Posts com Tag ‘Confiança inabalável’

Esta semana fui pela segunda vez a um presídio. Na terça-feira, passei o dia no Evaristo de Moraes, no Rio, unidade prisional que fica dentro do Morro da Mangueira, bem pertinho do estádio do Maracanã. Depois de ter estado lá em novembro passado para fazer uma ministração, recebi novamente um convite da penitenciária para ministrar, desta vez, duas palestras, para 300 detentos. Fiquei lá de manhã até o fim da tarde. Como da primeira vez, foi uma experiência inesquecível. 

Se você nunca foi a um presídio, fica a recomendação: vá. É tão importante passar um dia numa penitenciária quanto passar um dia numa conferência teológica. É algo que mexe com nossa espiritualidade e nos faz refletir profundamente sobre questões centrais da fé cristã, como a extensão do pecado, a possibilidade de arrependimento, a viabilidade da metanoia bíblica, o significado de amor pelos inimigos, perdão, graça. Lá discussões sobre questões como calvinismo x  arminianismo, pedobatismo x credobatismo, cessacionismo x continuísmo e outros temas periféricos da fé simplesmente ficam dos portões para fora. No universo prisional, gastar tempo com debates sobre temas como “o cerne do pensamento de Armínio”, “a epistemologia do ser” e “o que é um reformado” é tão relevante quanto querer ensinar as funções do bóson de Higgs ou discutir sobre as propriedades do top quark. Você não sabe o que é isso? Pois é. 

O choque de realidade é enorme, pois um presídio parece um universo paralelo. Pense em um lugar no coração de uma metrópole em que ninguém tem celular e não existe acesso à Internet. Quem está preso ali há alguns anos nunca segurou um smartphone, não faz ideia do que é whatsapp e não consegue entender que graça tem esse tal de Facebook. Na falta de cursos profissionalizantes, atividades artísticas ou outras iniciativas de enriquecimento epistêmico ou intelectual, num lugar como esse resta às pessoas ocupar o tempo com ações que deixaram há bastante tempo de fazer parte da rotina de muitos que estão do lado de fora: ler e refletir. A biblioteca do Evaristo de Morais é a meca do passatempo dos detentos e tive a alegria de doar livros meus para ela, a fim de serem lidos pelos internos ao longo dos anos que virão. 

Cheguei ao presídio para fazer duas palestras, levando dez exemplares de livros que escrevi para presentear os detentos e, naturalmente, achei que eu é que estava levando algo para eles. Mas, na realidade, eu é que saí de lá enriquecido, principalmente pelas conversas que tive. Vivi momentos incríveis no cárcere. Tive a oportunidade de bater papo com um dos detento sobre – acredite – Nietzsche, Eça de Queiroz e Aldous Huxley. Ouvi histórias de gente presa pelos mais variados crimes, do estelionato ao assassinato, passando pelo estupro e o tráfico de drogas. Ouvi experiências horripilantes de gente que esteve no coração das facções criminosas. Escutei relatos sobre vivências que você acha que só existem nos filmes de Hollywood, de pessoas que reconhecem sem dar justificativas a maldade de seus atos passados. Ninguém sai o mesmo de conversas como essas. 

Algo que ir a um presídio e conversar com os internos faz é dar ao “bandido” uma identidade. De repente, você está sentado ao lado de um daqueles caras que só vê no telejornal ou escondendo o rosto, algemado, no Cidade Alerta e descobre que ele tem nome, sonhos, pensamentos, arrependimentos, sentimentos e ideias. Descobre que todos são gente. Gente que cometeu atos atrozes, mas que ainda carrega em si a semente da imagem e semelhança de Deus. Conversei com alguns que hoje demonstram repulsa pelos crimes que cometeram e têm um desejo verdadeiro de se tornarem pessoas produtivas e de bem quando saírem da prisão. Um dos detentos com quem bati papo quer fazer faculdade de medicina. Outro quer se formar em psicologia e ajudar a criar projetos que ajudem a ressocializar presos. Dois querem pregar o evangelho a jovens envolvidos no tráfico de drogas.

É incontestável que há, sim, os que almejam prosseguir no crime sem arrependimentos, nem todo mundo se emenda. Mas, com toda certeza, os relatos de seres humanos verdadeiramente arrependidos que conheci ali me fazem considerar expressões como “bandido bom é bandido morto” uma das maiores aberrações que a humanidade já criou. Esse pensamento é algo absolutamente alienígena ao que o evangelho propõe e é o cúmulo do absurdo um cristão pensar tal coisa, pois acreditar nisso é desconsiderar a possibilidade de uma pessoa desencaminhada arrepender-se, mudar de vida e construir uma nova história, após ter pago junto à justiça pelo crime que cometeu. 

Chama a atenção no Evaristo de Moraes a quantidade de detentos evangélicos, fruto da ação evangelística especialmente de membros de denominações pentecostais e neopentecostais. Lá dentro há uma igreja e um pavilhão inteiro de presos que se identificam como protestantes. Não sou ingênuo de achar que todos são verdadeiramente convertidos, há os meros simpatizantes e os inconversos aproveitadores, mas, com absoluta certeza, muitos de fato tiveram um encontro real com Jesus no cárcere. Negar isso é negar a ação do Espírito Santo. São pessoas presas pelos mais variados crimes e que, sim, hoje são meus irmãos em Cristo. E seus. Não posso desconsiderar que Jesus salva e transforma bandidos cruéis em homens da paz entre as paredes de uma prisão. 

Saí do presídio Evaristo de Moraes mais rico do que entrei. Eu vi a besta face a face, olhei dentro de seus olhos e constatei que é possível ela se tornar mansa como um cordeiro, conformada à semelhança do Cordeiro. Diante de crimes horríveis e hediondos, minha carne pede apenas punição e justiça, mas não posso negar o poder do evangelho de tornar o violento alguém que se opõe à violência. Por isso, hoje, meu espírito pede mais que justiça: pede justificação. 

A maioria dos 300 homens que me ouviram – entre eles, três travestis, diversos umbandistas e kardecistas – escutou com atenção e respeito as preleções. Muitos vieram falar comigo ao final de cada ministração. Vi nos olhos e nas palavras de muitos o desejo sincero por um recomeço. E, a partir de hoje, esta será minha oração: que cada presídio se torne não um depósito de gente ou um purgatório cuja única função seja a sádica punição de bestas-feras humanas, mas um verdadeiro local de transformação. Se o Estado não é capaz de criar meios eficientes de regeneração ética e social da massa carcerária, tenho inabalável certeza de que o Espírito de Deus é extremamente eficaz em regenerar espiritualmente os degenerados, fazendo muitos deles nascerem de novo. Por isso eu oro. 

Um dos detentos com quem conversei me disse que o presídio é “a porta do inferno”. Felizmente, acredito que, enquanto uma alma não atravessa os umbrais do inferno, pode ser resgatada pela graça e ouvir do Senhor: “Hoje estarás comigo no Paraíso”. Portanto, não ouso dizer que bandido bom é bandido morto. Meu cristianismo me mostra que bandido bom é bandido morto, sim, mas morto para o mundo, o diabo, a carne e o pecado – e renascido em Cristo como nova criatura. 

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

(Nenhuma das fotos que ilustram este post foi tirada por mim por ocasião da visita. São fotos ilustrativas, tiradas por outras pessoas, em outras ocasiões, e disponíveis livremente na Internet)

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Este é o post número 500 do blog APENAS. Já são quase 6 anos escrevendo reflexões sobre os mais variados aspectos da vida cristã. Foram quase 2.100 dias cheios de altos e baixos, textos escritos em meio à dor ou à alegria, com o único objetivo de contribuir de algum modo para a edificação dos meus irmãos e de minhas irmãs e para a glória do Criador. Sinceramente, quando penso nesse número mal consigo acreditar. Ao olhar para essa jornada, me vêm à mente alguns pensamentos, que gostaria de compartilhar com você.

1) Penso na graça de Deus. Muitas vezes li, ao longo desses quase 6 anos, muitos comentários de assinantes do blog agradecendo, elogiando e relatando como foram abençoados por textos compartilhados aqui. Sempre que leio um depoimento como esse, acredite, me pergunto “como é possível?”. Sou uma pessoa absolutamente comum, cheia de pecados, com angústias e dúvidas, altos e baixos, sem nenhum pingo de santidade a mais que qualquer outra, que apenas se esforça. E, ainda assim, aprouve ao Senhor usar este vaso de barro bem rachadinho e esfarelento para levar o tesouro da sua Palavra às pessoas que acessaram mais de 3,4 milhões de vezes o APENAS. Não é, de modo algum, falsa modéstia, é uma percepção realista: isso só foi possível pela graça de Deus. Sim, reflexões de um cidadão tão pecador como eu abençoarem a sua vida é uma prova gigantesca de que a graça de Deus age como quer, onde quer, por meio de quem quer. Graça.

2) Penso em como somos seres capazes de mudar. Em 2011, quando criei este blog, eu era um cristão irado, um caçador de hereges, que escrevia textos raivosos e verborrágicos “em nome de Jesus” e achava que com isso estava contribuindo com o reino de Deus. Depois de um processo muito doloroso em minha vida pessoal, parei, pensei, orei e percebi como eu estava errado. Decidi reler os evangelhos com atenção especial para o que Jesus disse, como disse e com que finalidade disse. Dessa percepção, morreu o escritor que discutia com fúria e termos rebuscados acerca de institucionalismos e nasceu o escritor disposto a escrever numa linguagem que todos entendessem e dedicado a falar ao coração humano. Deixei de lado debates intermináveis sobre temas intermináveis e periféricos da teologia e passei a escrever sobre temas centrais da fé, como perdão, sofrimento, fé, amor, graça. Desisti de ser um cruzado vingativo e decidi ser um pacificador que devolve o mal com o bem. Transformação.

