Posts com Tag ‘Renovação da mente’

Um dos maiores erros que um cristão pode cometer é condicionar aquilo que faz ao que os outros fazem. Embora haja uma dimensão coletiva inerente ao cristianismo, a proposta do evangelho de Cristo é que cada um de nós faça a sua parte, individualmente, mesmo que o nosso próximo não faça. A Palavra se Deus é clara: “Assim, pois, cada um de nós dará contas de si mesmo a Deus” (Rm 14.12). Acredite: naquele grande dia, quando você estará diante de Deus a fim de prestar contas de cada ação que realizou e cada palavra que pronunciou, e ele lhe perguntar por que deixou de fazer o que esperava de você, a resposta “ah, porque fulano não fez a parte dele” não vai servir de desculpa. 

É inerente à natureza pecaminosa do ser humano tentar justificar seus erros jogando a culpa nas costas dos outros. Foi o que Adão fez, ao jogar a culpa do seu pecado sobre Eva, e foi o que Eva fez, ao jogar a culpa do seu pecado sobre a serpente. Quem erra é responsável pelo próprio erro, mesmo que o outro tenha errado antes.  Como minha mãe sempre me disse, “um erro não justifica outro”.

A mulher insubmissa tenta justificar sua insubmissão pelo fato de o marido não ser perfeito. O marido tirânico tenta justificar sua tirania pelo fato de a mulher não respeitá-lo. O pastor que devolve mal com mal tenta justificar sua maldade vingativa pelo fato de lhe terem feito mal. O arrogante tenta justificar sua arrogância pelo fato de conhecer pastores famosos que também são arrogantes. O destemperado tenta justificar suas explosões e brigas constantes pelo fato de conviver com gente agressiva. O apologeta ofensivo tenta justificar sua agressividade pelo fato de o herege ser herege. O sonegador tenta justificar a sonegação porque o governante é ladrão. O ladrão tenta justificar seu crime pelo fato de a sociedade não lhe ter dado oportunidades. A sociedade tenta justificar sua ideia de que “bandido bom é bandido morto” porque o bandido é bandido… E assim seguimos, numa lista interminável de tentativas de justificar posturas pecaminosas que simplesmente não justificam e só nos fazem acumular abismo sobre abismo. Para Deus, não cola, lamento informar. 

Deus espera que você faça a sua parte. E, isso, independente do que o outro faz ou fez. Se todos errarem, o Senhor espera que você acerte. E, se você não acertar, ele cobrará isso de você. Nessa hora, a explicação “ah, é que fulano também errou” simplesmente não o justificará diante de Deus. 

Meu irmão, minha irmã, em que área da sua vida você tem errado, usando como uma boa desculpa para o seu erro o erro de outra pessoa? Será que você tenta ficar bem com a própria consciência ou com Deus jogando a sua culpa na conta de alguém? Se faz isso, pode ter certeza de que essa desculpa só serve para alimentar seu pecado. Sua responsabilidade segue sendo sua e seu pecado será cobrado única e exclusivamente de você. Só de você. De mais ninguém. 

Faça um exame de consciência. Peça a Deus que lhe mostre em que você tem pecado constantemente sem arrependimento, lançando sobre ombros alheios a culpa que é só sua. Acredite: o que Deus espera não é que você se abata ou fique deprimido por essa percepção, mas que mude. Tome uma decisão. Renove a sua mente. Transforme seu procedimento. Pare de viver eternamente se justificando, dizendo “ah, é porque fulano fez isso”, “ah, é porque beltrano sempre faz aquilo”. Faça a sua parte, a despeito de os outros estarem fazendo a deles ou não. E, assim, mediante arrependimento, confissão e abandono do erro, você encontrará a paz com Deus. 

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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humildade 1Deus é humilde. Prova disso é que Jesus se apresentou como “manso e humilde de coração” (Mt 11.29) e, portanto, deixou claro que a humildade é um atributo divino. Quando a humanidade se rebelou contra o Senhor, no Éden, automaticamente tornou-se opositora de tudo o que tem a ver com ele, o que inclui, naturalmente, a humildade. Foi quando nós, gente falha e errante, passamos para o lado oposto e nos tornamos soberbos, altivos, arrogantes. Começamos a odiar tudo o que é santo e, mortos em nossos delitos e pecados, acreditamos que nossos talentos, qualidades, cargos e títulos são mérito pessoal nosso e, portanto, que somos dignos de louvor, elogios, honrarias e bajulações. A grande questão é que a humildade continua sendo um atributo desejado por Deus para todo ser humano, o que faz com que vivamos um conflito constante: nascemos  soberbos, gostamos de ser exaltados, mas precisamos ser humildes. E aí, o que fazer?

A única forma de conseguirmos essa transformação é pela renovação da mente (Rm 12.2), que vem mediante a entrega pessoal a Jesus e a consequente aproximação de Deus, a fim de que tenhamos em nós a natureza de Cristo. Pois só sendo como ele é conseguiremos viver a verdadeira humildade. 

humildade 2Só é humilde quem compreende que “Toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança” (Tg 1.17). Esse é o ponto de partida. Quando você entende pelo poder do Espírito que absolutamente tudo o que tem e é de bom não é mérito seu, mas é um presente de Deus, uma concessão do Criador, surge a compreensão de que não existe motivo para ser soberbo. Você é inteligente? Sua inteligência é um dom que Deus lhe deu. Você é talentoso? Seu talento é um dom que Deus lhe deu. Você é bonito? Sua beleza é um dom que Deus lhe deu. Você é culto? Sua cultura é um dom que Deus lhe deu. Você prega bem, canta de modo que encante as multidões, escreve que é uma beleza, é um excelente teólogo, vive recebendo elogios por suas palestras? Tudo isso é dom de Deus. O grande problema é que frequentemente nos esquecemos dessa realidade e passamos a acreditar que, sim, somos tudo o que falam de nós. A questão, meu irmão, minha irmã, é que, no dia em que começar a acreditar nisso, você terá assinado a sentença de morte da sua humildade. E, logo, de afastamento do Senhor. Viver em soberba e arrogância é viver em pecado. E isso é grave. 

