Posts com Tag ‘Silêncio’

Tenho sentido falta de sorrisos. O mundo anda pesado, denso, carrancudo. E não só o mundo, nós, que não somos mundo mas vivemos nele, também. As redes sociais andam tristes. Sinto falta de que meus irmãos e minhas irmãs compartilhem alegrias, carinhos, gentilezas. Se o que o universo virtual transmite é a realidade dos bastidores, sou obrigado a concluir que uma enorme parte de meus amigos virtuais está tensa, irritada, assoberbada por uma caminhada cinzenta, nublada. Todos parecem ter uma lição de moral a dar, uma crítica ácida a fazer, uma exortação a cajadar, uma reclamação a expor. As redes sociais estão chatas, talvez porque eu esteja chato, talvez porque todos estejamos chatos. Talvez porque a vida esteja pesada e todos precisem desabafar.

Claro que a vida não é só alegria. Nunca foi e nunca será. Mas a nuvem está escura demais. Além do ponto. Você não tem essa impressão? Gostaria de ver mais gente falando e postando sobre coisas bonitas, como a poesia que leu, o entardecer que apreciou, o gesto de gentileza de que foi alvo ou com que alvejou alguém. Está faltando beleza, sabe? Tenho tido dificuldade de encontrar prazer no telejornal, nas postagens da minha timeline, na fala de muitos amigos. Os assuntos parecem sujeitar-se a uma ditadura do ruim, do feio, do errado, da maldade, do ódio. O cheiro do rancor parece impregnar as roupas e os cabelos de muitos. A raiva está demais. Antipatias. A humanidade parece doente, com uma febre e uma tosse que não passam nunca. 

Não temos nos visto como complementares, mas como antagonistas. É claro para mim que a maioria das pessoas tem entrado nas redes sociais não com o desejo de amar o próximo, mas com a vontade de pôr o outro no seu devido lugar. Sabe… não estou com vontade de pôr ninguém no seu devido lugar. Prefiro me pôr em algum lugar ao lado das pessoas e trocar uma ideia, saber o que pensa o outro, achar graça dos pensamentos de que discordo e influenciar mais com um sorriso, um abraço e muita paciência e tolerância do que com intermináveis discursos cheios de pretensa superioridade. 

 Talvez seja uma fase meio esquisita, não sei. Mas estou um pouco cansado das frases de para-choque de caminhão que estão enchendo as redes sociais e dos muitos que se pensam mestres quando ainda têm tanto a aprender. Tanto. Assim como eu, que tenho tão pouco a ensinar, creia. Você não precisa entrar no facebook apenas para dar lições, acredite. Pode apenas sorrir. Elogiar. Fazer um afago no seu amigo. Dar uma palavra bonita para deixar o dia de alguém mais feliz. É só uma sugestão que dou, nada muito sério. Só uma sugestão. 

Não me acho capaz de lhe ensinar nada neste momento, meu irmão, minha irmã. Hoje, pelo menos, não sinto vontade de fazer discursos teológicos, exposições doutrinárias, dissertações sobre dogmas e escolas de pensamento. Hoje, pelo menos, quero apenas conviver, sorver da existência do próximo e me deixar deleitar pelas enormes contrariedades que compõem cada ser humano. Sem brigas. Sem fazer das minhas falas discursos de palanque. Hoje, pelo menos, quero me restringir a olhar as flores do campo e os passarinhos, como Jesus ensinou.

Estou um pouco cansado de tantos pretensos mestres, tantas lições de moral, tantos convencedores, tanta gente que acha que veio ao mundo com a missão de corrigir a humanidade ignorante. E não sei como as outras pessoas também não estão, pois os relacionamentos são muito, mas muito mais do que só ensinar, ensinar, ensinar e corrigir, corrigir, corrigir. Os outros não estão tão mais errados assim do que nós, acredite. 

Fica a sugestão, meu irmão, minha irmã: deixe um pouco de lado seu smartphone. Só por um tempo. Abstenha-se por alguns dias de querer ensinar e convencer os outros. Economize frases de efeito e amaine a alegria de receber curtidas. As nossas lições e os nossos ensinamentos não farão falta por um tempo, acredite. O mundo ficará bem sem nossas exortações. Sei disso porque ficou sem as minhas, eu, que fiquei duas semanas sem escrever neste blog e acredito piamente que isso fez pouca falta. Abracei pessoas esses dias, e foi bom demais. Conversei mais, e foi bom demais. Ouvi mais, e foi bom demais. Cuidei de gente que amo, e foi bom demais. Fechei mais os olhos, e foi bom demais. Aprendi mais do que ensinei, e foi bom demais. Precisamos disso. Eu preciso, você precisa.

