Arquivo da categoria ‘Igreja dos nossos dias’

bebe-lindo 2Eu estudei no Colégio de São Bento, no Rio, por todo o ensino fundamental e o médio (naquela época, a gente chamava de primeiro grau e científico). É uma escola sui generis, pois é a única do Brasil na qual ainda só estudam meninos. Lá, meninas não entram. Imagine, então, como é o comportamento dos alunos, num ambiente só de homens: muitas piadas desinibidas, tráfico de revistas pornográficas, brincadeiras brutas e um tipo de relacionamento muito masculinizado. Mas não ache que o ambiente é anárquico: o colégio, fundado pelos padres beneditinos, tem normas rígidas de disciplina, muita organização e um ensino puxado, que faz o São Bento ser o primeiro no ranking nacional do vestibular e do ENEM há décadas. Então minhas lembranças do ambiente onde estudei é de muita ordem e muito conhecimento, mas um tipo de relacionamento com os colegas cheio de testosterona e de uma certa infantilidade masculina nas brincadeiras de garotos. 

O tempo passou. Depois que fomos para a universidade, os colegas acabaram se distanciando. Cada um foi para um lado, construiu a própria vida, criou novos laços, seguiu rumos distintos. A vida foi em frente, nos casamos, tivemos filhos. Hoje, aqueles moleques adolescentes são pais de família, gordos, carecas, barrigudos. Nos tornamos homens. Amadurecemos. 

Bem… nem tanto. 

bebe-lindo 1Ano passado, um dos colegas da turma que se formou no São Bento em 1989 resolveu, 25 anos depois da nossa saída do colégio, criar um grupo no WhatsApp para reunir o pessoal. Quando fui incluído fiquei muito feliz, foi divertidíssimo ver a foto dos meus antigos amigos com a cara, hoje, que nossos pais tinham quando éramos estudantes. No começo foi aquela farra, a troca de fotos e vídeos da época (foi engraçado me rever em um vídeo de quando eu tinha 15 anos…), a explicação sobre o que cada um se tornou. Foi bem bacana. Só que o reencontro parece que despertou um lado saudosista nesses homens que fez com que começassem a se comportar como os meninos de 25 anos atrás.

A verdade é que o rumo das mensagens, dos vídeos e das fotos que passaram a ser trocadas começou a me incomodar. As piadas eram sempre bobas, com aquela agressividade típica de adolescentes implicantes. O que mais passou a ser enviado foram fotos e vídeos pornográficos, de sexo explícito. Junto, naturalmente, a comentários nada edificantes. Comecei a me ver inserido numa realidade incompatível com quem eu sou hoje. Mas a maioria dos meus colegas de escola parece que parou no tempo, se agarrou à forma de ser de 25 anos atrás e não avançou. E isso me incomodou a tal ponto que tive de pedir que não mais enviassem a pornografia e que maneirassem no linguajar. Pensa que adiantou? Que nada, só despertou uma onda de piadas e gozações comigo, que foram do questionamento da minha masculinidade a coisas que prefiro não dizer num ambiente cristão. Tudo por um apego emocional ao passado. E que tornou o grupo, que tinha tudo para ser muito legal, um ambiente insalubre para meus olhos e ouvidos. Hoje, o grupo é uma decepção para mim. 

bebe-lindo 6Em nossa caminhada espiritual, muitas vezes agimos da mesma forma. Geralmente a época de nossa infância na fé, quando somos novos convertidos, é muito emocionante, marcante, cheia de descobertas. Porém, frequentemente, é repleta de erros, atitudes erradas, crenças pueris. É um engano acreditar que o “primeiro amor” ao qual devemos voltar é marcado por manifestações bobas e infantis de nossos primeiros passos na fé. O “primeiro amor” tem a ver com santidade e não com infantilidade espiritual. No entanto, muitos cristãos se agarram a praticas e crenças de sua época de crianças espirituais e se recusam a avançar rumo à maturidade religiosa e a patamares mais elevados de relacionamento com Deus. 

O resultado desse apego míope a realidades espirituais infantis e imaturas são cristãos que praticam exageros, têm crenças e atitudes bobas, que vivem uma fé baseada em caricaturas e crenças baseadas muito mais na sua cultura denominacional do que na Bíblia. São meninos e meninas que brigam com irmãos em Cristo por causa de crenças soteriológicas, que entendem que o palanque das conferências é mais importante que a visita a órfãs e viúvas, que citam mais falas de bons pensadores e escritores do que mencionam o Espírito Santo, que fazem troça de quem crê no que é diferente do que eles acreditam. Meninos. 

bebe-lindo 4Paulo escreveu sobre a necessidade de amadurecermos na espiritualidade: “E a graça foi concedida a cada um de nós segundo a proporção do dom de Cristo. […] E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo, até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo, para que não mais sejamos como meninos, agitados de um lado para outro e levados ao redor por todo vento de doutrina, pela artimanha dos homens, pela astúcia com que induzem ao erro. Mas, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo, de quem todo o corpo, bem ajustado e consolidado pelo auxílio de toda junta, segundo a justa cooperação de cada parte, efetua o seu próprio aumento para a edificação de si mesmo em amor.” (Ef 4.7,11-16).

Procure fazer uma autoanálise. Será que você não está agarrado a praticas e crenças da sua época de menino ou menina espiritual? Será que não está na hora de buscar avançar, crescer no conhecimento de Cristo, rumo a uma prática de fé mais madura? Você se interessa por estudar a Bíblia? Tem o hábito de ler bons livros cristãos, capazes de mostrar que muito do que você sabe e crê hoje está errado e deveria ser mudado? Será que você continua preso a bobagens e infantilidades que fazemos na época em que somos novos convertidos? Quem tem te discipulado? Quem é seu mentor espiritual, aquele que te conduz dia a dia rumo à maturidade espiritual que Deus espera de cada um de nós? Você continua ancorado ao passado, crendo e se comportando de modo pueril e, assim, agindo como um crente que nunca deixou de tomar leitinho espiritual? Está na hora de repensar isso. 

bebe-lindo 5Acho que cresci um pouquinho nos últimos 25 anos. Não acho mais graça em ficar fazendo certas brincadeiras bobas com meus colegas de escola. Não aprecio mais ficar vendo revistinhas de mulher pelada. Meus valores, minhas crenças e minhas práticas mudaram e hoje busco me cercar de pessoas pacíficas e pacificadoras (maduras na fé, portanto), que fujam da agressividade, que valorizem o conhecimento teológico e sua transmissão com simplicidade. Quando vejo cristãos vaidosos, arrogantes, que amam mais sua bagagem teológica do que pessoas, que querem poder (intelectual ou sobrenatural) mais do que estender a mão em amor aos necessitados… sinto-me deslocado. E não tenho prazer em estar naquele grupo. Hoje, sendo um tiquinho mais maduro na minha espiritualidade do que há  20 anos, quando Jesus me converteu, sou levado a estar junto dos simples, dos amorosos, dos graciosos, dos abnegados, dos humildes de espírito, dos que fogem da vaidade e da soberba, dos que tratam quem discorda de si com respeito e amor, dos que convivem em paz com o diferente, dos que compreendem que o Jesus que expulsou os cambistas do templo é o Príncipe da Paz e o Manso Cordeiro. Maturidade espiritual faz isso: te aproxima dos puros de coração e te afasta dos pomposos, te aproxima dos amorosos e símplices e te leva para longe dos agressivos e sarcásticos. Te leva para perto da prostituta e da adúltera e te afasta dos fariseus apedrejadores. 