Para você ter ideia de como a humildade é algo importante aos olhos de Deus, basta ver a enxurrada de passagens bíblicas que tratam do assunto, como: 

“Certamente, ele [Deus] escarnece dos escarnecedores, mas dá graça aos humildes” (Pv 3.34); 

“Em vindo a soberba, sobrevém a desonra, mas com os humildes está a sabedoria” (Pv 11.2); 

“A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito, a queda. Melhor é ser humilde de espírito com os humildes do que repartir o despojo com os soberbos” (Pv 16.18-19); 

“A soberba do homem o abaterá, mas o humilde de espírito obterá honra” (Pv 29.23);

“Melhor é ser humilde de espírito com os humildes do que repartir o despojo com os soberbos” (Pv 16.19); 

 “tu salvas o povo humilde, mas os olhos altivos, tu os abates” (Sl 18.27); 

“Bom e reto é o SENHOR, por isso, aponta o caminho aos pecadores. Guia os humildes na justiça e ensina aos mansos o seu caminho” (Sl 25.8-9); 

“Desde os céus fizeste ouvir o teu juízo; tremeu a terra e se aquietou ao levantar-se Deus para julgar e salvar todos os humildes da terra” (Sl 76.8-9); 

“O SENHOR é excelso, contudo, atenta para os humildes; os soberbos, ele os conhece de longe” (Sl 138.6); 

“Porque o SENHOR se agrada do seu povo e de salvação adorna os humildes” (Sl 149.4); 

“Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus” (Mt 5.3); 

“Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes” (Tg 4.6); 

“Finalmente, sede todos de igual ânimo, compadecidos, fraternalmente amigos, misericordiosos, humildes…” (1Pe 3.8); 

“… no trato de uns com os outros, cingi-vos todos de humildade, porque Deus resiste aos soberbos, contudo, aos humildes concede a sua graça. Humilhai-vos, portanto, sob a poderosa mão de Deus, para que ele, em tempo oportuno, vos exalte” (1Co 5.5); 

“Tende o mesmo sentimento uns para com os outros; em lugar de serdes orgulhosos, condescendei com o que é humilde; não sejais sábios aos vossos próprios olhos” (Rm 12.16).

À luz de todas essas passagens bíblicas, é inconcebível que um cristão não seja humilde. Mais ainda: fica claro que a falta de humildade é  pecado. Deus não tem parte com o soberbo, ele não suporta o arrogante e abomina a altivez. “Amem o Senhor, todos vocês que lhe são fiéis, pois o Senhor protege quem nele confia, mas castiga severamente o arrogante” (Sl 31.23). Se você é bem-sucedido em qualquer área de sua vida, se é excepcional em algo, se obteve fama e reconhecimento, se o seu nome se tornou conhecido… não cometa o erro de acreditar na mentira de que você é o tal. Pois não é. Você é apenas o portador de algo que lhe foi concedido por Deus – e que ele pode tirar de você se e quando quiser. 

Na jornada_ Capa em low resAo encarnar como um de nós, Jesus realizou o maior ato de humildade que alguém poderia. Para você visualizar uma pouquinho do que significou o Deus Criador encarnar na forma de servo, reproduzo um trecho sobre o nascimento de Cristo, de meu mais recente livro, Na jornada com Cristo (editora Mundo Cristão): “Esqueça o ambiente bonitinho e angelical que você costuma ver nos presépios ou nos filmes sobre o Natal. Você já visitou o estábulo de um hotel-fazenda? Já viu como é o local onde os cavalos e as vacas ficam abrigados? Se já teve essa experiência, puxe pela memória e tente se lembrar dos cheiros, dos insetos, do que havia pelo chão. Agora você começa a ter uma percepção real de como foram os primeiros momentos de vida daquele bebê, o início de sua jornada na terra. O ar que pela primeira vez entrou nos pulmões daquele recém-nascido foi o do interior de um estábulo. Sua maternidade não foi uma clínica limpinha, cheirosa e desinfetada, mas um ambiente insalubre que reunia uma mescla de odores de animais, de estrume e de urina. Quem sabe as moscas, que costumam infestar esses ambientes, tenham pousado nos bracinhos e no rosto do bebê, passeado por seus lábios, incomodado sua mãe. Carrapatos fatalmente andavam por ali. Talvez pulgas ou pombos, que muitas vezes se abrigam nas reentrâncias do teto. O recém-nascido tampouco foi deitado num bercinho fofo e cheio de bichinhos de pelúcia e móbiles. Sua primeira cama foi um cocho, um comedouro, objeto rústico e sem glamour em que vacas, cavalos, jumentos, bodes e outros animais deixam saliva e muco nasal ao mastigar o alimento. Sim, o bebê não foi deitado em um berço de ouro e cetim, mas, provavelmente, ficou cercado de baba de animais. Acredite, não é o tipo de local em que você gostaria de deitar seu filhinho após o nascimento” (pg.17-18)

humildade 3À luz dessa realidade enfrentada pelo nosso Senhor, dói meu coração ver cristãos arrogantes e soberbos. Dói muito. Pois confessam Cristo com os lábios mas não agem de acordo com sua confissão. São filhos de uma mãe chamada vaidade e de um pai chamado orgulho, que, juntos, geram pecado. Portanto, tais cristãos são mais filhos do pecado que filhos de Deus. Se você detectar traços de altivez neles, encoraje-os à humildade. Se persistirem no pecado, não os siga, não os imite, não divulgue o que falam, tampouco tenha parte com eles. Pois a falta de humildade é venenosa e pode vir a lhe contaminar. Muito cuidado. 

Que toda realização sua seja motivo de glórias para Deus, pois ele é quem a permitiu. Que os seus atributos, dons, talentos, qualidades, cargos, posições, títulos, diplomas, adjetivos e tudo o mais que o fazem se destacar sejam razão para você erguer o coração a Cristo, abrir os lábios para lhe atribuir a honra, e reconhecer  diante de todos que só a Deus pertence a glória. 

Seja humilde. Esforce-se para isso. Ao ser elogiado, atribua o mérito a quem tem mérito e reconheça-se como instrumento, como vaso de barro que contém um tesouro divino. Ao confessar que os louros são todos do Senhor, por meio de suas palavras e atitudes, estará dando um passo atrás na soberba e à frente na humildade. E, assim, creia, você estará muito mais perto de Deus. 

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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barrigaGostaria de refletir sobre um assunto altamente espiritual: minha barriga. Calma, não ria, é sério: pensando sobre minha barriga aprendi algumas coisas interessantes sobre nossa vida espiritual. Para você entender aonde meus pensamentos me levaram, primeiro preciso dizer que, até os 27 anos, eu fui magro. Mas muito magro. Imagine que eu tinha 1,80 metro e 55 quilos. E era uma magreza de origem genética, pois, por mais que eu tentasse engordar (e eu tentei), era inútil. Nada do que eu fizesse ou comesse alterava meu peso, que me acompanhou desde que terminou minha fase de crescimento até eu completar 27 anos.

Naturalmente, essa condição me proporcionava muitas vantagens. A principal delas é que eu não tinha limitações para comer: podia mandar para dentro de tudo e mais um pouco, que não engordava um grama sequer. Então eu cometia atrocidades, como ingerir uma lata inteira de leite condensado enquanto assistia a um filme, devorar um balde de pipoca doce sem drama de consciência, comer quanto quisesse nos rodízios de pizza… era uma vida livre de preocupações alimentares.

Mas aí chegou o dia em que meu DNA disse “é agora!”. Sem que me desse conta, minha barriga começou a crescer. Meu umbigo, que era uma bolinha estufada, desapareceu nas profundezas de um buraco que surgiu sabe-se lá de onde. E, assim, tudo mudou. Eu, que nunca me preocupara com balanças, passei a ir regularmente a uma farmácia para me pesar, assustado com essa realidade inédita. E foi quando comecei a perceber que, dependendo do que, a partir de então, eu comia, a barriga crescia ou diminuía.

Tive de comprar calças novas. Mudar o buraco do cinto. O terno que usava desde os 18 anos foi doado. Comecei a sentir uma dor na lombar que nunca sentira antes, fruto do peso extra que agora transportava na grande pochete abdominal. Tudo mudou. Tive de formatar minha mente e recalibrá-la para entender que não dava mais para comer como antes comia, nem viver como antes vivia. Essa nova realidade me forçou a transformar o modo como eu pensava e agia.

Falando desse modo parece fácil, não é? Mas não foi. 27 anos acostumado a comer do jeito que queria, o que queria, quantas vezes por dia quisesse e, de repente, se ver obrigado a mudar tudo. Foi duro. Minhas refeições, antes descontroladas, passaram a ser planejadas. Alimentos tiveram de ser repensados, bem como a quantidade e a frequência de sua ingestão.

Hoje, aos 43 anos e com 83 quilos, continuo com aquela barriga protuberante, que, se eu seguir os passos de meu pai e meus tios, vai ficar ali para sempre, me presenteando com um perfil hitchcockiano. Nesses 16 anos, imergi em uma nova realidade alimentar e é até difícil, hoje, pensar em como era viver do jeito que vivi por 27 anos. Somou-se à protuberante barriga uma taxa nada simpática de colesterol, de origem genética, e o resultado teve de ser uma total renovação na minha maneira de me relacionar com a comida. Mudei. E é um caminho sem volta.

A conversão nos leva a algo parecido. Ser chamado por Cristo das trevas para a luz muda tudo. Mas, ao contrário do que muitos pregam, não é uma mudança que ocorra sem esforço. Vivemos por muitos anos de modo descontrolado e, de um dia para outro, somos obrigados a repensar toda a nossa existência. Práticas pecaminosas têm de ser abandonadas. Passamos a nos pesar diariamente em uma balança chamada “Palavra de Deus”, que denuncia quando saímos do rumo. O novo nascimento nos leva a isto: uma total renovação da mente e do coração.

Pecados que antes eram práticas naturais ao homem perdido precisam ser avaliados e deixados de lado. A maneira de nos relacionarmos conosco e com o próximo necessariamente se transformam. Precisamos pensar não mais por nossa conta, mas segundo a mente de Cristo. É metanoia, a transformação da mente e do coração.

Se você foi chamado por Cristo para a salvação por meio de sua graça, é preciso reavaliar tudo. Amizades, atividades, gostos, práticas, preferências… é uma lista extensa. O novo nascimento, como é um fenômeno sobrenatural, muda instantaneamente muito de nós, de um jeito que nem entendemos. Mas não há como fugir desta realidade: muitas inclinações ao que foi pensado e praticado por muitos anos permanecem, como um eco indesejado que se propaga mesmo depois de o grito ter cessado. E só conseguimos vencer essas inclinações mediante a renovação da mente e do coração.

A boa notícia: é possível. A má notícia: muitas vezes não será fácil. Eu, hoje, não tomo mais uma lata inteira de leite condensado de uma vez só, mas, às vezes, dá uma vontade! Olho para a pizza salivando, mas me restrinjo a uma pequena quantidade – e de vez em quando. Não dá para ser como antes, pois as coisas mudaram. Na vida espiritual é a mesma coisa: hoje não é mais você quem vive, mas Cristo vive em você. Você não tem mais como senhor o príncipe deste século, mas o Príncipe da paz. Você não é mais escravo do pecado, mas habitação do Espírito Santo. Sua condição mudou; portanto, suas ações precisam mudar.

Eu sei que você quer fazer o bem, mas o mal ainda reside em ti. Porque, no tocante ao homem interior, tem prazer na lei de Deus; mas vê, nos seus membros, outra lei que, guerreando contra a lei da sua mente, te faz prisioneiro da lei do pecado que está nos seus membros (Rm 7.21-23). Por isso, é preciso se reinventar, se repensar e lutar para abandonar as antigas praticas e as inclinações que seguem o eco da natureza carnal.

Quando eu tinha 55 quilos, comia tudo o que queria. Mas minha aparência era a de um homem doente, seco, esquelético. Hoje, com 83 quilos, tenho de abrir mão de prazeres que antes tinha, mas meu aspecto é muito mais saudável. O homem sem Deus é um cadáver ambulante; o homem com Deus é a vida eterna sobre duas pernas. Acredite: vale a pena qualquer esforço por isso. E você? O que ainda precisa mudar?

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Mauricio Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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volta 1Sim, cristão volta atrás. Eu diria mais: se não volta atrás, não é cristão, pois nossa fé pressupõe que vivamos constantemente examinando a nós mesmos, reconstruindo quem somos, refazendo nossas crenças, reavaliando nossas práticas, abandonando pecados, renovando nossa mente. Ser cristão pressupõe uma mutação constante e por uma razão básica: nossa meta enquanto estamos neste mundo é nos conformar à imagem de Cristo. Bem, eu ainda estou bem longe de ter uma imagem perfeita do puro e santo Cristo em mim, portanto preciso continuar me transformando e me deixando transformar pelo Espírito Santo, para que termine a carreira sabendo que o bom combate foi combatido da forma mais parecida possível com a que Jesus combateria. Ou seja: se o Mestre foi amoroso, devo viver estendendo graça; se o Cordeiro foi abnegado, preciso caminhar em humildade; se o Rei amou o próximo, devo ajudar meu semelhante; se o Todo-poderoso perdoou, quem sou eu para não fazer o mesmo? E por aí vai. Então, sim, preciso mudar a cada dia, numa tentativa de ser transformado ao máximo possível em quem Deus quer que eu seja.

Um dos lemas dos reformadores, aliás, é “Igreja reformada, sempre se reformando” (Ecclesia reformata, semper reformanda). Vemos, então, que tanto nos escritos paulinos (Rm 12.2) quanto nos pressupostos da Reforma Protestante, as mudanças de curso são uma constante. Com isso, jamais devemos ver o reexame de antigas crenças e práticas como um erro, mas sim como uma possibilidade desejável (desde que, claro, a mudança seja para melhor). A querida irmã Elis Amâncio postou há alguns dias no facebook uma frase atribuída a Juscelino Kubitschek em que ele diz: “Costumo voltar atrás, sim. Não tenho compromisso com o erro”. Gostei disso e essa afirmação casou com uma decisão que tive de tomar recentemente.

dubaNão é segredo para quem me acompanha pelo APENAS que sou um crítico do mau uso das redes sociais, já expressei isso claramente aqui no blog. E falo por experiência, pois eu mesmo já errei muito no uso dessas ferramentas, a ponto de prejudicar a mim e outras pessoas. Aprendi a lição. Pois bem: há algumas semanas fui convidado para pregar no congresso de uma igreja e o tema de minha ministração foi Os perigos da internet. No processo de preparação dessa mensagem, refleti muito sobre o assunto, conversei com muitas pessoas e preciso reconhecer que tive de reavaliar algumas posições quanto ao uso de ferramentas como o facebook, por exemplo, contra as quais estive refratário por muito tempo. Em alguns pontos, quero deixar claro que mantenho as mesmas ideias de antes: continuo não gostando de quando o contato virtual substitui o pessoal; sigo achando triste dar parabéns por, por exemplo, um aniversário “curtindo” um post em vez de telefonar para o aniversariante ou visitá-lo; preservo minha convicção de que a exposição da vida privada pela web é um enorme problema; continuo vendo muita gente se manifestando com agressividade e ódio pelo ambiente virtual (as reações às últimas eleições que o digam); e, acima de tudo, ainda considero que as redes sociais abrigam uma quantidade gigantesca de conteúdo irrelevante e, até mesmo, nocivo, que toma demais o tempo de quem não as usa com critério e não produz nenhum tipo de benefício. Em resumo: sim, ainda acredito que o mau uso da internet pode causar enormes problemas.

Perdao total_pilhaDito isso, preciso dar a mão à palmatória, pois, após muito refletir e me aconselhar, reconheço que há formas positivas de usar as redes sociais, desde que de forma refletida, cautelosa e comedida. Eu já vinha ponderando sobre isso há algum tempo e conversando com pessoas equilibradas que fazem um uso bastante saudável de suas mídias sociais. Comecei, então, a observar as redes sociais com um olhar mais atento. A gota d’água foi quando, no início de outubro, com o lançamento do meu livro “Perdão Total – Um livro para quem não se perdoa e para quem não consegue perdoar“, conversando com profissionais da editora Mundo Cristão, fui convencido a criar uma página no facebook que permitisse transmitir informações sobre a obra e sobre minha atuação como escritor. Confesso que, ainda um pouco ressabiado, concordei e a criei, mas mediante a condição que me autoimpus de que fosse um espaço de fato em que eu pudesse edificar vidas e não apenas “fazer divulgação”. Planejei-me para usá-la de modo que eu ficasse o menor tempo possível logado e que seu uso não atrapalhasse meu trabalho e, principalmente, o tempo com minha esposa e minha filha – pois minha família foi a maior prejudicada pelo meu mau uso da internet no passado e não quero repetir o erro. E preciso reconhecer que tem dado frutos. A conclusão de tudo isso é que, se usamos as redes sociais com equilíbrio, planejamento e priorizando o que tem de ser priorizado (como o contato humano; o consumo do que é relevante; e a dedicação de tempo e atenção à família), ela pode ser algo que soma e não que subtrai.

Assim, há alguns dias pus no ar um perfil de facebook que tenho usado exclusivamente para falar como escritor e como cristão. Em outras palavras: eu voltei atrás, porém com uma enorme ressalva: desta vez consciente de que preciso usar essa rede social de modo extremamente diferente do que da primeira vez. Sem dúvida alguma o APENAS continua sendo meu espaço preferido, pois é aqui que desenvolvo pensamentos mais profundos e complexos, aos quais me dedico com mais reflexão – como prefiro. Lá o que tenho compartilhado são informações sobre o processo de escrever, projetos nos quais trabalho e, naturalmente, pensamentos e reflexões bíblicas. Será um espaço mais informativo do que reflexivo. Se você desejar, basta entrar em facebook.com/mauriciozagariescritor e “curtir” a página, para passar a acompanhar as postagens. Já está no ar.

volta 3Essa mudança me fez pensar muito sobre o processo de voltar atrás à luz da Bíblia. Minha conclusão é que, se precisamos retroceder, devemos usar a maturidade e a experiência que adquirimos para agir com mais equilíbrio e de modo mais aperfeiçoado – e, por que não dizer, mais santo. Não cometer os erros do passado. Não prejudicar ninguém. Buscar informações que nos ajudem a ser melhores naquilo. Enxerguei isso, por exemplo, na história de Moisés. Certamente, ele partiu do Egito sem a intenção de voltar, mas, quando Deus o mandou retornar para libertar seu povo, ele era um homem mais maduro, sofrido, amassado pela vida e pelos erros do passado. Foi preciso Moisés passar 40 anos cuidando de ovelhas para voltar atrás – dessa vez, como alguém diferente. Também penso em José, o filhinho de papai que dedurava os irmãos. Foi necessário que ele passasse pela escravidão e pela prisão para que estivesse habilitado a voltar atrás e, com isso, retomar o contato com seu povo e sua família e cumprir os propósitos de Deus. Também Pedro, que, após trair Jesus, achou que voltaria a ser um pescador mas teve de voltar atrás quando Jesus o chamou para apascentar as suas ovelhas.

São muitos os exemplos bíblicos de personagens que voltaram atrás. Em comum entre eles, o que vejo é que as pessoas tiveram de passar um tempo sofrido e reflexivo em atividades ou situações diferentes, amadurecendo, crescendo, se santificando, se arrependendo, se perdoando e passando por muitos outros processos para poder retornar ao que faziam antes. Comigo não foi diferente.

cruzE na sua vida? Você teve de passar por algum período de provações, foi removido de algo, deixou alguma atividade, precisou se reavaliar e se reexaminar para, depois reassumir? Está passando por isso agora? Tem decisões a tomar? Então fique atento aos sinais de Deus. Dedique-se à oração e ao estudo das Escrituras, para que o Senhor mostre a você se, no seu caso específico, será preciso voltar atrás ou prosseguir sem jamais retroceder. Esteja aberto à voz de Cristo, pois as ovelhas conhecem a voz do bom pastor – e a doce e suave voz do Cordeiro te guiará. E, sempre, que a glória da segunda casa seja maior do que a da primeira, para que, naquilo em que você precisa se reavaliar, o caminho te conduza mais para perto de Jesus, em santidade, propósito e missão. Se voltar atrás vai te afastar de Cristo ou dos planos dele para a sua vida, meu irmão, minha irmã, o melhor é continuar onde você está ou seguir um rumo diferente. Mas, se vai edificar a Igreja e abençoar o corpo de Cristo, faça o que Deus manda, saia da zona de conforto carregando consigo todo o amadurecimento na bagagem e volte ao início. E que o Senhor te abençoe.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari

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Habito1Nunca dei muita atenção a algo a que uma grande quantidade de pessoas dedica boa parte de suas preocupações: a cor da pele. No Rio de Janeiro, em especial no verão é bem comum ver muita gente em busca daquela corzinha bronzeada. Para obter esse resultado estético vale tudo: bronzeamento artificial, bronzeamento por spray e, em especial, horas e horas sob o sol na praia ou na piscina. Para mim, no entanto, nada disso nunca fez parte das minhas preocupações. Esse desinteresse me garante um constante tom de pele alvo-mais-que-a-neve. E confesso que em minhas idas à praia uso um filtro solar fator 98 (sim, isso existe), para me livrar da ardência do sol. Consequentemente, sempre que pego um solzinho continuo com a mesma cor de leite de antes. Nas minhas últimas férias, porém, como relatei no último post do APENAS passei quase vinte dias indo diariamente à praia. E aí não há filtro solar que resolva: você acaba com a pele muito, mas muito mais morena do que antes. Só que isso traz também outro resultado: você descasca. Se você já passou por isso, sabe que seu braço pode ficar todo escamoso, com pelezinhas que se soltarão ao longo de alguns dias. Observando meus braços descascados ao final da minha temporada sob o sol, acabei sendo levado a uma reflexão sobre a importância da mudança de hábitos.

Quando o sol queima nossa pele, o que ocorre é que a camada superior de células literalmente morre. Com isso, ficamos com milhões e milhões de células inúteis presas ao nosso corpo. Curiosamente, antes de morrer, esse tecido foi encharcado por uma enorme quantidade de melanina, o pigmento que nosso organismo produz como uma barreira contra os raios ultravioletas do sol e que é justamente o que nos confere aquele tom bronzeado. Assim, se essa pele morta e dourada permanecesse em nós, teria apenas função estética, uma vez que suas atribuições funcionais estariam todas perdidas. E, cá entre nós, nosso corpo não está muito preocupado com nossa estética, por isso procura se livrar o mais rápido possível daquele material morto. O resultado é a decepção que experimentamos quando vemos nosso lindo bronzeado de praia se perder a cada pedaço de pele que descola.

Esse simples fenômeno da natureza nos remete a uma grande lei do cosmos: a necessidade de renovação. Tudo o que morre ou torna-se inútil precisa ser renovado, transformado, reciclado. Isso ocorre com tudo no universo: animais morrem e são decompostos, plantas morrem e viram adubo, dinossauros morreram e viraram petróleo, energia elétrica se transforma em luz e calor, gás carbônico vira oxigênio… enfim, tudo chega a um fim e se torna algo novo. Espiritualmente a coisa não é diferente.

Paulo escreveu: “E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Rm 12.2). Esse simples versículo tem muito a nos ensinar. Primeiro: a renovação da nossa mente ocorre a partir do inconformismo: “…não vos conformeis…”. Se nos acomodamos e ficamos confortáveis onde estamos e com o que estamos fazendo e não nos questionamos acerca daquilo que nos cerca, não experimentaremos a vontade divina. Segundo: essa renovação acontece a partir de uma iniciativa nossa, como o apóstolo diz, “transformai-vos”, ou seja, “ajam no sentido de promover mudança em vocês mesmos”. Assim, vemos que temos de sair do conforto e agir para mudar.

Nossa mente é muito ligada a aquilo que é um hábito em nossa vida. Hábitos nos trazem conforto, paz, tranquilidade. Rotinas nos dão segurança. Elas não nos desafiam, não geram instabilidade, não exigem esforço. Por isso, mudar um hábito é uma das tarefas mais difíceis que há. É raro encontrar alguém que goste de mudar uma prática que já se consolidou, que faz parte do dia a dia, que nos obriga a reformular, repensar, renovar.

Habito3Por exemplo: você está acostumado a seguir para o trabalho, a escola ou a faculdade sempre pelo mesmo itinerário. Num certo dia descobre que a prefeitura mudou a mão de várias ruas e interditou outras, o que te obriga a mudar totalmente sua forma de chegar ao destino. Confesse: isso te incomoda ou não? Na realidade, não haveria nenhum mal nisso, mas você é obrigado a reconstruir algo que já estava solidificado, estabelecido… e isso traz desconforto. Vamos supor outra situação: você está acostumado a certa estrutura na igreja, gosta dos pastores e da forma como as coisas acontecem e tudo segue na mais calma paz. Em certo domingo, recebe a informação que os pastores vão mudar e vai haver alterações na liturgia, no estilo de louvores, nas lideranças dos departamentos e por aí vai. Se você já viveu isso sabe que fica sempre atrás da orelha aquela pulga cochichando “poxa, estava tudo tão bom, por que tinha de mudar?”. Na verdade, o que te incomoda é a alteração de hábitos que, juntos, tornavam a situação confortável.

Sim, ninguém gosta de mudar aquilo a que já está habituado. O problema é que, muitas vezes, nossos hábitos se tornam como células mortas na pele e, se não forem descartados e trocados por outros, vamos sofrer as consequências. Por isso, precisamos constantemente buscar a renovação. E isso segue um caminho, em geral, parecido: primeiro, devemos nos examinar, pondo nossos hábitos sob a luz das Escrituras. Se percebermos que algo precisa mudar, não dá para nos acomodarmos: temos de nos inconformar.  E, mediante o inconformismo, é preciso agir no sentido de promover de fato a transformação.

Habito2Quais são as células mortas da sua vida? Você está preso a antigos hábitos sexuais pecaminosos? Pois isso é pele podre agarrada a sua alma, é preciso se inconformar e mudar. Ou será que ainda vive na prática do “jeitinho”, arrumando modos de sonegar impostos ou escorregando umas propinas de vez em quando? Enquanto não perceber que isso são células apodrecidas presas a você, viverá debaixo de podridão espiritual. De repente você não tem questões na área sexual nem pratica corrupção, mas ainda não conseguiu se livrar do hábito de falar mal dos outros. Pele morta. Talvez você seja um marido abusivo ou uma esposa insubmissa. Pele morta. Vai ver ainda não conseguiu se livrar de certas formas de entretenimento que ferem a sua santidade. Pele morta.  Pode ser que faça articulações dentro da igreja para obter poder pessoal. Pele morta. Ou, então, a sua vaidade siga tão pomposa e pecaminosa como antigamente. Pele morta. Pode ser que seu espírito continue tão altivo como quando estava no mundo. Pele morta. Há ainda a chance de seu amor pelo dinheiro alimentar uma ganância que não coaduna com o padrão bíblico. Pele morta. Será que seu temperamento segue tão explosivo como antes? Pele morta. É possível que pratique o favorecimento de pessoas próximas a você por interesse. Pele morta.

E por aí vai…

Há muitos e muitos hábitos que as pessoas trazem do mundo e que permanecem após a conversão. Ou mesmo cristãos de berço que adquiriram hábitos perniciosos que não conseguiram abandonar. Mascarados por justificativas como “não tem nada de mais”, “sou autêntico”, “não consigo deixar”, “é mais forte do que eu”, “sempre foi feito dessa forma” e tantas outras, esses hábitos permanecem na sua vida, agarrados de forma tóxica a sua alma, mortos e apodrecidos. Você, conformado, não consegue ou nem mesmo tenta se livrar deles. E, por isso, eles ali ficam, enchendo sua vida de decrepitude espiritual.

Você não pode se conformar com esses velhos hábitos, meu irmão, minha irmã. Seja sincero diante de Deus. Se vê que ainda há hábitos que pratica mas que configuram pele morta, mude. Aja. Parta para a ação. Você consegue – pois, antes que você queira a renovação, Deus já queria. E, se ele quer, ele vai te ajudar, fortalecer, capacitar. Que hábito em sua vida é pele espiritualmente morta? Se você sabe, não se conforme. A hora de mudar é já.

Ah, a propósito: meus braços ficaram com aquele descascado feio por alguns dias. Mas, assim que toda a pele morta se soltou e caiu, uma pele nova nasceu por baixo. Não tão morena. Não tão na moda. Mas incomparavelmente mais saudável.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

Eu3Poucas emoções no mundo se comparam a um salto de paraquedas. Essa experiência, aliás, não é apenas emocionante: é absolutamente transformadora. Se você nunca saltou antes, fica a recomendação: não perca tempo, salte! Por 350 reais você pode viver um dos mais revolucionários  eventos que um ser humano tem a possibilidade de experimentar. E, por uma série de razões, o salto é capaz de lhe dar insights muito profundos sobre a sua vida de fé. Hoje, por mais estranho que isso talvez soe, acredito até que o salto de paraquedas pode se tornar uma disciplina espiritual que vai te conduzir a reflexões extremamente válidas para sua caminhada com Cristo. Permita-me contextualizar o cenário, para você entender onde seu coração e sua razão estarão durante um salto do gênero. No Rio de Janeiro, o salto duplo é feito de uma altura de dez mil pés, cerca de 3,5 quilômetros acima do solo. Você despenca no vazio e, por 12 segundos, seu corpo acelera, até se estabilizar a uma velocidade de 200 quilômetros por hora. Depois seguem-se 45 segundos de queda livre. E que 45 segundos! Duram uma eternidade. Finalmente, a cerca de 1,5 quilômetro do chão, o paraquedas se abre. Desse momento em diante, você plana a 30 quilômetros por hora. Ao todo, do instante em que sai do avião até tocar o solo, o salto dura de 5 a 7 minutos. Se você não acha muito, experimente e verá o quanto sua mente funcionará nesse curto espaço de tempo. E por muito tempo depois.

A primeira coisa que você exercita ao saltar de paraquedas é a sua fé. Sua vida está toda depositada em um pedaço de lona conectada a alguns cabos. Um gancho mal posto pode resultar em morte. Se você conseguir elaborar uma reflexão aprofundada o suficiente a partir dessa experiência, verá a loucura que é o fato de entregar sua vida em confiança àqueles pedaços de tecido e, ao mesmo tempo, não depositar toda a sua fé no Deus criador do universo. Alguém poderia dizer que pelo menos o paraquedas é algo visível, palpável. Acredite: quando ele está dentro da mochila não há nada de visível. Te dizem que ele está ali é que tudo está certo, mas… quem sabe? Quem garante? Logo, ter fé para saltar de paraquedas mas demonstrar falta de fé em Deus é uma incongruência. Se sua fé é pouca, aceite a sugestão: faça no meio de um salto a sua oração a Deus pedindo que lhe acrescente fé. Depois me conta o que aconteceu.

Outro aspecto é o da comunhão. Se você não está fazendo um curso de paraquedismo, mas apenas um salto duplo, verá a importância do instrutor. Sem aquele cara a quem ficará enganchado durante toda a experiência, você percebe que as coisas seriam muito mais difíceis e problemáticas. A sensação de segurança que aquela pessoa vai te passar é indispensável para você ter coragem de dar o passo no vazio. Na última hora, você quer desistir e, adivinha quem te dá a força, a coragem e a confiança suficientes para se lançar do avião? O instrutor. O seu próximo. Saltar de paraquedas ensina muito sobre a importância de viver a fé em comunhão e em comunidade. Ali você vê nitidamente como a coletividade é essencial para o fortalecimento, o encorajamento mútuo, a edificação. Para seguir em frente.

Saltar de paraquedas também é um exercício magnífico para a renovação da mente. Não consigo pensar em nenhuma outra experiência humana que faça você ver as coisas de uma perspectiva totalmente diferente daquela a que sempre esteve acostumado como essa. O ser humano não foi feito para voar. Tampouco para se jogar no vazio a mais de três quilômetros de altura, contrariando tudo o que seu instinto de sobrevivência determina. É um tipo de suicídio, se parar para pensar. E, para conseguir se atirar, você terá de se dispor a ir contra tudo o que é óbvio e intrínseco a sua natureza e ao instinto de autopreservação.

O salto de paraquedas também instiga uma profunda reflexão sobre a resistência ao pecado. E, pode parecer estranho, mas saltar te fortalece contra ele. Se você está vivendo uma fase de sua vida em que enfrenta uma tentação fortíssima, à qual acha que vai sucumbir, pegue o primeiro avião que passar pela frente. Entenda: a vontade de ceder à tentação é uma força descomunal da natureza, um impulso aparentemente incontrolável, algo que vem conosco de fábrica e que move todas as fibras de nosso ser em direção ao pecado. Do mesmo modo, a vontade de não arriscar sua vida jogando-se de uma aeronave rumo ao nada domina todo o ser de quem está naquele aviãozinho, prestes a se lançar porta afora. Se você consegue exercer domínio próprio suficiente a ponto de contrariar tudo o que seu ser te diz para fazer… você é capaz de dominar a tentação. Seu eu diz “fica, não salta”, mas você se domina e vai em frente. Seu eu diz “vai, peca”, mas você se domina e não vai em frente. Se alguém me diz que teve forças para saltar de 3,5 quilômetros de altura a 200 quilômetros por hora mas não teve forças para resistir ao impulso de ver pornografia na internet, por exemplo, eu não acreditaria. Se você saltou de paraquedas, eu garanto: tem domínio próprio suficiente para se controlar ante as tentações. E, claro, há o fator presença de Deus. Pois, se você tem todo esse domínio próprio e o Espírito Santo habita em ti, as forças para resistir estão todas aí dentro, basta trazê-las à tona.

Eu6A humildade é outra virtude que o salto de paraquedas traz ao coração. Quando você vê aquela cidade enorme em que vive lá embaixo, pequenininha, uma mancha espalhada entre o mar e a montanha, percebe o quanto não somos nada. Frágeis. Pó. Mais ainda: quando você se põe em perspectiva diante do gigantismo deste mundo em que vivemos, passa a ter a rara e nítida percepção de quão insignificante é o ser humano. Acredite: saltos de paraquedas humilham qualquer soberbo. Se você conhece um homem arrogante, peça a Deus que ele decida dar um salto – e ore para que ele seja alcançado por essa percepção.

O salto de paraquedas também é uma ocasião de louvor e adoração. Quando você está em um avião e olha para toda a grandeza da criação, o coração dispara em reconhecimento à grandiosidade do Criador. Estar junto às nuvens, ver o mar lá do alto, vislumbrar as montanhas ao longe… que espetacular oportunidade de apreciar, de um ponto de vista único, a beleza da obra de arte do grande Artesão. Já perdi a conta de quantas vezes voei de avião, mas até hoje me deslumbro com a vista lá de cima, não sou nada blasé quando voo. Não foram poucas as vezes em que tive de esconder olhos molhados de emoção dos outros passageiros ao fazer um simples voo Rio-São Paulo, por exemplo. Simplesmente porque a obra das mãos do Senhor é linda de morrer.

OraçãoNão há duvidas de que saltar de paraquedas é uma experiência capaz de nos levar à transcendência e a um religare com Deus como poucas outras. Se você puder, salte – eu recomendo. Mas sabe… fiquei pensando em algo. Bem-aventurado é o homem que consegue viver o fortalecimento da fé, a valorização da comunhão, a renovação da mente, o fortalecimento contra o pecado, o senso de humildade e o louvor e a adoração do Senhor sem precisar subir a quilômetros de altura. Minha oração hoje é que todos nós consigamos dar esse salto, todos os dias, entre as quatro paredes de nosso quarto. Pois nem todos podem saltar de paraquedas, mas qualquer um pode ter uma Bíblia. Nem todos têm como entrar em um avião, mas todos temos a possibilidade de dobrar os joelhos em oração. E, na intimidade desenvolvida pelo estudo das Escrituras e o hábito de falar com Deus, está toda a emoção, a razão e a ação de que você precisa para viver a sua fé em plenitude.

Busque ao Senhor no silêncio do seu quarto. É o mais empolgante, transformador e radical salto que você pode dar em toda a sua vida de fé.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

Alem1Você quer evoluir na sua espiritualidade? Quer crescer em intimidade com Deus? Quer aprender mais da Palavra? Se você é um bom cristão, provavelmente respondeu sim a todas essas perguntas. Mas será que existe algo que te limite nesse sentido? Algo que te faça achar que não vai conseguir? Ou, de repente, será que você está satisfeito e confortável com sua atual posição espiritual e não vê necessidade de galgar novos patamares? Te convido a refletir sobre isso.

Paulo escreveu em Romanos 12.2 que é condição para experimentarmos a boa, perfeita e agradável vontade de Deus que passemos por um processo de renovação da mente. Renovar significa tornar algo novo… de novo. Ou seja, para conhecermos o coração de Deus precisamos pegar o que já era novo e fazer novo novamente. Interessante pensar nisso.

É importante refletir sobre essa questão porque existe uma ideia equivocada entre nós. Achamos que, uma vez que tudo se fez novo na conversão, nunca mais é preciso mudar nada. Está feito. Conversão ocorrida, aprendemos os conceitos cristãos e pronto. Agora é só se agarrar ao que nos ensinaram, carregar esse vinho velho nas costas até a hora da nossa morte e tudo está bem. Só que, na verdade, não está. Romanos 12.2 que o diga.

Alem3A caminhada no evangelho pressupõe uma constante reavaliação de crenças, valores, conceitos, ideias. É a Igreja reformada sempre reformando – e a Igreja somos eu e você. A maior parte do que você aprende no seu primeiro ano pós-conversão descobrirá depois que eram introduções, verdades parciais ou mesmo erros. Era leitinho, alimento para quem dá os primeiros passos. A maturidade espiritual clareia muito essa percepção e muda tudo. Só que existe uma ideia que emperra a evolução de muita gente: a de que certas coisas não devem mudar ou não devemos aprender nada novo. Já ouvi frases como “não podemos pregar que passagens como Marcos 16 ou o trecho da mulher adúltera de João 8 não estão em muitos dos manuscritos originais da Bíblia, porque o povo não entenderia”. Bobagem. Tudo o que é bem explicado e vem para edificação pode ser compreendido – e, logo, deve ser ensinado. Temos de ensinar a verdade, na certeza de que absolutamente todos podem aprender, se desenvolver, crescer, mudar do leite para a comida espiritual sólida.

Recentemente tive uma experiência que mostrou com muita clareza o quanto subestimamos as pessoas. Gosto muito de ópera. Ouço óperas com muita frequência. Uma certa pessoa de meu círculo de relacionamentos desde que a conheço só ouvia músicas bem bobinhas, simples, para não dizer infantis. Eu a achava incapaz se gostar de algo mais profundo e elaborado. Alem4Semana passada eu estava junto com essa pessoa e resolvi assistir no computador à opereta “I Pagliacci”, de Rugero Leoncavallo. Achei que ela não fosse dar a mínima, ou mesmo reclamar. Para minha surpresa, essa conhecida fixou os olhos na tela e começou a prestar muita atenção. Passou a fazer montes de perguntas sobre a história, os personagens, a música. Fiquei empolgado. Nunca imaginei que ela pudesse gostar daquilo. Perguntei se estava apreciando. Disse que sim. Então propus que víssemos algumas partes da minha ópera favorita: “Carmen”, de Georges Bizet. Ela assentiu. Assistimos juntos a muitos trechos. O ápice foi quando, para meu assombro, chegou a ária “La fleur que tu m’avais jetté”, cantada pelo excelente tenor Jonas Kaufmann (o vídeo da ária está ao final deste post). Fiquei de queixo caído ao perceber que ela visivelmente se emocionou e, ante meu olhar estupefato, disse:

– Gostei. Quero ouvir de novo, papai.

Sim, essa pessoa era minha filhinha de 2 anos. E eu, que só dava “Patati Patatá”, “Homenzinho torto” e “Galinha Pintadinha” para ela ouvir… descobri que ela é capaz de apreciar ópera. E, creia: por quase duas horas ela ficou sentada no meu colo, sorvendo o que há de melhor nessa arte tão bela e sensível. Eu explicava tudo, o que era a orquestra, o som de cada instrumento, os cenários, a trama, técnicas vocais, o que é canto lírico… enfim, expliquei muito para alguém que eu achava que não entenderia nada. E anteontem, dois dias depois dessa experiência, ela chegou da creche e disse que queria assistir a óperas. Não desenhos animados: óperas. Essa experiência me mostrou como, muitas vezes, nós é que não levamos fé nas pessoas. Qualquer um é capaz de nos surpreender. De aprender. De se renovar. De evoluir. De coisas grandiosas. Você também.

alem5Pode ser que você acredite (ou alguém tenha feito você acreditar) que não dá para ir além de onde já chegou. Talvez, até, você mesmo creia que não precisa ir além, que está tudo bem como está. Que não precisa mudar, renovar a mente. Se é o caso, saiba que Paulo discordaria. Escute e escute bem: você pode ir muito além de onde já chegou. Pode ganhar muito mais conhecimento bíblico, teológico, histórico. Pode mergulhar muito mais profundamente na sua espiritualidade. Pode ter uma vida de oração bem mais sólida, uma rotina de estudo bíblico mais aprofundada, uma intimidade muito maior com Cristo. Você duvida? Bem, eu duvidava que minha filha de 2 anos trocasse a “Galinha Pintadinha” pela “Habanera”, de Bizet.

Nada é impossível. É desejo de Deus que você renove sua mente e cresça em sua devoção e em sua espiritualidade. Esse seria também o seu desejo? Então prepare-se para descobrir um mundo novo dentro da sua fé, porque, quando o desejo do seu coração encontra o desejo do coração de Deus, o resultado é uma harmonia espiritual com a beleza e a complexidade de uma ária de ópera.

Meu irmão, minha irmã, não fique estagnado, seja por que razão for. Se você se acha incapaz de crescer espiritualmente, saiba que tem toda a capacidade do mundo para isso. Se te disseram que não precisa evoluir, afirmo que não é verdade. Seja lá o que faz você permanecer estagnado onde está, saiba que, em Cristo, você pode ir muito além. Levante a âncora e se lance ao mar, reme com vontade. O resto deixe com os ventos do Espírito Santo de Deus, que te levará a novas, produtivas e emocionantes aventuras por oceanos que você nem sabia que poderia vir a conhecer.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício