Arquivo da categoria ‘Solidão’

ouvido 1Quanto mais eu vivo, mais percebo quão dependentes somos de Deus. Vez após vez acontece algo que me mostra minha total impotência diante de certas circunstâncias da vida. Em alguns momentos, simplesmente não há nada que eu possa fazer para resolver o problema que pula em minha frente. Nada. Passei por uma experiência recentemente que me mostrou minha dependência e impotência com muita clareza. Eu já viajei de avião muitas e muitas vezes, confesso que já perdi a conta de quantas. Foram voos e mais voos, por conta de trabalho ou por viagens de turismo. Mas há algum tempo ocorreu algo inusitado. Eu estava bastante gripado. A garganta, inflamada. Muita secreção. Eu retornava de Brasília para o Rio de Janeiro e tudo transcorria dentro do previsto e com normalidade. Até que chegou a hora de o avião começar a descer para pousar. Subitamente, senti como se algo entupisse meus ouvidos. Era uma sensação muito estranha. De repente, veio a dor. Era aguda e muito forte, nos dois ouvidos, parecia que alguém tinha inserido balões neles e os estava inflando. Era muita, muita dor.

Eu não sabia o que fazer. Tentei bocejar, engolir saliva, usei todos os truques que conhecia para “desentupir ouvidos”. Nada adiantou. Depois vim a saber, em uma consulta com a otorrino, que a diferença de pressão faz a secreção se deslocar para os canais auriculares e, a fim de proteger os tímpanos de lesões, o organismo faz um algo qualquer que provoca aquela dor. O ponto é que naqueles longos quinze a vinte minutos de descida até a aterrissagem eu tive de suportar uma dor aguda e para a qual não havia nada que eu pudesse fazer. Tudo que me restava era me conformar e aguentar até o pouso.

Olha… não foi fácil. Mas a verdade é que esperar e suportar era minha única possibilidade.

Na vida, muitas vezes aguentar o sofrimento é a única coisa que podemos fazer, à espera de algo que dará fim à nossa dor. Dobramos os joelhos, oramos, pedimos, clamamos, nos esgoelamos… mas parece que Deus tirou um cochilo e não está muito aí para nós. Nos resta uma sensação de solidão, impotência e, por vezes, desespero. O que fazer? Para onde correr? A quem recorrer?

Doctor examining a boy's earNessas horas, lembre-se de que, em tudo na vida, “O meu socorro vem do SENHOR, que fez o céu e a terra. Ele não permitirá que os teus pés vacilem; não dormitará aquele que te guarda. É certo que não dormita, nem dorme o guarda de Israel. O SENHOR é quem te guarda; o SENHOR é a tua sombra à tua direita. De dia não te molestará o sol, nem de noite, a lua. O SENHOR te guardará de todo mal; guardará a tua alma. O SENHOR guardará a tua saída e a tua entrada, desde agora e para sempre” (Sl 121.2-8). Do Senhor vem o socorro, meu irmão, minha irmã. E ele não dormita, nem dorme. Em constante vigília, nosso Deus não tira os olhos de nós, jamais: “os teus olhos estão abertos sobre todos os caminhos dos filhos dos homens” (Jr 32.19).

Saiba disto: Deus nunca esta alheio à sua dor. Nunca. Ele sempre sabe quando você está passando por tristezas, angústias, depressão, sofrimento. O que ocorre é que, muitas vezes, ele está tratando de algo em sua vida e, enquanto dura o tratamento, ele observa você; atento, protetor, paternal e amoroso. Em silêncio, sim, mas jamais distante ou de costas para o que você enfrenta.

Muitas pessoas infelizmente acreditam que Deus em absolutamente nenhuma circunstância permitiria o sofrimento de quem ama. Mas se esquecem – ou talvez não conheçam – os inúmeros exemplos bíblicos de casos em que Deus permitiu que os seus passassem pela dor. Isso ocorreu, inclusive, no caso de Jesus, a quem “Todavia, ao SENHOR agradou moê-lo, fazendo-o enfermar; quando der ele a sua alma como oferta pelo pecado, verá a sua posteridade e prolongará os seus dias; e a vontade do SENHOR prosperará nas suas mãos. Ele verá o fruto do penoso trabalho de sua alma e ficará satisfeito; o meu Servo, o Justo, com o seu conhecimento, justificará a muitos, porque as iniquidades deles levará sobre si” (Is 53.10-11).

crossSim, aprouve ao Pai moer o Filho, pois sabia que era preciso o sofrimento do Justo para justificar a muitos. Ao Cordeiro de Deus só restava esperar. Suportar. E como ovelha muda perante seus tosquiadores, ele não abriu a boca, somente abaixou a cabeça e esperou. Entregou-se ao sofrimento: às ofensas, injúrias e calúnias; ao esbofeteamento, aos açoites e aos escarros; à coroa de espinhos e aos cravos; à lança transpassando seu lado e à sensação de abandono. Doeu. E muito. Jesus sofreu. E teve de simplesmente suportar e esperar, até que chegou o momento da gloriosa ressurreição.

Depois que o avião pousou, ainda demorou um bom tempo, mas, enfim, a dor passou. A sensação de entupimento nos ouvidos prosseguiu por algumas horas, mas, por fim, cedeu. Não tive o que fazer. Suportar a dor foi só o que me restou. Pode ser que você esteja em meio a uma angústia que parece não ter fim. Enquanto você está em pleno processo de dor, dê graças a Deus, com paciência e resignação, sabendo que os olhos do Senhor estão cravados em você, à espera do momento preciso em que ele dirá: “Agora basta. Chega. Você está livre”. 

Confie. Esperar em Deus sempre vale a pena. Nunca é um desperdício. Nunca é inútil. Pois, se esperamos com paciência no Senhor, estamos simplesmente exercendo aquilo que ele mais espera de nós: fé.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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MarconeOito dias no fundo de um poço, com água acima da cintura, sem comer nada, sem dormir e sofrendo de crise de abstinência devido à ausência de álcool no organismo. Essa foi a luta pela qual passou o senhor Marcone, esse homem que estou abraçando na foto ao lado. Eu o conheci recentemente, quando estive em Campina Grande, na Paraíba, aonde fui pregar sobre os temas de meus dois livros mais recentes, O Fim do Sofrimento e Perdão total. Tive a oportunidade de ouvir sua história de vida numa viagem de carro de Campina Grande a João Pessoa, quando pegamos a estrada na companhia do querido pastor Marconni Cavalcanti, seu quase-xará. Aquele homem de 45 anos me contou, então, seu relato, do qual não me esquecerei.

Natural de uma pequena cidade do interior da Paraíba, Marcone passou mais de três décadas viciado em bebida alcoólica. Era cachaça de manhã à noite. Em consequência da dependência química, sua vida foi destruída, ele foi expulso de casa pela esposa e seus filhos não queriam mais saber dele. O alcoolismo o levou a tal ponto que chegou a ser ameaçado de morte pelo próprio sogro. Acabou se tornando um andarilho, que vagava por estradas e  matagais, dormia debaixo de pontes e se aquecia com folhas de papelão. O álcool chegou a afetar sua sanidade e ele passou a ouvir vozes e sofrer alucinações. Sua vida estava em ruínas e parecia que ele não tinha mais nada a perder. Até que, certo dia, durante uma de suas caminhadas sem destino pelo meio de um matagal deserto, Marcone, embriagado, despencou dentro de um poço profundo e sombrio. Longe de tudo e de todos, com água até acima da cintura, ele se viu preso e sem perspectiva de sair daquele buraco.

poço 1Foram oito longuíssimos dias. Não havia nada que pudesse comer. Tampouco era possível dormir, pois, sempre que começava a cochilar, ele afundava na água e despertava imediatamente. Seu corpo entrou num estado de dormência constante. A falta do álcool o levou a uma crise de abstinência que tornou o quadro ainda mais grave. Precisava fazer as necessidades fisiológicas dentro da mesma água em que estava imerso e só tinha dela para beber. Consegue imaginar a situação? O desespero, a impotência? Pois foi essa tortura agonizante que Marcone viveu por oito (oito!) dias, durante os quais tudo o que podia fazer era refletir sobre a própria vida.

No oitavo dia, dois homens que moravam em uma localidade próxima saíram para procurar uma ovelha perdida, que havia se desgarrado do rebanho. Eles se embrenharam no mato para tentar encontrar o animalzinho perdido. Quando Marcone ouviu a voz dos dois, começou a gritar com as poucas forças que lhe restavam, num desesperado pedido de socorro.

– Quando vi a cabeça daquele homem aparecer lá no alto, na abertura do poço, foi como se eu tivesse nascido de novo – contou-me ele, com sua voz grave.

poço 2Os dois homens conseguiram um fio comprido e, com o auxílio daquele tipo de corda, o puxaram para fora do poço. Dali, fraco e combalido, ele conseguiu se arrastar de volta à civilização. Tinha terminado seu longo suplício. Quinze dias depois, ele decidiu se internar num centro de recuperação, para tentar se livrar do alcoolismo. Foi ali que ele conheceu Jesus e encontrou forças suficientes para superar o vício. Hoje, Marcone já está dois anos sem pôr uma gota de álcool na boca. Com a ajuda dos pastores do centro de recuperação e da Igreja Cristã Nova Vida de Campina Grande, tem conseguido se reestruturar, retomou o contato com a mulher e os filhos (que não queriam nem pensar em voltar a falar com ele) e, aos poucos, tenta reconquistar a confiança dos parentes. Marcone tem trabalhado e conseguido ganhar o próprio dinheiro, que usa para se manter e para enviar alimentos à família. Também se reconciliou com o sogro. Pagou todas as dívidas pendentes em sua cidade de origem. Tem frequentado a igreja, onde ajuda na cantina. A verdade é que, depois daquele poço, sua vida começou a mudar drasticamente – e para muito melhor.

poço 3Todos nós temos um pouco de Marcone. Ninguém gosta de cair em poços, mas muitos de nós acabam em algum momento da vida no fundo de algum poço sombrio. Não um poço literal, como o que engoliu aquele paraibano de mãos calejadas, mas um poço construído por situações adversas da vida. Podem ser poços de sofrimento, dor, luto, abandono, doença, tristeza, depressão, perdas, ofensas, desemprego, escassez, falta de perdão, traições, incompreensão e tantos outros problemas que angustiam nossa alma, minam nossa esperança e fazem parecer que não temos como escapar.

É quando despencamos dentro de uma situação dessas que ficamos famintos de paz, parece que não conseguimos repousar e, quando o descanso parece ser possível, afundamos nas águas amargas e sujas de novas dificuldades. Como um alcoólatra em abstinência, temos alucinações e enxergamos saídas onde elas não existem, buscamos caminhos onde não há e vemos como possibilidades aquilo que na verdade não nos tirará do poço.

SupportÉ nessas horas que ouvimos uma voz. A voz de um pastor que sai em busca de suas ovelhas. Ele escuta nosso grito de socorro e, quando tudo parece perdido, parte em nosso auxílio. Se olhamos para os lados, tudo o que vemos são paredes escuras, que nos limitam e não apontam para nenhuma saída. Mas, se voltamos os olhos para cima, conseguimos vislumbrar o rosto do nosso Salvador. Ele nos lança um fio de esperança e nos puxa daquele local de trevas para a luz. Sem perceber, a transformação começou dentro daquele local de sofrimento.

Saímos combalidos e fracos desses poços de agonia, mas com forças suficientes para procurar auxílio junto a quem pode nos reaprumar e fortalecer. E, quando nos damos conta, percebemos que os momentos difíceis que enfrentamos no fundo daquele poço nos fortaleceu a ponto de conseguirmos mudar aspectos negativos de nós mesmos. Assim, nos aperfeiçoamos e ganhamos forças para empreender melhorias que, havia muitos anos, precisavam ser feitas.

Ao término de seu relato, perguntei a Marcone como ele se compara, hoje, ao homem que despencou naquele poço. Ele não titubeou:

– Não tem como comparar. Eu era um cabra ruim. Hoje sou bem melhor e sinto até nojo quando penso no que vivi antes.

Você está no poço da angústia, do sofrimento, da falta de esperança? Não consegue entender como Deus permite que passe pelo que está passando? Então sugiro que você pense nessas últimas palavras de Marcone e pode ser que consiga entender. Que Deus te dê forças para atravessar os momentos sombrios da vida, sabendo que, ao sair deles, você será uma pessoa muito mais madura, calejada, reflexiva e amoldada ao caráter de Jesus.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
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livro no lixo 1Um livro cristão no lixo é capaz de fazer o quê? Possivelmente você diria que nada, que um livro no lixo é algo inútil, que não abençoa ninguém. E é verdade, pois uma obra literária sem ter quem a leia não passa de papel sem utilidade. Só que ela nunca deixa de ter em si um enorme potencial de transformação de vidas. Passei a última semana em São Paulo, devido a compromissos com a editora Mundo Cristão. Foram dias intensos, cheios de boas notícias e algumas emoções fortes. Uma história que ouvi lá me marcou profundamente. Quem me contou foi meu amigo Marcelo Martins, um dos gerentes da editora, e eu gostaria de compartilhar com você. Ao final deste texto vou relatar uma experiência que vivi e que tem relação com a história.

Marcelo me disse que, algum tempo atrás, a Mundo Cristão recebeu uma mensagem pelo “Fale conosco” de seu website. Era o testemunho de um leitor que gostaria de compartilhar sua história. Esse leitor contou que, tempos antes, estava desiludido com a vida, em crise existencial e pensando em nada menos que cometer suicídio. Foi quando passou ao lado de uma lata de lixo, na rua, e viu que dentro dela havia um livro, sem capa. Apesar de ser uma atitude contrária ao bom senso, ele sentiu vontade de pegar a obra e a levar consigo para ler. Era um exemplar de O Peregrino, de John Bunyan, publicado pela Mundo Cristão. O homem leu aquele livro em estado deplorável e, impactado pela história, não só desistiu de tirar a própria vida como decidiu conhecer Cristo mais profundamente. Ali, graças a um livro sem capa e descartado em um lixo qualquer, aparentemente sem valor algum, uma vida de valor incalculável foi salva da morte e do inferno. Em sua mensagem à editora, aquele homem ofertou palavras de incentivo: “Nunca deixem de publicar, pois o trabalho de vocês salva vidas”.

Não preciso dizer quão enorme é meu amor pelos livros. Já foram publicados seis de minha autoria, trabalho como editor de outros autores e, enquanto Deus quiser e permitir, continuarei pondo no papel aquilo que o Senhor semeia em minha mente e em meu coração. Eu mesmo fui transformado e salvo graças ao poder de um livro, a Bíblia sagrada, e acredito enfaticamente na capacidade que uma obra literária tem de levar conhecimento, crescimento, esperança, transformação e emoções a milhões de pessoas. Peter Cunliffe, um dos fundadores da Mundo Cristão, costuma dizer que “cada livro é um missionário”. Portanto, dar um livro cristão de presente é fazer missões.

Antonio Carlos Costa eu e Ed Rene_100615Por conhecer o poder da literatura, preciso incentivar você: leia bons livros, entre eles obras cristãs. Se não costuma fazê-lo, procure desenvolver o hábito. Não falo isso porque sou escritor e editor, mas me tornei editor e escritor por causa da consciência da importância daquelas letrinhas impressas em papel. Dou um exemplo recente, que mexeu profundamente com minhas emoções: quando estava em São Paulo, mediei um debate entre os pastores Ed René Kivitz e Antônio Carlos Costa, por ocasião do lançamento do livro mais recente de Antônio, intitulado Convulsão protestante, do qual fui editor. O evento aconteceu em um auditório que fica na livraria Saraiva do shopping Center Norte. Assim que cheguei lá, encontrei minha amiga Luciana Nascimento, que trabalha na Mundo Cristão. Ela me puxou e disse que queria me apresentar a uma pessoa. Entramos na livraria e Luciana se aproximou de uma das vendedoras. Dirigiu-se a ela e me apontou.

– Heloisa, este aqui é o Mauricio Zágari, autor do Perdão Total – Um livro para quem não se perdoa e para quem não consegue perdoar.

Eu e Heloisa da Saraiva Center Norte_090615Aquela jovem mulher me viu, veio ao meu encontro e me deu um abraço muito apertado, com os olhos cheios de lágrimas. Fiquei assustado, sem entender direito. Foi quando Heloisa (foto) me contou sua história: disse que vivia uma situação que eticamente não posso dizer qual é, mas, em síntese, tinha a ver com perdoar e se perdoar. E que o Perdão Total havia transformado sua vida. Confesso que fiquei muito emocionado com aquilo e extremamente grato a Deus por ter usado as reflexões que compartilhei no livro para produzir aquele resultado. Detalhe: Heloisa é kardecista.

Isto não é teoria, é fato: livros mudam vidas, e para melhor. Livros nos aproximam de Deus. Tenho visto e vivido essa realidade. Não abra mão do gigantesco privilégio que é a leitura – que nada mais é do que a transmissão de pensamentos e conhecimentos por via escrita. Livros cristãos, então, têm o explosivo potencial de abrir novos e maravilhosos horizontes em sua vida e na daqueles que você ama. Deus te deu a habilidade de ler e tempo para ser investido em leitura. Não desperdice essas grandes dádivas.

Convite Saraiva 180615_QuadradoEu poderia parar o texto aqui, mas peço a sua permissão para aproveitar o assunto e fazer um convite. Soube semana passada, quando estava em São Paulo, que o Perdão Total vai entrar em sua 4a edição, o que mostra que Deus tem abençoado muitas vidas por meio daquilo que ele pôs nas páginas dessa obra (inclusive, 1/3 dos exemplares foram vendidos em livrarias não evangélicas, como Saraiva, Nobel e FNAC). Saber de resultados assim é o incentivo de que preciso para seguir escrevendo aqui no APENAS e a continuar produzindo livros que sirvam de instrumento para o Senhor abençoar e transformar vidas. Acredito firmemente no poder da literatura a serviço do reino de Deus e sempre que possível incentivo a divulgação de obras que contribuam para libertar, sarar e edificar vidas, conduzindo-as mais para perto de Cristo. Por isso quero aproveitar e convidar você, que mora no Rio de Janeiro, a me encontrar na próxima quinta-feira, dia 18/06, às 20h, na livraria Saraiva do shopping Rio Sul, em Botafogo. Lá ocorrerá uma noite de dedicatórias do novo livro de minha autoria, O Fim do Sofrimento – Um livro para quem busca consolo e esperança nos momentos mais sombrios. Será uma oportunidade de nos conhecermos pessoalmente e conversarmos um pouco. Se você não for do Rio, eu pediria, por favor, que orasse por esse livro, a fim de que ele impacte vidas assim como o Perdão Total e tantas outras obras cristãs têm feito.

Peço a Deus que, caso venham a ler essa obra, você e milhares de pessoas sejam tocados pelo Espírito Santo, assim como ocorreu com Heloisa e aquele homem cuja vida foi salva por meio de um livro sem capa e descartado em uma lata de lixo. Um livro que nada mais era do que um missionário em repouso, esperando para mudar uma vida.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
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O fim do sofrimento_Capa 3DVocê está sofrendo? Ou conhece alguém que esteja? Pode ser sofrimento físico, psicológico, espiritual ou emocional; no corpo ou na alma? Ou, então, tem a sensação de que Deus não te ouve, se cansou de você, não responde as orações ou mesmo não te ama? Se é o caso, saiba que muitos bons cristãos enfrentam sofrimentos. Mas… haveria uma explicação para um Deus bom e amoroso permitir a sua dor? E será que existem respostas bíblicas que ajudem a aliviar o fardo quando se está atravessando o vale da sombra da morte? A boa notícia é que, sim, há uma explicação; e, sim, as Escrituras apontam caminhos para encontrar paz, alívio, alegria, descanso, esperança e felicidade nos piores momentos da vida.

Tenho sido fortemente motivado a me aprofundar nessa questão, como resultado de um processo pessoal de sofrimento, somado à percepção constante – por meio de conversas com irmãos e irmãs pelo APENAS, pelo Facebook ou nas igrejas em que prego e palestro – de que há multidões de pessoas entre nós que precisam lidar com os mais variados tipos de dores e angústias. Por tudo isso, esse assunto tem feito parte de minhas reflexões de modo muito intenso nos últimos tempos, o que me levou a realizar uma pesquisa profunda nas Escrituras sobre o tema. Essa busca para compreender (e viver) melhor a questão do sofrimento acabou gerando um livro, lançado oficialmente este mês de maio pela editora Mundo Cristão: O Fim do Sofrimento – Um livro para quem busca consolo e esperança nos momentos mais sombrios.

Peço desculpas se este texto soa como a propaganda de um livro. Acredite: para mim, é muito mais do que isso. Tenho a convicção, reforçada pelo depoimento de pessoas que já o leram (veja abaixo), de que ele pode ajudar vidas que se encontram esmagadas pelo peso do sofrimento a encontrar o caminho da paz. A você, meu irmão, minha irmã, que acompanha este blog semanalmente, explico que tudo o que procurei fazer com esse livro foi o que faço nos posts do APENAS: estudar e refletir sobre as coisas de Deus para abençoar a vida de quem me lê. Aliás, alguns textos que uso na obra foram baseados em posts do blog, só que mais desenvolvidos e esmiuçados. Meu objetivo é que este livro – escrito numa linguagem extremamente fácil e simples, para ser compreendido por qualquer pessoa, em textos curtos e coloquiais – conduza quem o ler a vivenciar a paz em meio ao sofrimento. Sem falsas promessas. Apenas com respostas bíblicas.

É natural que, como autor, eu incentive a leitura do O Fim do Sofrimento – Um livro para quem busca consolo e esperança nos momentos mais sombrios, pois acredito realmente que ele possa ser um canal para Deus levar paz a muitas pessoas – não por mérito próprio, mas pelo poder das verdades bíblicas que ele contém. Nesse sentido, estimulo a leitura a quem está passando por momentos de angústia e aflição, seja você, seja alguém que você conheça. Não falo isso de modo algum por interesse comercial, minha intenção é abençoar vidas e levar paz a corações.

Mauricio Zágari e Augustus Nicodemus em 2011Além de ser suspeito, por ser o autor, confesso que sinto certo desconforto de falar sobre algo que fiz, por isso prefiro deixar que outros falem em meu lugar. O livro – que tem prefácio do pastor Augustus Nicodemus Lopes – traz, nas primeiras quatro páginas e na contracapa, pequenos depoimentos de pessoas que o leram antes da publicação. Acredito que você conheça alguns deles e é para eles que passo a palavra:

“Mensagens lúcidas e bíblicas como as que Maurício Zágari transmite por este livro chegam como um bálsamo. O leitor encontrará nas páginas de O fim do sofrimento consolo, orientação e direção para atravessar o vale da sombra da morte” (Augustus Nicodemus Lopes — Pastor da Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia).

“Mauricio Zágari tem a clara intenção de contribuir com a humanidade, independente de raça, cultura e religião. Seus textos procuram estimular o processo de interiorização e reflexão existencial, para que o leitor elabore suas experiências e cresça diante dos percalços da vida. Que os leitores possam ser inspirados por este livro a fazer essa caminhada” (Augusto Cury — Escritor)

shedd_g“Maurício Zágari dá respostas bíblicas repletas de esperança e encorajamento para o problema do sofrimento. Não acho que encontrará outro livro melhor para experimentar a paz!” (Russell Shedd — Pastor, escritor, professor, conferencista e teólogo)

“A oportunidade de dizer algo sobre O Fim do Sofrimento me dá a sensação de peso sob a grande responsabilidade, visto que Maurício Zágari é um escritor admirável. Recomendo com carinho e consciência o livro que tem em mãos” (Antonieta Rosa — Teóloga, pastora, escritora e líder da Igreja ADVEC, RJ)

ana paula“A leitura desse livro será um bálsamo para o coração de todo aquele que sofre mas não sabe o porquê. O sofrimento e a dor são parte da nossa vida. Gostaríamos de evitá-los mas, quando menos esperamos, eles surgem como “intrusos” nas nossas histórias. Não é fácil lidar com esses tipos de “intrusos”. Por essa razão, Deus nos deixou a sua Palavra e também a sua igreja: irmãos e irmãs que nos auxiliam na caminhada. Maurício Zágari é um desses preciosos irmãos que, com doçura, nos fala sobre o fim desses intrusos.” (Ana Paula Valadão e Gustavo Bessa — Pastores da Igreja Batista da Lagoinha, BH)

“Em Cristo, e por meio da sua Palavra, descobrimos as razões do sofrimento, conhecemos seus propósitos divinos, e mais: encontramos consolo e cura para todo tipo de dor. Neste livro, Maurício Zágari conduz o leitor com segurança por esse caminho de ajuda e esperança, por meio da Palavra de Deus.” (Carlos Alberto Bezerra e Suely Bezerra — Pastores da Comunidade da Graça, SP)

bianca toledo“O fim do sofrimento não é quando ele acaba, mas quando enfim começamos a aprender com ele. Estou certa de que este livro transformará desertos vazios em lições de inestimável valor” (Bianca Toledo — Missionária, escritora e cantora).

