Arquivo da categoria ‘Igreja dos nossos dias’

O que é ser cristão? Essa pergunta pode parecer meio sem sentido, afinal, é óbvio o que implica ser cristão, certo? Bem, na verdade… não. Pois muitos cristãos parecem ter conceitos meio distorcidos sobre o real significado de uma vida com Jesus, o que influencia diretamente sua jornada com Cristo. Dependendo de como respondemos a essa pergunta, poderemos ser cristãos como Deus quer que sejamos ou uma caricatura bizarra do que um cristão deve ser, uma sombra do verdadeiro cristianismo. Este é um assunto que renderia um livro, mas eu gostaria de sintetizar rapidamente o tema, citando apenas quatro das muitas características de um verdadeiro cristão. Em seguida, vou explicar a razão desta reflexão.

Primeiro: um cristão verdadeiro, nascido de novo, que foi justificado e passou da morte para a vida, necessariamente ama o próximo. Isso é inegociável. Quando confrontado por um mestre da lei para que dissesse qual é o mandamento mais importante, Jesus não hesitou: “O mandamento mais importante é este: ‘Ouça, ó Israel! O Senhor, nosso Deus, é o único Senhor. Ame o Senhor, seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma, de toda a sua mente e de todas as suas forças’. O segundo é igualmente importante: ‘Ame o seu próximo como a si mesmo’. Nenhum outro mandamento é maior que esses” (Mc 12.29-31, NVT). Um detalhe: Jesus explicou, na parábola do bom samaritano, que esse “próximo” não se refere somente ao gente fina, ao amigo do peito, ao cara amável de quem todo mundo gosta, ao irmão na fé; nada disso, é, também, o diferente, o desagradável, o caído, o fedorento, o coberto de chagas, o asqueroso, aquele que nos causa repulsa, o abominável, o odioso. Guarde isso.

A segunda característica: ser um cristão é desejar que o próximo seja salvo do inferno e do sofrimento eterno. Pois o cristão verdadeiro é inundado a tal ponto do amor de Deus que lhe seria impossível desejar que alguém tenha de passar pelos horrores da eternidade sem Deus. A Bíblia afirma que muitos irão para o inferno, talvez a maioria das pessoas, mas saber disso é totalmente diferente de desejar que alguém vá para lá.

Antes que alguém comece a polemizar, deixe-me dizer que, a esse respeito, não faz a mínima diferença se você é calvinista ou arminiano, se crê na eleição incondicional ou condicional. Afinal, só Deus sabe com total certeza quem será salvo e quem não será; isso não compete a nós. E, como jamais saberemos quem verdadeiramente é salvo até chegarmos à glória celestial, nosso papel nesta vida é desejar que todos se salvem, mesmo sabendo que muitos não se salvarão. É por isso que evangelizamos, é por isso que obedecemos à grande comissão, é por isso que pregamos o evangelho a toda criatura: na esperança de que cada um a quem proclamamos a boa-nova seja alcançado pela graça de Deus e resgatado de uma eternidade de tormentosa distância de Deus. Portanto, nenhum cristão tem o direito de desejar que alguém vá para o inferno. Guarde isso.

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Terceiro, o cristão verdadeiro repudia os próprios desejos e impulsos quando eles estão em desacordo com a vontade de Deus. Jesus disse: “Se alguém quer ser meu seguidor, negue a si mesmo, tome diariamente sua cruz e siga-me” (Lc 9.23, NVT). Negar a si mesmo significa não fazer o que dá vontade de fazer para fazer o que Jesus quer que você faça. Assim, por exemplo, mesmo que eu me sinta profundamente ofendido por algo que alguém fez, em vez de nutrir ódio em meu coração por ele, ponho em prática o que diz a Palavra: “Abençoem aqueles que os perseguem. Não os amaldiçoem, mas orem para que Deus os abençoe. […] Nunca paguem o mal com o mal. Pensem sempre em fazer o que é melhor aos olhos de todos. No que depender de vocês, vivam em paz com todos. Amados, nunca se vinguem; deixem que a ira de Deus se encarregue disso, pois assim dizem as Escrituras: ‘A vingança cabe a mim, eu lhes darei o troco, diz o Senhor’. Pelo contrário: ‘Se seu inimigo estiver com fome, dê-lhe de comer; se estiver com sede, dê-lhe de beber. Ao fazer isso, amontoará brasas vivas sobre a cabeça dele’. Não deixem que o mal os vença, mas vençam o mal praticando o bem” (Rm 12.14,17-21, NVT). Guarde isso.

A quarta característica do cristão verdadeiro que eu gostaria de mencionar aqui é: ele pratica a apologética como a Bíblia determina que se pratique a apologética. E como é isso? Paulo responde: “O servo do Senhor não deve viver brigando, mas ser amável com todos, apto a ensinar e paciente. Instrua com mansidão aqueles que se opõem, na esperança de que Deus os leve ao arrependimento e, assim, conheçam a verdade. Então voltarão ao perfeito juízo e escaparão da armadilha do diabo, que os prendeu para fazerem o que ele quer” (2Tm 2.24-26, NVT). Em síntese: um verdadeiro servo do Senhor não é briguento e deve lidar com quem se opõe não com ódio, palavras ofensivas e agressividade, mas com amabilidade, paciência e mansidão, instruindo quem se opõe e não brigando ou atacando! O objetivo ao fazer isso? A esperança de que Deus leve o opositor ao arrependimento. A esperança da salvação. Quem diz isso não sou eu, é Paulo. Guarde isso.

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Muito bem, por que estou falando sobre esse assunto? Eu explico: há poucos dias, vi um jovem irmão em Cristo postar nas redes sociais um vídeo de um cidadão de uma igreja herética bem conhecida pregando a abominável teologia da prosperidade, dizendo aos fieis para “fazerem o sacrifício” de entregar carro, dinheiro e bens à igreja. Todos já vimos esse filme, é algo de revirar o estômago. É ofensivo ao evangelho verdadeiro. Até aí, todos compartilhamos da indignação com relação a esse tipo de engodo, que usa o nome de Deus para tirar dinheiro das pessoas. Mas o que me assombrou foi ver esse irmão, estudante de um excelente seminário teológico, que tem excelentes professores, postar o seguinte texto junto com o vídeo, em relação ao tal falso pastor: “Que Deus o leve logo para o inferno. Amém”. Sim, você não leu errado: “Que Deus o leve logo para o inferno. Amém”.

Confesso que ler essa afirmação abominável me revirou o estômago tanto quanto assistir ao vídeo abominável do “pastor” aproveitador. Por quê? Porque essa não é a postura que devemos ter como cristãos. Desejar que uma pessoa vá para o inferno não é, nem de longe, amar o próximo. Desejar que uma pessoa vá para o inferno não tem nada a ver com a postura de um cristão diante de alguém que ainda não foi alcançado pela graça. Desejar que uma pessoa vá para o inferno não é negar a si mesmo, é dar vazão a impulsos e desejos carnais em vez de olhar para os perdidos com o olhar que Deus teve ao enviar Jesus para morrer na cruz. Desejar que uma pessoa vá para o inferno é o oposto da apologética bíblica, pois é exatamente o que o diabo quis fazer com Adão e Eva.

