Arquivo da categoria ‘Alegria’

Este é o post número 500 do blog APENAS. Já são quase 6 anos escrevendo reflexões sobre os mais variados aspectos da vida cristã. Foram quase 2.100 dias cheios de altos e baixos, textos escritos em meio à dor ou à alegria, com o único objetivo de contribuir de algum modo para a edificação dos meus irmãos e de minhas irmãs e para a glória do Criador. Sinceramente, quando penso nesse número mal consigo acreditar. Ao olhar para essa jornada, me vêm à mente alguns pensamentos, que gostaria de compartilhar com você.

1) Penso na graça de Deus. Muitas vezes li, ao longo desses quase 6 anos, muitos comentários de assinantes do blog agradecendo, elogiando e relatando como foram abençoados por textos compartilhados aqui. Sempre que leio um depoimento como esse, acredite, me pergunto “como é possível?”. Sou uma pessoa absolutamente comum, cheia de pecados, com angústias e dúvidas, altos e baixos, sem nenhum pingo de santidade a mais que qualquer outra, que apenas se esforça. E, ainda assim, aprouve ao Senhor usar este vaso de barro bem rachadinho e esfarelento para levar o tesouro da sua Palavra às pessoas que acessaram mais de 3,4 milhões de vezes o APENAS. Não é, de modo algum, falsa modéstia, é uma percepção realista: isso só foi possível pela graça de Deus. Sim, reflexões de um cidadão tão pecador como eu abençoarem a sua vida é uma prova gigantesca de que a graça de Deus age como quer, onde quer, por meio de quem quer. Graça.

2) Penso em como somos seres capazes de mudar. Em 2011, quando criei este blog, eu era um cristão irado, um caçador de hereges, que escrevia textos raivosos e verborrágicos “em nome de Jesus” e achava que com isso estava contribuindo com o reino de Deus. Depois de um processo muito doloroso em minha vida pessoal, parei, pensei, orei e percebi como eu estava errado. Decidi reler os evangelhos com atenção especial para o que Jesus disse, como disse e com que finalidade disse. Dessa percepção, morreu o escritor que discutia com fúria e termos rebuscados acerca de institucionalismos e nasceu o escritor disposto a escrever numa linguagem que todos entendessem e dedicado a falar ao coração humano. Deixei de lado debates intermináveis sobre temas intermináveis e periféricos da teologia e passei a escrever sobre temas centrais da fé, como perdão, sofrimento, fé, amor, graça. Desisti de ser um cruzado vingativo e decidi ser um pacificador que devolve o mal com o bem. Transformação.

3) Penso na possibilidade de corrigir erros do passado. Quando passei por esse processo doloroso, fiquei alguns meses sem escrever, refletindo, me reinventando. Decidi reler textos do início do blog. Apaguei cerca de vinte deles, por não concordar mais com o que eles diziam. Em geral, por serem textos agressivos, ofensivos, irados. Eu não queria mais ser assim. Queria ser como Cristo, manso e humilde de coração. E isso exigia arrependimento e consertos. Assim como Zaqueu, tentei corrigir o passado. O jeito que enxerguei foi deletando aquilo em que eu não mais acreditava. Descobri que o pensamento “eu sou desse jeito mesmo e é assim que Deus vai me usar” não é bíblico, pois todos podem corrigir os erros, trabalhar o temperamento, voltar atrás e buscar consertar os estragos que provocaram. Arrependimento.

4) Penso que não custa caro amar o próximo. Este blog nunca teve um anúncio pago sequer, nunca me rendeu nenhum centavo. Não o criei como fonte de renda, minha motivação sempre foi e continua sendo edificar vidas, para a glória de Deus. Descobri que não ter nenhum tostão no bolso não é desculpa para deixar de fazer algo pelos outros. Não tenho riquezas, quase não tenho economias, mas, por meio de uma ferramenta gratuita de criação de blogs, oferto a meus irmãos e irmãs toda semana aquilo que Deus quis me dar: pensamentos, conhecimento bíblico, caminhos percebidos para as dores da vida. Também nunca pedi para ninguém curtir minhas postagens, comentar, compartilhar, nada que fosse um estímulo induzido a arrebanhar seguidores ou assinantes: divulga o blog quem deseja, convida amigos para assinar quem é tocado no coração. Divulgação espontânea, de quem Deus leva a fazer isso. Zero centavo em propaganda. Amor ao próximo.

5) Vi que o fracasso faz parte da jornada. Fiz algumas tentativas no APENAS que não foram bem-sucedidas. Gravei Mateus e Marcos em áudio, mas foram tão poucos acessos que tirei as gravações do ar. Tentei fazer sorteios, com poucos interessados. Escrevi sobre questões a que pouca gente deu ouvidos. Gastei horas da vida escrevendo reflexões que não tiveram muita consequência. Fui atacado ferozmente por pessoas que leram algo de que discordavam e, por isso, me chamaram de nomes que não me atrevo a reproduzir. Descobri com isso que, mesmo que o que você não faça duas ou três coisas que acertem o alvo, deve continuar tentando, pois os acertos sempre vão compensar os fracassos. Perseverança.

6) Descobri que o poder da Palavra é realmente extraordinário e, uma vez que você proclama o evangelho genuíno, puro e simples, sem segundas intenções, ele terá consequências que independem de você e dos seus esforços. Por vezes, escrevi textos que me pareceram simples demais ou até meio bobinhos e, para minha surpresa, diversos assinantes disseram ter sido muito tocados por ele. Outras vezes, escrevi algo que gente de outros continentes leu e disse ter sido abençoado. Marcou-me em especial uma irmã que me procurou em um evento para dizer que havia desistido de se suicidar ao entrar na internet para descobrir a melhor forma de tirar a própria vida e acabou mudando de ideia ao ler um texto que escrevi. Tudo isso, tenha a absoluta certeza, não é de modo algum mérito meu: é mérito do poder sobrenatural da Escritura. Palavra.

Eu poderia continuar relatando mais e mais coisas que aprendi em minha jornada com o APENAS, mas vou terminar por aqui, pois algo que também descobri é que as pessoas em geral não gostam de ler textos longos na Internet. Curiosamente, isso fez de mim um autor de livros. Pois foi ao produzir escritos que não caberiam neste espaço, fruto de pesquisas aprofundadas na Escritura, que acabei escrevendo livros como Perdão totalO fim do sofrimentoConfiança inabalável, Na jornada com Cristo e outras obras. Em maio chega às livrarias meu nono livro publicado, Perdão total no casamento. E, enquanto Deus me iluminar para eu escrever o que é grande demais para o APENAS, continuarei dando à luz textos que poderão vir a se tornar livros.

Obrigado por sua leitura. Obrigado por sua companhia. Obrigado por me permitir o privilégio de contribuir para sua jornada com Cristo. Agradeço, em especial, a você que está entre os mais de 3,4 mil assinantes, que optaram por se cadastrar para receber as postagens por e-mail e, assim, se tornaram companheiros fieis na estrada da vida cristã. Ter a sua companhia nesta jornada é o que me incentiva a continuar escrevendo, por saber que as reflexões que brotam em minha mente e em meu coração não se perderão no vento, mas encontrarão pouso na sua alma. Oro constantemente por cada um dos assinantes do APENAS. Que Deus os abençoe, guarde, ilumine e conduza, sob sua poderosa e amorosa mão. E aguardo, com expectativa, o dia em que conhecerei face a face todos vocês, quando, juntos, viveremos naquele lugar em que não haverá choro, nem sofrimento, nem dor. Apenas o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Apenas eternidade. Apenas alegria. Apenas amor. Apenas paz. Apenas.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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APENAS_Banner três livros Zágari

cochoA jornada daquele homem começou de modo nada agradável.

Esqueça o ambiente bonitinho e angelical que você costuma ver nos presépios ou nos filmes sobre o Natal. Você já visitou o estábulo de um hotel-fazenda? Já viu como é o local onde os cavalos e as vacas ficam abrigados? Se já teve essa experiência, puxe pela memória e tente se lembrar dos cheiros, dos insetos, do que havia pelo chão. Agora você começa a ter uma percepção real de como foram os primeiros momentos de vida daquele bebê, o início de sua jornada na terra.

O ar que pela primeira vez entrou nos pulmões daquele recém-nascido foi o do interior de um estábulo. Sua maternidade não foi uma clínica limpinha, cheirosa e desinfetada, mas um ambiente insalubre que reunia uma mescla de odores de animais, de estrume e de urina. Quem sabe as moscas, que costumam infestar esses ambientes, tenham pousado nos bracinhos e no rosto do bebê, passeado por seus lábios, incomodado sua mãe. Carrapatos fatalmente andavam por ali. Talvez pulgas ou pombos, que muitas vezes se abrigam nas reentrâncias do teto.

O recém-nascido tampouco foi deitado num bercinho fofo e cheio de bichinhos de pelúcia e móbiles. Sua primeira cama foi um cocho, um comedouro, objeto rústico e sem glamour em que vacas, cavalos, jumentos, bodes e outros animais deixam saliva e muco nasal ao mastigar o alimento. Sim, o bebê não foi deitado em um berço de ouro e cetim, mas, provavelmente, ficou cercado de baba de animais. Acredite, não é o tipo de local em que você gostaria de deitar seu filhinho após o nascimento.

A jornada daquele menino prosseguiu. Perseguido pela maldade humana, ele teve de fugir para o distante Egito. Como terá sido a viagem, por centenas de quilômetros, para aquele menininho? Confortável? Pense em quando você viaja com seus filhos e eles, mesmo acomodados no conforto do ar condicionado do carro, com seus bancos macios, começam logo a perguntar, entediados: “Já estamos chegando? Falta muito? E agora, já estamos chegando?”. José e Maria levaram seu filhinho, ida e volta, por caminhos áridos no lombo de um animal. Dura, a jornada.

O tempo passou e o menino cresceu dentro da carpintaria de seu pai. Ali, aprendeu e se dedicou ao trabalho braçal, entre serragem, pó de madeira, pregos, cravos e farpas. Com dignidade, sim, mas numa vida que exigia esforço, suor e muitas horas de dedicação física e mental. Dureza.

cocho-2Adulto, sua jornada mudou radicalmente de rumo. Saiu do anonimato, expôs-se à sociedade, tornou-se alvo de desconfiança, calúnias e inveja. Sua vida consistia em percorrer longas distâncias, encontrando pessoas de todos os tipos, muitas delas hostis e que pagaram seu amor transbordante com ódio assassino. Também conviveu, por opção, com a escória da sociedade de então: prostitutas, leprosos, ladrões, hipócritas, corruptos. Não, aquele homem não viveu cercado pelos perfumados e bem-nascidos, paparicado pelos chiques e famosos; ele conviveu com os indesejáveis, os doentes, os imundos.

Você já conseguiu perceber como a jornada de vida daquele homem foi difícil? Foi árdua. Não houve moleza. Tampouco terminou de forma pomposa, luxuosa ou bonita: o inocente foi preso como um criminoso, ofendido, esbofeteado, humilhado, cuspido, xingado, caluniado, açoitado, torturado. Crucificado. Morto.

Sua jornada foi pedregosa, do estábulo à cruz.

Mas há um detalhe fundamental.

Repare no que dizem as Escrituras: “E agora, Pai, glorifica-me junto a ti, com a glória que eu tinha contigo antes que o mundo existisse” (Jo 17.5). “Estêvão, cheio do Espírito Santo, levantou os olhos para o céu e viu a glória de Deus, e Jesus em pé, à direita de Deus” (At 7.55).“Não devia o Cristo sofrer estas coisas, para entrar na sua glória?” (Lc 24.26).

Consegue identificar o que houve na jornada do Cristo antes do estábulo e depois da cruz?

Glória.

A vida não é fácil. Não é limpinha, desinfetada, impecável. Viver traz consigo a certeza de, em muitos momentos, ter de enfrentar dor, tristeza, decepção, luto, doença, rejeição, mágoa — a sujeira e a dificuldade da caminhada. Todos passaremos por isso. Você pode estar passando por isso neste momento.

Mas existe uma diferença entre quem enfrenta a jornada da vida com Cristo ou sem Cristo. Para quem está na jornada com Cristo existe esta certeza: depois das muitas e dolorosas dificuldades, o que está à sua espera é… glória.

Glória eterna.

cocho-1

 

Este texto foi extraído de meu último livro, Na jornada com Cristo, publicado pela Editora Mundo Cristão.

Paz a todos vocês que estão em Cristo e um feliz Natal,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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solidao1O rosto é sorridente. O aperto de mão, amigável. Quando lhe perguntam como está, a resposta é sempre “tudo bem”. Da hora em que chega à igreja até o momento em que se despede, todos acreditam que sua vida é repleta de felicidade. Mas, por trás de toda essa aparência, esconde-se uma pessoa extremamente solitária. Não deveria ser assim, mas a dura realidade é que nossas igrejas estão cheias de irmãos e irmãs que se encaixam nessa descrição, e que, embora escondam e não demonstrem, são muitos solitários. São cristãos, vivem em comunidade, vão aos cultos e cantam louvores, mas, na verdade, sentem-se sozinhos. Os laços com os demais são superficiais e frágeis e eles percebem que, na hora em que precisam de um ombro sincero, não o encontram. Por vezes, chegam a derramar lágrimas escondido. Poucas pessoas lhes telefonam, por isso se sentem como se ninguém estivesse nem aí para si. Olham a vida dos demais e acabam com a sensação de que todos são felizes e têm muitos amigos, menos eles próprios – o que os deprime. Apesar disso, por mais que se esforcem por ser amáveis e gentis na igreja, poucos demonstram interesse real por sua vida. Qual deve ser nosso papel junto a quem se vê nessa situação? Será que há algo que você possa fazer pelos milhares de solitários que transitam entre nós mas não demonstram, tocando a vida em meio à multidão mas tendo a solidão como companheira mais fiel? Qual é o remédio para a solidão?

Como cristãos, é importante prestarmos atenção a quem sofre, pois, sendo nós membros do Corpo de Cristo, temos o dever fraterno de zelar uns pelos outros, de acolher, amar, cuidar. Quando o pé sofre um corte, não é ele próprio que se aplica remédios, é a mão. Quando a panturrilha sente cãibras, é o pé que se alonga para aliviá-la, com a ajuda da mão, sendo que as costas se vergam para que a mão alcance o pé. O corte no dedo é levado à boca. E quando os músculos e tendões doem é dos olhos que descem as lágrimas.  Como integrantes de um todo, devemos cuidar dos irmãos. Mas que remédio podemos dar a eles?

solidão2Para conseguir auxiliar pessoas adoentadas pela solidão, quem não sofre desse mal precisa, antes de tudo, compreender que solidão não tem a ver com a quantidade de pessoas que te cercam, mas, sim, com a quantidade de pessoas que se preocupam com você. Muitas vezes descobrimos que alguém se sente solitário e nos perguntamos como pode, afinal, ele se relaciona com tanta gente! Chegamos a pensar que é frescura ou necessidade de atenção, pois não compreendemos que não basta ter pessoas em volta. O solitário não é um ermitão, é alguém que, embora viva em comunidade, não tem laços fortes de ligação com ninguém. Ele não sente falta de mais eventos na igreja, mas de alguém lhe diga: “Que saudade, liguei só para saber como você está”.

O solitário geralmente tem a percepção de que, se partisse desta vida, não faria muita falta. Pode até ser uma percepção equivocada, mas não é por ser uma visão distorcida que deixa de ser algo que o machuque. Muitos que olham de fora acham que o problema é culpa do próprio solitário, afinal, por que ele não se enturma? Por que ele não corre atrás? Basta se aproximar das pessoas! Bem, na verdade, correr atrás dos outros não satisfaz a solidão, pois não demonstra um real interesse do próximo. O solitário se sente desimportante na vida dos irmãos e vive uma real necessidade de ser amado e querido. Algo que ele não quer impor, pois precisa que ocorra espontaneamente. Correr atrás das pessoas não é o remédio para a solidão.

Como Igreja, precisamos estar constantemente atentos para os solitários que nos cercam. Devemos identificá-los e amá-los sem hipocrisia. A única forma de fazermos isso é saindo de nossa zona de conforto e indo até eles para buscar conhecê-los em profundidade, descobrir quem eles são e, a partir daí, criar vínculos verdadeiros. Não devemos amar os solitários como um gesto de caridade, “com pena” ou por “obrigação cristã”: precisamos buscar conhecê-los para criar laços verdadeiros de afeto mútuo e passar a amá-los de verdade. Temos de criar as circunstâncias para que eles de fato nos façam falta. Amizades não são apenas aquelas que a vida nos joga no colo, são também as que nos mexemos para construir. Mas, para o solitário, esse movimento partir dele não é um remédio muito eficaz, ele deseja ver interesse que parta das outras pessoas.

solidão3É bastante difícil para alguém que tem muitos amigos sinceros e vive numa atmosfera de amizade perene compreender a solidão. Quem vive imerso em amor não capta com facilidade a intensidade da dor que o solitário sente. O que fazer? Buscar em Deus a resposta. Em sua glória celestial, o Deus que é amor jamais sentiu solidão. Acompanhado, de eternidade a eternidade, pela Trindade santa, o Criador se basta a si mesmo e se complementa, vivendo numa unidade plural e singular que faz de si um ser pleno e absolutamente destituído de carência. No entanto, dos altos céus ele olhou para a humanidade solitária, despida da plenitude de Deus, e desceu à terra, fazendo-se solitário como os solitários, para nos devolver a capacidade de comungar para sempre com aquele que nunca nos deixará sós. E, ao fazer-se como um se nós, o Filho experimentou o gosto da solidão: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” (Mt 27.46), gemeu o Senhor agonizante. Por que Jesus decidiu vivenciar a dor dos solitários? Amor. Puro amor.

Meu irmão, minha irmã, há muitos solitários nas nossas igrejas. Peço a Deus que encha o seu coração do amor que é fruto do Espírito, para que você sinta em si a dor dos solitários e faça algo para cuidar de quem precisa urgentemente de calor humano. É aproximando-se de Deus que você terá discernimento para identificar as vítimas da solidão, frutificará em amor pelos tais e partirá em seu socorro com interesse genuíno. Ao fazê-lo, você estará permitindo que Deus o use para transformar a vida de tantos que precisam desse amor.

Afinal, já entendeu qual é o remédio para a solidão do seu irmão? Se você disse “Deus”… lamento, errou. Deus é o médico que aplica o remédio.  O remédio… é você.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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misericordiaSinto muita dor nas costas. Sofro de fibromialgia há vinte anos e já se tornou previsível que, a cada manhã, quando eu abrir os olhos, terá início um ritual doloroso. Depois de algumas horas parados, meus músculos estarão completamente rígidos e extremamente doloridos, o que fará com que cada pequeno movimento do corpo seja uma ação difícil, lenta e doída. Começo a me mexer aos poucos e tento me revirar para os lados até me sentar na cama. Curvado. Em câmera lenta. Eu me levanto e faço alguns alongamentos, como a tentativa utópica de tocar com as mãos a ponta dos pés. Giro o tronco para os lados, me estico para onde der e me arrasto até o banheiro, para as abluções matinais. Depois de um tempo me movimentando, a rigidez e a dor diminuirão e poderei me dedicar às atividades do dia. Ao final da jornada diária, me deitarei na cama, já sabendo que no dia seguinte tudo será igual. É previsível. Tem sido assim há vinte anos. É garantido que as minhas dores virão no dia seguinte, pois elas não têm fim;
renovam-se cada manhã. 

Certas realidades da vida são absolutamente previsíveis. Realidades que não têm fim; renovam-se cada manhã. São aquelas coisas que, como a minha dor nas costas, inevitavelmente acontecerão. É como o sol nascer: você sabe que será exatamente daquele mesmíssimo jeito. São fatos e situações que não têm fim; renovam-se cada manhã. E isso, embora minha persistente fibromialgia possa fazer parecer que não, é, muitas vezes, algo alentador. Especialmente para as pessoas que carregam um peso enorme de culpa nas costas, para as que acreditam que não há perdão para erros que tenham cometido.  

Dor-nas-Costas 2Se você sente-se esmagado pelo peso dos seus erros, é importante que conheça uma realidade bíblica extraordinária em relação a isso: “Quero trazer à memória o que me pode dar esperança. As misericórdias do SENHOR são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim; renovam-se cada manhã” (Lm 3.21-23). O que podia dar esperança ao salmista? A lembrança de que as misericórdias do fiel Senhor não têm fim e renovam-se a cada manhã. E essa mesma lembrança, se trazida à memória, é capaz de trazer a cada um de nós paz, alívio, esperança, alegria. Perceba o que a Bíblia está dizendo: que há misericórdia de Deus para você hoje, houve ontem, haverá amanhã. A manifestação da misericórdia de Deus não é um evento pontual, é uma constante. Não é um lago estático, é um rio contínuo. Flui sempre. Para sempre. Nunca terá  fim. É um recurso renovável. Renovável e não escasso: Muitas, SENHOR, são as tuas misericórdias” (Sl 119.156). 

Naturalmente, isso não pode ser confundido com permissividade. Não é pelo fato de Deus ter misericórdias renováveis e abundantes que podemos viver errando desbragadamente e sem arrependimento. Mas o cristão sincero, que amarga viver constantemente sua pecaminosidade, encontra alento num fato extraordinário: “Rejeita o Senhor para sempre? Acaso, não torna a ser propício? Cessou perpetuamente a sua graça? Caducou a sua promessa para todas as gerações? Esqueceu-se Deus de ser benigno? Ou, na sua ira, terá ele reprimido as suas misericórdias?” (Sl 77.7-9). A resposta a cada uma dessas perguntas retóricas é um estrondoso não. E aqueles que têm intimidade com o Espírito Santo sabem que “Benigno e misericordioso é o SENHOR, tardio em irar-se e de grande clemência. O SENHOR é bom para todos, e as suas ternas misericórdias permeiam todas as suas obras” (Sl 145.8-9).

Dor-nas-Costas 3Se você pensa que Deus o rejeitou em razão de seus muitos pecados, lembre-se sempre de que “O Senhor não rejeitará para sempre; pois, ainda que entristeça a alguém, usará de compaixão segundo a grandeza das suas misericórdias; porque não aflige, nem entristece de bom grado os filhos dos homens” (Lm 3.31-33). Portanto, clame a ele do meio do seu pecado: “Responde-me, SENHOR, pois compassiva é a tua graça; volta-te para mim segundo a riqueza das tuas misericórdias” (Sl 69.16). E, ao orar, use de total sinceridade. Reconheça seus erros e confesse-os sem esconder nada: “Lembra-te, SENHOR, das tuas misericórdias e das tuas bondades, que são desde a eternidade. Não te lembres dos meus pecados da mocidade, nem das minhas transgressões. Lembra-te de mim, segundo a tua misericórdia, por causa da tua bondade, ó SENHOR. Bom e reto é o SENHOR, por isso, aponta o caminho aos pecadores” (Sl 25.6-8).

Quando o profeta Natã foi ter com Davi, depois de haver ele possuído Bate-Seba, o rei pecador clamou: “Compadece-te de mim, ó Deus, segundo a tua benignidade; e, segundo a multidão das tuas misericórdias, apaga as minhas transgressões. Lava-me completamente da minha iniquidade e purifica-me do meu pecado” (Sl 51.1-2). Do mesmo modo, se formos flagrados por nossa consciência em quaisquer que sejam os pecados, devemos orar: “Não retenhas de mim, SENHOR, as tuas misericórdias; guardem-me sempre a tua graça e a tua verdade. Não têm conta os males que me cercam; as minhas iniquidades me alcançaram, tantas, que me impedem a vista; são mais numerosas que os cabelos de minha cabeça, e o coração me desfalece” (Sl 40.11-12).

O que Deus espera de você, em se constatando o pecado? Sinceridade no reconhecimento da transgressão, confissão e mudança de rumo. O arrependimento virá pelo convencimento do Espírito. Pecou? Então reconheça, assim como fez Jacó: “sou indigno de todas as misericórdias e de toda a fidelidade que tens usado para com teu servo” (Gn 32.9-10). Entenda que todos somos indignos das misericórdias de Deus. Nenhum de nós é merecedor delas. Mas misericórdia não depende de ser digno ou merecedor, depende de graça. Depende da fidelidade do Senhor e não da nossa infidelidade. 

Dor-nas-Costas 4Por isso, lembre-se de que você encontrará sempre um lar em Deus. Seus braços abertos são como as suas misericórdias: sempre estendidos a nós. E, ao encontrar abrigo nelas, você poderá exultar, assim como fez o salmista: “Cantarei para sempre as tuas misericórdias, ó SENHOR; os meus lábios proclamarão a todas as gerações a tua fidelidade” (Sl 89.1). Pode ser que um dia a medicina descubra a cura para a fibromialgia, o que fará com que minhas previsíveis dores nas costas matinais cessem totalmente. Já as misericórdias do Senhor… essas nunca terão fim. 

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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paoA única foto que ilustra o post de hoje é a deste pão, pois todo o texto gira em torno dele. Permita-me explicar. Como antecipei em post recente aqui no APENAS, minha mãe submeteu-se há poucos dias a uma cirurgia para extrair um câncer de mama. Aos 82 anos, tendo sofrido um infarto havia alguns anos, não enfrentaria uma operação tranquila; afinal, riscos são grandes em pacientes com esse perfil. Como meu pai está senil, fui escolhido para ser o responsável por minha mãe. Se houvesse alguma complicação durante a operação, caberia a mim tomar decisões que poderiam ser de vida ou morte. Passamos a manhã realizando exames e procedimentos pré-cirúrgicos, saímos do laboratório e seguimos para o hospital. A cirurgia estava marcada para 14h. Atrasou. Até então, eu não havia almoçado. Estava faminto, mas, a despeito dos apelos de minha mãe para que eu a deixasse sozinha na sala de espera do hospital e fosse comer, fiquei ali, segurando sua mão, conversando e fazendo piadas, até o momento da cirurgia. Estávamos confiantes e de bom humor – mas morrendo de fome. 

Enfim chegou a hora e, às 14h45, finalmente minha mãe entrou na sala de operações. Por isso, foi só por volta de 15h que pude comer algo, na única lanchonete que vendia alguma comida no hospital. A birosca não oferecia refeições, apenas salgados e alguns sanduíches. Por isso, o que você vê nesta foto foi o meu almoço naquele dia: um pão com ovo e queijo. No momento em que tirei a fotografia, estava pensando no que aqui compartilho com você: este sanduíche simboliza algo muito maior do que um sanduíche. 

Aquele pedaço de pão simbolizou para mim o cuidado com minha mãe. Ele era o resultado de eu ter sacrificado o meu bem-estar em prol dela. Eu poderia perfeitamente tê-la deixado sozinha e saído do hospital em busca de um bom restaurante, na hora em que eu quisesse. Mas optei por lhe fazer companhia, dar amor, ofertar solidariedade, compartilhar calor humano, ser um filho que honra seus pais ao preferi-los em honra a si mesmo. E, se você acha que sou grande coisa ao dizer isso, saiba que não sou, minha nobreza não é maior do que a de ninguém: tudo o que fiz foi por amor e em reconhecimento aos anos de cuidados que minha mãe dedicou a mim. Não, ficar faminto para acompanhá-la não foi mérito meu, foi mérito dela. Pois tudo o que fiz foi em respeito às décadas de preocupação, entrega, abnegação e sacrifícios de minha mãe por mim. Não houve nenhuma magnanimidade no que fiz. 

paoAo olhar para aquele pão com ovo e queijo lembrei-me das noites que minha mãe e meu pai passaram em claro, cuidando de minhas febres e meus pesadelos; das muitas horas que gastaram lavando o cocô e o xixi das minhas fraldas de pano, numa época em que ainda não havia fraldas descartáveis; dos dias e mais dias em que tiveram de ir correndo de um emprego para outro, numa ralação exaustiva, a fim de me dar qualidade de vida; das madrugadas em que ficaram acordados durante minha juventude, preocupados com meu retorno seguro após alguma festa; da noite em que saíram esbaforidos para me abraçar, após eu ter capotado com o carro… enfim, de tudo de que dona Irene e seu Wilson abriram mão em meu benefício. Um pão com ovo e queijo que significava tão pouco em comparação ao amor e ao sacrifício que aqueles dois devotaram ao filho caçula. Orei ao Senhor antes de devorar aquele sanduíche, entregando minha mãe em suas mãos e agradecendo por tão singelo mas tão significativo alimento. E, naquele instante, percebi que cada mordida que dava no pão tinha o mesmo nome.

Gratidão. 

Quando celebramos a ceia do Senhor, o que demonstramos é a mesma coisa: gratidão, por tudo o que Jesus suportou em nosso benefício. Cada mordida no pão da ceia me recorda dos açoites que ele aguentou em meu lugar; cada gole no vinho me lembra dos bofetões e das cusparadas que ele tomou por mim; o esfarelar das migalhas me identifica com o rasgar da carne das mãos; o sabor acre do vinho me remete ao sabor amargo do sangue escorrido da coroa de espinhos. A ceia não deve ter em primeiro plano o medo de tomá-la em pecado, mas o júbilo por tomá-la em gratidão por quem nos livrou do pecado. Ao reunir-me com meus irmãos e irmãs para tomar a ceia, trago à memória o cenho abatido do Salvador na cruz do monte Calvário. Ceia é isto: gratidão pelo sacrifício que nos beneficiou. O sanduíche do hospital é isto: gratidão pelo sacrifício que me beneficiou. Assim, o pão tem sabor de uma única palavra: obrigado. 

Uma hora e meia depois, meu telefone soou e uma integrante da equipe médica me avisou que a cirurgia havia terminado e sido um sucesso. Eu deveria ir para o quarto aguardar minha mãe. Assim foi. Quando ela chegou na maca, ainda zonza pelo despertar da anestesia, antes mesmo de perguntar como tinha sido a cirurgia, virou-se para mim e, com preocupação materna, indagou: “Você comeu?”. 

Conversei com os médicos, que me informaram que tudo havia ido bem: eles removeram apenas um quarto do seio e nem precisaram pôr um dreno. O exame dos nódulos linfáticos da axila deu negativo, o que sugeria que não havia ocorrido metástase. Três dias depois, eu deveria levar minha mãe ao consultório do cirurgião para ver como estava a recuperação. Assim, no terceiro dia após a possibilidade da morte, levei-a ao médico, que avaliou o quadro e deu o ultimato: vida! De igual modo, no terceiro dia após a morte de Cristo, veio o ultimato: vida!

paoPassei dias cuidando dela no pós-operatório, com gratidão a Deus por poder fazer por minha mãe o que décadas antes ela fizera por mim. Hoje, dia 26 de abril, dona Irene volta ao médico a fim de remover os pontos da cirurgia. Esperamos apenas o resultado da biópsia do tumor. Fora isso, é vida que segue. As cicatrizes  ficarão, mas, por trás delas, o que há é vida. E, de hoje em diante, nunca mais olharei para um pão da mesma maneira que antes, pois ele sempre me lembrará de tudo o que meus pais fizeram por mim e da gratidão que devo demonstrar-lhes, não como resultado de valor próprio, mas como reconhecimento pelo mérito deles ao se sacrificarem por mim. Do mesmo modo, nunca você deve olhar para o pão da ceia sem um sentimento de gratidão a Cristo pelo mérito dele ao sacrificar-se por você. As cicatrizes dos cravos, dos açoites, da lança e da coroa de espinhos ficarão, mas, por trás delas, o que há é graça e vida.

Vida… eterna. 

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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beleza 1Escrevo este texto sentado em um banco do lado de fora da sala em que minha filha tem sua aulinha de balé. Meus olhos se alternam entre os gestos bonitos de pequena e a tela do celular, por onde acompanho o noticiário do dia. Quando ergo os olhos, vejo a pequenina dar saltos elegantes e fazer passos encantadores. Quando baixo os olhos, leio sobre a lama que toma conta da presidência da República, do Congresso, do país. Ao erguer os olhos, consigo sorrir. Ao baixar os olhos, sinto vontade de chorar. Olhos para cima; vejo beleza, graciosidade, esperança. Olhos para baixo; vejo o horror, a imundície, a corrupção humana. Percebo que, dependendo de para onde olho, vejo a graça, o amor e a ação de Deus nesta terra ou vejo a mentira, o cinismo e a ação do pecado neste mundo. Felizmente, posso alternar a direção e o foco de meus olhos. E você também pode. 

Não é segredo para ninguém que o Brasil vive dias calamitosos. Nunca, em meus 44 anos de vida, vi tanta imundice nas estâncias do poder. Jamais testemunhei tanta desfaçatez, mentira e manipulação. Enoja qualquer cidadão de bem ver o que o Brasil tem vivido, com governantes sórdidos, com um vocabulário desbocado que revela do que está cheio seu coração, sem caráter nem preocupação com o próximo. É inédito o que vejo no noticiário: um punhado de criminosos que ocupam cargos de liderança em nosso país, graças a promessas mentirosas feitas em época eleitoral e a políticas populistas e assistencialistas, destruírem a ética, ignorar o que é bom, praticar o mal tão descaradamente. Ao olhar para as notícias na tela do meu celular, sinto vontade de me ajoelhar e chorar, clamando a Deus por misericórdia sobre a nossa nação. 

beleza 3Mas, então… meus olhos se voltam para cima e o que vejo me enche de esperança. Sim, ainda há beleza no mundo. Ainda há poesia, graça, luz, futuro. Olho para minha herdeira e sei que nela há potencial para uma geração ética, amorosa, correta, que não venderá tudo o que se liga à boa moral pela ganância e a ânsia por poder e dinheiro. É ao olhar para cima que enxugo as lágrimas e sorrio, lembrando que o Senhor ainda está no controle. E sempre estará. Vivemos dias horríveis no Brasil. Mas temos uma opção: afundar nossas esperanças com base nas péssimas notícias do dia ou avivar nossas energias e nosso potencial ao erguer os olhos e apreciar o que há à frente. Fiz minha opção. Dou uma espiada no noticiário do dia, para manter-me a par das coisas. Mas, em pouco tempo, desligo o celular e elevo meus olhos para o alto, de onde sempre vem o socorro. 

“Portanto, também nós, uma vez que estamos rodeados por tão grande nuvem de testemunhas, livremo-nos de tudo o que nos atrapalha e do pecado que nos envolve, e corramos com perseverança a corrida que nos é proposta, tendo os olhos fitos em Jesus, autor e consumador da nossa fé” (Hb 12.1).

beleza 2Concluo que é ao erguer os olhos e os depositar na beleza, no amor e na graça que serei fortalecido para viver mais um dia com esperança e paz. Não, me recuso a ser vencido pela miséria humana, pelo pecado, pelo horror. Jesus já venceu tudo isso na cruz. Por isso, tenho certeza de que, se mantiver meus olhos direcionados para o alto, sem me esquecer de quem é o Senhor do universo, o Autor da vida, o Controlador de tudo, viverei em paz, por saber que o Deus que pisa no mal e promete um futuro sem lágrimas, nem dor, nem sofrimento… segue sendo Deus. 

Meu irmão, minha irmã, você tem sofrido com as notícias do dia, pelo peso da lama que soterra nosso país? Então fica uma sugestão. Desligue um pouco o telejornal, olhe para os lírios do campo e para as aves do céu e lembre-se de que Aquele em quem devemos depositar confiança inabalável permanece sendo o Senhor da História. Ele abate o soberbo. Ele dá graça ao símplice. Ele é bom. Ele é verdade e justiça. Entrega o teu caminho ao Senhor, confia nele e o mais ele fará. Desfrute da beleza da vida, reflexo da beleza de Cristo, e, assim, conseguirá viver com os olhos fixos no autor e consumador da fé, passando por cima da podridão deste mundo, rumo ao alvo da glória celestial.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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