Posts com Tag ‘Fruto do Espírito’

Minha filha de 6 anos tem um coração admirável. Ela é bondosa, amável, generosa, carinhosa e gentil. Gosta de dar presentes para as amigas e professoras, tem prazer em servir o papai (fazendo café, massagem e outros mimos), procura pacificar quando coleguinhas criam confusões na escola, não revida quando um amiguinho a machuca, esse tipo de coisa. Sou muito grato a Deus por ter-me dado uma filha com características que admiro tanto num ser humano e que me fazem suspeitar que ela tem a semente do Espírito Santo no coração. Mas há um momento da vida de minha filha em que não me sinto feliz com ela e fico profundamente incomodado com seu procedimento: os minutos seguintes a ela chegar da escola.

Minha bebê retorna do colégio de condução escolar, por isso vem junto com crianças de todas as idades, a maioria mais velha. E esse contato tem sido bastante prejudicial, pois ela aprende montes de coisas erradas, ouve e repete funks hediondos, aprende comportamentos mundanos, escuta e repete todo tipo de palavrões, vê e imita formas de falar desagradáveis e reprováveis. Com certa frequência, logo que chega em casa, no embalo da bagunça e do ambiente nada cristão do ônibus, ela entra porta adentro repetindo o que ouve e vê das demais crianças na condução. Sei que ela não se dá conta com total clareza de quão reprovável é tudo isso, então, geralmente, eu nessas horas preciso sentá-la, conversar com ela, orientar, explicar por que aquilo tudo é errado e chamá-la de volta ao seu modo habitual de ser. E ela escuta. Se dá conta do erro. E obedece. Em poucos minutos, a filhota volta a ser a criança de coração admirável que me faz sorrir. Com frequência, porém, após um ou dois dias ela volta a ser influenciada pelo meio que a cerca e novamente fala ou age de um jeito reprovável. E, novamente, tenho de pará-la, lembrá-la de que aquilo é errado e esperar que ela caia em si e volte a agir de modo que me faça orgulhoso e me deixe feliz. 

Um pai sempre quer que seus filhos ajam da maneira que ele considera correta. Se você é pai ou mãe sabe do que estou falando. Por essa razão, meu coração transborda quando minha bebê age com amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio. Fico exultante quando ela fala com gentileza, quando me relata que o amiguinho a mordeu mas ela conversou com ele e o perdoou, quando age como mediadora de colegas para acabar com brigas e levá-los a fazer as pazes. Nessas horas, fico orgulhoso e sinto um júbilo especial, uma sensação difícil de descrever. Por outro lado, quando a vejo imitar comportamentos que não estão de acordo com o que acho correto, fico triste, incomodado e sou impulsionado a fazer algo para que a filhota perceba que aquilo que está fazendo não é bom e não reflete quem ela é. 

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Se você acompanha há algum tempo o APENAS, sabe da minha cruzada pessoal para alertar meus irmãos e minhas irmãs em Cristo de que um cristão que se diz nascido de novo obrigatoriamente tem de manifestar as virtudes do fruto do Espírito. Não vejo base bíblica alguma que justifique alguém que se diz salvo ser destemperado, agressivo, bruto na forma de falar, se posicionar e discordar. Em minha visão bíblica, cristãos professos que se comportam dessa forma ou não nasceram de novo ou se deixaram enganar pelos “colegas do ônibus escolar”. Acreditam que podem ser cristãos e ao mesmo tempo arrogantes, debochados, maldizentes, depreciadores, semeadores de discórdia entre irmãos em Cristo, agitadores ou ofensivos. Isso é tão coerente quanto dizer que o fogo pode ser molhado. São conceitos imiscíveis, incompatíveis. 

Como pai, detesto quando minha filha fala de jeito reprovável ou age de modo que entristeça meu coração. Por essa razão, consigo sentir um lampejo do que Deus sente ao ver aqueles que se dizem seus filhos agirem como multidões têm agido, com destempero, descontrole, deboche, espírito faccioso e montes de outras obras da carne.

Você pode estar pensando: “Lá vem o Zágari de novo falar sobre esse assunto”. Desculpe, meu irmão, minha irmã, mas não consigo não falar. Pois, do mesmo modo que eu, por amor, jamais cessaria de apontar à minha filha os erros em sua forma de falar e agir até que ela se corrigisse, não consigo ficar inerte ao ver membros do mesmo Corpo que eu agindo e falando como mundanos e dar as costas a isso, fingindo que está tudo certo. Pois amo Deus demais para ver tantas atitudes que entristecem o coração divino e deixar por isso mesmo. Não dá. Não tenho como. Não consigo. Quero ver Deus sorrindo ao olhar para aqueles que se dizem seus filhos, e não entristecido pela forma desviada como muitos têm se comportado “em nome de Jesus”. 

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Assisti recentemente a um vídeo no YouTube em que dois manos conversam sobre islamismo. O vídeo foi ótimo. O meu erro foi decidir ler os comentários. Fiquei horrorizado com a forma como vi diversos cristãos discordando do que foi dito no vídeo. Quanta deselegância. Quanto mundanismo. Quanta ofensa gratuita. Meu intelecto limitado não consegue  compreender o que leva alguém que diz seguir os ensinamentos do Príncipe da Paz e do Manso Cordeiro a se comportar como o pior dos mundanos na hora de se posicionar, expor suas crenças e discordar de outras pessoas. Raiva, desdém e rancor no conteúdo. Palavras torpes, sentimento faccioso e descontrole na forma. Em suma: um jeito totalmente anticristão de ser. 

Meu irmão, minha irmã, pode ser que a ênfase da sua vida espiritual esteja em coisas como tentar transformar arminianos em calvinistas, pré-milenistas em amilenistas ou cessacionistas em pentecostais, não sei. Vejo muitos que fazem desse tipo de coisa a bandeira de sua missão. Eu respeito essa escolha, embora não a veja como prioritária. A minha missão é tentar mostrar que o amor com que Deus quer que nos amemos é indispensável para quem se diz cristão. Em tudo. Até mesmo na divergência de ideias.

Amar é o mandamento maior. E uma gigantesca parte da Igreja está ocupada demais para amar; ocupada atacando irmãos em Cristo que pensam de forma diferente, discutindo o sexo dos anjos, coando mosquitos e engolindo camelos, irando-se e se engajando em discussões áridas e infrutíferas. Amar pressupõe instruir e não desqualificar. Amar pressupõe ensinar com carinho e não fuzilar. Amar pressupõe ouvir o discordante com paciência e mansidão e não com cabeças balançando e olhares revirados. Amar pressupõe ver o bem do próximo e não tentar mostrar que o próximo é um burro que não entende nada daquilo sobre o que você acha que sabe tudo. Amar é algo muito mais elevado do que aquilo que muitos aprenderam no ônibus escolar e replicam achando que está tudo bem.

Eu sou um chato, eu sei. Vivo repetindo essa chatice que é a necessidade prioritária e urgente de amar. Tudo bem, já entendi que, para muitos, amor não é um tema tão empolgante como debates acadêmicos sobre o sexo dos anjos. Amar está muito fora de moda na era das redes sociais, na qual todo mundo se acha o ensinador dos não iluminados e que, em nome da defesa da sã doutrina que manda amar até mesmo os inimigos, é justificável agir com total desamor. Amor se tornou um assunto brega em muitos círculos teológicos. O negócio é discutir em congressos o que seria a igreja relevante (quando a Bíblia já diz há séculos que a igreja relevante é a que ama), debater em programas de TV doutrinas soteriológicas (quando não adianta nada ser calvinista ou arminiano se você não ama quem crê na doutrina em que você não crê), ridicularizar quem crê de maneira divergente quanto aos dons (quando Paulo deixa claro que o dom supremo é o amor).  E por aí vai. 

Não, meu irmão, minha irmã, amor não é assunto para revistas femininas adolescentes e para poesias infantiloides. Amor é a coluna vertebral do evangelho de Jesus Cristo. É pelo amor que somos identificados como discípulos do Nazareno. Mas, infelizmente, como muitos não amam, devotam a vida a assuntos menos importantes da fé, defendendo sua visão com total desamor. E isso não é cristianismo. 

A vida no útero materno não é um fim em si mesma, nós passamos nove meses na barriga de nossa mamãe em preparação para viver décadas do lado de fora, sendo formados, construídos. Do mesmo modo, esta vida terrena é uma preparação para a eternidade: vivemos poucas décadas aqui sendo forjados, moldados, lapidados a fim de viver bilhões de anos futuros na realidade vindoura. Fico pensando como seria a vida em novos céus e nova terra junto com pessoas desagradáveis, briguentas, ofensivas, intolerantes, tolas e que falam e se comportam como quem acabou de sair do ônibus escolar.

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A conclusão a que sou obrigado a chegar é que gente assim nunca viveria em novos céus e nova terra. Não foram transformadas. Dizem amar Cristo mas se comportam e falam como anticristos. Mas consigo imaginar com extrema facilidade aqueles que, por terem sido verdadeiramente transformados pela graça salvadora da cruz, devotaram suas décadas sobre a terra a viver de modo amoroso, amável, bondoso, caridoso, gentil, pacificador e manso circulando pelas ruas da cidade futura, onde Deus brilhará com sua luz de puro amor.   

Meu irmão, minha irmã, se Deus o chamou por sua graça, mas você percebe que ainda é uma pessoa bruta, ou sarcástica, ou iracunda, ou ofensiva, ou que gosta de ver o circo pegando fogo, ou que destrincha o Corpo de Cristo e semeia desunião e discórdias, ou que fala de modo agressivo, ou que é altiva, ou que devota seus dias a só ficar apontando o erro alheio mas arrogantemente não aceita reconhecer os próprios erros… eu só poderia lhe dizer uma coisa, por amor: arrependa-se.

Arrependa-se desses pecados e abra-se para o labor do Espírito Santo em sua vida. Abandone essas práticas carnais e mundanas, que não estarão presentes em novos céus e nova terra, e devote-se a ser aquilo que Deus espera ver naqueles que tomará para si na eternidade. Por favor, arrependa-se, enquanto ainda é tempo. E passe a amar com verdadeiro amor cristão, aquele que você não encontra nas poesias de Vinicius de Moraes e Renato Russo, mas vê, com total clareza, transbordar de cada página das Sagradas Escrituras.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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Gosto muito de refletir sobre questões importantes do evangelho de Cristo que parecem ter sido esquecidas por muitos cristãos. Ultimamente, por exemplo, tenho pensado muito sobre o peso espiritual da paciência. Você já ouviu alguma pregação sobre paciência e impaciência? Já leu algum livro sobre o tema, já foi a algum congresso teológico com esse assunto? Eu nunca. No entanto, Paulo escreveu que paciência é uma das nove virtudes do fruto do Espírito (Gl 5.22-23). E, se esse comportamento é tão virtuoso a ponto de ter sido incluído por Paulo nessa seleta lista, infere-se, naturalmente, que a impaciência é um comportamento que não agrada a Deus. Logo, precisamos falar e refletir sobre isso, com muita seriedade. 

Paciência (ou “longanimidade”, nas traduções bíblicas mais arcaicas) é ter paz no coração enquanto se espera que algo aconteça. É ficar sossegado diante da necessidade de aguardar. Portanto, a pessoa que manifesta o fruto do Espírito sabe esperar em paz. E por que isso é espiritualmente importante? Porque paciência tem tudo a ver com fé. 

Se fé é “a certeza de coisas que se esperam” (Hb 11.1), fica claro que nossa fé está diretamente relacionada com nossa capacidade de esperar. E se “sem fé é impossível agradar a Deus” (Hb 11.6), certamente desagradamos o Senhor se demonstramos impaciência, pois ela revela que não temos fé suficiente nele para aguardar de forma descansada. A impaciência demonstra, portanto, que não temos confiança inabalável no fato de que Deus está no controle de tudo e que tem total domínio sobre o tempo certo daquilo pelo que esperamos.  Impaciência é desconfiar da soberania divina. 

Deus é quem determina a hora exata de qualquer coisa acontecer, de acordo com seus propósitos. Isso fica claro quando vemos que Jesus só se fez carne na plenitude do tempo, predeterminada desde antes da fundação do mundo. De nada adiantaria a impaciência de querer que o Messias viesse logo, pois ele só viria no tempo preciso de Deus. Ele esperou trinta anos para iniciar seu ministério. A ressurreição só ocorreu após três dias, como Jesus antecipou que ocorreria. O povo de Israel precisou esperar 400 anos para sair do Egito e depois mais 40 para entrar na Terra Prometida. Jó precisou esperar “42 capítulos” para seu cativeiro ser virado. José teve de ser escravo e presidiário por muitos anos antes de se tornar o segundo em poder do Egito. Esses e muitos outros exemplos mostram que tudo acontece no tempo exato de Deus. Não adianta nada balançar o pé, ficar olhando para o relógio de dois em dois minutos ou roer as unhas até o talo. É tão somente quando Deus bater o martelo que o que tiver de ser… será. 

Se sabemos que tudo acontece no tempo exato de Deus, ficar impaciente revela que não temos fé suficiente nessa verdade. Impaciência revela, portanto, falta de confiança em Deus. 

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Se você está esperando por algo, meu irmão, minha irmã, entregue a Deus e confie nele. Saiba que o Senhor tem os olhos voltados para você e está ciente da situação. Uma de três coisas acontecerá: 

  1. Deus pode fazer o que você espera, no tempo em que você gostaria. Nesse caso, não é necessário exercer paciência. 
  2. Deus pode não fazer nunca o que você espera; e, nesse caso, ficar impaciente simplesmente não terá absolutamente nenhuma serventia, só alimentará uma ansiedade inútil; ou
  3. Deus pode fazer o que você espera, mas no tempo dele e não no seu.  Nesse caso, sua impaciência será inócua, não adiantará nada, não fará Deus se apressar e a vontade dele prevalecerá de qualquer jeito. A única vantagem da sua impaciência é… bem, não há vantagem alguma na sua impaciência. 

Está claro, então, que ficar impaciente é inútil. Não adianta nada. E ainda demonstra falta de confiança no Senhor, o que certamente o desagrada. 

Meu irmão, minha irmã, espere com paciência no Senhor, sabendo que ele em absolutamente tudo é soberano. Tudo acontecerá na hora certa, da forma correta, de acordo com a boa, agradável é perfeita vontade do seu Santo Pai. O que você tem de fazer? Descansar. Lance sobre Cristo toda a sua ansiedade e relaxe. Ficar agoniado, angustiado, querendo que tudo ocorra no tempo que você quer só fará mal à sua pressão arterial e provocará queimação gástrica. Talvez uma úlcera. Vantagem na prática? Nenhuma. Então… paciência! 

“Porque, na esperança, fomos salvos. Ora, esperança que se vê não é esperança; pois o que alguém vê, como o espera? Mas, se esperamos o que não vemos, com paciência o aguardamos” (Rm 8.24-25).

Sede vós também pacientes e fortalecei o vosso coração, pois a vinda do Senhor está próxima. […] Irmãos, tomai por modelo no sofrimento e na paciência os profetas, os quais falaram em nome do Senhor. Eis que temos por felizes os que perseveraram firmes. Tendes ouvido da paciência de Jó e vistes que fim o Senhor lhe deu; porque o Senhor é cheio de terna misericórdia e compassivo” (Tg 5.8-11).

“Ora, o Deus da paciência e da consolação vos conceda o mesmo sentir de uns para com os outros, segundo Cristo Jesus, para que concordemente e a uma voz glorifiqueis ao Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo” (Rm 15.5-6). 

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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Um dos maiores equívocos que a cultura popular já inventou é que “religião não se discute”. Convenhamos: debater sobre religião é muito legal. É gostoso, enriquecedor, empolgante. Lógico que religião se discute! E, com o surgimento da Internet e, em especial, das redes sociais, essa atividade ganhou um forte impulso: agora você pode debater sobre questões teológicas deitado no seu sofá, sem ter de tomar banho ou pentear o cabelo, com muitas pessoas ao mesmo tempo, sobre os mais variados temas da teologia. Ficou fácil demais se engajar em discussões doutrinárias, participar de rodas de conversa teológicas, expôr seu ponto de vista religioso. Portanto, religião se discute, sim, e mais do que nunca. 

Diante dessa realidade, será que devemos ter critérios para selecionar de que debates devemos participar e como precisamos nos posicionar? Mais ainda: será que há ponderações bíblicas que nos ajudem a decidir o que debater e como debater?

Acredito que sim. Por isso, gostaria de compartilhar com você dez perguntas que levo em conta, com base na Bíblia, que me fazem, na maioria das vezes, conter meu ímpeto de ingressar em um debate teológico. Espero que lhe seja útil. Se você concordar ou discordar, seus comentários são muito bem-vindos. O que sugiro é que, ao ser tentado a entrar em alguma discussão acerca da fé, antes de entrar você sempre se faça estas dez perguntas (leia com extrema atenção as citações da Bíblia):

1. Quero participar desse debate para glorificar a Deus ou para a minha própria glória, mostrando como sou superior àquele com quem debato em aspectos como inteligência, conhecimentos e poder de argumentação?

“Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus. Não vos torneis causa de tropeço nem para judeus, nem para gentios, nem tampouco para a igreja de Deus, assim como também eu procuro, em tudo, ser agradável a todos, não buscando o meu próprio interesse, mas o de muitos, para que sejam salvos” (1Co 10.31-33). 

* * *

2. Quero participar desse debate com foco no reino de Deus ou para obter reconhecimento e receber elogios das pessoas, que ficarão encantadas ou impressionadas pelo meu desempenho?

“… buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas” (Mt 6.33). 

“Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo” (Rm 14.17).

“Porque o reino de Deus consiste não em palavra, mas em poder” (1Co 4.20). 

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3. Quero participar desse debate por amor àquele com quem estou debatendo ou para derrotá-lo, num exercício de ego cuja função é mostrar que eu sei muito e sou capaz de vencer os argumentos do próximo? 

“Se alguém disser: Amo a Deus, e odiar a seu irmão, é mentiroso; pois aquele que não ama a seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê. Ora, temos, da parte dele, este mandamento: que aquele que ama a Deus ame também a seu irmão” (1Jo 4.20-21).

“Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade; porém não useis da liberdade para dar ocasião à carne; sede, antes, servos uns dos outros, pelo amor. Porque toda a lei se cumpre em um só preceito, a saber: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Se vós, porém, vos mordeis e devorais uns aos outros, vede que não sejais mutuamente destruídos” (Gl 5.13-15. Leia, ainda: Mt 19.19; 22.39; Mc 12.28-31; Rm 13.9; Tg 2.8).

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4. Se eu participar desse debate será com a intenção de prestar um serviço àqueles com quem debato, motivado por amor a eles? 

“Andai em amor, como também Cristo nos amou e se entregou a si mesmo por nós, como oferta e sacrifício a Deus, em aroma suave” (Ef 5.2). 

“Tirou a vestimenta de cima e, tomando uma toalha, cingiu-se com ela. Depois, deitou água na bacia e passou a lavar os pés aos discípulos e a enxugar-lhos com a toalha com que estava cingido. Ao terminar, retomou seu lugar e disse-lhes: ‘Ora, se eu, sendo o Senhor e o Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros. Porque eu vos dei o exemplo'” (Jo 13).

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5. Participar desse debate me fará mais semelhante a Cristo? 

“Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos” (Rm 8.29). 

“E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito” (2Co 3.18)

“Aquele que diz que permanece nele, esse deve também andar assim como ele andou” (1Jo 2.6). 

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6. Estou motivado a participar desse debate em postura de total humildade, a exemplo de Jesus, ou com arrogância, vaidade, orgulho e partidarismo (paixão pelo grupo humano, doutrinário, teológico ou denominacional ao qual pertenço)? 

“Nada façais por partidarismo ou vanglória, mas por humildade, considerando cada um os outros superiores a si mesmo. Não tenha cada um em vista o que é propriamente seu, senão também cada qual o que é dos outros. Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz” (Fp 2.3-8).

* * *

7. Eu entrarei nesse debate com mansidão ou serei arrogante nas discussões? Se houver essa possibilidade, ainda assim pretendo ir adiante em vez de abrir mão de participar?

“Abominável é ao Senhor todo arrogante de coração; é evidente que não ficará impune” (Pv 16.5).

“Assim como o vinho é enganoso, tampouco permanece o arrogante, cuja gananciosa boca se escancara como o sepulcro e é como a morte, que não se farta; ele ajunta para si todas as nações e congrega todos os povos” (Hc 2.5). 

“Ora, é necessário que o servo do Senhor não viva a contender, e sim deve ser brando para com todos, apto para instruir, paciente, disciplinando com mansidão os que se opõem, na expectativa de que Deus lhes conceda não só o arrependimento para conhecerem plenamente a verdade, mas também o retorno à sensatez, livrando-se eles dos laços do diabo, tendo sido feitos cativos por ele para cumprirem a sua vontade” (2Tm 2.24-26). 

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8. Se eu participar desse debate, o farei manifestando virtudes espirituais ou as obras da carne?

“Ora, as obras da carne são conhecidas e são: […] inimizades, porfias, ciúmes, iras, discórdias, dissensões, facções […] e coisas semelhantes a estas, a respeito das quais eu vos declaro, como já, outrora, vos preveni, que não herdarão o reino de Deus os que tais coisas praticam. Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio. Contra estas coisas não há lei. E os que são de Cristo Jesus crucificaram a carne, com as suas paixões e concupiscências. Se vivemos no Espírito, andemos também no Espírito. Não nos deixemos possuir de vanglória, provocando uns aos outros, tendo inveja uns dos outros” (Gl 5.19-26). 

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9. Meu objetivo ao participar desse debate é promover a paz ou botar lenha na fogueira?

“Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus” (Mt 5.9).

“Honroso é para o homem o desviar-se de contendas, mas todo insensato se mete em rixas” (Pv 20.3)

“Como o abrir-se da represa, assim é o começo da contenda; desiste, pois, antes que haja rixas. […] O que ama a contenda ama o pecado; o que faz alta a sua porta facilita a própria queda. […] Os lábios do insensato entram na contenda, e por açoites brada a sua boca” (Pv 17.14,19; 18.6). 

“Fazei tudo sem murmurações nem contendas, para que vos torneis irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis no meio de uma geração pervertida e corrupta, na qual resplandeceis como luzeiros no mundo” (Fp 2.14-15). 

“De onde procedem guerras e contendas que há entre vós? De onde, senão dos prazeres que militam na vossa carne?” (Tg 4.1).

Ora, é em paz que se semeia o fruto da justiça, para os que promovem a paz” (Tg 3.18).

* * *

10. Meu desejo de participar desse debate vem acompanhado de igual desejo de praticar as obras da piedade ou é apenas um fim em si mesmo? Em outras palavras, será que eu ponho em prática no dia a dia os atos de bondade pressupostos pelo evangelho de Cristo? Ou meu negócio é só falar, falar e falar, ficando satisfeito ao final do debate, mas sem pôr em prática a piedade que defendo na teoria?

“Se alguém supõe ser religioso, deixando de refrear a língua, antes, enganando o próprio coração, a sua religião é vã. A religião pura e sem mácula, para com o nosso Deus e Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e a si mesmo guardar-se incontaminado do mundo” (Tg 1.26-27).

“Meus irmãos, qual é o proveito, se alguém disser que tem fé, mas não tiver obras? Pode, acaso, semelhante fé salvá-lo? Se um irmão ou uma irmã estiverem carecidos de roupa e necessitados do alimento cotidiano, e qualquer dentre vós lhes disser: Ide em paz, aquecei-vos e fartai-vos, sem, contudo, lhes dar o necessário para o corpo, qual é o proveito disso?Assim, também a fé, se não tiver obras, por si só está morta. Mas alguém dirá: Tu tens fé, e eu tenho obras; mostra-me essa tua fé sem as obras, e eu, com as obras, te mostrarei a minha fé. Crês, tu, que Deus é um só? Fazes bem. Até os demônios crêem e tremem. Queres, pois, ficar certo, ó homem insensato, de que a fé sem as obras é inoperante?” (Tg 2.14-20).

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Meu irmão, minha irmã, sigamos a orientação bíblica: “Examine-se, pois, o homem a si mesmo…” (1Co 11.28). Seja honesto nesse exame. Analise quais são as verdadeiras motivações que levam você a participar de debates sobre a fé, seja com cristãos, seja com descrentes. Todos os dias vejo cristãos se engajarem em debates sobre aspectos da fé que levam do nada ao lugar nenhum; que só promovem rixas, bate-bocas e contendas entre irmãos; muitas vezes motivados por ego, vaidade e partidarismo; de forma totalmente dissociada da prática da piedade. Isso ocorre em programas de televisão, programas de rádio, postagens do facebook, podcasts, blogs, vlogs e outras ágoras virtuais ou presenciais.

Se a sua motivação para se engajar em um debate sobre a fé for a glória de Deus e o reino dos céus, e o amor pelas pessoas com quem você vai debater e o desejo de servi-las; se você perceber que entrar nesse debate o fará se assemelhar mais a Cristo; e se você estiver disposto a se posicionar no debate com real humildade e mansidão, manifestando as virtudes do fruto do Espírito Santo, a fim de promover a paz e em consonância com uma vida cotidiana marcada por obras de piedade, ótimo! Debata quanto quiser! Dou todo o meu apoio. É bom e é certo.

Porém, se a sua motivação para se engajar em um debate sobre a fé for a glória de si mesmo, com o recebimento de elogios, reconhecimento humano e a vontade egocêntrica de ser visto como alguém superior à pessoa com quem está debatendo; se você está mais motivado a derrotar aquele com quem está debatendo do que a amá-lo e servi-lo; se você percebe que sua postura ao debater é arrogante, orgulhosa e partidária, manifestando ao debater obras da carne como ira, dissensões e inimizades, sem se preocupar por estar pondo lenha na fogueira; e se notar que o prazer de debater é maior que o prazer em viver no dia a dia as obras da piedade, então a minha recomendação é que repense totalmente a sua participação nesses debates. Recomendo que se cale, busque cristãos mais experientes e piedosos com quem se aconselhar (fora do seu séquito de admiradores), repense suas práticas e busque na oração e na leitura das Escrituras a renovação da sua mente, pois você está muito distante do ideal bíblico. E, somente quando conseguir desenvolver um coração assemelhado ao de Jesus, volte a debater as coisas da fé. Até lá, é hora de aprender e não de ensinar.

Debater religião ou teologia não é o problema, nem de longe. Isso precisa ser feito. A questão é: o que te motiva? E como você faz isso? Lembre-se de que crer, até os demônios creem. Portanto, você pode usar excelentes argumentos, mas se for com as motivações erradas e de maneira que desagrada a Deus, melhor é se calar. Para o seu próprio bem. Pois Deus não precisa que ninguém o defenda. Mas ele precisa que seus filhos tenham o coração no lugar certo e ajam da maneira certa.

O resto? É vaidade. Vaidade e correr atrás do vento…

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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APENAS_Banner três livros Zágari

Arrow on red target - business conceptO novo ano chegou. Como é hábito de muitos, essa mudança simbólica de etapas pode ser uma ótima oportunidade para parar, pensar sobre a vida e repensar as prioridades. Eu gostaria de dar uma pequena contribuição a essa reflexão. Em 2016, muitos cristãos brasileiros tristemente perderam tempo, energias e saliva debatendo sobre aspectos periféricos e secundários da fé ou brigando com outros irmãos em Cristo por questões menos importantes do cristianismo. Minha sugestão, diante disso, é que voltemos a pensar sobre o que realmente é importante na fé cristã. Por isso, gostaria de propor reflexões a partir de pontos que considero serem alicerces da fé. Seguem, então, algumas sugestões acerca de atitudes que você poderia tomar neste momento de reflexões, reinícios e reformulações, a partir de algumas orientações bíblicas fundamentais. 

1. Você tem se arrependido de seus pecados e pedido perdão a Deus? “Se afirmamos que não temos pecados, enganamos a nós mesmos e não vivemos na verdade. Mas, se confessamos nossos pecados, ele é fiel e justo para perdoar nossos pecados e nos purificar de toda injustiça” (1Jo 1.8-9, NVT). Você tem pedido perdão pelas transgressões cometidas? Ou tem vivido dia após dia acumulando pecado não confessado sobre pecado não confessado, apresentando desculpa esfarrapada sobre desculpa esfarrapada para justificar práticas antibíblicas? É hora, como sempre é, de arrependimento, contrição e mudança de rumo.

2. Você tem obedecido ao maior dos mandamentos? “‘Ame o Senhor, seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma e de toda a sua mente’. Este é o primeiro e o maior mandamento. O segundo é igualmente importante: ‘Ame o seu próximo como a si mesmo’. Toda a lei e todas as exigências dos profetas se baseiam nesses dois mandamentos” (Mt 22.37-40, NVT). Em tudo o que você faz, é o amor a Deus que pauta seus pensamentos, ações, palavras e omissões? Ou em 2016 sua prioridade foram dinheiro, aquisição de bens, viagens, programas de TV, o trabalho ou a igreja? Em que você pensa primeiro quando acorda? Em torno de que gira a sua vida? Em torno de Deus ou em torno de você próprio? E, ainda dentro desse maior mandamento, você tem amado ao próximo como a si mesmo? Em 2016, quanto amor você compartilhou? Que ações práticas fez em benefício das pessoas que não lhe deram absolutamente nenhum retorno? De que modo você se devotou ao próximo? Será que você tem se dedicado mais a debater com o próximo para provar que você é quem está certo do que a amá-lo? Cuidado com a autoidolatria.

3. Você tem cumprido a Grande Comissão? “Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ensinem esses novos discípulos a obedecerem a todas as ordens que eu lhes dei” (Mt 28.19-20, NVT).  A quem você proclamou as boas-novas de Cristo em 2016? Quantas pessoas ganharam a vida eterna no ano que passou graças às suas iniciativas? Quantos seres humanos você discipulou no ano que passou? Se perceber que não fez discípulos, que não levou o evangelho a ninguém, que sua instrumentalidade para a salvação de vidas tem sido nula, o que pode fazer para reverter esse quadro em 2017? 

4. Você tem feito aos outros somente e exatamente aquilo que gostaria que eles fizessem a você? “Em todas as coisas façam aos outros o que vocês desejam que eles lhes façam. Essa é a essência de tudo que ensinam a lei e os profetas” (Mt 7.12, NVT). Este mandamento de Jesus é extraordinário, pois ele denuncia como vivemos longe de sua vontade. Você realmente só faz para as outras pessoas o que gostaria que elas lhe fizessem? Só fala a elas e sobre elas com isso em mente? Suas ações têm esse fundamento? Ou o importante é mesmo o que você quer e pronto? Como têm sido suas atitudes com seus parentes, amigos, colegas de trabalho ou estudo, irmãos em Cristo, pessoas que professam outras religiões? E na Internet? 

5. Você tem tratado quem se opõe a você com mansidão e visando ao bem dele ou com soberba, egocentrismo e sentimento de vingança? Quantos inimigos você amou em 2016? Quantos desafetos você perdoou? Como se relacionou com aqueles que o irritam, maldizem, atacam, denigrem? Como você tratou os hereges e os adversários teológicos? Com mansidão e graça ou com ódio e agressividade? O que você falou sobre aqueles que te ofenderam? Quantas orações em benefício deles você fez ao longo do ano? “Se seu inimigo estiver com fome, dê-lhe de comer; se estiver com sede, dê-lhe de beber. Ao fazer isso, amontoará brasas vivas sobre a cabeça dele”. Não deixem que o mal os vença, mas vençam o mal praticando o bem” (Rm 12.20-21, NVT). Você pretende continuar em 2017 a agir com os inimigos, os adversários e os discordantes como um bruto lida com seus desafetos? “O servo do Senhor não deve viver brigando, mas ser amável com todos, apto a ensinar e paciente. Instrua com mansidão aqueles que se opõem, na esperança de que Deus os leve ao arrependimento e, assim, conheçam a verdade” (2Tm 2.24-25, NVT).

6. Você tem manifestado virtudes do fruto do Espírito em sua vida? Como anda você na manifestação prática de “amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio.” (Gl 5.22-23, NVT)? Será que você amou tanto quanto poderia? Você disseminou alegria ou a nuvenzinha negra foi sua companheira inseparável? Você foi um pacificador ou alguém que instigou, incentivou ou participou de contendas e brigas? Você foi paciente ou não esperou Deus agir com a longanimidade que deveria? Você foi benigno, amável, bondoso, ou foi duro, egoísta, mau, briguento? Você demonstrou fidelidade ou sua fé foi pequena? Mansidão, então, é o calcanhar de Aquiles de muitos: você foi manso e humilde, falando sempre com palavras temperadas e de edificação, ou foi um guerreiro, um gladiador, um leão que mais ruge do que faz qualquer outra coisa? E domínio próprio, você foi autocontrolado ou se deixou escravizar pelo seu temperamento sanguíneo, seus impulsos pecaminosos, sua humanidade? E em 2017, o que precisa mudar com relação a essas virtudes?

7. Você tem promovido a paz ou as disputas, a raiva, a vingança, a humilhação, os ataques, a discórdia? “Felizes os que promovem a paz, pois serão chamados filhos de Deus” (Mt 5.9, NVT). Na ânsia por agradar a Deus, muitos acham que o caminho para isso é se igualar ao comportamento natural e carnal da humanidade caída. Que o padrão “João Batista” é a linha a ser adotada e que Deus nos incentiva a promover a guerra “em nome de Jesus” ou “em defesa do evangelho”. É triste e lamentável ver pessoas muitas vezes extremamente bem preparadas teologicamente se posicionando como promotores do ódio, deixando a força dos argumentos em segundo plano e optando pela pseudoforça da forma. Acham que bater na mesa é o padrão cristão. Não é. Seria esse o seu caso?

8. Você tem se achado o máximo? Como anda sua humildade? Tudo o que você é e tem foi Deus quem lhe deu. Você é inteligente? Mérito de Deus. Você é culto? Mérito de Deus. Você tem muitos diplomas? Mérito de Deus. Sua igreja é rica, grande e lotada? Mérito de Deus. Você tem muitos dons? Mérito de Deus. Muitas pessoas o elogiam? Mérito de Deus. Afinal, “Toda dádiva que é boa e perfeita vem do alto, do Pai que criou as luzes no céu…” (Tg 1.17, NVT). Se você empertiga o peito, estriba-se em sua sabedoria e sai desqualificando os demais, o alerta é sério: “Que aflição espera os que são sábios aos próprios olhos e pensam ter entendimento!” (Is 5.21, NVT). “Não sejam orgulhosos, mas tenham amizade com gente de condição humilde. E não pensem que sabem tudo” (Rm 12.16, NVT). O evangelho é claro e direto: quem tem muito deve agir com prudência com o muito que Deus lhe deu, sabendo lidar com delicadeza com os que não sabem nem têm tanto, visando ao amor e com muita graça. Ai de quem “se acha”. “Se vocês são sábios e inteligentes, demonstrem isso vivendo honradamente, realizando boas obras com a humildade que vem da sabedoria. Mas, se em seu coração há inveja amarga e ambição egoísta, não encubram a verdade com vanglórias e mentiras. Porque essas coisas não são a espécie de sabedoria que vem do alto; antes, são terrenas, mundanas e demoníacas. Pois onde há inveja e ambição egoísta, também há confusão e males de todo tipo” (Tg 3.13-16, NVT).

Essa lista poderia prosseguir por dezenas e dezenas de pontos. Mas acredito que somente esses oito já dão muito pano para manga. Fica a reflexão, caso ajude você a pensar sobre como tem vivido. Acredite: se decidir reavaliar suas prioridades em 2017 e mudar muito do que tem feito com relação a esses oito pontos, já será um monumental passo em sua caminhada de fé.

Espero ter ajudado. Agora… é com você.

Paz a todos vocês que estão em Cristo e um feliz Natal,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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solidao1O rosto é sorridente. O aperto de mão, amigável. Quando lhe perguntam como está, a resposta é sempre “tudo bem”. Da hora em que chega à igreja até o momento em que se despede, todos acreditam que sua vida é repleta de felicidade. Mas, por trás de toda essa aparência, esconde-se uma pessoa extremamente solitária. Não deveria ser assim, mas a dura realidade é que nossas igrejas estão cheias de irmãos e irmãs que se encaixam nessa descrição, e que, embora escondam e não demonstrem, são muitos solitários. São cristãos, vivem em comunidade, vão aos cultos e cantam louvores, mas, na verdade, sentem-se sozinhos. Os laços com os demais são superficiais e frágeis e eles percebem que, na hora em que precisam de um ombro sincero, não o encontram. Por vezes, chegam a derramar lágrimas escondido. Poucas pessoas lhes telefonam, por isso se sentem como se ninguém estivesse nem aí para si. Olham a vida dos demais e acabam com a sensação de que todos são felizes e têm muitos amigos, menos eles próprios – o que os deprime. Apesar disso, por mais que se esforcem por ser amáveis e gentis na igreja, poucos demonstram interesse real por sua vida. Qual deve ser nosso papel junto a quem se vê nessa situação? Será que há algo que você possa fazer pelos milhares de solitários que transitam entre nós mas não demonstram, tocando a vida em meio à multidão mas tendo a solidão como companheira mais fiel? Qual é o remédio para a solidão?

Como cristãos, é importante prestarmos atenção a quem sofre, pois, sendo nós membros do Corpo de Cristo, temos o dever fraterno de zelar uns pelos outros, de acolher, amar, cuidar. Quando o pé sofre um corte, não é ele próprio que se aplica remédios, é a mão. Quando a panturrilha sente cãibras, é o pé que se alonga para aliviá-la, com a ajuda da mão, sendo que as costas se vergam para que a mão alcance o pé. O corte no dedo é levado à boca. E quando os músculos e tendões doem é dos olhos que descem as lágrimas.  Como integrantes de um todo, devemos cuidar dos irmãos. Mas que remédio podemos dar a eles?

solidão2Para conseguir auxiliar pessoas adoentadas pela solidão, quem não sofre desse mal precisa, antes de tudo, compreender que solidão não tem a ver com a quantidade de pessoas que te cercam, mas, sim, com a quantidade de pessoas que se preocupam com você. Muitas vezes descobrimos que alguém se sente solitário e nos perguntamos como pode, afinal, ele se relaciona com tanta gente! Chegamos a pensar que é frescura ou necessidade de atenção, pois não compreendemos que não basta ter pessoas em volta. O solitário não é um ermitão, é alguém que, embora viva em comunidade, não tem laços fortes de ligação com ninguém. Ele não sente falta de mais eventos na igreja, mas de alguém lhe diga: “Que saudade, liguei só para saber como você está”.

O solitário geralmente tem a percepção de que, se partisse desta vida, não faria muita falta. Pode até ser uma percepção equivocada, mas não é por ser uma visão distorcida que deixa de ser algo que o machuque. Muitos que olham de fora acham que o problema é culpa do próprio solitário, afinal, por que ele não se enturma? Por que ele não corre atrás? Basta se aproximar das pessoas! Bem, na verdade, correr atrás dos outros não satisfaz a solidão, pois não demonstra um real interesse do próximo. O solitário se sente desimportante na vida dos irmãos e vive uma real necessidade de ser amado e querido. Algo que ele não quer impor, pois precisa que ocorra espontaneamente. Correr atrás das pessoas não é o remédio para a solidão.

Como Igreja, precisamos estar constantemente atentos para os solitários que nos cercam. Devemos identificá-los e amá-los sem hipocrisia. A única forma de fazermos isso é saindo de nossa zona de conforto e indo até eles para buscar conhecê-los em profundidade, descobrir quem eles são e, a partir daí, criar vínculos verdadeiros. Não devemos amar os solitários como um gesto de caridade, “com pena” ou por “obrigação cristã”: precisamos buscar conhecê-los para criar laços verdadeiros de afeto mútuo e passar a amá-los de verdade. Temos de criar as circunstâncias para que eles de fato nos façam falta. Amizades não são apenas aquelas que a vida nos joga no colo, são também as que nos mexemos para construir. Mas, para o solitário, esse movimento partir dele não é um remédio muito eficaz, ele deseja ver interesse que parta das outras pessoas.

solidão3É bastante difícil para alguém que tem muitos amigos sinceros e vive numa atmosfera de amizade perene compreender a solidão. Quem vive imerso em amor não capta com facilidade a intensidade da dor que o solitário sente. O que fazer? Buscar em Deus a resposta. Em sua glória celestial, o Deus que é amor jamais sentiu solidão. Acompanhado, de eternidade a eternidade, pela Trindade santa, o Criador se basta a si mesmo e se complementa, vivendo numa unidade plural e singular que faz de si um ser pleno e absolutamente destituído de carência. No entanto, dos altos céus ele olhou para a humanidade solitária, despida da plenitude de Deus, e desceu à terra, fazendo-se solitário como os solitários, para nos devolver a capacidade de comungar para sempre com aquele que nunca nos deixará sós. E, ao fazer-se como um se nós, o Filho experimentou o gosto da solidão: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” (Mt 27.46), gemeu o Senhor agonizante. Por que Jesus decidiu vivenciar a dor dos solitários? Amor. Puro amor.

Meu irmão, minha irmã, há muitos solitários nas nossas igrejas. Peço a Deus que encha o seu coração do amor que é fruto do Espírito, para que você sinta em si a dor dos solitários e faça algo para cuidar de quem precisa urgentemente de calor humano. É aproximando-se de Deus que você terá discernimento para identificar as vítimas da solidão, frutificará em amor pelos tais e partirá em seu socorro com interesse genuíno. Ao fazê-lo, você estará permitindo que Deus o use para transformar a vida de tantos que precisam desse amor.

Afinal, já entendeu qual é o remédio para a solidão do seu irmão? Se você disse “Deus”… lamento, errou. Deus é o médico que aplica o remédio.  O remédio… é você.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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brasil 1O Brasil tem vivido dias de imensa fúria. Em nosso país, a situação deplorável do governo, a corrupção onipresente, a polarização entre adeptos da esquerda e da direita e a crise econômica lotam os noticiários, pautam as discussões e fazem as redes sociais fervilharem. Os debates que envolvem as notícias do dia, na maioria das vezes, são recheados de afirmações revoltadas, reclamações injuriadas, agressões para todos os lados e intermináveis discussões e trocas de acusações. Vivemos dias duros. A toda hora a notícia da hora nos faz ferver o sangue. Queremos comer o fígado de políticos, mandar os corruptos para o quinto dos infernos e explodir todos aqueles que não concordam conosco. Dias difíceis, os nossos. Dias saborosos para os zelotes e amantes da espada, mas estarrecedores para os mansos e humildes de coração. 

Tem sido raro encontrar aqueles que estejam plácidos, equilibrados e controlados diante do cenário da nossa nação. Os estoicos e blasés desapareceram do mapa, dando lugar aos explosivos e revoltados. A indignação é válida e devemos, sim, nos indignar com toda a lama que escorre dos palácios do governo e dos escritórios de grandes corporações corruptoras. Não há como amar a justiça e a verdade e se manter impassível diante do atoleiro de mentiras, trapaças, sujeiras e pecados que se tornou o Brasil. 

Minha pergunta é: como devemos manifestar toda essa justa e necessária insatisfação? Será que nós, cristãos, devemos reagir como o mundo reage, fazendo chacotas indecentes, usando palavras torpes, adjetivando de modo desrespeitoso fulano ou sicrano, destilando veneno em nossas palavras e em nossos memes, desejando que os maus morram e se arrebentem, entre posts imprecatórios nas redes sociais e falas avalânchicas por onde passamos? 

Qual é a postura adequada a quem vive para ser imitação de Cristo? O amor ou o ódio? A pacificação ou o acréscimo de lenha à fogueira? A destemperança ou a paciência? A amabilidade ou a ofensa? A bondade ou a raiva, destilada entre perdigotos e olhares injetados? A mansidão ou a fúria? O destempero ou o domínio próprio? Afinal, como devemos reagir a tudo o que nos cerca?

brasil 2Ser cristão é ser diferente. É nadar contra a correnteza, quando a correnteza não segue de acordo com o relevo do evangelho. É controlar nossos impulsos humanos de vingança e raiva para dar lugar à pacificação que nos fará bem-aventurados. Não somos cristãos se agimos e reagimos como o mundo, com a diferença que vamos à igreja aos domingos. Se somos iguais ao mundo, somos mundo – mesmo frequentando o culto e cantando músicas cristãs. Cabe, então, a pergunta: você tem reagido aos lamentáveis noticiários como um santo ou como um pagão? Como alguém que entende que sua pátria não é deste mundo ou como um cabeça-quente que vive entre imprecações e gritos de revolta? 

Sim, não devemos nos conformar com a injustiça. Não podemos, como servos de Deus, nos manter impassíveis diante da corrupção humana. Deus não fica impassível; nós também não devemos ficar. Meu questionamento não é “sim ou não”, mas “como”.  De que modo você reage? Que palavras escolhe ao se posicionar? O que há no seu coração? Sua alma busca a justiça e a verdade com paz ou com guerra? 

Os dias são maus, meu irmão, minha irmã. Mas não podemos permitir que a maldade do mundo caótico nos contamine. Temos de permanecer como diferentes, como luz. Brilhemos nessa treva tão densa. Afinal, se formos trevas em meio a trevas, que diferença fazemos? Se há uma hora em que precisamos mostrar ao mundo quem habita em nós, a hora é esta, pois é em meio à crise que os santos sobressaem. 

Jesus não nada no mar do caos, ele caminha por sobre as águas. Assim devemos nós fazer.

brasil 3Deixo a reflexão: como você tem se posicionado ante tantas notícias revoltantes que inundam os jornais do dia? Como um revoltado ou como um ponderado? Como um desvairado ou como um equilibrado? As notícias te dominam ou o Espírito Santo é quem conduz suas ações e palavras? Ser fiel ao amor quando tudo vai bem é moleza. Mas é justamente na hora em que alguém grita “fogo!” que descobrimos quem são os que dão passagem às mulheres e crianças primeiro e quem são os que saem pisoteando quem estiver pela frente. Quem é, afinal, que controla as suas palavras e as suas ações diante da miséria humana, da corrupção do mundo e do caos provocado pelo pecado? O amor? Ou o ódio? Descubra quem é o seu senhor na hora da crise e você constatará se tem agido conforme a vontade do Senhor Jesus Cristo. 

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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