Posts com Tag ‘Maurício Zágari’

sofrimento 1Não deveria ser assim. Mas a realidade é que existem milhares de cristãos que se sentem sozinhos, sofrem calados, vivem achatados pelo peso da angústia sem ter quem os ajude a solucionar seus dramas, sem ter nem ao menos com quem desabafar sobre seus sofrimentos e dores. Fico muito triste ao ver a enorme quantidade de irmãos e irmãs em Cristo que me procuram pelo APENAS, pelas redes sociais ou nos eventos em que prego e palestro em busca de orientações para suas angústias silenciosas e solitárias. Na maioria das vezes, o que detecto é que muitos só queriam mesmo era pôr para fora. Desabafar. Não têm com quem chorar, esmagados por suas dores e duplamente esmagados por não ter com quem falar sobre elas. Sofrem calados, devorados por dentro. O único ombro amigo que têm é o de Jesus, pois os servos de Jesus não estão dando conta do recado. 

Não são poucos, acredite. Tenho visto uma enorme quantidade de irmãos e irmãs que ostentam sorrisos de aparência e se mantêm heroicamente calados na frente das demais pessoas, mas que, na verdade, tudo o que queriam era gritar, chorar e pedir pelo amor de Deus que alguém os ajude, aconselhe ou, pelo menos, os escute e chore com eles. Mas… ninguém parece se importar de fato. Esses sofredores respondem a cada “Tudo bem?” com um sofrido “Tudo bem, graças a Deus”, por perceber que a pergunta foi, na verdade, uma saudação educada e não uma indagação sincera sobre o estado de sua alma. E, assim, seguem sofrendo, calados, angustiados e solitários, na esperança de um milagre que parece nunca chegar. 

sofrimento 2Maridos desonrados e desrespeitados, irmãs abusadas e carentes, adolescentes rejeitados, cônjuges infelizes, cristãos  deprimidos… os sofredores solitários não encontram limites de sexo, idade, ministério ou o que for. Alguns não encontram com quem se abrir porque todos esperam que eles sejam super-heróis espirituais, imunes a problemas. Outros, porque ninguém demonstra um interesse real por sua vida. Há, ainda, os que até buscam com quem conversar, mas tudo o que encontram é um anticristão “vamos orar” que não ajuda em nada. Pessoas feridas, aprisionadas pela agonia de sua solidão, escravas do desinteresse alheio. “Alegrai-vos com os que se alegram e chorai com os que choram” (Rm 12.5) são, para elas, apenas palavras vazias, pois não encontram aplicação prática na sua vida. Afinal, ninguém dá um passo à frente para chorar com elas. 

De quem é a culpa por esse problema epidêmico dentro das igrejas? Minha e sua.

sofrimento 3Eu e você somos os culpados pela dor dessas pessoas. O marido que é obrigado a conviver com uma esposa arrogante, agressiva, briguenta e desrespeitosa, por exemplo, não tem muito o que fazer, pois nenhuma esposa sem sabedoria muda por pressão do marido. Mas a Igreja de Cristo poderia agir na vida dele, dando amparo, amor, conselhos, ombro e a consequente orientação para essa esposa rixosa, a fim de que ela enxergue seus erros e mude de fato. Porém, como existe a filosofia de que “em briga de marido e mulher não se mete a colher”, ninguém quer se envolver, intervir, aconselhar, orientar. Nós optamos por permanecer omissos. Muitas vezes, tudo de que aquela esposa briguenta e mandona precisava era de alguém de fora que lhe dissesse que, sim, ela está errada, e apontasse caminhos, como a Bíblia orienta: “Exortai-vos mutuamente cada dia, durante o tempo que se chama Hoje, a fim de que nenhum de vós seja endurecido pelo engano do pecado” (Hb 3.13). O mesmo vale para maridos que não lutam pelo bem-estar do lar, claro. 

Pastores e líderes, então, muitas vezes são pessoas extremamente solitárias, que sofrem caladas com preocupante frequência. Como a igreja espera que sejam quase homens de gelo, sem emoções ou problemas, donos de uma fé acima de toda humanidade, eles acabam se isolando na solidão de seu cargo, vivendo em santa hipocrisia imposta, porque nós, membros sem coração de suas igrejas, não admitimos que pastores tenham dúvidas, dores ou angústias, que sejam gente como a gente. Culpa nossa. E, por isso, eles seguem, sofrendo em seu ministério, muitos em processo de depressão, com problemas no casamento, com agonias causadas pela pressão do pastoreio, com milhões de preocupações… mas sem encontrar apoio em ninguém. 

Vemos pessoas que saem do culto sozinhas e caminham a passos tristes e arrastados para a solidão de sua casa, sem nos importarmos com elas, enquanto saímos sorridentes com a nossa patota de sempre para comer uma animada pizza pós-culto. Afinal, já que estamos satisfeitos e acomodados com nossa vidinha cristã que não estende a mão a ninguém, para que nos dedicarmos aos outros, não é mesmo? Deixa como está. Por que abrir mão de nosso precioso tempo para ofertá-lo aos sofridos? E assim seguimos, sem viver de fato o que Jesus espera de sua igreja. E, apesar de ler este texto e sentir certo incômodo no coração, você continuará agindo exatamente do mesmo modo, sem nenhuma real mudança. Ou não?

sofrimento 4Muitos desses sofredores solitários até se inscrevem em departamentos da igreja, na esperança de viver um pouco do calor humano que, supõem, deveria haver entre os irmãos, mas só encontram um interesse pouço real por sua vida, aquela coisa meio obrigatória, afinal, “ele faz parte do grupo e a gente tem de dar atenção a ele”. Se um dia ele se desligar do grupo, porém, perceberá que o interesse por sua vida era meramente institucional e não verdadeiro. Ninguém mais o procura, o chama para sair, liga para saber como ele está. E assim seguimos, cercados por legiões de cristãos sofredores, que se calam pelas mais variadas razões e vivem suas angústias com, no máximo, o famigerado “vamos orar”.  Acredite: há muitos desses ao nosso redor, perfumados e maquiados, ostentando sorrisos pré-fabricados no rosto, mas carcomidos emocionalmente. 

Meu irmão, minha irmã, o evangelho é sobre relacionamentos. É sobre se intrometer, sim, na vida do outro, como um médico que intromete seu bisturi na carne do paciente para encontrar debaixo da pele, naquele lugar em que ninguém consegue ver além das aparências, onde está a causa da dor do próximo. E tratá-la. Individualismo não existe no cristianismo, o que existe é coletividade, onde todos sentem a dor de todos. Fora disso não há reino de Deus, não há evangelho, não há Igreja. Sim, a coisa mais importante no cristianismo são os relacionamentos: com Deus, primeiro, e com o próximo. Esse é o maior mandamento, apresentado em outras palavras. 

Ao falar sobre aquele grande dia, que a todos nós espera, Jesus profetizou: “… então, dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai! Entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo. Porque tive fome, e me destes de comer; tive sede, e me destes de beber; era forasteiro, e me hospedastes; estava nu, e me vestistes; enfermo, e me visitastes; preso, e fostes ver-me” (Mt 25.34-36).  Essa passagem fala sobre o quê? Caridade? Não. Fala sobre relacionamentos.

sofrimento 5Fala sobre interferir na vida do próximo, saciando a sede e a fome não só de comida e bebida, mas de amor, preocupação, interesse, calor humano. Há entre nós irmãos e irmãs desesperados e silenciosos, mirrando pela falta do nosso interesse amoroso e genuíno. Muitos estão enfermos de alma, esperando em agonia  por uma visita, uma conversa ou um abraço que ajude a aliviar a dor de seu coração. No culto  a que você vai todo domingo, cruza com irmãos e irmãs que se encontram presos em jaulas de solidão, em presídios de angústia, apenas esperando por alguém que se importe. Também somos cercados por legiões de forasteiros, gente que dorme debaixo das marquises da falta de ter com quem conversar, que pedem socorro em idiomas que parece que ninguém entende, apenas aguardando por um servo bom e fiel que, com preocupação real, os hospede em seu coração e em sua vida.

O que você tem feito pelos famintos, sedentos, enfermos, presos e forasteiros? Nada? Então ouça o que Jesus tem a lhe dizer: “Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos. Porque tive fome, e não me destes de comer; tive sede, e não me destes de beber; sendo forasteiro, não me hospedastes; estando nu, não me vestistes; achando-me enfermo e preso, não fostes ver-me” (Mt 25.41-43). 

Meu sonho é parar de receber desabafos e pedidos de socorro pelo blog e inboxes pelo Facebook de gente que sofre em silêncio. Não aguento mais ver tanta dor, pois a dor deles dói em mim. Quando leio um “me ajude, pelo amor de Deus, não tenho a quem recorrer”, meu coração rasga. Onde estão os seres humanos que convivem com esses meus irmãos e irmãs em Cristo? O fato de cristãos recorrerem a um escritor que mal conhecem e mora a centenas de quilômetros de distância para desabafar, pedir ajuda e tentar compartilhar um pouquinho que seja de sua dor é um sintoma gritante de que a igreja não está sendo Igreja. E à distância é difícil eu fazer qualquer coisa por eles. Onde estão os pastores e os irmãos em Cristo deles? Onde está você?

Este é um texto sobre amor. Amar de verdade significa doar-se. O contrário de amor não é ódio, como muitos pensam, mas egoísmo. Eu fico louco quando ouço um pregador dizer à igreja: “Quem veio aqui esta noite para receber a sua bênção?”. Por quê? Porque culto não foi feito para ser um evento de recebimento de bênçãos. Nós não vamos ao culto a fim de buscar bênção coisíssima nenhuma, vamos para cultuar Deus em conjunto com os irmãos. Em coletividade. Dando as mãos não só fisicamente, mas espiritualmente. Olhando para quem está ao nosso lado e enxergando-o de fato, preocupando-se com ele, imergindo nas angústias dele. A pergunta certa deveria ser “Quem veio aqui esta noite para abençoar os seus irmãos?”. Aí teríamos uma pergunta cristã. 

sofrimento 6Perdoe-me, por favor, o desabafo. Mas o APENAS é, para mim, também um meio de compartilhar o que sofro na minha solidão. E tem me angustiado profundamente o sofrimento solitário de tantos cristãos que recorrem a mim porque dizem não ter mais a quem recorrer. Eu vinha vivendo isso calado, mas hoje resolvi pôr para fora. Você compartilha da minha dor? Você está disposto a chorar comigo? Então, por favor, o melhor meio de fazer isso é sendo parte da solução. Viva a partir de hoje observando os calados, os que choram nos últimos bancos, os que sorriem com a boca mas não com os olhos. Preste atenção aos maridos desrespeitados, às esposas abandonadas, aos adolescentes solitários, aos idosos sofredores, aos líderes deprimidos. Pense naqueles que deixaram o convívio e você nem sabe por quê. Telefone para eles. Oferte-se ao próximo. Mergulhe na vida dessas pessoas. Ouça-as com real interesse e não por obrigação. Intervenha, sim, na vida delas, assim como Jesus interveio na nossa ao meter a colher nas lutas da humanidade e se fazer carne para sanar nosso maior problema. É bíblico. Faça isso, pelo amor de Deus e por amor ao próximo. Os sofredores silenciosos e solitários estão à sua espera. O que você vai fazer a respeito?

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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EU-NÃO-SEI 1Na sociedade em que vivemos desenvolveu-se a ideia de que todo mundo tem de saber tudo sobre tudo. Se você não tem uma opinião sobre absolutamente qualquer assunto, é como se fosse uma pessoa inferior, desinformada, alienada. Futebol? Você precisa ter um parecer sobre todos os jogos da rodada. Música? Você tem de saber tudo sobre todos os cantores da moda. O noticiário do dia? É imperativo saber das notícias antes de todo mundo. Essa ditadura da informação quer nos obrigar a saber tudo, o tempo todo, a toda hora, e precisamos ter uma opinião formada sobre absolutamente todos assuntos. Só que isso é impossível! Eu e você sabemos pouco ou nada sobre a maioria das coisas. Por isso, a posição mais verdadeira – logo, cristã – que podemos ter é dizer: “Eu não sei”. Assim, você evitará falar sem base e viverá com muito mais sinceridade. 

Peguemos, por exemplo, a teologia, área em que, se você diz “eu não sei”, costuma ser imediatamente diminuído, desmerecido. O que você acha das cinco vias de Tomás de Aquino? Eu não sei. Qual é a sua opinião sobre o Sínodo de Dort? Não tenho conhecimento suficiente. Qual é sua visão sobre a teoria escatológica amilenista? Preciso conhecer melhor o assunto antes de responder a isso. Qual é sua opinião sobre o pensamento de Abraham Kuyper? Não li o suficiente para dizer. Qual é seu entendimento sobre os cristãos adenominacionais? Nenhum, preciso conhecer mais. O que você sabe sobre a relação entre o pensamento agostiniano e o platônico? Nada. O que você acha da bênção de Toronto? Preciso me informar melhor. Como você vê o papel do estilo musical no louvor? Não sei o suficiente para ter uma opinião. Por que uma pregação deve ser expositiva? Nunca parei para pensar sobre isso. 


EU-NÃO-SEI 3Essas são respostas dignas, se representarem a verdade. É muito mais cristão dá-las do que emitir um parecer, fazer afirmações ou dar pitacos sobre algo que você simplesmente não sabe. E não há vergonha em não saber, porque ninguém sabe tudo sobre tudo, isso é uma ilusão. Temos de aprender a responder dignos “eu não sei” e, a partir da percepção de que ignoramos algo, buscar conhecer esse algo. Isto, aliás, é fun-da-men-tal: não estou defendendo que, se você não domina determinado assunto, deve acomodar-se à ignorância; o que defendo é que, se você não sabe de algo, primeiro, confesse a verdade e, depois … vá se informar! Corra atrás. Estude. Identifique as lacunas do seu conhecimento e procure preenchê-las. Vergonha não é não saber, vergonha é, uma vez constatado que não se sabe, continuar sem buscar saber. 

Eu, por exemplo, não acompanho futebol. É algo pessoal, simplesmente o assunto não me interessa. Imagine, então, como é quando meus amigos de escola se reúnem e começam a falar sobre o jogo de ontem. Eu fico quieto, pois… eu não sei. Não tenho informações nem conhecimento para debater o tema. Portanto, me calo. Como não é algo que mudará minha vida, deixo para lá, diferentemente dos assuntos da fé, que me são essenciais: quando percebo que me falta conhecimento sobre algum tema da teologia, que me é importantíssima, confesso publicamente que não sei nada sobre aquilo e parto avidamente em busca daquele conhecimento. 

EU-NÃO-SEI 4Um exemplo: há algum tempo assisti ao vídeo da pregação de um pastor de uma igreja tradicional em que ele discorria sobre o movimento pentecostal. Eu gostava de acompanhar pedacinhos de pregações que ele costuma soltar nas redes sociais. Mas, naquele dia, ouvir aquele sermão inteiro… foi um show de horrores. De púlpito, ele fez toda uma exposição completamente errada. Baseou sua palestra em ideias bizarras e totalmente desencontradas da realidade. Para você ter uma ideia, ele disse que o pentecostalismo se sustenta  em três características: confissão positiva, equivalência de Deus e o Diabo, e crença na intocabilidade dos sacerdotes. Embora é inegável que há pentecostais que creem, sim, nesses pontos, de longe não é verdade que esses três aspectos definem o pentecostalismo. Todo pentecostal ou mesmo qualquer cessacionista que tem conhecimentos elementares sobre o movimento pentecostal sabe disso. A confissão positiva, por exemplo, é uma heresia neopentecostal que, inclusive, é combatida por muitos pentecostais. Deu pena do pastor, confesso, pois o que ele “ensinou” para os membros de sua igreja (e ainda postou na Internet) simplesmente não é verdade. Seria mais digno pesquisar melhor ou… não falar nada. Até porque é a credibilidade da pessoa que está em jogo. Eu, por exemplo, parei de assistir aos vídeos que esse estimado pastor publica nas redes sociais depois de ver aquela demonstração gritante de desconhecimento. 

Esse exemplo é apenas um de muitos. Precisamos ter a humildade para aprender a dizer “eu não sei”. Durante os nove anos em que lecionei em seminário teológico, muitas vezes fui questionado por alunos acerca de questões cujas respostas eu desconhecia. O que eu fazia nessas horas era simplesmente confessar minha ignorância e pedir que me dessem alguns dias para que eu pesquisasse a resposta. Isso não só era o que de mais honesto eu poderia fazer, como me permitiu crescer enormemente, pois cada buraco que eu constatava no meu conhecimento era uma oportunidade de tampá-los correndo atrás do que eu não sabia. 

EU-NÃO-SEI 5Meu irmão, minha irmã, ninguém nasce sabendo de tudo. E ninguém morre sabendo de tudo. Nesse intervalo de tempo entre nascimento e morte, temos a oportunidade de crescer no conhecimento das coisas. Agarre-se a essas oportunidades: leia livros, assista a documentários, leia livros, faça cursos, leia livros, converse com pessoas mais experientes, leia livros, participe de congressos, leia livros, envolva-se em grupos de debate ou estudo, leia livros, assista a boas palestras e pregações, leia livros. Ah, sim, e não poderia esquecer: leia livros. Mas, enquanto você não dominar certos assuntos, assuma com sinceridade e hombridade a sua ignorância. E parta em busca de fontes de informação sobre tais assuntos. 

Nas coisas de Deus, então, isso é imprescindível. Pois dar opiniões flácidas ou emitir pareceres claudicantes sobre temas importantes da fé é ser irresponsável com o que há de mais importante na existência humana. Nas redes sociais é comum vermos comentários postados sobre determinadas discussões que nos entristecem, pela profusão de erros ou falta de embasamento. Muitas vezes, a melhor postura seria simplesmente não escrever nada. Ouvir mais. Falar menos. Até porque… você já parou para pensar que ninguém é obrigado a dar uma opinião sobre todo e qualquer assunto? E, como não existe essa obrigatoriedade… por que opinar, quando não se conhece o suficiente para isso? Evitaria erros, vergonha, a sua desqualificação aos olhos dos demais, influência equivocada sobre outros e problemas similares. 

O jejum é uma prática bíblica. Por isso, gostaria de propor um tipo incomum de jejum: a abstenção de emitir opiniões sobre o que não se sabe bem. Tenho certeza de que, se fizermos isso, viveremos num ambiente muito mais rico em informações corretas e, também, em sinceridade e verdade. Se isso vai dar certo? Bem, confesso que… eu não sei.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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delete 3Esta semana o APENAS completa cinco anos de vida. Ao longo desses 1.825 dias, publiquei mais de 470 posts, 3.489 amigos e amigas optaram por assinar as postagens do blog para recebê-las diretamente por e-mail, e 24.484 comentários foram escritos a respeito dos textos, praticamente todos respondidos. Que jornada! Escrever no APENAS tem sido uma alegria, uma responsabilidade, por vezes motivo de lágrimas ou sorrisos, um meio de fazer novas amizades e, acima de tudo, um serviço que me esforço por prestar ao reino na esperança de edificar e abençoar o meu próximo. Sou grato a Deus pelo APENAS e por cada irmão e irmã que me acompanha por aqui. Há um aspecto específico do blog que eu gostaria de abordar na reflexão de hoje: os textos que escrevi e depois deletei. 

Criei o APENAS numa época complicada de minha vida, como um meio de extravasar meus pensamentos. Naquela época, eu estava muito raivoso, contaminado por toda uma circunstância de vida que me fez agir como a palmatória do mundo. Por isso, muitos dos textos que escrevi carregavam ira, eram judiciais, usavam sarcasmo e palavras belicosas. Eu queria queimar os hereges, transformar quem eu considerava estar errado por meio de ataques e confrontos, entrar em discussões teológicas que levavam do nada ao lugar nenhum. Em suma, eu era um bobalhão. 

delete 2A Bíblia ressalta incontáveis vezes quanto o Senhor abomina a arrogância, e eu tinha virado abominação, visto que havia me tornado um arrogante do pior tipo no que se refere às questões teológicas e da vida cristã. Por isso, chegou um momento em que o Pai deu um basta. Ele me virou do avesso e me deu umas lambadas bem dadas. Apanhei, mas foi bom. Quando me tornei uma massa disforme de barro, o Misericordioso olhou para mim e disse: “Agora vamos esculpir de novo esse vaso”. E iniciou a reconstrução. O novo eu era alguém totalmente diferente, que felizmente conseguia enxergar como o antigo eu era horrendo, tamanha era a distância entre quem Deus queria que eu fosse e quem eu era. 

O Senhor não quer que seus filhos o defendam mediante agressividade, sarcasmo, ataques, dureza; mas quer homens e mulheres que mudem o mundo pelo transbordar do amor e por brilhar uma luz tão intensa de graça que espante as trevas da ira por onde passarem. Deus quer filhos conformados à imagem de seu Filho: mansos, humildes, pacificadores, bondosos, amáveis, que preferem o outro em honra, que devolvem o mal com o bem, que sejam gentis, cordatos e compassivos. 

Hoje eu luto por ser um tiquinho parecido com essa descrição. Ainda estou muito longe disso, mas me esforço bastante. E, quando meus olhos foram abertos para o horror que eu era aos olhos do Pai por ser um servo da ira crendo ser um servo de Deus, decidi reler tudo o que tinha escrito até então no APENAS. E o antigo eu deixou o novo eu chocado. 

delete 1Confesso que me horrorizei com coisas que tinha escrito, com a forma como tinha atacado filhos de Deus que discordavam de mim em certos aspectos da fé, com o tipo de linguagem que eu usava nas pendengas teológicas, com todo o ódio que eu havia destilado “em nome de Jesus”.  Por isso, não tive dúvidas: deletei muitos textos que não representavam mais quem eu era. Hoje, entendo que os textos que apaguei apontam para um aspecto basilar do cristianismo: estar na jornada com Cristo significa estar constantemente se reavaliando. O bom cristão é aquele que se pergunta diariamente: até onde as minhas certezas estão certas? 

A vida, meu irmão, minha irmã, é uma mutação constante. Hoje, eu olho com desconfiança para quem diz que não muda nem precisa mudar. Pessoas assim me assustam e preocupam, pois mostram ter decidido fincar âncora e se recusar a continuar crescendo e melhorando. Não acredito em um servo de Deus que julgue já ter chegado ao ponto ideal de sua caminhada e pense que tudo em que crê é certeza eterna. Pois somos transformados dia a dia, lutamos o combate da fé prova após prova, num constante aperfeiçoamento que nos leva a novas percepções e novos patamares de entendimento espiritual.

O Mauricio Zágari da época da conversão era completamente diferente do que começou seu primeiro seminário teológico, que era completamente diferente do que iniciou o segundo seminário teológico, que era completamente diferente do que começou a escrever livros, que era completamente diferente do que está escrevendo hoje estas linhas. E, peço a Deus, o Mauricio Zágari de amanhã será completamente diferente do que está escrevendo estas linhas – tomara, com mais amadurecido, conhecimento e sofrimento nas costas e mais quilômetros rodados. Essa é a minha oração. Peço a Deus que o Mauricio  Zágari que partir desta vida seja um homem muito melhor e um cristão muito mais gracioso, amoroso e bondoso do que este que hoje fala com você. 

E você? Como tem agido na jornada com Cristo? Será que se acomodou em ser como é? Será que está confortável em pensar como pensa, fazer o que faz, agir como age? Será que a pessoa que você é hoje já é aquela que Deus deseja que você seja? Que textos você precisa deletar do blog da sua vida? 

delete 4Fica aqui a recomendação deste maninho que já errou, e muito: faça constantes reavaliações de sua vida. Autoanalise quem você é, o que pensa, no que crê, o que faz, como dialoga, como trata as pessoas que discordam de você, como lida com seu conhecimento bíblico e teológico. E que isso seja uma disciplina espiritual, algo a ser feito regularmente. Para tanto, ouça pessoas diferentes das que sempre ouve. Procure gente que pensa diferente de você, para deixar a dialética lapidá-lo. Leia livros de autores que você considera indignos da sua leitura. Busque confrontar suas certezas, seja para fortalecê-las, seja para pô-las abaixo e começar tudo de novo. Não se acomode. Peço a Deus que o seu acomodamento o incomode. Pois no acomodamento não há crescimento, só estagnação. E, se você está estagnado no erro… triste é a sua vida e péssimo será o seu legado. 

Muito obrigado por você que me fez companhia ao longo desses cinco anos. É uma honra para mim caminhar ao seu lado. Oro constantemente a Deus para que tudo o que eu escreva no APENAS e nos meus livros contribua para fazer de você uma pessoa cada vez mais conformada à imagem de Cristo. Que meus textos o edifiquem, confrontem, incomodem, abençoem e, sempre, provoquem algum tipo de reflexão e transformação para melhor. Pois, se de algum modo as palavras que aqui compartilho contribuem para empurrá-lo um tiquinho que seja mais perto de quem o Senhor deseja que você seja, posso dizer com um sorriso emocionado:

Missão cumprida. 

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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paoA única foto que ilustra o post de hoje é a deste pão, pois todo o texto gira em torno dele. Permita-me explicar. Como antecipei em post recente aqui no APENAS, minha mãe submeteu-se há poucos dias a uma cirurgia para extrair um câncer de mama. Aos 82 anos, tendo sofrido um infarto havia alguns anos, não enfrentaria uma operação tranquila; afinal, riscos são grandes em pacientes com esse perfil. Como meu pai está senil, fui escolhido para ser o responsável por minha mãe. Se houvesse alguma complicação durante a operação, caberia a mim tomar decisões que poderiam ser de vida ou morte. Passamos a manhã realizando exames e procedimentos pré-cirúrgicos, saímos do laboratório e seguimos para o hospital. A cirurgia estava marcada para 14h. Atrasou. Até então, eu não havia almoçado. Estava faminto, mas, a despeito dos apelos de minha mãe para que eu a deixasse sozinha na sala de espera do hospital e fosse comer, fiquei ali, segurando sua mão, conversando e fazendo piadas, até o momento da cirurgia. Estávamos confiantes e de bom humor – mas morrendo de fome. 

Enfim chegou a hora e, às 14h45, finalmente minha mãe entrou na sala de operações. Por isso, foi só por volta de 15h que pude comer algo, na única lanchonete que vendia alguma comida no hospital. A birosca não oferecia refeições, apenas salgados e alguns sanduíches. Por isso, o que você vê nesta foto foi o meu almoço naquele dia: um pão com ovo e queijo. No momento em que tirei a fotografia, estava pensando no que aqui compartilho com você: este sanduíche simboliza algo muito maior do que um sanduíche. 

Aquele pedaço de pão simbolizou para mim o cuidado com minha mãe. Ele era o resultado de eu ter sacrificado o meu bem-estar em prol dela. Eu poderia perfeitamente tê-la deixado sozinha e saído do hospital em busca de um bom restaurante, na hora em que eu quisesse. Mas optei por lhe fazer companhia, dar amor, ofertar solidariedade, compartilhar calor humano, ser um filho que honra seus pais ao preferi-los em honra a si mesmo. E, se você acha que sou grande coisa ao dizer isso, saiba que não sou, minha nobreza não é maior do que a de ninguém: tudo o que fiz foi por amor e em reconhecimento aos anos de cuidados que minha mãe dedicou a mim. Não, ficar faminto para acompanhá-la não foi mérito meu, foi mérito dela. Pois tudo o que fiz foi em respeito às décadas de preocupação, entrega, abnegação e sacrifícios de minha mãe por mim. Não houve nenhuma magnanimidade no que fiz. 

paoAo olhar para aquele pão com ovo e queijo lembrei-me das noites que minha mãe e meu pai passaram em claro, cuidando de minhas febres e meus pesadelos; das muitas horas que gastaram lavando o cocô e o xixi das minhas fraldas de pano, numa época em que ainda não havia fraldas descartáveis; dos dias e mais dias em que tiveram de ir correndo de um emprego para outro, numa ralação exaustiva, a fim de me dar qualidade de vida; das madrugadas em que ficaram acordados durante minha juventude, preocupados com meu retorno seguro após alguma festa; da noite em que saíram esbaforidos para me abraçar, após eu ter capotado com o carro… enfim, de tudo de que dona Irene e seu Wilson abriram mão em meu benefício. Um pão com ovo e queijo que significava tão pouco em comparação ao amor e ao sacrifício que aqueles dois devotaram ao filho caçula. Orei ao Senhor antes de devorar aquele sanduíche, entregando minha mãe em suas mãos e agradecendo por tão singelo mas tão significativo alimento. E, naquele instante, percebi que cada mordida que dava no pão tinha o mesmo nome.

Gratidão. 

Quando celebramos a ceia do Senhor, o que demonstramos é a mesma coisa: gratidão, por tudo o que Jesus suportou em nosso benefício. Cada mordida no pão da ceia me recorda dos açoites que ele aguentou em meu lugar; cada gole no vinho me lembra dos bofetões e das cusparadas que ele tomou por mim; o esfarelar das migalhas me identifica com o rasgar da carne das mãos; o sabor acre do vinho me remete ao sabor amargo do sangue escorrido da coroa de espinhos. A ceia não deve ter em primeiro plano o medo de tomá-la em pecado, mas o júbilo por tomá-la em gratidão por quem nos livrou do pecado. Ao reunir-me com meus irmãos e irmãs para tomar a ceia, trago à memória o cenho abatido do Salvador na cruz do monte Calvário. Ceia é isto: gratidão pelo sacrifício que nos beneficiou. O sanduíche do hospital é isto: gratidão pelo sacrifício que me beneficiou. Assim, o pão tem sabor de uma única palavra: obrigado. 

Uma hora e meia depois, meu telefone soou e uma integrante da equipe médica me avisou que a cirurgia havia terminado e sido um sucesso. Eu deveria ir para o quarto aguardar minha mãe. Assim foi. Quando ela chegou na maca, ainda zonza pelo despertar da anestesia, antes mesmo de perguntar como tinha sido a cirurgia, virou-se para mim e, com preocupação materna, indagou: “Você comeu?”. 

Conversei com os médicos, que me informaram que tudo havia ido bem: eles removeram apenas um quarto do seio e nem precisaram pôr um dreno. O exame dos nódulos linfáticos da axila deu negativo, o que sugeria que não havia ocorrido metástase. Três dias depois, eu deveria levar minha mãe ao consultório do cirurgião para ver como estava a recuperação. Assim, no terceiro dia após a possibilidade da morte, levei-a ao médico, que avaliou o quadro e deu o ultimato: vida! De igual modo, no terceiro dia após a morte de Cristo, veio o ultimato: vida!

paoPassei dias cuidando dela no pós-operatório, com gratidão a Deus por poder fazer por minha mãe o que décadas antes ela fizera por mim. Hoje, dia 26 de abril, dona Irene volta ao médico a fim de remover os pontos da cirurgia. Esperamos apenas o resultado da biópsia do tumor. Fora isso, é vida que segue. As cicatrizes  ficarão, mas, por trás delas, o que há é vida. E, de hoje em diante, nunca mais olharei para um pão da mesma maneira que antes, pois ele sempre me lembrará de tudo o que meus pais fizeram por mim e da gratidão que devo demonstrar-lhes, não como resultado de valor próprio, mas como reconhecimento pelo mérito deles ao se sacrificarem por mim. Do mesmo modo, nunca você deve olhar para o pão da ceia sem um sentimento de gratidão a Cristo pelo mérito dele ao sacrificar-se por você. As cicatrizes dos cravos, dos açoites, da lança e da coroa de espinhos ficarão, mas, por trás delas, o que há é graça e vida.

Vida… eterna. 

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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cafeMinha esposa trouxe-me uma xícara de café. Abri um largo sorriso; afinal, que marido não gosta de um paparico? Mas, então, pus a xícara na boca e fui invadido por arrepios: o café estava amargo de dar dó. Virei-me para ela e disse:

– Amor, você se esqueceu de pôr o adoçante. 

Ela fez uma cara de irritada e respondeu:

– Claro que não esqueci. Tenho certeza absoluta de que pus o adoçante.

Será que eu estava errado? Experimentei um segundo gole. Eca. Amargo. 

– Amor, tenho certeza de que esqueceu. Está amargo demais. 

Ela franziu a testa e rosnou:

– Já disse que não esqueci. Eu pus um saquinho inteiro. Tenho certeza. Posso ter esquecido de mexer, mas o adoçante está aí. É só mexer, deve estar no fundo da xícara. 

Eu costumo tomar algumas xícaras de café por dia, por isso sei bem o que é um café adoçado e o que não é, mesmo não mexido. Eu estava seguro de que ela tinha se enganado, mas resolvi dar-lhe o benefício da dúvida. 

– Tenho certeza de que não tem adoçante, mas, já que você diz, vou lá mexer. 

Levantei da cama e fui até a cozinha. De fato, havia um saquinho de adoçante aberto em cima da pia. Estaria eu errado? Mexi o café e tomei outro gole. Eca. Amargo. Voltei para o quarto. 

– Amor, já mexi e continua amargo. Você com toda certeza não pôs o adoçante. 

Aí ela se enfezou. 

– Olha só, Maurício, eu tenho certeza de que pus o adoçante. Cer-te-za! Se estou falando é porque pus! Que coisa! 

– Mas eu mexi e continua amarguíssimo! Estou dizendo, acredite em mim, não está com adoçante! Faz o seguinte: já que você não acredita em mim, prove você mesma. 

E estendi a xícara para ela. Que fez uma cara de birra e respondeu:

– Não vou provar nada. Se eu tenho certeza, pra que provar?

Estava estabelecida uma daquelas típicas discussões ridículas de marido e mulher, sabe como é? Foi quando tive uma epifania. Voltei para a cozinha e olhei dentro do saco de adoçante que estava em cima da pia. E, lá dentro, estava todo o conteúdo dele. Sucralose branca, reluzente e gloriosa. Sim, minha esposa tinha aberto o saquinho mas, distraída, se esqueceu de derramar o pozinho na xícara. O que antes era óbvio para minhas papilas gustativas agora era óbvio para os olhos. E para a razão. 

Depois que esse episódio até mesmo engraçado passou, fiquei pensando na teimosia da minha esposa. Eu tinha provado o café e afirmado que ele estava sem adoçante. Não seria óbvio acreditar no que eu estava falando? Para que eu inventaria aquilo? Eu amo café e, se estivesse bom, eu tomaria com prazer. Tudo deixava claro que eu tinha razão. Mas ela cismou que eu estava errado, e isso porque ela “achava” que tinha posto a sucralose na xícara. Porém, ela em momento algum disse que “achava”, sempre afirmou que “tinha certeza”. E estava errada. Temos de tomar cuidado com nossas “certezas”.

Você pode pensar que minha esposa é muito cabeça dura, que não custava nada ter acreditado em mim ou, na dúvida, pelo menos provado meu café para eliminar a cisma. Que mulherzinha teimosa, não é? Bem… permita-me defendê-la. Porque o que ela fez comigo todos nós fazemos com Deus. 

Deus sabe o que diz. Ele “provou o café” da eternidade e pôs nas páginas da Escritura todas as informações necessárias, para o nosso conhecimento. Mas eu e você, seres humanos teimosos e cabeças-duras, cismamos em questionar o que ele afirma, mesmo sabendo que o Senhor tem todo conhecimento de causa. 

cafe 1Deus nos manda não levantar falso testemunho, mas nós, volta e meia, estamos soltando uma mentirinha. Deus deixa claro que os arrogantes não têm parte com ele, mas vemos as igrejas repletas de gente altiva. Deus manda não devolver mal com mal, mas qual de nós não aprecia uma vingançazinha, não é mesmo? Deus diz no décimo mandamento que não devemos cobiçar nada do nosso próximo, mas a inveja é nossa companheira constante. Deus manda amar o inimigo, mas o que mais vemos são cristãos detonando quem pisa no seu calo. Deus diz que não devemos andar ansiosos por coisa alguma, mas a ansiedade não sai de nosso lado. Deus nos manda negar a nós mesmos e preferir os outros em honra, mas vivemos pondo o nosso ego e nossos interesses no pináculo do templo. Deus quer que sejamos amáveis, mansos e pacificadores, mas adoramos uma discussão sobre política ou religião que seja irada, agressiva e com palavras duras ou sarcásticas nas redes sociais. Deus fala, mas nós, teimosos, cismamos em nossas falsas “certezas”. Não seria melhor, mais sensato e mais óbvio confiar no que ele diz?

Deus conhece o gosto amargo do pecado, mas cismamos em desobedecer-lhe. Batemos pé que o amargo é doce. Afinal, tudo bem que Deus diz tal e tal coisa, mas… Repare bem nesse “mas…”. Ele é o grande problema. Nossas objeções à verdade bíblica são as maiores causas de enfiarmos os pés pelas mãos. A cisma em priorizar a nossa certeza acima da certeza de Deus é o que nos faz viver quebrando a cara. Afinal, te-mos-cer-te-za-de-que-a-do-ça-mos-o-ca-fé! Só que o café está amargo! Cabeças-duras que somos. 

Meu irmão, minha irmã, creia: Deus sabe o que diz. Não duvide das verdades bíblicas. Não procure tergiversar e dar explicações alternativas para o que é claro. Não tente afirmar que o amargo é doce ou que a doce é amargo. Se viver com coerência e confiança inabalável nas palavras do Senhor, você experimentará uma fé sólida, autêntica, fiel e verdadeiramente bíblica. 

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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sal fora do saleiro 1Participei algum tempo atrás de um debate em uma rádio evangélica em que foi levantada uma questão: é lícito um cristão entrar em determinado local considerado pecaminoso para pregar ou refletir ali a luz de Cristo? Na minha vez de falar, eu defendi que não só é lícito, mas é imprescindível. Pregar salvação onde só há salvos… para quê? Nisso, um pastor que estava à mesa se enfureceu e me cortou: “O que você está dizendo é um absurdo. Se um crente vai a uma boate, por exemplo, o Espírito Santo fica na porta!”. Congelado por essa resposta, só consegui balbuciar de volta: “Pastor, com todo respeito, mas o Espírito Santo que habita em mim jamais ficaria na porta, pois é a luz que espanta as trevas e não o contrário. Se eu for a uma boate com a motivação de proclamar Cristo, ele entra comigo, guia meus passos, ilumina minha mente e, se lhe aprouver, realiza a obra de salvação naquele lugar”.  Esse episódio me levou a refletir sobre até que ponto devemos nos associar a determinados lugares ou pessoas para disseminar a mensagem do evangelho, seja por meio de palavras, seja por meio do relacionamento pessoal. 

Não consigo entender a ideia de que há lugares lícitos ou ilícitos para se levar Cristo: o universo inteiro é nosso campo missionário. Além disso, o conceito de “lugares pecaminosos” me soa bem esquisito; afinal, onde houver pessoas haverá pecado – portanto, todo lugar  no planeta em que houver gente é pecaminoso – pois o pecado não vive em paredes, vive no coração humano. Eleger esse ou aquele como “mais pecaminoso que outro” é um desentendimento da realidade do pecado. Boates, prostíbulos e cinemas pornôs não são mais pecaminosos do que estádios de futebol, supermercados ou shopping centers. Há pecado abundante e sem arrependimento em todos eles e, no máximo, podemos dizer que há pecados diferentes. Há pecado nas praças e nas ruas, nas escolas e nos restaurantes, nas universidades e… bem, vamos lá: nas igrejas. Ou você conhece uma igreja sequer que seja formada só por pessoas que não pecam?

Ser sal e luz num templo religioso ou ser sal e luz numa casa de meretrício é ser… sal e luz. Isso não muda a essência da coisa. O que santifica esses lugares? Cristo. E onde há proclamação de Cristo ele se faz presente. “Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles” (Mt 18.20). Portanto, onde o cristão está, o local é santificado pela presença do Espírito que nele habita. Só é preciso constante cautela para não deixar o vento das trevas apagar a vela do brilho da santidade, e isso em qualquer lugar  em que você esteja. “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca” (Mt 26.41). Ir para a balada “curtir a vida”, com o argumento de que vai “levar a luz de Cristo”, é hipocrisia, é mentira. A motivação do coração é fundamental.

Conheço religiosos que não pregam em igrejas de denominações de cujas doutrinas discordam. Eu respeito essa visão, mas jamais poderia estar de acordo com ela. Um presbiteriano pregar em um templo da Igreja Universal, por exemplo, não significa em absoluto que ele esteja de acordo com o que se faz e se prega ali, mas significa uma oportunidade ímpar de levar a sã doutrina a quem se alimenta de heresias dia após dia. 

sal fora do saleiro 2Eu prego de graça, jamais na vida exigi oferta ou condicionei minha presença onde quer que seja à venda de livros, que fique muito claro. Portanto, o que vou dizer agora não tem nenhum “interesse escuso”, nem financeiro nem de outro tipo qualquer que não seja o missional: se eu for convidado para pregar em uma igreja católica ou ortodoxa, na Igreja Universal, na igreja de Agenor Duque, na igreja da apóstola Sol, em qualquer igreja neopentecostal, pentecostal ou tradicional, eu vou. Se for para pregar em um centro de umbanda ou num centro espírita, eu vou. Se houver oportunidade de pregar o evangelho no palco de uma boate de striptease, eu vou. Por quê? Porque sabe o que significa ir por todo o mundo e pregar o evangelho a toda criatura? Significa: ir por todo o mundo e pregar o evangelho a toda criatura. Sem exceções de local no mundo e sem exceções de criatura. “Todo” significa “todo” e “toda” significa “toda”. Minha imagem pessoal e minha “reputação” valem bem menos do que a importância de levar o evangelho aos sedentos e famintos. 

Meus livros têm endossos (aqueles textos de outras pessoas que vêm na quarta capa da obra) de irmãos em Cristo de quem eu discordo em questões de teologia e prática em muitos pontos. Isso não significa que eu me aliance a eles em tudo ou que apoie tudo o que creem e fazem. Significa que a mensagem que procuro transmitir nos textos alcança todos esses espaços. E que bom que essas pessoas com quem não concordo plenamente endossam o que escrevo, pois isso incentiva irmãos e irmãs que respeitam as opiniões delas a ler meus livros – e, com isso, a mensagem que acredito ser bíblica e correta alcança pessoas de todas as linhas do evangelho, ou de fora dele. E isso não tem nada a ver com interesses comerciais ou outros, tem a ver com missão. A monumental diferença está na motivação do coração: eu não vejo nenhum problema em ir a lugares ou associar-se, em certos âmbitos, a pessoas de quem se discorda, desde que a motivação seja Cristo e não interesse financeiro ou qualquer outro tipo de interesse que não o de fazer brilhar a luz do Senhor para o mundo. 

O fim do sofrimento_frente e versoJá endossaram livros meus calvinistas como Augustus Nicodemus e Franklin Ferreira; batistas arminianos como Russell Shedd e Luiz Sayão; pentecostais como Ana Paula Valadão e Bianca Toledo; autores de livros seculares, como Rachel Sheherazade e William Douglas (foto). E muitos outros. Isso quer dizer que concordamos em tudo? Naturalmente que não. Mas quer dizer que estabelecemos o vínculo da paz para incentivar leitores das mais variadas linhas doutrinárias a ler textos que apontam para Cristo. E, assim, minha associação a essas pessoas tão diferentes faz com que a mensagem do cristianismo puro e simples chegue a todo tipo de gente. A toda criatura – como Cristo mandou. Se isso fará com que pessoas que se acham mais cristãs do que outras nos olhem de forma torta… paciência. Os fariseus e mestres da lei olharam torto para Jesus porque ele andou com prostitutas e publicanos, foi à casa do repugnante Zaqueu e chamou para ser discípulo Mateus, um coletor de impostos “traidor dos judeus”; logo, por que comigo ou com você seria diferente se pregarmos em um “lugar pecaminoso”? Acostume-se aos olhares tortos e siga proclamando a luz do Verbo da vida. 

Temos de parar com o segregacionismo baseado na suposição de que somos superiores aos outros ou de que nossa santidade é tanta que macularia a nossa pureza ir a determinados lugares para pregar o evangelho – se pregar o evangelho for de fato a nossa motivação, que fique claro. A necessidade de se relacionar com quem precisa de Cristo é maior do que isso. Temos de ser sal nos lugares insossos e luz nas trevas mais densas. Temos de conviver com os publicanos e as meretrizes – e até com os fariseus. Se Adolf Hitler recomendasse a leitura de um texto meu, eu não o impediria – quem sabe, assim, muitos nazistas seriam alcançados pelo evangelho? Se o Dalai Lama ou Inri Cristo me convidassem para pregar em seus templos, eu iria, feliz e de graça, pois meu Salvador estaria sendo apresentado a quem precisa. E se eles quisessem recomendar meus textos, ótimo, pois seus seguidores leriam sobre a mensagem da cruz, a morte e a ressurreição de Cristo, as boas novas da vida eterna, o conteúdo do credo apostólico, a Palavra de Deus. 

Existe limite para os espaços em que devemos proclamar o evangelho? Claro que existe. E ele está no fim dos tempos. Quando Jesus voltar, só então pare de pregar o evangelho, pois novos céus e nova terra se farão presentes. E, então, e somente então, a proclamação deve cessar. Até lá, vá aos piores lugares do mundo e conviva com a escória da humanidade. Pois Jesus não veio para os sãos, veio para os doentes. E de que adianta você ser um médico que se recusa a estar perto e a se relacionar com os enfermos? Isso faria de você um médico inútil, por amar a medicina mas se recusar a estar com os pacientes. 

sal fora do saleiro 4Conheço um cantor evangélico famoso que, como ele mesmo me relatou, se comportava como um gladiador, distribuindo pauladas verbais para todo lado pelas redes sociais, atacando gente, ofendendo e espinafrando. Era o tipo de pessoa de quem os “santos” querem distância. Pegaria mal associar-se a ele, na visão de muitos. Um amigo meu, no entanto, aproximou-se dele, convidou-o para ir a sua casa, iniciou um relacionamento. E começou a chamar a atenção daquele cantor para os erros que cometia. Aos poucos, na convivência e mediante a orientação em amor, meu amigo foi mostrando para o artista os equívocos em que ele estava incorrendo e aquele homem os foi percebendo, até que começou a mudar. Hoje ele não posta mais comentários agressivos on-line e reconhece que estava errado, como me disse pessoalmente. Foi justamente a aproximação de alguém que optou por se relacionar em graça e amor com quem estava errado que fez a luz brilhar nas trevas. Imagine se meu amigo tivesse evitado o contato, para “preservar sua imagem” ou “para não se contaminar”. 

O templo é apenas uma das muitas instâncias da nossa fé e não uma finalidade em si mesmo. Nosso local de culto é o planeta Terra. E, se você for um astronauta, o espaço sideral também é. Não deixemos de congregar jamais, sou um defensor ferrenho da importância de frequentar uma família de fé, mas não restrinjamos nossa fé ao santuário, pois isso não é cristianismo. Cristo está onde você está e ser cristão significa ser sal e luz – para todos, em todo tempo e em todo lugar. 

Meu irmão, minha irmã, importa viver e proclamar Jesus, o único caminho, a verdade e a vida. Seja um embaixador do reino não só dentro da embaixada, mas nas terras estrangeiras, em cima dos telhados… até às portas do inferno.

sal fora do saleiro 5Fuja da contaminação, sim, mas não se prive de levar a cura onde há contaminados.

Resista ao Diabo, sim, mas não deixe de ir onde houver pessoas escravizadas pelo Diabo.

Fuja da aparência do mal, sim, mas reflita a luz de Cristo onde o mal habita para muito além das aparências.

Não entre em jugo desigual, sim, mas não recuse relacionamentos com o desigual se isso servir de canal para que o cristianismo puro e simples alcance vidas. 

Afinal… Jesus não se relacionou com o desigual? E não foi à casa dos mal-vistos da sociedade? Então, por favor, responda: em que eu e você somos melhores do que Jesus?

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >


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Queridos irmãos e irmãs em Cristo,

peço a sua licença para, hoje, usar este espaço não para compartilhar diretamente uma reflexão para a sua vida cristã, mas para fazer um convite. No próximo sábado, dia 9, a partir de 10h, ocorrerá o lançamento de meu mais recente livro, Confiança inabalável: um livro para quem quer vencer o medo e a ansiedade (Mundo Cristão) no Rio de Janeiro. Se você é do Rio, Niterói e redondezas, está convidado para o evento, que ocorrerá ao lado da Praça XV, no Centro.

Farei uma palestra sobre o tema da obra, seguida de um momento de confraternização. Se quiser e puder comparecer, será uma alegria abraçá-lo e bater papo. Se não puder, ficaria muito grato se orasse para que este livro leve paz, consolo e serenidade a todo aquele que o vier a ler. Agradeço muito! O convite segue abaixo:

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Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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