Em suma, desejar que uma pessoa vá para o inferno é  tudo o que um cristão verdadeiro não deve desejar.

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Muitas vezes depararemos com pessoas ofendendo de tal modo o evangelho que nosso impulso será desejar que o juízo venha sobre elas. Porém, esse não é nosso papel: só Deus tem o direito de exercer seu justo juízo sobre os blasfemadores e os inimigos da fé. Lembremo-nos de que Paulo de Tarso não era uma pessoa melhor do que o tal “pastor” do vídeo até o dia em que foi confrontado por Cristo e alcançado pela graça. Todo pecador e blasfemador é um Paulo em potencial e não cabe a nós mandá-lo para o inferno. Nosso papel é orar por ele, pedindo a Deus que lhe estenda sua graça, o chame ao arrependimento, o justifique, faça dele nova criatura e o salve do inferno. O cristão verdadeiro precisa olhar para quem joga pedras na cruz com o desejo de que um dia ele venha a dizer: “Verdadeiramente, este era o Filho de Deus”.

Prefiro crer que um comentário desses vindo de seminaristas e irmãos em Cristo seja uma falha provocada por um processo de santificação e amadurecimento espiritual em estágios iniciais. Porque, se isso for um comentário que reflita uma postura solidificada de um cristão, que triste é ver cristãos que pensam isso. É um assombro. É o cúmulo da falta de piedade e misericórdia. Até porque o entendimento da obra de salvação de Cristo nos revela que todos nós éramos tão abomináveis como esse falso profeta do vídeo até sermos alcançados pela graça. O que não podemos admitir é que continuemos sendo abomináveis após a justificação. Espero que não seja o seu caso.

Quanto mais alguém estuda a Palavra e se aprofunda na teologia, mais deveria se aprofundar na piedade e na compaixão pelos espiritualmente doentes, e não no ódio e na agressividade. O falso pastor do vídeo não me assombra, pois ele visivelmente precisa de Cristo. Oro por isso. Oro por sua conversão. Oro para que um dia eu o encontre no céu. Duro é ver cristãos que frequentam bons círculos teológicos acharem que é bacana desejar que Deus mande alguém para o inferno. E, pior: “logo”. Incompreensível. Assombroso. Que tipo de cristianismo é esse?

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Paulo conta em 1Coríntios 5 o caso de um homem da igreja de Corinto que cometia o abominável ato de se relacionar sexualmente com a própria madrasta e, por isso, trazia escândalos para a Igreja de Cristo e sujava seu bom nome junto à sociedade. Repare que o apóstolo orienta a igreja a “excluir de sua comunhão o homem que cometeu tamanha ofensa” (v. 2, NVT) e, em seguida, diz: “Entreguem esse homem a Satanás, para que o corpo seja punido e o espírito seja salvo no dia do Senhor” (v. 5, NVT). O ato abominável leva Paulo a propor disciplina eclesiástica e até a desejar que o corpo do cidadão sofresse as consequências de seus atos, mas, com que finalidade? Que “o espírito seja salvo”!  Com isso, Paulo deixa claro que, por mais horripilante que seja o pecado de um homem, a finalidade e o desejo do cristão verdadeiro continuam sendo que as pessoas espiritualmente falidas sejam salvas do inferno. Porque desejar o horror eterno a alguém não é algo que nenhum cristão deva desejar para o próximo – por pior que ele seja.

Meu irmão, minha irmã, eu e você veremos com frequência pessoas que ofendem a cruz, que lançam lama no bom nome da Igreja de Cristo. Nosso estômago revirará. Sentiremos nojo, raiva, indignação. A questão é: como reagiremos a isso? E a resposta a essa pergunta é que demonstrará como anda nossa espiritualidade. Reagiremos com desamor, condenação, juízo, carnalidade, brigas, ataques e ofensas… ou como a Bíblia nos manda reagir? Abençoemos quem nos persegue. Oremos para que Deus os abençoe. Não devolvamos mal com mal, mas com o bem. E não há bem maior que alguém possa fazer por outra pessoa do que, em vez de desejar o que o diabo deseja para a humanidade, que é irmos para o inferno, desejar o que Deus deseja para a humanidade: que as piores pessoas do mundo creiam em Jesus e, assim, não pereçam, mas tenha a vida eterna.

Como disse no início deste texto, “o que é ser cristão?” é uma pergunta cuja resposta daria para escrever um livro. Mas quero terminar este texto respondendo, de forma curta e objetiva, a outra pergunta: “O que não é ser cristão?”. E a resposta é: com absoluta certeza, ser cristão não é querer que Deus leve logo alguém para o inferno.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >
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Sim, amar o próximo vai lhe custar caro, muito caro.  Prejudicará a sua reputação, fará pessoas lhe virarem a cara, tornará você malquisto em muitos círculos, o tornará alvo de questionamentos sobre suas intenções e até mesmo sobre a ortodoxia da sua fé. E isso por uma única e triste razão: as pessoas, em sua maioria, não estão preparadas para compreender o amor bíblico em toda a sua extensão e, menos ainda, a colocá-lo em prática. E, quando me refiro às “pessoas”, isso inclui cristãos e não cristãos, lamentavelmente.
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Na parábola do bom samaritano, Jesus explicou de modo claríssimo o que significa amar o próximo. Por meio de sua ficção, o Mestre deixou claro que o amor verdadeiramente bíblico não tem a ver com o outro ser ou fazer o que você é ou faria. Se você nivela seu amor por alguém tomando você próprio (suas crenças, certezas e posturas) como referência, não está amando o outro, mas endeusando a si mesmo.
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Se você só ama quem crê, pensa, age, se veste, canta, fala, vive ou prega como você, seu amor não nasceu no coração de Deus, nasceu no seu narcisismo. O samaritano tinha tudo para odiar o homem que ajudou, porque aquele cara caído à beira da estrada representava tudo o que a vida lhe ensinou que ele deveria odiar. Mas, ainda assim, ele passou por cima de tudo e o amou – com compaixão sincera e com atitudes condizentes.
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Em muitos ambientes do nosso meio evangélico – apaixonado por modelos, patotas e rótulos pré-concebidos -, amar o próximo fará de você um proscrito. Se você está realmente disposto a amar o próximo como o samaritano amou – isto é, como Cristo ama -, saiba que você será isolado e rejeitado. Vão chamá-lo de adjetivos nada elogiosos, farão piadas de você e deixarão de convidá-lo para almoçar. E isso simplesmente porque muitos não entendem o que é o amor bíblico e o confundem com caricaturas bizarras de seu amor imaginário.
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Faça o teste: quando você demonstra publicamente amor pelos arminianos, será rejeitado pelos calvinistas, e vice-versa. Se demonstra amor pelos pentecostais, os cessacionistas o desqualificarão, e vice-versa. Se ama sem censuras os cristãos com ideologias políticas de direita, os de esquerda o rotularão, e vice-versa. Se, por amor às ovelhas de Cristo, vai pregar numa igreja de neopentecostais, será xingado de “herege” para baixo. Se, por amor à Igreja de Cristo, vai pregar numa igreja presbiteriana, será qualificado de “crente frio” e “sorveteriano”. Se você, por amor, trata com carinho um cantor de música gospel, será ofendido por quem só canta hinos antigos. Se ama um católico romano à vista de todos, vão chamá-lo de ecumênico. Se ama um umbandista, vão chamá-lo de desviado. Se ama um homossexual, vão chamá-lo de apóstata. Se ama aquele pastor complicado, vão chamá-lo de liberal. E assim por diante.
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A grande dificuldade da maioria das pessoas é compreender que amar não significa concordar. Tampouco significa fazer o que o outro faz. Muito menos ser conivente com práticas equivocadas ou pecaminosas de pessoas a quem você dá amor. Jesus amou a samaritana, mas não concordava com seu estilo de vida. Também amou a mulher flagrada em adultério, mas nunca pecou em sua sexualidade. Ele jamais roubou ou concordou com o roubo, mas amou o ladrão da cruz. E amou sempre esperando que esse amor conduzisse as pessoas diferentes dele ao arrependimento e a uma situação a que só o amor pode levar. Amar não é nada do que a maioria das pessoas pensa. E, por isso, a incompreensão sobre o amor cristão leva muitos cristãos a rejeitar, isolar, criticar, diminuir, desprezar, atacar, repudiar e desmerecer aquele que verdadeiramente ama de forma cristã. E isso é muito, muito, muito triste.
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Deixe-me repetir isto, porque é importante: amar não significa concordar. Tanto é verdade que Deus amou o mundo. Primeiro ele amou o mundo e só depois deu seu Filho para a salvação desse mesmo mundo. Preste atenção: Deus amou o mundo, com todo seu sistema de valores caídos, pecados, horrores (e, evidentemente, o Senhor não concordava com nada disso nem era conivente com os males do mundo). E amou tanto que sua compaixão o levou a abraçá-lo e dar-lhe Cristo. A cruz é a maior e mais divina prova de amor de alguém por outra totalmente diferente de si e que não merecia esse amor. A própria encarnação da Palavra em Jesus nos lembra deste fato: amar não tem nada a ver com concordar.
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A verdade é que aquilo que muitos chamam de “defesa da verdade” é, na realidade, ódio pelo diferente travestido de pseudoamor cristão. Muita da apologética que vemos por aí é, na verdade, não amor a Deus e ao próximo, mas a exaltação das próprias crenças, recheada com altas doses de narcisismo e vaidade. Muita segregação “em nome do amor à verdade” é apenas a incapacidade emocional de lidar com o contraditório. Amar como Cristo amou não é amar o cheiroso, o bonito e o que lhe diz “amém”. Amar de verdade é abraçar o espiritualmente leproso, fétido e podre, simplesmente porque a presença de Cristo transborda de tal modo em seu coração que você não conseguiria não abraçar.
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“Se alguém afirma: ‘Amo a Deus’, mas odeia seu irmão, é mentiroso, pois se não amamos nosso irmão, a quem vemos, como amaremos a Deus, a quem não vemos? Ele nos deu este mandamento: quem ama a Deus, ame também seus irmãos” (1Jo 4.20-21). Temos uma decisão a tomar: restringir o amor apenas a quem consideramos “merecedor” ou “digno” do nosso amor e, assim, desfrutar do apreço dos nossos pares, ou amar como Cristo nos ensinou a amar e, com isso, preparar nosso couro para lambadas, desprezo, ataques, segregação e o pior tipo de religiosismo seletivo.
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Meu irmão, minha irmã, amar vai cobrar seu preço, mas vai aqui meu encorajamento: ame. Ame com todas as suas forças. Ame sem vergonha humana. Ame por não conseguir não amar. Não desista de amar. O desprezo dos fariseus e mestres da lei jamais levou Jesus a deixar de amar. Ele persistiu no amor, simplesmente porque não amar seria negar sua natureza, sua essência. O mesmo devemos nós fazer. Até porque quem tem Cristo no coração é incapaz de ser seletivo no amor; antes, ama todos, sem distinção: os leprosos, os coxos, os fedorentos, os inimigos, os de outras religiões, os de outras denominações, os de outras ideologias políticas, os que não creem no que você crê, os que erram em sua teologia, os hereges, os que enfiam cravos em suas mãos e pés.
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Termino esta reflexão com as palavras do Mestre: “Vocês ouviram o que foi dito: ‘Ame o seu próximo’ e odeie o seu inimigo. Eu, porém, lhes digo: amem os seus inimigos e orem por quem os persegue. Desse modo, vocês agirão como verdadeiros filhos de seu Pai, que está no céu. Pois ele dá a luz do sol tanto a maus como a bons e faz chover tanto sobre justos como injustos. Se amarem apenas aqueles que os amam, que recompensa receberão? Até os cobradores de impostos fazem o mesmo. Se cumprimentarem apenas seus amigos, que estarão fazendo de mais? Até os gentios fazem isso. Portanto, sejam perfeitos, como perfeito é seu Pai celestial.” (Mt 5.43-48).
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Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >
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Tudo o que Jesus pregou e ensinou durante seu ministério terreno foi teologia pura. Quando analisamos os sermões e as falas públicas de Cristo fica claríssimo que ele discorreu sobre escatologia, soteriologia, pneumatologia, eclesiologia, cristologia, hamartiologia e outras áreas de conhecimento da fé cristã. Isso é inegável. Por isso, desde a minha conversão, há 22 anos, me apaixonei pela teologia de Cristo e passei a devorar tudo o que pudesse a fim de aprender mais e mais. Porém, o que mudou tudo na minha vida cristã e refletiu diretamente naquilo que escrevo e prego foi analisar, há cerca de seis anos, a forma como Jesus abordou sua teologia: de maneira simples, em linguagem popular, usando metáforas do dia a dia das pessoas de seu tempo, contando historinhas de ficção… enfim, Jesus raramente complicou sua mensagem; pelo contrário, preferiu na maior parte do tempo simplificá-la. Logo, se somos imitadores de Cristo, devemos imitá-lo nisso também.
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Alguns exemplos: quando Jesus quis falar sobre o nosso exemplo pessoal para o mundo, usou a imagem do sal, algo que todos usavam no dia a dia de Israel para conservar seus alimentos (Mt 5.13). Também recorreu à imagem de uma lâmpada, usada por todos naquela cultura para iluminar suas casas (Mt 5.14). Simples. Compreensível. Ao alcance do entendimento de todos.
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Jesus flores pássarosQuando Jesus expôs verdades sobre a soberania e o cuidado de Deus na vida de seus filhos, falou sobre… passarinhos. “Por isso eu lhes digo que não se preocupem com a vida diária, se terão o suficiente para comer, beber ou vestir. A vida não é mais que comida, e o corpo não é mais que roupa? Observem os pássaros. Eles não plantam nem colhem, nem guardam alimento em celeiros, pois seu Pai celestial os alimenta. Acaso vocês não são muito mais valiosos que os pássaros?” (Mt 6.25-26). Outra imagem a que ele recorreu para tratar do mesmo assunto foi a de… flores. Belas e delicadas flores: “E por que se preocupar com a roupa? Observem como crescem os lírios do campo. Não trabalham nem fazem roupas e, no entanto, nem Salomão em toda a sua glória se vestiu como eles. E, se Deus veste com tamanha beleza as flores silvestres que hoje estão aqui e amanhã são lançadas ao fogo, não será muito mais generoso com vocês, gente de pequena fé?” (Mt 6.28-30).
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Coisas simples. Cotidianas. Compreensíveis. Fáceis.
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As parábolas, por sua vez, são um exemplo espetacular da simplicidade da forma de Jesus apresentar as mais profundas verdades da espiritualidade cristã. Ao falar sobre assuntos teologicamente profundos – como pecado, arrependimento, justificação, Igreja e a doutrina de Deus -,  Jesus falou sobre família, um filho rebelde, herança, prostitutas, chiqueiro, festa, enfim, coisas que absolutamente todos que o escutavam entendiam. Enquanto os religiosos judeus de então se perdiam em complicadas, elaboradas e intermináveis discussões teológicas, com partidarismos rabínicos e segmentações doutrinárias, Jesus inventava histórias sobre alguém que perdeu dinheiro e sobre um pastor que busca uma ovelha que se desgarrou – brilhantes tratados soteriológico e hamartiológicos, elaborados para serem compreendidos por qualquer pessoa, da mais erudita à analfabeta (Lc 15).
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Confesso que me assusto quando vejo pessoas discutindo sobre o evangelho usando palavras incompreensíveis, com estruturas e esquemas rebuscados e dificílimos, em abordagens que simplesmente complicam aquilo que Jesus simplificou, indo na contramão do jeito de Cristo de expor sua teologia. Há espaço para o rebuscamento? Claro que há! Numa sala de aula de um seminário teológico ou num congresso acadêmico, onde todos os que ali estão falam aquela linguagem difícil e entendem os malabarismos de raciocínio utilizados, não há nenhum problema em se recorrer a um jeito erudito e complicado para um reles mortal. Mas, publicamente, não consigo enxergar absolutamente nenhuma razão para se complicar o que Jesus não complicou. O evangelho de Cristo foi anunciado e discutido por Cristo de modo fácil, falasse ele para pescadores, pastores, prostitutas, pedintes ou autoridades do governo.
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As pessoas que ouviam Jesus podiam não compreender plenamente as realidades espirituais que ele anunciava, por serem muito elevadas, mas ainda assim Cristo recorria a um formato e um linguajar facílimo para explicar tais realidades (como no vocabulário, na estrutura de exposição e no uso de imagens cotidianas de sentido simplificado). E por que não deveríamos nós fazer assim também? Jesus falava às multidões. E “multidão” pressupõe um grupo numeroso e diversificado de pessoas, entre elas, com absoluta certeza, gente simples, que precisava entender o evangelho com simplicidade. Afinal, uma mensagem que não é compreendida não é uma mensagem – são sons e palavras sem significado e, logo, são inúteis. Repito: inúteis.
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Fui confrontado recentemente com essa questão, ao ser convidado pela editora Mundo Cristão a escrever os estudos e os comentários de uma Bíblia, em parceria com meu amigo e editor Daniel Faria. Aceitei o desafio. Toda essa necessidade de simplificar, tudo o que escrevi até aqui neste post, martelou diariamente em minha mente durante o processo de escrita dos textos da Bíblia Sagrada Na Jornada com Cristo. Confesso que a tentação de escrever de forma difícil para ser admirado entre os intelectuais e acadêmicos foi grande. Já vi pessoas desdenharem quem escreve com simplicidade dizendo que “fulano é raso”, “beltrano é superficial” e acusações ignorantes semelhantes, pois confundem simplicidade com superficialidade. E ninguém gosta de ser desdenhado, não é? Mas precisei me agarrar à consciência de que, se temos de caminhar nos passos de Jesus, precisamos negar nosso ego, rejeitar nossa vaidade e pensar na eficiência da transmissão da mensagem e não no nosso status junto aos eruditos.
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Por essa razão, tudo o que escrevi na Bíblia Sagrada Na Jornada com Cristo tem como objetivo transmitir a mais profunda teologia cristã da maneira mais simples e compreensível possível, em textos que procurei tornar gostosos e prazeroso de ler, a fim de não só transmitir conhecimento teórico, mas conduzir o leitor a viver o evangelho na prática.
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Este mês é o lançamento da Bíblia Sagrada Na Jornada com Cristo. Se você me permite, gostaria de convidá-lo a lê-la e a presenteá-la ou indicá-la aos seus amigos que precisam entender mais sobre a fé cristã – em especial os recém-convertidos, a quem recomendo com ênfase a Bíblia Sagrada Na Jornada com Cristo. Não falo isso por interesse comercial nem nada do gênero, acredite, mas por real convicção de que os estudos e textos dessa obra podem auxiliar no crescimento e no conhecimento de todos aqueles que amam a Deus e sua Palavra mas têm dificuldade de entender teologia acadêmica ou não tiveram oportunidade de se aprofundar nela. Creia: você terminará a leitura compreendendo muito mais da fé cristã, por desfrutar de profundidade com simplicidade. Se desejar mais informações, clique neste link: < Bíblia Sagrada Na Jornada com Cristo >.
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Peço a Deus que, se vier a ler a Bíblia Sagrada Na Jornada com Cristo, seja muito edificado pelos textos e estudos que ela contém. Todos foram escritos com muito temor, tremor e amor. E com a preocupação de torná-a uma leitura agradável e fácil, simples na forma e profunda no conteúdo.
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Meu irmão, minha irmã, invista na simplicidade em sua vida de fé. Olhe os passarinhos. Olhe as flores do campo. Descubra as realidades da vida e da eternidade pelas belezas com que a graça de Deus nos presenteia. Ame o próximo do modo mais simples que puder: com um copo d´água no calor, um sorriso na tristeza, um abraço na solidão, uma lágrima solidária na dor. Ore com simplicidade. E lembre-se de que o Criador de tudo o que há nos bilhões de galáxias do espaço infinito escolheu salvar você não por meio de um gigantesco e complexo evento cósmico, mas por meio da morte de um carpinteiro pobre e maltratado em uma rude cruz de um canto distante e esquecido do mundo. Simples. Mas com resultados que ecoarão por toda a eternidade.
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Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >
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Comprei no início deste ano um apartamento novo, a fim de trazer meus pais para morar comigo. Pelo valor que eu podia pagar, só consegui encontrar um apartamento caindo aos pedaços, que teria de passar por uma grande reforma para ser habitável. E assim foi: em janeiro começamos a obra, prevista para acabar em abril. Porém, chegamos ao último dia de outubro e a reforma ainda não terminou. E isso por uma série de razões, todas ligadas ao pecado e à falibilidade humanos. Vou lhe contar um pouco dessa saga.

Mandamos fazer uma escada com um serralheiro. Depois de mais de um mês esperando a dita cuja ficar pronta, o que aquele profissional aprontou foi algo que seria melhor definido como um “troço”. Tivemos de desfazer o negócio e arcar com um grande prejuízo. Depois, o profissional que contratamos para laquear e pintar as portas fez um serviço sofrível e danificou paredes, chão e outras partes do apartamento. Mais tempo perdido. Mais dinheiro jogado fora. E por aí foi: tivemos pintores desqualificados, marceneiros que não cumpriram o que prometeram… e muito mais. O resumo da ópera é que tivemos de lidar com uns profissionais que não cumpriram o que prometeram, outros que maldosamente tomaram atitudes que nos prejudicaram e outros, ainda, que muitas vezes fizeram da reforma algo mais estressante do que feliz. Ainda assim, a reforma era indispensável, apesar de pessoas afetadas pelo pecado terem participado do processo.

Hoje celebramos 500 anos da Reforma Protestante, movimento deflagrado em 1517 pelo monge agostiniano Martinho Lutero, que tinha por objetivo reformar a Igreja Católica Apostólica Romana, instituição que ao longo dos séculos saiu dos trilhos e se distanciou dos princípios da Igreja apostólica. Lutero, junto com outros pensadores, tais como Calvino e Zuínglio, promoveram um trabalho de resgate dos princípios do evangelho de Jesus, com retorno à centralidade de Cristo, ao conceito da salvação somente pela graça e mediante a fé, ao entendimento de que a Escritura é a única e suficiente regra de fé e prática do cristianismo, e à compreensão de que a glória deve ser dada somente a Deus.

Esse movimento não purificou a Igreja Católica, pois seus líderes não o aceitaram, mas levou o papa Leão X a excomungar Lutero. Em outras palavras, Lutero foi expulso. Com isso, surgiu a Igreja reformada, da qual é herdeira hoje uma série de denominações cristãs, que se chamam de “reformadas”, “protestantes” ou “evangélicas” (há divergências sobre o significado exato de cada um desses termos, que não vêm ao caso para os propósitos deste texto). Claro que estou simplificando enormemente o que aconteceu, mas, em resumo, foi isso.

Nos últimos 500 anos, no entanto, muitos homens e mulheres que fazem parte desse ramo da Igreja agiram do mesmo modo que os pintores, pedreiros, laqueadores e serralheiros que participaram da reforma de meu apartamento e mais estragaram e atrapalharam do que ajudaram. A ignorância, a maldade ou a falibilidade humana levaram ao surgimento de crenças e práticas erradas, como teologia da prosperidade, confissão positiva, autoajuda gospel, aceitação da agressividade como forma de posicionamento supostamente cristão, bizarrices neopentecostais, doutrinas antibíblicas de batalha espiritual, canonização de usos e costumes, e outras práticas e teologias equivocadas.

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Sob a influência de tais maus descendentes da Reforma, muitos membros dessa igreja oriunda das ações dos reformadores passaram a acreditar em uma espécie de “evangelho” esquisito, como tipos de “cristianismo” que põem o homem no centro, que hipervalorizam o dinheiro, que estabelecem o sucesso pessoal como a medida de bênção de Deus, que fazem parecer que é possível ser grosseiro e cristão ao mesmo tempo e por aí vai.

Assim como o serralheiro que atrapalhou minha reforma, há quem desuna a Igreja de Cristo considerando que só sua denominação é a certa. Assim como os pintores que fizeram trabalhos mal feitos, há quem ensine evangelhos só de bênção e não de arrependimento e contrição. Assim como os pedreiros que deixaram a desejar, há quem creia que o Deus glorificado na Reforma aprova uma apologética bruta e agressiva. Assim como os profissionais que nos decepcionaram em diversos momentos no processo de reforma do apartamento, há aqueles que trazem “segundas revelações” apócrifas ao evangelho resgatado pela Reforma. E assim por diante.

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Louvo a Deus pois, hoje, a Igreja de Cristo prossegue adiante, pregando a mensagem da cruz, investindo em missões, discipulando, divulgando as doutrinas da graça, incentivando a santidade, denunciando o pecado, edificando a noiva de Cristo, glorificando a Deus. Porém, passados 500 anos da Reforma, devemos continuar como Igreja que se reforma continuamente. A começar por nós mesmos, pessoas. Pois de nada adianta reformar ideias e instituições e deixar indivíduos como estão. Alguns dos maus profissionais que prejudicaram minha reforma não reconheceram seus erros. Não podemos fazer o mesmo. O melhor meio de você contribuir com a reforma da Igreja de nossos dias é fazendo um mea culpa, reconhecendo seus erros, mudando seu modo de agir, voltando às boas práticas.

Você acha que seguir reformando a Igreja é apenas combater o erro dos outros? Não é. O que de melhor você pode fazer pela Igreja é parar de olhar para o lado e consertar os seus erros; arrepender-se das suas falhas; confessar os seus pecados; e abandonar a arrogância doutrinária, a agressividade apologética, a soberba denominacional, a vaidade teológica, o sectarismo espiritual. Mude-se. É um bom começo. Às vezes, as suas intenções são ótimas, mas a sua pintura está péssima, a escada que você está construindo está torta, o cano que você instalou está vazando. O que você precisa fazer? Antes de querer reformar algo, sua urgência maior é reformar a si mesmo.

Como eu posso defender isso? Com base na minha própria experiência de reforma de mim mesmo. Na época em que eu dedicava meu tempo, minhas energias e minha saliva para ficar metendo o malho nos outros em vez de promover as belas virtudes do evangelho, praticamente não consegui promover mudança alguma em ninguém. Só gerei ódio. Eu era só um brigalhão esbravejando pela Internet. Mas, no dia em que decidi mudar a mim mesmo, procurando aproximar-me mais do caráter e do temperamento do manso Cordeiro, vi e colhi muitos frutos, que ecoaram na vida de muitas pessoas. E isso tendo por base bíblica passagens como: “Não imitem o comportamento e os costumes deste mundo, mas deixem que Deus os transforme por meio de uma mudança em seu modo de pensar, a fim de que experimentem a boa, agradável e perfeita vontade de Deus para vocês” (Rm 12.2, NVT), “E não pequem ao permitir que a ira os controle. Acalmem a ira antes que o sol se ponha, pois ela cria oportunidades para o diabo” (Ef 4.26-27, NVT), “Da mesma forma, suas boas obras devem brilhar, para que todos as vejam e louvem seu Pai, que está no céu” (Mt 5.16, NVT), “Se amarem apenas aqueles que os amam, que recompensa receberão? Até os cobradores de impostos fazem o mesmo. Se cumprimentarem apenas seus amigos, que estarão fazendo de mais? Até os gentios fazem isso” (Mt 5.46-47, NVT), e “Eu, porém, lhes digo que basta irar-se contra alguém para estar sujeito a julgamento. Quem xingar alguém de estúpido, corre o risco de ser levado ao tribunal. Quem chamar alguém de louco, corre o risco de ir para o inferno de fogo” (Mt 5.22, NVT).

Parabéns a todos os filhos da Reforma Protestante: presbiterianos, batistas, metodistas, pentecostais, continuístas, cessacionistas, calvinistas, arminianos, credobatistas, pedobatistas… enfim, todos os meus irmãos e irmãs em Cristo que, por mais que cometam um ou outro erro teológico, continuam acreditando em cada tópico do Credo Apostólico. Embora derrapem em um ou outro equívoco teológico, ainda assim são meus irmãos. Que mais nos unamos pelo que temos de igual do que nos distanciemos pelo que nos diferencia. Nosso Deus é o mesmo, o de Abraão, Isaque e Jacó. Nossa cruz é a mesma, a do Calvário. Nossos pecados nos igualam. Nossa esperança é o mesmo céu. Jesus é o mesmo Jesus em todas as igrejas que não negociaram o evangelho, apesar de suas diferenças.

Não me venha falar da reforma do meu apartamento, por favor, pois ela tem me estressado e, sinceramente, às vezes acho que seria melhor que ela não tivesse acontecido. Mas falemos todos os dias sobre a reforma da Igreja, que começa pela reforma de nós mesmos. Pois essa, se não acontecer, nos conduzirá para longe dos ideais resgatados pela Reforma Protestante: os ideais do evangelho de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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Minha filha de 6 anos tem um coração admirável. Ela é bondosa, amável, generosa, carinhosa e gentil. Gosta de dar presentes para as amigas e professoras, tem prazer em servir o papai (fazendo café, massagem e outros mimos), procura pacificar quando coleguinhas criam confusões na escola, não revida quando um amiguinho a machuca, esse tipo de coisa. Sou muito grato a Deus por ter-me dado uma filha com características que admiro tanto num ser humano e que me fazem suspeitar que ela tem a semente do Espírito Santo no coração. Mas há um momento da vida de minha filha em que não me sinto feliz com ela e fico profundamente incomodado com seu procedimento: os minutos seguintes a ela chegar da escola.

Minha bebê retorna do colégio de condução escolar, por isso vem junto com crianças de todas as idades, a maioria mais velha. E esse contato tem sido bastante prejudicial, pois ela aprende montes de coisas erradas, ouve e repete funks hediondos, aprende comportamentos mundanos, escuta e repete todo tipo de palavrões, vê e imita formas de falar desagradáveis e reprováveis. Com certa frequência, logo que chega em casa, no embalo da bagunça e do ambiente nada cristão do ônibus, ela entra porta adentro repetindo o que ouve e vê das demais crianças na condução. Sei que ela não se dá conta com total clareza de quão reprovável é tudo isso, então, geralmente, eu nessas horas preciso sentá-la, conversar com ela, orientar, explicar por que aquilo tudo é errado e chamá-la de volta ao seu modo habitual de ser. E ela escuta. Se dá conta do erro. E obedece. Em poucos minutos, a filhota volta a ser a criança de coração admirável que me faz sorrir. Com frequência, porém, após um ou dois dias ela volta a ser influenciada pelo meio que a cerca e novamente fala ou age de um jeito reprovável. E, novamente, tenho de pará-la, lembrá-la de que aquilo é errado e esperar que ela caia em si e volte a agir de modo que me faça orgulhoso e me deixe feliz. 

Um pai sempre quer que seus filhos ajam da maneira que ele considera correta. Se você é pai ou mãe sabe do que estou falando. Por essa razão, meu coração transborda quando minha bebê age com amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio. Fico exultante quando ela fala com gentileza, quando me relata que o amiguinho a mordeu mas ela conversou com ele e o perdoou, quando age como mediadora de colegas para acabar com brigas e levá-los a fazer as pazes. Nessas horas, fico orgulhoso e sinto um júbilo especial, uma sensação difícil de descrever. Por outro lado, quando a vejo imitar comportamentos que não estão de acordo com o que acho correto, fico triste, incomodado e sou impulsionado a fazer algo para que a filhota perceba que aquilo que está fazendo não é bom e não reflete quem ela é. 

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Se você acompanha há algum tempo o APENAS, sabe da minha cruzada pessoal para alertar meus irmãos e minhas irmãs em Cristo de que um cristão que se diz nascido de novo obrigatoriamente tem de manifestar as virtudes do fruto do Espírito. Não vejo base bíblica alguma que justifique alguém que se diz salvo ser destemperado, agressivo, bruto na forma de falar, se posicionar e discordar. Em minha visão bíblica, cristãos professos que se comportam dessa forma ou não nasceram de novo ou se deixaram enganar pelos “colegas do ônibus escolar”. Acreditam que podem ser cristãos e ao mesmo tempo arrogantes, debochados, maldizentes, depreciadores, semeadores de discórdia entre irmãos em Cristo, agitadores ou ofensivos. Isso é tão coerente quanto dizer que o fogo pode ser molhado. São conceitos imiscíveis, incompatíveis. 

Como pai, detesto quando minha filha fala de jeito reprovável ou age de modo que entristeça meu coração. Por essa razão, consigo sentir um lampejo do que Deus sente ao ver aqueles que se dizem seus filhos agirem como multidões têm agido, com destempero, descontrole, deboche, espírito faccioso e montes de outras obras da carne.

Você pode estar pensando: “Lá vem o Zágari de novo falar sobre esse assunto”. Desculpe, meu irmão, minha irmã, mas não consigo não falar. Pois, do mesmo modo que eu, por amor, jamais cessaria de apontar à minha filha os erros em sua forma de falar e agir até que ela se corrigisse, não consigo ficar inerte ao ver membros do mesmo Corpo que eu agindo e falando como mundanos e dar as costas a isso, fingindo que está tudo certo. Pois amo Deus demais para ver tantas atitudes que entristecem o coração divino e deixar por isso mesmo. Não dá. Não tenho como. Não consigo. Quero ver Deus sorrindo ao olhar para aqueles que se dizem seus filhos, e não entristecido pela forma desviada como muitos têm se comportado “em nome de Jesus”. 

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Assisti recentemente a um vídeo no YouTube em que dois manos conversam sobre islamismo. O vídeo foi ótimo. O meu erro foi decidir ler os comentários. Fiquei horrorizado com a forma como vi diversos cristãos discordando do que foi dito no vídeo. Quanta deselegância. Quanto mundanismo. Quanta ofensa gratuita. Meu intelecto limitado não consegue  compreender o que leva alguém que diz seguir os ensinamentos do Príncipe da Paz e do Manso Cordeiro a se comportar como o pior dos mundanos na hora de se posicionar, expor suas crenças e discordar de outras pessoas. Raiva, desdém e rancor no conteúdo. Palavras torpes, sentimento faccioso e descontrole na forma. Em suma: um jeito totalmente anticristão de ser. 

Meu irmão, minha irmã, pode ser que a ênfase da sua vida espiritual esteja em coisas como tentar transformar arminianos em calvinistas, pré-milenistas em amilenistas ou cessacionistas em pentecostais, não sei. Vejo muitos que fazem desse tipo de coisa a bandeira de sua missão. Eu respeito essa escolha, embora não a veja como prioritária. A minha missão é tentar mostrar que o amor com que Deus quer que nos amemos é indispensável para quem se diz cristão. Em tudo. Até mesmo na divergência de ideias.

Amar é o mandamento maior. E uma gigantesca parte da Igreja está ocupada demais para amar; ocupada atacando irmãos em Cristo que pensam de forma diferente, discutindo o sexo dos anjos, coando mosquitos e engolindo camelos, irando-se e se engajando em discussões áridas e infrutíferas. Amar pressupõe instruir e não desqualificar. Amar pressupõe ensinar com carinho e não fuzilar. Amar pressupõe ouvir o discordante com paciência e mansidão e não com cabeças balançando e olhares revirados. Amar pressupõe ver o bem do próximo e não tentar mostrar que o próximo é um burro que não entende nada daquilo sobre o que você acha que sabe tudo. Amar é algo muito mais elevado do que aquilo que muitos aprenderam no ônibus escolar e replicam achando que está tudo bem.

Eu sou um chato, eu sei. Vivo repetindo essa chatice que é a necessidade prioritária e urgente de amar. Tudo bem, já entendi que, para muitos, amor não é um tema tão empolgante como debates acadêmicos sobre o sexo dos anjos. Amar está muito fora de moda na era das redes sociais, na qual todo mundo se acha o ensinador dos não iluminados e que, em nome da defesa da sã doutrina que manda amar até mesmo os inimigos, é justificável agir com total desamor. Amor se tornou um assunto brega em muitos círculos teológicos. O negócio é discutir em congressos o que seria a igreja relevante (quando a Bíblia já diz há séculos que a igreja relevante é a que ama), debater em programas de TV doutrinas soteriológicas (quando não adianta nada ser calvinista ou arminiano se você não ama quem crê na doutrina em que você não crê), ridicularizar quem crê de maneira divergente quanto aos dons (quando Paulo deixa claro que o dom supremo é o amor).  E por aí vai. 

Não, meu irmão, minha irmã, amor não é assunto para revistas femininas adolescentes e para poesias infantiloides. Amor é a coluna vertebral do evangelho de Jesus Cristo. É pelo amor que somos identificados como discípulos do Nazareno. Mas, infelizmente, como muitos não amam, devotam a vida a assuntos menos importantes da fé, defendendo sua visão com total desamor. E isso não é cristianismo. 

A vida no útero materno não é um fim em si mesma, nós passamos nove meses na barriga de nossa mamãe em preparação para viver décadas do lado de fora, sendo formados, construídos. Do mesmo modo, esta vida terrena é uma preparação para a eternidade: vivemos poucas décadas aqui sendo forjados, moldados, lapidados a fim de viver bilhões de anos futuros na realidade vindoura. Fico pensando como seria a vida em novos céus e nova terra junto com pessoas desagradáveis, briguentas, ofensivas, intolerantes, tolas e que falam e se comportam como quem acabou de sair do ônibus escolar.

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A conclusão a que sou obrigado a chegar é que gente assim nunca viveria em novos céus e nova terra. Não foram transformadas. Dizem amar Cristo mas se comportam e falam como anticristos. Mas consigo imaginar com extrema facilidade aqueles que, por terem sido verdadeiramente transformados pela graça salvadora da cruz, devotaram suas décadas sobre a terra a viver de modo amoroso, amável, bondoso, caridoso, gentil, pacificador e manso circulando pelas ruas da cidade futura, onde Deus brilhará com sua luz de puro amor.   

Meu irmão, minha irmã, se Deus o chamou por sua graça, mas você percebe que ainda é uma pessoa bruta, ou sarcástica, ou iracunda, ou ofensiva, ou que gosta de ver o circo pegando fogo, ou que destrincha o Corpo de Cristo e semeia desunião e discórdias, ou que fala de modo agressivo, ou que é altiva, ou que devota seus dias a só ficar apontando o erro alheio mas arrogantemente não aceita reconhecer os próprios erros… eu só poderia lhe dizer uma coisa, por amor: arrependa-se.

Arrependa-se desses pecados e abra-se para o labor do Espírito Santo em sua vida. Abandone essas práticas carnais e mundanas, que não estarão presentes em novos céus e nova terra, e devote-se a ser aquilo que Deus espera ver naqueles que tomará para si na eternidade. Por favor, arrependa-se, enquanto ainda é tempo. E passe a amar com verdadeiro amor cristão, aquele que você não encontra nas poesias de Vinicius de Moraes e Renato Russo, mas vê, com total clareza, transbordar de cada página das Sagradas Escrituras.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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Acordei me sentindo mal. Febre, moleza, dor de garganta, tosse, rouquidão, dor no peito. A coisa não estava bonita. Decidi ir à emergência de um conceituado hospital do Rio de Janeiro e, após ser examinado pela jovem médica, o diagnóstico: vírus. Na receita, um corticoide, um xarope para a tosse, um antitérmico e a promessa de em cinco dias estar bem. Vida que segue. Só que não. 

Foram dez dias tomando os remédios e, adivinhe, não adiantou absolutamente nada. No décimo dia, eu estava inchado e todos os sintomas persistiam. Eu não aguentava mais tossir, estava exausto, molenga e frustrado. Decidi, então, ir a um otorrino. Para minha surpresa, o diagnóstico dele foi completamente  diferente do da primeira médica: não era vírus, era bactéria. O remédio receitado: antibiótico. E, dessa vez, já no primeiro dia de tratamento comecei a melhorar. Pela primeira vez em duas semanas, consegui dormir bem. E, em cinco dias, eu estava curado. 

A conclusão: se o diagnóstico está errado, o tratamento será errado – e não haverá cura. E, além disso, perderemos um tempo enorme, sofrendo, doentes, tratando uma coisa quando deveríamos estar tratando outra. 

Muito se fala hoje sobre os problemas da igreja, falhas cometidas por cristãos ou supostos cristãos que adoecem o Corpo de Cristo. Nós, naturalmente, devemos buscar corrigi-los, sempre, e da maneira bíblica: não brigando, mas instruindo com mansidão, na esperança de que Deus dê o arrependimento para quem está provocando esses problemas (2Tm 2.24-26). Mas, para tanto, precisamos diagnosticar corretamente aquilo que tem adoecido a igreja. Devemos mirar no que é prioritário e não secundário. A questão é que muitos estão travando combates com base em diagnósticos errados e, por isso, os problemas principais não estão sendo combatidos. Um desperdício de tempo, energia e intelecto. E, enquanto se investe tanto no que é secundário, os problemas prioritários continuam nos infectando, envenenando e afastando de Deus. 

O maior mandamento do cristianismo é amar a Deus e ao próximo. Portanto, isso é prioridade máxima na vida do cristão. Já ouvi muita gente boa dizer que o maior problema da Igreja em nossos dias é a superficialidade. Eu discordo. O maior problema da Igreja em nossos dias é a falta de amor ao próximo. Jesus nunca disse “Sede profundos”, mas disse muitas vezes “Amai”. Assim como Paulo. Assim como João. E, como eles, devemos também nós priorizar o que é prioritário. 

Não estou defendendo que devemos valorizar a superficialidade teológica, não é nada disso. O que defendo é que se priorize o que Jesus priorizou. E ele priorizou o amor. Dedicar sua vida a conduzir as pessoas à profundidade teológica mas fazer isso sem amor é uma postura completamente insana do ponto de vista cristão.

A realidade é que não temos amado as pessoas. Não as corrigimos com paciência e mansidão (como ordena a Bíblia), mas com fúria; não estendemos a mão aos necessitados, mas terceirizamos a caridade; não olhamos para quem discorda de nós com compaixão, mas com raiva e rancor; não buscamos desenvolver o fruto do Espírito, mas inventamos desculpas pseudobíblicas para continuar sendo pessoas desagradáveis, prepotentes e altivas sob um manto “evangélico”; não socorremos a pessoa diferente que está caída à beira da estrada, mas fingimos que não vemos ou pisamos em sua cabeça. Tudo isso, e muito mais, denuncia falta de amor ao próximo e um gigantesco amor ególatra por si mesmo. Esse é o maior câncer da Igreja em nossos dias. 

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É decepcionante ver tanta gente culta e muito mais bem preparada do que eu dedicar seu tempo a causas e bandeiras que visam a defender e propagar a sua visão de cristianismo, mas que o fazem abandonando completamente atitudes e conceitos que são pilares do cristianismo. Como amor. Paciência. Mansidão. Autocontrole. E, enquanto proliferam argumentos e debates feitos de forma totalmente anticristã no jeito de se posicionar, muitas vezes sobre velhas questões que nunca serão unanimidade no cristianismo, perde-se um tempo enorme e precioso que poderia ser investido naquilo com que todos os cristãos concordam que é fundamental. Um exemplo é a falta de perdão. 

Uma quantidade avassaladora de cristãos não entende o perdão bíblico e por isso não o pratica. De quem é a culpa? Nossa, os que ensinamos. Professores, teólogos e pastores que priorizam tantos assuntos secundários e periféricos em detrimento do que está no tutano do evangelho. Pouco se prega sobre perdão nos púlpitos, sendo que ele é uma das colunas centrais do cristianismo. Não se organizam conferências teológicas sobre o tema. O assunto é tão urgente que, para você ter ideia, meu livro Perdão total em menos de três anos de publicado já está na quinta tiragem, com 15 mil exemplares impressos. Perdão total no casamento, por sua vez, esgotou os 5 mil exemplares da primeira tiragem em apenas 40 dias. Isso quer dizer que sou um escritor maravilhoso? Claro que não. Eu apenas exponho o que a Bíblia diz, com simplicidade e de um jeito fácil de entender. O que essa vendagem expressiva diagnostica é que as pessoas estão precisando desesperadamente perdoar e ser perdoadas, mas não compreendem o perdão e, por isso, não o vivenciam. Estão sedentas de instrução sobre o assunto, mas quase não vejo ninguém falar sobre a urgência do perdão. Preferem ficar discutindo loooooongamente assuntos secundários da fé, coando mosquitos e engolindo camelos. 

Quem diagnostica problemas equivocados ou quem hipervaloriza assuntos que Jesus mesmo não valorizou está, sem perceber, afastando as pessoas da mensagem que Cristo priorizou. Com isso, ajuda a manter a Igreja doente. São parte do problema e não da solução. E não enxergam isso, lamentavelmente. 

Há tumores no seio da Igreja? Há, sem dúvida. Tristemente, os temos diagnosticado equivocadamente e, por isso, nosso tratamento mais adoece do que cura – ou, simplesmente, não faz efeito algum no que se refere aos reais problemas do Corpo. A dolorosa realidade é que, assim como há muitos falsos mestres e falsos profetas entre nós, há também muitos falsos médicos.

Não adianta combater heresias sendo herético na forma de agir. Não adianta querer mudar a soteriologia, a crença carismática ou a escatologia de outros cristãos de modo anticristão. Não adianta debater com os inimigos da fé de uma forma que fere os princípios da fé, pois a forma importa tanto quanto o conteúdo. Precisamos priorizar o que é prioritário, amando o próximo e levando outros a amar, perdoando e ensinando a perdoar, investindo na unidade do Corpo e não em dissensões e facções, convivendo com o diferente de forma pacífica e instruindo com mansidão, buscando viver o fruto do Espírito em tudo o que fazemos e falamos. Não fui eu quem ensinou isso, está num livro que você provavelmente tem em casa. 

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E, em tudo, devemos lembrar do mal maior: o pecado. O pecado é a célula original do câncer. É ele que nos leva a odiar os inimigos, a ser debochados nos debates, a tratar o diferente com raiva e rancor, a não perdoar, a nos acharmos superiores aos demais, a ser impacientes no diálogo com os equivocados, a formar patotas e desprezar os demais, a nos envaidecer diante dos elogios e a tantas outras formas de sermos problemas na igreja. 

Meu irmão, minha irmã, não existe nenhuma forma melhor de contribuir para a saúde do Corpo do que combater o pecado que ganha espaço no próprio coração. Sugiro que você pare um pouco de olhar para o lado, para o outro, e comece a olhar para dentro de si. Que pecados de estimação você identifica? Desamor? Vaidade? Egoísmo? Espírito faccioso? Inimizades? Você vira o rosto para quem não gosta e em vez de se reconciliar com ele finge que não o vê e se recusa a estender a mão? Sente ressentimentos? Sente alegria na derrota alheia? Tem o hábito de sempre se posicionar altivamente como o certo e considerar quem discorda de você como filho do diabo? Quais são, afinal, os pecados que se alimentam do seu ego e dos quais você não tem demonstrado vontade alguma de se livrar? Acredite, esses pecados são o mal maior da Igreja, pois você é Igreja e o seu e o meu pecado são o maior câncer do Corpo de Cristo. 

Proponho algumas reflexões: você tem feito parte da cura ou da doença? Quais têm sido os seus diagnósticos sobre os problemas principais da igreja? Você se preocupa com os problemas que a Bíblia de fato mostra que são problemas ou com o que está na moda e o que seus teólogos e pastores favoritos combatem nas redes sociais? E a pergunta principal: o que você fará a respeito dos seus próprios erros – os erros reais, aqueles que envenenam seu coração -, de forma a contribuir para a saúde da Igreja de Jesus?  

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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