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Desde que escrevi o livro Perdão total, constantemente chegam a mim perguntas sobre o tema do perdão bíblico. Uma das mais frequentes é: como proceder se você perdoou uma pessoa que não enxerga os próprios erros e segue tratando você mal, com a firme convicção de que ela está certa? Nessas horas, devemos ter como referência Jesus no Calvário, sendo ofendido e escarnecido por aqueles que o levaram à cruz: os soldados romanos e os religiosos judeus. Sua postura? Ele os perdoou. Afinal, eles não tinham consciência real do que estavam fazendo. Criam piamente estar certos, mas não estavam. Sua postura era de empáfia, deboche, superioridade. Ofendiam Jesus e continuavam ofendendo. Alfinetavam. Machucavam. A postura de Cristo? Pai, perdoa, pois eles não sabem o que fazem… Essa também deve ser a nossa postura.

Existe um paralelo interessante entre o perdão e a salvação. Explico: há diversos fenômenos envolvidos na salvação, entre eles a justificação e a santificação. A justificação ocorre no preciso momento em que recebemos Cristo em nosso coração e cremos nele como Senhor e Salvador. É um ato. Instantâneo. Imediato. Somos na mesma hora vistos como justos aos olhos do Pai. E, a partir do momento em que somos decretados justos, por mérito do sacrifício de Jesus, tem início outro fenômeno da salvação, a santificação. E, ao contrário da justificação, ela não é um ato, mas um processo. A santificação ocorre todos os dias, dia após dia, e consiste em buscar viver em obediência, com esforço e em renovação constante. A santificação só terminará quando chegarmos diante de Deus, após partirmos desta vida, e formos glorificados com ele.

Entender que a salvação inclui um ato e um processo nos ajuda a compreender o perdão, pois ele também funciona de modo semelhante. Quando perdoamos alguém que nos magoou, abandonou, feriu, agiu de modo hipócrita, fraudou ou o que for, o fazemos num ato instantâneo. É quando tomamos a decisão de perdoar e dizemos a Deus: “Senhor, eu o perdoo. Remove de tua memória tudo o que foi feito por ele e que transpassou meu coração. Que não haja nenhuma punição espiritual pelo que ele fez, mas que toda dívida moral e espiritual que ele tenha contraído comigo seja completamente apagada. Eu o perdoo hoje, agora, neste instante”. Pronto, o perdão foi estendido. Você liberta essa pessoa das dívidas espirituais que ela tinha por ter falhado com você.

Mas, aí, a vida segue.

Você continua convivendo com essa pessoa, ou a encontra esporadicamente. E ela segue agindo com você de forma nada cristã, tratando você mal ou nem mesmo lhe dirigindo a palavra. Pelas costas, fala mal de você. Dá alfinetadas. Demonstra com suas ações que nunca considerou erradas as próprias atitudes. Em outras palavras, não muda. Esse é o pior tipo de pecador: o que não enxerga o próprio pecado, o que considera que seu pecado é uma virtude, o que é cego para as próprias ações daninhas e que, por isso, não se arrepende e segue fazendo o que sempre fez, agindo como sempre agiu, machucando como sempre machucou. Diante disso tudo, vem a pergunta: e aí, o que você deve fazer?

Meu conselho bíblico é: continue perdoando. Renove aquele ato inicial de perdão a cada novo dia. Sempre que o seu coração se entristecer pelo que tal pessoa vier a fazer, perdoe novamente. Faça do seu perdão um processo contínuo. O que ajuda muito nessas horas é você se lembrar da explicação de Jesus, no Calvário, para o pecado daqueles que lhe fizeram mal: eles não sabem o que fazem. E essa, na verdade, é a grande explicação. Pois, muitas vezes, aqueles que nos fizeram mal realmente não percebem esse mal. Eles se veem como justos e corretos, quando, na verdade, persistem em suas ações daninhas.

“Como assim?”, você poderia se perguntar. “Como fulano não sabe o que fez?”. Entenda uma coisa: o pecado cega. O pecado faz com que sempre tenhamos boas desculpas para nossas ações erradas. A cegueira do pecado nos leva a achar que nossas atitudes malignas são, na verdade, justificáveis. É por isso que vemos ao nosso redor tantos cristãos hipócritas, agressivos, soberbos, briguentos, materialistas, egocêntricos, que amam mais o poder e o dinheiro do que pessoas, que articulam estratagemas em prol de suas agendas secretas, que se consideram o supra sumo da santidade quando, na verdade, são dignos de compaixão.

Você perdoou alguém mas ele continua agindo da mesmíssima maneira? Ele nem mesmo trata você bem? Não importa. Afinal, ele não sabe o que faz. É cego para o próprio mal. Tenha pena dele e não raiva. Que essa pena conduza você à compaixão. E, da compaixão, brote o perdão. É, quando, em silêncio, você ora ao Senhor: “Pai, eu renovo o perdão estendido. Fulano segue agindo da mesma maneira, me despreza, me ofende, me alfineta, o que for. De igual modo, eu quero seguir agindo da mesma maneira: perdoando. E perdoando. E perdoando”. Por quê? Porque, em Cristo, não há outra atitude possível.

Eu sei que é difícil, meu irmão, minha irmã, mas é o único caminho para quem de fato luta contra a própria pecaminosidade para viver piedosamente em Cristo, apesar de não ser perfeito. O sepulcro caiado coleciona inimigos e olha com superioridade para quem despreza, replicando dois mil anos depois o comportamento dos fariseus. O perdoador regenerado tem prazer em perdoar setenta vezes sete e estende a mão para os doentes de alma, replicando dois mil anos depois o comportamento de Jesus. É assim que devemos amar o próximo, sem devolver mal com mal, intercedendo pelo bem dele, perdoando.

Lembre-se de algo importantíssimo: você também já errou, e muito. Já magoou pessoas, ofendeu, traiu, mentiu, machucou, decepcionou. É quando temos a percepção de que nós não somos melhores do que ninguém que fica muito mais fácil perdoar. Todos já tivemos nossos momentos de cegueira provocada pelo pecado. Todos. E, para não falar de você, falo de mim: eu já fui hipócrita, agressivo, estúpido e imbecil. Já fiz coisas que me envergonharão até o dia de minha morte. Logo, que direito eu tenho de não perdoar quem hoje age como eu mesmo já agi? Quão petulante eu seria se o fizesse? Quão hipócrita? Quão fariseu? Se Deus me perdoou dos meus pecados mais vergonhosos, dos quais verdadeiramente me arrependi, que direito tenho eu de não perdoar os que me desprezam e machucam? Não posso, pois não sou melhor do que ninguém. Ter essa percepção nos ajuda enormemente a perdoar e continuar perdoando.

Quão mais próximo de Jesus você estiver, mais a natureza piedosa do manso Cordeiro inundará sua alma. Mais você será capaz de olhar nos olhos quem lhe fez mal e de sentir carinho e compaixão por ele e sua cegueira, enquanto ele lhe vira as costas e segue achando que não cometeu erro algum. Mas ele não sabe o que faz. Você, por outro lado, sabe. E, por isso, perdoa. E perdoa. E perdoa.

Continue perdoando. Dê a outra face. Ande a segunda milha. Ore em favor de quem lhe fez e faz mal. Abençoe a vida dele em secreto, quando somente você e o Senhor estão presentes. Ame quem odeia você. Pois o perdão verdadeiro só pode brotar em um coração regenerado e que busca amar não como nossa carne quer, mas como Jesus amou.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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barrigaGostaria de refletir sobre um assunto altamente espiritual: minha barriga. Calma, não ria, é sério: pensando sobre minha barriga aprendi algumas coisas interessantes sobre nossa vida espiritual. Para você entender aonde meus pensamentos me levaram, primeiro preciso dizer que, até os 27 anos, eu fui magro. Mas muito magro. Imagine que eu tinha 1,80 metro e 55 quilos. E era uma magreza de origem genética, pois, por mais que eu tentasse engordar (e eu tentei), era inútil. Nada do que eu fizesse ou comesse alterava meu peso, que me acompanhou desde que terminou minha fase de crescimento até eu completar 27 anos.

Naturalmente, essa condição me proporcionava muitas vantagens. A principal delas é que eu não tinha limitações para comer: podia mandar para dentro de tudo e mais um pouco, que não engordava um grama sequer. Então eu cometia atrocidades, como ingerir uma lata inteira de leite condensado enquanto assistia a um filme, devorar um balde de pipoca doce sem drama de consciência, comer quanto quisesse nos rodízios de pizza… era uma vida livre de preocupações alimentares.

Mas aí chegou o dia em que meu DNA disse “é agora!”. Sem que me desse conta, minha barriga começou a crescer. Meu umbigo, que era uma bolinha estufada, desapareceu nas profundezas de um buraco que surgiu sabe-se lá de onde. E, assim, tudo mudou. Eu, que nunca me preocupara com balanças, passei a ir regularmente a uma farmácia para me pesar, assustado com essa realidade inédita. E foi quando comecei a perceber que, dependendo do que, a partir de então, eu comia, a barriga crescia ou diminuía.

Tive de comprar calças novas. Mudar o buraco do cinto. O terno que usava desde os 18 anos foi doado. Comecei a sentir uma dor na lombar que nunca sentira antes, fruto do peso extra que agora transportava na grande pochete abdominal. Tudo mudou. Tive de formatar minha mente e recalibrá-la para entender que não dava mais para comer como antes comia, nem viver como antes vivia. Essa nova realidade me forçou a transformar o modo como eu pensava e agia.

Falando desse modo parece fácil, não é? Mas não foi. 27 anos acostumado a comer do jeito que queria, o que queria, quantas vezes por dia quisesse e, de repente, se ver obrigado a mudar tudo. Foi duro. Minhas refeições, antes descontroladas, passaram a ser planejadas. Alimentos tiveram de ser repensados, bem como a quantidade e a frequência de sua ingestão.

Hoje, aos 43 anos e com 83 quilos, continuo com aquela barriga protuberante, que, se eu seguir os passos de meu pai e meus tios, vai ficar ali para sempre, me presenteando com um perfil hitchcockiano. Nesses 16 anos, imergi em uma nova realidade alimentar e é até difícil, hoje, pensar em como era viver do jeito que vivi por 27 anos. Somou-se à protuberante barriga uma taxa nada simpática de colesterol, de origem genética, e o resultado teve de ser uma total renovação na minha maneira de me relacionar com a comida. Mudei. E é um caminho sem volta.

A conversão nos leva a algo parecido. Ser chamado por Cristo das trevas para a luz muda tudo. Mas, ao contrário do que muitos pregam, não é uma mudança que ocorra sem esforço. Vivemos por muitos anos de modo descontrolado e, de um dia para outro, somos obrigados a repensar toda a nossa existência. Práticas pecaminosas têm de ser abandonadas. Passamos a nos pesar diariamente em uma balança chamada “Palavra de Deus”, que denuncia quando saímos do rumo. O novo nascimento nos leva a isto: uma total renovação da mente e do coração.

Pecados que antes eram práticas naturais ao homem perdido precisam ser avaliados e deixados de lado. A maneira de nos relacionarmos conosco e com o próximo necessariamente se transformam. Precisamos pensar não mais por nossa conta, mas segundo a mente de Cristo. É metanoia, a transformação da mente e do coração.

Se você foi chamado por Cristo para a salvação por meio de sua graça, é preciso reavaliar tudo. Amizades, atividades, gostos, práticas, preferências… é uma lista extensa. O novo nascimento, como é um fenômeno sobrenatural, muda instantaneamente muito de nós, de um jeito que nem entendemos. Mas não há como fugir desta realidade: muitas inclinações ao que foi pensado e praticado por muitos anos permanecem, como um eco indesejado que se propaga mesmo depois de o grito ter cessado. E só conseguimos vencer essas inclinações mediante a renovação da mente e do coração.

A boa notícia: é possível. A má notícia: muitas vezes não será fácil. Eu, hoje, não tomo mais uma lata inteira de leite condensado de uma vez só, mas, às vezes, dá uma vontade! Olho para a pizza salivando, mas me restrinjo a uma pequena quantidade – e de vez em quando. Não dá para ser como antes, pois as coisas mudaram. Na vida espiritual é a mesma coisa: hoje não é mais você quem vive, mas Cristo vive em você. Você não tem mais como senhor o príncipe deste século, mas o Príncipe da paz. Você não é mais escravo do pecado, mas habitação do Espírito Santo. Sua condição mudou; portanto, suas ações precisam mudar.

Eu sei que você quer fazer o bem, mas o mal ainda reside em ti. Porque, no tocante ao homem interior, tem prazer na lei de Deus; mas vê, nos seus membros, outra lei que, guerreando contra a lei da sua mente, te faz prisioneiro da lei do pecado que está nos seus membros (Rm 7.21-23). Por isso, é preciso se reinventar, se repensar e lutar para abandonar as antigas praticas e as inclinações que seguem o eco da natureza carnal.

Quando eu tinha 55 quilos, comia tudo o que queria. Mas minha aparência era a de um homem doente, seco, esquelético. Hoje, com 83 quilos, tenho de abrir mão de prazeres que antes tinha, mas meu aspecto é muito mais saudável. O homem sem Deus é um cadáver ambulante; o homem com Deus é a vida eterna sobre duas pernas. Acredite: vale a pena qualquer esforço por isso. E você? O que ainda precisa mudar?

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Mauricio Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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