persiste em “defender a fé” com agressividade, porque, afinal, aquele pastor que você admira também é agressivo com “os ímpios”? Você vive fazendo o contrário daquilo que seus pais determinam? Você pratica regularmente atividades sexuais ilícitas e não se interessa em buscar ajuda? Enfim, você teima em fazer algo ou em ter um tipo de comportamento que não se encaixa no padrão bíblico?
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Então a resposta de Deus para você é: “Ah! Se o meu povo me escutasse…”.
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A Bíblia usa com mais frequência um sinônimo de teimosia: “obstinação”. Vemos povos e pessoas serem chamadas nas Escrituras de “obstinadas”, como em “Disse o SENHOR a Moisés: O coração de Faraó está obstinado; recusa deixar ir o povo” (Êx 7.14) e “Ouvi-me vós, os que sois de obstinado coração, que estais longe da justiça” (Is 46.12). Esses casos sempre apontam para pessoas que são criticados por Deus porque a sua teimosia é em fazer justamente o contrário da vontade divina.
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A coisa ficou feia, não é? Bem, não necessariamente. A boa notícia para os teimosos é que a teimosia pode ser algo positivo. Quando? Justamente quando ela nos leva a fincar o pé naquilo que está de acordo com a vontade divina.
teimoso 2Assim: você é teimoso porque persiste em ser cristão em meio a uma família que vive reclamando porque você vai à igreja? Você insiste em fazer o que é certo no trabalho, embora todos os colegas do seu setor tenham práticas erradas? Você é tratado mal por colegas de escola porque se recusa a dar cola? Você não entra em debates e discussões teológicas secundárias nas redes sociais porque prefere pacificar do que polemizar, embora muitos insistam que você se pronuncie? Você se recusa a revidar, por mais que te agridam? Você teima em ser bom, justo e fiel; embora viva numa sociedade que prega que vale tudo para se dar bem? Você se submete ao marido em amor, embora as suas amigas feministas achem isso o fim da picada? Você ama a sua esposa como Cristo amou a Igreja, embora os seus amigos fiquem fazendo piada e te chamando de “banana”? Enfim, por mais que ponham muita pressão, você é teimoso o suficiente para fazer o que é biblicamente correto?
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Então, parabéns. O que Deus tem a dizer a você é: “Ah! Que bom que o meu povo me escuta…”.
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No que se refere a ser teimoso para fazer o que é certo diante de Deus, o que muitos chamam de “teimosia”, eu chamo de “ter convicções firmes”. É não negociar aquilo que é inegociável. É ser uma casa construída sobre a rocha, que não barganha suas crenças e seus valores.
teimoso 3Você é considerada uma pessoa teimosa? Então está na hora de refletir, com total e absoluta honestidade e transparência, sobre para onde sua teimosia está apontando: em direção à vontade de Deus ou na direção contrária? A sua teimosia faz de você uma pessoa melhor ou alguém intratável? Pense, à luz da Bíblia, e, a partir das suas conclusões, tome a atitude certa. Se for preciso mudar, faça isso o mais rápido possível. Se for para permanecer fiel à verdade, não a negocie. Como distinguir? Na dúvida, procure bons conselheiros, que te vejam de fora e possam dar um parecer honesto e sincero.
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Afinal, ser fiel até a morte é ser teimoso até a morte. O que o espera como resultado dessa teimosia? Nada menos que a coroa da vida.
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Paz a todos vocês que estão em Cristo,
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azedo 1Você já passou por aquela situação em que decide comer um doce acompanhado de um suco e, depois de saborear aquela bomba de açúcar, virou o copo e descobriu que a bebida estava totalmente amarga? Bem, na verdade, o gosto dela estava exatamente igual ao de todas as outras vezes em que você a tomou; porém, desta vez, o fato de ter ingerido aquele montaréu de açúcar antes fez com que o doce do suco fosse anulado. De igual modo, se você põe a mão dentro de um balde de água gelada e depois a enfia em um balde de água quente, ou vice-versa, perceberá que a sensação térmica muda, dependendo da temperatura do meio em que ela estava antes. Ou, ainda, se você vem de uma rua calorenta e entra no ar-condicionado, o alívio é grande; mas, se você sai da neve e entra em um ambiente com ar-condicionado, vai morrer de calor. E se você passa de um lugar escuro para um bem claro, fica ofuscado e dificilmente consegue enxergar direito; mas se sai de um local claro para outro não percebe tanta diferença. Que conclusão tiramos dessas experiências? A condição em que nos encontrávamos antes de determinada situação influenciará de forma decisiva como a viveremos.

Essa também é uma realidade bíblica. O capítulo 7 de Lucas relata certa ocasião em que Jesus foi comer na casa de um fariseu chamado Simão e lá uma mulher que vivia de modo pecaminoso se aproximou, chorando, e passou a lavar e ungir os pés de Cristo com as próprias lágrimas e com unguento. O dono da casa começou a murmurar por esse fato e recebeu uma lição de Jesus, que finalizou dizendo: “Por isso, te digo: perdoados lhe são os seus muitos pecados, porque ela muito amou; mas aquele a quem pouco se perdoa, pouco ama” (v. 47). Esse episódio mostra que as situações que vivemos antes sempre influenciarão espiritualmente o que viveremos depois. No caso daquela mulher, o perdão do ontem influenciou o amor do hoje.

Se tivermos uma compreensão clara sobre isso, conseguiremos extrair lições importantes para nossa caminhada cristã, que nortearão nosso pensamento e nossas atitudes de forma mais ajustada ao que o evangelho propõe. E isso, especialmente, no que se refere à forma como lidamos com pessoas que têm falhas e problemas. Vejamos alguns exemplos.

cruz no olho 1Com essa compreensão, seremos mais misericordiosos ao ver um novo convertido ter dificuldades para se consertar em certas realidades da vida de santidade, por compreender que ele acabou de sair de uma vida inteira de práticas pecaminosas. Ou olharemos com mais compaixão e paciência uma irmã que se fanatiza ao descobrir a sã doutrina, por entender que ela vem de uma longa passagem por igrejas cujas práticas são alheias ao cristianismo puro e simples. Ou, ainda, cuidaremos com muito mais amor e carinho de alguém que se encontra desviado da igreja por ter sido ferido por pastores ou membros e, por isso, ter traumas quanto ao meio eclesiástico. Também desenvolvemos muito mais paciência ao ver jovens cheios de testosterona entrarem em debates intermináveis nas redes sociais por questões secundárias da teologia, por compreender que foram adestrados a se comportar dessa forma devido a experiências anteriores. E por aí vai.

Enfim, o entendimento de que cada ser humano é, hoje, fruto de tudo o que viveu no passado nos conduz a um olhar muito mais misericordioso com relação a suas atitudes. Por isso, fica aqui a recomendação: nunca olhe para alguém somente por aquilo que ele é. Tente entender tudo o que ele viveu antes, para compreender como se tornou aquilo que é. Com essa percepção, você conseguirá ser mais paciente, misericordioso e amoroso com pessoas que apresentam falhas ou dificuldade de se ajustar a uma nova realidade.

E fica o desafio: o que você pode fazer por essas pessoas? Gente que se tornou mentirosa por ter crescido num ambiente em que a mentira era valorizada; gente arrogante, que foi mimada na infância e criada sem preparo para o mundo real; gente materialista, que conviveu a vida inteira com uma família que supervalorizava os bens materiais; gente fofoqueira, que transitou por ambientes em que a fofoca era uma arma de sobrevivência; e tantos outros tipos de gente com falhas. O que fazer por elas?

Primeiro, amá-las.

Segundo, não condená-las.

Terceiro, aproximar-se delas.

Quarto, admoestá-las, com compaixão.

Quinto, influenciá-las, pelo discipulado.

Sexto, ser um instrumento de Deus para transformá-las.

Ninguém nasceu como é hoje. Todos vivemos experiências variadas que nos moldaram ao longo de anos. Se você conhece pessoas que se tornaram problemáticas, quem sabe se tudo o que você viveu na sua vida até hoje não foi para moldá-lo a ser justamente o coração misericordioso de que elas precisam para mudar?

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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orar 1É muito comum no nosso meio cristão prometermos orar por alguém. Sabemos que uma pessoa está em uma situação complicada e nossa resposta imediata costuma ser algo como “vou estar em oração”. Recentemente vi um irmão postar no facebook que estava no hospital e li muitas pessoas escreverem comentários como “em oração”, “estou orando”, “estamos orando” ou algo assim. A pergunta que te faço é: todas as vezes em que você diz que vai orar ou que está orando por alguém realmente você chega a falar com Deus sobre o assunto? Ou é só da boca pra fora?

Tenho reparado que o “vou orar por você” ganhou uma série de significados diferentes, como se fosse uma espécie de “resposta coringa” que serve para diferentes situações e ganha significados distintos em cada uma delas. O primeiro deles é uma espécie de “receba o meu apoio”. É uma forma de dizer que a pessoa estende sua solidariedade ao outro. Por exemplo, alguém diz que está triste e o amigo comenta: “Vou orar por você”… só que, na realidade, não ora. Nunca chega a falar com Deus sobre o assunto. Outro significado é na linha do “como é que ficou aquela situação?”. É como ocorre quando você encontra alguém que estava com um problema que vinha se desenrolando já há algum tempo e, para mostrar que se lembra da questão e se preocupa com o amigo que a está enfrentando, você manda um “continuo orando, viu?”. Mas, de fato, não tirou nenhum período de oração em prol do conhecido.

orar 2Há muitas outras circunstâncias em que a promessa de oração é feita mas não cumprida. É como ocorre no já citado caso da pessoa doente. Muitos dizem (ou escrevem) “em oração”, querendo exprimir, na verdade, “melhoras!”… e não chegam a dobrar os joelhos pelo enfermo nem por um segundo. Ou quando alguém desabafa sobre um problema ou uma angústia por que esteja passando e você encerra a conversa prometendo “vamos orar, vamos orar”, com o significado de “espero que tudo dê certo”. Assim, se você começar a prestar atenção, verá que muita gente se compromete a interceder por algo ou alguém sem nunca chegar, de fato, a cumprir a promessa.

Isso é um problema? Sim, é.

Uma oração não é pouca coisa. Ela é, de fato, uma disciplina poderosa é indispensável na vida cristã. Quando oramos, algo real e concreto ocorre no mundo espiritual e, consequentemente, no material. A oração tem consequências. Ela é fato. Por isso, sempre que você promete que vai orar por alguém e não ora, está deixando de somar à multidão de vozes que recorrem ao Pai por aquela situação. Sua oração faz falta. Deus conta com ela. E, se você não a fizer de fato, um buraco ficará no conjunto de irmãos que intercedem por algo ou por alguém específico.

mentiraOutro problema é, simplesmente, que você mentiu. E a mentira sempre traz más consequências. Lembre-se de que o Diabo é o pai da mentira, logo, nada de bom pode brotar a partir de uma inverdade, mesmo que bem intencionada. “Seja, porém, a tua palavra: Sim, sim; não, não. O que disto passar vem do maligno” (Mt 5.37). Se nos comprometemos com algo, como povo da verdade precisamos cumprir aquela promessa. Uma promessa solene, como a promessa de orar por alguém ou alguma situação, configura um voto; e, como todo voto, tem peso diante dos homens e diante de Deus. A Escritura fala sobre isso: “Não seja precipitado de lábios, nem apressado de coração para fazer promessas diante de Deus. Deus está nos céus,e você está na terra, por isso, fale pouco. Das muitas ocupações brotam sonhos; do muito falar nasce a prosa vã do tolo. Quando você fizer um voto, cumpra-o sem demora, pois os tolos desagradam a Deus; cumpra o seu voto. É melhor não fazer voto do que fazer e não cumprir” (Ec 5.2-5).

Em geral, quem diz que vai interceder em favor do próximo e não o faz não compreende realmente a eficácia da oração nem a angústia no coração de quem precisa dela. Jesus no Getsêmani se entristeceu porque seus discípulos dormiram em vez de compartilhar de seu momento, em oração. Repare bem o que ele disse quando, em angústia de alma, encontrou Pedro e os dois filhos de Zebedeu roncando em vez de em oração: “Depois, voltou aos seus discípulos e os encontrou dormindo. ‘Vocês não puderam vigiar comigo nem por uma hora?’, perguntou ele a Pedro. ‘Vigiem e orem para que não caiam em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca’” (Mt 26.40-41). Acredito que a decepção que Jesus sentiu por seus amigos não estarem em oração por ele é a mesma que ele sente, hoje, quando alguém assume o compromisso de interceder… mas não intercede.

orar 3É importante que “vou orar por você” signifique, exatamente, “vou orar por você”. Que “em oração” signifique que você está de fato tirando momentos regulares de intercessão pela situação. Ou seja, que a promessa resulte numa ação: abrir os lábios e expor ao Senhor o seu pedido. Então, fica aqui a minha recomendação: pense muito bem antes de se comprometer a orar por algo ou alguém, antes de escrever nos comentários das redes sociais que está orando, antes de dizer que fará algo que não fará. Não é pecado não orar por quem precisa, embora não seja muito misericordioso deixar de clamar a Deus por quem necessita da sua oração. Mas, uma vez que você se compromete, deixar de cumprir seu voto é, sim, pecado. Pois é mentira.

