Posts com Tag ‘Maurício Zágari’

broken-glassesDepois que ultrapassei os 40 anos, comecei a enxergar mal. O diagnóstico: vista cansada. Pronto, a partir daí passei a depender de óculos para ler, usar o computador ou realizar tarefas que exijam maior acuidade visual de perto. Como leio e escrevo muito, você pode imaginar como minha relação com os óculos de leitura se tornou de extrema dependência. Por isso, dá para supor o que senti quando minha filha de 4 anos quebrou meu óculos, entortando totalmente as hastes e lançando longe uma das lentes. O pior de tudo é que isso  aconteceu como um resultado amargo da desobediência. Vou te contar a história. Eu tinha terminado o expediente do dia e deixei meus óculos apoiados na mesa de trabalho, que fica ao lado de minha cama. Minha filha chegou da escola e começamos a fazer coisas juntos. Havia algumas pilhas de roupa sobre a cama, pois tinha sido dia de passadeira. Resolvi guardar as roupas no armário e, como a filhota gosta muito de me ajudar, pediu para me entregar pilha por pilha, que eu pegava e botava no armário. Eu só estabeleci  uma única regra:

– Bebê, não saia da cama, pois você está descalça e o chão está muito frio – falei.

tombo-queda-homem-caindoFoi quando ela teve a brilhante ideia de me desobedecer. Não sei o que deu na cabeça dela, mas a pequena resolveu pular, com um monte de roupas nas mãos, da cama para a minha cadeira de trabalho – que tem rodinhas. O resultado: assim que deu o salto, a cadeira correu, minha filha se desequilibrou e caiu para trás. Não sei como consegui, mas, no reflexo, dei um pulo e a agarrei por um braço, impedindo que batesse com a cabeça no chão. Mas, naquilo que despencou, ela também abriu os braços, tentando agarrar o ar para não cair, mas o que conseguiu foi dar um tapa com uma das mãos na minha mesa.

As roupas voaram para todos os lados, se esparramando pelo chão. Mas, na hora em que ela bateu com a mão na mesa, acertou em cheio meus óculos que, na mesma hora, desmontaram e se entortaram todos.

Corri, agarrei minha filha e a abracei. Depois de me certificar de que estava tudo bem com ela, que tinha sido apenas um susto e que ela não havia sofrido nenhum machucado, me virei para os óculos. Ou o que sobrou deles. Destruídos. Naquele instante, passou pela minha cabeça todo o transtorno que aquilo provocaria: prejudicaria meu trabalho, a criação de textos para o APENAS, a escrita do novo livro em que estou trabalhando e uma série de outras coisas que a falta daquele objeto provocaria. Por isso, do susto, meus sentimentos naquela hora se tornaram ira. Dei uma bronca em minha filha.

– Por que você me desobedeceu e saiu da cama?! Que ideia é essa de pular da cama para uma cadeira com rodas?! Quer me matar do coração?! E, agora, olha só o que você fez com meus óculos!!! Como é que o papai vai conseguir escrever agora?!

Minha esposa ouviu o barulho e correu para ver o que tinha acontecido. Terminada a bronca, eu estava tão irritado que saí do quarto e fui para a sala, a fim de bufar e tentar me acalmar. E assim eu fiz. Fiquei ali por longos minutos, até que meu coração desacelerou. Me acalmei. Respirei fundo. E foi  quando minha esposa apareceu, e disse:

– Mauricio, ela está com uma carinha… tadinha…

beijoEu entendi a mensagem. Minha esposa estava intercedendo pela pequena transgressora. E, embora eu soubesse que tudo o que aconteceu foi fruto de desobediência, sabia que minha filha era pó, era humana, e sujeita à força do pecado. Por isso respirei fundo novamente. Me acalmei. E voltei para o quarto.

Minha filha estava deitada na cama, com um olhar de culpa e muito quietinha. Quando me viu, percebi que já se preparou para ouvir mais bronca. Mas, então, me aproximei, deitei ao seu lado e a chamei para repousar a cabeça no meu peito. Ela veio, em silêncio, e me abraçou. Conversei com ela mansamente e expliquei que papai não dava ordens à toa, que todas as regras que eu estabelecia eram para o bem dela. Também a lembrei de uma série de ocasiões passadas em que ela tinha desobedecido e algo ruim acontecera e procurei mostrar que, se ela obedecesse ao papai, a probabilidade de ocorrer algum problema ou de ela se machucar era muito menor. E terminei:

– Você entendeu, bebê?

Ela fez que sim com a cabeça e falou baixinho, com uma vozinha doce:

– Entendi, papai. Desculpe.

E teve uma atitude inesperada: começou a me encher de beijos, no rosto, nos braços, no peito e até nas pernas e nos pés. Daqui a pouco estávamos brincando, rindo e nos divertindo.

