Posts com Tag ‘Arrependimento’

va-carpir-um-lote-1O que está acontecendo com os cristãos? Quando é que muitos de nós nos tornamos tão insensíveis ao que é pacífico, gentil, amoroso, misericordioso e bom? Não é segredo a você, que me acompanha pelo APENAS, quanto tenho me posicionado contra a ideia antibíblica de que podemos ser cristãos e, ao mesmo tempo, pessoas brutas, agressivas, amantes de palavras ríspidas e iradas, achando que Deus aprecia esse tipo de postura. Às vezes, penso que tenho investido em uma causa perdida, pois, cada dia mais, vejo cristãos enfurecidos em sua forma de falar proliferarem de forma assustadora. Sábado passado, confesso, meu dia ficou mais cinzento quando li algo que me incomodou profundamente e me lançou em uma profunda reflexão sobre o perfil de enorme parcela dos cristãos de nossos dias.

Explico: ao dar uma espiada no Facebook, li uma postagem do diretor de um importante seminário teológico, na qual ele se posiciona contra uma afirmação feita por um dos preletores de certo congresso teológico. Até aí, nenhum problema, discordância de ideias é saudável e o diálogo que elas promovem contribui para o nosso crescimento. O que me deixou abismado foi ler um dos comentários a essa postagem. O irmão – pasme – simplesmente escreveu para o diretor do seminário: “Ah, vá carpir um lote, Fulano!”. Petrificado por esse nível de argumentação e mundanismo na maneira de discordar, fui olhar quem era essa pessoa em seu perfil pessoal. Para meu horror, descobri que ele trabalha na Primeira Igreja Batista de uma capital brasileira (talvez seja um dos pastores, não ficou claro) e é estudante de teologia de um conhecido seminário. 

Que loucura. É isso que líderes têm ensinado aos seus liderados? É essa a forma de discordar de ideias que muitos dos pastores e membros do rebanho de Jesus Cristo têm ensinado às ovelhas do Senhor? “Ah, vá carpir um lote!”? É esse nível de brutalidade e desrespeito que muitas lideranças têm demonstrado? Será que não se percebe quão distante de Cristo é essa postura e a lama que isso lança na imagem do evangelho? Será possível que não se perceba que, em grande parte, é exatamente esse tipo de postura que faz com que a sociedade não cristã nos enxergue como um grupo de pessoas intolerantes, desagradáveis e repulsivas? Pois, se eu fosse um descrente e lesse um cristão mandar um diretor de seminário “carpir um lote”, é exatamente o que eu pensaria. Você não? Ou ficaria encantado com a pureza dessa postura? Amaria abraçar a fé de quem age dessa maneira? 

Parte da Igreja tem ensinado que devemos combater os que se opõem à sã doutrina bíblica dessa maneira horrorosa. As palavras desse jovem não são um caso isolado, são reflexo do comportamento de um grande grupo de cristãos mal discipulados e malcriados, que cresce a cada dia e torna-se mais e mais visível – em especial pela Internet. Quantos cristãos estão se tornando seres humanos desagradáveis por seguir esses deprimentes formadores de opinião que dão um péssimo exemplo de conduta!

va-carpir-um-lote-2Meu irmão, minha irmã, você quer combater as heresias? Quer exortar quem está errado? Quer ser um instrumento de Deus para disseminar o evangelho verdadeiro? Quer ajudar a fazer “voltar ao evangelho” quem dele se desviou? Então, em nome de Deus, não siga aqueles que tratam de quem discordam com a delicadeza de um jihadista. Não são bons exemplos. São péssimos exemplos. Você quer saber verdadeiramente como deve agir no trato com quem acha que está errado? Então leia e assista não ao que pessoas amargas e arrogantes publicam por aí, mas o que as Escrituras Sagradas de Deus dizem:

“Ora, é necessário que o servo do Senhor não viva a contender, e sim deve ser brando para com todos, apto para instruir, paciente, disciplinando com mansidão os que se opõem, na expectativa de que Deus lhes conceda não só o arrependimento para conhecerem plenamente a verdade, mas também o retorno à sensatez, livrando-se eles dos laços do diabo, tendo sido feitos cativos por ele para cumprirem a sua vontade” (2Tm 2.24-26).

Leu o texto com muita atenção? Se não, por favor, volte e releia com extrema atenção tudo o que é dito. Essa passagem nos oferece a regra de ouro bíblica para combater as heresias, discordar de quem você acha que está errado, corrigir quem crê estar agindo ou falando de modo equivocado na fé. Sendo assim, atente exatamente para o que Paulo, inspirado pelo Espírito Santo, diz:

  1. O servo do Senhor não deve viver contendendo. “Contender” significa “dirigir provocações”, “competir”, “disputar a primazia”, “atacar”. A meu ver, escrever “Ah, vá carpir um lote!” numa divergência de ideias é, precisamente, o que contender significa. Portanto, é uma postura antibíblica e anticristã.
  2. O servo do Senhor deve ser brando, isto é, “aquele que se caracteriza pela docilidade; afável”. “Ah, vá carpir um lote!” soa a você como brandura?
  3. Com quem o servo do Senhor deve ser brando? Com quem concorda com ele? Com quem compartilha da mesma opinião? Não: “Todos”, diz a Escritura. Todos! Os que discordam, os que estão errados, os descrentes, os odiosos. Todos. Fora disso, é antibíblico e anticristão.
  4. O servo do Senhor deve ser paciente. Paciência é fruto do Espírito. Cada um de nós deve ser “pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar. Porque a ira do homem não produz a justiça de Deus” (Tg 1.19-20). E isso só é possível a quem é paciente – e não impulsivo – em suas reações. 
  5. O servo do Senhor deve disciplinar os que se opõem? Sim. Mas com agressividade? Não! Como o Espírito Santo nos diz que devemos corrigir quem se opõe? “Com mansidão”. Mansidão! Mansidão, meu irmão, minha irmã, uma das virtudes do fruto do Espírito que mais têm sido ignoradas pelos servos de Deus de nossos dias. “Vá carpir um lote!” soa como mansidão? Não. Portanto, é uma afirmação antibíblica e anticristã.
  6. Quem concede o arrependimento a quem está errado? “Deus”. Não eu. Não você. Não os nossos argumentos. Não a nossa ira. Não a agressividade na forma de falar. DeusDepende da ação do Senhor e, portanto, não é o uso de ofensas que nos levará a convencer qualquer pessoa.  Não é por força, não é por violência. 

va-carpir-um-lote-3Parece que muitos de nós, cristãos, nos esquecemos dessa regra de ouro. Queremos é ser “profetas” que bradam contra o erro  com fúria e furor. E, ao fazer isso, mandamos a instrução de Deus às favas. Ou 2Timóteo 2.24-26 não está na Bíblia? Perceba: ao dar as costas aos mandamentos do Senhor que listei acima, o que você está fazendo é preferir o que você quer do que o que Deus quer. Ou preferir fazer o que aprendeu com péssimos exemplos de líderes, blogueiros, vlogueiros, youtubers ou simplesmente irmãos em Cristo arrogantes e agressivos que contaminam as redes sociais, a televisão, a rádio, os corredores de muitas igrejas.

Em outras palavras, se dá mais ouvidos a essas pessoas equivocadas do que ao Senhor, você está dizendo: “Ah, vá carpir um lote, Deus!”. 

E não custa lembrar de que, entre outras coisas,  o servo do Senhor que está em cargos de liderança deve ser, segundo o Espírito de Deus: “temperante”, “sóbrio”, “não violento”, “cordato”, “inimigo de contendas” (1Tm 3.2-3); “não arrogante”, “não irascível”, “nem violento”, “amigo do bem”, “piedoso”, “que tenha domínio de si” (Tt 1.7-9). Meu irmão, minha irmã, responda sinceramente: em sua opinião, “Ah, vá carpir um lote!” é o posicionamento de alguém que tem essas características, indispensáveis a um líder cristão? Que tipo de pregação uma pessoa como essa fará no púlpito? Que conselhos dará às ovelhas que o Senhor lhe confiou? Que posturas ela disseminará em seus textos, vídeos e áudios? 

va-carpir-um-lote-4Meu irmão, minha irmã, quem você segue? Quem são seus modelos? Que pessoas são o seu exemplo? A postura de quem você imita? Em geral, você se comportará como aqueles que admira. Por amor à Igreja e ao evangelho, eu suplico: não siga pessoas que, numa divergência sobre assuntos da fé, mande o outro carpir um lote – ou qualquer outra coisa nesse mesmo nível de agressividade.  Não siga agressivos. Não imite brutos, que vivem uma brutalidade “em nome de Jesus” ou “em defesa da sã doutrina”. Não os admire, pois não são admiráveis. Se possível, não lhes dê ouvidos. Se os segue nas redes sociais, deixe de seguir. Pregue contra o que eles fazem – com mansidão, brandura e temperança -, na esperança de que Deus lhes conceda arrependimento. São poluição e contaminam as suas boas intenções. 

Busque o que é bom e do bem. Ouça quem prega a paz. Admire os mansos e humildes. Divulgue apenas quem age conforme 2Timóteo 2.24-26. Seja discípulo de pessoas misericordiosas, amorosas e compassivas. Aqueles que vivem e pregam um evangelho agressivo “em nome de Jesus” se perderam no meio do caminho e são guias cegos. Repito: não os siga! Não os admire! Não os imite! E isso, não importa se são famosos ou têm um milhão de seguidores. Pois, em termos de fidelidade às Escrituras, isso não quer dizer absolutamente nada. 

Seja dos que amam o evangelho da graça e não o da espada. Porque esse simplesmente não é o evangelho de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. É um evangelho apócrifo e, portanto, diabólico. E, se você abraçar o evangelho da espada, o que na verdade estará fazendo é mandando Deus carpir um lote. 

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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CHABPOLIN 1Gostei muito quando assisti a uma entrevista do ator mexicano Roberto Bolaños, conhecido por interpretar os personagens Chaves e Chapolin na televisão, pois ele disse algo que sempre pensei. Indagado sobre o que  achava de heróis como Superman e He-Man, ele respondeu: “Eles não são heróis. Herói é Chapolin Colorado. O heroísmo não consiste em não sentir medo, e sim em superá-lo. Superman é um super-herói, é todo-poderoso, por isso não sente medo. Chapolin morre de medo e, consciente dessa deficiência, ele enfrenta o medo. Isso é ser um herói. E ele perde muitas vezes, o que é outra característica dos heróis”. A reflexão de Bolaños é muito boa. Quando escrevi a série de livros de ficção cristã que teve início com O enigma da Bíblia de Gutenberg, uma das características que fiz questão de manter em todos os livros é que Daniel, o protagonista e herói das aventuras, não é, nem de longe, perfeito: ele erra com frequência, mas aprende com suas falhas e se esforça por não mais errar. Achei pertinente Bolaños ter dito o que disse, pois eu sempre afirmei que Daniel era o herói dos livros justamente porque ele erra, é verdade, mas se recusa a estagnar no pecado e se arrepende, aprende com os erros e se esforça para não mais errar. O que é uma lição para a minha e a sua vida. 

Ao longo de sua trajetória, você ainda vai errar, e muito. Terá pensamentos inconfessáveis. Pecará por deixar de fazer o bem. Desobedecerá muito a Deus em nome de boas desculpas. Usará sua língua para o mal. Se encherá de orgulho. Desprezará o pobre. Sentirá inveja do rico. Desonrará pai e mãe. Desejará o mal de quem te fez mal. Odiará. Cobiçará. Incitará em vez de pacificar. Se envaidecerá. Negará Jesus com suas atitudes. Terá preguiça. Enganará pessoas. Fará coisas ainda piores. E, se disser que não fará nada disso, mentirá. Como eu posso afirmar? Simples: porque você não é um super-herói, é um mero mortal. E mortais pecam. 

jESUSA boa notícia é que você tem dois caminhos a seguir: pode se conformar em continuar cometendo seus pecados de estimação ou seguir pelo heroico caminho da resistência. Que você ainda vai pecar muito, isso é fato. A grande questão é: o que fará quando isso acontecer? O que aprenderá? Que estratégias desenvolverá para não voltar a cometer o mesmo erro? De que modo ter pecado o ajudará a não mais pecar? Se você extrair ensinamentos e aprendizado dos seus pecados, refletir sobre eles, criar mecanismos que o ajudem a evitar incorrer nas mesmas transgressões e conseguir de fato vencer as tentações… a meu ver, será um herói. 

O enigma da Biblia de GutembergJesus, na eternidade, era o super-herói maior. Para ele não havia nem kriptonita. Mas, ao encarnar como homem, ele tornou-se o herói da humanidade, pois, passível de pecar, não pecou. Tentado em tudo, não cedeu. Confrontado no deserto por seu arqui-inimigo, o derrotou pelo poder da Palavra. Jesus nos deu o exemplo maior de heroísmo e provou que é possível ser um herói. Você pode. Deus te deu conhecimento de sua vontade. Deu domínio próprio. Deu seu Espírito. De que mais você precisa? Certa vez, me perguntaram em quem eu havia me inspirado para criar o Daniel, o herói de meus livros de ficção, que erra mas aprende, se arrepende e, depois, faz a coisa certa. Na hora, respondi: “em ninguém”. Hoje, percebo que respondi errado.

Eu me inspirei em alguém, sim: em mim e em você, os chapolins da vida real. 

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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bifurcação 1É frequente sentirmos saudades daquilo que não vivemos. Constantemente, a vida nos põe diante de bifurcações: se vamos para esquerda, abrimos mão de tudo o que poderíamos viver se tivéssemos seguido pela direita, e vice-versa. Como não sabemos o que nos reserva o futuro, tomamos as decisões com base naquilo que achamos ser o melhor. Infelizmente, como seres humanos emocionais que somos, não poucas vezes olhamos para trás e pensamos: “E se eu tivesse tomado o outro caminho, o que estaria vivendo hoje?”. Acredito que você já tenha passado por algo semelhante. Talvez passe frequentemente. E aí, o que fazer quando bate esse tipo de saudade?

A vontade de Deus é boa, agradável e perfeita. Se conseguimos caminhar pela estrada asfaltada pela vontade divina, certamente encontraremos o verdadeiro contentamento, a real felicidade que vem como consequência de cumprir os santos propósitos. A grande dificuldade é conhecer qual é a vontade de Deus. Por vezes, se nos dedicamos a pensar muito sobre se tomamos o caminho errado, somos invadidos por infelicidade e remorso. Não um remorso provocado por culpa, como aquele que Judas sentiu após trair Jesus, mas um remorso que nasce a partir da saudade de tudo aquilo que não vivemos. É o pensamento do “Mas e se…?”.

Uma das maneiras de se evitar que a tristeza inerente a esse tipo de remorso nos assole com frequência é seguir o conselho de Jesus: conformar-se com o fato de que basta a cada dia o seu mal. Se adotarmos para nossa vida essa linha de pensamento, poderemos até mesmo lamentar decisões tomadas no passado, mas não ficaremos acorrentados a elas. Entenderemos que optamos por um caminho e que nos dedicaremos a construir a melhor estrada possível, a partir do ponto em que estamos, rumo ao futuro.

u-turn-sign-on-roadO outro caminho possível é o da transformação desse remorso em arrependimento. Pois o remorso é aquela tristeza por decisões tomadas no passado sem que haja nenhuma mudança de atitude nossa parte; já o arrependimento é o mesmo tipo de tristeza, só que seguida da decisão de mudar de rumo, de passar a percorrer um novo caminho, diferente daquele em que se estava. O arrependimento nos faz seguir por uma outra rota.

Você sente saudades do que não viveu? Então há uma escolha a fazer: você pode decidir assumir as decisões tomadas, com todas as suas implicações, e construir a história do seu futuro a partir do ponto em que está hoje; ou pode abraçar o arrependimento e mudar de rumo, tentando caminhar para um novo destino, talvez aquele que teria traçado se tivesse tomado decisões diferentes no passado. O que vai definir qual das duas opções você terá? A minha sugestão é que busque se aprofundar na Palavra de Deus e se basear nela para decidir. Pois, se a Bíblia é a nossa bússola, certamente, ao seguir-se na direção que ela indica, cumpriremos a boa, agradável e perfeita vontade de Deus. “A tua palavra é lâmpada que ilumina os meus passos e luz que clareia o meu caminho” (Sl 119.105).

Procure respostas na Bíblia e tome suas decisões a partir delas. Conheça os princípios fundamentais das Escrituras e faça suas escolhas alicerçado neles. Tenho absoluta certeza de que, assim, as suas estradas não serão escuras ou esburacadas e te conduzirão a um destino mais excelente. Quanto à saudade do que não vivemos, felizmente temos a capacidade de tomar decisões que a apague do nosso coração. Mas, por vezes, não tem jeito: temos de abraçá-la como parte da nossa verdade e carregá-la conosco pelos anos que virão.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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pecado 1Será que existe algum pecado que seja pior do que todos os outros? Que seja mais terrível, abominável, repulsivo e condenador? Que seja mais grave, que ofenda mais a Deus, que gere consequências espirituais mais destrutivas que os demais? Entre todos os tipos e variações de pecado haveria um que superasse todos os outros quanto a sua peçonha? Assassinato? Adultério? Idolatria? Soberba? Ganância? Mentira? Suborno? Desonra a pai e mãe? Cobiça? Semear contenda entre os irmãos? São muitas as possibilidades. Claro que não incluímos neste raciocínio a blasfêmia contra o Espírito Santo, pelo fato de que essa é uma transgressão sem perdão. “Em verdade vos digo que tudo será perdoado aos filhos dos homens: os pecados e as blasfêmias que proferirem. Mas aquele que blasfemar contra o Espírito Santo não tem perdão para sempre, visto que é réu de pecado eterno” (Mc 3.28-29). Logo, a blasfêmia contra o Espírito Santo é uma categoria totalmente à parte, que não entra no nosso raciocínio. Mas e quanto a todos os outros milhares de tipos de pecados, algum é pior do que os outros?

Sim. Há um pecado absolutamente devastador. Um pecado terrível e assassino. Que está acima de qualquer outro na escala de horror. Se você não sabe qual é, anote: o pior de todos é o pecado sem arrependimento. Qualquer que seja.

pecado 2Jesus não encarnou para condenar, ele se fez homem precisamente para salvar. Jesus é o “Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!” (Jo 1.29). A meta de Cristo ao subir à cruz era conduzir pecadores ao arrependimento e, assim, possibilitar o perdão de milhões de vidas. Deus tem um enorme prazer no arrependimento: “Digo-vos que, assim, haverá maior júbilo no céu por um pecador que se arrepende do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento” (Lc 15.7). Essa percepção é absolutamente transformadora e libertadora, e explico por quê: muita gente acredita, por mil razões diferentes, que Deus não perdoará seu pecado, embora esteja verdadeiramente arrependida de seu erro. Quem pensa assim ainda não alcançou a compreensão, infelizmente, de que o perdão mediante o arrependimento é exatamente o motivo que levou Jesus a despir-se de sua glória para entrar no mundo como um de nós, sofrer e morrer na cruz.

Não falo isso só por teoria: eu mesmo já fiz parte desse grupo. Por um bom tempo vivi com o terrível peso de culpa por enxergar minha enorme pecaminosidade após a conversão, já conhecendo a Verdade. E percebi que aquele era um sentimento que muitos e muitos de meus irmãos e irmãs em Cristo experimentavam: não se enxergavam dignos do perdão de Deus, por terem pecado sendo já cristãos, justificados e chamados pela graça. Foi quando resolvi mergulhar nas Escrituras para compreender com a maior profundidade possível o que elas dizem sobre o processo pecado-perdão-restauração. Foram meses de leitura, estudo e reflexão. Por fim, acredito que consegui compreender com clareza a realidade que envolve essa dinâmica e, consequentemente, passei a ver como existem multidões de cristãos assolados desnecessariamente pela culpa. São homens e mulheres arrependidos, que abandonaram o pecado que outrora cometeram, não querem mais cometê-lo e, ainda assim, se veem culpados e esmagados pelo peso de um pecado que já não pesa sobre eles.

Foi a compreensão das verdades bíblicas acerca dessa realidade que me libertou das garras da culpa. E se você vive uma enorme culpa por algum pecado que cometeu e acha que não há perdão para você, saiba que basta cumprir o que a Palavra de Deus estipula e você será totalmente liberto desse fardo. O arrependimento é o primeiro passo, como disse Pedro: “Arrependei-vos, pois, e convertei-vos para serem cancelados os vossos pecados” (At 3.19). Esse arrependimento não pode ser produzido por vontade humana, é o Espírito Santo quem nos convence do pecado. Portanto, se você está arrependido, saiba que é Deus agindo com o intuito de perdoá-lo.

Após o arrependimento, vem a confissão. É hora de abrir o coração e confessar a Deus seu pecado, sem desculpas, sem subterfúgios; mas com transparência e sinceridade. “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (1Jo 1.9). Em seguida, é preciso deixar a prática desse pecado, o que significa estabelecer o firme propósito de não mais cometê-lo. “O que encobre as suas transgressões jamais prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia” (Pv 28.13).

pecado 3Uma vez que você tenha passado pelo processo de arrependimento, confissão e abandono, o perdão total vem sobre a sua vida. Você será livre. Todo fardo de culpa será lançado no fundo do mar. Deus te abraçará e dirá, sorrindo, que nenhuma condenação há para aqueles que estão em Cristo Jesus. E, então, feito alvo, mais que a neve, você deve continuar sua caminhada de fé, inocentado do pior pecado de todos. A partir daí, seu papel é ajudar quem está achatado pelo peso da culpa, ensinando o caminho do perdão total mediante o arrependimento. E, para aqueles que não se arrependeram ainda, deve pregar o arrependimento e interceder por sua vida, para que, mediante a sua proclamação do evangelho e a ação do Espírito Santo, tais pessoas encontrem a paz, o perdão e a restauração.

Seja um agente em favor do arrependimento. Ao fazer isso, você pode ser o canal para que Deus apague uma multidão de pecados.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari <facebook.com/mauriciozagariescritor >

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cor 1Nós podemos tocar profundamente o coração de Deus. Cada vez mais, minhas experiências de vida, associadas ao que vejo nas Escrituras, têm me mostrado com mais e mais clareza a essência do nosso Pai – o modo como ele pensa, age, sente e se move. Como já compartilhei em diversos posts aqui do APENAS (como ESTE), as circunstâncias que mais têm me ajudado a enxergar em profundidade e intimidade o ser divino, nos últimos anos, são as ligadas à paternidade. É impressionante como ser pai nos faz entender melhor o Pai. Recentemente vivi com minha filha de 3 anos mais uma situação que me fez experimentar um lampejo daquilo que Deus vive conosco, seus filhos. Permita-me compartilhar, na esperança de que este relato de algum modo edifique você.

Nas últimas duas semanas, eu e minha esposa tivemos de enfrentar um mal até então desconhecido para nós: nossa filha pegou pneumonia. Assim que soube do diagnóstico, fiquei bem preocupado, pois, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), essa é a doença que mais mata crianças menores de 5 anos em todo o mundo, e chega a ser responsável por 18% do total de mortes nessa faixa etária. Imediatamente pedi orações a minha rede de intercessores e a levamos ao hospital. Radiografia feita, exames concluídos, iniciamos rigorosamente o tratamento, que inclui antibióticos bem fortes. De início não houve muito efeito e minha filha chegou a ter uma infecção no ouvido direito, que a fez sentir muita dor. Após nova ida aos médicos, a dose do antibiótico teve de ser aumentada e recebemos a recomendação: pôr uma compressa quente algumas vezes por dia, durante vinte minutos, sobre o ouvido afetado. Assim começamos a fazer e, felizmente, a pequenininha começou a melhorar.

Na quinta-feira passada, ela foi liberada para voltar à escola, ainda sob certos cuidados: nada de tomar banho quente e ficar no vento, evitar tomar gelado, fugir do ar-condicionado, não fazer natação, esse tipo de coisa. E, claro, os antibióticos e a compressa se mantiveram no cardápio diário. Justamente nesse dia eu tinha de levá-la ao colégio. Dei o remédio sem problemas e chegou a hora de pôr a compressa aquecida sobre o ouvido. E aí começou o drama. Com sono e irritadiça, a pequena não queria de jeito nenhum deixar que eu pusesse a compressa. Com voz chorosa e birrenta, começou a dizer que estava quente demais, que não conseguia ouvir, que não queria e tudo aquilo que uma criança diz quando não quer algo. A hora passava, chegou o horário limite para sair de casa a tempo de levá-la, voltar e começar a trabalhar e eu ainda estava ali, tentando convencê-la na base do diálogo a pôr a bendita compressa. Mas nada adiantava: era manha, birra e desobediência; ela se revirava no sofá, deixava a compressa cair no chão, gemia com voz chorosa, resmungava… ufa! Se você é pai ou mãe sabe do que estou falando. Chegou um momento, então, em que, totalmente exausto, tive de dar um basta. Virei para minha filha e disse algo mais ou menos assim:

– Filha, isso é para o seu bem. Mas eu não vou ficar aqui discutindo com você, pois tenho responsabilidades e precisamos sair. Já passou da hora. Você não quer pôr a compressa, ok, não ponha, mas saiba que a sua decisão pode fazer você ficar com dor. Se é isso que você quer, vai ter de arcar com as consequências da sua escolha. Eu vou me arrumar para sairmos e estou muito triste com o que você fez. Amo você, mas a sua desobediência é errada e pode te prejudicar. A sua atitude me entristeceu muito.

Dito isso, saí da sala bastante irritado e fui para o quarto me vestir. Eu estava bem chateado, tanto pela desobediência dela quanto pelo fato de não ter conseguido tratá-la corretamente aquela manhã. Passados uns cinco minutos, eis que a pequenininha aparece à porta, se arrastando junto à parede (como costuma fazer quando percebe que pisou na bola) e, com voz bem baixinha e em tom normal, sem choro, sussurrou alguma coisa que não compreendi. Parei o que estava fazendo e, meio irritado, pedi que repetisse, pois eu não tinha conseguido ouvir. Ela chegou mais perto e disse:

– Papai… eu queria dizer uma coisa. Mas não briga comigo, tá?

Minha vontade, de tão irritado que eu estava, era falar algo do tipo “como é que eu não vou brigar com você, você desobedeceu, blablablabla…”. Naquela hora, eu só pensava em discipliná-la, pelo cansaço que me dera e pelas atitudes erradas que optou tomar. Meio sem paciência, respondi:

– Tá bem, o que é?

Foi quando ela disse as três palavras que tocaram profundamente o meu coração.

– Estou arrependida… Desculpe…

puss in bootsAssim, com essas exatas palavras. Consegue imaginar uma criancinha de três anos dizendo isso para você com aqueles olhinhos de gato de botas do Shrek e totalmente sincera naquilo que diz? Naquele momento, foi como se toda a irritação evaporasse por completo e eu fosse transportado a um patamar completamente diferente da realidade. Ainda estava triste porque não havia mais tempo para pôr a compressa e não queria que ela piorasse, mas a minha reação diante daquelas palavras não foi de brigar, reclamar, passar uma descompostura, nada disso: eu fui inundado de amor. Caminhei até minha filha, a peguei no colo e disse:

– Bebê, é claro que papai te desculpa. E tem mais: estou profundamente orgulhoso do que você acabou de me falar. Você fez a coisa certa. Quando a gente percebe que errou, o que tem de fazer é exatamente o que você fez: se arrepender e pedir perdão. Infelizmente, sua desobediência terá consequências, pois não temos mais como pôr a compressa e isso pode fazer você sentir dor. Mas parabéns por reconhecer que errou, pelo arrependimento e pelo pedido de desculpas, estou muito feliz que você tenha dito isso.

A enchi de beijos e abraços e confesso que fiquei tão feliz pela postura dela de reconhecer o erro, confessá-lo e pedir perdão que devo ter dito umas cinquenta vezes que estava muito orgulhoso dela daquele momento até chegarmos à escola.

cor 3O rei Davi errou no episódio de Urias e Bate-Seba. Mas, quando ele se deu conta do erro, a Bíblia relata que ele imediatamente se arrependeu e confessou o pecado: “Então Davi disse a Natã: ‘Pequei contra o Senhor!’” (2Sm 12.13). Repare a resposta que o profeta Natã lhe deu apenas um segundo depois: “E Natã respondeu: ‘O Senhor perdoou o seu pecado. Você não morrerá'”. Fico imaginando Deus olhando aquela situação. O coração do Senhor deve ter sangrado ao ver as ações de Davi durante o processo do adultério e do complô para assassinar Urias. Deus amava aquele homem, mas as atitudes dele despedaçaram o coração do Pai. Ele esperava que Davi fosse obediente e amoroso, mas seu filho foi desobediente, birrento e fez coisas que prejudicaram não só os demais envolvidos, mas, acima de tudo, a si próprio. Creio que a experiência que tive com minha filha me fez compreender com mais clareza o que o Senhor sentiu diante das atitudes de Davi – que, imagino, é o que ele sente sempre que o desobedecemos. Mas também consigo me identificar com o que aquele Pai entristecido sentiu quando o filho se arrependeu e disse “Pequei contra o Senhor!”. Que linda confissão! Consigo ver o Pai pegando Davi nos braços, o enchendo de beijos e abraços e dizendo:

– Bebê, é claro que papai te desculpa. E tem mais: estou profundamente orgulhoso do que você acabou de me falar. Você fez a coisa certa. Quando a gente percebe que errou, o que tem de fazer é exatamente o que você fez: se arrepender e pedir perdão. Infelizmente, sua desobediência terá consequências, pois terei de trazer seu filho para junto de mim e isso pode fazer você sentir dor. Mas parabéns por reconhecer que errou, pelo arrependimento e pelo pedido de desculpas, estou muito feliz que você tenha dito isso.

cor 4Se você peca, meu irmão, minha irmã, o caminho é um só: Arrependimento (“Arrependei-vos, pois, e convertei-vos para que sejam apagados os vossos pecados” – At 3.19) seguido de Confissão, que significa assumir a culpa (“Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” – 1Jo 1.9) e o estabelecimento de um Firme propósito de não mais pecar (“O que encobre as suas transgressões nunca prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia” – Pv 28.13).  Em outras palavras:

– Estou arrependido… Desculpe…

Se você fizer isso com a sinceridade de uma criança, pode ter certeza absoluta de que a reação do Pai, motivado por um profundo sentimento de amor em seu coração divino, será tomar você nos braços, enchê-lo de beijos e dizer:

–  Papai perdoou o seu pecado.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >
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Perdão é um assunto essencial para nossa saúde espiritual. A falta de perdão é um câncer que corrói a alma, gera culpa e ressentimento e nos afasta de Deus. Foi por isso que decidi me dedicar a esse tema em meu livro mais recente, Perdão Total – Um livro para quem não se perdoa e para quem não consegue perdoar (veja AQUI), que acabou de ser lançado pela editora Mundo Cristão. Semana que vem falarei um pouco mais sobre ele, se você me permitir. Hoje compartilho apenas um pequeno vídeo, que a editora me pediu para gravar, em que abordo um dos temas tratados no livro. Espero que aquilo que procuro compartilhar nessa fala de 2 minutos abençoe a sua vida.

Perdão Total_Youtube

(Se, ao clicar na imagem, o vídeo não abrir, clique AQUI)

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Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari

 

propinaAs eleições estão se aproximando. Este período de campanha política costuma ser momento de muito bochicho sobre atos de corrupção nas esferas de poder, um mal que assola as instituições públicas. A verdade é que vivemos cercados de corruptos. Compre o jornal de hoje e você verá escândalos de corrupção ocuparem as primeiras páginas. Compre o de amanhã e verá também. E, provavelmente, continuará vendo por quase todos os dias de sua vida. Em geral, os casos de corrupção mais escandalosos são aqueles que ocorrem no governo, entre deputados, funcionários públicos, ministérios… esses são os que ganham mais visibilidade. E nós nos indignamos quando tomamos conhecimento disso, com toda razão. Afinal, não pagamos impostos para que nosso dinheiro vá parar numa conta na Suíça ou debaixo do colchão de algum político espertalhão – quando isso acontece é revoltante mesmo. Converse com qualquer pessoa do seu círculo de amizades e ela se mostrará indignada com a corrupção nas esferas de poder, na polícia, em empresas estatais, entre aqueles que ocupam cargos que lhes abrem grandes possibilidades de corromper e ser corrompidos. O curioso é que essas mesmas pessoas que metem o malho nos corruptos muitas vezes praticam atos de corrupção elas próprias. E, se pararmos para pensar, talvez nós mesmos sejamos corruptos e não tenhamos nos dado conta disso.

O jornal O Globo entrevistou o cientista político Alexandre Gouveia, que fez uma lista de quinze práticas de corrupção cotidiana. Veja se você pratica ou já praticou alguma(s) delas:

1. Não dar nota fiscal.

2. Vender ou comprar produtos falsificados e/ou contrabandeados.

3. Não declarar produtos comprados no exterior, para evitar o recolhimento de impostos.

4.  Não declarar rendimentos extras no Imposto de Renda.

5.  Usar o vale refeição para fazer compras no supermercado.

6. Estacionar veículos, utilizar filas prioritárias e assentos destinados exclusivamente para idosos e deficientes.

7. Vender seu voto ou trocá-lo por algum benefício pessoal, como emprego, material de construção, cesta básica etc.

8. Na escola, dar uma olhada na resposta do colega (a famosa “cola”).

9. Andar com o veículo pelo acostamento.

10. Evitar uma multa oferecendo dinheiro ao policial.

11.  Furar fila.

12. Fazer ligação ilegal de serviços como TV a Cabo, Energia Elétrica etc.

13. Apresentar atestado médico falso.

14.  Falsificar carteirinha de estudante para obter descontos e benefícios.

15.  Bater o ponto de trabalho para o amigo.

cola na escolaVocê pratica ou já praticou alguma dessas quinze ações? Se sua resposta foi positiva, tenho uma má notícia: você é um corrupto. Talvez pense que exista corrupção que seja “menos corrupção” do que outra. Biblicamente falando, não existe. “Quem obedece a toda a Lei, mas tropeça em apenas um ponto, torna-se culpado de quebrá-la inteiramente. Pois aquele que disse: ‘Não adulterarás’, também disse: ‘Não matarás’. Se você não comete adultério, mas comete assassinato, torna-se transgressor da Lei” (Tg 2.10-11). Assim, vemos que aquilo que você poderia considerar um simples “jeitinho” ou uma prática “que não faz mal a ninguém” é tão séria, ilegal, desonesta e grave como o escândalo do Mensalão, por exemplo. Por quê? Porque é uma questão de princípios, não de quantias. Se um político recebe milhões de propina para beneficiar uma determinada empresa numa licitação ou se você dá uma propina de algumas dezenas de reais a um policial para não receber multa, o erro foi o mesmo: propina. Quanto dinheiro estava envolvido? Aí já é um segundo aspecto, mas o primeiro já está definido: você corrompeu ou foi corrompido. O que faz de você um corrupto.

A casa construída porque você deu propina ao fiscal para liberar a obra é um atestado de corrupção. Sua carteirinha de estudante falsificada para pagar meia entrada é um atestado de corrupção. A nota da sua prova obtida espiando a prova do colega ao lado é um atestado de corrupção. O gato na sua casa é um atestado de corrupção. As horas de trabalho acumuladas mas não trabalhadas são um atestado de corrupção. Aquela caneta ou outro objeto que você levou do seu local de trabalho para casa sem autorização é um atestado de corrupção. Aqueles minutos que você economizou subindo com o carro pelo acostamento ou trafegando pela via exclusiva dos ônibus são um atestado de corrupção. A bandalha que você fez no trânsito é um atestado de corrupção. A comida que você comeu antes porque furou a fila do restaurante é um atestado de corrupção. Meu irmão, minha irmã, se a carapuça serviu, para mim ou para você… estamos mal na fita e não temos nenhuma moral para criticar os políticos corruptos.

propina2Claro que essa percepção não deve ter como objetivo desculpar os políticos corruptos nem deixar você com sentimento de culpa, mas conduzi-lo a uma reflexão acerca do seu comportamento. Não podemos, como Igreja de Cristo, acreditar que realizar “pequenas” transgressões (isso existe?) seja algo de menos importância e que não exija um profundo arrependimento de nossa parte. A proposta bíblica é que fujamos da corrupção que há no mundo: “Seu divino poder nos deu tudo de que necessitamos para a vida e para a piedade, por meio do pleno conhecimento daquele que nos chamou para a sua própria glória e virtude. Dessa maneira, ele nos deu as suas grandiosas e preciosas promessas, para que por elas vocês se tornassem participantes da natureza divina e fugissem da corrupção que há no mundo, causada pela cobiça” (2Pe 1.3-4). O termo no original grego que Pedro usou aqui e que foi traduzido em português como “corrupção” é “phthora”, que significa “decadência”, “ruína” (literal ou figurativa), “corrupção”, “destruição”. Dá o que pensar.

Ninguém é perfeito. Você não é, eu não sou. Já cometi ao longo da minha trajetória (inclusive após a conversão) muitos atos de corrupção, que, até mesmo, não achava na hora que tinham algo de mais mas, hoje, vejo que foram atitudes totalmente erradas. Sim, já me corrompi, por isso não falo de nada que eu mesmo não tenha vivido – para minha vergonha, mas também para minha constante percepção de quanto sou um miserável pecador e careço desesperadamente e diariamente da graça de Deus. Como servos e filhos do Deus santo, não podemos nos conformar em praticar irregularidades, desonestidades e atos que configurem desrespeito ao próximo e deixar tudo por isso mesmo. Porque, senão, estaremos nos conformando com este mundo, o que contraria os ensinamentos bíblicos (cf. Rm 12.2). Furar fila não é “só” furar fila, pelo contrário, é uma ação que demonstra que você não respeita o direito do próximo. Logo, você não está demonstrando amor pelo próximo e, portanto, está transgredindo o grande mandamento.

Convido você a um exame de consciência. Pense naquilo que tem feito e em como enxerga esse tipo de pecados que se convencionou chamar de “menores”. Eles não são menores, pois demonstram falta de temor pela santidade divina. Entenda, meu irmão, minha irmã, que meu objetivo com essa reflexão não é deixar você mal, mas, se perceber que tem pecado nesse sentido, conduzi-lo ao arrependimento e à mudança de atitude. Pense e ore. Identifica “pequenos” atos de corrupção em sua vida que o tornam tão culpado como os políticos ou policiais corruptos? A hora de mudar é esta. Peça perdão a Deus e dê uma guinada na sua atitude (Pv 28.13). Se fizer isso, encontrará misericórdia, será perdoado e poderá começar do zero. E, aí sim, terá moral para condenar os que roubam milhões dos cofres públicos.

cruzO maior escândalo de corrupção que pode existir é o da nossa própria corrupção. Pois é essa que nos fará prestar contas a Deus. Então, antes de se escandalizar com o que aparece nas manchetes dos jornais, fique chocado com aquilo que você faz e ninguém sabe. Porque, na verdade, Deus sabe – e sempre pega você em flagrante, sempre. As consequências podem não ser nada agradáveis. Errou? Confesse. Deixe. Mude. E a misericórdia celestial te alcançará. Foi para isso mesmo que Jesus morreu e ressuscitou. Ah, meu irmão, minha irmã, nós somos maus e falíveis e dependemos totalmente da graça de Deus. A boa notícia? Ela está ao nosso alcance e, por isso, te garante perdão total.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Mauricio