Tenho gostado de me achegar ao Cordeiro. Tenho me deleitado no silêncio. Quando o coração dispara e uma incômoda eletricidade parece percorrer perenemente a pele, com o sistema nervoso em 440 volts, é nele que encontro abrigo. Que dádiva é a presença do manso amigo! Nele, toneladas saem de nós. Embora Cristo tenha tantas lições de moral a dar, tanto a ensinar, tantos a convencer, tantos a corrigir e exortar, ele apenas me convida a reclinar-me em seu peito: “Descansa, Mauricio”. E eu descanso.

Não há nada igual. É apenas estar. É dar e receber afeto. E, por fim, suspirar e respirar… em paz. 

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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sofrimento 1Não deveria ser assim. Mas a realidade é que existem milhares de cristãos que se sentem sozinhos, sofrem calados, vivem achatados pelo peso da angústia sem ter quem os ajude a solucionar seus dramas, sem ter nem ao menos com quem desabafar sobre seus sofrimentos e dores. Fico muito triste ao ver a enorme quantidade de irmãos e irmãs em Cristo que me procuram pelo APENAS, pelas redes sociais ou nos eventos em que prego e palestro em busca de orientações para suas angústias silenciosas e solitárias. Na maioria das vezes, o que detecto é que muitos só queriam mesmo era pôr para fora. Desabafar. Não têm com quem chorar, esmagados por suas dores e duplamente esmagados por não ter com quem falar sobre elas. Sofrem calados, devorados por dentro. O único ombro amigo que têm é o de Jesus, pois os servos de Jesus não estão dando conta do recado. 

Não são poucos, acredite. Tenho visto uma enorme quantidade de irmãos e irmãs que ostentam sorrisos de aparência e se mantêm heroicamente calados na frente das demais pessoas, mas que, na verdade, tudo o que queriam era gritar, chorar e pedir pelo amor de Deus que alguém os ajude, aconselhe ou, pelo menos, os escute e chore com eles. Mas… ninguém parece se importar de fato. Esses sofredores respondem a cada “Tudo bem?” com um sofrido “Tudo bem, graças a Deus”, por perceber que a pergunta foi, na verdade, uma saudação educada e não uma indagação sincera sobre o estado de sua alma. E, assim, seguem sofrendo, calados, angustiados e solitários, na esperança de um milagre que parece nunca chegar. 

sofrimento 2Maridos desonrados e desrespeitados, irmãs abusadas e carentes, adolescentes rejeitados, cônjuges infelizes, cristãos  deprimidos… os sofredores solitários não encontram limites de sexo, idade, ministério ou o que for. Alguns não encontram com quem se abrir porque todos esperam que eles sejam super-heróis espirituais, imunes a problemas. Outros, porque ninguém demonstra um interesse real por sua vida. Há, ainda, os que até buscam com quem conversar, mas tudo o que encontram é um anticristão “vamos orar” que não ajuda em nada. Pessoas feridas, aprisionadas pela agonia de sua solidão, escravas do desinteresse alheio. “Alegrai-vos com os que se alegram e chorai com os que choram” (Rm 12.5) são, para elas, apenas palavras vazias, pois não encontram aplicação prática na sua vida. Afinal, ninguém dá um passo à frente para chorar com elas. 

De quem é a culpa por esse problema epidêmico dentro das igrejas? Minha e sua.

sofrimento 3Eu e você somos os culpados pela dor dessas pessoas. O marido que é obrigado a conviver com uma esposa arrogante, agressiva, briguenta e desrespeitosa, por exemplo, não tem muito o que fazer, pois nenhuma esposa sem sabedoria muda por pressão do marido. Mas a Igreja de Cristo poderia agir na vida dele, dando amparo, amor, conselhos, ombro e a consequente orientação para essa esposa rixosa, a fim de que ela enxergue seus erros e mude de fato. Porém, como existe a filosofia de que “em briga de marido e mulher não se mete a colher”, ninguém quer se envolver, intervir, aconselhar, orientar. Nós optamos por permanecer omissos. Muitas vezes, tudo de que aquela esposa briguenta e mandona precisava era de alguém de fora que lhe dissesse que, sim, ela está errada, e apontasse caminhos, como a Bíblia orienta: “Exortai-vos mutuamente cada dia, durante o tempo que se chama Hoje, a fim de que nenhum de vós seja endurecido pelo engano do pecado” (Hb 3.13). O mesmo vale para maridos que não lutam pelo bem-estar do lar, claro. 

Pastores e líderes, então, muitas vezes são pessoas extremamente solitárias, que sofrem caladas com preocupante frequência. Como a igreja espera que sejam quase homens de gelo, sem emoções ou problemas, donos de uma fé acima de toda humanidade, eles acabam se isolando na solidão de seu cargo, vivendo em santa hipocrisia imposta, porque nós, membros sem coração de suas igrejas, não admitimos que pastores tenham dúvidas, dores ou angústias, que sejam gente como a gente. Culpa nossa. E, por isso, eles seguem, sofrendo em seu ministério, muitos em processo de depressão, com problemas no casamento, com agonias causadas pela pressão do pastoreio, com milhões de preocupações… mas sem encontrar apoio em ninguém. 

Vemos pessoas que saem do culto sozinhas e caminham a passos tristes e arrastados para a solidão de sua casa, sem nos importarmos com elas, enquanto saímos sorridentes com a nossa patota de sempre para comer uma animada pizza pós-culto. Afinal, já que estamos satisfeitos e acomodados com nossa vidinha cristã que não estende a mão a ninguém, para que nos dedicarmos aos outros, não é mesmo? Deixa como está. Por que abrir mão de nosso precioso tempo para ofertá-lo aos sofridos? E assim seguimos, sem viver de fato o que Jesus espera de sua igreja. E, apesar de ler este texto e sentir certo incômodo no coração, você continuará agindo exatamente do mesmo modo, sem nenhuma real mudança. Ou não?

sofrimento 4Muitos desses sofredores solitários até se inscrevem em departamentos da igreja, na esperança de viver um pouco do calor humano que, supõem, deveria haver entre os irmãos, mas só encontram um interesse pouço real por sua vida, aquela coisa meio obrigatória, afinal, “ele faz parte do grupo e a gente tem de dar atenção a ele”. Se um dia ele se desligar do grupo, porém, perceberá que o interesse por sua vida era meramente institucional e não verdadeiro. Ninguém mais o procura, o chama para sair, liga para saber como ele está. E assim seguimos, cercados por legiões de cristãos sofredores, que se calam pelas mais variadas razões e vivem suas angústias com, no máximo, o famigerado “vamos orar”.  Acredite: há muitos desses ao nosso redor, perfumados e maquiados, ostentando sorrisos pré-fabricados no rosto, mas carcomidos emocionalmente. 

Meu irmão, minha irmã, o evangelho é sobre relacionamentos. É sobre se intrometer, sim, na vida do outro, como um médico que intromete seu bisturi na carne do paciente para encontrar debaixo da pele, naquele lugar em que ninguém consegue ver além das aparências, onde está a causa da dor do próximo. E tratá-la. Individualismo não existe no cristianismo, o que existe é coletividade, onde todos sentem a dor de todos. Fora disso não há reino de Deus, não há evangelho, não há Igreja. Sim, a coisa mais importante no cristianismo são os relacionamentos: com Deus, primeiro, e com o próximo. Esse é o maior mandamento, apresentado em outras palavras. 

Ao falar sobre aquele grande dia, que a todos nós espera, Jesus profetizou: “… então, dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai! Entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo. Porque tive fome, e me destes de comer; tive sede, e me destes de beber; era forasteiro, e me hospedastes; estava nu, e me vestistes; enfermo, e me visitastes; preso, e fostes ver-me” (Mt 25.34-36).  Essa passagem fala sobre o quê? Caridade? Não. Fala sobre relacionamentos.

sofrimento 5Fala sobre interferir na vida do próximo, saciando a sede e a fome não só de comida e bebida, mas de amor, preocupação, interesse, calor humano. Há entre nós irmãos e irmãs desesperados e silenciosos, mirrando pela falta do nosso interesse amoroso e genuíno. Muitos estão enfermos de alma, esperando em agonia  por uma visita, uma conversa ou um abraço que ajude a aliviar a dor de seu coração. No culto  a que você vai todo domingo, cruza com irmãos e irmãs que se encontram presos em jaulas de solidão, em presídios de angústia, apenas esperando por alguém que se importe. Também somos cercados por legiões de forasteiros, gente que dorme debaixo das marquises da falta de ter com quem conversar, que pedem socorro em idiomas que parece que ninguém entende, apenas aguardando por um servo bom e fiel que, com preocupação real, os hospede em seu coração e em sua vida.

O que você tem feito pelos famintos, sedentos, enfermos, presos e forasteiros? Nada? Então ouça o que Jesus tem a lhe dizer: “Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos. Porque tive fome, e não me destes de comer; tive sede, e não me destes de beber; sendo forasteiro, não me hospedastes; estando nu, não me vestistes; achando-me enfermo e preso, não fostes ver-me” (Mt 25.41-43). 

Meu sonho é parar de receber desabafos e pedidos de socorro pelo blog e inboxes pelo Facebook de gente que sofre em silêncio. Não aguento mais ver tanta dor, pois a dor deles dói em mim. Quando leio um “me ajude, pelo amor de Deus, não tenho a quem recorrer”, meu coração rasga. Onde estão os seres humanos que convivem com esses meus irmãos e irmãs em Cristo? O fato de cristãos recorrerem a um escritor que mal conhecem e mora a centenas de quilômetros de distância para desabafar, pedir ajuda e tentar compartilhar um pouquinho que seja de sua dor é um sintoma gritante de que a igreja não está sendo Igreja. E à distância é difícil eu fazer qualquer coisa por eles. Onde estão os pastores e os irmãos em Cristo deles? Onde está você?

Este é um texto sobre amor. Amar de verdade significa doar-se. O contrário de amor não é ódio, como muitos pensam, mas egoísmo. Eu fico louco quando ouço um pregador dizer à igreja: “Quem veio aqui esta noite para receber a sua bênção?”. Por quê? Porque culto não foi feito para ser um evento de recebimento de bênçãos. Nós não vamos ao culto a fim de buscar bênção coisíssima nenhuma, vamos para cultuar Deus em conjunto com os irmãos. Em coletividade. Dando as mãos não só fisicamente, mas espiritualmente. Olhando para quem está ao nosso lado e enxergando-o de fato, preocupando-se com ele, imergindo nas angústias dele. A pergunta certa deveria ser “Quem veio aqui esta noite para abençoar os seus irmãos?”. Aí teríamos uma pergunta cristã. 

sofrimento 6Perdoe-me, por favor, o desabafo. Mas o APENAS é, para mim, também um meio de compartilhar o que sofro na minha solidão. E tem me angustiado profundamente o sofrimento solitário de tantos cristãos que recorrem a mim porque dizem não ter mais a quem recorrer. Eu vinha vivendo isso calado, mas hoje resolvi pôr para fora. Você compartilha da minha dor? Você está disposto a chorar comigo? Então, por favor, o melhor meio de fazer isso é sendo parte da solução. Viva a partir de hoje observando os calados, os que choram nos últimos bancos, os que sorriem com a boca mas não com os olhos. Preste atenção aos maridos desrespeitados, às esposas abandonadas, aos adolescentes solitários, aos idosos sofredores, aos líderes deprimidos. Pense naqueles que deixaram o convívio e você nem sabe por quê. Telefone para eles. Oferte-se ao próximo. Mergulhe na vida dessas pessoas. Ouça-as com real interesse e não por obrigação. Intervenha, sim, na vida delas, assim como Jesus interveio na nossa ao meter a colher nas lutas da humanidade e se fazer carne para sanar nosso maior problema. É bíblico. Faça isso, pelo amor de Deus e por amor ao próximo. Os sofredores silenciosos e solitários estão à sua espera. O que você vai fazer a respeito?

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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empatia 1Lembro-me do primeiro enterro a que fui na minha vida. Cheguei ao funeral do meu tio Guilherme e logo encontrei a esposa dele, a tia Helena. Ela estava aos prantos, desconsolada. Se não estou enganado, eu deveria ter por volta de uns 12 ou 13 anos. Tudo o que eu sabia sobre o que devemos dizer em uma situação como aquela foi o que eu tinha visto em programas de televisão e em filmes. Por isso, inexperiente, o que eu lhe disse foi o maior clichê, sem reflexão, sem pensar que aquela frase simplesmente não traria nenhum consolo. Fiz um olhar triste e mandei: “Tia, ele está melhor do que nós”. Que horror. Ela fez uma cara sem nenhuma reação e simplesmente continuou chorando. Recordo-me que me senti mal, porque percebi na hora que aquilo que eu tinha dito simplesmente não significava nenhum consolo para ela. Guardei aquele momento na lembrança como se fosse hoje, talvez por ter me sentido muito mal pelo fato de, em vez de me expressar com todas as minhas fibras e dizer algo das profundezas de minha alma, ter lançado mão de um uma frase feita, um clichê vazio, algo que foi dito por ser dito, mas que não teve eficácia alguma no sentido de amainar as dores da minha tia. 

Pensar naquele momento me faz ver como não adianta falar qualquer coisa, em especial nos momentos de crise. Falar por falar é inútil, nossas palavras precisam ser muito bem escolhidas e vir do fundo do coração. Muitas vezes, não devemos nem usar palavras: basta um abraço, basta o silêncio solidário. Enquanto os três amigos de Jó ficaram em silêncio ao seu lado, ele se sentiu amparado, mas foi só Elifaz, Bildade e Zofar abrirem a boca e começou um show de palavras que em nada ajudaram Jó naquele momento de angústia. Muitas vezes, o calar é a nossa melhor atitude. 

Nesse sentido, algo que sempre me causou estranheza é a pergunta “tudo bem?”. Já reparou como ela não quer dizer nada? Essa expressão tornou-se, na verdade, uma saudação padrão, algo educado de se dizer, mas, na realidade, numa quantidade mínima das vezes em que perguntamos a alguém se está tudo bem nós de fato temos o real interesse de saber a resposta. Tanto que, automaticamente, já esperamos que nosso interlocutor responda: “Tudo”. Se ele diz “não estou bem”, na maioria das vezes nem sabemos direito como reagir.

Nas redes sociais esse fenômeno das palavras que perdem o sentido chega a ser engraçado. Parece que em muitas ocasiões os termos são usados sem que o seu real significado seja o que se deseja dizer. Por exemplo: “lindo”. No Facebook tudo é “lindo”, todos são lindos. Às vezes vejo alguém postar uma foto do filho, de um casal em viagem, do prato de comida, de um bicho de estimação, de uma frase de efeito e, quando vou ler os comentários, tudo tem uma enxurrada de “lindo”, “linda”, “lindos”. É como se já se tivesse criado uma maneira de dizer que você achou algo legal e, portanto, “lindo” passa a significar uma série de coisas e não necessariamente o seu sentido original: “belo”, “formoso”. 

Existe ainda uma outra expressão que acho bem estranha. É o “fica bem”. A namorada vem, dá um fora no namorado, vira-se para ele e diz: “Fica bem, tá?”. É óbvio que ele não vai ficar bem! Mas ainda assim ela diz. Isso me soa como se eu virasse para alguém no meio do deserto do Saara e dissesse “Fica com frio, tá?”. Ninguém vai sentir frio só porque eu falei, assim como ninguém vai se sentir bem só porque alguém disse “fica bem”. 

empatiaMeu irmão, minha irmã, pense bem no que você diz. Escolha palavras com significado, principalmente quando está partindo ao encontro de alguém com o intuito de consolá-lo. Para quem está em angústia, depressão, crise, sofrimento, abatimento ou qualquer situação ruim o mais importante é um gesto, uma atitude, uma ação. Coloque-se no lugar do outro. Tenha empatia. Repare que Jesus não se virava para os cegos, leprosos e doentes que o procuravam e dizia “fica bem”: ele agia em favor deles, movido de íntima compaixão. 

Hoje, quando vou a um funeral, raramente digo algo à família de quem partiu. Prefiro dar um abraço apertado e ficar por perto, para que vejam que estou disponível caso precisem de algo. Acredito que isso demonstra muito mais empatia e compaixão do que soltar palavras vazias, que são ditas só para cumprir uma formalidade. 

Deixe que a compaixão te mova. E te mova para agir em favor do próximo, muito mais do que falar. Não só pergunte se está “tudo bem”, mas faça algo para que o outro se sinta bem. A Bíblia nos diz para chorar com os que choram e isso significa trazer para dentro do nosso peito a dor do outro, muitas vezes sem que seja necessário dizer nada. Acredito que, ao fazer isso, você estará de fato contribuindo para o bem-estar do próximo e se conformando muito mais à imagem de Cristo.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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tardio para falar 2“Sabeis estas coisas, meus amados irmãos. Todo homem, pois, seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar. Porque a ira do homem não produz a justiça de Deus. Portanto, despojando-vos de toda impureza e acúmulo de maldade, acolhei, com mansidão, a palavra em vós implantada, a qual é poderosa para salvar a vossa alma. Tornai-vos, pois, praticantes da palavra e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos” (Tg 1.19-22). É uma ordem bíblica: devemos ser tardios para falar. Não é uma sugestão, não é uma dica: é um mandamento. Quanto mais eu fico velho, mais percebo quanto o silêncio é um tesouro precioso. Mais ainda, percebo quanto a pressa em emitir uma opinião é inimiga da fé cristã, pois, muitas vezes, as palavras que você dirá de forma apressada e abrupta trazem consigo ira, raiva, deboche, sarcasmo e outros sentimentos que não devem ser alimentados no coração de quem deseja se conformar à imagem de Cristo.

Muitas vezes soltamos palavras que apenas funcionam como lenha na fogueira e falamos movidos por impulso ou ira. Por isso, fica aqui o meu conselho, que, na verdade, é mandamento bíblico: demore para falar sobre algo mais do que as pessoas esperam. Se você perceber que a sua fala será carregada de ódio ou rancor, o melhor é silenciar, refletir, ouvir e ler outros pontos de vista, esfriar a cabeça e só então abrir a boca. Afinal, a Escritura determina: “Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, e sim unicamente a que for boa para edificação, conforme a necessidade, e, assim, transmita graça aos que ouvem. E não entristeçais o Espírito de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção. Longe de vós, toda amargura, e cólera, e ira, e gritaria, e blasfêmias, e bem assim toda malícia. Antes, sede uns para com os outros benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus, em Cristo, vos perdoou” (Ef 4.29-32). 

tardio para falar 3Não devermos falar nada quando somos movido pela ira, “Porque a ira do homem não produz a justiça de Deus”. Temos de ser praticantes da palavra, pois é ela que determina: “Alegrai-vos com os que se alegram e chorai com os que choram. […] Não torneis a ninguém mal por mal; esforçai-vos por fazer o bem perante todos os homens; se possível, quanto depender de vós, tende paz com todos os homens; não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira; porque está escrito: A mim me pertence a vingança; eu é que retribuirei, diz o Senhor” (Rm 12.15-19). 

tardio para falar 4Nosso papel como cristãos não é exercer qualquer tipo de retribuição a qualquer atitude leviana: Deus mesmo é quem fará isso. O meu e o seu papel não é devolver mal com mal; é, isto sim, abrir espaço para que a justiça divina trate com as pessoas. Nosso papel não é atacar malfeitores, mas tratar dos machucados, cuidar dos feridos, abençoar e amparar as vítimas, chorar com os que estão tristes e decepcionados, deixando que o todo-poderoso Deus trate com a maldade humana da forma que ele considerar melhor.

Eu sei que você ainda vai enfrentar na sua vida muitas situações em que dá vontade de soltar o verbo, agredir, destratar, emitir opiniões raivosas sobre absurdos que acontecem, escrever verdades contundentes nas redes sociais sobre situações lamentáveis que ocorrem no nosso mundo. Sim, isto ocorrerá muitas vezes: você deparará com injustiças, maldades, abusos, opiniões inacreditáveis, ações que nos revoltam. Sim, você sentirá frequentemente vontade de soltar os cachorros em forma de palavras. Não estou dizendo que isso pode acontecer, estou afirmando que isso vai acontecer. E, quando acontecer, eis a síntese do que eu gostaria de que você se lembrasse: 

Todo homem, pois, seja tardio para falar, tardio para se irar, porque a ira do homem não produz a justiça de Deus. Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, e sim unicamente a que for boa para edificação. Chorai com os que choram e não vos vingueis a vós mesmos, mas dai lugar à ira, porque Deus é que retribuirá. 

tardio para falar 5Valorize o silêncio. Valorize o pouco falar. Valorize a passagem do tempo sobre a sua ira. Valorize o consolar mais do que o se posicionar. Quando você vir a maldade humana em ação, dedique-se mais à oração e ao perdão do que a soltar o verbo. Ponha isso em prática e você verá Deus agir, no tempo dele e da forma dele, honrando os que fazem o bem e disciplinando os que fazem o mal, para que esses se arrependam e se convertam de seus maus caminhos. E, assim, o nome do Senhor será glorificado, ao ver seus filhos agirem não segundo as inclinações da carne, mas segundo as belas e eficazes verdades do evangelho. E não se esqueça de que o próprio Deus “foi oprimido e humilhado, mas não abriu a boca; como cordeiro foi levado ao matadouro; e, como ovelha muda perante os seus tosquiadores, ele não abriu a boca” (Is 53.7). Cristo deu o exemplo. Sigamos o Mestre.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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ouvido 1Quanto mais eu vivo, mais percebo quão dependentes somos de Deus. Vez após vez acontece algo que me mostra minha total impotência diante de certas circunstâncias da vida. Em alguns momentos, simplesmente não há nada que eu possa fazer para resolver o problema que pula em minha frente. Nada. Passei por uma experiência recentemente que me mostrou minha dependência e impotência com muita clareza. Eu já viajei de avião muitas e muitas vezes, confesso que já perdi a conta de quantas. Foram voos e mais voos, por conta de trabalho ou por viagens de turismo. Mas há algum tempo ocorreu algo inusitado. Eu estava bastante gripado. A garganta, inflamada. Muita secreção. Eu retornava de Brasília para o Rio de Janeiro e tudo transcorria dentro do previsto e com normalidade. Até que chegou a hora de o avião começar a descer para pousar. Subitamente, senti como se algo entupisse meus ouvidos. Era uma sensação muito estranha. De repente, veio a dor. Era aguda e muito forte, nos dois ouvidos, parecia que alguém tinha inserido balões neles e os estava inflando. Era muita, muita dor.

Eu não sabia o que fazer. Tentei bocejar, engolir saliva, usei todos os truques que conhecia para “desentupir ouvidos”. Nada adiantou. Depois vim a saber, em uma consulta com a otorrino, que a diferença de pressão faz a secreção se deslocar para os canais auriculares e, a fim de proteger os tímpanos de lesões, o organismo faz um algo qualquer que provoca aquela dor. O ponto é que naqueles longos quinze a vinte minutos de descida até a aterrissagem eu tive de suportar uma dor aguda e para a qual não havia nada que eu pudesse fazer. Tudo que me restava era me conformar e aguentar até o pouso.

Olha… não foi fácil. Mas a verdade é que esperar e suportar era minha única possibilidade.

Na vida, muitas vezes aguentar o sofrimento é a única coisa que podemos fazer, à espera de algo que dará fim à nossa dor. Dobramos os joelhos, oramos, pedimos, clamamos, nos esgoelamos… mas parece que Deus tirou um cochilo e não está muito aí para nós. Nos resta uma sensação de solidão, impotência e, por vezes, desespero. O que fazer? Para onde correr? A quem recorrer?

Doctor examining a boy's earNessas horas, lembre-se de que, em tudo na vida, “O meu socorro vem do SENHOR, que fez o céu e a terra. Ele não permitirá que os teus pés vacilem; não dormitará aquele que te guarda. É certo que não dormita, nem dorme o guarda de Israel. O SENHOR é quem te guarda; o SENHOR é a tua sombra à tua direita. De dia não te molestará o sol, nem de noite, a lua. O SENHOR te guardará de todo mal; guardará a tua alma. O SENHOR guardará a tua saída e a tua entrada, desde agora e para sempre” (Sl 121.2-8). Do Senhor vem o socorro, meu irmão, minha irmã. E ele não dormita, nem dorme. Em constante vigília, nosso Deus não tira os olhos de nós, jamais: “os teus olhos estão abertos sobre todos os caminhos dos filhos dos homens” (Jr 32.19).

Saiba disto: Deus nunca esta alheio à sua dor. Nunca. Ele sempre sabe quando você está passando por tristezas, angústias, depressão, sofrimento. O que ocorre é que, muitas vezes, ele está tratando de algo em sua vida e, enquanto dura o tratamento, ele observa você; atento, protetor, paternal e amoroso. Em silêncio, sim, mas jamais distante ou de costas para o que você enfrenta.

Muitas pessoas infelizmente acreditam que Deus em absolutamente nenhuma circunstância permitiria o sofrimento de quem ama. Mas se esquecem – ou talvez não conheçam – os inúmeros exemplos bíblicos de casos em que Deus permitiu que os seus passassem pela dor. Isso ocorreu, inclusive, no caso de Jesus, a quem “Todavia, ao SENHOR agradou moê-lo, fazendo-o enfermar; quando der ele a sua alma como oferta pelo pecado, verá a sua posteridade e prolongará os seus dias; e a vontade do SENHOR prosperará nas suas mãos. Ele verá o fruto do penoso trabalho de sua alma e ficará satisfeito; o meu Servo, o Justo, com o seu conhecimento, justificará a muitos, porque as iniquidades deles levará sobre si” (Is 53.10-11).

crossSim, aprouve ao Pai moer o Filho, pois sabia que era preciso o sofrimento do Justo para justificar a muitos. Ao Cordeiro de Deus só restava esperar. Suportar. E como ovelha muda perante seus tosquiadores, ele não abriu a boca, somente abaixou a cabeça e esperou. Entregou-se ao sofrimento: às ofensas, injúrias e calúnias; ao esbofeteamento, aos açoites e aos escarros; à coroa de espinhos e aos cravos; à lança transpassando seu lado e à sensação de abandono. Doeu. E muito. Jesus sofreu. E teve de simplesmente suportar e esperar, até que chegou o momento da gloriosa ressurreição.

Depois que o avião pousou, ainda demorou um bom tempo, mas, enfim, a dor passou. A sensação de entupimento nos ouvidos prosseguiu por algumas horas, mas, por fim, cedeu. Não tive o que fazer. Suportar a dor foi só o que me restou. Pode ser que você esteja em meio a uma angústia que parece não ter fim. Enquanto você está em pleno processo de dor, dê graças a Deus, com paciência e resignação, sabendo que os olhos do Senhor estão cravados em você, à espera do momento preciso em que ele dirá: “Agora basta. Chega. Você está livre”. 

Confie. Esperar em Deus sempre vale a pena. Nunca é um desperdício. Nunca é inútil. Pois, se esperamos com paciência no Senhor, estamos simplesmente exercendo aquilo que ele mais espera de nós: fé.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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Locus1Gosto muito de ler as passagens dos evangelhos que falam sobre quando Jesus buscava afastar-se da multidão, distanciar-se do vozerio, abrir espaço para os pensamentos e se isolar. Ele seguia, então, para algum monte, um jardim, um local afastado, calmo, de paz. É senso comum que ele ia a esses lugares para poder orar com mais tranquilidade. Gosto de pensar que havia outras razões para o Cristo buscar o isolamento e esses locais bucólicos: o silêncio. A quietude. A solitude. Nesses lugares especiais, ele conseguia, imagino eu, se desligar de tudo ao seu redor, ouvir o sussurro de sua alma, o pulsar de seu coração, o suave cicio de suas vozes mais interiores. Creio que ali ele se recompunha, reduzia o ritmo da respiração, buscava na poesia do silêncio a clareza de pensamentos, a sinceridade de sentimentos e a absoluta honestidade do seu coração. Esses lugares aonde Jesus ia têm um nome: locus amoenus.

Esse termo vem do latim e significa “lugar ameno”. Em resumo, é um elemento da literatura bucólica – ou poesia pastoral – o tipo de texto que exalta a vida campestre e a natureza. É bem característica de um estilo literário chamado arcadismo. Faz parte do grupo de conceitos que incluLocus2em, por exemplo, o fugere urbem (a proposta de fuga da vida urbana) e o carpe diem (algo como “faça este dia valer a pena”). O locus amoenus seria, assim, uma proposta de escape da vida burguesa pragmática e estereotipada, repleta de valores rasos, superficiais e que têm a ver mais com a subsistência e a rotina maçante da penosa existência cotidiana do que com uma vida plena de significado, mais simples, poética e bela. Representa a satisfação pela felicidade e é uma grande metáfora de um estado de espírito onde reside o amor, a paz, a quietude.

O locus amoenus é a representação exterior daquilo que almejam cultivar no interior de sua alma as pessoas que buscam dar um passo além da frieza da vida rotineira e pasteurizada. É uma grande metáfora da alma.

Locus3Gosto do silêncio. Talvez pelo fato de meus pensamentos constantemente gritarem muito alto (à minha revelia) e viajarem de forma incontrolável a milhares de quilômetros por segundo, valorizo demais os momentos de solitude, paz e reflexão. É a hora de suspirar fundo e ouvir a doce sinfonia do nada. É como deitar numa rede em uma noite escura, fitar a vastidão do espaço e ficar olhando dentro dos lindos e profundos olhos negros do infinito. E cada vez mais tenho valorizado esse estado de espírito, intimamente relacionado a lugares especiais. Tenho o meu locus amoenus, um lugar onde você se senta em uma rocha, ouve o mar acariciar as pedras, vê o sol se pôr num degradê entre o lilás e o carmesim e procura deixar o vento ser a única voz a sussurrar no seu ouvido.

Aliás, a única não.

O locus amoenus abre em si a possibilidade de ouvirmos com mais clareza a voz de Deus. Nos calamos para os pragmatismos e as inutilidades tão marketeadas da existência e, assim, conseguimos ouvir o calmo som da estrondosa voz divina no espaço vazio que se forma em nossa mente, nosso coração, nossos sentidos. A verdade é que tenho descoberto Deus cada vez mais no silêncio.

Sabe aqueles dias em que parece que você precisa gritar? Pôr pra fora multidões de sentimentos reprimidos, frases não ditas, palavras arquivadas em algum canto do seu superego, lágrimas que precisa derramar ou morre? Em que parece que ou você grita ou explode? Pois, diante de certas impossibilidades, o locus amoenus pode ser uma câmera de descompressão perfeita. Se você não tem um lugar como esse, minha recomendação é que – para o bem da tua alma – descubra um. Para onde, assim como o Mestre, você possa se retirar, silenciar, refletir e… sentir.

“Compeliu Jesus os seus discípulos a embarcar e passar adiante para o outro lado, a Betsaida, enquanto ele despedia a multidão. E, tendo-os despedido, subiu ao monte para orar. Ao cair da tarde, estava o barco no meio do mar, e ele, sozinho em terra” (Mc 6.44-47). Jesus deixa todos. Sobe o monte, sozinho. E traz consigo a placidez da solitude à praia – sozinho.

Locus4A passagem que mais me mostra o quanto Jesus valorizava o locus amoenus é Marcos 14.32-36:
“Então, foram a um lugar chamado Getsêmani; ali chegados, disse Jesus a seus discípulos: Assentai-vos aqui, enquanto eu vou orar. E, levando consigo a Pedro, Tiago e João, começou a sentir-se tomado de pavor e de angústia. E lhes disse: A minha alma está profundamente triste até à morte; ficai aqui e vigiai. E, adiantando-se um pouco, prostrou-se em terra; e orava para que, se possível, lhe fosse poupada aquela hora. E dizia: Aba, Pai, tudo te é possível; passa de mim este cálice; contudo, não seja o que eu quero, e sim o que tu queres.”

Repare: Jesus padecia de pavor e angústia e sua alma estava profundamente triste até à morte. Ele estava confuso, abalado, sem perspectivas, sem direção. Em sua mente, um peso de pensamentos e incertezas. Em sua alma, dor. Em seu coração, um vazio. Mas, em seu espírito, esperança. E foi no locus amoenus que ele buscou a paz.

Tenha um locus amoenus só para você ou para compartilhar com alguém que seja importante em sua vida. Nas horas de maior angústia e aflição, vá até lá. Sente-se. Acalme-se. Sinta a brisa. Deleite os olhos. Ore. Deixe morrer o pavor, a angústia. Recupere o prumo. E tenha em mente algo muito importante: o locus amoenus não precisa ser, necessariamente, um lugar. Na verdade, creio que o melhor locus amoenus de todos é, isso sim… uma pessoa. Aquela em cujos braços você se aconchegará, fechará os olhos, dará um suspiro e, enfim, encontrará a paz: Jesus de Nazaré.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício