Arquivo da categoria ‘Paz’

IMG_9634Nesta virada de ano viajei para desfrutar das férias com a família. Nossa última parada foi em um hotel-fazenda em Barra do Piraí (RJ) que tem um enorme e belíssimo lago, onde se pode mergulhar, nadar e andar de pedalinho ou caiaque. Minha filha de 5 anos, uma ávida nadadora, ficou doida quando viu o lago e logo quis entrar na água. Chegamos ao deque e o salva-vidas nos orientou: crianças da idade dela só poderiam entrar com um dos coletes salva-vidas que o hotel oferecia e com extremo cuidado, pois o lago é muito fundo. 

Confesso que fiquei apreensivo. Perguntei se o colete era seguro e o rapaz  garantiu que sim: tinha um zíper e duas fivelas, o que tornava quase impossível ele se soltar do corpo de minha filhinha. Eu tinha de decidir se deixava ou não minha bebê nadar no enorme lago. Naquele momento, me vi diante de uma questão de fé: ou depositava uma confiança inabalável no colete e na palavra do salva-vidas ou impedia que minha filha fosse nadar. 

IMG_9570Optei por ter fé e deixei minha bebê se meter no meio daquele mundaréu de água. Ela não perdeu tempo, vestiu o colete, entrou no lago e saiu nadando, comigo logo atrás. O resultado você vê nas fotos deste post: uma criança feliz, esbanjando alegria por poder nadar em um lago lindo, apesar de fundo e preocupante para um pai. 

Frequentemente em nossa vida deparamos com lagos no meio do caminho. São situações diversas diante das quais não sabemos o que fazer: entramos nelas ou não? Seguimos em frente ou retrocedemos? Abrimos mão das alegrias e  da felicidade que tais situações poderiam nos proporcionar ou tememos e damos para trás? O que vai definir se mergulhamos ou não em cada um desses lagos é a solidez da confiança que depositamos em Deus: se nossa confiança for fraca e oscilante, deixaremos de viver experiências incríveis, por causa do medo e da ansiedade que elas geram. Mas, se tivermos confiança inabalável, superaremos o medo e a ansiedade e viveremos o que Deus preparou de melhor para nossa vida. 

Na Bíblia, essa confiança inabalável tem nome: fé. É “a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não veem” (Hb 11.1). Se você põe em prática essa fé, confiará em Deus e naquilo que ele diz em sua Palavra e terá um colete salva-vidas confiável em que se escorar. Se sua fé, porém, é fraca e ineficiente, você não confiará na ação do Senhor e viverá eternamente em um paralisante estado de medo e ansiedade.

IMG_9563Você está diante de um impasse? Não sabe se mergulha no lago ou não? A situação é amedrontadora demais? Saiba que a decisão de ir em frente ou retroceder só depende de uma coisa: a solidez da sua fé. Você confia em Deus de forma inabalável? A Escritura lhe dá base para seguir adiante? Então vá! Passe por cima do medo, destrua a ansiedade e deixe a confiança prevalecer. Afinal, “sem fé é impossível agradar a Deus, porquanto é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que se torna galardoador dos que o buscam” (Hb 11.6).

Confie em Deus. Confie no que Deus diz pela Bíblia. E que essa confiança seja inabalável, sólida como a Rocha sobre a qual a Igreja foi edificada: Jesus de Nazaré, aquele que é plenamente e totalmente confiável.  

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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rachadura 1Eu contei: no último ano, saí 37 vezes de casa para pregar, em igrejas próximas ou distantes. Isso me levou a viajar muito pelo Brasil e, consequentemente, a ficar hospedado em diferentes hotéis. Algo interessante que percebi é que nunca um quarto de hotel, por mais simples ou luxuoso que seja, é perfeito. Isso me fez pensar um pouco sobre a perfeição – ou a falta dela. Em Brasília, o ar condicionado jogava ar gélido diretamente sobre a cama. Em Teresina, o ar condicionado estava pifado. Em Barra do Piraí, a janela do quarto dava para uma área cheia de popô de pombos. Em Jaboatão dos Guararapes, o vento na janela era tanto que era difícil dormir com o assobio do vendaval. Em João Pessoa, o chuveirinho do banheiro vazava e encharcava o quarto inteiro. Em Recife, o chuveiro minava água, que inundava o banheiro após cada banho – que era difícil de tomar porque ou a água ficava muito quente ou muito fria. E o telefone do quarto não funcionava. Em nenhum hotel havia tapete no box, o que me levou a sempre pôr uma toalha de rosto no chão para não escorregar. E por aí vai. 

Entenda, por favor: não estou reclamando, de forma alguma. Os hotéis foram todos muito agradáveis, reservados com muito carinho e atenção pela generosidade dos queridos irmãos que nos convidaram para pregar ou palestrar. As acomodações eram excelentes e nos permitiram descansar, repousar e ter sossego para orar em paz e nos preparar para as ministrações. Foram bênção e sou grato a cada irmão que convidou a mim, minha esposa e minha filha para ali ficar hospedados. O ponto para o qual desejo chamar atenção é que, embora fossem todos hotéis muito agradáveis, nenhum deles era absolutamente perfeito. Sempre havia algo que me obrigava a pedir auxílio na recepção para trocar de quarto ou improvisar algum tipo de solução. 

rachadura 2Eu e você somos como esses quartos de hotel. Temos muitas características boas, qualidades, virtudes e valores admiráveis. Somos pessoas cinco estrelas, pois fomos criados à imagem e semelhança do Criador. Mas jamais seremos perfeitos. Sempre haverá em nós algo a ser consertado, remendado, aperfeiçoado. Fomos criados como resultado do amor de Deus, mas o pecado que habita em nós faz com que algo sempre precise de ajustes. 

A grande vantagem de se adquirir essa percepção, em vez de posar de superssantos inerrantes, é que nos colocamos em nosso devido lugar e, com isso, nos tornamos mais graciosos com o erro alheio. Ao perceber que temos muitas imperfeições e falhas, somos levamos a tolerar e suportar os defeitos do nosso próximo com graça e compaixão. Afinal, não somos melhores do que ninguém e estamos todos no mesmo barco – aquele que transporta pecadores em processo de aperfeiçoamento pela vida até o dia em que chegaremos ao nosso destino final. 

Da próxima vez que você deparar com alguém que te incomoda, chateia ou entristece pelos defeitos que tem, lembre-se de que, se ele apresenta um vazamento de água, você está com seu ar condicionado pifado. Se o seu próximo não tem tapete no box do chuveiro, você tem janelas que assoviam constantemente pelo vendaval. Todos temos falhas: as suas apenas são diferentes das do seu próximo. Nem melhores, nem piores: só diferentes. 

rachadura 3O pior tipo de cristão é o que se põe acima dos demais, seja moralmente, seja espiritualmente, seja intelectualmente. Há quem creia na depravação total da humanidade – que nos iguala a todos – mas age com quem ele considera estar errado com arrogância, altivez, soberba. Apresenta-se como detentor de conhecimento superior, de mais santidade, de mais cristianismo. E se esquece de que sua goteira pinga dia após dia, inundando o quarto de sua alma. Falta de graça. Falta de amor. Falta de compaixão. Falta de autocrítica. Falta de Cristo. 

Se você considera que alguém está errado, lembre-se de que você também está. Ele erra em A, você erra em B. Sua moral não é irretocável. Seu conhecimento teológico não é inerrante. Sua espiritualidade não é inequívoca. Seu relacionamento com Deus é cheio de buracos. Você é falho, como eu, como qualquer outro. Tenha humildade, pelo seu próprio bem. E porque não haveria nenhuma razão para não ter.

rachadura 4Na maioria das ocasiões, tive de solicitar auxílio à recepção do hotel. Por vezes me mudaram de quarto, em outras  mandaram alguém da manutenção, em outras tantas solucionaram a questão trocando aparelhos defeituosos. Recomendo que você procure o grande Recepcionista da sua vida e peça a ele ajuda para consertar as suas imperfeições, sabendo que para cada tipo de problema há uma solução diferente. Preocupe-se mais com os seus vazamentos e defeitos do que com os do próximo. Acredite: já será um grande avanço se você conseguir que a goteira ou o ar gélido da sua própria alma seja consertado. 

Aí, então, com a convicção de que você é um daqueles quartos de hotel cinco estrelas mas, por baixo das partes restauradas, bem cheio de rachaduras,  ajude seu próximo a solucionar o telefone quebrado dele, com amor, carinho, encorajamento, paciência e graça. Ao fazer isso, em vez de agir como alguém petulante e acusador, você de fato estará exercendo seu papel como filho de Deus e cidadão do Reino dos céus. 

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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refugiados islamicos 1Todos assistimos com o coração sangrando à tragédia que ocorreu em Paris, na França. Terroristas do Estado Islâmico mataram a sangue-frio dezenas de pessoas, num ataque coordenado e assustador. Passado o espanto, o que eu e muitos sentimos foi revolta. Raiva. Ira. Ódio. Tudo o que conhecemos como justo e bom foi metralhado nessa ação maligna, em que prevaleceram o fanatismo, a loucura, a maldade, o desprezo pela vida, os lados mais obscuros e diabólicos do ser humano corrompido pelo pecado. Confesso que meu senso de justiça gritou dentro de mim e o que dominou cada fibra do meu ser foram sentimentos nada bonitos. Mas comecei a pensar, li artigos de irmãos em Cristo, acalmei o espírito e procurei ouvir a voz do Cordeiro. E fui lembrado de que ódio não se vence com ódio, assim como fogo não se apaga com fogo. 

Pouco depois de tomar conhecimento dos atentados em Paris, li uma reportagem dizendo que o Estado Islâmico teria infiltrado 4 mil terroristas entre os refugiados que estão justamente escapando dos massacres promovidos por esse califado terrorista em países como a Síria. A ideia deles seria inserir em diversos países ocidentais militantes do Estado Islâmico, que no futuro viriam a cometer atos de terror em deferentes nações. Ao ler isso, me arrepiei e logo comecei a pensar que deveríamos impedir a entrada desses refugiados no Brasil. Sim, o medo e a raiva tinham nublado meu discernimento e me arrastado sem que eu me desse conta para um estado de ódio. É assim que o pecado age, afinal. 

refugiados1Mas, ao ler alguns textos, orar e acalmar meu coração, me dei conta do gigantesco erro que estava cometendo. Porque Jesus nos ensinou que não devemos devolver mal com mal e que a compaixão, a misericórdia e o perdão precisam prevalecer, caso contrário, nos tornaremos pessoas amarguradas, raivosas e que priorizam o ódio ao amor. Entenda que essa postura não despreza a justiça. Devemos buscar a punição dos culpados. Precisamos lutar contra a maldade. É essencial combatermos os maus para que eles não firam os bons. Mas não podemos deixar que nosso desejo de justiça seja maior que o nosso amor pelos inocentes. 

Falo isso especificamente no caso dos refugiados muçulmanos. Confesso humildemente o meu erro, pois meu pensamento imediato foi no sentido de militar contra a vinda deles ao Brasil. Não queria terroristas entrando em nosso país disfarçados de refugiados. Mas, então, me dei conta de que o medo e o ódio estava me levando a recusar ajuda aos inocentes com receio dos culpados. O medo estava vencendo a compaixão. E não existe nada menos cristão do que isso. 

Eu pequei. Confesso meu pecado. O cristão deve sempre colocar a compaixão acima do egoísmo e eu não estava fazendo isso. Não podemos negar ajuda e acolhida a refugiados que foram expulsos de suas casas por terroristas com medo de que o terror nos alcance. Isso seria  desumano. E, se fizéssemos isso, nos tornaríamos tão desumanos quanto os terroristas. 

Ser cristão significa correr riscos. Amar é extremamente arriscado. Cristo enfrentou muitos perigos por mim e por você. Deus  amou o seu diferente de tal maneira que nos entregou Jesus para morrer na cruz por nós. Amemos o nosso diferente. Até porque os refugiados islâmicos podem ter muitas coisas diferentes de nós, mas nunca pode fugir de nossa lembrança que eles são o nosso próximo. E temos de amá-los como a nós mesmos. 

cravos nas maosEstou envergonhado por ter deixado o ódio suplantar o amor em meu coração. Temos de dar de comer a quem tem fome, de beber a quem tem sede e acolher quem não tem onde morar. Temos de amá-los e fazer a eles o que gostaríamos que fizessem a nós. Ao fazer isso, estaremos vivendo Cristo e o apresentando de forma palpável a quem não o conhece. Esse é o nosso papel. Isso abre possibilidades de perigo para nós? Sim, abre. Mas não podemos deixar de ser o que Cristo é por medo. No passado, muitos foram jogados aos leões por amor a Jesus. Hoje, devemos fazer o mesmo. 

O amor tem de vencer. Mesmo que isso nos custe a vida. Qualquer pensamento menor do que esse não carrega em si o direito de ser chamado de “cristão”. Ame como Cristo amou. É o único meio de vencer o ódio.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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 Você pode ouvir o áudio com a narração deste texto no YouTube, clicando AQUI (Duração 19:11).
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 odio 1O cristianismo é a religião da graça, do amor, da paz. Uma das grandes diferenças entre a fé cristã e outras religiões é que o nosso Deus não é uma besta-fera sedenta por sangue, ansiosa por punir, salivando por castigar quem se desvia um milímetro dos seus preceitos. Muito pelo contrário: o evangelho de Jesus Cristo foca em perdão, restauração, reconstrução, bênçãos sem merecimento, graça; é a proposta do filho pródigo, do bom Pastor, do 70 vezes 7, do Cordeiro de Deus que estende uma graça que não é barata, mas que nunca deixa de ser vigorosa graça. Sabendo disso, enxergo como totalmente incompatível com essa fé que qualquer cristão defenda ou pratique a violência, a agressividade, o ódio – seja no que faz, seja no que fala, seja no que escreve. Qualquer cristão que proponha como primeiro recurso com relação a pessoas que agem ou pensam de modo diferente revidar, agredir, ironizar e retaliar, em vez de usar um tom gentil e de conduzir quem incorre no erro para a restauração… simplesmente não entende o evangelho. A sensação que tenho com frequência é que ser cristão, no entendimento de muitos, deixou de ser amar a Deus e ao próximo para defender Deus com fúria e detonar o próximo que pensa diferente ou que faz algo de que discordamos. Falemos sobre essa maligna doutrina do Jesus raivoso, agressivo e sarcástico.
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Há meses tenho observado muito os meus irmãos em Cristo, em especial pelas redes sociais. E tenho ficado boquiaberto e triste com o jeito de que uma multidão deles se expressa, age e, principalmente, reage a quem discorda deles ou faz algo com que não concordam. Em nome da “defesa da fé”, muitos se comportam de um modo que nada tem a ver com a nossa fé: com agressividade. Sarcasmo. Raiva. Parece que, se o ódio é destilado “em nome de Jesus”, é válido agir como um bruto, um bárbaro, um ser humano desagradável.
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odio 2O que mais me espanta é que, sempre que você diz que essa forma de comportamento não condiz com o evangelho, o argumento bíblico é o mesmo: o episódio de Jesus no templo derrubando as mesas dos cambistas e vendilhões. Já ouvi isso montes de vezes. Parece que todo cristão que se exprime com agressividade se justifica dizendo que Jesus se irou e saiu derrubando a mercadoria dos vendilhões do templo; logo, teríamos sinal verde para atacar com fúria quem age ou crê diferente de nós. Isso é um erro monumental.
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A hermenêutica bíblica, isto é, as regras que nos ensinam a ler e compreender as Escrituras, tem uma norma  básica: você não pode construir uma doutrina ou formular um princípio de fé a partir de uma passagem isolada da Bíblia. É preciso analisar todas as passagens do texto bíblico que falem sobre o assunto, a fim de entender o todo. Assim, pegar o episódio dos vendilhões do templo como argumento teológico que tente justificar a agressividade é uma falha bizarra, que só gera comportamentos anticristãos.
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Sim, Jesus expulsou os vendilhões. Mas será que por causa disso Deus nos dá carta branca para sair chutando e açoitando quem diverge de nós? A Bíblia apresenta uma enxurrada de passagens que respondem isso com um enfático não. Vamos analisar algumas dessas passagens, muitas delas palavras saídas dos lábios do próprio Cristo, para compreender exatamente o que o evangelho propõe como padrão de relacionamento – inclusive com inimigos e pessoas que não necessariamente concordam ou caminham conosco:
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“Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus” (Mt 5.9)
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“Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás; e: Quem matar estará sujeito a julgamento. Eu, porém, vos digo que todo aquele que [sem motivo] se irar contra seu irmão estará sujeito a julgamento; e quem proferir um insulto a seu irmão estará sujeito a julgamento do tribunal; e quem lhe chamar: Tolo, estará sujeito ao inferno de fogo” (Mt 5.21-22).
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“Ouvistes que foi dito: Olho por olho, dente por dente. Eu, porém, vos digo: não resistais ao perverso; mas, a qualquer que te ferir na face direita, volta-lhe também a outra; e, ao que quer demandar contigo e tirar-te a túnica, deixa-lhe também a capa. Se alguém te obrigar a andar uma milha, vai com ele duas. Dá a quem te pede e não voltes as costas ao que deseja que lhe emprestes” (Mt 5.38-42).
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“Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem; para que vos torneis filhos do vosso Pai celeste, porque ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons e vir chuvas sobre justos e injustos. Porque, se amardes os que vos amam, que recompensa tendes? Não fazem os publicanos também o mesmo? E, se saudardes somente os vossos irmãos, que fazeis de mais? Não fazem os gentios também o mesmo?” (Mt 5.43-47).
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“Por que vês tu o argueiro no olho de teu irmão, porém não reparas na trave que está no teu próprio? Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, quando tens a trave no teu? Hipócrita! Tira primeiro a trave do teu olho e, então, verás claramente para tirar o argueiro do olho de teu irmão” (Mt 7.3-5).
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“Abençoai os que vos perseguem, abençoai e não amaldiçoeis. […] Não torneis a ninguém mal por mal; esforçai-vos por fazer o bem perante todos os homens; se possível, quanto depender de vós, tende paz com todos os homens” (Rm 12.14-18).
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“Não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira; porque está escrito: A mim me pertence a vingança; eu é que retribuirei, diz o Senhor. Pelo contrário, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; porque, fazendo isto, amontoarás brasas vivas sobre a sua cabeça. Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem” (Rm 12.19-21).
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Tendo purificado a vossa alma, pela vossa obediência à verdade, tendo em vista o amor fraternal não fingido, amai-vos, de coração, uns aos outros ardentemente” (1Pe 1.22).
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“Isto vos mando: que vos ameis uns aos outros” (Jo 15.17).
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“Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros. Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros” (Jo 13.34-35).
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“Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade; porém não useis da liberdade para dar ocasião à carne; sede, antes, servos uns dos outros, pelo amor. Porque toda a lei se cumpre em um só preceito, a saber: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Se vós, porém, vos mordeis e devorais uns aos outros, vede que não sejais mutuamente destruídos” (Gl 5.13-15).
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“Rogo-vos, pois, eu, o prisioneiro no Senhor, que andeis de modo digno da vocação a que fostes chamados, com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor” (Ef 4.1-2).
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“Porque a mensagem que ouvistes desde o princípio é esta: que nos amemos uns aos outros; não segundo Caim, que era do Maligno e assassinou a seu irmão […] Nós sabemos que já passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos; aquele que não ama permanece na morte. Todo aquele que odeia a seu irmão é assassino; ora, vós sabeis que todo assassino não tem a vida eterna permanente em si” (1Jo 3.11-15).
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Amados, amemo-nos uns aos outros, porque o amor procede de Deus; e todo aquele que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. Aquele que não ama não conhece a Deus, pois Deus é amor. […] Amados, se Deus de tal maneira nos amou, devemos nós também amar uns aos outros. Ninguém jamais viu a Deus; se amarmos uns aos outros, Deus permanece em nós, e o seu amor é, em nós, aperfeiçoado” (1Jo 4.7-12).
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“Nós amamos porque ele nos amou primeiro. Se alguém disser: Amo a Deus, e odiar a seu irmão, é mentiroso; pois aquele que não ama a seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê. Ora, temos, da parte dele, este mandamento: que aquele que ama a Deus ame também a seu irmão” (1Jo 4.19-21).
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E por aí vai. Como dá para ver com muita clareza pela enorme quantidade de passagens bíblicas sobre o assunto, a proposta da Nova Aliança é a da paz, da conciliação, do trato amoroso com as diferenças e com os diferentes. Usar Jesus com os vendilhões para tentar validar um comportamento horrível é uma aberração.
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odio 3Um argumento que muitos usam para justificar sua forma ofensiva e agressiva de se comportar, falar e escrever é que a ira divina contra o pecado e o erro nos daria permissão para sermos odiosos na hora de “defender a fé” ou se opor a quem de nós discorda. Sobre isso, importa lembrarmos de algo: embora Deus seja o nosso exemplo, nós não somos Deus. Ele pode fazer o que bem entender; nós não. Ele é o autor e o dono da vida: nós não. Deus tem todo o direito, por exemplo, de acabar com a vida de uma pessoa, mas, se nós fizermos isso, nos tornamos assassinos e quebramos um dos Dez Mandamentos.
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Isto é muito importante: Deus fazer algo não nos dá o direito de fazer a mesma coisa. Se ele manifesta e tem todo o direito de manifestar a sua justa ira, o que ele nos diz é que a ira humana é uma das obras da carne (Gl 5.20), a ponto de pôr um prazo para quando nos iramos: “Irai-vos e não pequeis; não se ponha o sol sobre a vossa ira, nem deis lugar ao diabo” (Ef 4.25-27). A proposta é clara: O insensato expande toda a sua ira, mas o sábio afinal lha reprime” (Pv 29.11). Vou repetir: O insensato expande toda a sua ira, mas o sábio afinal lha reprime”. Mais uma vez: O insensato expande toda a sua ira, mas o sábio afinal lha reprime”. Portanto, não, a ira de Deus não nos dá o direito de agirmos com ira e acharmos isso bíblico. Pois não é. 
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Esse princípio se reafirma a todo tempo nas Escrituras. O evangelho jamais nos dá o direito de agirmos como Deus age. Veja o caso da vingança. Se, por um lado, há inúmeras passagens que falam sobre a vingança divina, a ordem para nós é: “não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira; porque está escrito: A mim me pertence a vingança; eu é que retribuirei, diz o Senhor” (Rm 12.19).
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Assim, vemos que não se pode justificar um comportamento humano pelo  fato de o Pai ou o Filho terem agido deste ou daquele modo. É preciso saber identificar o que Deus faz e que devemos tomar como exemplo e o que ele faz porque é prerrogativa exclusiva dele fazer. Se não soubermos separar uma coisa da outra, tomaremos para nós atitudes que não nos cabem ter e viveremos de modo que o evangelho não nos dá sinal verde para viver.
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odio 4Chega de agressividade. Chega desse argumento maligno de que “posso ser impetuoso (para não dizer grosseiro, agressivo) porque Jesus derrubou as mesas dos cambistas”. Chega dessa igreja irada, raivosa, odiosa, trevosa. Estou exausto de ver agressões “em nome de Jesus” e gente supostamente defendendo a fé usando palavras e um tom que da nossa fé não têm nem o cheiro. Não aguento ter de ficar calado quando conhecidos meus não evangélicos dizem – com toda razão! – que não enxergam Cristo em pastores e outras pessoas “evangélicas” que dão um show de agressividade e palavreado de baixo nível. Em grande parte, temos sido tão agressivos como o mundo e, com isso, nos igualamos a ele. Deixamos de brilhar. Deixamos de salgar. E sal que não salga Para nada mais presta senão para, lançado fora, ser pisado pelos homens” (Mt 5.13). 
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Não aguento mais ver calvinistas agredindo e ironizando arminianos e vice-versa. Somos todos irmão, pelo amor de Deus! Não aguento mais ver cessacionistas e pentecostais trocando farpas e fazendo piadinhas mútuas. Somos filhos do mesmo Pai! Não aguento mais ver cristãos detonando com raiva na língua e ódio no olhar pessoas como o cantor  Thalles Roberto, que, em vez de ser alvo de orações misericordiosas e de um discipulado feito em amor para que possa perceber seus erros e seja levado a uma restauração real, é alvo de ataques feitos sem nenhum amor e com um palavreado inacreditável. Mas, claro, detonamos gente como ele “em defesa da sã doutrina” e “em nome de Jesus”. Bem me ensinou minha mãe que “um erro não justifica o outro” e, meu irmão, minha irmã, quem erra deve ser conduzido pacificamente ao acerto e não jogado sadicamente na fogueira dos hereges (para não dizer no inferno). Fomos chamados para restaurar, disciplinar com mansidão e discipular… e não para detonar! Fico arrasado por ver gente defender o evangelho achando que isso deve ser feito jogando no lixo o mandamento de amar o próximo.
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Amar o diferente está fora de moda, geralmente só amamos os da nossa patota (teológica, doutrinária ou algo que o valha). Graça, por outro lado, se fala por todos os lados, pois as doutrinas da graça viraram grife. Mas parece que não saem do discurso. Falamos muito sobre a graça, mas a praticamos pouco, muito pouco, muito, muito pouco. E não estou falando de amor bobinho nem de graça barata, mas de amor maduro, sólido, o tipo que levou Jesus a subir à cruz por pessoas odiosas como eu e você. Tomamos para nós atitudes que só cabem a Deus. Reproduzimos, “em nome de Jesus”, atitudes essencialmente diabólicas e mundanas. E isso está errado. Está errado.
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Eodio 5sse não é o cristianismo que quero viver. Desculpe, mas não quero compactuar com o pseudoevangelho da chibata e do chicote. O açoite que me interessa não é o que Jesus usou contra os vendilhões, é o que Jesus recebeu em suas costas. Não quero ter parte com quem diz que defende o modelo da Igreja primitiva, a extinção do dízimo e das denominações e parte para o braço quanto a questões como essas discordando com palavras ácidas, brutas, infelizes. Não quero fazer parte do grupo de irmãos que tratam gays e pessoas de outras religiões com raiva no olhar, palavras ríspidas e nenhuma misericórdia no coração, que mais se preocupam em atacar do que em amar, evangelizar e discordar com paciência e bondade. A questão não é discordar, isso é natural e lícito, ninguém é obrigado a pensar igual; o xis da questão é como se discorda. 
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Quero ser conhecido por Deus como alguém que ama, sim, a verdade do evangelho e que defende a sua Palavra, mas, sempre, carregando em mim zelo e compaixão, firmeza e doçura, comprometimento e bons sentimentos. O discordante não é meu inimigo, é meu objetivo. A proclamação das boas-novas de Cristo me faz ver o discordante e aquele que considero estar no erro não como canalhas e inimigos, mas como necessitados, carentes, gente que ainda não enxergou a luz. Porque eu já fui assim um dia. E aqueles que penso estarem errados só verão a luz se virem em mim amor, graça, misericórdia, perdão, sacrifício, entrega, abnegação, paz, mansidão… Cristo, enfim.
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odio 6O ódio de religiosos judeus que queriam “defender a sua fé” levou Jesus à cruz, mas foi o amor de Deus pelos perdidos que o levou à ressurreição. Que enorme tristeza é ver que muitos cristãos bem-intencionados não entendem isso, com arrogância se recusam a entender e, portanto, não compreendem nem põem em prática a graça, preferindo o discurso da chibata e um falso cristianismo que “defende Deus” com afiadas espadas verbais. Não aguento mais tanto ódio vindo daqueles que foram salvos pelo Amor com a finalidade de amar. Bem predisse Jesus que, no final dos tempos, Devido ao aumento da maldade, o amor de muitos esfriará” (Mt 27.12). A maldade impera entre nós. O amor de multidões de cristãos já esfriou, dando lugar à “ira santa”. Defendem um deus que eu não conheço, que precisa de “defensores” para levantar sua bandeira com ira e agressividade. Desses, creio eu, o evangelho não precisa. Creio que Deus busca aqueles que, com amor transbordante, partem em busca dos inimigos, dos perdidos, dos desencaminhados e dos equivocados com amor e graça com o objetivo de conduzi-los amorosamente a Jesus: o bom e manso Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. “Pois é da vontade de Deus que, praticando o bem, vocês silenciem a ignorância dos insensatos” (1Pe 2.15).
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Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >
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bifurcação 1É frequente sentirmos saudades daquilo que não vivemos. Constantemente, a vida nos põe diante de bifurcações: se vamos para esquerda, abrimos mão de tudo o que poderíamos viver se tivéssemos seguido pela direita, e vice-versa. Como não sabemos o que nos reserva o futuro, tomamos as decisões com base naquilo que achamos ser o melhor. Infelizmente, como seres humanos emocionais que somos, não poucas vezes olhamos para trás e pensamos: “E se eu tivesse tomado o outro caminho, o que estaria vivendo hoje?”. Acredito que você já tenha passado por algo semelhante. Talvez passe frequentemente. E aí, o que fazer quando bate esse tipo de saudade?

A vontade de Deus é boa, agradável e perfeita. Se conseguimos caminhar pela estrada asfaltada pela vontade divina, certamente encontraremos o verdadeiro contentamento, a real felicidade que vem como consequência de cumprir os santos propósitos. A grande dificuldade é conhecer qual é a vontade de Deus. Por vezes, se nos dedicamos a pensar muito sobre se tomamos o caminho errado, somos invadidos por infelicidade e remorso. Não um remorso provocado por culpa, como aquele que Judas sentiu após trair Jesus, mas um remorso que nasce a partir da saudade de tudo aquilo que não vivemos. É o pensamento do “Mas e se…?”.

Uma das maneiras de se evitar que a tristeza inerente a esse tipo de remorso nos assole com frequência é seguir o conselho de Jesus: conformar-se com o fato de que basta a cada dia o seu mal. Se adotarmos para nossa vida essa linha de pensamento, poderemos até mesmo lamentar decisões tomadas no passado, mas não ficaremos acorrentados a elas. Entenderemos que optamos por um caminho e que nos dedicaremos a construir a melhor estrada possível, a partir do ponto em que estamos, rumo ao futuro.

u-turn-sign-on-roadO outro caminho possível é o da transformação desse remorso em arrependimento. Pois o remorso é aquela tristeza por decisões tomadas no passado sem que haja nenhuma mudança de atitude nossa parte; já o arrependimento é o mesmo tipo de tristeza, só que seguida da decisão de mudar de rumo, de passar a percorrer um novo caminho, diferente daquele em que se estava. O arrependimento nos faz seguir por uma outra rota.

Você sente saudades do que não viveu? Então há uma escolha a fazer: você pode decidir assumir as decisões tomadas, com todas as suas implicações, e construir a história do seu futuro a partir do ponto em que está hoje; ou pode abraçar o arrependimento e mudar de rumo, tentando caminhar para um novo destino, talvez aquele que teria traçado se tivesse tomado decisões diferentes no passado. O que vai definir qual das duas opções você terá? A minha sugestão é que busque se aprofundar na Palavra de Deus e se basear nela para decidir. Pois, se a Bíblia é a nossa bússola, certamente, ao seguir-se na direção que ela indica, cumpriremos a boa, agradável e perfeita vontade de Deus. “A tua palavra é lâmpada que ilumina os meus passos e luz que clareia o meu caminho” (Sl 119.105).

Procure respostas na Bíblia e tome suas decisões a partir delas. Conheça os princípios fundamentais das Escrituras e faça suas escolhas alicerçado neles. Tenho absoluta certeza de que, assim, as suas estradas não serão escuras ou esburacadas e te conduzirão a um destino mais excelente. Quanto à saudade do que não vivemos, felizmente temos a capacidade de tomar decisões que a apague do nosso coração. Mas, por vezes, não tem jeito: temos de abraçá-la como parte da nossa verdade e carregá-la conosco pelos anos que virão.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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ouvido 1Quanto mais eu vivo, mais percebo quão dependentes somos de Deus. Vez após vez acontece algo que me mostra minha total impotência diante de certas circunstâncias da vida. Em alguns momentos, simplesmente não há nada que eu possa fazer para resolver o problema que pula em minha frente. Nada. Passei por uma experiência recentemente que me mostrou minha dependência e impotência com muita clareza. Eu já viajei de avião muitas e muitas vezes, confesso que já perdi a conta de quantas. Foram voos e mais voos, por conta de trabalho ou por viagens de turismo. Mas há algum tempo ocorreu algo inusitado. Eu estava bastante gripado. A garganta, inflamada. Muita secreção. Eu retornava de Brasília para o Rio de Janeiro e tudo transcorria dentro do previsto e com normalidade. Até que chegou a hora de o avião começar a descer para pousar. Subitamente, senti como se algo entupisse meus ouvidos. Era uma sensação muito estranha. De repente, veio a dor. Era aguda e muito forte, nos dois ouvidos, parecia que alguém tinha inserido balões neles e os estava inflando. Era muita, muita dor.

Eu não sabia o que fazer. Tentei bocejar, engolir saliva, usei todos os truques que conhecia para “desentupir ouvidos”. Nada adiantou. Depois vim a saber, em uma consulta com a otorrino, que a diferença de pressão faz a secreção se deslocar para os canais auriculares e, a fim de proteger os tímpanos de lesões, o organismo faz um algo qualquer que provoca aquela dor. O ponto é que naqueles longos quinze a vinte minutos de descida até a aterrissagem eu tive de suportar uma dor aguda e para a qual não havia nada que eu pudesse fazer. Tudo que me restava era me conformar e aguentar até o pouso.

Olha… não foi fácil. Mas a verdade é que esperar e suportar era minha única possibilidade.

Na vida, muitas vezes aguentar o sofrimento é a única coisa que podemos fazer, à espera de algo que dará fim à nossa dor. Dobramos os joelhos, oramos, pedimos, clamamos, nos esgoelamos… mas parece que Deus tirou um cochilo e não está muito aí para nós. Nos resta uma sensação de solidão, impotência e, por vezes, desespero. O que fazer? Para onde correr? A quem recorrer?

Doctor examining a boy's earNessas horas, lembre-se de que, em tudo na vida, “O meu socorro vem do SENHOR, que fez o céu e a terra. Ele não permitirá que os teus pés vacilem; não dormitará aquele que te guarda. É certo que não dormita, nem dorme o guarda de Israel. O SENHOR é quem te guarda; o SENHOR é a tua sombra à tua direita. De dia não te molestará o sol, nem de noite, a lua. O SENHOR te guardará de todo mal; guardará a tua alma. O SENHOR guardará a tua saída e a tua entrada, desde agora e para sempre” (Sl 121.2-8). Do Senhor vem o socorro, meu irmão, minha irmã. E ele não dormita, nem dorme. Em constante vigília, nosso Deus não tira os olhos de nós, jamais: “os teus olhos estão abertos sobre todos os caminhos dos filhos dos homens” (Jr 32.19).

Saiba disto: Deus nunca esta alheio à sua dor. Nunca. Ele sempre sabe quando você está passando por tristezas, angústias, depressão, sofrimento. O que ocorre é que, muitas vezes, ele está tratando de algo em sua vida e, enquanto dura o tratamento, ele observa você; atento, protetor, paternal e amoroso. Em silêncio, sim, mas jamais distante ou de costas para o que você enfrenta.

Muitas pessoas infelizmente acreditam que Deus em absolutamente nenhuma circunstância permitiria o sofrimento de quem ama. Mas se esquecem – ou talvez não conheçam – os inúmeros exemplos bíblicos de casos em que Deus permitiu que os seus passassem pela dor. Isso ocorreu, inclusive, no caso de Jesus, a quem “Todavia, ao SENHOR agradou moê-lo, fazendo-o enfermar; quando der ele a sua alma como oferta pelo pecado, verá a sua posteridade e prolongará os seus dias; e a vontade do SENHOR prosperará nas suas mãos. Ele verá o fruto do penoso trabalho de sua alma e ficará satisfeito; o meu Servo, o Justo, com o seu conhecimento, justificará a muitos, porque as iniquidades deles levará sobre si” (Is 53.10-11).

crossSim, aprouve ao Pai moer o Filho, pois sabia que era preciso o sofrimento do Justo para justificar a muitos. Ao Cordeiro de Deus só restava esperar. Suportar. E como ovelha muda perante seus tosquiadores, ele não abriu a boca, somente abaixou a cabeça e esperou. Entregou-se ao sofrimento: às ofensas, injúrias e calúnias; ao esbofeteamento, aos açoites e aos escarros; à coroa de espinhos e aos cravos; à lança transpassando seu lado e à sensação de abandono. Doeu. E muito. Jesus sofreu. E teve de simplesmente suportar e esperar, até que chegou o momento da gloriosa ressurreição.

Depois que o avião pousou, ainda demorou um bom tempo, mas, enfim, a dor passou. A sensação de entupimento nos ouvidos prosseguiu por algumas horas, mas, por fim, cedeu. Não tive o que fazer. Suportar a dor foi só o que me restou. Pode ser que você esteja em meio a uma angústia que parece não ter fim. Enquanto você está em pleno processo de dor, dê graças a Deus, com paciência e resignação, sabendo que os olhos do Senhor estão cravados em você, à espera do momento preciso em que ele dirá: “Agora basta. Chega. Você está livre”. 

Confie. Esperar em Deus sempre vale a pena. Nunca é um desperdício. Nunca é inútil. Pois, se esperamos com paciência no Senhor, estamos simplesmente exercendo aquilo que ele mais espera de nós: fé.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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arrogancia 1Ando pensando muito sobre nossa arrogância teológica. Se você não está familiarizado com essa expressão, permita-me tentar defini-la. “Arrogância teológica” é aquele sentimento que se manifesta em nós quando nos consideramos os donos da verdade em relação a nossas crenças espirituais e doutrinárias e, por isso, nos colocamos em uma posição de suposta superioridade em relação aos reles e pobre mortais que discordam da nossa forma de ver a fé. Esse problema sempre existiu, mas, com o surgimento das redes sociais, o fenômeno tem se manifestado de forma nunca antes vista e ganhado uma enorme visibilidade. O que, diga-se de passagem, é uma lástima.

Tenho visto a arrogância teológica crescer e se multiplicar. Na Internet, atualmente uma das formas mais frequentes que a vejo é na guerra (e uso o termo “guerra” conscientemente) que tem se travado entre calvinistas e arminianos, isto é, a grosso modo, entre quem crê na eleição divina para salvação e quem crê no livre-arbítrio. É uma guerra feia, pois reproduz, milênios depois, a abominação que houve entre Caim e Abel: lança irmão contra irmão, suscita ódio entre filhos do mesmo Pai e gera debates pueris onde deveria haver amor e união. Não consigo vislumbrar nada mais inútil e feio na fé cristã do que irmãos em Cristo usando sarcasmo, ironia, ódio e ofensas para tratar outras pessoas por quem Cristo igualmente deu a vida. Vejo os “reformados” (calvinistas) defenderem a predestinação e o TULIP como se isso fosse fazer evangelismo. Não é, nem de longe. E vejo arminianos reagindo com ataques de igual monta contra os calvinistas, como se fossem hereges. E não são, nem de longe.

calvinismoEsses ataques e essas picuinhas vão levar a Igreja de Cristo sabe aonde? A lugar algum. Somente a embates cheios de carnalidade e a uma “guerra civil” protestante, para deleite das forças espirituais da maldade. Entrar em debates, acusações, birras de Facebook ou o que for para ficar defendendo calvinismo ou arminianismo mediante ataques ao outro lado vai simplesmente provocar o que levou a rixa entre José e seus irmãos ou Jacó e Esaú: dissensões e facções – que, aliás, são obras da carne, como denunciado por Paulo em Gálatas 5.19-21. Quanta perda de tempo e energia…

Muitos me perguntam se sou calvinista ou arminiano. Minha resposta é: que importa? Que diferença faz? Não quero pregar predestinação ou livre-arbítrio, quero pregar amor, graça, perdão, pacificação, generosidade, amabilidade, bondade, mansidão, caridade, paz; pois essas são colunas do evangelho, comuns a todos os sistemas doutrinários protestantes, ortodoxos ou católicos. Como já disse alguém, durmo com a tranquilidade de um calvinistas e prego com a ênfase de um arminiano. Mas procuro fazer isso unindo e não segregando, tratando quem discorda de mim com afeto e carinho, e não com desdém e palavras ácidas, como tanto tem ocorrido por aí. Simplesmente porque quem age assim não está agindo como cristão.

Duvido que Cristo aprove que se defenda sua soberania com ódio, ofensas ou ironias entre irmãos. Não há nada errado em se defender o que se crê (eu mesmo estou fazendo isso aqui), mas, se o fazemos com soberba e altivez, nos tornamos abomináveis. “O temor do SENHOR consiste em aborrecer o mal; a soberba, a arrogância, o mau caminho e a boca perversa, eu os aborreço” (Pv 8.13).

Arrogante-1Outro aspecto da arrogância teológica está em desprezar aquele que o arrogante considera menos “acadêmico”, “culto” ou “profundo” do que ele próprio. A soberba leva o cristão que se encaixa nessa definição a desprezar pregações, palestras, textos e livros que não citem montes de pensadores e referências bibliográficas, que não usem os termos rebuscados da teologia, que não suscitem “debates intelectuais”. Algum tempo atrás fiquei muito chateado, pois vi uma pessoa criticar o escritor Max Lucado, desdenhando-o como um autor “raso”, “superficial”. Sou apaixonado por teologia, já cursei dois seminários teológicos, gosto e tenho frequentemente debates profundos e rebuscados sobre as coisas de Deus. Mas não é por isso que me ensoberbecerei em meus conhecimentos e desprezarei um autor cristão que contribui para levar consolo, paz, esperança e palavras de fortalecimento e fé a milhões de pessoas pelo mundo. Isso seria leviano. E diabólico.

Falo com conhecimento de causa. Quando eu era um arrogante teológico (sim, já fui isso) eu desprezava autores como Lucado e outros da mesma linha, que não se atêm a rebuscamentos da teologia, mas se dedicam a escrever de forma simples, aplicando conhecimentos teológicos à vivência do cristão. Mas, quando tive de atravessar o vale da sombra da morte, não encontrei a paz em teologias sistemáticas ou comentários bíblicos: encontrei alívio e refrigério (bíblicos, ressalte-se) em livros como os de Max Lucado, que me apontaram o amor de Jesus na prática. Esse irmão em Cristo (que tem crenças soteriológicas diferentes das minhas, permita-me ressaltar) foi quem me deu palavras de renovo, ânimo, conforto e esperança. Palavras como Cristo nos dá. E, enquanto os arrogantes teológicos o desprezavam e faziam piadinhas de sua “literatura rasa”, ele me ajudava a ficar de pé e a continuar a caminhar. Obrigado, Lucado, por isso.

boys-walking-on-raod-bw“Eis o soberbo! Sua alma não é reta nele; mas o justo viverá pela sua fé. Assim como o vinho é enganoso, tampouco permanece o arrogante, cuja gananciosa boca se escancara como o sepulcro e é como a morte, que não se farta; ele ajunta para si todas as nações e congrega todos os povos” (Hc 2.4-5). Nosso meio está cheio de pessoas que se enquadram nessa descrição, lamentavelmente. Eu fui muito abençoado em conferências teológicas que tratam de assuntos das rodas acadêmicas e da “intelligentsia” cristã. Washer, Piper, Sproul, DeYoung, Beeke e outros me edificaram, e muito, e jamais os desprezarei. O conhecimento deles e de outros excelentes pensadores soma, abençoa, constrói, edifica e devemos indispensavelmente ouvi-los. Que fique muito claro: não estou de modo algum dizendo que devemos descartar ou desprezar as profundidades da teologia, fazer isso seria cometer o mesmo erro (e um erro crasso), mas pelo lado oposto. O problema não é de jeito nenhum a teologia, sem a qual a fé cristã não subsiste. O problema é quando a teologia academicista despreza a sua aplicação prática coloquial e simples, quando a teologia diminui o chorar com quem chora, quando a teologia não quer sujar o pé no barro e despreza aqueles que o fazem. Teologia que não sai das salas de aula, das mesas de restaurante, dos vlogs e podcasts e dos auditórios de debate é mero correr atrás do vento para alimentar egos.

max lucadoEu gostaria muito que os grandes ministérios e as igrejas que organizam as principais  conferências teológicas no Brasil mudassem um pouco o foco. Que não tratassem de temas, muitas vezes, secundários e, até, improdutivos, e direcionassem suas atenções para os pontos nevrálgicos da fé cristã. Eu adoraria ir a uma conferência teológica cujo tema fosse o perdão, por exemplo (assunto essencial mas tão pouco tratado na Igreja de nossos dias), e que tivesse como preletor o Max Lucado. Ao ler isso, os arrogantes teológicos logo torceriam o nariz. Mas o que de diferente se esperaria de arrogantes teológicos?

Meu irmão, minha irmã, sempre que for tentado a cometer o pecado da arrogância teológica, lembre-se de que ela é tão arrogância como qualquer outro tipo de arrogância. E o que a Bíblia tem a dizer aos arrogantes é: “Abominável é ao SENHOR todo arrogante de coração; é evidente que não ficará impune” (Pv 16.5).

cruzFica minha proposta: se você é um líder, alguém responsável por organizar congressos, conferências ou outros tipos de fóruns de debate entre cristãos, não se deixe picar pela mosca azul da arrogância teológica. Não queira ser chique. Pense o seguinte: sobre que temas Jesus chamaria seus discípulos para debater numa conferência ou num congresso? Consegue fazer esse exercício de imaginação? Bem, na verdade, nem é preciso imaginar. Leia Mateus 5 a 7, o conhecido Sermão do Monte, essa belíssima conferência teológica que Jesus organizou e na qual palestrou com a simplicidade de um Max Lucado. Ali ele tratou de temas basilares, indispensáveis e urgentes do cristianismo, como humildade de coração, consolo, mansidão, misericórdia, pureza de coração, pacificação, confiança nos cuidados de Deus, santidade, a importância da reconciliação com os irmãos e outros temas centrais, fundamentais e prioritários da fé cristã. E, se Jesus priorizou tais temas, não deveríamos nós imitá-lo? O que está nos impedindo?

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
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