Arquivo da categoria ‘Espiritualidade’

dente 1Em algum momento da sua vida, você certamente já brincou com sementes da planta conhecida como dente-de-leão. A certa distância, elas parecem um chumaço branco e redondo, fixado na ponta de uma haste verde, mas, quando sopra o vento, aquela bolinha de fiapos de desfaz em um monte de pequenos tufos, que saem voando pelo ar. É lindo de se ver e divertido. Sempre gostei muito dessas sementes, porque me transmitem uma sensação de paz e leveza. Para os cristãos da Idade Média, a flor da dente-de-leão estava associada a Cristo, possivelmente pelo seu formato, que lembra os raios do sol. Por isso, historicamente ganhou o significado de otimismo, esperança e luz espiritual. Além das características simbólicas, a planta pode ser utilizada com fins medicinais; seu chá é usado para purificar o sangue, estimular o apetite e tratar diferentes problemas de saúde. E mais: o dente-de-leão também serve como alimento, pois tem valor nutritivo.

Fiquei positivamente surpreso e feliz quando a Editora Mundo Cristão me apresentou a capa de meu novo livro, O Fim do Sofrimento – Um livro para quem busca consolo e esperança nos momentos mais sombrios. A obra, que chega às livrarias neste mês de maio, tem uma capa azul celeste e o único elemento além das palavras são sementes de dente-de-leão sopradas ao vento. Achei a escolha do artista que fez a capa muito apropriada para um livro que tem como objetivo levar paz e alívio a pessoas que estão passando por um período de sofrimento. Quando recebi da Mundo Cristão a arte da capa, fiquei olhando, me lembrando das características dessa planta e refletindo sobre sua relação com a questão da paz em meio ao sofrimento, que é o tema central do livro.

dente 3Muitas vezes, quando o sofrimento chega à nossa vida, nos sentimos destroçados. É como se uma situação aparentemente perfeita fosse destruída, dando lugar a dor, angústia, tristeza, dúvidas, depressão e aflições. O mesmo ocorre com o dente-de-leão, um chumaço redondinho, perfeito, bonito. Mas aí chega o vento. Em segundos, aquela planta aparentemente irretocável é desfeita, desconjuntada, suas partes são sopradas para todos os lados e o que sobra é uma haste pelada, despida de beleza. O interessante é que essa aparente destruição na verdade serve para manter a espécie viva, uma vez que, quando isso ocorre, as sementes são levadas pelo vento para fazer brotar novos exemplares – uma bela estratégia que Deus criou para fazer a planta proliferar, crescer e se multiplicar.

Assim, se enxergarmos o sofrimento não como uma desgraça totalmente negativa, mas como uma oportunidade de reflexão, crescimento e transformação,  conseguiremos lidar muito melhor com as dores do corpo e as angústias da alma. Tudo é uma questão de como se encara a destruição do dente-de-leão: como o fim de algo belo ou como um fenômeno necessário para que ele cresça e se fortaleça. Como você lida com seu sofrimento? Com lamúrias e olhos cravados no presente ou com antecipação e olhos voltados para o futuro?

Além disso, o dente-de-leão é uma planta medicinal, isto é, que ajuda a curar males. De igual modo, enxergo no sofrimento a capacidade de nos conduzir a patamares de reflexão e transformação que em períodos de tranquilidade não conseguimos. Quando sofremos, somos empurrados para fora da nossa zona de conforto e nos vemos obrigados a mudar e nos reinventar; nos tornamos mais fortes e resilientes; adquirimos a capacidade de lidar com as agruras da vida como nunca antes; além de adquirimos um grau de intimidade e relacionamento com Deus muito superior aos dos tempos de paz (seja franco: você ora mais e com mais profundidade quando está tudo bem ou quando tudo vai mal?). O apóstolo Paulo deixou muito clara a capacidade do aperfeiçoamento na fraqueza provocada pelo abatimento de alma:

“Foi-me posto um espinho na carne, mensageiro de Satanás, para me esbofetear, a fim de que não me exalte. Por causa disto, três vezes pedi ao Senhor que o afastasse de mim. Então, ele me disse: A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo. Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo. Porque, quando sou fraco, então, é que sou forte” (2Co 12.7-10).

O fim do sofrimento_CapaNinguém quer sofrer, ninguém gosta de sofrer. Nem eu, nem você, nem ninguém. Sofrimento é algo horrível. Jamais você me ouvirá dizer que devemos querer sofrer – não sou louco. Só que o sofrimento é uma realidade da vida e um dia ele chegará, inevitavelmente. A pergunta que todos devemos saber responder é: como lidaremos com a dor, o luto, a aflição, a depressão, o desconforto, a perda e a falta de bem-estar quando vierem? Com desespero e desequilíbrio ou com confiança e paz? A resposta a essa pergunta fará toda diferença.

O Fim do Sofrimento tem um duplo objetivo: esclarecer por que um Deus bom, amoroso e misericordioso permite que seus filhos sofram. E ofertar palavras de consolo, alívio, crescimento e transformação, para mostrar como você pode obter paz enquanto está no olho do furacão. Por isso, fico especialmente encantado com um aspecto muito singelo da planta escolhida para ilustrar a capa do livro: sabe como o dente-de-leão é chamado em algumas regiões do Brasil?

Esperança.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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IMG_2785Atrás do edifício em que moro há um grande condomínio. O que separa os dois é um precipício de cerca de sete andares de altura, que fica logo abaixo da janela do meu quarto, um vão enorme entre dois muros, que me lembra um pouco os antigos fossos dos castelos medievais (foto). Por ter um bosque e ser muito arborizado, o condomínio vizinho conta com uma fauna bastante rica, com pássaros, gambás, micos e gatos. Um gatinho escolheu como lugar de repouso um muro bem próximo de minha janela e, por isso, tornou-se conhecido da minha família. Chegamos a dar-lhe um apelido: Charlie. Recentemente, porém, Charlie nos surpreendeu: olhando para um vão que fica à beira do precipício, notei que o gato preto e branco aninhava em seu regaço três gatinhos. Sim, Charlie, para nossa surpresa, é uma fêmea. E, agora, mãe. Mas não foi esse aspecto que mais me chamou a atenção: confesso que o local que ela escolheu para dar à luz me preocupou muito, por ficar a centímetros do enorme abismo. Se um gatinho daqueles se arrastar uns vinte a trinta centímetros para o lado, mergulhará rumo à morte certa.

Infelizmente, não há nada que eu possa fazer, pois o local é inacessível. Fica junto à raiz de uma árvore, cravada na encosta do abismo. Tudo o que está ao meu alcance é orar e ficar observando, torcendo para que nenhum dos bichinhos perca a vida. Por isso, tenho passado alguns momentos, em diferentes dias, sentado junto à janela, observando como aquela família se comporta. Pois, se for o caso, me prontifiquei a chamar o corpo de bombeiros para remover os bichinhos para um local mais seguro.
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Tenho notado que há uma certa rotina nas ações da gata (que rebatizamos de Charlene, após descobrir que ele, na verdade, é ela). A esmagadora maioria do tempo, ela passa deitada, junto com os filhotes. Consigo ver que eles mamam bastante e ela fica ali, junto. Mas mamãe precisa se alimentar e, de vez em quando, sai do vão à beira do abismo para comer, beber e fazer qualquer outra coisa. Mas, enquanto pode, a gata fica junto de seus filhotes, protegendo, alimentando, cuidando, dando calor e aconchego. Há alguns dias choveu. E, mesmo assim, mamãe gato ficou ali, esquentando os filhotes com sua presença, totalmente encharcada, mas firme em seu papel de apoio, proteção e amparo.
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Houve um momento tenso: um dos três gatinhos começou a se arrastar e, pouco a pouco, foi se aproximando perigosamente da beira do abismo. Tive quase certeza de que ele cairia. De repente, Charlene se levantou, com bastante calma, foi até ele, segurou com a boca a pele da sua nuca e o carregou de volta ao local onde estavam deitados. Deitou-o cuidadosamente e voltou a se aninhar. Vi essa situação ocorrer, na verdade, duas vezes.
IMG_2771As horas em que mais fiquei nervoso foram aquelas em que a gata saiu do local e partiu para fazer qualquer outra coisa, deixando os três sozinhos. Eu sei onde Charlene se alimenta: os moradores de um prédio próximo deixam na calçada da rua um pote de ração e outro de água, a que ela e outros gatos da região sempre recorrem. Então, quando a mamãe sai, vejo que ela dispara em direção ao local de alimentação e desaparece por alguns minutos. Os filhotes ficam imóveis, o que me mostra que a gata só sai quando sabe que os três estão dormindo. Menos de dez minutos depois, ela reaparece e repete um mesmo ritual: segue até um telhado próximo, de onde consegue ver a cria, e anda para lá e para cá – acredito eu que para se exercitar um pouco, se alongar e se movimentar. Mas, assim que ela começa a ver movimento ou a ouvir o miado fraquinho de um deles, retorna à sua posição de mãe, aninhando os três em sua barriga e dando início a mais um longo período de permanência junto aos bebês (foto).
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Gostaria agora de fazer uma analogia entre essa situação e a vida de fé. Você provavelmente deve estar achando que vou comparar a gata a Deus e nós aos seus gatinhos, pois, afinal, a mamãe gato cuida dos filhinhos, certo? Na verdade, não. Embora seja natural enxergar o nosso Senhor em atitudes protetoras, minhas reflexões me levaram a ver muito mais outra pessoa no papel da gata: você.
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Deus não criou a Igreja como uma coletividade à toa. Porque seres que se isolam não encontram amparo em ninguém. O Senhor não idealizou uma comunidade de filhos solitários, ao estilo cada-um-por-si. Não. Ele deseja que cuidemos uns dos outros, segundo um princípio muito simples: “Melhor é serem dois do que um, porque têm melhor paga do seu trabalho. Porque se caírem, um levanta o companheiro; ai, porém, do que estiver só; pois, caindo, não haverá quem o levante. Também, se dois dormirem juntos, eles se aquentarão; mas um só como se aquentará? Se alguém quiser prevalecer contra um, os dois lhe resistirão; o cordão de três dobras não se rebenta com facilidade” (Ec 4.9-12).
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Ninguém se basta, meu irmão, minha irmã; precisamos uns dos outros. A questão é que, em determinados momentos, uns precisam mais que outros. Hoje, eu preciso mais de você; amanhã, você precisa mais de mim. Nunca se sabe de que lado vai soprar o vento. Se estamos fracos, precisamos que alguém nos carregue para longe do abismo. Mas, quando vemos que o próximo é quem precisa de amparo, o nosso papel é entregar-nos em sacrifício de amor.
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Como filhos de Deus, que precisam amar o próximo como a si mesmos, precisamos aprender a sair do conforto, abrir mão de momentos de lazer, suportar chuva e frio ao lado dos irmãos. Não existe vida cristã sem compaixão. E “compaixão” é uma palavra que significa, exatamente, “sofrimento compartilhado”. Se você quer viver plenamente o evangelho, aprenda a compartilhar o sofrimento do próximo. A chorar com quem chora. A fazer o que Jesus fez: deixar por algum tempo seu conforto de lado por amor a quem precisa (Jo 3.16).
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Viver é uma atividade muito perigosa. A cada passo que damos, a cada curva do caminho, encontramos problemas: sofrimento, depressão, dor, medo, ansiedade, pânico, carência, solidão, desespero, falta de dinheiro, insegurança… Os minutos da existência são como instantes tensos à beira do abismo, sempre com o risco de perdermos o equilíbrio e mergulharmos rumo a um fim tenebroso e apavorante. Mas, se nos dispusermos a cuidar uns dos outros como uma gata cuida de seus filhotes, enfrentaremos tempestades, vento e frio à beira do precipício e vamos dar e receber calor, apoio, alimento, proteção.
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Alguém que você conhece está se arrastando cegamente em direção ao precipício? Não fique indiferente. Saia de seu conforto, vá até ele e o resgate. Traga-o de volta ao calor e à proteção da família, seja um agente de vida. Pois viver não é apenas não estar morto. Viver é ter sentimento de pertencimento, cuidado, carinho, afeto. Nesse sentido, seja um doador de vida.
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Os gatinhos desamparados precisam de você. Pois você é o instrumento que Deus pôs ao lado deles para zelar por sua jornada. Não espere que outros façam aquilo que está ao seu alcance. Se você for até a esquina, pode ser que, nesse meio-tempo, o gatinho caia no abismo. Não permita que isso ocorra: acolha-o enquanto ainda é tempo. E, se vier a chuva, molhe-se com ele, sem retroceder, sem dar as costas, porque, assim, você sentirá na pele o que o próximo está enfrentando. Não foi isso que Jesus fez ao tornar-se homem?
gatoTem um aspecto bonito nessa história, algo que ainda não mencionei. Charlene fica deitada à beira do precipício, mas seu companheiro, um gato branco e preto, fica constantemente  perto. Ele, em geral, permanece deitado no telhado de uma casa ao lado, sempre rondando (foto). Quando a mãe sai para se alimentar, ele fica vigiando a prole. Não sei dizer o que aconteceria se um dos filhotes aproveitasse a ausência da mãe para se dirigir ao abismo, pois isso não ocorreu até agora. Mas tenho a firme impressão que o pai vigilante correria e impediria que o gatinho perecesse. Deus nos delegou a atribuição de cuidarmos uns dos outros. Delegou a você essa tarefa. Mas pode ter certeza de que ele está constantemente atento, sempre por perto, mesmo que você não perceba. E, na hora em que as ameaças surgem, mil cairão ao teu lado, dez mil à tua direita, mas ele sempre sairá em socorro de seus filhos.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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Queridos irmãos e irmãs em Cristo, como já citei anteriormente aqui no APENAS, daqui a alguns dias será lançado meu novo livro, “O Fim do Sofrimento – Um livro para quem busca consolo e esperança nos momentos mais sombrios“. Em função disso, venho refletindo há muito tempo sobre o tema. A Mundo Cristão me pediu que desse uma entrevista para o blog da Editora, dando uma palinha sobre o que será o livro e aspectos da questão de que ele trata. Por conter reflexões que julgo ser muito importantes para quem está atravessando períodos de sofrimento, já divulguei por meu perfil no Facebook a entrevista. Como, porém, mais de mil assinantes do APENAS não me acompanham pelo facebook.com/mauriciozagariescritor, decidi compartilhar também por aqui a entrevista, na esperança que lance raios de luz em espaços sombrios da vida de quem esteja atravessando momentos difíceis. Paz a todos vocês que estão em Cristo,
mz

Maurício Zágari, em entrevista à MC, fala sobre “O fim do sofrimento”

entrevista maurício zágari

Confira nossa conversa com o autor e saiba mais sobre o livro que aborda um dos temas mais delicados da experiência humana.


Maurício Zágari. Teólogo, jornalista, editor, autor, professor, esposo, pai. São muitas as experiências que fazem desse jovem escritor de 43 anos, fluminense de Nova Friburgo (RJ), uma pessoa que se comunica com facilidade e clareza e que, por meio de seus artigos e publicações, toca o coração de uma multidão de leitores que encontra alento, direcionamento, ânimo e motivação em seus textos sempre pautados pela Palavra de Deus.

Vencedor do Prêmio Areté nas categorias “Autor revelação” e “Melhor livro de ficção/romance” por O Enigma da Bíblia de Gutemberg (2010), Maurício é o autor de Perdão Total – um livro para quem não se perdoa e para quem não consegue perdoar, lançado pela Mundo Cristão em 2014, publicação que logo se tornou em sucesso de vendas no Brasil.

Em 2015, uma nova obra do autor chega às livrarias – O fim do sofrimento: um livro para quem busca consolo e esperança nos momentos mais sombrios. Nele, Zágari aborda o tema o fim do sofrimento a partir duas perspectivas: o fim como finalidade e propósito; e o fim como término e extinção do tempo de luta e de dor. Estruturado em torno de trinta afirmações que pessoas em sofrimento costumam expressar, a obra traz um conjunto de reflexões baseadas nas Escrituras e que têm por objetivo fortalecer e orientar todos aqueles que estão tristes, fracos ou abatidos.

Em entrevista à Equipe de Comunicação da Mundo Cristão, Maurício Zágari fala mais sobre o lançamento e sobre esse assunto delicado que permeia a experiência humana. Nela, o autor ainda esclarece o porquê de existência do sofrimento no mundo e dá orientação para quem está enfrentando a depressão. Confira!

Mundo Cristão:O fim do sofrimento”? O que o motivou a escrever um livro sobre esse tema?

Maurício Zágari: Decidi escrever essa obra por observar a angústia de multidões de pessoas que vivem os mais variados tipos de sofrimento sem saber como encontrar alívio, consolo e paz. Elas sofrem, choram, se entristecem, se deprimem e não enxergam caminhos. O livro aponta esses caminhos com honestidade e fidelidade bíblicas, sem fazer falsas promessas. Meu intuito é levar o leitor a experimentar a paz em meio à dor, seja ela de corpo, seja de alma.

O fim do sofrimento tem dois objetivos principais. Primeiro, mostrar, à luz da verdade bíblica, por que um Deus bom permite que pessoas sofram. Segundo, oferecer respostas honestas, baseadas nas Escrituras, que tragam alívio para o fardo do sofrimento. É, portanto, um livro que oferece respostas para a mente mas, também, paz à alma.

MC: Sofrimento e fé podem caminhar juntos? O que dizer sobre determinadas abordagens triunfalistas que negam o sofrimento e o veem apenas como efeito de ações demoníacas ou como “punição” em resultado de alguma prática pecaminosa?

Maurício Zágari: Sofrimento e fé caminham juntos de Gênesis a Apocalipse. Ter fé não nos isenta de sofrer. Jesus tinha fé e não há quem possa negar que ele não tenha sofrido terrivelmente, a ponto de dizer “A minha alma está profundamente triste, numa tristeza mortal” (Mt 26.38). E, isso, antes mesmo de o prenderem e de começar o agonizante processo de tortura que durou até a cruz.

Os apóstolos também sofreram muito, apesar de terem uma fé tão grande a ponto de dar a vida pelo evangelho. Os mártires da Igreja primitiva são outro exemplo. Jó. Abraão. José. Moisés. Davi. Elias. Daniel. Jeremias. E tantas outras pessoas que conhecemos pelo relato bíblico e pela história da Igreja e que sofreram bastante, apesar de ter muita fé. É um fato inegável: ter fé não nos isenta de sofrer.

O chamado “triunfalismo” é um ensinamento de quem, lamentavelmente, não compreende o que a Bíblia fala sobre a questão do sofrimento ou sobre o modo de Deus agir. Espero que os irmãos que seguem essa doutrina venham a compreender o que a Escritura realmente diz sobre o assunto. Oro ao Senhor para que O fim do sofrimento seja um instrumento nas mãos de Deus para a transformação de corações e mentes.

MC: Mas… se Deus é bom e Todo-poderoso, por que então existe o sofrimento no mundo?

Maurício Zágari: O sofrimento é efeito colateral do pecado. Deus não é o culpado por nossas dores, o pecado é. Desde que Adão e Eva deram espaço à desobediência, a humanidade colhe os frutos amargos da transgressão. Repare que, quando Deus descreve ao primeiro casal quais seriam as consequências da Queda, ele menciona três vezes o sofrimento, como vemos em Gênesis 3.16-17.

No entanto, Deus não ficou apático ante a entrada do sofrimento no mundo. Justamente por ser infinitamente bondoso, gracioso, amoroso e misericordioso, ele decidiu desfazer esse mal, ao entregar Jesus para morrer pelos pecadores. Assim, aqueles que o recebem como Senhor e Salvador ganham, sem merecer, acesso a uma eternidade totalmente livre de sofrimento, dor, choro ou angústias.

“O fim do sofrimento” deixa claro que nossas aflições são uma vírgula em nossa história, não o ponto final. Teremos uma eternidade de paz e felicidade ao lado de Jesus. A questão é: o que devemos fazer enquanto estamos no olho do furacão, como agir para ter paz agora, quando o sofrimento nos agarra e parece não querer largar mais? É isso que o livro responde.

MC: No livro, você faz uma breve e importante abordagem sobre os dois principais tipos de depressão. Resumidamente, a depressão que é uma doença causada por alterações químicas do cérebro e a que é resultante do profundo abatimento da alma. Como distinguir uma da outra e como saber que é a melhor hora para buscarmos ajuda profissional e espiritual, respectivamente?

Maurício Zágari: Se alguém está sofrendo de depressão, o melhor momento para buscar ajuda é ontem. Depressão é um quadro que não permite adiar a procura por auxílio, pois ela é capaz de transformar uma pessoa em outra. E só quem pode dizer de que tipo de depressão sofremos é um médico psiquiatra. O especialista faz uma análise do caso e, se for diagnosticada a depressão, é preciso buscar tratamento. Dependendo de cada caso, há diferentes tipos de providências a tomar, sejam elas médicas, psicológicas ou espirituais. Isso é um assunto sério e deve ser visto com a gravidade que merece, sem misticismos ou irresponsabilidade.

MC: Na era das redes sociais, da publicidade e da busca incessante por satisfação e por estilos de vida que não condizem com a realidade da maioria das pessoas, saber que “ninguém é alegre o tempo todo” gera um choque e ao mesmo tempo um alivio. De que forma essa consciência pode libertar um indivíduo para vivenciar suas dores e lutas sem vergonha ou retraimento?

Maurício Zágari: Jesus deu a resposta: conhecerão a verdade, e a verdade os libertará. Temos de lidar com nossas dores e lutas dentro do que a Bíblia estabelece como sendo verdade e não segundo o que as novelas, os filmes de Hollywood, a propaganda e a cultura secular vendem como verdade. Só em Cristo, que é a verdade suprema, temos liberdade real e somos capazes de caminhar sem temer influências alheias à realidade conforme as Escrituras apresentam.

Ninguém é alegre o tempo todo. Isso é um fato da vida, pois é um fato bíblico. Nenhum ser humano apresentado nas Escrituras foi alegre o tempo todo. Nenhum. Vivemos sob o peso do mundo material e espiritual que nos cerca e da nossa carne — e não há como ser constantemente alegre debaixo dessa pressão. Mas, pela graça de Deus, somos habitação do Espírito Santo, que tem entre as virtudes de seu fruto a alegria. Por isso, é totalmente possível encontrarmos em Deus alegria e felicidade nos momentos mais sombrios. É o que O fim do sofrimento mostra.

MC: E sobre o fim do sofrimento num sentido de término e extinção. Saber que um dia Deus acabará com todos os sofrimentos da humanidade também é uma abordagem libertadora. Certo?

Maurício Zágari: Veja como a Bíblia descreve o futuro daqueles que vivem em Cristo: “Agora o tabernáculo de Deus está com os homens, com os quais ele viverá. Eles serão os seus povos. O próprio Deus estará com eles e será o seu Deus. Ele enxugará dos seus olhos toda lágrima. Não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor, pois a antiga ordem já passou” (Ap 21.3-4).

Tem como não se emocionar, se alegrar e vibrar de alegria e felicidade ao ler essa afirmação? Essa é a promessa mais extraordinária, espetacular e maravilhosa das Escrituras! Vamos viver com o próprio Deus, em sua companhia pessoal, numa realidade sem tristezas, sem dor… sem sofrimento! Como nos mostra O fim do sofrimento, esse entendimento é esplendidamente libertador e deve nos dar forças para caminhar a cada dia, sabendo que o nosso destino final é pura glória e paz.

MC: Qual a sua mensagem para os leitores e, especialmente, para aqueles que estão atravessando momentos sombrios?

Maurício Zágari: Meu irmão, minha irmã, Deus não se esqueceu de você nem está alheio à sua dor. Ele entende e sente o que você está enfrentando e usa o seu sofrimento para uma finalidade maior. A Bíblia afirma que “os nossos sofrimentos leves e momentâneos estão produzindo para nós uma glória eterna que pesa mais do que todos eles. Assim, fixamos os olhos, não naquilo que se vê, mas no que não se vê, pois o que se vê é transitório, mas o que não se vê é eterno” (2Co 4.17-18).

Abrace essa certeza, sabendo que tudo o que você está enfrentando hoje terá uma finalidade que resultará em glória. Que finalidade é essa? Não sei. Mas Deus sabe. E aquele que sabe todas as coisas é quem conduz você pessoalmente, rumo a um futuro de paz, alegria, felicidade e glória eternas. Tenha paciência, por saber que sua vida está em boas mãos: aquelas que foram cravadas numa cruz por amor a você.

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otica 1Uma das grandes lições que meu pai me ensinou é que experiências de vida são muito mais valiosas do que bens materiais. Por isso, na minha infância os presentes que ganhava dele eram bem chinfrins, mas, em compensação, todas as férias eram inesquecíveis: viajávamos de carro a lugares como Pantanal, Nordeste, Amazônia, Uruguai, Argentina, Bolívia. Foram muitas aventuras extraordinárias. Cresci e carreguei esse aprendizado comigo: bens passam, mas experiências permanecem. Por isso, alguns anos atrás, em vez de dar um objeto qualquer como presente de aniversário a minha esposa, dei-lhe um voo de helicóptero sobre a cidade do Rio de Janeiro. O dia estava lindo e, de fato, foi um passeio marcante. Algo em especial chamou minha atenção durante o voo: era impressionante como ver de outro ponto de vista os mesmos lugares que sempre frequentei me permitia ver as ruas, os bairros, as praias e tudo mais por uma ótica totalmente diferente. Aquele voo me fez entender com uma clareza inédita uma importante realidade da vida: tudo o que nos acontece pode ser analisado de ângulos diferentes e, dependendo de qual ponto de vista escolhemos, teremos percepções completamente distintas acerca das mesmas coisas.
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Para ficar mais claro o que quero dizer, tomemos por exemplo este relato bíblico: Naquele dia, sendo já tarde, disse-lhes Jesus: Passemos para a outra margem. E eles, despedindo a multidão, o levaram assim como estava, no barco; e outros barcos o seguiam. Ora, levantou-se grande temporal de vento, e as ondas se arremessavam contra o barco, de modo que o mesmo já estava a encher-se de água. E Jesus estava na popa, dormindo sobre o travesseiro; eles o despertaram e lhe disseram: Mestre, não te importa que pereçamos? E ele, despertando, repreendeu o vento e disse ao mar: Acalma-te, emudece! O vento se aquietou, e fez-se grande bonança. Então, lhes disse: Por que sois assim tímidos?! Como é que não tendes fé? E eles, possuídos de grande temor, diziam uns aos outros: Quem é este que até o vento e o mar lhe obedecem?” (Mc 4.35-41).
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ponto de vista 2Pare para pensar como as pessoas que estavam no barco com Jesus enxergaram esse episódio e como as que estavam nos “outros barcos [que] o seguiam” perceberam o ocorrido. Para todos, o fenômeno foi um só: eles saíram de uma margem, veio um grande temporal de vento, com altas ondas, de repente o tempo clareou e logo aportaram na outra margem. Mas as conclusões e as lições foram enormemente distintas: para  quem estava nos “outros barcos”, foi só isto: um fenômeno natural, climático, que se iniciou e terminou pelas forças da natureza. Mas, para quem estava no barco com Cristo, ficou claríssimo que houve uma intervenção sobrenatural de Deus por meio de Jesus. Assim, dependendo de em que barco se estava, a percepção da relação entre Jesus e o acontecido foi totalmente  diferente. Para uns, forças da natureza. Para outros, um milagre que comprovava a divindade de Cristo. Conclusões opostas, frutos de pontos de vista opostos.
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otica 2Pensemos agora sobre a sua vida. Quando chegam a tragédia, a desgraça, a dor e o sofrimento, como você os enxerga? Será que consegue perceber os fatos ruins da vida como parte da escola de Deus, eventos que têm a finalidade de lapidar o diamante bruto que você é e transformá-lo em joia preciosa? De que perspectiva você vê tudo de ruim que se abate sobre você ou aqueles que ama? Com a mesma murmuração do povo de Israel ao sair do Egito ou como Jó, que, ao perder todos os filhos, mortos num catastrófico desabamento, adorou o Senhor e foi capaz de dizer: “Nu saí do ventre de minha mãe e nu voltarei; o SENHOR o deu e o SENHOR o tomou; bendito seja o nome do SENHOR!” (Jó 1.21)?
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Será que você consegue ver o Deus que é puro amor e misericórdia no controle de tudo, mesmo quando chegam as lágrimas e o abatimento? Qual tragédia você está vivendo? Será que é capaz de enxergá-la como parte do grande propósito divino ou como o abandono de um deus mau e raivoso? O ponto de vista que você decidir assumir fará toda a diferença – na sua forma de proceder, nas lições que extrairá, nas palavras que dirá, na solidez de seu relacionamento com o Criador.
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otica 3Muitos, quando ouvem que as tragédias fazem parte da grande equação de Deus rumo a um futuro que ele deseja construir a partir da soma de eventos da vida, se recusam firmemente a reconhecer esse fato. Deus é bom e as desgraças só podem ser atos do Diabo ou da maldade do mundo, dizem. Eu sei que é difícil compreender, entenda que eu sei disso. Por isso, nas horas em que parece que não dá para encaixar sofrimento no mesmo espaço que um Deus bom e amoroso, temos de olhar para a Bíblia e não para o que nós “achamos”. Lembre-se de José, que tinha tudo e, de repente, é traído pelos irmãos, passa anos como escravo, é caluniado, vira presidiário… come o pão que o Diabo amassou… Peraí… o Diabo? Veja a percepção que José tem após atravessar as desgraças todas, em seu discurso aos irmãos traidores: “Assim, não fostes vós que me enviastes para cá, e sim Deus” (Gn 45.8). Uau, que homem de Deus era José. Ele compreendia com clareza que seu sofrimento fizera parte de um plano maior do soberano Criador, tal qual a dolorosa picada de uma injeção que, mesmo que machuque, tem por objetivo nos proteger de uma doença muito pior.
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Pense na cruz de Cristo, um sofrimento sem igual. Foi o Diabo que o levou à cruz? João 3.16 diz que o sofrimento de Jesus foi porque “Deus amou o mundo”. Pense no cativeiro babilônico de Judá e na conquista de Israel pela Assíria, foi o Diabo quem os causou ou foi tudo parte do plano didático do Deus que “disciplina todos os que ama”? Se você conhece a história bíblica, sabe a resposta.
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otica 4Meu irmão, minha irmã, o plano inicial de Deus não era o sofrimento da humanidade. Mas o sofrimento entrou, de penetra, como consequência do pecado. Está lá em Gênesis 3, basta ir à sua Bíblia ler. A partir daí, somos obrigados a conviver com ele, até que cheguem novos céus e nova terra. A questão toda é: é nesse meio-tempo? E no período em que estamos no mundo, sabendo que “no mundo tereis aflições”? Vamos olhar pelo ponto de vista humano, amaldiçoar a Deus e pedir a morte ou vamos olhar nossa dor pelos olhos divinos e, assim, adoraremos ao Senhor, a despeito das circunstâncias?
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Quando estivermos no cárcere, olhemos pelo ponto de vista de Deus e cantemos louvores. Quando estivermos na doença, olhemos pelo ponto de vista de Deus e o adoremos. Quando estivermos na desgraça, olhemos pelo ponto de vista de Deus e lhe rendamos honra. Deus é Deus e Deus é bom. A dor e o sofrimento não mudam esse fato. Mas tenha uma certeza: em meio às nossas angústias e aflições, jamais estamos sós. Pois Jesus prometeu que estaria conosco, todos os dias, até a consumação do século.
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cruzA sua lágrima não é derramada só por você. Saiba que há um Deus que decidiu enxergar a vida pelo meu e pelo seu pontos de vista. Por isso, ele se fez como um de nós. Viveu, suou, chorou, sofreu. Sofreu! Sofreu o pior dos sofrimentos! Mas ressuscitou. E hoje habita em glória, com lugar preparado  para nos receber. Você está sofrendo, meu irmão, minha irmã? Lembre-se: “A nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação” (2Co 4.17). Sim, Deus tem preparado para você uma glória eterna, que pesa mais do que todos os seus sofrimentos. Glória eterna. Paz. Felicidade. Creia: o fim do sofrimento virá. 

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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carater 1Semana passada, meu pastor anunciou que vai plantar uma nova igreja, em um bairro da zona norte do Rio. O anúncio foi feito durante um culto e, na ocasião, ele informou que quem ficará à frente da congregação será um dos pastores auxiliares, Pr. Evandro. Ao fazer o comunicado, Pr. Marco Antônio chamou Pr. Evandro ao púlpito e contou um pouco da história do relacionamento entre eles. Foi quando mencionou algo que chamou especialmente minha atenção: a motivação para ter ordenado Pr. Evandro ao ministério não foram os seus talentos, mas, sim, o seu caráter. Isso me deixou extremamente pensativo. Saí do culto e cheguei em casa me perguntando: me conhecendo como me conheço, será que eu poderia ser considerado uma pessoa de caráter? Afinal, talentos todos temos: um canta afinado, o outro prega bem, há quem ensine com habilidade e outros que cuidam com competência da contabilidade. Eu recebi de Deus o talento de refletir e escrever. Mas… e o caráter?
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Confesso que essa reflexão me deixou bastante mal. Pois a conclusão a que cheguei é que meu caráter não é lá grande coisa. Como alguém que preza muito as palavras, fui ao dicionário procurar o significado de “caráter”. A definição é: “O que faz com que os entes ou objetos se distingam entre os outros da sua espécie; Qualidade distintiva;  Índole, gênio; Firmeza; Dignidade”. Sei que Jesus me salvou, sabe-se lá por quê, mas permaneço falho e cheio de defeitos. Passei, então, a refletir se me encaixo nas definições de “caráter”.
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O que faz com que os entes ou objetos se distingam entre os outros da sua espécie. Qualidade distintiva”. De forma alguma enxergo isso em mim. Não sou melhor do que ninguém. O que me diferencia dos demais é exatamente aquilo que meu pastor disse que não deve impressionar ninguém: talentos. Pois os dons que Deus me concedeu são únicos, assim como os que ele concedeu a você e a qualquer outro: todos nós nos distinguimos por nossos talentos (que são dons concedidos pelo Senhor, ou seja, nem mesmo pelos nossos talentos nós temos mérito). Fora isso nada me torna melhor do que qualquer outra pessoa: ideias, aparência, status social, educação, experiências, histórico familiar, realizações na vida… tudo o que você possa pensar é circunstancial. Não sou melhor, sou apenas diferente.

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carater 2“Índole”. Podemos dizer que, em termos de cumprimento de legislação, tenho uma boa índole: não roubo, não mato, não fraudo, não sonego, não dou propina. Mas, se formos olhar o interior… ah… quantos pensamentos maus, quantas inclinações pecaminosas, quantos sentimentos inconfessáveis. E nas práticas da vida… não me faça dizer quantos pecados já cometi em meus 19 anos de conversão. Primeiro, porque eu morreria de vergonha. Segundo, porque não caberiam neste post. Então a índole não é tão patente como parece: por mais que sejamos bons, nunca deixaremos de ser maus. “Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum, pois o querer o bem está em mim; não, porém, o efetuá-lo. Porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço” (Rm 7.18-19).
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“Gênio”. Pergunte à minha mãe e ela terá prazer em contar muitas histórias que revelam quão terrível é meu gênio. “Firmeza”. Meu irmão, minha irmã, como eu gostaria de ter sido firme em muitas e muitas vezes em que fraquejei! Já falhei tantas vezes no domínio próprio que não sei contar. Não, meu histórico denuncia um indivíduo bem menos firme do que o ideal. Por fim, “dignidade”. Aí eu leio o que João viu na visão do Apocalipse: “Vi, também, um anjo forte, que proclamava em grande voz: Quem é digno de abrir o livro e de lhe desatar os selos? Ora, nem no céu, nem sobre a terra, nem debaixo da terra, ninguém podia abrir o livro, nem mesmo olhar para ele e eu chorava muito, porque ninguém foi achado digno de abrir o livro, nem mesmo de olhar para ele” (Ap 5.2-4). Digno, eu? Não. Só Cristo me dignifica.
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Cheguei ao final da leitura do dicionário e de minha dolorosa reflexão e percebi que sou um homem cujo caráter jamais mereceria uma menção no púlpito. E nem fora dele. Não que eu não faça coisas boas, entenda, mas porque já fiz e ainda faço tantas coisas ruins que me considero, no máximo, alguém esforçado e que luta para alcançar o que Cristo deseja de mim. E esse é o ponto focal de toda esta reflexão, que muito me quebrantou, pela percepção da minha extrema falibilidade e pela noção clara de minha absoluta e total dependência da graça de Deus. Lembrei-me de que “As misericórdias do SENHOR são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim; renovam-se cada manhã” (Lm 3.22-23).
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carater 3Se depender de quem eu sou, em essência, jamais alguém poderá dizer “eis aí um homem de caráter” a meu respeito. Mas tenho uma ponta de esperança. E ela se volta totalmente para Cristo. Se o meu Salvador me estender sua graça diariamente, perdoar os meus pecados, purificar meus pensamentos, guiar minhas ações, me estimular em minhas omissões e me conformar ao seu caráter, quem sabe um dia alguém diga “eis aí um homem de caráter”. Se eu ouvir isso, por dentro saberei que, na verdade, não será o meu caráter deficiente que tal pessoa estará apontando, mas, sim, o caráter daquele que me amou primeiro e quis me chamar das trevas para a luz.
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Você vê falhas de caráter em si mesmo, meu irmão, minha irmã? Bem-vindo ao clube. Mas permita-me dar uma sugestão: busque a Cristo. Prostre-se constantemente aos seus pés. Rasgue seu peito em total transparência, confesse diariamente a ele os seus pecados, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga o Redentor. Esse é o bom combate. E se você combater o bom combate e sair vitorioso pelo sangue do Cordeiro, o que ouvirá no final não será “eis aí um homem de caráter”, mas algo ainda mais honroso, fruto única e exclusivamente da graça: “Muito bem, servo bom e fiel! […] Venha e participe da alegria do seu senhor!” (Mt 25.21).
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Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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egoistaFui almoçar com meus pais no Leblon, bairro de classe alta do Rio de Janeiro. Meu pai estava com muita vontade de conhecer um restaurante a que nunca tínhamos ido antes, daqueles bem caros, frequentado por famosos e gente de alta classe. Para você ter uma ideia, quem estava na mesa ao lado da nossa era Bernardinho, o técnico da seleção de vôlei, com a esposa e a filha. Cada prato custava uma fortuna. Tirando a mim, todos no restaurante eram da elite carioca. De repente, aconteceu algo que me fez pensar: aproveitando a distração dos garçons, um homem sem os dois braços se aproximou das mesas, na tentativa de ganhar uns trocados. Você não leu errado: ele não tinha os dois braços, apenas pequenas extensões abaixo dos ombros. A primeira pessoa a quem pediu dinheiro foi um homem muito bonito, extremamente bem arrumado, com relógio e adereços visivelmente caros, que estava sentado à mesa numa espécie de varanda junto à rua.

– Pode me ajudar?

Automaticamente, o incomodado cliente do restaurante deu uma resposta rabugenta, sem nem olhar direito para o pedinte:

– Não tenho dinheiro não, parceiro.

Confesso que essa resposta me deixou confuso com meus próprios sentimentos. Por um lado, sei de todas as recomendações para não dar esmolas, uma vez que muitos pedintes são “vagabundos profissionais”, que preferem ficar mendigando a buscar um trabalho. Mas, por outro… convenhamos, vai, o homem não tinha os dois braços! Em milissegundos, passou pela minha cabeça quantas oportunidades profissionais bem remuneradas aquele homem poderia ter. Ficou claro para mim que, no mínimo, a vida daquele ser humano era bem difícil e que viver da caridade alheia era uma de suas pouquíssimas possibilidades de renda.

egoista 1Algo naquela cena me incomodou bastante: a mentira deslavada do cidadão que negou ajuda. Era evidente que ele tinha dinheiro. Muito dinheiro. Pelo que comeu e bebeu, estimo que deve ter gasto no mínimo uns duzentos reais naquele almoço. Só os óculos de sol que usava deviam valer muitos almoços para o homem sem os dois braços. Dizer que não tinha dinheiro foi o passa-fora mais mentiroso que poderia ter dado. Seria mais honesto dizer algo como “não quero te dar dinheiro não, parceiro”.

Enquanto eu me revoltava contra o grã-fino mentiroso, adivinhe só: o pedinte virou-se justamente para mim:

– Pode me ajudar?

Depois de ter ficado chocado com a atitude do ricaço mentiroso, é óbvio que eu não só podia ajudar, como ajudaria com toda certeza! Afinal, não sou eu o cara que chora quando passam na televisão aqueles comerciais do ActionAid, do Médicos sem Fronteiras, da Fundação Abrinq e da AACD? Ajudar o próximo é comigo mesmo! Jamais recusaria auxílio a um necessitado! Sou um cristão, ora bolas! Como poderia me recusar a dar de comer a quem tem fome?!?!

Bem…

Tenho de confessar. Por um instante, eu hesitei. E quase soltei um “Não tenho dinheiro não, parceiro”. Foi fácil para mim fazer cara feia para o rico mentiroso, mas, por pouco, não me tornei um “classe média mentiroso”. Pois o meu impulso automático foi dizer exatamente a mesma coisa. Percebi que minha natureza humana, falha e egoísta, junto com meu senso de desconfiança aguçado, retiveram minha mão e fecharam meu coração. A vontade que eu tinha naquele momento de dar dinheiro para o homem era nenhuma. Afinal, era o meu dinheiro.

egoista 2Foi quando me dei conta de como somos condicionados a ser egoístas e só nos preocuparmos conosco. Ficou claro que eu fui adestrado a desconfiar de tudo e de todos e a achar que todos são espertalhões. Entenda que tudo o que estou descrevendo se passou num espaço de tempo mínimo, de ínfimos segundos. E minha reação imediata foi não ajudar o próximo. Não ajudar um homem sem os dois braços! Eu, o cara que na véspera tinha pago oito reais em um suco e quatorze reais em uma tapioca de Nutella, estava inclinado a não dar nem umas moedas a uma pessoa sem os membros superiores.

Foi preciso parar. Dominar meus instintos egoístas e desumanos. Respirar. Recordar do que o anjo disse a Cornélio em Atos 10.31. Tentar me vestir da natureza de Cristo. E, só então, minha mão desceu até a carteira e sacou alguma coisa. Sorridente, o homem virou as costas e pediu que enfiasse o dinheiro no bolso traseiro de suas calças. E prosseguiu em seu caminho.

egoista 3Fiquei pensando sobre aquilo. De fato, a humanidade é má. Precisamos de Cristo para superar nossos instintos e impulsos mais egoístas e  desumanos. Criticamos os “pecadores” e incorremos no mesmo pecado que eles. Conhecemos a piedade mas, frequentemente, nos esquecemos de pô-la em prática. É como se houvesse duas pessoas habitando nosso coração: Adão e Cristo. Só que “assim como, em Adão, todos morrem, assim também todos serão vivificados em Cristo” (1Co 15.22). Adão não pode prevalecer.

A luta é diária. Mas não podemos desistir. Se baixarmos a guarda, seremos derrotados pelo egoísta que habita em nós. Não permita que ele vença: supere a si mesmo e deixe que Jesus use seu braço, seu tempo, seus bens e seu coração para dar de comer a quem tem fome e de beber a quem tem sede.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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Queridos irmãos e irmãs em Cristo,

hoje não trago uma reflexão nos moldes que costumo fazer habitualmente. Concedi recentemente uma entrevista para a revista Comunhão, que foi publicada semana passada. Acredito que algo do que eu disse na reportagem pode edificar sua vida, por isso, permita-me, hoje, em vez de escrever uma reflexão em forma de texto, compartilhar uma em forma de entrevista. Basta clicar na imagem abaixo e você poderá ler não só minha entrevista, mas toda a revista de forma eletrônica – gratuitamente. Peço a Deus que abençoe sua vida.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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