Posts com Tag ‘luz do mundo’

Estou escrevendo este texto dentro de um avião, indo do Rio para Cuiabá, de onde seguirei para Primavera do Leste (MT), a fim de pregar em uma igreja. No mesmo voo está um grupo de cerca de 50 estudantes, adolescentes e crianças de uma escola de elite do Rio de Janeiro, de origem britânica, em excursão a caminho do Pantanal. Para estudar nessa escola, é preciso pagar uma mensalidade caríssima, isto é, só frequenta o colégio em questão quem tem muito dinheiro. Dizem que as pessoas de classe alta deveriam ser bem educadas. No entanto, estou impressionado com a falta de educação desses meninos e meninas, de quem, em teoria, deveria se esperar um comportamento educado, cortês, gentil e respeitoso. As atitudes deles no tato com o próximo me fizeram pensar sobre gentileza e boa educação e sua relação com nossa fé.

Os meninos e as meninas se levantam das poltronas quando os comissários de bordo mandam ficar sentados. Falam aos berros uns com os outros. Vários tiveram de ser removidos dos assentos por terem sentado nos lugares de outros passageiros. Uma adolescente sentada ao meu lado passou o braço na frente de meu rosto para levantar e abaixar a janela diversas vezes, sem pedir licença e, nem ao menos, olhar para mim. O adolescente boca-suja atrás de mim não para de chutar a poltrona onde estou e de empurrá-la, apesar de eu educadamente já ter pedido duas vezes que não faça isso, pois está machucando minha coluna. Entre outras coisas. Em resumo, são um grupo de jovens cujo comportamento é o que de mais deselegante, descortês e agressivo poderia haver.

Sei que esses não são jovens cristãos e, por essa razão, não posso esperar deles um comportamento baseado nos princípios do evangelho. Estão espiritualmente mortos em seus delitos e pecados e são escravos do pecado. Por essa razão, em determinado momento do voo fiquei tão irritado com seu comportamento deselegante que tive de fechar os olhos, suspirar e orar ao Senhor, pedindo que os perdoasse – afinal, em termos espirituais, eles realmente não sabem o que fazem.

Claro que educação e respeito com as outras pessoas são atitudes que independem da fé de alguém, uma vez que têm a ver com normas de relacionamento em sociedade e não necessariamente com religiosidade. Mas o entendimento de que esses rapazes e moças não são indivíduos com princípios e valores cristãos me leva a compreender que sua pecaminosidade tem o poder de suplantar sua boa educação em termos de convivência.

Porém, algo me ocorreu: e se eles fossem cristãos?

Seria de se esperar de um cristão, convertido ao Senhor Jesus, um tipo de comportamento diferenciado em termos de boa educação, gentileza na fala e tratamento com as outras pessoas? A resposta, do ponto de vista bíblico, é um inequívoco sim. O Sermão do Monte está recheado de orientações a esse respeito, do início ao fim. Deixe-me pegar apenas alguns exemplos.

BNJC_arte para blog APENAS

Clicando na imagem acima você vai para a livraria virtual Amazon

Jesus diz que devemos ser pacificadores, isto é, agir para gerar paz e não contendas (Mt 5.9). E é difícil pensar que um pacificador seja um mal-educado que chateia o próximo sem dor de consciência.

Também diz que somos o sal da terra e a luz do mundo, o que remete ao fato de que precisamos nos diferenciar do mundo, dando-lhe o exemplo das boas virtudes (Mt 5.13-16). Se o mundo é egoísta e desrespeitoso, obrigatoriamente devemos agir de modo polido e gentil com o próximo, como meio de brilhar a luz da boa educação em meio às trevas do comportamento egoísta, que trata mal o próximo.

Em seguida, o Senhor ordena: “Da mesma forma, suas boas obras devem brilhar, para que todos as vejam e louvem seu Pai, que está no céu” (Mt 5.16). Essas palavras não deixam dúvidas de que nossas ações devem se destacar por sua luminosidade e, com isso, proporcionar glória a Deus.

BNJC_arte para blog APENAS

Clicando na imagem acima você vai para a livraria virtual Amazon

Cristo diz, ainda, que “a árvore boa produz frutos bons, e a árvore ruim produz frutos ruins” (Mt 7.17), ou seja, devemos produzir bons frutos, boas atitudes. Na sua opinião, um comportamento descortês e ofensivo é um bom ou um mau fruto?

Por fim, gostaria de destacar um trecho muito significativo da fala de Jesus no monte: “Em todas as coisas façam aos outros o que vocês desejam que eles lhes façam. Essa é a essência de tudo que ensinam a lei e os profetas” (Mt 7.12). De forma muito objetiva, eu lhe pergunto: você deseja que o tratem sem educação? Que sejam grosseiros e rudes com você? Que o desprezem? Que sejam debochados ao conversar com você? Que gente que não concorda com suas crenças e práticas se refira a você com termos depreciativos, desqualificadores, inferiorizantes? Sim ou não? Ouso dizer que você respondeu não. Se estou certo e você não deseja que lhe façam isso, segundo o mandamento divino você não deveria agir assim com as outras pessoas. A pergunta é: será que você vive essa realidade na sua vida? Detalhe: Jesus afirmou que essa é a essência das Escrituras (a lei e os profetas se referem aos livros do Antigo Testamento), logo, é algo fundamental, importantíssimo, basilar, central.

Meu irmão, minha irmã, ser cristão não significa só não fumar, não fazer sexo fora do casamento e ir ao culto uma vez por semana. Isso faz parte, mas ser cristão envolve muito, muito, muito mais do que isso. Quase ninguém fala sobre a importância da boa educação como principio e alicerce da nossa fé, mas ser cristão (como vimos nas contundentes palavras de Jesus) implica obrigatoriamente ser uma pessoa gentil e educada. Ser polido no que fala e na forma como fala. Ser cortês com os desconhecidos que atravessam seu caminho. Ser afetuoso e delicado no trato com o próximo (o que não diminui em nada a sua masculinidade, rapazes). Tomar cuidado para não ferir os sentimentos dos demais. Zelar em suas postagens nas redes sociais para não destratar indivíduos, mesmo que discorde deles.

BNJC_arte para blog APENAS

Clicando na imagem acima você vai para a livraria virtual Amazon

Em resumo, faz parte do caráter cristão ser educado e gentil com o próximo. Afinal, isso não é parte entranhável do que significa amar o próximo?

Como você tem agido em seus relacionamentos? E isso com conhecidos e desconhecidos, com gente com quem concorda e com gente de quem discorda? Se você perceber que muitas vezes está faltando tempero na sua fala, paciência no seu coração, gentileza nas suas palavras e educação nos seus pensamentos, sugiro que pare e reflita profundamente sobre as mais profundas implicações do que significa ser cristão.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >
.

Eu tenho um ponto fraco: café. Confesso que sou um profundo apreciador dessa bebida e tomo muitas xícaras por dia. Tenho uma cafeteira tradicional e uma máquina de nespresso na cozinha, além de uma segunda máquina de nespresso em meu escritório. Costumo pôr as cápsulas em uma caixa de acrílico, que veio como brinde do fabricante. Qual não foi minha surpresa quando, há poucos dias, decidi tomar café e descobri que não havia mais nenhuma cápsula do meu sabor preferido. Pode parecer bobagem para você, mas, diante da expectativa que eu estava para saborear o negro elixir divino, para mim foi um golpe baixo. Fiquei triste. Engoli a frustração, voltei a trabalhar e continuei a labuta. Mas sabe quando bate aquele inconformismo? Voltei a fuxicar no meio das cápsulas e, para o meu delírio, eis que descubro, soterrada, uma última cápsula do meu amado sabor preferido. É difícil explicar a alegria que foi. Fiz aquele café com um cuidado ímpar, apreciando o aroma como nunca, e o saboreei com gosto especial. O sabor era exatamente o mesmo de todos os outros cafés daquele, mas aquela xícara específica tinha um gostinho de vitória, quase de júbilo, por eu estar tomando algo que julgava perdido.

Jesus contou uma história que guarda certas similaridades com esse episódio: “Ou suponhamos que uma mulher tenha dez moedas de prata e perca uma. Acaso não acenderá uma lâmpada, varrerá a casa inteira e procurará com cuidado até encontrá-la? E, quando a encontrar, reunirá as amigas e vizinhas e dirá: ‘Alegrem-se comigo, pois encontrei a minha moeda perdida!’. Da mesma forma, há alegria na presença dos anjos de Deus quando um único pecador se arrepende” (Lc 15.8-10, NVT). Fiquei pensando na alegria descrita pelo texto bíblico, em comparação com a que senti ao encontrar minha cápsula de café perdida.

Deus utiliza um interessante instrumento para encontrar suas “moedas perdidas” e fazer o pecador perdido enxergar a luz da verdade e se arrepender de suas trevas: você. Se a salvação vem por ouvir a Palavra de Deus, as pessoas só a ouvirão se houver quem a proclame. E adivinha só de que boca Deus deseja que a proclamação saia? Não olhe para o lado. Faça uma selfie e veja a pessoa que apareceu na foto: é esse cara mesmo que Deus quer usar como canal de proclamação do evangelho da graça. Porque você é a pessoa que a quem Jesus estendeu a Grande Comissão.

Mas atenção a um detalhe: só você não basta. É preciso que você esteja cheio de amor.

Uma das coisas mais tristes que vejo são cristãos que partem em busca de pessoas que estão distantes de Cristo como se fosse uma obrigação. Trazer a ovelha ao aprisco jamais deve ser uma ação motivada por qualquer coisa que não seja amor. Guardadas as devidas e enormes proporções, eu não busquei a cápsula de café porque me obrigaram ou porque havia uma “obrigação” envolvida nisso, mas porque me sentia extremamente motivado. O “ide” da Igreja, a Grande Comissão, nunca deve ser visto como uma ordenança pura e simples: é um chamado ao amor pelo próximo.

Se não compreendermos que esta ordem divina, “Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ensinem esses novos discípulos a obedecerem a todas as ordens que eu lhes dei. […]” (Mt 28.19-20, NVT), é consequência direta desta outra ordem divina: “Por isso, agora eu lhes dou um novo mandamento: Amem uns aos outros. Assim como eu os amei, vocês devem amar uns aos outros. Seu amor uns pelos outros provará ao mundo que são meus discípulos” (Jo 13.34-35, NVT), não conseguiremos jamais levar a mensagem da cruz às pessoas do modo que Deus idealizou. Pois não consigo enxergar o Pai que “amou tanto o mundo que deu seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna.” (Jo 3.16, NVT) resgatando vidas por qualquer outra razão que não seja amor. Ele ama os que se encontram perdidos em meio às densas trevas do pecado e, por essa razão, devemos amá-los também. Só então, quando o amor for um fato transbordante, devemos partir em busca deles.

BNJC_arte para blog APENAS

O amor precede o evangelismo. O amor precede a busca dos que se afastaram. O amor precede o resgate. O amor deve ser a única motivação para a apologética. O amor é o ponto de partida para a obra de Deus. Sem amor, tudo o que se faz para o Senhor é o mais puro e insosso ativismo religioso. Porque evangelizar não é “ganhar almas para Jesus”, evangelizar é compartilhar um amor que transcende tanto tudo o que podemos entender que ninguém pode ficar indiferente a ele. Ninguém “ganha almas para Jesus”, o que fazemos é servir de meio para que o amor de Jesus atraia almas perdidas em trevas para junto de si, a maravilhosa Luz do mundo.

No que se refere a evangelizar, o nosso papel, meu irmão, minha irmã, é proclamar a Palavra do Deus que é amor, que produz a graça, que produz o arrependimento e a salvação. Ame. Ame sempre. Ame como o Senhor amou o mundo. Ame com todas as suas forças. Somente isso, e nada mais, poderá torná-lo um evangelista segundo o coração de Deus.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >
.

