Arquivo da categoria ‘Sofrimento’

otica 1Uma das grandes lições que meu pai me ensinou é que experiências de vida são muito mais valiosas do que bens materiais. Por isso, na minha infância os presentes que ganhava dele eram bem chinfrins, mas, em compensação, todas as férias eram inesquecíveis: viajávamos de carro a lugares como Pantanal, Nordeste, Amazônia, Uruguai, Argentina, Bolívia. Foram muitas aventuras extraordinárias. Cresci e carreguei esse aprendizado comigo: bens passam, mas experiências permanecem. Por isso, alguns anos atrás, em vez de dar um objeto qualquer como presente de aniversário a minha esposa, dei-lhe um voo de helicóptero sobre a cidade do Rio de Janeiro. O dia estava lindo e, de fato, foi um passeio marcante. Algo em especial chamou minha atenção durante o voo: era impressionante como ver de outro ponto de vista os mesmos lugares que sempre frequentei me permitia ver as ruas, os bairros, as praias e tudo mais por uma ótica totalmente diferente. Aquele voo me fez entender com uma clareza inédita uma importante realidade da vida: tudo o que nos acontece pode ser analisado de ângulos diferentes e, dependendo de qual ponto de vista escolhemos, teremos percepções completamente distintas acerca das mesmas coisas.
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Para ficar mais claro o que quero dizer, tomemos por exemplo este relato bíblico: Naquele dia, sendo já tarde, disse-lhes Jesus: Passemos para a outra margem. E eles, despedindo a multidão, o levaram assim como estava, no barco; e outros barcos o seguiam. Ora, levantou-se grande temporal de vento, e as ondas se arremessavam contra o barco, de modo que o mesmo já estava a encher-se de água. E Jesus estava na popa, dormindo sobre o travesseiro; eles o despertaram e lhe disseram: Mestre, não te importa que pereçamos? E ele, despertando, repreendeu o vento e disse ao mar: Acalma-te, emudece! O vento se aquietou, e fez-se grande bonança. Então, lhes disse: Por que sois assim tímidos?! Como é que não tendes fé? E eles, possuídos de grande temor, diziam uns aos outros: Quem é este que até o vento e o mar lhe obedecem?” (Mc 4.35-41).
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ponto de vista 2Pare para pensar como as pessoas que estavam no barco com Jesus enxergaram esse episódio e como as que estavam nos “outros barcos [que] o seguiam” perceberam o ocorrido. Para todos, o fenômeno foi um só: eles saíram de uma margem, veio um grande temporal de vento, com altas ondas, de repente o tempo clareou e logo aportaram na outra margem. Mas as conclusões e as lições foram enormemente distintas: para  quem estava nos “outros barcos”, foi só isto: um fenômeno natural, climático, que se iniciou e terminou pelas forças da natureza. Mas, para quem estava no barco com Cristo, ficou claríssimo que houve uma intervenção sobrenatural de Deus por meio de Jesus. Assim, dependendo de em que barco se estava, a percepção da relação entre Jesus e o acontecido foi totalmente  diferente. Para uns, forças da natureza. Para outros, um milagre que comprovava a divindade de Cristo. Conclusões opostas, frutos de pontos de vista opostos.
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otica 2Pensemos agora sobre a sua vida. Quando chegam a tragédia, a desgraça, a dor e o sofrimento, como você os enxerga? Será que consegue perceber os fatos ruins da vida como parte da escola de Deus, eventos que têm a finalidade de lapidar o diamante bruto que você é e transformá-lo em joia preciosa? De que perspectiva você vê tudo de ruim que se abate sobre você ou aqueles que ama? Com a mesma murmuração do povo de Israel ao sair do Egito ou como Jó, que, ao perder todos os filhos, mortos num catastrófico desabamento, adorou o Senhor e foi capaz de dizer: “Nu saí do ventre de minha mãe e nu voltarei; o SENHOR o deu e o SENHOR o tomou; bendito seja o nome do SENHOR!” (Jó 1.21)?
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Será que você consegue ver o Deus que é puro amor e misericórdia no controle de tudo, mesmo quando chegam as lágrimas e o abatimento? Qual tragédia você está vivendo? Será que é capaz de enxergá-la como parte do grande propósito divino ou como o abandono de um deus mau e raivoso? O ponto de vista que você decidir assumir fará toda a diferença – na sua forma de proceder, nas lições que extrairá, nas palavras que dirá, na solidez de seu relacionamento com o Criador.
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otica 3Muitos, quando ouvem que as tragédias fazem parte da grande equação de Deus rumo a um futuro que ele deseja construir a partir da soma de eventos da vida, se recusam firmemente a reconhecer esse fato. Deus é bom e as desgraças só podem ser atos do Diabo ou da maldade do mundo, dizem. Eu sei que é difícil compreender, entenda que eu sei disso. Por isso, nas horas em que parece que não dá para encaixar sofrimento no mesmo espaço que um Deus bom e amoroso, temos de olhar para a Bíblia e não para o que nós “achamos”. Lembre-se de José, que tinha tudo e, de repente, é traído pelos irmãos, passa anos como escravo, é caluniado, vira presidiário… come o pão que o Diabo amassou… Peraí… o Diabo? Veja a percepção que José tem após atravessar as desgraças todas, em seu discurso aos irmãos traidores: “Assim, não fostes vós que me enviastes para cá, e sim Deus” (Gn 45.8). Uau, que homem de Deus era José. Ele compreendia com clareza que seu sofrimento fizera parte de um plano maior do soberano Criador, tal qual a dolorosa picada de uma injeção que, mesmo que machuque, tem por objetivo nos proteger de uma doença muito pior.
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Pense na cruz de Cristo, um sofrimento sem igual. Foi o Diabo que o levou à cruz? João 3.16 diz que o sofrimento de Jesus foi porque “Deus amou o mundo”. Pense no cativeiro babilônico de Judá e na conquista de Israel pela Assíria, foi o Diabo quem os causou ou foi tudo parte do plano didático do Deus que “disciplina todos os que ama”? Se você conhece a história bíblica, sabe a resposta.
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otica 4Meu irmão, minha irmã, o plano inicial de Deus não era o sofrimento da humanidade. Mas o sofrimento entrou, de penetra, como consequência do pecado. Está lá em Gênesis 3, basta ir à sua Bíblia ler. A partir daí, somos obrigados a conviver com ele, até que cheguem novos céus e nova terra. A questão toda é: é nesse meio-tempo? E no período em que estamos no mundo, sabendo que “no mundo tereis aflições”? Vamos olhar pelo ponto de vista humano, amaldiçoar a Deus e pedir a morte ou vamos olhar nossa dor pelos olhos divinos e, assim, adoraremos ao Senhor, a despeito das circunstâncias?
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Quando estivermos no cárcere, olhemos pelo ponto de vista de Deus e cantemos louvores. Quando estivermos na doença, olhemos pelo ponto de vista de Deus e o adoremos. Quando estivermos na desgraça, olhemos pelo ponto de vista de Deus e lhe rendamos honra. Deus é Deus e Deus é bom. A dor e o sofrimento não mudam esse fato. Mas tenha uma certeza: em meio às nossas angústias e aflições, jamais estamos sós. Pois Jesus prometeu que estaria conosco, todos os dias, até a consumação do século.
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cruzA sua lágrima não é derramada só por você. Saiba que há um Deus que decidiu enxergar a vida pelo meu e pelo seu pontos de vista. Por isso, ele se fez como um de nós. Viveu, suou, chorou, sofreu. Sofreu! Sofreu o pior dos sofrimentos! Mas ressuscitou. E hoje habita em glória, com lugar preparado  para nos receber. Você está sofrendo, meu irmão, minha irmã? Lembre-se: “A nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação” (2Co 4.17). Sim, Deus tem preparado para você uma glória eterna, que pesa mais do que todos os seus sofrimentos. Glória eterna. Paz. Felicidade. Creia: o fim do sofrimento virá. 

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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egoistaFui almoçar com meus pais no Leblon, bairro de classe alta do Rio de Janeiro. Meu pai estava com muita vontade de conhecer um restaurante a que nunca tínhamos ido antes, daqueles bem caros, frequentado por famosos e gente de alta classe. Para você ter uma ideia, quem estava na mesa ao lado da nossa era Bernardinho, o técnico da seleção de vôlei, com a esposa e a filha. Cada prato custava uma fortuna. Tirando a mim, todos no restaurante eram da elite carioca. De repente, aconteceu algo que me fez pensar: aproveitando a distração dos garçons, um homem sem os dois braços se aproximou das mesas, na tentativa de ganhar uns trocados. Você não leu errado: ele não tinha os dois braços, apenas pequenas extensões abaixo dos ombros. A primeira pessoa a quem pediu dinheiro foi um homem muito bonito, extremamente bem arrumado, com relógio e adereços visivelmente caros, que estava sentado à mesa numa espécie de varanda junto à rua.

– Pode me ajudar?

Automaticamente, o incomodado cliente do restaurante deu uma resposta rabugenta, sem nem olhar direito para o pedinte:

– Não tenho dinheiro não, parceiro.

Confesso que essa resposta me deixou confuso com meus próprios sentimentos. Por um lado, sei de todas as recomendações para não dar esmolas, uma vez que muitos pedintes são “vagabundos profissionais”, que preferem ficar mendigando a buscar um trabalho. Mas, por outro… convenhamos, vai, o homem não tinha os dois braços! Em milissegundos, passou pela minha cabeça quantas oportunidades profissionais bem remuneradas aquele homem poderia ter. Ficou claro para mim que, no mínimo, a vida daquele ser humano era bem difícil e que viver da caridade alheia era uma de suas pouquíssimas possibilidades de renda.

egoista 1Algo naquela cena me incomodou bastante: a mentira deslavada do cidadão que negou ajuda. Era evidente que ele tinha dinheiro. Muito dinheiro. Pelo que comeu e bebeu, estimo que deve ter gasto no mínimo uns duzentos reais naquele almoço. Só os óculos de sol que usava deviam valer muitos almoços para o homem sem os dois braços. Dizer que não tinha dinheiro foi o passa-fora mais mentiroso que poderia ter dado. Seria mais honesto dizer algo como “não quero te dar dinheiro não, parceiro”.

Enquanto eu me revoltava contra o grã-fino mentiroso, adivinhe só: o pedinte virou-se justamente para mim:

– Pode me ajudar?

Depois de ter ficado chocado com a atitude do ricaço mentiroso, é óbvio que eu não só podia ajudar, como ajudaria com toda certeza! Afinal, não sou eu o cara que chora quando passam na televisão aqueles comerciais do ActionAid, do Médicos sem Fronteiras, da Fundação Abrinq e da AACD? Ajudar o próximo é comigo mesmo! Jamais recusaria auxílio a um necessitado! Sou um cristão, ora bolas! Como poderia me recusar a dar de comer a quem tem fome?!?!

Bem…

Tenho de confessar. Por um instante, eu hesitei. E quase soltei um “Não tenho dinheiro não, parceiro”. Foi fácil para mim fazer cara feia para o rico mentiroso, mas, por pouco, não me tornei um “classe média mentiroso”. Pois o meu impulso automático foi dizer exatamente a mesma coisa. Percebi que minha natureza humana, falha e egoísta, junto com meu senso de desconfiança aguçado, retiveram minha mão e fecharam meu coração. A vontade que eu tinha naquele momento de dar dinheiro para o homem era nenhuma. Afinal, era o meu dinheiro.

egoista 2Foi quando me dei conta de como somos condicionados a ser egoístas e só nos preocuparmos conosco. Ficou claro que eu fui adestrado a desconfiar de tudo e de todos e a achar que todos são espertalhões. Entenda que tudo o que estou descrevendo se passou num espaço de tempo mínimo, de ínfimos segundos. E minha reação imediata foi não ajudar o próximo. Não ajudar um homem sem os dois braços! Eu, o cara que na véspera tinha pago oito reais em um suco e quatorze reais em uma tapioca de Nutella, estava inclinado a não dar nem umas moedas a uma pessoa sem os membros superiores.

Foi preciso parar. Dominar meus instintos egoístas e desumanos. Respirar. Recordar do que o anjo disse a Cornélio em Atos 10.31. Tentar me vestir da natureza de Cristo. E, só então, minha mão desceu até a carteira e sacou alguma coisa. Sorridente, o homem virou as costas e pediu que enfiasse o dinheiro no bolso traseiro de suas calças. E prosseguiu em seu caminho.

egoista 3Fiquei pensando sobre aquilo. De fato, a humanidade é má. Precisamos de Cristo para superar nossos instintos e impulsos mais egoístas e  desumanos. Criticamos os “pecadores” e incorremos no mesmo pecado que eles. Conhecemos a piedade mas, frequentemente, nos esquecemos de pô-la em prática. É como se houvesse duas pessoas habitando nosso coração: Adão e Cristo. Só que “assim como, em Adão, todos morrem, assim também todos serão vivificados em Cristo” (1Co 15.22). Adão não pode prevalecer.

A luta é diária. Mas não podemos desistir. Se baixarmos a guarda, seremos derrotados pelo egoísta que habita em nós. Não permita que ele vença: supere a si mesmo e deixe que Jesus use seu braço, seu tempo, seus bens e seu coração para dar de comer a quem tem fome e de beber a quem tem sede.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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Jesus chorou 1A Bíblia relata uma passagem enigmática da vida de Jesus. Ele é chamado às pressas para ir até o povoado em que viviam três amigos, os irmãos Lázaro, Maria e Marta. Lázaro estava gravemente doente, à beira da morte. O Mestre seguiu até o local, mas já encontrou o amigo morto e muitas pessoas o pranteando, em luto, chorando e se lamentando. O texto bíblico prossegue. Jesus pergunta: “Onde o colocaram?”. E as pessoas presentes respondem: “Vem e vê, Senhor”. É quando o texto diz: “Jesus chorou” (Jo 11. 35). A grande pergunta é: por que exatamente Jesus chorou? O que o levou a derramar lágrimas?

Há algumas teoria. Uns dizem que foi pela incredulidade que encontrou entre parte dos que ali estavam. Afinal, diz o texto: “Mas alguns deles [das pessoas que estavam no local] disseram: ‘Ele, que abriu os olhos do cego, não poderia ter impedido que este homem morresse?’” (Jo 11.37). Essa hipótese é pouco provável, pois, se formos analisar quantas vezes ao longo dos evangelhos vemos relatos de pessoas que duvidaram de Jesus, as numerosas ocorrências não caberiam neste espaço. E o texto bíblico mostra que em nenhuma outra ocasião a incredulidade das pessoas levou o Mestre a chorar.

Jesus chorou 2Outra teoria é que ele teria derramado lágrimas pela dor da perda de Lázaro. O próprio texto diz que houve essa percepção entre alguns que estavam ali: “Então os judeus disseram: ‘Vejam como ele o amava!’” (Jo 11.36). Essa hipótese também é improvável, pois Jesus é Deus, ele participou da criação do mundo (Jo 1), sabe quando cada pessoa vai nascer e morrer e tem plena certeza de que a morte do justo alegra o coração de Deus. Mais importante, Jesus conhece o que vem após a morte e não tem as dúvidas e os medos que nós, que nunca passamos por ela, sentimos. Melhor do que ninguém, o Deus que se fez carne sabe que, após a morte, o que espera os salvos é: “Não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor” (Ap 21.4). Por que, então, alguém choraria pelo fato de um amigo ter partido para uma realidade tão maravilhosa como essa? Não faz nenhum sentido.

Então por que, afinal, ele chorou? A explicação está no texto bíblico. A Escritura diz que, assim que Jesus chega à casa da família de seu amigo, Maria se prostra a seus pés e chora, junto com os outros que a acompanhavam. Então, que “ao ver chorando Maria e os judeus que a acompanhavam, Jesus agitou-se no espírito e perturbou-se”. Em seguida, profundamente comovido, ele próprio chora (Jo 11.33,35,38). O texto bíblico continua e, novamente, temos outra informação sobre o estado de espírito de Cristo naquele momento: “Jesus, outra vez profundamente comovido, foi até o sepulcro” (Jo 11.38). Pela segunda vez, é dito que o Senhor estava tocado em suas emoções.

Jesus chorou 3Chegamos, então, à chave da questão: ele estava “agitado no espírito” e “profundamente comovido”. Pela morte de Lázaro? Não. Isso ocorre “ao ver chorando Maria e os judeus que a acompanhavam”. O que levou Jesus às lágrimas foi ver o choro das pessoas. A dor delas. Em outras palavras, Cristo chorou por compaixão. A bondade de Jesus é tanta que ele se deixa tocar profundamente pela dor e pelo sofrimento das pessoas. E chora em empatia com elas. Só alguém de coração muito bondoso seria capaz disso. E Jesus é a bondade encarnada. Jesus não chorou pela incredulidade dos presentes ou pela morte de Lázaro, mas pelo sofrimento das pessoas.

Saiba disto, meu irmão, minha irmã: ao ver a sua dor, Jesus se comove, agita-se em seu espírito e… chora. Pois ele sente na pele o que você sente na alma — e não fica indiferente a isso. Você está sofrendo? Então prepare-se: um Deus comovido e misericordioso entrará em ação em seu favor.

(Este texto foi publicado originalmente no jornal Sal da Terra)

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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Deus está no controle 1­Deus está realmente no controle das coisas? Ele já tem tudo previsto ou existe margem para mudanças nos planos divinos? Se o Senhor está no controle, até onde vai sua esfera de intervenção nas coisas do mundo? Livre-arbítrio é uma heresia arminiana? Ou determinismo é uma heresia calvinista? É fato que o Todo-poderoso não está por trás das catástrofes, como alega o teísmo aberto? Como se explica a história de Ezequias, o rei israelita que ganhou 15 anos a mais de vida após orar a Deus? Se o Senhor já sabia que a humanidade pecaria, por que a criou? Se Jesus veio à terra para morrer por nossos pecados, por que pediu ao Pai que afastasse dele o cálice do sofrimento? Se Jesus é descendente de Davi por meio de Bate-Seba, a mulher com quem o rei adulterou, Deus queria que esse adultério ocorresse? Questões como essas dão nó nos neurônios de muita gente, para quem a grande equação por meio da qual Deus conduz o universo é um enigma incompreensível e insolúvel. Esta semana vivi uma experiência que me fez pensar muito sobre como o Senhor age em nossa vida.

Perdão Total_Capa 3D em altaDesde que foi lançado meu mais recente livro, Perdão Total — Um livro para quem não se perdoa e para quem não consegue perdoar, tenho sido convidado para pregar ou palestrar sobre o assunto em diferentes cidades do país. Domingo passado, estava agendado para que eu pregasse na Igreja Batista Jardim Icaraí, em Niterói (RJ). Como eu não dirijo, um casal querido, Ana e Renato, se dispôs a sair de Niterói e me pegar em casa, em Botafogo, bairro do Rio de Janeiro. Ficou combinado que eles me pegariam às 18h, pois o culto começava às 19h30. Iríamos eu, minha esposa e minha filha de 4 anos. Só que o imprevisto ocorreu, com toda força.

No meio da tarde, um temporal desabou sobre a cidade. Foi um daqueles aguaceiros que dão reportagem em jornais, com ruas alagadas, trânsito parado e caos. Resultado: depois de muito penar para chegar até meu prédio, fugindo de bolsões de água e trechos intransitáveis, Ana e Renato conseguiram estacionar, ilesos, no posto de gasolina em frente ao meu edifício. Só que já eram 19h e a chuva não dava sinal de trégua. Assim que chegaram, Ana me telefonou e tentei ir até eles, mas minha rua tinha virado um rio e era impossível dar um passo fora da portaria. Conversamos, então, por telefone e, depois de eles terem consultado o seu pastor, todos vimos que não conseguiríamos chegar à igreja a tempo do culto. Resultado: de comum acordo, decidimos adiar minha ida para outro dia. Depois de um tempo, as águas começaram a baixar e consegui fazer um malabarismo para ir até eles. Conversamos pessoalmente e a decisão foi reafirmada.

Confesso que subi de volta para meu apartamento decepcionado e questionando Deus. Já no elevador, eu comentava com o Senhor que não entendia aquilo. Será que ele não queria que eu compartilhasse a mensagem do perdão com os membros daquela igreja? Claro que tenho o entendimento de que o temporal não caiu só por minha causa, mas, como eu também sou uma letra na equação divina, entendo que minha vida também é incluída nas decisões de Deus. Assim como a sua. Assim como a de qualquer pessoa. Fato é que fiquei triste por não poder ir até Niterói pregar sobre um assunto que considero extremamente urgente.

E foi então que a história deu uma guinada.

Deus está no controle 2Cerca de vinte minutos depois de ter chegado em casa, minha filha, que passou o dia inteiro bem disposta, estava arrumada e animada para sair e ficou bem triste por não termos ido à igreja, começou a reclamar de dor de cabeça. Em minutos, a dor ficou extremamente forte e ela passou a sentir um mal-estar generalizado. De repente, o susto: a pequena se revirou na cama e vomitou em profusão. Enquanto eu limpava a sujeira, sua mãe a levou ao banheiro para lavá-la. Lá, mais vômitos. Achei que a crise tinha acabado. Dei-lhe um pouco de água para beber e deitamos no sofá da sala para assistir a uma apresentação de balé. Em poucos minutos, a pequena começou a acusar nova dor de cabeça e mal-estar. Virou-se para o lado e vomitou pela terceira vez, agora no chão da sala.

Foi quando percebi que a coisa ia além de um simples enjoo e tomei a decisão de levá-la para o hospital. Como alguém que já passou três dias internado em um CTI por infecção intestinal grave, levo muito a sério esse tipo de sintomas. Assim, nos vestimos rápido, descemos, vimos que a água já tinha baixado o suficiente para sairmos, pegamos um táxi e disparamos para a emergência pediátrica. Chegamos ao hospital e logo fomos atendidos. Assim que entrou na sala do médico, minha filha vomitou novamente, com espasmos bastante fortes. Seu estômago estava vazio e quase não saía mais nada. Depois dos exames preliminares, entramos na sala de atendimento de emergência, onde, enquanto aguardava para tomar uma injeção, a pequena vomitou pela quinta vez. A dor de cabeça era grande. O mal-estar e a moleza, generalizados. O médico decidiu fazer uma tomografia computadorizada da cabeça.

Vou resumir as três horas e meia seguintes, passadas entre exames e tratamentos, em um parágrafo: graças ao atendimento rápido, minha filha pôde ser liberada naquela mesma madrugada do hospital. Os médicos não conseguiram determinar o que ela teve, mas as suspeitas vão de intoxicação alimentar a viroses. A medicação rápida contribuiu muito para seu quadro não piorar. Ela ficou dois dias em casa, de repouso, ainda com dores, febre e enjoos, mas, com o tempo, o problema passou.

Deus está no controle 3Fiquei pensando. Se tivéssemos ido a Niterói, minha filha passaria mal longe de casa, talvez presa em algum engarrafamento, talvez momentos antes de eu subir ao púlpito para pregar. Imagine como teria sido. Tudo é um grande “talvez”, mas uma coisa é certa: o fato de estarmos em casa quando ela passou mal foi decisivo para que fosse rapidamente socorrida e, seja lá o que a tenha acometido, o mal ter sido debelado com o mínimo de dor e desconforto. Quem sabe, até, uma demora no socorro poderia ter agravado o quadro e gerado problemas mais severos.

E aí fica a pergunta: será que Deus me impediu de ir a Niterói para que eu pudesse socorrer minha filha? Teria ele sacrificado a pregação naquele dia específico em prol do que ele sabia que aconteceria com minha pequena? A resposta é que não sei, é muito complexo pensar sobre isso e eu não sou onisciente. Não tenho como afirmar nada. Mas, quando olho para a Bíblia, vejo que “O Senhor faz tudo com um propósito” (Pv 16.4). Mais ainda, percebo que “Sabemos que Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam, dos que foram chamados de acordo com o seu propósito” (Rm 8.28). Então, ao ler verdades como essas, solidifico em meu coração uma realidade: nada do que aconteceu foi à toa.

O acaso não existe. Sorte é um conceito antibíblico. O que prevalece é a soberania de Deus. E, nessa soberania, o Senhor fez com que, em meio a milhões de cariocas e niteroienses afetados pelo temporal de domingo, eu não fosse pregar conforme tinha sido planejado e, assim, estivesse em casa para socorrer com agilidade minha filha. Se você me perguntar se foi coincidência, vou sorrir, com toda a certeza do mundo de que Deus teve um propósito no que ocorreu e que ele agiu para o nosso bem.

Meu irmão, minha irmã, preste mais atenção às coisas que acontecem em sua vida. Não digo só as grandes; as pequenas e insignificantes também. Pois, se tudo Deus faz com um propósito e em todas as coisas ele age pelo bem dos que ama, lembre-se que tudo significa tudo. E todas as coisas significa todas as coisas. Não uma parte, não uma parcela, não umas e não outras. Tudo. Todas as coisas. Esse é o Deus da Bíblia.

Deus está no controle 4Com essa percepção, você vai passar a perceber a ação de Deus no engarrafamento, no chuveiro que pinga, no calor abrasador, no mendigo que lhe pediu dinheiro, no atraso do dentista, na gata que fugiu de casa, na topada do pé. Há gente que brinca com quem atribui tudo ao Diabo, criticando quem diz que “queimou o arroz, é culpa do Diabo”. Eu discordo. A “culpa” é de Deus. Pois ele tinha em mente aquele arroz queimado. Para quê? Sei lá! Mas ele sabe. A vida é uma grande engrenagem, que tem como finalidade nos conduzir à vida eterna, em Cristo. Como tudo isso funciona eu não faço ideia, os pensamentos do Senhor são muito mais elevados do que os meus para que eu consiga compreender. Mas de uma coisa eu sei: eu não preciso saber todos os mistérios do Senhor nem conseguir explicá-los, pois basta compreender que Deus sabe tudo. Peço apenas que ele me tome pela mão e conduza meus passos. Em outras palavras, “seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu” (Mt 6.10).

Digam o que quiserem, Deus está no controle. Uns chamam de sorte, eu chamo de Deus. Uns chamam de acaso, eu chamo de Deus. Uns chamam de livre-arbítrio, eu chamo de Deus. Uns chamam de determinismo, eu chamo de Deus. Chamem do que desejarem, elaborem as teorias teológicas que quiserem, a resposta será sempre uma só: Deus. E, com isso em mente, devemos fazer a nossa parte e, em seguida, agir como recomendou o salmista: “Entregue o seu caminho ao SENHOR; confie nele, e ele agirá” (Sl 37.5).

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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espanto 1Embora não tenha esta intenção, este post pode chocar você. Então, se você não deseja ser levado a refletir sobre o que não quer refletir, recomendo que pare a leitura agora. É sério: não quero que ninguém que se incomoda com aspectos da humanidade de Cristo se sinta ofendido, portanto se discutir essa questão ofende sua sensibilidade, por favor, não leia.
Se decidiu prosseguir, tenho de perguntar: preparado para pensar sobre alguns aspectos da pessoa de Jesus sobre os quais provavelmente nunca tinha pensado antes? Então vamos lá: Jesus soltava gases. Tirava meleca. Fazia xixi e popô. Ficava grudento de suor. Sem usar bálsamos, tinha cheiro de suor. Arrotava. Tinha cera no ouvido. E por aí vai. Se você ficou abismado por eu estar falando essas coisas e agora me acha um grande herege ou, no mínimo, um enorme desrespeitoso, gostaria de dizer que estou sendo, simplesmente, bíblico. E, acredite, não estou usando o nome de Deus em vão: eu quero chegar, sim, a algum lugar com esta reflexão.
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As Escrituras falam sobre Jesus que “ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana” (Fp 2.6-7). Isso nos mostra que o Criador do universo, o temível e poderoso Deus, o único digno de abrir os selos, aquele diante de quem todo joelho se dobrará, o Rei dos reis e Senhor dos senhores… fez-se como um homem. E, como tal, carregou em si absolutamente todas as características de um ser humano, com exceção de uma: ele nunca pecou. 
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E se, como homem, Jesus tinha todas as características humanas, é natural concluir que ele flatulasse, arrotasse, assoasse o nariz, tivesse cheiro de gente, fizesse necessidades fisiológicas e tudo o mais que eu, você e qualquer ser humano na face da terra fazemos. Quando você acorda de manhã, seu hálito tem aroma de rosas? Nunca teve aquelas reações naturais ao final de uma refeição? Os seus gases têm cheiro de perfume francês? Não? E sabe por quê? Porque você é 100% homem. Assim como Jesus. 
espanto 2Posso ir além? Se está escandalizado, recomendo de coração que pare esta leitura agora, pois a humanidade de Cristo será ainda mais exposta a partir deste ponto. Se continuar, será por sua conta e risco. Quer prosseguir? Então vamos lá: há um aspecto da pessoa de Jesus que poucos falam, com medo das reações, que deixa muitas pessoas de queixo caído e cabelos em pé, mas do qual não se pode fugir: Jesus sofreu tentações em todas as áreas. “Tá maluco, Zágari!?!?!?!?!”. Bem… não, eu não estou maluco. Posso afirmar isso porque as Escrituras afirmam isso. Veja: “Tendo, pois, a Jesus, o Filho de Deus, como grande sumo sacerdote que penetrou os céus, conservemos firmes a nossa confissão. Porque não temos sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; antes, foi ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado” (Hb 4.14-15). Repare: “ele foi tentado em TODAS as coisas”, assim como ocorre com qualquer um de nós, seres humanos. E “todas” significaria, por acaso “umas mas não outras”? Ou “todas” significa… “todas”? Se “todas” significa “todas”, posso afirmar que Jesus foi tentado para roubar, mentir, desonrar os pais, ser arrogante, sonegar imposto e se relacionar sexualmente sendo solteiro, entre tantos outros milhares de tipos de tentação.
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Não se escandalize por isso. Entenda que ser tentado é diferente de cometer o pecado. Ter sido tentado em todas as coisas não quer dizer que ele pecou em qualquer uma delas. Pelo contrário: a Bíblia afirma que em tudo Jesus foi tentado e afirma que em nada ele pecou. Então Jesus ter sido tentado não é nenhum problema. Problema teria sido ele pecar. Jesus foi tentado no deserto para cometer enorme abominação: prestar adoração ao Diabo. E isso não escandaliza ninguém. Por que, então, dizer que ele sofreu outros tipos de tentação deveria escandalizar?
espanto 3Agora vamos ao que de fato interessa nesta reflexão: precisamos ter muito claro que Jesus é totalmente humano. Totalmente. Totalmente. A ausência de pecado é o porém: exclua o pecado e ele é igualzinho, em sua humanidade, ao resto da humanidade! Se assim não fosse, ele jamais poderia ter morrido pelo pecado de todos, pois um Deus não-humano não teria como sofrer em nosso lugar. Uma das maiores discussões entre os teólogos dos primeiros séculos de Igreja era exatamente esta: seria Cristo só espírito, só carne, dois em um, um em um…? Como seria a essência do Salvador? Após muitas discussões e concílios (reuniões dos líderes da Igreja) concluiu-se, a partir das Escrituras, que ele abrigava em si, simultaneamente, as duas naturezas: humana e divina. Foi preciso a Igreja passar pelos concílios de Niceia (ano 325), Constantinopla (381) e Éfeso (431), para finalmente, no concílio de Calcedônia (451), sacramentar a afirmação da existência de duas naturezas na única pessoa de Cristo (o que a teologia chama de “diofisismo”). O texto final desse concílio estabeleceu:
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“Na linha dos santos Padres, ensinamos unanimemente a confessar um só e mesmo Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, o mesmo perfeito em divindade e perfeito em humanidade, o mesmo verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem, composto de uma alma racional e de um corpo, consubstancial ao Pai segundo a divindade, consubstancial a nós segundo a humanidade, ‘semelhante a nós em tudo com exceção do pecado'(Hb4.15); gerado do Pai antes de todos os séculos segundo a divindade, e nesses últimos dias, para nós e para nossa salvação, nascido da Virgem Maria, mãe de Deus, segundo a humanidade. Um só e mesmo Cristo, Senhor, Filho Único que devemos reconhecer em duas naturezas, sem confusão, sem mudanças, sem divisão, sem separação. A diferença das naturezas não é de modo algum suprimida pela sua união, mas antes as propriedades de cada uma são salvaguardadas e reunidas em uma só pessoa e uma só hipóstase”(DS 301-302).
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Qual é a grande beleza dessa realidade? De que maneira saber que Cristo é totalmente homem, nos mínimos detalhes, influencia nossa vida? Simples: Jesus nos entende. Ele é plenamente o que nós somos. Assim, compreende com exatidão tudo o que tem a ver com o ser humano. Você solta gases? Jesus entende. Você tira meleca? Jesus entende. Você tem mau hálito de manhã? Jesus entende. Seu desodorante venceu? Jesus entende.
espanto 4De igual modo – e este sim é o ponto que realmente importa -, se Jesus te entende nessas besteirinhas sem importância, ele te entende também nas grandes. Você pecou? O perdão dele é total. “Quanto dista o Oriente do Ocidente, assim afasta de nós as nossas transgressões. Como um pai se compadece de seus filhos, assim o SENHOR se compadece dos que o temem. Pois ele conhece a nossa estrutura e sabe que somos pó” (Sl 103.12-14). Você está sendo tentado? Ele nos ensina o caminho: “Vigiem e orem para que não caiam em tentação” (Mt 26.41). Você tem vontade de dar na cara de quem te fez mal? Aquele que foi esbofeteado, cuspido e humilhado mostra como reagir: “Amem os seus inimigos e orem por aqueles que os perseguem, para que vocês venham a ser filhos de seu Pai que está nos céus” (Mt 5.44-45). E por aí vai. Cristo tem total identificação conosco, porque se fez como um de nós. O gigante se fez como um anão e, assim, compreende plenamente o que é ser anão.
cruzMeu irmão, minha irmã, compreender a humanidade de Cristo não tem nada a ver com saber que ele fazia isso ou aquilo que todo homem faz. Isso em nada importa, é irrelevante. O que é extraordinário é entender que essa compreensão nos revela um Deus que sabe onde dói a nossa dor; que entende o que é a tentação; que viveu na pele a fome e a sede, a dor e a angústia, o sofrimento e o abandono, a vida e a morte. Jesus ser homem é a grande maravilha do milagre da encarnação: ele entende. Ele entende você. Ele compreende pelo que você está passando. Ele sente nele a aflição da sua alma. Ele tem empatia pelas suas dores. E, por tudo isso, Cristo não dá as costas quando você mais precisa dele. Nunca. Essa é uma das mais lindas consequências da cruz.
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Deus te ama. E quis ser como você é, para que você pudesse entender que ele te entende. E, ao vestir-se de homem, morrer e ressuscitar, Cristo deu a você o poder de passar a eternidade na companhia desse magnífico, extraordinário e belo Deus de amor.
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Paz a todos vocês que estão em Cristo,
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inferno 1Eu vi o inferno. Calma. Antes que você ache que vou contar mais uma dessas experiências de gente que afirma ter sido arrebatada e levada para um passeio pelo temido local de tormento eterno, deixe-me tranquilizá-lo; não é nada disso. Tampouco pretendo escrever um livro com “divinas revelações” do que há do outro lado da morte. A visão que tive do inferno na verdade é metafórica, fruto de um episódio simples que me fez ter um lampejo da terrível realidade de quem após esta vida adentra nesse ambiente tão misterioso onde há choro e ranger de dentes. Minha filha é muito apegada aos pais. Talvez pelo fato de não ter irmãos ou primos por perto e de conviver essencialmente comigo e minha esposa todos os dias e noites, ela aprecia muito estar em nossa companhia e detesta ficar longe de nós. Com a virada do ano, sua turma na escola ganhou novas professoras, que ela não conhecia antes. Bem aclimatada ao colégio, já há bastante tempo ela não faz escândalos quando a deixamos para a aula, acostumada que está aos coleguinhas e ao ambiente escolar. Até que…

No primeiro dia de aula deste ano, minha esposa é quem a levou para a escola. Tudo certo, sem incidentes. Mas, no segundo dia, foi minha vez. Pus a filhota na cadeirinha de minha bicicleta e fomos pela ciclovia, cantando e conversando, até o colégio. Cheguei, estacionei, descemos da bicicleta e caminhamos para o pátio em que eu a entregaria para a professora. Tudo normal, sem problemas. Só que, então, fui me despedir. Em vez do beijinho e do abraço usuais, seguido de um “tchau, Jesus te abençoe”, naquele dia a reação dela foi diferente. Pediu colo. Agarrou-se em meu pescoço com todas suas forças e começou a lamentar baixinho:

– Papai… papai… papai… papai…

Como um filhote de coala, ela se atracou em mim com braços e pernas e não desgrudava por nada. Desacostumado a esse tipo de comportamento já havia muitos meses, fui pego de surpresa. Tentei conversar. Usei muitos argumentos. Mas as palavras foram vãs e minhas tentativas, infrutíferas.

– Papai… papai… papai… papai…

Olhei para a professora nova com um olhar de “me ajuda” e ela veio em meu socorro. Tentamos fazer minha filha desgrudar e se juntar aos coleguinhas, mas foi pior. Quando percebeu que estavam tentando separá-la de mim, a filhota começou a chorar e a gritar. Foi um escândalo. Eu tentava argumentar, a professora oferecia convites e opções de atividades, mas absolutamente nada surtia efeito.

– Bebê, papai precisa ir…

– Papaaaaaaaaaaiiiiii!!!!!!! – a coisa só piorava.

Quando me dei conta, ela entrou em desespero. Por nada do mundo queria ficar longe de mim. O grito virou um urro. As lágrimas banhavam o rosto, que inchava e se avermelhava. O suor empapava a camisa. O cabelo começou a ficar desgrenhado, de tanto ela resistir. Eu tentava. A professora tentava. Uma auxiliar tentava. Até coleguinhas se aproximaram com olhar assustado para ver o que estava acontecendo. Nada adiantava.

– Papaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaieeeeeeee!!!!!!

Consegui, com monumental esforço, puxá-la para longe do abraço e a pus no chão. Com um salto, ela se atracou a uma de minhas pernas e o choro piorou.

– Papaaaaaaaaaaiiiiiiii!!!!! Coloooooooooooo!!!!!!!

Olhei para o relógio e vi que, se não saísse dali naquela hora, me atrasaria para o trabalho. Olhei para a professora, que me olhou de volta. Pelo olhar decidimos que teríamos de desgrudar minha filha à força. E foi o que fizemos. Com o máximo de delicadeza que consegui, afastei os bracinhos dela de mim e a professora a segurou, enquanto eu caminhava apressadamente para a porta. Com o coração dilacerado pelos urros da minha filha, que dobraram de volume ao me ver me afastando, olhei para trás.

E foi quando tive a visão do inferno.

Separada do pai, aquela pobre alma babava e chorava, com as mãos estendidas em minha direção, os dedos contristados, gritos que clamavam pela presença do pai, olhos arregalados em desespero. Nada no mundo importava para ela naquele momento: a única coisa que desejava era estar com seu pai. Mas ela não podia. Apesar de todas as fibras do meu ser me impulsionarem para correr em sua direção, tomá-la em meus braços e levá-la comigo de volta para casa, eu sabia que não seria possível. Então assoprei um beijo de longe e gritei:

– Papai te ama! Muito!

E saí do pátio, em direção à bicicleta, enquanto ouvia os gritos e o choro da minha filhinha.

– Papaaaaaaaaaaaaaaai!!!! Papaaaaaaaaaaaaaaai!!!! Papaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaai!!!!

inferno 2O que é o inferno? Esqueça todas as imagens simbólicas que já ouviu sobre isso. Esqueça diabinhos vermelhos cutucando pessoas com tridentes. Esqueça divinas revelações, esqueça livros de gente que afirma ter sido arrebatada, esqueça tudo. Inferno é uma coisa só: querer estar com o Pai e não poder. Só quem viu nos olhos de alguém o mais absoluto desespero por desejar ficar com o pai e não ter essa possibilidade, como eu vi, compreende o que significa o choro e o ranger de dentes.

Fomos criados para viver com Deus. Viver longe dele é algo totalmente antinatural. Por isso, nossa natureza clama angustiadamente por sua presença. Quando o Pai pôs Adão no Éden, insuflou nele o desejo de conviver diariamente consigo. Isso é o natural. O pecado, porém, criou o abismo entre Criador e criatura e, a partir daí, passamos a viver com um vazio do tamanho de Deus na alma. Fomos expulsos do jardim, e não fomos criados ou preparados para isso. Deus fez o homem para estar junto de si e qualquer coisa diferente disso é uma distorção astronômica da ordem original das coisas. O inferno foi criado para Satanás e seus anjos, lá não é nosso lugar. Não pertencemos ao inferno, mas ao Éden, à convivência permanente com o Pai. Por isso, é completamente artificial estar longe de Deus, não faz sentido, não encaixa, o mundo vira de cabeça para baixo numa situação dessas.

cruzMas, então, veio a cruz. Ela nos tirou dessa realidade irreal e surreal que é viver longe do Pai. Ao sermos adotados como filhos de Deus, mediante Cristo, retornamos ao estado original para o qual fomos formados: temos acesso ao Senhor, passamos a viver com ele – não mais em um jardim, mas em nós mesmos, feitos habitação do Santo Espírito. Ingressamos no reino do qual nunca deveríamos ter saído. Nossa comunhão com o Pai volta a ser constante, como sempre deveria ser e como nunca deveria ter deixado de ser, não fosse pela entrada do pecado em nosso coração.

Quem não tem Cristo, todavia, vive outra realidade. Na vida desses, a separação do Pai segue do nascimento até a morte. Distraídos com as alegrias desta vida, os prazeres, as festas e os benefícios que as riquezas proporcionam, seu foco torna-se o que está ao redor. O afastamento de Deus os cega a tal ponto que chegam a crer em outros deuses ou mesmo a não crer em nenhum. E, assim, a necessidade de retornar àquele estado original de comunhão constante com o Criador é embaçada pelas coisas desta vida. Consciência cauterizada.

Só que aí chega a morte.

E, após a morte, todas as distrações, todos os prazeres, tudo aquilo que ocupava a mente e o coração dos que deram as costas para Cristo durante seus anos na terra… desaparece. Simplesmente deixa de existir. O que resta? A ausência do Pai. Um vazio que nunca será preenchido. E isso leva, inevitavelmente, ao sofrimento. À dor. Ao desespero. Ao choro. Ao ranger de dentes. Sem as distrações da vida terrena, a alma sedenta da presença de Deus percebe que jamais a terá. Pelos séculos dos séculos, sua existência será marcada pela ausência do Pai. E tudo o que lhe resta é o tormento eterno que essa percepção gera.

– Papaaaaaaaaaaaaaaaaaaaai!!!!!!!!

Só que aí não adianta mais nada clamar. O Pai não tem mais o que fazer, pois a cruz foi rejeitada. Aquela pobre alma deu as costas para Jesus. O Pai só pode olhar de longe e, cheio de amor e compaixão por aquela vida, afastar-se, ouvindo seus gritos do mais absoluto desespero, pois a justiça teve de ser cumprida: sem Deus nesta vida, sem Deus na eternidade. O que sobra? O nada. O nada absoluto.

Ao final da tarde, voltei à escola para pegar minha filha. Assim que ela me viu, correu em minha direção e, de um salto, pulou no meu pescoço. Ficou agarrada um longo tempo, enquanto eu, meio espremido em seu abraço, dava dezenas de beijos no seu rosto. Sem desgrudar, ela disse baixinho no meu ouvido:

– Papai… eu tava com saudade.

E respondi, com amor:

– Eu também, bebê. Mas agora o papai está aqui. E a gente vai ficar juntinho, viu? Vou te levar pra casa e vamos ficar agarradinhos.

Ela abriu um sorriso radiante. Deu um longo suspiro, relaxou os braços e apoiou a cabecinha no meu ombro. E foi quando eu percebi: agora, ali, no abraço do pai, minha filha estava… no céu.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Mauricio Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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leoesPeço desculpas a você que acompanha o APENAS, pois escrevo sempre aqui no blog com a intenção de edificar, exortar ou consolar a sua vida, mas, hoje, gostaria de abordar um assunto que tem ferido a minha alma. Já explico, mas, para chegar ao ponto principal da minha reflexão, antes tenho de apresentar alguns argumentos. Se você tiver paciência de ler até o final, sigamos juntos. O fato é que, já há alguns anos, algo tem me incomodado muito. Mas muito. Muito. Demais. A desunião da Igreja de Jesus Cristo em nosso país alcançou patamares elevadíssimos. Para mim, preciso dizer, insuportáveis. Viramos uma família abençoada, porém, em enorme parte, problemática. Por mais que me doa muito dizer isso, nós, evangélicos, somos um povo desunido. O que ainda não é o pior: não satisfeitos em vivermos entre inimizades, porfias, […] discórdias, dissensões, facções” (Gl 5.20), tratamos os irmãos em Cristo de quem discordamos com um nível de agressividade, arrogância, desrespeito e falta de amor que considero espantoso para quem segue Jesus.

Essa constatação, atrelada à angústia que ela provoca, já me acompanha há um bom tempo. Quando abandonei as redes sociais, há uns dois anos, fiquei bem melhor, pois parei de ter acesso a muitos dos debates, videos, textos, vlogs e posts que promovem a segregação e o esquartejamento do Corpo de Cristo. Com o lançamento de meu livro Perdão Total, em outubro passado, retornei ao facebook por orientação da editora, como forma de manter o diálogo com leitores e irmãos a quem porventura eu pudesse vir a abençoar pelo que escrevo. Nesse sentido, foi ótimo, pois de fato foi possível interagir, conhecer novas pessoas, ter diálogos interessantes, divulgar a mensagem do perdão e da restauração. Mas isso teve um efeito colateral, um preço a pagar: voltei a ter acesso a posts, comentários, vídeos, vlogs e tudo o mais que, em nome “de Jesus”, da suposta “sã doutrina” e da “apologética”, promove dissensão, a compartimentalização e a ira entre as diferentes facções da Igreja. 
ovelha 1Assim, tenho visto calvinistas numa discussão eterna com arminianos, com troca de acusações, desrespeito e ofensas dos dois lados. Também cessacionistas em discussões antigas e insípidas com pentecostais. Ou, ainda, pedobatistas e credobatistas se pegando nos ringues virtuais. Adeptos da Missão Integral e adversários da Missão Integral quase comendo o fígado uns dos outros. Gente que não crê que Deus está no controle de tudo gritando e salivando contra quem crê que Deus está no controle de tudo e quem crê respondendo com igual ímpeto. Isso além de muitos outros grupos divergentes. Tudo “em defesa da sã doutrina”, claro.
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Sabe o que percebo que há em comum a todos esses grupos que polemizam na Internet e outros ambientes? São irmãos em Cristo tratando irmãos em Cristo com desrespeito, desamor, doses de agressividade, muita arrogância e outras posturas que são características do mundo, não de filhos de Deus – claro que, como acreditam estar fazendo isso em nome da sã doutrina, os que entram nesses debates creem que tudo podem, que o Senhor lhes dá carta branca para serem pessoas desagradáveis, já que acreditam verdadeiramente que o estão “defendendo”. Agem, talvez sem perceber, não segundo o  amor que o evangelho propõe, mas segundo a máxima do filósofo Maquiavel: “o fim justifica os meios”.
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Nas divergências, me assombro com a forma com que os “defensores da sã doutrina” atacam quem eles acreditam estar errados. Cheguei a ver irmãos em Cristo criticando irmãos em Cristo de quem discordam usando elogios como “paspalho”,  “idiota” e “palhaço”. Estou estarrecido com o que tenho visto e profundamente abatido por ver que meus irmãos acham que isso é justificável. Não é. É um absurdo bíblico. Só para lembrar: “Quem proferir um insulto a seu irmão estará sujeito a julgamento do tribunal; e quem lhe chamar: Tolo, estará sujeito ao inferno de fogo” (Mt 5.22). Ou Jesus não quis dizer o que disse? Que outra interpretação haveria?
leos 2Repare que não estou falando de cristãos criticando hereges. Refiro-me a cristãos que discordam de cristãos. É briga familiar. Irmão contra irmão. Caim e Abel dos dias atuais. Se já me choco quando vejo a maneira horrível e mundana como muitos irmãos em Cristo tratam hereges e pessoas que discordam do evangelho, quanto mais quando observo as brigas entre os irmãos na fé. Muitos dos que põem o dedo na cara dos hereges falam deles com ira, chacotas, sarcasmo e ódio, muito ódio, em suas palavras e, naturalmente, no coração. “O que sai da boca vem do coração, e é isso que contamina o homem” (Mt 15.18). Sempre que vejo, leio ou ouço, por exemplo, cristãos falando de forma agressiva e cheia de ódio contra quem considera inimigo da fé, lembro-me do que Jesus nos ordenou: “Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem; para que vos torneis filhos do vosso Pai celeste, porque ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons e vir chuvas sobre justos e injustos. Porque, se amardes os que vos amam, que recompensa tendes? Não fazem os publicanos também o mesmo?” (Mt 5.43-46). Se recebemos de Jesus o mandamento de amar os inimigos (e nunca vi tratar mal, xingar, ofender, desrespeitar ou agredir quem se ama), os inimigos da fé não se encaixariam na categoria “inimigos”? Ou inimigo não significa inimigo? Então não deveríamos tratá-los com amor? Jesus não quis dizer o que disse? Ou “não é bem assim”?
dallas willardMuitos cristãos acreditam que a defesa da fé (contra hereges ou contra cristãos dos quais se discorda) deve ser feita com agressividade, com testosterona, como cruzados numa batalha. Agem como zelotes, guerreiros da sua “sã doutrina”. Então, para os tais, vale tudo, inclusive tratar de quem discordam por nomes desrespeitosos e agredi-los da forma que der. Confesso que há alguns anos eu acreditava nisso também. E agi dessa forma, reconheço o meu pecado. Mas, então, fui percebendo o absurdo e o mundanismo presente nessa postura. Até que, há alguns meses, li a obra The allure of gentleness (“O fascínio da gentileza”, numa tradução livre), livro póstumo de Dallas Willard (foto), onde ele prova que a defesa da fé (com relação a hereges e também a cristãos de quem se discorda) para dar resultados tem de ser feita com educação, polidez, afeto e respeito. O que li foi a gota d’água para revolucionar de vez minha visão sobre o assunto. Hoje, meu estômago embrulha quando leio, vejo ou ouço qualquer cristão “defender a fé” com agressividade, altivez, ofensas, termos deselegantes, xingamentos e petulância – sempre “em nome de Jesus”, claro.
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Não é possível que as pessoas não percebam que algo feito em nome de Jesus mas que contraria o caráter de Jesus… tem qualquer origem, menos Jesus.
boko haram 1Venho observando e suportando tanta divergência feita sem amor por esses últimos quatro meses sem falar nada, mas, semana passada, aconteceu algo que me lançou em uma reflexão profunda e me conduziu a este desabafo. Por algumas razões, passei a buscar informações sobre a perseguição sangrenta e cruel que vem ocorrendo em nossos dias contra os cristãos em determinados países do mundo. Não sei se você sabe disso, mas nossos irmãos e nossas irmãs em Cristo estão sendo mortos como porcos em muitas nações dominadas pelo Isam. Hoje. No exato momento em que você está lendo este texto, confortável e despreocupadamente, milhares de irmãos na fé estão sendo estuprados, desapossados de seus bens, vendidos como escravos sexuais, espancados e assassinados. A forma preferida de matança de cristãos, por serem cristãos, é a decapitação.
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O grupo terrorista Estado Islâmico tem dizimado todo e qualquer cristão que encontra pelo caminho em países como Síria, Jordânia, Israel, Palestina, Líbano, Chipre e Turquia. E isso por enquanto, logo eles estarão em outros países. Talvez o Brasil. O Estado Islâmico obriga as pessoas que vivem nas regiões que controla a se converter ao islamismo, e aqueles que se recusam sofrem torturas, mutilações e estupros. E são executados.
boko haram 2Na Nigéria, o problema é semelhante. A organização Boko Haram (expressão que significa “a educação ocidental ou não islâmica é um pecado”) é um grupo  fundamentalista islâmico de métodos terroristas, que busca impor a lei muçulmana no norte do país. O Boko Haram opera com caminhões e carros blindados, cerca vilas cristãs e mata a população inteira, além de sequestrar e estuprar todas as meninas. Vídeos têm sido divulgados pela internet e mostram pastores e membros de igrejas sendo decapitados por espadas, simplesmente por ser cristãos e se recusar a negar sua fé. Volto a dizer: isso está ocorrendo agora, hoje, nesta época da história e debaixo do mesmo sol que eu e você. No exato mesmo segundo em que cristãos aqui no Brasil se ofendem e entram em discussões mal-educadas por questões secundárias da fé; em países como Nigéria, Síria e Jordânia pastores e membros estão sendo postos de joelhos e decapitados por espadas. As imagens são tão terríveis que foi difícil encontrar fotos para ilustrar este post que fossem publicáveis, a maioria é de embrulhar o estômago.
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E, finalmente, quero chegar ao ponto principal de tudo o que escrevi aqui. Eu li muitos textos e assisti a uma grande quantidade de vídeos sobre a perseguição e a devastação imposta a esses milhares de irmãos pelo Estado Islâmico e pelo Boko Haram. Sabe o que mais chamou minha atenção? Em nenhum deles, em nem um único sequer, vi qualquer designação desses mártires da fé que não fosse cristãos. Nenhuma manchete de jornal escreveu algo como “Reformados são assassinados” ou “Estupradas a meninas que se opõem à Missão Integral”. Tampouco “Milhares de pentecostais decapitados na Nigéria”, nem “Vilas de cessacionistas são invadidas por terroristas”. Ou “Batistas e presbiterianos são caçados por islâmicos, mas pentecostais e metodistas não”. Nada disso. O que leio é “Cristãos são mortos…”; “Cristãs são estupradas…”; “Cristãos foram decapitados…”. Cristãos. Cristãos. Cristãos. Cristãos. Cristãos. Cristãos.
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Sabe a que conclusão cheguei? Quando vem a perseguição, todas as discussões sobre assuntos secundários deixam de importar. Os bate-bocas denominacionais desaparecem. As rusgas doutrinárias evaporam. Se a sua cidade for invadida por radicais islâmicos, você não vai dar a mínima para as questiúnculas periféricas que nos dividem e jogam irmão contra irmão. Assim como duvido que os cristãos de Iraque, Nigéria, Síria e outros países que sangram pela perseguição estejam dando a mínima para isso neste momento. Eles só sabem que são filhos de Deus e irmãos em Cristo. Porque, no instante em que o principal é posto no foco, as questões periféricas e menos importantes da fé desaparecem.
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O que sobra é o centro de tudo: a cruz. Nessas horas, nos lembramos dos temas fundamentais da fé, como amor a Deus e ao próximo, graça, perdão, restauração, evangelismo, negar-se a si mesmo, vida eterna, fruto do Espírito e tantos outros que permanecem esquecidos por muitos em tempos de paz.
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Eu tenho pavor que isso aconteça, mas a história das perseguições religiosas ao longo dos séculos mostra que a perseguição une, purifica e derruba as divisões da Igreja. Não que eu queira o Estado Islâmico ou o Boko Haram invadindo Copacabana, Deus nos livre! Jamais desejaria isso. Mas, no rumo em que estamos, seria uma das poucas coisas que poderiam remover os rótulos inúteis e unir, aqui no Brasil, as denominações, os adeptos das distintas linhas teólogicas e doutrinárias, os diferentes grupos soteriológicos, os que professam ideologias cristãs diferentes, os que divergem em assuntos periféricos e menos importantes da fé. As igrejas de países como Nigéria, Síria, Iraque e Jordânia que o digam.
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Não importa se você é batista, presbiteriano, pentecostal, anglicano,  metodista, cessacionista, emergente, pedobatista ou o que for. Se você foi alcançado pela graça divina, crê em Jesus como Senhor e Salvador pessoal e vive em piedade, passará a eternidade na presença de Deus, em novos céus e nova terra. E, sinceramente… você acha que qualquer uma dessas coisas importará lá? Então fica aqui a minha recomendação: importe-se aqui com o que importa na eternidade.
boko haram 5Desfrute da liberdade que você tem. Mas faça isso todos os dias como se vivesse num país em que te cortariam a cabeça só de saber que você é cristão. Porque, aí, todo rótulo deixará de importar e você poderá se orgulhar de ter como título simplesmente… cristão. Um cristão que ama e une e não um que promove a discórdia e polêmicas que gerarão bate-bocas e nenhum benefício. E peço a Deus de todo o meu coração que jamais seja preciso que seu pescoço esteja encostado na lâmina de uma espada para que isso aconteça.
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Amemo-nos. Unamo-nos. Deixemos de lado as rusgas sobre aspectos secundários da fé. Vamos dar as mãos naquilo que nos une, voltar os olhos para a cruz e começar, de fato, a amar o próximo. Sejamos, de fato, irmãos. Deus estende sua graça salvífica para um único tipo de pessoas: pecadores perdidos. Ou seja: antes de sermos salvos éramos todos iguais. Por que depois de sermos salvos temos de começar a nos segmentar, odiar, atacar? Pentecostais, tradicionais, cessacionistas, continuístas, pedobatistas, credobatistas, calvinistas, arminianos etc., etc., etc… nada disso importará no dia em que virmos Jesus face a face. O que Deus verá nesse dia é se temos o sangue do Cordeiro aspergido sobre nós. Somos todos cristãos, somos todos irmãos: que comecemos a agir como tal, para que cumpramos a oração de Jesus a nosso respeito. “Pai santo, protege-os em teu nome, o nome que me deste, para que sejam um, assim como somos um” (Jo 17.11).
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Paz a todos vocês que estão em Cristo,
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