Arquivo da categoria ‘Paz’

arrogancia 1Ando pensando muito sobre nossa arrogância teológica. Se você não está familiarizado com essa expressão, permita-me tentar defini-la. “Arrogância teológica” é aquele sentimento que se manifesta em nós quando nos consideramos os donos da verdade em relação a nossas crenças espirituais e doutrinárias e, por isso, nos colocamos em uma posição de suposta superioridade em relação aos reles e pobre mortais que discordam da nossa forma de ver a fé. Esse problema sempre existiu, mas, com o surgimento das redes sociais, o fenômeno tem se manifestado de forma nunca antes vista e ganhado uma enorme visibilidade. O que, diga-se de passagem, é uma lástima.

Tenho visto a arrogância teológica crescer e se multiplicar. Na Internet, atualmente uma das formas mais frequentes que a vejo é na guerra (e uso o termo “guerra” conscientemente) que tem se travado entre calvinistas e arminianos, isto é, a grosso modo, entre quem crê na eleição divina para salvação e quem crê no livre-arbítrio. É uma guerra feia, pois reproduz, milênios depois, a abominação que houve entre Caim e Abel: lança irmão contra irmão, suscita ódio entre filhos do mesmo Pai e gera debates pueris onde deveria haver amor e união. Não consigo vislumbrar nada mais inútil e feio na fé cristã do que irmãos em Cristo usando sarcasmo, ironia, ódio e ofensas para tratar outras pessoas por quem Cristo igualmente deu a vida. Vejo os “reformados” (calvinistas) defenderem a predestinação e o TULIP como se isso fosse fazer evangelismo. Não é, nem de longe. E vejo arminianos reagindo com ataques de igual monta contra os calvinistas, como se fossem hereges. E não são, nem de longe.

calvinismoEsses ataques e essas picuinhas vão levar a Igreja de Cristo sabe aonde? A lugar algum. Somente a embates cheios de carnalidade e a uma “guerra civil” protestante, para deleite das forças espirituais da maldade. Entrar em debates, acusações, birras de Facebook ou o que for para ficar defendendo calvinismo ou arminianismo mediante ataques ao outro lado vai simplesmente provocar o que levou a rixa entre José e seus irmãos ou Jacó e Esaú: dissensões e facções – que, aliás, são obras da carne, como denunciado por Paulo em Gálatas 5.19-21. Quanta perda de tempo e energia…

Muitos me perguntam se sou calvinista ou arminiano. Minha resposta é: que importa? Que diferença faz? Não quero pregar predestinação ou livre-arbítrio, quero pregar amor, graça, perdão, pacificação, generosidade, amabilidade, bondade, mansidão, caridade, paz; pois essas são colunas do evangelho, comuns a todos os sistemas doutrinários protestantes, ortodoxos ou católicos. Como já disse alguém, durmo com a tranquilidade de um calvinistas e prego com a ênfase de um arminiano. Mas procuro fazer isso unindo e não segregando, tratando quem discorda de mim com afeto e carinho, e não com desdém e palavras ácidas, como tanto tem ocorrido por aí. Simplesmente porque quem age assim não está agindo como cristão.

Duvido que Cristo aprove que se defenda sua soberania com ódio, ofensas ou ironias entre irmãos. Não há nada errado em se defender o que se crê (eu mesmo estou fazendo isso aqui), mas, se o fazemos com soberba e altivez, nos tornamos abomináveis. “O temor do SENHOR consiste em aborrecer o mal; a soberba, a arrogância, o mau caminho e a boca perversa, eu os aborreço” (Pv 8.13).

Arrogante-1Outro aspecto da arrogância teológica está em desprezar aquele que o arrogante considera menos “acadêmico”, “culto” ou “profundo” do que ele próprio. A soberba leva o cristão que se encaixa nessa definição a desprezar pregações, palestras, textos e livros que não citem montes de pensadores e referências bibliográficas, que não usem os termos rebuscados da teologia, que não suscitem “debates intelectuais”. Algum tempo atrás fiquei muito chateado, pois vi uma pessoa criticar o escritor Max Lucado, desdenhando-o como um autor “raso”, “superficial”. Sou apaixonado por teologia, já cursei dois seminários teológicos, gosto e tenho frequentemente debates profundos e rebuscados sobre as coisas de Deus. Mas não é por isso que me ensoberbecerei em meus conhecimentos e desprezarei um autor cristão que contribui para levar consolo, paz, esperança e palavras de fortalecimento e fé a milhões de pessoas pelo mundo. Isso seria leviano. E diabólico.

Falo com conhecimento de causa. Quando eu era um arrogante teológico (sim, já fui isso) eu desprezava autores como Lucado e outros da mesma linha, que não se atêm a rebuscamentos da teologia, mas se dedicam a escrever de forma simples, aplicando conhecimentos teológicos à vivência do cristão. Mas, quando tive de atravessar o vale da sombra da morte, não encontrei a paz em teologias sistemáticas ou comentários bíblicos: encontrei alívio e refrigério (bíblicos, ressalte-se) em livros como os de Max Lucado, que me apontaram o amor de Jesus na prática. Esse irmão em Cristo (que tem crenças soteriológicas diferentes das minhas, permita-me ressaltar) foi quem me deu palavras de renovo, ânimo, conforto e esperança. Palavras como Cristo nos dá. E, enquanto os arrogantes teológicos o desprezavam e faziam piadinhas de sua “literatura rasa”, ele me ajudava a ficar de pé e a continuar a caminhar. Obrigado, Lucado, por isso.

