Posts com Tag ‘Fruto do Espírito’

Deus nos poda diariamente. E, quanto mais eu vivo, mais percebo que a principal maneira de ele fazer isso é no campo dos relacionamentos humanos.

Peço para amar mais, ele insere em meu caminho pessoas que me fazem querer destilar cada gota de ódio, egoísmo e indiferença.

Peço para ter mais alegria, ele me põe em contato com gente que me entristece e deprime ferozmente.

Peço paz, ele põe em minha jornada pessoas que tornam as pequenas coisas da vida uma enorme tribulação.

Peço paciência, ele me faz conviver com gente insuportável.

Peço amabilidade, ele me junta com pessoas estúpidas, grosseiras e arrogantes.

Peço bondade, ele me faz conhecer maus que prosperam e se alegram.

Peço fidelidade, ele me permite conviver com quem provoque meus instintos mais pecadores e egoístas.

Peço mansidão, ele põe em meu caminho gente explosiva e briguenta.

Peço autocontrole, ele me faz viver situações que me instigam a deixar o velho e impulsivo homem assumir as rédeas da vida.

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Paro. Suspiro. Oro. Leio. E tento vencer aquele momento, pois basta a cada segundo o seu mal. O segundo seguinte virá e, muitas vezes, vencerei. Outras tantas, perderei. Mas é na equação entre perdas e ganhos que ele vai me podando.

Poda-me, Senhor, para que eu me torne aquele que, depois de aperfeiçoado, leve amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e autocontrole ao meu próximo, o bom e o mau. Ainda estou longe, muito longe disso, imerso neste oceano de imperfeição que sou, mas sigo na jornada.

Meu irmão, minha irmã, agradeça a Deus pelas piores pessoas que atravessam seu caminho. Pois elas são a maior bênção que você poderia receber no processo de fazer de você alguém cada dia mais diferente delas e mais parecido com o único que é totalmente perfeito: Jesus de Nazaré.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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Todo mundo já deparou com ele em algum momento da vida. Seus dentes são pontiagudos, o pelo é eriçado, as garras são ameaçadoras. Ele mete medo, sim, e nos deixa impotentes diante de sua musculatura amedrontadora. A maior fonte do terror que ele provoca é a ciência de nossa incapacidade de vencê-lo pelas próprias forças. Por isso, ele nos abate, deprime, assola, maltrata. Estou me referindo a uma das bestas-feras mais malignas que já caminharam sobre a face da terra: o impossível.

O impossível é aquilo que desejamos ardentemente ou precisamos desesperadamente mas está fora do alcance da mão. É o emprego inalcançável, a cura da doença intratável, a situação insustentável, o caminho intransitável. É o café que nunca tomaremos, a fruta que não comeremos, o salto que não daremos, as asas que jamais abriremos. O impossível é sádico e ri de nossa dor. Por isso, dia após dia esfrega em nossa cara quão impotentes somos diante dele.

O impossível é agressivo. Ele machuca e não escolhe ocasião para isso. Está sempre nos lembrando de que está ali, de olhar sarcástico e uivo agudo, impedindo nosso sonho de se realizar. Quando damos um passo para fugir e sair de seu alcance, ele salta com energia e se põe no caminho. Ele obstaculiza. Ele é impeditivo. E se diverte com isso.

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Tento mutar o impossível, interferir em seu DNA, reconfigurar seus genes. Quero que ele abra brechas e se torne mais maleável. Faço o que posso para enfraquecê-lo. Por vezes, tenho a sensação de que estou logrando êxito, mas, subitamente, ele cai na gargalhada e joga na minha cara que continua tão impossível como sempre foi. Pior: ele ressurge com mais força, trazendo novos fatos, impondo mais obstáculos, enchendo o caminho de armadilhas, arrancando qualquer chance minha de vitória. Sim, o impossível constantemente nos humilha com seu olhar arrogante, lançado do lugar mais alto do pódio.

Sou homem, limitado, defeituoso. Não tenho como vencer o impossível. Ele é terrível. Há anos me dá esperanças, joga iscas, se faz de morto. Em seu sadismo, observa com olhos semicerrados meu sorriso de esperança, posando de carniça, até que, quando estou prestes a soltar o brado de vitória, ele salta, às gargalhadas, e fica ali, com a boca arreganhada, rolando de rir de mim, exalando seu hálito fétido.

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Você enfrenta o impossível? Talvez há anos, como eu? Você o conhece bem e já sentiu a força de seus murros? Então sabe como esse minotauro age, lançando-nos para o centro do labirinto tão logo vemos a saída. Ele gosta de nos fazer de Sísifo. Maldito assassino de esperanças! Ele se alimenta de nossa angústia, decepção, tristeza e dor. E se hidrata com nossas lágrimas.

É… não tenho forças para enfrentar sozinho o impossível. Há anos e anos ele me esfrega isso na cara. Até porque o impossível conta com aliados poderosos, fortes e sagazes, como o tempo, a vida, decisões erradas, atitudes impensadas, soluções que não solucionam, a acomodação e o conformismo besta. Nada mais resta a fazer, a não ser tocar a vida, um dia difícil após o outro, uma pasmaceira após a outra, respirando, comendo e bebendo, numa rotina atroz.

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Porém, é no meio desse oceano lamacento de impossibilidades que chega um homem de sorriso no rosto, olhar maroto e abraço amigo. Ele senta ao nosso lado, puxa conversa, enxuga nossas lágrimas e passa o braço ao redor de nossos ombros. Desabafamos. Pomos o lodo da angústia para fora. Ele ouve, atento e em silêncio, com olhar de íntima compaixão. Quando chegamos àquele paroxismo da fraqueza em que não temos mais forças para dizer nem mais um ai, ele puxa do bolso algo embrulhado num humilde papel de presente e nos estende.

– Abre. – ele diz – É pra você.

Lentamente, descerramos o laço, abrimos o pacote e vemos, ali, diante de nossos olhos, o grande antídoto contra o veneno do impossível. O elixir que dá forças para continuar. O alimento que nos dá energia para mais um dia. O impossível olha de longe e solta um urro de horror. Pois ele sabe que aquele homem de mãos machucadas nos deu de presente nada menos que o seu pior inimigo, algoz, carrasco e executor.

