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O encontro diário de quem foi chamado com aquele que o chamou é uma experiência ímpar da jornada. Mais do que o deslumbre que se tem ao se entrar em uma catedral pomposa e luxuosa, é o êxtase da intimidade que maravilha o verdadeiramente devoto. Para o filho, paredes, vitrais, arcos e colunas significam pouco; é o calor da presença do Pai no aconchego do quarto vazio e silencioso que o abraça e aquece seu coração. É ali, na solitude do choro e dos sorrisos que ninguém vê que o penitente encontra consolo para o coração cansado. 

Seu jugo é suave. Seu fardo é leve. Sobre ele repousam todas as nossas ansiedades. E ele nos chama para isso, sem restrições. “Fecha a porta e vem falar comigo”, sussurra, convidativo. Ali, você lhe diz quanto doeram as ofensas sofridas naquela tarde, a acusação ouvida naquela manhã, o abandono da véspera, a dor de testemunhar a dor do próximo. Ele quer ouvir de você quanto doeu o desprezo do irmão que sentou ao seu lado na igreja e a deslealdade do seu líder, que contou os seus pecados para outras pessoas. Ele, o amado,  balança a cabeça. E sussurra: “Perdoa, eles não sabem o que fazem”. Ele te entende. E lhe dá a paz. 

Depois de consolá-lo, ele põe uma mão em seu ombro, encostando em sua pele a chaga que lhe deu perdão, e diz: “E quanto a você? Quem você feriu? Em que você me entristeceu?”. Ele já sabe a resposta, mas quer ouvir dos seus lábios. Dói, eu sei, mas é preciso dizer. Pôr para fora. Confessar. Cabisbaixo, você reconhece as mentiras, o dano, a fraqueza, o ódio, os pensamentos transgressores. Sua impureza sai pelos seus lábios, as lágrimas descem, o Santo Espírito toca seu coração e o convence: é pecado. O arrependimento arde. A chaga é eficaz. Arrependimento. Confissão. Perdão. Restauração. 

Você sorri. Ele sorri. Agora, mais leve, é hora de conversar em maiores profundidades. 

“Sobre o que o Senhor quer que eu fale?”, você indaga. “Sobre o que você quiser”, é a resposta. Ele segura suas mãos, como se conduzindo seus passos, suas palavras e prioridades, seus interesses e desejos. E você fala. Desabafa. Compartilha. Lança o fardo. 

Depois de muito falar, vem o silêncio. Parece que ele deseja que você pergunte algo, mas você não sabe o quê. Ele ajuda: “Quer me ouvir agora?”. Você balança a cabeça, positivamente. E ele começa a discorrer sobre compaixão e graça. Fala sobre perdão. “Eles não sabem o que fazem”, repete. E você é levado a amar, estender graça e misericórdia.  Se é difícil, creia, ele ajuda. 

É quando você transborda. Seus joelhos escorregam para o chão, seu beijo toca as chagas que adornam os pés do Cordeiro. Seus olhos cantam lágrimas enquanto seus lábios transpiram louvores. É momento apenas de amar. Elogiar. Agradecer. Reconhecer. Adorar. 

Quando o coração transborda, ele puxa você para seu abraço. Ali, acolhido no seio do Amor, você encontra o lar. Sim, ali é seu lugar. Ali é o descanso. Ali é a paz. 

Findo o momento tão belo e transformador chamado oração, ele se despede, sem ir embora. Você não o vê, mas ele prossegue ali. E prosseguirá, todos os dias, até o fim dos tempos. O amém soleniza o fim daquele momento. Você se põe de pé e deixa o quarto, o secreto, o teu suntuoso e íntimo templo pessoal de comunhão, de culto, e sai para enfrentar aquele mundo em que há aflições. 

Mas… há paz. Há ânimo. Pois ele venceu o mundo. Ele venceu a morte. Ele venceu a serpente. Ele venceu o pecado. Ele venceu. E, porque você é filho, é herdeiro da vitória. 

As coisas têm sido difíceis, meu irmão, minha irmã? Vá ao quarto. Vá ao secreto. Beije as chagas. Deixe o fardo, receba a paz. E, depois…

Depois?

Depois é só se lembrar de que ele tem cuidado de você. E continuará cuidando, pelos séculos dos séculos. 

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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