boys-walking-on-raod-bw“Eis o soberbo! Sua alma não é reta nele; mas o justo viverá pela sua fé. Assim como o vinho é enganoso, tampouco permanece o arrogante, cuja gananciosa boca se escancara como o sepulcro e é como a morte, que não se farta; ele ajunta para si todas as nações e congrega todos os povos” (Hc 2.4-5). Nosso meio está cheio de pessoas que se enquadram nessa descrição, lamentavelmente. Eu fui muito abençoado em conferências teológicas que tratam de assuntos das rodas acadêmicas e da “intelligentsia” cristã. Washer, Piper, Sproul, DeYoung, Beeke e outros me edificaram, e muito, e jamais os desprezarei. O conhecimento deles e de outros excelentes pensadores soma, abençoa, constrói, edifica e devemos indispensavelmente ouvi-los. Que fique muito claro: não estou de modo algum dizendo que devemos descartar ou desprezar as profundidades da teologia, fazer isso seria cometer o mesmo erro (e um erro crasso), mas pelo lado oposto. O problema não é de jeito nenhum a teologia, sem a qual a fé cristã não subsiste. O problema é quando a teologia academicista despreza a sua aplicação prática coloquial e simples, quando a teologia diminui o chorar com quem chora, quando a teologia não quer sujar o pé no barro e despreza aqueles que o fazem. Teologia que não sai das salas de aula, das mesas de restaurante, dos vlogs e podcasts e dos auditórios de debate é mero correr atrás do vento para alimentar egos.

max lucadoEu gostaria muito que os grandes ministérios e as igrejas que organizam as principais  conferências teológicas no Brasil mudassem um pouco o foco. Que não tratassem de temas, muitas vezes, secundários e, até, improdutivos, e direcionassem suas atenções para os pontos nevrálgicos da fé cristã. Eu adoraria ir a uma conferência teológica cujo tema fosse o perdão, por exemplo (assunto essencial mas tão pouco tratado na Igreja de nossos dias), e que tivesse como preletor o Max Lucado. Ou que tivesse como tema algo como “O exercício prático da graça” e convidasse Philip Yancey. Ao ler isso, os arrogantes teológicos logo torceriam o nariz. Mas o que de diferente se esperaria de arrogantes teológicos?

Meu irmão, minha irmã, sempre que for tentado a cometer o pecado da arrogância teológica, lembre-se de que ela é tão arrogância como qualquer outro tipo de arrogância. E o que a Bíblia tem a dizer aos arrogantes é: “Abominável é ao SENHOR todo arrogante de coração; é evidente que não ficará impune” (Pv 16.5).

cruzFica minha proposta: se você é um líder, alguém responsável por organizar congressos, conferências ou outros tipos de fóruns de debate entre cristãos, não se deixe picar pela mosca azul da arrogância teológica. Não queira ser chique. Pense o seguinte: sobre que temas Jesus chamaria seus discípulos para debater numa conferência ou num congresso? Consegue fazer esse exercício de imaginação? Bem, na verdade, nem é preciso imaginar. Leia Mateus 5 a 7, o conhecido Sermão do Monte, essa belíssima conferência teológica que Jesus organizou e na qual palestrou com a simplicidade de um Max Lucado. Ali ele tratou de temas basilares, indispensáveis e urgentes do cristianismo, como humildade de coração, consolo, mansidão, misericórdia, pureza de coração, pacificação, confiança nos cuidados de Deus, santidade, a importância da reconciliação com os irmãos e outros temas centrais, fundamentais e prioritários da fé cristã. E, se Jesus priorizou tais temas, não deveríamos nós imitá-lo? O que está nos impedindo?

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
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lingua 1“Se alguém supõe ser religioso, deixando de refrear a língua, antes, enganando o próprio coração, a sua religião é vã” (Tg 1.26). Esse é um dos versículos mais assombrosos e amedrontantes da Bíblia. Ele decreta: de nada adianta viver cumprindo os preceitos da fé cristã se você não é capaz de controlar o que fala e a forma como fala. Ir ao culto, cantar louvores, orar, ler a Palavra, pregar, chorar de joelhos, postar reflexões sobre a vida cristã na internet, escrever livros cristãos… se você não tem domínio sobre o que fala e como fala, tudo isso é absolutamente vão, ou, como bem define o dicionário, “vazio, oco, inútil, sem valor, ilusório, sem fundamento real, fútil, frívolo, falso, ineficaz”.

Controlar a língua não é um assunto secundário, coisa de fofoquinha entre vizinhas que ficam olhando a vida alheia. É um tema muito mais profundo do que simplesmente fofoca, como alguns, equivocadamente, pensam. Saber controlar o que se fala e como se fala é uma questão de caráter. De amor ao próximo. De respeito. É interessante que o versículo citado no início deste texto vem logo depois da afirmação: “Tornai-vos, pois, praticantes da palavra e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos” (Tg 1.22). Alguém dizer que pratica a Palavra sem controlar o que fala e como fala faz de si somente um enganador.  E é importante frisar que, em dias como os nossos, o “falar” aqui também deve ser entendido como “postar”, “tuitar”, “compartilhar”, “comentar”, “teclar” e por aí vai.

agressivo 1Saber controlar a língua diz respeito, por exemplo, a falar com o próximo com carinho e gentileza. Um cristão que, por exemplo, entra em debates ácidos  pelas redes sociais ou em qualquer outro âmbito sobre assuntos teológicos e faz isso sem refrear a língua, tecendo comentários sarcásticos, sendo agressivo, tratando o próximo a quem deveria amar com estupidez (mesmo o inimigo)… nada mais é do que alguém cuja religião é vã. Grave, não é? Mas bíblico. E isso, por mais que supostamente tenha boas intenções e queira agradar a Deus. Em meu entendimento bíblico, quem faz isso não agrada a Deus, agrada somente ao próprio ego. Religioso. Vão. 

É claro que sempre teremos uma “boa desculpa” para usar a língua de forma pecaminosa. Diremos que estamos ofendendo e ironizando quem discorda de nós em nome da apologética, porque, afinal, “antes importa  agradar a Deus que aos homens”. Diremos que abrimos segredos que nos contaram para que “pudessem orar por fulano”. Inventamos mil histórias que tentam justificar nossa incapacidade de reter a língua. Desculpas, somente. Religião vã. 

agressivo 2Tenho ficado abatido com a forma como vejo cristãos discordarem de cristãos. Tenho ficado assombrado com a forma como cristãos discordam de não cristãos. Atacam. Agridem. Desprezam. Ironizam. Tiago 3 é um capitulo arrasador sobre o assunto. Descreve a pessoa perfeita: “Se alguém não tropeça no falar, é perfeito varão, capaz de refrear também todo o corpo” (v. 2). A Palavra de Deus diz que com a língua “bendizemos ao Senhor e Pai; também, com ela, amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus” (v. 9). É exatamente o que vejo todos os dias entre os cristãos, embora Tiago seja claro: “Meus irmãos, não é conveniente que estas coisas sejam assim. Acaso, pode a fonte jorrar do mesmo lugar o que é doce e o que é amargoso?” (v. 10-11). E a nossa boca tem sido amarga demais. Demais.

agressivo 3Vejo frequentes debates entre certos “mestres da Palavra”, pastores, líderes, teólogos, blogueiros, vlogueiros, estudantes de teologia ou simples membros de igreja como eu e você serem recheados de espantoso descontrole da língua. E me abato quando comparo a arrogância teológica de muitos com o que diz a Bíblia: “Quem entre vós é sábio e inteligente? Mostre em mansidão de sabedoria, mediante condigno proceder, as suas obras. […]  Pois, onde há inveja e sentimento faccioso, aí há confusão e toda espécie de coisas ruins. A sabedoria, porém, lá do alto é, primeiramente, pura; depois, pacífica, indulgente, tratável, plena de misericórdia e de bons frutos, imparcial, sem fingimento. Ora, é em paz que se semeia o fruto da justiça, para os que promovem a paz” (Tg 3.13-18). É claro: biblicamente, sabedoria e inteligência precisam ser acompanhadas, impreterivelmente, por mansidão. Qualquer tipo de sabedoria que não tenha paz, que não seja pura; que não seja pacífica, que não seja indulgente, que não seja tratável, que não seja plena de misericórdia e de bons frutos, que não seja imparcial, que não seja sem fingimento… é demoníaca. Mesmo se for usada “em nome de Jesus”.

Vejo nas palavras e na forma de falar de muitos cristãos, “mestres”, “apologetas”… aquilo que a Bíblia diz que é ruim. Misericórdia zero. Paz zero. E isso cansa. A Igreja de Jesus Cristo em grande parte diz que defende Jesus Cristo. Mas, ao fazê-lo de forma bruta e odiosa, só defende egos e o que há de pior no gênero humano. E faz a sociedade não cristã nos enxergar não como pacificadores e filhos do Deus de amor, mas como figuras abjetas e detestáveis. Que não cumprem o mandamento bíblico: “O seu falar seja sempre agradável e temperado com sal, para que saibam como responder a cada um” (Cl 4.6).

gentilFica a sugestão (enfática): aprenda a refrear sua língua. Não imite o comportamento de quem não refreia, mesmo que sejam pastores, líderes, celebridades cristãs, gente famosa da internet ou o que for. Fuja de “mestres” que usam palavras com fúria, mesmo que seja em nome da fé. Não deixe que sua religião se torne vã. Amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio: se aquilo que você diz e a forma como diz não vêm encharcados dessas virtudes, está na hora de repensar seriamente tudo aquilo que fala e escreve. E, quem sabe, recomeçar do zero.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
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O fim do sofrimento_Capa 3DVocê está sofrendo? Ou conhece alguém que esteja? Pode ser sofrimento físico, psicológico, espiritual ou emocional; no corpo ou na alma? Ou, então, tem a sensação de que Deus não te ouve, se cansou de você, não responde as orações ou mesmo não te ama? Se é o caso, saiba que muitos bons cristãos enfrentam sofrimentos. Mas… haveria uma explicação para um Deus bom e amoroso permitir a sua dor? E será que existem respostas bíblicas que ajudem a aliviar o fardo quando se está atravessando o vale da sombra da morte? A boa notícia é que, sim, há uma explicação; e, sim, as Escrituras apontam caminhos para encontrar paz, alívio, alegria, descanso, esperança e felicidade nos piores momentos da vida.

Tenho sido fortemente motivado a me aprofundar nessa questão, como resultado de um processo pessoal de sofrimento, somado à percepção constante – por meio de conversas com irmãos e irmãs pelo APENAS, pelo Facebook ou nas igrejas em que prego e palestro – de que há multidões de pessoas entre nós que precisam lidar com os mais variados tipos de dores e angústias. Por tudo isso, esse assunto tem feito parte de minhas reflexões de modo muito intenso nos últimos tempos, o que me levou a realizar uma pesquisa profunda nas Escrituras sobre o tema. Essa busca para compreender (e viver) melhor a questão do sofrimento acabou gerando um livro, lançado oficialmente este mês de maio pela editora Mundo Cristão: O Fim do Sofrimento – Um livro para quem busca consolo e esperança nos momentos mais sombrios.

Peço desculpas se este texto soa como a propaganda de um livro. Acredite: para mim, é muito mais do que isso. Tenho a convicção, reforçada pelo depoimento de pessoas que já o leram (veja abaixo), de que ele pode ajudar vidas que se encontram esmagadas pelo peso do sofrimento a encontrar o caminho da paz. A você, meu irmão, minha irmã, que acompanha este blog semanalmente, explico que tudo o que procurei fazer com esse livro foi o que faço nos posts do APENAS: estudar e refletir sobre as coisas de Deus para abençoar a vida de quem me lê. Aliás, alguns textos que uso na obra foram baseados em posts do blog, só que mais desenvolvidos e esmiuçados. Meu objetivo é que este livro – escrito numa linguagem extremamente fácil e simples, para ser compreendido por qualquer pessoa, em textos curtos e coloquiais – conduza quem o ler a vivenciar a paz em meio ao sofrimento. Sem falsas promessas. Apenas com respostas bíblicas.

É natural que, como autor, eu incentive a leitura do O Fim do Sofrimento – Um livro para quem busca consolo e esperança nos momentos mais sombrios, pois acredito realmente que ele possa ser um canal para Deus levar paz a muitas pessoas – não por mérito próprio, mas pelo poder das verdades bíblicas que ele contém. Nesse sentido, estimulo a leitura a quem está passando por momentos de angústia e aflição, seja você, seja alguém que você conheça. Não falo isso de modo algum por interesse comercial, minha intenção é abençoar vidas e levar paz a corações.

Mauricio Zágari e Augustus Nicodemus em 2011Além de ser suspeito, por ser o autor, confesso que sinto certo desconforto de falar sobre algo que fiz, por isso prefiro deixar que outros falem em meu lugar. O livro – que tem prefácio do pastor Augustus Nicodemus Lopes – traz, nas primeiras quatro páginas e na contracapa, pequenos depoimentos de pessoas que o leram antes da publicação. Acredito que você conheça alguns deles e é para eles que passo a palavra:

“Mensagens lúcidas e bíblicas como as que Maurício Zágari transmite por este livro chegam como um bálsamo. O leitor encontrará nas páginas de O fim do sofrimento consolo, orientação e direção para atravessar o vale da sombra da morte” (Augustus Nicodemus Lopes — Pastor da Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia).

“Mauricio Zágari tem a clara intenção de contribuir com a humanidade, independente de raça, cultura e religião. Seus textos procuram estimular o processo de interiorização e reflexão existencial, para que o leitor elabore suas experiências e cresça diante dos percalços da vida. Que os leitores possam ser inspirados por este livro a fazer essa caminhada” (Augusto Cury — Escritor)

shedd_g“Maurício Zágari dá respostas bíblicas repletas de esperança e encorajamento para o problema do sofrimento. Não acho que encontrará outro livro melhor para experimentar a paz!” (Russell Shedd — Pastor, escritor, professor, conferencista e teólogo)

“A oportunidade de dizer algo sobre O Fim do Sofrimento me dá a sensação de peso sob a grande responsabilidade, visto que Maurício Zágari é um escritor admirável. Recomendo com carinho e consciência o livro que tem em mãos” (Antonieta Rosa — Teóloga, pastora, escritora e líder da Igreja ADVEC, RJ)

ana paula“A leitura desse livro será um bálsamo para o coração de todo aquele que sofre mas não sabe o porquê. O sofrimento e a dor são parte da nossa vida. Gostaríamos de evitá-los mas, quando menos esperamos, eles surgem como “intrusos” nas nossas histórias. Não é fácil lidar com esses tipos de “intrusos”. Por essa razão, Deus nos deixou a sua Palavra e também a sua igreja: irmãos e irmãs que nos auxiliam na caminhada. Maurício Zágari é um desses preciosos irmãos que, com doçura, nos fala sobre o fim desses intrusos.” (Ana Paula Valadão e Gustavo Bessa — Pastores da Igreja Batista da Lagoinha, BH)

“Em Cristo, e por meio da sua Palavra, descobrimos as razões do sofrimento, conhecemos seus propósitos divinos, e mais: encontramos consolo e cura para todo tipo de dor. Neste livro, Maurício Zágari conduz o leitor com segurança por esse caminho de ajuda e esperança, por meio da Palavra de Deus.” (Carlos Alberto Bezerra e Suely Bezerra — Pastores da Comunidade da Graça, SP)

bianca toledo“O fim do sofrimento não é quando ele acaba, mas quando enfim começamos a aprender com ele. Estou certa de que este livro transformará desertos vazios em lições de inestimável valor” (Bianca Toledo — Missionária, escritora e cantora).

“Em meio a um tempo tão triunfalista, poucos têm a coragem e ousadia de falar sobre o sofrimento de uma forma tão profunda, visceral e bíblica. Maurício Zágari passeia entre o confronto e o bálsamo e consegue com muita sabedoria acalentar o coração” (Felipe Heiderich — Pastor e escritor)

O fim do sofrimento é para todos nós, homens e mulheres que nos sentimos perplexos e impotentes diante de diferentes situações pelas quais passamos ao longo da vida. Deus abençoe este livro!” (Cris Poli — Educadora, escritora e apresentadora do programa de TV Supernanny)

“Sofrimentos, crises e dificuldades estão inevitavelmente entrelaçados no tecido da vida. Contudo, você pode mudar sua vida pelas escolhas que faz, e Maurício o ajudará a fazer as escolhas certas” (Devi Titus — Escritora e palestrante)

“Maurício Zágari usa no livro os dois maiores instrumentos de comunhão com Deus: a oração e a leitura cuidadosa e proveitosa da Bíblia. Se eu fosse você, não deixaria de tê-lo como um manual de sobrevivência!” (Dora Bomilcar — Coordenadora de oração da AMTB e produtora e locutora do programa Entre amigas, da RTM)

durvalina bezerra“O assunto do sofrimento é tratado de forma bíblica, e a obra é uma leitura imprescindível para os que precisam saber enfrentar as tempestades da caminhada cristã” (Durvalina Bezerra — Teóloga, conferencista, escritora e diretora da Rede de Mobilização de Mulheres de Ação Global e Mulheres em Ministério)

“Maurício Zágari possui uma compreensão excepcionalmente clara e bíblica sobre Deus e o ser humano. Este livro faz você se levantar e viver, mesmo em circunstâncias de dor e sofrimento” (Gilciane Abreu — Teóloga, pedagoga e diretora executiva da Juventude Batista Brasileira)

enc-josueO fim do sofrimento é um livro corajoso, que aborda a soberania e o amor de Deus com a sensibilidade única de quem conhece a dor e sabe consolar por meio da verdade. Promete ser leitura obrigatória para esta geração” (Josué Gonçalves — Escritor, conferencista e pastor do ministério Família Debaixo da Graça)

“Maurício Zágari escreve com o coração e fala ao coração de seus leitores. Com toda a certeza você não será o mesmo depois de ler as páginas deste livro” (Leonardo Sahium — Pastor da Igreja Presbiteriana da Gávea, RJ)

“A Mundo Cristão está de parabéns por esta publicação. Ela fala ao âmago do ser humano” (Miguel Uchôa — Bispo anglicano da Diocese do Recife e reitor da Paróquia Anglicana Espírito Santo)

luiz-sayao“Em dias de superficialidade e irrelevância, O fim do sofrimento surge como um oásis para quem sente a inescapável missão do coração de integrar espiritualidade e sofrimento. Parabéns ao autor pela seriedade e sensibilidade!” (Luiz Sayão — Teólogo, linguista, hebraísta e pastor da Igreja Batista Nações Unidas, SP)

“Sofrimento é dor, é sinal de que algo não está bem. O importante é o que aprendemos em cada crise de dor. Esse é o objetivo do autor. Aproveite” (Nancy Gonçalves Dusilek — Palestrante e escritora)

“O autor caminha de maneira sensível, bíblica e não superficial no tema do sofrimento, balizando direções de aprendizado e crescimento que nos identificam com Jesus e nos aproximam do próximo” (Nelson Bomilcar — Músico, pastor e escritor)

nina targino“Maurício Zágari escreve sobre a angústia que vive no íntimo de todo ser humano: o medo de sofrer. Um livro muito bem-vindo, desafiador” (Nina Targino — Coordenadora nacional do ministério Desperta Débora)

O fim do sofrimento agiu sobre mim como as palavras de um amigo a meu lado que se dispusesse a ler passagens da Escritura e a confortar-me com comentários cheios de graça. O texto transpira vivência e pessoalidade” (Norma Braga Venâncio — Doutora em Literatura Francesa, escritora e palestrante)

“Mauricio Zágari nos brinda com uma obra em que a graça de Deus se faz presente, exortando-nos a permanecer firmes diante das batalhas que nos assolam a alma. Recomendo a leitura!” (Renato Vargens — Escritor e pastor da Igreja Cristã da Aliança, RJ)

Perdao Total - Rachel Sheherazade (2)“Longe de propor o fim do sofrimento, Maurício Zágari nos faz compreender sua finalidade, por que e para que sofremos. Nosso Pai de amor também opera através do sofrimento, mas nos garante: nenhuma tribulação será em vão” (Rachel Sheherazade — Jornalista e apresentadora)

“Ao invés de oferecer ‘regrinhas’ ou ‘mantras’ fáceis sobre um tema tão complexo, Maurício Zágari fará que o leitor enfrente o sofrimento sob aperspectiva de um Deus amoroso que não só está comprometido com seus filhos, como também ama sua criação” (Ricardo Bitun — Pastor da Igreja Manaim e professor de Ciências da Religião da Universidade Presbiteriana Mackenzie

“Sugiro a leitura a todos que anseiam se aprofundar na Bíblia em busca de respostas, ou melhor, direções que podem ajudar a trazer paz e esperança em momentos de sofrimento” (Rinaldo Seixas — Fundador e líder da Igreja Bola de Neve)

wd“Este livro é um dos melhores já escritos sobre a questão do sofrimento, pois oferece respostas de esperança, paz e transformação para quem está sofrendo, com argumentos totalmente bíblicos e sem fazer falsas promessas” (William Douglas — Juiz federal, escritor e conferencista)

Peço a Deus que O Fim do Sofrimento – Um livro para quem busca consolo e esperança nos momentos mais sombrios seja um canal de bênção e paz para muitas vidas. Se você está sofrendo, meu irmão, minha irmã, fica aqui minha carinhosa recomendação para que o leia, a fim de desfrutar do alívio e do consolo bíblicos que essa obra oferece. Se conhece alguém que esteja atravessando o vale da sombra da morte, dê um exemplar de presente ou recomende a leitura. E peço ao nosso Pai que as palavras de vida contidas nas páginas deste livro tragam transformação, esperança e paz a você e a todos aqueles que vier a alcançar.

Paz a todos vocês que estão em Cristo – em especial, os que estão sofrendo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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10 1No Rio de Janeiro, a passagem de ônibus custa R$ 3,40. Peguei semana passada um ônibus e, como não tinha trocado, paguei com R$ 3,50. Estendi a mão ao motorista para receber meus 10 centavos de troco. Ele olhou meio sem graça, disse que não tinha essa quantia para me dar e pediu que eu esperasse: quando recebesse alguma moedinha de 10, me pagaria. Eu passei pela roleta e sentei logo no primeiro banco, lógico, pois não deixaria aquela fortuna para trás. O ônibus prosseguiu viagem e eu ali, firme, aguardando meu troco. O veículo estava vazio e quase ninguém subia. Percebi que, de vez em quando, o motorista me olhava pelo espelho retrovisor, visivelmente tenso por eu estar ali, de prontidão, à espera da moeda que ele não tinha. Eu pensava: “Já vi esse filme muitas vezes. O espertalhão diz que não tem troco para eu desistir e ele ficar com os meus 10 centavos. No fim do dia, ele pega 10 de um, 10 de outro, e vai tomar uma cerveja com o que pegou dos trouxas”. Franzi a testa. Comecei a bater o calcanhar, impacientemente, no piso do ônibus, disposto a não arredar pé enquanto não recebesse o que era meu por direito. Mas, ao mesmo tempo, eu percebia o nervosismo do homem.

Foi quando o Espírito Santo me deu um puxão de orelha. Fui fulminado claramente pela certeza de que eu estava me comportando como um mau cristão. Por querer meu troco? Não. Isso era o justo. Mas por colocar 10 centavos acima do amor pelo próximo. Percebi que eu alimentava ódio por um ser humano que provavelmente estava falando a verdade… por míseros 10 centavos. Notei que, naquele momento, eu estava vendendo a graça que deveria ter no coração por muito, mas muito pouco.

Na vida, muitas e muitas vezes fazemos isso. Por muito pouco, deixamos de agir como Jesus espera de nós. Explodimos com as pessoas por coisas muito pequenas, nos iramos, fazemos inimigos… por questões que, à luz da eternidade, não valem nada ou quase nada. Muitos perdemos amigos por pequenas picuinhas. Ou nos indispomos com pessoas da família devido a assuntos que, no fundo, não são tão importantes assim. Desonramos pai e mãe por migalhas. Levamos nossos filhos à ira porque chegamos em casa estressados pelo trabalho e explodimos por qualquer coisa. Ficamos de ti-ti-ti porque nossos líderes não nos sorriram naquela manhã. Em suma, não são poucas as vezes em que deixamos o amor e a graça escorregar para fora de nosso coração por questiúnculas banais.

10 2É importante dimensionarmos o valor e o peso das coisas. Aqueles 10 centavos tinham valor? Certamente. Era meu direito recebê-los? Evidente. Eu estava certo em tudo. Mas pequei pela falta de bondade. Pus intenções no coração daquele motorista que possivelmente ele não tinha. Permiti que a ira tomasse conta de mim. Falhei. Em termos bíblicos, fui um legalista e não um agente da graça, pois permiti que a lei (correta) fosse mais importante do que a graça (igualmente correta). A diferença é que a lei foi criada para conduzir à graça (Gl 3.24), portanto, lei sem graça é um cavalo desembestado sem cavaleiro – não leva nada a lugar nenhum. Por isso, errei ao atribuir mais valor ao meu direito e à minha razão do que ao amor pelo próximo.

10 3O mesmo vale para tudo na vida. Seus filhos desobedeceram e, com isso, erraram? Sim, claro. Mas será que isso justifica aquela sua reação explosiva? Seu marido deixou a casa bagunçada pela bilionésima vez, mesmo depois de você pedir trilhões de vezes que ele a mantenha arrumada? Sim. Mas será que isso compensa a briga? Você chegou em casa faminto e descobriu que sua esposa não fez o jantar prometido? Sim. Todavia, isso importa mais do que manter o bom relacionamento com ela? Seu chefe é um chato intragável é digno de milhões de críticas? Sim. Mas isso justifica o desacato à autoridade? Seu amigo não foi tão amigo assim na hora que você mais precisava? Sim. Mas será que os anos de amizade precisam ser jogados fora por essa falha? E por aí vai.

Meu irmão, minha irmã, muitas vezes o importante não é ter razão. É ser bom. É agir com graça. É ser como Jesus, que, sem nunca ter pecado, perdoou, amou, pacificou, reconciliou. Você quer ser como Jesus ou como você mesmo?

O ônibus chegou, enfim, ao ponto em que eu saltaria, e nada de ter recebido os 10 centavos. Tendo refletido e me contristado por causa da exortação do Espírito Santo, simplesmente levantei, dei sinal e, na hora de descer, acenei para o motorista, que me olhava constrangido pelo espelho retrovisor. E desejei: “Boa noite, amigo, Jesus o abençoe”. Você pode até achar que fiquei mais pobre por não ter recebido meu troco. Sinceramente? Acredito que saí daquele ônibus muito mais rico do que entrei.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >
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dente 1Em algum momento da sua vida, você certamente já brincou com sementes da planta conhecida como dente-de-leão. A certa distância, elas parecem um chumaço branco e redondo, fixado na ponta de uma haste verde, mas, quando sopra o vento, aquela bolinha de fiapos de desfaz em um monte de pequenos tufos, que saem voando pelo ar. É lindo de se ver e divertido. Sempre gostei muito dessas sementes, porque me transmitem uma sensação de paz e leveza. Para os cristãos da Idade Média, a flor da dente-de-leão estava associada a Cristo, possivelmente pelo seu formato, que lembra os raios do sol. Por isso, historicamente ganhou o significado de otimismo, esperança e luz espiritual. Além das características simbólicas, a planta pode ser utilizada com fins medicinais; seu chá é usado para purificar o sangue, estimular o apetite e tratar diferentes problemas de saúde. E mais: o dente-de-leão também serve como alimento, pois tem valor nutritivo.

Fiquei positivamente surpreso e feliz quando a Editora Mundo Cristão me apresentou a capa de meu novo livro, O Fim do Sofrimento – Um livro para quem busca consolo e esperança nos momentos mais sombrios. A obra, que chega às livrarias neste mês de maio, tem uma capa azul celeste e o único elemento além das palavras são sementes de dente-de-leão sopradas ao vento. Achei a escolha do artista que fez a capa muito apropriada para um livro que tem como objetivo levar paz e alívio a pessoas que estão passando por um período de sofrimento. Quando recebi da Mundo Cristão a arte da capa, fiquei olhando, me lembrando das características dessa planta e refletindo sobre sua relação com a questão da paz em meio ao sofrimento, que é o tema central do livro.

dente 3Muitas vezes, quando o sofrimento chega à nossa vida, nos sentimos destroçados. É como se uma situação aparentemente perfeita fosse destruída, dando lugar a dor, angústia, tristeza, dúvidas, depressão e aflições. O mesmo ocorre com o dente-de-leão, um chumaço redondinho, perfeito, bonito. Mas aí chega o vento. Em segundos, aquela planta aparentemente irretocável é desfeita, desconjuntada, suas partes são sopradas para todos os lados e o que sobra é uma haste pelada, despida de beleza. O interessante é que essa aparente destruição na verdade serve para manter a espécie viva, uma vez que, quando isso ocorre, as sementes são levadas pelo vento para fazer brotar novos exemplares – uma bela estratégia que Deus criou para fazer a planta proliferar, crescer e se multiplicar.

Assim, se enxergarmos o sofrimento não como uma desgraça totalmente negativa, mas como uma oportunidade de reflexão, crescimento e transformação,  conseguiremos lidar muito melhor com as dores do corpo e as angústias da alma. Tudo é uma questão de como se encara a destruição do dente-de-leão: como o fim de algo belo ou como um fenômeno necessário para que ele cresça e se fortaleça. Como você lida com seu sofrimento? Com lamúrias e olhos cravados no presente ou com antecipação e olhos voltados para o futuro?

Além disso, o dente-de-leão é uma planta medicinal, isto é, que ajuda a curar males. De igual modo, enxergo no sofrimento a capacidade de nos conduzir a patamares de reflexão e transformação que em períodos de tranquilidade não conseguimos. Quando sofremos, somos empurrados para fora da nossa zona de conforto e nos vemos obrigados a mudar e nos reinventar; nos tornamos mais fortes e resilientes; adquirimos a capacidade de lidar com as agruras da vida como nunca antes; além de adquirimos um grau de intimidade e relacionamento com Deus muito superior aos dos tempos de paz (seja franco: você ora mais e com mais profundidade quando está tudo bem ou quando tudo vai mal?). O apóstolo Paulo deixou muito clara a capacidade do aperfeiçoamento na fraqueza provocada pelo abatimento de alma:

“Foi-me posto um espinho na carne, mensageiro de Satanás, para me esbofetear, a fim de que não me exalte. Por causa disto, três vezes pedi ao Senhor que o afastasse de mim. Então, ele me disse: A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo. Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo. Porque, quando sou fraco, então, é que sou forte” (2Co 12.7-10).

O fim do sofrimento_CapaNinguém quer sofrer, ninguém gosta de sofrer. Nem eu, nem você, nem ninguém. Sofrimento é algo horrível. Jamais você me ouvirá dizer que devemos querer sofrer – não sou louco. Só que o sofrimento é uma realidade da vida e um dia ele chegará, inevitavelmente. A pergunta que todos devemos saber responder é: como lidaremos com a dor, o luto, a aflição, a depressão, o desconforto, a perda e a falta de bem-estar quando vierem? Com desespero e desequilíbrio ou com confiança e paz? A resposta a essa pergunta fará toda diferença.

O Fim do Sofrimento tem um duplo objetivo: esclarecer por que um Deus bom, amoroso e misericordioso permite que seus filhos sofram. E ofertar palavras de consolo, alívio, crescimento e transformação, para mostrar como você pode obter paz enquanto está no olho do furacão. Por isso, fico especialmente encantado com um aspecto muito singelo da planta escolhida para ilustrar a capa do livro: sabe como o dente-de-leão é chamado em algumas regiões do Brasil?

Esperança.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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IMG_2785Atrás do edifício em que moro há um grande condomínio. O que separa os dois é um precipício de cerca de sete andares de altura, que fica logo abaixo da janela do meu quarto, um vão enorme entre dois muros, que me lembra um pouco os antigos fossos dos castelos medievais (foto). Por ter um bosque e ser muito arborizado, o condomínio vizinho conta com uma fauna bastante rica, com pássaros, gambás, micos e gatos. Um gatinho escolheu como lugar de repouso um muro bem próximo de minha janela e, por isso, tornou-se conhecido da minha família. Chegamos a dar-lhe um apelido: Charlie. Recentemente, porém, Charlie nos surpreendeu: olhando para um vão que fica à beira do precipício, notei que o gato preto e branco aninhava em seu regaço três gatinhos. Sim, Charlie, para nossa surpresa, é uma fêmea. E, agora, mãe. Mas não foi esse aspecto que mais me chamou a atenção: confesso que o local que ela escolheu para dar à luz me preocupou muito, por ficar a centímetros do enorme abismo. Se um gatinho daqueles se arrastar uns vinte a trinta centímetros para o lado, mergulhará rumo à morte certa.

Infelizmente, não há nada que eu possa fazer, pois o local é inacessível. Fica junto à raiz de uma árvore, cravada na encosta do abismo. Tudo o que está ao meu alcance é orar e ficar observando, torcendo para que nenhum dos bichinhos perca a vida. Por isso, tenho passado alguns momentos, em diferentes dias, sentado junto à janela, observando como aquela família se comporta. Pois, se for o caso, me prontifiquei a chamar o corpo de bombeiros para remover os bichinhos para um local mais seguro.
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Tenho notado que há uma certa rotina nas ações da gata (que rebatizamos de Charlene, após descobrir que ele, na verdade, é ela). A esmagadora maioria do tempo, ela passa deitada, junto com os filhotes. Consigo ver que eles mamam bastante e ela fica ali, junto. Mas mamãe precisa se alimentar e, de vez em quando, sai do vão à beira do abismo para comer, beber e fazer qualquer outra coisa. Mas, enquanto pode, a gata fica junto de seus filhotes, protegendo, alimentando, cuidando, dando calor e aconchego. Há alguns dias choveu. E, mesmo assim, mamãe gato ficou ali, esquentando os filhotes com sua presença, totalmente encharcada, mas firme em seu papel de apoio, proteção e amparo.
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Houve um momento tenso: um dos três gatinhos começou a se arrastar e, pouco a pouco, foi se aproximando perigosamente da beira do abismo. Tive quase certeza de que ele cairia. De repente, Charlene se levantou, com bastante calma, foi até ele, segurou com a boca a pele da sua nuca e o carregou de volta ao local onde estavam deitados. Deitou-o cuidadosamente e voltou a se aninhar. Vi essa situação ocorrer, na verdade, duas vezes.
IMG_2771As horas em que mais fiquei nervoso foram aquelas em que a gata saiu do local e partiu para fazer qualquer outra coisa, deixando os três sozinhos. Eu sei onde Charlene se alimenta: os moradores de um prédio próximo deixam na calçada da rua um pote de ração e outro de água, a que ela e outros gatos da região sempre recorrem. Então, quando a mamãe sai, vejo que ela dispara em direção ao local de alimentação e desaparece por alguns minutos. Os filhotes ficam imóveis, o que me mostra que a gata só sai quando sabe que os três estão dormindo. Menos de dez minutos depois, ela reaparece e repete um mesmo ritual: segue até um telhado próximo, de onde consegue ver a cria, e anda para lá e para cá – acredito eu que para se exercitar um pouco, se alongar e se movimentar. Mas, assim que ela começa a ver movimento ou a ouvir o miado fraquinho de um deles, retorna à sua posição de mãe, aninhando os três em sua barriga e dando início a mais um longo período de permanência junto aos bebês (foto).
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Gostaria agora de fazer uma analogia entre essa situação e a vida de fé. Você provavelmente deve estar achando que vou comparar a gata a Deus e nós aos seus gatinhos, pois, afinal, a mamãe gato cuida dos filhinhos, certo? Na verdade, não. Embora seja natural enxergar o nosso Senhor em atitudes protetoras, minhas reflexões me levaram a ver muito mais outra pessoa no papel da gata: você.
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Deus não criou a Igreja como uma coletividade à toa. Porque seres que se isolam não encontram amparo em ninguém. O Senhor não idealizou uma comunidade de filhos solitários, ao estilo cada-um-por-si. Não. Ele deseja que cuidemos uns dos outros, segundo um princípio muito simples: “Melhor é serem dois do que um, porque têm melhor paga do seu trabalho. Porque se caírem, um levanta o companheiro; ai, porém, do que estiver só; pois, caindo, não haverá quem o levante. Também, se dois dormirem juntos, eles se aquentarão; mas um só como se aquentará? Se alguém quiser prevalecer contra um, os dois lhe resistirão; o cordão de três dobras não se rebenta com facilidade” (Ec 4.9-12).
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Ninguém se basta, meu irmão, minha irmã; precisamos uns dos outros. A questão é que, em determinados momentos, uns precisam mais que outros. Hoje, eu preciso mais de você; amanhã, você precisa mais de mim. Nunca se sabe de que lado vai soprar o vento. Se estamos fracos, precisamos que alguém nos carregue para longe do abismo. Mas, quando vemos que o próximo é quem precisa de amparo, o nosso papel é entregar-nos em sacrifício de amor.
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Como filhos de Deus, que precisam amar o próximo como a si mesmos, precisamos aprender a sair do conforto, abrir mão de momentos de lazer, suportar chuva e frio ao lado dos irmãos. Não existe vida cristã sem compaixão. E “compaixão” é uma palavra que significa, exatamente, “sofrimento compartilhado”. Se você quer viver plenamente o evangelho, aprenda a compartilhar o sofrimento do próximo. A chorar com quem chora. A fazer o que Jesus fez: deixar por algum tempo seu conforto de lado por amor a quem precisa (Jo 3.16).
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Viver é uma atividade muito perigosa. A cada passo que damos, a cada curva do caminho, encontramos problemas: sofrimento, depressão, dor, medo, ansiedade, pânico, carência, solidão, desespero, falta de dinheiro, insegurança… Os minutos da existência são como instantes tensos à beira do abismo, sempre com o risco de perdermos o equilíbrio e mergulharmos rumo a um fim tenebroso e apavorante. Mas, se nos dispusermos a cuidar uns dos outros como uma gata cuida de seus filhotes, enfrentaremos tempestades, vento e frio à beira do precipício e vamos dar e receber calor, apoio, alimento, proteção.
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Alguém que você conhece está se arrastando cegamente em direção ao precipício? Não fique indiferente. Saia de seu conforto, vá até ele e o resgate. Traga-o de volta ao calor e à proteção da família, seja um agente de vida. Pois viver não é apenas não estar morto. Viver é ter sentimento de pertencimento, cuidado, carinho, afeto. Nesse sentido, seja um doador de vida.
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Os gatinhos desamparados precisam de você. Pois você é o instrumento que Deus pôs ao lado deles para zelar por sua jornada. Não espere que outros façam aquilo que está ao seu alcance. Se você for até a esquina, pode ser que, nesse meio-tempo, o gatinho caia no abismo. Não permita que isso ocorra: acolha-o enquanto ainda é tempo. E, se vier a chuva, molhe-se com ele, sem retroceder, sem dar as costas, porque, assim, você sentirá na pele o que o próximo está enfrentando. Não foi isso que Jesus fez ao tornar-se homem?
gatoTem um aspecto bonito nessa história, algo que ainda não mencionei. Charlene fica deitada à beira do precipício, mas seu companheiro, um gato branco e preto, fica constantemente  perto. Ele, em geral, permanece deitado no telhado de uma casa ao lado, sempre rondando (foto). Quando a mãe sai para se alimentar, ele fica vigiando a prole. Não sei dizer o que aconteceria se um dos filhotes aproveitasse a ausência da mãe para se dirigir ao abismo, pois isso não ocorreu até agora. Mas tenho a firme impressão que o pai vigilante correria e impediria que o gatinho perecesse. Deus nos delegou a atribuição de cuidarmos uns dos outros. Delegou a você essa tarefa. Mas pode ter certeza de que ele está constantemente atento, sempre por perto, mesmo que você não perceba. E, na hora em que as ameaças surgem, mil cairão ao teu lado, dez mil à tua direita, mas ele sempre sairá em socorro de seus filhos.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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