Posts com Tag ‘Morte’

Esta semana fui pela segunda vez a um presídio. Na terça-feira, passei o dia no Evaristo de Moraes, no Rio, unidade prisional que fica dentro do Morro da Mangueira, bem pertinho do estádio do Maracanã. Depois de ter estado lá em novembro passado para fazer uma ministração, recebi novamente um convite da penitenciária para ministrar, desta vez, duas palestras, para 300 detentos. Fiquei lá de manhã até o fim da tarde. Como da primeira vez, foi uma experiência inesquecível. 

Se você nunca foi a um presídio, fica a recomendação: vá. É tão importante passar um dia numa penitenciária quanto passar um dia numa conferência teológica. É algo que mexe com nossa espiritualidade e nos faz refletir profundamente sobre questões centrais da fé cristã, como a extensão do pecado, a possibilidade de arrependimento, a viabilidade da metanoia bíblica, o significado de amor pelos inimigos, perdão, graça. Lá discussões sobre questões como calvinismo x  arminianismo, pedobatismo x credobatismo, cessacionismo x continuísmo e outros temas periféricos da fé simplesmente ficam dos portões para fora. No universo prisional, gastar tempo com debates sobre temas como “o cerne do pensamento de Armínio”, “a epistemologia do ser” e “o que é um reformado” é tão relevante quanto querer ensinar as funções do bóson de Higgs ou discutir sobre as propriedades do top quark. Você não sabe o que é isso? Pois é. 

O choque de realidade é enorme, pois um presídio parece um universo paralelo. Pense em um lugar no coração de uma metrópole em que ninguém tem celular e não existe acesso à Internet. Quem está preso ali há alguns anos nunca segurou um smartphone, não faz ideia do que é whatsapp e não consegue entender que graça tem esse tal de Facebook. Na falta de cursos profissionalizantes, atividades artísticas ou outras iniciativas de enriquecimento epistêmico ou intelectual, num lugar como esse resta às pessoas ocupar o tempo com ações que deixaram há bastante tempo de fazer parte da rotina de muitos que estão do lado de fora: ler e refletir. A biblioteca do Evaristo de Morais é a meca do passatempo dos detentos e tive a alegria de doar livros meus para ela, a fim de serem lidos pelos internos ao longo dos anos que virão. 

Cheguei ao presídio para fazer duas palestras, levando dez exemplares de livros que escrevi para presentear os detentos e, naturalmente, achei que eu é que estava levando algo para eles. Mas, na realidade, eu é que saí de lá enriquecido, principalmente pelas conversas que tive. Vivi momentos incríveis no cárcere. Tive a oportunidade de bater papo com um dos detento sobre – acredite – Nietzsche, Eça de Queiroz e Aldous Huxley. Ouvi histórias de gente presa pelos mais variados crimes, do estelionato ao assassinato, passando pelo estupro e o tráfico de drogas. Ouvi experiências horripilantes de gente que esteve no coração das facções criminosas. Escutei relatos sobre vivências que você acha que só existem nos filmes de Hollywood, de pessoas que reconhecem sem dar justificativas a maldade de seus atos passados. Ninguém sai o mesmo de conversas como essas. 

Algo que ir a um presídio e conversar com os internos faz é dar ao “bandido” uma identidade. De repente, você está sentado ao lado de um daqueles caras que só vê no telejornal ou escondendo o rosto, algemado, no Cidade Alerta e descobre que ele tem nome, sonhos, pensamentos, arrependimentos, sentimentos e ideias. Descobre que todos são gente. Gente que cometeu atos atrozes, mas que ainda carrega em si a semente da imagem e semelhança de Deus. Conversei com alguns que hoje demonstram repulsa pelos crimes que cometeram e têm um desejo verdadeiro de se tornarem pessoas produtivas e de bem quando saírem da prisão. Um dos detentos com quem bati papo quer fazer faculdade de medicina. Outro quer se formar em psicologia e ajudar a criar projetos que ajudem a ressocializar presos. Dois querem pregar o evangelho a jovens envolvidos no tráfico de drogas.

É incontestável que há, sim, os que almejam prosseguir no crime sem arrependimentos, nem todo mundo se emenda. Mas, com toda certeza, os relatos de seres humanos verdadeiramente arrependidos que conheci ali me fazem considerar expressões como “bandido bom é bandido morto” uma das maiores aberrações que a humanidade já criou. Esse pensamento é algo absolutamente alienígena ao que o evangelho propõe e é o cúmulo do absurdo um cristão pensar tal coisa, pois acreditar nisso é desconsiderar a possibilidade de uma pessoa desencaminhada arrepender-se, mudar de vida e construir uma nova história, após ter pago junto à justiça pelo crime que cometeu. 

Chama a atenção no Evaristo de Moraes a quantidade de detentos evangélicos, fruto da ação evangelística especialmente de membros de denominações pentecostais e neopentecostais. Lá dentro há uma igreja e um pavilhão inteiro de presos que se identificam como protestantes. Não sou ingênuo de achar que todos são verdadeiramente convertidos, há os meros simpatizantes e os inconversos aproveitadores, mas, com absoluta certeza, muitos de fato tiveram um encontro real com Jesus no cárcere. Negar isso é negar a ação do Espírito Santo. São pessoas presas pelos mais variados crimes e que, sim, hoje são meus irmãos em Cristo. E seus. Não posso desconsiderar que Jesus salva e transforma bandidos cruéis em homens da paz entre as paredes de uma prisão. 

Saí do presídio Evaristo de Moraes mais rico do que entrei. Eu vi a besta face a face, olhei dentro de seus olhos e constatei que é possível ela se tornar mansa como um cordeiro, conformada à semelhança do Cordeiro. Diante de crimes horríveis e hediondos, minha carne pede apenas punição e justiça, mas não posso negar o poder do evangelho de tornar o violento alguém que se opõe à violência. Por isso, hoje, meu espírito pede mais que justiça: pede justificação. 

A maioria dos 300 homens que me ouviram – entre eles, três travestis, diversos umbandistas e kardecistas – escutou com atenção e respeito as preleções. Muitos vieram falar comigo ao final de cada ministração. Vi nos olhos e nas palavras de muitos o desejo sincero por um recomeço. E, a partir de hoje, esta será minha oração: que cada presídio se torne não um depósito de gente ou um purgatório cuja única função seja a sádica punição de bestas-feras humanas, mas um verdadeiro local de transformação. Se o Estado não é capaz de criar meios eficientes de regeneração ética e social da massa carcerária, tenho inabalável certeza de que o Espírito de Deus é extremamente eficaz em regenerar espiritualmente os degenerados, fazendo muitos deles nascerem de novo. Por isso eu oro. 

Um dos detentos com quem conversei me disse que o presídio é “a porta do inferno”. Felizmente, acredito que, enquanto uma alma não atravessa os umbrais do inferno, pode ser resgatada pela graça e ouvir do Senhor: “Hoje estarás comigo no Paraíso”. Portanto, não ouso dizer que bandido bom é bandido morto. Meu cristianismo me mostra que bandido bom é bandido morto, sim, mas morto para o mundo, o diabo, a carne e o pecado – e renascido em Cristo como nova criatura. 

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

(Nenhuma das fotos que ilustram este post foi tirada por mim por ocasião da visita. São fotos ilustrativas, tiradas por outras pessoas, em outras ocasiões, e disponíveis livremente na Internet)

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IMG_5981Deus tem um fino senso de humor. Meu próximo livro trata de como a fé em Deus e naquilo que ele nos afirma pela Bíblia pode vencer o medo e a ansiedade. Pois, a poucos dias do lançamento do livro, o Senhor me fez receber uma noticia do tipo que tem tudo para despertar exatamente o medo e a ansiedade. Mamãe chegou a minha casa sem avisar que me visitaria, o que é algo extremamente incomum. Sentou-se comigo e minha esposa à mesa e logo deu a notícia.

– Estou com câncer. 

Passaram-se alguns segundos até que eu assimilasse plenamente o real significado das palavras. Sabe essas coisas que só acontecem com os outros? Pois é, estava acontecendo comigo. Após alguns minutos de conversa, finalmente a realidade se fez presente: aos 82 anos, minha mãe está com um carcinoma no seio direito. É quase certo que terá de remover o tumor maligno e iniciar o procedimento de radioterapia e quimioterapia, com todas as implicações desse processo. Sou o único filho dela que mora no Brasil e, por isso, cabe a mim honrar e cuidar dela nessa fase que se apresenta como um momento nada fácil na trajetória de todos nós. Além disso, minha mãe é quem cuida de meu pai, que, aos 84 anos, já sofre de senilidade e dificuldades físicas. Agora, chegou minha vez: com minha mãe nessa situação, caberá a mim cuidar dela e de meu pai – o que farei com prazer, devoção e gratidão, mas, sei de antemão, não será nada, nada fácil. 

A vida é assim, meu irmão, minha irmã. Tudo está bem e, de repente, tudo muda. É Deus nos lapidando e apertando parafusos para que nos ajustemos à imagem de Cristo, “homem de dores e que sabe o que é padecer” (Is 53.3). Devemos receber de bom grado tudo o que o Senhor nos proporciona; sem revolta, sem brigar com ele, prostrados ante seu infinito amor. Minha mãe está com câncer, mas Deus continua sendo maravilhoso, digno de toda honra e toda glória, meu melhor amigo, socorro bem presente na angústia, bom e fiel. Não tenho absolutamente nada a reclamar dele. Deus é bom, muito bom, e continuará sendo, sempre.

Depois que oramos e mamãe saiu de minha casa, fiquei refletindo muito e foi inevitável pensar no cerne da mensagem do meu próximo livro: contra o medo e a ansiedade, devemos exercitar a nossa fé em Deus e naquilo que ele diz em sua Palavra. Essa é a mensagem central do Confiança inabalável e, a poucos dias do lançamento, eu terei de viver vigorosamente tudo o que escrevi e em que acredito. Realmente, o Senhor tem um fino senso de humor. 

Não tenho medo da morte de minha mãe. Confio que ela irá para um lugar indescritivelmente melhor. Alcançada pela graça do Salvador, ela o confessa como o Cristo, o filho de Deus, o autor da vida, o único caminho. No exato instante em que ela fechar os olhos, sei que apenas dará um passo para fora deste mundo horrível e dentro da eternidade, no Paraíso que Jesus preparou para os seus santos. Para quem vive no Senhor, não há nada na morte que nos meta medo. Tenho confiança inabalável nessa verdade e, por isso, não temo. E sei que, estando eu também em Cristo, a inevitável separação não será um adeus, mas um até breve. 

A separação da morte causará dor. A saudade será extremamente difícil. Mas não tenho medo dessa dor, pois confio de forma inabalável que ela passará. Um dia abraçarei mamãe novamente e toda tristeza da separação findará. No dia em que minha mãe terminar a sua peregrinação nesta terra estranha, será o início de um afastamento com prazo de validade, e confio que a reencontrarei, em uma realidade muito mais aprazível e perfeita. Será um abraço muito gostoso, o do reencontro. 

Mas não pense que já considero uma certeza a morte de minha mãe em decorrência desse câncer. Confio que ela pode vencer a doença e viver ainda por muitos anos. De modo algum ter um câncer é uma sentença de morte. Minha avó Alzira, mãe de minha mãe, teve um câncer no intestino aos 83 anos, que foi removido com cirurgia e ela viveu mais 12 anos depois disso. Mas, confesso, a parte que mais assusta nessa história é a possibilidade de minha mãe sofrer durante todo o  processo de doença e tratamento. Cirurgia, quimioterapia, radioterapia… nada disso é fácil. Pensar nisso é o que mais me dói. Mas, paradoxalmente, não estou ansioso. Pois tenho confiança inabalável no fato de que Jesus estará ao nosso lado a cada passo da jornada, que o Espírito Santo consolador jamais nos desamparará, que a paz que excede todo entendimento se manifestará em nosso coração, que não estaremos sós. Tenho confiança inabalável que “Se subo aos céus, lá estás; se faço a minha cama no mais profundo abismo, lá estás também; se tomo as asas da alvorada e me detenho nos confins dos mares, ainda lá me haverá de guiar a tua mão, e a tua destra me susterá” (Sl 139.8-10). 

Algumas situações na vida são inevitáveis, meu irmão, minha irmã. São fatos que têm tudo para nos inundar de medo e nos afundar em ansiedade. Mas acredito firmemente que a fé em Cristo e em sua Palavra são suficientes para nos manter na superfície e nos fazer caminhar com os olhos fixos no prêmio: a eternidade ao lado do Amor. Como escreveu Paulo, “[…] uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus” (Fp 3.13-14). 

A Bíblia nos relata a história de um homem chamado Jairo, que, esmagado pelo medo e a ansiedade diante da expectativa da morte de sua filha adoentada, corre para os pés de Jesus em busca de socorro. As notícias mais atemorizantes e provocadoras de ansiedade chegam: sua filha já tinha morrido. Nesse exato instante, o Mestre vira-se para ele e diz, em apenas quatro palavras, o segredo para superar todo medo, toda ansiedade: “Não temas, crê somente” (Mc 5.36). Contra o temor, o medo, a ansiedade… a solução é somente crer. Ter fé. Caminhar com confiança inabalável em Cristo e em suas promessas e afirmações. Jairo creu e quem foi para a sepultura não foi sua filha: foi seu medo. 

Dias nublados esperam por mim, minha mãe e nossa família. Gostaria muito de pedir que, se você quiser e puder, ore por nós. Ore por Irene. Ore pelo seu mano Maurício. Suas orações são extremamente valiosas e preciosas. Não sinta pena de nós, pois nós mesmos não sentimos: sabemos que o nosso Redentor vive. Conhecemos nosso Deus. Estamos nas melhores mãos possíveis. Também não temos medo, pois confiamos no Senhor. “Em me vindo o temor, hei de confiar em ti. Em Deus, cuja palavra eu exalto, neste Deus ponho a minha confiança e nada temerei” (Sl 56.3-4).

Peço desculpas se eu não responder aos comentários aqui no blog com tanta rapidez quanto antes, penso que minha rotina será um pouco alterada pelas obrigações desta nova realidade. Agradeço imensamente por seu carinho e sua intercessão. E peço a Deus que, sempre que medo e ansiedade tentarem agarrá-lo, você experimente a certeza inabalável de que, não importa nada, nada, nada: Jesus está com você todos os dias, até a consumação do século. Portanto,Entrega o teu caminho ao SENHOR, confia nele, e o mais ele fará” (Sl 37.5).

É só confiar. O resto? Ele fará. 

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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meu corpo minhas regras 3

Minha casa é minha. Eu a comprei com meu dinheiro, ganho com o suor do meu trabalho. Meu nome está na escritura e ela me pertence. Tenho o direito de trazer para dentro dela tudo o que eu bem entender, tudo o que eu quiser comprar no supermercado, os móveis da minha escolha, as roupas que eu decidir adquirir, até mesmo um cachorro, um gato, um camelo ou uma jararaca, se eu quiser. É meu direito. A casa é minha. E minha casa, minhas regras. Isto mesmo: como a casa é minha, as regras do que faço dentro dela sou eu que estabeleço. Tenho total liberdade de andar nu pelos cômodos, se desejar, de vestir um casaco pesado no verão ou mesmo de andar para lá e para cá com um chapéu de Carmen Miranda. Isso pode parecer maluquice, mas não me importa, já que as regras na minha casa sou eu que faço.

Se eu quiser, posso pegar uma máquina de fumaça e encher os quartos com fumaça  fedorenta, nada me impede de fazer isso. Posso, também, pegar sacos cheios de lixo e espalhar todo o conteúdo pelo chão, da cozinha ao banheiro, no quintal e na área de serviço. A casa é minha. E minha casa, minhas regras. Posso também entupir toda a tubulação com gordura e encher os ralos de sujeira. Tenho o direito de pintar as paredes de preto e o teto de rosa choque, se assim tiver vontade. E mais: se me der na telha, posso pichar a fachada, pendurar enfeites esquisitos nas janelas, decorar as portas com qualquer tipo de penduricalho, derrubar muros e fazer obras. Tenho esse direito. Quem manda na minha casa sou eu. A casa é minha. E minha casa, minhas regras. 

Como sou o dono dela, posso te trazer para morar por um tempo na minha casa, mesmo que você não tenha pedido. Mas atenção: uma vez que esteja dentro dela, eu tenho o direito de fazer o que quiser com você. Afinal, é a minha casa, e na minha casa o que vale são as minhas regras. Então, uma vez que eu tenha posto seu corpo dentro dela, mesmo que você não tenha me pedido para entrar, tenho total liberdade de fazer o que bem entender com ele. Principalmente porque, uma vez dentro da minha casa, você vai se alimentar da comida que eu te der, vai respirar o ar que chegar a você através do espaço que me pertence, vai beber da água que eu providenciar, vai se aquecer com o calor que minhas paredes te proporcionarem, vai sobreviver com os recursos que a minha casa te fornecer. Portanto, não tem discussão: pelo fato de você estar dentro da minha casa, o que vale são as minhas regras e seu corpo me pertence. Em outras palavras, você me pertence. Logo, sua vida me pertence. Pois a casa é minha. E minha casa, minhas regras. 

neném 3Aliás, fique sabendo: uma vez dentro da minha casa, tenho total direito de te matar. Isso mesmo: já que você está dentro de minha propriedade e vivendo a partir dos recursos que eu te proporciono, eu posso te assassinar, se isso atender aos meus interesses. E não adianta protestar. A casa é minha. E minha casa, minhas regras.  Já sei. Você vai alegar que não tenho esse direito e começar a me dar argumentos: vai dizer que seu corpo não faz parte da minha casa, que seu código genético é diferente daquilo que forma minha casa, vai tentar sobreviver afirmando que está habitando em minha casa só por um tempo e em breve sairá dela, vai alegar que seu direito à vida é maior que meu direito de propriedade sobre minha casa, blá-blá-blá. Desculpe, não estou interessado em saber de nenhum argumento. Eu sei que você não é minha casa,  que seu corpo é uma entidade totalmente à parte das paredes e do teto que me pertencem, que está nela apenas por algum tempo e depois vai embora, que você tem tanto direito de viver quanto eu tenho de possuir minha casa… eu sei de tudo isso. Mas, quer saber? Nada importa: a casa é minha. E minha casa, minhas regras.

E eu quero te matar. 

Eu quero te matar porque me é mais conveniente. Porque isso será melhor para mim. Porque atende aos meus interesses.  Porque sua presença na minha vida me atrapalha. Por um monte de razões. Não me importa que você seja apenas um hóspede temporário, que não faça parte da minha casa, que esteja desfrutando dos recursos que ela te oferece só por algum tempo, que eu é que seja a responsável por você estar dentro dela ou mesmo que você tenha direito à vida, já que seu corpo não é propriedade minha. Não quero saber. Matar você será melhor para mim. A casa é minha. E minha casa, minhas regras. 

É isso o que eu tinha a te dizer, filhinho. Agora prepare-se para morrer, porque a mamãe vai te matar. Afinal, eu te pus – sem que você pedisse – dentro da minha casa, que é o meu corpo, e isso obviamente me dá total direito de exterminar a sua vida. Sim, seu corpo é seu. Mas meu corpo é meu. E meu corpo, minhas regras. E isso… faz todo sentido. Ou não?

neném 1

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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alegria 1Muita gente acha que Deus é uma pessoa carrancuda, de cara fechada, como um gerente estressado e preocupado com a administração dessa grande instituição chamada humanidade. Às vezes ouço como alguns se relacionam com o Senhor e vejo como essa mentalidade é difunda. Tenho a impressão de que ainda hoje carregamos o entendimento que havia na época do Antigo Testamento, de que Deus é somente o temível Senhor dos Exércitos e não o Pai nosso, o Aba, o carinhoso e contente Espírito que é amor. No livro O Fim do Sofrimento, dediquei um capítulo inteiro para mostrar biblicamente que Deus sorri, que é um pessoa alegre; no entanto, tenho visto como essa percepção é rara. Por causa disso, muitos tentam imitar essa imagem soturna do Criador e acabam se tornando indivíduos tensos, densos, rígidos, pesados, sempre com uma nuvem negra sobre a cabeça. Assim, nos tornamos semeadores de dureza e tensão, em vez de propagadores de alegria e felicidade.
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Entenda que a seriedade de Deus e a alegria dele convivem. Ele não é um ou outro. Ele é ambos. O problema ocorre quando priorizamos um aspecto de sua pessoa em detrimento do outro. O teu Criador é alegre, meu irmão, minha irmã. Com efeito, vos tornastes imitadores nossos e do Senhor, tendo recebido a palavra, posto que em meio de muita tribulação, com alegria do Espírito Santo” (1Ts 1.6). Alegria do Espírito Santo, isto é, alegria que vem do ser divino. A alegria descrita em Neemias 8.10, que é a nossa força. Alegria que brota de Deus e flui para nós: Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria… ” (Gl 5.22). Alegria. Fruto do Espírito. Alegria. 
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Quando compreendemos que Deus é alegre e que seu fruto em nós é alegria, passamos a ver a alegria como padrão divino. Isso quer dizer que temos obrigação de ser alegres o tempo todo? Claro que não, afinal, Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu: […] tempo de chorar e tempo de rir; tempo de prantear e tempo de saltar de alegria” (Ec 3.1,4). Mas devemos lembrar que Com efeito, grandes coisas fez o SENHOR por nós; por isso, estamos alegres. […] Os que com lágrimas semeiam com júbilo ceifarão. Quem sai andando e chorando, enquanto semeia, voltará com júbilo, trazendo os seus feixes” (Sl 126.3,5-6)
alegria 2O mundo é um lugar triste. Vivemos em um ambiente cheio de dor, tristeza, doença, morte, decadência, corrupção. O mundo é um lugar estragado. Culpa de Deus? Não. Culpa nossa, pois deixamos o pecado entrar em nosso coração. Nós estragamos o mundo, eu e você. Deus criou o mundo como um lugar perfeito, o Éden era só alegria, mas com a transgressão tudo entristeceu, sombras cobriram a terra. Será que não deveríamos contribuir para devolver a esse ambiente um pouco daquilo que surrupiamos dele?
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Recentemente chorei. Assisti em curto espaço de tempo a alguns vídeos que sacudiram meu espírito. Num deles um homem dava dinheiro para um mendigo, que valorizou mais a presença do homem do que o dinheiro que recebeu. No outro, dançarinos iam a um hospital infantil e dançavam para as crianças, o que despertou muitos sorrisos entre os tristes e abatidos. Chorei porque vi aquilo e percebi quão pouco eu faço para levar alegria ao meu próximo.
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Falamos muito em doar dinheiro, dar roupas e calçados, entregar cestas básicas, fazer caridade material, entregar folhetos. Mas pouco ou nada lembramos de ofertar alegria ao próximo. E isso é um gigantesco desperdício de um aspecto da centelha divina que habita em nós. Façamos aquilo sem deixar de fazer isso.
alegria 4Quero desafiar você. Desafio você a se tornar um semeador de alegria. O que você pode fazer hoje para pôr um sorriso no rosto do próximo? Você seria capaz de, ao longo da próxima hora a partir do momento que ler este texto, fazer algo que venha a alegrar alguém? Você pensará como. Pode ser brincando com uma criança, consolando alguém abatido, contado piadas para quem está oprimido pela chateação do dia a dia, entregando comida ao faminto, dando um abraço em quem menos espera por um gesto de amor. Compartilhar alegria, aliás, é compartilhar amor. Portanto, ao alegrar um coração você estará amando o próximo e, assim, cumprindo  importante mandamento de Deus.
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Alegre alguém ao longo da próxima hora. Alguém conhecido ou desconhecido, não importa: pessoas que você não conhece carecem tanto de alegria quanto quem é íntimo. Depois, se você aceitar o desafio, eu agradeceria se contasse no espaço de comentário deste post em poucas palavras o que você fez, o que sua atitude gerou no coração do próximo e como isso fez você se sentir. E, ao experimentar a alegria de alegrar, que isso te incentive a continuar distribuindo alegria – a toda hora, a todo dia, constantemente. Hoje, 09/07/2015, este blog tem 3.166 assinantes. O desejo do meu coração seria ver 3.166 comentários relatando como cada um de vocês contribuiu para alegrar uma vida. E, se desejar convidar ou estimular alguém que você conhece a fazer o mesmo, seria lindo ver 6.332 comentários com testemunhos de gente que semeou alegria. E imagine se você e seu conhecido convidassem, cada um, mais uma pessoa a fazer o mesmo, seriam 12.664 pessoas que foram alegradas se simplesmente você levar duas pessoas e o seu convidado levar uma pessoa a distribuir alegria ao longo da próxima hora. E, se pensarmos grande, eu sugeriria que, se você desejar, encaminhe o e-mail com este desafio às pessoas que você conhece, independente da religião de cada uma, e estimule-as a fazer o mesmo. Meu Deus, imagine se cada um abraçasse esta ideia, que mundo mais sorridente ajudaríamos a construir!
alegria 3Jesus te chamou para amar. Para alegrar. Para reproduzir um pouco do Éden neste mundo frio e triste. O que embeleza o mundo, meu irmão, minha irmã, não é só o por do sol, a lua cheia, uma bela paisagem. O que mais embeleza o mundo são sorrisos. Semeie beleza. Semeie alegria. Semeie sorrisos. Semeie amor. Tenho certeza que você consegue. Ao fazer isso, dará a este mundo um pouco daquilo que nos espera na eternidade, onde Deus “lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram” (Ap 21.4). O que haverá? Alegria.
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Dissemine alegria. E você antecipará neste mundo um pouco do que nos espera no céu. 
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Paz a todos vocês que estão em Cristo,
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LUTODeus age de formas que jamais poderíamos imaginar e cumpre seus propósitos de maneiras frequentemente inesperadas. Se você acompanha o APENAS, já deve saber que a editora Mundo Cristão acabou de lançar meu mais recente livro, O fim do sofrimento – Um livro para quem busca consolo e esperança nos momentos mais sombrios. É uma obra que tem como objetivo levar paz, fortalecimento e alegria a quem está triste, fraco e abatido; mas, também, mostrar por que um Deus bom e gracioso permite que enfrentemos momentos de agonia e dor. Semana passada, vivi uma situação em que sofri e precisei amparar pessoas que estavam passando por muito sofrimento e, se não fosse todo o estudo bíblico e as reflexões que precisei fazer para escrever O fim do sofrimento… confesso que eu não saberia como agir. O relato a seguir é difícil e pode afetar os mais sensíveis, por isso, gostaria de pedir que você não prosseguisse a leitura se for uma pessoa suscetível a situações de dor e perda.

Na terça-feira, dia 26/05, eu estava trabalhando em meu apartamento quando, por volta de 11 horas da manhã, comecei a ouvir um barulho muito alto vindo do corredor. Apreensivo, decidi espiar. Saí no corredor e vi um casal que não conhecia diante da porta do apartamento ao lado do meu, cuja proprietária, dona Marilene, é uma senhora de 79 anos que há quase 15 anos é minha vizinha e com quem sempre me dei muito bem. Eles esmurravam a porta de ferro e chamavam por ela. Assustado, me identifiquei como vizinho e perguntei o que estava havendo.

– Estamos tentando falar com minha mãe há quatro dias mas ninguém atende o telefone. A faxineira veio no dia marcado e ninguém abriu a porta. Estamos muito preocupados – foi a resposta do senhor, que se identificou como Renato, filho de dona Marilene. Com ele estava sua esposa, Virgínia (todos os nomes deste texto foram trocados por respeito à privacidade da família).

Naquele momento, percebi que eu tinha um papel a desempenhar naquela situação. Estava claro que os dois estavam em grande sofrimento, pela suposição do que poderia ter acontecido. Procurei acalmá-los e pensar com a clareza necessária – algo que, visivelmente, eles não conseguiam naquela circunstância. Como a chave reserva que estava em poder deles não abria a porta, aventei a possibilidade de as trancas estarem fechadas por dentro.  Vi claramente o sofrimento nos olhos dos dois e reagi a ele de forma enérgica, pois entendi que, entre bens materiais e paz de espírito, naquele momento a paz era mais importante. A porta era daquelas antigas, feitas de ferro e com vidro jateado. Sugeri, então, que quebrássemos o vidro para arrombar a porta. Após uma rápida conversa, concordamos com a decisão.

Peguei uma vassoura e, a uma distância segura, comecei a bater com ela contra o vidro, que se despedaçou. Quando já tinha destruído quase todo ele, sentimos um cheiro bastante ruim vindo do apartamento. Aquilo desesperou o casal, já antecipando o pior. Virgínia, que estava meio descontrolada, enfiou a mão pela grade com afobação e tentou abrir os ferrolhos por dentro, mas, na pressa, cortou a mão em um pedaço de vidro. Pedi calma e solicitei que esperassem. Corri de volta para meu apartamento, peguei iodo e esparadrapo, voltei e fiz um curativo nela. Também trouxe pá e vassoura, para remover a pilha de vidro do caminho. Depois de cuidar de Virgínia e limpar o vidro do chão, voltei ao meu apartamento, peguei uma cadeira e retornei ao corredor. Pedi que ela se sentasse e aguardasse, pois vi que estava à beira de um desmaio. Tentei acalmá-la e disse que eu tentaria abrir os ferrolhos.

Enfiei a mão pela grade e consegui desaferrolhar. A porta, porém, não se abriu. Supus que a fechadura tivesse sido trocada e tive uma ideia: corri ao interfone, liguei para o porteiro e pedi que voasse até a esquina, para chamar um chaveiro, a fim de que abrisse a porta. Enquanto aguardávamos, comecei a conversar com o casal. Foi quando soube que Renato e Virgínia não eram cristãos e que ele sofria de hipertensão, o que me preocupou bastante.

Finalmente, o chaveiro chegou, pegou as ferramentas e, em pouco tempo, destravou a porta. Imediatamente, os dois fizeram menção de entrar. Mas eu me pus na frente, já antevendo o que poderia acontecer caso deparassem com a cena que eu imaginava haver lá dentro. Para mim, era impensável deixar um filho ver a mãe no estado em que supus que ela estaria, a julgar pelo cheiro do ambiente. Não, eu não queria que o sofrimento deles fosse ainda maior. Pois amar o próximo é se dispor a situações difíceis pelo bem-estar alheio. Olhei em seus olhos e disse:

– Por favor, aguardem aqui. Eu vou olhar o apartamento. Não entrem por enquanto.

Entrei na sala e não vi nada de estranho, exceto um bule de chá com um líquido que visivelmente já estava ali havia muito tempo. Prossegui pelo corredor, seguindo o cheiro forte que vinha de dentro. Quando cheguei à porta do quarto, meus temores se confirmaram: dona Marilene jazia, caída no chão, com o corpo visivelmente em estado adiantado de decomposição (com tudo o que isso implica). Era uma cena horrível. Horrível. Para poupar você, não vou entrar em detalhes sobre a aparência do cadáver, pois calculo que estava ali havia mais de três dias. Acredite: não era, nem de longe, uma cena bonita.

Respirei fundo e fiz uma rápida oração a Deus pelo casal. Voltei ao corredor, onde eles me aguardavam, muito apreensivos. Vi que um dos porteiros do prédio tinha subido e estava com eles.  Me aproximei, passei o braço em torno dos ombros dos dois e disse:

– Queridos, dona Marilene descansou.

Na hora, Virgínia desabou no choro. Renato ficou parado, atônito. Entendi que, se Deus tinha me posto ali naquela hora, era eu mesmo quem teria de administrar o sofrimento deles naquele momento – pois, quando estamos no meio do furacão, precisamos sempre de gente que nos ajude a ver as coisas com clareza e faça as coisas por nós. Uma coisa era certa: a prioridade naquele momento era não deixá-los ver o corpo, devido ao estado lastimável em que se encontrava. Não era aquela a memória que eu desejava que Renato levasse da mãe e Virgínia levasse da sogra que amavam. Por isso, virei-me para o porteiro e pedi:

– Reginaldo, leve o filho de dona Marlene lá para baixo, para a sala dos porteiros, e dê a ele um copo de água.

Assim eles fizeram. Vi o chaveiro ainda ali, parado, meio sem graça. Providenciei na hora o pagamento do serviço, entreguei a ele o dinheiro e o despedi. Em seguida, pus Virgínia sentada, fui à cozinha e peguei para ela um copo de água gelada. Quando se acalmou um pouco, tentei conversar com ela. Embora chorando, Virgínia me parecia ser a pessoa mais centrada do casal naquele momento. Perguntei se havia parentes que ela teria urgência de avisar. Depois indaguei se eles tinham algum tipo de convênio ou plano funeral que eu pudesse ajudar a acionar. Diante das negativas, perguntei se ela me autorizava a tomar providências. Voltando a chorar muito, respondeu que sim. Peguei o celular e telefonei para os bombeiros. Expliquei a situação e pedi urgência. Prometeram enviar alguém.

Nisso Renato voltou, acompanhado do porteiro. Ele não conseguia ficar longe, tamanha era a sua agonia. Eu fiquei na porta do apartamento, barrando sua entrada. Expliquei que já tinha pedido a vinda dos bombeiros. Transtornado, ele disse que não tinha ideia do que fazer. Como já tive de me envolver com as providências que envolveram a morte de meus avós, expliquei tudo o que sabia sobre como funcionava o processo: emissão de atestado de óbito, transporte para o IML, compra de espaço no cemitério, esse tipo de coisa. Vi que ter uma clareza maior do que fazer deixou Renato um pouco mais calmo.

Nisso, Virgínia demonstrou preocupação com a saúde dele, devido à hipertensão. Como tenho um aparelho de aferir pressão, o convidei para entrar em minha casa para ver como estava. Ele aceitou, fomos ao meu apartamento, fiz com que se sentasse à mesa, peguei o aparelho e constatamos que sua pressão estava em 18,6 x 10. Eu recomendei que tomasse algum medicamento. Voltamos para o corredor no momento em que um bombeiro chegava, com uma enorme maleta. Ele perguntou o que tinha havido e lhe expliquei tudo. Pediu para ver o corpo.

O cheiro naquele momento era nauseante. Mesmo assim, eu disse a Renato e Virgínia que não entrassem no apartamento, que eu conduziria o bombeiro. Fui à frente e levei o bombeiro até o corpo. Ele observou a cena e saímos do quarto. O homem disse que precisaria de informações pessoais da falecida, bem como de um documento dela. O problema é que a carteira de identidade de dona Marilene estava sobre um móvel, no quarto, ao lado do corpo. O bombeiro estava preenchendo uma ficha com Renato. Virgínia chorava, com um olhar distante. Respirei fundo, lembrei-me do amor pelo próximo e voltei ao quarto. O odor era insuportável. Caminhei a poucos centímetros do cadáver, peguei o documento e saí.

Renato começou a passar mal. Conversei com o bombeiro e ele recomendou dar um Lexotan ou um Rivotril. Felizmente eu tinha um Rivotril em casa, corri, peguei e o entreguei ao filho de dona Marilene. Naquela hora, chegou a polícia, que tinha sido acionada via rádio pelo bombeiro. Os policiais disseram que precisariam tomar o depoimento do casal e, naquele momento, percebi que eu não seria mais necessário ali. Abracei com carinho Renato e Virgínia, dei-lhes uma palavra de conforto, falei rapidamente do amor de Deus e do consolo e da paz que só Jesus poderia lhes dar. Por fim, me despedi e me pus à disposição de qualquer coisa que precisassem.

E retornei para casa.

Ao final do dia, por volta de 22 horas, eu estava em meu apartamento quando tocou a campainha. Abri a porta e vi Renato e Virgínia. Perguntei como estavam e os convidei para entrar, mas eles se recusaram. Disseram que tinham passado o dia tomando providências, mas que faziam questão de ir à minha casa agradecer por tudo o que eu tinha feito. Renato disse uma frase que me tocou o coração:

– Você foi um anjo que Deus pôs na minha vida num dos momentos de maior sofrimento que já vivi.

Respondi com sinceridade que tudo o que fiz foi porque o amor de Cristo vive em mim e que não tinham pelo que agradecer. Foi quando tive um insight. Pedi que esperassem um instante, voltei para dentro, peguei um dos poucos exemplares do O fim dos sofrimento que tenho e lhes dei de presente.

– Este livro é para vocês. E peço a Deus que a leitura os abençoe muito.

Eles espicharam o olho, viram a capa e a contracapa e deram uma pequena folheada. Virgínia comentou:

– Não conheço o autor. Quem é?

– Sou eu mesmo – respondi.

Eles se olharam, surpresos, olharam para o exemplar, olharam de novo para mim. Ela deu um sorriso cansado e disse:

– Agora eu entendi por que você nos ajudou na hora do sofrimento. Você entende do assunto.

Ao que eu retruquei, dizendo mais ou menos isto:

– Na verdade, tudo o que aprendi sobre o assunto foi com Jesus. Ele, mais do que ninguém, sabe o que é sofrer. Por isso, não tem nenhuma pessoa melhor a quem possamos recorrer na hora em que estamos sofrendo. E, quando aprendemos o que é sofrimento, conseguimos amar o próximo como Jesus nos amou. Leiam, descubram o que Jesus tem a dizer a vocês neste momento e passem adiante – e sorri.

Eles devolveram o sorriso, disseram mais algumas palavras e nos abraçamos. Em seguida, se despediram e chamaram o elevador para descer. Voltei para dentro e fiquei pensando em tudo o que ocorreu. Deus permite o sofrimento porque tem um fim, isto é, uma finalidade para cada situação de dorNão sei dizer exatamente qual foi a finalidade de tudo o que eu, Renato e Virgínia vivemos naquele dia. Penso em muitas possibilidades. Mas uma coisa vi na prática: se abrirmos mão de nós mesmos e nos dedicarmos em amor para sanar o sofrimento do próximo, nos tornaremos verdadeiramente instrumentos nas mãos de Deus para levar consolo e esperança a todo aquele que precisa, em seus momentos mais sombrios.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
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