Arquivo da categoria ‘Liberdade cristã’

Estou escrevendo este texto dentro de um avião, indo do Rio para Cuiabá, de onde seguirei para Primavera do Leste (MT), a fim de pregar em uma igreja. No mesmo voo está um grupo de cerca de 50 estudantes, adolescentes e crianças de uma escola de elite do Rio de Janeiro, de origem britânica, em excursão a caminho do Pantanal. Para estudar nessa escola, é preciso pagar uma mensalidade caríssima, isto é, só frequenta o colégio em questão quem tem muito dinheiro. Dizem que as pessoas de classe alta deveriam ser bem educadas. No entanto, estou impressionado com a falta de educação desses meninos e meninas, de quem, em teoria, deveria se esperar um comportamento educado, cortês, gentil e respeitoso. As atitudes deles no tato com o próximo me fizeram pensar sobre gentileza e boa educação e sua relação com nossa fé.

Os meninos e as meninas se levantam das poltronas quando os comissários de bordo mandam ficar sentados. Falam aos berros uns com os outros. Vários tiveram de ser removidos dos assentos por terem sentado nos lugares de outros passageiros. Uma adolescente sentada ao meu lado passou o braço na frente de meu rosto para levantar e abaixar a janela diversas vezes, sem pedir licença e, nem ao menos, olhar para mim. O adolescente boca-suja atrás de mim não para de chutar a poltrona onde estou e de empurrá-la, apesar de eu educadamente já ter pedido duas vezes que não faça isso, pois está machucando minha coluna. Entre outras coisas. Em resumo, são um grupo de jovens cujo comportamento é o que de mais deselegante, descortês e agressivo poderia haver.

Sei que esses não são jovens cristãos e, por essa razão, não posso esperar deles um comportamento baseado nos princípios do evangelho. Estão espiritualmente mortos em seus delitos e pecados e são escravos do pecado. Por essa razão, em determinado momento do voo fiquei tão irritado com seu comportamento deselegante que tive de fechar os olhos, suspirar e orar ao Senhor, pedindo que os perdoasse – afinal, em termos espirituais, eles realmente não sabem o que fazem.

Claro que educação e respeito com as outras pessoas são atitudes que independem da fé de alguém, uma vez que têm a ver com normas de relacionamento em sociedade e não necessariamente com religiosidade. Mas o entendimento de que esses rapazes e moças não são indivíduos com princípios e valores cristãos me leva a compreender que sua pecaminosidade tem o poder de suplantar sua boa educação em termos de convivência.

Porém, algo me ocorreu: e se eles fossem cristãos?

Seria de se esperar de um cristão, convertido ao Senhor Jesus, um tipo de comportamento diferenciado em termos de boa educação, gentileza na fala e tratamento com as outras pessoas? A resposta, do ponto de vista bíblico, é um inequívoco sim. O Sermão do Monte está recheado de orientações a esse respeito, do início ao fim. Deixe-me pegar apenas alguns exemplos.

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Jesus diz que devemos ser pacificadores, isto é, agir para gerar paz e não contendas (Mt 5.9). E é difícil pensar que um pacificador seja um mal-educado que chateia o próximo sem dor de consciência.

Também diz que somos o sal da terra e a luz do mundo, o que remete ao fato de que precisamos nos diferenciar do mundo, dando-lhe o exemplo das boas virtudes (Mt 5.13-16). Se o mundo é egoísta e desrespeitoso, obrigatoriamente devemos agir de modo polido e gentil com o próximo, como meio de brilhar a luz da boa educação em meio às trevas do comportamento egoísta, que trata mal o próximo.

Em seguida, o Senhor ordena: “Da mesma forma, suas boas obras devem brilhar, para que todos as vejam e louvem seu Pai, que está no céu” (Mt 5.16). Essas palavras não deixam dúvidas de que nossas ações devem se destacar por sua luminosidade e, com isso, proporcionar glória a Deus.

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Cristo diz, ainda, que “a árvore boa produz frutos bons, e a árvore ruim produz frutos ruins” (Mt 7.17), ou seja, devemos produzir bons frutos, boas atitudes. Na sua opinião, um comportamento descortês e ofensivo é um bom ou um mau fruto?

Por fim, gostaria de destacar um trecho muito significativo da fala de Jesus no monte: “Em todas as coisas façam aos outros o que vocês desejam que eles lhes façam. Essa é a essência de tudo que ensinam a lei e os profetas” (Mt 7.12). De forma muito objetiva, eu lhe pergunto: você deseja que o tratem sem educação? Que sejam grosseiros e rudes com você? Que o desprezem? Que sejam debochados ao conversar com você? Que gente que não concorda com suas crenças e práticas se refira a você com termos depreciativos, desqualificadores, inferiorizantes? Sim ou não? Ouso dizer que você respondeu não. Se estou certo e você não deseja que lhe façam isso, segundo o mandamento divino você não deveria agir assim com as outras pessoas. A pergunta é: será que você vive essa realidade na sua vida? Detalhe: Jesus afirmou que essa é a essência das Escrituras (a lei e os profetas se referem aos livros do Antigo Testamento), logo, é algo fundamental, importantíssimo, basilar, central.

Meu irmão, minha irmã, ser cristão não significa só não fumar, não fazer sexo fora do casamento e ir ao culto uma vez por semana. Isso faz parte, mas ser cristão envolve muito, muito, muito mais do que isso. Quase ninguém fala sobre a importância da boa educação como principio e alicerce da nossa fé, mas ser cristão (como vimos nas contundentes palavras de Jesus) implica obrigatoriamente ser uma pessoa gentil e educada. Ser polido no que fala e na forma como fala. Ser cortês com os desconhecidos que atravessam seu caminho. Ser afetuoso e delicado no trato com o próximo (o que não diminui em nada a sua masculinidade, rapazes). Tomar cuidado para não ferir os sentimentos dos demais. Zelar em suas postagens nas redes sociais para não destratar indivíduos, mesmo que discorde deles.

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Em resumo, faz parte do caráter cristão ser educado e gentil com o próximo. Afinal, isso não é parte entranhável do que significa amar o próximo?

Como você tem agido em seus relacionamentos? E isso com conhecidos e desconhecidos, com gente com quem concorda e com gente de quem discorda? Se você perceber que muitas vezes está faltando tempero na sua fala, paciência no seu coração, gentileza nas suas palavras e educação nos seus pensamentos, sugiro que pare e reflita profundamente sobre as mais profundas implicações do que significa ser cristão.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >
.

Nós, cristãos, somos chamados a sempre fazer a coisa certa. A fazer o bem. A promover a paz. A lutar pela restauração de vidas, relacionamentos, comunidades, corações. A ser porta-vozes da mais extraordinária, bonita, transformadora e pulsante mensagem que já foi anunciada nos céus e na terra: as boas-novas da salvação de Jesus de Nazaré, o Filho de Deus, o Criador encarnado em forma humana. A ser santos. A resistir ao pecado. Lamentavelmente, nossa natureza foi contaminada pela Queda e, mesmo salvos pela graça transbordante do Senhor, seguimos na jornada com Cristo sendo assolados por inclinações más, impulsos reprováveis, tentações cíclicas, desejos malignos, pensamentos maquiavélicos. É normal e previsível que seremos atraídos diariamente pelo pecado enquanto habitamos este corpo mortal, sujeito à corrupção, mesmo sendo ele habitação do Espírito de Deus (Rm 7.14-25). Portanto, somos seduzidos diariamente pelo pecado. A grande questão é: ceder ou não.

Quando um cristão autêntico peca, inevitavelmente age como Pedro após trair pela terceira vez seu amigo e Mestre: chora amargamente, com tristeza verdadeira, pede perdão aos céus e empenha todas as suas forças para não voltar a repetir o erro. O grande, enorme, gigantesco, monumental problema que ocorre é quando, em vez de reconhecermos, confessarmos e abandonarmos as nossas más práticas, arranjamos desculpas esfarrapadas para continuar fazendo as mesmas besteiras de sempre.

Em geral, existem duas estratégias principais que nós, cristãos, costumamos usar a fim de justificar nossos pecados. Em outras palavras, são jeitinhos que damos para continuar pecando sem dor de consciência.

A primeira é quando arranjamos uma desculpa esfarrapada, aparentemente baseada na Bíblia, que nos dá paz de consciência para seguirmos fazendo nossas besteiras. Jesus contou uma parábola que ilustra bem esse tipo de comportamento: “Dois homens foram ao templo orar. Um deles era fariseu, e o outro, cobrador de impostos. O fariseu, em pé, fazia esta oração: ‘Eu te agradeço, Deus, porque não sou como as demais pessoas: desonestas, pecadoras, adúlteras. E, com certeza, não sou como aquele cobrador de impostos. Jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo que ganho’.  “Mas o cobrador de impostos ficou a distância e não tinha coragem nem de levantar os olhos para o céu enquanto orava. Em vez disso, batia no peito e dizia: ‘Deus, tem misericórdia de mim, pois sou pecador’. Eu lhes digo que foi o cobrador de impostos, e não o fariseu, quem voltou para casa justificado diante de Deus. Pois aqueles que se exaltam serão humilhados, e aqueles que se humilham serão exaltados” (Lc 18.10-14).

Perceba que o cidadão tentava compensar seus pecados pelo fato de jejuar e dar o dízimo. Na cabeça dele, funcionava assim: “Já que cumpro essas regras religiosas, posso continuar com meus muitos pecados, sem problema, estou de boa”. É desse jeito que pensamos quando, por exemplo, tentamos dar um jeitinho para seguirmos sendo agressivos, porque, afinal, “Sou crente mas não sou banana” ou “Deus muda o caráter mas não o temperamento”. Tudo, sofismas que nos deem paz para continuarmos sendo tão estúpidos como antes da conversão, só que com uma capa “gospel”. Afinal, convenhamos, não é preciso ser bruto para não ser banana. E Deus muda, sim, o temperamento.

Teólogos e seminaristas mandam para o inferno quem eles consideram ser hereges com brutalidade no tom e nas palavras “porque Jesus derrubou as mesas dos cambistas”. Maridos tratam mal a esposa “porque ela não é submissa”. Esposas tratam mal o marido “porque ele não me ama como Cristo amou a Igreja”. Pais vivem berrando com os filhos porque “quem manda aqui sou eu e você tem de me honrar” e filhos vivem desonrando os pais “porque eles não me entendem e me levam à ira”. Pastores oprimem membros “porque sou ungido do Senhor”. Membros articulam contra o pastor “porque ele é autoritário”. Pregadores se referem a não cristãos com fúria e desrespeito “porque eles são filhos da ira”. Tudo desculpas esfarrapadas, supostamente “bíblicas”, a fim de fazer pessoas se autorizarem a agir como mundanos e pecarem em suas palavras e atitudes “em nome de Jesus”. Na verdade, isso não passa de paganismo travestido de cristianismo.

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A segunda estratégia principal que nós, cristãos, costumamos usar a fim de justificar nossos pecados é a tática do dedo apontado. É uma estratégia que começou no Éden: Adão culpou Eva e Eva culpou a serpente, sempre justificando as próprias besteiras com base nas besteiras alheias. É uma fuga ao estilo “boi de piranha”, isto é, jogo a culpa alheia no rio para que ela fique no foco enquanto tento sair de fininho da história – e das minhas responsabilidades. Assim, para justificar o fato de eu ser uma gastadeira, vivo culpando o marido de ser pão-duro. Para justificar o fato de eu viver olhando para outras mulheres, vivo culpando minha esposa de ser ciumenta demais. Para justificar o fato de eu não dar atenção para meus filhos porque fico horas com a cara enfiada no smartphone, vivo culpando as crianças de serem carentes demais. Para justificar o fato de eu ser um ogro na hora de falar, vivo culpando o alvo de minha fúria de “não saber lidar comigo”. E assim por diante.

Quanto a esse tipo de estratégia, Paulo foi claro, direto e objetivo: “Assim, cada um de nós será responsável por sua vida diante de Deus” (Rm 14.12). Todo cristão deveria viver diariamente se examinando, a fim de melhorar sempre mais e mudar de rumo naquilo que está errando. Viver jogando seus erros na conta do outro é a mais desvairada loucura, porque cada um, individualmente, prestará contas de si. Pode ser que essa estratégia lhe permita fazer besteiras nesta vida e sair numa boa. Porém, quando, no dia do juízo, Deus olhar você nos olhos e cobrar cada palavra inútil que você tenha dito para justificar seus erros em razão das atitudes alheias, posso garantir que essa tática não vai mais colar. Afinal, Jesus mesmo afirmou: “Eu lhes digo: no dia do juízo, vocês prestarão contas de toda palavra inútil que falarem. Por suas palavras vocês serão absolvidos, e por elas serão condenados” (Mt 12.36-37).

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Meu irmão, minha irmã, fica a sugestão: arrependa-se. Arrependa-se!

Não semeia hoje um comportamento reprovável que parece vantajoso a curto prazo mas que a longo prazo gerará frutos de dor, sofrimento e morte espiritual. Você está entristecendo Deus. Não busque desculpas “cristãs” ou “bíblicas” a fim de justificar ou desculpar comportamentos infelizes.

Você deve se arrepender daquilo que faz de errado — sem justificativas, sem desculpas! —, consertando os seus problemas, sem ficar focando os do outro. Portanto, se você tem pecados de cabeceira, sejam eles quais forem — agressividade, arrogância, egoísmo, religiosismos, cobiças, rebeldia ou o que for — e você os pratica numa boa, escorado em desculpas ou justificativas “cristãs”, só há uma coisa que eu posso lhe dizer.

Arrependa-se.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >
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Abrir mão é um dos maiores desafios que a nossa fé nos propõe. Não se engane: se você quer ser um bom cristão terá de abdicar de muitas e muitas coisas. Frequentemente, coisas que lhe trariam muitos benefícios. É interessante pensar que, ao fazer isso, você se aproxima de Cristo e reproduz o padrão divino; afinal, quando o Criador se fez humano para viver entre uma humanidade que não merecia nada, ele estava, exatamente, abrindo mão de sua glória celestial para se tornar como um de nós – por amor a nós. Assim, quando você renuncia algo simplesmente porque é o certo e por amor ao Senhor, possivelmente vai sofrer enormes perdas e, com elas, virá certa dose de sofrimento. Mas eu gostaria de encorajá-lo a perder. Acredite: vai valer a pena, pois o que você ganhará com sua abnegação será algo de valor incalculável: a aprovação de Deus.

Em nossa sociedade, pôr o outro em primeiro lugar é visto como fraqueza, talvez tolice, para não dizer burrice. No evangelho não: “Então Jesus disse a seus discípulos: ‘Se alguém quer ser meu seguidor, negue a si mesmo, tome sua cruz e siga-me. Se tentar se apegar à sua vida, a perderá. Mas, se abrir mão de sua vida por minha causa, a encontrará’” (Mt 16.24-25). Portanto, abrir mão aos olhos de Deus é sinal de grandeza. É virtuoso. É nobre. Se for pelo bem do próximo, você trilhou o caminho mais excelente. Se for por amor a Cristo, você alcançou o coração de Deus.

Pode ser que você tenha aberto mão de um relacionamento afetivo por amor a Cristo. Ou de um emprego. Talvez um cargo de status. Ou de uma posição que lhe traria vantagens. Quem sabe, de uma oportunidade que lhe renderia ganhos, mas envolveria propinas ou fraudes. Também pode ter sido o caso de você ter se afastado de amigos que o arrastavam para práticas erradas, por mais que gostasse deles. Ou ainda, pode ser que  você tenha aberto mão de seu orgulho para perdoar alguém que não merecia seu perdão. Se você abriu mão de algo muito importante – muitas vezes à custa de sofrimento – por amor a Cristo, não pense que ele não valoriza o que você fez. Ele está ciente.

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Tudo de que você tem de abrir mão por amor a Jesus se converte em aprovação divina e, logo, em bênção para sua vida. “E todos que tiverem deixado casa, irmãos, irmãs, pai, mãe, filhos ou propriedades por minha causa receberão em troca cem vezes mais e herdarão a vida eterna” (Mt 19.29). O Senhor está falando aqui exatamente sobre abrir mão das coisas mais preciosas que podemos ter nesta vida por amor a ele.

Um homem rico procurou Jesus perguntando o que deveria fazer para herdar a vida eterna. Além de instá-lo a obedecer aos mandamentos, Cristo lhe disse: “Se você quer ser perfeito, vá, venda todos os seus bens e dê o dinheiro aos pobres. Então você terá um tesouro no céu. Depois, venha e siga-me” (Mt 19.21). Em outras palavras: “Se você quer ser perfeito, abra mão daquilo que considera mais precioso por amor a mim”. Mas aquele rapaz não estava disposto a abrir mão pelo Senhor. Resultado: saiu cabisbaixo, triste e sem a aprovação divina.

Em muitos momentos de sua caminhada você se verá frente a frente com situações em que terá de abrir mão de algo muito valioso para ser fiel ao seu Salvador. Enxugue as lágrimas, sacuda a poeira e vá em frente de cabeça erguida. Sem arrependimento. Sem olhar para trás. Sem pensar “como teria sido se…?”. Esqueça. Foi por amor a Deus? Então foi pela razão certa. No dia em que você entrar na glória do Pai, o abraço e o sorriso que receberá dele compensarão tudo.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >
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Um dos maiores erros que um cristão pode cometer é condicionar aquilo que faz ao que os outros fazem. Embora haja uma dimensão coletiva inerente ao cristianismo, a proposta do evangelho de Cristo é que cada um de nós faça a sua parte, individualmente, mesmo que o nosso próximo não faça. A Palavra se Deus é clara: “Assim, pois, cada um de nós dará contas de si mesmo a Deus” (Rm 14.12). Acredite: naquele grande dia, quando você estará diante de Deus a fim de prestar contas de cada ação que realizou e cada palavra que pronunciou, e ele lhe perguntar por que deixou de fazer o que esperava de você, a resposta “ah, porque fulano não fez a parte dele” não vai servir de desculpa. 

É inerente à natureza pecaminosa do ser humano tentar justificar seus erros jogando a culpa nas costas dos outros. Foi o que Adão fez, ao jogar a culpa do seu pecado sobre Eva, e foi o que Eva fez, ao jogar a culpa do seu pecado sobre a serpente. Quem erra é responsável pelo próprio erro, mesmo que o outro tenha errado antes.  Como minha mãe sempre me disse, “um erro não justifica outro”.

A mulher insubmissa tenta justificar sua insubmissão pelo fato de o marido não ser perfeito. O marido tirânico tenta justificar sua tirania pelo fato de a mulher não respeitá-lo. O pastor que devolve mal com mal tenta justificar sua maldade vingativa pelo fato de lhe terem feito mal. O arrogante tenta justificar sua arrogância pelo fato de conhecer pastores famosos que também são arrogantes. O destemperado tenta justificar suas explosões e brigas constantes pelo fato de conviver com gente agressiva. O apologeta ofensivo tenta justificar sua agressividade pelo fato de o herege ser herege. O sonegador tenta justificar a sonegação porque o governante é ladrão. O ladrão tenta justificar seu crime pelo fato de a sociedade não lhe ter dado oportunidades. A sociedade tenta justificar sua ideia de que “bandido bom é bandido morto” porque o bandido é bandido… E assim seguimos, numa lista interminável de tentativas de justificar posturas pecaminosas que simplesmente não justificam e só nos fazem acumular abismo sobre abismo. Para Deus, não cola, lamento informar. 

Deus espera que você faça a sua parte. E, isso, independente do que o outro faz ou fez. Se todos errarem, o Senhor espera que você acerte. E, se você não acertar, ele cobrará isso de você. Nessa hora, a explicação “ah, é que fulano também errou” simplesmente não o justificará diante de Deus. 

Meu irmão, minha irmã, em que área da sua vida você tem errado, usando como uma boa desculpa para o seu erro o erro de outra pessoa? Será que você tenta ficar bem com a própria consciência ou com Deus jogando a sua culpa na conta de alguém? Se faz isso, pode ter certeza de que essa desculpa só serve para alimentar seu pecado. Sua responsabilidade segue sendo sua e seu pecado será cobrado única e exclusivamente de você. Só de você. De mais ninguém. 

Faça um exame de consciência. Peça a Deus que lhe mostre em que você tem pecado constantemente sem arrependimento, lançando sobre ombros alheios a culpa que é só sua. Acredite: o que Deus espera não é que você se abata ou fique deprimido por essa percepção, mas que mude. Tome uma decisão. Renove a sua mente. Transforme seu procedimento. Pare de viver eternamente se justificando, dizendo “ah, é porque fulano fez isso”, “ah, é porque beltrano sempre faz aquilo”. Faça a sua parte, a despeito de os outros estarem fazendo a deles ou não. E, assim, mediante arrependimento, confissão e abandono do erro, você encontrará a paz com Deus. 

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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Esta semana fui pela segunda vez a um presídio. Na terça-feira, passei o dia no Evaristo de Moraes, no Rio, unidade prisional que fica dentro do Morro da Mangueira, bem pertinho do estádio do Maracanã. Depois de ter estado lá em novembro passado para fazer uma ministração, recebi novamente um convite da penitenciária para ministrar, desta vez, duas palestras, para 300 detentos. Fiquei lá de manhã até o fim da tarde. Como da primeira vez, foi uma experiência inesquecível. 

Se você nunca foi a um presídio, fica a recomendação: vá. É tão importante passar um dia numa penitenciária quanto passar um dia numa conferência teológica. É algo que mexe com nossa espiritualidade e nos faz refletir profundamente sobre questões centrais da fé cristã, como a extensão do pecado, a possibilidade de arrependimento, a viabilidade da metanoia bíblica, o significado de amor pelos inimigos, perdão, graça. Lá discussões sobre questões como calvinismo x  arminianismo, pedobatismo x credobatismo, cessacionismo x continuísmo e outros temas periféricos da fé simplesmente ficam dos portões para fora. No universo prisional, gastar tempo com debates sobre temas como “o cerne do pensamento de Armínio”, “a epistemologia do ser” e “o que é um reformado” é tão relevante quanto querer ensinar as funções do bóson de Higgs ou discutir sobre as propriedades do top quark. Você não sabe o que é isso? Pois é. 

O choque de realidade é enorme, pois um presídio parece um universo paralelo. Pense em um lugar no coração de uma metrópole em que ninguém tem celular e não existe acesso à Internet. Quem está preso ali há alguns anos nunca segurou um smartphone, não faz ideia do que é whatsapp e não consegue entender que graça tem esse tal de Facebook. Na falta de cursos profissionalizantes, atividades artísticas ou outras iniciativas de enriquecimento epistêmico ou intelectual, num lugar como esse resta às pessoas ocupar o tempo com ações que deixaram há bastante tempo de fazer parte da rotina de muitos que estão do lado de fora: ler e refletir. A biblioteca do Evaristo de Morais é a meca do passatempo dos detentos e tive a alegria de doar livros meus para ela, a fim de serem lidos pelos internos ao longo dos anos que virão. 

Cheguei ao presídio para fazer duas palestras, levando dez exemplares de livros que escrevi para presentear os detentos e, naturalmente, achei que eu é que estava levando algo para eles. Mas, na realidade, eu é que saí de lá enriquecido, principalmente pelas conversas que tive. Vivi momentos incríveis no cárcere. Tive a oportunidade de bater papo com um dos detento sobre – acredite – Nietzsche, Eça de Queiroz e Aldous Huxley. Ouvi histórias de gente presa pelos mais variados crimes, do estelionato ao assassinato, passando pelo estupro e o tráfico de drogas. Ouvi experiências horripilantes de gente que esteve no coração das facções criminosas. Escutei relatos sobre vivências que você acha que só existem nos filmes de Hollywood, de pessoas que reconhecem sem dar justificativas a maldade de seus atos passados. Ninguém sai o mesmo de conversas como essas. 

Algo que ir a um presídio e conversar com os internos faz é dar ao “bandido” uma identidade. De repente, você está sentado ao lado de um daqueles caras que só vê no telejornal ou escondendo o rosto, algemado, no Cidade Alerta e descobre que ele tem nome, sonhos, pensamentos, arrependimentos, sentimentos e ideias. Descobre que todos são gente. Gente que cometeu atos atrozes, mas que ainda carrega em si a semente da imagem e semelhança de Deus. Conversei com alguns que hoje demonstram repulsa pelos crimes que cometeram e têm um desejo verdadeiro de se tornarem pessoas produtivas e de bem quando saírem da prisão. Um dos detentos com quem bati papo quer fazer faculdade de medicina. Outro quer se formar em psicologia e ajudar a criar projetos que ajudem a ressocializar presos. Dois querem pregar o evangelho a jovens envolvidos no tráfico de drogas.

É incontestável que há, sim, os que almejam prosseguir no crime sem arrependimentos, nem todo mundo se emenda. Mas, com toda certeza, os relatos de seres humanos verdadeiramente arrependidos que conheci ali me fazem considerar expressões como “bandido bom é bandido morto” uma das maiores aberrações que a humanidade já criou. Esse pensamento é algo absolutamente alienígena ao que o evangelho propõe e é o cúmulo do absurdo um cristão pensar tal coisa, pois acreditar nisso é desconsiderar a possibilidade de uma pessoa desencaminhada arrepender-se, mudar de vida e construir uma nova história, após ter pago junto à justiça pelo crime que cometeu. 

Chama a atenção no Evaristo de Moraes a quantidade de detentos evangélicos, fruto da ação evangelística especialmente de membros de denominações pentecostais e neopentecostais. Lá dentro há uma igreja e um pavilhão inteiro de presos que se identificam como protestantes. Não sou ingênuo de achar que todos são verdadeiramente convertidos, há os meros simpatizantes e os inconversos aproveitadores, mas, com absoluta certeza, muitos de fato tiveram um encontro real com Jesus no cárcere. Negar isso é negar a ação do Espírito Santo. São pessoas presas pelos mais variados crimes e que, sim, hoje são meus irmãos em Cristo. E seus. Não posso desconsiderar que Jesus salva e transforma bandidos cruéis em homens da paz entre as paredes de uma prisão. 

Saí do presídio Evaristo de Moraes mais rico do que entrei. Eu vi a besta face a face, olhei dentro de seus olhos e constatei que é possível ela se tornar mansa como um cordeiro, conformada à semelhança do Cordeiro. Diante de crimes horríveis e hediondos, minha carne pede apenas punição e justiça, mas não posso negar o poder do evangelho de tornar o violento alguém que se opõe à violência. Por isso, hoje, meu espírito pede mais que justiça: pede justificação. 

A maioria dos 300 homens que me ouviram – entre eles, três travestis, diversos umbandistas e kardecistas – escutou com atenção e respeito as preleções. Muitos vieram falar comigo ao final de cada ministração. Vi nos olhos e nas palavras de muitos o desejo sincero por um recomeço. E, a partir de hoje, esta será minha oração: que cada presídio se torne não um depósito de gente ou um purgatório cuja única função seja a sádica punição de bestas-feras humanas, mas um verdadeiro local de transformação. Se o Estado não é capaz de criar meios eficientes de regeneração ética e social da massa carcerária, tenho inabalável certeza de que o Espírito de Deus é extremamente eficaz em regenerar espiritualmente os degenerados, fazendo muitos deles nascerem de novo. Por isso eu oro. 

Um dos detentos com quem conversei me disse que o presídio é “a porta do inferno”. Felizmente, acredito que, enquanto uma alma não atravessa os umbrais do inferno, pode ser resgatada pela graça e ouvir do Senhor: “Hoje estarás comigo no Paraíso”. Portanto, não ouso dizer que bandido bom é bandido morto. Meu cristianismo me mostra que bandido bom é bandido morto, sim, mas morto para o mundo, o diabo, a carne e o pecado – e renascido em Cristo como nova criatura. 

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

(Nenhuma das fotos que ilustram este post foi tirada por mim por ocasião da visita. São fotos ilustrativas, tiradas por outras pessoas, em outras ocasiões, e disponíveis livremente na Internet)

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Amor 2Você quer viver um grande amor? Então eu gostaria de compartilhar alguns pensamentos com você. A busca por um grande amor faz parte da natureza humana, conforme estabelecido por Deus. Já ouvi dizer que o anseio por ter um companheiro afetivo deve-se ao fato de a humanidade ter pecado e, por isso, possuir um vazio gerado pela ausência do Senhor. Carência afetiva seria, por essa visão, uma consequência da separação entre o Criador e a criatura. Teologicamente, não concordo com isso. Perceba que Deus estabeleceu o relacionamento entre homem e mulher antes da queda: foi ainda quando Adão estava em seu estado perfeito que Deus decretou: “Não é bom que o homem esteja só; farei para ele alguém que o auxilie e lhe corresponda” (Gn 2.18). Logo, não foi ao pecar que a carência afetiva e emocional entrou no coração humano, foi antes. A conclusão é que desejar ter alguém para chamar de seu é uma característica natural, essencial e divinamente concedida ao ser humano. 

Não há, portanto, mal algum em querer viver uma história de amor, em desejar construir um projeto de vida conjunto com alguém do sexo oposto. Homem e mulher foram feitos para se buscarem, se complementarem, se estabelecerem como uma unidade plural. “Por isso, deixará o homem a seu pai e mãe [e unir-se-á a sua mulher], e, com sua mulher, serão os dois uma só carne. De modo que já não são dois, mas uma só carne” (Mc 10.7-8). O grande problema ocorre quando você entra em uma relação e decide vivê-la de modo diferente do projeto inicial de Deus. 

A união de dois em um é abençoada caso a vontade de Cristo seja respeitada em tudo. Fora dos parâmetros estabelecidos pelo Senhor, essa união terá sérios problemas, que ocorrem, em geral, quando o cônjuge põe a sua vontade acima da de Deus. 

Amor 3A grande questão, que leva muitos a falirem e fracassarem na relação matrimonial, é que a vontade de Deus para marido e mulher exige renúncia, negar a si mesmo, fazer muito do que não se quer e deixar de fazer muito do que se quer, mortificar o eu em função do outro, domar o  temperamento, mudar o que não está bom… e muitas outras posturas de abnegação. Só que uma enorme quantidade de pessoas não quer isso e acha que elas serão felizes na vida conjugal se ficarem vivendo de acordo com a própria vontade, com o “seu” jeito de viver o casamento, sem querer renunciar a nada. E essa postura, com toda certeza, dará errado. 

Viver um grande amor não é encontrar um príncipe ou uma princesa e viverem felizes para sempre – pois isso não existe. É fazer uma aliança com alguém cheio de defeitos e ser capaz de renunciar muito para desfrutar de uma relação extraordinária. Por isso, é preciso buscar todas as passagens bíblicas que tratam do papel do homem e da mulher numa relação a dois e estudá-las com honestidade e responsabilidade, a fim de por seus ensinamentos em prática. 

Amor 4Se você está em busca do grande amor da sua vida, ótimo, faz muito bem. Saiba que essa é a vontade de Deus para a humanidade. Casamento sem amor é um horror. O amor é a motivação bíblica por excelência para um casamento. Mas entenda que buscar um grande amor não significa nem de longe viver uma parceria em que cada um faz o que deseja, vive como bem entende e só quer desfrutar dos benefícios do relacionamento. Viver um grande amor sempre – preste atenção: sempre – vai exigir muito de você. Vai  exigir sacrifícios. Assim como Adão precisou abrir mão de uma de suas costelas para viver uma história de amor, você terá de abrir mão de coisas importantes para o seu eu em prol de quem ama – a começar pela sua vontade. Quem deseja viver um grande amor terá sempre de abrir mão da própria vontade para priorizar a vontade não do cônjuge, mas a de Deus. Caso contrário, o fracasso matrimonial é certo. Homens subservientes ou egoístas e mulheres desrespeitosas ou egoístas só atraem ruína para o casamento. 

Se você ainda é solteiro, peço a Deus que viva um grande amor. Nesse sentido, a melhor recomendação que eu poderia lhe fazer é que, antes de iniciar um relacionamento, estude na Bíblia o que Deus espera de você ao ingressar num casamento. Investigue quais serão os ônus e as obrigações ao se tornar marido ou mulher. Descubra quais sacrifícios a vontade de Deus exigirá de você. Se perceber que não conseguirá amoldar-se ao padrão bíblico, recomendo que viva solteiro e celibatário. Pois viver de modo rebelde e autocentrado em uma relação a dois só trará problemas, sofrimento, dores, fracasso e infelicidade matrimoniais. Repito: dar as costas para o modelo divino e bíblico para o seu papel numa relação a dois é assinar a falência do seu casamento.

Mas, caso você esteja disposto a ser um marido ou uma esposa que segue fielmente a vontade de Deus, especificada na Bíblia, com toda a renúncia que isso exige, prepare-se para viver um amor pleno, belo, realizado e repleto de alegrias, sorrisos, prazeres e paz. Enfim, um grande amor. 

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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