3) Penso na possibilidade de corrigir erros do passado. Quando passei por esse processo doloroso, fiquei alguns meses sem escrever, refletindo, me reinventando. Decidi reler textos do início do blog. Apaguei cerca de vinte deles, por não concordar mais com o que eles diziam. Em geral, por serem textos agressivos, ofensivos, irados. Eu não queria mais ser assim. Queria ser como Cristo, manso e humilde de coração. E isso exigia arrependimento e consertos. Assim como Zaqueu, tentei corrigir o passado. O jeito que enxerguei foi deletando aquilo em que eu não mais acreditava. Descobri que o pensamento “eu sou desse jeito mesmo e é assim que Deus vai me usar” não é bíblico, pois todos podem corrigir os erros, trabalhar o temperamento, voltar atrás e buscar consertar os estragos que provocaram. Arrependimento.

4) Penso que não custa caro amar o próximo. Este blog nunca teve um anúncio pago sequer, nunca me rendeu nenhum centavo. Não o criei como fonte de renda, minha motivação sempre foi e continua sendo edificar vidas, para a glória de Deus. Descobri que não ter nenhum tostão no bolso não é desculpa para deixar de fazer algo pelos outros. Não tenho riquezas, quase não tenho economias, mas, por meio de uma ferramenta gratuita de criação de blogs, oferto a meus irmãos e irmãs toda semana aquilo que Deus quis me dar: pensamentos, conhecimento bíblico, caminhos percebidos para as dores da vida. Também nunca pedi para ninguém curtir minhas postagens, comentar, compartilhar, nada que fosse um estímulo induzido a arrebanhar seguidores ou assinantes: divulga o blog quem deseja, convida amigos para assinar quem é tocado no coração. Divulgação espontânea, de quem Deus leva a fazer isso. Zero centavo em propaganda. Amor ao próximo.

5) Vi que o fracasso faz parte da jornada. Fiz algumas tentativas no APENAS que não foram bem-sucedidas. Gravei Mateus e Marcos em áudio, mas foram tão poucos acessos que tirei as gravações do ar. Tentei fazer sorteios, com poucos interessados. Escrevi sobre questões a que pouca gente deu ouvidos. Gastei horas da vida escrevendo reflexões que não tiveram muita consequência. Fui atacado ferozmente por pessoas que leram algo de que discordavam e, por isso, me chamaram de nomes que não me atrevo a reproduzir. Descobri com isso que, mesmo que o que você não faça duas ou três coisas que acertem o alvo, deve continuar tentando, pois os acertos sempre vão compensar os fracassos. Perseverança.

6) Descobri que o poder da Palavra é realmente extraordinário e, uma vez que você proclama o evangelho genuíno, puro e simples, sem segundas intenções, ele terá consequências que independem de você e dos seus esforços. Por vezes, escrevi textos que me pareceram simples demais ou até meio bobinhos e, para minha surpresa, diversos assinantes disseram ter sido muito tocados por ele. Outras vezes, escrevi algo que gente de outros continentes leu e disse ter sido abençoado. Marcou-me em especial uma irmã que me procurou em um evento para dizer que havia desistido de se suicidar ao entrar na internet para descobrir a melhor forma de tirar a própria vida e acabou mudando de ideia ao ler um texto que escrevi. Tudo isso, tenha a absoluta certeza, não é de modo algum mérito meu: é mérito do poder sobrenatural da Escritura. Palavra.

Eu poderia continuar relatando mais e mais coisas que aprendi em minha jornada com o APENAS, mas vou terminar por aqui, pois algo que também descobri é que as pessoas em geral não gostam de ler textos longos na Internet. Curiosamente, isso fez de mim um autor de livros. Pois foi ao produzir escritos que não caberiam neste espaço, fruto de pesquisas aprofundadas na Escritura, que acabei escrevendo livros como Perdão totalO fim do sofrimentoConfiança inabalável, Na jornada com Cristo e outras obras. Em maio chega às livrarias meu nono livro publicado, Perdão total no casamento. E, enquanto Deus me iluminar para eu escrever o que é grande demais para o APENAS, continuarei dando à luz textos que poderão vir a se tornar livros.

Obrigado por sua leitura. Obrigado por sua companhia. Obrigado por me permitir o privilégio de contribuir para sua jornada com Cristo. Agradeço, em especial, a você que está entre os mais de 3,4 mil assinantes, que optaram por se cadastrar para receber as postagens por e-mail e, assim, se tornaram companheiros fieis na estrada da vida cristã. Ter a sua companhia nesta jornada é o que me incentiva a continuar escrevendo, por saber que as reflexões que brotam em minha mente e em meu coração não se perderão no vento, mas encontrarão pouso na sua alma. Oro constantemente por cada um dos assinantes do APENAS. Que Deus os abençoe, guarde, ilumine e conduza, sob sua poderosa e amorosa mão. E aguardo, com expectativa, o dia em que conhecerei face a face todos vocês, quando, juntos, viveremos naquele lugar em que não haverá choro, nem sofrimento, nem dor. Apenas o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Apenas eternidade. Apenas alegria. Apenas amor. Apenas paz. Apenas.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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Queridos irmãos e irmãs em Cristo,

peço a sua licença para, hoje, usar este espaço não para compartilhar diretamente uma reflexão para a sua vida cristã, mas para fazer um convite. No próximo sábado, dia 9, a partir de 10h, ocorrerá o lançamento de meu mais recente livro, Confiança inabalável: um livro para quem quer vencer o medo e a ansiedade (Mundo Cristão) no Rio de Janeiro. Se você é do Rio, Niterói e redondezas, está convidado para o evento, que ocorrerá ao lado da Praça XV, no Centro.

Farei uma palestra sobre o tema da obra, seguida de um momento de confraternização. Se quiser e puder comparecer, será uma alegria abraçá-lo e bater papo. Se não puder, ficaria muito grato se orasse para que este livro leve paz, consolo e serenidade a todo aquele que o vier a ler. Agradeço muito! O convite segue abaixo:

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Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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ansiedadeAnsiedade é, por definição, um “estado emocional penoso, caracterizado pela expectativa de algum perigo que se revela indeterminado e impreciso, e diante do qual o indivíduo se julga indefeso”. Pois bem, eu trabalho em casa, na maioria das vezes dentro do meu quarto, sentado em uma escrivaninha que fica encostada na janela. Nos fundos do meu prédio há um condomínio bastante arborizado, o que é muito bom: eu consigo trabalhar o dia inteiro tendo diante dos olhos o verde das árvores e das plantas (foto), ouvindo os passarinhos e o guincho dos micos. Por isso, fiquei bastante incomodado quando percebi que estavam fazendo uma obra bem em frente à minha janela. Construíram um patamar de cimento, onde jovens começaram a se reunir  todos os dias para conversar, tocar violão, fumar maconha, namorar. Com isso, a paisagem bucólica diante de meus olhos se tornou um ponto de encontro de gente barulhenta.

Confesso que fiquei chateado, porque a tranquilidade a que eu estava habituado de repente desapareceu. Comecei a resmungar, porque, afinal, de agora em diante aqueles jovens passariam a “poluir” o lugar onde antes havia placidez. Reclamei muito da vida por causa disso. Fiquei extremamente ansioso, confesso, pela expectativa do “perigo” de que aquele incômodo estaria ali para sempre – e eu não podia fazer nada para acabar com aquilo.

O que eu não sabia é que, na verdade, o condomínio estava construindo ali um bicicletário e aquele patamar de cimento era apenas a base da instalação, algo provisório. Alguns dias depois, os funcionários puseram uma cerca em volta, que passou a impedir a reunião dos jovens. Tudo resolvido, com isso eles pararam de se reunir ali e o sossego voltou. Refletindo sobre essa situação, me dei conta de que sofri e fiquei ansioso por esperar algo que no final… não aconteceu. Ansiedade clássica: sofri por antecipação sem nenhuma necessidade, o que é algo que acontece muito conosco. Você é uma pessoa ansiosa? Então vamos conversar sobre isso. 

ansi 1Jesus nos alertou: “Portanto, não vos inquieteis com o dia de amanhã, pois o amanhã trará os seus cuidados; basta ao dia o seu próprio mal” (Mt 6.34). Simples, claro e objetivo. O problema é que parece que essa recomendação do Senhor entra por um ouvido e sai por outro, sem de fato fazer morada em nosso coração. Vivemos ansiosos. Antecipamos dores que não chegaremos a sentir. Sofremos o sofrimento que não nos alcançará. Vemos a tempestade no horizonte, entramos em pânico, mas, antes que ela se aproxime, acaba se dissipando. Assim vivemos, com medo e ansiedade. 

A ansiedade é uma dor antecipada, que dói antes de doer. O problema é quando deixamos que essa dor nos domine, controle nossas ações e decisões, guie nossos passos, estabeleça nossos rumos e defina nosso destino. Por que isso é um problema? Porque quem deveria estar fazendo tudo isso é o nosso Pai celestial. Portanto, a ansiedade esvazia Deus aos nossos olhos. Abala nossa fé. Mina nossa confiança. E isso é uma tragédia. 

Lembro da época em que eu trabalhava em televisão. Durante nove anos eu me desloquei para trabalhar de casa até a sede da Globosat, localizada a apenas 15 minutos de ônibus do meu apartamento. Até que, certo dia, a diretoria da emissora anunciou que dali a dois anos a sede da mudaria para a Barra da Tijuca, a cerca de 1h30 de distância! Lembro que praticamente entrei em agonia, sofrendo antecipadamente pelas longas horas que passaria a enfrentar para chegar ao trabalho, dali a… dois anos. Eu sofri muito, em ansiedade pela situação que viria. Mas sabe o que aconteceu? Muito antes da mudança, o departamento de que eu fazia parte foi extinto e eu e mais quinze colegas fomos demitidos. Hoje, olhando para trás, vejo que toda aquela ansiedade e chateação antecipada não serviram para absolutamente nada. Eu simplesmente sofri sem precisar. E percebi quão inútil foi toda agitação que minha alma enfrentou. 

Você costuma deixar a ansiedade dominar sua vida? Sofre, perde o sono, se angustia, sente medo, entra em agonia? Então ouça a suave voz do Mestre: “Qual de vós, por ansioso que esteja, pode acrescentar um côvado ao curso da sua vida? Se, portanto, nada podeis fazer quanto às coisas mínimas, por que andais ansiosos pelas outras? Observai os lírios; eles não fiam, nem tecem. Eu, contudo, vos afirmo que nem Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles. Ora, se Deus veste assim a erva que hoje está no campo e amanhã é lançada no forno, quanto mais tratando-se de vós, homens de pequena fé!” (Lc 12.25-28).

a-cruz-de-cristoEstá ansioso? Está com medo? Confie no Senhor. E lembre-se da pergunta de Jesus: “por que andais ansiosos?”. É o que chamamos de “pergunta retórica”, isto é, uma pergunta elaborada para, na verdade, fazer uma afirmação. E o que Jesus está afirmando com essa pergunta é: não há nenhuma razão para vocês ficarem ansiosos, pois Deus cuida de vocês.  

Fique calmo, meu irmão, minha irmã. Tenha paz. E não deixe a ansiedade ser maior do que a confiança inabalável naquele que tem o controle de todas as coisas. Se a ansiedade é a doença, a confiança inabalável em Deus é a cura: “Portanto, humilhem-se debaixo da poderosa mão de Deus, para que ele os exalte no tempo devido. Lancem sobre ele toda a sua ansiedade, porque ele tem cuidado de vocês” (1Pe 5.6-7).

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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beleza 1Escrevo este texto sentado em um banco do lado de fora da sala em que minha filha tem sua aulinha de balé. Meus olhos se alternam entre os gestos bonitos de pequena e a tela do celular, por onde acompanho o noticiário do dia. Quando ergo os olhos, vejo a pequenina dar saltos elegantes e fazer passos encantadores. Quando baixo os olhos, leio sobre a lama que toma conta da presidência da República, do Congresso, do país. Ao erguer os olhos, consigo sorrir. Ao baixar os olhos, sinto vontade de chorar. Olhos para cima; vejo beleza, graciosidade, esperança. Olhos para baixo; vejo o horror, a imundície, a corrupção humana. Percebo que, dependendo de para onde olho, vejo a graça, o amor e a ação de Deus nesta terra ou vejo a mentira, o cinismo e a ação do pecado neste mundo. Felizmente, posso alternar a direção e o foco de meus olhos. E você também pode. 

Não é segredo para ninguém que o Brasil vive dias calamitosos. Nunca, em meus 44 anos de vida, vi tanta imundice nas estâncias do poder. Jamais testemunhei tanta desfaçatez, mentira e manipulação. Enoja qualquer cidadão de bem ver o que o Brasil tem vivido, com governantes sórdidos, com um vocabulário desbocado que revela do que está cheio seu coração, sem caráter nem preocupação com o próximo. É inédito o que vejo no noticiário: um punhado de criminosos que ocupam cargos de liderança em nosso país, graças a promessas mentirosas feitas em época eleitoral e a políticas populistas e assistencialistas, destruírem a ética, ignorar o que é bom, praticar o mal tão descaradamente. Ao olhar para as notícias na tela do meu celular, sinto vontade de me ajoelhar e chorar, clamando a Deus por misericórdia sobre a nossa nação. 

beleza 3Mas, então… meus olhos se voltam para cima e o que vejo me enche de esperança. Sim, ainda há beleza no mundo. Ainda há poesia, graça, luz, futuro. Olho para minha herdeira e sei que nela há potencial para uma geração ética, amorosa, correta, que não venderá tudo o que se liga à boa moral pela ganância e a ânsia por poder e dinheiro. É ao olhar para cima que enxugo as lágrimas e sorrio, lembrando que o Senhor ainda está no controle. E sempre estará. Vivemos dias horríveis no Brasil. Mas temos uma opção: afundar nossas esperanças com base nas péssimas notícias do dia ou avivar nossas energias e nosso potencial ao erguer os olhos e apreciar o que há à frente. Fiz minha opção. Dou uma espiada no noticiário do dia, para manter-me a par das coisas. Mas, em pouco tempo, desligo o celular e elevo meus olhos para o alto, de onde sempre vem o socorro. 

“Portanto, também nós, uma vez que estamos rodeados por tão grande nuvem de testemunhas, livremo-nos de tudo o que nos atrapalha e do pecado que nos envolve, e corramos com perseverança a corrida que nos é proposta, tendo os olhos fitos em Jesus, autor e consumador da nossa fé” (Hb 12.1).

beleza 2Concluo que é ao erguer os olhos e os depositar na beleza, no amor e na graça que serei fortalecido para viver mais um dia com esperança e paz. Não, me recuso a ser vencido pela miséria humana, pelo pecado, pelo horror. Jesus já venceu tudo isso na cruz. Por isso, tenho certeza de que, se mantiver meus olhos direcionados para o alto, sem me esquecer de quem é o Senhor do universo, o Autor da vida, o Controlador de tudo, viverei em paz, por saber que o Deus que pisa no mal e promete um futuro sem lágrimas, nem dor, nem sofrimento… segue sendo Deus. 

Meu irmão, minha irmã, você tem sofrido com as notícias do dia, pelo peso da lama que soterra nosso país? Então fica uma sugestão. Desligue um pouco o telejornal, olhe para os lírios do campo e para as aves do céu e lembre-se de que Aquele em quem devemos depositar confiança inabalável permanece sendo o Senhor da História. Ele abate o soberbo. Ele dá graça ao símplice. Ele é bom. Ele é verdade e justiça. Entrega o teu caminho ao Senhor, confia nele e o mais ele fará. Desfrute da beleza da vida, reflexo da beleza de Cristo, e, assim, conseguirá viver com os olhos fixos no autor e consumador da fé, passando por cima da podridão deste mundo, rumo ao alvo da glória celestial.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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IMG_5981Deus tem um fino senso de humor. Meu próximo livro trata de como a fé em Deus e naquilo que ele nos afirma pela Bíblia pode vencer o medo e a ansiedade. Pois, a poucos dias do lançamento do livro, o Senhor me fez receber uma noticia do tipo que tem tudo para despertar exatamente o medo e a ansiedade. Mamãe chegou a minha casa sem avisar que me visitaria, o que é algo extremamente incomum. Sentou-se comigo e minha esposa à mesa e logo deu a notícia.

– Estou com câncer. 

Passaram-se alguns segundos até que eu assimilasse plenamente o real significado das palavras. Sabe essas coisas que só acontecem com os outros? Pois é, estava acontecendo comigo. Após alguns minutos de conversa, finalmente a realidade se fez presente: aos 82 anos, minha mãe está com um carcinoma no seio direito. É quase certo que terá de remover o tumor maligno e iniciar o procedimento de radioterapia e quimioterapia, com todas as implicações desse processo. Sou o único filho dela que mora no Brasil e, por isso, cabe a mim honrar e cuidar dela nessa fase que se apresenta como um momento nada fácil na trajetória de todos nós. Além disso, minha mãe é quem cuida de meu pai, que, aos 84 anos, já sofre de senilidade e dificuldades físicas. Agora, chegou minha vez: com minha mãe nessa situação, caberá a mim cuidar dela e de meu pai – o que farei com prazer, devoção e gratidão, mas, sei de antemão, não será nada, nada fácil. 

A vida é assim, meu irmão, minha irmã. Tudo está bem e, de repente, tudo muda. É Deus nos lapidando e apertando parafusos para que nos ajustemos à imagem de Cristo, “homem de dores e que sabe o que é padecer” (Is 53.3). Devemos receber de bom grado tudo o que o Senhor nos proporciona; sem revolta, sem brigar com ele, prostrados ante seu infinito amor. Minha mãe está com câncer, mas Deus continua sendo maravilhoso, digno de toda honra e toda glória, meu melhor amigo, socorro bem presente na angústia, bom e fiel. Não tenho absolutamente nada a reclamar dele. Deus é bom, muito bom, e continuará sendo, sempre.

Depois que oramos e mamãe saiu de minha casa, fiquei refletindo muito e foi inevitável pensar no cerne da mensagem do meu próximo livro: contra o medo e a ansiedade, devemos exercitar a nossa fé em Deus e naquilo que ele diz em sua Palavra. Essa é a mensagem central do Confiança inabalável e, a poucos dias do lançamento, eu terei de viver vigorosamente tudo o que escrevi e em que acredito. Realmente, o Senhor tem um fino senso de humor. 

Não tenho medo da morte de minha mãe. Confio que ela irá para um lugar indescritivelmente melhor. Alcançada pela graça do Salvador, ela o confessa como o Cristo, o filho de Deus, o autor da vida, o único caminho. No exato instante em que ela fechar os olhos, sei que apenas dará um passo para fora deste mundo horrível e dentro da eternidade, no Paraíso que Jesus preparou para os seus santos. Para quem vive no Senhor, não há nada na morte que nos meta medo. Tenho confiança inabalável nessa verdade e, por isso, não temo. E sei que, estando eu também em Cristo, a inevitável separação não será um adeus, mas um até breve. 

A separação da morte causará dor. A saudade será extremamente difícil. Mas não tenho medo dessa dor, pois confio de forma inabalável que ela passará. Um dia abraçarei mamãe novamente e toda tristeza da separação findará. No dia em que minha mãe terminar a sua peregrinação nesta terra estranha, será o início de um afastamento com prazo de validade, e confio que a reencontrarei, em uma realidade muito mais aprazível e perfeita. Será um abraço muito gostoso, o do reencontro. 

Mas não pense que já considero uma certeza a morte de minha mãe em decorrência desse câncer. Confio que ela pode vencer a doença e viver ainda por muitos anos. De modo algum ter um câncer é uma sentença de morte. Minha avó Alzira, mãe de minha mãe, teve um câncer no intestino aos 83 anos, que foi removido com cirurgia e ela viveu mais 12 anos depois disso. Mas, confesso, a parte que mais assusta nessa história é a possibilidade de minha mãe sofrer durante todo o  processo de doença e tratamento. Cirurgia, quimioterapia, radioterapia… nada disso é fácil. Pensar nisso é o que mais me dói. Mas, paradoxalmente, não estou ansioso. Pois tenho confiança inabalável no fato de que Jesus estará ao nosso lado a cada passo da jornada, que o Espírito Santo consolador jamais nos desamparará, que a paz que excede todo entendimento se manifestará em nosso coração, que não estaremos sós. Tenho confiança inabalável que “Se subo aos céus, lá estás; se faço a minha cama no mais profundo abismo, lá estás também; se tomo as asas da alvorada e me detenho nos confins dos mares, ainda lá me haverá de guiar a tua mão, e a tua destra me susterá” (Sl 139.8-10). 

Algumas situações na vida são inevitáveis, meu irmão, minha irmã. São fatos que têm tudo para nos inundar de medo e nos afundar em ansiedade. Mas acredito firmemente que a fé em Cristo e em sua Palavra são suficientes para nos manter na superfície e nos fazer caminhar com os olhos fixos no prêmio: a eternidade ao lado do Amor. Como escreveu Paulo, “[…] uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus” (Fp 3.13-14). 

A Bíblia nos relata a história de um homem chamado Jairo, que, esmagado pelo medo e a ansiedade diante da expectativa da morte de sua filha adoentada, corre para os pés de Jesus em busca de socorro. As notícias mais atemorizantes e provocadoras de ansiedade chegam: sua filha já tinha morrido. Nesse exato instante, o Mestre vira-se para ele e diz, em apenas quatro palavras, o segredo para superar todo medo, toda ansiedade: “Não temas, crê somente” (Mc 5.36). Contra o temor, o medo, a ansiedade… a solução é somente crer. Ter fé. Caminhar com confiança inabalável em Cristo e em suas promessas e afirmações. Jairo creu e quem foi para a sepultura não foi sua filha: foi seu medo. 

Dias nublados esperam por mim, minha mãe e nossa família. Gostaria muito de pedir que, se você quiser e puder, ore por nós. Ore por Irene. Ore pelo seu mano Maurício. Suas orações são extremamente valiosas e preciosas. Não sinta pena de nós, pois nós mesmos não sentimos: sabemos que o nosso Redentor vive. Conhecemos nosso Deus. Estamos nas melhores mãos possíveis. Também não temos medo, pois confiamos no Senhor. “Em me vindo o temor, hei de confiar em ti. Em Deus, cuja palavra eu exalto, neste Deus ponho a minha confiança e nada temerei” (Sl 56.3-4).

Peço desculpas se eu não responder aos comentários aqui no blog com tanta rapidez quanto antes, penso que minha rotina será um pouco alterada pelas obrigações desta nova realidade. Agradeço imensamente por seu carinho e sua intercessão. E peço a Deus que, sempre que medo e ansiedade tentarem agarrá-lo, você experimente a certeza inabalável de que, não importa nada, nada, nada: Jesus está com você todos os dias, até a consumação do século. Portanto,Entrega o teu caminho ao SENHOR, confia nele, e o mais ele fará” (Sl 37.5).

É só confiar. O resto? Ele fará. 

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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arrisque-se 1Fui almoçar com a família em um restaurante de Cabo Frio (RJ). Enquanto esperávamos a chegada da comida, o chefe dos cozinheiros passou pelo salão e minha filha começou a apontá-lo, divertida, por causa do característico chapéu de mestre cuca que ele usava. Chef Dé reparou e, bem-humorado, se aproximou de nossa mesa. Começamos a conversar e ele puxou muito papo com minha bebê. Foi quando virou-se para ela e disse:

Você sabe por que eu quis ser cozinheiro? 

Intrigada, ela fez que “não” com a cabeça. Então ele completou: 

É que não importa a crise, não importa onde, não importa quando, você sempre terá emprego. Porque as pessoas nunca deixarão de comer, mesmo que estejam passando dificuldades. Assim você vive sem correr riscos, pois estará sempre empregado. Aprenda essa lição!

arrisque-seIsso me fez pensar. Pelo que ele mesmo disse, Chef Dé tinha escolhido sua profissão não por missão ou vocação, mas porque ela lhe garantia uma vida segura, sempre com possibilidades de trabalho, tranquilidade. Não tive como não pensar em mim: eu, por outro lado, sou escritor e editor de livros. Teoricamente, um ser humano pode atravessar sua vida inteira sem ler um único livro. Tenho pessoas próximas a mim que não têm o hábito da leitura e vão levando a vida, dia após dia. Pelo pensamento do Chef Dé, minha escolha é extremamente arriscada, pois, em teoria, o que faço pode me levar ao desemprego a qualquer momento, visto que não produzo um gênero de primeira necessidade para a sobrevivência humana. Em outras palavras, sou um profissional do supérfluo e, portanto, o que faço seria descartável, desnecessário. Será que escolhi errado? Será que corro riscos à toa?

Refleti bastante sobre isso. E a conclusão a que cheguei é que se não corrermos riscos como o que eu decidi correr viveremos em um mundo de pessoas vazias, sem conhecimento, sem crescimento e, no caso específico do tipo de livros que escrevo e edito, sem aprofundamento na sua intimidade com Deus. Uma vida oca. E isso não vale só para o que eu faço. Há muitas escolhas de vida que servem não para manter corpos vivos por estarem bem alimentados, mas para manter mentes vivas e espíritos desenvolvidos. Sim, é um risco que vale a pena ser corrido. Mais ainda: é um risco que precisa urgentemente ser corrido. 

Jesus falou ao povo de Israel sobre a necessidade de correr esse tipo de risco: “[Deus] te humilhou, e te deixou ter fome, e te sustentou com o maná, que tu não conhecias, nem teus pais o conheciam, para te dar a entender que não só de pão viverá o homem, mas de tudo o que procede da boca do SENHOR viverá o homem” (Dt 8.3). Não vivemos só do alimento para o corpo, precisamos desesperadamente de outros tipos de alimento: para a alma, para a mente, para o espírito, para o coração. 

amorExistem atividades que parecem secundárias aos olhos de muitos. Mas precisamos enxergá-las pela perspectiva do reino de Deus e não pela perspectiva humana. Cuidar de refugiados, estar com crianças nos orfanatos, visitar as viúvas e os doentes e tantas outras iniciativas como essas podem parecer secundárias e até desnecessárias. Talvez tarefas para os outros, “mas não para mim”. Só que essa não é, nem de longe, uma verdade à luz do evangelho. “A religião pura e sem mácula, para com o nosso Deus e Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e a si mesmo guardar-se incontaminado do mundo” (Tg 1.27). 

De igual modo, ações como dedicar-se a missões e escrever livros cristãos podem parecer menos importantes à sobrevivência, mas não quando lemos na Escritura: “prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina” (2Tm 4.2). “Vós, pois, amados, prevenidos como estais de antemão, acautelai-vos; não suceda que, arrastados pelo erro desses insubordinados, descaiais da vossa própria firmeza; antes, crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo” (2Pe 3.17-18). 

Chef Dé há de me perdoar, mas a lição que ele ensinou não deve ser aprendida, nem por minha filha, nem por ninguém. Afinal, o evangelho nos ensina algo diferente: que o conforto na busca por comida (metaforicamente) não deve ser prioridade em nossa vida: “Portanto, não vos inquieteis, dizendo: Que comeremos? Que beberemos? Ou: Com que nos vestiremos? Porque os gentios é que procuram todas estas coisas; pois vosso Pai celeste sabe que necessitais de todas elas; buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas” (Mt 6.31-33). 

arrisque-se 3Você tem uma escolha. Pode dedicar sua vida a fazer só aquilo que te dará dinheiro, bens materiais, status, fama, carro do ano e outras coisas semelhantes ou pode devotar seus dias a algo que a sociedade como um todo não considera prioritário, mas que está intimamente conectada ao reino de Deus e a sua justiça, como ações de filantropia, práticas de caridade, escrever o que edifica e aproxima as pessoas de Cristo, pregar o evangelho, fazer missões. Se optar pela segunda alternativa, estará de fato se arriscando, pois pode ser que não ganhe muito dinheiro, viva sempre apertado, seja socialmente desprezado, torne-se alguém desconhecido e sem celebridade e outras coisas do gênero. Mas pode dormir descansado, com a certeza de que optou pelo caminho mais excelente. 

Que caminho é esse? O arriscado caminho que nos leva a acumular tesouros não para esta vida, mas para a eternidade. 

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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