 

Tudo o que Jesus pregou e ensinou durante seu ministério terreno foi teologia pura. Quando analisamos os sermões e as falas públicas de Cristo fica claríssimo que ele discorreu sobre escatologia, soteriologia, pneumatologia, eclesiologia, cristologia, hamartiologia e outras áreas de conhecimento da fé cristã. Isso é inegável. Por isso, desde a minha conversão, há 22 anos, me apaixonei pela teologia de Cristo e passei a devorar tudo o que pudesse a fim de aprender mais e mais. Porém, o que mudou tudo na minha vida cristã e refletiu diretamente naquilo que escrevo e prego foi analisar, há cerca de seis anos, a forma como Jesus abordou sua teologia: de maneira simples, em linguagem popular, usando metáforas do dia a dia das pessoas de seu tempo, contando historinhas de ficção… enfim, Jesus raramente complicou sua mensagem; pelo contrário, preferiu na maior parte do tempo simplificá-la. Logo, se somos imitadores de Cristo, devemos imitá-lo nisso também.
.
Alguns exemplos: quando Jesus quis falar sobre o nosso exemplo pessoal para o mundo, usou a imagem do sal, algo que todos usavam no dia a dia de Israel para conservar seus alimentos (Mt 5.13). Também recorreu à imagem de uma lâmpada, usada por todos naquela cultura para iluminar suas casas (Mt 5.14). Simples. Compreensível. Ao alcance do entendimento de todos.
.
Jesus flores pássarosQuando Jesus expôs verdades sobre a soberania e o cuidado de Deus na vida de seus filhos, falou sobre… passarinhos. “Por isso eu lhes digo que não se preocupem com a vida diária, se terão o suficiente para comer, beber ou vestir. A vida não é mais que comida, e o corpo não é mais que roupa? Observem os pássaros. Eles não plantam nem colhem, nem guardam alimento em celeiros, pois seu Pai celestial os alimenta. Acaso vocês não são muito mais valiosos que os pássaros?” (Mt 6.25-26). Outra imagem a que ele recorreu para tratar do mesmo assunto foi a de… flores. Belas e delicadas flores: “E por que se preocupar com a roupa? Observem como crescem os lírios do campo. Não trabalham nem fazem roupas e, no entanto, nem Salomão em toda a sua glória se vestiu como eles. E, se Deus veste com tamanha beleza as flores silvestres que hoje estão aqui e amanhã são lançadas ao fogo, não será muito mais generoso com vocês, gente de pequena fé?” (Mt 6.28-30).
.
Coisas simples. Cotidianas. Compreensíveis. Fáceis.
.
As parábolas, por sua vez, são um exemplo espetacular da simplicidade da forma de Jesus apresentar as mais profundas verdades da espiritualidade cristã. Ao falar sobre assuntos teologicamente profundos – como pecado, arrependimento, justificação, Igreja e a doutrina de Deus -,  Jesus falou sobre família, um filho rebelde, herança, prostitutas, chiqueiro, festa, enfim, coisas que absolutamente todos que o escutavam entendiam. Enquanto os religiosos judeus de então se perdiam em complicadas, elaboradas e intermináveis discussões teológicas, com partidarismos rabínicos e segmentações doutrinárias, Jesus inventava histórias sobre alguém que perdeu dinheiro e sobre um pastor que busca uma ovelha que se desgarrou – brilhantes tratados soteriológico e hamartiológicos, elaborados para serem compreendidos por qualquer pessoa, da mais erudita à analfabeta (Lc 15).
.
Confesso que me assusto quando vejo pessoas discutindo sobre o evangelho usando palavras incompreensíveis, com estruturas e esquemas rebuscados e dificílimos, em abordagens que simplesmente complicam aquilo que Jesus simplificou, indo na contramão do jeito de Cristo de expor sua teologia. Há espaço para o rebuscamento? Claro que há! Numa sala de aula de um seminário teológico ou num congresso acadêmico, onde todos os que ali estão falam aquela linguagem difícil e entendem os malabarismos de raciocínio utilizados, não há nenhum problema em se recorrer a um jeito erudito e complicado para um reles mortal. Mas, publicamente, não consigo enxergar absolutamente nenhuma razão para se complicar o que Jesus não complicou. O evangelho de Cristo foi anunciado e discutido por Cristo de modo fácil, falasse ele para pescadores, pastores, prostitutas, pedintes ou autoridades do governo.
.
As pessoas que ouviam Jesus podiam não compreender plenamente as realidades espirituais que ele anunciava, por serem muito elevadas, mas ainda assim Cristo recorria a um formato e um linguajar facílimo para explicar tais realidades (como no vocabulário, na estrutura de exposição e no uso de imagens cotidianas de sentido simplificado). E por que não deveríamos nós fazer assim também? Jesus falava às multidões. E “multidão” pressupõe um grupo numeroso e diversificado de pessoas, entre elas, com absoluta certeza, gente simples, que precisava entender o evangelho com simplicidade. Afinal, uma mensagem que não é compreendida não é uma mensagem – são sons e palavras sem significado e, logo, são inúteis. Repito: inúteis.
.
Fui confrontado recentemente com essa questão, ao ser convidado pela editora Mundo Cristão a escrever os estudos e os comentários de uma Bíblia, em parceria com meu amigo e editor Daniel Faria. Aceitei o desafio. Toda essa necessidade de simplificar, tudo o que escrevi até aqui neste post, martelou diariamente em minha mente durante o processo de escrita dos textos da Bíblia Sagrada Na Jornada com Cristo. Confesso que a tentação de escrever de forma difícil para ser admirado entre os intelectuais e acadêmicos foi grande. Já vi pessoas desdenharem quem escreve com simplicidade dizendo que “fulano é raso”, “beltrano é superficial” e acusações ignorantes semelhantes, pois confundem simplicidade com superficialidade. E ninguém gosta de ser desdenhado, não é? Mas precisei me agarrar à consciência de que, se temos de caminhar nos passos de Jesus, precisamos negar nosso ego, rejeitar nossa vaidade e pensar na eficiência da transmissão da mensagem e não no nosso status junto aos eruditos.
 .
Por essa razão, tudo o que escrevi na Bíblia Sagrada Na Jornada com Cristo tem como objetivo transmitir a mais profunda teologia cristã da maneira mais simples e compreensível possível, em textos que procurei tornar gostosos e prazeroso de ler, a fim de não só transmitir conhecimento teórico, mas conduzir o leitor a viver o evangelho na prática.
.
Este mês é o lançamento da Bíblia Sagrada Na Jornada com Cristo. Se você me permite, gostaria de convidá-lo a lê-la e a presenteá-la ou indicá-la aos seus amigos que precisam entender mais sobre a fé cristã – em especial os recém-convertidos, a quem recomendo com ênfase a Bíblia Sagrada Na Jornada com Cristo. Não falo isso por interesse comercial nem nada do gênero, acredite, mas por real convicção de que os estudos e textos dessa obra podem auxiliar no crescimento e no conhecimento de todos aqueles que amam a Deus e sua Palavra mas têm dificuldade de entender teologia acadêmica ou não tiveram oportunidade de se aprofundar nela. Creia: você terminará a leitura compreendendo muito mais da fé cristã, por desfrutar de profundidade com simplicidade. Se desejar mais informações, clique neste link: < Bíblia Sagrada Na Jornada com Cristo >.
.
Peço a Deus que, se vier a ler a Bíblia Sagrada Na Jornada com Cristo, seja muito edificado pelos textos e estudos que ela contém. Todos foram escritos com muito temor, tremor e amor. E com a preocupação de torná-a uma leitura agradável e fácil, simples na forma e profunda no conteúdo.
.
Meu irmão, minha irmã, invista na simplicidade em sua vida de fé. Olhe os passarinhos. Olhe as flores do campo. Descubra as realidades da vida e da eternidade pelas belezas com que a graça de Deus nos presenteia. Ame o próximo do modo mais simples que puder: com um copo d´água no calor, um sorriso na tristeza, um abraço na solidão, uma lágrima solidária na dor. Ore com simplicidade. E lembre-se de que o Criador de tudo o que há nos bilhões de galáxias do espaço infinito escolheu salvar você não por meio de um gigantesco e complexo evento cósmico, mas por meio da morte de um carpinteiro pobre e maltratado em uma rude cruz de um canto distante e esquecido do mundo. Simples. Mas com resultados que ecoarão por toda a eternidade.
.
Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >
.

APENAS_Banner três livros ZágariClicando na imagem acima e abaixo você vai para a livraria virtual Amazon

Ichtus6Sábado passado fui palestrar em um retiro de líderes de cerca de 40 igrejas batistas em São João de Meriti (RJ). Era ainda cedo e um irmão heroicamente se despencou de longe para me pegar em casa e me levar ao sítio onde aconteceria o evento. Estávamos no carro, a caminho do encontro, quando tivemos o susto: bem ao nosso lado ocorreu uma batida entre dois automóveis. Confesso que não entendo nada de marcas de carro, só sei que um era vermelho e o outro, verde. O verde dobrou mal uma esquina e acertou o vermelho na parte de trás. Com o susto do estrondo, olhei para o lado e vi que o carro atingido tinha diversos produtos cristãos colados na traseira: adesivos com versículos bíblicos e, bem no lugar da batida, um daqueles peixes de plástico prateado que reproduzem o símbolo primitivo de Jesus (o Ichtus). Paramos para ver se alguém tinha se machucado e vimos que os dois motoristas saíram ilesos da colisão. Foi quando o pior aconteceu.
.
O que ocorre quando alguém bate no carro de um cristão? Que reação você espera do dono do automóvel? Confesso que, na minha ingenuidade, suponho que um servo de Cristo vai manter o domínio próprio (que é virtude do fruto do Espírito), vai pacificar (o que fará dele um bem-aventurado), conversará com o proprietário do outro veículo de forma mansa (mansidão também faz parte do furto do Espírito), será cuidadoso na escolha das palavras (Mateus 12.36 – “Digo-vos que de toda palavra frívola que proferirem os homens, dela darão conta no Dia do Juízo”), tudo o que falar será no sentido de resolver de forma civilizada o incidente (Provérbios 15.1 – “A resposta branda desvia o furor, mas a palavra dura suscita a ira”) e resolverá tudo com amabilidade (Tiago 1.19 – “Sabeis estas coisas, meus amados irmãos. Todo homem, pois, seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar”).
.
Ichtus3Bem, isso era o que eu imaginava. Mas o que vi foi algo completamente diferente. O dono do carro cheio de adesivos cristãos já saltou falando os palavrões mais interessantes que ouvi em toda minha vida. Pense nos piores que você conhece. Pois foram exatamente esses que o irmão falou. E mais: enquanto o motorista aparentemente não cristão que bateu em seu carro veio com tranquilidade conversar, o servo de Jesus saltou de seu banco com uma atitude que me fez pensar que daria um tiro no outro – ou pelo menos sairia no braço. Ou seja: o mano chegou pronto para a briga.
.
Não ficamos no local por muito mais. Mas ainda tive tempo suficiente de ver o amado irmão dizer montes de impropérios contra o pobre cidadão que teve o azar de bater nele, o que me fez lembrar um lutador de UFC “cristão”. Ou seja: mais agressividade impossível. Fui embora conversando com Wagner, meu anfitrião, sobre o testemunho público que nós, crentes em Jesus, temos dado para o mundo.
.
Ichtus1A colisão foi bem em cima do Ichtus de plástico, ou seja, não tinha como qualquer pessoa que estivesse por ali não ver que aquele homem transtornado era frequentador de uma igreja evangélica, os adesivos denunciavam. E todos viram a reação agressiva do mano. O não cristão até tentou apaziguar a fúria desbocada do irmão em Cristo, mas só recebeu de volta pedradas, acusações, ofensas e ameaças.
.
Belo testemunho. Se eu fosse aquele rapaz, pensaria que todos os evangélicos são desbocados, agressivos, descontrolados, belicosos. Em outras palavras: o que há de pior entre os homens. Isso me conduziu a uma profunda reflexão sobre como tem sido nosso exemplo ante a sociedade. Temos sido sal da terra e luz do mundo? Ou temos vivido um evangelho todo trocado, como sal do mundo e luz da terra – do tipo “parece mas não é”? Pois, se for o caso, se todos agirmos como aquele homem, para nada mais prestamos senão para ser lançados fora e pisados pelos homens. (Mt 5.13).
.
Comportamento é uma coisa interessante, pois ele revela muito sobre a pessoa que se esconde por trás da máscara de crente. Nunca me esqueço de uma vez em que estava andando quando vi uma irmã em um ponto de ônibus. Caminhei contente em direção a ela para saudá-la, quando vi que fez sinal para um ônibus – que a ignorou e passou direto. A irmã, que não tinha me visto, gritou um palavrão para o motorista, questionando a moralidade da pobre mãe daquele indivíduo. Constrangido, me desviei e segui meu caminho sem que ela percebesse que eu tinha testemunhado aquela cena, para não envergonhá-la.
.
Ichtus4Nossa pregação é inútil se nosso exemplo pessoal contraria o evangelho. Quando cometi meus piores pecados ocultos dei graças a Deus por ninguém ter visto, pois senão o Senhor teria sido vituperado pelo meu péssimo testemunho. Claro que o fato de muitos de meus pecados não terem se tornado notórios não os justificam em nada nem os tornam menos graves, mas, se há algum consolo, é que pelo menos Jesus e sua Igreja não foram envergonhados pelo meu comportamento horrível. Temos a responsabilidade, como cristãos, de dar exemplo em todo momento. Se vamos à igreja, damos glória a Deus e aleluia, mas nos comportamos como os mais mundanos dos mundanos, nos tornamos vergonha para o evangelho e não refletimos a luz de Cristo. Se defendemos valores bíblicos mas fazemos isso em rede nacional de TV aos berros, com agressividade e arrogância, em absolutamente nada estamos lutando pela causa do Senhor, o exaltando ou proclamando, mas sim traindo Jesus. Pregar o evangelho sempre deve ser feito com mansidão. Sempre. Pois nosso tom de voz e o amor em nosso olhar falam muito mais alto do que qualquer palavra que pronunciemos. Afirmar no Jornal Nacional que “só o Senhor é Deus” enquanto se dá um murro na cara de alguém glorifica Jesus?
.
“Ah, pelo menos o evangelho foi pregado”, muitos justificam. E eu pergunto: foi mesmo?
.
Nenhum de nós é perfeito. Eu e você pecamos e escorregamos muitas vezes por dia. Todo dia. Mas temos o dever de nos empenharmos ao máximo para viver aquilo em que cremos. Ainda mais diante do mundo. Costumo dizer que Deus não espera de nós perfeição, pois ele sabe que nunca seremos perfeitos. Mas ele espera, na verdade, o máximo possível de esforço para alcançar a perfeição. Porque isso sim é possível.
.
Ichtus5Se baterem no seu carro, meu irmão, minha irmã, trate quem bateu com amor. Ele não fez de propósito – creio eu. Se alguém te ofender, não devolva mal com mal (Rm 12). Se te passarem para trás, ande a segunda milha (Mt 5.39-41). Dar a outra face não é ser frouxo nem banana, é ser crente. Pois, se não formos diferentes do mundo, em que somos diferentes do mundo? Se agimos como mundanos somos apenas mundanos que frequentam uma igreja. Ser cristãos exige de nós caminharmos na direção oposta do que todos caminham, nadar correnteza acima, trafegar pela contramão do mundo. Temos de ser ETs – pois realmente somos alienígenas, peregrinos em terra estranha.
.
É fundamental que demos o exemplo para o mundo. Em palavras, ações e reações. E isso exige de nós esforço, pois o velho homem tem uma capacidade impressionante de pôr a nova criatura para escanteio. Ser sal e luz exige que façamos as coisas ao contrário do que nossa natureza humana determina. Porque, se não o fizermos, a única coisa que dirá que somos cristãos – para o mundo e também para Deus – serão os adesivos evangélicos na traseira de nossos carros.
.
Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício