Posts com Tag ‘sepulcros caiados’

Eu já machuquei pessoas. Já menti. Cobicei coisas do meu próximo. Odiei muitas vezes. Tive pensamentos  impuros. Fui egoísta. Deixei a arrogância dominar meu coração. Tive sede de sangue. Pus lenha na fogueira em vez de pacificar. Desonrei meus pais. Fui preguiçoso. Agi de modo rebelde. Não amei meu próximo como a mim mesmo. Senti inveja. Fui ganancioso. Amei o dinheiro. Andei ansioso. Meu irmão, minha irmã, eu já fiz quase tudo o que de pior uma pessoa pode fazer, e isso após a minha conversão a Cristo. Sim, minha salvação não trouxe a reboque a perfeição. Será que você se identifica com isso?

Olho para minha jornada com Cristo e fica claro como, nesses 23 anos desde a minha justificação, eu errei, falhei, escorreguei, pisei na bola. Se eu posar de perfeito para que você me ache superespiritual, estaria apenas somando mais um pecado à lista: o da hipocrisia.

Gosto de ouvir minha esposa falar sobre mim. Sabe como são os cônjuges, não é? Ela me vê em meus momentos mais íntimos e tem liberdade de me criticar. Diariamente, denuncia minhas numerosas falhas. Isso dói. Mas é bom que doa. Nossos cônjuges são uma bênção, pois se sentem à vontade, como ninguém mais, para denunciar os pecados que testemunham na intimidade e, com isso, quando estão certos no que dizem se tornam canais de Deus para nos chamar ao arrependimento.

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Com frequência, minha esposa diz que eu não vivo algo que preguei em determinado sermão. E, às vezes, ela tem razão. Pois eu sou falho mesmo. Careço da graça. Mas, ainda assim, preciso pregar a verdade, pois ela está acima de mim e minhas falhas. Deus chamou seres impuros para pregar a pureza, pessoas erradas para pregar o que é certo, gente falha para pregar a perfeição. Pois o evangelho é sobre Cristo e não sobre nós e, quando pregamos, primeiro estamos falando para nós mesmos.

Não me orgulho do que estou lhe confessando. Nada disso. Conheço o evangelho. Sei diferenciar o certo do errado. Não estou conformado com meus erros; eles me amassam e me fazem sentir um lixo. Eu os vejo assim como Paulo via seus pecados: “O problema não está na lei, pois ela é espiritual e boa. O problema está em mim, pois sou humano, escravo do pecado. Não entendo a mim mesmo, pois quero fazer o que é certo, mas não o faço. Em vez disso, faço aquilo que odeio. Mas, se eu sei que o que faço é errado, isso mostra que concordo que a lei é boa. Portanto, não sou eu quem faz o que é errado, mas o pecado que habita em mim” (Rm 7.14‭-‬17, NVT).

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Sei que você está acostumado a ver os cristãos se apresentarem como perfeitos, megassantos, exemplares, principalmente pessoas públicas. Também estou. As redes sociais e os púlpitos estão cheios delas. E olho com bastante ceticismo quando leio textos de gente que só sabe apontar o dedo. Logo penso: “Deixe-me conversar com sua esposa por cinco minutos para saber quem você é por trás da máscara e, já, já, conversamos”. E rio. Rio de uma pretensa superioridade moral e espiritual com que muitos gostamos de nos apresentar. Eu não cometerei esse erro, meu irmão, minha irmã: saiba que este que vos fala é um cidadão bem ruinzinho, cheio de pecados e problemas, desesperadamente carente da graça de Deus. Ainda assim, sabe-se lá por que razão, aprouve a Deus fazer-me amá-lo e desejar servir a ele e ao meu próximo.

Todos nós, cristãos, vivemos um paradoxo: somos habitação do Espírito Santo e habitação do pecado. Que guerra! Ainda assim, em meio a todo esforço e toda dor da batalha, Deus continua sendo Deus, digno de toda honra e glorificação, sublime e perfeito, gentil e amoroso, perdoador e gracioso, bom e justo! Não há como não amar esse Deus, que olhou de sua habitação fora do tempo e acima de nossa compreensão de espaço-tempo, contemplou esses seres bizarros e confusos que somos nós… e nos amou. Ele nos amou, meu irmão, minha irmã! Consegue ver a sublimidade disso?

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Seja honesto. Seja transparente. Viver o evangelho não é posar de perfeito, quando você está longe, muito longe disso. Sei disso, porque vivo isso. Prego a Cristo, porque não poderia não pregar, mas sei quem sou. Conheço minhas podridões. E, se não assumi-las publicamente, seria apenas mais um hipócrita entre tantos que estão por aí, travestidos de perfeições mentirosas e armados de seus dedos apontados.

Minha salvação não me trouxe perfeição, trouxe o desejo de lutar. Se você sente esse mesmo desejo, junte-se a mim, em transparência e honestidade. Lute. Lute por ser perfeito, mas, enquanto não for, diga que não é. E proclame, dia e noite, nas montanhas e nos vales, aquele sobre quem dirão, naquele grande dia, os milhões de santos e seres celestiais:

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“Digno é o Cordeiro que foi sacrificado de receber poder e riqueza, sabedoria e força, honra, glória e louvor! Louvor e honra, glória e poder pertencem àquele que está sentado no trono e ao Cordeiro para todo o sempre! Grandes e maravilhosas são as tuas obras, ó Senhor Deus, o Todo-poderoso! Justos e verdadeiros são os teus caminhos, ó Rei das nações! Quem não te temerá, Senhor? Quem não glorificará teu nome? Pois só tu és santo! Todas as nações virão e adorarão diante de ti, pois teus feitos de justiça foram revelados!”.

E, aí, meu irmão, minha irmã, finalmente, estaremos despidos dessa capa de pecados e imperfeições e habitaremos para sempre em uma realidade em que não haverá mais morte, nem dor, nem choro… nem imperfeição.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

 

Desde que escrevi o livro Perdão total, constantemente chegam a mim perguntas sobre o tema do perdão bíblico. Uma das mais frequentes é: como proceder se você perdoou uma pessoa que não enxerga os próprios erros e segue tratando você mal, com a firme convicção de que ela está certa? Nessas horas, devemos ter como referência Jesus no Calvário, sendo ofendido e escarnecido por aqueles que o levaram à cruz: os soldados romanos e os religiosos judeus. Sua postura? Ele os perdoou. Afinal, eles não tinham consciência real do que estavam fazendo. Criam piamente estar certos, mas não estavam. Sua postura era de empáfia, deboche, superioridade. Ofendiam Jesus e continuavam ofendendo. Alfinetavam. Machucavam. A postura de Cristo? Pai, perdoa, pois eles não sabem o que fazem… Essa também deve ser a nossa postura.

Existe um paralelo interessante entre o perdão e a salvação. Explico: há diversos fenômenos envolvidos na salvação, entre eles a justificação e a santificação. A justificação ocorre no preciso momento em que recebemos Cristo em nosso coração e cremos nele como Senhor e Salvador. É um ato. Instantâneo. Imediato. Somos na mesma hora vistos como justos aos olhos do Pai. E, a partir do momento em que somos decretados justos, por mérito do sacrifício de Jesus, tem início outro fenômeno da salvação, a santificação. E, ao contrário da justificação, ela não é um ato, mas um processo. A santificação ocorre todos os dias, dia após dia, e consiste em buscar viver em obediência, com esforço e em renovação constante. A santificação só terminará quando chegarmos diante de Deus, após partirmos desta vida, e formos glorificados com ele.

Entender que a salvação inclui um ato e um processo nos ajuda a compreender o perdão, pois ele também funciona de modo semelhante. Quando perdoamos alguém que nos magoou, abandonou, feriu, agiu de modo hipócrita, fraudou ou o que for, o fazemos num ato instantâneo. É quando tomamos a decisão de perdoar e dizemos a Deus: “Senhor, eu o perdoo. Remove de tua memória tudo o que foi feito por ele e que transpassou meu coração. Que não haja nenhuma punição espiritual pelo que ele fez, mas que toda dívida moral e espiritual que ele tenha contraído comigo seja completamente apagada. Eu o perdoo hoje, agora, neste instante”. Pronto, o perdão foi estendido. Você liberta essa pessoa das dívidas espirituais que ela tinha por ter falhado com você.

Mas, aí, a vida segue.

Você continua convivendo com essa pessoa, ou a encontra esporadicamente. E ela segue agindo com você de forma nada cristã, tratando você mal ou nem mesmo lhe dirigindo a palavra. Pelas costas, fala mal de você. Dá alfinetadas. Demonstra com suas ações que nunca considerou erradas as próprias atitudes. Em outras palavras, não muda. Esse é o pior tipo de pecador: o que não enxerga o próprio pecado, o que considera que seu pecado é uma virtude, o que é cego para as próprias ações daninhas e que, por isso, não se arrepende e segue fazendo o que sempre fez, agindo como sempre agiu, machucando como sempre machucou. Diante disso tudo, vem a pergunta: e aí, o que você deve fazer?

Meu conselho bíblico é: continue perdoando. Renove aquele ato inicial de perdão a cada novo dia. Sempre que o seu coração se entristecer pelo que tal pessoa vier a fazer, perdoe novamente. Faça do seu perdão um processo contínuo. O que ajuda muito nessas horas é você se lembrar da explicação de Jesus, no Calvário, para o pecado daqueles que lhe fizeram mal: eles não sabem o que fazem. E essa, na verdade, é a grande explicação. Pois, muitas vezes, aqueles que nos fizeram mal realmente não percebem esse mal. Eles se veem como justos e corretos, quando, na verdade, persistem em suas ações daninhas.

“Como assim?”, você poderia se perguntar. “Como fulano não sabe o que fez?”. Entenda uma coisa: o pecado cega. O pecado faz com que sempre tenhamos boas desculpas para nossas ações erradas. A cegueira do pecado nos leva a achar que nossas atitudes malignas são, na verdade, justificáveis. É por isso que vemos ao nosso redor tantos cristãos hipócritas, agressivos, soberbos, briguentos, materialistas, egocêntricos, que amam mais o poder e o dinheiro do que pessoas, que articulam estratagemas em prol de suas agendas secretas, que se consideram o supra sumo da santidade quando, na verdade, são dignos de compaixão.

Você perdoou alguém mas ele continua agindo da mesmíssima maneira? Ele nem mesmo trata você bem? Não importa. Afinal, ele não sabe o que faz. É cego para o próprio mal. Tenha pena dele e não raiva. Que essa pena conduza você à compaixão. E, da compaixão, brote o perdão. É, quando, em silêncio, você ora ao Senhor: “Pai, eu renovo o perdão estendido. Fulano segue agindo da mesma maneira, me despreza, me ofende, me alfineta, o que for. De igual modo, eu quero seguir agindo da mesma maneira: perdoando. E perdoando. E perdoando”. Por quê? Porque, em Cristo, não há outra atitude possível.

Eu sei que é difícil, meu irmão, minha irmã, mas é o único caminho para quem de fato luta contra a própria pecaminosidade para viver piedosamente em Cristo, apesar de não ser perfeito. O sepulcro caiado coleciona inimigos e olha com superioridade para quem despreza, replicando dois mil anos depois o comportamento dos fariseus. O perdoador regenerado tem prazer em perdoar setenta vezes sete e estende a mão para os doentes de alma, replicando dois mil anos depois o comportamento de Jesus. É assim que devemos amar o próximo, sem devolver mal com mal, intercedendo pelo bem dele, perdoando.

Lembre-se de algo importantíssimo: você também já errou, e muito. Já magoou pessoas, ofendeu, traiu, mentiu, machucou, decepcionou. É quando temos a percepção de que nós não somos melhores do que ninguém que fica muito mais fácil perdoar. Todos já tivemos nossos momentos de cegueira provocada pelo pecado. Todos. E, para não falar de você, falo de mim: eu já fui hipócrita, agressivo, estúpido e imbecil. Já fiz coisas que me envergonharão até o dia de minha morte. Logo, que direito eu tenho de não perdoar quem hoje age como eu mesmo já agi? Quão petulante eu seria se o fizesse? Quão hipócrita? Quão fariseu? Se Deus me perdoou dos meus pecados mais vergonhosos, dos quais verdadeiramente me arrependi, que direito tenho eu de não perdoar os que me desprezam e machucam? Não posso, pois não sou melhor do que ninguém. Ter essa percepção nos ajuda enormemente a perdoar e continuar perdoando.

Quão mais próximo de Jesus você estiver, mais a natureza piedosa do manso Cordeiro inundará sua alma. Mais você será capaz de olhar nos olhos quem lhe fez mal e de sentir carinho e compaixão por ele e sua cegueira, enquanto ele lhe vira as costas e segue achando que não cometeu erro algum. Mas ele não sabe o que faz. Você, por outro lado, sabe. E, por isso, perdoa. E perdoa. E perdoa.

Continue perdoando. Dê a outra face. Ande a segunda milha. Ore em favor de quem lhe fez e faz mal. Abençoe a vida dele em secreto, quando somente você e o Senhor estão presentes. Ame quem odeia você. Pois o perdão verdadeiro só pode brotar em um coração regenerado e que busca amar não como nossa carne quer, mas como Jesus amou.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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