Os mandamentos de Deus não existem para nos tolher, oprimir ou chatear. O Senhor não nos dá ordens à toa, cada um dos seus preceitos tem uma razão de ser e, por exprimir a vontade do ser perfeito, eles servem para o nosso bem. O Pai sabe que a transgressão nos afasta dele e conhece a destruição que o pecado provoca. Sabe, também, que corremos o sério risco de nos machucarmos e de destruirmos muitos óculos caso optemos pelo caminho do mal. Por isso, estabelece limites, que servem para nos proteger de nós mesmos.

amorAcho curioso quando ouço pessoas não cristãs dizerem que o cristianismo serve pra ficar dizendo “pode, não pode, pode, não pode”. Não entendem que os mandamentos de Deus são bons e nos mostram um caminho mais excelente. Um caminho de paz. Um caminho de amor, como Jesus mesmo disse: “Se me amais, guardareis os meus mandamentos” (Jo 14.15); “Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor; assim como também eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai e no seu amor permaneço” (Jo 15.10). Acredite: Deus não estabelece normas e regras a troco de nada. Ele tem os melhores motivos para isso. E quem colhe os bons frutos da santidade somos nós mesmos. Deus se agrada tanto do amor demostrado por meio da obediência que tem promessas lindas para quem abraça seus mandamentos: “faço misericórdia até mil gerações daqueles que me amam e guardam os meus mandamentos” (Dt 5.10).

Minha filha aprendeu que desobedecer aos mandamentos do pai é correr o risco de se machucar muito. E, mesmo que o pai consiga segurá-la com mão forte, por amor e por graça, isso não impede que sua transgressão tenha consequências desastrosas – como roupas passadas espalhadas pelo chão e óculos quebrados. Por mais que Deus nos guarde diante do nosso pecado, sempre sofreremos algum prejuízo.

Felizmente, nosso Pai é graça, perdão e restauração. Ele nos abraça, nos chama para o colo e nos corrige, fazendo-nos ver as consequências da transgressão. A partir daí, temos dois caminhos: nos rebelar ou reconhecer nosso erro e enchermos o Senhor de beijos, em reconhecimento por seu amor e seu cuidado disciplinador. “Eu repreendo e disciplino a quantos amo. Sê, pois, zeloso e arrepende-te” (Ap 3.19).

cicatrizPara minha surpresa, enquanto eu conversava com minha filha, minha esposa pegou em silêncio os óculos quebrados e, com muito cuidado, conseguiu endireitar as hastes. Encaixou a lente de novo no lugar. E, quando vi, ela se aproximou e os entregou a mim, restaurados e aptos para o uso. Experimentei. Estavam largos e um pouco fora de esquadro, mas não perdidos para sempre, como eu imaginara. Cristo também faz isso. Quando pecamos e nossa desobediência gera resultados desastrosos, ele pode consertar a situação e aprumar as coisas. Mas sempre ficará algum resultado do erro, seja em forma de feridas, mágoas, más lembranças, culpa ou o que for. Por isso, acredite: pecar conscientemente por saber que Deus perdoa e restaura nunca é a melhor opção, pois sempre ficarão cicatrizes do mal cometido. 

Busque a santidade, meu irmão, minha irmã. Sem ela, ninguém verá a Deus. Saiba que a mão do Senhor está sempre estendida para nos guardar e que, se erramos e caímos, temos um advogado junto ao Pai. Mas, pode acreditar, o melhor é nunca ter de passar pela disciplina de Deus, pois sempre teremos de lidar com um gosto amargo na boca em decorrência do mal que causamos. Você está em pecado? Mude isso hoje. Não pague pra ver. 

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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Mais vendidos da Mundo CristãoA página na Internet da editora Mundo Cristão tem uma seção que mostra quais são os livros mais vendidos nos últimos trinta dias pela loja virtual do site. Semana passada, minha obra mais recente, O fim do sofrimento: um livro para quem busca consolo e esperança nos momentos mais sombrios, ocupava o 4º lugar desse ranking e o livro Convulsão protestante, do pastor Antônio Carlos Costa, estava em 1º. Um amigo da igreja viu isso e me perguntou: “Zágari, você não está com inveja não? Nem um ciumezinho?“. Confesso que a pergunta me soou tão estranha que provocou uma reflexão sobre esse pecado considerado tão pouco grave por tantos cristãos mas que a Bíblia condena de forma tão veemente: a inveja.

Já senti inveja muitas e muitas vezes ao longo de minha vida. Infelizmente. Mas acredito que a maturidade, o sofrimento e a enorme quantidade de erros que já cometi têm me ensinado e me adestrado a compreender que determinados tipos de comportamento não levam a nada nem significam nada. Isso tem ocorrido com a inveja. Assim, respondendo a pergunta de meu amigo: não, em absolutamente nenhum momento senti inveja do pastor Antônio. Muitíssimo pelo contrário, fiquei extremamente feliz por ele, por saber que o primeiro livro de sua autoria pela Mundo Cristão está tendo repercussão. E isso por um motivo simples: além de eu pessoalmente gostar muito do homem Antônio Carlos Costa e de torcer por esse meu irmão, o meu livro e o dele não são “concorrentes” São aliados. Eles se complementam.

Essa é uma percepção que falta a muitos de nós, cristãos. Muitas vezes não compreendemos que o irmão em Cristo não está numa disputa conosco, mas, sim, somando. O resultado: inveja porque o irmão ganhou um cargo na igreja, inveja porque a irmã tem mais visibilidade, inveja porque o próximo prega mais, inveja porque fulano lidera o louvor, inveja porque beltrano tem um carro mais caro, inveja porque o marido de sicrana é mais gentil, inveja porque a igreja ao lado tem mais membros, inveja, inveja e inveja!

Segundo a definição dos dicionários, “inveja” significa “desejo de possuir o que outro tem”. Como se pode ver, ter inveja é exatamente o pecado resultante da transgressão ao décimo mandamento: Não cobiçarás a casa do teu próximo. Não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma que pertença ao teu próximo” (Êx 20.17).

urubuA inveja é um mal tão horrível que a Bíblia o define como a morte das partes mais profundas da nossa carne. O ânimo sereno é a vida do corpo, mas a inveja é a podridão dos ossos” (Pv 14.30). E não só isso, a inveja aponta para um total distanciamento se Deus: “Se vivemos no Espírito, andemos também no Espírito. Não nos deixemos possuir de vanglória, provocando uns aos outros, tendo inveja uns dos outros” (Gl 5.25-26). E mais: “onde há inveja e sentimento faccioso, aí há confusão e toda espécie de coisas ruins” (Tg 3.16).

Lamentavelmente, temos o péssimo hábito de eleger alguns pecados como mais repugnantes a Deus do que outros, como se filé mignon podre fosse menos repugnante que uma ratazana podre. Para Deus, podre é podre. Achamos que pecados como prostituição, lascívia, homicídios, adultérios e blasfêmia seriam pecados mais graves, enquanto outros como avareza, malícia, soberba e inveja seriam pecadinhos menores, aos quais Deus teria menos repulsa. Isso é o que achamos. Mas, quando lemos a Bíblia, vemos que os textos não fazem distinção entre os pecados:

“O que sai do homem, isso é o que o contamina. Porque de dentro, do coração dos homens, é que procedem os maus desígnios, a prostituição, os furtos, os homicídios, os adultérios, a avareza, as malícias, o dolo, a lascívia, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura. Ora, todos estes males vêm de dentro e contaminam o homem. (Mc 7.20-23).

“Ora, as obras da carne são conhecidas e são: prostituição, impureza, lascívia,  idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, ciúmes, iras, discórdias, dissensões, facções,  invejas, bebedices, glutonarias e coisas semelhantes a estas, a respeito das quais eu vos declaro, como já, outrora, vos preveni, que não herdarão o reino de Deus os que tais coisas praticam” (Gl 5.19-21).

inveja_1Inveja não é um mal menor. Não é menos grave que assassinato, só porque as consequências terrenas são diferentes. No mundo espiritual, são a mesma coisa: desobediência à vontade do Senhor. Transgressão. Abandono do que é puro e bom. O adúltero, o cachaceiro, o traficante, o homicida, o fornicário e o arrogante não são mais pecadores  que o invejoso.

Entenda que tudo de bom que você é e tem foi Deus quem te deu. Toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança” (Tg 1.17). Do mesmo modo, tudo de bom que o outro tem e é foi Deus quem deu a ele. Inveja, portanto, é questionar e peitar o que Deus decidiu fazer e discordar da bênção que ele resolveu dar ao próximo e não a você. Inveja é motim. Inveja é rebelião. Satanás invejou o Senhor e quis ocupar seu lugar. Deu no que deu.

“Pois nós também, outrora, éramos néscios, desobedientes, desgarrados, escravos de toda sorte de paixões e prazeres, vivendo em malícia e inveja, odiosos e odiando-nos uns aos outros. Quando, porém, se manifestou a benignidade de Deus, nosso Salvador, e o seu amor para com todos, não por obras de justiça praticadas por nós, mas segundo sua misericórdia, ele nos salvou mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo, que ele derramou sobre nós ricamente, por meio de Jesus Cristo, nosso Salvador” (Tt 3.3-6). Isso mostra que a inveja é relacionada na Bíblia a uma característica de quem não passou pela salvação. Façamos o que é certo.

Antonio Carlos Costa e eu_230215Pastor Antônio Carlos Costa escreveu seu livro para abençoar o próximo. Eu escrevi o meu com o exato mesmo objetivo. Nossos livros são diferentes e têm funções diferentes, cada um atende a diferentes anseios dos leitores. Deus entrega o Convulsão protestante nas mãos de quem precisa ler esse livro. E entrega o O fim do sofrimento nas mãos de quem precisa ler esse livro. Eu e pastor Antônio (foto) somos jogadores do mesmo time, soldados do mesmo exército, membros do mesmo corpo, filhos do mesmo Pai. Ele é meu irmão e fico felicíssimo pelas alegrias dele e pelo que ele conquista, pela graça de Deus. Gostaria que você se sentisse desse modo com relação a todas as pessoas que, assim como você, fazem parte do Corpo de Cristo.

Fuja da inveja, meu irmão, minha irmã, não a alimente. Não enxergue esse pecado como algo menor ou justificável. Não é. É uma transgressão tão imunda como qualquer outra. Alegre-se com as conquistas do seu próximo, sorria e celebre com ele, entendendo que o que ele tem e é foi Deus quem deu. E Deus não erra. 

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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fracasso-produto-artigoTodos nós fazemos planos. Temos vontades, elaboramos propósitos, traçamos caminhos, sonhamos. Porém, muitas e muitas vezes o que almejamos realizar não dá certo. Fracassa. O que fazer nessa hora? Como devemos nos comportar se isso acontece? Acredito que, nesses momentos, devemos buscar o Senhor em oração e estudo da Palavra, pois, se nossos projetos estiverem em desacordo com a soberana vontade de Deus, naturalmente fracassarão. Nesse caso, o que devemos fazer é abandonar o projeto que elaboramos, deixar para lá, descartar. Partir para outra. Mas, se percebermos que nossos projetos fazem sentido à luz das Escrituras, se eles se encaixam no que é bíblico, nesse caso precisamos perseverar, insistir, persistir. Então, na verdade, a grande dúvida diante do fracasso é: persistir ou desistir?

Tenho visto o mundo ao meu redor ser dominado por tristeza, dificuldades, reclamações, crise. O Brasil vive momentos difíceis e tenho percebido a infelicidade dominar em graus diferentes muitas e muitas pessoas. Você também percebe isso? Amigos estão perdendo o emprego. Casamentos estão acabando. Depressão domina muita gente. Irmãos divergem rancorosamente de irmãos por bobagens teológicas. Nas redes sociais, lamentavelmente prevalece a acusação, a espinafração, a ira, a maldade, a feiúra. Os corações me parecem estar pesados, carregados. Vejo muita falta de alegria. Você também vê o que eu vejo?

Semana passada, por causa dessa percepção, fiz um convite aqui pelo APENAS: propus que cada leitor,  ao longo da hora seguinte à leitura do texto, alegrasse uma pessoa. Só uma. Umazinha. Com um pequeno gesto, uma palavra, um favor, qualquer coisa. Acreditei que seria bonito contribuirmos para disseminar um pouco de uma das virtudes do fruto do Espírito para nosso próximo, a alegria. E pedi que aqueles que topassem fazer isso compartilhassem no espaço de comentários do blog, em poucas palavras, aquilo que fizeram e o que seu gesto gerou. Também estimulei que os irmãos e as irmãs que recebem os posts por e-mail repassassem o desafio a seus conhecidos. Pelas minhas contas, alguns milhares de pessoas seriam abençoadas com esse simples gesto.

Pierrot 2Esperei. E, de todos os muitos testemunhos que eu tinha a esperança de ler, ao final de alguns dias sabe quantos relatos havia? Um. Só. Se somarmos os comentários do APENAS com os irmãos do Facebook que disseram ter topado a proposta, não houve nem cinco adesões. Evidentemente, jamais esperei que todos aceitassem. Na verdade, ninguém em absoluto era obrigado a fazer nada do que eu propus, seria uma adesão voluntária, de quem comprasse a ideia e resolvesse fazer um pequeno gesto para deixar o mundo um tiquinho mais alegre. Mas não vou negar: fiquei triste com o estrondoso fracasso do meu plano. E aí, persistir ou desistir?

Algum projeto seu já fracassou? Bem, o meu sim. Meu plano fracassou monumentalmente. Mas ainda tenho uma centelha de esperança de que o que propus esteja em sintonia com a vontade divina e, por isso, persistirei. Assim, quero requentar minha proposta do último post. Se você desejar, ao longo da próxima hora, alegre um coração. Estimule outras pessoas a fazer o mesmo. Vamos ver onde isso vai dar. E, se fizer, peço que não deixe de compartilhar nos comentários deste post, nem que seja dizendo “eu alegrei um coração”.  Só isso, não precisa de mais nada.