“Em meio a um tempo tão triunfalista, poucos têm a coragem e ousadia de falar sobre o sofrimento de uma forma tão profunda, visceral e bíblica. Maurício Zágari passeia entre o confronto e o bálsamo e consegue com muita sabedoria acalentar o coração” (Felipe Heiderich — Pastor e escritor)

O fim do sofrimento é para todos nós, homens e mulheres que nos sentimos perplexos e impotentes diante de diferentes situações pelas quais passamos ao longo da vida. Deus abençoe este livro!” (Cris Poli — Educadora, escritora e apresentadora do programa de TV Supernanny)

“Sofrimentos, crises e dificuldades estão inevitavelmente entrelaçados no tecido da vida. Contudo, você pode mudar sua vida pelas escolhas que faz, e Maurício o ajudará a fazer as escolhas certas” (Devi Titus — Escritora e palestrante)

“Maurício Zágari usa no livro os dois maiores instrumentos de comunhão com Deus: a oração e a leitura cuidadosa e proveitosa da Bíblia. Se eu fosse você, não deixaria de tê-lo como um manual de sobrevivência!” (Dora Bomilcar — Coordenadora de oração da AMTB e produtora e locutora do programa Entre amigas, da RTM)

durvalina bezerra“O assunto do sofrimento é tratado de forma bíblica, e a obra é uma leitura imprescindível para os que precisam saber enfrentar as tempestades da caminhada cristã” (Durvalina Bezerra — Teóloga, conferencista, escritora e diretora da Rede de Mobilização de Mulheres de Ação Global e Mulheres em Ministério)

“Maurício Zágari possui uma compreensão excepcionalmente clara e bíblica sobre Deus e o ser humano. Este livro faz você se levantar e viver, mesmo em circunstâncias de dor e sofrimento” (Gilciane Abreu — Teóloga, pedagoga e diretora executiva da Juventude Batista Brasileira)

enc-josueO fim do sofrimento é um livro corajoso, que aborda a soberania e o amor de Deus com a sensibilidade única de quem conhece a dor e sabe consolar por meio da verdade. Promete ser leitura obrigatória para esta geração” (Josué Gonçalves — Escritor, conferencista e pastor do ministério Família Debaixo da Graça)

“Maurício Zágari escreve com o coração e fala ao coração de seus leitores. Com toda a certeza você não será o mesmo depois de ler as páginas deste livro” (Leonardo Sahium — Pastor da Igreja Presbiteriana da Gávea, RJ)

“A Mundo Cristão está de parabéns por esta publicação. Ela fala ao âmago do ser humano” (Miguel Uchôa — Bispo anglicano da Diocese do Recife e reitor da Paróquia Anglicana Espírito Santo)

luiz-sayao“Em dias de superficialidade e irrelevância, O fim do sofrimento surge como um oásis para quem sente a inescapável missão do coração de integrar espiritualidade e sofrimento. Parabéns ao autor pela seriedade e sensibilidade!” (Luiz Sayão — Teólogo, linguista, hebraísta e pastor da Igreja Batista Nações Unidas, SP)

“Sofrimento é dor, é sinal de que algo não está bem. O importante é o que aprendemos em cada crise de dor. Esse é o objetivo do autor. Aproveite” (Nancy Gonçalves Dusilek — Palestrante e escritora)

“O autor caminha de maneira sensível, bíblica e não superficial no tema do sofrimento, balizando direções de aprendizado e crescimento que nos identificam com Jesus e nos aproximam do próximo” (Nelson Bomilcar — Músico, pastor e escritor)

nina targino“Maurício Zágari escreve sobre a angústia que vive no íntimo de todo ser humano: o medo de sofrer. Um livro muito bem-vindo, desafiador” (Nina Targino — Coordenadora nacional do ministério Desperta Débora)

O fim do sofrimento agiu sobre mim como as palavras de um amigo a meu lado que se dispusesse a ler passagens da Escritura e a confortar-me com comentários cheios de graça. O texto transpira vivência e pessoalidade” (Norma Braga Venâncio — Doutora em Literatura Francesa, escritora e palestrante)

“Mauricio Zágari nos brinda com uma obra em que a graça de Deus se faz presente, exortando-nos a permanecer firmes diante das batalhas que nos assolam a alma. Recomendo a leitura!” (Renato Vargens — Escritor e pastor da Igreja Cristã da Aliança, RJ)

Perdao Total - Rachel Sheherazade (2)“Longe de propor o fim do sofrimento, Maurício Zágari nos faz compreender sua finalidade, por que e para que sofremos. Nosso Pai de amor também opera através do sofrimento, mas nos garante: nenhuma tribulação será em vão” (Rachel Sheherazade — Jornalista e apresentadora)

“Ao invés de oferecer ‘regrinhas’ ou ‘mantras’ fáceis sobre um tema tão complexo, Maurício Zágari fará que o leitor enfrente o sofrimento sob aperspectiva de um Deus amoroso que não só está comprometido com seus filhos, como também ama sua criação” (Ricardo Bitun — Pastor da Igreja Manaim e professor de Ciências da Religião da Universidade Presbiteriana Mackenzie

“Sugiro a leitura a todos que anseiam se aprofundar na Bíblia em busca de respostas, ou melhor, direções que podem ajudar a trazer paz e esperança em momentos de sofrimento” (Rinaldo Seixas — Fundador e líder da Igreja Bola de Neve)

wd“Este livro é um dos melhores já escritos sobre a questão do sofrimento, pois oferece respostas de esperança, paz e transformação para quem está sofrendo, com argumentos totalmente bíblicos e sem fazer falsas promessas” (William Douglas — Juiz federal, escritor e conferencista)

Peço a Deus que O Fim do Sofrimento – Um livro para quem busca consolo e esperança nos momentos mais sombrios seja um canal de bênção e paz para muitas vidas. Se você está sofrendo, meu irmão, minha irmã, fica aqui minha carinhosa recomendação para que o leia, a fim de desfrutar do alívio e do consolo bíblicos que essa obra oferece. Se conhece alguém que esteja atravessando o vale da sombra da morte, dê um exemplar de presente ou recomende a leitura. E peço ao nosso Pai que as palavras de vida contidas nas páginas deste livro tragam transformação, esperança e paz a você e a todos aqueles que vier a alcançar.

Paz a todos vocês que estão em Cristo – em especial, os que estão sofrendo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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amigo 1Quantos melhores amigos você já teve na vida? Eu já tive alguns. Na primeira escola tinha um; na segunda tinha outro; na faculdade tive uma grande amiga; na época do primeiro emprego um ex-professor da faculdade tornou-se meu companheirão; após a minha conversão, as afinidades me aproximaram de pessoas completamente diferentes… e assim seguiu minha jornada. A cada fase da vida mudamos de círculos de amizades e aquelas pessoas que eram nossas confidentes, companheiras inseparáveis, confessoras íntimas, até mesmo heróis e modelos… simplesmente seguem outros rumos, se distanciam, perdem a conexão. Muitas nunca mais vemos. Outras encontramos esporadicamente. E há ainda aquelas que até mesmo vemos eventualmente, mas parece que a antiga química sumiu. Como lidar com amizades que revelam não ser tão sólidas e eternas como você imaginava?
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Confesso que por muitos anos isso me incomodou. Eu sempre fui muito apegado a quem amo e me afrontava bastante a ideia de que fulano não sentia mais o mesmo desejo de estar em minha companhia. O tempo passou, eu cresci, amadureci e descobri que essa dinâmica é absolutamente natural e faz parte da vida de todo ser humano. Não foi fácil, mas, enfim, a ficha caiu. A razão de nossos amigos mudarem e se afastarem é simples: todo mundo muda. Faz parte da natureza humana. Faz parte da vida. E, quando digo que todo mundo muda, me refiro a mudanças em diferentes aspectos: interesses, valores, projetos de vida, visão de mundo, espiritualidade e por aí vai. Por isso, enquanto você compartilha similaridades com certa pessoa, isso vai aproximá-los; no dia em que esses pontos de atração deixarem de existir, será um milagre sustentar uma amizade próxima. E, aí, quem andava mais próximo de você vai partir para outras pastagens.
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amigo 2Na minha adolescência, por exemplo, eu era um roqueiro que gostava de vida noturna e livros. Naturalmente, meus amigos tinham esse perfil: ou eram leitores compulsivos que gostavam de debater literatura ou gente que apreciava ir a shows de rock. Quando comecei a trabalhar, como um repórter de assuntos internacionais do Jornal do Brasil, passei a conviver com jornalistas mais maduros, que falavam sobre temas mais sérios e densos. Meu foco foi mudando, meus assuntos preferidos tornaram-se outros. Em pouco tempo, os roqueiros já não me convidavam mais para sair.
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Veio minha conversão, e meus antigos melhores amigos passaram a me ver como um religioso fanático e louco – e se afastaram. Naturalmente, ganhei novos amigos, pessoas comprometidas com o evangelho que eu agora abraçava. E, com minha caminhada na fé, percebi que o fenômeno continuava, pois até mesmo dentro da igreja seus relacionamentos mudam, dependendo de como enxerga as coisas: se você se dedica mais à oração vai se aproximar de gente de joelhos calejados; se torna-se um crente agressivo, vai passar a andar com os adeptos da jihad cristã; se é reformado vai se aproximar de reformados; se segue a Missão Integral vai buscar quem compartilha da sua visão… e por aí vai.
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Acredito que o grande segredo é compreender que isso é natural e não se decepcionar porque seus melhores amigos partiram. Daí em diante, devemos viver em paz com todos, sendo os melhores amigos que pudermos, mesmo daqueles que não nos desejam mais como amigos. Esse é o principio até mesmo do amor pelos inimigos: dar o melhor de nós por quem não dá muito por nós.
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Talvez este não pareça ser um assunto muito espiritual. Mas é. Amizades são importantes. Aliás, são fundamentais. Eclesiastes 4.9 mostra que Melhor é serem dois do que um”. Jesus cercava-se de amigos. Ele gostava de estar perto dos doze, de Maria, Marta e Lázaro. Amizades nos fortalecem e nos edificam. Bons amigos ajudam a nos exortar, ouvem nossos desabafos, oram por nós, passam as madrugadas ao nosso lado se for preciso. Amigos verdadeiros fazem falta.
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Quer testar uma amizade? Deixe vir o vendaval ou, principalmente, torne-se alguém que não pode mais oferecer benefícios para essa pessoa. Se o amor e a presença dela por você permanecerem, mesmo quando não houver mais nada que você possa lhe proporcionar, mais nenhuma vantagem, nenhum benefício… então esse é um amigo real, autêntico, legítimo. “O pobre é odiado até do vizinho, mas o rico tem muitos amigos” (Pv 14.20). Busque as melhores amizades. As que passam, deixe ir, é normal que isso aconteça. Mudam os interesses, ou, às vezes, o que havia era só interesse.
amigo 3Acima de tudo, mais do que se preocupar com os que são amigos verdadeiros ou não, procure ser um amigo real para os seus amigos. O que tem valor de fato no reino de Deus é você ser o melhor amigo que puder, a despeito de como os outros são com você. Siga o exemplo do bom samaritano: ele, sim, foi amigo do homem à beira da estrada, a quem devotou-se sem ter nada a ganhar com isso. Faça tudo por seus amigos. Sirva-os, entregue-se e não espere nada em troca. Provavelmente, você não terá muita coisa em troca mesmo. Uns vão passar, outros mostrarão não ser tão amigos assim, outros te decepcionarão. Mas tudo bem, não importa: lembre-se de que, na cruz, apenas um dos amigos de Cristo permaneceu ao seu lado. Os demais? Bem… Jesus deixou o exemplo do que fazer por eles: “Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a própria vida em favor dos seus amigos” (Jo 15.13).
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Entregue sua vida pelo próximo: o verdadeiro amigo, o não tão verdadeiro assim, o que vai e o que fica. Isso é o amor maior. É o amor incondicional. É dar sem receber. Ao pôr em prática essa forma tão dura é difícil de amar, você simplesmente estará amando como Deus nos amou.
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Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >
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dente 1Em algum momento da sua vida, você certamente já brincou com sementes da planta conhecida como dente-de-leão. A certa distância, elas parecem um chumaço branco e redondo, fixado na ponta de uma haste verde, mas, quando sopra o vento, aquela bolinha de fiapos de desfaz em um monte de pequenos tufos, que saem voando pelo ar. É lindo de se ver e divertido. Sempre gostei muito dessas sementes, porque me transmitem uma sensação de paz e leveza. Para os cristãos da Idade Média, a flor da dente-de-leão estava associada a Cristo, possivelmente pelo seu formato, que lembra os raios do sol. Por isso, historicamente ganhou o significado de otimismo, esperança e luz espiritual. Além das características simbólicas, a planta pode ser utilizada com fins medicinais; seu chá é usado para purificar o sangue, estimular o apetite e tratar diferentes problemas de saúde. E mais: o dente-de-leão também serve como alimento, pois tem valor nutritivo.

