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O gesto de apontar o dedo é muito comum. Apontamos nosso indicador em uma variedade de situações, com diversas finalidades, mas, em geral, o que esse gesto faz é colocar algo que não somos nós no centro das atenções. Se alguém me pergunta, por exemplo, onde fica determinada rua e eu aponto o dedo em uma direção, o que meu dedo põe no foco não sou eu, mas, sim, a tal rua. Se eu mostro uma pessoa com o meu dedo, o assunto em questão é a pessoa, não eu. Portanto, invariavelmente, o gesto de apontar tira quem aponta dos holofotes e põe em destaque quem é apontado. Devemos, porém, tomar cuidado com o que o dedo apontado para o outro diz a nosso respeito.
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Uma das maneiras de fugir das próprias responsabilidades é desviando as atenções para os erros alheios. Muitas vezes, quando não queremos encarar os nossos problemas e as nossas falhas, usamos como estratégia apontar o dedo para os erros de outra pessoa qualquer, a fim de que todos os olhos se voltem para ela e, com isso, nossas questões deixem de ser o assunto em pauta. É por essa razão que, por exemplo, candidatos a cargos eleitorais costumam atacar seus adversários, para afastar as atenções dos próprios podres, jogando os podres do outro no ventilador. É uma tática comum e bastante usual.
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Por que esse assunto é espiritualmente importante? Porque a fé cristã exige de nós uma atenção constante aos nossos defeitos. O que devo trabalhar prioritariamente são as minhas deficiências; as dos outros vêm depois. O evangelho nos confronta a todo instante com nossas falhas e exige de nós arrependimento. Porém, como se arrepender se sempre tentamos nos justificar de nossas falhas apontando o dedo para o próximo?
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Costumo desconfiar de gente que só vive botando o dedo na cara dos outros. Cristãos que dedicam a vida a apontar a falha alheia muito provavelmente deveriam se preocupar com os próprios pecados com muitíssimo mais atenção. E, para pôr em prática o que estou defendendo neste texto, deixe-me apontar o dedo para a minha cara e não a sua: anos atrás, na época em que eu agia como o “apologeta da verdade” e dedicava meus pensamentos, meus textos, minhas horas e minhas energias a “denunciar os erros da Igreja” e a atacar os hereges e os equivocados, foi o período da minha vida em que eu mais deveria ter prestado atenção aos meus defeitos. Algo errado com denunciar os hereges e equivocados? Claro que não. Mas eu deveria, antes disso, ter prestado atenção e tratado os meus próprios conceitos, modos de agir, valores e motivações. O resultado de ter posto o dedo na cara alheia e não na minha: acabei doente, física e espiritualmente.
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Esse fenômeno acontece em diversas instâncias. Esposas e maridos conformados com seus procedimentos antibíblicos apontam o dedo para o cônjuge ao serem confrontados com seus pecados e dizem “ah, mas você…”. Pronto. Tirou o foco das próprias atitudes horríveis e o pôs na falha do outro para não ter de se reconhecer errado e fazer algo a respeito. Patrões que não querem se assumir como exploradores dos empregados põem o dedo na cara do governo e dizem “ah, mas o governo…”. Cidadãos comuns que dão propina a policiais ou funcionários do governo tentam aliviar sua consciência apontando o dedo para o Planalto e dizendo “ah, mas os políticos…”. E assim por diante.
Você tem apontado o dedo? Nenhum problema quanto a isso, se a sua motivação for apontar para corrigir com amor e se, antes, tenha feito uma profunda autoanálise. Nossa prioridade é examinar a nós mesmos e buscarmos, nós, o arrependimento. Responda, com sinceridade e transparência: seu dedo apontado tem como motivação a amorosa edificação e correção do seu próximo ou uma pretensa superioridade moral e espiritual sua? Será que você aponta as falhas dos demais por amor a eles ou porque, afinal de contas, você é o tal, o defensor da verdade, o paladino mascarado do evangelho? Pior: será que seu dedo apontado não tem por finalidade tirar as atenções das próprias falhas?
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Temos de tomar cuidado para não apontar dedos com motivações espúrias. Porque, na maioria das vezes em que apontamos para o próximo sem que nossa motivação seja, única e simplesmente, o amor, estamos incorrendo em dois pecados abomináveis: a hipocrisia e a arrogância.
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Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício Zágari < facebook.com/mauriciozagariescritor >

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