A Igreja precisa de intercessores. Você tem essa capacidade. Tudo de que precisa é um coração cheio de compaixão e alguns minutos do seu dia. Diante disso, o convido a lembrar de todas as vezes que prometeu orar por algo ou alguém e não o fez… e fazer isso agora. E, também, a, a partir de hoje, sempre que fizer essa promessa, cumpri-la. É só o que Deus espera de você.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari <facebook.com/mauriciozagariescritor >

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leoesPeço desculpas a você que acompanha o APENAS, pois escrevo sempre aqui no blog com a intenção de edificar, exortar ou consolar a sua vida, mas, hoje, gostaria de abordar um assunto que tem ferido a minha alma. Já explico, mas, para chegar ao ponto principal da minha reflexão, antes tenho de apresentar alguns argumentos. Se você tiver paciência de ler até o final, sigamos juntos. O fato é que, já há alguns anos, algo tem me incomodado muito. Mas muito. Muito. Demais. A desunião da Igreja de Jesus Cristo em nosso país alcançou patamares elevadíssimos. Para mim, preciso dizer, insuportáveis. Viramos uma família abençoada, porém, em enorme parte, problemática. Por mais que me doa muito dizer isso, nós, evangélicos, somos um povo desunido. O que ainda não é o pior: não satisfeitos em vivermos entre inimizades, porfias, […] discórdias, dissensões, facções” (Gl 5.20), tratamos os irmãos em Cristo de quem discordamos com um nível de agressividade, arrogância, desrespeito e falta de amor que considero espantoso para quem segue Jesus.

Essa constatação, atrelada à angústia que ela provoca, já me acompanha há um bom tempo. Quando abandonei as redes sociais, há uns dois anos, fiquei bem melhor, pois parei de ter acesso a muitos dos debates, videos, textos, vlogs e posts que promovem a segregação e o esquartejamento do Corpo de Cristo. Com o lançamento de meu livro Perdão Total, em outubro passado, retornei ao facebook por orientação da editora, como forma de manter o diálogo com leitores e irmãos a quem porventura eu pudesse vir a abençoar pelo que escrevo. Nesse sentido, foi ótimo, pois de fato foi possível interagir, conhecer novas pessoas, ter diálogos interessantes, divulgar a mensagem do perdão e da restauração. Mas isso teve um efeito colateral, um preço a pagar: voltei a ter acesso a posts, comentários, vídeos, vlogs e tudo o mais que, em nome “de Jesus”, da suposta “sã doutrina” e da “apologética”, promove dissensão, a compartimentalização e a ira entre as diferentes facções da Igreja. 
ovelha 1Assim, tenho visto calvinistas numa discussão eterna com arminianos, com troca de acusações, desrespeito e ofensas dos dois lados. Também cessacionistas em discussões antigas e insípidas com pentecostais. Ou, ainda, pedobatistas e credobatistas se pegando nos ringues virtuais. Adeptos da Missão Integral e adversários da Missão Integral quase comendo o fígado uns dos outros. Gente que não crê que Deus está no controle de tudo gritando e salivando contra quem crê que Deus está no controle de tudo e quem crê respondendo com igual ímpeto. Isso além de muitos outros grupos divergentes. Tudo “em defesa da sã doutrina”, claro.
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Sabe o que percebo que há em comum a todos esses grupos que polemizam na Internet e outros ambientes? São irmãos em Cristo tratando irmãos em Cristo com desrespeito, desamor, doses de agressividade, muita arrogância e outras posturas que são características do mundo, não de filhos de Deus – claro que, como acreditam estar fazendo isso em nome da sã doutrina, os que entram nesses debates creem que tudo podem, que o Senhor lhes dá carta branca para serem pessoas desagradáveis, já que acreditam verdadeiramente que o estão “defendendo”. Agem, talvez sem perceber, não segundo o  amor que o evangelho propõe, mas segundo a máxima do filósofo Maquiavel: “o fim justifica os meios”.
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Nas divergências, me assombro com a forma com que os “defensores da sã doutrina” atacam quem eles acreditam estar errados. Cheguei a ver irmãos em Cristo criticando irmãos em Cristo de quem discordam usando elogios como “paspalho”,  “idiota” e “palhaço”. Estou estarrecido com o que tenho visto e profundamente abatido por ver que meus irmãos acham que isso é justificável. Não é. É um absurdo bíblico. Só para lembrar: “Quem proferir um insulto a seu irmão estará sujeito a julgamento do tribunal; e quem lhe chamar: Tolo, estará sujeito ao inferno de fogo” (Mt 5.22). Ou Jesus não quis dizer o que disse? Que outra interpretação haveria?
leos 2Repare que não estou falando de cristãos criticando hereges. Refiro-me a cristãos que discordam de cristãos. É briga familiar. Irmão contra irmão. Caim e Abel dos dias atuais. Se já me choco quando vejo a maneira horrível e mundana como muitos irmãos em Cristo tratam hereges e pessoas que discordam do evangelho, quanto mais quando observo as brigas entre os irmãos na fé. Muitos dos que põem o dedo na cara dos hereges falam deles com ira, chacotas, sarcasmo e ódio, muito ódio, em suas palavras e, naturalmente, no coração. “O que sai da boca vem do coração, e é isso que contamina o homem” (Mt 15.18). Sempre que vejo, leio ou ouço, por exemplo, cristãos falando de forma agressiva e cheia de ódio contra quem considera inimigo da fé, lembro-me do que Jesus nos ordenou: “Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem; para que vos torneis filhos do vosso Pai celeste, porque ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons e vir chuvas sobre justos e injustos. Porque, se amardes os que vos amam, que recompensa tendes? Não fazem os publicanos também o mesmo?” (Mt 5.43-46). Se recebemos de Jesus o mandamento de amar os inimigos (e nunca vi tratar mal, xingar, ofender, desrespeitar ou agredir quem se ama), os inimigos da fé não se encaixariam na categoria “inimigos”? Ou inimigo não significa inimigo? Então não deveríamos tratá-los com amor? Jesus não quis dizer o que disse? Ou “não é bem assim”?
dallas willardMuitos cristãos acreditam que a defesa da fé (contra hereges ou contra cristãos dos quais se discorda) deve ser feita com agressividade, com testosterona, como cruzados numa batalha. Agem como zelotes, guerreiros da sua “sã doutrina”. Então, para os tais, vale tudo, inclusive tratar de quem discordam por nomes desrespeitosos e agredi-los da forma que der. Confesso que há alguns anos eu acreditava nisso também. E agi dessa forma, reconheço o meu pecado. Mas, então, fui percebendo o absurdo e o mundanismo presente nessa postura. Até que, há alguns meses, li a obra The allure of gentleness (“O fascínio da gentileza”, numa tradução livre), livro póstumo de Dallas Willard (foto), onde ele prova que a defesa da fé (com relação a hereges e também a cristãos de quem se discorda) para dar resultados tem de ser feita com educação, polidez, afeto e respeito. O que li foi a gota d’água para revolucionar de vez minha visão sobre o assunto. Hoje, meu estômago embrulha quando leio, vejo ou ouço qualquer cristão “defender a fé” com agressividade, altivez, ofensas, termos deselegantes, xingamentos e petulância – sempre “em nome de Jesus”, claro.
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Não é possível que as pessoas não percebam que algo feito em nome de Jesus mas que contraria o caráter de Jesus… tem qualquer origem, menos Jesus.
boko haram 1Venho observando e suportando tanta divergência feita sem amor por esses últimos quatro meses sem falar nada, mas, semana passada, aconteceu algo que me lançou em uma reflexão profunda e me conduziu a este desabafo. Por algumas razões, passei a buscar informações sobre a perseguição sangrenta e cruel que vem ocorrendo em nossos dias contra os cristãos em determinados países do mundo. Não sei se você sabe disso, mas nossos irmãos e nossas irmãs em Cristo estão sendo mortos como porcos em muitas nações dominadas pelo Isam. Hoje. No exato momento em que você está lendo este texto, confortável e despreocupadamente, milhares de irmãos na fé estão sendo estuprados, desapossados de seus bens, vendidos como escravos sexuais, espancados e assassinados. A forma preferida de matança de cristãos, por serem cristãos, é a decapitação.
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O grupo terrorista Estado Islâmico tem dizimado todo e qualquer cristão que encontra pelo caminho em países como Síria, Jordânia, Israel, Palestina, Líbano, Chipre e Turquia. E isso por enquanto, logo eles estarão em outros países. Talvez o Brasil. O Estado Islâmico obriga as pessoas que vivem nas regiões que controla a se converter ao islamismo, e aqueles que se recusam sofrem torturas, mutilações e estupros. E são executados.
boko haram 2Na Nigéria, o problema é semelhante. A organização Boko Haram (expressão que significa “a educação ocidental ou não islâmica é um pecado”) é um grupo  fundamentalista islâmico de métodos terroristas, que busca impor a lei muçulmana no norte do país. O Boko Haram opera com caminhões e carros blindados, cerca vilas cristãs e mata a população inteira, além de sequestrar e estuprar todas as meninas. Vídeos têm sido divulgados pela internet e mostram pastores e membros de igrejas sendo decapitados por espadas, simplesmente por ser cristãos e se recusar a negar sua fé. Volto a dizer: isso está ocorrendo agora, hoje, nesta época da história e debaixo do mesmo sol que eu e você. No exato mesmo segundo em que cristãos aqui no Brasil se ofendem e entram em discussões mal-educadas por questões secundárias da fé; em países como Nigéria, Síria e Jordânia pastores e membros estão sendo postos de joelhos e decapitados por espadas. As imagens são tão terríveis que foi difícil encontrar fotos para ilustrar este post que fossem publicáveis, a maioria é de embrulhar o estômago.
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E, finalmente, quero chegar ao ponto principal de tudo o que escrevi aqui. Eu li muitos textos e assisti a uma grande quantidade de vídeos sobre a perseguição e a devastação imposta a esses milhares de irmãos pelo Estado Islâmico e pelo Boko Haram. Sabe o que mais chamou minha atenção? Em nenhum deles, em nem um único sequer, vi qualquer designação desses mártires da fé que não fosse cristãos. Nenhuma manchete de jornal escreveu algo como “Reformados são assassinados” ou “Estupradas a meninas que se opõem à Missão Integral”. Tampouco “Milhares de pentecostais decapitados na Nigéria”, nem “Vilas de cessacionistas são invadidas por terroristas”. Ou “Batistas e presbiterianos são caçados por islâmicos, mas pentecostais e metodistas não”. Nada disso. O que leio é “Cristãos são mortos…”; “Cristãs são estupradas…”; “Cristãos foram decapitados…”. Cristãos. Cristãos. Cristãos. Cristãos. Cristãos. Cristãos.
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Sabe a que conclusão cheguei? Quando vem a perseguição, todas as discussões sobre assuntos secundários deixam de importar. Os bate-bocas denominacionais desaparecem. As rusgas doutrinárias evaporam. Se a sua cidade for invadida por radicais islâmicos, você não vai dar a mínima para as questiúnculas periféricas que nos dividem e jogam irmão contra irmão. Assim como duvido que os cristãos de Iraque, Nigéria, Síria e outros países que sangram pela perseguição estejam dando a mínima para isso neste momento. Eles só sabem que são filhos de Deus e irmãos em Cristo. Porque, no instante em que o principal é posto no foco, as questões periféricas e menos importantes da fé desaparecem.
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O que sobra é o centro de tudo: a cruz. Nessas horas, nos lembramos dos temas fundamentais da fé, como amor a Deus e ao próximo, graça, perdão, restauração, evangelismo, negar-se a si mesmo, vida eterna, fruto do Espírito e tantos outros que permanecem esquecidos por muitos em tempos de paz.
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Eu tenho pavor que isso aconteça, mas a história das perseguições religiosas ao longo dos séculos mostra que a perseguição une, purifica e derruba as divisões da Igreja. Não que eu queira o Estado Islâmico ou o Boko Haram invadindo Copacabana, Deus nos livre! Jamais desejaria isso. Mas, no rumo em que estamos, seria uma das poucas coisas que poderiam remover os rótulos inúteis e unir, aqui no Brasil, as denominações, os adeptos das distintas linhas teólogicas e doutrinárias, os diferentes grupos soteriológicos, os que professam ideologias cristãs diferentes, os que divergem em assuntos periféricos e menos importantes da fé. As igrejas de países como Nigéria, Síria, Iraque e Jordânia que o digam.
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Não importa se você é batista, presbiteriano, pentecostal, anglicano,  metodista, cessacionista, emergente, pedobatista ou o que for. Se você foi alcançado pela graça divina, crê em Jesus como Senhor e Salvador pessoal e vive em piedade, passará a eternidade na presença de Deus, em novos céus e nova terra. E, sinceramente… você acha que qualquer uma dessas coisas importará lá? Então fica aqui a minha recomendação: importe-se aqui com o que importa na eternidade.
boko haram 5Desfrute da liberdade que você tem. Mas faça isso todos os dias como se vivesse num país em que te cortariam a cabeça só de saber que você é cristão. Porque, aí, todo rótulo deixará de importar e você poderá se orgulhar de ter como título simplesmente… cristão. Um cristão que ama e une e não um que promove a discórdia e polêmicas que gerarão bate-bocas e nenhum benefício. E peço a Deus de todo o meu coração que jamais seja preciso que seu pescoço esteja encostado na lâmina de uma espada para que isso aconteça.
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Amemo-nos. Unamo-nos. Deixemos de lado as rusgas sobre aspectos secundários da fé. Vamos dar as mãos naquilo que nos une, voltar os olhos para a cruz e começar, de fato, a amar o próximo. Sejamos, de fato, irmãos. Deus estende sua graça salvífica para um único tipo de pessoas: pecadores perdidos. Ou seja: antes de sermos salvos éramos todos iguais. Por que depois de sermos salvos temos de começar a nos segmentar, odiar, atacar? Pentecostais, tradicionais, cessacionistas, continuístas, pedobatistas, credobatistas, calvinistas, arminianos etc., etc., etc… nada disso importará no dia em que virmos Jesus face a face. O que Deus verá nesse dia é se temos o sangue do Cordeiro aspergido sobre nós. Somos todos cristãos, somos todos irmãos: que comecemos a agir como tal, para que cumpramos a oração de Jesus a nosso respeito. “Pai santo, protege-os em teu nome, o nome que me deste, para que sejam um, assim como somos um” (Jo 17.11).
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Paz a todos vocês que estão em Cristo,
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desigrejados 1Tenho visto diferentes irmãos em Cristo compartilhar pelas redes sociais a seguinte frase: “Quem sai da igreja por causa de pessoas nunca entrou lá por causa de Jesus“. Confesso que ler isso me deixou extremamente incomodado, chocado e chateado, pois me soa como uma frase bem pouco cristã e nada embasada naquilo que Jesus ensinou. É uma frase que não expressa amor. Vamos falar um pouco sobre ela, na esperança de que, se você já reproduziu essa afirmação ou mesmo se acredita nela, consiga perceber quão desumana ela é e, assim, pare de replicá-la.

Em primeiro lugar, permita-me dizer que esta reflexão não tem como objetivo entrar por discussões no campo de calvinismo versus arminianismo. O foco da minha abordagem não é se a pessoa que deixou de frequentar uma igreja era predestinada, se tinha livre-arbítrio e toda a discussão que considero desimportante na eterna querela entre os que creem e os que não creem na doutrina da eleição. E por que digo isso? Porque Jesus mesmo não deu muita atenção a essa questão. Repare que, independentemente de Jesus ser “calvinista” ou “arminiano”, o que os evangelhos mostram é que ele sempre destacou a importância de buscar a ovelha que se desgarrou do rebanho. Ponto. Isso é o que importa, a despeito da doutrina soteriológica que você siga. Afastou-se? Busque. Ponto final. E é aqui que a frase do título deste post torna-se tão repulsiva ao meu coração. Pois não consigo coadunar o que Cristo nos ensinou com essa afirmação.

desigrejados 2Temos de refletir muito bem sobre o que lemos por aí antes de acreditarmos naquilo e sairmos reproduzindo. E uma reflexão aprofundada sobre “Quem sai da igreja por causa de pessoas nunca entrou lá por causa de Jesus” me dá a nítida ideia que quem diz essa frase segue e deseja propagar o seguinte raciocínio: se um indivíduo se desgarrou do rebanho porque foi ferido, magoado, traído ou ofendido de algum modo por membros ou líderes da igreja, o problema não foi o que fizeram com ele, mas a fé inexistente dele em Cristo – e, portanto, podemos deixar esse “infiel” para lá. Se concordamos com essa frase, estamos acreditando que a pessoa em questão era um falso convertido, um simpatizante mas não praticante do evangelho. Em outras palavras, estamos tomando para nós o poder divino de perscrutar corações e afirmar quem é salvo e quem não é. Se eu assinar embaixo dessa frase, vou deixar de desejar que líderes opressores parem de oprimir os membros da igreja, ou que irmãos e irmãs que ferem irmãos e irmãs percebam seu erro, se arrependam e mudem. Pois estarei pondo toda a responsabilidade na conta do ofendido. Afinal, ele “nunca entrou lá por causa de Jesus”. O que é um absurdo.

Pense em Pedro. Naturalmente, a igreja como existe hoje não existia na época de Cristo, mas creio que podemos fazer uma boa analogia entre os “desviados” de hoje e o apóstolo no episódio em que ele negou Jesus. Se entendermos que “estar na igreja” é um equivalente a “caminhar em fidelidade aos princípios comuns à fé cristã”, podemos considerar que Pedro, ao trair Jesus três vezes, “deixou a igreja”. Ele negou o Salvador. E – repare –  o fez por causa de pessoas, com medo dos que disseram que ele era um cristão. Logo, pelo pensamento em questão, Pedro nunca fez parte “da igreja” por causa de Jesus. E sabemos que isso simplesmente não é verdade. Simão apenas fraquejou por um tempo, devido a problemas com as pessoas ao seu redor. Posteriormente, arrependeu-se, foi perdoado pelo Senhor e convocado a se tornar um pastor do rebanho de Cristo. Tenho consciência de que essa não é uma analogia perfeita, mas penso que passa uma visão bem honesta do quanto a afirmação do título deste post não condiz com a realidade.

“Que vos parece? Se um homem tiver cem ovelhas, e uma delas se extraviar, não deixará ele nos montes as noventa e nove, indo procurar a que se extraviou? E, se porventura a encontra, em verdade vos digo que maior prazer sentirá por causa desta do que pelas noventa e nove que não se extraviaram. Assim, pois, não é da vontade de vosso Pai celeste que pereça um só destes pequeninos” (Mt 18.12-14). Eu leio isso e, dentro do contexto da passagem, fico imaginando se Jesus diria à ovelha perdida: “Olha só, se você se extraviou do resto do rebanho porque algumas dentre as outras 99 ficaram te mordendo, dando coices e esfolando sua lã, é porque você nunca fez parte do rebanho”. Sinceramente, você consegue imaginar o mesmo Messias que ensinou a parábola da dracma perdida e do filho pródigo dizendo isso? Eu não.

desigrejados 3Quem reproduz essa frase está dando as costas para a dor do próximo. Para os sentimentos das pessoas. Para a humanidade dos seres humanos. É alguém que não consegue chorar com os que choram. Que não entende a dor que é para um cristão ser traído por um sacerdote, ao ter os pecados que confessou a ele serem vazados para outras pessoas, ou ao ser perseguido dentro da igreja por discordar de forma legítima e ética da liderança. Que não empatiza com um irmão que foi maltratado por pessoas da igreja. Que não compreende como sofre alguém que é machucado no lugar onde deveria ser abraçado, cuidado e tratado. Jesus se revela por sua Palavra, que ecoa nas atitudes das cartas vivas que deveríamos ser nós, cristãos (2Co 3.2-3); porém, se essas cartas não tiverem a letra e a cor da tinta de Cristo, como querer que os feridos e magoados enxerguem o mesmo Cristo no lugar onde elas estão? Em outras palavras, se quem deveria ser o sal da terra não salga e a luz do mundo não brilha, a culpa é de quem sofreu danos infligidos por esse sal que arde e essa luz que queima?

É claro que compreendo que um cristão sólido suportará pedradas e açoites. O cristão alicerçado na rocha ficará firme nas tempestades e nos vendavais, será lançado aos leões e entregará o pescoço à espada por amor ao Senhor. A Bíblia afirma isso e não sou eu quem vai discordar. Mas o que parece que os adeptos dessa frase sem coração se esquecem é que muitos e muitos dos que são enxotados da igreja “por pessoas” estão em início de caminhada de fé, ou ainda estão em desenvolvimento, não ganharam ainda tônus espiritual para aguentar as pancadas que sofreram no seio da igreja. Se para alguém que conhece Cristo há muitos anos e em profundidade já é difícil aguentar maus exemplos e más atitudes de líderes e irmãos, que dirá para quem ainda está em processo de conhecimento de Cristo e de aprofundamento de raízes.

desigrejados 4Meu irmão, minha irmã, temos de ser compassivos; isto é, de sentir em nós o sofrimento dos que estão sofrendo e não de ficar questionando a fé de quem já foi profundamente machucado por quem se diz cristão. Nosso papel como embaixadores de Cristo é sermos instrumentos de Deus para levantar o caído, restaurar o destruído, sarar o doente de alma, buscar o perdido. Jamais agir como essa frase cruel propõe. Fica aqui minha proposta para quem acredita que “Quem sai da igreja por causa de pessoas nunca entrou lá por causa de Jesus“: em vez de largar para lá esse indivíduo precioso e questionar a fé dele, parta em seu socorro e seja você aquele que mostrará que Cristo não é como aquelas pessoas que o feriram. Garanto que, assim, você estará agindo de modo muito, mas muito mais cristão – e poderá ajudar a cobrir uma multidão de pecados: “Acima de tudo, porém, tende amor intenso uns para com os outros, porque o amor cobre multidão de pecados” (1Pe 4.8). Faça parte do grupo dos que dão de comer a quem tem fome e não dos que negam alimento a quem agoniza, faminto, à beira da estrada.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Mauricio Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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