Enfim, amadurecer na fé é conformar-se à imagem do manso Cordeiro, que diz “perdoa, pois eles não sabem o que fazem”, e afastar-se dos ignorantes e imaturos que fazem chacota com os ignorantes e imaturos e mais querem punir do que restaurar. 

bebe-lindo 3Tenho muito a amadurecer. Muito mesmo, pode acreditar. Mas só de não achar mais que vaidade teológica ou bairrismo denominacional é algo importante já me mostra que não curto mais as bobagens da infância e da adolescência espiritual. Estou na caminhada, com muito mais a crescer e evoluir. Mas, felizmente e por mérito exclusivo do Espírito Santo, hoje Deus já me incluiu na universidade daqueles que amam e procuram o diferente para amar e não para detonar. Se você quiser abandonar a infantilidade denunciada pela soberba e a agressividade no falar e aproximar-se do diálogo amoroso e da paz… vamos juntos nessa jornada. Pois os que amam o amor formam um grupo do qual tenho prazer de fazer parte. 

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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reclamao 1Escrevo este texto dentro de um avião, a caminho de Recife, onde vou pregar. Sentados nas poltronas à minha frente há dois homens, conversando em voz alta, o que me permite ouvir todo o diálogo. Um é peruano e o outro, alemão e ambos estão de férias no Brasil. O que me impressiona no papo deles é que tudo gira em torno do que existe de ruim em nosso país: passagens de avião muito caras, sujeira nas ruas, pobreza, um monte de coisas. Eles reclamam, reclamam e reclamam. Ou, em linguagem bíblica, murmuram, murmuram e murmuram. Confesso que a conversa começou a me incomodar, como brasileiro que reconhece os problemas que temos mas, ainda assim, ama o Brasil e quer vê-lo melhorar cada vez mais. Não me incomodo pelo que estão falando, tudo é verdade e temos de reconhecer as falhas de nossa pátria. Meu incômodo deve-se ao fato de os dois cavalheiros se restringirem a falar mal, ridicularizar, reclamar… sem propor coisa alguma nem fazer nada para consertar o que está errado: é a murmuração pela murmuração. O que, aliás, é um tipo de comportamento muito comum: adoramos murmurar, mas pouco agimos no sentido de resolver os problemas – o que é absolutamente inútil. Será que você costuma fazer isso?

O exemplo bíblico clássico de murmuração é o do povo de Israel no deserto, nos quarenta anos que levou entre o Egito e a Terra Prometida. Eles só conseguiam ver o que havia de ruim na situação: falta de carne, calor, cansaço, escassez de água, a demora de Moisés no monte… só viam a metade vazia do copo. E foi isso que irritou Deus. Povo ingrato. De dura cerviz. Reclamão. Murmurador. “Contendeu, pois, o povo com Moisés e disse: Dá-nos água para beber. Respondeu-lhes Moisés: Por que contendeis comigo? Por que tentais ao SENHOR? Tendo aí o povo sede de água, murmurou contra Moisés e disse: Por que nos fizeste subir do Egito, para nos matares de sede, a nós, a nossos filhos e aos nossos rebanhos?” (Êx 17.2-3). 

reclamao 2Costumamos criticar os israelitas por sua postura, mas, com muita frequência, fazemos a exata mesma coisa. É muito comum reclamarmos da vida mas fazermos pouquíssimo para melhorar as coisas. Reclamamos do governo, da alta do dólar, da corrupção, do chefe, do emprego, da professora, dos pais, da saúde, da goteira, do aumento dos preços, das ruas esburacadas, da ciclovia, da pobreza, da chuva, do sol, das formigas, de Marte, da física quântica, da tonga da milonga do cabuletê,…meu Deus! Tá tudo ruim! 

A grande questão é: o que cada um de nós faz para melhorar o que está ruim? Esse é o ponto. 

A vida na terra é imperfeita. As pessoas são pecadoras. O mundo jaz no maligno e nele teremos aflições. Essa é a realidade da existência. Então o fato de haver problemas não deveria nos surpreender, é previsível que haja. O que devemos pensar é: como reagir a eles? Murmurando, reclamando, xingando e esbravejando… ou fazendo algo a respeito?

Breclamao 3asta passarmos meia hora passeando pelo Facebook e parece que mergulhamos no oceano da murmuração. E estou falando de nós, cristãos. Vejo irmãos em Cristo reclamando do governo, da militância gay, dos arminianos, dos calvinistas, dos pentecostais, dos cessassionistas, da teologia da prosperidade, do pastor fulano, do cantor sicrano, da igreja institucional, da igreja desigrejada, do líder que inventou um novo título para si, dos hereges, dos outros hereges, de mais tantos outros hereges… mamma mia. O problema é que a maioria que vejo reclamar está apenas… reclamando. Talvez nem ore a respeito. Tampouco tome atitudes concretas para melhorar o que está errado, não busca dialogar com os equivocados, sair em auxílio dos desassistidos, conversar com os desviados, discipular os desencaminhados. Parece que reclama pelo puro prazer de reclamar. E isso não ajuda em nada. Há pessoas que basta eu ver a foto na timeline e já tenho certeza de que a postagem será negativa, pesada, murmuradora, acusadora. E vai ficar por isso mesmo, porque a pessoa não vai além da reclamação. Não faz nada a respeito. Só reclama. E no dia seguinte, reclama mais. E, depois, reclama de novo. E assim por diante. 

Temos de agir para que as coisas fiquem melhores. Tomar atitudes. Ter iniciativa. Orientar, abraçar, ensinar, encontrar, conviver. Investir tempo, esforço e energias. Reclamar por reclamar só faz de nós reclamões. Mais ainda: inúteis reclamões. Pois o blá-blá-blá por si só não faz de você um apologeta, um reformador, um herói da fé, nada disso. Faz de você… um murmurador cuja murmuração não gera nada de positivo. É inócua. Placebo. Você vira um reclamão admirado por um séquito de reclamões que gostam de quem reclama boas reclamações. Mas consequências práticas eficazes e transformadoras? Zero. 

reclamao 4Se você identifica que algo está mal, aja! Aja em prol do bem. Só falar não adianta se você não transformar essa reclamação em ação. Ponha a mão na massa. Faça acontecer. E aí, quem sabe, a sua murmuração vai virar, de fato, apologia, reforma, evolução, edificação – e, com isso, você deixará de ser um bem preparado especialista em reclamação e se tornará um bem-sucedido promotor de  mudanças, renovação da mente, cristianismo pratico. Deus não ficou olhando a humanidade pecadora e murmurando “Como eles pecam! Quanta transgressão! Que coisa horrível! Bando de desviados! Seus hereges!”. Pelo contrário, ele agiu: “Porque Deus tanto amou o mundo que deu o seu Filho Unigênito, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna. Pois Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para condenar o mundo, mas para que este fosse salvo por meio dele” (Jo 3.16-17).

O peruano e o alemão desembarcaram no aeroporto, apertaram as mãos e se despediram, seguindo seu caminho e deixando para trás os problemas sobre os quais tanto falaram. Desfrutaram do prazer de murmurar, mas viveram o desprazer de somente murmurar, sem serem em nada úteis na solução dos problemas que apontaram. Eu não quero isso para minha vida. Peço a Deus que no meu epitáfio conste não algo como “Aqui jaz alguém que murmurou e reclamou com bons argumentos e belas palavras”, mas, sim, algo como “Aqui jaz alguém que agiu de fato no sentido de mudar o mundo e as pessoas para melhor”. E você? Qual é a sua escolha? 

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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refugiados islamicos 1Todos assistimos com o coração sangrando à tragédia que ocorreu em Paris, na França. Terroristas do Estado Islâmico mataram a sangue-frio dezenas de pessoas, num ataque coordenado e assustador. Passado o espanto, o que eu e muitos sentimos foi revolta. Raiva. Ira. Ódio. Tudo o que conhecemos como justo e bom foi metralhado nessa ação maligna, em que prevaleceram o fanatismo, a loucura, a maldade, o desprezo pela vida, os lados mais obscuros e diabólicos do ser humano corrompido pelo pecado. Confesso que meu senso de justiça gritou dentro de mim e o que dominou cada fibra do meu ser foram sentimentos nada bonitos. Mas comecei a pensar, li artigos de irmãos em Cristo, acalmei o espírito e procurei ouvir a voz do Cordeiro. E fui lembrado de que ódio não se vence com ódio, assim como fogo não se apaga com fogo. 

Pouco depois de tomar conhecimento dos atentados em Paris, li uma reportagem dizendo que o Estado Islâmico teria infiltrado 4 mil terroristas entre os refugiados que estão justamente escapando dos massacres promovidos por esse califado terrorista em países como a Síria. A ideia deles seria inserir em diversos países ocidentais militantes do Estado Islâmico, que no futuro viriam a cometer atos de terror em deferentes nações. Ao ler isso, me arrepiei e logo comecei a pensar que deveríamos impedir a entrada desses refugiados no Brasil. Sim, o medo e a raiva tinham nublado meu discernimento e me arrastado sem que eu me desse conta para um estado de ódio. É assim que o pecado age, afinal. 

refugiados1Mas, ao ler alguns textos, orar e acalmar meu coração, me dei conta do gigantesco erro que estava cometendo. Porque Jesus nos ensinou que não devemos devolver mal com mal e que a compaixão, a misericórdia e o perdão precisam prevalecer, caso contrário, nos tornaremos pessoas amarguradas, raivosas e que priorizam o ódio ao amor. Entenda que essa postura não despreza a justiça. Devemos buscar a punição dos culpados. Precisamos lutar contra a maldade. É essencial combatermos os maus para que eles não firam os bons. Mas não podemos deixar que nosso desejo de justiça seja maior que o nosso amor pelos inocentes. 

Falo isso especificamente no caso dos refugiados muçulmanos. Confesso humildemente o meu erro, pois meu pensamento imediato foi no sentido de militar contra a vinda deles ao Brasil. Não queria terroristas entrando em nosso país disfarçados de refugiados. Mas, então, me dei conta de que o medo e o ódio estava me levando a recusar ajuda aos inocentes com receio dos culpados. O medo estava vencendo a compaixão. E não existe nada menos cristão do que isso. 

Eu pequei. Confesso meu pecado. O cristão deve sempre colocar a compaixão acima do egoísmo e eu não estava fazendo isso. Não podemos negar ajuda e acolhida a refugiados que foram expulsos de suas casas por terroristas com medo de que o terror nos alcance. Isso seria  desumano. E, se fizéssemos isso, nos tornaríamos tão desumanos quanto os terroristas. 

Ser cristão significa correr riscos. Amar é extremamente arriscado. Cristo enfrentou muitos perigos por mim e por você. Deus  amou o seu diferente de tal maneira que nos entregou Jesus para morrer na cruz por nós. Amemos o nosso diferente. Até porque os refugiados islâmicos podem ter muitas coisas diferentes de nós, mas nunca pode fugir de nossa lembrança que eles são o nosso próximo. E temos de amá-los como a nós mesmos. 

cravos nas maosEstou envergonhado por ter deixado o ódio suplantar o amor em meu coração. Temos de dar de comer a quem tem fome, de beber a quem tem sede e acolher quem não tem onde morar. Temos de amá-los e fazer a eles o que gostaríamos que fizessem a nós. Ao fazer isso, estaremos vivendo Cristo e o apresentando de forma palpável a quem não o conhece. Esse é o nosso papel. Isso abre possibilidades de perigo para nós? Sim, abre. Mas não podemos deixar de ser o que Cristo é por medo. No passado, muitos foram jogados aos leões por amor a Jesus. Hoje, devemos fazer o mesmo. 

O amor tem de vencer. Mesmo que isso nos custe a vida. Qualquer pensamento menor do que esse não carrega em si o direito de ser chamado de “cristão”. Ame como Cristo amou. É o único meio de vencer o ódio.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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irmaos 1Devido à publicação dos dois últimos livros que escrevi, tenho recebido convites de diferentes igrejas para pregar, em especial, sobre os temas dessas duas obras. Assim, apenas no último ano, tive a oportunidade de visitar, conviver, observar e conversar com líderes e membros de muitas igrejas de diferentes denominações e linhas doutrinárias, como Batista, Presbiteriana, Anglicana, Assembleia de Deus, Nova Vida, pentecostais independentes, históricas independentes, Metodista e Episcopal, além de ministérios interdenominacionais. Essas experiências me permitiram conhecer de perto realidades eclesiásticas riquíssimas e diferentes. E, quanto mais eu conheço a família de Cristo, mais me entristece ver aquilo que passei a chamar de “patotização” do cristianismo. 

Confesso que conhecer de perto essa pluralidade de expressões da fé cristã me encanta. É bonito ver como somos capazes de adorar o nosso Pai tanto com um conjunto vocal à capela e um órgão quanto com bateria e guitarras distorcidas. É lindo ver como pregadores de terno e gravata, colarinho clerical, blaser, camisa social ou camisa pólo são capazes de pregar, com o mesmo amor e respeito, o evangelho autêntico, a despeito do tipo de pano que usam sobre o corpo. É extraordinário perceber como grupos de irmãos mais silenciosos ou mais extrovertidos são capazes de cultuar a Deus com a mesma sinceridade de coração. É especial notar como cristãos salvos da linha pentecostal ou cristãos salvos da linha tradicional são filhos do mesmo Deus e são capazes de se relacionar com ele com o mesmo nível de amor e devoção. Em resumo, quanto mais eu conheço igrejas diferentes, mais claro fica que as nossas diferenças são pequenas em comparação às nossas semelhanças.

Tenho aprendido a amar cada vez mais a noiva de Cristo, apresente-se ela morena, ruiva ou loira. Venho percebendo cada vez mais a beleza da noiva do Cordeiro, não importa se, como presbiteriana, ela tenha olhos azuis; como pentecostal, olhos verdes; como batista, olhos castanhos; e como anglicana, olhos negros. Esses detalhes não mudam o fato de quem ela é: aquela por quem Cristo subiu à cruz. E, se Deus a chamou para si, ai de mim desqualificá-la pela cor dos olhos. 

irmaos 2Quando você ama alguém, não importa se ela está de maquiagem ou com cara de quem acabou de acordar. Muito menos, com roupas caras ou baratas. O amor verdadeiro cuida do ser amado mesmo quando ele está doente, vomitando e com mau hálito. O amor profundo releva pequenos defeitos ou atitudes ligeiramente equivocadas  que o ser amado adota com sinceridade. Se você ama de fato alguém, vai botar o foco na essência, no todo que conquistou seu amor e não naqueles pequenos defeitos que o ser imperfeito que você ama tem (e quem não os tem, não é mesmo?). Do mesmo modo, seria bizarro acreditar que Deus rejeite essa ou aquela igreja ou denominação porque ela de bom coração cometa um ou outro erro – desde que, claro, não configure heresia. 

Infelizmente, o ser humano tem mania de rejeitar o que Deus não rejeita. Some-se a isso o nosso instinto gregário, que nos leva a querer andar em bandos e pertencer a tribos com que nos identificamos, e pronto: tem início a patotização. É natural ao ser humano e a inúmeras espécies de animais formar patotas. O termo “patota” significa, simplesmente, “grupo de amigos”, “galera”. Porém, no uso popular, essa palavra já ganhou um sentido que remete a uma panelinha, um grupinho fechado, uma turma de pessoas que se relacionam por afinidades e rejeitam os que são de fora. Isso é exatamente como se caracterizam determinados grupos de cristãos. Há pessoas que se agarram tanto às patotas a que pertencem que, tristemente, se fanatizam, se apaixonam, recusam-se a ver os defeitos desse grupo, passam a se considerar mais integrantes dessa turma que aos seus olhos é inerrante do que membros de um corpo maior – do Corpo maior. De certo modo, praticam a “patotalatria”. 

irmaos 3Meu irmão, minha irmã, ser batista, presbiteriano, metodista, calvinista ou pentecostal não te define: você é cristão. A superfície do mar não define todo o oceano. Nenhuma denominação é perfeita. Nenhuma igreja local é irretocável. Nenhum pastor é inerrante. Nenhuma linha soteriológica merece se tornar sua alcunha. Se você é mais maranata, presbiteriano ou Assembleia de Deus do que cristão como todos os outros cristãos, algo está muito errado com a sua fé. Se você é mais calvinista ou arminiano do que cristão, precisa com urgência voltar às bases da fé e reaprender o significado de Igreja. Muitos filhos de Deus se agarram mais à sua patota denominacional ou doutrinária do que ao Corpo maior para o qual Cristo os chamou. Acham que mudar a visão teológica de seus irmãos em Cristo para aquilo em que eles acreditam é a sua missão, em vez de se dedicar a assuntos realmente importantes do evangelho – como evangelização, amor, perdão, restauração, pacificação, caridade e outros. Querem mudar a teologia alheia, mas sem levar em conta a graça no trato com o próximo. Acabam se tornando pregadores de doutrinas e não do evangelho. Apaixonados, muitos se tornam agressivos, sarcásticos, arrogantes, irritantes, surdos ao diferente, despidos de bom senso, destituídos de amor cristão. Querem convencer, querem ter razão, querem converter irmãos do cristianismo para o cristianismo.

Uma fruta não se define pela casca. Lamentavelmente, muitos cristãos têm se definido por cascas. “Eu sou reformado”, “Eu sou da missão integral”, “Eu sou pentecostal”, “Eu sou de Paulo”, “Eu sou de Apolo”. Paremos com isso. Paremos com essa atitude separatista e busquemos a conciliação pelas semelhanças. Nós somos cristãos. Somos de Cristo. Servos do Deus altíssimo. Filhos do Criador de céus e terra. Cidadãos do reino. Isso, sim, nos caracteriza. O resto são aspectos periféricos da fé e não devemos nos separar e fragmentar por causa de diferenças secundárias ou terciárias. 

irmaos 4Tenho visto a noiva do Cordeiro nas diferentes igrejas em que prego, das mais variadas linhas e denominações. Pessoas que amam o mesmo Cristo que eu e que amam o próximo como a si mesmo com o mesmo amor. Uns batizam crianças, outros não; uns são cessacionistas, outros não, uns entendem a eleição divina de um jeito, outras de outro. Mas todas creem no mesmo Jesus, confessam o credo apostólico, oram ao mesmo Senhor Soberano, nasceram da água e do Espírito. São meus irmãos em Cristo. São filhos de Deus. São salvos. Justificados, regenerados, adotados. Vão morar no céu. Meu papel não é dedicar minha vida a mudar a teologia deles, é viver o amor de Deus ao lado deles – apesar das diferenças. Triste é quem não percebe isso e investe seus dias a perder tempo combatendo irmãos que pensam diferente em aspectos secundários e periféricos da fé, o que não glorifica Deus em nada e tampouco exalta sua soberania. Deus não precisa de nada disso para ser soberano. Ele é o que é.

A Bíblia relata que Jesus fez ao Pai uma oração que nunca foi atendida: Não rogo somente por estes, mas também por aqueles que vierem a crer em mim, por intermédio da sua palavra; a fim de que todos sejam um; e como és tu, ó Pai, em mim e eu em ti, também sejam eles em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste. Eu lhes tenho transmitido a glória que me tens dado, para que sejam um, como nós o somos; eu neles, e tu em mim, a fim de que sejam aperfeiçoados na unidade, para que o mundo conheça que tu me enviaste e os amaste, como também amaste a mim” (Jo 17.20-23). Jesus pediu que nós, cristãos (“aqueles que vierem a crer em mim”), vivêssemos em unidade, “a fim de que todos sejam um” e “para que sejam um”.  Lamentavelmente, nós, cristãos, estamos longe disso, a unidade que Jesus desejou para nós é um sonho distante, enquanto, por outro lado, proliferam em nosso meio as obras da carne sobre as quais Paulo alertou, “discórdias, dissensões, facções” (Gl 5.20). 

irmaos 5Meu irmão, minha irmã, como disse Mário Sergio Cortella, a vida é curta demais para ser pequena. Não desperdice seus preciosos segundos de vida com aquilo que não é pão. Sinceramente, duvido muito que Deus esteja preocupado se você é calvinista ou arminiano, pentecostal ou cessacionista, alto ou baixo, magro ou gordo. Duvido que, ao chegar nos portões da eternidade, Cristo olhará para você e perguntará que doutrina soteriológica você professou em vida: o que ele verá é se o sangue do Cordeiro está aspergido sobre a sua cabeça. Se a sombra da Cruz cobre você. E não creio que ele dirá algo como “vinde, benditos de meu Pai, porque fostes reformados ou arminianos, crestes no livre-arbítrio ou no TULIP, professastes o pentecostalismo ou o cessacionismo”. O que ele dirá, e disso tenho absoluta certeza, é: “Vinde, benditos de meu Pai! Entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo. Porque tive fome, e me destes de comer; tive sede, e me destes de beber; era forasteiro, e me hospedastes; estava nu, e me vestistes; enfermo, e me visitastes; preso, e fostes ver-me” (Mt 25.34-36).

Os temas e as doutrinas que criam esses rótulos são importantes? Claro que sim. São prioritários? De modo algum. Quem segrega irmãos em Cristo por conta desses aspectos secundários da fé precisa amadurecer – e muito – no real sentido do que é o evangelho de Jesus. Dê prioridade ao que é prioritário. Enfatize na sua vida o que Jesus enfatizou na dele. E pode ter certeza de que essas questões não foram nem de longe prioridade para Cristo (basta ler os evangelhos e você perceberá isso com uma facilidade enorme). O resto? O resto é resto. É vaidade e correr atrás do vento…

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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islaTenho andado muito preocupado com o que vejo acontecer por todo o planeta com relação ao crescimento e às posturas do povo islâmico. A verdade é que milhões de muçulmanos têm migrado para países ocidentais e, aos poucos, se estabelecem e ocupam novos espaços. Normalmente, este não é o tipo de comentário que posto no APENAS, prefiro falar mais sobre a alma humana e questões que venham ao encontro de corações, mas hoje peço licença para abrir uma exceção. Estou muito triste e reflexivo com a situação do mundo e acredito que vale a pena chamar a sua atenção para a realidade do que está acontecendo. Este post traz alguns vídeos, mas acredito que vale a pena dedicar um tempo a assisti-los, caso você deseje. Pois a situação é grave e urgente. Não quero de modo algum incitar sentimentos negativos ou agressivos contra seres humanos, mas, sim, acender uma luz de quem não está dando muita atenção ao assunto com relação a um movimento civilizatório que está em andamento a toda velocidade no mundo – e que ameaça a cristandade.

isla 1Vejo cidades inteiras em países como França, Inglaterra, Espanha e Estados Unidos serem ocupadas por islâmicos, com todas as suas tradições ortodoxas, em grupos familiares que se multiplicam muito e rapidamente. Em minha última viagem a Londres, fiquei hospedado em um bairro onde cruzava com mulheres vestidas de preto a cada dois passos. As projeções numéricas são alarmantes e muitos analistas acreditam que ainda neste século alguns países europeus terão mais de metade da população islâmica que, por isso, sem fazer uso de força e sem derramar uma gota de sangue, tomariam conta das esferas de poder por meios democráticos, pelo voto. A matemática é simples: quando chegar ao ponto em que a maioria da população de um país seja muçulmana, mais muçulmanos serão eleitos e, sem dúvida, começarão a criar leis que favoreçam sua ideologia religiosa. Em poucas décadas, países como a Inglaterra ou a França podem vir a ser governados pela Sharia, a lei baseada no Alcorão. A Primeira Igreja Batista de São José dos Campos (SP) produziu um vídeo há poucos anos com dados assustadores sobre a questão, a que recomendo enfaticamente que você assista:


(Se não conseguir visualizar, clique AQUI para ver no YouTube)

Seria muita ingenuidade acreditar que, dentro do projeto de expansão islâmico, o Brasil ficaria de fora. Em Brasília já está em construção a embaixada da Palestina, no formato de uma mesquita. Veja o vídeo:


(Se não conseguir visualizar, clique AQUI para ver no YouTube)

Eu não duvidaria nada que em muito pouco tempo comece um fluxo migratório cada vez maior de islâmicos para o nosso país. Não será nenhuma surpresa para mim se dentro de dez ou vinte anos eu cruzar com mulheres de burca andando pela praia de Copacabana ou islâmicos fazendo suas orações ajoelhados na Praça da Sé, em São Paulo. Para mim, isso não é uma questão de “se”, mas de “quando”. Se isso parece surreal para você, veja o que já está acontecendo em cidades da França:


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Se você acredita que o problema são só os islâmicos radicais, precisa muito assistir ao vídeo abaixo, em que líderes muçulmanos afirmam categoricamente que não existem islâmicos moderados. Todo islâmico acredita no que todo islâmico acredita. Veja:


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Não quero ser alarmista nem ficar inventando teorias escatológicas apocalípticas ou doidas. Para falar a verdade, a escatologia é a área da teologia de que menos gosto. Mas a verdade é que os rumos do mundo, dentro da realidade de um projeto de expansão islâmico que dominaria países ocidentais, se encaixam perfeitamente nas profecias bíblicas. Não estou dizendo que é isso, mas pode ser que seja. Esse fato me faz pensar no que acontecerá quando houver uma invasão pacífica de islâmicos no Brasil, com um fluxo migratório que comece a aumentar aos milhares ou milhões a quantidade de muçulmanos em nossa sociedade. Ou, ainda, quando países bem aparelhados e armados como a Inglaterra e a Rússia forem controlados por muçulmanos.

Claro que esse pensamento tem uma série de desdobramentos, mas, em essência, o que eu gostaria de perguntar é se você se sente preparado caso a sua cidade comece a ter um fluxo migratório islâmico e os seguidores de Alá comecem a compor grande parte ou a maioria da população no seu município, como aconteceu na cidade deste assustador vídeo:


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isla 2Você está preparado para a islamização da sua cidade, do seu país? Eu olho para o passado e tento entender os mecanismos que ditaram as mudanças nas civilizações que nos antecederam. Esse conhecimento me faz olhar para o futuro com muito realismo, que para muitos pode soar como pessimismo. Mas vejo os islâmicos atuando em diversas frentes para se expandir. E o regime democrático é um prato cheio para que eles possam começar a se mudar para países ocidentais, implementar seus costumes e se multiplicar. É uma questão matemática. É uma questão de tempo. Enquanto nos países islâmicos você tem de obedecer às leis e aos costumes islâmicos, nos países democráticos somos, naturalmente, obrigados a aceitar a diversidade e a acatar tudo o que vem junto com a cultura muçulmana. Isso é bom, é certo e é justo, mas fico me perguntando aonde pessoas com um projeto de dominação com total liberdade de ação podem chegar dentro de um cenário como esse. E as respostas me preocupam muito.

isla 2Esse assunto não é brincadeira, nem de longe. No entanto, vejo as pessoas darem muito pouca importância para isso no Brasil, como se fosse uma realidade totalmente distante e que não nos afetasse para além das páginas de jornal. Existe um terreno riquíssimo para que os islâmicos proliferem em nosso meio, alcançando em especial as classes mais desfavorecidas. Não é brincadeira. É grave. E penso que devemos orar por isso e refletir sobre esse assunto. Aliás, não apenas os evangélicos, mas todos os ramos da sociedade. Afinal, se os islâmicos começam a dominar uma determinada região, não importa se você é católico, espírita, umbandista ou ateu: se não é islâmico, vai para o inferno. E, em muitas dessas nações, ou se converte ou morre. Esse é um alerta para todos os brasileiros. Mulheres que gostam de andar com o rosto de fora ou ir à praia de maiô deveriam se preocupar com isso. Homens que prezam a sua liberdade de expressão e opinião deveriam se preocupar com isso. Pais que querem ver seus filhos serem ensinados no evangelho de Cristo precisam se preocupar com isso. Qualquer ser humano de bem precisa se preocupar com isso.

cobra 1Enquanto o futuro nos reserva desafios dessa gravidade, olho para as discussões em que nós, evangélicos, temos nos metido e elas me parecem perder o sentido. Como tenho dito com certa insistência aqui no blog, vejo a Igreja de Cristo se afundar em eternos debates sobre temas secundários ou irrelevantes da fé e deixamos de falar sobre o que é o principal. Vejo irmãos calvinistas e irmãos arminianos gastarem tempo e energias para ficar uns batendo nos outros e, quando olho para as brigas bíblicas entre irmãos como Caim e Abel, Esaú e Jacó, e Absalão e Amnom, só enxergo resultados trágicos. Vejo cessacionistas e pentecostais fazendo piadinhas mútuas que não levarão ninguém a lugar nenhum. Vejo ortodoxos e adeptos da Missão Integral se criticando e gastando litros de saliva para combater uns aos outros e imagino Deus balançando a cabeça e dizendo “Meus filhos, meus filhos… parem de brigar, eu os amo”.

Quem não é herege é meu irmão, ponto. Nasceu de Cristo? É meu irmão. Devo cuidar dele, amá-lo e ampará-lo, com carinho e amor. Se Deus me manda amar o inimigo, quanto mais o irmão que pensa diferente ou está incorrendo em algum erro. Pode ter certeza: os problemas graves do futuro da Igreja cristã não passam nem de longe por coisas bobas como o que o cantor Thalles Roberto disse ou deixou de dizer ou outras bobagens gospel que incendeiam os debates entre cristãos nas redes sociais. Porque, no dia em que a coisa apertar, questões como essas importarão tanto para nós quanto dois tostões furados.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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 Você pode ouvir o áudio com a narração deste texto no YouTube, clicando AQUI (Duração 19:11).
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 odio 1O cristianismo é a religião da graça, do amor, da paz. Uma das grandes diferenças entre a fé cristã e outras religiões é que o nosso Deus não é uma besta-fera sedenta por sangue, ansiosa por punir, salivando por castigar quem se desvia um milímetro dos seus preceitos. Muito pelo contrário: o evangelho de Jesus Cristo foca em perdão, restauração, reconstrução, bênçãos sem merecimento, graça; é a proposta do filho pródigo, do bom Pastor, do 70 vezes 7, do Cordeiro de Deus que estende uma graça que não é barata, mas que nunca deixa de ser vigorosa graça. Sabendo disso, enxergo como totalmente incompatível com essa fé que qualquer cristão defenda ou pratique a violência, a agressividade, o ódio – seja no que faz, seja no que fala, seja no que escreve. Qualquer cristão que proponha como primeiro recurso com relação a pessoas que agem ou pensam de modo diferente revidar, agredir, ironizar e retaliar, em vez de usar um tom gentil e de conduzir quem incorre no erro para a restauração… simplesmente não entende o evangelho. A sensação que tenho com frequência é que ser cristão, no entendimento de muitos, deixou de ser amar a Deus e ao próximo para defender Deus com fúria e detonar o próximo que pensa diferente ou que faz algo de que discordamos. Falemos sobre essa maligna doutrina do Jesus raivoso, agressivo e sarcástico.
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Há meses tenho observado muito os meus irmãos em Cristo, em especial pelas redes sociais. E tenho ficado boquiaberto e triste com o jeito de que uma multidão deles se expressa, age e, principalmente, reage a quem discorda deles ou faz algo com que não concordam. Em nome da “defesa da fé”, muitos se comportam de um modo que nada tem a ver com a nossa fé: com agressividade. Sarcasmo. Raiva. Parece que, se o ódio é destilado “em nome de Jesus”, é válido agir como um bruto, um bárbaro, um ser humano desagradável.
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odio 2O que mais me espanta é que, sempre que você diz que essa forma de comportamento não condiz com o evangelho, o argumento bíblico é o mesmo: o episódio de Jesus no templo derrubando as mesas dos cambistas e vendilhões. Já ouvi isso montes de vezes. Parece que todo cristão que se exprime com agressividade se justifica dizendo que Jesus se irou e saiu derrubando a mercadoria dos vendilhões do templo; logo, teríamos sinal verde para atacar com fúria quem age ou crê diferente de nós. Isso é um erro monumental.
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A hermenêutica bíblica, isto é, as regras que nos ensinam a ler e compreender as Escrituras, tem uma norma  básica: você não pode construir uma doutrina ou formular um princípio de fé a partir de uma passagem isolada da Bíblia. É preciso analisar todas as passagens do texto bíblico que falem sobre o assunto, a fim de entender o todo. Assim, pegar o episódio dos vendilhões do templo como argumento teológico que tente justificar a agressividade é uma falha bizarra, que só gera comportamentos anticristãos.
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Sim, Jesus expulsou os vendilhões. Mas será que por causa disso Deus nos dá carta branca para sair chutando e açoitando quem diverge de nós? A Bíblia apresenta uma enxurrada de passagens que respondem isso com um enfático não. Vamos analisar algumas dessas passagens, muitas delas palavras saídas dos lábios do próprio Cristo, para compreender exatamente o que o evangelho propõe como padrão de relacionamento – inclusive com inimigos e pessoas que não necessariamente concordam ou caminham conosco:
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“Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus” (Mt 5.9)
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“Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás; e: Quem matar estará sujeito a julgamento. Eu, porém, vos digo que todo aquele que [sem motivo] se irar contra seu irmão estará sujeito a julgamento; e quem proferir um insulto a seu irmão estará sujeito a julgamento do tribunal; e quem lhe chamar: Tolo, estará sujeito ao inferno de fogo” (Mt 5.21-22).
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“Ouvistes que foi dito: Olho por olho, dente por dente. Eu, porém, vos digo: não resistais ao perverso; mas, a qualquer que te ferir na face direita, volta-lhe também a outra; e, ao que quer demandar contigo e tirar-te a túnica, deixa-lhe também a capa. Se alguém te obrigar a andar uma milha, vai com ele duas. Dá a quem te pede e não voltes as costas ao que deseja que lhe emprestes” (Mt 5.38-42).
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“Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem; para que vos torneis filhos do vosso Pai celeste, porque ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons e vir chuvas sobre justos e injustos. Porque, se amardes os que vos amam, que recompensa tendes? Não fazem os publicanos também o mesmo? E, se saudardes somente os vossos irmãos, que fazeis de mais? Não fazem os gentios também o mesmo?” (Mt 5.43-47).
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“Por que vês tu o argueiro no olho de teu irmão, porém não reparas na trave que está no teu próprio? Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, quando tens a trave no teu? Hipócrita! Tira primeiro a trave do teu olho e, então, verás claramente para tirar o argueiro do olho de teu irmão” (Mt 7.3-5).
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“Abençoai os que vos perseguem, abençoai e não amaldiçoeis. […] Não torneis a ninguém mal por mal; esforçai-vos por fazer o bem perante todos os homens; se possível, quanto depender de vós, tende paz com todos os homens” (Rm 12.14-18).
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“Não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira; porque está escrito: A mim me pertence a vingança; eu é que retribuirei, diz o Senhor. Pelo contrário, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; porque, fazendo isto, amontoarás brasas vivas sobre a sua cabeça. Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem” (Rm 12.19-21).
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Tendo purificado a vossa alma, pela vossa obediência à verdade, tendo em vista o amor fraternal não fingido, amai-vos, de coração, uns aos outros ardentemente” (1Pe 1.22).
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“Isto vos mando: que vos ameis uns aos outros” (Jo 15.17).
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“Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros. Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros” (Jo 13.34-35).
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“Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade; porém não useis da liberdade para dar ocasião à carne; sede, antes, servos uns dos outros, pelo amor. Porque toda a lei se cumpre em um só preceito, a saber: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Se vós, porém, vos mordeis e devorais uns aos outros, vede que não sejais mutuamente destruídos” (Gl 5.13-15).
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“Rogo-vos, pois, eu, o prisioneiro no Senhor, que andeis de modo digno da vocação a que fostes chamados, com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor” (Ef 4.1-2).
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“Porque a mensagem que ouvistes desde o princípio é esta: que nos amemos uns aos outros; não segundo Caim, que era do Maligno e assassinou a seu irmão […] Nós sabemos que já passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos; aquele que não ama permanece na morte. Todo aquele que odeia a seu irmão é assassino; ora, vós sabeis que todo assassino não tem a vida eterna permanente em si” (1Jo 3.11-15).
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Amados, amemo-nos uns aos outros, porque o amor procede de Deus; e todo aquele que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. Aquele que não ama não conhece a Deus, pois Deus é amor. […] Amados, se Deus de tal maneira nos amou, devemos nós também amar uns aos outros. Ninguém jamais viu a Deus; se amarmos uns aos outros, Deus permanece em nós, e o seu amor é, em nós, aperfeiçoado” (1Jo 4.7-12).
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“Nós amamos porque ele nos amou primeiro. Se alguém disser: Amo a Deus, e odiar a seu irmão, é mentiroso; pois aquele que não ama a seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê. Ora, temos, da parte dele, este mandamento: que aquele que ama a Deus ame também a seu irmão” (1Jo 4.19-21).
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E por aí vai. Como dá para ver com muita clareza pela enorme quantidade de passagens bíblicas sobre o assunto, a proposta da Nova Aliança é a da paz, da conciliação, do trato amoroso com as diferenças e com os diferentes. Usar Jesus com os vendilhões para tentar validar um comportamento horrível é uma aberração.
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odio 3Um argumento que muitos usam para justificar sua forma ofensiva e agressiva de se comportar, falar e escrever é que a ira divina contra o pecado e o erro nos daria permissão para sermos odiosos na hora de “defender a fé” ou se opor a quem de nós discorda. Sobre isso, importa lembrarmos de algo: embora Deus seja o nosso exemplo, nós não somos Deus. Ele pode fazer o que bem entender; nós não. Ele é o autor e o dono da vida: nós não. Deus tem todo o direito, por exemplo, de acabar com a vida de uma pessoa, mas, se nós fizermos isso, nos tornamos assassinos e quebramos um dos Dez Mandamentos.
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Isto é muito importante: Deus fazer algo não nos dá o direito de fazer a mesma coisa. Se ele manifesta e tem todo o direito de manifestar a sua justa ira, o que ele nos diz é que a ira humana é uma das obras da carne (Gl 5.20), a ponto de pôr um prazo para quando nos iramos: “Irai-vos e não pequeis; não se ponha o sol sobre a vossa ira, nem deis lugar ao diabo” (Ef 4.25-27). A proposta é clara: O insensato expande toda a sua ira, mas o sábio afinal lha reprime” (Pv 29.11). Vou repetir: O insensato expande toda a sua ira, mas o sábio afinal lha reprime”. Mais uma vez: O insensato expande toda a sua ira, mas o sábio afinal lha reprime”. Portanto, não, a ira de Deus não nos dá o direito de agirmos com ira e acharmos isso bíblico. Pois não é. 
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Esse princípio se reafirma a todo tempo nas Escrituras. O evangelho jamais nos dá o direito de agirmos como Deus age. Veja o caso da vingança. Se, por um lado, há inúmeras passagens que falam sobre a vingança divina, a ordem para nós é: “não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira; porque está escrito: A mim me pertence a vingança; eu é que retribuirei, diz o Senhor” (Rm 12.19).
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Assim, vemos que não se pode justificar um comportamento humano pelo  fato de o Pai ou o Filho terem agido deste ou daquele modo. É preciso saber identificar o que Deus faz e que devemos tomar como exemplo e o que ele faz porque é prerrogativa exclusiva dele fazer. Se não soubermos separar uma coisa da outra, tomaremos para nós atitudes que não nos cabem ter e viveremos de modo que o evangelho não nos dá sinal verde para viver.
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odio 4Chega de agressividade. Chega desse argumento maligno de que “posso ser impetuoso (para não dizer grosseiro, agressivo) porque Jesus derrubou as mesas dos cambistas”. Chega dessa igreja irada, raivosa, odiosa, trevosa. Estou exausto de ver agressões “em nome de Jesus” e gente supostamente defendendo a fé usando palavras e um tom que da nossa fé não têm nem o cheiro. Não aguento ter de ficar calado quando conhecidos meus não evangélicos dizem – com toda razão! – que não enxergam Cristo em pastores e outras pessoas “evangélicas” que dão um show de agressividade e palavreado de baixo nível. Em grande parte, temos sido tão agressivos como o mundo e, com isso, nos igualamos a ele. Deixamos de brilhar. Deixamos de salgar. E sal que não salga Para nada mais presta senão para, lançado fora, ser pisado pelos homens” (Mt 5.13). 
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Não aguento mais ver calvinistas agredindo e ironizando arminianos e vice-versa. Somos todos irmão, pelo amor de Deus! Não aguento mais ver cessacionistas e pentecostais trocando farpas e fazendo piadinhas mútuas. Somos filhos do mesmo Pai! Não aguento mais ver cristãos detonando com raiva na língua e ódio no olhar pessoas como o cantor  Thalles Roberto, que, em vez de ser alvo de orações misericordiosas e de um discipulado feito em amor para que possa perceber seus erros e seja levado a uma restauração real, é alvo de ataques feitos sem nenhum amor e com um palavreado inacreditável. Mas, claro, detonamos gente como ele “em defesa da sã doutrina” e “em nome de Jesus”. Bem me ensinou minha mãe que “um erro não justifica o outro” e, meu irmão, minha irmã, quem erra deve ser conduzido pacificamente ao acerto e não jogado sadicamente na fogueira dos hereges (para não dizer no inferno). Fomos chamados para restaurar, disciplinar com mansidão e discipular… e não para detonar! Fico arrasado por ver gente defender o evangelho achando que isso deve ser feito jogando no lixo o mandamento de amar o próximo.
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Amar o diferente está fora de moda, geralmente só amamos os da nossa patota (teológica, doutrinária ou algo que o valha). Graça, por outro lado, se fala por todos os lados, pois as doutrinas da graça viraram grife. Mas parece que não saem do discurso. Falamos muito sobre a graça, mas a praticamos pouco, muito pouco, muito, muito pouco. E não estou falando de amor bobinho nem de graça barata, mas de amor maduro, sólido, o tipo que levou Jesus a subir à cruz por pessoas odiosas como eu e você. Tomamos para nós atitudes que só cabem a Deus. Reproduzimos, “em nome de Jesus”, atitudes essencialmente diabólicas e mundanas. E isso está errado. Está errado.
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Eodio 5sse não é o cristianismo que quero viver. Desculpe, mas não quero compactuar com o pseudoevangelho da chibata e do chicote. O açoite que me interessa não é o que Jesus usou contra os vendilhões, é o que Jesus recebeu em suas costas. Não quero ter parte com quem diz que defende o modelo da Igreja primitiva, a extinção do dízimo e das denominações e parte para o braço quanto a questões como essas discordando com palavras ácidas, brutas, infelizes. Não quero fazer parte do grupo de irmãos que tratam gays e pessoas de outras religiões com raiva no olhar, palavras ríspidas e nenhuma misericórdia no coração, que mais se preocupam em atacar do que em amar, evangelizar e discordar com paciência e bondade. A questão não é discordar, isso é natural e lícito, ninguém é obrigado a pensar igual; o xis da questão é como se discorda. 
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Quero ser conhecido por Deus como alguém que ama, sim, a verdade do evangelho e que defende a sua Palavra, mas, sempre, carregando em mim zelo e compaixão, firmeza e doçura, comprometimento e bons sentimentos. O discordante não é meu inimigo, é meu objetivo. A proclamação das boas-novas de Cristo me faz ver o discordante e aquele que considero estar no erro não como canalhas e inimigos, mas como necessitados, carentes, gente que ainda não enxergou a luz. Porque eu já fui assim um dia. E aqueles que penso estarem errados só verão a luz se virem em mim amor, graça, misericórdia, perdão, sacrifício, entrega, abnegação, paz, mansidão… Cristo, enfim.
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odio 6O ódio de religiosos judeus que queriam “defender a sua fé” levou Jesus à cruz, mas foi o amor de Deus pelos perdidos que o levou à ressurreição. Que enorme tristeza é ver que muitos cristãos bem-intencionados não entendem isso, com arrogância se recusam a entender e, portanto, não compreendem nem põem em prática a graça, preferindo o discurso da chibata e um falso cristianismo que “defende Deus” com afiadas espadas verbais. Não aguento mais tanto ódio vindo daqueles que foram salvos pelo Amor com a finalidade de amar. Bem predisse Jesus que, no final dos tempos, Devido ao aumento da maldade, o amor de muitos esfriará” (Mt 27.12). A maldade impera entre nós. O amor de multidões de cristãos já esfriou, dando lugar à “ira santa”. Defendem um deus que eu não conheço, que precisa de “defensores” para levantar sua bandeira com ira e agressividade. Desses, creio eu, o evangelho não precisa. Creio que Deus busca aqueles que, com amor transbordante, partem em busca dos inimigos, dos perdidos, dos desencaminhados e dos equivocados com amor e graça com o objetivo de conduzi-los amorosamente a Jesus: o bom e manso Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. “Pois é da vontade de Deus que, praticando o bem, vocês silenciem a ignorância dos insensatos” (1Pe 2.15).
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Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >
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