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Esta semana fui pela segunda vez a um presídio. Na terça-feira, passei o dia no Evaristo de Moraes, no Rio, unidade prisional que fica dentro do Morro da Mangueira, bem pertinho do estádio do Maracanã. Depois de ter estado lá em novembro passado para fazer uma ministração, recebi novamente um convite da penitenciária para ministrar, desta vez, duas palestras, para 300 detentos. Fiquei lá de manhã até o fim da tarde. Como da primeira vez, foi uma experiência inesquecível. 

Se você nunca foi a um presídio, fica a recomendação: vá. É tão importante passar um dia numa penitenciária quanto passar um dia numa conferência teológica. É algo que mexe com nossa espiritualidade e nos faz refletir profundamente sobre questões centrais da fé cristã, como a extensão do pecado, a possibilidade de arrependimento, a viabilidade da metanoia bíblica, o significado de amor pelos inimigos, perdão, graça. Lá discussões sobre questões como calvinismo x  arminianismo, pedobatismo x credobatismo, cessacionismo x continuísmo e outros temas periféricos da fé simplesmente ficam dos portões para fora. No universo prisional, gastar tempo com debates sobre temas como “o cerne do pensamento de Armínio”, “a epistemologia do ser” e “o que é um reformado” é tão relevante quanto querer ensinar as funções do bóson de Higgs ou discutir sobre as propriedades do top quark. Você não sabe o que é isso? Pois é. 

O choque de realidade é enorme, pois um presídio parece um universo paralelo. Pense em um lugar no coração de uma metrópole em que ninguém tem celular e não existe acesso à Internet. Quem está preso ali há alguns anos nunca segurou um smartphone, não faz ideia do que é whatsapp e não consegue entender que graça tem esse tal de Facebook. Na falta de cursos profissionalizantes, atividades artísticas ou outras iniciativas de enriquecimento epistêmico ou intelectual, num lugar como esse resta às pessoas ocupar o tempo com ações que deixaram há bastante tempo de fazer parte da rotina de muitos que estão do lado de fora: ler e refletir. A biblioteca do Evaristo de Morais é a meca do passatempo dos detentos e tive a alegria de doar livros meus para ela, a fim de serem lidos pelos internos ao longo dos anos que virão. 

Cheguei ao presídio para fazer duas palestras, levando dez exemplares de livros que escrevi para presentear os detentos e, naturalmente, achei que eu é que estava levando algo para eles. Mas, na realidade, eu é que saí de lá enriquecido, principalmente pelas conversas que tive. Vivi momentos incríveis no cárcere. Tive a oportunidade de bater papo com um dos detento sobre – acredite – Nietzsche, Eça de Queiroz e Aldous Huxley. Ouvi histórias de gente presa pelos mais variados crimes, do estelionato ao assassinato, passando pelo estupro e o tráfico de drogas. Ouvi experiências horripilantes de gente que esteve no coração das facções criminosas. Escutei relatos sobre vivências que você acha que só existem nos filmes de Hollywood, de pessoas que reconhecem sem dar justificativas a maldade de seus atos passados. Ninguém sai o mesmo de conversas como essas. 

Algo que ir a um presídio e conversar com os internos faz é dar ao “bandido” uma identidade. De repente, você está sentado ao lado de um daqueles caras que só vê no telejornal ou escondendo o rosto, algemado, no Cidade Alerta e descobre que ele tem nome, sonhos, pensamentos, arrependimentos, sentimentos e ideias. Descobre que todos são gente. Gente que cometeu atos atrozes, mas que ainda carrega em si a semente da imagem e semelhança de Deus. Conversei com alguns que hoje demonstram repulsa pelos crimes que cometeram e têm um desejo verdadeiro de se tornarem pessoas produtivas e de bem quando saírem da prisão. Um dos detentos com quem bati papo quer fazer faculdade de medicina. Outro quer se formar em psicologia e ajudar a criar projetos que ajudem a ressocializar presos. Dois querem pregar o evangelho a jovens envolvidos no tráfico de drogas.

É incontestável que há, sim, os que almejam prosseguir no crime sem arrependimentos, nem todo mundo se emenda. Mas, com toda certeza, os relatos de seres humanos verdadeiramente arrependidos que conheci ali me fazem considerar expressões como “bandido bom é bandido morto” uma das maiores aberrações que a humanidade já criou. Esse pensamento é algo absolutamente alienígena ao que o evangelho propõe e é o cúmulo do absurdo um cristão pensar tal coisa, pois acreditar nisso é desconsiderar a possibilidade de uma pessoa desencaminhada arrepender-se, mudar de vida e construir uma nova história, após ter pago junto à justiça pelo crime que cometeu. 

Chama a atenção no Evaristo de Moraes a quantidade de detentos evangélicos, fruto da ação evangelística especialmente de membros de denominações pentecostais e neopentecostais. Lá dentro há uma igreja e um pavilhão inteiro de presos que se identificam como protestantes. Não sou ingênuo de achar que todos são verdadeiramente convertidos, há os meros simpatizantes e os inconversos aproveitadores, mas, com absoluta certeza, muitos de fato tiveram um encontro real com Jesus no cárcere. Negar isso é negar a ação do Espírito Santo. São pessoas presas pelos mais variados crimes e que, sim, hoje são meus irmãos em Cristo. E seus. Não posso desconsiderar que Jesus salva e transforma bandidos cruéis em homens da paz entre as paredes de uma prisão. 

Saí do presídio Evaristo de Moraes mais rico do que entrei. Eu vi a besta face a face, olhei dentro de seus olhos e constatei que é possível ela se tornar mansa como um cordeiro, conformada à semelhança do Cordeiro. Diante de crimes horríveis e hediondos, minha carne pede apenas punição e justiça, mas não posso negar o poder do evangelho de tornar o violento alguém que se opõe à violência. Por isso, hoje, meu espírito pede mais que justiça: pede justificação. 

A maioria dos 300 homens que me ouviram – entre eles, três travestis, diversos umbandistas e kardecistas – escutou com atenção e respeito as preleções. Muitos vieram falar comigo ao final de cada ministração. Vi nos olhos e nas palavras de muitos o desejo sincero por um recomeço. E, a partir de hoje, esta será minha oração: que cada presídio se torne não um depósito de gente ou um purgatório cuja única função seja a sádica punição de bestas-feras humanas, mas um verdadeiro local de transformação. Se o Estado não é capaz de criar meios eficientes de regeneração ética e social da massa carcerária, tenho inabalável certeza de que o Espírito de Deus é extremamente eficaz em regenerar espiritualmente os degenerados, fazendo muitos deles nascerem de novo. Por isso eu oro. 

Um dos detentos com quem conversei me disse que o presídio é “a porta do inferno”. Felizmente, acredito que, enquanto uma alma não atravessa os umbrais do inferno, pode ser resgatada pela graça e ouvir do Senhor: “Hoje estarás comigo no Paraíso”. Portanto, não ouso dizer que bandido bom é bandido morto. Meu cristianismo me mostra que bandido bom é bandido morto, sim, mas morto para o mundo, o diabo, a carne e o pecado – e renascido em Cristo como nova criatura. 

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

(Nenhuma das fotos que ilustram este post foi tirada por mim por ocasião da visita. São fotos ilustrativas, tiradas por outras pessoas, em outras ocasiões, e disponíveis livremente na Internet)

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paternidade-1Recebi pelo espaço de comentários do APENAS uma pergunta interessante. O assinante Daniel indagou: “o que é ser um pai do ponto de vista bíblico?”. Achei o questionamento muito relevante e resolvi compartilhar esta reflexão para trazer uma resposta. Afinal, para que temos filhos? O que é ser um pai ou uma mãe pela perspectiva do evangelho? Qual deve ser o foco da criação dos pequenos? Para que os criamos? A resposta mais objetiva possível é: geramos e criamos filhos para que eles sejam pequenos cristos e, com isso, Deus seja glorificado.

Embora não se costume mencionar esta passagem bíblica no contexto da peternidade, ela é a mais esclarecedora da Bíblia sobre o assunto: “Sejam meus imitadores, como eu sou imitador de Cristo” (1Co 11.1, NVT). Por quê? Porque nossa tarefa é ensinar nossos filhos, por meio de nossas palavras, mas, principalmente, pelo exemplo pessoal, a se conformarem à imagem de Jesus: “Pois Deus conheceu de antemão os seus e os predestinou para se tornarem semelhantes à imagem de seu Filho” (Rm 8.29, NVT)

Não, você não tem filhos para que eles lhe deem amor ou alegria, para que cuidem de você na velhice, para perpetuar a espécie ou coisa parecida. Tudo isso vem no pacote, mas é consequência e não causa. Nada disso é a função primordial da paternidade. Somos pais e mães para gerarmos vidas que venham a se conformar à imagem de Cristo e, com isso, glorificar a Deus: “Portanto, quer vocês comam, quer bebam, quer façam qualquer outra coisa, façam para a glória de Deus” (1Co 10.31, NVT). É importante perceber que “qualquer outra coisa” inclui, evidentemente, ter e criar filhos. Portanto, gerar e educar nossos herdeiros deve ser feito para que eles se conformem à imagem de Cristo e, assim, glorifiquem a Deus com sua vida.

Ficou claro?

Com isso em mente, pensemos de forma prática, pois essa percepção tem implicações muito concretas no dia a dia. Absolutamente tudo o que você vive com seu filhote deve carregar o questionamento: o que estou ensinando o fará se parecer mais com Jesus? Minhas atitudes revelam a ele o modo cristão de proceder? Minhas palavras e brincadeiras o fazem resistir à tentação, amar o próximo, honrar os pais e se sacrificar pelas pessoas? Se a resposta for negativa, você está no caminho errado.

paternidade-3Pensemos em termos de exemplos. Primeiro: se o seu filho chega da escola contando que outra criança bateu nele, como você reage? Eu já presenciei um pai dizer para o filho que tinha tomado uns tapas de um coleguinha: “Se ele der em você, dê nele também!”. Essa é a resposta certa? Não, não é, pois o evangelho nos ensina: “Amados, nunca se vinguem; deixem que a ira de Deus se encarregue disso, pois assim dizem as Escrituras: ‘A vingança cabe a mim, eu lhes darei o troco, diz o Senhor’. Pelo contrário: ‘Se seu inimigo estiver com fome, dê-lhe de comer; se estiver com sede, dê-lhe de beber. Ao fazer isso, amontoará brasas vivas sobre a cabeça dele”. Não deixem que o mal os vença, mas vençam o mal praticando o bem” (Rm 12.19-21, NVT).

Outro: você reage dentro de casa de modo a instigar agressividade? Suas palavras mostram ira e revolta com o que está errado? Você fala e se comporta como um zelote? Sabe… seu filho está vendo. E aprendendo. E, ao ver você agir desse modo, ele o imitará e, com isso, se afastará cada vez mais de se conformar à imagem do Cristo que diz: “Felizes os que promovem a paz, pois serão chamados filhos de Deus” (Mt 5.9, NVT). Ou, ainda, você cria seu filho para que ele supervalorize o dinheiro e trabalhe em função dele acima de tudo; o influencia para que ele tenha uma carreira baseada no salário que paga; põe em foco mais o que ele pode receber em termos financeiros do que o bem que ele pode fazer por meio da vida profissional? Então saiba que você não está cumprindo seu papel de pai, pois conformar um filho à imagem de Cristo é ensinar a ele: “Não ajuntem tesouros aqui na terra, onde as traças e a ferrugem os destroem, e onde ladrões arrombam casas e os furtam. Ajuntem seus tesouros no céu, onde traças e ferrugem não destroem, e onde ladrões não arrombam nem furtam. Onde seu tesouro estiver, ali também estará seu coração” (Mt 5.19-21, NVT).

paternidade-2Quer aprender a ser um pai ou uma mãe segundo a Bíblia? Então estude a Bíblia! Com foco, especificamente, em quem Cristo é e o que ele faz. Pense, em cada pequena atitude cotidiana: “Ensinando meu filho a fazer isto e aquilo estou fazendo com que ele pense, aja e fale como Cristo?”. Se a resposta for negativa, mude. “Ensine seus filhos no caminho certo, e, mesmo quando envelhecerem, não se desviarão dele” (Pv 22.6, NVT) significa, na versão parafraseada de Maurício Zágari, “Ensine seus filhos o caminho que os fará serem imitadores de Cristo em tudo o que são, fazem e falam, e, mesmo quando envelhecerem, não se desviarão dele”.

Um dia, meu irmão, minha irmã, teremos de prestar contas de tudo o que falamos e fizemos nesta terra. E isso inclui a forma que educamos nossos filhos. Duvido muito que o Senhor perguntará: “Você criou seus herdeiros para serem ricos? Para serem dominadores? Para se darem bem nesta vida passageira? Para casarem com uma pessoa rica? Para serem cabeça e não cauda? Para conseguirem um bom emprego? Para comprarem uma casa com piscina? Para viajarem todo fim de semana? Para serem famosos? Para ocuparem cargos com status? Para se conformarem à imagem deste mundo com valores caídos?

paternidade-4Por outro lado, se você teve filhos e os educa para que sejam amorosos, alegres, pacíficos, pacientes, amáveis, bondosos, fiéis, mansos e autocontrolados, está cumprindo com excelência sua paternidade. Você tem criado seus herdeiros para amar a Deus e ao próximo? Para tirar horas de sua semana em ações de ajuda aos órfãos e às viúvas? Para negarem a si mesmos, tomarem sua cruz e seguir Jesus? Para serem sal da terra e luz do mundo? Para serem pacificadores? Para usarem o dinheiro como um meio e não um fim? Para construírem uma estrada para a eternidade, sabendo que são peregrinos nesta terra? Se sua resposta for positiva, parabéns: você é um pai ou uma mãe segundo os padrões bíblicos.

Ser pai ou mãe deve nos fazer querer ouvir: “Muito bem, meu servo bom e fiel. Você foi fiel na administração dessa vida que lhe confiei, e agora lhe darei muitas outras responsabilidades. Venha celebrar comigo”. Como pai, meu desejo mais sincero, meu irmão, minha irmã, é ouvir isso do Senhor quando chegar em sua glória, sabendo que tudo o que realizei em minha paternidade fez de minha filha alguém mais semelhante a Cristo e cuja vida glorifica a Deus.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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ouvido 1Quanto mais eu vivo, mais percebo quão dependentes somos de Deus. Vez após vez acontece algo que me mostra minha total impotência diante de certas circunstâncias da vida. Em alguns momentos, simplesmente não há nada que eu possa fazer para resolver o problema que pula em minha frente. Nada. Passei por uma experiência recentemente que me mostrou minha dependência e impotência com muita clareza. Eu já viajei de avião muitas e muitas vezes, confesso que já perdi a conta de quantas. Foram voos e mais voos, por conta de trabalho ou por viagens de turismo. Mas há algum tempo ocorreu algo inusitado. Eu estava bastante gripado. A garganta, inflamada. Muita secreção. Eu retornava de Brasília para o Rio de Janeiro e tudo transcorria dentro do previsto e com normalidade. Até que chegou a hora de o avião começar a descer para pousar. Subitamente, senti como se algo entupisse meus ouvidos. Era uma sensação muito estranha. De repente, veio a dor. Era aguda e muito forte, nos dois ouvidos, parecia que alguém tinha inserido balões neles e os estava inflando. Era muita, muita dor.

Eu não sabia o que fazer. Tentei bocejar, engolir saliva, usei todos os truques que conhecia para “desentupir ouvidos”. Nada adiantou. Depois vim a saber, em uma consulta com a otorrino, que a diferença de pressão faz a secreção se deslocar para os canais auriculares e, a fim de proteger os tímpanos de lesões, o organismo faz um algo qualquer que provoca aquela dor. O ponto é que naqueles longos quinze a vinte minutos de descida até a aterrissagem eu tive de suportar uma dor aguda e para a qual não havia nada que eu pudesse fazer. Tudo que me restava era me conformar e aguentar até o pouso.

Olha… não foi fácil. Mas a verdade é que esperar e suportar era minha única possibilidade.

Na vida, muitas vezes aguentar o sofrimento é a única coisa que podemos fazer, à espera de algo que dará fim à nossa dor. Dobramos os joelhos, oramos, pedimos, clamamos, nos esgoelamos… mas parece que Deus tirou um cochilo e não está muito aí para nós. Nos resta uma sensação de solidão, impotência e, por vezes, desespero. O que fazer? Para onde correr? A quem recorrer?

Doctor examining a boy's earNessas horas, lembre-se de que, em tudo na vida, “O meu socorro vem do SENHOR, que fez o céu e a terra. Ele não permitirá que os teus pés vacilem; não dormitará aquele que te guarda. É certo que não dormita, nem dorme o guarda de Israel. O SENHOR é quem te guarda; o SENHOR é a tua sombra à tua direita. De dia não te molestará o sol, nem de noite, a lua. O SENHOR te guardará de todo mal; guardará a tua alma. O SENHOR guardará a tua saída e a tua entrada, desde agora e para sempre” (Sl 121.2-8). Do Senhor vem o socorro, meu irmão, minha irmã. E ele não dormita, nem dorme. Em constante vigília, nosso Deus não tira os olhos de nós, jamais: “os teus olhos estão abertos sobre todos os caminhos dos filhos dos homens” (Jr 32.19).

Saiba disto: Deus nunca esta alheio à sua dor. Nunca. Ele sempre sabe quando você está passando por tristezas, angústias, depressão, sofrimento. O que ocorre é que, muitas vezes, ele está tratando de algo em sua vida e, enquanto dura o tratamento, ele observa você; atento, protetor, paternal e amoroso. Em silêncio, sim, mas jamais distante ou de costas para o que você enfrenta.

Muitas pessoas infelizmente acreditam que Deus em absolutamente nenhuma circunstância permitiria o sofrimento de quem ama. Mas se esquecem – ou talvez não conheçam – os inúmeros exemplos bíblicos de casos em que Deus permitiu que os seus passassem pela dor. Isso ocorreu, inclusive, no caso de Jesus, a quem “Todavia, ao SENHOR agradou moê-lo, fazendo-o enfermar; quando der ele a sua alma como oferta pelo pecado, verá a sua posteridade e prolongará os seus dias; e a vontade do SENHOR prosperará nas suas mãos. Ele verá o fruto do penoso trabalho de sua alma e ficará satisfeito; o meu Servo, o Justo, com o seu conhecimento, justificará a muitos, porque as iniquidades deles levará sobre si” (Is 53.10-11).

crossSim, aprouve ao Pai moer o Filho, pois sabia que era preciso o sofrimento do Justo para justificar a muitos. Ao Cordeiro de Deus só restava esperar. Suportar. E como ovelha muda perante seus tosquiadores, ele não abriu a boca, somente abaixou a cabeça e esperou. Entregou-se ao sofrimento: às ofensas, injúrias e calúnias; ao esbofeteamento, aos açoites e aos escarros; à coroa de espinhos e aos cravos; à lança transpassando seu lado e à sensação de abandono. Doeu. E muito. Jesus sofreu. E teve de simplesmente suportar e esperar, até que chegou o momento da gloriosa ressurreição.

Depois que o avião pousou, ainda demorou um bom tempo, mas, enfim, a dor passou. A sensação de entupimento nos ouvidos prosseguiu por algumas horas, mas, por fim, cedeu. Não tive o que fazer. Suportar a dor foi só o que me restou. Pode ser que você esteja em meio a uma angústia que parece não ter fim. Enquanto você está em pleno processo de dor, dê graças a Deus, com paciência e resignação, sabendo que os olhos do Senhor estão cravados em você, à espera do momento preciso em que ele dirá: “Agora basta. Chega. Você está livre”. 

Confie. Esperar em Deus sempre vale a pena. Nunca é um desperdício. Nunca é inútil. Pois, se esperamos com paciência no Senhor, estamos simplesmente exercendo aquilo que ele mais espera de nós: fé.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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servo 1Servo, por definição, é alguém que presta serviços a outra pessoa na função de um criado, um serviçal. Em outras palavras, é o indivíduo que está presente para prover a outro indivíduo aquilo de que ele precisa. Olhando por esse ângulo, todo pai é um servo de seus filhos. Em geral, desde que nascemos somos servidos por nossos pais, que dispuseram de tempo, dinheiro, energias, horas de sono e muitas outras coisas para estar à nossa disposição, ao nosso serviço. O pai de uma criança tem de ser servo 24 horas por dia e estar sempre alerta às necessidades de sua prole, preparado para fazer das tripas coração caso haja a necessidade de suprir o que o filhote precisa. Se você é pai ou mãe sabe do que estou falando.

Meus pais desempenharam o papel de meus servos tantas vezes que não tenho nem como dimensionar. Eles me serviram ao trocar minhas fraldas, me dar de comer, acalmar o choro depois do dodói, me levar e pegar na escola… foram tantos serviços prestados que seria impossível listar tudo. Eu dependia deles para quase tudo, por isso, meus pais foram meus servos por muitos anos. E se submeteram a isso por puro amor.

servo 2Meu pai completou 83 anos semana passada. Aquele jogador de futebol atlético e vigoroso, professor de educação física, que gostava de andar a cavalo e escalar árvores altas para comer frutas no pé agora é um senhor idoso. Suas forças já não são as mesmas. A barriga proeminente dificulta alguns movimentos, os joelhos extremamente doloridos o desanimam na hora que o convidamos para fazer caminhadas. O homem que por toda a vida dirigiu incontáveis vezes até outro estado do país e voltou pela estrada para visitar parentes vendeu o carro e agora só anda de táxi, pois a visão limitada não permite mais que dirija. A verdade é que meu pai se depara hoje com muitas limitações impostas pelos cabelos brancos. No dia de seu aniversário, fui encontrá-lo em sua casa para jantarmos fora. Na hora em que ele foi se vestir para sair, vi uma situação inédita até então: ele não estava conseguindo calçar os sapatos. Vi que ele fazia um esforço grande para se abaixar e tentar alcançar os pés, mas é como se a idade tivesse removido toda a sua elasticidade. Na mesma hora, eu fiz algo inédito em 43 anos de convivência: carinhosamente segurei em seu braço, pedi que se sentasse na cama e disse, sorrindo:

– Deixa que eu faço isso pra você, papai.

Ajoelhei-me aos seus pés. Comecei, então, a calçar nele os sapatos, ajustando-os delicadamente para que não o machucassem. Ao final, amarrei os cadarços, com o cuidado de perguntar se não estavam apertados ou frouxos demais. Enfim nos levantamos e partimos para o jantar.

servo 3Esse momento aparentemente corriqueiro e sem grande importância foi um marco para mim, pois ali senti muitas emoções diferentes e tive algumas percepções importantes. Senti, naturalmente, tristeza por ver que o meu sempre bem disposto pai, aquele homem que cresci admirando por suas muitas proezas na área da educação física e do atletismo, agora não consegue mais calçar nem amarrar os sapatos sozinho. Mas, por outro lado, fui inundado por um profundo senso de gratidão a Deus por agora ser eu o servo em nossa relação. Foi uma grande alegria poder servi-lo, ajoelhando-me aos pés do homem que me deu a vida, me alimentou, limpou minhas sujeiras numa época em que não havia fraldas descartáveis, passou madrugadas acordado cuidando de minhas febres, trabalhou em três ou quatro empregos ao mesmo tempo para pagar minha escola e tantas outras ações que fazem um pai servir o filho. Ali, de joelhos aos pés do homem a quem não há dinheiro no mundo que pague os serviços que me prestou, pela primeira vez tive a clara percepção: a situação agora se inverteu e chegou a hora de eu servi-lo. E isso não me fez me sentir nem um pouco mal ou inferiorizado: pelo contrário, fui tomado por um profundo senso de gratidão e de privilégio por poder servir aquele homem.

Jesus foi nosso servo. Pode ser que eu dizer isso provoque em você certa desconfiança e até mesmo indignação. “Que história é essa de dizer que Deus foi nosso servo?! Que blasfêmia, ele é o soberano, o Todo-poderoso, o único digno de abrir os selos, a quem toda honra e glória!”. É verdade, ele é isso sim. Mas leia o que Paulo escreveu: “Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo…” (Fp 2.5-7). Sim, Jesus assumiu a forma de um serviçal. E para quê? O que faz um servo? Ele serve.

servo 4“O Filho do Homem […] não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos” (Mt 20.28). Sim, Jesus nos serviu, ao se entregar por nós na cruz. Ali, humilhado, agonizante e nu, ele nos deu de presente a vida eterna, nos alimentou com esperança, limpou a sujeira de um pecado que nenhuma fralda do mundo daria conta, sacrificou-se para que por suas pisaduras fôssemos sarados, pagou com cravos e uma coroa de espinhos a nossa entrada em novos céus e nova terra e fez muito mais do que um pai faria para servir seus filhos.

“[Jesus] levantou-se da ceia, tirou a vestimenta de cima e, tomando uma toalha, cingiu-se com ela. Depois, deitou água na bacia e passou a lavar os pés aos discípulos e a enxugar-lhos com a toalha com que estava cingido. Aproximou-se, pois, de Simão Pedro, e este lhe disse: Senhor, tu me lavas os pés a mim? Respondeu-lhe Jesus: O que eu faço não o sabes agora; compreendê-lo-ás depois. Disse-lhe Pedro: Nunca me lavarás os pés. Respondeu-lhe Jesus: Se eu não te lavar, não tens parte comigo. […] Depois de lhes ter lavado os pés, tomou as vestes e, voltando à mesa, perguntou-lhes: Compreendeis o que vos fiz? Vós me chamais o Mestre e o Senhor e dizeis bem; porque eu o sou. Ora, se eu, sendo o Senhor e o Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros” (Jo 13.4-8; 12-15).

servo 5Sim, Jesus foi nosso servo. Mas a sua servidão teve um propósito: mostrar que devemos servir as outras pessoas. Cristo foi Mestre e, como tal, nos ensinou que mais do que buscar pessoas que nos sirvam, a excelência se encontra em lavar os pés do próximo, o que significa contribuir de algum modo para o bem-estar, a edificação, a consolação e a transformação de todos os que se aproximarem de nós. Que nossa vida seja devotada a tornar melhor a vida dos outros. O que nos leva a uma reflexão: o que você tem feito em benefício do próximo? Você tem servido? Se não, o que pretende fazer a esse respeito?

Mas nossa servidão não para aí. Assim como meu pai me serviu primeiro e hoje chegou a vez de eu servi-lo, é com alegria, gratidão e profundo senso de devoção que me ajoelho aos pés do Senhor para ser seu servo em tudo o que eu puder. E servir o Deus que me serviu jamais será um ato de humilhação ou motivo de desconforto: eu me prostro diante daquele de quem não sou digno de desatar as correias da sandália, para, humildemente e diariamente lhe prestar culto, adorar e servir. Como disse o próprio Cristo: “Se alguém me serve, siga-me, e, onde eu estou, ali estará também o meu servo. E, se alguém me servir, o Pai o honrará” (Jo 12.26).

Sirva Cristo de toda a sua alma, com seus dons e talentos, com lealdade inegociável, com suas palavras e ações, e com toda a força do seu ser. Sirva-o como gostaria de ser servido por um filho. E é promessa de Jesus: quando você fizer isso, o Pai o honrará.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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leoesPeço desculpas a você que acompanha o APENAS, pois escrevo sempre aqui no blog com a intenção de edificar, exortar ou consolar a sua vida, mas, hoje, gostaria de abordar um assunto que tem ferido a minha alma. Já explico, mas, para chegar ao ponto principal da minha reflexão, antes tenho de apresentar alguns argumentos. Se você tiver paciência de ler até o final, sigamos juntos. O fato é que, já há alguns anos, algo tem me incomodado muito. Mas muito. Muito. Demais. A desunião da Igreja de Jesus Cristo em nosso país alcançou patamares elevadíssimos. Para mim, preciso dizer, insuportáveis. Viramos uma família abençoada, porém, em enorme parte, problemática. Por mais que me doa muito dizer isso, nós, evangélicos, somos um povo desunido. O que ainda não é o pior: não satisfeitos em vivermos entre inimizades, porfias, […] discórdias, dissensões, facções” (Gl 5.20), tratamos os irmãos em Cristo de quem discordamos com um nível de agressividade, arrogância, desrespeito e falta de amor que considero espantoso para quem segue Jesus.

Essa constatação, atrelada à angústia que ela provoca, já me acompanha há um bom tempo. Quando abandonei as redes sociais, há uns dois anos, fiquei bem melhor, pois parei de ter acesso a muitos dos debates, videos, textos, vlogs e posts que promovem a segregação e o esquartejamento do Corpo de Cristo. Com o lançamento de meu livro Perdão Total, em outubro passado, retornei ao facebook por orientação da editora, como forma de manter o diálogo com leitores e irmãos a quem porventura eu pudesse vir a abençoar pelo que escrevo. Nesse sentido, foi ótimo, pois de fato foi possível interagir, conhecer novas pessoas, ter diálogos interessantes, divulgar a mensagem do perdão e da restauração. Mas isso teve um efeito colateral, um preço a pagar: voltei a ter acesso a posts, comentários, vídeos, vlogs e tudo o mais que, em nome “de Jesus”, da suposta “sã doutrina” e da “apologética”, promove dissensão, a compartimentalização e a ira entre as diferentes facções da Igreja. 
ovelha 1Assim, tenho visto calvinistas numa discussão eterna com arminianos, com troca de acusações, desrespeito e ofensas dos dois lados. Também cessacionistas em discussões antigas e insípidas com pentecostais. Ou, ainda, pedobatistas e credobatistas se pegando nos ringues virtuais. Adeptos da Missão Integral e adversários da Missão Integral quase comendo o fígado uns dos outros. Gente que não crê que Deus está no controle de tudo gritando e salivando contra quem crê que Deus está no controle de tudo e quem crê respondendo com igual ímpeto. Isso além de muitos outros grupos divergentes. Tudo “em defesa da sã doutrina”, claro.
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Sabe o que percebo que há em comum a todos esses grupos que polemizam na Internet e outros ambientes? São irmãos em Cristo tratando irmãos em Cristo com desrespeito, desamor, doses de agressividade, muita arrogância e outras posturas que são características do mundo, não de filhos de Deus – claro que, como acreditam estar fazendo isso em nome da sã doutrina, os que entram nesses debates creem que tudo podem, que o Senhor lhes dá carta branca para serem pessoas desagradáveis, já que acreditam verdadeiramente que o estão “defendendo”. Agem, talvez sem perceber, não segundo o  amor que o evangelho propõe, mas segundo a máxima do filósofo Maquiavel: “o fim justifica os meios”.
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Nas divergências, me assombro com a forma com que os “defensores da sã doutrina” atacam quem eles acreditam estar errados. Cheguei a ver irmãos em Cristo criticando irmãos em Cristo de quem discordam usando elogios como “paspalho”,  “idiota” e “palhaço”. Estou estarrecido com o que tenho visto e profundamente abatido por ver que meus irmãos acham que isso é justificável. Não é. É um absurdo bíblico. Só para lembrar: “Quem proferir um insulto a seu irmão estará sujeito a julgamento do tribunal; e quem lhe chamar: Tolo, estará sujeito ao inferno de fogo” (Mt 5.22). Ou Jesus não quis dizer o que disse? Que outra interpretação haveria?
leos 2Repare que não estou falando de cristãos criticando hereges. Refiro-me a cristãos que discordam de cristãos. É briga familiar. Irmão contra irmão. Caim e Abel dos dias atuais. Se já me choco quando vejo a maneira horrível e mundana como muitos irmãos em Cristo tratam hereges e pessoas que discordam do evangelho, quanto mais quando observo as brigas entre os irmãos na fé. Muitos dos que põem o dedo na cara dos hereges falam deles com ira, chacotas, sarcasmo e ódio, muito ódio, em suas palavras e, naturalmente, no coração. “O que sai da boca vem do coração, e é isso que contamina o homem” (Mt 15.18). Sempre que vejo, leio ou ouço, por exemplo, cristãos falando de forma agressiva e cheia de ódio contra quem considera inimigo da fé, lembro-me do que Jesus nos ordenou: “Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem; para que vos torneis filhos do vosso Pai celeste, porque ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons e vir chuvas sobre justos e injustos. Porque, se amardes os que vos amam, que recompensa tendes? Não fazem os publicanos também o mesmo?” (Mt 5.43-46). Se recebemos de Jesus o mandamento de amar os inimigos (e nunca vi tratar mal, xingar, ofender, desrespeitar ou agredir quem se ama), os inimigos da fé não se encaixariam na categoria “inimigos”? Ou inimigo não significa inimigo? Então não deveríamos tratá-los com amor? Jesus não quis dizer o que disse? Ou “não é bem assim”?
dallas willardMuitos cristãos acreditam que a defesa da fé (contra hereges ou contra cristãos dos quais se discorda) deve ser feita com agressividade, com testosterona, como cruzados numa batalha. Agem como zelotes, guerreiros da sua “sã doutrina”. Então, para os tais, vale tudo, inclusive tratar de quem discordam por nomes desrespeitosos e agredi-los da forma que der. Confesso que há alguns anos eu acreditava nisso também. E agi dessa forma, reconheço o meu pecado. Mas, então, fui percebendo o absurdo e o mundanismo presente nessa postura. Até que, há alguns meses, li a obra The allure of gentleness (“O fascínio da gentileza”, numa tradução livre), livro póstumo de Dallas Willard (foto), onde ele prova que a defesa da fé (com relação a hereges e também a cristãos de quem se discorda) para dar resultados tem de ser feita com educação, polidez, afeto e respeito. O que li foi a gota d’água para revolucionar de vez minha visão sobre o assunto. Hoje, meu estômago embrulha quando leio, vejo ou ouço qualquer cristão “defender a fé” com agressividade, altivez, ofensas, termos deselegantes, xingamentos e petulância – sempre “em nome de Jesus”, claro.
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Não é possível que as pessoas não percebam que algo feito em nome de Jesus mas que contraria o caráter de Jesus… tem qualquer origem, menos Jesus.
boko haram 1Venho observando e suportando tanta divergência feita sem amor por esses últimos quatro meses sem falar nada, mas, semana passada, aconteceu algo que me lançou em uma reflexão profunda e me conduziu a este desabafo. Por algumas razões, passei a buscar informações sobre a perseguição sangrenta e cruel que vem ocorrendo em nossos dias contra os cristãos em determinados países do mundo. Não sei se você sabe disso, mas nossos irmãos e nossas irmãs em Cristo estão sendo mortos como porcos em muitas nações dominadas pelo Isam. Hoje. No exato momento em que você está lendo este texto, confortável e despreocupadamente, milhares de irmãos na fé estão sendo estuprados, desapossados de seus bens, vendidos como escravos sexuais, espancados e assassinados. A forma preferida de matança de cristãos, por serem cristãos, é a decapitação.
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O grupo terrorista Estado Islâmico tem dizimado todo e qualquer cristão que encontra pelo caminho em países como Síria, Jordânia, Israel, Palestina, Líbano, Chipre e Turquia. E isso por enquanto, logo eles estarão em outros países. Talvez o Brasil. O Estado Islâmico obriga as pessoas que vivem nas regiões que controla a se converter ao islamismo, e aqueles que se recusam sofrem torturas, mutilações e estupros. E são executados.
boko haram 2Na Nigéria, o problema é semelhante. A organização Boko Haram (expressão que significa “a educação ocidental ou não islâmica é um pecado”) é um grupo  fundamentalista islâmico de métodos terroristas, que busca impor a lei muçulmana no norte do país. O Boko Haram opera com caminhões e carros blindados, cerca vilas cristãs e mata a população inteira, além de sequestrar e estuprar todas as meninas. Vídeos têm sido divulgados pela internet e mostram pastores e membros de igrejas sendo decapitados por espadas, simplesmente por ser cristãos e se recusar a negar sua fé. Volto a dizer: isso está ocorrendo agora, hoje, nesta época da história e debaixo do mesmo sol que eu e você. No exato mesmo segundo em que cristãos aqui no Brasil se ofendem e entram em discussões mal-educadas por questões secundárias da fé; em países como Nigéria, Síria e Jordânia pastores e membros estão sendo postos de joelhos e decapitados por espadas. As imagens são tão terríveis que foi difícil encontrar fotos para ilustrar este post que fossem publicáveis, a maioria é de embrulhar o estômago.
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E, finalmente, quero chegar ao ponto principal de tudo o que escrevi aqui. Eu li muitos textos e assisti a uma grande quantidade de vídeos sobre a perseguição e a devastação imposta a esses milhares de irmãos pelo Estado Islâmico e pelo Boko Haram. Sabe o que mais chamou minha atenção? Em nenhum deles, em nem um único sequer, vi qualquer designação desses mártires da fé que não fosse cristãos. Nenhuma manchete de jornal escreveu algo como “Reformados são assassinados” ou “Estupradas a meninas que se opõem à Missão Integral”. Tampouco “Milhares de pentecostais decapitados na Nigéria”, nem “Vilas de cessacionistas são invadidas por terroristas”. Ou “Batistas e presbiterianos são caçados por islâmicos, mas pentecostais e metodistas não”. Nada disso. O que leio é “Cristãos são mortos…”; “Cristãs são estupradas…”; “Cristãos foram decapitados…”. Cristãos. Cristãos. Cristãos. Cristãos. Cristãos. Cristãos.
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Sabe a que conclusão cheguei? Quando vem a perseguição, todas as discussões sobre assuntos secundários deixam de importar. Os bate-bocas denominacionais desaparecem. As rusgas doutrinárias evaporam. Se a sua cidade for invadida por radicais islâmicos, você não vai dar a mínima para as questiúnculas periféricas que nos dividem e jogam irmão contra irmão. Assim como duvido que os cristãos de Iraque, Nigéria, Síria e outros países que sangram pela perseguição estejam dando a mínima para isso neste momento. Eles só sabem que são filhos de Deus e irmãos em Cristo. Porque, no instante em que o principal é posto no foco, as questões periféricas e menos importantes da fé desaparecem.
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O que sobra é o centro de tudo: a cruz. Nessas horas, nos lembramos dos temas fundamentais da fé, como amor a Deus e ao próximo, graça, perdão, restauração, evangelismo, negar-se a si mesmo, vida eterna, fruto do Espírito e tantos outros que permanecem esquecidos por muitos em tempos de paz.
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Eu tenho pavor que isso aconteça, mas a história das perseguições religiosas ao longo dos séculos mostra que a perseguição une, purifica e derruba as divisões da Igreja. Não que eu queira o Estado Islâmico ou o Boko Haram invadindo Copacabana, Deus nos livre! Jamais desejaria isso. Mas, no rumo em que estamos, seria uma das poucas coisas que poderiam remover os rótulos inúteis e unir, aqui no Brasil, as denominações, os adeptos das distintas linhas teólogicas e doutrinárias, os diferentes grupos soteriológicos, os que professam ideologias cristãs diferentes, os que divergem em assuntos periféricos e menos importantes da fé. As igrejas de países como Nigéria, Síria, Iraque e Jordânia que o digam.
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Não importa se você é batista, presbiteriano, pentecostal, anglicano,  metodista, cessacionista, emergente, pedobatista ou o que for. Se você foi alcançado pela graça divina, crê em Jesus como Senhor e Salvador pessoal e vive em piedade, passará a eternidade na presença de Deus, em novos céus e nova terra. E, sinceramente… você acha que qualquer uma dessas coisas importará lá? Então fica aqui a minha recomendação: importe-se aqui com o que importa na eternidade.
boko haram 5Desfrute da liberdade que você tem. Mas faça isso todos os dias como se vivesse num país em que te cortariam a cabeça só de saber que você é cristão. Porque, aí, todo rótulo deixará de importar e você poderá se orgulhar de ter como título simplesmente… cristão. Um cristão que ama e une e não um que promove a discórdia e polêmicas que gerarão bate-bocas e nenhum benefício. E peço a Deus de todo o meu coração que jamais seja preciso que seu pescoço esteja encostado na lâmina de uma espada para que isso aconteça.
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Amemo-nos. Unamo-nos. Deixemos de lado as rusgas sobre aspectos secundários da fé. Vamos dar as mãos naquilo que nos une, voltar os olhos para a cruz e começar, de fato, a amar o próximo. Sejamos, de fato, irmãos. Deus estende sua graça salvífica para um único tipo de pessoas: pecadores perdidos. Ou seja: antes de sermos salvos éramos todos iguais. Por que depois de sermos salvos temos de começar a nos segmentar, odiar, atacar? Pentecostais, tradicionais, cessacionistas, continuístas, pedobatistas, credobatistas, calvinistas, arminianos etc., etc., etc… nada disso importará no dia em que virmos Jesus face a face. O que Deus verá nesse dia é se temos o sangue do Cordeiro aspergido sobre nós. Somos todos cristãos, somos todos irmãos: que comecemos a agir como tal, para que cumpramos a oração de Jesus a nosso respeito. “Pai santo, protege-os em teu nome, o nome que me deste, para que sejam um, assim como somos um” (Jo 17.11).
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Paz a todos vocês que estão em Cristo,
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Papai desenhado por Laura aos 3 anosEsse rabisco do desenho ao lado sou eu. Pode ser que você não o ache muito parecido com a minha foto que ilustra este blog, mas creia: sou eu. Tenho provavelmente centenas de fotos minhas no computador e até mesmo desenhos: na parede em cima de minha cama há um retrato meu com minha esposa, pintado em Paris por um artista de rua, e até mesmo uma gravura em 3D de meu rosto feita a laser dentro de  cubo de acrílico. Mas preciso reconhecer que essas obras de arte não me enchem tanto os olhos: esse rabisco aí do lado é, de longe, a representação de minha pessoa que mais amo, tanto que a carrego sempre comigo na carteira. E há uma razão para isso: foi minha filha quem fez, pensando em mim, e me deu com todo o seu amor. Para quem não tem vínculos afetivos comigo ou com minha filhota, esse desenho pode não passar de um amontoado de rabiscos mal feitos, de péssima qualidade. Mas, para mim, a beleza artística e a perfeição do traço são o que menos importa: eu sou apaixonado por esse desenho, simplesmente porque foi alguém que amo quem fez de todo o coração e me ofertou com sinceridade e amor. Isso me leva a pensar naquilo que fazemos para nosso Pai celestial.

É óbvio que devemos fazer tudo para Deus da melhor forma possível. Nosso louvor tem de ser bem composto, ensaiado e entoado. Nosso culto deve ser organizado. Nossa adoração deve seguir certas diretrizes. As aulas de ensino bíblico e teológico devem ser muito bem preparadas. Enfim, tudo o que fazemos para o Pai necessariamente deve ter o nível máximo de excelência. Porém, muito mais do que uma forma adequada, Deus quer saber do conteúdo. De que adianta tudo ser impecável e nosso coração não estar entregue ao Senhor naquilo que fazemos? O livro de Amós mostra como Deus rejeitou o culto bem organizado que seu povo não prestava de todo coração, devido à contaminação de sua alma: “Aborreço, desprezo as vossas festas e com as vossas assembléias solenes não tenho nenhum prazer. E, ainda que me ofereçais holocaustos e vossas ofertas de manjares, não me agradarei deles, nem atentarei para as ofertas pacíficas de vossos animais cevados. Afasta de mim o estrépito dos teus cânticos, porque não ouvirei as melodias das tuas liras” (Am 5.21-23).

Jesus disse: Deus é espírito; e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade” (Jo 4.24). Já ouvi muitas explicações teológicas sobre o que exatamente isso significa, mas, para mim, o que Jesus está dizendo é, em outras palavras: “Deus quer carregar na carteira desenhos que seus filhos fizeram dele com todo coração e em total amor”. 

Eu jamais serei perfeito. Acredito que meu Pai saiba disso. Embora ele estabeleça a perfeição como alvo para que nos aproximemos o máximo possível dela, o Onisciente tem certeza absoluta de que jamais a alcançaremos. O que ele espera de nós não é perfeição, é esforço máximo para atingir a perfeição. Mas, em nossa imperfeição, ele nos recebe e aceita, se nos aproximamos dele com total amor e sinceridade de alma. Meu louvor não é dos mais afinados, mas acredito que o Senhor o carrega na carteira. Minha oração é cheia de imperfeições e por vezes as palavras não são das mais bonitas, mas minhas lágrimas e meus gemidos de intercessão estão todos na carteira do Pai. Os livros que escrevo podem não ser extraordinários, mas Deus os carrega na carteira se cada pessoa que os lê é abençoada, edificada e transformada pelas minhas palavras.

Meu irmão, minha irmã, não importa se você não é perfeito. Bem que Deus queria que fosse, mas ele sabe que não é. Importa que os rabiscos da sua vida, embora tortos e de valor artístico duvidoso, sejam entregues em sinceridade de coração ao Pai – ou seja, “em verdade”, como disse Jesus.  Faça tudo para Deus com muito amor e sem hipocrisia. O Pai quer o seu melhor, mas, muito mais que isso, ele quer o seu coração.

Sabe… o Senhor não espera que você seja um Picasso ou  um Salvador Dalí. Mas, se as suas pinturas de vida forem desenhadas com o real objetivo de alegrar o coração de Deus, tudo o que você fizer o glorificará e, com isso, você fará brotar um largo sorriso no rosto de seu Pai amado.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Mauricio Zágari

Perdao Total_News cortado

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bebe1Minha filha faz coisas esquisitas. Já comentei aqui no APENAS que ela, para minha surpresa, gosta de ópera. Quando descobri isso, acreditei que a coisa pararia por aí, mas tenho me surpreendido a cada dia com seu gosto, digamos, peculiar para uma criança de apenas 3 anos. O óbvio seria ela pedir para assistir a DVDs da Galinha Pintadinha, Aline Barros e similares. Não que ela não goste de coisinhas produzidas para crianças da sua idade, ela gosta, mas o que me espanta é que a pequena tem demonstrado apreciar o que eu jamais imaginaria. A verdade é que ela muitas vezes faz escolhas que me surpreendem. Recentemente ela viu o balé “O quebra-nozes”. Não só amou como, desde então, fica cantarolando temas musicais e comentando cenas desse balé de Tchaikovsky. Recentemente vimos, também, uma apresentação de nado sincronizado e ela passou a pedir sempre para ver mais. Ou patinação no gelo. Saltos ornamentais. Ginástica de solo. Apresentações de orquestras sinfônicas. Montagens do grupo Stomp. Blue Man Group. Exposições de moedas antigas (!) em museus. E por aí vai. Eu acreditava que, a esta altura da vida dela, eu só estaria lhe contando histórias da Carochinha, mas a Chapeuzinho Vermelho e os três porquinhos já não a atraem mais há um bom tempo. De onde minha filha tira esses gostos esquisitos, que contrariam a lógica de sua idade, eu não sei. Apenas vejo que faz parte de sua natureza apreciar manifestações culturais, artísticas e esportivas que costumam dar sono ou tédio a crianças de 3 anos.

Será que Deus também nos considera esquisitos? Essa realidade de minha filha me faz cogitar o que Deus pensa das preferências de seus filhos. Será que ele olha para mim e se pergunta “Que escolha bizarra, de onde o Maurício tirou isso?!”. Bem, claro que, sendo ele onisciente, não precisa se fazer esse tipo de questionamento, Deus sabe tudo. Mas, nas minhas reflexões esquisitas, me pego pensando o que o Pai acha da forma como procuro ocupar meu tempo.

Evidente que isso exige uma enorme dose de imaginação, mas tente pensar com a mente de Deus. O que você crê que ele considera formas normais de ocuparmos nosso tempo? Procure comparar aquilo que o Pai imaginaria que gostaríamos de fazer como filhos do Deus vivo e aquilo que de fato fazemos. Na sua opinião, você gasta as horas de seu dia fazendo o que o Senhor espera de você? Confesso que, quando penso nisso, me vejo decepcionando muito a Deus. Eu não usaria a palavra “surpreendendo”, pois nada surpreende o Onisciente, mas creio que entre aquilo que ele consideraria óbvio que eu fizesse e o que de fato faço deve haver uma enorme distância. Pensemos nisso.

bebe2A primeira coisa que um Pai espera de seus filhos é que se relacionem com ele, por amor. No entanto, diariamente priorizamos atividades que nos roubam dos momentos de comunhão com Deus. Quando eu deveria estar orando ou estudando a Palavra, mas opto por ver um filme qualquer na televisão, imagino que o Senhor olhe para mim e pense: “Esse meu filho é esquisito… que escolha mais sem sentido…”. Outra forma de ocuparmos nosso tempo de modo surpreendente para um cristão é ao darmos as costas para atividades que beneficiem o próximo. Leio Mateus 25 e vejo com clareza quanto o Pai valoriza que seus filhos priorizem ações em favor das outras pessoas. E aí paro para pensar quantas vezes, digamos, no último mês, eu dediquei minhas forças a fazer o que tem como objetivo abençoar meus irmãos e minhas irmãs… e morro de vergonha, por ter feito tão pouco. Sou ou não um filho de Deus muito esquisito?

É esperado que um filho do Rei ocupe a maior parte de seus tempo e de suas energias com as coisas do reino, com aquilo que tem mais valor para o reino. Não exclusivamente, mas prioritariamente. Lazer, descanso, compras no supermercado, consultas médicas… tudo isso é lícito e tem o seu espaço e o seu momento. O que nos torna cristãos muito esquisitos é quando atividades que nada têm a ver com nossa cidadania celestial tomam o tempo e as forças que deveriam estar sendo utilizadas nas coisas mais importantes aos olhos do nosso Pai. Isso fica claro para mim quando vejo que o adolescente Jesus ficou no templo de Jerusalém debatendo com os mestres sobre as coisas de Deus. José e Maria acharam sua atitude muito esquisita, mas o que o jovem Cristo estava fazendo era simplesmente priorizar aquilo que seria óbvio para alguém como ele: cuidar das coisas de seu Pai.

tempoPenso que devemos fazer o mesmo. É muito fácil a rotina e o corre-corre do dia a dia nos distraírem e desviarem nossas atenções para longe das coisas de Deus. Mas Jesus foi bem claro ao estabelecer as prioridades: “Buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça… ” (Mt 6.33). Será que temos feito isso? Será que priorizar o reino e a sua justiça se resume a ir à igreja uma ou duas vezes por semana e a ouvir musicas evangélicas? É isso que faz de nós filhos exemplares ou apenas filhos esquisitos aos olhos de Deus?

Precisamos entender o que um filho de Deus é chamado para fazer. Em outras palavras, o que é esperado de nós. Mais precisamente: o que Deus espera de você.

Amo minha filha e desejo que tudo o que ela faça sejam ações que me encham de orgulho. É natural que seja assim, é o que qualquer pai espera de seus filhos. Inclusive o Pai celestial. Agora, analise como tem ocupado suas horas, seus dias. Se você fosse o Senhor, se orgulharia da forma como vem priorizando seu tempo ou acharia as suas prioridades muito esquisitas? Será que você tem feito aquilo que Deus gostaria que você estivesse fazendo?

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício