Posts com Tag ‘Sofrimento’

Este é o post número 500 do blog APENAS. Já são quase 6 anos escrevendo reflexões sobre os mais variados aspectos da vida cristã. Foram quase 2.100 dias cheios de altos e baixos, textos escritos em meio à dor ou à alegria, com o único objetivo de contribuir de algum modo para a edificação dos meus irmãos e de minhas irmãs e para a glória do Criador. Sinceramente, quando penso nesse número mal consigo acreditar. Ao olhar para essa jornada, me vêm à mente alguns pensamentos, que gostaria de compartilhar com você.

1) Penso na graça de Deus. Muitas vezes li, ao longo desses quase 6 anos, muitos comentários de assinantes do blog agradecendo, elogiando e relatando como foram abençoados por textos compartilhados aqui. Sempre que leio um depoimento como esse, acredite, me pergunto “como é possível?”. Sou uma pessoa absolutamente comum, cheia de pecados, com angústias e dúvidas, altos e baixos, sem nenhum pingo de santidade a mais que qualquer outra, que apenas se esforça. E, ainda assim, aprouve ao Senhor usar este vaso de barro bem rachadinho e esfarelento para levar o tesouro da sua Palavra às pessoas que acessaram mais de 3,4 milhões de vezes o APENAS. Não é, de modo algum, falsa modéstia, é uma percepção realista: isso só foi possível pela graça de Deus. Sim, reflexões de um cidadão tão pecador como eu abençoarem a sua vida é uma prova gigantesca de que a graça de Deus age como quer, onde quer, por meio de quem quer. Graça.

2) Penso em como somos seres capazes de mudar. Em 2011, quando criei este blog, eu era um cristão irado, um caçador de hereges, que escrevia textos raivosos e verborrágicos “em nome de Jesus” e achava que com isso estava contribuindo com o reino de Deus. Depois de um processo muito doloroso em minha vida pessoal, parei, pensei, orei e percebi como eu estava errado. Decidi reler os evangelhos com atenção especial para o que Jesus disse, como disse e com que finalidade disse. Dessa percepção, morreu o escritor que discutia com fúria e termos rebuscados acerca de institucionalismos e nasceu o escritor disposto a escrever numa linguagem que todos entendessem e dedicado a falar ao coração humano. Deixei de lado debates intermináveis sobre temas intermináveis e periféricos da teologia e passei a escrever sobre temas centrais da fé, como perdão, sofrimento, fé, amor, graça. Desisti de ser um cruzado vingativo e decidi ser um pacificador que devolve o mal com o bem. Transformação.

3) Penso na possibilidade de corrigir erros do passado. Quando passei por esse processo doloroso, fiquei alguns meses sem escrever, refletindo, me reinventando. Decidi reler textos do início do blog. Apaguei cerca de vinte deles, por não concordar mais com o que eles diziam. Em geral, por serem textos agressivos, ofensivos, irados. Eu não queria mais ser assim. Queria ser como Cristo, manso e humilde de coração. E isso exigia arrependimento e consertos. Assim como Zaqueu, tentei corrigir o passado. O jeito que enxerguei foi deletando aquilo em que eu não mais acreditava. Descobri que o pensamento “eu sou desse jeito mesmo e é assim que Deus vai me usar” não é bíblico, pois todos podem corrigir os erros, trabalhar o temperamento, voltar atrás e buscar consertar os estragos que provocaram. Arrependimento.

4) Penso que não custa caro amar o próximo. Este blog nunca teve um anúncio pago sequer, nunca me rendeu nenhum centavo. Não o criei como fonte de renda, minha motivação sempre foi e continua sendo edificar vidas, para a glória de Deus. Descobri que não ter nenhum tostão no bolso não é desculpa para deixar de fazer algo pelos outros. Não tenho riquezas, quase não tenho economias, mas, por meio de uma ferramenta gratuita de criação de blogs, oferto a meus irmãos e irmãs toda semana aquilo que Deus quis me dar: pensamentos, conhecimento bíblico, caminhos percebidos para as dores da vida. Também nunca pedi para ninguém curtir minhas postagens, comentar, compartilhar, nada que fosse um estímulo induzido a arrebanhar seguidores ou assinantes: divulga o blog quem deseja, convida amigos para assinar quem é tocado no coração. Divulgação espontânea, de quem Deus leva a fazer isso. Zero centavo em propaganda. Amor ao próximo.

5) Vi que o fracasso faz parte da jornada. Fiz algumas tentativas no APENAS que não foram bem-sucedidas. Gravei Mateus e Marcos em áudio, mas foram tão poucos acessos que tirei as gravações do ar. Tentei fazer sorteios, com poucos interessados. Escrevi sobre questões a que pouca gente deu ouvidos. Gastei horas da vida escrevendo reflexões que não tiveram muita consequência. Fui atacado ferozmente por pessoas que leram algo de que discordavam e, por isso, me chamaram de nomes que não me atrevo a reproduzir. Descobri com isso que, mesmo que o que você não faça duas ou três coisas que acertem o alvo, deve continuar tentando, pois os acertos sempre vão compensar os fracassos. Perseverança.

6) Descobri que o poder da Palavra é realmente extraordinário e, uma vez que você proclama o evangelho genuíno, puro e simples, sem segundas intenções, ele terá consequências que independem de você e dos seus esforços. Por vezes, escrevi textos que me pareceram simples demais ou até meio bobinhos e, para minha surpresa, diversos assinantes disseram ter sido muito tocados por ele. Outras vezes, escrevi algo que gente de outros continentes leu e disse ter sido abençoado. Marcou-me em especial uma irmã que me procurou em um evento para dizer que havia desistido de se suicidar ao entrar na internet para descobrir a melhor forma de tirar a própria vida e acabou mudando de ideia ao ler um texto que escrevi. Tudo isso, tenha a absoluta certeza, não é de modo algum mérito meu: é mérito do poder sobrenatural da Escritura. Palavra.

Eu poderia continuar relatando mais e mais coisas que aprendi em minha jornada com o APENAS, mas vou terminar por aqui, pois algo que também descobri é que as pessoas em geral não gostam de ler textos longos na Internet. Curiosamente, isso fez de mim um autor de livros. Pois foi ao produzir escritos que não caberiam neste espaço, fruto de pesquisas aprofundadas na Escritura, que acabei escrevendo livros como Perdão totalO fim do sofrimentoConfiança inabalável, Na jornada com Cristo e outras obras. Em maio chega às livrarias meu nono livro publicado, Perdão total no casamento. E, enquanto Deus me iluminar para eu escrever o que é grande demais para o APENAS, continuarei dando à luz textos que poderão vir a se tornar livros.

Obrigado por sua leitura. Obrigado por sua companhia. Obrigado por me permitir o privilégio de contribuir para sua jornada com Cristo. Agradeço, em especial, a você que está entre os mais de 3,4 mil assinantes, que optaram por se cadastrar para receber as postagens por e-mail e, assim, se tornaram companheiros fieis na estrada da vida cristã. Ter a sua companhia nesta jornada é o que me incentiva a continuar escrevendo, por saber que as reflexões que brotam em minha mente e em meu coração não se perderão no vento, mas encontrarão pouso na sua alma. Oro constantemente por cada um dos assinantes do APENAS. Que Deus os abençoe, guarde, ilumine e conduza, sob sua poderosa e amorosa mão. E aguardo, com expectativa, o dia em que conhecerei face a face todos vocês, quando, juntos, viveremos naquele lugar em que não haverá choro, nem sofrimento, nem dor. Apenas o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Apenas eternidade. Apenas alegria. Apenas amor. Apenas paz. Apenas.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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esperança1“Quero trazer à memória o que me pode dar esperança” (Lm 3.21) é o bem conhecido desabafo de Jeremias, escrito pelo profeta em meio à angústia de ver sua pátria e seu povo assolados pela Babilônia. Essa simples frase, que tornou-se muito popular na Igreja brasileira nos últimos anos, aponta um caminho excelente de consolo e paz, que podemos trilhar nas horas de maior tribulação da vida: nos lembrarmos das bênçãos que Deus já nos deu, como forma de reunir forças em meio ao sofrimento. Eu gostaria, porém, de propor um olhar diferente sobre esse versículo, que acredito oferecer um refrigério ainda maior do que essa percepção.

Diga-me, por favor, se estou errado: geralmente, quando lemos a frase de Jeremias, o que pensamos é que ela nos convida a recordar das coisas boas que Deus fez no passado por nós. Assim, “o que me pode dar esperança” seria uma referência às bênçãos que recebemos em outras épocas da vida – livramentos, promessas cumpridas, alegrias que experimentamos em fases anteriores ao período de sofrimento. Estou certo? Quando você está atravessando uma fase dura da sua caminhada, ao ler este trecho da Palavra automaticamente busca fortalecimento ao recordar de ações que Deus realizou em prol da sua vida.

Bem, primeiro deixe-me dizer que isso não é errado. Lembrar-se daquilo que o Senhor fez de bom por você é, sim, muito reconfortante. Mostra o amor e a compaixão do Altíssimo em ação. Recordar-se de atos de misericórdia e bondade da mão de Deus em sua vida é, sim, motivo de louvor, gratidão, esperança. Saber que o Onipotente exerceu graça para com você é razão para glorificá-lo eternamente e trazer à memória que ele age em favor de seus filhos. No entanto, eu prefiro uma outra percepção desse versículo.

Explico: se formos ser biblicamente realistas, veremos que o fato de Deus nos ter abençoado de determinada maneira no passado não oferece absolutamente nenhuma garantia de que ele nos abençoará da mesma forma no presente ou no futuro. Assim, se formos trazer à memória bênçãos passadas de Deus no intuito de ter esperança de novas bênçãos, poderemos nos frustrar – uma vez que não há garantias bíblicas de que o Senhor sempre concede as mesmas bênçãos a todos, dia após dia.

Por exemplo, o fato de Jesus ter ressuscitado Lázaro uma vez não quer dizer que ele o ressuscitaria repetidamente – tanto que o amigo de Cristo veio a falecer tempos depois. Ou, ainda, o fato de Paulo ter sido poupado da morte certa em diversas ocasiões não evitou que ele, enfim, fosse decapitado. Sansão ter sido salvo dos filisteus algumas vezes não significa que um dia ele não viria a ser derrotado por seus inimigos. São muitos os exemplos das Escrituras que nos mostram que o fato de Deus ter agido de determinada maneira na vida de alguém não implica que ele voltaria a agir do mesmo modo. Portanto, se essas pessoas depositassem sua esperança no fato de o Pai ter anteriormente realizado algo específico por elas, a frustração seria certa.

esperança2Você poderia me perguntar: “Bem, Zágari, se as bênçãos do passado não são o que devemos trazer à memória para ter esperança… o que, então, devemos trazer?” Minha sugestão: traga à memória quem Deus é. Isso sim nos dá total esperança.

As decisões do Senhor podem mudar. Ele ter me curado ontem não quer dizer que me curará hoje. Ele ter me dado um emprego ontem não significa que me dará um igual hoje. Eu ter ganho um carro de presente ontem não é garantia de que não precisarei andar de bicicleta hoje. A vida mostra isso com muita clareza. As bênçãos do Senhor mudam a cada momento, cada período da vida implica diferentes tipos de dádivas. Não existem garantias de que a ação do Pai ontem será a mesma hoje. Mas, por outro lado, a Bíblia garante que Deus não muda. Que “Jesus Cristo, ontem e hoje, é o mesmo e o será para sempre” (Hb 13.8). Assim, não há nenhuma garantia nas Escrituras de que bênçãos concedidas no passado voltarão a ser concedidas, mas há uma garantia inquestionável de que o Deus que agiu no passado é o mesmo Deus que age hoje.

Se continuarmos a ler a passagem de Lamentações 3.21, veremos que a pessoa de Deus e suas características, inclusive, são o foco de Jeremias nesse contexto. Repare: “Quero trazer à memória o que me pode dar esperança. As misericórdias do SENHOR são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim; renovam-se cada manhã. Grande é a tua fidelidade. A minha porção é o SENHOR, diz a minha alma; portanto, esperarei nele. Bom é o SENHOR para os que esperam por ele, para a alma que o busca” (Lm 3.21-26). O que o profeta destaca aqui é quem Deus é: alguém infinitamente misericordioso, fiel e bom.

esperança3Meu irmão, minha irmã, você está atravessando um período de sofrimento, dificuldade, falta de paz, angústia? A assolação veio sobre a sua vida, assim como ocorreu com Jeremias? Então traga à memória o que te pode dar esperança: não o que Deus já fez, mas quem Deus é. Traga à memória que ele é soberano, amoroso, gracioso, misericordioso, sustentador, alegre, pacífico, pacificador, perdoador, restaurador, salvador, fortalecedor, carinhoso, amigo, Pai. É a percepção sobre quem o Senhor é que deve lhe dar esperança de que ele agirá segundo sua natureza eterna, dando pão e não pedra, perdoando e não esmagando, reconstruindo e não destruindo, concedendo vida e não morte. Deus é Deus ontem e hoje; Deus é seu Pai ontem e hoje, Deus é vida, ontem é hoje. Deus é amor, ontem e sempre.

Deus é Deus. Traga isso diariamente à memória… e nunca lhe faltará esperança.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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misericordiaSinto muita dor nas costas. Sofro de fibromialgia há vinte anos e já se tornou previsível que, a cada manhã, quando eu abrir os olhos, terá início um ritual doloroso. Depois de algumas horas parados, meus músculos estarão completamente rígidos e extremamente doloridos, o que fará com que cada pequeno movimento do corpo seja uma ação difícil, lenta e doída. Começo a me mexer aos poucos e tento me revirar para os lados até me sentar na cama. Curvado. Em câmera lenta. Eu me levanto e faço alguns alongamentos, como a tentativa utópica de tocar com as mãos a ponta dos pés. Giro o tronco para os lados, me estico para onde der e me arrasto até o banheiro, para as abluções matinais. Depois de um tempo me movimentando, a rigidez e a dor diminuirão e poderei me dedicar às atividades do dia. Ao final da jornada diária, me deitarei na cama, já sabendo que no dia seguinte tudo será igual. É previsível. Tem sido assim há vinte anos. É garantido que as minhas dores virão no dia seguinte, pois elas não têm fim;
renovam-se cada manhã. 

Certas realidades da vida são absolutamente previsíveis. Realidades que não têm fim; renovam-se cada manhã. São aquelas coisas que, como a minha dor nas costas, inevitavelmente acontecerão. É como o sol nascer: você sabe que será exatamente daquele mesmíssimo jeito. São fatos e situações que não têm fim; renovam-se cada manhã. E isso, embora minha persistente fibromialgia possa fazer parecer que não, é, muitas vezes, algo alentador. Especialmente para as pessoas que carregam um peso enorme de culpa nas costas, para as que acreditam que não há perdão para erros que tenham cometido.  

Dor-nas-Costas 2Se você sente-se esmagado pelo peso dos seus erros, é importante que conheça uma realidade bíblica extraordinária em relação a isso: “Quero trazer à memória o que me pode dar esperança. As misericórdias do SENHOR são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim; renovam-se cada manhã” (Lm 3.21-23). O que podia dar esperança ao salmista? A lembrança de que as misericórdias do fiel Senhor não têm fim e renovam-se a cada manhã. E essa mesma lembrança, se trazida à memória, é capaz de trazer a cada um de nós paz, alívio, esperança, alegria. Perceba o que a Bíblia está dizendo: que há misericórdia de Deus para você hoje, houve ontem, haverá amanhã. A manifestação da misericórdia de Deus não é um evento pontual, é uma constante. Não é um lago estático, é um rio contínuo. Flui sempre. Para sempre. Nunca terá  fim. É um recurso renovável. Renovável e não escasso: Muitas, SENHOR, são as tuas misericórdias” (Sl 119.156). 

Naturalmente, isso não pode ser confundido com permissividade. Não é pelo fato de Deus ter misericórdias renováveis e abundantes que podemos viver errando desbragadamente e sem arrependimento. Mas o cristão sincero, que amarga viver constantemente sua pecaminosidade, encontra alento num fato extraordinário: “Rejeita o Senhor para sempre? Acaso, não torna a ser propício? Cessou perpetuamente a sua graça? Caducou a sua promessa para todas as gerações? Esqueceu-se Deus de ser benigno? Ou, na sua ira, terá ele reprimido as suas misericórdias?” (Sl 77.7-9). A resposta a cada uma dessas perguntas retóricas é um estrondoso não. E aqueles que têm intimidade com o Espírito Santo sabem que “Benigno e misericordioso é o SENHOR, tardio em irar-se e de grande clemência. O SENHOR é bom para todos, e as suas ternas misericórdias permeiam todas as suas obras” (Sl 145.8-9).

Dor-nas-Costas 3Se você pensa que Deus o rejeitou em razão de seus muitos pecados, lembre-se sempre de que “O Senhor não rejeitará para sempre; pois, ainda que entristeça a alguém, usará de compaixão segundo a grandeza das suas misericórdias; porque não aflige, nem entristece de bom grado os filhos dos homens” (Lm 3.31-33). Portanto, clame a ele do meio do seu pecado: “Responde-me, SENHOR, pois compassiva é a tua graça; volta-te para mim segundo a riqueza das tuas misericórdias” (Sl 69.16). E, ao orar, use de total sinceridade. Reconheça seus erros e confesse-os sem esconder nada: “Lembra-te, SENHOR, das tuas misericórdias e das tuas bondades, que são desde a eternidade. Não te lembres dos meus pecados da mocidade, nem das minhas transgressões. Lembra-te de mim, segundo a tua misericórdia, por causa da tua bondade, ó SENHOR. Bom e reto é o SENHOR, por isso, aponta o caminho aos pecadores” (Sl 25.6-8).

Quando o profeta Natã foi ter com Davi, depois de haver ele possuído Bate-Seba, o rei pecador clamou: “Compadece-te de mim, ó Deus, segundo a tua benignidade; e, segundo a multidão das tuas misericórdias, apaga as minhas transgressões. Lava-me completamente da minha iniquidade e purifica-me do meu pecado” (Sl 51.1-2). Do mesmo modo, se formos flagrados por nossa consciência em quaisquer que sejam os pecados, devemos orar: “Não retenhas de mim, SENHOR, as tuas misericórdias; guardem-me sempre a tua graça e a tua verdade. Não têm conta os males que me cercam; as minhas iniquidades me alcançaram, tantas, que me impedem a vista; são mais numerosas que os cabelos de minha cabeça, e o coração me desfalece” (Sl 40.11-12).

O que Deus espera de você, em se constatando o pecado? Sinceridade no reconhecimento da transgressão, confissão e mudança de rumo. O arrependimento virá pelo convencimento do Espírito. Pecou? Então reconheça, assim como fez Jacó: “sou indigno de todas as misericórdias e de toda a fidelidade que tens usado para com teu servo” (Gn 32.9-10). Entenda que todos somos indignos das misericórdias de Deus. Nenhum de nós é merecedor delas. Mas misericórdia não depende de ser digno ou merecedor, depende de graça. Depende da fidelidade do Senhor e não da nossa infidelidade. 

Dor-nas-Costas 4Por isso, lembre-se de que você encontrará sempre um lar em Deus. Seus braços abertos são como as suas misericórdias: sempre estendidos a nós. E, ao encontrar abrigo nelas, você poderá exultar, assim como fez o salmista: “Cantarei para sempre as tuas misericórdias, ó SENHOR; os meus lábios proclamarão a todas as gerações a tua fidelidade” (Sl 89.1). Pode ser que um dia a medicina descubra a cura para a fibromialgia, o que fará com que minhas previsíveis dores nas costas matinais cessem totalmente. Já as misericórdias do Senhor… essas nunca terão fim. 

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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sofrimento 1Não deveria ser assim. Mas a realidade é que existem milhares de cristãos que se sentem sozinhos, sofrem calados, vivem achatados pelo peso da angústia sem ter quem os ajude a solucionar seus dramas, sem ter nem ao menos com quem desabafar sobre seus sofrimentos e dores. Fico muito triste ao ver a enorme quantidade de irmãos e irmãs em Cristo que me procuram pelo APENAS, pelas redes sociais ou nos eventos em que prego e palestro em busca de orientações para suas angústias silenciosas e solitárias. Na maioria das vezes, o que detecto é que muitos só queriam mesmo era pôr para fora. Desabafar. Não têm com quem chorar, esmagados por suas dores e duplamente esmagados por não ter com quem falar sobre elas. Sofrem calados, devorados por dentro. O único ombro amigo que têm é o de Jesus, pois os servos de Jesus não estão dando conta do recado. 

Não são poucos, acredite. Tenho visto uma enorme quantidade de irmãos e irmãs que ostentam sorrisos de aparência e se mantêm heroicamente calados na frente das demais pessoas, mas que, na verdade, tudo o que queriam era gritar, chorar e pedir pelo amor de Deus que alguém os ajude, aconselhe ou, pelo menos, os escute e chore com eles. Mas… ninguém parece se importar de fato. Esses sofredores respondem a cada “Tudo bem?” com um sofrido “Tudo bem, graças a Deus”, por perceber que a pergunta foi, na verdade, uma saudação educada e não uma indagação sincera sobre o estado de sua alma. E, assim, seguem sofrendo, calados, angustiados e solitários, na esperança de um milagre que parece nunca chegar. 

sofrimento 2Maridos desonrados e desrespeitados, irmãs abusadas e carentes, adolescentes rejeitados, cônjuges infelizes, cristãos  deprimidos… os sofredores solitários não encontram limites de sexo, idade, ministério ou o que for. Alguns não encontram com quem se abrir porque todos esperam que eles sejam super-heróis espirituais, imunes a problemas. Outros, porque ninguém demonstra um interesse real por sua vida. Há, ainda, os que até buscam com quem conversar, mas tudo o que encontram é um anticristão “vamos orar” que não ajuda em nada. Pessoas feridas, aprisionadas pela agonia de sua solidão, escravas do desinteresse alheio. “Alegrai-vos com os que se alegram e chorai com os que choram” (Rm 12.5) são, para elas, apenas palavras vazias, pois não encontram aplicação prática na sua vida. Afinal, ninguém dá um passo à frente para chorar com elas. 

De quem é a culpa por esse problema epidêmico dentro das igrejas? Minha e sua.

sofrimento 3Eu e você somos os culpados pela dor dessas pessoas. O marido que é obrigado a conviver com uma esposa arrogante, agressiva, briguenta e desrespeitosa, por exemplo, não tem muito o que fazer, pois nenhuma esposa sem sabedoria muda por pressão do marido. Mas a Igreja de Cristo poderia agir na vida dele, dando amparo, amor, conselhos, ombro e a consequente orientação para essa esposa rixosa, a fim de que ela enxergue seus erros e mude de fato. Porém, como existe a filosofia de que “em briga de marido e mulher não se mete a colher”, ninguém quer se envolver, intervir, aconselhar, orientar. Nós optamos por permanecer omissos. Muitas vezes, tudo de que aquela esposa briguenta e mandona precisava era de alguém de fora que lhe dissesse que, sim, ela está errada, e apontasse caminhos, como a Bíblia orienta: “Exortai-vos mutuamente cada dia, durante o tempo que se chama Hoje, a fim de que nenhum de vós seja endurecido pelo engano do pecado” (Hb 3.13). O mesmo vale para maridos que não lutam pelo bem-estar do lar, claro. 

Pastores e líderes, então, muitas vezes são pessoas extremamente solitárias, que sofrem caladas com preocupante frequência. Como a igreja espera que sejam quase homens de gelo, sem emoções ou problemas, donos de uma fé acima de toda humanidade, eles acabam se isolando na solidão de seu cargo, vivendo em santa hipocrisia imposta, porque nós, membros sem coração de suas igrejas, não admitimos que pastores tenham dúvidas, dores ou angústias, que sejam gente como a gente. Culpa nossa. E, por isso, eles seguem, sofrendo em seu ministério, muitos em processo de depressão, com problemas no casamento, com agonias causadas pela pressão do pastoreio, com milhões de preocupações… mas sem encontrar apoio em ninguém. 

Vemos pessoas que saem do culto sozinhas e caminham a passos tristes e arrastados para a solidão de sua casa, sem nos importarmos com elas, enquanto saímos sorridentes com a nossa patota de sempre para comer uma animada pizza pós-culto. Afinal, já que estamos satisfeitos e acomodados com nossa vidinha cristã que não estende a mão a ninguém, para que nos dedicarmos aos outros, não é mesmo? Deixa como está. Por que abrir mão de nosso precioso tempo para ofertá-lo aos sofridos? E assim seguimos, sem viver de fato o que Jesus espera de sua igreja. E, apesar de ler este texto e sentir certo incômodo no coração, você continuará agindo exatamente do mesmo modo, sem nenhuma real mudança. Ou não?

sofrimento 4Muitos desses sofredores solitários até se inscrevem em departamentos da igreja, na esperança de viver um pouco do calor humano que, supõem, deveria haver entre os irmãos, mas só encontram um interesse pouço real por sua vida, aquela coisa meio obrigatória, afinal, “ele faz parte do grupo e a gente tem de dar atenção a ele”. Se um dia ele se desligar do grupo, porém, perceberá que o interesse por sua vida era meramente institucional e não verdadeiro. Ninguém mais o procura, o chama para sair, liga para saber como ele está. E assim seguimos, cercados por legiões de cristãos sofredores, que se calam pelas mais variadas razões e vivem suas angústias com, no máximo, o famigerado “vamos orar”.  Acredite: há muitos desses ao nosso redor, perfumados e maquiados, ostentando sorrisos pré-fabricados no rosto, mas carcomidos emocionalmente. 

Meu irmão, minha irmã, o evangelho é sobre relacionamentos. É sobre se intrometer, sim, na vida do outro, como um médico que intromete seu bisturi na carne do paciente para encontrar debaixo da pele, naquele lugar em que ninguém consegue ver além das aparências, onde está a causa da dor do próximo. E tratá-la. Individualismo não existe no cristianismo, o que existe é coletividade, onde todos sentem a dor de todos. Fora disso não há reino de Deus, não há evangelho, não há Igreja. Sim, a coisa mais importante no cristianismo são os relacionamentos: com Deus, primeiro, e com o próximo. Esse é o maior mandamento, apresentado em outras palavras. 

Ao falar sobre aquele grande dia, que a todos nós espera, Jesus profetizou: “… então, dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai! Entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo. Porque tive fome, e me destes de comer; tive sede, e me destes de beber; era forasteiro, e me hospedastes; estava nu, e me vestistes; enfermo, e me visitastes; preso, e fostes ver-me” (Mt 25.34-36).  Essa passagem fala sobre o quê? Caridade? Não. Fala sobre relacionamentos.

sofrimento 5Fala sobre interferir na vida do próximo, saciando a sede e a fome não só de comida e bebida, mas de amor, preocupação, interesse, calor humano. Há entre nós irmãos e irmãs desesperados e silenciosos, mirrando pela falta do nosso interesse amoroso e genuíno. Muitos estão enfermos de alma, esperando em agonia  por uma visita, uma conversa ou um abraço que ajude a aliviar a dor de seu coração. No culto  a que você vai todo domingo, cruza com irmãos e irmãs que se encontram presos em jaulas de solidão, em presídios de angústia, apenas esperando por alguém que se importe. Também somos cercados por legiões de forasteiros, gente que dorme debaixo das marquises da falta de ter com quem conversar, que pedem socorro em idiomas que parece que ninguém entende, apenas aguardando por um servo bom e fiel que, com preocupação real, os hospede em seu coração e em sua vida.

O que você tem feito pelos famintos, sedentos, enfermos, presos e forasteiros? Nada? Então ouça o que Jesus tem a lhe dizer: “Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos. Porque tive fome, e não me destes de comer; tive sede, e não me destes de beber; sendo forasteiro, não me hospedastes; estando nu, não me vestistes; achando-me enfermo e preso, não fostes ver-me” (Mt 25.41-43). 

Meu sonho é parar de receber desabafos e pedidos de socorro pelo blog e inboxes pelo Facebook de gente que sofre em silêncio. Não aguento mais ver tanta dor, pois a dor deles dói em mim. Quando leio um “me ajude, pelo amor de Deus, não tenho a quem recorrer”, meu coração rasga. Onde estão os seres humanos que convivem com esses meus irmãos e irmãs em Cristo? O fato de cristãos recorrerem a um escritor que mal conhecem e mora a centenas de quilômetros de distância para desabafar, pedir ajuda e tentar compartilhar um pouquinho que seja de sua dor é um sintoma gritante de que a igreja não está sendo Igreja. E à distância é difícil eu fazer qualquer coisa por eles. Onde estão os pastores e os irmãos em Cristo deles? Onde está você?

Este é um texto sobre amor. Amar de verdade significa doar-se. O contrário de amor não é ódio, como muitos pensam, mas egoísmo. Eu fico louco quando ouço um pregador dizer à igreja: “Quem veio aqui esta noite para receber a sua bênção?”. Por quê? Porque culto não foi feito para ser um evento de recebimento de bênçãos. Nós não vamos ao culto a fim de buscar bênção coisíssima nenhuma, vamos para cultuar Deus em conjunto com os irmãos. Em coletividade. Dando as mãos não só fisicamente, mas espiritualmente. Olhando para quem está ao nosso lado e enxergando-o de fato, preocupando-se com ele, imergindo nas angústias dele. A pergunta certa deveria ser “Quem veio aqui esta noite para abençoar os seus irmãos?”. Aí teríamos uma pergunta cristã. 

sofrimento 6Perdoe-me, por favor, o desabafo. Mas o APENAS é, para mim, também um meio de compartilhar o que sofro na minha solidão. E tem me angustiado profundamente o sofrimento solitário de tantos cristãos que recorrem a mim porque dizem não ter mais a quem recorrer. Eu vinha vivendo isso calado, mas hoje resolvi pôr para fora. Você compartilha da minha dor? Você está disposto a chorar comigo? Então, por favor, o melhor meio de fazer isso é sendo parte da solução. Viva a partir de hoje observando os calados, os que choram nos últimos bancos, os que sorriem com a boca mas não com os olhos. Preste atenção aos maridos desrespeitados, às esposas abandonadas, aos adolescentes solitários, aos idosos sofredores, aos líderes deprimidos. Pense naqueles que deixaram o convívio e você nem sabe por quê. Telefone para eles. Oferte-se ao próximo. Mergulhe na vida dessas pessoas. Ouça-as com real interesse e não por obrigação. Intervenha, sim, na vida delas, assim como Jesus interveio na nossa ao meter a colher nas lutas da humanidade e se fazer carne para sanar nosso maior problema. É bíblico. Faça isso, pelo amor de Deus e por amor ao próximo. Os sofredores silenciosos e solitários estão à sua espera. O que você vai fazer a respeito?

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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ansiedadeAnsiedade é, por definição, um “estado emocional penoso, caracterizado pela expectativa de algum perigo que se revela indeterminado e impreciso, e diante do qual o indivíduo se julga indefeso”. Pois bem, eu trabalho em casa, na maioria das vezes dentro do meu quarto, sentado em uma escrivaninha que fica encostada na janela. Nos fundos do meu prédio há um condomínio bastante arborizado, o que é muito bom: eu consigo trabalhar o dia inteiro tendo diante dos olhos o verde das árvores e das plantas (foto), ouvindo os passarinhos e o guincho dos micos. Por isso, fiquei bastante incomodado quando percebi que estavam fazendo uma obra bem em frente à minha janela. Construíram um patamar de cimento, onde jovens começaram a se reunir  todos os dias para conversar, tocar violão, fumar maconha, namorar. Com isso, a paisagem bucólica diante de meus olhos se tornou um ponto de encontro de gente barulhenta.

Confesso que fiquei chateado, porque a tranquilidade a que eu estava habituado de repente desapareceu. Comecei a resmungar, porque, afinal, de agora em diante aqueles jovens passariam a “poluir” o lugar onde antes havia placidez. Reclamei muito da vida por causa disso. Fiquei extremamente ansioso, confesso, pela expectativa do “perigo” de que aquele incômodo estaria ali para sempre – e eu não podia fazer nada para acabar com aquilo.

O que eu não sabia é que, na verdade, o condomínio estava construindo ali um bicicletário e aquele patamar de cimento era apenas a base da instalação, algo provisório. Alguns dias depois, os funcionários puseram uma cerca em volta, que passou a impedir a reunião dos jovens. Tudo resolvido, com isso eles pararam de se reunir ali e o sossego voltou. Refletindo sobre essa situação, me dei conta de que sofri e fiquei ansioso por esperar algo que no final… não aconteceu. Ansiedade clássica: sofri por antecipação sem nenhuma necessidade, o que é algo que acontece muito conosco. Você é uma pessoa ansiosa? Então vamos conversar sobre isso. 

ansi 1Jesus nos alertou: “Portanto, não vos inquieteis com o dia de amanhã, pois o amanhã trará os seus cuidados; basta ao dia o seu próprio mal” (Mt 6.34). Simples, claro e objetivo. O problema é que parece que essa recomendação do Senhor entra por um ouvido e sai por outro, sem de fato fazer morada em nosso coração. Vivemos ansiosos. Antecipamos dores que não chegaremos a sentir. Sofremos o sofrimento que não nos alcançará. Vemos a tempestade no horizonte, entramos em pânico, mas, antes que ela se aproxime, acaba se dissipando. Assim vivemos, com medo e ansiedade. 

A ansiedade é uma dor antecipada, que dói antes de doer. O problema é quando deixamos que essa dor nos domine, controle nossas ações e decisões, guie nossos passos, estabeleça nossos rumos e defina nosso destino. Por que isso é um problema? Porque quem deveria estar fazendo tudo isso é o nosso Pai celestial. Portanto, a ansiedade esvazia Deus aos nossos olhos. Abala nossa fé. Mina nossa confiança. E isso é uma tragédia. 

Lembro da época em que eu trabalhava em televisão. Durante nove anos eu me desloquei para trabalhar de casa até a sede da Globosat, localizada a apenas 15 minutos de ônibus do meu apartamento. Até que, certo dia, a diretoria da emissora anunciou que dali a dois anos a sede da mudaria para a Barra da Tijuca, a cerca de 1h30 de distância! Lembro que praticamente entrei em agonia, sofrendo antecipadamente pelas longas horas que passaria a enfrentar para chegar ao trabalho, dali a… dois anos. Eu sofri muito, em ansiedade pela situação que viria. Mas sabe o que aconteceu? Muito antes da mudança, o departamento de que eu fazia parte foi extinto e eu e mais quinze colegas fomos demitidos. Hoje, olhando para trás, vejo que toda aquela ansiedade e chateação antecipada não serviram para absolutamente nada. Eu simplesmente sofri sem precisar. E percebi quão inútil foi toda agitação que minha alma enfrentou. 

Você costuma deixar a ansiedade dominar sua vida? Sofre, perde o sono, se angustia, sente medo, entra em agonia? Então ouça a suave voz do Mestre: “Qual de vós, por ansioso que esteja, pode acrescentar um côvado ao curso da sua vida? Se, portanto, nada podeis fazer quanto às coisas mínimas, por que andais ansiosos pelas outras? Observai os lírios; eles não fiam, nem tecem. Eu, contudo, vos afirmo que nem Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles. Ora, se Deus veste assim a erva que hoje está no campo e amanhã é lançada no forno, quanto mais tratando-se de vós, homens de pequena fé!” (Lc 12.25-28).

a-cruz-de-cristoEstá ansioso? Está com medo? Confie no Senhor. E lembre-se da pergunta de Jesus: “por que andais ansiosos?”. É o que chamamos de “pergunta retórica”, isto é, uma pergunta elaborada para, na verdade, fazer uma afirmação. E o que Jesus está afirmando com essa pergunta é: não há nenhuma razão para vocês ficarem ansiosos, pois Deus cuida de vocês.  

Fique calmo, meu irmão, minha irmã. Tenha paz. E não deixe a ansiedade ser maior do que a confiança inabalável naquele que tem o controle de todas as coisas. Se a ansiedade é a doença, a confiança inabalável em Deus é a cura: “Portanto, humilhem-se debaixo da poderosa mão de Deus, para que ele os exalte no tempo devido. Lancem sobre ele toda a sua ansiedade, porque ele tem cuidado de vocês” (1Pe 5.6-7).

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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ladrao 1Deus é apaixonante. A cada nova experiência que tenho, mais me assombro com a sabedoria do Senhor e a forma como ele age conosco. Confesso que me encanto com o modo de Deus fazer as coisas, mesmo que não seja a forma que gostaríamos. Na última quinta-feira, o Senhor me permitiu passar por algo difícil, mas extraordinário: um assalto. Só percebi a beleza espiritual desse episódio tendo passado mais de um dia do ocorrido. E como sei que “O SENHOR faz tudo com um propósito” (Pv 16.4), tenho a pretensão de supor que Deus permitiu que eu fosse roubado para, entre outras coisas, me dizer: “Escrever é fácil, quero ver se você vive o que escreve”. Vou explicar.

Depois do meu horário de trabalho, saí para pegar minha filha na escola de bicicleta, como fazia regularmente. Ela tem 4 anos, por isso comprei uma daquelas cadeiras que se acoplam na parte traseira e a levo e trago na garupa. É prático, rápido e divertido. De vez em quando, paramos em um lugar que fica na metade do caminho para fazer um lanche. Há um bicicletário na rua, bem na porta da lanchonete. Como de costume, estacionei, prendi a bicicleta, tirei minha filha e fomos comer. A surpresa desagradável nos esperava na saída. Não quero entrar em detalhes, por razões pessoais, mas basta dizer que na hora em que fomos partir perdemos a bicicleta. Fomos assaltados. Não nos machucamos, mas foi um susto bem desagradável, que deixou minha filha bastante impressionada.

Para minha grande surpresa, minha reação foi de serenidade. Sempre imaginei que, se algo assim acontecesse comigo, eu teria uma crise nervosa, mas, surpreendentemente, fiquei calmo e tranquilo, falei em voz baixa e fiz gestos lentos e controlados. Voltei com minha filha para o interior da lanchonete e procurei um funcionário responsável, porque me dei conta de que havia uma câmera na porta que poderia ajudar a identificar o ladrão. Expliquei a ele o que aconteceu e na mesma hora o rapaz, chamado Bruno, foi verificar as imagens para ver se havia registro.

ladrao 2Enquanto o esperava, sentei com minha filha em uma das mesas para aguardar e começamos a conversar sobre o que aconteceu. Ela estava muito confusa, porque sempre lhe ensinei que pegar as coisas dos outros sem pedir é errado, e ela me perguntava, vez após vez, por que aquele rapaz tinha feito aquilo. Percebi também que ela estava tensa, pois se agarrou em mim e não queria desgrudar. Disse que estava triste, porque gostava muito da nossa bicicleta, e começou a fazer um monte de perguntas sobre o ladrão, se ele era mau, por que não era amigo de Jesus, se ia para a prisão e outras coisas. Naquele momento, calmamente a sentei no meu colo e expliquei o máximo que eu pude. Mas, em determinado momento, simplesmente virei-me para ela e disse:

– Bebê, vamos orar e falar com Papai do Céu?

Ela concordou, nos abraçamos e eu comecei a orar baixinho. Sem que nem tivesse pensado nisso, a primeira coisa que dissemos ao Senhor foi que perdoasse o ladrão, que ele viesse a se arrepender e se tornasse amigo de Jesus. Em nenhum momento oramos pedindo juízo ou coisa parecida. Pelo contrário: pedimos a Deus que o perdoasse. Em seguida, comentei com o Senhor que não entendia por que ele tinha permitido aquilo, mas que eu tinha certeza de que havia uma boa razão, um propósito por trás daquele sofrimento, daquela perda.

Terminamos de orar e dentro de mais algum tempo Bruno voltou e disse que, infelizmente, o enquadramento da câmera não tinha conseguido filmar a ação do ladrão. Agradeci e saímos calmamente, caminhando a pé pela rua. No trajeto, minha filha continuou fazendo perguntas sobre o que tinha acontecido. Percebi que aquilo que dissemos na oração teve um efeito sobre ela, que começou a me dirigir muitos questionamentos sobre perdão e sobre por que Jesus deixa que coisas ruins aconteçam com aqueles que são amigos dele.

Perdao total_pilha05 Livro com caneta e óculosMais de um dia depois do ocorrido, eu estava pensando sobre o que aconteceu. Eu refletia sobre por que a primeira coisa que pedimos a Deus na oração, no impulso, foi que perdoasse o ladrão. Confesso que eu gostaria muito que ele fosse preso e que a bicicleta de que minha filha tanto gosta fosse  recuperada. Mas não foi isso o que pedi a Deus  naquele momento: pedi que o perdoasse. Também me dei conta de que conversamos com o Senhor sobre os propósitos de tudo aquilo que aconteceu. Foi quando, de repente, me dei conta de que tinha posto em prática aquilo que escrevi nos meus últimos dois livros publicados e que venho pregando em muitas igrejas, quando me pedem que eu pregue sobre o tema do Perdão Total e do O fim do sofrimento. Consegui pôr em prática o perdão. E consegui não murmurar pelo que aconteceu, por saber que Deus é bom apesar de permitir que coisas ruins aconteçam o seus filhos por seus misteriosos propósitos.

Preciso reconhecer que fiquei maravilhado, porque percebi que aquilo que escrevi e sobre o que eventualmente prego é mais do que palavras em páginas de papel ou ditas de um púlpito: é vida. Vida prática, vida cotidiana. Em outras palavras: a Bíblia funciona.

Este é o ponto aonde quero chegar ao te contar tudo isso: meu irmão, minha irmã, nós lemos e relemos a Bíblia, ouvimos pregações, dizemos amém e concordamos com as verdades do evangelho, mas a realidade é que, com muita frequência, quando chega a hora de pôr em prática aquilo em que acreditamos… é como se não acreditássemos de fato. Sabemos que não devemos devolver mal com o mal mas, na hora “h”, reagimos com fúria. Sabemos que não devemos falar de forma torpe, mas nossa língua parece ser incontrolável. Sabemos que devemos ser pacificadores, mas é só até o momento em que falamos de política ou futebol. Sabemos que o nosso Redentor vive e que um dia se levantará sobre a terra, mas com frequência agimos como se ele fosse apenas um personagem de contos literários e nossa fé se desmancha no vento.

OXYGEN Volume 10A Bíblia é eficaz. A palavra de Deus é verdadeira. E aquilo que ela afirma se cumpre. Nunca diga que você não consegue pôr em prática o que ela determina, porque você consegue, sim. Eu percebi isso por causa daquele assalto. Se eu consegui, você consegue, pois não sou em nada melhor do que ninguém. Ao ver na televisão, recentemente, imagens de arrastões na praia de Copacabana e bandidos arrancando bicicletas das mãos de pessoas no meio da rua, minha reação imediata foi me irar contra os ladrões. Cheguei a ter pensamentos bem ruins e muito pouco cristãos. Quando vi imagens de pessoas agarrando e arrancando bandidos de dentro de ônibus, no fundo, no fundo achei aquilo bom. Confesso vergonhosamente que minha humanidade gritou naquele momento por justiça humana. Mas, poucos dias depois, quando eu é que fui o alvo da maldade, instintivamente – ou, o que é mais certo, pela ação do Espírito Santo -, perdoei.

E, acredite, quando pedi a Deus que perdoasse aquele ladrão, desejei aquilo de todo o coração e não da boca para fora. Sei que parece estranho e pode até soar como falsa piedade, mas a pura verdade é que, naquele momento, o que eu senti por aquele homem foi pena, pois eu sei o que o espera no futuro caso não se converta dos seus maus caminhos. Analisando com calma, percebo que tive compaixão daquele homem que me fez mal, porque eu perdi apenas uma bicicleta, enquanto ele está a ponto de perder a alma.

Não gostei do susto que minha filha levou, me machucou. Mas sei que Deus tem um propósito naquilo, que eu ainda não entendo. E deposito minha total confiança no Senhor e sei que ele cuida de mim e dela, assim como cuida de você e tem um propósito para tudo de ruim que lhe acontece. Deus é Deus e Deus é bom. E sua Palavra é verdadeira e se cumpre. Viva com todo o seu fôlego a verdade do evangelho e realidades extraordinárias se descortinarão diante de seus olhos.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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