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Successful-PeopleTodo mundo quer ter sucesso. Isso é um problema? De modo algum, é um desejo lícito. Almejar ser bem-sucedido, aliás, é parte da natureza humana, ninguém faz qualquer coisa para que dê errado e fracasse. Então, se você busca o sucesso, saiba que não está pecando nem cometendo nenhum mal. Só tem um enorme porém: temos de entender exatamente o que significa “sucesso” para um cristão, isto é, o que a Bíblia define ser um cristão bem-sucedido. Será que sucesso para um filho de Deus é a mesma coisa que para um não cristão? Quando fui buscar uma imagem para ilustrar este post fiz um acordo comigo mesmo: eu escreveria sucesso no Google e a primeira foto que surgisse nos resultados da pesquisa eu utilizaria. Pois a primeira fotografia que apareceu foi essa aí: um  homem no topo de uma montanha, braços erguidos, celebrando uma conquista do ego, algo obtido por seus próprios esforços, um feito que possivelmente lhe trará fama e fortuna. Outras imagens semelhantes surgiram no topo da página e serão as que utilizarei ao longo deste texto. Para pensarmos sobre o conceito cristão de sucesso, vou iniciar com um exemplo pessoal, que deflagrou esta reflexão.

Tenho refletido muito sobre essa questão de “sucesso” devido a algo que ocorreu semana passada: meu novo livro, Perdão Total – Um livro para quem não se perdoa e para quem não consegue perdoar esgotou a primeira edição, de 5 mil exemplares, apenas 17 dias após o lançamento oficial e menos de 30 dias após o lançamento real. Para que você entenda, no meio literário isso é um fato raro para obras de um autor desconhecido como eu, que não tem fama ou celebridade. Pois bem, quando a notícia foi divulgada, comecei a ouvir muitas vezes a palavra “sucesso”. No meu perfil no facebook (facebook.com/mauriciozagariescritor), irmãos e irmãs carinhosamente me deixaram recados celebrando esse “sucesso”. Um programa de rádio quis me entrevistar “devido ao sucesso do livro”, como o apresentador mesmo disse. Amigos que me encontraram pessoalmente gentilmente me parabenizaram pelo “sucesso”. Então essa coisa de “sucesso” começou a pipocar diante de mim nesses últimos dias e, naturalmente, passei a refletir sobre o assunto.

sucessoA pergunta é: a boa vendagem do meu livro em tão pouco tempo representa sucesso? A conclusão a que cheguei é: não. Pois entendo que sucesso depende da sua motivação e do seu objetivo ao realizar algo. Fui ao dicionário olhar e vi que a definição de “sucesso” é: “Resultado de ação ou empreendimento”. Ou seja, se um escritor lança um livro com a meta de ganhar o máximo de dinheiro que puder, tornar-se mais conhecido, receber elogios que alimentem sua vaidade e outros benefícios mundanos como esses, vender 5 mil exemplares em menos de um mês pode ser, sim, considerado sucesso, pois o resultado desse empreendimento atendeu ao desejo do coração do escritor. Mas, se a motivação dele ao escrever um livro é que os leitores sejam transformados, recebam alívio para seus fardos, entendam melhor o evangelho, alcancem paz de espírito e vivam de modo mais conformado a Cristo, vender muitos ou poucos exemplares não fará a menor diferença: o que realmente determinará o seu sucesso é se o conteúdo da obra, a sua mensagem, alcançou e transformou vidas – independentemente da quantidade de exemplares vendidos. Logo, segundo esse pensamento só poderei me considerar um autor de sucesso se eu vier a ouvir relatos de pessoas que conseguiram perdoar ou se perdoar por causa do que leram no Perdão Total. Aí, sim, minha oração será “Obrigado, Senhor, porque o livro foi um sucesso”.

Esse exemplo pessoal se aplica a tudo aquilo que realizamos. Permita-me te perguntar: por que você faz o que faz? Quais são as motivações do seu coração ao ir para o trabalho, ao estudar na escola, ao ir à igreja, ao pregar no púlpito, ao servir na obra de Deus, ao escrever em um blog, ao postar textos e fotos no facebook, ao pedir ao Senhor um(a) namorado(a), ao acordar pela manhã e viver mais um dia? Só ao responder com sinceridade essas perguntas você poderá determinar se é uma pessoa de sucesso ou não. Mais ainda: se somos cristãos, a nossa motivação sempre, sempre e sempre deve ser ajustada aos padrões bíblicos. Portanto, resultados positivos de empreendimentos que realizamos não farão de nós pessoas bem-sucedidas caso estejam em desacordo com a vontade de Deus. Permita-me dar alguns exemplos.

sucesso0O mundo estabelece como um dos principais fatores determinantes de sucesso o enriquecimento financeiro. Mas Jesus disse: “Não acumuleis para vós outros tesouros sobre a terra, onde a traça e a ferrugem corroem e onde ladrões escavam e roubam; mas ajuntai para vós outros tesouros no céu, onde traça nem ferrugem corrói, e onde ladrões não escavam, nem roubam” (Mt 6.19-20). Diante disso, se você estabelece como meta na vida ajuntar tesouros na terra, sem se preocupar em ajuntar tesouros no céu, por mais que se torne um bilionário você será um fracassado. Outro exemplo: a Bíblia estabelece numerosas vezes que o padrão cristão é não devolver mal com mal. “Não torneis a ninguém mal por mal; esforçai-vos por fazer o bem perante todos os homens” (Rm 12.17); “Evitai que alguém retribua a outrem mal por mal; pelo contrário, segui sempre o bem entre vós e para com todos” (1Ts 5.15); “Quanto àquele que paga o bem com o mal, não se apartará o mal da sua casa” (Pv 17.13). Assim, por mais que alguém se considere bem-sucedido por ter conseguido se vingar de uma pessoa que lhe fez mal, diante de Deus ele será um grande fracasso.

sucesso2Os exemplos seriam muitos. Mas acredito que podemos resumir tudo o que a Bíblia define como sucesso em um único versículo: “Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus” (1Co 10.31). Assim, faça você o que fizer, se lucrou financeiramente, obteve fama, foi elogiado, recebeu aplausos ou o que for, mas não realizou seus empreendimentos tendo como finalidade primordial a glória de Deus… considere-se um enorme fracassado. Por outro lado, se você trabalha, estuda, produz, canta, prega, escreve, se casa, fatura, labuta na obra do Senhor ou faz qualquer outra coisa com a motivação de glorificar a Deus, então todas as suas conquistas serão estrondosos sucessos. E o que é glorificar a Deus? Em essência, é cumprir o grande mandamento: amá-lo sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. Portanto, tudo o que você realiza por amor ao Pai celestial e por amor ao seu próximo representa glória para o Senhor e faz de você um sucesso total.

E nunca podemos nos esquecer de uma realidade suprema: qualquer sucesso que tenhamos não é nosso, é de Deus. Tiago foi no cerne dessa verdade: “Toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança” (Tg 1.17). Se o seu “sucesso” te envaidecer ou te fizer orgulhoso, soberbo ou altivo, você é o maior dos fracassados, pois está se vangloriando por algo que nem mesmo é mérito seu: é fruto da graça de Deus.

sucesso5Escrevo livros e posts deste blog para abençoar a sua vida e tentar ajudar de algum modo a conformá-lo mais à imagem de Cristo. E faço isso por amor a Deus e por amor a você. Se meus escritos alcançam essa meta, então pode me considerar um homem de sucesso, a despeito de quantos de meus livros forem vendidos e de quantos assinantes tiver este blog. Isso é o que vale para mim. E para você? O que você faz tem por motivação Deus e o próximo ou sua própria vaidade ou o amor por si mesmo, pela fama e a fortuna? Responda isso com toda sinceridade e você descobrirá se é bem-sucedido ou um fracassado. Ah, sim, e para terminar este texto, deixei por último uma imagem do que eu considero sucesso para uma pessoa – não segundo o Google ou o senso comum da sociedade, mas segundo a Bíblia sagrada. Compare esta última foto com as demais que ilustram este post e diga qual representa mais “sucesso” para você. A sua escolha vai dizer muito sobre os conceitos que norteiam a sua vida.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Mauricio Zágari

< Enquanto a segunda edição não chega da gráfica, o livro está disponível on-line na loja virtual da Saraiva: http://www.saraiva.com.br/perdao-total-8187731.html >

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gentileza1Tenho uma tristeza em meu coração que cresce a cada dia, mas já falo sobre isso. Antes permita-me trazer à memória uma recordação de infância. Lembro-me de quando era criança e, no caminho para a escola, passava por baixo do agora demolido elevado da Perimetral, na região do cais do porto do Rio de Janeiro. Pela janela do ônibus eu constantemente via uma figura solitária, que estava sempre presente: um senhor idoso, de barbas grandes e roupas extravagantes, que escrevia palavras nas pilastras do enorme viaduto. Eu não sabia na época, mas aquele homem, chamado José Datrino, viria a ser conhecido como “Profeta Gentileza”. Não tenho como contar sua história neste post, mas se desejar saber mais sobre essa figura icônica do Rio dos anos 1980, pode ler mais AQUI. Enfim, o que chamava atenção nas suas inscrições era que ele escrevia muitas frases desconexas, mas uma expressão nunca faltava: “Gentileza gera gentileza”. Em meio aos seus devaneios, provavelmente aquele homem não sabia que estava dizendo uma verdade bíblica; verdade essa replicada em passagens como:

“A resposta calma desvia a fúria, mas a palavra ríspida desperta a ira” (Pv 15.1);

“Vocês ouviram o que foi dito: ‘Ame o seu próximo e odeie o seu inimigo’. Mas eu lhes digo: Amem os seus inimigos e orem por aqueles que os perseguem, para que vocês venhama ser filhos de seu Pai que está nos céus” (Mt 5.43-45);

“Não retribuam mal com mal, nem insulto com insulto; ao contrário, bendigam; pois para isso vocês foram chamados, para receberem bênção por herança” (1Pe 3.9);

“Dediquem-se uns aos outros com amor fraternal. Prefiram dar honra aos outros mais do que a si próprios” (Rm 12.10);

“Alegrem-se com os que se alegram; chorem com os que choram. Tenham uma mesma atitude uns para com os outros. Não sejam orgulhosos, mas estejam dispostos a associar-se a pessoas de posição inferior.Não sejam sábios aos seus próprios olhos.  Não retribuam a ninguém mal por mal” (Rm 12.15-17).

“O seu falar seja sempre agradável e temperado comsal, para que saibam como responder a cada um” (Cl 4.6).

E por aí vai.

A tristeza que carrego em meu coração é por ver que a sociedade em que vivo está muito distante do ideal do Profeta Gentileza. Que, como vimos, reflete os ideais das Escrituras sagradas. E me refiro à sociedade como um todo: cristãos e não cristãos. Sinceramente, não sei o que está acontecendo ou como chegamos a esse ponto: vejo meus irmãos em Cristo refletirem uma agressividade difícil de compreender. É como se xingar, ofender e não perdoar tivessem se tornado virtudes do evangelho. Sei que já falei sobre este tema aqui no APENAS, mas a cada novo dia vejo tantas situações que me assombram quanto a isso que não tenho como deixar para lá.

gentileza2Acabei de ler um livro que fala exatamente sobre esta questão: a importância da gentileza no trato com quem discorda de nós. Não posso dizer o nome do livro nem o autor, por haver questões éticas envolvidas, mas posso relatar que é uma obra que mostra como a forma que tratamos quem discorda de nós é tão ou mais importante do que os argumentos que apresentamos. Isso se aplica a qualquer circunstância da vida: evangelismo, discussão apologética ou no simples trato diário. A conclusão é simples e óbvia, mas parece que nos esquecemos disso, sabe-se lá por quê: se pregamos as verdades do evangelho com agressividade, ofensas, sarcasmo e outras formas horríveis de se comportar, nosso procedimento desqualifica aquilo que dizemos. Isso está errado, muito errado, e precisamos urgentemente resgatar a vivência da gentileza na nossa rotina. Devemos tratar quem diverge de nós com afeto. É indispensável que sejamos corteses e gentis com quem não acredita no que acreditamos ou mesmo com quem acredita mas comete erros. Temos de ser menos implacáveis. Caso contrário, nossas palavras serão cristãs, mas nosso comportamento será diabólico.

Em grande parte, a culpa disso é de certos líderes. Pessoas que se posicionam com palavras agressivas de quem discorda de si, que usam de sarcasmo, ofensas, ódio… e muitos de nós, por admirarmos tais líderes, achamos que esse comportamento é válido. Se é o seu caso, escute: NÃO É. Esses líderes estão errados. Muito errados. Totalmente errados. E não devemos imitá-los. Se um líder cristão usa termos ofensivos para se referir a quem discorda dele em questões político-partidárias, doutrinárias ou teológicas, ele não está seguindo o exemplo de Cristo. Temos de ser mansos e humildes de coração. Temos de temperar nossas palavras com sal. Cristãos agressivos não são sal da terra e luz do mundo, são insossos e trevas. Desculpe ser tão incisivo, mas essa é verdade. Muitas vezes o mundo nos acusa de destilar ódio, e muitas vezes o mundo acerta ao afirmar isso, pois temos, sim, sido odiosos em muitas situações.

gentileza3As últimas eleições revelaram o pior de nós. Fiquei estarrecido de ver como muitos cristãos se posicionaram nas redes sociais. Na verdade, fiquei envergonhado. Tive vontade de gritar: “Eu concordo com o que eles dizem mas discordo totalmente da forma como dizem! Esse temperamento explosivo e esse comportamento odioso não me representa!”. Recentemente, vi no facebook pessoas se referirem a uma cantora evangélica com adjetivos inacreditáveis pelo fato de ela ter cometido uma gafe durante uma pregação (detalhe: posteriormente, ela se retratou e pediu perdão). Li cristãos chamarem essa irmã em Cristo de “boçal”, “idiota” e outras coisas do gênero, sem perceber que estavam agindo de modo absolutamente anticristão na escolha de suas palavras e no ódio que transmitiam. E, se dos lábios sai o que está cheio o coração, o que esse tipo de verborragia revela sobre o nosso coração?

Meu irmão, minha irmã, precisamos parar e refletir sobre como temos nos comportado, o que temos falado, como temos nos sentido com relação a quem discorda de nós. E isso em todas as arenas: político-partidária, doutrinária, teológica, pessoal, profissional, ministerial… não importa. Ou amamos de fato em nosso modo de nos relacionarmos ou para nada mais servirmos exceto para sermos jogados fora e pisados pelos homens. Não importa como os outros se comportam, importa como VOCÊ se comporta. Faça sua parte. Não conseguiremos mudar toda uma multidão raivosa, mas se você conseguir mudar a si mesmo, repensar como tem se posicionado e deixar a agressividade para viver a gentileza que gera gentileza… os céus se alegrarão e os anjos farão festa. Ser um cristão agressivo é uma contradição. Perceber o erro, arrepender-se e mudar de rumo é o evangelho em sua essência. O que você prefere ser, uma contradição mundana ou um exemplo do que o evangelho pode fazer?

gentileza4Faça sua parte. Repense sua forma de falar e se relacionar. Se perceber que não tem sido tão gentil como Cristo seria, sugiro humildemente que procure se reinventar. Ore pelos que erram ao abraçar a agressividade achando que Deus se agrada disso. Compartilhe essa ideia, passe adiante esses valores. E que o Senhor nos ajude a sermos um corpo formado por membros amorosos, graciosos, compassivos, misericordiosos, pacíficos e pacificadores, amáveis, bondosos, com domínio próprio e mansos. Sejamos menos punhos cerrados e mais corações abertos. Sejamos cristãos.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari

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Perdão é um assunto essencial para nossa saúde espiritual. A falta de perdão é um câncer que corrói a alma, gera culpa e ressentimento e nos afasta de Deus. Foi por isso que decidi me dedicar a esse tema em meu livro mais recente, Perdão Total – Um livro para quem não se perdoa e para quem não consegue perdoar (veja AQUI), que acabou de ser lançado pela editora Mundo Cristão. Semana que vem falarei um pouco mais sobre ele, se você me permitir. Hoje compartilho apenas um pequeno vídeo, que a editora me pediu para gravar, em que abordo um dos temas tratados no livro. Espero que aquilo que procuro compartilhar nessa fala de 2 minutos abençoe a sua vida.

Perdão Total_Youtube

(Se, ao clicar na imagem, o vídeo não abrir, clique AQUI)

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Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari

 

toxicas2É triste mas é verdade: existem pessoas tóxicas. São indivíduos que, por onde passam, deixam uma sensação muito ruim no ar, seja de mal-estar, tristeza, mágoa, derrotismo, antipatia, dissensões… suas palavras e/ou ações acabam provocando muitas sensações ruins e gerando situações incômodas. Essas pessoas me lembram um pouco o personagem Cascão, da Turma da Mônica, que por onde anda deixa o rastro de seu cheirinho desagradável. No caso de gente tóxica, o que fica não é mau odor, mas um clima muito estranho no ambiente, algo ruim, falta de paz. Você conhece gente assim? Provavelmente sim. E o que fazer com pessoas que causam mal-estar por onde passam? Melhor: como proceder, como cristão, quando pessoas tóxicas atravessam seu caminho?

Não fui eu quem inventou o conceito de “pessoa tóxica”, ele já existe e foi elaborado com mais cuidado pelo escritor e psicólogo argentino Bernardo Stamateas. “Tóxico” significa ser “venenoso”. Assim como uma substância tóxica que, despejada em um rio, mata peixes, plantas e outros seres vivos que tiverem contato com aquela água, um indivíduo “tóxico” é aquele que envenena os arredores – seja pelo que fala, seja pelo que faz, seja pelo que transmite. Ele causa abatimento de alma, conflitos, irritação, uma sensação incômoda e, invariavelmente, provoca falta de paz. Essa, aliás, é uma característica comum a todo tipo de pessoa tóxica: parece que ela contamina a paz que existe ao seu redor, como a fumaça tóxica de cigarros parece tornar o ar à sua volta irrespirável. Não é alguém que você tenha prazer de encontrar. A má notícia é que todo lugar tem sua cota de pessoas tóxicas – até mesmo as igrejas. Por isso, temos de aprender a lidar com esse problema, biblicamente.

toxicas3O melhor dos mundos é que esse indivíduo perceba que tem influenciado negativamente seu entorno, arrependa-se e abandone esse modo de ser. Você, meu irmão, minha irmã, pode ser o canal para essa transformação. Por isso, se houver ocasião e você tiver liberdade para isso, advirta com amor e carinho essa pessoa. Procure mostrar as consequências ruins de suas atitudes. Mas, se ela prosseguir em sua postura incômoda e desagradável, só há um caminho: afastar-se, para que você não acabe sendo contaminado e reproduza em seu comportamento aquilo que Deus aborrece ou abomina: “Seis coisas o SENHOR aborrece, e a sétima a sua alma abomina: olhos altivos, língua mentirosa, mãos que derramam sangue inocente, coração que trama projetos iníquos, pés que se apressam a correr para o mal, testemunha falsa que profere mentiras e o que semeia contendas entre irmãos” (Pv 6.16-19). Fuja de tudo isso. Não deixe que ninguém o influencie a trilhar esses caminhos.

Portanto, se não houver mudança de comportamento, a melhor maneira de se lidar com pessoas tóxicas é manter-se distante delas e, se necessário, cortar o contato. Paulo dá um exemplo de pessoa tóxica que deveria ser evitada, quando recomenda a Timóteo: “Alexandre, o latoeiro, causou-me muitos males; o Senhor lhe dará a paga segundo as suas obras. Tu, guarda-te também dele, porque resistiu fortemente às nossas palavras” (2Tm 4.14). Com esse afastamento, tais indivíduos não conseguirão exercer sua influência nociva sobre você.

toxicas4Portanto, não se deixe contaminar. Pois é fácil, por exemplo, virar um fofoqueiro quando se convive muito com fofoqueiros. Ou tornar-se um reclamão, quando cercado por reclamões. Ou adotar uma postura pessimista, se andar na companhia de pessimistas. A língua é terrível, nesse sentido, como Tiago destacou bem em sua epístola. Nas igrejas, geralmente uma pessoa maledicente acaba conduzindo quem está ao redor à maledicência. Ela fala mal de um irmão e, em pouco tempo, atrai para si um grupo de “discípulos” que passa a multiplicar aquilo que ela diz. Então, se você detectar que uma determinada pessoa consegue infectar as demais com a nuvenzinha negra que transporta sobre sua cabeça, evite reproduzir o que ela faz. Se ela chega para fofocar sobre a vida alheia, criticar negativamente os outros, meter o malho sem nada edificar, arrastar você para um estado de espírito depressivo, transformar seu dia para pior… simplesmente se recuse a participar da conversa. Em outras palavras, fuja das rodas tóxicas, sejam elas dos escarnecedores ou de quaisquer outros influenciadores de comportamentos perniciosos – mesmo que essa influência ocorra “em nome de Jesus”.

Em nossos dias, infelizmente muitas pessoas tóxicas conseguiram ampliar o alcance de seu veneno graças ao advento da televisão e, principalmente, da internet. Quem antes só destilava mal-estar para quem o cercava agora consegue estender esse clima ruim para milhares de pessoas por meio de todo tipo de mídia: programas de TV, redes sociais, YouTube, blogs, sites… as possibilidades são muitas. Pode reparar: se você criar o hábito de consumir o azedume destilado por esses irmãos, vai acabar destilando o mesmo azedume. Se não tomar cuidado, em pouco tempo estará adotando o mesmo tipo de discurso, assumindo postura agressiva semelhante, deixando-se deformar pela influência do veneno que chega até você pelo computador e pela televisão – e isso será péssimo. “Não vos enganeis: as más conversações corrompem os bons costumes. Tornai-vos à sobriedade, como é justo, e não pequeis; porque alguns ainda não têm conhecimento de Deus; isto digo para vergonha vossa” (1Co 15.33-33). Conhece quem esteja vivendo sob a influência de gente tóxica on-line ou via satélite? Pois cuidado para não se deixar envenenar também.

toxicas5As pessoas tóxicas que estão nas mais variadas mídias são diferentes das que convivem com você, no sentido que raramente você conseguirá chegar até elas para alertá-las em amor acerca do mal que estão disseminando. E, se conseguir, geralmente o seu posicionamento será repudiado como errado, menos espiritual ou menos embasado teologicamente. A distância virtual blinda. Pessoas com, por exemplo, fama ou muitos seguidores e “amigos” em redes sociais muitas vezes confundem isso com sinal verde para se tornarem altivos. Nesses casos, meu irmão, minha irmã, bater de frente não vai adiantar nada. A atitude deve ser fugir dessas pessoas. Falo por experiência. Há um bom tempo eu simplesmente fujo de toda e qualquer coisa que pessoas tóxicas postem na web ou falem na TV. Não leio mais o que escrevem em redes sociais; não assisto mais a suas pregações, a seus podcasts ou programas on-line; ignoro o que publicam em seus sites e blogs; fujo de seus programas de web TV. Se alguém me manda por e-mail o que as tais divulgam, eu simplesmente deleto sem olhar. E como valeu a pena! Por isso falo de algo que tenho posto em prática: fugir desse tipo de influência deixa você mais leve, saudável, em paz. É bom para a saúde – física, emocional e espiritual. E, livre dessas influências, o que você passa a falar torna-se muito mais agradável e edificante e a sua vida passa a dar muito mais frutos. Como alguém que para de fumar e, aos poucos, torna-se mais saudável e bem disposto, remover essas influências da sua vida só vai te fazer bem. Busque consumir somente aquilo que some e te faça ser alguém melhor.

Uma das grandes dificuldades para se conseguir manter-se distante da influência das pessoas tóxicas que estão na internet e na TV é a curiosidade. Você vai chegar na igreja e todos vão começar a comentar o que o famoso fulano de tal disse e que está disponível no YouTube. É natural sentir aquele comichão para buscar assistir ao que está na boca do povo. Mas, como alguém que enfia a mão em uma toca de cascavel, abrir-se a essa influência só te fará mal. Se você está nas redes sociais, fatalmente montes de seus amigos vão compartilhar o texto daquele irmão tóxico que destila mal-estar, tensão, polêmicas, dissensões e amargura por onde passa. É preciso ter domínio próprio para não abrir o link e ler aquilo que te fará mal. A boa notícia: é possível. Basta você querer.

Para muitos, fugir dessas influências significaria alienar-se das coisas que estão acontecendo no mundo e na igreja. Só que não. Com o tempo e a desintoxicação, você vai perceber que o que pessoas tóxicas produzem não faz nenhuma falta – assim como fumaça de cigarro não faz falta, apenas vicia e gera um certo prazer tóxico a quem é adepto. O veneno das tais provoca efeitos como tristeza, depressão, escândalo, polêmicas, chateações e facções. Não precisamos de nada disso em nossa vida. Precisamos de paz. Cristo passa longe de bate-bocas entre irmãos, das indiretas on-line, de agressões via satélite, picuinhas “gospel”, maledicências, confrontos nocivos, sarcasmo e coisas similares. “Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade; porém não useis da liberdade para dar ocasião à carne; sede, antes, servos uns dos outros, pelo amor. Porque toda a lei se cumpre em um só preceito, a saber: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Se vós, porém, vos mordeis e devorais uns aos outros, vede que não sejais mutuamente destruídos. Digo, porém: andai no Espírito e jamais satisfareis à concupiscência da carne” (Gl 5.13-16).

Fuja de todo veneno, mesmo o que vem de irmãos em Cristo. É provável até que os tais lancem seu veneno na maior das boas intenções e crendo estar agradando a Deus (como os fariseus e mestres da lei criam na época de Jesus). Mas isso não faz o veneno deles ser menos venenoso. Assim como você naturalmente mantém distância se encontra uma aranha venenosa, afaste-se de pessoas tóxicas. Se puder contribuir para que mudem, ótimo. Se elas não quiserem te dar ouvidos, deixe – e não permita que o veneno que destilam por suas palavras e atitudes chegue até você. “Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o coração, porque dele procedem as fontes da vida. Desvia de ti a falsidade da boca e afasta de ti a perversidade dos lábios” (Pv 4.23-24).

toxicas6Se não conseguimos influenciar positivamente as pessoas tóxicas, devemos, então, nos preocupar com quem temos a capacidade de mudar: nós mesmos. Sobre isso, reflita comigo: até que ponto não sou eu quem tem envenenado o próximo? Será que levo a paz a todos? Será que minhas palavras são sempre edificantes e temperadas com sal? Será que ajo em tudo com mansidão, amabilidade e carinho? Será que sou dos que edificam ou dos que prejudicam? Será que tenho defendido o evangelho como um pacificador ou como um gladiador? Em suma, tenho incensado os ambientes reais e virtuais por onde passo com o suave perfume de Cristo ou os tenho intoxicado com um jeito de agir e de falar que envenena corações e mentes? Se você perceber que, de alguma forma, tem sido tóxico, peço a Deus que aceite minha exortação em amor – e faça de tudo para mudar. No dia em que percebi que eu estava sendo um cristão tóxico, comecei a buscar em Deus a transformação, então falo com conhecimento de causa. Sim, eu já envenenei muito, e a percepção disso me abateu enormemente e me conduziu a um doloroso processo de arrependimento. Tenho me esforçado diariamente para mudar e ser alguém que direciona suas energias para edificar e abençoar, então sei que é possível lutar nesse sentido. E, se é possível para mim, é possível para qualquer um.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Mauricio Zágari

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apostolos1Você já parou para pensar sobre o que os amigos dos doze apóstolos pensaram quando eles decidiram seguir Jesus? O que será que os primeiros seguidores de Cristo tiveram de enfrentar em seu círculo de amizades para dedicar a vida ao Mestre? A Bíblia praticamente não menciona como foi a reação dos amigos e dos parentes dos apóstolos quando esses se tornaram cristãos, mas, se nos permitirmos um exercício de imaginação, podemos tentar supor como teria sido e ver que implicações essa reflexão geraria para nossa vida.

Tomemos por exemplo os irmãos Pedro e André. Eles eram pescadores e, por isso, provavelmente lidavam com dezenas de pessoas diariamente para vender o pescado, uma vez que, naquela época, o trabalho dos pescadores ia até a comercialização daquilo que caía em suas redes. De certo modo, os pescadores de então eram também feirantes, o que proporcionava a eles contato com muita gente e os tornava pessoas bem conhecidas em sua comunidade. Além disso, como bons judeus, certamente iam frequentemente à sinagoga, onde comungavam com outros israelitas e, assim como fazemos em nossas igrejas, eles se relacionavam com um amplo grupo. É de se supor que não fossem poucas as pessoas que os conheciam. Por isso, um dia…

– Onde estão Pedro e André? Não tem peixe hoje?

– É verdade, os filhos de Jonas também não foram à sinagoga, será que estão doentes?

A resposta deve ter impactado os amigos:

– Não, eles abandonaram o trabalho e pararam de ir à sinagoga.

– Ué, por quê?

– Estão seguindo um carpinteiro que diz ser o Messias.

– Mas estão vivendo de quê?

– Não sei… abandonaram as redes e o barco. E não guardam mais o sábado.

– Ih! Estão loucos. E desviados!

Penso, também, em Mateus. No caso dele, o homem deveria ter bem menos amigos sinceros, por ser coletor de impostos – uma categoria odiada pelos judeus daquela época. Mas, por isso mesmo, sua comunidade sabia quem ele era.

– Sabe Mateus, aquele cabra safado que fica pegando nosso dinheiro para dar aos romanos?

– Nem fala desse cidadão, o miserável me deixou no vermelho depois que veio cobrar os impostos.

– Bem, acontece que ele não está mais na coletoria. Largou tudo para seguir um carpinteiro que diz ser o Messias.

– Não brinca! De ladrão o cidadão virou herege?

E por aí vai. Se começamos a imaginar tudo o que os apóstolos enfrentaram no convívio social para assumir seu papel como seguidores de Jesus possivelmente teríamos muitas histórias de rejeição, ofensa, acusações e deboches. É difícil supor que a sociedade judaica de então tenha visto com bons olhos a “cristianização” daqueles doze judeus. Mesmo assim, os apóstolos não deram para trás, enfrentaram todo tipo de oposição social e ficaram firmes em sua decisão de seguir o Mestre.

apostolos2Você pode achar que foi uma decisão fácil. Mas não foi. Ninguém gosta de ser hostilizado pelos amigos, parentes e conhecidos. É só ver como Pedro se comportou diante dos seus acusadores na noite em que Jesus foi preso para ver como os olhares dos outros o afetavam. Ocorre que a mensagem da cruz é clara: “Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim não é digno de mim; quem ama seu filho ou sua filha mais do que a mim não é digno de mim; e quem não toma a sua cruz e vem após mim não é digno de mim. Quem acha a sua vida perdê-la-á; quem, todavia, perde a vida por minha causa achá-la-á” (Mt 10.37-39). Nessa passagem, Jesus está dizendo que devemos valorizá-lo acima de qualquer outra pessoa e que essa priorização tem um custo. Mas, ao final, valerá a pena, pois perdemos aqui para ganhar mais adiante.

Agora pensemos em você. Como foi a reação da sociedade ao fato de você seguir Jesus? A sua conversão foi tranquila ou teve um custo? Você perdeu amigos? Tornou-se motivo de chacota ou preconceito? As pessoas passaram a hostilizá-lo? Talvez essa reação negativa tenha ocorrido até mesmo dentro da sua família. Ou no ambiente de trabalho. De repente, o seu cônjuge foi bem contrário à sua decisão de seguir Jesus. Se de algum modo sua opção por Cristo trouxe algum prejuízo social, saiba que você não está só. Desde os primeiros discípulos, dois mil anos atrás, isso é uma realidade.

cruzA grande questão não é se você será perseguido por amor a Cristo. Isso é previsível, vai acontecer, pois o mundo não aceita a proposta revolucionária do evangelho. A cruz é uma ofensa para os valores seculares. A grande questão é como você reage diante da perseguição, da oposição, do desprezo, da chacota, da depreciação. Vivemos dias de muito preconceito contra os cristãos. Somos acusados de homofóbicos, fanáticos, ignorantes, atrasados, otários e muitos outros nomes que você já sabe. Esses ataques sempre existiram e sempre existirão, até Jesus retornar. Tenho visto muitos irmãos em Cristo reagirem a isso com violência. Somos atacados e, por isso, atacamos. Nesse período em que vivemos, em que a religião e sua oposição a certas agendas de grupos anticristãos está na pauta do dia, os ânimos afloram, os embates se multiplicam. As redes sociais fervilham com verborragia e indelicadeza de todos os lados. Minha pergunta a você é: será que estamos certos em nos defender revidando? Em usar das mesmas armas que o mundo usa contra nós? Você crê realmente que Jesus se orgulha quando nos posicionamos contra quem discorda de nós igualmente com deboches, ironia, ofensas, termos ofensivos e atitudes similares? Será que não estamos agindo com estupidez acreditando ser apologética? Sim, porque, no dia em que acharmos (se é que muitos já não acham) que a defesa da fé se dá descendo ao nível de agressividade e verborragia dos que não têm fé… estaremos perdidos.

A tendência natural do ser humano é reagir a ataques com certa dose de agressividade e violência. Mas, se queremos ser chamados de cristãos com “C” maiúsculo, devemos ter atitudes contrárias ao que determinam os impulsos humanos. Em outras palavras, seguir o exemplo de Jesus: “Ele foi oprimido e humilhado, mas não abriu a boca; como cordeiro foi levado ao matadouro; e, como ovelha muda perante os seus tosquiadores, ele não abriu a boca” (Is 53.7). Quando Pedro cortou com espada a orelha de Malco, Jesus o repreendeu, pois ele não quer que seus discípulos reajam como nossos perseguidores agem. Deixe o revide, a agressividade, os ataques verbais e o descontrole emocional para os do mundo. Pense nas coisas do alto. Mansidão. Paciência. Domínio próprio. Graça. Menos contra-ataques, mais pacificação. Eis o material que deve pavimentar nosso caminho rumo ao céu.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício