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brasil 1O Brasil tem vivido dias de imensa fúria. Em nosso país, a situação deplorável do governo, a corrupção onipresente, a polarização entre adeptos da esquerda e da direita e a crise econômica lotam os noticiários, pautam as discussões e fazem as redes sociais fervilharem. Os debates que envolvem as notícias do dia, na maioria das vezes, são recheados de afirmações revoltadas, reclamações injuriadas, agressões para todos os lados e intermináveis discussões e trocas de acusações. Vivemos dias duros. A toda hora a notícia da hora nos faz ferver o sangue. Queremos comer o fígado de políticos, mandar os corruptos para o quinto dos infernos e explodir todos aqueles que não concordam conosco. Dias difíceis, os nossos. Dias saborosos para os zelotes e amantes da espada, mas estarrecedores para os mansos e humildes de coração. 

Tem sido raro encontrar aqueles que estejam plácidos, equilibrados e controlados diante do cenário da nossa nação. Os estoicos e blasés desapareceram do mapa, dando lugar aos explosivos e revoltados. A indignação é válida e devemos, sim, nos indignar com toda a lama que escorre dos palácios do governo e dos escritórios de grandes corporações corruptoras. Não há como amar a justiça e a verdade e se manter impassível diante do atoleiro de mentiras, trapaças, sujeiras e pecados que se tornou o Brasil. 

Minha pergunta é: como devemos manifestar toda essa justa e necessária insatisfação? Será que nós, cristãos, devemos reagir como o mundo reage, fazendo chacotas indecentes, usando palavras torpes, adjetivando de modo desrespeitoso fulano ou sicrano, destilando veneno em nossas palavras e em nossos memes, desejando que os maus morram e se arrebentem, entre posts imprecatórios nas redes sociais e falas avalânchicas por onde passamos? 

Qual é a postura adequada a quem vive para ser imitação de Cristo? O amor ou o ódio? A pacificação ou o acréscimo de lenha à fogueira? A destemperança ou a paciência? A amabilidade ou a ofensa? A bondade ou a raiva, destilada entre perdigotos e olhares injetados? A mansidão ou a fúria? O destempero ou o domínio próprio? Afinal, como devemos reagir a tudo o que nos cerca?

brasil 2Ser cristão é ser diferente. É nadar contra a correnteza, quando a correnteza não segue de acordo com o relevo do evangelho. É controlar nossos impulsos humanos de vingança e raiva para dar lugar à pacificação que nos fará bem-aventurados. Não somos cristãos se agimos e reagimos como o mundo, com a diferença que vamos à igreja aos domingos. Se somos iguais ao mundo, somos mundo – mesmo frequentando o culto e cantando músicas cristãs. Cabe, então, a pergunta: você tem reagido aos lamentáveis noticiários como um santo ou como um pagão? Como alguém que entende que sua pátria não é deste mundo ou como um cabeça-quente que vive entre imprecações e gritos de revolta? 

Sim, não devemos nos conformar com a injustiça. Não podemos, como servos de Deus, nos manter impassíveis diante da corrupção humana. Deus não fica impassível; nós também não devemos ficar. Meu questionamento não é “sim ou não”, mas “como”.  De que modo você reage? Que palavras escolhe ao se posicionar? O que há no seu coração? Sua alma busca a justiça e a verdade com paz ou com guerra? 

Os dias são maus, meu irmão, minha irmã. Mas não podemos permitir que a maldade do mundo caótico nos contamine. Temos de permanecer como diferentes, como luz. Brilhemos nessa treva tão densa. Afinal, se formos trevas em meio a trevas, que diferença fazemos? Se há uma hora em que precisamos mostrar ao mundo quem habita em nós, a hora é esta, pois é em meio à crise que os santos sobressaem. 

Jesus não nada no mar do caos, ele caminha por sobre as águas. Assim devemos nós fazer.

brasil 3Deixo a reflexão: como você tem se posicionado ante tantas notícias revoltantes que inundam os jornais do dia? Como um revoltado ou como um ponderado? Como um desvairado ou como um equilibrado? As notícias te dominam ou o Espírito Santo é quem conduz suas ações e palavras? Ser fiel ao amor quando tudo vai bem é moleza. Mas é justamente na hora em que alguém grita “fogo!” que descobrimos quem são os que dão passagem às mulheres e crianças primeiro e quem são os que saem pisoteando quem estiver pela frente. Quem é, afinal, que controla as suas palavras e as suas ações diante da miséria humana, da corrupção do mundo e do caos provocado pelo pecado? O amor? Ou o ódio? Descubra quem é o seu senhor na hora da crise e você constatará se tem agido conforme a vontade do Senhor Jesus Cristo. 

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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Ichtus6Sábado passado fui palestrar em um retiro de líderes de cerca de 40 igrejas batistas em São João de Meriti (RJ). Era ainda cedo e um irmão heroicamente se despencou de longe para me pegar em casa e me levar ao sítio onde aconteceria o evento. Estávamos no carro, a caminho do encontro, quando tivemos o susto: bem ao nosso lado ocorreu uma batida entre dois automóveis. Confesso que não entendo nada de marcas de carro, só sei que um era vermelho e o outro, verde. O verde dobrou mal uma esquina e acertou o vermelho na parte de trás. Com o susto do estrondo, olhei para o lado e vi que o carro atingido tinha diversos produtos cristãos colados na traseira: adesivos com versículos bíblicos e, bem no lugar da batida, um daqueles peixes de plástico prateado que reproduzem o símbolo primitivo de Jesus (o Ichtus). Paramos para ver se alguém tinha se machucado e vimos que os dois motoristas saíram ilesos da colisão. Foi quando o pior aconteceu.
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O que ocorre quando alguém bate no carro de um cristão? Que reação você espera do dono do automóvel? Confesso que, na minha ingenuidade, suponho que um servo de Cristo vai manter o domínio próprio (que é virtude do fruto do Espírito), vai pacificar (o que fará dele um bem-aventurado), conversará com o proprietário do outro veículo de forma mansa (mansidão também faz parte do furto do Espírito), será cuidadoso na escolha das palavras (Mateus 12.36 – “Digo-vos que de toda palavra frívola que proferirem os homens, dela darão conta no Dia do Juízo”), tudo o que falar será no sentido de resolver de forma civilizada o incidente (Provérbios 15.1 – “A resposta branda desvia o furor, mas a palavra dura suscita a ira”) e resolverá tudo com amabilidade (Tiago 1.19 – “Sabeis estas coisas, meus amados irmãos. Todo homem, pois, seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar”).
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Ichtus3Bem, isso era o que eu imaginava. Mas o que vi foi algo completamente diferente. O dono do carro cheio de adesivos cristãos já saltou falando os palavrões mais interessantes que ouvi em toda minha vida. Pense nos piores que você conhece. Pois foram exatamente esses que o irmão falou. E mais: enquanto o motorista aparentemente não cristão que bateu em seu carro veio com tranquilidade conversar, o servo de Jesus saltou de seu banco com uma atitude que me fez pensar que daria um tiro no outro – ou pelo menos sairia no braço. Ou seja: o mano chegou pronto para a briga.
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Não ficamos no local por muito mais. Mas ainda tive tempo suficiente de ver o amado irmão dizer montes de impropérios contra o pobre cidadão que teve o azar de bater nele, o que me fez lembrar um lutador de UFC “cristão”. Ou seja: mais agressividade impossível. Fui embora conversando com Wagner, meu anfitrião, sobre o testemunho público que nós, crentes em Jesus, temos dado para o mundo.
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Ichtus1A colisão foi bem em cima do Ichtus de plástico, ou seja, não tinha como qualquer pessoa que estivesse por ali não ver que aquele homem transtornado era frequentador de uma igreja evangélica, os adesivos denunciavam. E todos viram a reação agressiva do mano. O não cristão até tentou apaziguar a fúria desbocada do irmão em Cristo, mas só recebeu de volta pedradas, acusações, ofensas e ameaças.
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Belo testemunho. Se eu fosse aquele rapaz, pensaria que todos os evangélicos são desbocados, agressivos, descontrolados, belicosos. Em outras palavras: o que há de pior entre os homens. Isso me conduziu a uma profunda reflexão sobre como tem sido nosso exemplo ante a sociedade. Temos sido sal da terra e luz do mundo? Ou temos vivido um evangelho todo trocado, como sal do mundo e luz da terra – do tipo “parece mas não é”? Pois, se for o caso, se todos agirmos como aquele homem, para nada mais prestamos senão para ser lançados fora e pisados pelos homens. (Mt 5.13).
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Comportamento é uma coisa interessante, pois ele revela muito sobre a pessoa que se esconde por trás da máscara de crente. Nunca me esqueço de uma vez em que estava andando quando vi uma irmã em um ponto de ônibus. Caminhei contente em direção a ela para saudá-la, quando vi que fez sinal para um ônibus – que a ignorou e passou direto. A irmã, que não tinha me visto, gritou um palavrão para o motorista, questionando a moralidade da pobre mãe daquele indivíduo. Constrangido, me desviei e segui meu caminho sem que ela percebesse que eu tinha testemunhado aquela cena, para não envergonhá-la.
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Ichtus4Nossa pregação é inútil se nosso exemplo pessoal contraria o evangelho. Quando cometi meus piores pecados ocultos dei graças a Deus por ninguém ter visto, pois senão o Senhor teria sido vituperado pelo meu péssimo testemunho. Claro que o fato de muitos de meus pecados não terem se tornado notórios não os justificam em nada nem os tornam menos graves, mas, se há algum consolo, é que pelo menos Jesus e sua Igreja não foram envergonhados pelo meu comportamento horrível. Temos a responsabilidade, como cristãos, de dar exemplo em todo momento. Se vamos à igreja, damos glória a Deus e aleluia, mas nos comportamos como os mais mundanos dos mundanos, nos tornamos vergonha para o evangelho e não refletimos a luz de Cristo. Se defendemos valores bíblicos mas fazemos isso em rede nacional de TV aos berros, com agressividade e arrogância, em absolutamente nada estamos lutando pela causa do Senhor, o exaltando ou proclamando, mas sim traindo Jesus. Pregar o evangelho sempre deve ser feito com mansidão. Sempre. Pois nosso tom de voz e o amor em nosso olhar falam muito mais alto do que qualquer palavra que pronunciemos. Afirmar no Jornal Nacional que “só o Senhor é Deus” enquanto se dá um murro na cara de alguém glorifica Jesus?
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“Ah, pelo menos o evangelho foi pregado”, muitos justificam. E eu pergunto: foi mesmo?
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Nenhum de nós é perfeito. Eu e você pecamos e escorregamos muitas vezes por dia. Todo dia. Mas temos o dever de nos empenharmos ao máximo para viver aquilo em que cremos. Ainda mais diante do mundo. Costumo dizer que Deus não espera de nós perfeição, pois ele sabe que nunca seremos perfeitos. Mas ele espera, na verdade, o máximo possível de esforço para alcançar a perfeição. Porque isso sim é possível.
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Ichtus5Se baterem no seu carro, meu irmão, minha irmã, trate quem bateu com amor. Ele não fez de propósito – creio eu. Se alguém te ofender, não devolva mal com mal (Rm 12). Se te passarem para trás, ande a segunda milha (Mt 5.39-41). Dar a outra face não é ser frouxo nem banana, é ser crente. Pois, se não formos diferentes do mundo, em que somos diferentes do mundo? Se agimos como mundanos somos apenas mundanos que frequentam uma igreja. Ser cristãos exige de nós caminharmos na direção oposta do que todos caminham, nadar correnteza acima, trafegar pela contramão do mundo. Temos de ser ETs – pois realmente somos alienígenas, peregrinos em terra estranha.
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É fundamental que demos o exemplo para o mundo. Em palavras, ações e reações. E isso exige de nós esforço, pois o velho homem tem uma capacidade impressionante de pôr a nova criatura para escanteio. Ser sal e luz exige que façamos as coisas ao contrário do que nossa natureza humana determina. Porque, se não o fizermos, a única coisa que dirá que somos cristãos – para o mundo e também para Deus – serão os adesivos evangélicos na traseira de nossos carros.
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Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício