Unhas pretas são um negócio feio demais. Eu detesto ver pessoas com as unhas encardidas, pois passam uma ideia de sujeira, desleixo e negatividades semelhantes. Porém, preciso confessar que, ultimamente, tenho vivido com as unhas pretas em boa parte de meus dias. A razão para isso é que decidi me dedicar a transformar meu apartamento em um grande jardim suspenso. Com isso, tenho mexido em terra diariamente, plantado, replantado, podado e – a suma tarefa que deixa as unhas pretas – enfiado sempre um dedo na terra de cada vaso para verificar se já está seca e é necessário regar, ou não. Não gosto do resultado, pois me vejo obrigado a ficar lavando e raspando com frequência minhas unhas se não quero parecer um ogro sujismundo, mas não tem o que fazer: é o que todos os entendidos de jardinagem e paisagismo recomendam caso você não queira matar suas plantinhas afogadas ou esturricadas. Então, o preço para mantê-las vivas, e bem, é empretar as unhas.

Para amar o próximo de fato e não só na teoria, muitas vezes é preciso sujar a unha. Abrir mão do tempo em que você estaria lendo um livro para chorar com quem chora. Dedicar horas de seu merecido descanso a algo que não lhe dará nenhum lucro além de ver seu amigo sorrir. Dormir tarde para ouvir o desabafo do estressado. Acordar cedo para ajudar a viúva. Adiar o banho para abraçar o desesperado. É, meu irmão, minha irmã, é impossível se dedicar em amor verdadeiro ao próximo sem deixar as unhas pretas.

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Frequentemente, somos tentados a deixar para lá ou terceirizar a tarefa de amar o próximo. Afinal, ficar limpando e raspando a terra de sob a unha dá trabalho. Já perdi a conta de quantas vezes eu, vergonhosamente, me omiti no cuidado e no amor ao próximo por não querer ficar com as unhas sujas e, por isso, sei que é muito mais fácil virar a cara quando plantas murchas e carentes de cuidados aparecem em nosso caminho. Porém, se o fazemos, as plantas morrem. O preço de nosso desleixo e omissão no cuidado com quem precisa é um cotoco ressecado, desfolhado, infrutífero, sem flores. Sem viço. Sem vida. Uma triste lembrança de uma bela planta, que acabou-se porque preferimos ficar com as unhas limpas do que nos dedicarmos a ela. Falta de amor faz isso.

Amar o próximo é mandamento. É preceito que está no topo da pirâmide. Dizer que ama a Deus mas não amar o próximo, em verdade e de forma prática, é atitude que faz de nós mentirosos, diz a Palavra. A olhos humanos limitados por sua humanidade, amor pode ser uma opção, uma escolha.  Mas, para Deus, não é. Amor ao próximo é mandamento. É ordenança divina. É dever sagrado e inegociável. Não dá para se dar conta de que algo é mandamento, fazer a “opção” de agir diferente e achar que tudo está bem. Não. Nada disso. Deus não nos diz para amarmos o próximo “se quisermos” ou “se optarmos por isso”. Não. Ele diz: “Enfie o dedo na terra. Se sujar a unha, paciência, depois você limpa”.

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Meu irmão, minha irmã, você tem fugido do amor prático ao próximo porque não quer ficar com a unha preta ou não quer se dar ao trabalho de limpá-la depois? Eu não te condeno, pois já fiz isso muitas vezes. Desgraçadamente, mas fiz. E preciso dizer: que vergonha sinto por isso. Que vergonha sinto de ter cometido o pecado do desamor.

Deus, tem misericórdia de mim, pois sou pecador. Preferi muitas vezes ficar com as unhas limpas do que me dar ao trabalho de sujá-las por amor ao próximo. Perdoa-me e ajuda-me a vencer a mim mesmo, ao meu egoísmo, ao meu egocentrismo e à minha sanha preguiçosa, e mostra-me o caminho do amor. O caminho da unha preta. O caminho do reino de Deus.

E você, pode fazer essa oração?

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

comentários
  1. GUILHERMINA CORREIA disse:

    Olá irmão Maurício !!!
    Que Boa Mensagem, e o título LINDO. ´´ O CAMINHO DA UNHA PRETA “.
    Jamais me vou esquecer.
    É um Mandamento DIVINO !!! AMÉN.
    Que TODOS o possamos praticar, sempre que possível.
    Abraço.

    Irmã Guilhermina Correia – Lisboa – Portugal

  2. Juliana disse:

    A paz, irmão Maurício!
    Agradeço a Deus pela sua vida e pelo seu talento de escrever textos pra nós, seus irmãos, sempre nos ajudando.
    Muitos dão menos importância a esse mandamento, de amar nosso Deus também amando o próximo. Numa época em que valorizam tanto o “eu”, sofrer para ajudar alguém que necessita parece um erro, ainda mais se não tiver nada em troca. Mas nós não somos desse mundo, e não devemos nos conformar a isso, mas obedecer nosso Senhor, há quem procure somente as bênçãos de Deus e não os mandamentos, mas obedecer os mandamentos é um tanto mais abençoador do que se possa imaginar.
    Abraços, querido!

    • Verdade, Juliana. Que possamos, cada um dentro de seu círculo de ação, pôr em prática o que Deus nos ordena, pois isso não é um fardo, mas um privilégio que deve nos encher de alegria.
      .
      Um abraço fraterno para ti,
      mz

      • Juliana disse:

        Exatamente, meu irmão, deve ser uma alegria, e sinto alegria quando posso ajudar alguém.
        Abraços! 🙂
        Sigo você no Instagram e vejo como estão suas plantas, parabéns! E todas as suas fotos por lá são abençoadoras!

      • Olá, Juliana,
        .
        que essa alegria nunca falte no teu coração!
        .
        É mesmo? Qual é seu nome no instagram? 🙂 E obrigado pelo carinho, procuro mostrar as coisas belas da criação de Deus por lá: natureza, família etc.
        .
        Abraço fraterno,
        mz

      • Juliana disse:

        Verdade, meu irmão, obrigada pelas palavras. É @silvaq.ju (perfil no instagram). De vez em quando comento nos seus posts do instagram. Abraços! Obrigada pela sua gentileza de sempre ❤

  3. jose severino filho jose severino disse:

    Obrigado pela mensagem.
    É uma grande verdade, precisamos aprender com JESUS Cristo a amar o próximo. Até porquê é segundo mandamento e é de fundamental importância para termos um relacionamento com Deus.
    Não vamos ter um relacionamento com Deus se não tivermos um relacionamento com o próximo.
    Obrigado também pelos livros indicados.
    Um forte abraço

    Enviado do meu smartphone Samsung Galaxy.

  4. Anônimo disse:

    Olá , Maurício .
    Gostaria de perguntar sobre ter raiva contra Deus .
    Creio que é pecado sim , mas tenho estado frustrado pois depois de quase cinco anos como cristão , tenho agora , esses pensamentos contra Deus , me sinto regredindo na fé .
    Tenho questionado sobre Sua vontade , ela é boa perfeita e agradável para quem?
    Também tenho pensado que seria melhor se Deus não existisse e consequentemente não tivesse criado nada nem ninguém.
    Tenho semeado um certo desprezo contra Deus .
    Com isso não parei de ler as escrituras e de orar , para tentar conhecer melhor a Deus.    Mas ta feia a coisa.
    A essa altura você deve imaginar que tem a ver com o sofrimento no mundo.
    Não seria questionável o por quê Deus usar o mal e o sofrimento , até mesmo contra Si mesmo na pessoa de Cristo? Pois pra alguém que é Onisciente , será que não tinha nenhuma opção melhor?
    Eu sei que no fim coopera para o bem dos que amam a Deus e que nossos sofrimentos são leves e momentâneos comparado com a glória futura e que nossa esperança não é para esse mundo. Mas tenho que admitir que é irritante .
    Jó sentiu raiva de Deus?
    Falando nele eu estou mais para ” amaldiçoa Seu Deus e morre” do que ” O Senhor deu e o Senhor tirou , louvado seja Deus”.

    Se puder me ajudar eu agradeço .
    Abraço.

    Desculpa pelo texto longo.

    • Meu mano, não tem pelo que desculpar. Seus questionamentos não são raros e muita gente boa ao longo da história da igreja o fez. O perigo é estacionar neles e não ir adiante.
      .
      Mais do que escrever algo em um parágrafo, eu gostaria de indicar alguns livros, que podem ajudá-lo bastante nisso. Se me permite, recomendo com ênfase, que os leia:
      .
      – “Caminhando com Deus em meio à dor e ao sofrimento”, de Timothy Keller (Editora Vida Nova) – https://amzn.to/2I3QaLn
      – “Chamados para dor e alegria: O valor do sofrimento para a vida cristã”, de Ajith Fernando (Editora Vida Nova) – https://amzn.to/2HN48Sa
      – “O fim do sofrimento: Um livro para quem busca consolo e esperança nos momentos mais sombrios”, de Maurício Zágari (Editora Mundo Cristão) – http://amzn.to/2Er1RaX
      – “A pergunta que não quer calar”, de Philip Yancey (Editora Mundo Cristão) – https://amzn.to/2FIF4tw
      .
      Peço a Deus que essas leituras tragam luz para a sua mente, paz ao seu coração e força a suas pernas, meu mano.
      .
      Abraço fraterno,
      mz

  5. Odilar Júnior disse:

    Eu me de uma imagem que circula na internet, onde há um lápis com a ponta feita e as outras bem gastas, com a mensagem: “é fácil ser perfeito quando não se faz nada”. Ótimo texto.

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