O fracasso do meu post? É apenas um entre tantos e tantos exemplos. Não desista dos seus planos, meu irmão, minha irmã. Persista. Persevere. Se tudo indicar que o plano nasceu do coração do homem e não no de Deus, aí sim o abandone. Mas, se não, vá em frente, recolha os caquinhos e faça algo novo. Se for um projeto segundo a vontade de Deus, pode acreditar: valerá a pena. E algo belo e novo brotará sobre a terra.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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alegria 1Muita gente acha que Deus é uma pessoa carrancuda, de cara fechada, como um gerente estressado e preocupado com a administração dessa grande instituição chamada humanidade. Às vezes ouço como alguns se relacionam com o Senhor e vejo como essa mentalidade é difunda. Tenho a impressão de que ainda hoje carregamos o entendimento que havia na época do Antigo Testamento, de que Deus é somente o temível Senhor dos Exércitos e não o Pai nosso, o Aba, o carinhoso e contente Espírito que é amor. No livro O Fim do Sofrimento, dediquei um capítulo inteiro para mostrar biblicamente que Deus sorri, que é um pessoa alegre; no entanto, tenho visto como essa percepção é rara. Por causa disso, muitos tentam imitar essa imagem soturna do Criador e acabam se tornando indivíduos tensos, densos, rígidos, pesados, sempre com uma nuvem negra sobre a cabeça. Assim, nos tornamos semeadores de dureza e tensão, em vez de propagadores de alegria e felicidade.
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Entenda que a seriedade de Deus e a alegria dele convivem. Ele não é um ou outro. Ele é ambos. O problema ocorre quando priorizamos um aspecto de sua pessoa em detrimento do outro. O teu Criador é alegre, meu irmão, minha irmã. Com efeito, vos tornastes imitadores nossos e do Senhor, tendo recebido a palavra, posto que em meio de muita tribulação, com alegria do Espírito Santo” (1Ts 1.6). Alegria do Espírito Santo, isto é, alegria que vem do ser divino. A alegria descrita em Neemias 8.10, que é a nossa força. Alegria que brota de Deus e flui para nós: Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria… ” (Gl 5.22). Alegria. Fruto do Espírito. Alegria. 
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Quando compreendemos que Deus é alegre e que seu fruto em nós é alegria, passamos a ver a alegria como padrão divino. Isso quer dizer que temos obrigação de ser alegres o tempo todo? Claro que não, afinal, Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu: […] tempo de chorar e tempo de rir; tempo de prantear e tempo de saltar de alegria” (Ec 3.1,4). Mas devemos lembrar que Com efeito, grandes coisas fez o SENHOR por nós; por isso, estamos alegres. […] Os que com lágrimas semeiam com júbilo ceifarão. Quem sai andando e chorando, enquanto semeia, voltará com júbilo, trazendo os seus feixes” (Sl 126.3,5-6)
alegria 2O mundo é um lugar triste. Vivemos em um ambiente cheio de dor, tristeza, doença, morte, decadência, corrupção. O mundo é um lugar estragado. Culpa de Deus? Não. Culpa nossa, pois deixamos o pecado entrar em nosso coração. Nós estragamos o mundo, eu e você. Deus criou o mundo como um lugar perfeito, o Éden era só alegria, mas com a transgressão tudo entristeceu, sombras cobriram a terra. Será que não deveríamos contribuir para devolver a esse ambiente um pouco daquilo que surrupiamos dele?
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Recentemente chorei. Assisti em curto espaço de tempo a alguns vídeos que sacudiram meu espírito. Num deles um homem dava dinheiro para um mendigo, que valorizou mais a presença do homem do que o dinheiro que recebeu. No outro, dançarinos iam a um hospital infantil e dançavam para as crianças, o que despertou muitos sorrisos entre os tristes e abatidos. Chorei porque vi aquilo e percebi quão pouco eu faço para levar alegria ao meu próximo.
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Falamos muito em doar dinheiro, dar roupas e calçados, entregar cestas básicas, fazer caridade material, entregar folhetos. Mas pouco ou nada lembramos de ofertar alegria ao próximo. E isso é um gigantesco desperdício de um aspecto da centelha divina que habita em nós. Façamos aquilo sem deixar de fazer isso.
alegria 4Quero desafiar você. Desafio você a se tornar um semeador de alegria. O que você pode fazer hoje para pôr um sorriso no rosto do próximo? Você seria capaz de, ao longo da próxima hora a partir do momento que ler este texto, fazer algo que venha a alegrar alguém? Você pensará como. Pode ser brincando com uma criança, consolando alguém abatido, contado piadas para quem está oprimido pela chateação do dia a dia, entregando comida ao faminto, dando um abraço em quem menos espera por um gesto de amor. Compartilhar alegria, aliás, é compartilhar amor. Portanto, ao alegrar um coração você estará amando o próximo e, assim, cumprindo  importante mandamento de Deus.
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Alegre alguém ao longo da próxima hora. Alguém conhecido ou desconhecido, não importa: pessoas que você não conhece carecem tanto de alegria quanto quem é íntimo. Depois, se você aceitar o desafio, eu agradeceria se contasse no espaço de comentário deste post em poucas palavras o que você fez, o que sua atitude gerou no coração do próximo e como isso fez você se sentir. E, ao experimentar a alegria de alegrar, que isso te incentive a continuar distribuindo alegria – a toda hora, a todo dia, constantemente. Hoje, 09/07/2015, este blog tem 3.166 assinantes. O desejo do meu coração seria ver 3.166 comentários relatando como cada um de vocês contribuiu para alegrar uma vida. E, se desejar convidar ou estimular alguém que você conhece a fazer o mesmo, seria lindo ver 6.332 comentários com testemunhos de gente que semeou alegria. E imagine se você e seu conhecido convidassem, cada um, mais uma pessoa a fazer o mesmo, seriam 12.664 pessoas que foram alegradas se simplesmente você levar duas pessoas e o seu convidado levar uma pessoa a distribuir alegria ao longo da próxima hora. E, se pensarmos grande, eu sugeriria que, se você desejar, encaminhe o e-mail com este desafio às pessoas que você conhece, independente da religião de cada uma, e estimule-as a fazer o mesmo. Meu Deus, imagine se cada um abraçasse esta ideia, que mundo mais sorridente ajudaríamos a construir!
alegria 3Jesus te chamou para amar. Para alegrar. Para reproduzir um pouco do Éden neste mundo frio e triste. O que embeleza o mundo, meu irmão, minha irmã, não é só o por do sol, a lua cheia, uma bela paisagem. O que mais embeleza o mundo são sorrisos. Semeie beleza. Semeie alegria. Semeie sorrisos. Semeie amor. Tenho certeza que você consegue. Ao fazer isso, dará a este mundo um pouco daquilo que nos espera na eternidade, onde Deus “lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram” (Ap 21.4). O que haverá? Alegria.
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Dissemine alegria. E você antecipará neste mundo um pouco do que nos espera no céu. 
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Paz a todos vocês que estão em Cristo,
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MarconeOito dias no fundo de um poço, com água acima da cintura, sem comer nada, sem dormir e sofrendo de crise de abstinência devido à ausência de álcool no organismo. Essa foi a luta pela qual passou o senhor Marcone, esse homem que estou abraçando na foto ao lado. Eu o conheci recentemente, quando estive em Campina Grande, na Paraíba, aonde fui pregar sobre os temas de meus dois livros mais recentes, O Fim do Sofrimento e Perdão total. Tive a oportunidade de ouvir sua história de vida numa viagem de carro de Campina Grande a João Pessoa, quando pegamos a estrada na companhia do querido pastor Marconni Cavalcanti, seu quase-xará. Aquele homem de 45 anos me contou, então, seu relato, do qual não me esquecerei.

Natural de uma pequena cidade do interior da Paraíba, Marcone passou mais de três décadas viciado em bebida alcoólica. Era cachaça de manhã à noite. Em consequência da dependência química, sua vida foi destruída, ele foi expulso de casa pela esposa e seus filhos não queriam mais saber dele. O alcoolismo o levou a tal ponto que chegou a ser ameaçado de morte pelo próprio sogro. Acabou se tornando um andarilho, que vagava por estradas e  matagais, dormia debaixo de pontes e se aquecia com folhas de papelão. O álcool chegou a afetar sua sanidade e ele passou a ouvir vozes e sofrer alucinações. Sua vida estava em ruínas e parecia que ele não tinha mais nada a perder. Até que, certo dia, durante uma de suas caminhadas sem destino pelo meio de um matagal deserto, Marcone, embriagado, despencou dentro de um poço profundo e sombrio. Longe de tudo e de todos, com água até acima da cintura, ele se viu preso e sem perspectiva de sair daquele buraco.

poço 1Foram oito longuíssimos dias. Não havia nada que pudesse comer. Tampouco era possível dormir, pois, sempre que começava a cochilar, ele afundava na água e despertava imediatamente. Seu corpo entrou num estado de dormência constante. A falta do álcool o levou a uma crise de abstinência que tornou o quadro ainda mais grave. Precisava fazer as necessidades fisiológicas dentro da mesma água em que estava imerso e só tinha dela para beber. Consegue imaginar a situação? O desespero, a impotência? Pois foi essa tortura agonizante que Marcone viveu por oito (oito!) dias, durante os quais tudo o que podia fazer era refletir sobre a própria vida.

No oitavo dia, dois homens que moravam em uma localidade próxima saíram para procurar uma ovelha perdida, que havia se desgarrado do rebanho. Eles se embrenharam no mato para tentar encontrar o animalzinho perdido. Quando Marcone ouviu a voz dos dois, começou a gritar com as poucas forças que lhe restavam, num desesperado pedido de socorro.

– Quando vi a cabeça daquele homem aparecer lá no alto, na abertura do poço, foi como se eu tivesse nascido de novo – contou-me ele, com sua voz grave.

poço 2Os dois homens conseguiram um fio comprido e, com o auxílio daquele tipo de corda, o puxaram para fora do poço. Dali, fraco e combalido, ele conseguiu se arrastar de volta à civilização. Tinha terminado seu longo suplício. Quinze dias depois, ele decidiu se internar num centro de recuperação, para tentar se livrar do alcoolismo. Foi ali que ele conheceu Jesus e encontrou forças suficientes para superar o vício. Hoje, Marcone já está dois anos sem pôr uma gota de álcool na boca. Com a ajuda dos pastores do centro de recuperação e da Igreja Cristã Nova Vida de Campina Grande, tem conseguido se reestruturar, retomou o contato com a mulher e os filhos (que não queriam nem pensar em voltar a falar com ele) e, aos poucos, tenta reconquistar a confiança dos parentes. Marcone tem trabalhado e conseguido ganhar o próprio dinheiro, que usa para se manter e para enviar alimentos à família. Também se reconciliou com o sogro. Pagou todas as dívidas pendentes em sua cidade de origem. Tem frequentado a igreja, onde ajuda na cantina. A verdade é que, depois daquele poço, sua vida começou a mudar drasticamente – e para muito melhor.

poço 3Todos nós temos um pouco de Marcone. Ninguém gosta de cair em poços, mas muitos de nós acabam em algum momento da vida no fundo de algum poço sombrio. Não um poço literal, como o que engoliu aquele paraibano de mãos calejadas, mas um poço construído por situações adversas da vida. Podem ser poços de sofrimento, dor, luto, abandono, doença, tristeza, depressão, perdas, ofensas, desemprego, escassez, falta de perdão, traições, incompreensão e tantos outros problemas que angustiam nossa alma, minam nossa esperança e fazem parecer que não temos como escapar.

É quando despencamos dentro de uma situação dessas que ficamos famintos de paz, parece que não conseguimos repousar e, quando o descanso parece ser possível, afundamos nas águas amargas e sujas de novas dificuldades. Como um alcoólatra em abstinência, temos alucinações e enxergamos saídas onde elas não existem, buscamos caminhos onde não há e vemos como possibilidades aquilo que na verdade não nos tirará do poço.

SupportÉ nessas horas que ouvimos uma voz. A voz de um pastor que sai em busca de suas ovelhas. Ele escuta nosso grito de socorro e, quando tudo parece perdido, parte em nosso auxílio. Se olhamos para os lados, tudo o que vemos são paredes escuras, que nos limitam e não apontam para nenhuma saída. Mas, se voltamos os olhos para cima, conseguimos vislumbrar o rosto do nosso Salvador. Ele nos lança um fio de esperança e nos puxa daquele local de trevas para a luz. Sem perceber, a transformação começou dentro daquele local de sofrimento.

Saímos combalidos e fracos desses poços de agonia, mas com forças suficientes para procurar auxílio junto a quem pode nos reaprumar e fortalecer. E, quando nos damos conta, percebemos que os momentos difíceis que enfrentamos no fundo daquele poço nos fortaleceu a ponto de conseguirmos mudar aspectos negativos de nós mesmos. Assim, nos aperfeiçoamos e ganhamos forças para empreender melhorias que, havia muitos anos, precisavam ser feitas.

Ao término de seu relato, perguntei a Marcone como ele se compara, hoje, ao homem que despencou naquele poço. Ele não titubeou:

– Não tem como comparar. Eu era um cabra ruim. Hoje sou bem melhor e sinto até nojo quando penso no que vivi antes.

Você está no poço da angústia, do sofrimento, da falta de esperança? Não consegue entender como Deus permite que passe pelo que está passando? Então sugiro que você pense nessas últimas palavras de Marcone e pode ser que consiga entender. Que Deus te dê forças para atravessar os momentos sombrios da vida, sabendo que, ao sair deles, você será uma pessoa muito mais madura, calejada, reflexiva e amoldada ao caráter de Jesus.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
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lingua 1“Se alguém supõe ser religioso, deixando de refrear a língua, antes, enganando o próprio coração, a sua religião é vã” (Tg 1.26). Esse é um dos versículos mais assombrosos e amedrontantes da Bíblia. Ele decreta: de nada adianta viver cumprindo os preceitos da fé cristã se você não é capaz de controlar o que fala e a forma como fala. Ir ao culto, cantar louvores, orar, ler a Palavra, pregar, chorar de joelhos, postar reflexões sobre a vida cristã na internet, escrever livros cristãos… se você não tem domínio sobre o que fala e como fala, tudo isso é absolutamente vão, ou, como bem define o dicionário, “vazio, oco, inútil, sem valor, ilusório, sem fundamento real, fútil, frívolo, falso, ineficaz”.

Controlar a língua não é um assunto secundário, coisa de fofoquinha entre vizinhas que ficam olhando a vida alheia. É um tema muito mais profundo do que simplesmente fofoca, como alguns, equivocadamente, pensam. Saber controlar o que se fala e como se fala é uma questão de caráter. De amor ao próximo. De respeito. É interessante que o versículo citado no início deste texto vem logo depois da afirmação: “Tornai-vos, pois, praticantes da palavra e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos” (Tg 1.22). Alguém dizer que pratica a Palavra sem controlar o que fala e como fala faz de si somente um enganador.  E é importante frisar que, em dias como os nossos, o “falar” aqui também deve ser entendido como “postar”, “tuitar”, “compartilhar”, “comentar”, “teclar” e por aí vai.

agressivo 1Saber controlar a língua diz respeito, por exemplo, a falar com o próximo com carinho e gentileza. Um cristão que, por exemplo, entra em debates ácidos  pelas redes sociais ou em qualquer outro âmbito sobre assuntos teológicos e faz isso sem refrear a língua, tecendo comentários sarcásticos, sendo agressivo, tratando o próximo a quem deveria amar com estupidez (mesmo o inimigo)… nada mais é do que alguém cuja religião é vã. Grave, não é? Mas bíblico. E isso, por mais que supostamente tenha boas intenções e queira agradar a Deus. Em meu entendimento bíblico, quem faz isso não agrada a Deus, agrada somente ao próprio ego. Religioso. Vão. 

É claro que sempre teremos uma “boa desculpa” para usar a língua de forma pecaminosa. Diremos que estamos ofendendo e ironizando quem discorda de nós em nome da apologética, porque, afinal, “antes importa  agradar a Deus que aos homens”. Diremos que abrimos segredos que nos contaram para que “pudessem orar por fulano”. Inventamos mil histórias que tentam justificar nossa incapacidade de reter a língua. Desculpas, somente. Religião vã. 

agressivo 2Tenho ficado abatido com a forma como vejo cristãos discordarem de cristãos. Tenho ficado assombrado com a forma como cristãos discordam de não cristãos. Atacam. Agridem. Desprezam. Ironizam. Tiago 3 é um capitulo arrasador sobre o assunto. Descreve a pessoa perfeita: “Se alguém não tropeça no falar, é perfeito varão, capaz de refrear também todo o corpo” (v. 2). A Palavra de Deus diz que com a língua “bendizemos ao Senhor e Pai; também, com ela, amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus” (v. 9). É exatamente o que vejo todos os dias entre os cristãos, embora Tiago seja claro: “Meus irmãos, não é conveniente que estas coisas sejam assim. Acaso, pode a fonte jorrar do mesmo lugar o que é doce e o que é amargoso?” (v. 10-11). E a nossa boca tem sido amarga demais. Demais.

agressivo 3Vejo frequentes debates entre certos “mestres da Palavra”, pastores, líderes, teólogos, blogueiros, vlogueiros, estudantes de teologia ou simples membros de igreja como eu e você serem recheados de espantoso descontrole da língua. E me abato quando comparo a arrogância teológica de muitos com o que diz a Bíblia: “Quem entre vós é sábio e inteligente? Mostre em mansidão de sabedoria, mediante condigno proceder, as suas obras. […]  Pois, onde há inveja e sentimento faccioso, aí há confusão e toda espécie de coisas ruins. A sabedoria, porém, lá do alto é, primeiramente, pura; depois, pacífica, indulgente, tratável, plena de misericórdia e de bons frutos, imparcial, sem fingimento. Ora, é em paz que se semeia o fruto da justiça, para os que promovem a paz” (Tg 3.13-18). É claro: biblicamente, sabedoria e inteligência precisam ser acompanhadas, impreterivelmente, por mansidão. Qualquer tipo de sabedoria que não tenha paz, que não seja pura; que não seja pacífica, que não seja indulgente, que não seja tratável, que não seja plena de misericórdia e de bons frutos, que não seja imparcial, que não seja sem fingimento… é demoníaca. Mesmo se for usada “em nome de Jesus”.

Vejo nas palavras e na forma de falar de muitos cristãos, “mestres”, “apologetas”… aquilo que a Bíblia diz que é ruim. Misericórdia zero. Paz zero. E isso cansa. A Igreja de Jesus Cristo em grande parte diz que defende Jesus Cristo. Mas, ao fazê-lo de forma bruta e odiosa, só defende egos e o que há de pior no gênero humano. E faz a sociedade não cristã nos enxergar não como pacificadores e filhos do Deus de amor, mas como figuras abjetas e detestáveis. Que não cumprem o mandamento bíblico: “O seu falar seja sempre agradável e temperado com sal, para que saibam como responder a cada um” (Cl 4.6).

gentilFica a sugestão (enfática): aprenda a refrear sua língua. Não imite o comportamento de quem não refreia, mesmo que sejam pastores, líderes, celebridades cristãs, gente famosa da internet ou o que for. Fuja de “mestres” que usam palavras com fúria, mesmo que seja em nome da fé. Não deixe que sua religião se torne vã. Amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio: se aquilo que você diz e a forma como diz não vêm encharcados dessas virtudes, está na hora de repensar seriamente tudo aquilo que fala e escreve. E, quem sabe, recomeçar do zero.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
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