Fiquei positivamente surpreso e feliz quando a Editora Mundo Cristão me apresentou a capa de meu novo livro, O Fim do Sofrimento – Um livro para quem busca consolo e esperança nos momentos mais sombrios. A obra, que chega às livrarias neste mês de maio, tem uma capa azul celeste e o único elemento além das palavras são sementes de dente-de-leão sopradas ao vento. Achei a escolha do artista que fez a capa muito apropriada para um livro que tem como objetivo levar paz e alívio a pessoas que estão passando por um período de sofrimento. Quando recebi da Mundo Cristão a arte da capa, fiquei olhando, me lembrando das características dessa planta e refletindo sobre sua relação com a questão da paz em meio ao sofrimento, que é o tema central do livro.

dente 3Muitas vezes, quando o sofrimento chega à nossa vida, nos sentimos destroçados. É como se uma situação aparentemente perfeita fosse destruída, dando lugar a dor, angústia, tristeza, dúvidas, depressão e aflições. O mesmo ocorre com o dente-de-leão, um chumaço redondinho, perfeito, bonito. Mas aí chega o vento. Em segundos, aquela planta aparentemente irretocável é desfeita, desconjuntada, suas partes são sopradas para todos os lados e o que sobra é uma haste pelada, despida de beleza. O interessante é que essa aparente destruição na verdade serve para manter a espécie viva, uma vez que, quando isso ocorre, as sementes são levadas pelo vento para fazer brotar novos exemplares – uma bela estratégia que Deus criou para fazer a planta proliferar, crescer e se multiplicar.

Assim, se enxergarmos o sofrimento não como uma desgraça totalmente negativa, mas como uma oportunidade de reflexão, crescimento e transformação,  conseguiremos lidar muito melhor com as dores do corpo e as angústias da alma. Tudo é uma questão de como se encara a destruição do dente-de-leão: como o fim de algo belo ou como um fenômeno necessário para que ele cresça e se fortaleça. Como você lida com seu sofrimento? Com lamúrias e olhos cravados no presente ou com antecipação e olhos voltados para o futuro?

Além disso, o dente-de-leão é uma planta medicinal, isto é, que ajuda a curar males. De igual modo, enxergo no sofrimento a capacidade de nos conduzir a patamares de reflexão e transformação que em períodos de tranquilidade não conseguimos. Quando sofremos, somos empurrados para fora da nossa zona de conforto e nos vemos obrigados a mudar e nos reinventar; nos tornamos mais fortes e resilientes; adquirimos a capacidade de lidar com as agruras da vida como nunca antes; além de adquirimos um grau de intimidade e relacionamento com Deus muito superior aos dos tempos de paz (seja franco: você ora mais e com mais profundidade quando está tudo bem ou quando tudo vai mal?). O apóstolo Paulo deixou muito clara a capacidade do aperfeiçoamento na fraqueza provocada pelo abatimento de alma:

“Foi-me posto um espinho na carne, mensageiro de Satanás, para me esbofetear, a fim de que não me exalte. Por causa disto, três vezes pedi ao Senhor que o afastasse de mim. Então, ele me disse: A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo. Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo. Porque, quando sou fraco, então, é que sou forte” (2Co 12.7-10).

O fim do sofrimento_CapaNinguém quer sofrer, ninguém gosta de sofrer. Nem eu, nem você, nem ninguém. Sofrimento é algo horrível. Jamais você me ouvirá dizer que devemos querer sofrer – não sou louco. Só que o sofrimento é uma realidade da vida e um dia ele chegará, inevitavelmente. A pergunta que todos devemos saber responder é: como lidaremos com a dor, o luto, a aflição, a depressão, o desconforto, a perda e a falta de bem-estar quando vierem? Com desespero e desequilíbrio ou com confiança e paz? A resposta a essa pergunta fará toda diferença.

O Fim do Sofrimento tem um duplo objetivo: esclarecer por que um Deus bom, amoroso e misericordioso permite que seus filhos sofram. E ofertar palavras de consolo, alívio, crescimento e transformação, para mostrar como você pode obter paz enquanto está no olho do furacão. Por isso, fico especialmente encantado com um aspecto muito singelo da planta escolhida para ilustrar a capa do livro: sabe como o dente-de-leão é chamado em algumas regiões do Brasil?

Esperança.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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IMG_2785Atrás do edifício em que moro há um grande condomínio. O que separa os dois é um precipício de cerca de sete andares de altura, que fica logo abaixo da janela do meu quarto, um vão enorme entre dois muros, que me lembra um pouco os antigos fossos dos castelos medievais (foto). Por ter um bosque e ser muito arborizado, o condomínio vizinho conta com uma fauna bastante rica, com pássaros, gambás, micos e gatos. Um gatinho escolheu como lugar de repouso um muro bem próximo de minha janela e, por isso, tornou-se conhecido da minha família. Chegamos a dar-lhe um apelido: Charlie. Recentemente, porém, Charlie nos surpreendeu: olhando para um vão que fica à beira do precipício, notei que o gato preto e branco aninhava em seu regaço três gatinhos. Sim, Charlie, para nossa surpresa, é uma fêmea. E, agora, mãe. Mas não foi esse aspecto que mais me chamou a atenção: confesso que o local que ela escolheu para dar à luz me preocupou muito, por ficar a centímetros do enorme abismo. Se um gatinho daqueles se arrastar uns vinte a trinta centímetros para o lado, mergulhará rumo à morte certa.

Infelizmente, não há nada que eu possa fazer, pois o local é inacessível. Fica junto à raiz de uma árvore, cravada na encosta do abismo. Tudo o que está ao meu alcance é orar e ficar observando, torcendo para que nenhum dos bichinhos perca a vida. Por isso, tenho passado alguns momentos, em diferentes dias, sentado junto à janela, observando como aquela família se comporta. Pois, se for o caso, me prontifiquei a chamar o corpo de bombeiros para remover os bichinhos para um local mais seguro.
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Tenho notado que há uma certa rotina nas ações da gata (que rebatizamos de Charlene, após descobrir que ele, na verdade, é ela). A esmagadora maioria do tempo, ela passa deitada, junto com os filhotes. Consigo ver que eles mamam bastante e ela fica ali, junto. Mas mamãe precisa se alimentar e, de vez em quando, sai do vão à beira do abismo para comer, beber e fazer qualquer outra coisa. Mas, enquanto pode, a gata fica junto de seus filhotes, protegendo, alimentando, cuidando, dando calor e aconchego. Há alguns dias choveu. E, mesmo assim, mamãe gato ficou ali, esquentando os filhotes com sua presença, totalmente encharcada, mas firme em seu papel de apoio, proteção e amparo.
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Houve um momento tenso: um dos três gatinhos começou a se arrastar e, pouco a pouco, foi se aproximando perigosamente da beira do abismo. Tive quase certeza de que ele cairia. De repente, Charlene se levantou, com bastante calma, foi até ele, segurou com a boca a pele da sua nuca e o carregou de volta ao local onde estavam deitados. Deitou-o cuidadosamente e voltou a se aninhar. Vi essa situação ocorrer, na verdade, duas vezes.
IMG_2771As horas em que mais fiquei nervoso foram aquelas em que a gata saiu do local e partiu para fazer qualquer outra coisa, deixando os três sozinhos. Eu sei onde Charlene se alimenta: os moradores de um prédio próximo deixam na calçada da rua um pote de ração e outro de água, a que ela e outros gatos da região sempre recorrem. Então, quando a mamãe sai, vejo que ela dispara em direção ao local de alimentação e desaparece por alguns minutos. Os filhotes ficam imóveis, o que me mostra que a gata só sai quando sabe que os três estão dormindo. Menos de dez minutos depois, ela reaparece e repete um mesmo ritual: segue até um telhado próximo, de onde consegue ver a cria, e anda para lá e para cá – acredito eu que para se exercitar um pouco, se alongar e se movimentar. Mas, assim que ela começa a ver movimento ou a ouvir o miado fraquinho de um deles, retorna à sua posição de mãe, aninhando os três em sua barriga e dando início a mais um longo período de permanência junto aos bebês (foto).
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Gostaria agora de fazer uma analogia entre essa situação e a vida de fé. Você provavelmente deve estar achando que vou comparar a gata a Deus e nós aos seus gatinhos, pois, afinal, a mamãe gato cuida dos filhinhos, certo? Na verdade, não. Embora seja natural enxergar o nosso Senhor em atitudes protetoras, minhas reflexões me levaram a ver muito mais outra pessoa no papel da gata: você.
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Deus não criou a Igreja como uma coletividade à toa. Porque seres que se isolam não encontram amparo em ninguém. O Senhor não idealizou uma comunidade de filhos solitários, ao estilo cada-um-por-si. Não. Ele deseja que cuidemos uns dos outros, segundo um princípio muito simples: “Melhor é serem dois do que um, porque têm melhor paga do seu trabalho. Porque se caírem, um levanta o companheiro; ai, porém, do que estiver só; pois, caindo, não haverá quem o levante. Também, se dois dormirem juntos, eles se aquentarão; mas um só como se aquentará? Se alguém quiser prevalecer contra um, os dois lhe resistirão; o cordão de três dobras não se rebenta com facilidade” (Ec 4.9-12).
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Ninguém se basta, meu irmão, minha irmã; precisamos uns dos outros. A questão é que, em determinados momentos, uns precisam mais que outros. Hoje, eu preciso mais de você; amanhã, você precisa mais de mim. Nunca se sabe de que lado vai soprar o vento. Se estamos fracos, precisamos que alguém nos carregue para longe do abismo. Mas, quando vemos que o próximo é quem precisa de amparo, o nosso papel é entregar-nos em sacrifício de amor.
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Como filhos de Deus, que precisam amar o próximo como a si mesmos, precisamos aprender a sair do conforto, abrir mão de momentos de lazer, suportar chuva e frio ao lado dos irmãos. Não existe vida cristã sem compaixão. E “compaixão” é uma palavra que significa, exatamente, “sofrimento compartilhado”. Se você quer viver plenamente o evangelho, aprenda a compartilhar o sofrimento do próximo. A chorar com quem chora. A fazer o que Jesus fez: deixar por algum tempo seu conforto de lado por amor a quem precisa (Jo 3.16).
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Viver é uma atividade muito perigosa. A cada passo que damos, a cada curva do caminho, encontramos problemas: sofrimento, depressão, dor, medo, ansiedade, pânico, carência, solidão, desespero, falta de dinheiro, insegurança… Os minutos da existência são como instantes tensos à beira do abismo, sempre com o risco de perdermos o equilíbrio e mergulharmos rumo a um fim tenebroso e apavorante. Mas, se nos dispusermos a cuidar uns dos outros como uma gata cuida de seus filhotes, enfrentaremos tempestades, vento e frio à beira do precipício e vamos dar e receber calor, apoio, alimento, proteção.
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Alguém que você conhece está se arrastando cegamente em direção ao precipício? Não fique indiferente. Saia de seu conforto, vá até ele e o resgate. Traga-o de volta ao calor e à proteção da família, seja um agente de vida. Pois viver não é apenas não estar morto. Viver é ter sentimento de pertencimento, cuidado, carinho, afeto. Nesse sentido, seja um doador de vida.
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Os gatinhos desamparados precisam de você. Pois você é o instrumento que Deus pôs ao lado deles para zelar por sua jornada. Não espere que outros façam aquilo que está ao seu alcance. Se você for até a esquina, pode ser que, nesse meio-tempo, o gatinho caia no abismo. Não permita que isso ocorra: acolha-o enquanto ainda é tempo. E, se vier a chuva, molhe-se com ele, sem retroceder, sem dar as costas, porque, assim, você sentirá na pele o que o próximo está enfrentando. Não foi isso que Jesus fez ao tornar-se homem?
gatoTem um aspecto bonito nessa história, algo que ainda não mencionei. Charlene fica deitada à beira do precipício, mas seu companheiro, um gato branco e preto, fica constantemente  perto. Ele, em geral, permanece deitado no telhado de uma casa ao lado, sempre rondando (foto). Quando a mãe sai para se alimentar, ele fica vigiando a prole. Não sei dizer o que aconteceria se um dos filhotes aproveitasse a ausência da mãe para se dirigir ao abismo, pois isso não ocorreu até agora. Mas tenho a firme impressão que o pai vigilante correria e impediria que o gatinho perecesse. Deus nos delegou a atribuição de cuidarmos uns dos outros. Delegou a você essa tarefa. Mas pode ter certeza de que ele está constantemente atento, sempre por perto, mesmo que você não perceba. E, na hora em que as ameaças surgem, mil cairão ao teu lado, dez mil à tua direita, mas ele sempre sairá em socorro de seus filhos.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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