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Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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“Zágari, acho muito legal a sua nova iniciativa de gravar vídeos sobre vida cristã, mas não tenho paciência de ver porque eles são muito longos. Poxa, faz uns videozinhos menores, vai!”. Esse comentário me foi enviado por inbox por uma irmã querida e se refere à minha recente iniciativa de postar no YouTube vídeos com reflexões sobre vida cristã, num canal que chamei de Homileo. Quando li o comentário dela, fiquei pensativo e preocupado e cheguei à conclusão de que ele carrega profundas e graves implicações espirituais. Gostaria de compartilhar com você esses meus pensamentos (com a devida autorização prévia da autora do comentário acima, para não constrangê-la com esta postagem).

Quando criei o blog APENAS, adotei propositadamente a seguinte filosofia nos meus textos: transmitir teologia cristã de maneira totalmente compreensível, em linguagem acessível, em textos gostosos de ler, de forma que ficasse fácil para qualquer pessoa aplicar tais conceitos na prática do dia a dia. Essa filosofia tem norteado todos os meus textos. Assim que criei o blog, ainda lá em 2011, um conhecido meu, blogueiro experiente, me recomendou: “Faça as postagens com no máximo três parágrafos, senão as pessoas não lerão”. No início, eu tentei. Mas logo descobri que sou totalmente incompetente para desenvolver um raciocínio com começo, meio e fim, que seja minimamente útil para o leitor, em textos tão minúsculos. Confesso minha incapacidade. Admiro quem consegue fazer isso, mas eu não consigo. Optei, então, por investir na qualidade dos textos, tivessem que tamanho tivessem, sem me preocupar em escrever pouco a fim de acumular mais e mais leitores. Foi quando orei a Deus e lhe disse:

– Senhor, sou incapaz de escrever reflexões minimamente decentes em apenas três parágrafos. Então, que o Senhor faça cada texto chegar a quem for preciso pelo teu poder e não por estratégias humanas.

Com essa decisão, mantive meus textos do tamanho necessário, isto é, com uma média de 8 parágrafos, às vezes menos, às vezes mais. O que me espantou foi a frequência com que comecei a ler nas redes sociais irmãos e irmãs comentarem, ao compartilhar minhas reflexões do APENAS com seus amigos e “seguidores”, coisas do tipo: “Apesar de esse texto ser muito longo, vale a pena ler” ou “Senta que lá vem textão, mas leia até o fim”. Isso me chocou. Oito parágrafos são textão?

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O problema tornou-se mais visível quando, há quatro semanas, passei a gravar os vídeos do HOMILEO. Uma colega, que trabalha com internet, recomendou: “Faça vídeos com no máximo três minutos, senão as pessoas não assistirão”. No começo, eu tentei. Garanto que me esforcei demais para isso. Mas passei a perceber que também sou absolutamente incapaz de desenvolver um raciocínio minimamente útil em tão pouco tempo: ou eu investia em tempo curto, a fim de arrebanhar mais inscritos em meu recém-criado canal do YouTube, ou investia na qualidade do conteúdo. Preferi investir na qualidade e não na quantidade, mesmo que isso não gere muitos inscritos no canal (afinal, o objetivo não é me fazer popular, mas edificar e abençoar vidas, a despeito de quantas forem). Resultado: minhas reflexões no YouTube têm uma média de “gigantescos” 5 a 6 minutos. Foi quando recebi o comentário de minha amiga pelo inbox, que reproduzi no início deste post.

Confesso, meu irmão, minha irmã, que estou preocupado com as graves implicações que essa cultura do “textão” tem sobre nossa espiritualidade. Explico: como uma pessoa que considera “textão” um textinho de 8 parágrafos terá capacidade de manter uma rotina de leitura e estudo da Bíblia? Como um cristão para quem ler mais de três parágrafos é enfadonho conseguirá ler diariamente bons e necessários livros cristãos, uma disciplina fundamental e indispensável para nossa espiritualidade? Se a Igreja de Cristo se acostumar à mentira de que textos que exigem mais de dois minutos de leitura são gigantescos, como poderá crescer e amadurecer em seus conhecimentos bíblicos e teológicos? Ou nos conformaremos com a mediocridade de textos minúsculos, superficiais e rasos?

Eu me recuso a acreditar que as pessoas são medíocres. Sempre vejo muito potencial em cada uma. A mentira de que 8 parágrafos é “textão”, inventada pela geração internet que tem preguiça de se concentrar em leituras proveitosas, não pode nos vencer. Não pode vencer nossa vontade de crescer. Não pode derrotar o plano divino de que seus filhos e filhas cresçam sempre mais nos âmbitos intelectual, emocional e espiritual. Pois uma Igreja que não lê algo que vá além de três parágrafos está condenada à estagnação, à pobreza, à superficialidade e ao erro.

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Vamos além: como pessoas que não têm paciência de assistir a um vídeo com 5 ou 6 minutos de duração conseguirão manter a atenção necessária durante uma pregação de 40 minutos? É por essa razão, para conseguir prender a atenção de fieis cada vez mais incapazes de se concentrar, que muitas igrejas transformaram seus cultos em shows e seus pregadores em piadistas ou entretenedores. E mais: como pessoas sem paciência de assistir a um vídeo de 6 minutos conseguirão se concentrar em seus momentos de oração e meditação diárias, se sua mente não consegue ficar mais que 3 minutos atenta a algo sem se entediar? Não seria por isso que as reuniões de oração das igrejas vivem vazias? Estamos falando de um problema demasiadamente grave.

Como você pode ver, meu irmão, minha irmã, essa não é uma questão qualquer. É um fenômeno extremamente sério, que exige nossas reflexões – e a tomada de atitudes. Pois a impressão que dá é que vivemos na geração da preguiça mental, o que condenará aqueles que aceitarem a mediocridade de pensamento a uma vida de pouca aquisição intelectual, pouco conhecimento bíblico, pouca dedicação a disciplinas espirituais, pouca leitura, pouca paciência, pouca reflexão, pouca transformação, pouco crescimento… e muita limitação, mediocridade e superficialidade.

Concentração é algo fundamental para o desenvolvimento do indivíduo e das sociedades. A filosofia grega só surgiu porque aquela sociedade viveu, 2.400 anos atrás, um contexto social que permitia às pessoas ter tempo para pensar e refletir e, com isso, evoluir, transformar-se. Se os gregos da época de Sócrates, Platão, Tales de Mileto e outros tivessem preguiça de ler 8 parágrafos ou ouvir por 5 ou 6 minutos alguém… o pensamentos ocidental dos últimos muitos milênios teria sido paupérrimo. Graças a Deus aqueles homens se dedicavam a horas e horas de participação nas ágoras, a leituras extensas, a aprofundamento e crescimento. Deu no que deu.

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Tente imaginar quanto tempo Jesus levou para ministrar o Sermão do Monte. Já pensou se as pessoas que o estavam ouvindo desistissem de escutá-lo após 3 minutos de preleção? Talvez nem tivessem chegado ao final das bem-aventuranças! Os israelitas adoraram um bezerro de ouro porque foram vencidos pela impaciência ao esperar a descida de Moisés do monte. Saul sacrificou indevidamente porque considerou demais o tempo de chegada de Samuel. Sara não teve paciência de esperar e nasceu Ismael, o pai do povo árabe. A Bíblia mostra que a impaciência sempre gera maus frutos, enquanto a paciência, que é uma das virtudes do fruto do Espírito, gera frutos excelentes. Lembre-se da paciência de Jó, Davi, José e tantos outros que valorizaram o tempo certo para todas as coisas. Leve o tempo que levar! Leia Salmos 37.7; 40.1; Provérbios 25.15; Eclesiastes 6.8.

Meu irmão, minha irmã, se você chegou até este ponto da leitura, parabéns. Saiba que já percorreu 12 parágrafos. Isso prova, sem sombra de dúvida, que você tem o que é necessário para ser um leitor capaz de crescer diariamente no conhecimento e na reflexão sobre as coisas da vida cristã. Se lhe disserem o contrário, não acredite.

Portanto, fica a recomendação, em amor: use esse seu belo cérebro, que é perfeitamente capaz de se concentrar, adquirir conteúdo, refletir sobre o que leu ou ouviu e de tomar decisões de mudança de vida, para crescer no conhecimento, na renovação da mente e no avanço espiritual. Derrote os mentirosos que inventaram o conceito diabólico de “textão”, destinado a condenar o povo de Deus à mediocridade intelectual e espiritual. Você pode. Você consegue. Você é capaz.

Termino este meu texto (“ão” ou “inho”? Você decide) com uma reflexão: o Espírito Santo registrou sua verdade sagrada em um livro que contém cerca de 785 mil palavras, num total de 106 mil parágrafos e 3,6 milhões de letras. Repito: 785 mil palavras! Agora, por favor, me responda: você realmente acha que, se Deus estivesse mais preocupado com o tamanho dos textos do que na importância da leitura (gaste-se quanto tempo for necessário), ele teria registrado tudo num calhamaço de 785 mil palavras? Diante dessa realidade, você pode escolher: ou passa a acreditar na verdade divina de que não importa o tamanho do texto, mas, sim, sua qualidade, ou desiste de ler as Escrituras sagradas, porque, afinal, como diz o pensamento diabólico… senta que lá vem textão!

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

Uma grande parte dos divórcios ocorre porque a pessoa não suporta atitudes, posturas, pensamentos, prioridades e gostos do cônjuge. Em geral, quando isso acontece, a separação é justificada como “incompatibilidade de gênios”, um termo elegante que, em outras palavras, quer dizer: “eu não aguento mais tantas coisas que meu cônjuge faz e que me incomodam ou o jeito dele de ser”. Eu me entristeço quando isso ocorre, porque, sem se dar conta, tais pessoas estão desperdiçando oportunidades extraordinárias de cumprir o propósito primordial e bíblico do casamento. Falemos um pouco sobre isso.

Para que nós casamos? Essa pergunta é fundamental, pois, sem respondê-la biblicamente, seremos guiados em nossa vida conjugal por razões diferentes das do Criador. Uma resposta muito comum é: “Eu casei para ser feliz” – e essa é uma resposta errada. Ao ler isso, você imediatamente tenta outra alternativa e parte, então, para aquela frase que virou moda no meio evangélico: “Eu não casei para ser feliz, mas para fazer meu cônjuge feliz”. O grande problema é que essa também é a resposta errada. Por quê? Simplesmente porque ela não é bíblica. Se você está chocado por ler isso, eu pergunto: onde na Bíblia está dizendo que você casou para fazer seu cônjuge feliz? Pode procurar, e garanto que você não encontrará tal afirmação na Escritura. Até porque ela é uma invenção humana.

Claro que você não casa para ser infeliz ou para fazer seu cônjuge infeliz. Isso é óbvio. Deixar o cônjuge feliz é parte do mandamento de amar o próximo e buscar a própria felicidade é algo inerente ao ser humano. A grande questão é que a felicidade conjugal é consequência do casamento e não causa para se casar. Entenda, para não me compreender mal: a felicidade não deve ser a motivação de se subir ao altar, mas ela será um resultado natural de um matrimônio realizado pelas razões certas e bíblicas.

Diante disso, surge a pergunta: se a felicidade não é a motivação bíblica para alguém casar, qual é? Paulo é quem nos dá a resposta: “E sabemos que Deus faz todas as coisas cooperarem para o bem daqueles que o amam e que são chamados de acordo com seu propósito. Pois Deus conheceu de antemão os seus e os predestinou para se tornarem semelhantes à imagem de seu Filho, a fim de que ele fosse o primeiro entre muitos irmãos” (Rm 8.28-29). Eis a verdadeira razão para alguém casar: ser cada vez mais semelhante ao Filho, Jesus Cristo.

Tudo, absolutamente tudo, o que passamos nesta vida tem como função nos tornar cada vez mais parecidos com Cristo. O sofrimento tem essa função primordial. Os relacionamentos também. As conquistas. As perdas. As alegrias. As tristezas. As tragédias. As bênçãos.

E o casamento.

Deus não estabeleceu que casássemos com anjos. Ele fez a mulher da costela do homem, isto é, casamos com pessoas que carregam a mesma essência errante, as mesmas imperfeições que nós. É de admirar que pessoas tão imperfeitas como eu e você acreditemos que vamos casar com gente perfeita, que fará tudo do jeitinho que queremos, que não nos chateará, que será gentil como nós não somos, pacientes como nunca seremos, autocontrolados como eu e você nunca fomos, cônjuges espetaculares como ninguém jamais é. A verdade é que muitos divórcios ocorrem porque casamos acreditando na propaganda enganosa de que seremos “felizes para sempre” e que nosso cônjuge será diariamente um exemplo de marido ou mulher.

E é evidente que não estou me referindo a situações extremas, como a de maridos que espancam a esposa ou mulheres que vivem se deitando com outros homens. Refiro-me a imperfeições comuns, a defeitos naturais, a posturas idiossincráticas como todos nós temos. Abusos, crimes, agressões e outros desvios de conduta, caráter e moral são excessos inaceitáveis. Minha reflexão trata dos defeitos comuns e naturais a todos nós, que isso fique muito claro.

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Se casamos contando com a perfeição do cônjuge, sendo que nós mesmos nunca fomos, somos ou seremos perfeitos, é óbvio que acabaremos decepcionados com o casamento. O segredo, então, é nos darmos conta de que Deus já idealizou o matrimônio consciente de nossa imperfeição. Ele sabia desde o princípio que absolutamente todo casamento seria imperfeito, visto que formado por um homem e uma mulher imperfeitos – e, na verdade, contava com isso. Como assim? Eu explico.

Para que você seja assemelhado cada vez mais a Cristo, precisa ser lapidado e aperfeiçoado naquilo que o diferencia de Cristo. Assim, para que se torne mais amoroso, o casamento vai desafiá-lo a amar um cônjuge que muitas vezes você tem vontade de esganar. Para que seja cada vez mais paciente, seu casamento o exercitará diariamente na arte da paciência. Para que seja manso como Cristo é manso, conviver com seu cônjuge exigirá de você um exercício constante de mansidão. E assim por diante. A realidade é que conviver dia após dia, ano após ano, década após década com alguém pecador, difícil, briguento, cabeça dura, cheio de defeitos e imperfeições que você detesta é um exercício no qual você é aperfeiçoado na medida em que supera cada dificuldade, tal qual uma faca que é raspada constantemente numa pedra de amolar: ela sofre atritos perenes, mas é justamente graças a esses atritos que ela vai sendo afiada. O casamento tem essa função: nos afiar dia após dia, para que nos tornemos cada vez mais próximos do padrão de Cristo. “Como o ferro afia o ferro, assim um amigo afia o outro” (Pv 27.17).

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Para que Paulo não afundasse na arrogância (um câncer espiritual da pior espécie), Deus permitiu que ele vivesse por anos com um espinho na carne, algo que o atormentava (2Co 12.1-10). Esse exemplo bíblico deixa claro que Deus muitas vezes usa algo que nos é incômodo a fim de nos guindar a uma posição espiritualmente mais elevada e aperfeiçoada.

Pense no seu cônjuge. Fica agora a sugestão: em vez de enxergá-lo como um poço de defeitos incômodos, um fardo desagradável a ser carregado, procure vê-lo como um campo de treinamento, no qual você sua e se esforça para ser cada vez mais amoldado à semelhança de Cristo. Use cada oportunidade. Aproveite cada situação. Desfrute de cada chateação. E glorifique a Deus por ter um cônjuge tão imperfeito, pois é ao ser lapidado no contato diário com essa imperfeição que você é trabalhado pelas mãos do Senhor a fim de ficar cada vez mais parecido com Jesus, o Filho de Deus.

E, acredite, seu cônjuge também. Afinal, você não é tão bom quanto pensa.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >
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Minha filha de 6 anos tem um coração admirável. Ela é bondosa, amável, generosa, carinhosa e gentil. Gosta de dar presentes para as amigas e professoras, tem prazer em servir o papai (fazendo café, massagem e outros mimos), procura pacificar quando coleguinhas criam confusões na escola, não revida quando um amiguinho a machuca, esse tipo de coisa. Sou muito grato a Deus por ter-me dado uma filha com características que admiro tanto num ser humano e que me fazem suspeitar que ela tem a semente do Espírito Santo no coração. Mas há um momento da vida de minha filha em que não me sinto feliz com ela e fico profundamente incomodado com seu procedimento: os minutos seguintes a ela chegar da escola.

Minha bebê retorna do colégio de condução escolar, por isso vem junto com crianças de todas as idades, a maioria mais velha. E esse contato tem sido bastante prejudicial, pois ela aprende montes de coisas erradas, ouve e repete funks hediondos, aprende comportamentos mundanos, escuta e repete todo tipo de palavrões, vê e imita formas de falar desagradáveis e reprováveis. Com certa frequência, logo que chega em casa, no embalo da bagunça e do ambiente nada cristão do ônibus, ela entra porta adentro repetindo o que ouve e vê das demais crianças na condução. Sei que ela não se dá conta com total clareza de quão reprovável é tudo isso, então, geralmente, eu nessas horas preciso sentá-la, conversar com ela, orientar, explicar por que aquilo tudo é errado e chamá-la de volta ao seu modo habitual de ser. E ela escuta. Se dá conta do erro. E obedece. Em poucos minutos, a filhota volta a ser a criança de coração admirável que me faz sorrir. Com frequência, porém, após um ou dois dias ela volta a ser influenciada pelo meio que a cerca e novamente fala ou age de um jeito reprovável. E, novamente, tenho de pará-la, lembrá-la de que aquilo é errado e esperar que ela caia em si e volte a agir de modo que me faça orgulhoso e me deixe feliz. 

Um pai sempre quer que seus filhos ajam da maneira que ele considera correta. Se você é pai ou mãe sabe do que estou falando. Por essa razão, meu coração transborda quando minha bebê age com amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio. Fico exultante quando ela fala com gentileza, quando me relata que o amiguinho a mordeu mas ela conversou com ele e o perdoou, quando age como mediadora de colegas para acabar com brigas e levá-los a fazer as pazes. Nessas horas, fico orgulhoso e sinto um júbilo especial, uma sensação difícil de descrever. Por outro lado, quando a vejo imitar comportamentos que não estão de acordo com o que acho correto, fico triste, incomodado e sou impulsionado a fazer algo para que a filhota perceba que aquilo que está fazendo não é bom e não reflete quem ela é. 

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Se você acompanha há algum tempo o APENAS, sabe da minha cruzada pessoal para alertar meus irmãos e minhas irmãs em Cristo de que um cristão que se diz nascido de novo obrigatoriamente tem de manifestar as virtudes do fruto do Espírito. Não vejo base bíblica alguma que justifique alguém que se diz salvo ser destemperado, agressivo, bruto na forma de falar, se posicionar e discordar. Em minha visão bíblica, cristãos professos que se comportam dessa forma ou não nasceram de novo ou se deixaram enganar pelos “colegas do ônibus escolar”. Acreditam que podem ser cristãos e ao mesmo tempo arrogantes, debochados, maldizentes, depreciadores, semeadores de discórdia entre irmãos em Cristo, agitadores ou ofensivos. Isso é tão coerente quanto dizer que o fogo pode ser molhado. São conceitos imiscíveis, incompatíveis. 

Como pai, detesto quando minha filha fala de jeito reprovável ou age de modo que entristeça meu coração. Por essa razão, consigo sentir um lampejo do que Deus sente ao ver aqueles que se dizem seus filhos agirem como multidões têm agido, com destempero, descontrole, deboche, espírito faccioso e montes de outras obras da carne.

Você pode estar pensando: “Lá vem o Zágari de novo falar sobre esse assunto”. Desculpe, meu irmão, minha irmã, mas não consigo não falar. Pois, do mesmo modo que eu, por amor, jamais cessaria de apontar à minha filha os erros em sua forma de falar e agir até que ela se corrigisse, não consigo ficar inerte ao ver membros do mesmo Corpo que eu agindo e falando como mundanos e dar as costas a isso, fingindo que está tudo certo. Pois amo Deus demais para ver tantas atitudes que entristecem o coração divino e deixar por isso mesmo. Não dá. Não tenho como. Não consigo. Quero ver Deus sorrindo ao olhar para aqueles que se dizem seus filhos, e não entristecido pela forma desviada como muitos têm se comportado “em nome de Jesus”. 

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Assisti recentemente a um vídeo no YouTube em que dois manos conversam sobre islamismo. O vídeo foi ótimo. O meu erro foi decidir ler os comentários. Fiquei horrorizado com a forma como vi diversos cristãos discordando do que foi dito no vídeo. Quanta deselegância. Quanto mundanismo. Quanta ofensa gratuita. Meu intelecto limitado não consegue  compreender o que leva alguém que diz seguir os ensinamentos do Príncipe da Paz e do Manso Cordeiro a se comportar como o pior dos mundanos na hora de se posicionar, expor suas crenças e discordar de outras pessoas. Raiva, desdém e rancor no conteúdo. Palavras torpes, sentimento faccioso e descontrole na forma. Em suma: um jeito totalmente anticristão de ser. 

Meu irmão, minha irmã, pode ser que a ênfase da sua vida espiritual esteja em coisas como tentar transformar arminianos em calvinistas, pré-milenistas em amilenistas ou cessacionistas em pentecostais, não sei. Vejo muitos que fazem desse tipo de coisa a bandeira de sua missão. Eu respeito essa escolha, embora não a veja como prioritária. A minha missão é tentar mostrar que o amor com que Deus quer que nos amemos é indispensável para quem se diz cristão. Em tudo. Até mesmo na divergência de ideias.

Amar é o mandamento maior. E uma gigantesca parte da Igreja está ocupada demais para amar; ocupada atacando irmãos em Cristo que pensam de forma diferente, discutindo o sexo dos anjos, coando mosquitos e engolindo camelos, irando-se e se engajando em discussões áridas e infrutíferas. Amar pressupõe instruir e não desqualificar. Amar pressupõe ensinar com carinho e não fuzilar. Amar pressupõe ouvir o discordante com paciência e mansidão e não com cabeças balançando e olhares revirados. Amar pressupõe ver o bem do próximo e não tentar mostrar que o próximo é um burro que não entende nada daquilo sobre o que você acha que sabe tudo. Amar é algo muito mais elevado do que aquilo que muitos aprenderam no ônibus escolar e replicam achando que está tudo bem.

Eu sou um chato, eu sei. Vivo repetindo essa chatice que é a necessidade prioritária e urgente de amar. Tudo bem, já entendi que, para muitos, amor não é um tema tão empolgante como debates acadêmicos sobre o sexo dos anjos. Amar está muito fora de moda na era das redes sociais, na qual todo mundo se acha o ensinador dos não iluminados e que, em nome da defesa da sã doutrina que manda amar até mesmo os inimigos, é justificável agir com total desamor. Amor se tornou um assunto brega em muitos círculos teológicos. O negócio é discutir em congressos o que seria a igreja relevante (quando a Bíblia já diz há séculos que a igreja relevante é a que ama), debater em programas de TV doutrinas soteriológicas (quando não adianta nada ser calvinista ou arminiano se você não ama quem crê na doutrina em que você não crê), ridicularizar quem crê de maneira divergente quanto aos dons (quando Paulo deixa claro que o dom supremo é o amor).  E por aí vai. 

Não, meu irmão, minha irmã, amor não é assunto para revistas femininas adolescentes e para poesias infantiloides. Amor é a coluna vertebral do evangelho de Jesus Cristo. É pelo amor que somos identificados como discípulos do Nazareno. Mas, infelizmente, como muitos não amam, devotam a vida a assuntos menos importantes da fé, defendendo sua visão com total desamor. E isso não é cristianismo. 

A vida no útero materno não é um fim em si mesma, nós passamos nove meses na barriga de nossa mamãe em preparação para viver décadas do lado de fora, sendo formados, construídos. Do mesmo modo, esta vida terrena é uma preparação para a eternidade: vivemos poucas décadas aqui sendo forjados, moldados, lapidados a fim de viver bilhões de anos futuros na realidade vindoura. Fico pensando como seria a vida em novos céus e nova terra junto com pessoas desagradáveis, briguentas, ofensivas, intolerantes, tolas e que falam e se comportam como quem acabou de sair do ônibus escolar.

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A conclusão a que sou obrigado a chegar é que gente assim nunca viveria em novos céus e nova terra. Não foram transformadas. Dizem amar Cristo mas se comportam e falam como anticristos. Mas consigo imaginar com extrema facilidade aqueles que, por terem sido verdadeiramente transformados pela graça salvadora da cruz, devotaram suas décadas sobre a terra a viver de modo amoroso, amável, bondoso, caridoso, gentil, pacificador e manso circulando pelas ruas da cidade futura, onde Deus brilhará com sua luz de puro amor.   

Meu irmão, minha irmã, se Deus o chamou por sua graça, mas você percebe que ainda é uma pessoa bruta, ou sarcástica, ou iracunda, ou ofensiva, ou que gosta de ver o circo pegando fogo, ou que destrincha o Corpo de Cristo e semeia desunião e discórdias, ou que fala de modo agressivo, ou que é altiva, ou que devota seus dias a só ficar apontando o erro alheio mas arrogantemente não aceita reconhecer os próprios erros… eu só poderia lhe dizer uma coisa, por amor: arrependa-se.

Arrependa-se desses pecados e abra-se para o labor do Espírito Santo em sua vida. Abandone essas práticas carnais e mundanas, que não estarão presentes em novos céus e nova terra, e devote-se a ser aquilo que Deus espera ver naqueles que tomará para si na eternidade. Por favor, arrependa-se, enquanto ainda é tempo. E passe a amar com verdadeiro amor cristão, aquele que você não encontra nas poesias de Vinicius de Moraes e Renato Russo, mas vê, com total clareza, transbordar de cada página das Sagradas Escrituras.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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Gosto muito de refletir sobre questões importantes do evangelho de Cristo que parecem ter sido esquecidas por muitos cristãos. Ultimamente, por exemplo, tenho pensado muito sobre o peso espiritual da paciência. Você já ouviu alguma pregação sobre paciência e impaciência? Já leu algum livro sobre o tema, já foi a algum congresso teológico com esse assunto? Eu nunca. No entanto, Paulo escreveu que paciência é uma das nove virtudes do fruto do Espírito (Gl 5.22-23). E, se esse comportamento é tão virtuoso a ponto de ter sido incluído por Paulo nessa seleta lista, infere-se, naturalmente, que a impaciência é um comportamento que não agrada a Deus. Logo, precisamos falar e refletir sobre isso, com muita seriedade. 

Paciência (ou “longanimidade”, nas traduções bíblicas mais arcaicas) é ter paz no coração enquanto se espera que algo aconteça. É ficar sossegado diante da necessidade de aguardar. Portanto, a pessoa que manifesta o fruto do Espírito sabe esperar em paz. E por que isso é espiritualmente importante? Porque paciência tem tudo a ver com fé. 

Se fé é “a certeza de coisas que se esperam” (Hb 11.1), fica claro que nossa fé está diretamente relacionada com nossa capacidade de esperar. E se “sem fé é impossível agradar a Deus” (Hb 11.6), certamente desagradamos o Senhor se demonstramos impaciência, pois ela revela que não temos fé suficiente nele para aguardar de forma descansada. A impaciência demonstra, portanto, que não temos confiança inabalável no fato de que Deus está no controle de tudo e que tem total domínio sobre o tempo certo daquilo pelo que esperamos.  Impaciência é desconfiar da soberania divina. 

Deus é quem determina a hora exata de qualquer coisa acontecer, de acordo com seus propósitos. Isso fica claro quando vemos que Jesus só se fez carne na plenitude do tempo, predeterminada desde antes da fundação do mundo. De nada adiantaria a impaciência de querer que o Messias viesse logo, pois ele só viria no tempo preciso de Deus. Ele esperou trinta anos para iniciar seu ministério. A ressurreição só ocorreu após três dias, como Jesus antecipou que ocorreria. O povo de Israel precisou esperar 400 anos para sair do Egito e depois mais 40 para entrar na Terra Prometida. Jó precisou esperar “42 capítulos” para seu cativeiro ser virado. José teve de ser escravo e presidiário por muitos anos antes de se tornar o segundo em poder do Egito. Esses e muitos outros exemplos mostram que tudo acontece no tempo exato de Deus. Não adianta nada balançar o pé, ficar olhando para o relógio de dois em dois minutos ou roer as unhas até o talo. É tão somente quando Deus bater o martelo que o que tiver de ser… será. 

Se sabemos que tudo acontece no tempo exato de Deus, ficar impaciente revela que não temos fé suficiente nessa verdade. Impaciência revela, portanto, falta de confiança em Deus. 

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Se você está esperando por algo, meu irmão, minha irmã, entregue a Deus e confie nele. Saiba que o Senhor tem os olhos voltados para você e está ciente da situação. Uma de três coisas acontecerá: 

  1. Deus pode fazer o que você espera, no tempo em que você gostaria. Nesse caso, não é necessário exercer paciência. 
  2. Deus pode não fazer nunca o que você espera; e, nesse caso, ficar impaciente simplesmente não terá absolutamente nenhuma serventia, só alimentará uma ansiedade inútil; ou
  3. Deus pode fazer o que você espera, mas no tempo dele e não no seu.  Nesse caso, sua impaciência será inócua, não adiantará nada, não fará Deus se apressar e a vontade dele prevalecerá de qualquer jeito. A única vantagem da sua impaciência é… bem, não há vantagem alguma na sua impaciência. 

Está claro, então, que ficar impaciente é inútil. Não adianta nada. E ainda demonstra falta de confiança no Senhor, o que certamente o desagrada. 

Meu irmão, minha irmã, espere com paciência no Senhor, sabendo que ele em absolutamente tudo é soberano. Tudo acontecerá na hora certa, da forma correta, de acordo com a boa, agradável é perfeita vontade do seu Santo Pai. O que você tem de fazer? Descansar. Lance sobre Cristo toda a sua ansiedade e relaxe. Ficar agoniado, angustiado, querendo que tudo ocorra no tempo que você quer só fará mal à sua pressão arterial e provocará queimação gástrica. Talvez uma úlcera. Vantagem na prática? Nenhuma. Então… paciência! 

“Porque, na esperança, fomos salvos. Ora, esperança que se vê não é esperança; pois o que alguém vê, como o espera? Mas, se esperamos o que não vemos, com paciência o aguardamos” (Rm 8.24-25).

Sede vós também pacientes e fortalecei o vosso coração, pois a vinda do Senhor está próxima. […] Irmãos, tomai por modelo no sofrimento e na paciência os profetas, os quais falaram em nome do Senhor. Eis que temos por felizes os que perseveraram firmes. Tendes ouvido da paciência de Jó e vistes que fim o Senhor lhe deu; porque o Senhor é cheio de terna misericórdia e compassivo” (Tg 5.8-11).

“Ora, o Deus da paciência e da consolação vos conceda o mesmo sentir de uns para com os outros, segundo Cristo Jesus, para que concordemente e a uma voz glorifiqueis ao Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo” (Rm 15.5-6). 

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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Um dos maiores equívocos que a cultura popular já inventou é que “religião não se discute”. Convenhamos: debater sobre religião é muito legal. É gostoso, enriquecedor, empolgante. Lógico que religião se discute! E, com o surgimento da Internet e, em especial, das redes sociais, essa atividade ganhou um forte impulso: agora você pode debater sobre questões teológicas deitado no seu sofá, sem ter de tomar banho ou pentear o cabelo, com muitas pessoas ao mesmo tempo, sobre os mais variados temas da teologia. Ficou fácil demais se engajar em discussões doutrinárias, participar de rodas de conversa teológicas, expôr seu ponto de vista religioso. Portanto, religião se discute, sim, e mais do que nunca. 

Diante dessa realidade, será que devemos ter critérios para selecionar de que debates devemos participar e como precisamos nos posicionar? Mais ainda: será que há ponderações bíblicas que nos ajudem a decidir o que debater e como debater?

Acredito que sim. Por isso, gostaria de compartilhar com você dez perguntas que levo em conta, com base na Bíblia, que me fazem, na maioria das vezes, conter meu ímpeto de ingressar em um debate teológico. Espero que lhe seja útil. Se você concordar ou discordar, seus comentários são muito bem-vindos. O que sugiro é que, ao ser tentado a entrar em alguma discussão acerca da fé, antes de entrar você sempre se faça estas dez perguntas (leia com extrema atenção as citações da Bíblia):

1. Quero participar desse debate para glorificar a Deus ou para a minha própria glória, mostrando como sou superior àquele com quem debato em aspectos como inteligência, conhecimentos e poder de argumentação?

“Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus. Não vos torneis causa de tropeço nem para judeus, nem para gentios, nem tampouco para a igreja de Deus, assim como também eu procuro, em tudo, ser agradável a todos, não buscando o meu próprio interesse, mas o de muitos, para que sejam salvos” (1Co 10.31-33). 

* * *

2. Quero participar desse debate com foco no reino de Deus ou para obter reconhecimento e receber elogios das pessoas, que ficarão encantadas ou impressionadas pelo meu desempenho?

“… buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas” (Mt 6.33). 

“Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo” (Rm 14.17).

“Porque o reino de Deus consiste não em palavra, mas em poder” (1Co 4.20). 

* * *

3. Quero participar desse debate por amor àquele com quem estou debatendo ou para derrotá-lo, num exercício de ego cuja função é mostrar que eu sei muito e sou capaz de vencer os argumentos do próximo? 

“Se alguém disser: Amo a Deus, e odiar a seu irmão, é mentiroso; pois aquele que não ama a seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê. Ora, temos, da parte dele, este mandamento: que aquele que ama a Deus ame também a seu irmão” (1Jo 4.20-21).

“Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade; porém não useis da liberdade para dar ocasião à carne; sede, antes, servos uns dos outros, pelo amor. Porque toda a lei se cumpre em um só preceito, a saber: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Se vós, porém, vos mordeis e devorais uns aos outros, vede que não sejais mutuamente destruídos” (Gl 5.13-15. Leia, ainda: Mt 19.19; 22.39; Mc 12.28-31; Rm 13.9; Tg 2.8).

* * *

4. Se eu participar desse debate será com a intenção de prestar um serviço àqueles com quem debato, motivado por amor a eles? 

“Andai em amor, como também Cristo nos amou e se entregou a si mesmo por nós, como oferta e sacrifício a Deus, em aroma suave” (Ef 5.2). 

“Tirou a vestimenta de cima e, tomando uma toalha, cingiu-se com ela. Depois, deitou água na bacia e passou a lavar os pés aos discípulos e a enxugar-lhos com a toalha com que estava cingido. Ao terminar, retomou seu lugar e disse-lhes: ‘Ora, se eu, sendo o Senhor e o Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros. Porque eu vos dei o exemplo'” (Jo 13).

* * *

5. Participar desse debate me fará mais semelhante a Cristo? 

“Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos” (Rm 8.29). 

“E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito” (2Co 3.18)

“Aquele que diz que permanece nele, esse deve também andar assim como ele andou” (1Jo 2.6). 

* * *

6. Estou motivado a participar desse debate em postura de total humildade, a exemplo de Jesus, ou com arrogância, vaidade, orgulho e partidarismo (paixão pelo grupo humano, doutrinário, teológico ou denominacional ao qual pertenço)? 

“Nada façais por partidarismo ou vanglória, mas por humildade, considerando cada um os outros superiores a si mesmo. Não tenha cada um em vista o que é propriamente seu, senão também cada qual o que é dos outros. Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz” (Fp 2.3-8).

* * *

7. Eu entrarei nesse debate com mansidão ou serei arrogante nas discussões? Se houver essa possibilidade, ainda assim pretendo ir adiante em vez de abrir mão de participar?

“Abominável é ao Senhor todo arrogante de coração; é evidente que não ficará impune” (Pv 16.5).

“Assim como o vinho é enganoso, tampouco permanece o arrogante, cuja gananciosa boca se escancara como o sepulcro e é como a morte, que não se farta; ele ajunta para si todas as nações e congrega todos os povos” (Hc 2.5). 

“Ora, é necessário que o servo do Senhor não viva a contender, e sim deve ser brando para com todos, apto para instruir, paciente, disciplinando com mansidão os que se opõem, na expectativa de que Deus lhes conceda não só o arrependimento para conhecerem plenamente a verdade, mas também o retorno à sensatez, livrando-se eles dos laços do diabo, tendo sido feitos cativos por ele para cumprirem a sua vontade” (2Tm 2.24-26). 

* * *

8. Se eu participar desse debate, o farei manifestando virtudes espirituais ou as obras da carne?

“Ora, as obras da carne são conhecidas e são: […] inimizades, porfias, ciúmes, iras, discórdias, dissensões, facções […] e coisas semelhantes a estas, a respeito das quais eu vos declaro, como já, outrora, vos preveni, que não herdarão o reino de Deus os que tais coisas praticam. Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio. Contra estas coisas não há lei. E os que são de Cristo Jesus crucificaram a carne, com as suas paixões e concupiscências. Se vivemos no Espírito, andemos também no Espírito. Não nos deixemos possuir de vanglória, provocando uns aos outros, tendo inveja uns dos outros” (Gl 5.19-26). 

* * *

9. Meu objetivo ao participar desse debate é promover a paz ou botar lenha na fogueira?

“Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus” (Mt 5.9).

“Honroso é para o homem o desviar-se de contendas, mas todo insensato se mete em rixas” (Pv 20.3)

“Como o abrir-se da represa, assim é o começo da contenda; desiste, pois, antes que haja rixas. […] O que ama a contenda ama o pecado; o que faz alta a sua porta facilita a própria queda. […] Os lábios do insensato entram na contenda, e por açoites brada a sua boca” (Pv 17.14,19; 18.6). 

“Fazei tudo sem murmurações nem contendas, para que vos torneis irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis no meio de uma geração pervertida e corrupta, na qual resplandeceis como luzeiros no mundo” (Fp 2.14-15). 

“De onde procedem guerras e contendas que há entre vós? De onde, senão dos prazeres que militam na vossa carne?” (Tg 4.1).

Ora, é em paz que se semeia o fruto da justiça, para os que promovem a paz” (Tg 3.18).

* * *

10. Meu desejo de participar desse debate vem acompanhado de igual desejo de praticar as obras da piedade ou é apenas um fim em si mesmo? Em outras palavras, será que eu ponho em prática no dia a dia os atos de bondade pressupostos pelo evangelho de Cristo? Ou meu negócio é só falar, falar e falar, ficando satisfeito ao final do debate, mas sem pôr em prática a piedade que defendo na teoria?

“Se alguém supõe ser religioso, deixando de refrear a língua, antes, enganando o próprio coração, a sua religião é vã. A religião pura e sem mácula, para com o nosso Deus e Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e a si mesmo guardar-se incontaminado do mundo” (Tg 1.26-27).

“Meus irmãos, qual é o proveito, se alguém disser que tem fé, mas não tiver obras? Pode, acaso, semelhante fé salvá-lo? Se um irmão ou uma irmã estiverem carecidos de roupa e necessitados do alimento cotidiano, e qualquer dentre vós lhes disser: Ide em paz, aquecei-vos e fartai-vos, sem, contudo, lhes dar o necessário para o corpo, qual é o proveito disso?Assim, também a fé, se não tiver obras, por si só está morta. Mas alguém dirá: Tu tens fé, e eu tenho obras; mostra-me essa tua fé sem as obras, e eu, com as obras, te mostrarei a minha fé. Crês, tu, que Deus é um só? Fazes bem. Até os demônios crêem e tremem. Queres, pois, ficar certo, ó homem insensato, de que a fé sem as obras é inoperante?” (Tg 2.14-20).

* * *

Meu irmão, minha irmã, sigamos a orientação bíblica: “Examine-se, pois, o homem a si mesmo…” (1Co 11.28). Seja honesto nesse exame. Analise quais são as verdadeiras motivações que levam você a participar de debates sobre a fé, seja com cristãos, seja com descrentes. Todos os dias vejo cristãos se engajarem em debates sobre aspectos da fé que levam do nada ao lugar nenhum; que só promovem rixas, bate-bocas e contendas entre irmãos; muitas vezes motivados por ego, vaidade e partidarismo; de forma totalmente dissociada da prática da piedade. Isso ocorre em programas de televisão, programas de rádio, postagens do facebook, podcasts, blogs, vlogs e outras ágoras virtuais ou presenciais.

Se a sua motivação para se engajar em um debate sobre a fé for a glória de Deus e o reino dos céus, e o amor pelas pessoas com quem você vai debater e o desejo de servi-las; se você perceber que entrar nesse debate o fará se assemelhar mais a Cristo; e se você estiver disposto a se posicionar no debate com real humildade e mansidão, manifestando as virtudes do fruto do Espírito Santo, a fim de promover a paz e em consonância com uma vida cotidiana marcada por obras de piedade, ótimo! Debata quanto quiser! Dou todo o meu apoio. É bom e é certo.

Porém, se a sua motivação para se engajar em um debate sobre a fé for a glória de si mesmo, com o recebimento de elogios, reconhecimento humano e a vontade egocêntrica de ser visto como alguém superior à pessoa com quem está debatendo; se você está mais motivado a derrotar aquele com quem está debatendo do que a amá-lo e servi-lo; se você percebe que sua postura ao debater é arrogante, orgulhosa e partidária, manifestando ao debater obras da carne como ira, dissensões e inimizades, sem se preocupar por estar pondo lenha na fogueira; e se notar que o prazer de debater é maior que o prazer em viver no dia a dia as obras da piedade, então a minha recomendação é que repense totalmente a sua participação nesses debates. Recomendo que se cale, busque cristãos mais experientes e piedosos com quem se aconselhar (fora do seu séquito de admiradores), repense suas práticas e busque na oração e na leitura das Escrituras a renovação da sua mente, pois você está muito distante do ideal bíblico. E, somente quando conseguir desenvolver um coração assemelhado ao de Jesus, volte a debater as coisas da fé. Até lá, é hora de aprender e não de ensinar.

Debater religião ou teologia não é o problema, nem de longe. Isso precisa ser feito. A questão é: o que te motiva? E como você faz isso? Lembre-se de que crer, até os demônios creem. Portanto, você pode usar excelentes argumentos, mas se for com as motivações erradas e de maneira que desagrada a Deus, melhor é se calar. Para o seu próprio bem. Pois Deus não precisa que ninguém o defenda. Mas ele precisa que seus filhos tenham o coração no lugar certo e ajam da maneira certa.

O resto? É vaidade. Vaidade e correr atrás do vento…

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
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